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Como os mercantilistas institucionalizaram a inflação

Os estados pós-medievais adquiriam a maior parte de suas avidamente desejadas receitas por meio da tributação.  Porém, além da espoliação direta de seus súditos, os estados sempre se sentiram atraídos pela ideia de poderem criar seu próprio dinheiro.  Entretanto, antes da invenção do dinheiro de papel, a criação de dinheiro feita pelo estado era limitada a adulterações ocasionais do processo de cunhagem, atividade essa da qual ele há muito já havia adquirido o monopólio compulsório. 

A adulteração das moedas era um processo feito todo de uma única vez, e não podia ser utilizado, como o estado gostaria, para criar dinheiro continuamente de modo a encher os cofres do estado com dinheiro a ser utilizado para pagar pela construção de palácios, pirâmides e outros bens de consumo para o aparato estatal e sua elite dominante.

O instrumento altamente inflacionário do dinheiro de papel foi primeiramente descoberto no mundo ocidental em Quebec, província francesa no Canadá, em 1685.  Monsieur Meules, o governador intendente (agente do rei) de Quebec, apertado em busca de novos fundos — como todo governante —, decidiu aumentar sua receita dividindo algumas cartas de baralho em quatro partes, marcando cada uma delas com diferentes denominações da moeda francesa, e então utilizando-as para pagar salários e materiais.  Esse dinheiro de cartas, que mais tarde passou a ser trocado por moeda real, rapidamente se transformou em tickets de papel reiteradamente emitidos.

A primeira forma mais familiar de dinheiro de papel governamental começou cinco anos depois, em 1690, na colônia britânica de Massachusetts.  Massachusetts havia enviado soldados para uma de suas costumeiras expedições para pilhar a riqueza da próspera Quebec francesa, porém desta vez eles apanharam, perderam e voltaram sem nada.  Como o pagamento da classe militar de Massachusetts sempre advinha da venda em leilão dos objetos que pilhavam dos franceses de Quebec, e como agora isso não mais era possível, a soldadesca ficou extremamente irritada.

O governo de Massachusetts, acossado por exigências de pagamentos salariais feitas por uma classe militar agora amotinada, não conseguiu arrumar empréstimos com comerciantes de Boston, que astutamente sabiam que o histórico de crédito do governo não era dos mais elevados.  Finalmente, Massachusetts descobriu a conveniência de simplesmente emitir 7.000 libras em notas de papel, as quais supostamente seriam redimidas em espécie dali a alguns anos.  Inevitavelmente, é claro, esses "alguns anos" começaram a se alongar indefinidamente no horizonte temporal, e o governo, deliciado com essa recém-descoberta forma de adquirir receitas de forma aparentemente sem custo, simplesmente entregou-se ao prazer de sair colocando papeis na impressora, e rapidamente emitiu mais 40.000 libras.  Fatidicamente, o dinheiro de papel havia nascido.

Duas décadas depois, o governo francês, sob a influência de um fanático inflacionista, o teórico escocês John Law, também abriu as torneiras da inflação do papel-moeda na França.  Já o governo inglês recorreu a um dispositivo mais sutil para realizar o mesmo objetivo: criou uma nova instituição na história — um banco central.

Para se entender a história da Inglaterra dos séculos XVII e XVIII, é preciso levar em consideração as guerras perpétuas em que o estado inglês continuamente se engajava.  Guerras significavam gigantescas necessidades financeiras para a Coroa.  Antes do advento do banco central e do dinheiro de papel, qualquer governo que não estivesse disposto a tributar seus súditos até a alma para poder financiar o custo total de suas guerras tinha de recorrer ao endividamento.  Porém, se essa dívida pública continuasse subindo, e os impostos não fossem aumentados, inevitavelmente alguém teria de ceder, pois uma hora a dívida teria de ser paga.

Antes do século VXII, os empréstimos eram geralmente feitos por bancos, e "bancos" eram instituições para as quais capitalistas emprestavam fundos que eles haviam poupado.  Não havia bancos com o intuito de receber depósitos para contas-correntes.  Os comerciantes que quisessem um lugar seguro para guardar seu ouro depositavam-no na Casa da Moeda do Rei, localizada na Torre de Londres — uma instituição acostumada a guardar ouro.  Esse hábito, entretanto, acabou se revelando extremamente custoso, pois o Rei Carlos I, altamente necessitado de dinheiro logo após a eclosão da guerra civil em 1638, simplesmente confiscou a enorme soma de 200.000 libras de ouro que estavam guardadas na Torre — e anunciou que isso era apenas um "empréstimo" dos depositantes.  Compreensivelmente abalados por essa experiência, os comerciantes começaram a depositar seu ouro nos cofres de ourives privados, os quais também estavam acostumados ao armazenamento e custódia de metais preciosos.  Tais ourives emitiam certificados de depósitos para esses metais.  Rapidamente, esses certificados começaram a circular e a funcionar como cédulas de dinheiro — consequência de seus serviços de depósito bancário.

Em pouco tempo, o governo de Carlos II passou a necessitar de grandes quantias de dinheiro para as guerras inglesas contra os holandeses.  Os impostos foram significativamente elevados, e a Coroa pegava empréstimos vultosos com os ourives.  No final de 1671, o Rei Carlos II pediu aos banqueiros mais empréstimos para financiar uma nova frota.  Ao receber a negativa dos ourives, o rei proclamou, no dia 5 de janeiro de 1672, uma "interrupção no Tesouro", isto é, uma deliberada recusa em pagar quaisquer juros sobre o principal de toda a dívida pública pendente.  Parte dessa dívida "interrompida" era dívida do governo para com fornecedores e pensionistas, mas a esmagadora maioria dela era para com os ludibriados ourives.  Com efeito, do total de 1,21 milhões de libras da dívida interrompida, 1,17 milhões eram dívidas para com os ourives.

Cinco anos depois, em 1677, a Coroa relutantemente começou a pagar juros sobre a dívida interrompida.  Porém, até o momento da expulsão e fuga de Jaime II para a França, em 1688, somente pouco mais de 6 anos de juros haviam sido pagos sobre uma dívida de 12 anos.  Ademais, os juros foram pagos a uma taxa arbitrária de 6%, mesmo com o rei tendo originalmente prometido pagar juros a taxas que variavam de 8 a 10%.

Os ourives foram ainda mais intensamente prejudicados pelo novo governo de Guilherme e Maria II, levados ao poder pela Gloriosa Revolução de 1688.  O novo regime simplesmente se recusou a pagar qualquer taxa de juros sobre o principal da dívida interrompida.  Os infelizes credores levaram o caso aos tribunais, porém, embora os juízes tivessem concordado em princípio com o argumento dos credores, sua decisão foi invalidade pelo Lord Keeper [funcionário da Coroa encarregado de proteger o Grande Selo do Reino Unido], que candidamente argumentou que os problemas financeiros do governo devem ter prioridade sobre a justiça e os direitos de propriedade.

O episódio da "interrupção" da dívida teve seu desfecho quando a Câmara dos Comuns decretou, em 1701, que metade da dívida deveria simplesmente ser abolida — e que os juros sobre a outra metade deveriam começar a ser pagos no final de 1705, à incrível taxa de 3%.  E essa taxa ínfima ainda viria a ser reduzida mais tarde, para 2,5%.

As consequências dessa declaração de insolvência da parte do rei foram as previsíveis: o crédito foi severamente prejudicado, e o desastre financeiro atingiu em cheio os ourives, cujos certificados de depósitos não mais eram aceitos pelo público; tampouco podiam os ourives devolver o ouro a seus depositantes.  A maioria desses ourives credores do governo foi à falência na década de 1680, e vários outros terminaram suas vidas na cadeia, que era para onde iam os devedores, pois não devolveram o ouro aos seus donos originais, em decorrência do calote do governo.  O incipiente sistema bancário de depósitos havia recebido um golpe devastador, um golpe que só seria superado com a criação de um banco central.

A interrupção do Tesouro, portanto, vinda somente duas décadas após o confisco do ouro na Torre de Londres, conseguiu destruir praticamente de uma só vez o sistema bancário de depósitos privados e o crédito do governo.  Porém, intermináveis guerras contra a França estavam agora começando.  De onde o governo tiraria dinheiro para financiá-las?[1]

A salvação veio na forma de um grupo de promotores, liderado por Scot William Paterson.  Em 1693, a Câmara dos Comuns formou um comitê especial para estudar o problema de como levantar fundos para as guerras.  Paterson aproximou-se desse comitê e propôs um extraordinário novo esquema.  Em troca de uma série de importantes privilégios especiais concedidos a ele pelo estado, Paterson e seu grupo formariam o Banco da Inglaterra (Bank of England), o qual emitiria cédulas novas, a maioria das quais seria utilizada para financiar o déficit do governo.  Em suma: como não havia um número suficiente de poupadores privados dispostos a financiar o déficit, Paterson e companhia estavam graciosamente dispostos a comprar títulos do governo, os quais seriam comprados com cédulas recém-criadas pelo Banco da Inglaterra, ganhando com isso uma série de privilégios especiais.  Assim que o Parlamento devidamente autorizou a criação do Banco da Inglaterra em 1694, o próprio rei Guilherme e vários membros do Parlamento apressaram-se em se tornar acionistas dessa nova fonte de criação de dinheiro.

William Paterson incitou o governo inglês a conceder às cédulas do Banco da Inglaterra o status de moeda de curso forçado; mas isso já era ir longe demais, até mesmo para a Coroa Britânica.  Porém, o Parlamento concedeu ao banco o privilégio de manter os depósitos de todos os fundos do governo.

Essa nova instituição, um banco central privilegiado pelo governo, rapidamente demonstrou seu poder inflacionário.  O Banco da Inglaterra rapidamente emitiu a enorme soma de 760.000 libras, a maioria das quais foi utilizada para comprar títulos da dívida do governo.  Essa emissão teve um imediato e substancial impacto inflacionário, e, em dois anos, o Banco da Inglaterra já se encontrava insolvente após uma corrida bancária — uma insolvência jubilosamente incitada por seus concorrentes, os ourives, que alegremente corriam para o Banco da Inglaterra exigir a restituição das cédulas que ele emitiu excessivamente por moedas metálicas.

Nesse ponto, o governo inglês tomou uma decisão fatal: em maio de 1696, ele simplesmente permitiu que o Banco da Inglaterra "suspendesse as restituições em espécie".  Ou seja, permitiu que o banco se recusasse indefinidamente a cumprir suas obrigações contratuais — restituir suas cédulas emitidas em ouro —, e, ao mesmo tempo, autorizou-o a continuar displicentemente em funcionamento, emitindo cédulas e obrigando seus devedores a lhe pagar as dívidas.  O banco retomou as restituições em espécie dois anos mais tarde, mas tal ato criou um precedente para o sistema bancário britânico e americano dali em diante.  Sempre que um banco inflacionasse demais a oferta monetária e isso o levasse a problemas financeiros, o governo prontamente entraria em cena e permitiria que ele suspendesse as restituições em espécie.  Durante as últimas guerras com a França, no final do século XVIII e início do século XIX, o governo permitiu que o banco suspendesse as restituições durante duas décadas.

No mesmo ano, 1696, o Banco da Inglaterra passou por outro susto: o fantasma da concorrência.  Um grupo financeiro formados por Tories [membros do Partido Conservador] tentou estabelecer um banco nacional voltado para empréstimos para o setor agrário, para competir com o banco central, então dominado pelos Whigs [partido rival de tendências progressistas].  A tentativa fracassou, mas o Banco da Inglaterra rapidamente agiu para induzir o Parlamento a aprovar uma lei, em 1697, proibindo a criação de novos bancos corporativos na Inglaterra.  Qualquer novo banco que viesse a ser criado teria de ser de sociedade limitada ou de propriedade exclusiva, limitando assim severamente a amplitude da concorrência com o Banco da Inglaterra.

Ademais, qualquer falsificação das cédulas do Banco da Inglaterra agora podia ser punida com a morte.  Em 1708, após a série de privilégios já concedida, o Parlamento criou outro privilégio crucial: agora era ilegal para qualquer banco corporativo que não fosse o Banco da Inglaterra, e para qualquer sociedade bancária com mais de seis pessoas, emitir suas cédulas, o que garantiu que apenas as cédulas do Banco da Inglaterra circulassem.  Mais ainda: as sociedades anônimas bancárias e as parcerias de mais de seis pessoas também estavam proibidas de fazer qualquer tipo de empréstimos de curto prazo.  O Banco da Inglaterra agora teria de competir apenas com bancos minúsculos.

Assim, ao final do século XVII, as nações da Europa Ocidental, particularmente a Inglaterra e a França, haviam descoberto uma nova e preciosa maneira de engrandecer o poder do estado: auferir receitas por meio da criação inflacionária de dinheiro de papel, seja por meio do governo ou, mais sutilmente, por meio de um privilegiado e monopolístico banco central.

Na Inglaterra, bancos privados que recebiam depósitos foram inspirados a proliferar (especialmente suas contas-correntes) sob esse manto de proteção, e o governo agora finalmente podia expandir a dívida pública para poder lutar suas infindáveis guerras.  Durante a guerra francesa de 1702—13, por exemplo, o governo conseguiu financiar 31% de seu orçamento por meio de dívida pública.

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Nota

[1] Dos 66 anos que vão de 1688 a 1755, 34 foram totalmente gastos em guerras contra a França.  Mais da metade.  Guerras posteriores, como as de 1756—1763, 1777—1783 e 1794—1814, foram ainda mais espetaculares, de modo que, dos 126 anos compreendidos entre 1688 e 1814, nada menos que 67 foram gastos pela Inglaterra em guerras contra a "ameaça francesa".


Esse artigo foi extraído do livro An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, vol. 1,Economic Thought Before Adam Smith



autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Miguel A. E. Corgosinho  17/02/2011 13:01
    O CAPITALISMO COMEÇOU ASSIM A PILHAGEM INTERNACIONAL?

    "A primeira forma mais familiar de dinheiro de papel governamental começou cinco anos depois, em 1690, na colônia britânica de Massachusetts. Massachusetts havia enviado soldados para uma de suas costumeiras expedições para pilhar a riqueza da próspera Quebec francesa, porém desta vez eles apanharam, perderam e voltaram sem nada. Como o pagamento da classe militar de Massachusetts sempre advinha da venda em leilão dos objetos que pilhavam dos franceses de Quebec, e como agora isso não mais era possível, a soldadesca ficou extremamente irritada."

    O tempo não o mudou em nada, o capitalismo nunca será um bom socio para direção do Anarco-capitalismo, porque, com certeza, o Capitalismo vai se auto-criar com o dinheiro falso e pilhar o Anarquismo que surge com os bens da propriedade privada. De cara o capitalismo, por trás da existência da natureza, se reapropria da situação social e nega a solução internacional do mundo real - em que o Anarquismo mede a sua relação positiva com a natureza.

    Esta fixação comunal, não medida por dinheiro, passa a preceder o anarquismo alheio e vai produzir discrepâncias de origem entre ele e a produção: sem todavia, fazer o desenvolvimento teórico da natureza, com a essência de um legislador social, cuja regra internacional seria o futuro dinâmico da produção = o valor de conexões reais para a propriedade da moeda.

    Mas digamos que ao final de cada doze meses se apura o crescimento do valor principal na sociedade futura, e o Anarco-capitalismo deve renovar os princípios das partes correspondente ao que cada um fundamentou para reserva, na anti-sociedade com a natureza.

    Concluamos que se essas condições de existência do Anarco-capitalismo fossem programadas para a sociedade brasileira: o crescimento da produção, ao final de doze meses, numa mera ordem da produção, vai ser de 5%, para o Anarquismo privado, e a taxa de juro SELIC 11,75, para o capitalismo, onde nenhum país tem uma esfera superior.

    Haverá um deficit anual contra a solução genuína do Anarquismo/natureza (organização da propriedade privada), de 6,75.

    Em menos de vinte anos o capitalismo, anulando o Anarquismo, quebraria mais uma vez a solução do sistema social.

    O simples fato do Brasil ainda ter muitas riquezas da natureza para passar para o Capitalismo dos EUA, alcançamos um egoísmo de que tudo se completa no livre mercado, o qual usufruimos desse sistema (abundancia/deficit público, através de preço da moeda), mas o Anarquismo só pode ser possível como um meio da natureza, comunal com a propriedade privada, segundo um processo histórico-mundial da produção.
  • Rodolfo Oliveira  10/02/2015 20:59
    Que viagem violenta!
  • Paulo  17/02/2011 14:11
    Valeu Leandro, por traduzir este texto!
    O texto mostra o que eu disse ontem: O Rei Inglês manipulava o sistema monetário de várias maneiras: fosse acrescentando outros metais à prata, seja pedindo dinheiro e deixando de cumprir com seus compromissos, seja dando calote, enfim, etc. o Rei manipulava o sistema monetária usando inúmeros mecanismos. Por outro lado, na Holanda, como mostrou o Rothbard em outros textos, ao contrário do sistema monetário mercantilista britânico, o Banco de Amsterdam mantinha 100% de reservas, com todos os recibos lastreados com os ativos nele depositados (ouro e prata). Mas mesmo assim, o aumento de preços na Holanda, em todo o século XVII foi maior do que na Inglaterra. Não estou dizendo que o que o Rei Inglês fazia era certo, aliás, eu prefiro um sistema monetário como o holandês. Mas pra verem que as coisas não são tão simples...
    Eu acho que este texto responda à pergunta sobre os dados monetários da Inglaterra, ou alguém acredita que um sistema monetário manipulado crie mais dinheiro do nada sobre um sistema que mantém 100% de reservas? Mas se mantém 100% de reservas, então sequer cria dinheiro do nada, mas tudo COM LASTRO...
    Valeu, mesmo, Leandro!
  • Leandro  17/02/2011 16:28
    Paulo, não se esqueça de que, no caso da Holanda, houve um maciço influxo de metais preciosos vindos de fora.

    Quando isso ocorre, não há sistema bancário com 100% de reservas que dê conta. Simplesmente não tem como esterilizar essa quantidade de dinheiro. E foi isso que causou a bolha nas tulipas.

    Sob esse cenário, é sim perfeitamente possível uma economia com sistema bancário sem reservas fracionárias ser mais inflacionária que uma economia com manipulações monetárias. É raro, mas é possível (muito embora eu ainda não esteja certo sobre qual o seu ponto).
  • Paulo  17/02/2011 17:30
    Eu já lí o texto do French inúmeras vezes, é muito bom. Mas o assunto de ontem era sobre o aumento explosivo nos preços dos alimentos, que segundo o autor do artigo se devia ao aumento da emissão de moeda pelos Bancos Centrais. Então eu disse que houve períodos na História em que o aumenta da oferta de moeda aumentou, mas os preços CAIRAM, e foi o caso do período de maciço influxo de metais na Holanda, veja: um produto que custava fl 100,00 em 1628, custava algo como fl. 95,00 em 1636, e nesse período houve um aumento explosivo na oferta monetária, por outro lado, no período 1638-1644, a cunhagem de moeda caiu, mas os preços SUBIRAM.
    Além disso, o influxo de metais de fora num sistema de reservas 100% gera mais moeda do que as moaipulações monetárias pelo Rei, como acontecia na Inglaterra?
  • Leandro  17/02/2011 18:00
    Você está fazendo confusão com os termos, Paulo. A tabela mostra a cunhagem total de moedas. Portanto, "a cunhagem de moeda caiu" não significa contração monetária. Significa apenas redução no ritmo de expansão da cunhagem. Ou seja, continuou havendo expansão monetária do mesmo jeito.

    Ademais, veja que o ápice da expansão ocorre justamente no período de 1636-38, o que pode explicar o aumento de preços dos anos subsequentes (como você deve saber, alterações nos preços não se manifestam imediatamente após manipulações monetárias.

    Por fim, como já disse pra você nas outras postagens, existem vários outros fatores que determinam alterações nos preços, sendo que os principais são 1) pontos da economia que primeiro recebem a nova leva de moeda recém-criada e 2) crescimento da oferta de produtos.

    No atual caso do aumento dos preços dos alimentos, os fatores climáticos possuem efeito óbvio sobre a carestia, mas é fato que as atuais impressões monetárias intensificaram sobremaneira a alta dos preços.

    Caso discorde disso, como você explica o atual aumento de praticamente todas as commodities não alimentícias em época de recessão mundial?

  • Paulo  17/02/2011 18:52
    Não estou fazendo confusão. Eu não disse que houve "contração" monetária. Eu disse que a CUNHAGEM DE MOEDA caiu, e não que o DINHEIRO EM CIRCULAÇÃO caiu. Se em 1636-38, a expansão monetária atingiu o seu "ápice", em 1642-44, ela atingiu o seu mínimo. Então como explica que em 1644, era de redução no ritmo de expansão monetária, os preços tenham aumentado 3% com relação a 1638, e que no num período de expansão monetária explosiva, como em 1628-36, os preços tenham caido? Partindo da premissa do autor do artigo, então no período 1628-36 os preços deveriam ter subido em ritmo maior do que no período 1638-44. Mas aconteceu o contrário: no primeiro período, os preços cairam 4,63%, no segundo período, subiram mais de 3%...
  • Leandro  17/02/2011 20:28
    Sua mente é extremamente confusa, Paulo. Se de 1636 a 1644 houve expansão monetária em diferentes ritmos, então não há nada de se estranhar no fato de ter havido um aumento de 3% nos preços nesse mesmo período (1636--1644). É exatamente isso que voce está dizendo e achando muito estanho.

    Sei que seu objetivo é apenas tumultuar, mas, por favor, volte quando tiver algum desafio realmente substantivo.

    Grande abraço.
  • Getulio Malveira  17/02/2011 16:29
    Que bela história! No fundo um problema moral: o calote. Pacta sunt sevanda, diz um antigo ditado, ao que se complementa hoje cinicamente: rebus sic standibus. Mais interessante ainda é o vínculo entre as guerras e a inflação monetária, mais especificamente, entre a magnitude das guerras e as políticas economicas inflacionárias. Dizem que um "se" em história nada significa, mas ainda assim é interessante se perguntar se as grandes guerras, desde a Guerra dos 100 anos, passando pelas guerras napoleônicas até as Grandes Guerras do século XX teriam sido possíveis sem bancos centrais e inflação.

    Muito bom texto, parabens pela tradução!
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  18/02/2011 20:11
    Prezado Getúlio\r
    \r
    Eu também notei isso no texto.\r
    \r
    As guerras, inflação e o banco central caminham juntos!!!!!!!\r
    \r
    Abraços\r
  • Stefan  29/05/2013 02:07
    Excelente observação.
  • Janny  18/02/2011 10:12
    \r
    Nossa, que história interessante, não imaginava que tinha sido assim o início do "autoritarismo" do Estado...
  • Tiago  14/03/2011 14:22
    Texto bastante interessante, mas um pouco incompleto.

    Faltou falar sobre o sistema de reserva fracionárias, sobre a verdadeira composição dos acionistas do Banco da Inglaterra, além da criação um banco central privado para gerenciar a coisa pública (fato com precedentes na história).

    Falar sobre a criação do Banco da Inglaterra e não falar sobre Jacob Rothschild (o homem por trás de William Paterson), é como falar em criacionismo e não mencionar Deus. Simples assim.
  • Leandro  14/03/2011 15:09
    Tiago, esse artigo foi apenas um trecho extraído de uma obra que tem dois volumes e mais de mil páginas. Daí a necessidade de uma maior concisão.

    Quanto aos Rothschild, uma ressalva: a família Rothschild fundou seu primeiro banco apenas em 1798, mais de 100 anos após a criação do Banco da Inglaterra. E William Paterson morreu em 1719. E Jacob Rothschild só nasceu em 1936!

    Não há nenhuma ligação comprovada -- nem mesmo seria biologicamente possível -- entre Paterson e os Rothschild.
  • Paulo  23/05/2012 07:28
    "Antes do século VXII, os empréstimos eram geralmente feitos por bancos, e "bancos" eram instituições para as quais capitalistas emprestavam fundos que eles haviam poupado. Não havia bancos com o intuito de receber depósitos para contas-correntes. Os comerciantes que quisessem um lugar seguro para guardar seu ouro depositavam-no na Casa da Moeda do Rei, localizada na Torre de Londres — uma instituição acostumada a guardar ouro."
    - Não entendí. Quer dizer que até o século XVII, os bancos mantinham 100% de reservas e quem quisesse fazer uma deposito em conta-corrente, guardava na Casa da Moeda do Rei?
  • anônimo  02/09/2013 13:23
    Como foi que a partir do momento que o estado passou a intervir mais na economia - no caso da Inglaterra, com a criação do banco central - passou a ocorrer a revolução industrial?
  • Leandro  02/09/2013 13:51
    O que permitiu a Revolução Industrial foi a acumulação de capital -- um fenômeno puramente físico, que nada tem a ver com o fato de bancos estarem criando dinheiro do nada.

    Qualquer um que diga que a criação de dinheiro do nada tem o poder de gerar riqueza e permitir progressos industriais está, na prática, dizendo que acredita em feitiçarias (e tem de explicar por que países que vivenciaram hiperinflações não são hoje potências).

    Economistas de fato acreditam que é possível conseguir algo em troca de nada
  • Emerson Luis, um Psicologo  19/10/2014 16:40

    E persiste a mentira de que, para haver crescimento econômico e emprego, é necessário tolerar certa inflação. Não realidade, essa afirmação é pretexto para intervencionismo.

    * * *


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