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Mercado versus estado

Uma piada: 

A: "Você sabe a diferença entre uma cozinha e um banheiro?"

B: "Não."

A: "Então não venha à minha casa."

Assim como é importante uma pessoa, em seus afazeres diários, saber diferenciar um banheiro de uma cozinha, também é importante que ela saiba a distinção crucial que existe na filosofia político-econômica entre o governo e arranjos contratuais privados. 

Porém, é aqui que a analogia entra em colapso.  Existem outros discernimentos que devemos aprender durante nossa vida que são ainda mais importantes do que saber distinguir entre esses dois aposentos (por exemplo, não coma veneno, alimente-se sempre, cuide dos bebês); porém, na teoria libertária, simplesmente não existe uma delineação mais importante do que aquela que existe entre a coerção (o governo) e a cooperação voluntária (o mercado).

Entretanto, tão arriscada é a natureza da nossa disciplina, que existem até mesmo pessoas ostentando-se a si próprias como libertárias sem ter qualquer conhecimento dessa distinção.  Pior ainda, existem aquelas que escrevem artigos em jornais acadêmicos, e até mesmo livros, dedicados em toda sua inteireza a suprimir a diferença entre o estado e a interação privada no mercado.

E elas sempre se escondem atrás de algum argumento, sempre torpe e irrisório.  O preferido em seu arsenal é o do "contrato do condomínio".  Esses "libertários" discursam graciosamente sobre a severidade e abrangência das regras desses conjuntos residenciais.  Por exemplo, elas tipicamente exigem que todo o exterior seja pintado da mesma cor; que as grades ou cercados sejam idênticos e que não haja ar condicionado de janela.  Algumas vão tão longe a ponto de estipular a cor das cortinas que podem ser vistas lá da rua, e até mesmo obrigam, ou proíbem, coisas como carpetes, persianas, portas de tela e capachos.  Vários condomínios determinam se os carros devem, ou não podem, estacionar em garagens.  Alguns proíbem crianças completamente; outros, especificam idade mínima para os residentes (por exemplo, 60 anos para comunidades de aposentados).  E há uma legião de regras e regulamentações em relação à lei do silêncio, a festas, a onde bicicletas podem ser guardadas etc.  Comparadas até mesmo a alguns vilarejos e cidades pequenas, as regras dessas comunidades privadas podem ser intrusivas, abrangentes e, frequentemente, arbitrárias.

E há também o fato de que ambos os tipos de organizações (estado e condomínios privados) são tipicamente geridos de acordo com princípios completamente democráticos.  E não somente isso: de certa forma, pode-se realmente dizer que, em ambos os casos, as pessoas concordam em participar do sistema.

No caso do condomínio, isso é fácil de ver.  Todos os membros do conjunto assinam um contrato de compra, indicando sua disposição de se sujeitar à constituição do condomínio e a uma determina norma (maioria, super maioria, maioria absoluta, não importa) de alteração dos termos.

Para cidades, ninguém, é claro, assina a constituição.  Entretanto, argumentam esses "libertários", ao se mudar para uma localidade, o recém-chegado sabe perfeitamente bem as regras da entidade política, ou pode facilmente aprendê-las: nada de cuspir nas ruas, as especificações de zoneamento, os limites de velocidade etc.  E, em praticamente todos os casos, as regulamentações municipais são bem menos universais do que aquelas dos condomínios.  É verdade, conclui esse argumento, que o governo municipal coleta "impostos" ao passo que o condomínio coleta "taxas" de sócio, mas essa é uma distinção sem qualquer diferença.

A primeira rachadura desse argumento aparentemente hermético e incontestável começa a ser vista quando examinamos não a posição do recém-chegado, mas a de um proprietário que já estava lá antes de a cidade ser incorporada; ou, alternativamente, quando analisamos o infortúnio do proprietário que até então morava fora dos limites da cidade, mas que foi incorporado por ela quando ela se expandiu para colocar sob sua jurisdição pessoas como ele, que viviam em áreas contíguas mas até então não incorporadas.  (Vamos considerar apenas o segundo caso, e não o primeiro, uma vez que hoje existem muito mais indivíduos vivos que vivenciaram o segundo, e não o primeiro).

Assim, o prefeito vai até esse proprietário e diz pra ele: "Tenho boas notícias para o senhor, seu Zeca.  O senhor agora faz parte da nossa cidade.  Vamos coletar seu lixo, fornecer água e serviços de esgoto, guarda municipal, bombeiros, sociedade na biblioteca municipal... puxa, temos até um piscinão municipal.  O senhor vai gostar!  O senhor terá de pagar uma taxa para o bem-estar dos pobres também, é claro, mas o senhor sempre ajudou os desfavorecidos aqui na sua vizinhança, portanto isso não será nenhum fardo para o senhor."

Ao que Zeca responde: "Isso realmente parece ser maravilhoso, seu Clemente.  Puxa, estamos ficando mais modernos aqui, hein?  Mas olha só: vou deixar passar essa maravilhosa oportunidade.  Por ora, não vejo motivos para mudanças.  Obrigado, mas não, obrigado."

E então o prefeito Clemente engrossa:  "Creio que minha posição ainda não ficou clara o bastante.  Não se trata realmente de uma opção sua.  Fizemos uma votação quanto a isso, e o seu lado perdeu.  Como o senhor faz parte do jogo queira ou não, o senhor tem de jogar e aceitar as decisões".

Nesse momento Zeca retruca: "Hitler chegou ao poder por meio de eleições.  Portanto não venha o senhor me falar sobre as maravilhas das cédulas eleitorais.  Entretanto, vou lhe confessar uma coisa, seu Clemente.  Pelo menos o senhor é franco.  Pelo menos o senhor não reveste uma agressão explícita com o manto da mentira, como fazem aqueles pretenso 'libertários' que não veem diferença entre ser incorporado a uma cidade contra sua vontade e comprar voluntariamente um apartamento em um condomínio.  Sua exigência para que eu lhe dê dinheiro de impostos foi refrescantemente honesta, embora um tanto brutal, para uma pessoa que eu costumava considerar um bom vizinho."

E lá se vai a primeira rachadura na blindagem, o caso em que o proprietário é forçosamente incorporado à cidade.  Existe de fato uma diferença relevante entre ser compelido a fazer parte de uma cidade e se juntar voluntariamente a um condomínio.

Mas o que dizer quanto ao exemplo mais convincente do lado "libertário" desse arranjo, aquele em que um forasteiro chega a uma cidade, compra um imóvel etc., sabendo perfeitamente bem a que regras e impostos ele estará sujeito?  Não seria verdade que, ao menos nesse caso, o governo municipal é indistinguível daquele conselho administrativo que gere o condomínio?

Nem um pouco.

Considere o seguinte caso.  Eu compro um apartamento em uma vizinhança perigosa de uma cidade qualquer.  Eu sei perfeitamente bem que a criminalidade ali é alta, e que eu serei um alvo preferencial, dada a minha aparência abastada (com muita ironia aqui).  Talvez eu tenha tomado essa decisão econômica por causa dos imóveis mais baratos, ou porque quero me aproximar mais do "povo" para melhor estudar sua situação e ajudar a erradicar a pobreza.  Em todo caso, assim que eu me mudo pra lá, já sou logo confrontado por um marginal de rua que, canivete apontado pra mim, me ordena: 

"Passa a carteira, seu rico de m...., ou eu vou te furar todinho."

Ao que eu imediatamente sacaria meu Colt .45 e diria para o criminoso:  "Meu bom homem, você está confrontando um adversário com poder de fogo superior.  Cesse e desista de seus métodos maléficos, e vá cuidar de seus assuntos mais legítimos, se é que os tem."

E então esse elemento, o qual eu não imaginava ser um aprendiz de filósofo, faz a seguinte consideração:  "Você parece não estar entendendo.  Sou um daqueles 'libertários' que dizem que, já que você se mudou para cá tendo a perfeita consciência de que estaria sujeito a assaltos do tipo que estou fazendo agora (ou ao menos estava... Nunca havia me deparado com uma vítima tão pouco cooperativa como você; onde esse mundo vai parar?), você com efeito concordou em ser assaltado por ladrões como eu.  Portanto, deixe de ser contestador e aceite o programa, cara!"

O ponto é que, como podemos facilmente ver, a capacidade de pressupor um evento não é de modo algum equivalente a concordar com ele.  Sim, posso perfeitamente bem prever que, se eu me mudar para uma região violenta, provavelmente serei vítima de algum crime de rua.  Porém, isso de modo algum significa que estou concordando com tal atitude execrável.  Entretanto, de acordo com o argumento "libertário" que estamos analisando, ambas as coisas são indistinguíveis.

Similarmente, é de se esperar que o indivíduo que fixa residência em uma cidade com impostos, leis de zoneamento etc., saiba que estará sujeito a essas depredações, assim como todos os outros moradores da cidade.  Mas daí a dizer que ele concordou em ser coagido por esses malfeitores há uma distância enorme.  A permissão que o recém-chegado à cidade dá ao cobrador de impostos para extrair dinheiro dele é a mesma que o recém-chegado a uma vizinhança violenta dá ao assaltante que viola seus direitos.

Com efeito, em um contraste muito nítido, o comprador de um apartamento não apenas pressupõe que estará sujeito a um pagamento mensal de uma taxa de sociedade, e a um colosso de restrições em relação ao que ele pode fazer com sua propriedade, como ele também de fato consente em pagar aquele e estar sujeito a este.  A prova disso é que ele assina um contrato de venda, o qual estipula todas as regras acima.  Já no caso do cidadão que vai pra uma cidade, não existe tal contrato assinado.

Não é exagero algum dizer que, em toda a teoria libertária, a distinção mais importante que existe é aquela entre a coerção e a não coerção.  Remova essa divergência e não sobrará absolutamente nada do libertarianismo.  Isso é tão importante, que vale a pena repetir: o libertarianismo consiste nas implicações dessa única e solitária distinção, e em nada mais.  Sem ela, não há absolutamente teoria alguma.

Uma coisa é ver e ouvir comunas, socialistas, esquerdinhas, social-democratas e neoconservadores denegrirem essa distinção.  Isso, aliás, é o que se espera deles.  Trata-se de uma atitude perfeitamente apropriada para esses tipos.  Se eles não fizessem isso, eles dificilmente poderiam ser caracterizados pelos rótulos acima.  Outra coisa bastante diferente é ver "libertários" cometendo esse mesmo erro.  Ou eles se livram dessa perniciosa falsa doutrina ou ao menos tenham a decência de parar de se auto-intitular libertários.



autor

Walter Block
é membro sênior do Mises Institute e professor de economia na Loyola University, Nova Orleans.


  • Helio  09/11/2010 10:38
    Em adição aos argumentos do Block, há o argumento da permissão de novos entrantes. Pois veja, o governo não permite que alguém crie um "novo" contrato (social) em uma cidade ou estado, e que este contrato passe a valer para tais membros (todos proprietários dentro da região em questão) em desconsideração do contrato social que vigorava antes (nacional). Já em condomínios, alguém pode comprar as propriedades e alterar todas as regras, fatiar o condomínio, etc. Ou seja, a distinção é clara - o governo é o monopolista, o senhor de todos, e que todos devem obedecer - independente do mercado e das vontades dos donos das propriedades.
  • mcmoraes  09/11/2010 11:00
    O autor tem razão a respeito da distinção mais importante da teoria libertária. Logo, fica claro p/ mim pq os críticos dos libertários, lançando mão d seu último recurso nas discussões, sempre apelam àquela velha afirmação: "No mundo real, as coisas são diferentes...". O motivo disso é q eles sequer consideram como moralmente correta e digna de defesa a premissa d q ninguém (e isso inclui eleitos/concursados com distintivo/crachá oficial no peito) tem o direito de coagir ninguém.

    No mundo real, dizem os críticos dos libertários, as pessoas são gananciosas, egoístas, corruptas e, por isso, é necessário q um grupo pequeno e seleto d pessoas garanta a ordem e a paz. Justificam-se com afirmações do tipo: "estude história e verá q isso é a mais pura verdade".

    De uma certa forma, os q lançam mão de tais argumentos me fazem lembrar daquela anedota do inocente q sem querer e sem saber esfregou fezes no próprio bigode. Em todos os lugares a q o inocente ia ele sentia aquele cheiro horrível. Após algum tempo suficientemente longo, ele acabou concluindo numa exclamação sincera: "Jesus, defecaram no mundo!".
  • Diogo Siqueira  09/11/2010 12:33
    Colocando em miúdos, o direito de "rescindir" o contrato é o divisor de águas entre os institutos estado e condomínio.

    Em um condomínio as regras podem ser alteradas - conforme sua ata de constituição - e aqueles que discordarem das novas regras podem simplesmente vender sua propriedade e se mudarem, com TODOS os seus bens, livres de qualquer impedimento, para onde bem entenderem. Neste caso a rescisão (sem aspas!) ocorre sem percalços.

    Porém, o mesmo não ocorre com aqueles que desejam "rescindir" (agora com aspas, por não haver contrato!) com o estado, pois este criará empecilhos à livre movimentação dos descontentes e de seus bens, forçando-os a aquiescer com suas regras, em qualquer ponto do território sob sua jurisdição. Simplesmente não há escapatória: a escolha estará sempre condicionada à perda, seja de alguns bens, seja da própria vida.*

    *Tente deixar o país com uma mala contendo o fruto de anos do seu exclusivo trabalho, em barras de ouro, sem dar explicações às autoridades, ignorando o grito de "alto"!
  • Fernando Chiocca  09/11/2010 13:13
    Não é só isso Diogo. O divisor de águas já vem antes da possibilidade de rescindir contratos. Ela nasce na própria existência prévia de algum tipo de contrato (sociedade) ou de uma imposição violenta, com o ataque criminoso à propriedade (estado).
  • André  09/11/2010 18:14
    Me parece que uma sociedade empresária (ou seus integrantes) pode agir com violência - e agir, portanto, coercitivamente (a diferença é que, com o Estado, há uma idéia de violência 'legitima', ampla força policial etc), o que, de certa forma, a meu ver torna impróprio dizer sobre fim da coerção.
  • Fernando Chiocca  09/11/2010 18:39
    Perfeito André. Uma sociedade voluntária não significa o fim da violência per se.
    A violência, quando usada na defesa da propriedade, é não só legítima como totalmente necessária.
    Este livro pode esclarecer qualquer dúvida que possa surgir a respeito sobre quando o uso da violência é legítimo, que é a pergunta que uma ética se propõe a responder:www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=12
  • André  09/11/2010 19:42
    Fernando,\r
    Agradeço pelo link. Me parece, neste caso, que haverão situações ou casos dificeis, e, aparentemente, não concordo com a alegação de que "em primeiro lugar, uma situação de vida ou morte dificilmente é um teste válido para uma teoria de direitos, ou para qualquer teoria moral que seja" (generalizando, me parece que os "casos difíceis" constituem um bom teste para teorias, dado que um caso pode ser raro, porém altamente relevante). No ponto "2" (barco sem dono), me parece que a idéia da posse (de aspecto temporal, ou seja, quem chegar primeiro - que é um tanto arbitrária) apesar de possível, parece pouco satisfatória. O primeiro que chegar pode considerar que o barco afundará com mais 7 pessoas, ou que não há lugar para os demais, ou pode, como dono, apenas declarar que ninguém deve entrar (e alguém pode dizer que não há problemas com isso); mas parece ser uma situação a qual certamente estimulará a violência e a transgressão do direito à propriedade (e muitos decidiriam desrespeitar a propriedade alheia e sobreviver, ainda que alguém talvez os acuse de não serem "verdadeiros libertários"; esta hipótese só estaria excluída se considerarmos um homem perfeitamente "racional" - que age 'racionalmente' frente a morte - considerando como racional o respeito ao direito da propriedade alheia).\r
    Apesar de ter lido algo a respeito, também tenho uma dúvida sobre a razão (que usualmente ou gira em torno da idéia de consenso, ou exclui a idéia de "forum shopping" etc) para aceitar uma 'pena' declarada por um juiz privado.
  • Claudio  10/11/2010 15:35
    Gente, estou ficando fã do comentarista que assina como "André". Com mais paciência que eu, ele desmonta os tijolinhos da casinha pseudo-libertária de vocês...

    Ouvindo essa indignação contra o Estado (esse mal temporariamente necessário) parece que falam em nome do nobre trabalhador que enriqueceu às custas do próprio suor, quando o capitalismo, de fato, só produz riquezas com o suor dos outros.

    Digam-me se não é verdade: no capitalismo libertário, que alardeia a possibilidade de enriquecimento para os homens livres, só consegue acumular riquezas quem se beneficia da força de trabalho dos outros.

    Conhecem algum capitalista empresarial que fez ou manteve sua fortuna unicamente com seu próprio trabalho? assim como os atores e atrizes, cantores/as ou jogadores de futebol? (que na verdade, são trabalhadores dos magnatas e empreendedores do lucrativo showbusiness). Eu não conheço. mostrem-me um - sem incluir os executivos do capital especulativo que isso não é capitalismo empreendedor, é fábrica de bolhas.
  • Leandro  10/11/2010 16:48
    Cláudio, no Brasil, de fato é praticamente impossível um sujeito enriquecer apenas com o trabalho próprio, tendo saído do nada. E isso por causa da burocracia excessiva, das regulamentações insanas e da carga tributária que torna insolvente mais de 90% das empresas logo nos primeiros anos de sua existência. Se alguém quiser empreender, será preciso ter muita poupança e capital acumulado para ter êxito no Brasil.

    Como explicado nesse artigo, são os déficits do governo e sua carga tributária que inviabilizam o enriquecimento dos trabalhadores no Brasil.
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=536

    Curiosamente, socialistas como o senhor não esbravejam contra o real culpado -- o estado --, que é quem de fato atravanca todo o processo de enriquecimento dos pequenos.

    Quanto ao fato de empresários "enriquecerem com o suor alheio", cabe ao senhor explicar como isso acontece e demonstrar que os trabalhadores estariam em melhor situação sem esse malvado. Mesmo porque, é esse malvado quem está empregando sua poupança e arriscando seu dinheiro em empreendimentos que podem dar errado e faze-lo perder tudo.

    Pela concepção marxista, o mundo seria o paraíso caso os trabalhadores se rebelassem e expropriassem as empresas de seus patrões, tornando-se eles próprios os donos delas. Curiosamente, se os operários são ótimos gerentes de fábricas, o que os impede de se associarem e gerirem eles próprios suas fábricas? Pois é. Apenas uma coisa: o capital. Eles não têm essa ferramenta essencial. Os capitalistas têm. Eles não. Sem os capitalistas (detentores do capital), o operariado não seria nada. Pode até ter capacidade de gerência, mas não tem o capital que os possibilita gerenciar qualquer coisa.

    São os capitalistas que dão aos trabalhadores a oportunidade de colocarem suas habilidades em prática.

    Outra curiosidade em relação aos socialistas é que eles tampouco vociferam contra aqueles que realmente se enriquecem ao custo do suor alheio: os funcionários do estado. Estes de fato extraem toda a sua riqueza do trabalho alheio e sem jamais investirem e arriscarem capital próprio. É a classe mais confortável que existe. Por que vocês os protegem com tanto afinco?


    Eis um artigo que pode interessá-lo, sobre a questão dos "capitalistas versus explorados":
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=714

    Abraços e, por gentileza, continue nos prestigiando. Estamos apenas dialogando.
  • Fernando Chiocca  10/11/2010 17:42
    Depois dessa exaltação ao comunismo do Claudio, acho que esse vídeo é bem vindo:Submundo Intelectual - Comunismo!
  • davi  16/11/2010 10:54
    "Conhecem algum capitalista empresarial que fez ou manteve sua fortuna unicamente com seu próprio trabalho?"

    Aqui: Como surgiram as grandes empresas
  • Silvio Santos  19/06/2011 19:24
  • rafael  19/06/2011 00:51
    > Conhecem algum capitalista empresarial que fez ou manteve sua fortuna unicamente com seu próprio trabalho?

    todo mundo se utiliza do trabalho dos outros, quem produziu esse computador q vc esta usando, vc? não né, foi atraves do suor de centenas de outras pessoas. www.youtube.com/watch?v=jgK11FkBJ0U

    Vc não precisa empregar ninguem diretamente para usar o trabalho dos outros, ao comprar um bem vc ja estara o fazendo.
  • Joao  19/06/2011 11:33
    Conhecem algum capitalista empresarial que fez ou manteve sua fortuna unicamente com seu próprio trabalho?

    Eu conheço. Sabe como é, eu vivo no mundo real, não em um mundinho acadêmico intelectualóide de faz-de-conta. Eu vi pessoas enriquecerem porque acordavam às 4 da manhã para trabalhar, ficavam até de madrugada na empresa. Não digo isso porque eu goste delas, mas não vou negar o fato de que elas trabalhavam mais do que eu. Alguns empresários vivem de conluios com o governo, e enriquecem às custas dos seus impostos - e aposto que você é um daqueles que defendem todas as intervenções que acabam favorecendo justamente quem tem melhores conexões com o governo (empreiteiras, por exemplo).

    Talvez você devesse abrir uma empresa para ver como as coisas são no mundo real. Aliás, é o melhor antídoto contra essa ideia estúpida de que os empresários são malvadões e os trabalhadores sempre coitadinhos. A coisa é muito mais difícil do que parece, coleguinha. Eu já vi dono de empresa pagar pela educação dos funcionários, até que o INSS apareceu e decidiu que isso fazia parte do salário e ele deveria pagar impostos sobre isso (o que era inviável). Já vi empresas terem que guardar dinheiro para pagar acordos em ações trabalhistas de funcionários espertinhos que, mesmo ganhando vários benefícios diferentes, sempre procuravam um jeito de processar a empresa no final. Eu sei o que você deve estar pensando. Na sua ilha da fantasia, o empresário vai ao banheiro e defeca capital, portanto, tem mais é que pagar muito imposto. O mundo real, no qual você não parece viver, a coisa é diferente. Quem consegue dinheiro fácil é justamente quem está de mãos dadas com o governo. O restante tem que se virar para conseguir as coisas.
  • void  19/06/2011 14:08
    Esse Claudio é um retardado. Não sei se notaram, mas o que ele está sugerindo, na verdade, é que quem emprega, quem oferece uma vaga de emprego, está na verdade se beneficiando, como um parasita político - daqueles que ele adora -, da força do trabalho do empregado, não reconhecendo, ao invés disso, o risco existente ao empreendedor em colocar seu capital a disposição em mercados imprevisíveis. Ele está basicamente dizendo a mesma ladainha vermelha de sempre: não há direitos de propriedade, portanto não existe direito de existir capitalistas(pessoas que acumularam capital para investir), e em consequência, qualquer oferta de emprego na verdade não passa de espoliação - se você dá, você é um verme, o certo é tomar, segundo sua lógica. Ou seja, repetindo, ele é um retardado que sequer entendeu o básico do básico da teoria libertária, e parte de um princípio adotado arbitrariamente por ele como verdadeiro, não obstante o pensamento non-sense que isso implicaria.
  • Fabio  14/05/2012 20:00
    Mostre um capitalista que coagiu outros a trabalhar para ele. Agora mostre quantas pessoas pagam impostos voluntariamente... Pronto, essa é toda a diferença. Não há nada de errado em contratar pessoas, ISSO É UM ACORDO VOLUNTÁRIO.
  • Leandro Coelho  12/11/2010 20:17
    Um exemplo de menor importancia mas que reforça o tema proposto pelo artigo é o seguinte: Certa vez, fiquei sabendo que não posso (pelo menos legalmente) ter um bordel e obter lucro a partir dos serviços das prostitutas, pois é ilegal auferir lucro com a venda do corpo dos outros.
    Bem, vamos pensar libertariamente: Se uma prostituta pretende trabalhar para o dono de uma casa noturna de livre acordo de ambas as partes, cada um podendo cancelar o "contrato" livremente a qualquer momento. Onde está o crime? É imoral? Sim! Mas, se estivessemos discutindo moralidade, a prostituição seria proibida e até onde sei não é!

    Precisa-se definir exploração, salvo em condições de coerção, só um masoquista atroz se coloca na condição de explorada por livre e espontanea vontade.
  • rafael  19/06/2011 00:36
    Eu não acho prostituição imoral, isso é costume seu, é o mesmo que falar que andar pelado é imoral, sendo que em muitos lugares isso é completamente normal.
  • anônimo  14/05/2012 21:48
    Eu sou a favorq se cumpra o Código Penal Brasileiro. A prostituta freelancer o faz por livre espotânea vontade, então pode ser permita. Já negócios como o Bahamas e Cafe Photo em SP, Gruta Azul e Tia Carmen no RS, e outros q tem por aí devem ser proibidos. Até pq prostituta freenlancer é bem melhor. É sem frescura e o serviço de qualidade, eqto prostibulos como o Bahamas, onde as garotas eram fiscalizadas para que ficassem o menor tempo possível com os clientes. Dá pra chamar isso de serviço com qualidade?
  • Junior Masters  04/02/2011 17:46
    Olá.

    Gostaria de agradecer ao Fernando por postar o link do meu vídeo aqui. Embora esteja muito atrasado para isto, hehehe

    Em tempo, não sou libertário também. Isso aí que o Leandro falou sobre a prostituta é coisa do Murray Rothboard (é assim?). As práticas capitalistas devem ser feitas dentro do princípio moral da sociedade, a vontade individual não pode se sobrepor perante à sociedade. A sociedade é formada por questões objetivas e subjetivas. Objetivamente não é possível legalizar a prostituição porque, subjetivamente, ela é imoral.

    Abraços.
  • anônimo  05/02/2011 03:04
    Olá Junior,

    Você pode considerar imoral a prostituição. Isso não te impediria de ser libertário. O que impediria seria se você usasse a força (estatal no caso) para proibir que pessoas se prostituem, ou que pessoas comprem esses serviço.

    O corpo é a principal propriedade de uma pessoa, proibir uma pessoa de vender serviços sexuais seria uma agressão enorme à liberdade individual.

    Por mais imoral que seja, não deveria ser proibido. Só crimes com vítimas devem ser proibidos.

    Espero ter resumido a mentalidade libertária sobre a prostituição. Se quiser ler algo mais completo, sugiro o livro Defendendo o Indefensável de Walter Block, que está disponível na biblioteca deste site.

    Abraços!

  • anônimo  14/05/2012 21:30
    Se "O corpo é a principal propriedade de uma pessoa" e pessoa tem o direito de fazer o uso dele como bem quiser, seria correto eu sair peladão como nascí na rua? Afinal, o corpo é a minha principal propriedade, quem deve determinar se eu devo usar roupa ou ñ sou eu...
  • anônimo  15/05/2012 05:51
    anônimo,

    é um direito seu sair peladão na rua, desde que os donos da rua permitam. No atual arranjo das coisas, onde ruas não possuem donos, é perfeitamente compreensível que pessoas exerçam tais direitos sem pudor algum, e é completamente incoerente que alguém julgue o ato como errado. Coerente seria você ficar peladão numa rua onde o dono proteja os peladões. No entanto, em ruas que possuam donos que proíbem tal prática em sua propriedade, é óbvio que que você não teria tal direito, e que, se tentasse fazê-lo, provavelmente seria expulso desta propriedade.

  • anônimo  15/05/2012 05:58
    Só pra esclarecer, imagine a rua como se fosse uma extensão de uma casa.
    As possibilidades são:
    1. a casa não possue dono, está abandonada, e presume-se que é deireito de quem quer que seja entrar nela da forma como bem entender.
    2. a casa possue dono e ele convida pessoas a entrar em sua casa em determinados contextos. No caso, convida pessoas peladonas a entrar.
    3. a casa possue um dono que define entre as regras, para entrar em sua casa, estar devidamente trajado.
  • Joao  19/06/2011 10:50
    As práticas capitalistas devem ser feitas dentro do princípio moral da sociedade, a vontade individual não pode se sobrepor perante à sociedade.

    O que é "sociedade"? Quem dita o que a "sociedade" quer? Eu? Você? Alguma entidade específica? Esse é o problema da ideia de que a sociedade deve se sobrepor à vontade individual. Cria-se uma entidade amorfa, composta por indivíduos completamente diferentes entre si, e diz-se que essa entidade amorfa tem alguma vontade específica.
  • Paulo Sergio  14/05/2012 04:04
    Entendi o argumento, mas não sei se esse exemplo, do cara que se muda pra cidade dos ladrões voluntariamente, é bom
    Se eu não me engano existiram muitas sociedades em que as leis não precisavam ser escritas, elas se baseavam nas tradições e na cultura do povo.Acho que era a inglaterra que tinha algo assim
    Então assinar ou não um contrato não era tão importante pq já existiam certas ações que tinham o mesmo significado, pra quem mora lá, de assinar um contrato
    Como nos filmes antigos, os caras firmavam um acordo com um aperto de mão e só, e pra quem tinha vergonha na cara isso era mais que suficiente
  • Marcus Lins  14/05/2012 08:59
    Outro ponto que está além dessa distinção, é um ponto considerável sobre os condomínios: o poder de um indivíduo é muito maior no condomínio do que numa cidade, mior numa cidade do que num estado, e maior no estado do que numa nação.

    Meu prédio, por exemplo, tem apenas seis apartamentos. Caso todos nós (ou a maioria) discorde de alguma regra, é muito mais simples (e menos burocrático) alterá-la ou extingui-la do que em instâncias estatais.

    Uma coisa que costuma ser esquecida é a subsidiaridade. A maior parte das decisões, e as mais importantes, que afetam nossa vida, nosso dia-a-dia, devem ser resolvido nas menores instâncias possíveis. Problemas com a família, dentro de casa. Com um vizinho, tratando com o mesmo, após, com o condomínio, e assim por diante.

    A democracia grega original parecia funcionar bem no âmbito das antigs cidades-estado. Mas ampliar a abrangência territorial em que tais decisões são tomadas dilui o controle que um indivíduo possui sobre sua própria vida.
  • anônimo  14/05/2012 11:00
    Quando o vídeo da palestra do Block na USP estará disponível para nós Blockmaníacos?

    Obrigado!
  • Rafael Gomes  15/05/2012 17:29
    E eu, que um dia planejei prestar concurso para Procurador da Fazenda Nacional, tenho revisto seriamente meus conceitos graças a artigos como esse. Parabéns ao IMB!

    A propósito, o que vcs acham do trabalho (incipiente no país, segundo a revista Exame) de planejamento tributário? Profissionais experts em destrinchar o monstro fiscal brasileiro a fim de auxiliar a iniciativa privada a se estabelecer sem ser tão lesada pelos impostos.
  • Diogo Siqueira  16/05/2012 07:27
    Caro Rafael Gomes,

    Planejamento tributário é mais uma demanda inútil e onerosa gerada pela atuação estatal.

    Que tal vivermos sem a necessidade desta estultice?
  • Rafael Gomes  16/05/2012 07:37
    Evitar o pagamento de impostos é inútil? Não compreendi sua colocação. Por esse raciocínio, escrever artigos contra a tributação também seria uma "demanda inútil gerada pela atuação estatal".
  • Diogo Siqueira  16/05/2012 09:06
    Caro Rafael,

    O ponto é: impostos já são, de per si, absurdos. Absurdo maior ainda é chegarmos ao ponto de necessitar contratar profissionais de diversos ramos do conhecimento e pagá-los fortunas para que sejamos menos extorquidos (vide "planejamento tributário")! A demanda por estes serviços é sim uma estultice e não passa de mais uma demanda inútil fruto da ação estatal.

    Em momento algum, no meu comentário, neguei que pagar menos impostos seja algo bom. Esta foi uma interpretação extensiva (ou falha interpretativa) sua ao meu comentário.

  • Rafael Gomes  16/05/2012 11:05
    Muito interessante, Diogo. E foi uma interpretação extensiva minha, sim. Acontece que é difícil ao leitor recém chegado a este site compreender (ou seria aceitar?) a intransigência da posição libertária quanto ao estado e sua desnecessidade. Quem vivencia o ambiente universitário de hoje sabe a estatolatria que é, todo mundo babando pelo edital do próximo concurso.
    Me impressiona de verdade a coerência das coisas que eu tenho lido aqui. Vou continuar a ler outros textos a fim de aprender mais.
    Obrigado pela atenção. Abraço.
  • Juliano  16/05/2012 06:18
    Só pra colocar mais lenha na fogueira.\r
    \r
    E como fica a questão de contratos mais radicais. Alguém pode vender uma parte de seu corpo? Uma pessoa desesperada, ou louca, poderia vender um órgão vital para que a família recebesse o dinheiro?\r
    \r
    E colocar o próprio corpo como garantia em um empréstimo? \r
    \r
    Cito esses exemplos por serem casos onde imaginaria a possibilidade de um terceiro interferindo na relação. Apesar de ser um certo preciosismo, tendo em vista nossa situação atual, acredito serem pontos válidos quando se defende autonomia total para as partes.\r
    \r
    Abraços,\r
    Juliano
  • Joao  26/05/2012 22:07
    Alguém poderia me informar se o livro "Deus no Céu e o Mercado na Terra" é bom? Obrigado. CAPA: i.s8.com.br/images/books/cover/img5/265165_4.jpg
  • Alan Denadary  06/10/2012 08:11
    Olá amigos ancpaps. Gostaria te trazer um vídeo que talvez seja interessante discutirmos: Segue o link:

    www.youtube.com/watch?v=_kWA4FtyWV0

    O que acham?
  • Luis Almeida  06/10/2012 10:47
    Baixíssimo nível e desconhecimento atroz da teoria que quer criticar. Para se criticar algo, é preciso entender minimamente aquilo que se quer atacar. O cidadão primeiro diz que o anarcocapitalista quer extinguir a língua comum. Hein?! Até uma moeda comum nós defendemos (o ouro), justamente por sabermos que isso estimula ainda mais as trocas comerciais, por que iríamos defender a variedade de línguas? Para tornar todo mundo incomunicável e retornarmos ao escambo? Ignaro. Inventou teoria, criou o espantalho, bateu nele e cantou vitória.

    Depois a coisa piorou, dizendo que apenas políticos podem organizar a sociedade. Deve ser viúva de Brejnev.

    Depois ele diz que o anarcocapitalismo defende indivíduos autistas que não interagem. Ora, é justamente o contrário. Anarcocapitalistas defendem a máxima interação possível entre as pessoas, pois isso estimula o livre mercado e as trocas comerciais. Curiosamente, segundos depois, ele confessa essa nossa característica (de só pensar em relações comerciais) e diz ser esse o pior aspecto da doutrina, sem aparentemente se dar a mais mínima conta da contradição em que estava incorrendo. Ora, como assim uma teoria defende autismo e incomunicabilidade e ao mesmo tempo só pensa em interações econômicas?

    Esse cara ao menos leu algo ou simplesmente saiu da cama (o rosto amassado e a carinha de quem está esperando a mãe trazer Toddynho entregam tudo) e resolveu xingar um pouco no youtube?

    Para coroar tudo, ele diz que o anarcocapitalismo defende que todo mundo deve fazer "o que der na telha", sem sofrer restrições ou consequências. Se há uma característica que é mais exaustivamente repetida pelos anarcocapitalistas é a questão da responsabilidade individual e da não-agressão gratuita a terceiros. O que este sujeito está falando é que defendemos uma sociedade sem leis e sem consequências punitivas, exatamente o contrário do que a teoria cristalinamente prega, a saber, que a propriedade privada é absoluta e que nenhuma agressão à vida e a propriedade são toleradas.

    Não é preciso concordar com a teoria, mas para criticá-la, é necessário ao menos entendê-la.

    E esse cidadão -- que fala sobre responsabilidades, mas que visivelmente não tem a responsabilidade de cuida sequer da própria saúde (vide sua avantajada circunferência) -- sequer foi capaz de ativar suas sinapses para entender algo extremamente básico.

    Depois dessa eu parei (com menos de 5 minutos). Foi muito vômito para uma regurgitada só. Gentileza evitar a poluição do site com conteúdo excrementício. O lugar deste cidadão é num spa (pago pelos pais) e não discutindo teorias das quais ele sequer conhece o mais básico (Ayn Rand era anarcocapitalista? Onde?)
  • Alan Denadary  07/10/2012 08:01
    Olá, Luis Almeida. Tudo bem?

    Por que postei esse vídeo? Primeiro, porque é sempre bom discutirmos o anarcocapitalismo. Trata-se de algo relativamente novo e que muitos desconhecem. São
    pouquíssimos os vídeos que criticam diretamente o anarcocapitalismo. Em geral a crítica é feita ao neoliberalismo ou ao liberalismo clássico. Por isso, essa é uma
    oportunidade interessante de discussão.

    E segundo, porque, apesar de algumas bolas foras, o autor do vídeo levantou alguns pontos importantes, como o caso do suicídio. Entretanto, antes de comentar este e mais outros pontos interessantes, eu irei primeiramente levantar algumas discordâncias de seu comentário.

    O primeiro ponto que discordo é sobre a língua. Eu não acho que tenha sido dito que o anarcocapitalismo pregue o fim do uso da língua comum. Ele apenas citou,
    como introdução ao seu discurso, uma série de valores de uma sociedade, dentre os quais, a existência de uma língua comum. A autoridade política, segundo o autor do vídeo, seria o poder que integra e organiza todos estes valores.

    O segundo ponto é sobre as restrições e consequências. O autor do vídeo critica o anarcocapitalismo por confrontar regras que foram acordadas pela sociedade e que
    dentro dessas regras existem sistemas que possuem a função unicamente de preservá-las. O libertário, seria então, de acordo com seu crítico, um homem que acordou e "deu na telha" desafiar o modelo atual sem se dar conta que a grande maioria da população está de acordo com este modelo e quer preservá-lo.

    Por fim, o autor do vídeo não disse que Ayn Rand era anarcocapitalista, e sim que o anarcocapitalista é fruto de uma idealização de um grupo fanático por usa literatura.
    E de fato a maioria das anarcocapitalistas foram influenciados por ela.

    Esses foram os pontos que discordo de seu texto. Fora isso, estou de acordo com tudo o que disse a respeito do vídeo.

    Agora, gostaria de comentar alguns pontos interessantes.

    Como havia exposto logo acima, uma dúvida que surgiu e que nunca havia lido em alguns anos sobre o assunto é como o anarcocapitalismo lida com a questão do suicídio.

    Sabemos que o corpo é uma propriedade e, segundo a filosofia libertária, o indivíduo possui a liberdade de fazer o que quiser com seu corpo, podendo punir quem o
    impeça disso.

    Sabemos também que as pessoas em todo o mundo que são guiadas por valores morais veem o suicídio como algo impraticável. Um cristão, por exemplo, guiado
    por um dever moral de sua religão, ao impedir alguém de se suicidar pode ser punido por isso? Isso decerto trará inumeráveis problemas de ordem social.
    Seria uma falha do anarcocapitalismo o fato de ele ignorar essas variáveis?

    Outro ponto é sobre a visão economicista criticada no vídeo. O autor diz que o Estado não cumpre um papel meramente econômico e sim um papel organizador e disciplinador da sociedade.

    Numa palestra dada aqui no Brasil, o professor Hoppe expôs seu raciocínio sobre as leis privadas, em que, em vez do Estado, empresas forneceriam serviços de segurança
    e de tribunais de justiça. A minha pergunta é a seguinte: o que aconteceria com o indivíduo que não possui uma seguradora? Este estaria excluído de proteção e ordem
    ao contrário de todos os outros indivíduos que pagam em dia suas seguradoras? Será mesmo que uma sociedade deve ser apenas parcialmente protegida e organizada?

    Por ora termino aqui. Tenho certeza de que surgirão respostas muito boas de meus amigos ancaps. Antes de finalizar meu comentário, quero dizer a todos que não concordo nem discordo de qualquer ciência política, com exceção dessas fábricas de morticínios. Existe uma literatura riquíssima sobre anarcocapitalismo que ainda desconheço.

    E não pretendo tomar partido tão cedo sobre qual ciência política é a correta. Há algum tempo decidi estudar e refletir sobre o assunto para não ficar escrevendo ou
    dizendo abobrinhas que me envergonharão posteriormente. E pelo visto, essa minha reclusão ainda vai demorar um bom tempo.
  • Queiroz  09/06/2014 15:15
    ponto da diferença entre estado e condomínio, levantaria uma dúvida de um cenário hipotético.

    Considerando a cidade como um condomínio, quais seria as consequências?
    1 não seria aceitável a expansão da cidade incorporando novos terrenos,
    salvo por unanimidade de seus proprietários
    2 seu orçamento deveria vir apenas da cobrança do iptu,
    e este dedicado apenas as despesas condominiais da cidade.
    3 seu sindico deveria ser eleito proporcionalmente ao iptu que cada um paga.
    4 sua alçada se resumiria as áreas comuns da cidade:
    coleta de lixo e esgoto,
    parques e jardins.
    combate a incêndios, inundações e desabamentos.
    zoneamento
    (apenas no que tange a altura de construções,
    por afetar diretamente a propriedade alheia)
    manutenção das ruas ¹
    segurança ² (de forma não exclusiva)

    Se olhássemos o caso acima, será que a cidade poderia ser considerada válida de um ponto de vista libertário?
    Reparem que para o exemplo colocado o restante do estado continua como um problema, estou tratando apenas da cidade.
    Gostaria de críticas ao modelo acima, pois ele foi feito meio que no improviso.

    obs:
    ¹ no caso de manutenção de ruas, isso poderia ser feito de forma concorrente a um "detran" eleito a parte e mantido por proprietários de carro diante do direito de circular pelas ruas (claro que o valor desta taxa não poderia ser proporcional ao valor dos veículos)
    ² não tenho tanta certeza quanto a questão da segurança, acho que seu chefe deveria ser eleito a parte (proporcional ao numero de imoveis) e sua estrutura mantida por uma taxa fixa paga por imóvel e não proporcional ao seu valor. essa eleição a parte traria inclusive a vantagem de diminuir o poder do prefeito.
    ³ a parte do que seria um sistema judiciário e sua manutenção não foi incluída na analise acima.




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