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Economia em superaquecimento? Mintam aos outros...

Quem teve a oportunidade de assistir aos telejornais, deparou-se provavelmente com as recentes declarações do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Stauss-Kahn, que tem afirmado a sua preocupação com o risco de haver "bolhas de superaquecimento da economia" dos emergentes, devido ao fato de os investidores levarem mais capitais a esses países.

Notem os leitores como se processa a linguagem dos burocratas de carreira. O que significa um "superaquecimento" da economia? Objetivamente, nada, e por esta mesma razão é que é tomada como um profundo raciocínio por parte da imprensa e da comunidade em geral. É o princípio do rei nu...

Em uma sociedade onde vige um mercado livre, oferta e demanda são os dois lados de uma moeda só. A produção de serviços se dá à medida do atendimento à demanda, e esta, por sua vez, é possibilitada pela progressiva criação de riqueza - ou em outros termos - pela produção de bens e serviços cada vez maior, por mais eficiente e especializada.

Preocupações de burocratas internacionais - mormente o chefe de uma instituição criada por Lord Keynes — somente se justificam em face das intervenções precedentes que o próprio estado protagonizou, seja facilitando o crédito para além do que o mercado permitiria, seja em face das incompetentes áreas que, postas a cargo do estado, nunca acompanham a iniciativa privada: energia elétrica, estradas e ferrovias, portos e aeroportos, comunicações, água e esgoto, e similares.

Qual, pois, o conforto que nos traz o ministro Guido Mantega? Afirma que o superaquecimento está "sob controle", mesmo porque os incentivos oferecidos por conta da crise desencadeada pela bolha imobiliária dos EUA estão sendo retirados. Quem pode entender o que se passa, terá ouvido: "Fiquem despreocupados: até hoje a nossa política energética não disse a que veio; nossas estradas continuarão tão esburacadas quanto sempre foram, e mesmo que os caminhões abarrotados não quebrem as molas no meio do caminho, seguraremos o superaquecimento da economia nas filas dos nossos ineficientes portos públicos. Ahh, e mais - aquela facilitadazinha na vida que havíamos dado, podem esquecer!". Com isto, convocam-nos a comemorar o arrefecimento dos negócios e o empobrecimento relativo da população...


autor

Klauber Cristofen Pires

Bacharel em Ciências Náuticas no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, em Belém, PA. Técnico da Receita Federal com cursos na área de planejamento, gestão pública e de licitações e contratos administrativos. Dedicado ao estudo autodidata da doutrina do liberalismo, especialmente o liberalismo austríaco.


  • Renê Marcel Oechsler  26/06/2010 09:42
    É desanimador para os liberais brasileiros, verificar o quão longe estamos da racionalidade na economia.
    Quantos são os políticos que tem alguma idéia a respeito de economia? E dos pouquíssimos que conhecem, quantos estariam dispostos a diminuir a própria importância a bem do país?
    Sem contar a grande parcela de empresários que apreciam um estado gigantesco.


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