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Economia praxeológica e Economia matemática

Os problemas de preços e de custos também foram tratados por métodos matemáticos. Houve até mesmo economistas que sustentaram que o único método apropriado para lidar com problemas econômicos é o método matemático; escarneciam os economistas lógicos chamando-os de "literários".

- Ludwig von Mises, Ação Humana

 

Se não um economista, o que sou? Uma aberração ultrapassada cujo papel funcional no esquema geral das coisas já virou história? Talvez eu deva aceitar essa avaliação, aposentar-me graciosamente, e, com um bafo alcoólico, ir plantar minhas couves. Eu até faria isso — se os modernos tecnocratas tivessem realmente produzido "melhores" ratoeiras econômicas. Entretanto, ao invés de evidências de progresso, vejo uma contínua erosão do capital intelectual (e social) que foi acumulado pela "economia política" em seus melhores momentos.

- James Buchanan, What Should Economists Do?

 

A economia mainstream atual — economia neoclássica — é inteiramente matemática. A vasta maioria dos artigos em jornais acadêmicos está cheia de notações matemáticas. Abordagens não-matemáticas do assunto são normalmente vistas como pouco científicas e imprecisas.

No entanto, o sucesso da abordagem matemática em dar alguma guinada efetiva na ciência econômica tem sido mínimo. Mesmo Bryan Caplan, um crítico da economia austríaca, admite que "[Abordagens matemáticas] tiveram cinqüenta anos de hegemonia crescente nas ciências econômicas. A evidência empírica da contribuição desse método é decididamente negativa."

Isso trouxe vários desafios ao mainstream. A parte da teoria neoclássica que está freqüentemente sob ataque é a suposição de que sempre há um comportamento econômico racional. A noção neoclássica de racionalidade postula que o comportamento humano deve ter os mesmos resultados de um computador que calcula como empregar certos "parâmetros" de modo a atingir um resultado "ótimo". E sempre há um grande número de trapaças e manipulações em relação a quais devem ser os parâmetros utilizados, ou qual exatamente deve ser o ajuste considerado ótimo. A resposta neoclássica a esses desafios aos seus paradigmas é: modificar os modelos atuais, introduzindo novos parâmetros; ou modificar o ajuste que deve ser considerado o ótimo. Talvez um parâmetro "altruísmo" iria modificar o grau de egoísmo que os modelos aparentemente sugerem, ou a adição de alguma quantia de "conformidade social" ao resultado desejado poderia explicar melhor as fantasias correntes. Mas algumas das críticas vão ainda mais a fundo: a matemática, conquanto seja útil para a economia, não pode transmitir os princípios da ação humana.

Mises explicou o abismo fundamental entre a praxeologia econômica e a matemática em Ação Humana:

A lógica e a matemática lidam com um sistema ideal de pensamento. Suas relações e implicações são coexistentes e interdependentes. Podemos também dizer que são síncronas ou que são atemporais. Uma mente perfeita poderia compreendê-las, todas ao mesmo tempo. A incapacidade da mente humana em realizar esta síntese faz do pensamento em si uma ação, que progride, passo a passo, de um estado menos satisfatório de menor conhecimento para um outro estado mais satisfatório, de maior conhecimento. Não obstante, é preciso não confundir a ordem temporal na qual o conhecimento é adquirido com a simultaneidade lógica de todas as partes que integram um sistema dedutivo apriorístico. Em tal sistema, as noções de anterioridade e conseqüência são apenas metafóricas, pois não se referem ao sistema, mas sim à nossa própria ação intelectiva. O sistema lógico em si não implica as noções de tempo nem de causalidade. Há uma correspondência funcional entre seus elementos, mas não há nem causa, nem efeito.

A distinção epistemológica entre o sistema lógico e o sistema praxeológico consiste exatamente no fato de que este pressupõe as categorias tempo e causalidade.

Peguemos uma famosa descoberta matemática, o teorema de Pitágoras, como um exemplo do que Mises falou acima. Como os estudantes de geometria bem sabem, o teorema diz que há uma relação imutável entre os três lados de um triangulo reto, em que a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa (a2+b2=c2). Nenhum dos catetos de um triângulo determina o comprimento do outro cateto. A equação de Pitágoras não tem qualquer relação temporal com o infinito número de triângulos que ela descreve. Não precisamos ir a fundo e questionar se fórmulas matemáticas existem independentemente da mente humana. Em ambos os casos — uma vez entendida a relação de Pitágoras —, o universo de triângulos retos e a relação de seus lados com todos os outros fatos geométricos são apenas aspectos de uma forma ideal e completamente atemporal. Apesar de que nossas limitadas mentes devem abordar esses aspectos parceladamente, a própria existência desses aspectos é simultânea à noção própria de "triângulo reto", e nenhum desses aspectos é anterior a qualquer outro aspecto da forma ideal — e nem possuem qualquer relação causal entre si.

A ação humana é algo diferente. Da mesma maneira que a idéia de um triângulo reto subentende o teorema de Pitágoras, a idéia da ação humana subentende a idéia do "antes" e do "depois", a "causa" e o "efeito". Não é possível entender os planos humanos sem antes entender que houve um passado, e que este passado forneceu o solo no qual as sementes da ação puderam ser plantadas pelo agente humano; há um presente durante o qual a semeadura pode se realizar; e há um futuro no qual o agente espera colher os frutos de qualquer ação. Similarmente, devemos entender que o agente espera que a sua ação gerará o efeito desejado - caso contrário, ele não teria agido.

Enxergar a economia como se ela fosse uma fórmula matemática seria coerente apenas se estivéssemos fazendo, por exemplo, o estudo de um estado de equilíbrio em torno do qual a economia pode gravitar. Mas usar fórmulas matemáticas para explicar a ação humana apenas cria confusão, pois elas não levam em conta as reais escolhas humanas, o principal fenômeno que distingue a economia das outras disciplinas.

Vejamos um exemplo. O livro-texto de microeconomia, Price Theory, de Steven Landsburg, diz aos estudantes que:

É importante distinguir entre causas e efeitos. Para um demandante ou ofertante individual, o preço é tido como dado e é quem vai determinar a quantidade demandada ou fornecida. Para o mercado como um todo, as curvas de demanda e oferta determinam simultaneamente o preço e a quantidade.

Landsburg está dizendo aos estudantes que eles não devem pensar que os preços são determinados pelas ações dos indivíduos — os indivíduos simplesmente encaram os preços como algo dado. Assim, de acordo com Landsburg, são as abstratas noções matemáticas das curvas de oferta e demanda que "simultaneamente" determinam o que ocorre no mercado.

Podemos concordar com Landsburg que realmente é importante fazer uma distinção entre causas e efeitos. Mas ao mesmo tempo devemos sustentar que, do ponto de vista da ciência da ação humana, ele entendeu tudo ao contrário. Preços e quantidades apenas se alteram como resultado da ação humana. De onde mais poderia surgir um novo preço que não de uma proposta, de um lance, feito por um agente humano? Ou mesmo de pressões para se vender acima ou abaixo do preço de mercado? É exatamente o empenho dos indivíduos em melhorar suas condições, face a um futuro incerto, que comanda o processo de mercado.

Landsburg é forçado a adotar essa postura estranha por causa do seu desejo de explicar a ação humana através de equações matemáticas. E essas equações são incapazes de levar em consideração quaisquer decisões humanas criativas baseadas nas categorias de causa, efeito, antes e depois. O que elas descrevem é um mundo de correlações atemporais em que a causalidade está ausente. Intenções humanas não têm qualquer importância nesse modelo, pois ele assume que todos os humanos só podem aceitar as coisas como dadas. Confrontado com a possibilidade de ter de reconhecer as limitações do seu modelo, Landsburg optou simplesmente por eliminar a ação humana da ciência econômica.

O fato de que as curvas de oferta e demanda podem nos dar uma idéia grosseira do comportamento do mercado é um efeito da ação humana, e certamente não a causa dela. Ninguém age com o intuito de trazer a oferta e a demanda para um equilíbrio. As pessoas agem no mercado com a intenção de lucrar, no sentido mais amplo da palavra: elas comercializam porque sentem que estarão melhor após a troca, em relação a como estavam antes da troca. Que o resultado dessa busca por lucros acabe por igualar a oferta à demanda é simplesmente um não-intencionado subproduto dos reais objetivos dos agentes. Como Hayek disse em Individualismo e Ordem Econômica, "a teoria moderna do equilíbrio competitivo assume que uma situação simplesmente existe; e assim, uma explicação verdadeira deve ser criada para esclarecer os efeitos do processo competitivo".

Com o intuito de deixar a teoria econômica mais acessível ao tratamento matemático, os economistas neoclássicos removem o tema principal da praxeologia econômica, a ação humana, de suas teorias. Mises diz,

Ora, o economista matemático não acrescenta nada à elucidação do processo de mercado. Limita-se a descrever um modelo auxiliar que é utilizado pelos economistas lógicos como um conceito limite, ou seja, como uma descrição de um estado de coisas no qual não haja mais ação e o processo de mercado atinja completa imobilidade. Sua contribuição resume-se a isto. Aquilo que o economista lógico descreve em palavras quando define as construções imaginárias do estado final de repouso e da economia uniformemente circular — e que o próprio economista matemático também tem que descrever em palavras antes de iniciar suas operações matemáticas — é transformado em símbolos algébricos. Em suma: trata-se de uma analogia superficial que foi levada muito além do que deveria ter sido. (Ação Humana)

O estudo das correlações fornecidas por descrições matemáticas dos eventos é o princípio básico da física e da química, pois nesses campos podemos determinar as constantes de correlação que nos permitem fazer prognósticos. Estamos certos de que os elétrons não irão repentinamente decidir que não mais se sentem atraídos por prótons, e que o oxigênio não chegará à conclusão de que realmente prefere se coligar a três moléculas de hidrogênio, ao invés de a só duas.

Tais constantes estão ausentes na ação humana. O tema principal da economia, na visão austríaca, é a lógica dos eventos econômicos, não a correlação existente entre eles. O estudo dessas correlações é assunto para a história econômica e nunca irá revelar leis fundamentais da economia, exatamente por causa da ausência de constantes. Se determinarmos que, no ano passado, um aumento de 10¢ no preço do pão resultou em uma redução de 2% na demanda — em termos neoclássicos, medimos a elasticidade da demanda por pão —, isso não quer dizer que vai acontecer a mesma coisa caso haja outro aumento de 10¢ no preço do pão neste ano.

Equações matemáticas podem ser úteis para modelar o resultado de pessoas que repetem mecanicamente movimentos previamente elaborados. Uma vez que um rebatedor de baseball decide girar em torno de si próprio durante um arremesso feito contra ele, podemos usar uma equação que, baseando-se na força inicial que o rebatedor decide aplicar no bastão, é capaz de predizer o progresso da jogada. No entanto, essa equação será de pouco uso para prever se o rebatedor irá mudar de estratégia e, assim, decidir não mais girar em torno de si.

Similarmente, o preço relativo de duas ações durante uma fusão corporativa pode se mover de acordo com as previsões feitas por um modelo matemático, durante algum tempo. Mas caso os participantes obtenham conhecimento de algo que altere suas percepções a respeito da fusão, o preço relativo das ações pode diferir enormemente do prognóstico feito pelo modelo. Se surgirem rumores indicando que a fusão pode ser cancelada, o preço relativo do vendedor pode despencar. Corretores que fazem arbitragem devem empregar o seu discernimento histórico como forma de tentar de se antecipar à reação dos outros participantes do mercado às notícias. Depois que uma reavaliação tiver sido feita, um novo fator de risco para uma eventual falha da transação deve ser inserido ao modelo, que pode voltar a funcionar razoavelmente bem. No entanto, o modelo não pode capturar a mudança de percepção, que é quando ocorre o início da criação de um novo plano. E as implicações desse planejamento representam exatamente o tema da economia austríaca. Esse é o momento da escolha humana, já que o plano deve almejar um objetivo ao mesmo tempo em que deixa outros de lado, e deve escolher alguns meios para se atingir aquele objetivo enquanto se rejeita outros. A economia matemática modela as fases dos mercados quando planos não estão sendo criados ou revisados; em outras palavras, quando os eventos que são de interesse dos economistas austríacos, as escolhas humanas, estão ausentes.

Apesar de tudo o que foi dito nesse texto, não se está querendo dizer que a abordagem matemática da economia é inútil; ela apenas não é capaz de capturar a essência da ação humana. O filosofo britânico Michael Oakeshott disse que é possível teorizar sobre um fenômeno particular, considerando-o como sendo ou um sistema mecânico — caracterizado por respostas, mensuráveis e constantes, a certas condições idênticas —, ou uma atividade inteligente, vista como inteligente precisamente por não ser vista como o resultado de um processo mecânico. Comentando sobre essas duas diferentes abordagens às ciências sociais, Oakeshott diz:

[Na formulação de uma] "ciência mecânica da sociedade". . . uma sociedade é entendida como um processo, ou uma estrutura, ou uma ecologia; isto é, algo "que se movimenta" indiscernivelmente, como um processo genético, uma estrutura química, ou um sistema mecânico. Os componentes desse sistema não são agentes executando ações; são as taxas de natalidade, os grupos etários, as faixas de renda, os quocientes de inteligência, os estilos de vida, os evolutivos "estados da sociedade", as pressões ambientais, a média das idades mentais, a distribuição no espaço e no tempo, o "número de diplomados", os padrões de gravidez ou de gastos, os sistemas de educação, as estatísticas referentes a doenças, à pobreza, ao desemprego, etc. E a iniciativa é fazer essas identidades mais inteligíveis em termos de teoremas mostrando suas interdependências funcionais ou relações causais. . . Não é uma tarefa impossível. Mas tem pouco a ver com ações humanas e absolutamente nada a ver com as performances de agentes designáveis. Não importa que digam que pressões ambientais, estilos comportamentais, ou a distribuição de fogões a gás estão correlacionados a ou são a causa de (um aumento da taxa de suicídio? Uma diminuição do uso de detergentes?), esses não são termos em que a escolha de um agente que tenha que fazer isso ao invés daquilo — seja em resposta a uma situação inesperada, seja em um empreendimento para se conseguir uma imaginada e desejada gratificação — possa ser entendida. Somente se houver uma confusão categórica é que essa iniciativa pode fazer parecer que produziu um entendimento das ações e afirmações substantivas de um agente. (On Human Conduct)

A economia austríaca é a economia em que as pessoas são vistas como agentes inteligentes e criativos.

 

3 votos

autor

Gene Callahan
é um scholar adjunto do Ludwig von Mises Institute, formado na London School of Economics. É o autor de Economics for Real People.


  • alberto  05/05/2012 04:38
    Esa guerra (contra o uso da matematica na economia) é uma guerra perdida. No existe ciencia que no possa ser considerada como tal, que não utilize as ferramentas matematicas. Mesmo que estas sejam limitadas em tempo e espaço elas brindan un grado de certeza que de outra form seria impossivel obter... e mesmo que seja apelando a outras áreas, como psicologia, sociologia para explicar fenomenos economicos, a matematica estarra presente também, pois ja esta operando em estes campo ha muito tempo e de diversas formas. As criticas de misses são agua.
  • Nyappy!  06/05/2012 21:14
    Temos um cara realmente muito bom por aqui, refutou "Misses" de uma forma brilhante.
  • Hay  07/05/2012 03:58
    Não há nenhum lugar no texto em que se fale que não se pode usar ferramentas matemáticas na economia. O problema é que a matemática, nas mãos dos economistas, não é uma simples ferramenta: é praticamente o alicerce dos estudos! É como se um médico, ao invés de utilizar a estatística como ferramenta nos seus estudos de hipóteses, passasse a utilizá-la como alicerce, estudando somente os dados estatísticos gerados sem levar em consideração a forma como os números foram obtidos, o ambiente no qual os números foram coletados, as possíveis distorções na coleta, as complexas redes de interações entre os componentes, inclusive os que não foram incluídos nas análises, etc.
  • Cristiano  06/05/2012 16:51
    Diga-nos, qual a probabilidade de vc estar errado?
  • Henrique  17/08/2012 19:13
    Ok, entendi a questão da fuga do matematicismo puro.

    Mas até que ponto o uso da praxeologia permite justificar o liberalismo, no sentido de contra indicar qualquer tipo de intervenção econômica pelo governo? Tudo bem que não devemos nos basear somente em estatísticas, mas afirmar que o dinamicismo das relações comerciais impediria o sucesso de qualquer política governamental me parece um tanto ingênuo e exagerado. Alguém sabe explicar melhor? Obrigado.
  • Andre Cavalcante  18/08/2012 02:06
    Henrique,

    Tu estás a misturar estações.

    A praxeologia, o estudo da ação humana é a fundamentação para o liberalismo. Se admitir que agimos, a visão mais ética para um arranjo onde essa ação ocorre é em uma sociedade livre, isto é, sem elementos de coação de espécie alguma.

    As estatísticas de certa forma tiram um retrato de alguns aspectos dessa ação humana. Servem para nos dar uma visão do quanto não sabemos sobre um determinado fenômeno. No entanto, a ação dos homens é dinâmica no tempo, logo, os modelos deve também ser alterados dinamicamente, o que nem sempre é fácil ou feito, e daí os lapsos da matemática em explicar certos fenômenos humanos.

    Esta dinâmica das relações humanas sempre vai subverter qualquer tentativa de pará-la, que é o que acontece com a burocracia governamental. Já parou pra pensar que o STJ mandou os agentes da PF pararem de trabalhar, com a esdrúxula justificativa que a "operação-padrão" (burocracia estatal) trás "prejuízos" às pessoas (interagindo, no caso, em um aeroporto)? Este site defende o fim do governo pelos princípios éticos (como colocado no parágrafo acima) e também por uma questão utilitarista: governo não funciona.
  • Henrique  18/08/2012 07:48
    Caro André,

    Ainda venho com desconfiança alguns dos argumentos utilizados, senão vejamos:

    Compreendo que agimos, e que a busca de alcançar certos objetivos é a força motriz de nossa sociedade. Contudo, acredito que os homens, visando melhor organização de sua vida em conjunto, utiliza-se do meio Estado para alcançar o fim Paz Social. Logo, colocar o governo/ Estado como ente alienígena e contrário aos interesses humanos parece-me um tanto contraditório, na medida em que o governo, no final das contas, apenas reflete o que a sociedade demanda. Se o agir humano fosse tão averso à submissão ao Estado, certamente haveria uma tendência generalizada em extinguir qualquer tipo de organização institucionalizada, com instalação de uma anarquia em todos os campos da vida, pois a praxeologia, a meu ver, explica não só a economia como a maioria das demais ciências (à exceção das ciências naturais).

    Se as estatísticas e as informações "estáticas" fossem assim irrelevantes para a compreensão de um fenômeno dinâmico, a tendência seria a completa paralização de qualquer atividade que busque dominar o desconhecido. Não apenas cessaria qualquer tipo de política econômica, pois que inviável a compreensão de fato da ação humana (e, por conseguinte, mais benéfico o "deixar rolar", já que de nada sabemos ao certo), como outras áreas que estudam ciências sociais deveriam desistir de seus estudos. Percebo que o famoso "equilíbrio" apenas retrata situações pontuais, mas ver a incompletude dos dados como justificativa para defender sua desnecessidade parece-me um tanto extremado.

    Diversas vezes no decorrer da história foi desconstruído o "mito" liberal, pois eque em todas as circunstâncias em que o mercado foi mais aberto, entes privados detentores de maior poder acabaram por dominar o mercado prejudicialmente. Afirmar que numa economia de mercado todos tem iguais possibilidades de entrada e saída, pois todos estariam igualmente submetidos ao sistema de preços, ignora a diferença entre o que é igualdade material e o que é igualdade formal.

    A formal,que é a igualdade de todos em teoria, é a que sustenta o viés neoliberal "extremado". Contudo, tal esquece que a igualdade formal vêm acompanhada da DESigualdade material, no sentido de que, apesar de serem as oportunidades abertas a todos, nem todos tem a capacidade de aproveitá-las. Logo, sustentar que se há a oportunidade, no sentido de não haver empecilho legal à entrada no mercado, há efetiva igualdade, soa um tanto ingênuo. É o mesmo que falar ao pequeno produtor rural que ele tem as mesmas chances que o conglomerado industrial concentrado, ou que falar ao cidadão comum que ele pode entrar no mercado petrolífero da mesma forma que uma empresa transnacional milionária. Ou ao artesão que o sistema de preço fará com que ele se iguale à grande indústria têxtil, e assim vai. É manter o status quo, pois que, sem as interferências e subsídios do governo, só os fortes conseguem ,realmente, manter-se no topo. É esquecer da facilidade com que as sociedades monopolistas tem de manipular o sistema de preços, utilizando-se de preços abusivos, preços predatórios etc (a oferta x demanda pode não ser suficiente para segurar o impulso lucrativo dos grandes conglomerados, pois muitas vezes o bem é essencial - a demanda não consegue zerar - e a oferta fica no controle dos pequenos grupos comerciais).
  • Guilherme Marinho  22/05/2013 15:53
    Henrique e o comportamento padrão dos desonestos.
    Primeiro faz uma pergunta com toda humildade, demonstrando interesse no assunto mas vemos que claramente ele só estava esperando para 'refutar' a praxeologia e o liberalismo. São tantas falácias e absurdos, que não merece nenhum comentário.

    IMB, como vocês deixam passar um comentário com o termo 'neoliberal'? Hahahah

  • Blah  22/05/2013 17:18
    Caro André,

    Ainda venho com desconfiança alguns dos argumentos utilizados, senão vejamos:

    Contudo, acredito que os homens, visando melhor organização de sua vida em conjunto, utiliza-se do meio Estado para alcançar o fim Paz Social.

    Ufa, ainda bem! É por isso que no século passado nunca houve grandes guerras e grandes conflitos: porque havia estados para alcançar a paz social.

    Logo, colocar o governo/ Estado como ente alienígena e contrário aos interesses humanos parece-me um tanto contraditório, na medida em que o governo, no final das contas, apenas reflete o que a sociedade demanda.

    Legal, então no passado a escravidão existia e não poderia ser considerada uma coisa alienígena e contrária aos interesses humanos. Afinal, era só um reflexo do que a sociedade demandava. O apedrejamento de mulheres adúlteras também era uma demanda da sociedade, então, tá sussa.

    Se as estatísticas e as informações "estáticas" fossem assim irrelevantes para a compreensão de um fenômeno dinâmico, a tendência seria a completa paralização de qualquer atividade que busque dominar o desconhecido.

    Ué, e quem disse que informações estáticas são irrelevantes? O que se afirmam é que informações estáticas não chegam nem perto de refletir todas as facetas da ação humana.

    Não apenas cessaria qualquer tipo de política econômica,

    Sim, isso seria uma tragédia. É por isso que alguns países, como os EUA, não tinham nenhum crescimento e eram miseráveis antes que tivessem um Banco Central.

    pois que inviável a compreensão de fato da ação humana (e, por conseguinte, mais benéfico o "deixar rolar", já que de nada sabemos ao certo),

    Caramba, sua desonestidade intelectual é algo incrível. Ninguém está falando que o benéfico é "deixar rolar" e não fazer absolutamente nenhum tipo de planejamento, criatura! O que se critica é que imaginar é um planejamento centralizado nas mãos de burocratas e paga com recursos extraídos à força de cidadãos produtivos.

    Diversas vezes no decorrer da história foi desconstruído o "mito" liberal, pois eque em todas as circunstâncias em que o mercado foi mais aberto, entes privados detentores de maior poder acabaram por dominar o mercado prejudicialmente.

    Quais diversas vezes, criatura? Os EUA se tornaram o país mais rico do mundo justamente no período em que seguiram uma linha liberal, com um mercado aberto e sem as amarras de uma estrutura de poder arcaica. E sobre entes privados detentores de maior poder, você imagina que esse ente por acaso balançou uma varinha mágica e conseguiu o poder? A Alcoa, por exemplo, diminuiu o custo do alumínio em 95%. E tinha o tal monopólio do mal. Quem lutou contra a Alcoa foram justamente empresas competidoras com amigos no governo.

    A formal,que é a igualdade de todos em teoria, é a que sustenta o viés neoliberal "extremado".

    Quem é que afirmou sobre igualdade de todos? E, por favor, neste site, não ache que utilizar termos como "neoliberal" vai render pontos na sua argumentação. É raro eu encontrar alguém que use esse termo e realmente saiba o que está dizendo. Dica: você não sabe.

    Contudo, tal esquece que a igualdade formal vêm acompanhada da DESigualdade material, no sentido de que, apesar de serem as oportunidades abertas a todos, nem todos tem a capacidade de aproveitá-las.

    E...?

    Logo, sustentar que se há a oportunidade, no sentido de não haver empecilho legal à entrada no mercado, há efetiva igualdade, soa um tanto ingênuo. É o mesmo que falar ao pequeno produtor rural que ele tem as mesmas chances que o conglomerado industrial concentrado,

    Se o pequeno produtor rural for eficiente e souber aproveitar as chances, ele pode ser mais eficiente, pois não carrega consigo toda a carga burocrática que qualquer grande conglomerado leva consigo.

    ou que falar ao cidadão comum que ele pode entrar no mercado petrolífero da mesma forma que uma empresa transnacional milionária.

    É claro que não pode. Mas você parece ser daqueles ignorantes em economia que nunca tentaram ou ao menos conheceram alguém que tentou abrir uma empresa na vida.

    Ou ao artesão que o sistema de preço fará com que ele se iguale à grande indústria têxtil, e assim vai.

    Realmente, a grande indústria têxtil é uma porcaria. Quer dizer, ignore o fato de que, antes de ela existir, as roupas eram caríssimas, artigos de luxo. Ignore o fato de que a indústria têxtil fez com que as roupas ficassem acessíveis aos pobres. Quem se importa com fatos, com argumentos? O mais legal é sair por aí dizendo que a indústria têxtil é uma coisa do mal, que os grandes conglomerados são coisas do capeta!

    É manter o status quo, pois que, sem as interferências e subsídios do governo, só os fortes conseguem ,realmente, manter-se no topo.

    Realmente, sem as interferências e subsídios do governo, só os fortes conseguem se manter no topo. Imagine se todas as indústrias fossem como a de eletrônicos, com produtos ficando mais baratos e acessíveis. Seria uma tragédia!

    É esquecer da facilidade com que as sociedades monopolistas tem de manipular o sistema de preços, utilizando-se de preços abusivos, preços predatórios etc (a oferta x demanda pode não ser suficiente para segurar o impulso lucrativo dos grandes conglomerados, pois muitas vezes o bem é essencial - a demanda não consegue zerar - e a oferta fica no controle dos pequenos grupos comerciais).

    A ignorância em economia é forte neste indivíduo. Realmente, preços predatórios são algo muito ruim. Eu é que não quero pagar barato em alguma coisa! E, como não poderia deixar
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  24/06/2013 00:03
    Sintetizando: os humanos não são robôs pré-programados executando ordens superiores de seus "amos" estatais. Mises acertou em cheio na questão das trocas livres.
  • Emerson Luis, um Psicologo  01/10/2013 20:09
    Artigo muito bom!

    A economia é popularmente considerada uma profissão tão matemática quanto a engenharia, mas os engenheiros não lidam com a ação humana no mesmo sentido que os economistas.

    * * *
  • Skeptic  31/03/2017 23:48
    Existe alguma relação entre Praxeologia e axioma na matemática? Qual a opinião dos matemáticos sobre a Praxeologia de Mises? Por que Hayek não era um praxeologista?


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