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A incoerência dos liberais e minarquistas
por Fernando Ulrich, quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Juro não entender o consenso entre os liberais -- definidos aqui como de qualquer estirpe, conquanto que defendam a existência de algum estado -- em delegar ao estado a provisão dos serviços de segurança, justiça, saúde e educação.

Os liberais dominam com maestria a teoria econômica e explicam como poucos o quão inerentemente ineficiente é o estado para prover qualquer serviço ou produto. Mas, por algum motivo -- politicamente estratégico, talvez --, se recusam a aplicar as suas próprias lições à questão da segurança, justiça, saúde e educação.

Se essas são as funções essenciais em uma sociedade -- como a maioria dos liberais alega -- por qual razão deste mundo sujeitar os mais necessitados a esse arranjo no mínimo insensível?

Quando defendem -- e com razão -- a redução do estado em favor da sociedade, eles prontamente concedem que, muito embora sua diminuição seja necessária, a sua existência para algumas funções básicas é absolutamente necessária.

Para resolver essa incongruência, seria preferível apenas defender a redução do estado -- e nada além disso -- a estar sujeito a ser atacado por defender posições ilógicas.

Deixemos a discussão das "funções essenciais" para daqui a algumas décadas ou séculos.

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Acréscimo do editor

Ainda nessa linha, os próprios minarquistas -- que defendem que o estado se ocupe apenas de serviços de segurança e do judiciário -- não escapam da incoerência atroz: segundo eles, o mesmo estado que é incapaz de gerenciar eficientemente uma escola e um hospital irá, miraculosamente, prover com grande eficiência serviços policiais e "manter o império isonômico da lei e da ordem" -- algo que, convenhamos, é um tantinho mais difícil do que gerenciar uma escola e um hospital.