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Pela abolição do salário mínimo

Boas intenções, quando guiadas por equívocos e ignorância, podem ter conseqüências indesejáveis. E não existe melhor exemplo para esse caso do que a legislação do salário mínimo.

Sua intenção é aumentar os salários e melhorar as condições de vida dos trabalhadores pobres, mas o que a legislação realmente faz é condenar muitos ao desemprego crônico. Um salário mínimo pré-fixado pelo governo aumenta forçosamente o custo da mão-de-obra inexperiente e sem prática, mantendo-a assim fora do mercado de trabalho. No entanto, muitos políticos que não são donos e/ou administradores de negócios - e que, portanto, não empregam essa mão-de-obra — nunca se cansam de lamentar e deplorar os baixos salários, e sempre prometem que vão aumentar o salário mínimo pela força da lei e através de novas regulamentações.

O salário mínimo oficialmente determinado pelo governo federal atualmente é de $5,15 por hora; mas o valor real é muito maior. Nenhum empregador pode negligenciar os benefícios adicionais obrigatórios que ele é forçado a pagar além do salário mínimo. Ele tem que pagar os impostos relativos à Previdência Social, as taxas relativas ao seguro-desemprego, as indenizações trabalhistas, o FGTS e as férias remuneradas.

Em algumas indústrias, os benefícios pagos a trabalhadores acidentados ou incapacitados chegam a mais da metade dos salários pagos. E se o empregador tiver que arcar com os custos do seguro-saúde de seus funcionários, os custos trabalhistas podem chegar ao dobro do salário mínimo. Se os zelosos congressistas tiverem sucesso em aumentar o salário mínimo em dois ou três dólares a hora, muitos jovens estarão condenados ao desemprego permanente.

A taxa de desemprego tende a ser diretamente proporcional aos excessivos encargos trabalhistas sobre a produtividade. Muitos países europeus que têm salários mínimos oficiais maiores que $10/hora apresentam uma taxa de desemprego de dois dígitos, mesmo com os governos gastando maciçamente em projetos desnecessários, que têm o único intuito de gerar empregos temporários. Algumas vítimas prontamente cedem ao seu destino e se entregam de bom grado a uma vida indolente e ociosa, apenas tentando manter sua subsistência. Muitos outros aprendem a trabalhar no mercado negro, onde bens são produzidos e serviços são prestados violando-se as leis de salário mínimo e outros controles e regulamentações. Mas a maioria das vítimas são jovens que têm pouco treino e experiência, e que tendem a reagir furiosa e violentamente. A taxa de desemprego desse grupo chega a ser de múltiplos da taxa oficial. E se a sociedade for dividida etnicamente, a experiência e a produtividade dos mais jovens podem ser ainda mais baixas e sua taxa de desemprego pode chegar perto dos 100 por cento. Tal situação trabalhista é traduzida em ódio e fúria, o que não apenas leva a altas taxas de criminalidade, mas que também pode se transformar, a qualquer momento, em manifestações violentas produzidas por uma turba de jovens desempregados. Os distúrbios ocorridos em Paris em 2005 se assemelham claramente aos distúrbios promovidos por desempregados americanos em Watts (um distrito de Los Angeles) em 1965, em São Francisco, em 1966, em Detroit e Baltimore, em 1967, em Chicago e Cleveland, em 1968, e em Los Angeles, em 1992.

A situação é mais perigosa e explosiva em cidades e estados que têm salários mínimos muitos maiores do que aquele determinado pelo governo federal. A legislação do salário mínimo começou nos estados muito antes do surgimento do New Deal, que transformou o governo federal no principal regulador e legislador trabalhista. Após isso, os governos estaduais alegremente deram continuidade a essa marcha rumo ao aumento dos custos trabalhistas. E hoje, as taxas de desemprego estaduais tendem a indicar a força política do movimento pró-aumento do salário mínimo.

Poucos economistas têm a coragem de apontar para a regulação e a legislação trabalhista como sendo a real causa do desemprego em massa. Os poucos que reúnem a coragem de fazê-lo podem até enfatizar a infinita demanda por trabalho que haveria caso as regulamentações sumissem, mas raramente atentam para o fato de que os custos dessa mão-de-obra acabam por determinar limites para a demanda. Poucos empregadores — se algum — propositadamente comprariam uma mão-de-obra que custe mais do que produza, assim como muitos trabalhadores provavelmente não irão comprar bens de consumo que, no seu julgamento, custem mais do que realmente valham. Ainda assim, economistas que ousam apontar para a regulação e a legislação trabalhista como causas importantes do desemprego em massa são criticados, denunciados, condenados, vilipendiados e acusados de ser agentes insensíveis e inescrupulosos a soldo de empregadores gananciosos.

Políticos podem ganhar aplausos e vencer eleições com inúmeras promessas salariais e outras garantias, não importando quão irrealistas elas sejam. Alguns políticos indubitavelmente são maquiavélicos que estão totalmente a par das conseqüências nefastas de tais políticas, mas continuam a prometê-las na esperança de angariar votos. Eles podem prometer novos programas de emprego, como obras públicas, serviços públicos, associações juvenis de bairro, programas educacionais e vocacionais, e outras associações benéficas. Alguns políticos podem ser cândidos e sinceros, mas não podem ser levados a sério quando se analisa suas propostas econômicas. Eles estão completamente por fora dos inexoráveis princípios econômicos, mas são muito eloqüentes em todas as questões de política e direito. De olho nos desejos e necessidades de trabalhadores e famílias que vivem com um salário mínimo, eles apostam tudo em regulamentações e leis econômicas infundadas; e, principalmente, no poder do estado em aplicá-las.

Aliviar o desemprego causado por um salário mínimo decretado arbitrariamente significa restaurar a liberdade no mercado de trabalho; isso permitiria que o custo da mão-de-obra se reajustasse à sua produtividade, e ofereceria emprego a cada jovem — homem e mulher - disposto e pronto para trabalhar. Um mercado de trabalho livre iria receber com agrado pessoas jovens, o que não apenas iria estimular e restaurar o espírito do trabalho, mas também iria aperfeiçoar as habilidades laborais e o conhecimento prático. A produtividade dos jovens logo iria aumentar e superar o preocupante baixo nível em que se encontra atualmente, e que está condenando milhões ao ócio. A liberdade tem milhões de encantos, mesmo no mercado de trabalho.

 


autor

Hans F. Sennholz
(1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises nos Estados Unidos.  Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956 a 1992, tendo sido contratado assim que chegou.  Após ter se aposentado, tornou-se presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997.  Foi um scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G. Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.


  • carlos alexandremachado de mello  11/11/2009 17:04
    Prezado Leandro:
    Abolição do salário mínimo não levaria a uma situação em que muitos trabalhadores perceberiam salários abaixo do atual piso, isto é, "ganhando uma merreca"[ por exemplo, R$100,00, R$200,00 mensais]?
    Um abraço
  •   11/11/2009 23:21
    Carlos
    Sim, com certeza surgiriam empregos que pagariam essas "merrecas". Eles surgiriam em troca do desemprego atual que paga nada...
    Alguns salarios seriam reajustados para baixo. Mas cada diferente emprego requer um nivel diferente de instrução, e por consequencia paga um salario diferente.
    Empregos que pagam mal seriam os mais abundantes, e o melhor caminho para se começar, você recebe quanto vale sua experiencia(quase nada). Hoje simplesmente não vale a pena contratar quem não tem experiencia, e por consequencia o desemprego é enorme.
  • Bruno  11/11/2009 23:55
    E sem perspectiva de aumento salarial.
  • Leandro  12/11/2009 00:13
    Prezado Carlos,

    Além da resposta do Zé, eu lhe dou mais duas:

    1) Utilizando o mesmo raciocínio que você apresentou, uma pessoa poderia perguntar: se o governo criasse um salário mínimo exigido por lei, o que impediria os patrões (empresas e pessoas físicas) de ficarem apegados a esse valor, recusando-se a pagar salários maiores?

    Pelo seu raciocínio, era isso que iria acontecer - todos os patrões pagando rigorosamente o salário mínimo, e nenhum centavo a mais. Mas por que não acontece? Pelo mesmo motivo que as empresas não podem pagar salários baixos para os bons profissionais.

    2) Se nunca tivesse havido salário mínimo - o que significa que as pessoas não teriam essa noção que temos hoje de salário mínimo -, o que seria um 'baixo salário' hoje? Seria um valor menor que o salário mínimo? Ou seria maior? Sem uma resposta exata pra essa questão, é impossível dizer com certeza que a não existência de um salário mínimo necessariamente implicaria salários mais baixos.
  • Miriam  14/11/2009 02:22
    Pelo raciocínio apresentado, o trabalhador poderia escolher entre duas opções:\n\n1. O desemprego\n2. A escravidão
  • Leandro  14/11/2009 16:07
    Prezada Miriam,

    1. O desemprego já existe hoje, e o pior: é involuntário. O sujeito pode estar louco para trabalhar por menos que o salário mínimo, mas é impedido, para delírio dos "humanistas".

    2. Escravidão implica trabalhar sem ganhar nada em troca e sem poder pedir demissão. Isso ocorre hoje em algumas regiões do Nordeste, onde - advinhe só? - há um salário mínimo imposto por lei.

    Ou seja, boas intenções não são capazes de vencer as leis econômicas. Ou a gente as entende e se adapta a elas, ou elas nos devoram.

    Não tem outra saída.
  • Fernando  14/11/2009 19:57
    "Isso ocorre hoje em algumas regiões do Nordeste"? Hein? Onde? Que eu saiba, só o estado faz ocorrer essas coisas, como no serviço militar ou no trabalhos forçados em eleições, mas os semi-escravos destes casos ainda ganham um soldo em troca.
  • Leandro  14/11/2009 20:19
    Aliás, como bem chamou minha atenção o Fernando, no trabalho "escravo" que existe, nas plantações de cana-de-açúcar, há remunerações e há a permissão para que as pessoas saiam quando queiram. E esse fenômeno ocorre é no centro-oeste, sul e sudeste. Fiz besteira de confiar na imprensa. Já deveria ter me curado desse vício.
  • Angelo Viacava  15/11/2009 14:10
    É, senhores e senhoras: a burocratização do Brasil é tão imensa, que acaba transformando a liberdade e o livre mercado em utopias. Não somos capazes mais de imaginar uma sociedade onde a liberdade pudesse ser o norte das relações pessoais. A escravidão de ganhar R$200,00/mês pode ser a salvação de uma pessoa e de sua família. Ou pague-se a esta pessoa uma bolsa-família de R$200,00, o que todo mundo acha certo, por existir uma "lei" por trás, daí não seria escravidão?. Daí é que não se tem liberdade, nem opção, nem ânimo a lutar-se por mais qualificação, o que proporcionaria um melhor salário ao trabalhador. Nascemos e crescemos dentro de uma caixa, o que não nos possibilita vislumbrar novos horizontes. Ainda bem que hoje, diferente de há vinte anos, contamos com a internet e seus sites muitíssimo mais livres do que jornais e canais de TV e de rádio, totalmente viciados e acomodados, patrocinados em massa por verba de publicidade estatal. Não é fácil, nem romântico, tampouco paradisíaco viver em uma sociedade mais livre e mais aberta. Apenas as relações entre pessoas são mais bem resolvidas. No início é difícil, comparado a um paciente que extirpa um câncer em uma cirurgia. Tem de haver uma adaptação ao que vem depois. Esta adaptação deveria ser o mote principal do governo, sob a forma de uma educação de qualidade real, preparando aqueles que realmente queiram capacitar-se a posições onde pudessem obter renda maior. O resto é retórica demagógica, jogando nosso futuro para depois de amanhã, e dando-nos esmolas para ficarmos quietinhos em nosso canto.
  • Leandro  15/11/2009 16:03
    Angelo, ótimas colocações!
  • Fernando  15/11/2009 17:02
    Angelo, péssimas colocações! Educação deveria ser função principal do governo?? Piada né?
  • Leandro  15/11/2009 18:30
    Confesso que nem tinha atentado para esse lapso do Angelo, quase imperceptível em meio às suas outras boas colocações. Mas esse deslize se corrige com o tempo. Afinal, a educação hoje já é amplamente estatal e os belos resultados estão aí pra todo mundo ver: últimos lugares em todas as competições.
  • Rafael Crivelli  25/11/2009 16:52
    Na verdade o maior problema ao fundo dessa discussão é que a grande maioria está mais interessada no emprego que no trabalho. Garantias contra demissões, salários iguais para funcionários mais ou menos produtivos, isso tudo teria de acabar com mais liberdade no mercado de trabalho, e forçaria muita gente a trabalhar, e não somente ir ao trabalho, como fazem hoje. Entre outros fatores, é claro.
  • Henrique Vicente  20/12/2010 16:54
    Pois é, deslize horrível de Angelo no final!
  • Mario  22/12/2010 16:09
    Como se pode pensar em aplicar essa teoria num país como o Brasil, com 50% (ou mais) da população composta de analfabetos funcionais???? Isso é tudo muito lindo em países onde há equilíbrio social. Aqui teríamos escravidão sim senhor, e durante um bom tempo. Toda essa teoria é linda, mas escrita por pessoas que não tem visão humanística. Seguindo o que tem sido falado nesse post, se deixarmos as leis econômicas agirem, daqui a cerca de 1000 anos teríamos o tão sonhado equilíbrio social. E durante esse tempo? Morte aos pobres? Cada um se vira com o que tem e pode? O Brasil ignorou sua população real dutrante muitos anos, o Brasil é elitista a ponto de dizer que programas sociais sérios são caridade. Os mesmos elitistas ignoram (ou fingem não saber) que países ricos da Europa têm programas sociais muito mais abrangentes do que os nossos. Lá pode? Eu, estrangeiro, passei 8 meses ganhando 25% do valor do meu aluguel na Inglaterra só porque meu salário estava abaixo dos padrões deles. Assim que melhorei minha renda, prestei a informação aos órgãos competentes e cancelaram a ajuda. Tudo dentro da lei! Na Suécia os programas sociais sustentam homeless bêbados que não trabalham. E que me perdoem alguns críticos, mas educação de qualidade é obrigação do governo sim! E esse é o nosso principal problema desde 1500.
  • Rhyan Fortuna  22/12/2010 20:40
    Fale isso pra quem trabalha no mercado informal, e ganha menos de um salário mínimo. Ou pior, fale isso pra quem está desempregado a anos.
  • beleleu  18/02/2011 12:50
    Eu, sinceramente, gostaria de ler uma REAL refutação ao que foi dito pelo Mário.
  • Leandro  18/02/2011 13:16
    Com prazer, meu caro beleleu.


    Como se pode pensar em aplicar essa teoria num país como o Brasil, com 50% (ou mais) da população composta de analfabetos funcionais????

    O que tem a ver uma coisa com a outra?! No mínimo, a abolição do salário mínimo ajudaria esses analfabetos funcionais a arrumar algum emprego decente, como recauchutagem de pneus.

    Isso é tudo muito lindo em países onde há equilíbrio social. Aqui teríamos escravidão sim senhor, e durante um bom tempo.

    Se a abolição do mínimo significa que todos trabalhariam por valores irrisórios, então, por uma questão de lógica, não deve ser possível encontrar nenhuma outra pessoa que hoje ganhe qualquer valor acima do salário mínimo. Certo?

    Toda essa teoria é linda, mas escrita por pessoas que não tem visão humanística.

    A ciência econômica é uma ciência livre de juízo de valor. Uma coisa é você ter ideologia; outra coisa é ter noção de como funciona a economia. Ademais, "visão humanística" foi um valor incessantemente propagandeado na China de Mao, Rússia de Stalin, no Camboja de Pol Pot, na Cuba de Fidel e em outras maravilhas.

    Seguindo o que tem sido falado nesse post, se deixarmos as leis econômicas agirem, daqui a cerca de 1000 anos teríamos o tão sonhado equilíbrio social.

    O texto não fala em "equilíbrio social". Aliás, o que é isso?

    E durante esse tempo? Morte aos pobres? Cada um se vira com o que tem e pode?

    Durante esse tempo, pleno emprego para os mais pobres, os quais finalmente passariam a ter renda própria. Aqueles que ainda assim não conseguissem absolutamente nada, certamente poderão contar com suas caridosas doações. Certo?

    O Brasil ignorou sua população real dutrante muitos anos, o Brasil é elitista a ponto de dizer que programas sociais sérios são caridade.

    Isso é uma opinião totalmente subjetiva, com forte carga emocional, e que em nada altera o que está sendo discutido.

    Os mesmos elitistas ignoram (ou fingem não saber) que países ricos da Europa têm programas sociais muito mais abrangentes do que os nossos. Lá pode?

    Lá eles são ricos, podem se dar a esse luxo. Primeiro eles enriqueceram. Depois, só depois, começaram a redistribuir. Mais ainda: tão logo começaram a redistribuir, estagnaram. Algo perfeitamente explicável pela teoria econômica. Acho que ainda não podemos nos dar ao luxo de estagnarmos.

    Eu, estrangeiro, passei 8 meses ganhando 25% do valor do meu aluguel na Inglaterra só porque meu salário estava abaixo dos padrões deles. Assim que melhorei minha renda, prestei a informação aos órgãos competentes e cancelaram a ajuda. Tudo dentro da lei!

    Isso é entre você e os ingleses desempregados que tiveram de lhe subsidiar via impostos extorquidos à força deles. Se todos eles estavam de acordo com esse arranjo, perfeito. Porém, algo me diz que não...

    Na Suécia os programas sociais sustentam homeless bêbados que não trabalham.

    Algo que deve ser a meta de todo país que quer enriquecer moralmente, suponho.

    E que me perdoem alguns críticos, mas educação de qualidade é obrigação do governo sim! E esse é o nosso principal problema desde 1500.

    Se é obrigação do governo, quem deve pagar a conta?
  • Neto  12/09/2012 03:52
    'Na Suécia os programas sociais sustentam homeless bêbados que não trabalham.'

    Deve ser alguma piada, não é possível.Se alguém quisesse defender a existência do governo essa seria a última coisa que devia falar.
    Arrancar dinheiro a força de quem trabalha pra dar pra um bêbado vagabundo:eis a função do estado...putz
  • Cristiano  04/01/2012 23:50
    Caro Leandro,
    Parabéns pelo artigo!
    Seria interessante fazer uma análise comparativa da taxa de desemprego e o ganho médio dos trabalhadores entre os países que adotam o salário mínimo e os países que não adotam.
    O único país que eu conheço que não adota o salário mínimo é Cingapura e lá os indicadores de desemprego e ganho médio dos trabalhadores são excelentes!
    A taxa de desemprego em Cingapura no período de 2001/2010 foi de 2,9%. (Fonte: FMI)
    Já o ganho mensal médio dos trabalhadores no período de 2006/2008 foi de US$ 3768! (Fonte: OIT)
    Para quem quiser olhar os dados do ganho médio por setores de atividade segue o link abaixo:
    laborsta.ilo.org/STP/guest
    Será que o nosso amigo Mário acha esses indicadores sinal de escravidão?
    hahahahahahahaha!
  • Hay  05/01/2012 03:28
    Na Dinamarca e na Noruega também não há leis a respeito de salário mínimo...
  • Mr.Garone  16/04/2012 14:32
    Comentários aproveitáveis. O artigo + os comentários são excelentes!
  • Christiano Di Paulla  08/08/2012 14:10
    Analisando a lista de países com maiores rendas médias, apenas 3 das 15 mais bem colocadas em 2012 são isentas de salário mínimo, o que me parece estranho... Poderia responder o motivo das nações sem leis de salário mínimo não estarem a frente, mesmo com a redução do desemprego, logo com a competição mais acirrada de empregadores pelos funcionários?! E como nações sem salário mínimo elevariam a renda média?! Grato!
  • Leandro  08/08/2012 14:30
    Prezado Christiano, não sei qual é essa sua lista, mas sei que Suíça, Alemanha, Áustria, Itália, Liechtenstein, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia e Cingapura não possuem salário mínimo. (Hong Kong também ficou toda a sua história sem salário mínimo, e foi assim que enriqueceram; agora, no entanto, eles resolveram implantar um).

    pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_sal%C3%A1rios_m%C3%ADnimos_por_pa%C3%ADs

    Estes países não estão na sua lista de maiores rendas? Na minha, todos estão no topo, quando se desconsidera aqueles países árabes que bóiam sobre petróleo.


    Lembro-me de ter lido há algum tempo, creio que na The Economist, uma matéria que dizia que os países que não têm salário mínimo (como os Escandinavos e a Alemanha) remuneravam melhor as mesmas profissões que outros países igualmente ricos, mas com salário mínimo. Ou seja: imagine uma profissão sujeita a um salário mínimo na França. Essa mesma profissão será mais bem remunerada na Alemanha e na Escandinávia.

    O salário mínimo -- que é simplesmente uma política de controle de preços -- distorce a realidade do mercado daquelas profissões que exigem menor capacitação, prejudicando seus profissionais no longo prazo.

    Abraços!
  • Navarro  10/09/2012 11:59
    Os países ricos não precisam de salári mínimo, eles não precisam dele. São ricos. É interessante para as grandes corporações a ausência de regulação em países pobres, assim pode-se abrir fábricas em países miseráveis onde até crianças trabalham por $0,05/hora. Afinal, é muito menos custoso produzir na China ou no Brasil onde a mão-obra-obra é mais barata, para exportar para os EUA e Europa.

    Sabe porque a China está quebrando? (vide outro post aqui no Instituto Mises) Porque devido a crise global, a China não consegue exportar aos países ricos. Produtos estão entulhados. O mercado interno chinês, embora possua mais de 1 bilhão de pessoas, é muito fraco porque as pessoas que trabalham para produzir tais produtos não têm poder aquisitivo para comprá-los. Milhões de chineses serão demitidos e passarão a viver na miséria (pior do que já vivem).

    Sobre essa questão de desemprego. É verdade que quando o salário mínimo excede o nível da produtividade marginal do trabalho, haveria desemprego. O que NÃO É O CASO DO BRASIL pois aqui o salário mínimo já é baixo! O q ocorre no Brasil hj é que existe um excedente de mão de obra qualificada e é isso que gera desemprego nessa faixa do mercado de trabalho e não o salário mínimo. Inclusive li uma noticia outro dia que engenheiros portugueses estavam sendo barrados pelo governo brasileiro como medida de protecionismo, para vocês verem como está a situação hj em dia. Em compensação, empregos mais técnicos que não exigem qualificação estão com pouca oferta e pagando bem, ouvi dizer que pedreiro está ganhando mais de R$ 2.000,00.
    Estes dias eu estava viajando de onibus e ao passar em uma cidade do interior do Paraná entra um cara e senta ao meu lado. Começou a puxar conversa e disse que tinha ido pra lá para ver uma vaga de emprego, o cara era soldador e disse que estava voltando para casa (SP) pois achou o salário muito baixo. Não cheguei a perguntar o valor, mas soldador bom hoje em dia é disputado a tapa e ganha mais que muita gente com doutorado debaixo do braço por ai.
    Há um tempo atrás eu fui em uma seleção de trainee. Era uma vaga para uma multinacional européia do setor de commodities para uma cidade de médio porte do interior e pagava R$ 4.000,00. Fui meio sem esperanças mais pra ver qual era a real. Eram 3 dias de seleção e eu imaginei que iam pintar uns 10 candidatos no dia que fui me apresentar, totalizando 30 candidatos pra um vaga.... mera ilusão, cheguei lá eram QUARENTA! Quarenta em um dia apenas, logo fazendo a média, daria de 100 a 120 candidatos para aquela vaga, isso que esses foram selecionados previamente pela internet. Desses quarenta, eram todos "power rangers" como o próprio pessoal la definiu. Tudo com experiência no exterior, experiência de trabalho, falando 2 linguas ou mais, com mestrado ou doutorado. Considerando que qualquer cargo público federal paga pelo menos R$ 5.000,00, eu fiquei até com uma pulga atrás da orelha e perguntei pro pessoal lá pq não tentavam concurso público. A maioria disse que preferia a iniciativa privada pq dava uma oportunidade de ascensão maior (ou seja, queriam ficar ricos, detalhe que quase ninguém consegue e mesmo que consiga, vai ter que se matar trabalhando) e pq tinha a oportunidade de, quem sabe, ir trabalhar e morar fora do país por se tratar de uma multinacional (oq eu acho dificil, para o perfil da vaga que eles queriam).

    Aí você liga a TV e vê empresários reclamando de falta mão-de-obra qualificada no mercado... BALELA, o q eles querem não é mão-de-obra qualificada, eles querem mão-de-obra qualificada disposta a trabalhar por ninharia! Ai é obvio que eles acham "pouca" gente.
  • Leandro  10/09/2012 15:38
    Sim, empreendedores sempre irão querer vender seus bens e serviços ao maior preço possível e sempre tentarão reduzir seus custos ao menor valor possível. É daí que advém o lucro, essencial para a continuidade de suas atividades. Não há divergência quanto a este fato. O que irá impedir que salários miseráveis sejam pagos foi completa e detalhadamente explicado neste artigo, de modo que não irei me concentrar nesta questão aqui.

    Agora, dizer que há um excedente de mão-de-obra qualificada no país é negar tudo isso que você relatou. O Brasil, com a sua educação latrinária (consequência inevitável de os currículos universitários serem impostos pelo Ministério da Educação), está sofrendo um desconcertante apagão de talento e qualificação. Escolha qualquer área e qualquer setor da economia hoje: o que você verá são profissionais mais incapacitados do que aqueles de 10 anos atrás -- em minha opinião, consequência direta do sumidouro de talentos que é o setor público, que, ao oferecer salários nababescos (sustentados por impostos espoliados da iniciativa privada), rouba do setor privado pessoas capacitadas que nunca mais voltarão para ele.

    Vá às universidades de hoje, aos cursos de engenharia, e pergunte aos melhores alunos da turma o que eles querem ser: auditor da Receita, do INSS, fiscal da Fazenda Estadual e por aí. Dez anos de incentivos distorcidos criados pelo senhor Luiz Inácio não poderiam passar incólumes. As consequências serão inevitáveis. Daqui pra frente, a situação tende a piorar ainda mais, assim como a qualidade dos serviços e a capacitação das pessoas.

    A única solução factível de curto prazo é justamente liberar geral a importação de mão-de-obra qualificada. Abram as fronteiras para os chineses e demais asiáticos, bem como para latino-americanos bem instruídos. Só estes poderão projetar e construir infraestrutura decente para o país, bem como prestar outros serviços essenciais. O brasileiro nato ficará sendo churrasqueiro e garçom.
  • Navarro  11/09/2012 18:17
    Caro Leandro. Perdão por discordar, mas não sou eu que digo, é o IBGE que diz que existe um excdente de mão-de-obra qualificada. As últimas estatísticas de emprego demonstram que a taxa de desemprego tem subido entre a faixa de escolaridade a nível superior em relação a de nível médio e fundamental e técnico. Aliás, muita gente está abdicando de fazer faculdade para fazer cursos técnicos profissionalizantes pq sai de lá já empregado.
  • Leandro  11/09/2012 20:29
    Navarro, estamos utilizando conceitos distintos. O meu conceito de "qualificação" e "preparo" certamente é bem diferente do do IBGE. Para o IBGE, "qualificação" e "preparo" se resume a ter diploma. Para mim, "qualificação" e "preparo" dependem da inteligência (qualidade inata e desenvolvida em média até os 16 anos) e do esforço próprio. Formação acadêmica é totalmente secundária, para não dizer inócua. Hoje, qualquer incapaz ganha diploma.

    O IBGE considera como sendo mão-de-obra qualificada qualquer indivíduo com curso superior. Eu sou completamente infenso a diplomas. O que vale é o sujeito realmente ser bom naquilo que faz. E nesse quesito, meu amigo, estamos em situação deplorável. E a coisa só desandou nos últimos 10 anos, exatamente pelos motivos que expliquei acima. Por isso apontei aquela solução (importação maciça de mão-de-obra capacitada) como a única solução factível a curto prazo para o país.

    Agora, se você realmente acha que um país que tem (1) Aloízio Mercadante supervisionando o currículo das faculdades, (2) Dona Suplício como ministra da cultura, e (3) Mantega fechando a economia, tem alguma chance de deslanchar e virar potência, aí eu realmente peço que você mande meu abraço para a Dorothy e para o homem-de-lata aí em Oz.
  • Navarro  12/09/2012 10:09
    Não vou discutir conceitos de qualificação. Se para vc, um trabalhador qualificado é ser um gênio como Isaac Newton, Albert Einstein, James Watt, Richard Arkwright; isso não é relevante para a discussão em pauta, pois quando uma firma vai buscar mão-de-obra qualificada no mercado, o mínimo que vai se pedir é graduação na área de atuação, se o indivíduo que tem essa graduação satisfaz ou não o desejo da firma, não interessa, oq interessa é que ele preenche esse requisito mínimo. Se o cara é ou não suficientemente qualificado para o mercado não é relevante, é relevante que ele tem a graduação e será classificado como mão-de-obra qualificada pois, ao menos, era esse o desejo dele ao completar a graduação (ser qualificado). Se não fosse ele teria ficado apenas com o ensino médio ou então partido para um técnico. Ele teria em mente que a perspectiva salarial seria mais baixa do que supostamente uma graduação, pois seria menos qualificado. O que eu quis dizer, portanto, que falta emprego para a mão-de-obra qualificada hoje no Brasil é para esses indivíduos que atendem o requisito mínimo. Enquanto que os menos qualificados, como os técnicos, tem muito mais facilidade em arranjar emprego.

    E o teu próprio argumento derruba a tese do autor do artigo publicado aqui: vc diz que a mão-de-obra realmente qualificada (nos teus termos) prefere o funcionalismo público ao setor privado... Por que será??? Pq o funcionalismo público paga bem mais que o setor privado, e não é diferença pouca não... é muito mais!!! Então, como pode ser o salário mínimo o problema do desemprego se as firmas privadas nem ao menos querem se dispor a pagar algo que se assemelhe às estatais? E se elas não conseguem (ou não querem) atrair o tipo de funcionário que desejam, então como pode ser o problema no salário mínimo? O problema ou está nas estatais que pagam muito, ou nas firmas privadas que pagam uma ninharia e que por causa disso não geram atrativos para a mão-de-obra qualificada... NÃO NO SALÁRIO MÍNIMO!!!
  • Leandro  12/09/2012 12:01
    Navarro, seu raciocínio está confuso. Em momento algum eu estava falando de salário mínimo aqui. Estava falando apenas de mão-de-obra qualificada, o que nada tem a ver com o valor do salário mínimo. Salário mínimo é outro debate. Se quiser um artigo sobre salário mínimo voltado especificamente para a realidade brasileira, recomendo este.

    E sobre o setor privado pagar pouco, pudera. Além de sermos historicamente pouco produtivos -- o que, por si só, restringe a possibilidade de aumentos salariais --, ainda há os encargos sociais e trabalhistas que incidem sobre a folha de pagamento, bem como toda a carga tributária que incide sobre a receita e sobre o lucro.

    Encargos sociais: INSS, FGTS normal, FGTS/Rescisão, PIS/PASEP, salário-educação, Sistema S .

    Encargos trabalhistas: 13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias, ausência remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros benefícios.

    Carga tributária: IRPJ de 15%, mais uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa um determinado valor, mais CSLL de 9%, mais PIS de 1,65%, e mais COFINS de 7,6%.

    E isso apenas na esfera federal. A essa sopa de letras acrescente também o ICMS (estadual) e o ISS (municipal). O ICMS varia de estado para estado, mas a média é de 20%.

    É impossível haver uma grande acumulação de capital desta forma. Lucro que poderia ser reinvestido na compra de bens de capital modernos, que aumentariam a produtividade dos trabalhadores -- e, consequentemente, seus salários -- é confiscado pelo governo e desperdiçado no sustento da burocracia e no salário de seus parasitas. A atividade governamental é destruidora de capital. Ela impede o enriquecimento de empresas e trabalhadores.

    O Brasil não pode virar uma Alemanha por meio de um simples decreto governamental que estipule salários, como muita gente acha. Para que o Brasil pague salários de primeiro mundo, antes é preciso acumular capital. E para acumular capital, é preciso investir. E para investir, é preciso poupar. E para poupar, é preciso trabalhar. E para que a economia faça tudo isso, o governo não pode atrapalhar, não pode obstruir a livre iniciativa e não pode confiscar capital acumulado.

    Qualquer discussão que não se atenha a estes fatos é mera espuma.

    E sim, toda essa carga tributária, que impede aumentos salariais na iniciativa privada, existe justamente para sustentar os marajás do setor público, que vivem à custa dos trabalhadores da iniciativa privada.

    Querer que haja aumento salarial no Brasil com todo este peso do estado é querer milagres dignos de canonização.
  • R Santos  19/03/2014 05:26
    Esse tal de Navarro deve ser ele mesmo um desses caras cheios de diplomas carimbados pelo Méqui, mas que não conseguem nem entender uma linha de raciocínio. Parabéns pela sua paciência, Leandro.
  • Neto  12/09/2012 12:17
    ' Se o cara é ou não suficientemente qualificado para o mercado não é relevante, é relevante que ele tem a graduação'

    O importante é ter o papel mesmo que o papel não signifique nada, né? Ainda mais hoje em dia com uma fábrica de diploma em toda esquina
  • Antonio Galdiano  12/09/2012 05:51
    "Analisando a lista de países com maiores rendas médias, apenas 3 das 15 mais bem colocadas em 2012 são isentas de salário mínimo, o que me parece estranho... Poderia responder o motivo das nações sem leis de salário mínimo não estarem a frente, mesmo com a redução do desemprego, logo com a competição mais acirrada de empregadores pelos funcionários?! E como nações sem salário mínimo elevariam a renda média?! Grato!"\r
    O Leandro já fez um contraponto muito bem elaborado mas eu pretendo acrescentar alguns dados à discussão. Sobre o ponto levantado por Christiano Di Paulla, tudo isso me parece muito com uma discussão sobre futebol(Acho que vale a analogia). Raciocine: O Maradona, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos e reconhecido usuário de drogas (inclusive drogas do pensamento econômico), conseguiu ser tão bom por causa das drogas ou apesar das drogas?\r
    O mesmo raciocínio vale para economias que adotam o salário mínimo: A economia prospera por causa do salário mínimo ou apesar do salário mínimo? Sempre tenha esse raciocínio em mãos para começar qualquer discussão. Fica a dica!\r
    Podemos analisar a situação usando a empatia (se colocar na posição dos outros) e a lógica. Do ponto de vista do consumidor, o que você acharia se o governo impusesse a seguinte lei: "É proibido consumir produtos que custam menos de R$ 15,00 pois eles possuem baixo valor agregado e isso é negativo para economia" (Eu juro que tenho medo de sugerir essas idéias e os caras levarem a sério...). O que aconteceria ceteris paribus? Todos os produtos que custam menos de R$ 15,00 1)atingiriam o valor mínimo ou 2)eles simplesmente deixariam de existir caso a lei fosse observada 100% ou eles seriam comercializados no mercado negro caso a lei não se aplique inteiramente? Qual dos casos você acredita ser mais factível?\r
    Vou fazer uma leitura particular das possibilidades: 1) As empresas passariam a vender os mesmos produtos só que em agregados maiores (ex: fardos maiores, embalagens maiores, etc) 2) para os casos em que isso não é possível (e esse é um caso extremamente importante, muito semelhante ao mercado de trabalho sob a égide intervencionista atual), alguns produtores tentariam permanecer no negócio e passariam a vender seus produtos, digamos, que inicialmente custavam R$ 5,00 mas constatariam que as receitas agora diminutas por uma queda dramática nas vendas jamais cobrariam os custos de produção e esses produtores deixariam o mercado formal.\r
    O que isso tem a ver com o mercado de trabalho e a questão do salário mínimo? Você nota alguma similaridade?\r
    Caso não tenha notado, vou especificar para você: Suponhamos que um burocrata iluminado tenha a brilhante idéia de melhorar as condições de vida da população através da elaboração de um salário mínimo de R$ 2000,00 em valores de hoje, a lá PSTU e outros. Suponha ainda que os governantes consigam realmente coagir todo sistema econômico a realmente tornar real essa situação. O que acontecerá? Vamos ver do ponto de vista dos produtores: 1)A grande maioria terá de demitir aqueles que sequer produzir o equivalente a R$ 2000,00 (imagine os que produzem sequer R$ 1000,00), afinal de contas as empresas não podem incorrer em prejuízos sistemáticos e continuarem no mercado. 2)Alguns empreendedores optarão por permanecer algum tempo com alguns funcionários, e tenha em mente que a chance de um funcionário que antes do mínimo ganhasse R$ 1900,00 permanecer é muito superior ao que ganha R$ 700,00. A medida que o tempo passa, alguns dos que ganhavam próximo do mínimo conseguirão atingir um nível produtivo que supere o novo mínimo e permanecerão empregados. Todos os demais terão de ser demitidos pois as empresas não podem incorrer em perdas sistemáticas sem quebrarem.\r
    Adivinha o que vem a seguir: os trabalhadores que não souberem os fundamentos econômicos terão o diagnóstico errado de que, por não terem sido imediatamente demitidos quando da implementação do novo mínimo, i.e., por transcorrer algum tempo até a concretude da lógica de mercado, eles culparão o mercado, e não o real culpado. Daí vem toda a sorte de falácias intituladas falhas de mercado. Note que o que foi gerado é exatamente uma falha de governo, não de mercado. Note ainda que a falha pode até nascer de uma boa intenção, mas os resultados jamais podem contrariar a lógica.\r
    Moral da estória: canetadas de burocratas iluminados jamais conseguirão aumentar o nível produtivo de ninguém ao impor salários mínimos crescentes, e a lógica econômica garantirá que necessariamente aumentará o desemprego. Caso você não confie na lógica, pode procurar em algum lugar do mundo em que haja salário mínimo e que consiga sustentavelmente empregar gente menos qualificada do que as mais qualificadas(Comece pela análise do desemprego dos jovens). Não existe almoço grátis!\r
    \r
    Sempre que se deparar com um problema econômico faça esse exercício: busque a empatia (se colocar em todos os pontos de vista) e usar a lógica envolvida. Isso exige responsabilidade com a verdade, pois a lógica não necessariamente é praticada pelos nossos próximos, e inevitavelmente você terá de contraditar, ainda que mentalmente, alguns de seus mais próximos a bem da verdade. E isso não é fácil, mas nem tudo que é correto é fácil.\r
  • bernardo  11/09/2012 21:45
    É o cumulo dizer que sobre mão de obra qualificada no Brasil, sobra mão de obra improdutiva, de pouca útilidade, tá cheio de cursos assim nas universidades, mão de obra realmente útil, exemplo, engenharia(engenharia de verdade, não essas pseudo engenharia que tem por ai), ta sobrando vaga. E é verdade, alunos de universidades sempre preferem trabalhar pro governo, ir pra Petrobras é o sonho de qualquer engenheiro hoje em dia.
  • Neto  12/09/2012 03:41
    O meu não; o meu sonho é ajudar tecnicamente os seasteadings no que eu puder
  • jackson vasconcelos  18/12/2012 20:04
    É o Brasil dos demagogos. Gente que cria leis com o discurso de beneficiar a sociedade, quando, na verdade, a prejudica. Para além do caso do salário mínimo, vamos para a lei que não autoriza redução de salários. Uma empresa em crise momentânea, diante da lei, é obrigada a demitir, porque não pode adaptar os seus custos operacionais. Na minha infância - estou com 59 anos - vive a angústia do meu pai diante de outra dessas leis absurdas. Naquele tempo, "protegia-se" o emprego com a estabilidade depois de 10 anos de serviços prestados a um mesmo empregador. O que faziam as empresas: demitiam os empregados quando eles inteiravam oito e nove anos. Meu pai perdeu um ótimo emprego no Estaleiro Mauá para não alcançar a estabilidade, que ele alcançou, sem sacrifício algum, quando entrou no serviço público.
  • Davi Nogueira  19/12/2012 00:56
    Leandro, e os aposentados ou pensionistas (que dependem da previdência social) e que ganham o salário mínimo fixado, como ficariam nesse caso?

    A demais, gostei muito do artigo e dos comentários, enriqueceram bastante o conteúdo.
  • Leandro  19/12/2012 01:14
    O plano de reforma da previdência é bastante complexo e não pode, obviamente, ser explicado numa simples seção de comentários. Merece um livro a parte. Mas passa pela estabilização da moeda (para acabar com a inflação de preços, que é o que realmente destroça os aposentados; não houvesse inflação de preços, não haveria necessidade de se confiscar dinheiro dos trabalhadores com a desculpa de que o mesmo será devolvido com valor corrigido quando ele se aposentar), por uma total reforma bancária e, no curto prazo, pela venda de todos os ativos (inclusive terras) do governo, para pagar os aposentados atuais.

    Esbocei um pouco desse assunto em meu podcast:

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=168
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  23/06/2013 23:47
    O salário mínimo e outras mazelas estatais devem ser enviadas ao lixo da história.
  • anônimo  22/07/2013 18:01
    Se o salário mínimo for abolido no Brasil, pelo fato de termos um mercado de trabalho extremamente regulmentado, os salários não iriam despencar abruptamente?

    Não seria melhor, antes de abolir o salário mínimo, desregulamentar o mercado de trabalho?
  • Leandro  22/07/2013 18:20
    Seria sim. É isso que defendo, aliás.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=906
  • Emerson Luis, um Psicologo  01/10/2013 18:21
    O governo ajudaria muito mais os pobres de deixasse de obstruir o crescimento da qualificação profissional, da produtividade e da poupança, assim como o livre fluxo geral da economia e da sociedade.

    * * *
  • Vargas  04/11/2013 02:29
    O problema também são as exigências insanas dos empregadores. Os caras exigem Experiência de Senior até para estágio, trainee, ou júnior. E ainda pedem que o cara seja formado em inglês fluente, onde o indivíduo não vai precisar ler uma linha em inglês nem falar com nenhuma pessoa de outro país.
  • Malthus  04/11/2013 15:11
    Eles têm que exigir qualificação, pois o custo trabalhista é alto:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1654
  • Vargas  04/11/2013 18:17
    Cara, eu trabalhava em uma multi-nacional. A empresa lucrava cerca de 1 milhão por trimestre. Toda vez que tinha que fazer seleção de estagiário, eu entrava em conflito com meu chefe. Ele queria um estagiário com conhecimentos quase do meu nível(pleno). Fazia entrevista com 20 candidatos e dizia que nenhum tinha o perfil. Isso que a vaga de estagiário era para fazer funções simples, precisava de noções básicas(que todos tinham).

    O problema nesse caso não são as alta cargas tributárias e a burocracia. É insanidade do gestor, mesmo. Exigem um cara com experiencia, mas ninguém quer treinar e dar a oportunidade do cara aprender, como os candidatos vão ter experiencia? Se o cara é bom como eles exigem, não vai se candidatar para uma vaga de estagiário. A não ser que esteja muito desesperado.
  • Cassim  04/11/2013 20:50
    Sendo assim, ele ficará sem o funcionário. Simples assim.

    Os custos para ter um já são altíssimos e se nenhum pode preencher as demandas básicas da companhia, é melhor ficar sem.
  • Andre Cavalcante  04/11/2013 21:00
    Vargas, me responde só uma coisa: ele conseguia completar a vaga de estagiário com a pessoa do perfil que ele queria, ou no final tinha que fazer concessão?

    Sugiro o seguinte artigo para você pensar um pouco: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1241
  • anônimo  20/03/2014 00:34
    Até entendo, trabalhei em uma multinacional que tentava o mesmo esquema, sempre achei engraçado pois me foi pedido inglês para a entrada e foi meu primeiro emprego real (havia feito um concurso publico anteriormente, daqueles que pedem apenas ensino médio, não pagam muito bem mas pedem menos ainda). Acabei ficando muito decepcionado que no meu trabalho diário não foi nenhuma vez oportuno o uso da segunda língua... Não acabei ficando muito no emprego pois logo me surgiu uma proposta melhor, mas imagino alguns motivos para algumas seleções pedirem diplomas/habilidades inúteis para a tarefa a ser realizada... Ao menos seria talvez o motivo que me levaria a fazer uma seleção nesses moldes se fosse o empregador.
    Não podendo demitir depois da contratação sem arcar com custos altos que existem para a demissão/reposição do profissional, e sabendo que muitos dos entrevistados irão exagerar e talvez até fingir possuírem mais habilidades que tem... Em casos de estagio administrativo mesmo praticamente não precisa ter conhecimento algum, mas vai que acabe contratando alguém sem o mínimo compromisso ou respeito? Ai por mais inútil que seja um diploma, vou saber que ao menos o indivíduo teve disciplina para comparecer uns 4 anos numa instituição, sabe ao menos ler e repetir o que lhe foi falado, tenho mais chance de não acabar preso a alguém 'desqualificado' para as funções. Talvez por isso as mais básicas funções já peçam curso superior hoje em dia, certamente levaria isso em conta correndo o risco de perder até bons valores nesse processo
  • ANDRE PORTO  27/05/2014 01:58
    O discurso até seria válido se desse pra viver bem com o salário mínimo atual. Infelizmente o atual é uma merreca, e se os empregadores pagassem menos, não sei nem se as pessoas subsistiriam. Realmente existiriam menos desempregados, pois os mesmos morreriam de fome provavelmente.
  • Tiago RC  27/05/2014 09:10
    Que draminha ridículo... os atuais desempregados estão morrendo de fome então?
    Se o cara escolhe trabalhar por um baixo salário, ao invés de ficar desempregado, quem você pensa que é para dizer que ele está errado e que deveria continuar desempregado?
  • anônimo  27/05/2014 11:52
    'se os empregadores pagassem menos, não sei nem se as pessoas subsistiriam.'

    A única coisa que o SM faz é proibir de dar um emprego pras pessoas com habilidades que valem menos que o salário mínimo
    Vc diz que pagando menos do que o salário mínimo as pessoas sofreríam, mas com o salário mínimo elas não ganham nem isso, então é pior ainda.

    Realmente existiriam menos desempregados, pois os mesmos morreriam de fome provavelmente.

    Essa afirmação é de um vitimismo gratuito e de uma falta de lógica tremenda. Com ou sem sal mínimo existiriam desempregados, mas só numa situação vc diz que eles morreríam. E o fato deles morrerem ou não, não tem ligação nenhuma com quanto o pessoal que está empregado ganha.


  • daniel  18/09/2014 20:42
    Isso foi refutado nos comentários acima, você faria bem em lê-los. Adiciono que ninguém morreria de fome, pois quanto mais empregos disponíveis, maior a produção e a riqueza gerados. Consequentemente o custo de vida cairia, e a "merreca" compraria muito mais do que você imagina.
  • anônimo  20/10/2014 00:44
    Uma dúvida: o salário mínimo REAL, contando com a inflação, aumentou muito desde o plano real. No entanto o desemprego diminuiu. O que explica isso?
  • Leandro  20/10/2014 01:40
    Um comparativo entre a evolução salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia.

    O Brasil é um bom exemplo disso. Como mostra esse artigo, a quantidade de dinheiro na economia brasileira aumentou 7 vezes desde janeiro de 2004. Essa explosão da quantidade de dinheiro na economia estimulou o aumento do emprego porque a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas -- ao menos temporariamente, enquanto os preços crescem menos que o crescimento da oferta monetária.

    A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por um conjunto excepcional de circunstâncias, a oferta monetária cresce muito mais do que os preços, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.

    De resto, o artigo linkado acima também explica por que o desemprego está aparentemente baixo.
  • Alexandre  20/10/2014 12:26
    Leandro,

    Saíndo um pouco da questão do salário mínimo, li esses dias sobre a estagnação do salário real e o crescimento exponencial da produtividade nos EUA desde a década de 70. Busquei neste site sobre explicações sobre esse fenômeno, mas não encontrei.

    https://img.4plebs.org/boards/pol/image/1394/00/1394007367909.jpg

    Isso é ilógico do ponto de vista econômico, visto que a produtividade do trabalho deveria aumentar aumentar os salários reais.

    A única explicação que eu consegui pensar foi que os salários dos trabalhadores foi corroído pela inflação de preços causadas pelo FED a partir da década de 70.

    Gostaria de ver um ponto de vista austríaco sobre isso.
  • Leandro  20/10/2014 12:33
  • Lopes  20/10/2014 15:31
    Leandro, Off-topic, poderia sugerir-me um medidor de produtividade da mão de obra que não seja PIB / Empregado? Estava buscando uma nova mensuração possível, em especial, que não envolvesse o PIB.
  • Leandro  21/10/2014 10:43
    Também gostaria de saber. Infelizmente, serei inútil nessa...
  • João  25/11/2015 21:51
    (Uma duvida de quem quer aprender) Mas e na china que tem poucas leis trabalhistas, por que muitos la são pobres e vivem em situação semi-escravil? Isso se deve a outros fatores como o de o estado intervir muito na economia? Estou esperando uma resposta. Obg
  • David  25/11/2015 22:16
    Keynesianismo misturado com mercantilismo com altas doses de intervencionismo.

    A China é uma grotesca aberração econômica, cujo modelo econômico simplesmente não tem semelhança a nenhum outro modelo econômico já adotado por algum outro país em algum momento da história — nem mesmo ao modelo mercantilista de estímulo às exportações originalmente criado pelo Japão, e que já se comprovou insustentável.

    O governo chinês está nas mãos de um grupo de velhos comunistas que foram criados sob o regime de Mao. Eles acreditam em planejamento central, ainda que de uma maneira mais diluída. Eles enviaram seus jovens mais inteligentes para estudar economia nas universidades americanas. Esses jovens retornaram para a China keynesianos.

    A economia chinesa é hoje uma mistura maluca de empreendedorismo de livre mercado, de investimentos subsidiados e dirigidos pelo Banco Central, de mercantilismo keynesiano, e de planejamento central comunista. Trata-se de um acidente monumental que está na iminência de acontecer.
  • Carente Mineiro  25/11/2015 23:26
    Sô, a China e a Índia viram a maior saída da pobreza da história depois do comunismo e do semi-socialismo, respectivamente. As pessoas adoram reclamar que os salários nominais lá são muito baixos, mas a verdade é que isso não vem de hoje. É complicado ter um bilhão ou mais de pessoas e pouco capital. Sem as empresas estrangeiras posso garantir que a situação não estaria melhor. Seria menos investimento, menos frentes de trabalho (ui, usando termo de propaganda eleitoral) e mais miséria. O problema é que investir na Ásia é questão de quanto dinheiro você tem para subornar o governo. Nem todo mundo pode. São economias livres comparadas com o Brasil, mas aqui é um Cubão em que nada se investe e tudo se destrói.

    Agora, para ser franco, comparado com um espanhol, que está desempregado, mimado, improdutivo e incapaz de entrar no mercado de trabalho por causa da legislação trabalhista restritiva aos menos produtivos (os mais jovens, por exemplo),
  • Eu mesmo  26/11/2015 19:34
    Dizer que a Índia passou por um "semi-socialismo" é muita bondade. Vejamos esse trecho de um artigo do Mises:

    O governo indiano declara pretender industrializar o país, mas o que de fato tem em mente é instituir empresas socialistas. Alguns anos atrás, o famoso estadista Jawaharlal Nehru publicou uma coletânea de discursos. O livro foi lançado no intuito de tornar os investimentos estrangeiros na Índia mais atraentes. O governo indiano não é contrário ao capital estrangeiro antes que este seja investido. A hostilidade só começa quando já está investido. Nesse livro - cito literalmente - o senhor Nehru diz: "Desejamos, é claro, socializar. Mas não somos contrários a iniciativa privada. Desejamos encorajar de todas as maneiras a iniciativa privada. Queremos afiançar aos empresários que investem no país que não os expropriaremos ou os socializaremos num prazo de dez anos, talvez até por mais tempo." E ele supunha estar fazendo um convite estimulante.

    Esse semi-socialismo me parece demais com um socialismo plain and simple.
  • Paupérrimo Cipriota  26/11/2015 22:01
    Nem socialismo parece. Tem cara de canalhice, mesmo. O socialista mente, já o Nehru passa de cara de pau. Culpado pessoalmente pela miséria de milhões de indianos. O país só regrediu por causa dele.
  • Roberto Garcia  11/06/2017 15:44
    Otimos comentários.As diferenças de posicionamentos fazem com que possamos pensar melhor a situação real do salario minimo e do desemprego no Brasil !Não tenho vergonha de dizer que estou aqui aprendendo com ambos os lados!


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