clube   |   doar   |   idiomas
Não importa a intenção: gastos do governo sempre geram lucros privados e prejuízos socializados
Quando o governo gasta, ganham os grandes e perdem os pequenos

Eis algo que ainda não foi devidamente compreendido: quando o governo  implanta um determinado programa que envolve novos gastos — desde a distribuição "gratuita" de absorventes até a construção de uma estrada —, os maiores beneficiados são alguns empresários privilegiados (ou ineficientes).  

E os maiores prejudicados são os pagadores de impostos, da classe média ao pobre.

Por isso, defender aumento de gastos do governo — ou ser contra sua redução ou mesmo contra sua contenção — é o equivalente a defender privilégios aos empresários favoritos do governo. 

Isso vale para todo e qualquer tipo de aumento de gastos. 

Se o governo disser que irá gastar mais com assistencialismo, os bancos irão financiar o déficit orçamentário do governo e os pagadores de impostos ficarão com os juros. 

Se o governo disser que irá gastar mais com programas de saúde, além dos bancos, as empresas do ramo médico — desde as grandes farmacêuticas, passando pelas fornecedoras de equipamentos, até os mais simples vendedores de máscaras, gazes e luvas de borracha — também irão lucrar mais. 

Se o governo disser que irá gastar mais com obras e investimentos públicos, além dos bancos, todas as empreiteiras selecionadas serão beneficiadas.

Se o governo disser que irá gastar mais com subsídios, além dos bancos, empresários e pecuaristas serão os privilegiados.

Se o governo disser que irá gastar mais com cultura, os grandes artistas e produtores serão os grandes ganhadores.

É exatamente por isso que "fazer lobby" — isto é, ir ao congresso e "convencer" políticos a votarem e implantarem uma determinada medida — é uma atividade econômica extremamente rentável.

Esta atividade é conhecida na literatura econômica como "rent seeking" — ou "busca pela renda" — e envolve conquistar privilégios e benefícios não pelo mercado, mas pela influência política. A criação de uma emenda orçamentária que irá beneficiar alguma empreiteira que será agraciada com a concessão de alguma obra pública (uma simples obra de recapeamento em uma estrada pode ser decorrente de um lobby de uma empreiteira para conseguir aquela obra) é um exemplo clássico.

Mas os privilégios variam e não se restringem apenas a aumentos de gastos do governo: a imposição de tarifas de importação que deixam concorrentes estrangeiros fora do páreo, a criação de regulamentações (inclusive profissionais) que irão dificultar a entrada de novos concorrentes em um mercado específico, e leis mais lenientes para mineradoras também são exemplos corriqueiros.

Adicionalmente, o rent-seeking está longe de se restringir à esfera federal. Os contratos superfaturados, por exemplo, estão presentes em todas as esferas de poder. Se uma prefeitura decide recapear uma rua ou avenida, são enormes as chances de que a empreiteira que faz aquela obra conseguiu o contrato via propina. No caso, o empreiteiro paga propina aos burocratas da prefeitura, que então escolhem essa empreiteira e, no final, em troca da propina, a empreiteira faz uma obra superfaturada, a qual será paga pelos seus impostos. Empresa, burocratas e políticos ganharam, e você perdeu.

Para ser justo, essa constatação de que gastos do governo são lucros privados é tão óbvia, que até mesmo keynesianos defensores dos gastos estatais a reconhecem. Um dos mais brilhantes representantes do keynesianismo, Hyman Minsky, deixou bem claro em que consistia todo esse teatro keynesiano: endividar o contribuinte para engordar o capitalista.  

Veja o que ele disse em um de seus livros mais importantes, Estabilizando uma Economia Instável:

Se o déficit público aumentar quando os investimentos privados e os lucros estiverem diminuindo, os lucros empresariais não irão diminuir tanto quanto diminuiriam na ausência deste déficit.  Com efeito, um Governo Grande serve para consolidar os lucros das empresas.

Direto ao ponto. Sem embustes nem rodeios. 

Para piorar, a pressão inflacionária

A verdade é que não há nenhum mistério nisso. E é estranho que poucos abordem as coisas desta maneira. 

O estado, quando decide gastar mais com algum programa, pode fazer duas coisas: ou ele pode comprar bens e serviços de uma empresa privada, a qual receberá uma injeção de dinheiro público na veia; ou pode executar seus dispêndios por meio de alguma estatal, o que inevitavelmente também gerará toda uma série de lucros privados, não apenas em prol de seus empregados, mas também e principalmente em prol de fornecedores, clientes etc. 

E, novamente, em ambos os cenários, os ganhadores serão os destinatários destes gastos. O eventual déficit do governo será financiado pelos bancos, e os pagadores de impostos arcarão com os juros.

Mas tudo pode piorar: há também o efeito inerentemente inflacionário dos déficits. Os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados por uma lista exclusiva de bancos privilegiados, os chamados dealers primários. E estes bancos privilegiados compram títulos do Tesouro por meio da pura e simples criação de dinheiro.

Déficits, portanto, também podem ser uma medida inflacionária, a qual gera uma pressão direta sobre os preços. E inflação de preços, como já comprovado, desorganiza toda a economia e ainda prejudica o poder de compra dos pequenos.

Prejudicando o resto

Não há escapatória: quando o estado implanta um determinado programa (seja "social" ou voltado para a infraestrutura), o que em última instância ele está fazendo é garantindo lucros a seus empresários favoritos. 

E, pior, estará aumentando o custo de vida dos indivíduos que não foram beneficiados por esse programa. 

Por exemplo — e aproveitando a mais recente celeuma —, se o governo anunciar um programa de "compras governamentais de absorventes", o preço das unidades saltará. Sempre que o governo cria um programa de demanda garantida, produtores aumentam os preços (isso é economia básica). Consequentemente, aquelas mulheres que não forem contempladas pelo programa serão as grandes perdedoras.

Igualmente, se o governo anuncia um programa de volumosas obras de infraestrutura, os preços dos insumos — minério, aço, cimento, vergalhões, argamassa, retroescavadeiras, tratores, cobre, níquel, alumínio etc. — irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção (como imóveis e carros) ficarão mais caros. Todo o resto do setor da construção civil e todas as demais indústrias do país terão agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade destes insumos.

A grande ironia

No fim, não há diferença prática entre o estado aumentar seus gastos — seja para "estimular a economia" ou para implantar algum novo programa social — e o estado socorrer bancos ou mesmo terceirizar a gestão de algum serviço público para uma empresa privada em regime de monopólio. Em todos eles está havendo transferência de recursos públicos para mãos privadas.

A única diferença teórica é que, nestes dois últimos exemplos, vemos com clareza como o dinheiro está sendo transferido dos pagadores de impostos para alguns capitalistas específicos, ao passo que, com os estímulos ou novos programas sociais, muitos se limitam a aplaudir sem perceber que eles próprios estão sendo espoliados.

Por fim, eis a ironia: quem defende contenção dos gastos e déficit zero são aqueles que, no final, se recusam a enriquecer vários capitalistas por meio da espoliação dos pagadores de impostos; e também se recusam a socializar os prejuízos privados. Já os "defensores do povo" e "justiceiros sociais" são os principais aliados dos grandes empresários que obtêm grandes lucros simplesmente porque se beneficiam das consequências do aumento dos gastos do governo e do déficit público.

Gastos públicos são lucros privados. Sempre. É uma lástima que algumas pessoas ainda não tenham entendido de que lado realmente estão e quais interesses privados estão defendendo.



autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Thiago Rodrigo Maia dos Santos  13/10/2021 18:07
    Perfeito, parabéns pelo artigo.
  • FREDERICO  17/10/2021 15:28
    Pois é, artigo ótimo. O problema é que grande parte de nossa classe política e de cidadãos só aprenderam a ler e a falar as palavras socializar e estado. E então só falam nisso, sem se interessar ou tentar entender o restante do dicionário ou as implicações das próprias 2 palavras. O artigo dá uma clareza a respeito. A ignorância é uma praga!
  • Dúvida  13/10/2021 20:08
    Os gastos públicos, per se, causam carestia, ou apenas os déficits nominais a causam?
  • Leandro  13/10/2021 20:21
    Gastos, per se, não. Aumento dos gastos, sim.

    Se o déficit é zero, mas os gastos e as receitas estão subindo simultaneamente, isso gera pressão sobre os preços. Afinal, tanto os gastos (demanda) do governo quanto suas receitas (impostos que majoritariamente incidem sobre o consumo) estão subindo. Mais coisas estão sendo adquiridas pelo governo e mais impostos estão incidindo sobre a cadeia produtiva, onerando-a.

    Não haverá um aumento generalizado e contínuo de preços (isso só ocorre se houver contínuo crescimento da oferta monetária). Mas ocorrerá um aumento naqueles setores em que o governo está gastando, e também naqueles setores capazes de repassar uma parte do aumento do custo tributário aos consumidores.

    No fim, haverá uma distorção geral nos preços.

    Dito isso, vale enfatizar que, no mundo real, a oferta monetária está sempre crescendo, seja por meio dos déficits do governo, seja por meio da expansão do crédito ao setor privado, de modo que sempre haverá pressão altista nos preços.
  • YURI SAO CARLENSE  15/10/2021 04:41
    "Se o déficit é zero, mas os gastos e as receitas estão subindo simultaneamente, isso gera pressão sobre os preços. "

    A frase está escrita corretamente? Ou faltou colocar o "não" - "não gera pressão sobre os preços"?
  • Leandro  15/10/2021 14:40
    A frase está correta. Se os gastos do governo subirem, haverá pressão nos preços, pelos motivos que tentei explicar acima.
  • Paulo Henrique  15/10/2021 23:06
    Leandro, desculpe a duvida um tanto leiga. Mas, se o governo demandar um produto o preço dele não ficaria permantemetne em um patamar mais elevado do que sem a demanda dele? E por que?

    Vi essa afirmação por aqui. Mas a produção não aumentaria nesse setor para compensar essa maior demanda do governo no produto?
  • Leandro  16/10/2021 01:01
    "Mas, se o governo demandar um produto o preço dele não ficaria permantemetne em um patamar mais elevado do que sem a demanda dele?"

    Correto.

    "E por que?"

    Trata-se de uma demanda garantida, definitiva e "infinita". Trata-se de um aumento de demanda que "veio para ficar", e cujo demandante possui recursos "inesgotáveis".

    O governo não é um consumidor normal. Ele demanda bens e serviços independentemente da situação econômica (tanto é que o governo nunca corta gastos nem mesmo em recessões). Não há por que produtores reduzirem preços após o governo entrar em cena e passar a demandar seus produtos.
    "Mas a produção não aumentaria nesse setor para compensar essa maior demanda do governo no produto?"

    Se houver plena liberdade de entrada no mercado, sim. Mas se houver agências reguladoras impondo obstáculos à entrada de novos concorrentes, ou simplesmente se houver burocracia ao surgimento de novas empresas do ramo, aí isso não acontece.

    Para que os preços caiam mesmo após o governo se tornar um comprador permanente (utilizando dinheiro de impostos e impressão monetária), teria de haver um enorme aumento na capacidade produtiva, o que demandaria vultosos investimentos, bem como a entrada de novos ofertantes (o que, por sua vez, exige um mercado livre). Não há por que haver aumento na capacidade produtiva quando se tem o governo como cliente (a demanda do governo é inelástica e não leva em conta qualidade nem custo-benefício). Sendo assim, apenas aumenta-se preços. É a solução mais racional a se tomar.
  • Gustavo  16/10/2021 11:26
    Sobre essa questão da demanda do governo aumentar os preços dos absorventes, basta ver o que houve com os preços das seringas antes e depois do início da vacinação de Covid.

    Antes, custavam por volta de R$ 0,15. Depois, passaram a custar até R$ 0,48.

    noticias.r7.com/economia/fabricantes-cobram-preco-realista-para-fornecer-seringas-ao-governo-30122020
  • Rafael  13/10/2021 20:13
    Essa questão dos gastos do governo privilegiarem uns poucos à custa de todos me lembrou de uma frase que vi há um tempo, quando a esquerda ainda dominava as ruas:

    "Brasil: país em que a definição de "cidadania" é sair às ruas pra protestar para que políticos corruptos te prometam serviços públicos péssimos e "grátis" pagos com dinheiro roubado de você mesmo."
  • Caio  13/10/2021 20:15
    Dúvida de iniciante: como exatamente a compra de títulos públicos pelo sistema bancário pressiona a inflação?
  • Leandro  13/10/2021 20:24
    Eis a sequência:

    1) O Tesouro emite títulos;

    2) Esses títulos são comprados pelos bancos (os dealers primários);

    3) Como os bancos compram? Eles utilizam o dinheiro que está em suas "reservas bancárias", que nada mais é do uma conta-corrente que os bancos têm junto ao Banco Central.

    4) Ato contínuo, a quantidade de dinheiro nas reservas bancárias cai.

    5) Essa queda nas reservas bancárias pressiona a SELIC para cima (a SELIC nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram entre si para fazer empréstimos no mercado interbancário).

    6) Como o Banco Central trabalha com uma meta estipulada para a SELIC - o que significa que ele não pode deixar que ela saia da meta -, ele tem de injetar dinheiro no mercado interbancário para impedir que a SELIC suba.

    7) Ou seja, no cômputo final, houve criação de dinheiro. Dinheiro que estava nas reservas bancárias entrou na economia, e essa redução nas reservas bancárias foi contrabalançada por novas injeções de dinheiro criado do nada pelo Banco Central.

    Não fosse o BC para manipular as reservas bancárias, a SELIC seria ainda maior do que já é.
  • Felipe  13/10/2021 20:19
    "Por fim, eis a ironia: quem defende contenção dos gastos e déficit zero são aqueles que, no final, se recusam a enriquecer vários capitalistas por meio da espoliação dos pagadores de impostos; e também se recusam a socializar os prejuízos privados. Já os 'defensores do povo' e 'justiceiros sociais' são os principais aliados dos grandes empresários que obtêm grandes lucros simplesmente porque se beneficiam das consequências do aumento dos gastos do governo e do déficit público."

    Eu só faria uma correção: corporações que se beneficiam do estado não são capitalistas e sim corporativistas.

    De resto, o artigo é simples, direto e explicativo sobre o mal que há no estatismo.

    E o mais irônico é que a esquerda, que supostamente não gosta das grandes corporações (e pior, supostos liberais), apoiar uma medida de distribuição de absorvente que irá beneficiar não apenas toda uma burocracia mas também a empresa que for contemplada por esse programa de compra governamental. Nenhuma diferença disso para o Convênio de Taubaté... Sendo isso o Brasil, não demorará para descobrirmos a farra que estará por trás disso.

    Sobre esse trecho, fiquei com uma dúvida:

    "Se uma prefeitura decide recapear uma rua ou avenida, são enormes as chances de que a empreiteira que faz aquela obra conseguiu o contrato via propina. No caso, o empreiteiro paga propina aos burocratas da prefeitura, que então escolhem essa empreiteira e, no final, em troca da propina, a empreiteira faz uma obra superfaturada, a qual será paga pelos seus impostos. Empresa, burocratas e políticos ganharam, e você perdeu."

    Esse arranjo estatista de fazer e/ou consertar ruas e avenidas existe no mundo todo? Em países de moeda forte como Suíça, Japão e Alemanha, a qualidade das ruas e estradas é infinitamente maior que as daqui. Por aqui, além desse arranjo corporativista, na maioria das vezes será aquele recapeamento mal feito e com aqueles tapa-buracos que acabam se tornando um novo problema para a suspensão do veículo...
  • Yuri  13/10/2021 20:30
    "E o mais irônico é que a esquerda, que supostamente não gosta das grandes corporações (e pior, supostos liberais), apoiar uma medida de distribuição de absorvente que irá beneficiar não apenas toda uma burocracia mas também a empresa que for contemplada por esse programa de compra governamental. Nenhuma diferença disso para o Convênio de Taubaté... Sendo isso o Brasil, não demorará para descobrirmos a farra que estará por trás disso."

    A Always Brasil (que fabrica absorventes e é vinculada à Procter & Gamble) publicou em seu Twitter uma comemoração ao projeto da deputada Tábata Amaral (distribuição "gratuita" de absorvente pelo governo federal).

    Como ficou muito explícito o rent seeking, ela apagou. Mas o print é eterno.

    ibb.co/sy6B56s
  • Marize  13/10/2021 20:33
    "Sendo isso o Brasil, não demorará para descobrirmos a farra que estará por trás disso"

    Uma ONG chamada Girl Up criou um projeto para "conter a pobreza menstrual".

    Essa ONG, por sua vez, é financiada por várias grandes empresas, inclusive o grupo P&G.

    Uma das empresas vinculadas à P&G é a Always, marca famosa de absorvente.

    A Always, por sua vez, na sua página do Instagram comemorou o "grande passo para combater a pobreza menstrual". Por que será?

    Temos de tudo aí:

    a) rent-seeking (busca de renda a partir da manipulação do ambiente político),

    b) free-rider (distribuição de benefício para quem não custeia o benefício),

    c) tráfico de influência (promessa de vantagem mediante uma decisão política),

    d) contemplação das demandas particulares de grupos de interesse (que visa "bem-público"),

    e) concentração de renda (pois grandes empresas vão participar da licitação),

    f) custos altos logísticos (pois vai ser necessário criar toda uma burocracia para colocar a política em prática).
  • Marize  13/10/2021 20:39
    Importante ressaltar que não há nada de ilegal ou criminoso nessa prática (haveria apenas se houvesse comprovação de corrupção, fraude, desvio de dinheiro público etc.). mas é interessante ver a elasticidade moral de algumas pessoas, que condenam as "malvadas grandes corporações", mas aplaudem quando estas mesmas grandes corporações são beneficiadas com políticas que lhes repassam dinheiro de impostos.
  • Gustavo  13/10/2021 20:44
    Funciona assim: a grande corporação é malvada quando ela cresce no livre mercado fornecendo bens e serviços a consumidores que voluntariamente compram seus serviços. Mas se torna boazinha quando sua receita passa a ser dinheiro de impostos distribuídos por políticos.
  • Gustavo  13/10/2021 20:45
    "Esse arranjo estatista de fazer e/ou consertar ruas e avenidas existe no mundo todo?"

    Em todos os locais em que ruas e avenidas são estatais, sim.

    Estado contratar empreiteira para fazer obra não é ilegal e nem criminoso (partindo-se, é claro, do pressuposto de que não há propina, nem fraude, nem superfaturamento, nem desvio de dinheiro). Mas é crucial ressaltar que se trata de um arranjo corporativista, em que uma empresa privada aufere suas receitas via impostos.

    Ainda pior é quando a empreiteira só sobrevive com obras públicas.

    Aqui no Brasil ficou famoso o caso da empreiteira Delta, do Fernando Cavendish. Praticamente 100% do seu faturamento era proveniente de obras públicas entre 2007 e 2012, somando quase R$ 11 bilhões.

    www.capitalnews.com.br/nacional/delta-lavou-mais-de-r-370-milhoes-por-meio-de-empresas-de-fachada-diz-pf/293165

    Ou seja, essa empresa privada era mais estatal que quase todas as estatais do Brasil.
  • George  13/10/2021 22:27
    "Eu só faria uma correção: corporações que se beneficiam do estado não são capitalistas e sim corporativistas"

    É um bom ponto. Mas a definição precípua de capitalista é 'detentor do capital'. Isso vale tanto para o mega empresário detentor dos sofisticados meios de produção de uma fábrica quanto para o pipoqueiro detentor do carrinho da pipoca, das panelas, do milho e do butijão de gás.

    Se esse capitalista (o mega empresário ou o pipoqueiro) faz negócios com o governo, ele também se qualifica como corporativista, mas a definição de capitalista (detentor do capital) não é alterada.
  • Yonatan  14/10/2021 00:25
    A melhor coisa que existe para uma empresa capitalista é um Estado socialista, pois assim com muito menos gasto este lhe garante uma reserva de mercado, já que é mais fácil subornar um punhado de pessoas do que investir no desenvolvimento dos produtos e em boas iniciativas de marketing.
  • Alexandre  14/10/2021 00:32
    Não é qualquer empresa, mas uma grande empresa que tenha contratos (e contatos) com o Estado.

    Nesse país, os maiores anunciantes serão ou o Estado ou [grandes] Empresas que vendem pra o Estado.

    Como é o caso do Brasil.
  • Milton  13/10/2021 22:15
    Existe algum site brasileiro tipo o IMB voltado para a Escola de Chicago?
  • Henrique  13/10/2021 22:21
    Nenhum que se saiba.
  • Júlio  13/10/2021 22:20
    é verdade que há uma relação inversa entre o volume de poupança interna e a taxa de inflação, ou seja, quanto menor a inflação mais poupança e vice-versa?

    Pergunto isso porque noto nos gráficos do ibge essa relação inversa entre a fatia da poupança no PIB e a inflação anualizada.
  • Elias  13/10/2021 22:30
    Quando ocorre inflação de preços em decorrência da inflação monetária (expansão monetária), o dinheiro perde seu poder de compra e a demanda por ele diminui, ou seja as pessoas poupam menos (isso é fácil de verificar, se você sabe que com o mesmo dinheiro você irá consumir menos no futuro, a tendência é que você consuma hoje).

    Ao passo que, se a oferta monetária for constante, o poder de compra do dinheiro vai aumentando com o passar do tempo e nesse cenário a demanda por ele aumenta (isso também é fácil de verificar, se você sabe que com o mesmo dinheiro você poderá consumir mais no futuro, a tendência é que você deixe de consumir hoje, para poder consumir mais no futuro).
  • anônimo  13/10/2021 22:53
    Pessoal,
    os governos, principalmente dos países desenvolvidos, vão conseguir continuar se endividando e honrar os compromissos do welfare state relativos à saúde e à aposentadoria da população?
    Em algumas décadas, veremos cortes profundos nesses governos?
  • Leandro  13/10/2021 23:07
    Isso é absolutamente certo. Vai ocorrer, sem nenhuma sombra de dúvida. A questão não é apenas econômica; é também demográfica e matemática. Ou seja, é irreversível.

    Este será o calote mais inevitável de todos (para qualquer governo).

    Mas o calote não ocorrerá subitamente. E também não será sobre os títulos públicos: o governo só consegue se manter porque pega dinheiro emprestado; ele precisa se endividar simplesmente para continuar funcionando. Ao dar um calote, o governo estaria fechando exatamente aquela fonte de financiamento que o mantém vivo. Você não mata quem sempre lhe empresta dinheiro e que faz com que seja possível você fechar suas contas

    Portanto, o governo (de qualquer país) vai começar cortando alguns benefícios previdenciários daqueles grupos que têm menos poder político e pouco poder eleitoral. E daí vai começar a aprofundar. Nos EUA, o governo vai começar a cortar o Medicare e o Medicaid. Aqui no Brasil serão alguns pensionistas, aposentados e dependentes de assistencialismo. E assim por diante. A faca começará sempre sobre os menos influentes. Chegará um momento em que estes não mais receberão nada.

    Mas, antes disso, ainda haverá cortes na saúde, na educação e na cultura. Terá de haver. Assim como também terá de haver vendas de ativos. Haverá privatizações, mesmo que a contragosto. Em última instância, o governo preferirá vender todas as suas estatais a calotear a dívida pública (e há muitas estatais a serem vendidas).

    Haverá gritaria, mas será feito.
  • Felipe  13/10/2021 23:46
    Seria ótimo, se for pensar.

    A gente pode esperar isso de países mais sérios.

    Em países como a Venezuela, eles preferiram o caminho da direta monetização e, no caso argentino, estão indo pelo mesmo caminho.
  • Eduardo  13/10/2021 22:58
    Resumindo, um liberal (ou genuíno conservador) é aquele que é contra o uso do estado para enriquecer artificialmente, pela coerção, os magnatas amiguinhos do governo, mas que defendem que o cara que enriqueceu produzindo valor para a sociedade merece ficar com o seu dinheiro. E sabe que não tem cabimento ficar taxando o cara produtivo só por ele ser rico.

    Um esquerdista é aquele cujas idéias intervencionistas idiotas têm por consequência (que uns percebem, e outros não) enriquecer artificialmente os ricaços poderosos com conexões políticas. E aí ele olha esse arranjo, conclui que os ricos (que muitas vezes são beneficiados pelo intervencionismo esquerdista) têm dinheiro demais, e defendem que todos os ricos (sem distinção, inclusive os que geram valor) sejam taxados para compensar essas injustiças.

    De um lado temos um arranjo em que o poder de parasitas é limitado, e os frutos do trabalho de pessoas capazes é recompensado. E do outro temos um arranjo em que o governo e amigos do governo vão ficando cada vez mais ricos e poderosos às custas do resto da população.
  • Desenvolvimentista  13/10/2021 23:20
    Pode até ser que ocorra tudo isso (eu nem ligo) mas a única alternativa é o desenvolvimento econômico dirigido pelo estado com a parceria com a iniciativa privada assim como foi com os EUA industrializando através do protecionismo com as altas tarifas alfandegárias, portanto o país se tornou essa superpotência em que se tornou.
  • Leandro  13/10/2021 23:31
    Eis o problema de quem repete lugares-comuns sem entender de economia: fala bobagens.

    O crescimento e a industrialização dos EUA começaram na década de 1820 com as ferrovias com locomotivas a vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam. Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie.

    Tudo isso antes de 1860 (quando realmente houve elevação das tarifas de importação, que foi o estopim da Guerra Civil).

    Os estados americanos que mais se enriqueceram durante esse período anterior a 1860 foram os do nordeste. E o motivo é simples: os grandes industriais europeus aportaram lá, na Nova Inglaterra. Esse é um fenômeno que simplesmente não pode ser ignorado em qualquer análise econômica minimamente séria.

    E aí houve o inevitável: regiões industrializadas sempre viram protecionistas.

    Em 1860, o Congresso aprovou a Morrill Tariff, que elevou enormemente as tarifas sobre importações para proteger as indústrias do norte bem como seus altos salários, prejudicando severamente os estados do sul, que agora tinham de arcar com os altos custos de importação, mas que não tinham como repassar estes altos custos para seus preços, pois vendiam três quartos da sua produção para o mercado mundial.

    Vestuário, equipamentos agrícolas, maquinários e vários outros itens ficaram extremamente caros de se obter. O sul queria livre comércio porque também era a única maneira de exportar sua produção.

    Isso impulsionou os estados do sul a se rebelarem. Aí deu-se origem àquela maravilha que foi a Guerra Civil Americana, com 600.000 mortos.

    (Recomendo este texto a respeito, que faz uma ótima compilação destes eventos.)

    Com a vitória do norte, tarifas protecionistas foram implantadas (que vigoraram até o ano de 1900, caindo a partir dali).

    Como consequência dessa imposição tarifária e da destruição do livre comércio, o sul empobreceu (e, até hoje, é mais pobre do que o norte).

    Tarifas fizeram exatamente o que prometiam: protegeram (de 1865 a 1900) aquelas indústrias do nordeste americano que já estavam estabelecidas, e empobreceram o resto do país. E, de quebra, mataram 600.000 civis em uma guerra.

    Alguns detalhes:

    1) Até 1913, a única forma de o governo federal americano se financiar (a única forma que era permitida pela Constituição) era por meio de tarifas de importação. Ou seja, toda a carga tributária federal se resumia a tarifas de importação.

    2) A Morrill Tariff elevou progressivamente a tarifa de importação de 15% em 1860 para 44% em 1870. Foi uma década perdida para os EUA.

    A partir de 1870 a tarifa voltou a cair, chegando a 27% em 1880, a 15% em 1910 e a 7,7% em 1917.

    E vale um adendo importante: como os preços só caíam por causa da moeda forte (os EUA viviam o padrão-ouro), os preços nominais dos produtos importados também só caíam. Logo, os custos nominais dessas tarifas — que já eram decrescentes — caíam ainda mais.

    3) É de crucial importância distinguir entre tarifas de importação com intuito protecionista e tarifas de importação com intuito arrecadatório. Uma é o exato oposto da outra.

    Uma tarifa com intuito protecionista é imposta exatamente para impedir que as pessoas importem. Se ela realmente lograr tal objetivo, a receita do governo será zero. Óbvio. Se o intuito do governo é desestimular as pessoas de importar — e se as pessoas realmente não importarem —, então a arrecadação do governo com essa tarifa será zero. E ele não ligará, pois era isso o que ele queria.

    Já uma tarifa com intuito arrecadatório existe, ao contrário, para trazer o máximo possível de receita para o governo. Ela não está ali para impedir as pessoas de importar; ao contrário, o governo está torcendo para que as pessoas importem o máximo possível, pois só assim ele terá muitas receitas. E se o governo exagerar na tarifa, então ela vira meramente protecionista, e a arrecadação do governo tenderá a zero — exatamente o contrário do que ele almejava.

    Por uma questão de lógica simples, sabendo que o governo americano da época sobrevivia exclusivamente com as receitas dessas tarifas, então a conclusão lógica é que, à época (antes de 1860 e pós-1870), elas não tinham caráter protecionista. Se tivessem, o governo não teria receita.

    As tarifas de importação do governo Sarney e do governo Dilma, por exemplo, eram meramente protecionistas. Já as americanas eram arrecadatórias.

    E, ainda assim, eram mais baixas que as nossas atuais.

    4) Os EUA cresceram e se industrializaram porque havia ampla liberdade de empreendimento e o governo federal era mínimo (excetuando o período Lincoln). Não havia regulamentações (ao menos, não como as de hoje), e o governo federal coletava impostos unicamente via tarifas sobre importados, pois esta era a única maneira permitida pela constituição.

    Excetuando-se o período da Guerra Civil, os EUA cresceram de 1820 a 1929. E, até 1913, como não havia um Fed, era um crescimento com queda de preços.

    Livre mercado e moeda-forte. Combinação que jamais deu errado.
  • Jéssica  14/10/2021 00:30
    Não acredito que um estado muito menor, no sentido de excessiva desregulamentação seja positivo. Daria no mesmo, empresários sem controle algum iriam fraudar produtos, enganar consumidores, explorar trabalhadores. Tem que ter um meio termo.
  • Régis  14/10/2021 00:38
    Como assim?!

    Quer dizer que, se eu, na condição de empreendedor, quiser ter lucro, a primeira coisa que irei fazer é enganar consumidores e fraudá-los? Como é que eu vou ficar rico assim?

    Se eu fraudo e engano você, a primeira coisa que você irá fazer é me denunciar no Reclame Aqui, nas redes sociais, para seus vizinhos e amigos. Minha clientela irá despencar.

    Por favor, me diga como é possível eu ganhar dinheiro assim?

    Você não irá comprar, em uma padaria, uma picanha que não esteja fresca caso acredite que irá conseguir uma de melhor qualidade no supermercado mais próximo. Os comerciantes até gostariam de conseguir vender uma picanha do mês passado que já esteja se deteriorando, mas os consumidores, em conjunto com o interesse próprio dos outros vendedores, não deixarão isso ocorrer.

    As escolhas dos consumidores e as ações dos concorrentes restringem (isso é, regulam) até mesmo a qualidade dos produtos serão colocados à venda — para não falar dos que realmente serão vendidos —, pois os consumidores irão denunciar e falar mal daqueles estabelecimentos que vendem produtos de pior qualidade em relação aos outros.

    Em um mercado concorrencial, nenhum estabelecimento pode se dar ao luxo de desapontar ou de tentar ludibriar os consumidores. Sendo assim, eles são obrigados a manter uma qualidade decente, mesmo que não queiram.

    Dessa maneira, as forças do mercado regulam a qualidade melhor que burocratas e políticos, que não têm nada a perder ou ganhar (exceto propinas).
  • Humberto  14/10/2021 00:39
    O único arranjo em que é possível o cara enriquecer fornecendo péssimos serviços é justamente em mercados regulados, onde a concorrência é banida e você não tem opção a não ser continuar comprando do mesmo fornecedor. Exatamente o arranjo que você defende.

    É por isso que você consegue qualidade em restaurantes e padarias, mas passa raiva no mercado de telefonia celular, no mercado bancário, no mercado aéreo, no mercado elétrico, no mercado de postos de gasolina etc., pois todos esses são estritamente regulados pelo governo via agências reguladoras.

    Não existe isso de "falta de regulação". Sempre haverá dois tipos de regulação: regulação feita por políticos e burocratas, ou regulação feita pelas forças do mercado. Regulação feita por decretos, ou regulação feita pela liberdade de escolha.
  • Bernardo  14/10/2021 00:44
    Essa lógica é sensacional. Empresas privadas, se não forem estritamente reguladas por políticos (esses seres tão honestos, angelicais e preocupados com o povo), irão matar todos os seus consumidores. Afinal, é exatamente assim que empresas capitalistas ganham dinheiro: matando seus consumidores.

    Só mesmo um povo que não entende absolutamente nada de capitalismo pode realmente pensar que há lucro ao se fraudar ou mesmo exterminar todo o seu público consumidor.

    Nossa mentalidade anticapitalista, que não entende nem sequer o básico sobre economia de mercado, leva a raciocínios esdrúxulos assim. Daí nosso atraso.
  • Bárbara  14/10/2021 18:05
    É simplesmente lamentável essa obediência, essa idolatria quase bovina que as mulheres e os LGBT tem com o Estatismo, que é quem justamente mais submete essas pessoas as tais humilhações que vivem chorando que sofrem. Leia mais artigos Jéssica e vai ver que o que você fala não tem o menor sentido.
  • Revoltado  14/10/2021 20:47
    Bárbara,

    Pedirei licença para ser politicamente incorreto:
    Mulheres e a maioria das pessoas do segmento LGBT tendem a ser mais emocionais que a média da população. A Esquerda têm sabido sempre como cativar os corações e mentes mundo afora por penetrar no âmago emocional de quem deseja conquistar e isto ajuda a explicar facilmente por quê vemos mulheres, gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros defendendo aqui e ali pautas progressistas.
    É mister observarmos que boa parte desconhece a História e assim ignoram que historicamente, era (e é) exatamente aonde a Esquerda é quase hegemônica que seus direitos são suprimidos ou mesmo extintos.
    Pessoalmente, snto atração por mulheres transgêneras e infelizmente vejo isto a miúde. Já fui inclusive escorraçado virtualmente por uma a quem seguia via rede social apenas por condenar a postura do Ministro Edson Fachin em anular condenações do Lula. Bastou para receber a pecha de "maricona conservadora" e que eu devesse fazer sexo oral no "Bozo". É isto, infelizmente...
  • Hilton  14/10/2021 00:43
    É inevitável essa dinâmica. Se eu recebo.meu salário e vou ao mercado também estou enriquecendo alguém. Dinheiro só troca de mãos ...
    Creio que, se inevitável for a intervenção do estado e o fim for social, o mais barato é por o dinheiro na conta do beneficiado final.
    Quando o estado gasta dinheiro do contribuinte ele, em tese, funciona como uma cooperativa onde todos "dão" uma fração em dinheiro para comprar/produzir/construir algo de interesse comum.
    O sistema de licitação precisa ser 100% digital e transparente onde algoritmos vasculham o mercado e fazem comparações numéricas...
  • Régis  14/10/2021 00:51
    Sim. Entre criar "programas sociais" (que nada mais são do que a criação de burocracias e cabides de empregos para apaniguados políticos, bem como esquemas de fraudes em licitação, propinas e superfaturamentos) e simplesmente dar dinheiro para o destinatário final, esta última opção é 100% preferível.

    Por mais bizarro que pareça, nesta questão dos absorventes havia "liberais" dizendo que era preferível o estado criar um programa específico de distribuição de absorventes do que simplesmente dar o dinheiro do absorvente para as meninas pobres porque, se o governo apenas desse o dinheiro, pais machistas iriam desviar o dinheiro para consumo próprio.

    Ou seja, "liberais" passaram a defender o estado-babá. E utilizando uma justificativa abertamente progressista.
  • Ulysses  14/10/2021 00:44
    Livre concorrência e livre iniciativa são coisas muito arriscadas. Já capitalismo de estado é muito melhor. No capitalismo de estado seu sucesso é garantido pelo governo. É algo certo. Você está sempre protegido. Você tem subsídios e pacotes de socorro. Você dificilmente vai à falência.

    Já no liberalismo você tem de suar para agradar os consumidores. Não há nenhuma garantia de lucros. Há concorrentes por todos os lados. Se você fracassar, você vai à falência. Ninguém irá lhe socorrer. Você não receberá subsídios nem pacotes de socorro.

    Não há nenhuma chance de o povo como um todo trocar o atual arranjo (mercantilismo) pelo outro (livre mercado). Até porque ele nem sabe que é ele que banca essa farra toda.
  • Daniel  14/10/2021 01:00
    O livro "Por que o Brasil é um país atrasado?" fala muito sobre isso, mas ele usa muito o termo oligarquia, e explica que no Brasil só cresce quem tem privilégio estatal, do governo e de burocratas. Ele explica que no Brasil existem tantas regulamentações que, ao invés de ajudar os trabalhadores, só da autonomia para o Estado controlar mais ainda a nação, e impede que existam novos empreendimentos. E isso consequentemente mina a economia nacional. Leiam esse livro, é do descendente real Luiz Philippe de Orleans e Bragança.
  • Marionete do Nego Ney  14/10/2021 15:24
    O que este site e outros veículos libertários sempre dizem mais uma vez se mostra verdadeiro, deem uma olhada nisso:

    www.msn.com/en-us/tv/news/cnn-loses-nearly-half-its-viewers-in-post-trump-network-ratings-bloodbath/ar-AALBCKu

    Mídias tradicionais estão cada vez mais minguando e perdendo relevância, as pessoas cada vez mais enxergam que a verdade morreu à tempos nesses meios (se é que se pode dizer que já houve qualquer preocupação com a verdade por ali) e que hoje servem apenas como ferramentas de propaganda de causas progressistas idiotas eu patetices da direita. Enquanto isso, mídias descentralizadas online seguem conquistando espaço. Apenas reparem o nível da coisa, a matéria tem a cara de pau de dar à entender que o Homem Laranja Mau é o culpado disso...
  • Jairdeladomelhorqptras  14/10/2021 15:53
    Vai aqui um comentário "provocativo" pessoal.
    Mas antes de ser devidamente apedrejado, digo que sempre fui anarquista, daqueles antigos, obviamente, alijando a parte violenta e terrorista do antigo "anarquismo raiz".
    Uma dúvida e que ainda não consegui uma explicação é a razão do capitalismo ter surgido após a formação do Estado-nação na Europa. E não antes. De alguma forma a industrialização capitalista só foi capaz de surgir após os modernos estados terem se formado. Tem gente que diz que já existia capitalismo na "propriedade de terras" do feudalismo ou que as corporações de ofício já eram organizações capitalistas na IdadeMédia. Mas o fato é que o moderno capitalismo industrial só surgiu após a formção do Estado-Nação. Acredito e apoio as idéias do Mises. Mas esta "contradiçao" me incomoda. Solicito auxílio do pessoal daqui. Abraços.
  • Túlio  14/10/2021 17:40
    O problema está é na sua linha do tempo. Estado sempre existiu. Variava a forma, mas sempre havia alguém mandando e oprimindo.

    O capitalismo despontou quando a propriedade privada passou a ser respeitada, e quando a busca pelo lucro passou a ser menos criminalizada.

    Nada a ver com o "surgimento do estado", que já estava lá.

    Deirdre McCloskey escreveu três tomos sobre isso.

    www.mises.org.br/article/3337/como-o-acordo-da-burguesia-enriqueceu-o-mundo
  • Ex-microempresario  15/10/2021 12:26
    Você mesmo explicou, sem querer, ao usar dois termos diferentes:

    "Capitalismo" já existia séculos a.C, porque já existia capital (e comércio). Havia ferramentas, fábricas, carroças, navios, portos. Tudo isso são bens de capital, ou meios de produção. Tudo isso aumenta a produtividade e a produção de riqueza.

    "Moderno capitalismo industrial" surgiu com a indústria moderna, ou seja, após a revolução industrial, que tem a ver principalmente com o uso do vapor e dos combustíveis fósseis (carvão foi o primeiro).
  • Jairdeladomelhorqptras  15/10/2021 15:03
    Agradeço a contribuição do Tulio e do ex-micro empresário,
    Creio que um debate aprofundado sobre o papel do estado requer uma definição precisa sobre o que é "moderno Estado- Nação na Europa" e "moderno capitalismo industrial europeu". Mas ainda me parece (e não aprecio esta conclusão) que o surgimento dos modernos Estados- Nação na Europa auxiliaram o surgimento do moderno capitalismo industrial europeu. O surgimentos destes Estados, paulatinamente, foram eliminando os antigos entraves medievais que restringiam o crescimento econômico da Europa. Isto, talvez, no início da formação destes Estados. Hoje, concordo, eles são entraves. Abraços
  • Ex-microempresario  16/10/2021 13:32
    Eu acho que é o contrário. O crescimento da indústria é que proporcionou o surgimento dos estados modernos.

    A chave é não pensar na revolução industrial apenas pelo lado econômico/político, mas pelo lado tecnológico: os avanços na produção de aço, por exemplo, e principalmente na energia: até o século 18, a produção era feita com força humana ou animal. O uso do carvão e da máquina a vapor (e posteriormente do petróleo) aumentou enormemente a produtividade e a riqueza.

    Foi esse aumento da riqueza que permitiu o crescimento dos estados, porque havia mais riqueza para tributar. Antes da revolução industrial, os impostos eram baixos porque 95% da população trabalhava sete dias por semana apenas para ter o que comer. Não havia como sustentar uma burocracia estatal.
  • imperion turbo nuclear quantico com equio  14/10/2021 17:30
  • Ricardo  14/10/2021 23:59
    E se o governo "gasta" para construir hospitais? Vão dizer também que o lucro é privado e que o prejuízo é socializado?
  • Elias  15/10/2021 03:43
    "E se o governo "gasta" para construir hospitais?"

    Ganham as empreiteiras contratadas, os fornecedores de equipamentos e todos os participantes do processo de licitação (o que inclui políticos e suas propinas oriundas de superfaturamento).

    "Vão dizer também que o lucro é privado e que o prejuízo é socializado?"

    Sim, ué. Qual a diferença para o que foi explicado no artigo?

    A questão é que fica a cargo do indivíduo fazer o juízo de valor a respeito da necessidade do hospital. Pode ser que os benefícios superem os custos e perdas. Sem problemas. Mas que houve lucros privados (todos os envolvidos ganharam) e prejuízos socializados (todos os pagadores de impostos que tiveram de bancar tudo, mas que não irão utilizar o hospital), isso é inquestionável.

    Qual o problema?
  • Ex-microempresario  15/10/2021 12:20
    Sem contar a tendência de se gastar horrores para construir o prédio (dinheiro para as construtoras) e comprar equipamentos caros (dinheiro para os grandes fabricantes) e depois deixar o hospital sem verbas para funcionar. Têm um monte de hospitais fechados pelo país, cheios de equipamentos juntando poeira ou simplesmente desaparecendo.
  • anônimo  15/10/2021 20:18
    Eu li o estudo do Nobel recente sobre salário minimo. E ele me fez mudar minha opinião sobre ele gerar desemprego sempre.
    As redes de fast food americanas subiram os preços dos alimentos pra comportar o novo custo salarial.. Ai a margem delas não caiu necessariamente e não precisaram demitir.. Lucro, como todo bom austríaco conhece, é a diferença entre os custos e os preços de mercado no tempo. Se ela subiu os preços com facilidade pra compensar os custos maiores.

    Vi um monte de austríaco atacando esse estudo sem lerem direito. Pra mim ele pode mudar a visão que minimo vai gerar desemprego setorial sempre. Mas eu não vejo como isso ataca a economia de mercado.

    Obviamente, é problematico se os preços não subiram pra compensar os custos. Ai a conclusão que não afetou taxa de investimento setorial é problematica
  • Gustavo  16/10/2021 01:02
    Pessoas comuns do mundo real entendem muito mais de economia do que Ph.Ds.

    Uma impagável lição de economia: taxistas impõem salário mínimo para motoristas da Uber

    Em tempo, se o salário mínimo sobe, mas a oferta monetária também sobe (ou sobe ainda mais), então, obviamente, o efeito prático é que não há aumento real dos custos. Sendo assim, aumento do salário mínimo em um cenário de aumento da oferta monetária não gerará desemprego.

    Isso é uma obviedade que estranhamente nunca é mencionada nestes trabalhos, que ignoram por completo a oferta monetária e fazem a abordagem como se a mesma fosse fixa.
  • anônimo  16/10/2021 01:16
    Oferta monetária você quer dizer inflação de preços? No caso. O IPCA reduzir o aumento do salário minimo? Ou você quer dizer que, mesmo em uma situação onde os preços não subam com o aumento da quantidade de moeda se torna ainda viável pagar salário minimo acima do preço de mercado sem demissões?
  • George  16/10/2021 11:26
    Mais dinheiro na economia, maior o volume de gastos, maiores as receitas das empresas, maior a facilidade de se pagar maiores salários.

    Economia introdutória.
  • Ex-microempresario  16/10/2021 13:22
    "se o salário mínimo sobe, mas a oferta monetária também sobe (ou sobe ainda mais)"

    "Mais dinheiro na economia, maior o volume de gastos, maiores as receitas das empresas, maior a facilidade de se pagar maiores salários. "


    Mais dinheiro na economia, pela lei da oferta e procura, significa que o dinheiro vale menos. Economia introdutória, também.
  • Johannes  16/10/2021 13:18
    O instituto vai apoiar o Lula na próxima eleição?
  • Leitor Antigo  16/10/2021 16:24
    Aqui não se apoia bandido. De qualquer espécie. E nem político.

    Quando se junta os dois em um só, então...
  • Keppler  16/10/2021 16:25
    Sim. Lula será oficialmente endossado. Para a Papuda.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.