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O Japão precisa de eletricidade, não de liquidez

A sucessão de catástrofes que assola o Japão, com possíveis repercussões em diversas partes do mundo, comprova a total impotência do Banco Central do Japão diante desta nova crise. Na verdade, evidencia a impotência de qualquer Banco Central e da errônea teoria econômica que justificam a existência destas instituições e de suas infrutíferas políticas.

A destruição de capital causada pelo Tsunami é impressionante e perfeitamente visível. Casas, edificações, fábricas, portos, supermercados, lojas, escritórios, enfim, bairros e comunidades foram completamente destruídos.

A solução dos macro-economistas de plantão e do BoJ? Injetar liquidez. Ou seja, imprimir dinheiro.

Aumentar a oferta monetária não reerguerá fábricas que foram ao chão. Mais dinheiro nas mãos dos cidadãos japoneses não inundará as prateleiras dos supermercados com pão, leite, carne, arroz e outros produtos básicos.

Jorrar liquidez no mercado tampouco irá recompor a capacidade de geração de energia do Japão, talvez o setor mais atingido pela tragédia.

É digno de menção, portanto, que até mesmo a mídia convencional tenha noticiado que, a única coisa que o BoJ pode fazer é criar liquidez, mas não eletricidade. Justamente o que o Japão mais necessita no momento.

Sim, é uma catástrofe. Mas o Banco Central do Japão pouco pode fazer. Inflar a oferta monetária aumentando preço dos ativos e acabar distorcendo um mercado que precisa desesperadamente se reorganizar é a última coisa que os japoneses precisam neste momento.


autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Anderson  17/03/2011 11:46
    Às vezes me pergunto se em casos de tragédias extremas aí sim seria interessante injetar liquidez na economia.

    Supondo que o Japão não tivesse dívida alguma, a injeção de dinheiro, mesmo que por pura e simples impressão de notas, não seria uma boa?

    Qual a opinião do pessoal do IMB?

    Grato.
  • Leandro  17/03/2011 11:53
    Resposta completa para essa pergunta no artigo de amanhã, Anderson.

    Mas já adianto: não só não deveria injetar liquidez, como, na verdade, deveria retirar liquidez.

  • Fernando Chiocca  17/03/2011 12:52
    Nos primeiros dias após o Tsunami o governo do Japão anunciou que "faria o possível para minimizar os prejuízos causados pelo terremoto e maremoto". Me passou pela cabeça, se estas fossem palavras sinceras (e vindo de políticos, nunca são), o governo do japão estaria pensando em se auto-extinguir então?

    Governo = armas, violência. O estado só tem o poder de destruir, de causar prejuízos (perdas gerais, mas lucros individuais). Se fosse para minimizar prejuízos, teria que não agir, ou melhor, deixar de existir.
  • Felix  21/03/2011 08:10
    Fiquei muito interessado nesse mestrado em economia austríaca
    podia ter algo semelhante aqui no Brasil.


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