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José Serra e o pós-keynesianismo

Existem três vertentes keynesianas, cada uma com muito pouco ou praticamente nada em comum com as outras duas: os keynesianos ortodoxos, os neo-keynesianos e os pós-keynesianos.

Os keynesianos ortodoxos foram quase que totalmente dizimados pela estagflação da década de 1970 nos EUA.  Como eles advogavam que o estado aumentasse os gastos para reduzir o desemprego e reduzisse os gastos para reduzir a inflação de preços, eles simplesmente não tinham solução para o que fazer quando ocorresse inflação e desemprego altos ao mesmo tempo.  Esse era um fenômeno que eles julgavam impossível.  Após a década de 70, a maioria sumiu de cena.

Entretanto, ainda restaram alguns fósseis.  Dentre estes, o mais proeminente é James Kenneth Galbraith, filho do lendário keynesiano ortodoxo John Kenneth Galbraith.  Suas colunas, que anualmente atormentam o mundo no website The Nation, mostram que James herdou a ignorância econômica de seu pai — só que com mais vigor.  Em sua última pérola, o ilustre diz explicitamente que déficits são maravilhosos, que gastos estatais são supimpas e que — está sentado? — é a dívida pública que faz uma economia crescer.

Se você acha que eu estou inventando ou exagerando, pode clicar aqui e conferir por sua conta e risco.  Se você não souber inglês, esteja certo de que você está — parodiando Thomas Woods sobre Paul Krugman — "vivendo uma vida muito mais tranquila que a minha".    

Já os neo-keynesianos são Keynes com sabor de Chicago.  São vulgarmente chamados de neoclássicos.  Seus representantes mais ilustres são Gregory Mankiw e Olivier Blanchard, ambos populares autores de livros-texto de macroeconomia adotados pelas principais universidades do mundo.  Coloque um neo-keynesiano e um chicaguista numa mesa e eles trocarão muito mais carícias do que ofensas.  São também inimigos figadais dos pós-keynesianos.

Finalmente, os pós-keynesianos.  Estes se autoproclamam os verdadeiros keynesianos.  Consideram os keynesianos ortodoxos muito pueris e os neo-keynesianos muito ignorantes.  Apenas eles, os pós-keynesianos, realmente leram e entenderam Keynes — ou é o que eles próprios dizem.  O problema é que ler Keynes é uma coisa, entender é outra.  O fato de A Teoria Geral ser absolutamente incompreensível explica bem esse fenômeno bizarro: o mesmo livro gerou três vertentes que não se entendem, não se bicam e se vituperam mutuamente.

Economicamente, os pós-keynesianos estão, por assim dizer, à direita dos keynesianos ortodoxos e à esquerda dos neo-keynesianos, que eles chamam de neoliberais.  Quanto a estes últimos, as principais diferenças estão na política monetária.  Para um pós-keynesiano, a moeda é o segredo de tudo.  É ela quem gera a riqueza de uma economia.  Se o país não está crescendo, se a economia está aquela pasmaceira, basta imprimir dinheiro e reduzir os juros.  O crescimento virá como que por gravidade. 

É fácil encontrar nas universidades (e eu falo isso de experiência própria, pois tive um professor pós-keynesiano) professores pós-keynesianos que dizem com absoluta convicção que o banco central não deve ter parcimônia na impressão de dinheiro.  Quanto mais dinheiro, maiores serão os salários, maior será a demanda, maior será o crescimento econômico.  Inflação? "Ah, isso é perfeitamente ajustável.  Basta controlar os gastos do governo".  Desemprego? "É só aumentar os gastos e duplicar a velocidade da impressora." Capital e produção? "Hein?! O que é isso?"

Sim, para um pós-keynesiano, a manipulação monetária é tudo.  É da moeda que vem a riqueza.  São os juros baixos, tendentes a zero, que propiciam investimentos vultosos e profícuos.  O fato de o capital advir da poupança é, para eles, uma ficção.  O fato de a produção ter necessariamente de vir antes do consumo é bobagem.  E, principalmente, o fato de papel pintado gerar demanda mas não necessariamente gerar oferta (pois oferta precisa de produção e produção precisa de capital e capital só advém da poupança) é algo desimportante — na verdade, isso sequer é considerado.  Para um pós-keynesiano, basta você imprimir dinheiro, que as coisas surgem.

Esse professor pós-keynesiano que tive na universidade vivia tecendo loas ao Fed, ainda em 2006.  "Aquilo, sim, é que é um banco central heterodoxo, pós-keynesiano mesmo!  Lá não tem essa bobagem de contenção monetária que praticamos aqui".  Isso, obviamente, foi antes da crise econômica.  É bem provável que hoje ele não mais fale isso.  No entanto, não podemos ignorar a exatidão e a honestidade de sua análise.

Feitas essas considerações, vamos ao título dessa postagem.  Algumas pessoas já me perguntaram: "Afinal, qual a ideologia de José Serra?"  E eu respondo sem pestanejar: "Pós-keynesiano".

Alguns mais bem informados, que se esforçam para ter boa vontade com o tucano e que fazem de tudo para tentar vê-lo como alguém mais amigável ao mercado do que sua insípida rival, ainda tentam contra-argumentar recorrendo aos seguintes fatos: ele foi o mais entusiasmado proponente da privatização da Vale e da telefonia, foi um dos relatores da Lei de Responsabilidade Fiscal, não é do tipo que, ao contrário de Lula, sai dando aumentos desregrados para o funcionalismo público (prefere investir em infraestrutura), não é de estourar o orçamento e incorrer em déficits, além de ser a favor das concessões de estradas e aeroportos para a iniciativa privada.

E eu retruco: "pós-keynesiano".  Poucos sabem, mas os pós-keynesianos, ao contrário do que o senso comum imagina, não dão muita pelota para esse debate "empresa estatal vs. empresa privada".  É perfeitamente possível você encontrar pós-keynesianos a favor da privatização da Petrobras e da Eletrobras, por exemplo.  Da mesma forma, eles não acham que o estado deva necessariamente mexer com minério, aço, aviões, petróleo, fertilizante e nanotecnologia.  Essa fixação com empresa estatal é um fetiche puramente marxista, e não keynesiano.

Da mesma forma, é bastante comum você ouvir pós-keynesiano defendendo orçamento equilibrado.  É lógico que, durante recessões, essa defesa vai esmorecer; porém, ainda assim, seria correto dizer que, em tempos normais, os pós-keynesianos são sim a favor de um orçamento equilibrado — o que não quer dizer que eles sejam a favor do corte de gastos; no máximo, uma restriçãozinha aqui e ali.

Agora, como é possível imaginar, esse pessoal é casca-grossa justamente na área monetária.  Para eles, crédito fácil é condição sine qua non para o crescimento econômico robusto.  Dinheiro farto e juros baixos — por meio da canetada — são o caminho da criação de riqueza e da prosperidade.  E isso é muito mais perigoso do que criar estatal de fertilizante.  Estatal gera desperdício e privilégios políticos; crédito fácil gera ciclos econômicos, destroi capital, aumenta a pobreza e atrasa o progresso.

É mais fácil selar a paz entre judeus e árabes do que convencer um pós-keynesiano de que a estatização do crédito e a manipulação dos juros — ambas as medidas explicitamente defendidas por Keynes em A Teoria Geral — são nefastas para a economia.  Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES são entidades sacrossantas para um pós-keynesiano.  Bancos públicos, com seu crédito facilitado, são os genuínos fomentadores do crescimento sustentável. 

Já o Banco Central, a instituição que é para o pós-keynesiano o que o GOSPLAN era para o politburo, pode tanto ser uma entidade extremamente benévola — se presidida por um pós-keynesiano que não tenha parcimônia com a impressora — ou totalmente malévola — se presidida por um Gustavo Franco ou até mesmo por um relaxado Henrique Meirelles, por exemplo.

O histórico das declarações de Serra a respeito das políticas adotadas pelo Banco Central confirma sua posição.  Era crítico ríspido do chicaguista Gustavo Franco (o que menos expandiu a base monetária do país), por quem nutria "desprezo intelectual".  Foi admirador de Armínio Fraga, pós-keynesiano enrustido (o que mais expandiu a base monetária do país).  E foi crítico, no início áspero, hoje comedido, de Henrique Meirelles, também chicaguista (cuja expansão da base é um meio termo entre Franco e Fraga). 

Serra é pós-keynesiano.  E sua rival é uma marxista mussoliniana (no sentido corporativista do termo).  Estamos bem.

6 votos

autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • não-austriaco  25/04/2010 08:12
    Olá Leandro,

    Confesso: eu também tive professor pós-keynesiano. Nem vou comentar...vocÊ falou tudo.
  • Zéh!  25/04/2010 13:09
    Eu ia anular o voto... mas vou votar nesse Zé Serra...
  • Rafael Hotz  25/04/2010 13:14
    Discordo Leandro... Os PKs brazucas também adoram estatais e déficits, e estão a esquerda dos Keynesianos ortodoxos... Os PKs brazucas vulgares são uma cruza doida de Keynes, Marx e piores momentos de Schumpeter: "O capitalismo é mau e incerto, então o governo corporativista tem que gerenciar o Sistema Nacional de Inovações com déficits e crédito farto para os investimentos"...

    Se a parte do "capitalismo mau" ou a parte das "inovações" ou a parte do "crédito farto" sobressai vai de cada um... Não que não existam pesquisadores sérios - até tem - mas a maioria é bem ideológica mesmo...
  • CR  25/04/2010 14:06
    Meu copiloto Einstein (1981: 97) não era Economista, mas aprendeu a fazer conta:
    É necessário impedir as flutuações do valor do dinheiro e, para isto, substituir o padrão-ouro por uma equivalência com base em quantidades determinadas de mercadorias, calcadas sobre as necessidades vitais, como, se não me engano, Keynes já propôs há muito tempo. Pelo emprego deste sistema, poder-se-ia conceder uma certa taxa de inflação ao valor do dinheiro, contanto que se considere o Estado capaz de dar um emprego inteligente àquilo que, para ele, representa um verdadeiro presente. As fraquezas de seu projeto se manifestam, em meu entender, na falta de importância concedida aos motivos psicológicos. O capitalismo suscitou os progressos da produção, mas também os do conhecimento, e não por acaso. Sem dúvida sou pessimista demais a respeito das empresas do Estado ou comunidades semelhantes, mas de modo algum creio nelas.
  • Filipe Rangel Celeti  25/04/2010 14:19
    É melhor tomar um chute no saco ou um soco no nariz?
  • Leandro  25/04/2010 14:52
    Rafael, os PKs que pensam assim não são pós-keynesianos puros. Podem até se dizer assim, mas ainda estão contaminados com laivos de marxismo e de keynesianismo ortodoxo.

    E isso não é opinião minha, não. Vem de conversas que tive com gente da área, inclusive com um dos presidentes da Associação Keynesiana Brasileira, que está fechada com Serra.
  • Marcelo Werlang de Assis  25/04/2010 15:37
    Hehehehehe... Só raros conseguem adotar o pensamento da Escola Austríaca!\r
    (Afinal, ela a ninguém privilegia...)\r
    \r
    Leandro, gostaria de saber um pouco da tua história. Onde te formaste? Quando e como aderiste à EA e ao IMB? Afinal, tu já és famoso por aqui, com os teus artigos e as tuas traduções.\r
    \r
    Huuuuuuuuuuuuuuugs!!!
  • Rafael Hotz  25/04/2010 15:39
    Leandro, duvido que alguém da AKB não apoiaria déficts para um programa "desemprego zero". A linha entre pós-keynesianismo e desenvolvimentismo é muito tênue, basta olhar as publicações...

    O Belluzzo não seria um PK? Ele é bem marxista. O Possas não se consideraria Schumpeteriano?

    É claro que a ala acadêmica é menos comedida no discurso que a ala política. Mas a única coisa "a esquerda" dos PKs na academia são os socialistas jurássicos. E digo isso por convívio com ambos...

  • Leandro  25/04/2010 15:57
    Rafael, bom, como eu disse, estou me fiando nas palavras do presidente e nos artigos que andam publicando por lá. Eles ficam falando mais em controle de capital e em investimentos do que em déficits -- além, é claro, das deblaterações constantes contra o pagamento de juros.

    Já o Belluzzo é uma coisa amorfa. Aposto que nem ele sabe o que é.

    A maioria dos acadêmicos se diz PKs, mas na verdade são marxistas enrustidos. Na própria Associação Keynesiana Brasileira tem um sujeito lá - o qual também conheço - que já se confessou mais marxista do que keynesiano. É natural que esses dinossauros procurem abrigo em ambientes mais hospitaleiros às suas ideias de controle estatal.

    Mas repito: em termos puros, sem levar a conta a ladainha de acadêmicos e políticos, a ideologia Pós-Keynesiana é essa descrita no artigo. Déficits são defendidos em épocas de recessão, mas não em épocas de bonança; é preferível gastar em investimentos do que com folha de pagamento de funcionalismo (encanto com funcionalismo é exotismo marxista); estatais não fedem nem cheiram; bancos públicos são a salvação; juros artificialmente baixos recriam o Jardim do Éden, onde não há escassez; inflação se controla com gastos públicos; um banco central bem gerido (com Luciano Coutinho no comando) transformaria o Brasil numa Suíça; e por aí vai.

    Por isso disse que tal ideologia é encampada muito mais por Serra do que por acadêmicos em geral.

    Marcelo, grato pelo interesse. Sou um mero trabalhador braçal. Porém, no momento, ainda prefiro ficar desse jeito, na surdina, sem sair alardeando formações e diplomas -- os quais, pra mim, não valem e nem dizem nada. Tá cheio de autodidata por aí, sem qualquer diploma, que sabe muito mais do que altos medalhões da USP e da Unicamp.

    O que vale é a luta de ideias.

    Abraços!
  • Marcelo Werlang de Assis  25/04/2010 19:09
    Hehehehe... "Mero trabalhador braçal"... És modesto, Leandro! Eu adoro ler o que escreves. Gosto mesmo do teu trabalho.\r
    \r
    Quanto aos diplomas e às formações, concordo contigo: são meros papéis que comprovam o fato de um sujeito ter freqüentado uma faculdade, nada mais. O que importa é o quanto o cara trabalhou e estudou de fato (aprendendo, claro, as idéias certas), com a sua avaliação sendo feita pelo mercado, não por professores burocráticos, que desejam ler cópias do que dizem em aula.\r
    \r
    Mais uma vez, eu te parabenizo pelo excelente labor que realizas e desejo que continues lutando pela sublime causa da liberdade.\r
    \r
    Que o 'Deus Estado' conheça o seu fim!\r
    \r
    Fortíssimo abraço!!!!!!!! \r
    \r
  • Helio  25/04/2010 19:14
    Excelente e esclarecedor artigo! Gostaria de ouvir os argumentos para respaldar que a Dilma é hoje marxista.\r
    \r
    Quanto ao trabalhador braçal, me lembro que quando Rothbard pediu a benção de Mises em 1950 para fazer um livro acessível ao público baseado no Ação Humana (para o qual já havia patrocinadores), Mises disse à Murray: "Ok, mas faça o doutourado em economia antes!".
  • Zen  25/04/2010 19:51
    O número do artigo caiu muito bem ao assunto.
  • ocarinha  10/03/2015 17:22
    Observou bem.
  • Rhyan Fortuna  25/04/2010 20:19
    Sempre quis aprender sobre essas diferenças, finalmente alguém explicou!\r
    \r
    Muito obrigado!
  • Maurício  25/04/2010 22:15
    Leandro,

    Sei que é "off topic", mas vc poderia fornecer fontes de dados para podermos analisar a conjuntura econômica do Brasil e de outros países?

    Muitas vezes gostaria de checar as informações de artigos em jornais e não consigo achar as fontes primárias.

    Abraços
  • Carlos Alexandre  26/04/2010 14:33
    Leandro:\r
    \r
    \r
    Este artigo foi muito oportuno, no sentido de esclarecer o pensamento economico de Serra; porém, embora conhecedor do parentesco íntimo entre socialismo e fascismo, ainda assim não entendi o epíteto "mussoliniana"; poderia esclarecer mais?\r
    Nste sentido, seria interessante, que, em próximo artigo, fosse também desvelado o perfil economico de Dilma.\r
    \r
    Abraços.
  • Juliano Camargo  26/04/2010 14:55
    Muito bom este artigo!

    Você analisou o apego às estatais como apego marxista. Pode até ser, para justificar na teoria econômica. Mas na prática, é fácil observar o principal motivo do amor do político brasileiro pelas estatais : nossa velha tradição patrimonialista. Querem controlar mesmo. Desviar verbas, colocar seus apaniguados, realizar seus projetos de poder. E já que cola com a população, ótimo!

    Um abraço!

  • Carlos Alexandre  26/04/2010 15:27
    Leandro:\r
    \r
    Achei muito oportuno este artigo sobre o pensamento [?] econômico do Serra; no entanto, apesar de sabedor do íntimo parentesco entre socialistas e fascistas, ainda assim, não consegui entender o epíteto "mussoliniana"; poderia esclarecer?\r
    \r
    Outra coisa: o economista norte-americano Lyndon LaRouche, eterno pré-candidato presidencial pelo Partido Democrata, é um apóstolo apaixonado de Franklin Roosevelt e do New Deal; para ele, a receita certa para o crescimento econômico passa pelo estabelecimento de bancos fomentadores do desenvolvimento e pesados investimentos estatais, para o que, não caberia ao governo ser parcimonioso com a emissão monetária, visto que a criação de dinheiro do nada , sendo para obras de infra-estrutura, não seria inflacionária; o que você acha?\r
    \r
    Abraços!
  • Tiago  26/04/2010 16:05
    Também gostaria de, mais uma vez, parabenizar o Sr. Leandro RONque pelo seu ótimo trabalho. É mesmo muito esclarecedor. Só o que ele já escreveu e traduziu por aqui vale muito mais que esses trabalhos "acadêmicos" que ninguém lê ou entende.
  • Leandro  26/04/2010 17:42
    Respondendo aos leitores:

    Rhyan

    Sempre um prazer.

    Maurício:

    Para o Brasil, sempre recorro aos sites do BACEN, do Tesouro e da Fazenda. Depois que você se acostuma com eles, é fácil navegar ali.

    Nos EUA, tem o site do Fed e de BEA. Para os outros países, confesso não dominar os endereços.

    Carlos Alexandre:

    Foi Mussolini quem cunhou o termo fascismo. Naquela época, o sentido não era aquele que hoje o caracteriza (autoritarismo violento). Para Mussolini, fascismo era sinônimo de corporativismo. Veja sua frase:

    "O fascismo deveria ser mais apropriadamente chamado de corporativismo, pois trata-se de uma fusão entre o poder do estado e o poder das grandes empresas"

    Ou seja, o termo fascista ou mussolinista se refere àquele político contrário ao livre mercado e que prefere apostar no conluio entre estado e grandes corporações, arranjo esse no qual ambos ganham e quem perde é a população e os pequenos e médios empreendedores. Todo arranjo em que o estado e grandes empresas atuam em conjunto, para benefício de ambos e prejuízo de todo o resto, é um arranjo fascista por natureza.

    Não quero citar nomes, mas o homem mais rico do Brasil é um grande entusiasta
    da ministra não por outro motivo. Aliás, tornou-se o oitavo mais rico de um ano para o outro graças às políticas do governo. Fascismo.

    Lyndon la Rouche, o homem que inspirou Eneas, é outro exemplo claro de fascismo -- e de ignorância econômica, pelo visto. Houve um homem que raciocinou exatamente como ele: Juscelino Kubitschek. Dê uma olhada na inflação de 100% que o ilustre nos deixou.

    Juliano,

    Exatamente! Obrigado pelo elogio.


    Tiago,

    Ronque?! Espero que você não esteja dormindo comigo. Mas agradeço aos elogios.

  • Tiago  26/04/2010 20:58
    Por via das dúvidas, RONQUE = Ron de Ron Paul + Roque! Capiche?
  • Leandro  26/04/2010 21:12
    Isso, sim, é uma honra. Aliás, o IMB tem um ótima notícia para dar em relação a Ron Paul. E envolve o Brasil. Mas vamos aguardar o futuro.
  • Maurício  26/04/2010 22:49
    Leandro,

    Outra pergunta "off-topic", pode cheirar catastrofismo, mas é mera curiosidade mesmo.

    Você e os outros membros do IMB discutem ou já discutiram a hipótese de sair do país dada a conjuntura que temos pela frente ou caso ela piore?

    Tirando a Suíça quais seriam os países eleitos para o exílio?

    Abraços
  • Leonel  26/04/2010 23:40
    Leandro,

    Ótimo artigo!
    Posso sugerir uma análise detalhada dos programas dos principais candidatos à presidência, bem como de seus posicionamentos históricos com relação a temas de relevância nesta eleição? Sem ênfase em rótulos que signifiquem pouco ao leitor médio (que felizmente nunca ouviu falar de Keynes), mas nos efeitos resultantes das principais propostas.

    Um abraço

  • Fernando Ulrich  27/04/2010 06:06
    "Estamos bem..." eu estou rindo pra não chorar.\r
    \r
    Eu fico perplexo como noções tão básicas de economia foram tão deturpadas. Ninguém entende o papel do dinheiro, muito menos poupança e investimento.\r
    \r
    Se imprimir dinheiro traz prosperidade, vamos fazer o sistema mais eficiente, que todo mundo possa imprimir dinheiro em sua própria casa, ora. Por que centralizar isso com o Banco Central?\r
    \r
    Quem melhor que o consumidor pra saber quanto exatamente precisa de dinheiro...
  • Leandro  27/04/2010 07:27
    De modo algum, Maurício. A luta é aqui mesmo. Nada de fugas. Agora, se alguém pedisse minha opinião, diria: Suíça (ou Liechtenstein), Luxemburgo, Austrália, Nova Zelândia ou Hong Kong. Aí vai depender do espírito aventureiro de cada um.

    Leonel, obrigado! Tão longo os candidatos se posicionem, não estão descartados comentários sobre suas posições.

    Fernando, ora, se fosse tão fácil e simples fazer as pessoas entenderem o básico, a vida nem teria graça.

    Abraços!
  • mcmoraes  27/04/2010 11:47
    Fernando Ulrich, eu acho que essa postura de afirmar que muitos não entendem o básico é um incentivo para que o básico continue não sendo entendido. Quero dizer, para muitas pessoas, isso cria uma espécie de bloqueio mental por algum motivo que não consigo identificar, talvez seja pelo culto implícito à coletividade com o qual nos acostumamos após boa parte do séc. XX ter sido dominada por meios de comunicação baseados em difusão centralizada (en.wikipedia.org/wiki/Amusing_Ourselves_to_Death).
  • Edik  27/04/2010 12:03
    Espero que a boa notícia do IMB envolva mais especificamente São Paulo!!!
  • Fernando Ulrich  27/04/2010 16:20
    Leandro e mcmoraes, vocês tem razão.\r
    \r
    Infelizmente só é básico para poucas pessoas, e é melhor assumir que ninguém entende e continuar repetindo até o momento que seja conhecimento totalmente disseminado. \r
    \r
    Por exemplo, para os leigos, ou até os que se consideram "bem informados", o grande problema da crise foi que os bancos decidiram acabar com o crédito, e crédito é o "sangue" da economia, logo, que os bancos voltem a emprestar e a situação está resolvida. É preciso combater essas idéias comumente aceitas todos os dias.
  • Ricardo  15/05/2010 22:52
    Leandro

    Parece-me um pouco superficial a definição do José Serra aqui. Recomendo um contraponto com o artigo de Emiliano José, publicado na Carta Capital, disponível no endereço: www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=6714.

    Também me parece de tabula rasa a definição dos pós-keynesianos, embora não possa negar que existam muitos por aí falando bobagem. Não me parece ser o caso do Mario Possas, por exemplo. Coincidentemente acabei de ler um artigo dele, de 1992, não publicado, em que ele busca uma integração micro-macro, baseada nas formulações pós-keynesianas e neoschumpeterianas (este último seria o melhor rótulo para ele), e na minha leitura, parece que está claro para ele a importância do investimentos privados para o crescimento econômico.

    A próposito, o artigo é intitulado como "Racionalidade e Regularidades, rumo a uma integração micro-macrodinâmica".

    Já participei antes aqui e fui tachado de várias coisas, como keynesiano maluco e outros adjetivos. Na verdade não tenho orientação formada ainda, sou apenas um iniciante no estudo da economia e da sociedade, de forma que circulo entre interpretações ultra-esquerdistas (marxianas e afins)e ultra-liberais (como a escola austríaca) na busca das melhores explicações.

    Obviamente, nenhuma delas está livre de fundamentos ideológicos, e a ciência pura como parece preconizar o Rafael Hotz é um mito, algo inalcançável. O que não significa, porém, que não devamos direcionar esforços para tentar limpar nossas análises de pré-conceitos para entender a realidade.

    É isso, um abraço,
    Ricardo.
  • Leandro  16/05/2010 04:44
    Prezado Ricardo, o problema de ficar lendo artigos publicados em revistas explicitamente partidárias é que eles não têm compromisso algum com a honestidade intelectual.

    Esse artigo da Carta Capital, por exemplo. Além de fazer ataques pessoais, algo típico da revista, ele não apresenta um único argumento consistente, quiçá verdadeiro.

    Dizer que o PSDB é o partido do estado mínimo? Baseado em que ela diz isso? Durante o governo do sociólogo, não apenas a carga tributária explodiu, como também o mesmo ocorreu com os gastos públicos e com as regulamentações. Não houve, em absolutamente nenhuma área, qualquer redução da participação do estado. Vale lembrar que, no primeiro mandato, o governo conseguia a façanha de incorrer em déficit primário, algo que exige empenho...

    Quanto aos pós-keynesianos darem importância a investimentos privados, ora, isso em momento algum foi negado. Tanto é que deixei claro que eles não se opõem às privatizações, justamente por acharem (corretamente) que elas aumentam o investimento.

    Abraços e volte sempre!
  • mcmoraes  16/05/2010 11:09
    Ricardo,

    "Parece-me um pouco superficial a definição do José Serra aqui."

    Por que vc achou superficial? Cite os pontos fracos explicitamente, por favor.

    "Também me parece de tabula rasa a definição dos pós-keynesianos, embora não possa negar que existam muitos por aí falando bobagem. Não me parece ser o caso do Mario Possas, por exemplo."

    Por que vc achou tabula rasa? Cite as bobagens explicitamente, por favor.

    "Já participei antes aqui e fui tachado de várias coisas, como keynesiano maluco e outros adjetivos."

    Eu não te tacho de nada, mas supondo que isso realmente tenha acontecido, não seria porque vc simplesmente diz que certas opiniões estão erradas e não explica porque elas estão erradas?

    "Na verdade não tenho orientação formada ainda, sou apenas um iniciante no estudo da economia e da sociedade, de forma que circulo entre interpretações ultra-esquerdistas (marxianas e afins)e ultra-liberais (como a escola austríaca) na busca das melhores explicações."

    O mesmo acontece comigo. Admiro que segue esse racicínio! Embora tenho que admitir que até hj não encontrei gente mais racional, lógica e *informativa* que os libertários da EA.

    "Obviamente, nenhuma delas está livre de fundamentos ideológicos, e a ciência pura como parece preconizar o Rafael Hotz é um mito, algo inalcançável."

    De novo: por que é um mito inalcançável?

    "O que não significa, porém, que não devamos direcionar esforços para tentar limpar nossas análises de pré-conceitos para entender a realidade."

    Essa sua última frase resume bem a sua postura: vc fala muito e informa pouco. Tirando as referências para os artigos que vc indicou, sobrou o que mesmo?
  • Ricardo  16/05/2010 17:53
    mcmoraes,


    Achei superficial porque, comparado com o artigo de Emiliano José, que recomendo a leitura e, ao contrário do que dizem, ainda que esteja clara a posição do autor, a Carta Capital na minha opnião é um veículo de comunicação mais comprometido com a verdade do que a Globo e a Folha (só para relembrar os tempos da ditadura), que rotula José Serra como neoliberal, em que é construída uma argumentação lógica baseada na história política do candidato, o que não é feito no presente artigo.

    Dizer que os para os pós-keynesianos apenas o crédito resolve tudo não é contar toda a história. Embora concorde que os pós-keynesianos sofram do mal de achar que apenas eles interpretraram corratamente a Teoria Geral, já havia argumentado anteriormente que existem pensadores bem esclarecidos, como é o caso do Mario Possas, quanto ao papel do investimento privado, que ao contrário do que contestou o Leandro, no artigo se entende sim que investimento privado e produção são ignorados pelos pós-keynesianos e está no trecho que destaco abaixo:

    " Quanto mais dinheiro, maiores serão os salários, maior será a demanda, maior será o crescimento econômico. Inflação? "Ah, isso é perfeitamente ajustável. Basta controlar os gastos do governo". Desemprego? "É só
    aumentar os gastos e duplicar a velocidade da impressora." Capital e produção? "Hein?! O que é isso?" "

    Vamos a um exemplo, como deseja. Ora, claro que o crédito é importante para o crescimento econômico e a intervenção estatal se faz necessária quando o mercado não atende a demandas da sociedade. É o caso do EXIM do BNDES que financiará vendas de longo prazo no exterior para a venda da indústria pesada, navios e equipamentos do setor energético. Se o mercado resolve tudo, por que não oferece tal tipo de financiamento? A resposta é simples, é o custo de oportunidade. Se é possível ganhar mais com títulos públicos ou em outros ativos financeiros de maior liquidez e menor risco, para quê postergar a acumulação e ainda incorrer riscos de longo prazo? Aí tem gente que critica Keynes. Ele explica isso! É a preferência pela liquidez e a incerteza sobre o futuro. Sobre esse exemplo que citei, ver artigo disponível em www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=7&i=6735.


    Eu preciso ler mais sobre a EA antes de emitir opinião, mas a partir do pouco que li de Hayek, a argumentação lógica me parece impecável, assim como era em Marx, repito assim como era em Marx, mas não significa que represente a verdade. Mas só opinarei sobre isso no futuro.

    As ciências sociais, e a economia, como parte dela, é muito dificil de ser testada, como a física e a química. Muitas das hipóteses e teorias elaboradas não são testáveis, ou falseáveis a la Popper. Assim, facilmente criam-se teorias sem comprovações. Gosto do estudo da metodologia da pesquisa e recomendo a leitura do livro do Claudio de Moura Castro, intitulado "A prática da pesquisa", em que há uma discussão mais aprofundada sobre a dificuldade na determinação de problemas de pesquisa e na formulação de hipóteses e argumentos para se inferir algo sobre uma realidade determinada.

    Meu argumento central sobre o mito da ciência pura em ciências sociais, em especial a economia, é que existe um viés na escolha do tema de pesquisa de acordo com as crenças do pesquisador. Alguém com viés marxista, irá se preocupar com as relações de trabalho e mostrar como o capitalista se apodera do excedente de valor gerado pelo trabalho ou como o capital procura formar um "exército de reserva" para forçar os baixos salários, e certamente encontrará evidências disso. Neoliberais procurarão demonstrar como o Estado pode atrapalhar a "eficiência" econômica, buscando "casos" que o comprovem. Assim os valores preconcebidos determinam temas de pesquisa e podem influenciar o "método" para que se alcance um objetivo já preconcebido.

    Por isso digo que, se quisermos saber se uma determinada ação do Estado é melhor ou pior para a economia como um todo, temos que ser imparciais, ou seja, elaborar um método de pesquisa que permita ou que dê as mesmas chances de que a resposta seja uma ou outra, independenmente do que acreditamos, de antemão, que seja o melhor ou pior.

    Quando fui tachado de keynesiano maluco, ao contrário do que pensa, creio ter argumentado o suficiente e não apenas "falado muito e informado pouco". Caso tenha curiosidade, foi na discussão da taxação sobre calçados importados, disponível em www.mises.org.br/Article.aspx?id=585.

    Abraço,
    Ricardo.
  • mcmoraes  16/05/2010 19:56
    Bravo, Ricardo! Obrigado pela resposta franca e sem afetações emocionais. Estou curioso p/ saber a sua opinião a respeito de Mises e da EA após vc formar opinião sobre o assunto.
  • Leandro  17/05/2010 03:25
    Prezado Ricardo,

    Embora suas intenções sejam sinceras, você comete erros clássicos de lógica econômica. Permita-me apontar os mais básicos.

    Primeiro você disse, citando um trecho, que o artigo dá a entender que os pós-keynesianos ignoram a importância do investimento privado e da produção. Não, eles não ignoram. Eles simplesmente não entendem como tais variáveis funcionam. Eles ignoram que a produção e o investimento necessitam de poupança. Para um pós-keynesiano, é o investimento que gera a poupança e não o contrário. Pode perguntar pra eles.

    Em seguida, você comete o erro clássico da lógica. Você disse:

    Ora, claro que o crédito é importante para o crescimento econômico e a intervenção estatal se faz necessária quando o mercado não atende a demandas da sociedade. É o caso do EXIM do BNDES que financiará vendas de longo prazo no exterior para a venda da indústria pesada, navios e equipamentos do setor energético. Se o mercado resolve tudo, por que não oferece tal tipo de financiamento? A resposta é simples, é o custo de oportunidade. Se é possível ganhar mais com títulos públicos ou em outros ativos financeiros de maior liquidez e menor risco, para quê postergar a acumulação e ainda incorrer riscos de longo prazo?

    Ora, meu caro Ricardo, se é mais negócio ficar financiando títulos públicos do que investir em atividades produtivas, de quem o senhor acha que a culpa? Qual a entidade que, justamente por gastar em demasia, inunda o mercado com títulos e, consequentemente, suga toda a poupança que poderia ser destinada a atividades produtivas? Quem faz isso senão o estado? Você, sem perceber, acabou apontando o real culpado dessa escassez de financiamento: é exatamente o estado, com sua gula por recursos para se autofinanciar, que asfixia todas as possibilidades de investimentos produtivos.

    E aí o que acontece? Como o estado gera esse efeito detrimental sobre a economia, ele próprio tenta corrigir o erro criando subsídios para determinados setores, os quais serão privilegiados de acordo puramente com conexões políticas. Tal arranjo inevitavelmente configura um enorme desperdício de recursos, um enorme consumo de capital. E o senhor aplaude esse arranjo.

    Muito melhor seria um estado que fosse capaz de se financiar exclusivamente com impostos. Só esse simples arranjo - que ainda estaria longe do ideal - já seria capaz de liberar enormes recursos para o setor produtivo, tornando desnecessária a criação de todas essas burocracias como BNDES, cujo único propósito é tomar dinheiro do contribuinte e emprestá-lo subsidiadamente para barões com ótimas conexões políticas.

    Você acha esse arranjo economicamente inteligente? Pois é.

    Viu só por que é importante estudar economia ao invés de ficar lendo panfletos partidários?

    Abraços!
  • Tiago RC  17/05/2010 04:49
    @Ricardo,

    a argumentação lógica me parece impecável, assim como era em Marx, repito assim como era em Marx, mas não significa que represente a verdade.

    A argumentação lógica "impecável" de Marx repousa completamente sobre uma hipótese falsa. Toda a teoria de Marx depende da existência do valor trabalho, depende que o valor das coisas seja proporcional à quantidade de trabalho empregada para produzir tais coisas. Não é tão difícil perceber que tal premissa é falsa: você pode levar dias de escavação e trabalho suado para encontrar uma pepita de ouro que um sortudo pode encontrar sem trabalho algum - e a pepita desse sortudo pode ainda ser bem mais valiosa que a tua. Valor não é proporcional ao trabalho empregado.
    Partindo de uma hipótese falsa, qualquer implicação fica verdadeira. Por isso que a argumentação de Marx parece tão coerente. Mas ela está errada desde a base.
  • Newton José  26/05/2010 16:03
    É por isso que o Serra pulou alto quando a Míriam Leitão perguntou sobre o BC.
    Pelo jeito ele vai quere controlar o BC bem de perto...
  • Leninmarquisson da Silva  17/08/2012 05:58
    Porra. Agora eu fiquei confuso.

    Ontem tive a primeira aula de Macro com um professor que simplesmente meteu o pau em todas as escolas - exceto a austríaca - a qual ele ignorou completamente até eu mostrar "Economia em uma única lição" que estava na minha mochila.

    No final não aguentei e perguntei; ele se disse PK. Mas o que me deixou confuso é que ele admitiu os mesmos pontos levantados pelo Leandro, sobre os ortodoxos, sobre inflação ser efeito do aumento da base monetária etc... a única coisa que ele parece defender mesmo é "mais regulações" no sistema financeiro, o que é fácil contrargumentar.

    Hoje vou imprimir esse artigo e levar pra aula dele. Parece que o semestre todo é o "IS-LM" e afins, mas...veremos.
  • Rhyan  17/01/2013 14:17
    Eu tava lendo esse texto e lembrei desse aqui. Eles não dizem as mesmas coisas. A en.wikipedia está do lado desse outro artigo.

    Não há consenso sobre as 3 correntes keynesianas?
  • F.G  21/03/2013 23:12
    A melhor divisão seria entre ortodoxos e heterodoxos.Acho que vc se equivicou um pouquinho na divisão dos keynesianos. Neo-keynesianos são os que "morreram" na stagflação. Era o keynesianismo de Modigliani e do IS-LM (também ja finado) e da curva de Philips original.Entre 1960 e 70 a divisão era entre neokeynesianos e monetaristas. Depois na decada de 70 e 80 surgiram o real business cycle, e os new classicals (a evolução do monetarismo). A junção da metodologia e microfundamentação dos new classicals com idéias keynesianas, surgiu o que é o mainstream hoje, os Novos Keynesianos (New Keynesian).. é importantíssimo não chama-los de neo-keynesianos. Os New Keynesians são os chamados "neoliberais" (sei que esse termo nem deveria existir)
    Esses foram os ortodoxos. Os heterodoxos são a maioria dos professores de faculdade pública. Podem ser diversos:Os mais comuns heterodoxos são : Pós-Keynesianos (minskyanos, etc), Sraffianos (neo-ricardianos), Marxistas e MMT (modern monteary theory). Esses são os que odeiam juros alto e o banco central.Acho importante ter uma boa idéia da historia do pensamento economico, e achei um pouco equivocado o seu artigo, porem se discordar é só falar. Abração
  • Leandro  21/03/2013 23:17
    O problema está na confusão entre New-Keynesians e Neo-Keynesians. Neo-Keynesians são os antigos, aqueles a quem chamei de 'keynesianos ortodoxos'. E New-Keynesians são aqueles a quem chamei de 'neo-keynesianos'. Talvez tenha sido uma escolha ruim de tradução, dado que o termo Neo-Keynesians não possui tradução em português, e os New-Keynesians são às vezes chamados de 'novos keynesianos' e às vezes de 'nova economia keynesiana'.

    Talvez esteja aí a fonte da sua confusão. Não o culpo. Nem eu distingo os prefixos desse lixo todo.

    Se a discordância está apenas nessa definição de prefixos, beleza. Agora, se você achou algum erro conceitual é só falar. Abraço!
  • F.G  22/03/2013 00:35
    Vou tentar me expressar melhor. Acho que Neokeynesiano foi a chamada síntese neoclássica, e eles que "inventaram" aquela primeira curva de philips. Friedman introduziu a curva de phillips com expectativas adaptativas, e Lucas (new clasicals) introduziu o conceito de expectativas racionais.

    A curva de philips mainstream (new keynesian, acho melhor chamar assim do que novos keynesianos) tem os conceitos de expectativas racionais dos novos classicos.

    Ou seja, o que voce disse é verdade. Todos os New Keynesian tem o Friedman como um grande economista, não há essa dicotomia monetarismo x keynesianismo.. isso é decada de 60. Abraço
  • Melanie Schwartz  22/03/2013 20:06
    O Aécio Neves também é dessa corrente?
    Eu li que o FHC e o Aécio estavam arquitetando um projeto de governo que incluiria: privatizações, equilíbrio de contas públicas, redução da participação do Estado, etc. Enfim, aquela lorota de sempre.
    Mas se cumprissem fielmente às promossas vagas, parece que já seria uma aproximação à direção certa. Por isso pergunto, pois para 2014 nossas opções serão muito ruins. Convenhamos, diante desse cenário político, às vezes devemos usar a estratégia maximin.
    Estou com muito medo do PT.
  • Ricardo  17/02/2015 16:00
    Em 2013 eu estava com medo do PT, agora estou apavorado. Uma coisa que eles tem mérito é, eles nunca deixam de nos surpreender negativamente. Não importa o tamanho da bobagem, eles vão lá e conseguem supera-lo.
  • anônimo  17/02/2015 20:22
    Note que o MST antes falava em latifúndio, depois em índice de produtividade, e agora em monocultura.
    É assim que esse povo pensa, eles nunca estão satisfeitos, nunca.
  • Eletro  17/02/2015 20:27
    O medo é a insegurança do homem frente ao incerto, por isso, não precisa ficar apavorado, relaxe. Esteja absolutamente certo de que o pior está por vir, até porque virá mesmo. Essa certeza lhe trará a brandura de ânimo necessária, caso decida permanecer nestas plagas, para que você suporte os próximos anos estoicamente.
  • Rhyan  17/08/2015 03:54
    Como pode o Krugman ser do mesmo grupo do Mankiw? Mankiw me parece extremamente liberal para um keynesiano.
  • Rennan Alves  17/08/2015 16:01
    Pelo o que sei, Mankiw é neo-keynesiano, popularmente conhecido aqui como "neoliberal".

    Neo-keynesianos são parecidíssimos com chicaguistas, por este motivo eles são mais parecidos com liberais do que um pós-keynesiano como o Krugman.
  • Felipe Neto  11/04/2016 18:25
    Obviamente o Keynesianismo não é perfeito, mas você tem que concordar que a desigualdade implantada pelo Neo Liberalismo é gigantesca, acredito que uma analise deveria ser mais neutra/imparcial, mas Leandro Roque qual a sua opinião referente ao tipo ideal de economia? Comunismo é ruim, Socialismo é ruim, Capitalismo gera muita desigualdade, Keynesianismo é falho, o que seria bom pra você?
  • Auxiliar  11/04/2016 19:59
    Ué, você próprio já respondeu.

    Se tudo o que você tem contra o capitalismo (que, aliás, não tem nada a ver com neoliberalismo, que é um arranjo tão intervencionista quanto a social-democracia) é que ele aumenta a desigualdade, então você próprio acabou de demonstrar que ele é o melhor arranjo.

    Desigualdade é o menor dos problemas do mundo hoje, uma genuína preocupação de luxo. Aliás, qual o problema com a desigualdade?

    Os EUA são mais desiguais que o Senegal. O Canadá é mais desigual que Bangladesh. A Nova Zelândia é mais desigual que o Timor Leste. A Austrália é mais desigual que o Cazaquistão. O Japão é mais desigual que o Nepal e a Etiópia

    Já o Afeganistão é uma das nações mais igualitárias do mundo.

    O Brasil, mesmo com sua altíssima carga tributária, segue sendo um dos países mais desiguais do mundo, mas não é nem de longe o mais pobre. O pobre brasileiro, por pior que seja sua condição de vida, está melhor que o pobre indiano, apesar de viver numa nação muito mais desigual.

    Se o nosso objetivo é melhorar as condições de vida humana, dando uma vida digna a todos, nossa preocupação é com a pobreza, e não com a desigualdade.

    Pobreza diz respeito às condições absolutas em que alguém se encontra. Tem comida? Acesso a água potável? Habitação? Trabalho? Seus filhos podem frequentar uma escola ou se veem forçados a trabalhar? Os critérios são muitos.

    Já desigualdade é uma variável relativa, que nada diz sobre as condições absolutas de vida. Para saber se um país é desigual, é preciso comparar seus habitantes mais ricos e mais pobres e ver a distância entre eles.

    Um país que tenha uma pequena parcela de milionários e o restante da população passe fome é muito desigual. Já um onde todos passem fome é igualitário. A condição objetiva dos pobres em ambos, contudo, é a mesma.

    Igualmente, se os mais pobres viverem como milionários, e os mais ricos forem uma pequena parcela de trilionários, a desigualdade é grande.

    As duas coisas, pobreza e desigualdade, se confundem facilmente, de modo que muita gente que se preocupa espontaneamente com a pobreza (por exemplo, com quem não tem acesso a saneamento básico ou a educação) acaba falando de desigualdade: da diferença entre os mais ricos e os mais pobres.

    E essa mistura muda nossa maneira de pensar: acabamos pensando que pobreza e desigualdade são a mesma coisa e que, portanto, o melhor remédio contra a pobreza é a redução da desigualdade, o que via de regra significa tirar de quem tem mais e dar para quem tem menos.

    O que é melhor para os pobres de um país: ter renda e consumo sabendo que a elite de seu país é muito mais rica do que eles jamais serão, ou passar fome com o consolo de que sua elite é formada de milionários e não bilionários? Pobreza ou desigualdade?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2007
  • Samuel Gaspar  13/06/2016 03:33
    No Teoria Geral, Keynes não propõe baixar taxas de juros. Porém, nos livros anteriores ele escreveu muito sobre politica monetária, enquanto no TG ele focou mais em demanda efetiva e política fiscal.
    Se as políticas pós-keynesianas do FED em baixar a taxa de juros e crédito farto alimentou a crise de 2008, foi esta mesma política (juros zero) que o tirou rapidamente da crise (ao contrário da crise de 29 na qual ficou por 10 anos, até a segunda guerra).
    Errado fez o Brasil em baixar a taxa de juros e aumentar o déficit público quando NÃO tínhamos crise de demanda efetiva.
    Keynes propôs aumentar gasto público (incorrer em déficits) somente em cenários de crise de demanda efetiva.
  • Alexandre  01/08/2017 06:59
    Seriam os pós-keynesianos semelhantes aos neo-keynesianos no âmbito da política fiscal? Quero dizer, os dois grupos defendem maior responsabilidade fiscal em relação aos keynesianos ortodoxos, mas sendo ela obtida com aumento de impostos e não pelo corte de despesas da máquina pública (basta observar as medidas neo-keynesianas do governo Temer, que concedeu aumento salarial bilionário aos servidores do judiciário e aumentou impostos sobre a gasolina). José Serra em 2007 se revelou timidamente a favor da CPMF, embora o PSDB estivesse contra. Na questão da política monetária, a diferença entre pós-keynesianos e neo-keynesianos já é explicada pelo texto.

    Outra questão importante é se os economistas brasileiros da Nova Matriz Econômica que defendem existência de estatais e do Estado empresário são keynesianos de influência cepalina e kaleckiana, esta última com forte influência marxista. Portanto, seriam um fenômeno tupiniquim. O próprio Bresser-Pereira até cunhou o termo keynesiano-estruturalista alguns anos atrás. Eles não querem keynesianismo apenas para períodos de crise, mas que o Estado seja o indutor do crescimento do país via políticas fiscais e monetárias expansionistas.
  • Emerson Luis  26/08/2017 17:39

    Profeta Leandro Roque!

    Pelo visto pouco ou nada adiantaria voltar no tempo em 2010 antes da primeira eleição da Dilma e avisar as pessoas: o aviso já estava disponível e foi ignorado.

    * * *
  • Davi  11/07/2018 03:12
    O livro de introdução a economia de Mankiw é bom? Vale a pena ser lido? É claro que o pessoal aqui é austríaco e despreza qualquer vertente Keynesiana, mas o livro possui informações importantes?
  • Carlos  11/07/2018 12:34
    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2504


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