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O que esperar da economia brasileira

O gráfico a seguir mostra a evolução do volume total de crédito concedido, tanto por bancos estatais quanto privados, para o setor privado industrial, o setor privado comercial, o setor privado de outros serviços, o setor privado rural, o sistema habitacional e para pessoas físicas, desde agosto de 1994.
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Observe que de 1996 a 2004, o volume concedido cresce parcimoniosamente.  A partir de 2004, a concessão de crédito começa a acelerar, a taxas cada vez mais acentuadas, até estagnar-se novamente no final de 2008/início de 2009, período em que a economia passou por uma recessão.  A partir de maio de 2009, o volume de crédito concedido volta a crescer a taxas aceleradas — e é nesse ponto em que nos encontramos hoje.

Por exemplo, de maio de 2009 a setembro de 2010, o crédito cresceu 25%.  Para se ter uma ideia do que isso representa, se pegarmos o volume de crédito vigente em janeiro de 1996, será apenas em novembro de 1998 (quase três anos, portanto) que o crédito terá aumentado esses mesmos 25%.  Ou seja, o que antes demorava 34 meses, agora está sendo feito em 16.

Essa acentuada taxa de crescimento na concessão de crédito explica também os (aparentemente) bons números macroeconômicos que o Brasil vem apresentando.  Ontem mesmo saiu essa notícia:

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país ficou em 6,1% em outubro, ante os 6,2% contabilizados em setembro, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice é o menor registrado na série histórica, iniciada em março de 2002.

Em outubro de 2009, a taxa havia sido de 7,5%.

O IBGE registrou em outubro 1,444 milhão de pessoas desocupadas, com queda de 2,4% no confronto mensal e de 17,6% ante igual período em 2009.

A população ocupada, por seu turno, foi de 22,345 milhões de trabalhadores, o que indica alta de 0,3% ante setembro e de 3,9% em relação a outubro do ano passado.

Já a renda média do trabalhador cresceu 0,3% ante setembro e 6,5% frente ao mesmo intervalo no ano passado, ficando em R$ 1.515,40.

A taxa de desemprego caiu de setembro para outubro na esteira da maior oferta de postos de trabalho, gerados em número suficiente para fazer frente à procura por uma nova colocação.

De um mês para o outro, foram criadas 63 mil vagas, mais do que o crescimento do número de pessoas desocupadas (36 mil).

O IBGE mede a situação do mercado de trabalho nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Cerca de 44 mil domicílios são pesquisados.

Como sempre dissemos neste site, a expansão do crédito e a rapidez com que ela ocorre provoca distorções na economia, de modo a fazer com que os resultados macroeconômicos (taxa de desemprego e crescimento do PIB) de curto prazo sejam aparentemente positivos.  O termo "distorções" é correto, pois trata-se de um crédito que só está sendo expandido nesse volume por causa da expansão da base monetária que o Banco Central vem empreendendo.  Ou seja, o crédito não está aumentando porque está havendo poupança (abstenção de consumo) das pessoas.  Ele está aumentando porque o Banco Central e o sistema bancário simplesmente estão expandindo rapidamente o volume de dinheiro na economia, como veremos mais abaixo.

(Para os mais iniciados: nos EUA, mesmo com toda a expansão monetária que o Fed vem fazendo, o volume de concessão de crédito continua estagnado, o que explica o fato de a economia de lá não estar se mexendo.  O crédito está estagnado por vários motivos, sendo o principal o temor dos bancos em conceder crédito em uma economia dominada pelo alto nível de incerteza no futuro, pela baixa confiança dos consumidores e empreendedores e pelo alto nível de endividamento.  Veja o gráfico.)

Mas, voltando ao Brasil, enquanto estiver havendo essa expansão do dinheiro e do crédito, os números positivos da economia irão durar.  A demanda por bens e serviços irá continuar em alta.  Os estoques das empresas serão prontamente vendidos.  Os preços e os lucros continuarão subindo.  Trabalhadores continuarão encontrando empregos a salários nominais cada vez maiores.  O único detalhe chato de tudo isso é que tal expansão não pode durar. 

O aumento generalizado nos preços força as empresas a obterem mais empréstimos para que possam finalizar seus projetos já iniciados.  Mais recursos passam a ser demandados.  Essa busca por mais crédito provoca um aumento dos juros dos empréstimos.  Entretanto, o Banco Central pode intervir injetando mais dinheiro no sistema, evitando temporariamente essa subida nos juros.  Porém, tal injeção de dinheiro fará com que haja ainda mais distorções nos preços e na estrutura de produção da economia, reiniciando o ciclo de mais procura por crédito.  Isso vai se repetir até o momento em que o Banco Central resolver deixar os juros subirem.

Mesmo que o Banco Central continuasse injetando dinheiro indefinidamente, uma hora os bancos teriam de aumentar os juros dos seus empréstimos, pois a expansão monetária estaria provocando um inevitável aumento de preços.  Assim, se os bancos não aumentassem os juros cobrados, eles simplesmente receberiam — no momento da quitação do empréstimo — um dinheiro com um poder de compra menor do que o que esperavam receber quando da concessão do empréstimo. 

Quanto mais os preços dos fatores de produção sobem, mais desesperadas por empréstimos ficam aquelas empresas que deram início a projetos de longo prazo levadas pela crença de que o crédito seria farto e barato durante muito tempo.  O aumento dos preços — e, por conseguinte, dos juros — altera seus planos.  Cedo ou tarde, a crise irá se instaurar.  O período da expansão econômica irá terminar e dar-se-á início à recessão.  Quanto mais cedo esta vier, menor terá sido a destruição de capital desse período da expansão.

Veremos, mais abaixo, um exemplo desse mecanismo em ação aqui no Brasil na recessão de 2009.

Os últimos oito anos

Tendo feito essa rápida descrição da presente situação da economia brasileira, passemos agora a uma rápida análise do que ocorreu na economia em termos macroeconômicos nesses últimos 8 anos, para então tentarmos entender o que pode acontecer daqui pra frente.

Como se sabe, em uma economia em que o dinheiro (a moeda de troca) é um papel-moeda fiduciário, sem lastro, produzido sem qualquer restrição por uma entidade monopolista como o Banco Central e expandido livremente por um sistema bancário que opera com reservas fracionárias e que é protegido por esse banco central, é impossível fazermos qualquer análise macroeconômica sem levarmos em conta o que está havendo com a moeda.

Afinal, o dinheiro, por ser o meio geral de troca, representa o elo entre todas as atividades econômicas.  Ele representa a metade de toda e qualquer transação econômica, voluntária ou não.  Por conseguinte, qualquer movimento na economia — expansões ou recessões — tem de ter suas origens na alteração da quantidade desse meio de troca. 

Exatamente por isso, o estudo da oferta monetária e suas variações é, em minha opinião, o assunto mais importante da ciência econômica.  Mudanças na quantidade de dinheiro afetam toda a economia e por isso seus mecanismos têm de ser estudados a fundo.

Entendido isso, a variável chave a ser analisada são os depósitos em conta-corrente.  Estes são substitutos monetários que podem ser redimidos em dinheiro sob demanda e, por meio de cheques ou cartão de débito, funcionam como equivalentes ao dinheiro no mercado.  Todas as outras aplicações financeiras (sejam elas depósitos a prazo, renda fixa, curto prazo, multimercado, referenciado, ações etc.) são meros papeis que, para serem convertidos em dinheiro, precisam antes ser vendidos para algum agente obviamente disposto a comprá-los.  E este só irá fazê-lo se tiver dinheiro disponível em sua conta corrente.  Portanto, o volume das contas-correntes é a principal medida do dinheiro líquido da economia.  É sobre o volume das contas-correntes que irão se basear inclusive todas as formas de crédito do sistema financeiro de uma economia.

O principal problema do sistema bancário de reservas fracionárias é sua inerente disposição à expansão do dinheiro nele depositado.  Aquilo que deveria ser tido como algo bom — um alto nível de depósito feito por pessoas poupadoras —, na realidade acaba constituindo um perigo em potencial.  Quando os bancos estão com muito dinheiro depositado e não têm o incentivo adequado para mantê-lo em seus cofres, eles se tornam "muito solventes" e, com isso, transformam esses grandes depósitos em empréstimos mais baratos, que acabam estimulando bolhas e subsequentes recessões.  Daí a "necessidade" de governos e bancos centrais estarem constantemente fazendo políticas, ora para estimular, ora para reduzir o crédito.

O gráfico a seguir mostra a expansão dos depósitos em conta-corrente na economia brasileira para a década de 2000.

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A título de curiosidade, compare com o primeiro gráfico (que mostra o total do crédito) e veja que, atualmente, temos um volume total de R$ 135 bilhões em depósitos em conta-corrente "sustentando" um crédito de R$ 1,55 trilhão.

Essa forte expansão dos depósitos em conta-corrente deu-se em decorrência da expansão da base monetária feita pelo Banco Central.  Embora um sistema bancário de reservas fracionárias tenha a capacidade de criar moeda sem a existência de um banco central, tal expansão seria automaticamente contida por puro temor de insolvência: caso os clientes subitamente passassem a sacar seus depósitos, não teria como os bancos criarem dinheiro do nada para se safarem dessa situação.  Portanto, é a existência de um banco central e suas seguidas injeções monetárias no sistema que, em última instância, propicia a segurança para que o sistema bancário expanda a moeda despreocupadamente.

Antes de 2009, o último ano de recessão foi o de 2003.  Isso pode ser comprovado tanto pela estagnação dos depósitos em conta-corrente quanto pela baixa expansão do crédito naquele ano, como mostram ambos os gráficos.  A partir de 2004, ambas as variáveis decolam, e é aí que começa a "grande transformação" da economia brasileira da qual todos falam, com queda no desemprego (de 13% para os atuais 6,1%) e redução na pobreza. (Já o rendimento médio real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada ficou estagnado nesse período, pelos motivos aqui explicados).

É fato que durante esse período houve aumento na produção de bens e serviços, cuja maior abundância realmente gerou uma melhora no padrão de vida de todos.  Não tivesse havido esse aumento da produção, a expansão da moeda e do crédito teria gerado apenas inflação e mais pobreza.  Sendo assim, é correto dizer que foi o aumento da produção que permitiu essa grande expansão do crédito, e não o contrário. 

Tal raciocínio pode parecer estranho para aqueles versados na teoria keynesiana, que diz que basta expandir a moeda e reduzir os juros, e a demanda será estimulada, o que magicamente fará com que haja produção.  O que eles não entendem é que inflação e crédito não podem aumentar a quantidade de bens em uma economia, tampouco aumentar a produtividade.  Qualquer aumento na produção só pode ocorrer em decorrência do uso de melhores máquinas e equipamentos, e não por causa da criação de dinheiro.  Criar dinheiro e crédito não faz com que bens surjam por encanto.  É preciso haver poupança e produção para criá-los.

Logo, todo o aumento na produção ocorrido na economia brasileira foi um aumento que teria ocorrido de qualquer forma, independente da criação desse dinheiro adicional.  Mais ainda: foi esse aumento da produção que possibilitou que tal expansão dos depósitos em conta-corrente e do crédito não gerasse uma grande inflação de preços. 

A única coisa que a inflação e o crédito fazem é provocar uma alteração na valoração de bens, serviços e salários e uma consequente realocação de recursos.  Se uma economia está passando por um período de aumento em sua produção, a expansão do crédito não irá resultar diretamente em uma grande inflação de preços, mas, sim, em uma redução nos juros e na consequente criação de bolhas nos mercados financeiro e imobiliário, além de gerar expansões nos investimentos de longo de prazo.  Porem, tão logo a expansão da oferta monetária e do crédito seja interrompida, haverá um período de reajuste na economia, exatamente como ocorreu no final de 2008 e início de 2009.

Vejamos.

De 2003 ao início de 2008, o Banco Central elevou a base monetária de R$50 bilhões para R$140 bilhões.  Isso derrubou a SELIC de 26,5% para 11,25% (as altas ocorridas em 2005 foram suficientes para garantir àquele ano o de menor crescimento do governo Lula, após 2003). 

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A consequente expansão dos depósitos em conta-corrente (segundo gráfico lá em cima) fez com que os juros dos empréstimos para pessoas jurídicas caíssem de 39% para 23%.

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Tal expansão da oferta monetária e do crédito fez com que o Ibovespa aumentasse de 10 mil em fevereiro de 2003 para 71 mil em maio de 2008.

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Após esse período eufórico, os juros dos empréstimos para pessoas jurídicas começaram a subir já no início de 2008.  Não foi o Banco Central quem subiu a SELIC.  Os gráficos acima mostram que foram os próprios bancos que começaram a aumentar os juros cobrados.  O Banco Central apenas deixou que isso acontecesse, reduzindo suas injeções de dinheiro no sistema e, com isso, deixando a SELIC subir.  Veja no gráfico abaixo que o BACEN praticamente para de injetar dinheiro no sistema.

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Consequentemente, os juros dos empréstimos para pessoas jurídicas subiram de 23% para 32% em apenas nove meses.  Isso estancou a expansão dos empréstimos e, consequentemente, a criação de contas correntes.  O crédito estagnou-se.  A demanda por bens de capital se reduziu e a indústria, que até então vinha em forte expansão, começou a demitir.  O desemprego nesse setor aumentou 8%.  No geral, a taxa de desemprego aumentou de 7 para 9,5%.

Porem, vale notar que, até meados de 2009, o Banco Central nada fez para tentar reativar a economia.  A base monetária não se alterou.  Isso permitiu que houvesse uma deflação nos preços do setor industrial, medida pelos índices IGP-DI e IGP-M.

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O segredo do sucesso de uma correção econômica — isto é, de uma recessão — é que os preços dos bens de produção caiam mais rapidamente e em maior grau do que os preços dos bens de consumo.  Se houver uma deflação do dinheiro e do crédito, o processo será ainda mais rápido.  Em parte, foi isso que aconteceu.  Embora não tenha havido uma deflação monetária, o governo permitiu que houvesse uma deflação de preços nos bens de produção.  Com isso, os investimentos errôneos e mal dimensionados feitos no setor industrial foram liquidados e a mão-de-obra que até então estava empregada nesses setores, consumindo capital de modo ineficiente, foi liberada e direcionada para atividades mais produtivas.  O setor industrial brasileiro estava claramente sobredimensionado, pois estava voltado principalmente para o setor internacional.  A sua demanda vinha muito mais do mercado externo do que do interno.  Por isso a acentuada correção que ele sofreu.  O valor do capital dessas indústrias diminuiu em decorrência da deflação de preços.

Isso obrigou essas indústrias a reempregar seu capital de modo mais eficiente, seguindo novas oportunidades de lucro.  Como o governo não impediu essa correção, aplicando uma política de sustentação de preços, ele deixou que a recessão seguisse seu rumo normal.  Até meados de 2009, que foi quando a coisa mudou totalmente de rumo.

A guinada expansionista

Em meados de 2009, houve uma radical mudança tanto na política fiscal quanto na política monetária do governo.

O Banco Central voltou a expandir a base monetária.  Isso levou a uma retomada no crescimento dos depósitos em conta-corrente, o que por sua vez acelerou ainda mais a expansão do crédito. 

O setor da construção civil foi favorecido tanto por incentivos tributários quanto pelo direcionamento direto de crédito para capital de giro, financiado pelo BNDES.  A Caixa Econômica Federal, por sua vez, também liberou financiamentos para a venda de eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e materiais de construção das lojas de pequeno e médio portes.  Os bancos estatais abriram o cofre sem parcimônia.

Porém, de tudo isso, nada assusta e preocupa tanto quanto a nova postura fiscal do governo.  O gráfico a seguir mostra a dívida mobiliária do governo federal.  Mostra o quanto o governo federal tomou emprestado do sistema bancário nacional ao longo dos anos. Veja o salto que a dívida pública - total de títulos emitidos pelo Tesouro para financiar os gastos do governo - dá a partir de 2009, aumentando nada menos que R$ 600 bilhões em apenas 2 anos.

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Acho que ficou suficientemente claro o problema.  O que explica esse aumento explosivo nos recursos que o governo federal passou a sugar do sistema bancário?  Uma sigla: BNDES.

Explica-se: o BNDES, numa política corporativista tipicamente mussoliniana, passou a conceder empréstimos subsidiados para grandes empresas com boas conexões políticas.  Só que a maneira como o BNDES levanta os recursos que irá emprestar é bastante, digamos, heterodoxa.  O exemplo simplificado a seguir vai ajudar a entender:

O Tesouro vende títulos públicos para o sistema bancário e arrecada, digamos, R$ 100, com a promessa de pagar aos bancos R$ 10,75 daqui a um ano (juros de 10,75% ao ano, atual valor da SELIC).   Ele transfere esses R$ 100 para o BNDES, que irá emprestá-los para suas empresas favoritas cobrando módicos 6% ao ano (valor da TJLP).  No final do ano, o BNDES repassará uma parte ao Tesouro como dividendo (por exemplo, R$ 6).

No final, esses R$ 6 entram no cômputo do governo como uma receita primária, ao mesmo tempo em que os R$ 10,75, por serem pagamento de juros, não entram na conta do superávit primário!  Percebeu a safadeza?  No cômputo final, houve uma piora fiscal de R$ 4,75, porém, no balanço divulgado pelo governo, houve uma melhora de R$ 6 no saldo primário!

O senhor Mantega descobriu o moto-perpétuo: quanto mais ele se endivida, melhor fica a sua situação fiscal!  É por isso que a dívida líquida aparece estável, mas a dívida bruta já está perto dos 70%, o que coloca o Brasil como o terceiro país com a maior dívida bruta entre os emergentes, atrás apenas da Índia e da Hungria.

Mas o fato é que essas operações do Tesouro elevaram enormemente o volume de dinheiro de empréstimos que o governo federal está sugando do sistema bancário.  É como se o déficit orçamentário do governo tivesse aumentado brutalmente. 

Segundo Alexandre Schwartsman: "O esforço fiscal do governo federal vem caindo consistentemente. [...] Estimamos que o superávit federal tenha se reduzido de uma média equivalente a 2% do PIB entre 2002 e 2008 para pouco menos de 0,5% do PIB nos últimos dois anos."

E qual a consequência?  Em tese, esse aumento da demanda do governo por mais empréstimos do setor bancário reduz a quantidade de dinheiro disponível para empréstimos para o setor privado.  Adicionalmente, isso também faz com que a quantidade de dinheiro disponível para o mercado interbancário (aquele em que os bancos emprestam uns para os outros com o intuito de manter suas reservas em níveis estipulados pelo BACEN) fique reduzida, pois agora há dinheiro sendo demandado de todos os lados.

Nesse cenário, caso o BACEN nada fizesse, a tendência seria que a taxa de juros desse mercado interbancário subisse muito.  E a taxa de juros do mercado interbancário, como se sabe, nada mais é do que a SELIC.

Mas como o BACEN trabalha com uma meta para a SELIC, ele não pode deixar que ela suba.  Consequentemente, ele tem de injetar dinheiro no mercado interbancário justamente para evitar que ela aumente muito.

Há alguns meses, ele injetava uma quantia suficiente para evitar que ela subisse muito (o que permitiu que a SELIC fosse de 9,5 para 10,75%).  Hoje ele tem de injetar mais ainda, apenas para mantê-la nesse nível.

E assim chegamos a esse fenômeno atual: o governo, incorrendo em grandes déficits, está sugando cada vez mais dinheiro do setor bancário, o que pressiona a SELIC.  Consequentemente, o Banco Central tem de injetar dinheiro continuamente apenas para impedir que a SELIC suba.  Se ele não fizesse nada, a SELIC já teria subido há muito tempo.

Tal arranjo fez com que a base monetária, o volume de depósitos em conta-corrente e o volume de crédito crescessem em níveis inéditos desde o início do Plano Real (volte aos respectivos gráficos acima).  Isso estimulou a formação de bolhas.  O Ibovespa, que havia caído para 35.960 em novembro de 2008, já voltou para perto dos 70 mil pontos.  Já a bolha imobiliária está cada vez mais avançada, adquirindo alguns contornos assombrosamente americanos.

Por fim, para arrematar tudo, veja esse gráfico que mostra a evolução dos juros para os empréstimos para pessoas físicas (linha vermelha) e para pessoas jurídicas (linha azul).

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Antes, os juros para pessoa física eram bem maiores que os para pessoa jurídica, o que significa que havia mais recursos para a produção do que para o consumo — ou seja, havia uma espécie de "poupança forçada"; os juros altos "forçavam" as pessoas a não consumir (ou seja, a poupar).

Não é desarrazoado dizer que tal diferença permitiu que houvesse o aumento da produção observado nesses últimos anos.  Entretanto, agora, a diferença entre ambas as taxas está no menor nível da história.  Isso significa que está havendo um incentivo a se consumir de imediato tudo o que for produzido, não deixando que haja poupança de recursos.  Os produtores terão agora de brigar com consumidores por recursos escassos, o que poderá gerar um efeito óbvio sobre a inflação de preços — a qual, aliás, está vindo acima das expectativas, mês após mês.

Tal cenário de aumento da demanda e de incompatibilidade entre as taxas de juros, em conjunto com o aumento desbragado da oferta monetária e do crédito, e com a inflação de preços insistindo em ficar fora da meta, não é dos mais auspiciosos.

Esse é também o cenário que Alexandre Antônio Tombini, futuro presidente do Banco Central, irá encontrar.


7 votos

autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Cesar Ramos  26/11/2010 11:19
    Sempre me intrigou a enorme riqueza apresentada pelo BNDES. Donde lo saca. ficava eu a especular. Agora parece clara sua função. Governo mais pernicioso do que se apresenta, jamais vi.
  • mcmoraes  26/11/2010 11:53
    Excelente análise. Se até no Brasil temos pensadores do quilate do autor do artigo deste artigo, não é exagero dizer que todos são autríacos agora.
  • augusto  26/11/2010 14:27
    tem um comentarista no site que voce linkou que diz que "isso tudo eh propaganda da direita e que a economia da austria nem eh essa maravilha toda"...\r
    \r
    Temos ainda um longo caminho a percorrer!
  • mcmoraes  26/11/2010 15:04
    Sim, mas não posso deixar de ser otimista quando penso no Mises sozinho escrevendo Ação Humana, de acordo com o relatado livro Speaking of Liberty. Também me lembro do Tom Woods espantado em Porto Alegre, olhando para o auditório cheio e dizendo q houve um tempo em q os austríacos do mundo inteiro preencheriam no máximo as primeiras filas de cadeiras daquele auditório. Agora + este artigo do Leandro, em português, publicado no IMBrasil...
  • Kamarada Revolucionário  29/11/2010 18:39
    "Também me lembro do Tom Woods espantado em Porto Alegre, olhando para o auditório cheio e dizendo q houve um tempo em q os austríacos do mundo inteiro preencheriam no máximo as primeiras filas de cadeiras daquele auditório."\r
    \r
    Culpa de Malthus, se ele tivesse sido mais enfático e alarmista em suas advertências sobre o crescimento populacional não haveria austríaco - ou chicaguista, keynesiano... - nem para dar palestra.\r
  • mcmoraes  30/11/2010 08:30
    Kmarada, não tinha uma referência melhorzinha, não? Malthus era um vigarista.

    ...Para Malthus, assim como para seus discípulos, qualquer melhoria no padrão de vida de grande massa é temporária, pois ela ocasiona um inevitável aumento da população, que acaba impedindo qualquer possibilidade de melhoria. Foi um dos primeiros pesquisadores a tentar analisar dados demográficos e econômicos para justificar sua previsão de incompatibilidade entre o crescimento demográfico e à disponibilidade de recursos. Apesar de ter assumido popularmente que as suas teses deram à Economia a alcunha da ciência lúgubre (dismal science), a frase foi na verdade cunhada pelo historiador Thomas Carlyle em referência a um ensaio contra a escravatura escrito por John Stuart Mill.

    ...

    Thomas Maltus representa o paradigma de uma visão que ignora ou rebaixa os benefícios da industrialização ou do progresso tecnológico. Ernest Gellner afirma em Pós-modernismo, razão e religião: "Previamente, a Humanidade agrária vivia num mundo Malthusiano no qual a escassez de recursos em geral condenava o homem a apertadas formas sociais autoritárias, à dominação por 'tiranos', 'primos' ou ambos".

    Para o autor, a diferença entre as classes sociais era uma conseqüência inevitável. A pobreza e o sofrimento eram o destino para a grande maioria das pessoas.


  • Kamarada Revolucionário  30/11/2010 16:25
    O Kmarada mcmoraes parece não perceber as contribuições do Kmarada Malthus para a humanidade, Malthus deixou um legado de sabedoria que hoje é utilizado na produção de documentários, não imperialistas e preocupados com a opressão ao planeta, como os do Discovery Channel sobre o aumento da população mundial e do perigo de se ter empresas capitalistas poluindo o ar dos proletários e provocando o aquecimento global. Quem dera tivéssemos mais pessoas - entendam como trabalhadores oprimidos, burguêis não é gente é porco - assistindo a série Planet Green. \r
    \r
    E preciso alertar os leitores dos textos desse site para a segregação e opressão aos Kmaradas não detentores dos meios de produção que são aqui identificados na seção de comentários sem o sublinhado abaixo do nome, traidores da revolução como mcmoraes, Diego, Rafael entre vários outros utilizam de seus poderes exploratórios para oprimir a opinião de nossos Kmaradas que lutam pela revolução. Abaixo ao sublinhado!\r
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    Agora, falando sério, gostaria de parabenizar a todos que contribuem com o site, sou leitor assíduo há quase um ano e é magnífico ver a quantidade de textos de excelente qualidade e que tem contribuído imensamente com meu conhecimento sobre economia. De chicaguista a austríaco graças a vocês - e Mises, claro. E perdoe-me mcmoraes se o importunei, mas queria evitar o tom monótono que, por vezes, prevalece nos comentários. Sempre leio os comentários do Fernando Chiocca que sempre tem algo inteligente a acrescentar e o faz de forma atraente e se mantendo didático.\r
  • Zéh  30/11/2010 16:38
    Eu sei que não é um comentário produtivo, mas ainda assim: Quase chorei de tanto rir.
  • Diego  26/11/2010 11:56
    Esse é o texto mais importante do Brasil. Deveria ser publicado em todos os jornais e revistas. Parabéns.
  • Paulo  26/11/2010 13:46
    Prezado Leandro.

    Perdão, mas o Plano Real melhorou bastante a vida das pessoas. Melhorou o poder de compra dos brasileiros. O velho Cruzeiro não valia mais nada. A hiperinflação era de 3000% ao ano. O povo já não suportava mais aquele caos. Com o Real, no período 1994-2008, a inflação foi algo como 300%, ou seja, em 14 anos foi 1/10 da inflação anual do Cruzeiro. Isso aumentou o poder de compra dos brasileiros. O Salário Real aumentou.

    Quando à bolha da expansão de crédito, se intensificou na Era Lula, pois na era FHC ainda oscilava...
  • Leandro  26/11/2010 13:52
    Paulo, eu não falei nada que vá contra isso que você falou. Não entendi.

    Prezados Diego e mcmoraes, muito agradecido pelos elogios vultosos.

    Abraços.
  • Rafael Hotz  26/11/2010 14:27
    Leandro, não ficou faltando o câmbio? Enquanto o câmbio valorizava durante o boom isso segurava um pouco a inflação... Isso aconteceu de novo na "recuperação", quando o governo começou as maracutaias fiscais... Ok, os números mostrados aí são preocupantes, mas você não acha que enquanto ninguém quiser brincar de cepalino ao menos parte dessa irresponsabilidade fiscal foi e será contida pelo câmbio?
  • Leandro  26/11/2010 14:48
    Hotz, sem dúvida o câmbio influi "positivamente" na contenção da inflação de preços.

    Porém, é curioso notar que, em 2008, quando o câmbio chegou a R$ 1,54, a inflação de preços dos produtos industriais seguiu subindo acentuadamente. Em setembro, pouco antes de começar a crise, o IPA-indústria estava em 13% anual, chegando a 15% em outubro. Aí começou a cair em novembro, justamente quando o dólar começou a disparar, e não parou de cair até novembro de 2009, quando chegou a -5% e com dólar alto.

    Ou seja: o IPA moveu-se inversamente ao dólar, algo inusitado. Na minha opinião, isso mostra que a influência tanto da expansão quanto da contração do crédito na economia foram muito mais poderosas que grandes oscilações no dólar.

    Porém, atualmente, é fato que o dólar está ajudando a segurar os preços dos bens de consumo. Mas o preço dos bens de capital, assim como em 2008, está em alta contínua. Aí cada um fica com sua interpretação.

    Abraços!
  • Diego  26/11/2010 14:28
    Prezado Leandro, venho tentando explicar para as pessoas essa expansão toda do crédito que vem criando a ilusão de que as coisas estão muito melhores do que estão... Até escrevi um artigo e mandei para o jornal Zero Hora, mas fui ignorado(aqui está o artigo: economiacomentada.blogspot.com/2010/11/expansao-do-credito-no-brasil.html ).

    A minha dúvida é: como podemos nos proteger contra esta crise que certamente se aproxima? Ou até como podemos lucrar com esta crise que se aproxima?

    Grande abraço.
  • Pedro  26/11/2010 17:39
    Prezado Diego. É verdade que sem produção não há consumo, mas de nada adianta produzir algo que ninguém ou poucas pessoas consomem. Haverá superprodução. É mais ou menos o que aconteceu no Japão: um país com altas taxas de poupança que lhe proporciona baixos juros, alta produtividade, mas está há mais uma década estagnado...

    Além do mais, como disse Mises em "Ação Humana":

    "O montante que pode ser consumido num determinado período de tempo sem diminuir o capital é chamado de renda. [...] Se a renda disponível é maior do que o montante consumido, esta diferença é chamada de poupança."

    (Capítulo XV, pag. 364 e 365)

    Num país como o Brasil, onde a dis ponibilidade de renda é baixa, é possível fazer uma boa poupança? Sabemos que a renda é altamente concentrada no Brasil. Por isso que apenas 14% da população brasileira poupa, pois eles tem renda disponível para tal.
  • Fernando Ulrich  26/11/2010 14:35
    Leandro, para que estragar a festa? Os brasileiros nunca foram tão felizes...\r
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    www.istoe.com.br/reportagens/96874_A+GERACAO+DO+BEM+ESTAR+PARTE+1\r
    \r
    Brincadeira a parte, ótimo artigo.
  • Leandro  26/11/2010 14:58
    Ulrich,

    Em agosto de 2006, o desemprego nos EUA estava em 4,6%, um dos menores níveis da história. A sensação era a de que a prosperidade e o bem-estar eram reais e tinham vindo para ficar em definitivo. Mal sabiam que eles estavam apenas destruindo capital.

    Exatos dois anos depois, o desemprego já estava em 9,7%, e ainda iria chegar em 10,1% em outubro daquele ano.

    Conclusão: aparentemente, é difícil se dar conta de que está numa bolha quando se vive dentro de uma.

  • Fernando Ulrich  26/11/2010 15:26
    Concordo, por isso lembrei na hora deste artigo da IstoÉ. Lembro que logo após esta matéria li algo sobre a arrecadação do governo batendo recordes, ou seja, todos felizes e sem a menor noção de que cedo ou tarde a conta chega.
  • Tiago RC  26/11/2010 14:40
    Excelente análise. [2]

    Muito bom mesmo Leandro.

    A questão que fica é até quando vão conseguir manter a inflação sob controle. Ao que o final do texto indica, não vai dar pra segurar por muito tempo.
    Aí vamos ver o que a Dilma vai fazer, se vai tomar o controle do banco central e continuar imprimindo feito o "companheiro" venezuelano Hugo Chavez, ou se vai deixar a recessão vir no mandato dela.
  • Diogo Aureluk Damaceno  26/11/2010 15:35
    Ótimo artigo

    Acredito que o que temos que fazer é comprar ouro.


    Abraços


  • Maurí­cio  26/11/2010 15:37
    Muito bom artigo, Leandro. Gosto do seus textos, claros e bem analíticos, você segue a máxima de Mises: "Good economics is basic economics".\r
    \r
    Eu acrescentaria aos fatores que descreveu, se você me permite, que para o PT avançar na sua agenda política é fundamental que a economia continue apresentando números positivos para que empresários e a população continuem inebriados com a sensação de prosperidade. Neste sentido, o governo faz cada vez mais uso de artifícios de engenharia financeira para capitalizar as suas empresas e instituições financeiras.\r
    \r
    Como exemplo, podemos citar a transferência das ações da Petrobrás para capitalizar o BNDES e Caixa Econômica Federal, artifício para aumentar o patrimônio líquido das duas instituições para que pudessem continuar concedendo empréstimos às empresas "amigas do rei". Como já citado por você, o governo preocupa-se com o controle da dívida pública em detrimento da bruta. Todos os indicíos apontam que o governo está forçando a barra para que a sensação de enriquecimento se perpetue. É mais ou menos como usar o cheque especial para continuar jantando em restaurante de luxo, como diria Simonsen.\r
    \r
    Cabe lembrar que os lucros da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, diferentes dos bancos privados, crescem quase que em função da expansão do crédito e sem falar na Nossa Caixa que apresentava prejuízo apesar da forte expansão de crédito. Ou seja, o crescimento orgânico dos bancos privados é mais consistente comparado aos bancos públicos.\r
    \r
    Na sua estratégia de criar as multinacionais brasileiras, o governo, através do BNDES, concentra o crédito em instituições cujo foco é basicamente exportação drenando a poupança do setor privado para empresas que poderiam obter financiamento no mercado financeiro interno ou externo.\r
    \r
    Como as empresas que são patrocinadas compõem boa parte do IBOVESPA e o crescimento do mundo vai ser guiado pelos países emergentes, o Brasil pode nos próximos anos ver um boom na bolsa de valores e nos setores ligados às empresas favorecidas pelo crédito barato dos bancos públicos.\r
    \r
    Para a maioria dos analistas isto não é um problema, pois "gera" crescimento econômico, empregos e deixa os acionistas das empresas mais ricos. Mas como todos nós sabemos, há um problema sério na equação de empresas amigas + governo = prosperidade, já que além do problema já citado o governo distorce a percepção de retorno de projetos do setor privado de empresas sem acesso a crédito subsidiado e evita que a poupança flua para mercados inexplorados característicos de economias emergentes. Além disso, o governo inviabiliza que empresas que não tenham a mesma facilidade de crédito (as nem tão "amigas do rei") possam competir com as atuais e assim propiciar maiores benefícios ao consumidor. Ou seja, o que quero dizer é que a economia brasileira está cada vez mais cartelizada devido às políticas implementadas pelo governo Lula.\r
    \r
    Outro fator relevante para os próximos anos é a China. Como é o governo chinês quem determina o destino dos investimentos, não seria de se entranhar (aliás, é perfeitamente compreensível) que houvesse uma crise econômica relacionada à má alocação de recursos. Caso isto aconteça a ressaca vai ser grande na economia brasileira, dada a crescente participação da economia chinesa na brasileira. Um reajuste na alocação dos investimentos na economia chinesa afetaria as empresas brasileiras e por conseqüência o balanço dos bancos públicos que as financiam, contaminando também as contas públicas. Dado que este governo tem ojeriza à ortodoxia econômica, o que me preocupa é o retorno do fantasma da heterodoxia.\r
  • Edik  26/11/2010 16:40
    Relaxem, o nosso grande ministro Guido Mantega já resolveu o assunto: Vai excluir os preços de alimento e energia do cálculo da inflação. Assim o índice não vai aumentar tanto.

    economia.estadao.com.br/noticias/economia%20brasil,mantega-propoe-indice-de-inflacao-que-exclua-alimentos-e-combusti,not_45000,0.htm
  • augusto  26/11/2010 19:00
    E vai sobrar o que no calculo da inflacao?\r
    \r
    Lembrando que existem indices "oficiais" e "nao-oficiais" de inflacao. A medida que o governo mexe com a formula de calculo oficial, vai empurrando o empresariado para os indices nao-oficiais.\r
    \r
    Ate que uma hora o indice oficial perde completamente a credibilidade. Eh uma boa ;-)
  • mcmoraes  21/12/2010 15:07
    O futuro dos índices oficiais é o bueiro: www.slate.com/id/2278623/.
  • Genghis  26/11/2010 21:42
    Fonte dos dados nos gráficos?\r
    \r
    \r
    Pessoal, eu vou fazer minha última prova da faculdade de economia na terça feira, meu professor que se defini como petista neoclassico, trabalhou no governo no ministerio da educaçao e a minha prova vai do Collor ate o Lula, vou ter que me segurar para nao criticar muito o governo ou minha nota nao vai ser lá essas coisas hahahaha\r
    \r
    Abraços..
  • Leandro  26/11/2010 23:32
    Genghis,

    Os gráficos podem todos ser encontrados no site do Banco Central, que surpreendeu com essa ferramenta nova.

    Vá em Séries Temporais www.bcb.gov.br/?SERIETEMP e lá haverá inúmeras variáveis com as quais brincar, podendo inclusive escolher várias sérios de variáveis distintas para um dado período.

    Abraços.
  • Rhyan Fortuna  27/11/2010 01:52
    Há algum artigo que esclareça como é a exportação e importação de crises?

    Obrigado!
  • Miguel A. E. Corgosinho  27/11/2010 10:04
    "O Tesouro vende títulos públicos para o sistema bancário e arrecada, digamos, R$ 100, com a promessa de pagar aos bancos R$ 10,75 daqui a um ano (juros de 10,75 ao ano, atual valor da SELIC)."

    O Tesouro expressa a lógica do "padrão bancário" a respeito de representar a lei do valor como objeto (bancário),a priori, para se criar objetos. Fichet - Doutrina da Ciência - Pág. 51- "... não posso aprender através de nenhum objeto simplesmente para poder pôr um objeto qualquer, já tenho de sabê-lo; essa lei, portanto, tem de estar antes de toda experiência possível, em mim mesmo, o representante - E esta observação salta tanto aos olhos que indissoluvelmente quem não a entende e a partir dela não é elevado ao idealismo transcendental tem de ser espiritualmente cego"

    Em vista de que o objeto procede, pela via de câmbio de valor, a Ciência Econômica não pode superar uma situação em que - quer seja subalterna dentro da crise, quer seja debalde sem o padrão de controle do meio exterior - não possuiria um sistema de processamento redutível que, pressuponho, pode universalizar a teoria de valor da propriedade privada e; com tais poderes no objeto, o Estado não seria confundido como empresa devedora desse valor transcendental.
  • Miguel A. E. Corgosinho  27/11/2010 18:46
    Fica sem sentido estabelecer um contexto nacional em que o objeto - fora de um Todo - é obrigado a buscar a interseção no valor alheio, para redimir de sua realidade. \r
    \r
    Para reverter esta distorção de fonte, vinte e sete países rejeitaram a soberania nacional. Logo, o pressuposto de bloco teve uma pertinência fundamental: Apenas se obtém sujeito e objeto, para si, com uma única base monetária.\r
    \r
    E assim, o Euro (moeda única) fechou a fratura entre nações. \r
    \r
    Portanto, ou um câmbio comum especifica a mesma medida da "razão de referencia" de valor (entre todos), centralizada em um meio exterior neutro, ou a colonização continuará distorcendo a matemática cientifica com fenômenos financeiros.\r
    \r
    \r
  • Flavio  28/11/2010 00:28

    parabéns pelo artigo Leandro


    Esclarece muita coisa


    Fiquei com uma dúvida

    Caso o aumento da inflação realmente ocorra (como vem apontando o IGP-M) e os bancos aumentem os juros dos seus empréstimos levando a alta da selic, isso criaria problemas para o Tesouro com a submissão desses titulos públicos?

    Os bancos que compram esses titulos poderiam torna-se insolventes no caso de um calote?


  • Leandro  28/11/2010 12:01
    Flávio, obrigado pelo elogio.

    Na verdade, juros mais altos facilitam a submissão de títulos por parte do Tesouro. Afinal, quanto mais altos os juros prometidos, maiores os retornos para seus compradores.

    Caso o governo desse um calote, os principais perdedores seriam todos os detentores desses títulos, que perderiam suas rendas. Ou seja, qualquer um que tenha aplicações financeiras nos bancos.

    Para uma abordagem mais completa sobre esse assunto de títulos, tenha a bondade de recorrer as estes dois artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=634

    Abraços!
  • Paulo  28/11/2010 21:31
    Prezado Leandro.

    Primeiro, agradeço-lhes de criar um Instituto muito bom, que fornece muitas informações às pessoas. E gostaria de agradecer ao Leandro por sempre ser bem claro em suas explicações. E espero que possa esclarecer esta minha dúvida.

    Já que o Post é sobre a Economia Brasileira, eu gostaria de esclarecer algumas dúvidas. É sobre a desinduatrialização do ABC Paulista. Sabe-se que naquela região, os sindicatos eram muito radicais. Mas foi a partir dos anos 90 que aquela região começou a se desindustrializar (problema que se agravou com a implantação do Plano Real). O que antes era um parque industrial, um local de emprego para milhares de trabalhadores, hoje em dia somente 1 em cada 5 galpões industriais está ocupado. Então em tenho uma dúvida: por que a desindustrialização da região? Está ligada aos Ciclos Econômicos, aos sindicatos ou às duas coisas? Culpa da inflação porque, como explica a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, a expansão de créditos maquia o cálculo empresarial, assim, projetos que não são lucrativos e que só poderiam ser feito no futuro, aparentam ser por causa da emissão de dinheiro pelo BC. Assim, sabe-se que muitos empreendimentos naquela Região começaram a ser criados nos anos 50, Era JK, um cenário de muita inflação no Brasil (infelizmente, isso aquela série transmitida pela TV Globo que tratou sobre a vida de JK não disse), depois veio o Jango, depois a ditadura militar, depois a Era Sarney, todas eras de inflação, caracterizadas pela política de impressão de dinheiro pelo BC, até que em 1993 não deu mais, algo tinha de ser feito e foi criado o Plano Real (não foi nenhum padrão ouro, mas estancou a subida de preços). Assim, com este plano de estabilização, os agentes econômicos tiveram de se ajustar, os fatores de produção tiveram de ser realocados, e muitos empreendimentos vultosos que antes se sustentavam apenas pela impressão de dinheiro (pois não havia poupança e bens de capital disponível para sustentá-los) tiveram de ser abandonados na Era de estabilização (o que Mises chamou de crise de estabilização). Será que estes empreendimentos e projetos vultosos que não eram mais lucrativos e que foram abandonados, muitos destes não estavam em ABC? Então, a desindustrialização de uma Região como o ABC, outrora um conglomerado industrial, está ligada aos sindicatos (que afugentaram os investimentos), aos ciclos econômicos ou às duas coisas?

    Aguardo uma explicação clara e convincente.
  • Leandro  29/11/2010 09:43
    Prezado Paulo, obrigado pelos elogios à nossa equipe.

    Não existe uma relação direta entre ciclos econômicos e desindustrialização. Via de regra, o período de expansão do crédito provoca uma expansão de um determinado setor industrial, ao passo que a contração do crédito gera uma retração desse mesmo setor. Embora tal ciclo gere desperdício de capital, ele não irá necessariamente provocar uma maciça desindustrialização do setor.

    Outros fatores têm um peso muito maior, sendo que os principais são:
    1) tributação sobre os bens de capital da indústria, sendo que outros países não fazem isso;
    2) sindicatos agressivos, que exigem privilégios crescentes, o que estimula a ida para outros estados ou países;
    3) aumento das regulamentações governamentais;
    4) encargos trabalhistas e sociais crescentes;
    5) inflação monetária, que estimula o máximo comedimento possível no uso de fatores de produção, o que faz com que produtos mais fajutos sejam utilizados nos processos de produção, gerando descaso com a qualidade dos produtos e a consequente opção por importados por parte dos consumidores. (Isso é bem nítido no caso dos automóveis, com acabamentos cada vez espartanos, e a preços sempre crescentes).
    6) A inflação, por estimular o rápido consumo de capital, também causa a rápida obsolescência de plantas e equipamentos, não estimulando a conservação e a disciplina, e gerando desperdícios.

    É claro que um câmbio apreciado é um grande incentivo às importações em detrimento dos produtos nacionais. Porém, os produtos nacionais perdem espaço justamente por causa dos fatores acima, e não por causa do câmbio em si. Deixar esses fatores inalterados, e ficar manipulando o câmbio, é receita garantida de ineficiência econômica.

    Abraços!
  • Paulo  29/11/2010 12:39
    Obrigado Leandro! Agradeço pela explicação. Pelo menos ainda há pessoas racionais neste país. Obrigado!
  • Paulo  29/11/2010 13:02
    Eu agradeço a explicação, felizmente neste país ainda há pessoas racionais.

    Mas não estou falando de câmbio e nada destas baboseiras nacionalistas (foi um absurdo assistir ao candidato tucano propor a desvalorização da nossa moeda só para fomentar as tais exportações). Não estou falando disso. Meu questonamento é se os ciclos econômicos está relacionado ao abandono de alguns empreendimentos que não são mais lucrativos com a estabilização.

    Mas fiquei em dúvida em alguma coisa:

    "Não existe uma relação direta entre ciclos econômicos e desindustrialização. Via de regra, o período de expansão do crédito provoca uma expansão de um determinado setor industrial, ao passo que a contração do crédito gera uma retração desse mesmo setor. Embora tal ciclo gere desperdício de capital, ele não irá necessariamente provocar uma maciça desindustrialização do setor."

    - Mas quando os agentes econômicos se dão conta da realidade, que tal boom foi artificial (aqui no Brasil, por exemplo, houve o periodo do chamado "milagre econômico" - muitas empresas lucraram muito, muitos empreendimentos iniciaram, muitos empregos foram gerados, mas quando a fase passou, foi seguida por uma recessão e pela "década perdida" (e se não fosse o Real e ajuste dos fatores de produção, o anos 90 seriam mais uma década perdida) - quando os fatores de produção são realocados à realidade, alguns empreendimentos não são abandonados e não ocore a desindustrialização em alguns setores? Meu questionamento é: será que aqueles empreendimentos em ABC Paulista não eram empreendimentos fomentados pela inflação e que depois com a estabilização deixaram de ser lucrativos e as multinacionais e empreendedores tiveram de desistir de tais empreendimentos? oderia ter sido uma undistrialização artificial, afinal, ocorreram em uma época de muita inflação. Ou também poderia estar ligado à ação dos sindicatos e ao mercado de trabalho rígido no país: com o processo de ajuste dos fatores de produção, os salários deveriam ter sido ajustados ao poder de compra da moeda, mas a ação dos sindicatos não permitiu que isto acontecesse e as leis trabalhistas não permitem que isso aconteça, aí não haveria outra maneira que não fosse desistir dos negócios. Ou seja, o problema pode ser os dois. Este é o meu questionamento.

    Aquela história de câmbio, importação, é baboseira nacionalista.

    Aguardo a resposta.
  • Zecass  29/11/2010 07:50
    Sr. Leandro,\r
    \r
    Tenho lido artigos em seu site e confesso que no início achei a coisa meio utópica ou fundamentalista. Entretanto, com o andar da carruagem, cheguei a conclusão que faz todo o sentido as explicações e esclarecimentos dos artigos nele postados.\r
    O que mais me chamou a atenção foi o fato de que tanto o deficit fiscal quanto o sistema bancário fracionário são perniciosos para a Economia. Antes desse site, só enxergava a causa das distorções o desequilíbrio fiscal do Estado.\r
    Entretanto, após acompanhar a situação da Irlanda, cujas contas públicas estavam muito bem geridas (bem melhor que no melhor momento do caso brasileiro), mas devido à extravagância de seus bancos comerciais com o seu irresponsável sistema fracionário de piramidação de moeda, acabou gerando uma super bolha imobiliária que estourou e arrebentou com esses bancos. Aí, o Tesouro irlandês, até então saudável, correu para socorrê-los e acabou se afundando no próprio pântano da crise.\r
    Logo, para estabilizar a economia, não basta apenas responsabilidade fiscal, tem que se atacar também o grave sistema de pirâmide de empréstimos no setor privado.\r
    Assim, pela lógica austríaca, eStou correto em meu raciocínio?\r
    \r
    Abraços,\r
    \r
    Zeca
  • Leandro  29/11/2010 09:46
    Prezado Zeca, obrigado pelos elogios. Só pra esclarecer, o site não é meu. Somos uma equipe. Eu apenas tenho o privilégio de ser o editor.

    De resto, tanto a sua análise, quanto sua conclusão, estão impecáveis. É isso aí!

    Volte sempre!

    Grande abraço!
  • Jose Henrique  29/11/2010 13:30
    Gostei muito desse artigo.

    É lamentável que estamos seguindo o mesmo caminho inflacionário que os EUA estão seguindo. Quando essa crise vier as conseqüências serão terríveis.

    Creio que diante desse cenário, a solução para evitar a perda do poder de compra de nossas economias seja o investimento em ouro. Já vinha estudando como funciona isso, e considerei a compra de ouro físico, já que os títulos de posse de ouro podem ser facilmente confiscados pelo governo. O inconveniente é que não consigo achar um lugar para fazer a guarda do metal, em casa nem pensar por questão óbvia de segurança. Por isso gostaria de que alguém me ajudasse caso conhecessem alguma instituição ou empresa que faz a guarda do metal e quanto é cobrado pelo serviço.

    Grande abraço!
  • Miguel A. E. Corgosinho  30/11/2010 00:10
    (INQUISIÇÃO DO PROBLEMA DO TESOURO E SUA REVERSÃO) \r
    \r
    Um império, com o pretexto na fenomenalidade das trocas, converte a representação dos possuidores de um valor próprio do "ambiente social" em harmonia consigo mesmo, através da combinação de dividas públicas. \r
    \r
    Conversão I: Os fatores ao se desviarem da concepção da natureza não podem encontrar o "valor interno no Tesouro" que provém de suas diversas manifestações, porque incide sobre o ônus (de acesso) dos eventos da moeda interna e externa. \r
    \r
    Limitação interna: Não havia um "meio externo" de medir o tamanho natural do grupo de fatores de atividades ao que seja a realidade bruta para evoluir um numero autosuficiente na economia, mediante o princípio que assegure o fim da criação; pelo contrário, se estabelece a divisão do passivo do valor, que tem origem nas coisas, ao custo das suas implicações no sistema: O "desenvolvimento das atividades" surge como títulos públicos e se redime com exportações do produto pronto. \r
    \r
    Reversão: uma formula da propriedade do valor corrente, ao mesmo tempo da natureza tecnológica, perfaz etapas reais que, ao invés de ceder o ponto de encontro do interior com o exterior, engloba os dois processos num programa de sequência na informática. \r
    \r
    Esta forma precede a exatidão dos investimentos, e só é possível se o lado público perceber que a primeira serie do investimento privado é ganha com a razão pura (concreção do real) invertida para o sistema em si, e a segunda serie - quanto ao acréscimo de realidade bruta - é a sua determinação segundo a referencia para adição, na primeira exteriorização, em regressus ao equipamento necessário ao seu funcionamento.\r
    \r
    Nele imprimimos os predicados suscetiveis as atividades dos fatores, os quais tem que estar contidos na forma (base de adesão) da moeda. \r
    \r
    Versão II: Temendo ficar comprometidos com a tesouraria dos encargos do"capital externo", 27 nações estão em acordo prévio com um fenômeno de séria conclusão. E claro, é a organização em bloco econômico que lhes oferece a chave para o suporte de controle: o "espaço externo". "Nessa idéia a UE, se torna o "ponto fixo" que utiliza o Euro como "meio exterior", para uma enganadora liberdade de avanço originário ao capital. \r
    \r
    DIAGNOSTICO: A cada passo a UE reproduz, cegamente, o campo das fronteiras, no qual se constitui a expansão hostil da propriedade anterior, porque os limites são um e o mesmo estado, quanto a indivisibilidade do sujeito e objeto. Essa mera fusão trás conflitos no lado territorial - Paralelamente, o valor interno deve dar registro a aparição na natureza X (de tempo) - base de partida de fora para dentro. Essa questão impõe reintegrar a própria liberdade à cada nação, com o poder extraído da realidade bruta.\r
    \r
    _____________________________________________________________________________\r
    Livro: A Ideologia da sociedade industrial pág. 148 - "Em outras palavras, teoricamente, a transformação do homem e a natureza não tem quaisquer outros limites objetivos que não os oferecidos pela realidade bruta da natureza, sua resistência, ainda não foi vencida, ao conhecimento e ao controle... Se a razão é o denominador comum do sujeito e objeto, ela o é como síntese dos opostos. Com essa idéia, a ontologia compreendeu que a tensão entre sujeito e objeto foi saturada de concreção."\r
    \r
    Livro de Kant pág. 111: "Seria, com efeito, analítica se a liberdade da vontade fosse pressuposta. Mas, para pressupor a liberdade como um conceito positivo, precisaríamos de intuição intelectual, que não pode ser concebida aqui. Entretanto, quando considerarmos dada esta lei, deve se observar, a fim de não surgir uma concepção errada, que não é um fato empírico, mas o único fato da razão pura, que deste modo se anuncia como originalmente legislativa (sic volo sic jubeo)". \r
  • Leandro Mello  30/11/2010 12:07
    Leandro, tudo bem? Parabéns pela análise.

    Nas minhas meditações acabava chegando em conclusões semelhantes as suas, com muito menos exatidão e clareza, obviamente.

    No entanto, tinha algo que me incomodova. A diferença nominal entre os juros no Brasil e nos EUA. Parecia-me que aqui tinhamos ainda muita "gordura" para queimar até chegarmos numa bolha semelhante à de lá. Com seu texto compreendi que não é preciso diminuir tanto as metas de juros para que haja a expansão da base monetária. Pelo contrário, aqui no Brasil essa expansão está tendo por efeito "apenas" manter as metas de juros, pressionada pela escassez decorrente do assédio do governo sobre o crédito (para financiar o BNDES, p. exe.). Ou seja, para se baixar nominalmente as metas de juros seria preciso ou grande corte de despesas do governo, inclusive em sua participação na concessão de crédito, ou uma super expansão da base monetária, certo?

    Uma explicação para a diferença nominal dos juros nos EUA, impressionantes 0,5%, e a aqui praticada poderia ser a estranha simbiose entre EUA e China? A China produzindo produtos baratos para os EUA, o que continha a inflação, e comprando os títulos do tesouro que davam ao FED a possibilidade de expandir a base monetária necessária a manter o consumo justamente dos produtos chineses. Acho que é mais ou menos isso que o Peter Schiff argumenta, certo? Já no Brasil, que não tem uma China disposta a pagar qualquer juros aos títulos públicos, é preciso bons juros para manter a captação de recursos para despesas e investimentos do governo, certo?

    Se assim for, teriamos algo um pouco melhor aqui no Brasil, tendo em vista que a expansão do crédito ter sido direcionada por um bom tempo à produção, ainda que com as distorções governamentais ou o nosso endividamento bruto é um fator negativo mais determinante?

    Desculpe a sabatina, mas essas questões estão em minha cabeça há muito - não poderia perder a oportunidade.

    Abraço

    Leandro
  • Leandro  30/11/2010 15:10
    Xará, não se inquiete: essa questão dos juros é daquelas para a qual todo mundo tem sua teoria, mas nunca se chega a uma conclusão definitiva.

    Antes, é preciso ver se estamos falando da taxa básica de juros (SELIC) ou dos juros para empréstimos para pessoas jurídicas, por exemplo.

    Sobre a SELIC, a melhor explicação continua sendo a do presidente do IMB, Helio Beltrão, dada nos comentários desse artigo. Copio abaixo:

    [Existe um] triângulo invertido que representa os agregados monetários (com a base monetária representada pela ponta da pirâmide, embaixo, e o M3/M4 sendo a base da pirâmide, acima).

    Nos países centrais a pirâmide invertida é "magra", ou seja, a relação entre M3 e base monetária é bastante menor que no Brasil. Isso significa que no Brasil há enorme pressão ou potencial de que os poupadores (M3) queiram transformar sua poupança em "dinheiro" (M1), para gastar. Quem segura e impede a conversão é a taxa de juros de curto prazo (Selic, que é muito próxima ao CDI).

    Porém, com a engorda da pirâmide invertida, a pressão de conversão aumenta - o M3/M4 brasileiros começam a "pingar" ainda mais no M1. Essa é minha teoria para explicar a taxa de juros alta no Brasil. Se a taxa Selic fosse mais baixa, o pinga-pinga viraria uma cachoeira inflacionária. O BC não pode deixar isso acontecer pois trabalha com metas de inflação.


    Agora, sobre os juros bancários, eis as minhas explicações:

    1) Leniência da lei para com o devedor, em que caloteiros são protegidos;

    2) Compulsório alto, o que inevitavelmente encarece os empréstimos no mercado interbancário (que é onde a SELIC é definida); e

    3) Vigorosa e contínua expansão da oferta monetária, principalmente dos depósitos à vista.

    Sobre o item 3, permita-me um exemplo real:

    Em outubro de 2006, os juros para pessoa jurídica foram de 27%, em média. Isso significa que, uma empresa que tenha pegado um empréstimo de R$ 100.000 em outubro de 2006, com vencimento para dali a um ano, teria de pagar R$ 127.000 em outubro de 2007.

    Porém -- e aqui vem o detalhe fundamental --, como mostrado no gráfico dos depósitos
    em conta-corrente, em outubro de 2007 a oferta monetária era 25% maior do que em outubro de 2006, data em que a empresa contraiu o empréstimo. E isso faz uma diferença enorme no esforço que a empresa tem de fazer para conseguir os R$ 127.000 de que ela necessita para quitar seu empréstimo com o banco.

    A intuição é óbvia: uma coisa é você ter de arranjar R$ 127.000 em uma economia com oferta monetária rígida. Outra, bem diferente, é você ter de arranjar R$ 127.000 em uma econômica cuja oferta monetária esteja aumentando. Quanto maior for o aumento da oferta monetária no período, mais fácil será para você arranjar o dinheiro devido (considerando-se um igual crescimento da economia para os ambos os cenários). Logo, quanto maior for a expansão monetária, maior serão os juros nominais cobrados. Quanto maior for a expansão monetária projetada pelo banco que concede o empréstimo, maior será a taxa de juros nominal que ele irá cobrar.

    Pense na taxa de juros sobre empréstimos bancários como "a diferença entre a quantia que é tomada emprestada e a quantia que é devolvida ao emprestador". Sendo assim, a taxa de juros de 27% ao ano para um empréstimo de R$ 100.000 não deve ser vista como sendo o preço a ser pago pelo empréstimo, mas sim como a diferença entre os R$ 127.000 que serão pagos na maturação do empréstimo e os R$ 100.000 que foram tomados emprestados.

    Ao se pensar assim, não será surpresa alguma percebermos que os juros cobrados pelos bancos tendem a ser maiores em decorrência de uma grande expansão monetária. Afinal, como no momento da quitação da dívida existe mais dinheiro do que existia ao momento da concessão do empréstimo -- uma consequência inevitável do aumento na quantidade de dinheiro --, então logicamente haverá mais dinheiro disponível para ser utilizado no montante a ser devolvido ao emprestador.

    E, como um aumento da oferta monetária tende a gerar um aumento no volume de gastos e, consequentemente, na receita das empresas, os juros de 27% cobrados devem ser vistos à luz do aumento de 25% na oferta monetária -- os juros "reais" seriam, portanto, de 1,6%.

    Para você ter uma ideia, os EUA, no auge de sua bolha, jamais expandiram todos os seus depósitos à vista (lá existem várias modalidades de depósitos à vista) em mais de 15% ao ano.

    Na minha opinião, esse é um dos fatores que explicam a grande diferença entre os juros bancários de lá e aqui.
  • Alexandre Dória  30/11/2010 13:10
    Leandro,\r
    \r
    Qual a sua visão sobre o impacto da concetração bancária na expansão do crédito, como bem observado por você? Tendo em vista o sistema de reservas fracionárias e apenas 4 grandes bancos de varejo no Brasil, a probablidade do R$ retornar ao mesmo banco que o emprestou é enorme e, consequenemente, eleva substancialmente o multiplicador bancário. Isto talvez explique a diferença de R$1.55 tri de crédito x R$ 135 bi de depósitos (que deverá ser cescente pois os efeitos da concentração ainda não ocorreram na plenitude). Haja compulsório!!!!
  • Leandro  30/11/2010 15:24
    Prezado Alexandre, você foi direto ao ponto: a concentração bancária é um fator crucial na segurança destes em expandir a oferta monetária.

    Porém, vale ressaltar, eles não conseguiriam fazer isso sem a existência de um banco central injetando dinheiro galopantemente, coordenando o cartel e dando várias garantias implícitas de que irá socorrê-los em caso de dificuldades

    Sobre os compulsórios, vale lembrar que na Suíça, por exemplo, o compulsório é de módicos 2%. E mesmo assim os bancos não fazem gracinhas, pois o Banco Central suíço, além de sua fama de durão, é um dos mais conservadores do mundo (em termos de expansão monetária). No Chile, é de 4,5%.

    Logo, sem expansão monetária, simplesmente não há como bancos saírem criando dinheiro do nada, ad eternum. Portanto, um compulsório não está necessariamente ligado a uma política monetária sólida.

    Compulsório alto é coisa de país cujo BC gosta de usar a impressora -- como o Brasil, por exemplo.
  • Angelo T.  30/11/2010 15:37
    Excelente artigo, Leandro!
    Obrigado por disponibilizá-lo para nossa leitura.
  • Getulio Malveira  30/11/2010 19:56
    Caro Leandro. Antes e tudo, parabens pelo trabalho: excelente análise e impecável clareza e consistência. \r
    \r
    Restou-me somente uma dúvida: se bem compreendi, o mecanismo "heterodoxo" de financiamento de grandes corporações pelo BNDES é apontado em seu texto como uma "novidade" recentemente "descoberta" pelo Ministro Mantega. Gostaria de saber a partir de quando, se voce dispõe do dado, o BNDES, começou a opera essa política.\r
    \r
    Esclareço a minha dúvida, que, na verdade, traz em seu bojo uma grande preocupação suscitada por sua análise: creio que conhecemos perfeitamente o histórico de distorções geradas pelo governo sobre a economia brasileira no último século. Contudo, me parece de extrema gravidade essa ação específica que como voce ressaltou muito bem só pode ser objetivamente qualificada de facista.\r
    \r
    Quer parecer-me que esse mecanismo de crédito, ajuntado as políticas tributária regulatória, trançam uma tendência sombria para o setor produtivo brasileiro e para toda a sociedade, uma vez que favorecem no meu entender uma aliança escusa entre um número limitado de megacorporações e o Estado, arriscando agravar ainda mais o problema da distribuição de renda.\r
    \r
    Se estou certo sobre esse último ponto, então estamos diante do calcanhar de aquiles do socialismo-petista, uma vez que manifestamente o atual governo estaria agravando seriamente o problema que afirma resolver e, assim como em outros momento de forte atuação estatal na economia brasileira (principalmente na década de 50), o governo estaria coordenadamente redistribuindo a renda, não em favor dos pobres como pavoneia, mas em favor de si mesmo e de seus apadrinhados.\r
    \r
    Daí a importante de se saber se esta é ou não uma política nova do BNDES.\r
    \r
    Abraço
  • Leandro  30/11/2010 20:26
    Caro Getulio, obrigado pelos elogios.

    Por mais assustador que pareça, essa política de associação entre estado e grandes empresas infelizmente não é nenhuma novidade no mundo. Ele ocorre em todos os países do globo, variando apenas o grau de descaramento com que é feita. Tudo começou na Itália da década de 1920

    Nos EUA, por exemplo, grandes empresas privadas têm contratos quase trilionários (somando todas as empresas) com o Pentágono, além do fato de os grandes bancos terem recebido ajuda com dinheiro tomado dos pagadores de impostos. A Boeing e a Lockheed Martin são outras empresas favoritas, que se desenvolveram graças aos contratos com o governo.

    Esse tipo de estado em que a burocracia escolhe os vencedores e lhes concede privilégios é algo que veio para ficar. A partir do momento em que o estado - e aqui eu vou fazer uma concessão minarquista - deixa de mexer apenas com segurança e judiciário, e passa a se intrometer em vários aspectos da economia, é impossível que ele não seja capturado por grupos de interesse, que irão utilizá-lo para benefício próprio e em detrimento da concorrência. Isso infelizmente é uma inevitabilidade, variando apenas o grau de impudência com que as coisas são feitas: explícitas na América Latina, sofisticadas na Escandinávia, indecorosas nos EUA, corriqueiras na Europa.

    Aqui no Brasil temos apenas uma variável desse modelo. Porém, no fundo, é a mesma coisa: estado tomando dinheiro dos pequenos para subsidiar os grandes.

    Todo mundo sabe disso, mas ninguém se revolta. "Ah, é assim mesmo. O estado precisa fomentar o desenvolvimento". Já viu alguém se revoltando contra Eike Batista, por exemplo, que em apenas um ano subiu umas 40 posições no ranking dos mais ricos do mundo, ocupando hoje a 8ª posição? Pois é, ele é exatamente um dos beneficiários dessa política. É você quem o subsidia. Já foi lá exigir sua cota?

    Para acalmar os mais questionadores, palpiteiros e economistas de várias estirpes são acionados para defender tais políticas, dizendo que elas são necessárias para o desenvolvimento do país. Você já viu algum membro do PIG (Partido da Imprensa Governista) condenando esse socialismo para os ricos?

    Enfim.... O povo optou por um "estado forte e provedor". A opção por tal estado -- opção essa que é mundial, repito -- faz com que seja inevitável esse conluio final entre o estado, as grandes corporações e os poderosos, os quais farão com que ele, o estado, saia distribuindo privilégios e benefícios a esses grandes bilionários e grandes empresas.

    Apenas relaxe, trabalhe bastante e mantenha seus impostos em dia. Esses patriotas precisam de você.

    Abraços!
  • Túlio  03/12/2010 14:06
    Prezado Paulo,\r
    \r
    Inicialmente gostaria de dizer que sou totalmente leigo nos assuntos aqui tratado, mas como não acredito nessa prosperidade eterna e irresponsável da economia brasileira (não por pessimismo, mas por motivos óbvios), resolvi pesquisar e cai nesse ótimo site. Parabéns.\r
    Quero aproveitar para fazer expor uma dúvida: \r
    Tenho ouvido algumas pessoas (muitas)dizendo que a situação brasileira tem uma variante que poderá mudar toda essa lógica, o pré-sal, o qual irá derramar uma quantidade tão grande de dinheiro nas contas do governo que o ciclo (resumindo)crédito fácil - bolha - recessão será quebrado, pois o Br terá dinheiro de sobra para colocar as contas em ordem e continuar gastando/emprestando por muito, mas muito tempo.\r
    Gostaria de saber sua opinião sobre isso. É muita ingenuidade é possibilidade a ser considerada?\r
    Muito Obrigado \r
  • Leandro  04/12/2010 03:21
    Prezado Túlio, mesmo um leigo em economia consegue entender que o ciclo crédito fácil - bolha - recessão será apenas intensificado caso o país seja inundado de dinheiro externo em decorrência do pré-sal e o utilize para gastar/emprestar durante muito tempo.

    Isso em nada difere do que aconteceu na Islândia e na Irlanda, por exemplo, onde um repentino influxo de dinheiro externo provocou bolhas seguidas de recessões.

    Caso isso aconteça no Brasil, estaremos no sal -- com trocadilho.

    Abraços!
  • Helio  04/12/2010 10:27
    O Tulio faz uma excelente pergunta. O ciclo de credito facil - bolha - recessao é dominado por aspectos de política monetária, ao passo que o pre-sal, caso implementado corretamente por regras de mercado (isso nao esta nada garantido) pode gerar emprego, renda, e impostos adicionais significativos. Como o Tulio diz, nesse caso o governo pode optar por gastar mais, pois tirou mais dos brasileiros. Se o governo faz um ajuste das contas publicas com os recursos adicionais, isso leva a uma diminuicao da divida. Neste cenario, o boom pode continuar (caso a politica monetaria nao esteja estimulando o credito facil), derivado de uma maior produtividade dos brasileiros e uma dinamica favoravel do endividamento.

    Esse é de fato um paradoxo - quando aumenta a produtividade dos brasileiros, o governo obtem mais recursos para si (e seus amigos), aumentando seu poder.

  • tulio  04/12/2010 11:55
    Olá Hélio,\r
    \r
    Você identificou o ponto central de minha dúvida.\r
    Se o pré-sal realmente injetar muito dinheiro na economia, ele poderá trazer desenvolvimento e, portanto, mais emprego, mais renda e mais arrecadação.\r
    Dessa forma, aquele nosso primo que financiou a casa, o carro, os móveis, o jet ski, etc... continuará empregado e, talvez, até ganhado melhor e, assim, conseguirá honrar suas dívidas, pois, estará sobrando dinheiro no mercado, e para ele.\r
    Diante disso, os imóveis continuarão a subir (pois o crédito continuará existindo e talvez aumentado, até porque os principais amigos do rei são os donos de construtoras); os bens de consumo superfuos continuarão a ser parcelados em milhares de vezes (porque tv de lcd rende voto), o bolsa família continuará se expandindo por motivos óbvios e etc.\r
    O governo, por sua vez,poderá empregar cada vez mais partiários, bem como inflar BNDS e etc.\r
    Não quero dizer que com o pré-sal a recessão não virá, até porque não sabemos se ele é o que dizem e nem para que fins ele será utilizado.\r
    Mas, minha dúvida é: se o pré-sal for o que dizem (fazendo ressalva novamente), nós que acreditamos na proximidade da recessão não erraremos feio, pois ela seria jogama muito para frente, talvez para nossos netos nos fazendo perder oportunidades de investimentos agora?\r
    Será que o pré-sal não pode trazer uma fase de milagre economico duradouro (não eterno, masbem longo)?\r
    \r
    Mais uma vez muito obrigado\r
  • Felipe Rosa  06/12/2010 18:23
    Espetacular...simplesmente uma aula de economia brasileira em um artigo!!!

    Não poderia deixar de elogiar a clareza indescritivel do texto...

    Parabens Leandro!!!
  • Leandro  06/12/2010 18:40
    Muito agradecido, Felipe!

    Prestigie-nos sempre!

    Abraços!
  • fabio  12/12/2010 20:31
    Melhor que os professores de economia! Você dá aula ou palestras, Leadro?
  • Leandro  14/12/2010 03:31
    Agradeço os elogios, Fabio. E não, nem palestras e muito menos aulas. Essa não é minha parada.

    Grande abraço!
  • Alan  10/01/2011 02:02
    Primeiramente, parabéns a equipe do site e ao autor do artigo. Dá gosto de ler

    Dada minha ignorância em termos econômicos (sou graduado em engenharia) solicito desde já paciência caso não seja claro.

    Gostaria de uma melhor explicação, se possível, na relação entre uma possível expansão da oferta monetária e do crédito com a formação de bolhas na bolsa de valores.
    Uma vez que o fluxo que dita a bolsa brasileira é offshore, não pude compreender como a questão monetária - que pelo que pude entender apenas afeta a economia interna - afetaria o fluxo de capital estrangeiro para equities, o que geraria tal elevação do índice bovespa.


    Desde já muito grato e mais uma vez parabéns
  • Angelo T.  10/01/2011 09:08
    Alan, esse texto pode ajudar:

    mises.org.br/Article.aspx?id=778
  • Leandro  10/01/2011 13:31
    Prezado Alan, grato pelo elogio.

    Bom, não é verdade que o fluxo que dita a bolsa brasileira é todo offshore. A maioria dos recursos é de origem nacional, o que faz com que variações na oferta monetária brasileira tenham efeito direto sobre o desempenho da bolsa.

    Por outro lado, caso a esmagadora maioria do recursos entrantes na bolsa fosse de fato estrangeira, então o Ibovespa estaria sujeito à política monetária do Banco Central americano, dado que a maioria dos recursos estrangeiros está em dólar.

    No caso brasileiro, o que ocorreu foi que houve expansão tanto da oferta de reais quanto da oferta de dólares, o que se combinou para expandir fantasticamente o Ibovespa.

    Grande abraço!
  • Alan  11/01/2011 19:08
    Muito obrigado pela resposta.\r
    \r
    Quando me referi ao fluxo que "dita" quis dizer que a diferença da ordem de grandeza entre o investimento de origem offshore em relação ao local nos momentos de grande valorização da Bolsa é grande. Verdade que esse gap já fora imenso, mas ainda assim o mercado de equities brasileiro é muito dependente do mercado e capital offshore (principalmente dos eua).\r
    \r
    Dessa forma, não quis dizer "TODO", assim como discordo que a "MAIORIA" seja local, mas o único argumento que disponho é a experiência própria o que é inválido. Procurarei séries temporais. \r
    \r
    Dessa forma, se me permitisse um adendo à sua análise ou simplesmente um tópico para se pensar, em termos de bolsa de valores, sugeriria voce trabalhar com a hipótese de efeito misto da economia americana e brasileira.\r
    \r
    "No caso brasileiro, o que ocorreu foi que houve expansão tanto da oferta de reais quanto da oferta de dólares, o que se combinou para expandir fantasticamente o Ibovespa"\r
    \r
    Concordo plenamente com a frase acima e voces já devem ter percebido que a impressão de dinheiro descontrolada do fed está formando bolhas em diversos locais do mundo, não só no Brasil.\r
    \r
    Abraços
  • Guimarães  19/03/2011 04:32
    Olá amigo, estou iniciando um blog sobre assuntos de economia. Você redigiu um artigo realmente excepcional aqui, parabéns. Tive a liberdade de citá-lo lá.
    Entre e deixe sua opinião.
    []s

    crisedodolar.blogspot.com/
  • Marco Aurelio  14/07/2011 12:43
    Acho que o IMB deveria ser mais vaidoso, se mostrar mais e propagandear melhor os seus feitos. Por exemplo as previsões contidas nesse artigo estão todas se desenrolando, bem como as previsões feitas sobre a economia mundial, o padrão-ouro (o preço do ouro não para de subir) e principalmente a economia americana em vários outros artigo. Toda a imprensa brasileira, hipnotizada com a farsa Obama, se deixou seduzir e repetia continuamente que a economia americana já estava fora da recessão e que tudo estava bem, havendo apenas um pequeno probleminha em alguns países europeus. Vocês foram o único veiculo que não entrou nessa onda.

    Enfim, é só uma opinião. Apareçam mais e espalhem mais os seus feitos.

    Saudações, Marco Aurelio.
  • Fernando Chiocca  14/07/2011 12:51
    Poizé Marco.

    A palestra do Mark Thornton em Porto Alegre ano passado foi relatando que a EA está acertando há 100 anos ..(como não poderia deixar de ser diferente)

    Enquanto isso, a mentira continua dominando firme a mídia mainstream..
  • mcmoraes  14/07/2011 13:09
    Em tempo de Internet a divulgação boca-a-boca funciona. Mão à obra, Marco Aurélio!
  • Leandro  14/07/2011 13:11
    Prezado Marco Aurelio, é que somos humildes. A gente gosta de comentar assuntos que, na época, estão fora de moda e recebendo pouca atenção, mas que inevitavelmente irão se intensificar no futuro. Isso nos dá a pecha de radicais. Aí, quando o futuro chega e as coisas acontecem, preferimos deixar o reconhecimento para o leitor, sem ficar cantando glórias e se jactando.

    É mais ou menos como o fenômeno Hugo Chávez. Há uns 6 anos, toda a esquerda -- mesmo os bem intencionados -- o via como um exemplo a ser seguido por toda a América Latina, por suas "políticas sociais" humanas e seu "saudável desprezo" pelo "capital internacional". O mesmo era dito sobre a Argentina, que, sob o comando dos Kirchner, estava implementando políticas monetárias keynesianas, sem qualquer preocupação com pressões inflacionárias, e que, por isso, apresentava um fictício crescimento do PIB. Vários acadêmicos diziam que a Argentina era o modelo econômico que deveria ser seguido pelo Banco Central.

    E quem criticava esses dois modelos (Venezuela e Argentina), dizendo que a coisa não ia dar certo, era chamado de direitista reacionário e insensível.

    Mas agora que ambos estão na bancarrota -- o primeiro, sem comida e sem gasolina, embora viva literalmente sobre jazidas de petróleo; o segundo, com inflação de preços estimada na casa dos 20%, com racionamentos e com o governo mandando prender boi no pasto, para proibir a exportação e evitar a alta da carne no mercado interno --, a esquerda não quer mais saber deles, e criticá-los virou lugar comum, coisa absolutamente sem graça.

    Ou seja, cantar glórias sobre previsões acertadas é meio que como chutar cachorro morto. O divertido é falar com antecedência -- e contra tudo e todos -- daquilo que ninguém imagina possível acontecer. Depois que a coisa acontece, ficar no "Eu avisei!" é algo meio arrogante.

    Entretanto, aproveitando o seu gancho -- e agora com a desculpa de nos "exibirmos" mais -- um bom exemplo de nossa previsão da economia americana são estes dois curtos artigos:

    "A recessão nos EUA acabou!"

    Obama, o terror dos keynesianos

    Ambos ainda de 2009.

    Quanto ao primeiro artigo, vale a pena constatar o que está acontecendo com a oferta -- e, consequentemente, como os preços -- dos carros usados nos EUA. Só falta dizer que ninguém pensou que isso ocorreria...

    Quanto ao segundo artigo, basta ler as recentes e desesperadas colunas de Paul Krugman, que agora, depois de toda a lambança, está dizendo que Obama não é mais keynesiano o suficiente. É assim: quanto mais o keynesianismo é aplicado e quanto mais destrói as economias, mais os keynesianos se distanciam do modelo que sempre pregaram, se reinventam e começam a falar que não têm nada a ver com aquilo, e que na verdade o que defendem é outra coisa, embora o modelo que defendem tenha sido exatamente aquele que foi aplicado. Igual a marxista com a URSS.

    Grande abraço e obrigado pelo reconhecimento.
  • Rhyan  14/07/2011 17:38
    Isso me lembrou de um cara no Fórum Clube Cético falando que o keynesianismo do governo dos EUA fez de uma depressão uma recessão. O cara acredita mesmo que sem essas políticas a economia iria para o buraco.

    Leandro, adoraria ver aqui artigos sobre a economia da Venezuela e da Argentina!

    Abraços!
  • Maurício Goncalves  26/11/2011 09:24
    Notícia curiosa publicada ontem:

    Bovespa cai pressionada por blue chips

    Olhem este trecho:

    A preferencial da Vale teve queda de 2,13 por cento, a 39,00 reais, com investidores na expectativa pelo anúncio do plano de negócios para 2012, esperado para ocorrer na segunda-feira.

    Em relatório, os analistas Edmo Chagas e Antonio Heluany, do BTG Pactual, afirmaram que a mineradora deverá apresentar um plano de investimentos mais cauteloso para 2012, o que vêem como positivo[??????????????].

    "Como diversos projetos sofreram adiamentos, esperamos que as metas de volumes sejam postergadas, e que os investimentos sejam reduzidos em alguma medida. No entanto, essas mudanças devem ser sutis, pois acreditamos que a Vale irá reforçar a mensagem de continuidade em sua estratégia de crescimento"

    Agora teremos que ler nas entrelinhas que a coisa tá feia...
  • Julio dos Santos  10/08/2012 14:29
    Leandro
    No exemplo citado sobre a operação do BNDES, onde no fim das contas haveria uma perda de R$ 4,75, em qual balanço estaria contabilizado esta perda? Sei que pela lógica seria no BNDES, mas é possível que eles utilizem de algum instrumento para repassar esta perda para o Tesouro?
  • Leandro  10/08/2012 14:49
    Julio, a perda entra na conta do déficit nominal.

    Nessa operação, o BNDES não perdeu. Ele recebeu dinheiro do Tesouro, emprestou, auferiu principal e juros, e repassou um dividendo ao Tesouro. O governo vai reportar uma melhora no superávit primário (invenção do FMI que só a imprensa brasileira leva a sério), ao passo que, sua piora no déficit nominal (e consequentemente na dívida bruta; a imprensa só divulga a dívida líquida) não causa o mesmo impacto jornalístico.

    Abraços!
  • Julio dos Santos  11/08/2012 06:10
    Leandro
    Sobre o jogo do governo para não mostrar a piora da dívida bruta eu lhe entendi, mas ainda não consegui entender qual entidade absorve esta perda.
    Até então entendi o seguinte:
    - O BNDES não perdeu, pois auferiu juros de 6% e o seu custo de capital foi de 6% em forma de dividendos;
    - O Tesouro emitiu títulos em favor do BNDES, recebendo como pagamento o principal mais dividendos, mas o custo de capital do Tesouro gira em torno da SELIC.
    Se esta lógica estiver correta é possível afirmar que a perda da operação de financeiamento do BNDES é absorvida pelo Tesouro?
    Grato e abraço!
  • Leandro  11/08/2012 07:20
    Correto, Júlio. Desculpe-me por não ter sido claro. Ao dizer que houve aumento no déficit nominal, estou dizendo que quem foi pro vermelho foi o Tesouro -- ou seja, nós pagadores de impostos.

    Abraços!
  • Julio dos Santos  11/08/2012 07:48
    Muito obrigado Leandro.
  • Hugo  10/03/2014 00:55
    Leandro onde posso pegar a série completa sobre os juros da pessoa jurídica e física? procurei nas séries temporais dos indicadores de crédito e lá tem somente de 2011 pra cá...
  • Leandro  10/03/2014 01:01
    O BACEN vive fazendo bagunça e alterando as séries. Para obter os valores antigos, utilize as séries 3953, 8287 e 8288.
  • Isaac  13/10/2014 22:24
    Gráficos de economia, moeda fiduciária, reservas fracionárias, macroeconomia, taxa selic, índices IGP.. queria eu entender tudo isso.
  • Alan  07/02/2016 11:22
    Leandro, pode me informar a fonte desses dados? Principalmente do primeiro gráfico?
  • Leandro  07/02/2016 20:39
    Site do Banco Central.

    Vá em Séries Temporais www.bcb.gov.br/?SERIETEMP e lá haverá inúmeras variáveis com as quais brincar, podendo inclusive escolher várias sérios de variáveis distintas para um dado período.
  • anônimo  22/04/2018 14:20
    Daqui 20 anos, quando a economia melhorar novamente, todo esse ciclo econômico volta a ser feito pelo governo.
  • Henrique  16/09/2018 07:13
    O artigo condena toda a prática do Bacen no governo Lula, então quer dizer que o Meirelles não fez uma boa gestão?
  • Caio  16/09/2018 16:49
    Errado. Criticou a guinada expansionista ocorrida a partir de 2009. Aliás, este artigo deveria ser mais publicizado pelo site. Foi escrito ao final de 2010 e acertou tudo o que previu.


    P.S.: Muito embora haja artigos que compilem, de forma mais completa e com o benefício do retrospecto, tudo o que aconteceu desde então. Meus favoritos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2120

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466
  • Henrique  16/09/2018 17:08
    Meirelles é culpado em partes então? Pelo Ciclo econômico, inflação e inadimplência?


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