Mises Brasil Instituto Ludwig von Mises Brasil
http://www.mises.org.br


Você simplesmente ama o livre mercado. E seu comportamento demonstra isso
por Jared Meyer, terça-feira, 20 de junho de 2017

Sim, é fato: você ama o capitalismo e a livre concorrência.

E sim, também é fato: você odeia o governo e seus serviços.

Provar isso será bem fácil. Acompanhe.

Criações capitalistas

Você utiliza um iPhone? Um Android? Um Macbook? Um notebook da Dell, da Sony, da HP?

Você lê no Kindle ou em algum outro tablet?

Você assiste a filmes e seriados no Netflix? Assiste a vídeos no YouTube?

Você faz compras pela Amazon?

Você ouve músicas no Spotify?

Você faz procuras no Google?

Você se locomove pelo Uber ou pelo Cabify?

Você dirige utilizando o Waze?

Ao viajar, você recorre ao Airbnb?

Você está no Facebook? Ou no Instagram? Ou no Snapchat?

Sim, você provavelmente utiliza várias das -- se não todas as -- ferramentas acima. E, se você é como eu, você as adora. No mundo de hoje, elas já se tornaram uma necessidade prática.

E de onde você imagina que elas vieram? Exato: de empreendedores que tiveram grandes idéias e, principalmente, a liberdade de testá-las no mercado. Elas vieram de pessoas que investiram seu capital (ou tomaram emprestado o capital alheio) em uma ideia com a esperança de que esta sua ideia iria satisfazer os consumidores.

Isto é o que chamamos de capitalismo.

Será um capitalista bem-sucedido aquele que não apenas souber como atender aos desejos da massa, como também estiver sempre tentando aumentar a satisfação dela.

E a lógica é simples: os consumidores possuem exatamente aquilo que os produtores querem: dinheiro. Produtores e empreendedores estão no mercado para ganhar acesso ao dinheiro dos consumidores. E, para conseguir este dinheiro, terão de estar sempre fornecendo produtos melhores e de mais fácil acesso. Eles ganharão dinheiro no volume e na qualidade, e não em preços altos.

Por isso, é um grande equívoco imaginar que o capitalismo funciona primordialmente para beneficiar os produtores. O capitalismo genuíno opera em benefício do consumidor, pois o consumidor possui aquilo que os produtores querem: dinheiro. E, para adquirem esse dinheiro, os produtores terão de satisfazer os consumidores.

Criações do governo

Agora, considere algumas outras coisas que você provavelmente também utiliza.

Você já esteve em uma repartição pública?

Você já foi ao DETRAN?

Já utilizou um hospital público?

Já foi a uma escola pública?

Como você foi tratado na alfândega e nos serviços de segurança aeroportuária?

O que você acha dos serviços dos Correios?

Como a Receita Federal trata você?

Como é o serviço de saneamento básico? Ele é universal?

Qual é, afinal, a diferença entre estatal e privado?

Por que ir a uma loja da Apple, almoçar em uma churrascaria rodízio ou jantar no Outback é tão divertido, mas ir ao DETRAN, a uma repartição pública qualquer ou aos Correios é tão doloroso? Em tese, todos estão vendendo serviços a você; logo, todos deveriam tentar lhe agradar. Mas não é o que ocorre. 

E a resposta é simples: porque as três primeiras não têm nada a ver com o governo, ao passo que as três últimas são o governo. As três primeiras têm de satisfazer seus clientes caso queiram sobreviver e prosperar. Já as três últimas vivem da extração forçada do dinheiro de toda a população (via impostos) e independem da qualidade de seus serviços para continuar existindo.

O propósito do governo não é criar produtos e nem oferecer serviços de qualidade. Com efeito, ninguém realmente espera isso do governo. Mais ainda: se você pensar um pouco mais detidamente, e deixar a ideologia de lado, concluirá que não quer o governo envolvido em absolutamente nenhum serviço que empresas privadas possam fazer. E você pensa assim porque sabe que indivíduos em busca do lucro têm de se esforçar e trabalhar bem para satisfazer seus consumidores -- no caso, você.

Já as agências do governo e seus funcionários não têm de agradar a absolutamente ninguém. Seus salários são garantidos pelos seus impostos, independentemente da qualidade do serviço.

Vá a uma repartição pública caso não esteja convencido.

No livre mercado, você é o rei

Você consegue imaginar como seria o mundo hoje se Steve Jobs tivesse de obter aprovação do governo para cada novo design do iPhone? Nem sequer teríamos o iPhone 3G.

Mais: veja a Uber. Há apenas alguns anos, ter um motorista particular à sua disposição, o qual chega apenas alguns minutos após você clicar em um aplicativo no seu celular e que leva você para onde quiser, era um serviço disponível apenas para os milionários. Mas hoje, graças ao capitalismo, serviços de transporte privados já se tornaram uma alternativa barata para pessoas de todas as classes sociais ao redor do mundo.

Antes da Uber, se você estivesse na rua de uma grande cidade e começasse a chover, sua única opção era tentar achar um táxi (um serviço monopolista protegido pelo estado). E você raramente conseguia um. Havia muitas pessoas ensopadas e muitos poucos taxis disponíveis. Já a Uber teve uma ideia melhor. Quando chove, a demanda por serviços de transporte aumenta. Consequentemente, os preços sobem temporariamente, e isso incentiva mais motoristas da Uber a fornecerem seus serviços naquela localidade. Problema da falta de transporte resolvido. E, se você não estiver satisfeito com os preços da Uber, pode tentar a Cabify.

Os aplicativos de carona fizeram com que até mesmo os mais pobres tivessem o luxo de um motorista particular (e barato) disponível a apenas um clique de celular. Aquele serviço que, há apenas alguns anos, era disponível apenas para o 1% mais rico da população, hoje, graças a empreendedores e ao livre mercado, já se tornou uma alternativa acessível para os 99%.

O Airbnb é outro exemplo. Há apenas alguns anos, se você estivesse viajando de férias com sua família ou com seus amigos, hotéis seriam sua única opção. Mas hotéis são caros (pois a entrada no mercado é regulada pelo governo, o que restringe a oferta) e dificilmente fornecem muito em termos de espaço, amenidades ou localização interessante. Se você quisesse, digamos, encontrar um indivíduo que porventura estivesse disponibilizando um quarto em seu apartamento por algumas noites, teria de fazer uma busca às cegas pela internet.

Mas então surgiu o Airbnb, que deu a cada indivíduo munido de um computador ou de um smartphone acesso a mais de 2 milhões de imóveis em 190 países ao redor do mundo. Você pode se hospedar em imóveis com banheira de hidromassagem e piscina, ou pode ficar em um quarto de uma casa, ou mesmo apenas em um sofá. Você escolhe de acordo com seu orçamento.

De novo: no capitalismo, você consumidor é o rei. Os ofertantes querem o seu dinheiro e, para consegui-lo, terão de se esforçar e ser criativos. Eles ganharão seu dinheiro no volume de ofertas e na qualidade dos serviços, e não apenas cobrando preços altos.

Com o governo, você é o servo

O governo jamais poderia ter criado nada disso. Que motivação ele teria? A existência do governo, assim como o salário de seus funcionários, independe da criação de serviços. E muito menos da qualidade destes. A receita é extraída à força dos cidadãos. O dinheiro vem de qualquer maneira.

Em termos empreendedoriais, como o governo sequer saberia que os consumidores querem serviços como Uber e Airbnb? Nós mesmos nem sabíamos que isso era possível, até que empreendedores dispostos a assumir riscos fizeram com tudo realmente acontecesse. Graças ao capitalismo.

E tudo apesar do governo, que apenas quer atrapalhar. A grande constante do universo é o impulso natural do governo em querer regular e controlar tudo aquilo que ele pode regular e controlar. O lema do governo parece ser: "Funciona bem e agrada aos consumidores? Vamos regular ou proibir!". Faz sentido. Afinal, qual mais seria a função das várias agências governamentais e de todos os burocratas que as infestam?

Várias cidades ao redor do mundo estão erigindo barreiras para conter ou mesmo abolir serviços como Uber e Airbnb. Criar empecilhos aos produtores e atrapalhar a vida dos consumidores é a única área em que o governo possui criatividade. Por isso, o crescimento econômico só tem chance de ocorrer na ausência de regulamentações estatais.

É exatamente por isso que a internet, apenas para citar um exemplo importante, só se desenvolveu e prosperou porque surgiu em um ambiente regulatório de "inovação sem pedido de permissão". Os burocratas, inerentemente lentos, não conseguiram imaginar em que a internet se transformaria. Quando perceberam o fenômeno, já era irreversível.

Quando empreendedores podem satisfazer as demandas de seus consumidores sem antes terem de pedir aprovação ao governo, o bem-estar de todos aumenta.

Conclusão

Praticamente tudo o que você utiliza e adora é produto do capitalismo. E praticamente tudo o que você não tolera, mas acaba tendo de usar, é produto do governo.

Você ama o capitalismo e a livre concorrência? É claro que sim. Você recorre ao mercado diariamente. É hora de defendê-lo.