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A introdução a este formidável trabalho foi feita por Murray Rothbard, que classifica o francês Gustave de Molinari (1819 — 1912) como o grande inovador da teoria da oferta de serviços de segurança pelo mercado. Com efeito, ele pode ser considerado o primeiro proponente do chamado anarco-capitalismo. 

Molinari foi profundamente influenciado pela tradição liberal-clássica de Bastiat e sua visão de mundo; consequentemente, ele se tornou um devoto defensor da propriedade privada e do livre mercado. No entanto, Molinari foi ainda mais longe e expandiu a lógica dos argumentos às suas últimas consequências, concluindo que o mercado também era melhor para prover aquele serviço que o estado alegava ser seu monopólio: a segurança. 

Desta maneira, sua contribuição ímpar foi a de nos distanciar da falsa suposição de Hobbes de que, por alguma razão, o estado seria necessário para evitar que a sociedade se degenerasse no caos. Ao contrário, argumenta Molinari, a sociedade voluntária é a fonte da ordem, a qual se origina na própria liberdade. Não há nenhuma contradição, ou mesmo tensão, entre a liberdade e a segurança. Se a livre iniciativa funciona bem em um setor, ela também pode funcionar bem em outros setores. 

Molinari era de fato um radical, mas no sentido de ter prenunciado como seria a evolução do pensamento libertário: um radical na defesa do capitalismo em todas as áreas da vida, que é apenas outra forma de dizer que ele era um consistente defensor da sociedade completamente livre. 

Talvez possa ter existido uma época em que as pessoas poderiam considerar benigno o monopólio do governo sobre a polícia e os tribunais, uma atribuição indelével do estado defendida pelos liberais-clássicos dos velhos tempos. Mas o inexorável avanço do estado policial alterou esta visão: agora estamos mais aptos a entender que os serviços de "segurança" estatais são a mais grave ameaça à liberdade que podemos enfrentar. 

Neste sentido, Molinari é o homem do momento.

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Sobre o autor

Gustave de Molinari  foi um economista belga associado à escola liberal francesa, considerado por Frédéric Bastiat como o continuador de seus trabalhos, e provavelmente o primeiro autor anarco-capitalista. De 1871 a 1876, editou o Journal des Debats e, de 1881 a 1909, o Journal des Économistes.


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