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O manifesto ambiental libertário

Nota: Este artigo é a continuação deste outro


A questão do lixo

Se reciclagem fizesse sentido — economicamente, e não como um sacramento para a adoração de Gaia —, estaríamos sendo pagos para tal.

Quando visto sob a devida perspectiva, os problemas que enfrentamos hoje em relação ao lixo não são piores do que foram no passado.  O lixo sempre foi um problema durante toda a história humana.  A única diferença é que, hoje, temos métodos seguros para lidar com ele — caso os ambientalistas nos permitam.

Dizem, por exemplo, que devemos separar jornais para a reciclagem.  E a ideia de fato parece fazer sentido.  Afinal, jornais velhos (isto é, com mais de meia hora de impressão) podem ser transformados em caixas, folhas de fibra, revestimento de parede e material isolante.  O problema é que o mercado está inundado de papel de jornal, graças também aos programas e às propagandas governamentais.  Um caso clássico ocorreu em Nova Jersey, no início da década de 1990.  Por causa do excesso de oferta, o preço dos jornais usados, que estava em US$ 40 a tonelada, despencou para menos US$ 25 a tonelada.  Ou seja: antes, os empreendedores do lixo estavam dispostos a pagar ($40) por jornal velho.  Depois, eles passaram a cobrar ($25) para levar o entulho.

Se for economicamente eficiente reciclar — e jamais poderemos saber ao certo enquanto o governo estiver envolvido —, então o lixo inevitavelmente terá um preço de mercado.  É apenas por meio de um livre sistema de preços, como Ludwig von Mises demonstrou há 90 anos, que podemos saber ao certo o valor de bens e serviços.

O homem das cavernas tinha problemas com o lixo, e o mesmo problema acometerá nossos descendentes.  E tal ciclo perpetuar-se-á enquanto a civilização humana existir.  E o governo não possui a solução para o problema.  Um sistema estatizado de coleta de lixo é inerentemente ineficiente, como podemos comprovar diariamente.  O lixo pode até ser coletado, mas sua destinação certamente não será a mais "ambientalmente saudável".  Um sistema socialista de coleta de lixo funciona exatamente como a economia da Coréia do Norte. 

Apenas o livre mercado pode solucionar o problema do lixo, e isso significa abolir não apenas o sistema socialista de gerência do lixo, mas também aquele sistema corporativista (fascista) relativamente mais eficiente que várias prefeituras costumam adotar, no qual uma empresa com boas conexões políticas vence a licitação.

A solução é privatizar e desregulamentar tudo, desde a coleta até os aterros sanitários.  Dessa forma, cada um pagará a fatia apropriada dos custos.  Alguns tipos de lixo serão levados mediante uma taxa, outros serão levados de graça e vários outros poderão inclusive ser vendidos para os coletores.  A reciclagem seria baseada no cálculo econômico, e não no decreto governamental.

Coleta e manuseio de lixo é um serviço como qualquer outro.  Se é verdade que todo mundo quer ter seu lixo removido e tratado, então há uma demanda de mercado para tal serviço.  Há dinheiro a ser feito nessa área.  Caso não houvesse tal interesse, não haveria tantos "coletores ilegais" como vemos hoje.  Com efeito, a única coisa que impede a concorrência no mercado do lixo é exatamente o fato de o estado ter tornado tal atividade ilegal.

Se o mercado estivesse no comando, a produção excessiva de lixo não seria vista como um problema — como vê o governo —, mas como uma oportunidade.  Empreendedores estariam se atropelando para satisfazer a demanda por coleta, assim como acontece em todos os outros setores que são controlados pelo mercado. Será que os fabricantes de sapatos vêem um aumento na demanda por calçados como um problema?  As redes de fast food vêem os glutões como uma terrível ameaça?  Pelo contrário, esses são encarados como oportunidades de lucros.  Da mesmo forma, é muito provável até que o sistema de coleta fosse feito da maneira mais confortável possível para nós, os clientes.

A escolha é sempre a mesma: ou se coloca os consumidores no comando, dando espaço para a propriedade privada e para o livre sistema de preços, ou cria-se um fiasco por meio da gerência governamental.  Sob esse sistema de livre concorrência, até eu vou começar a separar meu lixo.

Aquecimento global

No dia 22 de abril de 1970, celebrou-se o primeiro Dia da Terra, evento criado pelo burocrata Gaylord Nelson, senador do estado de Wisconsin.  Na época, os ambientalistas estavam alarmados com um iminente resfriamento global.  O mundo viveria uma nova era do gelo caso os governos não tomassem providências imediatas. 

Recentemente, utilizando praticamente a mesma mensuração, o alerta era sobre a inevitabilidade do aquecimento global.  Como as tendências futuras revelaram-se muito incertas, optou-se então por chamar o "fenômeno" de 'mudanças climáticas' (primavera para verão?), só pra garantir.  Com essa nomenclatura, obviamente, a chance de qualquer previsão dar errado é nula.

Esses são os mesmos climatologistas que não sabem dizer se vai chover na próxima sexta-feira, mas que, por algum motivo, estão certos de que a temperatura da terra estará, em 2031, x graus Celsius mais quente do que hoje.  Níveis crescentes de dióxido de carbono na atmosfera irão derreter as calotas polares e as áreas costais serão inundadas. 

A solução proposta para conter a mudança climática é, surpresa!, mais gastos e controles governamentais, e um menor padrão de vida para todos.

Entretanto, como já foi inúmeras vezes relatado, não há qualquer evidência de que as mudanças climáticas (outono para inverno?) sejam causadas pelo homem.  E há evidências abundantes de que elas ocorrem ciclicamente, sendo que a hipótese de que o mundo era mais quente na idade média do que é hoje não foi descartada nem por cientistas aquecimentistas.

O fato de não estar havendo aquecimento global tem seu lado triste.  Muitos cientistas concordam que o efeito seria positivo: prolongaria o período de cultivo, tornaria a terra mais habitável e adiaria qualquer futura era glacial.

Animais em extinção

Desde um simples caracol até as plantas parasitas, absolutamente todas as espécies de animais e plantas existentes devem ser mantidas em existência pelo governo — alegam os ambientalistas —, mesmo que direitos humanos e de propriedade sejam violados.  Mas por quê?

Se considerarmos todas as espécies que existiram desde a "criação", a maioria delas, dos trilobitas aos dinossauros, está hoje completamente extinta.  Um processo absolutamente normal.  Por que não permitir que isso continue?

Se, para propósitos científicos ou de entretenimento, algumas pessoas quiserem preservar essa ou aquela espécie em sua própria terra e às suas próprias expensas, ótimo.  Zoológicos e universidades já fazem isso.  Mas o resto da população não deveria ser tributada e regulada, e ter seus direitos de propriedade exterminados, apenas para que todas as ervas e percevejos sejam salvos.  O único impacto ambiental que importa é aquele que ocorre sobre humanos.

A economia do ambientalismo

Uma vez rejeitadas as utopias, e entendido que, por exemplo, 10 milhões de pessoas que vivem numa cidade grande não podem exigir que o ar seja igual ao de uma aldeia de 50 pessoas, podemos então finalmente nos dedicar a resolver os verdadeiros problemas ambientais, utilizando para tal o único mecanismo realmente possível: propriedade privada e sistema de preços.

Quando o sistema de preços funciona livremente, ele garante que oferta e demanda estejam quase sempre em equilíbrio, garantindo que os recursos sejam alocados para seus fins mais produtivos.  Já quando o governo intervém no sistema de preços, ele garante desperdícios, dificulta o empreendimento e empobrece as pessoas.

Se o café — por quaisquer razões — se tornar mais escasso, seu preço subirá, alertando aos consumidores para que bebam menos.  Se mais café entrar no mercado, os preços cairão, avisando aos consumidores que eles podem beber mais.  Preços, portanto, constituem um sistema de preservação de recursos.

Mas os ambientalistas se imaginam capazes — como os planejadores centrais soviéticos — de saber o valor econômico de tudo, sem que para isso tenham de recorrer ao sistema de preços.  Eles sempre alegam que tudo está "acabando", e que, portanto, é necessário que o governo intervenha com vigor e controle o consumo.  Porém, se de fato estivéssemos ficando sem petróleo, por exemplo, seu preço iria disparar, alertando os consumidores para que utilizem menos o mineral, e avisando os empreendedores para que encontrem substitutos.  Quando a oferta de petróleo ficou ameaçada após o início da Guerra do Golfo, foi exatamente isso o que aconteceu.

Tampouco as voluntárias restrições ambientalistas funcionam como o planejado.  Os ambientalistas estão sempre nos dando ordens para que sejamos mais pobres e utilizemos menos água, menos gasolina, menos papel higiênico, etc.  Porém, se eles reduzirem o próprio consumo, isso já diminuiria os preços para o resto dos seres humanos, que consequentemente passariam a poder utilizar mais desses bens.  Os ambientalistas realmente comprometidos com a causa já fazem isso (P.S.: não conte esse segredo econômico para eles; essa abstenção voluntária é o único favor que eles fazem para toda a humanidade).

É quando algo não tem dono, ou seja, quando é de posse de todos, gerido comunalmente — como ar e água —, que vemos todos os efeitos maléficos do socialismo.  As pessoas abusam dos recursos "gratuitos" exatamente porque elas não têm de arcar diretamente com o preço desses recursos.

Para resolver esse problema, qualquer um que for pessoalmente prejudicado, ou ter seus negócios arruinados, pela poluição do ar, por exemplo, deveria ter o direito e o poder de processar o agressor para que ele pare com essa poluição, de modo que o prejudicado seja recompensado pelos estragos sofridos.  Mas desde o século XIX o governo intervém nesse direito consuetudinário, sempre visando ao favorecimento daqueles grupos de interesse mais poderosos, impossibilitando, por exemplo, um fazendeiro de processar uma ferrovia cuja emissão de fagulhas queimou e destruiu seu pomar.

O governo também nacionalizou as orlas e todos os cursos d'água especificamente para facilitar as coisas para os poderosos grupos de interesse industriais.

Se, como ocorre em vários cursos d'água na Inglaterra e em outros países, as pessoas tivessem direitos de propriedade sobre rios que cortam sua propriedade, elas poderiam impedir a poluição destes cursos d'água assim como elas impedem qualquer lixo de ser despejado em suas portas.  E se os pescadores e proprietários de terra tivessem direitos de propriedade sobre a região costeira e as águas adjacentes, eles poderiam impedir a poluição destas e determinar adequadamente os direitos de pesca.  Da mesma forma, petrolíferas que vazassem petróleo no litoral seriam devidamente penalizadas.

A questão das águas, portanto, é fácil de visualizar.  Mas como ficaria a questão do ar?  Há várias maneiras.

Primeiro, qualquer um teria todo o direito de modificar o ar sobre sua propriedade como quisesse, desde que essa poluição não se espalhasse para o ar alheio.  Entretanto, isso seria uma impossibilidade por causa do fluxo de ar.  Logo, teria de haver uma maneira de impedir que essas emissões chegassem ao ar alheio.  E isso é problema para engenheiros.  É lógico que o mercado criaria o aparato específico: pode-se, por exemplo, coletar as emissões em grandes recipientes ou simplesmente criar maneiras de converter as emissões em vapor d'água, o que aliviaria o problema.  Haveria sem dúvida alguma maneira de impedir o agravamento da poluição.  E sabemos que, se houver demanda, propriedade privada e busca pelo lucro, haverá solução.  E o fato é que as emissões seriam significativamente reduzidas em um livre mercado, onde os indivíduos que emitem poluentes estariam sujeitos a uma ação judicial.  A solução de livre mercado é baseada no cálculo racional; a solução estatal é baseada na permissão da poluição para aqueles com boas conexões políticas.

A histeria constante na África em relação às presas de elefante é outro exemplo de falta de propriedade privada.  Se as pessoas pudessem criar elefantes e vender suas presas — como o próprio governo do Zimbábue fez no final de década de 1970, o que gerou um aumento estrondoso do número de elefantes —, a quantia de presas de elefante que haveria seria igual à demanda por elas.  Não haveria preocupações quanto a uma possível escassez desse item, assim como não há escassez de carne de boi, frango ou porco. 

O mesmo princípio é válido para todos os outros recursos.  Se não houver propriedade sobre um bem, certamente haverá abusos e malversações.  Porém, se colocado sob propriedade privada, haverá exatamente a quantia necessária: a oferta suprirá a demanda.

Um exemplo de conservação via mercado foi o da empresa Cayman Turtle Farm (um viveiro comercial de tartarugas) nas Ilhas Britânicas do Caribe.  A tartaruga-verde foi considerada em risco de extinção graças à propriedade comunal, que estimulou um excesso de capturas que não levava em conta suas capacidades reprodutoras.  O viveiro privado foi capaz de incubar os ovos e fazer com que os filhotes crescessem e virassem adultos a uma taxa bem maior do que a que ocorria na natureza.  O estoque de tartarugas-verdes, até então em risco de extinção, cresceu para 80.000.

Porém, os ambientalistas odiavam a Cayman Turtle Farm, já que, na visão deles, é algo moralmente condenável obter lucros com animais selvagens.  A empresa foi forçada a fechar as portas, e a tartaruga-verde voltou a ser uma espécie ameaçada — mas sendo muito amada pelos ambientalistas.

Os verdes — como todos progressistas — justificam a intervenção governamental com base naquilo que os economistas chamam de "bens públicos" e "externalidades".

Um "bem público" supostamente é aquilo que todos nós queremos, mas nunca teremos, a menos que o governo nos forneça.  Os ambientalistas alegam que todos querem parques e reservas ecológicas nacionais, mas o mercado não tem interesse em fornecê-los.  Portanto, o governo tem de entrar em cena e suprir e demanda.  Mas como podemos saber, independentemente do mercado, se todos querem parques caros?  Como é possível saber quantos parques todos querem?  E de quais tipos?

(O Instituto Inhotim, em Minas Gerais, é um ótimo exemplo de reserva ambiental privada que atende a demanda dos consumidores por esse "bem público")

Poderíamos até fazer inúmeras pesquisas, mas isso não nos diria nada sobre a intensidade da demanda econômica.  Mais importante: não basta saber que as pessoas querem diamantes, por exemplo.  Tal demanda somente terá algum significado econômico se essas pessoas estiverem dispostas a dar algo em troca para obter esses diamantes.

Incrivelmente, os economistas progressistas e social-democratas nunca desenvolveram um modo de identificar o que realmente são bens públicos.  Consequentemente — e como eles são cientistas objetivos — eles sempre recorrem à intuição.  O exemplo favorito de Paul Samuelson para um bem público era o das torres de farol, até que Ronald Coase demonstrou que empreendedores privados proveram torres de farol durante séculos.

Se compreendermos que somente o mercado pode nos dar informações econômicas, o suposto problema dos bens públicos desaparece.  Na ausência de subsídios e proibições governamentais, ou na falta de concorrência de parques "gratuitos", o mercado irá garantir que tenhamos exatamente o número de parques que as pessoas querem, e pelos quais estão dispostas a pagar.  (Ademais, se os parques nacionais forem vendidos, a dívida pública poderá ser abatida.)

Já uma "externalidade" é um efeito colateral.  O belo jardim do seu vizinho é uma externalidade positiva; o cachorro dele latindo é uma externalidade negativa; o primeiro é uma benção, o último é irritante.  Mas você não comprou voluntariamente nenhuma das duas.

Voltando ao início, os ambientalistas dizem que o lixo é uma externalidade negativa do consumismo.  Logo, eles advogam mais regulamentação e burocracia para resolver o problema.  Entretanto, o livre mercado soluciona tal problema de modo muito mais justo e eficiente por meio dos direitos de propriedade.  Desestatize tudo e as externalidades serão "internalizadas".  Ou seja, os custos ficarão exatamente com aqueles que têm de pagar por eles.

Porém, para os ambientalistas, a prosperidade humana é, em si, uma externalidade negativa.

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Leia também:

Se você gosta da natureza, privatize-a

A privatização dos rios


2 votos

autor

Lew Rockwell
é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.



  • Mauro Ricardo  05/05/2010 11:04
    Ainda melhor que o primeiro artigo! O pessoal que ficou na gritaria ontem, exigindo propostas, deveria ao menos ter tido a finesse de esperar essa continuação, que responde as perguntas exigidas. Parabéns ao pessoal do IMB pela paciência.
  • Filipe  05/05/2010 11:49
    Tem uma empresa de coleta de lixo hospitalar aqui em recife(PE) que está cada vez mais faturando, vale lembrar que é, ainda, um monopolio!
  • Rose Nunes  13/08/2010 19:58
    Adoraria saber quem são esses 'nazi-ativistas ambientais' que ele conhece...para mandá-los fazer terraformação em Marte eu mesma.Gostei muito do final do artigo ( embora pessoalmente ache que o autor tem algum 'problema' com os tais ambientalistas. Freud teria muito o que fazer com ele). Ah, não conte a ele, mas nós (os ambientalistas não nazistas) já discutimos e implementamos iniciativas assim há décadas.Uma olhada em Transition Towns, por exemplo, não seria nada mal.Parabéns, citarei o artigo na íntegra no site de TT e no meu blog.
  • Paulo Sergio  21/01/2012 03:40
    'Freud teria muito o que fazer com ele'

    A única coisa que alguém tem pra fazer com o Sickman Freud é pegar o lixo que ele escreveu (que não é psicologia, não é ciência, não é nada, é só literatura e ruim) e mandar reciclar.
  • Carlos  02/06/2011 02:05
    Muito bom artigo.

    Me lembro de um professor babaca de matemática que ao envés de nos ensinar cálculo, ficou o ano inteiro tentando nos empurrar um "projeto do lixo", que falava sobre o consumo dos países em geral, em salvar o meio ambiente, e toda essa babozeira.

    Porém o mesmo usava para seu transporte individual um S-10 cabine dupla a diesel, que poluía pra caramba. Sempre perguntei porque ele não ia de bicicleta, e o mesmo manda eu cuidar da minha vida.

    Ambientalistas são uma nova forma de comunistas. "faça o que digo, mas não faça o que eu faço!"
  • Myrian Elizabeth Dauer  07/06/2011 12:01
    Excelente artigo! Foi mesmo no alvo! Estou absolutamente cheia dessa conversa mole de sustentabilidade, meio ambiente, veganismo e que tais.
    As pessoas simplesmente não sabem fazer o que acham certo e deixar aos outros que ajam de acordo com sua própria consciência.
    Julgam-se certos e todos os outros errados e querem obrigar O MUNDO TODO a fazer o ELES ACHAM que está certo! Absolutamente INSUPORTÁVEL!
    Ainda que eu não acreditasse em Deus (e eu acredito) tenho certeza que, pelos bilhões de anos que a terra existe, sabe perfeitamente cuidar de si, sobreviveu e inimagináveis catástrofes e está aí, firme e forte e provavelmente estará aqui, quando a humanidade não mais existir.
    Parodiando minha mãe: vão plantar batatas ou pentear macaco.
    PS- Tomei a liberdade de reproduzir este artigo no meu tumblr, citanto a fonte.
  • Jerry  20/01/2012 21:06
    Pergunta: se os pandas fossem ser extintos (e isso parece ser uma realidade), o governo não "deveria/poderia" fazer nada? Quando ouço um ecologista falando em extinção, nunca é de extinção de carrapatos, mas sim de focas, baleias, ursos, etc. Ironizar os ambientalistas por esse caminho é fácil e completamente infantil. Vocês deviam levar um pouco mais a sério a crítica. Não é porque ambientalistas fanáticos falam bobagem que esse site também deveria. Me mostre um único protesto contra a extinção dos carrapatos (tem algum?). Eu mesmo apoio o pensamento libertário por razões de propriedade e economia, mas jamais por declarações como esta. E afinal, o que faríamos sobre a extinção de leões, pandas, etc? Dizer "o ser humano está acima de tudo, então morram todas as outras espécies"? Porque quando eu falo de economia, consigo provar para qualquer pessoa que o governo só atrapalha, mas falando assim duvido conseguir convencer uma só pessoa a apoiar a causa. Grato.
  • Leandro  20/01/2012 22:23
    Jerry, estima-se que, desde que o mundo é mundo, 99% das espécies que aqui viveram já foram extintas. Milhões de espécies já entraram e continuam entrando em extinção, e o eixo da terra não se deslocou e nem o sistema solar acabou. Pode até ser que a extinção do Panda seja justamente a extinção que esteja faltando para provocar toda essa catástrofe, mas eu não apostaria muito nisso...

    No mais, parodiando um famoso humorista:

    "O planeta já passou por tantas coisas ruins: já passou por terremotos, vulcões, placas tectônicas, movimento de continentes, raios solares, manchas solares, tempestades magnéticas, inversão magnética dos pólos, centenas de milhares de anos bombardeado por cometas, asteróides e meteoros, enchentes globais, maremotos, incêndios globais, erosão, raios cósmicos, eras glaciais recorrentes... e alguns bobalhões acham que alguns pandas a menos vão fazer diferença?!"


    É realmente de uma arrogância incalculável o ser humano, insignificante, achar que tem o poder de alterar a natureza do planeta. Tal ideia deve advir desse atual paganismo moderno de o homem se achar o centro do universo e o substituto de Deus.

    Abração!
  • Livia  21/03/2012 12:37
    É muito mais fácil e "descolado" pensar assim, Leandro, por que desse jeito você simplesmente se priva de qualquer responsabilidade que tenha sobre qualquer atividade destrutiva, que de certa forma, o ser humano não teria necessidade de realizar se não fosse "de uma arrogância incalculável", como você abordou tentando virar o jogo.

    ps: pessoas extremistas não vão a lugar nenhum, nem os "ambientalistas bobões" como vocês dizem, nem os "eu sou rebelde, quero ir contra tudo o que os outros estão pensando".
  • Leandro  21/03/2012 13:06
    A metade final da primeira frase não faz sentido algum, ao passo que a primeira está em contradição com o que defendemos. Atividades destrutivas devem ser plenamente imputadas aos destruidores. Exatamente por isso é que tem de haver propriedade privada sobre os recursos naturais. Sem propriedade privada é impossível imputar responsabilidades. Sem propriedade privada, qualquer um pode fazer o que quiser sem ser responsabilizado e penalizado.

    Ou seja, sou mais exigente do que você na defesa da natureza.

    Abraços!
  • Vinicius  21/11/2012 07:50
    Sinceramente, esse é o tipo de artigo que me faz ter vergonha de reproduzir textos, muitas vezes sensatos, sobre economia que são publicados nesse site. As pessoas parecem estar sempre buscando uma "panacéia", uma cura única para todos os problemas. Aí, descobrem que o livre mercado oferece boas soluções para a economia e "pimba", começam a defender que liberdade econômica e propriedade privada é a solução para absolutamente todos os problemas, desde meio ambiente até coração partido.
    Vou propor um exemplo para os que defendem o que está escrito no texto acima. Imaginemos uma sociedade sem Estado, sem regulamentação, com plena liberdade e propriedade. Eu, com o meu $$, vou lá e compro um grande terreno em uma área densamente populosa (digamos, no bairro de Moema, em SP) e lá construo meu lixão. Coleto lixo da cidade, cobro taxa dos usuários, e fico com meu lucro. Evidente que, para manter os preços baixos, eu não faço tratamento nenhum do lixo. Isso encareceria o serviço. Jogo lá e pronto. Os vizinhos, evidentemente, ficarão revoltados com o mau cheiro, os ratos, as baratas, as moscas e todos os "presentes" que só um lixão pode proporcionar.
    E aí, o que fazer? Segundo o texto, é só "processar" o dono do lixão e pronto, pedir reparação pelo dano sofrido. Ocorre que um princípio básico do direito é que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão por força de lei. Assim, para que alguém possa ser processado, é necessário que ele tenha quebrado alguma regra, infringido alguma lei, ou, em português mais claro, desrespeitado a regulamentação. Em um mundo totalmente desregulamentado, você não pode processar ninguém, porque ninguém está violando lei nenhuma.
    No nosso exemplo, dono do lixão não está fazendo nada fora da lei. Lembre-se: essa sociedade não tem regulação estatal! Então, não tem lei nenhuma proibindo o dono do lixão de causar mau cheiro, ou de proliferar baratas e ratos, ou de fazer coisa alguma. Não há regulamentação, lembram?
    Nesse ponto é possível ver a total incoerência do texto. O autor diz que não deve haver regulação nenhuma: "A solução é privatizar e desregulamentar tudo, desde a coleta até os aterros sanitários". Mas logo em seguida ele diz que os prejudicados deveriam processar o poluidor: "qualquer um que for pessoalmente prejudicado, ou ter seus negócios arruinados, pela poluição do ar, por exemplo, deveria ter o direito e o poder de processar o agressor para que ele pare com essa poluição, de modo que o prejudicado seja recompensado pelos estragos sofridos". A contradição é evidente! Se não existe regulação nenhuma, isso quer dizer que não existe lei nenhuma dizendo o que se pode e o que não se pode fazer. E, se não há lei proibindo, o poluidor não pode ser processado por ninguém.
    Dando um exemplo com o "mundo real": se eu saio com o meu carro hoje, e alguém me processa por estar queimando gasolina e poluindo o ar, eu posso dizer: "não devo nada a você porque, apesar de estar sim poluindo o ar, eu não estou fazendo nada ILEGAL". Agora, se eu construir um lixão em Moema, posso sim ser processado e pagar indenização, porque há lei que proíbe que eu faça isso.
    O que eu quero deixar claro é que, para ser possível qualquer processo, qualquer reparação, é necessário que haja antes a regulação. O direito de pedir reparação pressupõe o desrespeito de uma regra. Você não pode processar alguém que não infringiu lei nenhuma.
    E, para quem quer ver o efeito que o exagero de liberdade ("desregulamentar tudo!") pode causar no meio ambiente e na saúde, sugiro que assistam o documentário Cidades Sujas (Filthy Cities), da BBC, sobre NY industrial. Principalmente na parte da fabricação de salsichas. A solução, por mais estranha que possa parecer, foi mais regulação estatal e menos liberdade.
    T+
  • Luis Almeida  21/11/2012 08:00
    "Eu, com o meu $$, vou lá e compro um grande terreno em uma área densamente populosa (digamos, no bairro de Moema, em SP) e lá construo meu lixão."

    Já falou besteira, o que desqualifica todo o resto do seu texto. Se, de acordo com suas próprias premissas, há plena liberdade e propriedade, então os moradores deste bairro, que ali estavam antes de você e são os donos legítimos do local (lembre-se, um bairro é propriedade de seus moradores), poderão proibi-lo de despejar lixo ali. O bairro é propriedade privada deles e você não pode simplesmente sair jogando lixo ali.

    Não sei se você notou, mas essa sociedade seria ainda mais rígida com a qualidade ambiental, pois tudo tem dono.

    Você é apenas mais um triste exemplo da "Lei de Almeida": sempre que um sujeito vem cheio de si, afetando arrogância e jurando ter "descoberto" uma falha no pensamento libertário, as chances são de 100% de que ele não tenha entendido sequer o mais básico da teoria.

    É perfeitamente válido discordar das ideias; o que não é defensável é mentir a respeito delas.

    Continue tentando.
  • Tory  21/11/2012 08:59
    Sem contar, Luis, que o cara precisaria de bem mais do que dois cifrões para comprar um terreno para lixão em uma área como Moema. Dá uns 8000 por metro quadrado. Com tamanha incapacidade para investir bem o dinheiro um sujeito precisa de muita regulação estatal mesmo para não morrer de inanição.

    Vinicius, vou inverter seu argumento: numa sociedade com economia livre não tem o menor sentido esse seu cenário. Agora, no Brasil, dependendo dos acertos entre empreiteiras, governantes e eleitores, você repentinamente virar vizinho de um lixão, ou uma favela, é perfeitamente possível. Com todos os marcos regulatórios que você quiser atirar em nossa direção.
  • Erick V.  21/11/2012 10:43
    Mais uma: não esqueça que nesse mundo que você criou seria impossível cobrar uma "taxa dos usuários" do seu lixão. "Taxa" é, por definição, uma noção intrinsicamente ligada à coerção estatal. A Moema Resíduos Sólidos S.A. teria que ir atrás de consumidores voluntários, cobrando "preços" e não "taxas".

    E ninguém minimamente sensato torraria seu dinheiro voluntariamente pagando um lixão fedorento no centro de uma grande cidade. Logo, um empreendimento desses seria falência na certa.
  • Vinicius  21/11/2012 11:42
    Errado, taxa não é coercitivo, impostos e contribuições é que são. Você só paga taxa se usar o serviço, e usa se quiser. Mas sim, aqui o temo mais adequado seria mesmo preço, porque o serviço não seria mais público. Mas sinceramente, esse não é o ponto central do meu argumento, que eu já reforcei em outro post (aguardando moderação...). Pode trocar "taxa" por "preço" no meu post que continua tudo igual.
    Um empreendimento desse faliria na certa? Por que? Se eu tivesse preço baixo e bom serviço (exceto para o povo de Moema, obv), não vejo porque falir. O fato de estar no meio da cidade me daria uma vantagem sobre os concorrentes, por causa do menor custo com transporte. Mas isso não vem ao caso. A pergunta é: e se não falir? E se demorar um década para falir (tem um monte de empresa com prejuízo que dura muito mais que isso)? O pessoal do bairro vai ter que conviver com a sujeira do meu (repito, meu, porque eu comprei) terreno? Ou teríamos que regular a atividade, proibindo lixões em áreas densamente povoadas?
  • Rodrigo D.  05/03/2013 12:44
    Taxa é voluntária? Onde, no papel?

    Vejamos, taxa de licencimento de veículo, taxa de alvará, taxa de limpeza urbana (sou obrigado a pagar, mesmo que eu não suje nada e recolha meu proprio lixo.) na verdade, gostaria de ver uma taxa pública que eu não seja obrigado a pagar.
  • Vinicius  21/11/2012 11:07
    " Se, de acordo com suas próprias premissas, há plena liberdade e propriedade, então os moradores deste bairro, que ali estavam antes de você e são os donos legítimos do local"
    Sim, são os donos do local, até que eu compre o terreno, certo? Ou será que na sua visão o direito de propriedade não inclui o direito de poder dispor de seu patrimônio?
    Então, eu vou lá com o meu $$ (pode ser um bilhão Tory, a cifra não importa, desde que eu tenha o suficiente para pagar) e compro um quarteirão inteiro. Os legítimos donos, no exercício de seu direito de propriedade, venderam para mim e foram embora. Os demais moradores do bairro são donos do resto do bairro (todos os outros quarteirões), mas não do meu quarteirão, Luiz Almeida, onde eu desejo construir meu lixão.

    Ninguém sequer tocou no ponto mais delicado (e certamente mais polêmico): você não pode proibir alguém de fazer alguma coisa sem regulação (lei, decreto, chame como quiser). E, se não há proibição, não se pode processar ninguém por eventuais danos. Se eu montei o lixão no meu terreno, que é de minha propriedade (já que eu adquiri), e não tem lei nenhuma que me proíba de fazer o lixão ali (a menos que o libertário reconheça que precisa ter uma regulamentação dizendo onde e como podem ser construídos lixões, caso em que eu concordarei), eu não posso ser processado por ninguém, já que não terei desrespeitado qualquer lei. Esse é o ponto. Não dá para falar em processar alguém que fez algo que não é proibido. Para poder responsabilizar pelos danos, tem que proibir (regulamentar) antes.

    Luis, vc disse que os moradores poderão "me proibir" de jogar lixo ali. Mas aí eu te pergunto, se não há lei proibindo, que direito os donos dos outros terrenos ao redor têm de dizer o que eu posso e o que eu não posso fazer com o meu próprio terreno? Por acaso vc está dizendo que os vizinhos, mesmo sem serem proprietários do meu terreno, têm o direito de limitar a minha propriedade, em benefício do restante do bairro? Se sim, vc acaba de reconhecer a necessidade de regulamentação (ideia com a qual concordo). Caso contrário, como é que eles vão me proibir de fazer o que eu quero na minha propriedade?

    A inciativa privada é o motor do crescimento econômico, mas não é a solução milagrosa para todos os problemas da sociedade. Discordo totalmente do texto.

    OBS: deixo registrado meu agradecimento à moderação, que diferente de sites "socialistas", autoriza a manifestação de ideias contrárias, como meus comentários que foram publicados. É da dialética que se cria o conhecimento.
  • Luis Almeida  21/11/2012 12:45
    Prezado Vinicius, você cria um cenário e acha ruim que apontemos os defeitos dele.

    Ora, neste seu exemplo, um sujeito compra vários quarteirões que estavam completamente vazios (sim, porque você não mencionou nada de demolição em massa) e você acha que ninguém do bairro (repito: os donos do bairro), justamente pensando no pior, irá exigir uma cláusula contratual se prevenindo deste tipo de coisa? Essas pessoas são as donas do bairro; têm toda a liberdade de barrar qualquer forasteiro que queira fazer coisas ali. (Pela sua lógica, Alphaville e todos os outros condomínios privados Brasil a afora devem ser um lixão atrás do outro...) Você acha que as pessoas são burras, incapazes e não sabem se cuidar, e só você é o esperto e visionário. Você e os burocratas estatais, é claro.

    Mais um pra coleção da argumentação extrema dos que querem provar que o anarcocapitalismo não funciona e acabam tendo de recorrer a exemplos como 'um exército de marcianos resolve atacar a terra' ou 'um enxame de meteoros é descoberto vindo em nossa direção'. Quem poderá nos defender?


    P.S.: você ignorou completamente o que Tony falou sobre isso acontecer a rodo justamente no cenário estatista atual.
  • Vinicius  21/11/2012 14:19
    De maneira alguma, prezado. Pode colocar todos os defeitos que vc quiser no meu cenário que eu não fico nem um pouco ofendido. Gostaria apenas de defendê-lo, mostrando que ele é sim pertinente e correto.

    Primeiro, vamos esclarecer essa coisa de "donos do bairro". Até onde eu saiba, seu pensamento anarcocapitalista não vai admitir a propriedade coletiva do bairro certo? Isso seria comunismo, e não capitalismo. Então, não existem donos do bairro, existem donos do terreno que compõem o bairro, correto? Como é hoje. Eu sou proprietário da minha casa, mas não da minha rua ou do meu bairro. Sendo assim, só temos duas opções: ou admitimos que a propriedade privada é plena e não sofre qualquer restrição (absurdo, na minha opinião), e que portanto eu posso fazer o que quiser com os terrenos que comprei dos antigos donos do quarteirão (que receberam uma bolada e foram embora), inclusive um lixão que perturbará toda a vizinhança, ou teremos que admitir que os vizinhos, embora não sejam proprietários do terreno, possuem um direito coletivo, que se sobrepõe ao meu direito de propriedade, e limita o que eu posso e o que eu não posso fazer com o terreno, embora eu tenha pago por ele (pensamento absolutamente correto, na minha opinião).

    Segunda coisa: Cláusula contratual? Em que contrato? Eu não firmei contrato nenhum com os vizinhos que estão se sentindo incomodados com o "Lixão Moema SA", eu firmei apenas um contrato de compra e venda com os antigos proprietários do terreno (sim, pode ser vazio, pode ser construído com posterior demolição, tanto faz). Em que contrato os antigos moradores colocariam essa cláusula me proibindo de construir meu lixão? Ou você está falando de um "contrato geral" do bairro, que pudesse ser imposto tanto aos atuais moradores quanto aos novos? Algo com força... de lei?

    Mas a verdadeira questão aqui é essa: se houvesse um "coletivo" (câmara dos vereadores) no bairro, que editasse "normas contratuais gerais" (leis), que impedissem alguém de fazer um lixão por ali (regulamentação da atividade)... o que teríamos? Regulação, oras! O bairro de Moema seria uma pequena cidade com leis próprias (que vc chama de normas contratuais). O que eu quero mostrar é que é impossível abandonar a regulamentação. A mão invisível do mercado não resolve todos os problemas! Tanto que vc mesmo, já no segundo post, quer "regular" minha atividade de lixeiro, por meio de "normas contratuais" (nada mais que leis) do bairro.

    Minha argumentação não é nada extrema, não são "meteoros caindo" nem "dinossauros andando sobre a Terra". É só uma pessoa hipotética com dinheiro querendo fazer um negócio com externalidades ambientais negativas em local impróprio. E o que eu perguntei aqui, e ninguém ainda me respondeu, é: como evitar isso sem regulamentação? Como impedir o Lixão de ser construído em Moema, prejudicando todos os demais moradores? Criando uma "norma" para me proibir de fazer isso? Mas isso nada mais é que Lei, que regulação, essa que os ancap dizem odiar.

    Você escreveu: "Essas pessoas são as donas do bairro; têm toda a liberdade de barrar qualquer forasteiro que queira fazer coisas ali". Troque "pessoas" por "cidadãos" e "bairro" por "cidade". Qual a diferença? É sempre a mesma coisa: o coletivo fazendo normas que devem ser obedecidas pelos indivíduos! É a necessária e salutar regulação estatal!

    Ao invés de ficar focado na minha pessoa, acho que vc deveria focar no problema proposto: como, em uma sociedade sem regulação, em que a propriedade privada não encontra limites, impedir que um lixão seja construído em uma área densamente povoada. Problema simples, sem nada de "extremismo". Você vai ver que sua solução vai ser muito parecida (senão idêntica) com algo que já temos hoje: leis!

    OBS: Não ignorei o que o Tony falou, só achei que o post já tinha ido longe demais, e que poderia retirara o foco da minha pergunta (está aí em cima no último paragrafo, não esqueça de responder, por favor!). Mas, já que perguntou, digo que a argumentação do Tony não se sustenta para o fim que ele pretende. Demonstrar que, na atualidade, o Estado não faz seu trabalho (e não faz mesmo) não prova que a ausência de Estado é melhor. Prova apenas que o Estado não vem fazendo (no BR, deixemos claro) o seu papel, e não que esse mesmo papel é dispensável.

    Reafirmo minha posição: iniciativa privada e livre mercado não são suficientes para solucionar todos os problemas da sociedade , incluindo problemas ambientais. O Estado é necessário, até mesmo Mises admitia isso. Somente o excesso de intervenção é prejudicial. Seu pensamento anarcocapitalista, com todo respeito, contém contradições insustentáveis e não resiste à análise de casos simples, como essa do lixão. Sugiro que repense sua posição e mude de ideologia. Inspire-se em Pascal, que disse "não me envergonho de mudar de ideia, porque não me envergonho de pensar".
    T+
  • Antonio Galdiano  12/03/2013 13:56
    Vinicius, a questão aqui não é a ausência de controles e regulações, mas sim a quem cabe os controles e regulações.
    Quando se assina um contrato, isso é um compromisso que as partes tem direitos e deveres. Na aquisição de uma propriedade, basta que você restrinja o uso da propriedade aos limites estabelecidos no contrato. Imagine que um determinado bairro fosse originariamente uma fazenda, e o proprietário o loteie e comece a vender terrenos. Ele tem o direito de estabelecer as regras do local bem como uma forma de resolver litígios não previstos no contrato. O contrato também pode estabelecer os meios de custeamento do enforcement às regras estabelecendo clásulas para isso. Imagine cortes privadas, cada uma estabelecendo um conjuntos de princípios, e que o proprietário, ao lotear, decidirá quais os princípios que devem viger caso ocorra algo não previsto diretamente nas cláusulas do contrato. Haveria também a figura de uma espécie de síndico que seria o gestor dos recursos e decidiria primariamente se o caso cabe julgamento ou se as regras do contrato já propõe solução para eventuais pendências.
    Assim, o contrato estabeleceria qual a corte que faria o julgamente, a forma de custeio do enforcement ao cumprimento do contrato e o gestor que definiria a legitimidade das partes.

    Mas, e se esse arranjo não der certo?
    As pessoas serão livres para aceitar qualquer arranjo. Esses arranjos estariam em evolução por tentativa e erro. Essa forma levaria ao surgimento de formas organizacionais livres e espontâneas (sem a intervenção de qualquer força ou ameaça de força), e esse processo estabeleceria, portanto, uma ordem espontânea. Lembre-se que o custo da liberdade é a responsabilidade individual.


    Ainda que você não concorde com esse tipo de solução, tenha um pouco de boa vontade e humildade para aprender e deixar as pessoas aprenderem a resolver seus problemas com responsabilidade individual, com erros sim, mas com aprendizado de como gerenciar as próprias vidas. Assim como ninguém deveria te forçar a comprar ou deixar de comprar um produto, ninguém deveria te forçar a respeitar um contrato que você não concordou. Toda vez que você se deparar com um grande "dilema" como esse, pense como um desafio intelectual, como se sua liberdade e honra dependesse disso. Você pode não ter todas as respostas, e nem precisa ter, basta copiar as melhores, mas nunca imponha sua solução aos outros com base em uso de força ou ameaça disso.
  • Marcus Benites  21/11/2012 13:45
    Quem disse que não há leis em uma sociedade sem estado? A lei é exatamente esta: faço o que quiser com a minha propriedade (terreno, corpo, dinheiro), desde que não interfira na propriedade alheia. Se o lixão não interfere na propriedade alheia, qual o problema? E se interfere, mandando ratos e baratas para as casas ao redor, está infringindo a lei, invadindo a propriedade dos outros, com o dono do lixão devendo ser julgado e punido por isso. Ou acha que o sistema privado não pode oferecer justiça? Se você acha que até o sistema estatal, privilegiador de grupos específicos e monopolista pode...

    Dez anos pra resolver tudo? Que ótimo. O mundo não é perfeito mesmo. Já teríamos avançado bastante se resolvêssemos esse tipo de coisa em dez anos. Atualmente convivo com queimadas de cana que mandam fuligem para o meu quintal diariamente... Isso dura já uns 30 anos aqui em minha cidade. Todo dia os quintais pretinhos com o cisco da cana, na cidade inteira... Respiramos o segundo pior ar do estado de São Paulo, só perdendo para o da capital, isso porque estamos no meio do mato praticamente... Sabe quem cuida disso, quem aplica a lei, quem julga? O estado. Mas os usineiros elegem seus deputados e vereadores e fica tudo como está. O poderoso mandando lixo para o meu quintal. Sua justiça estatal é assim. E você, que crê nela (em duendes também?), pensa não ser possível haver um sistema de justiça privado... Quem está com a incoerência agora?
  • anônimo  21/11/2012 17:03
    A lei é o PNA.
    Se teus ratos pertubam a vida dos vizinhos, vc ta indo contra a lei

    NEXT!!!
  • anônimo  05/03/2013 00:43
    Senhores, suponhamos que haja uma área de preservação ambiental cuja aquisição seja pretendida por um empreendimento hoteleiro, por exemplo, na extinção da APA, num processo de transição para o libertarianismo, qual seria a medida adequada pelos moradores que querem usufruir das belezas naturais? Adquirir o local? Impor restrições contratuais ao empreendimento? Enfim, o que me vem a mente, em primeiro lugar, é que existem áreas com belezas naturais sendo apropriadas por empresas do setor hoteleiro, gerando protestos da população, como ocorre em Floripa. Essas áreas sofrem com poluição, justamente por serem públicas, sem responsabilizações. O fato de os vizinhos não poderem impor restrições comtratuais tb piora a situação. Qual seria a medida mais adequada a ser tomada pela população local? Poderia haver um tribunal privado para conciliar as pretensões sem impedir a liberdade do empreendimento, correto?
  • anônimo  05/03/2013 01:15
    Se a área tem dono, é o que o dono quer e acabou-se.
    Vizinho não tem direito sobre a coisa que é dos outros.
  • Angelo Viacava  05/03/2013 01:17
    Lagoinha do Leste, em Floripa, não possui nenhum empreendimento imobiliário, proibido por lei, por tratar-se de APA. E lá o lixo abunda.

    Na Tapera, a estatal de energia deixou vazar óleo ascarel de um transformador na água, prejudicando criadores privados de ostras em pleno começo de temporada. Quem paga o prejuízo?

    A Lagoa da Conceição está poluída, dizem, por excesso de esgotos clandestinos. Mas e os impostos cobrados, por que não fizeram o serviço de ligação correta e tratamento de esgotos? Poderiam pelo menos devolver os impostos.

    Casas são derrubadas a golpes de escavadeiras, num populismo de baixíssimo nível, tentando justificar demagogicamente para a população local os estragos provocados por "gananciosos construtores" sem escrúpulos, que visam somente seu próprio conforto em prejuízo da coletividade. Tudo cuidadosamente amparado pelo Código de Obras do Município, claro.

    Em Ponta das Canas, proprietários de restaurantes pagam uns tiozinhos que varrem a praia todos os dias, a fim de melhorar o aspecto ao redor de seus negócios e não afugentar clientes. Solução privada.

    Comparando a praia do Santinho com Lagoinha do Leste, se fosse adotada a solução da primeira na segunda, na minha opinião a praia melhoraria muito, atrairia mais pessoas, não seria totalmente destruída, pelo contrário, seria revitalizada e valorizada por visitantes. Quem são os vizinhos que se prejudicariam se não há vizinhos permitidos por perto? Acho que respondo às tuas questões, anonimo, ao menos como sugestão.

    Desculpas a quem não conhece Floripa, mas escrevi de maneira a facilitar a compreensão tanto no caso específico quanto genericamente. Mas não seria tão diferente em cada cidade deste nosso Brasil.
  • anônimo  05/03/2013 01:42
    Angelo, entendido e de acordo! Agradeço a atenção e explicações sobre floripa. Com certeza, somente o livre mercado para corrigir as desgraças ambientais causadas pelo governo.
  • anônimo  05/03/2013 01:53
    Angelo, pra falar a verdade essa questão surgiu por causa de alguns protestos no facebook em relação à Ponta do Coral, sob o fundamento de que "o poderio econômico" deveria ser barrado, pois o local é do povo... sem comentários, neh...
  • anônimo  05/03/2013 01:37
    Atualizando, tirei várias duvidas nesse artigo.
  • [M]  12/03/2013 03:27
    Quero argumentar apenas sobre esse trecho.



    Animais em extinção

    Desde um simples caracol até as plantas parasitas, absolutamente todas as espécies de animais e plantas existentes devem ser mantidas em existência pelo governo — alegam os ambientalistas —, mesmo que direitos humanos e de propriedade sejam violados. Mas por quê?

    Se considerarmos todas as espécies que existiram desde a "criação", a maioria delas, dos trilobitas aos dinossauros, está hoje completamente extinta. Um processo absolutamente normal. Por que não permitir que isso continue?

    Se, para propósitos científicos ou de entretenimento, algumas pessoas quiserem preservar essa ou aquela espécie em sua própria terra e às suas próprias expensas, ótimo. Zoológicos e universidades já fazem isso. Mas o resto da população não deveria ser tributada e regulada, e ter seus direitos de propriedade exterminados, apenas para que todas as ervas e percevejos sejam salvos. O único impacto ambiental que importa é aquele que ocorre sobre humanos.


    _________

    Quando uma espécie gera um impacto ambiental gigantesco além da perda de conhecimento.
    Usando de exemplo, nosso empresário John Will Johnson, ele resolve fazer uma caça as Araras do bico azul, uma ave nativa de uma ilha.
    Como não existe nenhuma lei tanto politica ou social em relação a sua proteção ela é extinta.
    Nessa ilha existe uma espécie de cobra que só se alimenta dessa Arara, logo essa espécie também estaria em extinção.
    Sabendo então que o único predador de um inseto "venenoso ou não" é a Arara do bico azul, causando um descontrole biológico.
    Se baseando em um esquema de ABC de teoria da seleção natural das espécies isso se daria um prejuízo também a propriedade privada de outras pessoas, tanto pelo acumulo dos insetos e pela extinção das cobras que foram extintas pela retirada de seu alimento.

    revistaescola.abril.com.br/ciencias/pratica-pedagogica/impactos-extincao-especies-cadeia-alimentar-607995.shtml?page=0

    Poderia também citar as arvores de uma região, exemplo a amazônia, como sabemos a floresta amazônica influencia o clima brasileiro e causando chuvas em diversas regiões brasileiras.

    globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/v/amazonia-tem-grande-influencia-nas-mudancas-de-clima-no-brasil/1887739/

    g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/04/amazonia-e-principal-responsavel-por-mudancas-climaticas-no-pais.html

    mundogeo.com/blog/2008/07/30/estudo-monitora-influencia-da-floresta-amazonica-nas-chuvas-do-pais/

    Imagine que o filhinho do nosso John W. Johnson conhecido como Johnson William Johnson resolve derrubar a floresta para fazer consolos de madeira para vender e usar se ele quiser.
    Com o fim da amazônia isso geraria crises nas chuvas, podendo gerar secas no Sul, tempestades no Nordeste, Vendavais no Sudeste e assim vai.

    Vai além de querer proteger ervinhas e joaninhas, pois a extinção de uma espécie não se resume apenas a está espécie.
    Os impactos causados pela perda de propriedade de John ou Johnson é muito menor comparado com a perda feita com a perda de uma espécie ou de uma floresta.
  • Eleno  12/03/2013 12:38
    Que raciocínio mais desconexo, prezado [M].

    Primeiro você começa citando um material de quinta série para falar das "consequências inesperadas" da extinção de alguns animais. Mas usa para isso apenas um exemplo típico de sala de aula, o qual parece ignorar que tal processo de extinção sempre ocorreu rotineiramente na história do planeta, e que a natureza sempre se adaptou a ela.

    Em seguida, num salto cósmico, você começa a falar sobre destruição total de florestas, destruição essa que se daria sem nenhum motivo aparente. Obviamente você ignora que libertários não defendem a destruição de florestas, pelo simples fato de que isso é antieconômico. Libertários defendem que florestas sejam propriedade privada, pois somente tal arranjo é condizente com seu bom uso e com sua durabilidade.

    Veja o item 12 deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349
  • [M]  12/03/2013 13:49
    Não vejo desconexo.

    Isso é um exemplo simples, 5º série, sobre os danos ao ambiente que pode causar a extinção de uma espécie ou mesmo a inserção de uma espécie estranha em um ambiente.
    Fala que sempre existiu mas esquece que sempre que uma espécie some existe um dano ambiental que vai além do simples desaparecimento da espécie.
    Afirma que a espécie se adapta, isso nem sempre, mesmo que ocorra pode resultar em grande perda para a espécie, como pestes, falta de alimentos etc.

    Discordam de leis de proteção ao meio ambiente e são contrários ao desmatamento para a fabricação de bens.
    Fala sobre propriedade privada, mas se for propriedade privada do Johnson W. J. logo ele poderá desmatar para fazer os seus consolos de madeira.

  • Eleno  12/03/2013 14:07
    "Discordam de leis de proteção ao meio ambiente e são contrários ao desmatamento para a fabricação de bens.
    Fala sobre propriedade privada, mas se for propriedade privada do Johnson W. J. logo ele poderá desmatar para fazer os seus consolos de madeira."


    Dado que você não leu o trecho sugerido do artigo linkado -- pois continuou dizendo as mesmas mentiras que o texto linkado aborda e refuta --, qualquer discussão ulterior se torna improdutiva. Você quer apenas rotular, e não debater. Passar bem.
  • [M]  12/03/2013 14:40
    Eleno, na verdade o texto não refutou nenhum argumento meu.


    Se considerarmos todas as espécies que existiram desde a "criação", a maioria delas, dos trilobitas aos dinossauros, está hoje completamente extinta. Um processo absolutamente normal. Por que não permitir que isso continue?

    "Por que não permitir que isso continue?"

    Texto pode até mesmo ser interessante no ponto de vista econômico e politico, porém no ponto de vista biológico se torna inviavel.

    Lendo o item 12, logo se o dono deve replantar a flora alias não recuperaria os danos causados anteriormente "Desmatar a amazônia e plantar macieiras".
    Ele assim terá que a flora, logo isso seria uma lei, caso não fosse logo não teria motivos de obedecer.
    Se ele não pode destruir tal espécie logo vai ter que existir um poder legislativo que vai decidir isso "Deputados, democracia pura ou seja o meio que for".
    Para se assegurar que ele vai obedecer vai ter que existir o poder Executivo e o Judiciário.

    Mesmo privatizando não indica que o dono não vai cuidar daquele lugar, por exemplo uma empresa francesa chega na amazônia para produção elétrica, pouco vai se importar com a mata.
  • Eleno  12/03/2013 14:54
    "Mesmo privatizando não indica que o dono não vai cuidar daquele lugar, por exemplo uma empresa francesa chega na amazônia para produção elétrica, pouco vai se importar com a mata."

    Explica como funciona essa lógica, pois ela me escapa completamente. Se eu pago caríssimo para ser dono de uma parte da Amazônia, a primeira coisa que farei após ter gastado quantias fabulosas de dinheiro é desnatar todo o lugar para construir um poste ali? Para levar eletricidade pra quem? Índio? Qual seria meu retorno financeiro nisso? Seria prejuízo na certa.

    Muito melhor seria arrendar o local, fazendo exatamente aquilo escrito no texto linkado. Nota-se que você não raciocina em termos econômicos, limitando-se apenas a repetir lugares-comuns sentimentais.
  • [M]  12/03/2013 15:48
    Motivos para não querer proteger o ambiente são muitos.

    Explica como funciona essa lógica, pois ela me escapa completamente. Se eu pago caríssimo para ser dono de uma parte da Amazônia, a primeira coisa que farei após ter gastado quantias fabulosas de dinheiro é desnatar todo o lugar para construir um poste ali? Para levar eletricidade pra quem? Índio? Qual seria meu retorno financeiro nisso? Seria prejuízo na certa.

    Exemplo seria a usina hidrelétrica de belo monte.
    Ela vai levar energia tanto para o brasil e para parte da América latina, daria um bom lucro.
    porém analisando o EIA-RIMA da construção ela causaram um grande dano ambiental.

    Alias vejo que você não leu os links que eu linkei também, mostra grande desconhecimento primeiro achar que imediatamente todos os donos respeitariam o ambiente.
  • Eleno  12/03/2013 16:38
    "Exemplo seria a usina hidrelétrica de belo monte.
    Ela vai levar energia tanto para o brasil e para parte da América latina, daria um bom lucro.
    porém analisando o EIA-RIMA da construção ela causaram um grande dano ambiental."


    Viu só? Além de ser um empreendimento estatal, mesmo com várias garantias e subsídios ofertados pelo BNDES, nenhuma empresa privada se interessou. E isso porque estão fazendo "de graça". Imagine se tivessem também de comprar a terra?

    Como disse, há apenas sentimentalismo em suas palavras. Não há lógicas.

    Belo Monte e o movimento ambientalista
  • [M]  12/03/2013 17:19
    A criação da usina deve interesse da VALE - Empresa privada -, Grupo Votorantim - Empresa privada -, Andrade Gutierrez - Empresa privada - entre outras de capital privado.

    A criação da usina é de interesse privado também, a criação de tal obra é uma negação do governo reverente as leis ambientais.
    Agora se não existisse nenhuma termo de responsabilidade ou lei de proteção ao meio ambiente?

    Você dizendo estou sendo sentimentalista mas esquece do básico relacionado ao ambientalismo.

    Importância das florestas.
    www.youtube.com/watch?v=hQBnGghipmE

    Belo Monte
    www.youtube.com/watch?v=xnitmB22JtQ

    Belo Monte - Adento
    www.youtube.com/watch?v=E8-ARMhdJwM
  • Leandro  12/03/2013 18:20
    É o BNDES quem irá financiar 80% da obra. Começaram com o valor de R$ 24 bilhões, mas é fácil prever que, como de praxe, tal valor acabará sendo muito maior que o planejado.

    Há uma regra que nunca falha: sempre que o governo, à revelia de todos, se empenha laboriosamente em aprovar projetos de lei ou em empreender obras impopulares, pode ter certeza de que tem alguém ganhando muito dinheiro com isso. O seu dinheiro, obviamente. Políticos são sensíveis ao voto, é claro, mas são ainda mais sensíveis às necessidades de empreiteiras e bancos cujas contribuições de campanha serão proporcionais às benesses que ganharam do governo. Entre o eleitor comum e os grandes financiadores de campanha, não é nenhuma ciência complexa imaginar quem será o privilegiado.

    No caso de Belo Monte, o dinheiro irá para as empreiteiras que formaram os consórcios e para os bancos que irão financiá-los. (Além do BNDES, há também o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia (Basa), o Bradesco, o Itaú Unibanco, o HSBC, o Santander, o Banco Votorantim, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o BES Investimento do Brasil. Quanto às empreiteiras, os nomes de todas elas estão disponíveis aqui.

    A questão é: se o governo sair da jogada, será que haveria interesse no empreendimento? Agora, além de tirar o governo, cobre pela venda de parte da Amazônia. Seria viável este seu cenário, [M]?
  • [M]  12/03/2013 16:07
    Já existiu a tentativa de privatização do ambiente, mais precisamente da água, pela empresa Bechtel, no qual resultou na guerra da água.
    Tanto que essa empresa é responsável por diversos danos ambientais
    en.wikipedia.org/wiki/Bechtel
  • Eleno  12/03/2013 16:32
    Exemplo perfeito de que você ainda não entendeu a diferença básica entre privatização e concessão com garantias estatais. A Bechtel está no segundo ramo e é especialista em utilizar as concessões dos governos para seus interesses próprios. Vale lembrar que sempre que o governo faz uma concessão para empresas como a Bechtel ele garante o monopólio a elas, impedindo que outras empresas também ofertem o mesmo serviço.

    Texto para você:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=265
  • Tiago RC  27/03/2013 10:46
    Cara equipe IMB,
    Por acaso vocês já viram isso?

    How Fossil Fuels Have Greened the Planet

    Matt Ridley on How Fossil Fuels are Greening the Planet

    Será que não merece uma tradução, ou menção no blog do site? :)

    Abraços!
  • marcos  19/07/2013 18:52
    "Se, como ocorre em vários cursos d'água na Inglaterra e em outros países, as pessoas tivessem direitos de propriedade sobre rios que cortam sua propriedade, elas poderiam impedir a poluição destes cursos d'água assim como elas impedem qualquer lixo de ser despejado em suas portas.(...) A questão das águas, portanto, é fácil de visualizar"

    Como faríamos aqui com o Rio Pinheiros? Qual o interesse em ser dono da margem esquerda, digamos, da ponte do Jaguaré até 500 metros adiante?

    Não estou sendo irônico, apenas refletindo e buscando uma solução. Agradeço a ajuda.
  • Fernando Chiocca  19/07/2013 19:13
    Antes das avenidas marginais, haviam imóveis particulares na beira do rio, como o próprio Clube Tiete, que usava o rio para práticas como remo e natação. Se estes tivessem direito de propriedade na época, teriam evitado a poluição impedido os poluidores com processos.

    Agora o Rio quando corta a cidade de São Paulo tem apenas as avenidas o margeando, e as avenidas devem pertencer legitimamente aos moradores da cidade, que possuem interesse da despoluição e podem processar os poluidores.
    Antes de entrar na cidade, desde sua nascente, o rio possui outros proprietários em suas margens, e estes deveriam poder fazer o mesmo.
    Eu nunca vi muita dificuldade na despoluição, sendo preciso pegar um barquinho e navegar desde a nascente dele e dos afluentes e ir identificando quem são os poluidores que estão despejando lixo no rio, e os processando e exigindo que joguem seus lixos em outros lugares. E ai entrariam muitas prefeituras que canalizam seus esgotos não tratados para os rios.
  • Pedro Ivo  19/07/2013 19:34
    "nunca vi muita dificuldade na despoluição, sendo preciso pegar um barquinho e navegar desde a nascente dele e dos afluentes e ir identificando quem são os poluidores" - hehehe! satélite ou drones
  • marcos  19/07/2013 20:09
    Fernando,


    Se o prefeito Haddad sofresse um tombo no banho, começasse a raciocinar e te ofertasse esses 500 metros de margem vc compraria? Alguem compraria?
  • marcos  19/07/2013 21:19
    "Porém, se colocado sob propriedade privada, haverá exatamente a quantia necessária: a oferta suprirá a demanda."

    Muito bom o exemplo dos elefantes no Zimbabue. No Quenia, por sua vez, em 1973 a caça foi declarada ilegal. Resultado nada surpreendente: população desse animais caiu de 275 mil para apenas 20 mil em 15 anos. Nos outros países africanos em que a caça é legal, com áreas exploradas por PHs - caçadores profissionais - a população cresceu. Em diversas áreas o problema é de superpopulação até.

    Mas sobre esta passagem do artigo:

    "E o fato é que as emissões seriam significativamente reduzidas em um livre mercado, onde os indivíduos que emitem poluentes estariam sujeitos a uma ação judicial."

    Mas como quantificar o que é poluição e o que não é? Qual o limite para emissões? Ou não poderia nenhuma? Definir um limite não passaria, necessariamente, por regulação?

  • Emerson Luis, um Psicologo  26/05/2014 19:36

    O governo nunca perde uma chance de transformar oportunidades em problemas.

    * * *
  • Luciano alencar  18/01/2015 10:17
    Excelente o texto. Apesar do autor ter cometidos alguns equívocos, como a comparação da disponibilidade de carne de porco, vaca e frango com a de animais silvestres. Mesmo que a Sadia quisesse produzir carne de Zebra, ela não conseguiria. Pelo simples fato desses animais não serem domesticáveis....

    Outro equívoco do texto, foi a afirmação sem nenhum fundamento científico sobre desvinculação das atividades humanas com a alteração climática. Bem, a maioria dos estudos científicos dizem o contrários.

    vide (www.skepticalscience.com/).,

    O restante do texto é sensacional. Principalmente, sobre a maneira da gestão dos recursos.

    Na minha humilde opinião, regulação estatal na área ambiental sim. Execução de gestão NUNCA.

    Obrigado.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  21/03/2015 16:18
    Desconfie das coisas "grátis". Certamente, o preço oculto é muito maior. Vejam os governos.
  • Marcelo  10/09/2015 15:39
    podem me informar a fonte dessa história dos elefantes do Zimbabue, no fim dos anos 1970?
    Excelente artigo, um verdadeiro caçador de mitos!
    parabéns!
  • Auxiliar  10/09/2015 16:07
    Isso era muito documentado nas revistas da época (meados da década de 1980). Na internet, você encontra várias referências a estas revistas, mas não há links diretos para essas edições.

    Em todo caso, esse verbete da Wikipedia fala bastante sobre o assunto:

    https://en.wikipedia.org/wiki/Ivory_trade
  • Flávio Filho  22/09/2018 18:14
    A questão é, o livre mercado pode dar conta do problema ambiental, ou seriamos consumidos pela saga do lucro sem limites?
    Exemplos: baleias, tigres, rinocerontes, petróleo, desmatamento, poluição dos rios e mares, pesca predatória, etc...
  • Gabrielle Pontes  21/11/2018 19:31
    Achei o artigo ótimo mas entrei em duvida sobre o sofrimento de um elefante ou de outros animais visando a utilização de partes do corpo deles (como as presas, que se não fossem necessárias provavelmente não se desenvolveriam mais ou até mesmo o uso da pele de outros animais) como mercadoria, tendo em vista que eles tem cérebro, nervos, etc e sentem dor e sofrimento, no minimo físico, como o Homem, como isso se daria visando o bem estar animal em uma situação de liberalismo economico?


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