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Vamos culpar os especuladores!

Eis uma pergunta nada desafiadora: se você acredita que, em um futuro próximo, a safra de trigo, milho, arroz ou qualquer outra commodity será menor do que a esperada, qual seria a coisa mais sensata a fazer quanto ao consumo desses itens atualmente?  Aposto que o cidadão médio responderia: consumir menos agora para que haja uma maior quantidade desses bens no futuro.

Porém, como é possível estimular as pessoas a consumirem menos atualmente?

É aí que entra o mercado de futuros, o qual consiste em um grupo, em escala mundial, de milhões e milhões de investidores e aplicadores, frequentemente chamados de especuladores.  Esses especuladores, apostando que haverá uma escassez no futuro, compram grandes quantidades de trigo, milho e arroz no presente, na esperança de ganhar dinheiro vendendo esses bens a um preço maior no futuro, quando a safra for ruim (como eles anteciparam que seria).

À medida que os especuladores compram grandes quantidades de trigo, milho e arroz, eles elevam os atuais preços destes itens.  Com a elevação desses preços, as pessoas consomem menos.  Porém, o que é mais importante: as pessoas tomam essa decisão inteligente sem quaisquer decretos burocráticos.  A função vital do investidor do mercado de futuros — ou do especulador — é alocar bens ao longo de diferentes períodos de tempo.  E não são apenas trigo, milho e arroz que devem ser alocados ao longo do tempo, mas sim todas as commodities, inclusive petróleo. 

Não há absolutamente nenhuma garantia de que os especuladores irão ganhar dinheiro.  Eles podem tomar decisões erradas e, consequentemente, levar prejuízo em suas especulações.  Por exemplo, eles podem comprar trigo hoje a $8 por bushel na esperança de que, em novembro, o preço do bushel estará em $12, o que lhes permitirá embolsar vultosos lucros.  Entretanto, as previsões meteorológicas podem acabar se revelando erradas, de modo que, ao invés de uma safra reduzida, acabe havendo uma safra farta em novembro, fazendo com que os preços caiam para $4 por bushel.  Isso fará com que o investimento de $8 do especulador lhe traga um prejuízo de $4.

Se realmente não queremos especulação de commodities, seja porque achamos imoral ou por qualquer outro motivo, podemos facilmente proibi-la.  Se fizermos isso, mesmo que haja absolutamente todos os indicativos de que haverá uma safra reduzida de trigo no futuro, os preços de hoje não subiriam.  Consequentemente, continuaríamos consumindo hoje como se não houvesse amanhã.  E, quando este chegasse, desfrutaríamos a fome.

Nos EUA, o presidente Obama pediu ao Departamento de Justiça para que investigasse se os especuladores poderiam estar manipulando o mercado de petróleo.  Se Obama conseguir convencer os outros países a colocar um fim na especulação mundial de petróleo, o preço do barril cairia sensivelmente e todos nós poderíamos consumir gasolina barata, ignorando completamente os conflitos no Oriente Médio que podem impactar acentuadamente a oferta futura de petróleo.

Os ataques da Casa Branca e do Congresso americano à especulação de petróleo não altera a realidade fundamental do mercado de petróleo — isto é, o fato de que ele é governado pela oferta e demanda do produto.  Uma medida que realmente faria com que o preço futuro do petróleo diminuísse seria a autorização da exploração dos estimados bilhões de barris de petróleo que existem na costa americana dos oceanos Atlântico e Pacífico, bem como no Golfo do México e no Alasca, para não falar dos bilhões, possivelmente trilhões, de barris de óleo de xisto que existem no Wyoming, no Colorado, em Utah e em Dakota do Norte.

Além dos ambientalistas, os políticos também fazem pouco caso desta ideia — alguns até mesmo desprezam-na abertamente —, dizendo que levaria de cinco a dez anos para que o petróleo começasse a jorrar, e que isso não resolveria os problemas prementes de hoje.  Quanta tolice!  Garanto que se fossem concedidas as autorizações para a exploração de todas as fontes de petróleo existentes, veríamos uma imediata redução nos preços atuais.

Por quê?  Coloque-se no lugar de um membro da OPEP.  Você sabe que haverá uma maior oferta de petróleo americano daqui a cinco ou dez anos, o que pode derrubar os preços do barril para US$ 20 ou US$ 30.  O que você faria agora, enquanto o barril do petróleo está em US$ 120?  Você iria querer vender.

Os esforços coletivos da OPEP para vender mais petróleo atualmente colocariam uma pressão baixista nos atuais preços do petróleo.  A Casa Branca, o Congresso americano e os ambientalistas pirados, ao proibirem novas explorações de petróleo, transformam-se nos mais ferrenhos aliados da OPEP.  Eu não ficaria nem um pouco surpreso caso descobrissem que a OPEP possui alguma reciprocidade nesse favor tão grande que lhe é feito, provavelmente na forma de contribuições políticas para os congressistas americanos e doações caritativas para grupos ambientalistas.


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2 votos

autor

Walter Williams
é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros.  Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.


  • Artur Reis  09/05/2011 11:37
    Politicagem, eis o mal do mubdo...
  • Artur Reis  09/05/2011 12:52
    "Mundo".

    Leandro,(e quem estiver disposto a responder), oque voce acha de um dolar abaixo de R$1 ? Nosso governo tem força para impedir isto ? E caso o governo continue comprando dolares qual seria o limite, digo, ate que ponto eles aguentariam manter uma reserva tão grande ? os outros paises, ate que ponto aguentariam esta inflação importada dos americanos ? Existe alguma moeda no mundo que não esteja enquadrada neste arranjo keynesiano ? E quais os indices que alertaram o mercado para a hora do juizo final ?

    Muitissimo obrigado
  • Leandro  09/05/2011 14:03
    Artur, o BACEN segue comprando dólares furiosamente (no momento em que escrevo, ele acaba de anunciar novo leilão de compras).

    Muito provavelmente os tecnocratas acham que podem imprimir reais para comprar dólares e, em seguida, vender títulos para esterilizar esses reais, de modo a não provocar inflação monetária. É claro que tal operação corresponde a uma mera procrastinação, pois no futuro esses títulos vendidos acabam sendo convertidos em reais -- de modo que, de um jeito ou de outro, sempre acaba havendo inflação monetária.

    Porém, vivemos em uma democracia. O horizonte temporal é bastante curto. Se tais políticas ajudarem o governo a se reeleger daqui a quatro anos -- ao custo de anos vários outros anos de estagnação --, então isso será feito.

    Quanto a haver alguma moeda que não se encaixe nesse modelo keynesiano... bom, moeda 100% fora do arranjo não existe, mas os suíços sempre conseguem se manter um pouco à margem da influência do Fed. Confesso não saber de outros bancos centrais que sejam em teoria tão independentes quanto os suíços.

    Por fim, os índices para o juízo final sempre serão os níveis de inflação de preços. Chegará uma hora em que as autoridades verão que vale mais a pena controlar a expansão da oferta monetária do que tentar manipular o câmbio para beneficiar apenas a indústria exportadora.

    Grande abraço!
  • Felix  09/05/2011 19:22
    Moeda forte?
    pode comprar o Krugerrand
    sem medo...
  • Felix  09/05/2011 19:24
    en.wikipedia.org/wiki/Krugerrand
  • Juliano Camargo  10/05/2011 03:00
    O artigo veio em um momento excelente.

    Do jeito que o mercado de futuros funciona, você sempre tem algum produtor que gosta do preço de hoje e quer travar ganhos com os valores atuais. Este cara está vendido. E você tem os consumidores industriais que estão comprados, porque preferem pagar o preço atual do que arriscar a pagar ainda mais. Mas em geral a posição líquida destes dois é vendida.

    Aí os investidores institucionais e os pequenos investidores com disposição ao risco azeitam este mercado, quase sempre estando comprados, enquanto produtores e consumidores industriais quase sempre estão vendidos.

    Os especuladores em momentos como esse se adiantam à toda a inflação monetária e super-aquecimento da economia, e apostam que os preços vão subir abruptamente. Normal! Bem que eu queria ter entrado neste bonde na hora certa também, vejam como eles estavam certos. Se estivessem errados, perderiam dinheiro. Mas sabem que a conversa dos BCs é muito papo para pouca ação, e pagam para ver.

    Se Bernanke aparecesse de surpresa na próxima reunião com um aumento de 1% ou até menos na taxa de juros, haveria um crash nas commodities. Mas a chance disso acontecer é quase nula!

    Aí como sempre as autoridades querem sufocar o mensageiro. Estas sim sempre tentam manipular o sistema.

    Ando muito desconfiado com a sequência de aumentos no depósito em margem dos contratos futuros da prata. A COMEX (similar à BMF ) tem razões legítimas para aumentar a margem, mas o 'timing' com que foi feito tem toda a cara de que foi feito com o propósito de manipular o mercado.
  • Rony Pablo  10/05/2011 08:17
    O Kenesyanimo é um mal menos colateral, e que veio para por fim aos problemas causados pelo Liberalismo na ausencia total da regulamentação (e não intervenção) do Estado na economia, um dos problemas inclusive da crise de 2008 foi este descontrole. Se o governo americano tivesse levado mais a sério o Tratado de Basiléia teria evitado a orgia de crédito promovida pelo mercado imobiliarios, e no fim da história pra recessão não ser como a de 1929 a corda quebrou do lado mais fraco para punir, e o governo foi obrigaado a resgatar as instituições mais poderosas para abortar a depressão... Com o volume de crédito que existe hoje no mundo que já chega perto da casa do primeiro quadrilhão é impossivel um sistema monetario que não seja administrado. Voltar ao padrão ouro é impossivel, pois não exsite volume para esta dimensão, e se voltasse ao padrão ouro por ser commodyti estouraria o preço devido a demanda. Infleizmente só existe o regime finduciario e o de metas. Eu diria que hoje a econnomia está sobe um regime misto com os dois...

    A final, a solução mais adequada seria um Sistema financeiro independente sem a intervenção política. POis os interesses políticos independente de quem esteja no poder sempre influirá nas decisões tomadas, voltada cada vez mais para o lado ortodoxo. O que é um tanto antiético.
    A esta autura do campionato deixar a macroeconomia de lado é o mesmo que renegar que a terrga gira em torno do sol...

    Quem mais espera uma solução milagrosa são os governos. Aquele possir o prêmio Nobel de Economia o espera.

    É um debate em aberto. Quem mais quer uma solução são os governos, quem ha tiver o prêmio Nobel de Economia o espera.
  • Leandro  11/05/2011 06:46
    Grande contradição, Rony Pablo. Sistema financeiro altamente alavancado, gerando crédito fácil para a aquisição de bens (no caso, de imóveis), com ampla criação de meios fiduciários, e pouco apego a exigências de capital (exigências estas que funcionam como um alto compulsório para os depósitos à vista) é um modelo amplamente keynesiano.

    Nenhum keynesiano quer saber de crédito rígido, lastreado em poupança e bancos operando com 100% de reservas (isto é, sem reservas fracionárias).

    Compreensivelmente, depois que o sistema foi à bancarrota justamente por seguir seus preceitos, os keynesianos agora vêm, de cara lavada, fazendo pose de quem não tem nada a ver com isso -- pior ainda, vêm oferecendo "sugestões" que são exatamente as mesmas que geraram tudo.

    Ademais, keynesianismo é isso mesmo que você falou: governos operando em conluio com o sistema financeiro, ajudando os grandes bancos e punindo os indivíduos poupadores. E você, pelo que se lê acima, apoia isso.

    Tente interpretar mais criticamente as coisas que você lê na mídia convencional, e não se apegue a esses chavões de apelo fácil

    Grande abraço!
  • Fernando  09/05/2011 13:05
    Muito Obrigado! Que artigo interessante!
  • Aulo  09/05/2011 14:15
    Esse artigo é simplesmente espetacular.
  • Alexandre M. R. Filho  09/05/2011 16:13
    Todos criticam os especuladores, mas todos especulam.\r
    \r
    Eu mesmo acabo de comprar papel higiênico a um preço baixíssimo pq sei que amanhã não estará assim tão baixo.\r
    \r
    Só espero que o governo não entre na minha casa para confiscar esses bens sob a desculpa de que a prateleira do mercado ficou vazia e eles não sabem o que usar pra... bem, pra sua higiene pessoal. Eu sugeriria os títulos públicos, mas eles não vão gostar...
  • Breno Almeida  09/05/2011 19:21
    Se não me engano depois a crise de 1929 na epoca da guerra, no EUA era crime comprar papel higiênico ou comida enlatada para estocar. Me bateu a dúvida se eles entravam na casa das pessoas confiscavam os itens.
  • Thiago Silva  10/05/2011 17:32
    Gostaria de apontar que qualquer livro de mercado futuros aponta a importância dos especuladores: gerar liquidez.
  • Túlio  09/05/2011 17:49
    Sendo repetitivo,\r
    \r
    "ótimo artigo". Parabéns
  • Miguel A. E. Corgosinho  10/05/2011 17:45
    À medida que os especuladores compram grandes quantidades de trigo, milho e arroz, eles elevam os atuais preços destes itens

    Os fenômenos inflacionários não têm berçários. Já nascem grandes.

    Uma analogia para isso é o fator do crescimento das moedas externas (especulativas) fazendo as funções fundamentais do mercado interno.

    Em que medida os recursos de valor podem ser captados e comparados às determinações de liberdade, na proporção tolerável, em que seriam separáveis como capacitação econômica das fases da sociedade industrial e não pré-requisitos dos especuladores globais, os quais se exteriorizam como uma centralidade do meios de produção?

    Eis que a grande genialidade dos economistas foi fazer a negação do Estado, com a ideia de nave exterior do futuro, mas ela surge através da especulação do Mercado Financeiro:

    No governo Lula, a agência americana J.P Morgan, em Nova York, rebaixou os títulos da dívida externa do Brasil por causa do "cenário externo". Um fato recorrente se segue para exploração do real: a bolsa de valores de São Paulo caiu 2.3 P.P, quando se deu tendência dos recursos externos irem para esfera futura dos EUA.

    Isso soou assim: quando os recursos externos saem fora do Brasil voltamos para os subterrâneos da terra. Alias, o capitalismo é um conjunto de buracos que levam a realidade para se perder na sua negação. E assim. sem saber a posição que devia ter por si no meio externo restou ao Brasil o fim de inferno.

    De fato nenhum país é algo fora de si. Só os EUA possuem a razão convertida de "meio externo" - ao qual as demais nações remetem algo próprio de sua pobreza uma para outra. Ora, examinem o seguinte: Por que os EUA ocupam o pseudo "meio externo", com esta supra condição da potencialidade externa? Porque a nação que não é potência de si mesma só pode existir pela outra, em oposição.

    Logo, o vácuo pelo nome de imperialismo, que está se estrebuchando por sofrimentos universais, chegará ao seu término destroçado. O sujeito sairá de si, por assim dizer, separado em atividades (dos seus objetos definidos) e transitará no sistema de referência, para a forma de ser nos limites da razão objetivada...

    Nesta rota de oposição vagam os fenômenos de domínio do espaço. Mas quando se elevarem ao nível do domínio exterior que batem a porta, haverá a existência do Ser que se alcança o objeto do movimento interno, como tal - externo.

    A ciência antes de chamar a moeda de objeto externo, volta a ter o lugar de meio oposto com a razão mental, para base monetária - Libertando-se do capital que desce dos EUA como custo. Isto presume um reino legislativo dessas conversões exteriores que emancipam a esfera do tesouro. 1 - Cada país, em si, assume a própria potência de suas atividades com o exterior fundado de si para o meio de si. 2- os conceitos de atividades meio se convertem na ação direta do ponto de vista tecnológico da realidade. 3 - o Juízo guardião da moeda desfaz o nó da abundância que se prende ao espaço exterior.

    Eu mesmo estou quase convencido de que deve ser gostoso ser a favor do desastre da economia.

    Que bom absurdo; uma crise sem danos é formacionista de novas moedas oficiadas como mundo real... E novos Estados abstratos do meio no homem.
  • Andre Luis  13/05/2011 12:21
    Treze parágrafos de poesia incompreensível.
  • anônimo  14/05/2011 11:01
    O problema é que vc não entende o que é a essência, (valor) das coisas em abstração.
  • Norbs  15/05/2011 06:12
    Esse é o paraíso de todos os enroladores e nostradamus do mundo, um blablabla ambíguo e vago pra depois ser interpretado do jeito que for mais conveniente.
  • André Ramos  10/05/2011 18:01
    Walter Williams entrou na minha lista 'top five'.
    Excelente!
  • Rodrigo  11/05/2011 12:44
    Prezado Leandro,

    Li esta notícia poucos minutos atrás:
    "Steve Forbes: Gold standard to return in five years". Quais seriam as conseqüências se isso viesse a ocorrer? Abraços.
  • Fernando  16/05/2011 18:25
    Olá,

    Gostaria que indicassem livros que tratem da visão austríava com relação a investimentos e especulação.

    Muito Obrigado!
  • Pedro Lima  22/10/2013 12:07
    Os mercados de ações desregulados não podem acabar abrindo brechas para as corretoras fazerem o cliente de trouxa? Alguns cursos desestimulam o investimento em forex justamente por isso (o mercado internacional, segundo dizem, é menos regulado que aqui). Gostaria que alguém comentasse isso.
  • anônimo  23/10/2013 00:06
    As corretoras não precisam da confiança de seus clientes para ganhar dinheiro? Aquela que ficasse com fama de enganar os clientes iria durar muito neste mercado ou perderia seus clientes para a concorrência rapidamente?
  • Emerson Luis, um Psicologo  03/12/2014 23:56

    Se os especuladores agirem dentro da ética, eles prestam serviços inestimáveis levando produtos de onde eles são abundantes para onde são escassos e preparando a sociedade para as próximas mudanças econômicas. E se a economia é vulnerável aos maus especuladores, é porque o governo a torna vulnerável.

    * * *
  • Benjamin  26/01/2016 04:22
    Walter Williams profetizando.
  • Daniel de Oliveira  28/06/2018 11:18
    E quanto a especulação imobiliária? visto que a quantidade de terras no mundo ou em qualquer lugar não aumenta ou diminui. Algumas são propriedade do governo outras são privadas, se as que pertencem ao governo forem privatizadas, teríamos mais terras disponíveis para o comércio (generalizando para o mundo inteiro).
    Mas no geral a especulação imobiliária é deixar um terreno valorizar e vendê-lo mais caro, não o fazendo cumprir sua função social. Como isto seria num livre mercado onde especulação imobiliária não é crime?
  • Guilherme  28/06/2018 12:38
    Opa, especulação imobiliária? Aponte o dedo para o real culpado.

    Os mais ricos, por causa de sua menor propensão ao calote, têm acesso fácil a financiamento imobiliário barato e subsidiado pelo estado, via bancos estatais. (Os empréstimos dos bancos estatais são baratos porque o Tesouro repassa dinheiro de impostos a esses bancos, o que permite que eles cobrem juros menores)

    Isso eleva a demanda por imóveis e faz os preços subirem.

    Com os imóveis mais caros, os pobres são empurrados para o "Minha Casa Minha Vida", um programa estatal criado exatamente para tentar remediar os efeitos inflacionários nos imóveis causados pela expansão do crédito estatal. Trata-se de um programa para tentar facilitar a aquisição de imóveis pelos mais pobres por meio do endividamento destes perante os bancos.

    Na prática, o governo criou um programa (Minha Casa Minha Vida) para remediar os efeitos causados por outro programa (crédito barato de bancos estatais para a compra de imóveis, utilizado pelos mais ricos).

    Ao incentivar a demanda por imóveis do MCMV, os preços destes também sobem.

    No final, tudo ficou mais caro.

    E a consequência é que os pobres ficam ou sem capacidade de adquirir uma casa (indo para as favelas) ou endividados para o resto da vida. E a política de crédito estatal comandada pelo governo garantiu a farra dos especuladores.

    Como a intervenção estatal no mercado imobiliário aumentou o déficit habitacional


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