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Há 50 anos, o que restava do padrão-ouro era abolido, dando lugar ao papel-moeda estatal
A abolição de Bretton Woods gerou uma dívida insustentável, que já dá sinais de esgotamento

Hoje completam-se 50 anos do colapso do sistema monetário internacional de Bretton Woods. São as bodas de ouro do divórcio entre o dólar e o próprio ouro.

Foi no dia 15 de agosto de 1971, em uma manhã de domingo, que o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, declarou que o dólar não mais era conversível em ouro. 

A história resumida de Bretton Woods

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, os países aliados concordaram em designar os Estados Unidos âncora do sistema monetário. Maior potência mundial e com as contas públicas razoavelmente organizadas, os Estados Unidos detinham dois terços do estoque de ouro do planeta. 

O mundo concordou em acumular dólares em suas reservas internacionais, com a contrapartida de que seus governos podiam requerer a troca de dólares pelo ouro, que garantiria a estabilidade. Os dólares funcionavam como "créditos" contra o governo americano, pois conferiam direito ao resgate do ouro.

Este acordo foi feito na cidade de Bretton Woods, no estado americano de New Hampshire.

Sob este arranjo monetário, o dólar passou a ser a moeda de reserva internacional, e os Bancos Centrais de todo o mundo receberam uma garantia do governo americano de que poderiam trocar suas reservas em dólares por ouro a um preço fixo. 

Ou seja, o dólar tinha um valor especificado em ouro (uma onça de ouro valia 35 dólares). E todas as outras moedas tinham um valor fixo em relação ao dólar. 

Na prática, portanto, todas as moedas do mundo estavam atreladas, ainda que indiretamente, ao ouro.

É importante ressaltar que não se tratava de um padrão-ouro genuíno. Longe disso. A maioria dos países já havia rompido qualquer elo direto entre suas moedas e o ouro antes da Primeira Guerra. Os cidadãos americanos ainda estavam proibidos, pelo seu próprio governo, até mesmo de portar ouro privadamente. 

Não obstante, um tênue elo entre o dólar e o ouro ainda existia. 

E então veio agosto de 1971, e todo este arranjo foi abolido em um só dia.

Como ocorreu

Em meados da década de 1960, os EUA estavam economicamente no auge. Sendo um dos poucos países a não ter abandonado a ligação entre o ouro e a moeda nacional nas duas grandes guerras mundiais, os EUA, em 1965, estavam no padrão-ouro havia 176 anos. 

A classe média americana havia alcançado o apogeu da prosperidade, sendo a inveja de todo o mundo. Em termos relativos, o nível de prosperidade da época jamais seria equiparado novamente. Outros países como Alemanha, Japão e até mesmo o México estavam enriquecendo rapidamente, uma vez que eles também participavam do padrão-ouro global, tendo suas respectivas taxas de câmbio fixadas em relação ao dólar (o qual, como dito, tinha um valor fixo em relação ao ouro).

Em 1965, os EUA estavam vivenciando um boom econômico gerado pelos cortes de impostos sancionados pelo presidente Kennedy em 1963, e que entraram em vigência em 1964. Porém, o então presidente Lyndon Johnson começou a aumentar os impostos novamente, pois tinha de pagar pela Guerra do Vietnã e, principalmente, pelos vastos e inéditos programas sociais que ele havia criado em seu programa A Grande Sociedade.

Já em 1969, o presidente Nixon dobrou os impostos sobre ganhos de capital, elevando a alíquota máxima para quase 50%. Houve uma recessão.

De olho nas eleições de 1972, Nixon começou a fazer de tudo para reativar a economia. Em 1970, ele colocou Arthur Burns na presidência do Federal Reserve, o Banco Central americano. Para reverter a recessão, Burns deu início a uma agressiva política monetária expansionista, reduzindo os juros e expandindo a oferta monetária e de crédito, sempre de acordo com os princípios das doutrinas keynesianas e monetaristas da época.

Isso deu origem aos fenômenos econômicos que hoje são conhecidos como "os choques da era Nixon". As tentativas de se implantar "políticas monetárias arbitrárias" entraram em conflito com o sistema de padrão-ouro vigente da época, que não permitia arbitrariedade na política monetária.

Essa política monetária expansionista aumentou enormemente a quantidade de dólares no mundo. E quanto mais esses dólares se acumulavam nas mãos de governos estrangeiros, mais estes governos exigiam que fossem restituídos em ouro

O país mais agressivo em suas exigências era a França, liderada pelo principal conselheiro monetário de Charles De Gaulle, o economista defensor do padrão-ouro clássico Jacques Rueff, aluno de Ludwig von Mises.

Isso gerou uma severa redução no estoque de ouro em posse do governo americano.

As 20.000 toneladas do metal amarelo que haviam sido depositadas em Fort Knox em 1944 vinham decrescendo substancialmente. Estava nítido que os EUA — a principal potência econômica global — não mais podiam honrar seus compromissos financeiros.

A situação do governo americano foi se deteriorando até que as coisas chegaram a um momento decisivo: Nixon teria de abrir mão ou de sua política monetária frouxa ou do padrão-ouro. 

No dia 15 de agosto de 1971, um domingo, Nixon foi à televisão e disse que o governo americano não apenas não mais iria restituir dólares em ouro, como também declarou o fim do sistema de Bretton Woods, desatrelando completamente o dólar do ouro.

Após o decreto de Nixon, os Bancos Centrais estrangeiros não mais poderiam trocar seus dólares acumulados por ouro ao preço oficial de US$ 35 a onça. Com efeito, eles simplesmente não mais poderiam exigir que o governo americano redimisse dólares em ouro.

Assim, todos os outros países do mundo repentinamente se viram em uma situação sombria: quando o dólar estava atrelado ao ouro, estes países podiam simplesmente atrelar suas moedas ao dólar, e isso faria com que eles automaticamente também estivessem em um padrão-ouro. Mas com a saída dos EUA do sistema de Bretton Woods, o dólar não mais tinha nenhuma ligação com o ouro. Ele se tornou uma moeda totalmente fiduciária, lastreada não por ouro mas sim pela simples promessa do governo. 

Pior ainda: o dólar começou a afundar em relação ao ouro (com a onça do ouro indo de US$ 35 para mais de US$ 600).

Todas as moedas estavam à deriva, sem nenhuma definição precisa para seu real valor.

Por um tempo, vários países tentaram se manter no jogo simplesmente mantendo suas respectivas moedas atreladas ao dólar, que agora era totalmente flutuante.

Mas em 1973 todos abriram mão. Haviam chegado ao limite. Não mais era possível atrelar suas moedas a uma moeda que agora era completamente fiduciária e que estava se desvalorizando acentuadamente. Os países desatrelaram suas respectivas moedas do dólar e, com isso, as moedas mundiais começaram a flutuar entre si.

O dinheiro em todo o mundo tornou-se meramente uma moeda de papel sem lastro — ou, cada vez mais, uma moeda eletrônica —, que poderia ser criada por produtores privilegiados — bancos e Bancos Centrais — praticamente sem limite. (E hoje, como consequência dessa liberdade para se inflacionar, o atual preço do ouro já está em US$1.800).

Consequência: o mundo entrou em um colapso inflacionário. A década de 1970 foi a década da inflação de preços — que alcançou níveis até então inéditos (nem a Suíça escapou) — e do declínio econômico.

A popularidade de Nixon se evaporou por completo, e ele se tornou o único presidente americano da história a ser ejetado do cargo no meio de seu mandato.

O padrão-ouro não colapsou; ele simplesmente foi unilateralmente abolido

E assim se "consolidou" o arranjo cambial e monetário sob o qual vivemos até hoje: as moedas são destituídas de qualquer tipo de definição e os Bancos Centrais são livres para manipular a oferta monetária ao seu bel-prazer. 

E vale ressaltar: não houve nenhum desastre econômico que deu início a este novo arranjo. Não houve nenhum fracasso monumental do sistema de padrão-ouro global. Não houve nenhuma reunião de líderes governamentais de todas as partes do mundo, em algum hotel de luxo, para criar um novo sistema global de moedas flutuantes. Não houve nem sequer uma proposta para se estabelecer um sistema global de moedas flutuantes.

Não houve tratados, referendos ou discussões, como os que precederam a criação da zona do euro. Quando o sistema global de moedas flutuantes primeiramente surgiu, no dia 15 de agosto de 1971, era para ser apenas uma medida temporária. Ninguém imaginou, à época, que um novo sistema estava surgindo para ficar.

O sistema global de moedas flutuantes, esse mesmo sistema que temos hoje, surgiu por mero acidente.

Na prática, a abolição de Bretton Woods representou o fim de um regime monetário que, desde a alvorada da civilização, havia tornado o dinheiro tanto um meio geral de troca como também uma reserva de valor. O que começou em 1971 foi uma nova era de anormalidade histórica. Uma era de moedas de papel fiduciárias e de curso forçado, gerenciadas por Bancos Centrais monopolistas. 

Portanto, o atual arranjo de taxas de câmbio flutuantes é uma invenção extremamente jovem. Está fazendo apenas 50 anos de idade em agosto deste ano. Está longe de ser a norma.

Com efeito, a história da civilização ocidental, desde a Renascença em diante (em outras palavras, toda a história do capitalismo moderno), é majoritariamente uma história de moedas estáveis, atreladas ao ouro e à prata — e, em alguns casos, feitas realmente de ouro e de prata. Algumas moedas flutuantes, com efeito, sempre existiram, mas sempre eram marginais, sem nenhuma importância. Os países de economia mais bem sucedida sempre tiveram uma moeda estável, atrelada ao ouro.

Em 1971, o mais bem-sucedido e mais influente país era, obviamente, os Estados Unidos, o qual, até então, sempre utilizaram, desde o seu surgimento em 1789, uma moeda atrelada ao ouro. Os primeiros 182 anos da história americana ocorreram sob um padrão-ouro.

Aliás, a história é ainda maior: esses 182 anos de moeda americana atrelada ao ouro foram, na realidade, uma continuação de 600 anos anteriores de moedas européias atreladas ao ouro. 

Desde a abolição do que restava do padrão-ouro em 1971, e a subsequente adoção de moedas fiduciárias livremente manipuladas por governos, o fenômeno da inflação de preços tornou-se uma constante.

O gráfico abaixo mostra a evolução do índice de preços gerais ao consumidor americano. Na prática, o gráfico mostra quantos dólares são necessário para comprar uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo disponíveis na economia americana. 

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Gráfico 1: evolução do índice de preços ao consumidor na economia americana; ou, quantos dólares custa uma cesta contendo uma fatia de todos os bens de consumo disponíveis na economia americana

O gráfico deixa explicito que o fenômeno da inflação contínua é inerente ao papel-moeda estatal de curso forçado e sem lastro. Se o dólar é inflacionado, todas as outras moedas também são.

A atualidade

O experimento monetário atual — marcado por prolongados processos inflacionários e crises bancárias — não se provou superior a Bretton Woods. Com efeito, dá preocupantes sinais de esgotamento. 

Em vários aspectos, o cenário atual se assemelha aos anos derradeiros de Bretton Woods. Agora não temos o Vitenã, mas temos a guerra ao vírus. 

Vamos aos paralelos:

1) o Fed está complacente com a inflação, que está em nítida ascensão. Os preços dos produtos importados subiram 11% nos últimos 12 meses; os exportados subiram 17%;

2) há uma espúria mistura entre as políticas monetária e fiscal. O Fed passou a monetizar o déficit público, que triplicou para mais de US$ 3 trilhões em 2020 e 2021 (mais de 13% do PIB). Desde o início da pandemia, o Fed comprou US$ 3 trilhões em títulos do Tesouro. A ex-presidente do Fed virou secretária do Tesouro. O Fed discursa mais sobre ESG, diversidade e aquecimento global do que sobre temas monetários;

3) há péssimos conselhos de economistas. O inflacionismo da Teoria Monetária Moderna está em voga (outrora a curva de Phillips keynesiana era a queridinha);

4) hoje, o mundo aceita continuar acumulando dólares em suas reservas internacionais.

O resultado foi um aumento da dívida global em cerca de US$ 40 trilhões, alçando-a a patamar próximo de quatro vezes o PIB mundial.

Para concluir

Jacques Rueff, unindo teoria e ação (ordem de trocas de dólares por ouro), detonou nos anos 1960 o início da correção das políticas insustentáveis. Hoje não sabemos de onde virá o estouro, mas aquilo que não é sustentável não pode continuar indefinidamente.


autor

Helio Beltrão e Anthony Geller

Helio Betrão é o presidente do Instituto Mises Brasil.

Anthony P. Geller é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Fred  28/07/2021 20:50
    Dúvida: o principal fundamento da aceitação do dólar como moeda de reserva internacional é o fato de que o petróleo é cotado em dólar, e isso tem sido imposto pela força militar dos EUA. Estou correto?
  • Régis  28/07/2021 20:58
    Sim. E também não.

    O dólar é aceito como moeda de reserva internacional por questões históricas, como explicado no artigo. Mas hoje, a questão de o petróleo ser pago em dólar tem enorme peso:

    Quais as chances de o dólar deixar de ser a moeda de reserva internacional?
  • Felipe  28/07/2021 22:34
    Sim, por causa do ouro. Mas há ainda outro lastro: a população americana que, por ora, é altamente rica, produtiva e com grande capacidade de gerar riquezas. Os títulos governamentais americanos possuem também esse lastro.

    Para quem estiver curioso, esse vídeo mostra a história das moedas utilizadas como reserva mundial.
  • Neto  28/07/2021 20:53
    Com a Covid e os lockdowns, a importância do dinheiro fiduciário para os estados nunca foi tão óbvia. Trancaram todo mundo em casa, mandaram imprimir dinheiro, distribuir e tudo certo. Fazendo isso, juraram que as economias continuariam funcionando, sem sobressalto nenhum.

    A inflação está aí para mostrar que a teoria econômica básica segue funcionando.
  • Humberto  28/07/2021 21:01
    O dinheiro fiduciário de curso forçado tenta fazer o milagre de transformar pedras em pães — ou, mais especificamente, de trocar papel por carros, aparelhos eletrodomésticos e roupas de luxo. É a maravilhosa sensação de acreditar que é possível gastar e consumir sem a necessidade de produzir.

    Se todo mundo ficar parado e o governo imprimir dinheiro livremente, tudo resolvido.

    Outro consequência do dinheiro estatal é que praticamente todos os governos estão cada vez mais endividados. Se imprimir dinheiro é fácil, endividar-se e depois pagar com esse dinheiro impresso é um elixir.
  • Luis  28/07/2021 21:11
    Curiosidade: essa frase do Keynes, de "transformar pedras em pães", foi uma alusão metafórica que ele fez à Bíblia. Na narrativa bíblica, foi o Diabo quem falou de "transformar pedras em pães" e Jesus se recusou a fazê-lo. É curioso que Keynes tenha dito ser capaz de fazer (ainda que metaforicamente) algo que foi proposto pelo Diabo e que Jesus rejeitou como ação imprópria.
  • EUGENIO  30/07/2021 22:32
    E "JESUS TINHA RAZÃO"!
    ======================

    Minha nossa,nunca tinha ouvido essa, soube que jesus pregava respeito a propriedade privada ,A CESAR O QUE É DE CESAR,A DEUS O QUE È DE DEUS, Meritocracia e Justiça social na história dos TALENTOS ,quem fez mais recebe mais...

    KEYNES RECOMENDOU IDÉIAS DO DIABO! (Segundo Luiz, comentarista do blog).

    KEYNES, IDÉIAS DO DIABO E QUE JESUS CONDENOU ,DISSE NÃO FUNCIONARIAM!

    De fato,plicaram as idéias do DIABO na União Sovietica e seus países satélites, e mais recente VENEZUELA E CUBA, agonizantes e que desgraçaram seus povos.NÃO SE TEM NOTICIA DE ALGUM LUGAR QUE TENHAM FUNCIONADO.

    Não dava para desconfiar que idéias do diabo seriam temerarias,perigosas no minimo?

    Fazer negócio com o diabo nunca terminou bem, ex.: um PRESIODENTE e uma PRESIDANTA disseram que" iram fazer o DIABO"! e outros também "penam", veja a Argentina e outros todos sem nenhum exemplo positivo.

    Luiz, essa foi muito oportuna, alguem poderia mandar esta idéia ao PAPA FRANCISCO? Ele é "chegado em idéias e teorias comunistas e socialistas, fizeram um filme para difundir idéias socialistas e comunistas onde o PAPA FRANCISCO é ativista comuna e protetor de terroristas em nome da "justiça social"!

    Aqui no site tem artigos fantasticos que demonstram que é o contrario, os povos que escolhem o capitalismo privado vivem melhor, e põe melhor nisso, do que em CUBA e VENEZUELA onde os sinais do fracasso final é não ter nem papel higienico.

    SEGUIR IDÉIAS CONSELHOS E SE ASSOCIAR COM O DIABO,COMO ALGUNS GOVERNANTES FIZERAM, É PÉSSIMA IDÉIA.

    Conclui-se :

    JESUS TINHA RAZÃO!
  • Luiz Fernando  01/08/2021 15:55
    Qual Jesus? O Jesus católico romano ou o Jesus protestante?
  • Pensador Libertário  05/08/2021 10:31
    Jesus nosso salvador,nada a ver com divisões religiosas em que pese eu ser protestante.
  • Luiz Fernando  06/08/2021 06:03
    São religiões diferentes , ou seja cada uma tem um entendimento de Jesus diferente. A doutrina católica romana é uma e a doutrina protestante é outra se uma está certa, biblicamente a outra está errada. Se você é protestante então você cre no Jesus protestante.

    Em relação a parábola dos talentos o objetivo de Jesus era dar uma mensagem espiritual e ele pegava situações de um contexto judaico para explicar a mensagem espiritual dele, então o foco dele era espiritual e essa parábola dos talentos estána bíblia entre duas outras passagens que são a parábola das dez virgens e do fim do sermão profético que trata da vida eterna e da condenação. Tanto é que no fim da parábola dos talentos a bíblia fala de "lançar nas trevas" o servo que escondeu na terra e isso é condenação. Jesus "tinha razão" para os cristãos que creem na mensagem espiritual dele.
  • EUGENIO  30/07/2021 21:10


    Praticamente em todos os paises ,se imprimirem mais dinheiro como fazem, há um FEEDBACK interno no pais ,e em seguida preços aumentam há uma distorção de preços até que se estabilizam num patamar maior do que antes .
    Nos Estados Unidos praticamente não há este FEEDBACK, pois eles emitem mais dinheiro e o mundo absorve, compra e guarda na gaveta, iludido que é totalmente confiável.Como se sabe, pura ilusão. Falta um grafico que desse uma idéia do que oficialmente foi emitido e o que está "engavetado",enrustido e espalhado pelo mundo.
    Como foi explicado, pode se fazer uma analogia , o dólar seria uma especie de "CHEQUE SEM FUNDO" mas que ninguem desconta,ninguem quer descontar pois também perderia com isso.Atualmente a CHINA seria talvez a maior prejudicada por possuir creditos em dólares como nunca antes .

    PS.: Aquela história :
    se tens pouca divida no banco deves te preocupar em pagar
    se tens divida gigantesca com o banco,o banco é que deve se preocupar.
    A China ,CREDOR,não pode se dar ao luxo de fazer "molecagem" ao mundo e principalmente aos EEUU, pois eles são DEVEDORES,se a economia deles for mal...
    A China hoje é CREDORA do mundo todo e por isso acho que pode ter vindo de lá os tais virus, mas eles não iriam querer que as economias de seus clientes e DEVEDORES quebre ou vá a banca rota...ou iriam, ,quem sabe, se alguem sabe ou explica deveria falar e explicar.
  • Bruno  05/08/2021 14:48
    Segundo a TMM, se a capacidade produtiva aguentar e se o governo for eficiente, o governo pode expandir a base monetária. Por outro lado, o governo não pode gastar como se não houvesse amanhã.

    No Brasil, tem-se um governo composto em grande parte por funcionários que não têm seu desempenho avaliado e não são demissíveis. Foi-se a eficiência do governo. Mas o parque produtivo é amplo.

    Metas de inflação, se obedecidas, estabelecem o equilíbrio. Mas o governo ineficiente produz a perpetuação da massa parasitária que explora a todos.
  • Trader  05/08/2021 18:51
    Perdeu, meu caro. Aceite. A TMM foi inteiramente aplicada no Brasil. O país estava em recessão, havia enorme capacidade ociosa, e havia um puta hiato do produto.

    Pela teoria da TMM, não era para dar inflação. No entanto, o IGP-M foi simplesmente o maior da história do real.

    A teoria já nasceu morta. Como diria Paulo Francis, foi mais uma que "despontou para o anonimato". Criem outra. Essa já era. Ficar insistindo em algo fracassado é o caminho mais seguro para a humilhação intelectual.


    P.S.: e vocês ainda deram uma puta sorte: a TMM foi aplicada em um governo dito de direita. Se tivesse sido num governo de esquerda, a ideologia já estaria morta. Como a cagada foi num governo de direita, ela ainda vai ter uma sobrevida.
  • Gabriel  28/07/2021 20:55
    É assim que os governos deturpam a base monetária com fins nem sempre favoráveis para uma economia estável, procuram extrair do povo a produtividade e a poupança amealhada por anos, simplesmente criando inflação de preços, emitindo dinheiro sem lastro, procuram lesar os incauto que infelizmente por falta de conhecimento continuam dando procuração para esses gestores que tem um único objetivo que é o enriquecimento ilícito.
  •   28/07/2021 21:50
    já cantava Renato Russo "se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo!" valeu no passado, vale no presente e valerá no futuro!
  • Marcelo  28/07/2021 22:26
    Não sei se é lenda, mas foi-me dito que foi numa reunião informal em Londres, que o Presidente Nixon disse a vários líderes mundiais que não iria mais lastrear o dólar ao ouro, e que ia ser assim mesmo e acabou.
  • Felipe  28/07/2021 22:27
    Em breve eu devo publicar um artigo falando sobre isso e a relação do Brasil com esse colapso.

    Esse trecho abaixo que me causou dúvidas:

    "A classe média americana havia alcançado o apogeu da prosperidade, sendo a inveja de todo o mundo. Em termos relativos, o nível de prosperidade da época jamais seria equiparado novamente. Outros países como Alemanha, Japão e até mesmo o México estavam enriquecendo rapidamente, uma vez que eles também participavam do padrão-ouro global, tendo suas respectivas taxas de câmbio fixadas em relação ao dólar (o qual, como dito, tinha um valor fixo em relação ao ouro)."

    O México vivenciou esse crescimento alto por causa disso? Fazendo uma pesquisa rápida de Internet, tem fontes dizendo de que isso se deve ao fato de o país ter adotado políticas desenvolvimentistas... para os curiosos, achei dados históricos de PIB per capita de Brasil, Bolívia e México.
  • Trader  28/07/2021 22:38
    Throughout most of the 20th century, the Mexican peso remained one of the more stable currencies in Latin America, since the economy did not experience periods of hyperinflation common to other countries in the region.

    However, after the oil crisis of the late 1970s, Mexico defaulted on its external debt in 1982, and as a result the country suffered a severe case of capital flight, followed by several years of inflation and devaluation, until a government economic strategy called the Pacto de estabilidad y crecimiento económico) was adopted under President Carlos Salinas. 

    en.wikipedia.org/wiki/Mexican_peso#New_peso

    Ou seja, o peso mexicano ficou atrelado ao dólar até o fim de Bretton Woods. Economia com moeda estável cresce por gravidade.

    Eventuais aventuras desenvolvimentistas tiveram de ser pagas na décadas de 1970 e, principalmente, na dolorosa década de 1980. E em 1994, com o peso flutuante, o México quase entrou em guerra civil.
  • Felipe  28/07/2021 23:38
    Consegui obter um gráfico histórico da taxa cambial entre dólar americano e peso mexicano. O interessante é que, de 1999 até o início de 2002, apesar daquela brutal valorização do dólar após o estouro das bolha das empresas pontocom, o peso mexicano se valorizou.

    Você saberia me dizer se o nuevo sol peruano mudou o regime cambial? Pergunto isso porque, como você pode ver nesse gráfico da taxa de câmbio da moeda peruana, os padrões das linhas mudaram desde março de 2021, lembrando uma espécie de câmbio semi-fixo.
  • EUGENIO  30/07/2021 22:42
    ÊÊÊPA, ..."quase entrou em guerra civil por causa do cambio flutuante..."!

    Não pelo cambio flutuante , mas porque já estava insolvente!

    Faltou administrar a volta da realidade, o que seria possivel fazer para consertar as incurias dos governantes que quebraram o pais

    Não foi o cambio flutuante, foi o CAMBIO ENGESSADO, ao tirar o gesso a realidade ,as roubalheiras, tudo veio a tona e não souberam projetar uma recuperação.

    Não vou citar uma grande empresa de petróleo nossa conhecida, onde roubavam o que queriam, congelava os preços e a tapeação continuava...

  • anônimo  28/07/2021 22:29
    Não menosprezem tanto o atual arranjo, ele tem uma vantagem incomparável: nenhum deficit na balança comercial ou no balanço de pagamentos precisa ser pago. Num Padrão-ouro, na presença de tais déficits, os juros aumentariam. Ou seja, no atual arranjo, é possível um país se financiar da poupança interna dos outros países sem precisar pagar verdadeiramente por isto. Os EUA que o digam.
  • Gustavo  28/07/2021 22:34
    Um padrão ouro, quando respeitado, não teria esse tipo de problema, pelo simples fato de que a longo prazo a balança tenderia a um equilíbrio, fazendo com que as flutuações fossem insignificantes.

    Se um país está apresentando déficit, dentro de um regime padrão ouro, os preços internamente irão cair, o que elevará suas exportações e até um aumento de IED.
  • anônimo  28/07/2021 23:03
    Se um país está apresentando déficit, dentro de um regime padrão ouro, os preços internamente irao cair, o que elevará suas exportações e até um aumento de IED.

    Os preços internos irão cair só em termos de ouro. Se houver moedas fiduciárias no mundo, e estas moedas se desvalorizarem em termos de ouro, nada garante que o país que adotou o padrão ouro elevará suas exportações. Isto geraria uma recessão no país que adotou o padrão ouro, dependendo da intensidade em que ocorresse. O atual arranjo de câmbio flutuante é muito melhor neste aspecto, o padrão ouro só é verdadeiramente bom quando as maiores economias do mundo estão nele, devido aos motivos que apresentei.
  • Gustavo  28/07/2021 23:13
    Se isso fosse verdade os países que mais desvalorizassem suas moedas estariam em melhor situação, quando na verdade o oposto é o que ocorre.

    Se um país adotar padrão ouro isolado ele terá uma moeda mais forte que os demais, sua economia estará mais atrativa para receber investimentos de longo prazo e crescer. Sua moeda mais forte permitira comprar bens mais baratos em outros países o que é ótimo para sua população que estará mais rica e para os empresários que poderão comprar maquinários mais baratos, e exportará aquilo que tiver vantagem relativa ( como David Ricardo demonstrou, sempre haverá vantagem em comercializar com outros países sejam eles mais fortes ou fracos).

    Quanto aos possíveis déficits na balança isso é irrelevante. A longo prazo a balança tenderá a um equilíbrio e as flutuações serão mínimas.
  • Introvertido  31/07/2021 22:48
    "Não menosprezem tanto o atual arranjo, ele tem uma vantagem incomparável: nenhum deficit na balança comercial ou no balanço de pagamentos precisa ser pago. Num Padrão-ouro, na presença de tais déficits, os juros aumentariam."

    Ué, em um padrão-ouro genuíno e em escala mundial, déficit e superávit comercial seriam totalmente irrelevantes, já que não existiria moeda nacional com câmbio flutuante, apenas ouro e moedas atreladas no ouro, não seria necessário essa histeria em relação às reservas nacionais, e às moedas de ouro obviamente pertenceriam apenas aos indivíduos, então "reservas nacionais" nem existiriam mais. Pelo menos assim seria em um padrão-ouro genuíno, criado e feito por indivíduos e sem intervenção e distorção por parte do governo nessa área, os EUA na era de brenton Woods mostra bem isso, imprimiram tanto dólar que ultrapassaram às reservas, e isso foi tão somente culpa do governo.

    Mas claro que eu estou falando apenas do cenário ideal, mesmo em um cenário onde ainda existisse uma moeda fidunciaria como moeda de reserva internacional, eu ainda não conseguiria ver á importância disso, já que investidores (e possivelmente até exportadores) iriam alegremente trocar seus fiat money por essa moeda atrelada no ouro, e como é praticamente impossível de haver especulações em torno de uma moeda atrelada no ouro, não iria haver qualquer crise de especulação enquanto tal país ainda estivesse desenvolvendo sua indústria exportadora.

    "Ou seja, no atual arranjo, é possível um país se financiar da poupança interna dos outros países sem precisar pagar verdadeiramente por isto. Os EUA que o digam."

    O que tem de bom nisso? Só o país detentor da moeda internacional realmente sai ganhando, enquanto o resto fica em uma espiral insustentável e megalomaniaca de déficits e endividamento, além de ficarem financiando os déficits do país detentor da moeda de reserva internacional.

    "Os preços internos irão cair só em termos de ouro. Se houver moedas fiduciárias no mundo, e estas moedas se desvalorizarem em termos de ouro, nada garante que o país que adotou o padrão ouro elevará suas exportações. Isto geraria uma recessão no país que adotou o padrão ouro, dependendo da intensidade em que ocorresse."

    Não entendi essa sua visão, e muito menos esse salto de lógica de que "importação em 'excesso' causaria recessão", mas irei te explicar o básico: ouro é reserva de valor, moeda fidunciaria não é, enquanto os preços comerciais do país que adotou o ouro caem, os preços comerciais dos países que adotam fiat money aumentam, e isso, em conjunto com á soberania cambial de uma moeda atrelada ao ouro, que seria uma moeda muito mais valorizada que o restante, faria com que mais bens de produção fossem importados, e que às empresas fossem mais produtivas. Mesmo se o consumo dos produtos nacionais se tornasse fraco em razão das importações, ainda sim á indústria nacional se manteria, em razão das altas exportações, e o país acabaria sendo uma potência capitalista, já que estaria tanto importando quanto exportando.

    Com produtos no mundo inteiro podendo ser importados por baixo preço até esse país, fazendo com que às empresas de lá obtessem bens de produção de excelência e á preços baratos, não demoraria muito até multinacionais e empresas poderosas no mercado externo surgissem alí, e isso é exatamente o que acontece atualmente, já que existem diversos países (muitos, aliás, minúsculos) que possuem moeda forte, forte respeito á propriedade privada, responsabilidade fiscal e cambial por parte do governo, e por isso são superpotências no comércio externo (e muitas vezes são fortes no próprio mercado interno também).

    Alguns diriam que, como essa moeda estaria muito valorizada, acabaria não tendo muito de seus produtos exportados em razão da diferença de preços causados por uma teórica diferença cambial muito grando, mas não é isso que vemos atualmente, atualmente paises com moedas fortes geralmente são os que mais exportam (enquanto os países com moeda fraca são, ironicamente, os que menos exportam, e os burocratas de tais países geralmente se gabam devido aos superavits na balança comercial, mesmo com a produção nacional se esfacelando), isso se deve á excelência de qualidade e da alta produção por parte desses países, como também aos preços baratos dos produtos vendidos em tal país, que descontam bastante na hora da conversão das moedas.

    Ou seja, se só um país adotasse padrão-ouro, ele acabaria se tornando uma potência capitalista, mas não é como se isso fosse durar muito, já que, se um país adotasse o padrão ouro, não demoraria até que os demais também o seguissem, isso se deve á imigração em massa do dinheiro dos investidores que ocorreria nesse cenário, por motivos óbvios (alta taxa de crescimento, empresas necessitando de sócios, financiadores e investidores, e por aí vai), além de que esse país provavelmente serviria como refúgio/paraíso fiscal. Banqueiros e fundos financeiros obviamente prefiririam utilizar essa moeda atrelada ao ouro em suas reservas, e logo comecaria á haver pressão no governo ou órgão que detesse essa moeda utilizada internacionalmente como reserva.

    Não é atoa que os EUA nunca deixam qualquer outro país sair da linha, os burocratas do governo que detem á moeda de reserva internacional nunca irão deixar tal controle cambial escapar facilmente, já que é uma ótima maneira de financiar dívidas, mas tenho certeza que o governo americano nada poderia fazer caso a China, por exemplo, atrelasse sua moeda ao ouro.
  • Edson  28/07/2021 23:18
    Artigo muito bom. Este vídeo resume também a saída do padrão ouro:



    (em inglês, mas com legendas em português).
  • Jordan  28/07/2021 23:24
    Os bancos centrais podem hoje imprimir qualquer quantidade de dinheiro que julguem necessária. O dólar, que funciona (pelo menos até agora) como moeda de reserva internacional, tem o poder de adquirir bens reais sem oferecer absolutamente nada em troca. O Banco Central americano imprime dólares, estes são enviados ao exterior e, em troca, estrangeiros mandam bens reais aos americanos. O que eles ganharam em troca? Pedaços de papel, os quais eles vão utilizar para comprar títulos do Tesouro americano, ajudando a financiar o déficit orçamentário do governo.

    É claro que, dentre os usuários de dólares, há muita gente que trabalha duro, gente integrada à estrutura de produção e que contribui para a sociedade fornecendo bens e serviços reais. Mas não podemos ignorar os políticos e os burocratas — uma classe de pessoas completamente distinta.

    Essa classe parasítica enfraquece a classe produtiva, além de manipular a produção por meio do gasto público.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  29/07/2021 02:14
    De certa forma, sim. É como se a casa da moeda americana tivesse se tornado em uma mina de ouro. Mas lembremos que a economia americana ainda é pujante: é um dos maiores produtores agrícolas, um dos maiores destinos turísticos e sua indústria apesar da forte concorrência que apareceu nos últimos anos ainda consegue criar inovações. Tudo isso ajuda a dar sustentação ao dólar como moeda internacional.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  29/07/2021 02:23
    E para acrescentar, ainda possuem o exército mais poderoso do mundo...
  • Geraldo  28/07/2021 23:23
    A abolição do sistema de Brenton Woods é aquele tipo de coisa fácil de ser implementado, mas extremamente difícil de voltar atrás. O padrão ouro era uma bola de ferro amarrada no pé dos governos. Não é de se admirar que, depois deste evento, a tendência de crescimento do poder dos governos, em detrimento da população, se consolidou em um nível sem precedentes. Mesmo em nações mais livres economicamente se pode notar esta tendência. O poder de criar dinheiro do nada é algo que nenhum governante quer abrir mão nos dias de hoje. Aliás, eles nem podem abrir mão, porque um arranjo monetário lastreado em ouro não permitiria sequer que os estados sejam capazes de sustentar o tamanho que eles atingiram. Do jeito que está, eles conseguem incrementar seu poder sem limitações, e existe um batalhão de economistas muito bem pagos dar as explicações mais mirabolantes possíveis para os problemas causados pelo sistema fiduciário de curso forçado e para convencer a população que este sistema é importante e necessário para o funcionamento da sociedade.
  • anônimo  29/07/2021 02:22
    Diria que essa pandemia foi uma ruptura no padrao monetário também.
    Entramos na era do helicopter money. Antes era meta de inflações. Agora nem isso. Parece haver uma disposição global para tolerar
  • Pobre Mineiro  29/07/2021 03:02
    E aí ?, o Bitcoin ou outra criptomoeda tem o potencial de substituir esse arranjo de petrodólares ou não ?.

    Os biticonheiros juram que sim, os estatistas e minarquistas juram que não...
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  29/07/2021 04:03
    Por hora, sem chance. As criptos, enquanto não forem utilizadas como meio de troca de forma contundente, não vão conseguir substituir as moedas Fiat.
  • Robson Santos  29/07/2021 08:48
    A história depende de quem conta.. olha a narrativa em voga de que o bitcoin é ameaça real ao sistema financeiro mundial, ou seja é doutrinação para os desavisados repetir em cada buteco que é o bitcoin que causará hiperinflações ao redor do globo, e não os políticos...
  • Um Cão  29/07/2021 13:02
    Claro que tem. No momento a moeda continua muito volátil e portanto não tem condições, más assim que se tornar estável será muito mais utilizada como moeda de troca.
  • Roberta  29/07/2021 14:03
    Numa analogia bem grosseira, o episodio das moedas fiduciárias flutuantes parece se repetir com as cripto. Algumas são meras pirâmides, outras não vingarão por causa do suprimento infinito, fundamentos falhos, etc..sao como governos tentando cada qual obter o maior retorno possivel com suas fiatshit. A esperança seria uma moeda com lastro em si mesmo e não vinculada ao dólar, ou, como defende Peter Schiff, um tipo de criptomoeda lastreado no tradicional ouro. Quem viver verá.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  29/07/2021 14:04
    Rezemos que El Salvador tenha sucesso. Lá saiu na lei que aceitarão o bitcoin. Quanto mais aceitarem, mais fácil implementar. Inclusive a tecnologia pra facilitar as trocas vai melhorar. Com isso, El Salvador agora pode receber dinheiro do mundo todo, ao passo que a união europeia vai proibir a cripto carteiras.
  • Oldwiseone  29/07/2021 13:43
    Me parece que este cenário pós covid de inflação será o ponto de ruptura deste sistema. As pessoas já estão tendo extrema dificuldade para comprar casas/terras/bens duráveis, e isso deve piorar. A pergunta é, onde isso pode parar?

    Hoje se o cara for esperto e tiver a oportunidade de comprar algum bem durável como terra, deveria faze-lo o mais rápido possível.
  • Leonardo Caldana  29/07/2021 16:30
    Acebei de comprar o livro na ARENA do Nixon Rs
  • Henrique  29/07/2021 16:33
    Como o padrão ouro funcionava com os EUA emitindo mais dolares do que possuia em reservas? Isso não gerava problema para suas reservas de ouro, caso um país, que possue dolares, tentasse resgatar em ouro? E dado que essa emissão de dolares faria o dolar se desvalorizar cada vez mais, e o cambio era fixo, não estava ai a semente de algo semelhante a uma crise cambial? O descolamento da taxa de conversão com o valor real da moeda?

    Creio que o sistema estava fadado a fracassar, o cambio nunca seria fixo com esse descolamento..
  • Gustavo  29/07/2021 18:26
    Ué, foi exatamente por isso que todo o arranjo se desfez. O padrão-ouro não perdoa. Por isso nenhum político quer ouvir falar nele.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  29/07/2021 18:29
    Foram exatamente esses problemas apontados por você que não permitiram os EUA continuarem com o padrão ouro. A emissão superior ao ouro fez com que resgatassem o ouro. Mas não tinha ouro suficiente. Isso fez com que o ouro evaporasse.

    Ao mesmo tempo, não seria possível os EUA cumprirem a promessa de trocar o dólar por ouro. Mas o governo queria continuar emitindo. Então não dava pra continuar com o padrão. Aí ele conveniente destruiu o padrão ouro. E o dólar se tornou fiduciário. Mesmo com uma inflação baixa, ainda assim ele é fiduciário.
  • anônimo  29/07/2021 18:55
    pegando o gancho sobre cripto vs fiat , quem se lembra da conversa sobre BTC e consumo de energia ? as premissas ja foram dadas :

    PCs gamers são banidos de cinco estados dos EUA por consumir muita energia

    olhardigital.com.br/2021/07/28/games-e-consoles/pcs-gamers-sao-banidos-de-cinco-estados-dos-eua-por-consumir-muita-energia/

    Os PCs gamers da empresa Alienware, uma subsidiária da Dell focada em computadores para jogos, foram banidos de cinco estados dos EUA, incluindo a Califórnia. A proibição se deu porque as máquinas têm um poder de processamento de imagem muito grande, fazendo com que seu consumo de energia seja muito mais alto do que o dos computadores comuns.

    na terra da liberdade o papai-estado agora vai dizer que equipamento de informatica voce pode ter na sua casa

    nao ficaria surpreso se daqui uns dias exigirem autorizaçao pra entrar na internet ... ja regulam ate quem pode andar na rua e a populaçao aceitou bovinamente , vao continuar enfiando ate os bagos

    o que seria da gente sem politicos e burocratas , nao é mesmo ?
  • Lucas  29/07/2021 20:48
    Vem aí, o tráfico de computadores!
  • Askeladden  30/07/2021 07:08
    Esperto foram os franceses que se tocaram que não havia ouro suficiente para manter o padrão funcionando e trataram de limpar o estoque americano a US$ 35,00.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  30/07/2021 16:11
    O primeiro a sacar pega, os últimos ficam sem nada.
  • EUGENIO  31/07/2021 22:13
    Franceses já tiveram experiencia historica, li aqui no mises, o governo deu papel,moeda papel para o povo que deu ouro para o governo, dizendo ser GARANTIDO.

    Num primeiro momento foi um milagre! A economia ressuscitou,desde a construção civil ,empregos , um milagre.

    Como não sabiam administrar e não foram corrigidos os erros, tudo ficou pior do que antes e o povo viu que não tinha nada garantido,seria impossivel o governo garantir.

    A França hoje hipocritamente quer que outros paises façam o ela não faz, e a riqueza que detem é em grande parte advinda de saques e roubos a outros paises , e seus museus mostram isso, se orgulham de ter saqueado e roubado.
    Macron quer que façamos o que eles não fizeram, queimaram suas florestas.Deviam reflorestar as florestas da França que eles mesmos destruiram.

    A França tem mágoa do Brasil, pois daqui foram expulsos apos invadirem ,e Napoleão foi TROLADO por D João VI que disse iria invadir a França e viajou para o Brasil.Napoleão esta até hoje esperando D.João VI.Não são flor de se cheirar...

  • Felipe  03/08/2021 15:30
    Falando de moeda, eu estou ouvindo esse webinário onde o Meirelles participou (peço que vocês ouçam, caso quiserem).

    Em 11:50, Meirelles falou que, com as commodities mais caras, usualmente o dólar fica mais barato e isso beneficia as moedas dos países exportadores majoritários desses produtos. Acho que ele andou lendo aqueles artigos do Leandro Roque falando de que, com o enfraquecimento mundial do dólar, isso pressiona menos os preços internos (Meirelles falou isso também). Então ele menciona de que isso não está acontecendo exatamente agora, afinal as commodities encareceram em dólar e o dólar não caiu em termos de real brasileiro.

    Do meio do vídeo em diante, ele falou um pouco da questão da relação entre juros, inflação de preços e crescimento econômico, mencionando a pancada nos juros que ele fez em 2003, falando de que com os preços mais controlados, então assim o banco central consegue baixar os juros.

    Sinceramente, eu acho que nem deveria existir COPOM. Os juros deveriam flutuar, como é em Singapura, Bolívia, Equador e El Salvador. Isso já acaba com aquela incerteza sobre o que burocratas irão decidir sobre os juros.
  • Leandro  03/08/2021 16:41
    Ao apontar essa relação (dólar barato, commodities caras), ele mostra que sabe mais de economia que todos os articulistas de mídia e professores universitários.

    Porém, ao demonstrar espanto que o dólar ainda esteja caro em relação ao real, sem mencionar a Selic em níveis ridiculamente baixos (para o histórico do Brasil), ele mostra que deixou escapar essa relação. Estranho.
  • Introvertido  03/08/2021 17:01
    Chega á ser fascinante, esse instituto já está desde 2019 alertando sobre á selic ridiculamente baixa e sobre às alegações do Guedes de que "moeda fraca aquece a economia", e os macroeconomistas até hoje ainda não sabem o que causou essa desvalorização cambial do real, mesmo o economista mainstream mais decente ainda não percebeu a real causa, realmente é uma vergonha, ignoram totalmente a microeconomia e pensam que toda á economia se resume á números e agregados, ignorando que existem especulações.
  • Felipe  03/08/2021 20:48
    Você ouviu toda a entrevista dele, Leandro? Realmente ele não falou nada da taxa básica de juros excessivamente baixa, pelo menos não que eu me lembre.

    Criticar juros baixos é algo tão politicamente incorreto que isso consegue causar histeria em liberais, esquerdistas, keynesianos, direitistas e afins (basta ver os constantes ataques que o Fernando Ulrich sofreu no Twitter desde que ele começou a abordar isso em 2019). Várias pessoas realmente acham que no Brasil, com papel flutuante, é possível praticar juros "baixinhos" e isso passa por cima de qualquer outra reforma estrutural (e por que não, institucional?) e então assim os "rentistas" magicamente irão encher o País de dinheiro em investimentos produtivos, ao invés de ir para fundos de dólar e ouro. Por que isso é tabu aqui? Qual o medo? Não sei. O que Volcker acharia desses juros americanos de 0,25 %?
  • Trader  04/08/2021 00:04
    Americano pode se dar ao luxo de ter juros baixinhos porque detém a moeda mais demandada do planeta. Já em uma economia subdesenvolvida, como o Brasil, o governo (monopolista da moeda) tem de pagar mais caro caso queira uma moeda mais demandada. E esse preço vem dos juros. Governo de economia subdesenvolvida tem de pagar juros maiores caso queira uma moeda mais demandada. Se não fizer isso, a moeda vai pro saco.

    Infelizmente, é simples assim.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  03/08/2021 18:46
    juros não livres quer dizer que o governo prática congelamento de valores. e isso não é bom
  • EUGENIO  04/08/2021 16:32
    "...NÃO SABEMOS DE ONDE VIRÁ O ESTOURO..."

    Mas o Brasil sabe, nos últimos dias comprou QUARENTA TONELADAS DE OURO !

    se Bidem conseguir jogar na economia 6 trilhões de dólares, uma super oferta,quem tem dólares poderá ter desvalorização, prejuizo, 6 trilhões de dólares...

    Então,se alguem que sabe mais e as implicações disso pode comentar.

    Vão ter saudades de Trump?

  • 4lex5andro  04/08/2021 19:14
    Em resumo: foi o epílogo da bomba-relógio da derrocada do Ocidente.
    Iniciado com o estruturalismo da Paris de 68 e findo com o alijamento do ouro como lastro fiduciário do sistema monetário internacional.

    Fim de linha para países que não se adequaram também, como o Brasil.
    Um país que vai (já está na verdade) fechar o séc. XXI, envelhecido, mas sem ter enriquecido.
  • Felipe  04/08/2021 23:22
    "Copom eleva taxa Selic para 5,25% ao ano"

    A decisão foi tomada de forma unânime.

    O comunicado em si mudou em algumas coisas: mencionou-se sobre os riscos para a carestia também decorrentes da alta nos preços dos serviços (algo que eles admitiram ali que não esperavam) e das tarifas de energia com a seca no Sudeste e também dando uma espécie de previsão de se elevar mais os juros básicos da SELIC, deixando claro sobre a necessidade de ser mais duro no ajuste da política monetária para controlar a inflação, antevendo pelo menos um outro aumento de 1 ponto percentual (ou 100 pontos base) na próxima reunião. Em aumento por reunião, foi o maior aumento de juros vivenciado desde a 80ª reunião, ocorrida em 2003, quando elevou-se os juros de 25,5 para 26,5 % ao ano (19/02/2003). Apesar da alta, ainda devemos continuar com juros reais negativos nesse mês de agosto.

    Caso tiver entendido algo (ou tudo) errado, favor me corrigirem.

    Coincidentemente, a Geórgia elevou os juros no mesmo dia, indo de 9,5 para 10 % ao ano. Por lá já saíram os dados de preços em julho, cuja inflação de preços acumulou uma alta de 11,9 % no acumulado dos últimos doze meses, maiores valores desde janeiro de 2011, quando acumulara 12,26 %. A próxima reunião no pequeno país está prevista para o dia 15/09 desse ano.
  • Trader  05/08/2021 00:11
    Reduziram os juros de maneira estapafúrdia (Selic a 2% no Brasil era humor negro) e agora terão de subir de maneira ainda mais estabanada.

    A Selic desceu de elevador e agora subirá de helicóptero.

    Este Instituto já alertava, quando a Selic ainda estava em 6%, que aquela redução tinha sido errada (o mercado de câmbio estava deixando isso claríssimo). Dobraram (ou melhor, triplicaram) a aposta e derrubaram a Selic para 2%, levando o dólar para quase R$ 6.

    Agora estão passando aperto (quem poderia imaginar que desvalorizar a moeda geraria inflação?) e terão de explodir a Selic e sufocar a economia para tentar trazer o IPCA à meta.

    Gênios…
  • Vladimir  05/08/2021 00:16
    Fizeram um overshooting na queda, e agora farão um overshooting na subida. Quem tá com dinheiro em caixa vai se dar bem no fim do ciclo.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  05/08/2021 01:27
    "Juros baixos e real desvalorizado é bom pro parque industrial nacional (o parque dos dinossauros ou de diversões, só se for)"

    "Com dólar alto, famílias ricas viajam para dentro beneficiando famílias pobres (Paulo Guedes, viajando na maionese)"
  • Felipe  05/08/2021 02:52
    Cadê o pessoal que estava xingando o Ulrich no Twitter por causa dos seus alertas sobre esse rumo pombalista do BCB? Precisam agora se explicar.

    Infelizmente não existe solução indolor para a carestia. A menos indolor seria um Currency Board. Uma das piores é uma pancada nos juros, porque demora para surtir efeito, especialmente num país como o Brasil, de economia atrasada. A nossa economia não é robusta, ela demora para se recuperar, porque ela é amarrada por burocracias e incertezas políticas, jurídicas e institucionais. Óbvio que dá para crescer com juros altos, e foi assim com o Brasil entre os anos 2003-2010.

    A dolarização seria também algo bom. No Equador demorou um pouco para cair a inflação pois os investidores acharam que aquela dolarização não iria ir adiante, ainda mais que Jamil Mahuad sofreria um golpe dias após essa medida. Depois ela "pegou" e então o país, apesar de ainda ser uma zona, colhe índices de preços bem civilizados, em alguns períodos com deflação de preços, lembrando um pouco a época do padrão-ouro clássico nos EUA. El Salvador está parecido, só que lá o Bitcoin é também reconhecido como moeda.
  • capitalista chinês  05/08/2021 14:13
    persiste no Brasil a ideia de que os problemas econômicos no país podem ser arrumados magicamente usando exclusivamente a política monetária.

    Propriedade privada, segurança jurídica, produtividade, liberdade econômica, fim de políticas protecionistas e desenvolvimentistas, desburocratização, tributação idioticamente complexa, redução do Estado e etc são tratados como fatores marginais.

    Já perdi as contas de quantas vezes o banco central ao longo do tempo brincou de "motor econômico", gerou um bem-estar temporário e depois afundou o país em recessão, obliterando poupança, renda e poder de compra, ainda deixando um oceano de mal investimentos gerados e induzidos pela depreciação da moeda.

    A nova lei da "autonomia" do BC recentemente aprovada esqueceu o mais importante: colocar uma rolha de uma vez por todas nessa brincadeira monetária. Não apenas isso, ampliou o poder da bagunça permitindo-lhe também brincar de "interventor econômico" como o FED faz atualmente.
  • Felipe  05/08/2021 00:29
    O que seria exatamente o overshooting? Uma queda acentuada no valor do real e agora, uma subida acentuada no valor do real?
  • Vladimir  05/08/2021 13:40
    Overshooting é uma disparada para cima. Quando o dólar foi de R$ 4 para quase R$ 6 em decorrência da redução estapafúrdia da Selic, isso é um overshooting.

    É uma expressão utilizada tipicamente para câmbio. Tomei a liberdade de adaptá-la para a Selic, que terá um overshooting de 2% para 8%.
  • Roberto R  05/08/2021 09:32
    Oi Vladimir, como quem tem dinheiro em caixa pode se beneficiar disso? O que fazer exatamente?
  • Vladimir  05/08/2021 13:40
    Mantenha no CDI com liquidez diária (recomendo o CDB do Sofisa, que paga 115% do CDI e com liquidez a qualquer momento).

    Quando o ciclo de alta dos juros estiver chegando ao fim, enfie tudo em prefixado e em títulos atrelados ao IPCA. Quando os juros voltarem a cair, você terá um belo ganho de capital.

    Aliás, já pode começar a comprar agora, pois a maior parte das futuras altas da Selic já está no preço.
  • Outra opção  05/08/2021 15:54
    Outra boa opção também é o CDB do banco RCI: além da liquidez diária, a taxa está em 116% do CDI. Caso o valor a ser investido esteja acima do limite de garantia do FGC, dá para distribuir entre eles.
  • Felipe  05/08/2021 14:19
    Olhem agora:

    "Fiesp e CNI dizem que alta dos juros ameaça recuperação econômica"

    Sem dúvidas o Volcker quando começou a dar pancadas nos juros sofreu várias pressões também, espero que o BCB mostre força e não se curve a grupos de interesse.
  • Felipe  05/08/2021 14:10
    "Senado aprova medidas para simplificar abertura e funcionamento de empresas"

    Nos EUA existe a expressão Reagonomics. Acho que aqui devemos criar a expressão Bolsonomics (bom, eu inventei essa expressão).

    Mais uma (pequena) vitória desse governo.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  05/08/2021 17:53
    juros subiram, mas com a politica em jogo, votação de reforma que vai aumentar impostos e o risco do calote dos precatórios, o dollinnho sobe a 5.20 reecas de novo.


    www.google.com.br/amp/s/www.seudinheiro.com/2021/bolsa-dolar/ibovespa-dolar-hoje-05-08/amp/?espv=1
  • Paulo  05/08/2021 18:56
    Subiu, mas está em 5,25% com uma inflação em 12 meses de quase 9%. (a oficial onde todos foram para escolas e cinemas)
  • Felipe  05/08/2021 20:53
    Nesse ano devemos ver uma nota do BCB dando explicações sobre o motivo de o teto da meta ter sido estourado...
  • Bolsodilma cirolulaguedes  06/08/2021 01:15
    Em 2020 o déficit foi de 13.7 por cento do PIB. A situação fiscal tá pela hora da morte nas contas públicas. Mesmo baixando a Selic, a deterioração política (mesmo com tamanho déficit continuam aumentando gastos) não deixará o dólar baixar por motivos internos. Guedes já fala em parcelar os precatórios (calote). Mercado reagiu mal. Como você disse, os juros têm que subir pra uns 10 por cento pra segurar o valor do real contra o dollinho.
  • Felipe  06/08/2021 12:53
    "Bacen sobe juros para 5,25% e consolida o maior aperto monetário desde 2003"

    Os austríacos avisaram...

    Para piorar, o governo fica atrás de querer aumentar o valor do bolsa-esmola e com essa história de calotear precatórios...
  • Introvertido  06/08/2021 14:41
    Será que veremos a equipe econômica do Lulinha fazendo austeridade fiscal? Porquê, se não fizerem, a crise só irá se aprofundar aínda mais.

    Sei que isso é pouco provável, já que o PT é o principal responsável pelo descalabro fiscal que vivenciamos, e que o Lula já anunciou seu ódio pela contenção de gastos, mas essa é a única saida sensata para governo federal. Ou é isso, ou é Venezuela.

    Infelizmente o governo Bolsonaro acabou se tornando um laboratório de experimentos insanos dos heterodoxos, o máximo que eles fizeram de bom foi algumas medidas liberalizantes aqui e ali.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  06/08/2021 19:45
    O governo, para encobrir que tá gastando demais, aumentou a dívida de 75 para 89 por cento do PIB. Com tamanha baixa produtividade, que é o normal do Brasil, uma dívida dessas também é pra derrubar os mercados.

    Assim, por motivos internos, o dólar deve continuar subindo, pois todas a soluções que estão oferecendo são só pra subir mais ainda os gastos (inclusive os aumentos de impostos que o Guedes quer fazer).

    E o nosso congressinho "eficiente", que não baixou seus salários na pandemia, ao contrário se deu um presente de 6 bilhões pra gastar.
  • Peru  06/08/2021 20:47
    Guedes vai derrubar o governo. Ele foi cabeça-dura demais por muito tempo.
  • Felipe  06/08/2021 21:25
    Decidi pesquisar pelo preço do óleo de soja, e achei este gráfico. Seria esse gráfico correto? Estamos em alta histórica, nunca antes nesse País (ao menos na história do real). Coloquei então o preço em reais, como vocês podem ver.

    Além dos fatores da desvalorização do real e do dólar perante a commodity e da demanda maior pela China, quais foram outros motivos para essa alta absurda?
  • Trader  07/08/2021 00:37
    Correto. Vale lembrar que o óleo de soja é um produto industrial (ao contrário da soja, que é exclusivamente agrícola), e as indústrias fecharam em 2020.

    Este artigo explica bem o que ocorreu:

    www.mises.org.br/article/3355/a-melhor-maneira-de-combater-a-atual-carestia-reabrir-toda-a-economia
  • Felipe  07/08/2021 01:09
    Se as indústrias fecharam e a soja continuou sendo cultivada, para onde que foi a soja excedente... para exportação? Analisando os dados, as exportações do produto cresceram 9,5 % (2020 em relação a 2021), ao mesmo tempo em que o preço da soja caiu em dólar americano. Por que não houve escassez de óleo de soja em níveis venezuelanos?

    Nessa confusão, haveria uma forma de estimar o nível de impacto? Qual impactou mais: os fechamentos compulsórios ou a desvalorização da moeda?
  • Trader  07/08/2021 01:48
    "Se as indústrias fecharam e a soja continuou sendo cultivada, para onde que foi a soja excedente... para exportação?"

    Correto.

    "Analisando os dados, as exportações do produto cresceram 9,5 % (2020 em relação a 2021), ao mesmo tempo em que o preço da soja caiu em dólar americano."

    O preço ficou estável em dólar até agosto de 2020. Depois disparou. Com força. (Coloque "ZS1!" No TradingView).

    E aí você junta os dois: o preço disparou em dólar e o dólar disparou em reais. Game over.

    "Por que não houve escassez de óleo de soja em níveis venezuelanos?"

    Ué, mas a disparada dos preços sinalizou exatamente isso: aumento súbito da escassez. Essa é a maravilha do sistema de preços livres: ele indica automaticamente o que está em abundância e o que está em falta.

    "Nessa confusão, haveria uma forma de estimar o nível de impacto? Qual impactou mais: os fechamentos compulsórios ou a desvalorização da moeda?"

    Como disse acima, juntou as três coisas: fechamento, encarecimento da soja em dólar e encarecimento do dólar em reais.
  • Felipe  07/08/2021 03:08
    Essas estatísticas do preço da soja eu tinha visto no Comex Vis, só se eu interpretei errado alguma coisa.

    Quando eu digo sobre escassez em níveis venezuelanos, falo sobre como era na década de 1980 no Brasil. Ou tal cenário só seria possível com estatização e/ou controle de preços?
  • Bolsodilma cirolulaguedes  07/08/2021 17:52
    este cenário pode ocorrer de várias maneiras. mas na época de 1980 o pais desvalorizou muito a moeda e isso jogava toda produção pra fora facinho pra conseguir dólares .
    a.desvalorizacao atual foi até pouca perto da época de 1980. foi de cortar nove zeros
  • capitalista chinês  07/08/2021 12:48
    trader, coloca ai não equação também a seca que tem se estendido na América do Sul por três anos consecutivos. As chuvas de verão não estão renovando os reservatórios e rios. Por conta disso, o custo para a irrigação e transporte (fora da hidrovia) aumentam tanto no Brasil quanto Paraguai e Argentina.

    Preparem-se. Se não chover muito nesse verão,realmente é game over para o Brasil ano que vem. Véspera de eleição, preço dos alimentos, água e eletricidade vão disparar novamente.

    Tá cheirando populismo ano que vem: controle de preços, distração com urna eletrônica, aumento de bolsa família, crédito imobiliário ...
  • Trader  07/08/2021 15:40
    Esses fenômenos climáticos são recentes. Mal começaram a fazer preço. Em 2020, praticamente ainda não haviam se manifestado.

    E sim, se não chover, vai ser game over.
  • Introvertido  07/08/2021 15:50
    Como será que o governo poderia resolver esse problema dos reservatórios Privatizando o que? desregulando o que?
  • Felipe  07/08/2021 21:52
    Primeiro o diagnóstico:

    Aqui no estado de São Paulo tivemos o mesmo problema em 2014 e 2015 (apesar do pânico, nunca faltou água engarrafada e de galão, porque é oferecido pelo setor privado; por sinal é baratinho). Os preços da conta de água, por outro lado, são tabelados e, então, não há incentivo para economizar água. Como é que vou saber se está faltando água se os preços estão sendo controlados?

    E para piorar o estado cria vários incentivos para se gastar água...

    Sugestões de artigos:
    - Este e;
    - Este;
    - Também este;

    O Marco do Saneamento deve melhorar a situação, mas ainda não é ideal. Tem que ser fechadas as agências reguladoras, departamentos, secretarias e afins (como a Agência Nacional de Águas). Provavelmente é também setor de infraestrutura, então pode ter certeza que possui toneladas de regulações.
  • capitalista chinês  07/08/2021 23:04
    é importante que o proprietário do recurso hídrico não espere chegar ao nível de 30% para emitir alerta e subir preço. É muito arriscado pois o ano seguinte pode não haver precipitação suficiente para a reposição.

    Atrelar o aumento de preços aos vários níveis possíveis numa escala descendente(período seca - consumo) e ascendente(período chuvoso - reposição).

    Observar também como países com escassez natural de água fazem a gestão hídrica.

    A mídia ajudaria muito em fazer campanhas de conscientização. A população brasileira, apesar de todos os defeitos, colaborou muito no controle de dengue.

    Outra coisa. Extremamente importante é tirar a gestão e operação das mãos do Estado. Políticos não gostam de dar má notícia e aumentar tarifa em período eleitoral (cada 2 anos)
  • Felipe  08/08/2021 23:38
    Analisando o M1 do Brasil, ele sempre segue um padrão, certo. Após a explosão no ano passado, a quantidade de dinheiro despencou após janeiro desse ano de 2021, chegando à mínima do ano em abril. Todavia, o agregado voltou a explodir. O que explicaria isso, já que a SELIC foi elevada nesse período de tempo? Poderia falar da questão econômica, mas a economia brasileira está ainda em recuperação, então não houve nenhuma espécie de milagre econômico. A expansão creditícia estatal está subindo, mas ainda não em níveis explosivos.


  • Um Cão  10/08/2021 22:16
    Boa pergunta. Os depósitos a vista também dispararam, assim como o M0. Algum iluminado para ajudar?
  • Leandro  11/08/2021 00:24
    Desde a criação do Pix, a base monetária e o M1 sofreram alterações (e por isso passaram a subir forte).

    Com o Pix, os bancos passaram a ter de deixar mais dinheiro parado em suas reservas, exatamente para poderem fazer as transações instantâneas.

    Sendo assim, a base monetária passou a ter três componentes: papel-moeda emitido, reservas bancárias e os saldos para o Pix

    O BC se pronunciou sobre isso. Veja o item 5.1:

    www.bcb.gov.br/content/estatisticas/hist_estatisticasmonetariascredito/202105_Texto_de_estatisticas_monetarias_e_de_credito.pdf

    Destaque para este trecho:

    "Os saldos da base monetária foram revisados desde novembro de 2020 para incorporar os montantes mantidos no Banco Central pelas instituições financeiras para movimentações no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI).

    Esses valores, embora contabilizados em plano de contas próprio, são economicamente similares aos saldos da conta de reservas bancárias. […]

    Ou seja, ao menos nos primeiros doze meses, acompanhar o M1 será um tanto enganoso, pois ele apresentará um forte aumento que não necessariamente está ligado à expansão do crédito.
  • Introvertido  11/08/2021 02:44
    Leandro, quando o FED elevará os juros? A bolha da nasdaq só cresce, e o banco central americano é praticamente incapaz de fazer qualquer coisa, será que veremos uma estagflação global de alta magnitude?
  • Leandro  11/08/2021 13:09
    Vão adiar o máximo possível. O Fed atual se preocupa mais em manter os ativos (ações, títulos e imóveis) valorizados do que com preços de bens de consumo. Dado que a previdência dos americanos está majoritariamente em ações, o Fed tem pesadelos com qualquer medida que possa levar à queda das ações.

    Adicionalmente, dado que um aumento dos juros curtos tende a aumentar os juros de longo prazo, afetando a dívida do governo, tal cenário será evitado ao máximo.

    Por fim, há algo de gostoso e fácil em se gerenciar o dólar: você consegue manipular o preço da moeda (seu poder de compra) só no gogó. Toda vez que um membro do Fed fala em tapering (redução das injeções monetárias), o índice DXY dispara (o poder de compra do dólar aumenta), as commodities caem e os juros longos aumentam.

    A simples menção de que "pode haver" um aperto monetário no futuro já provoca tais efeitos no presente.

    O Fed irá empurrar tal arranjo ao máximo possível, em conjunto com as atuais medidas de repo que ele vem fazendo.
  • Introvertido  11/08/2021 14:16
    Eu entendo que o FED quer adiar o máximo possível a elevação de juros, mas uma eventual inflação anual alta não forçaria o FED à eleva-los? Afinal, ninguém irá querer financiar o governo americano se os juros reais ficarem negativos, e é ai que o FED e o governo americano terá que escolher entre hiperinflação, corte de gastos ou elevação dos juros.
  • Um Cão  11/08/2021 16:52
    "Eu entendo que o FED quer adiar o máximo possível a elevação de juros, mas uma eventual inflação anual alta não forçaria o FED à eleva-los?"

    O FED vai fazer absolutamente tudo pra evitar uma elevação da taxa de juros. A inflação atual oficial (pode se ler como manipulada ou altamente duvidosa) está em 5,5%, algo anormal para um padrão Americano. Mesmo assim, eles não vão subir a taxa de juros tão cedo por que não podem. Causaria perdas gigantescas sobre o balanço do FED, perdas gigantescas no sistema bancário, quebra no mercado de ações e explosão nos gastos dos juros da dívida. Sugiro ver este vídeo do Ferdando Ulrich do porque.

    "Afinal, ninguém irá querer financiar o governo americano se os juros reais ficarem negativos"

    Os juros negativos não são novidade nos EUA. Aconteceram em vários periodos durante a história. De fato, hoje os juros reais estão na casa dos -5 e -6%, pior valor desde Julho de 1980!

    "e é ai que o FED e o governo americano terá que escolher entre hiperinflação, corte de gastos ou elevação dos juros"

    Dado que eles não vão elevar os juros tão cedo e os gastos estão no maior patamar da história com perspectiva de pacotes de $1 Trilhão aprovado pelo senado e querendo gastar mais 3,5 Trilhos na próxima, eles estão de mãos atadas. O próprio Fernando Ulrich comentou a possibilidade do governo obrigar instituições como seguradoras, fundos de pensão e poupança a comprarem dívida do governo, algo que já foi feito depois da segunda guerra mundial. Isso fará que os mesmos vendam fundos alocados em bolsa, causando um crash. Ou seja, o crash é inevitável, assim como a inflação constante (não acredito em hiperinflação).
  • Introvertido  11/08/2021 17:20
    "Os juros negativos não são novidade nos EUA. Aconteceram em vários periodos durante a história. De fato, hoje os juros reais estão na casa dos -5 e -6%, pior valor desde Julho de 1980!"

    Então quem diabos está financiando os deficits do tesouro americano? Não acho que faz muito sentido alguém torrar dinheiro para ajudar o governo americano... Só se forem os grandes bancos, com medo de serem solapados junto com o país.

    "Ou seja, o crash é inevitável, assim como a inflação constante (não acredito em hiperinflação)."

    Meu caro, só existe uma maneira de se haver hiperinflação: Impressão de dinheiro. Eu estava me referindo para quando o governo americano não conseguir mais financiar seus deficits, e nesse caso só restariam rês opções: ou fazem um massivo corte de gastos para assim eliminar deficits, ou começam á imprimir trilhões e trilhões para bancar os deficits públicos (O que acarretaria em hiperinflação depois de um tempo), ou elevam o juro de uma vez.

    Olhando em retrospectiva, os EUA parecem estar condenados, no fim a conta sempre chega, e criar dívidas infinitas nunca é uma boa ideia, assim como também é bizarro proibir os próprios indivíduos de irem trabalhar, ao mesmo tempo que distribuem auxílios monetários, e foi exatamente isso que causou essa crise que vivemos, não foi o covid, foram os governos, covid foi apenas a justificativa.
  • Felipe  11/08/2021 18:25
    Isso sim é um "grande reinício".

    Hiperinflação... fiquem tranquilos que antes de acontecer isso, o peso argentino volta a virar uma moeda forte.
  • Introvertido  11/08/2021 21:18
    hein?
  • Felipe  11/08/2021 16:30
    É verdade. Se sai uma ata do FED falando que eles irão pensar sobre o tapering (pensar, não em fazer tal ato), o DXY sobe (basta ver o que ocorreu recentemente) enquanto aqui o banqueiro central tem que pagar caro por juros bem altos. E a SELIC vai ter que ser bem alta, não tem o que fazer. Poderia ser menor se o Guedes defendesse abertamente uma moeda forte (assim como o Roberto Campos), mas isso não irá acontecer.
  • Felipe  22/08/2021 23:15
    Acompanhar o M2 seria a solução?

    Interessante que agora, ao mesmo tempo em que a SELIC está subindo, o M2 está subindo junto. Isso já aconteceu em 2008, se não me engano.

    Se for, o que pode significar para a economia brasileira?
  • Yuri Sao Carlense  09/08/2021 02:02


    "No Dólar o RCN tem que dar de maluco. Enfiar 160pts em 4 swaps seguidos. Usar métodos alternados e tornar pouco atrativo fluxo especulativo contra o real.

    Se a necessidade é comprar por evasão vai ganhar liquidez. Se for especulador vai toma no c.....

    Por outro lado nossa reserva é limitada e não creio que seja suficiente pra conter a alta. Aí fico me perguntando vamos ser liberal com câmbio flutuante e matar as empresas com dívida em dólar? Ou vamos salvar nosso pais e população fragilizada com inflação. Os faria limers ta

    Tudo ok. Grana, conforto. Mas.80% da população pastando o capim que o diabo amassou. Temos que pensar nisso. Dólar 5,12 num dia 5.24 no outro. Não tá bom pra ninguém. E se a faixa de preço subir a variação percentual continua severa."
    ---------------------------------------------

    Leandro, veja o relato acima de um trader.

    Essas intervenções do BC que ele se refere são a mesma ideia daqueles leilões supresas de venda de dólar pelo BC que vc chegoua mencionar tempos atrás?

    Acha que a sugestão dele (ou a sua ideia dos leilões supresas) no momento atual seriam um mecanismo capaz de segurar a alta do dólar?
  • Leandro  12/08/2021 15:02
    Sim, mas isso era para ter sido feito lá atrás. Venho falando disso desde meados de agosto de 2019, quando o mercado de câmbio começou a deixar claríssimo que as reduções da Selic estavam erradas. Desde então, era para terem sido feitos leilões em conjunto com a não-redução estabanada da Selic.

    Não foi feito nem um nem outro. A Selic foi insanamente reduzida de 6,50% para 2% (com total apoio da mídia e da Faria Lima) e a desvalorização cambial foi aplaudida como "medida pró-exportação".

    Agora a coisa já escapou demais. A partir do momento em que o câmbio pula para um novo patamar, e a autoridade monopolista da moeda deixa claro que está satisfeita com este novo patamar (deixando explícito que nada fará contra), esta torna-se a nova realidade.

    Para trazer o IPCA de volta à meta terão de fazer um overshooting na Selic. Ou então revogar a meta.

    Muito mais racional seria fazer leilões e deixar claro que a intenção é voltar com o dólar para perto de R$ 4,50, mas isso seria atentar contra a "sacrossantidade" do câmbio flutuante.
  • Ex-microempresario  12/08/2021 15:54
    Leandro, o Tesouro Direto está oferecendo SELIC+0,28% e IPCA+4,72%. Supondo que a intenção do tesouro seja manter todos os títulos igualmente atraentes, ou perto disso, quais seriam as projeções possíveis?

    SELIC a 8% e IPCA a 3,56% ?
    SELIC a 9% e IPCA a 4,56% ?
    SELIC a 10% e IPCA a 5,56% ?

    Nenhuma dessas combinações me parece possível. Ou as taxas do Tesouro Direto seguem alguma outra lógica?
  • Leandro  12/08/2021 17:07
    O DI para janeiro de 2022 está precificando que a Selic feche 2021 acima de 8% (o que seria um desastre para o Guedes, que assumiu a 6,50% xingando "rentistas").

    O IPCA deste ano já foi abandonado pelo Banco Central. É certo que ficará bem acima do teto da meta. Para 2022, ainda tem quem acredite que ficará na meta. Acho difícil, a menos que as commodities desabem — o que, por sua vez, seria ruim para o agronegócio e toda a sua cadeia produtiva.


    P.S.: sobre cálculos para previsões, você tem de pegar a taxa prefixada para um determinado ano e comparar com o Tesouro IPCA para aquele mesmo ano.

    Por exemplo, neste exato momento, o prefixado para janeiro de 2026 está pagando 9,55% ao ano ("renda fixa morreu!", gritavam os Faria Limers), e o IPCA+ para agosto de 2026 está pagando 4,32% mais IPCA.

    Ou seja, o IPCA implícito é de aproximadamente 5% ao ano durante este período. Acho até que está bem otimista…
  • Felipe  12/08/2021 16:25
    Por que apoio da Faria Lima? O que ganhariam com isso?
  • Leandro  12/08/2021 16:59
    Defenderam a redução da Selic porque isso seria bom para as ações do Ibovespa. Tudo o mais constante, sim, juros menores causam uma migração da renda fixa para a bolsa, o que de fato ocorreu. Mas só funciona até a inflação de preços voltar. Aí o ciclo se reverte.

    Defenderam também dólar caro porque isso seria bom para as ações de exportadoras de commodities (que, em reais, teriam grandes receitas).
  • Trader  12/08/2021 17:23
    Quando as pombinhas do atual Banco Central repentinamente passam a falar grosso, como se fossem Paul Volcker, é porque até eles reconhecem que a brincadeira keynesiana foi feia mesmo...


    Brazil Central Bank Vows to Do What's Needed to Tame Inflation

    "We will use all the tools we have, as much as needed, to anchor inflation in the medium and long term," Campos Neto said, adding that current inflationary shocks are contaminating expectations for next year.

    "Keeping inflation anchored is key at this moment, when we are facing consecutive inflationary shocks and it's becoming difficult to model inflation".
  • Felipe  12/08/2021 23:00
    Isso sim é coisa elitista.
  • Trader  12/08/2021 17:33
    Eu acompanho especialistas internacionais do mercado de câmbio (gente graúda, tipo chefe de departamento da área de câmbio do Goldman Sachs), e todos são unânimes em dizer que quem está apostando contra o real são os próprios gestores brasileiros.

    Os gringos estão otimistas e comprando Brasil (juros em alta e commodities subindo são uma combinação perfeita para o real). São os próprios fundos brasileiros que estão vendendo reais, comprando dólares e encarecendo o câmbio.

    E é exatamente por isso que o BC, mesmo sabendo que deveria vender dólares em vez de dar paulada na Selic, não está vendendo dólares. Ele sabe que, se sair vendendo dólares, vários grandes fundos brasileiros fortemente alocados em dólares irão quebrar, o que seria desastroso.

    Ou seja, o BC aceitou mais inflação e mais juros em troca da solvência de grandes fundos multimercados nacionais.
  • Introvertido  12/08/2021 17:49
    Ou seja, você está afirmando que o BC foi capturado pelos grandes fundos nacionais?
  • Trader  12/08/2021 20:23
    Não. Estou dizendo que o atual BC se colocou em um corner.

    Ao jogar a Selic para 2%, e ao deixar o dólar ir impavidamente para quase R$, 6 sem resistência, ele mandou um recado claro: "Podem comprar dólar sem medo; não farei nada. E vocês ainda terão um baita retorno".

    Consequentemente, os fundos — que têm o dever de gerar retornos — encheram as burras de dólar. E era a medida certa: os juros estavam mortos e o mercado de ações não tinha perspectivas (o mundo estava com uma perspectiva de recessão muito pior que a de 2008-2009).

    Ou seja, o próprio BC estimulou esse comportamento dos gestores.

    Se, agora, ele sair vendendo dólar (que seria medida macroeconômica correta), esses fundos quebrarão, o que poderia colocar todo o sistema bancário em risco.

    Esse é um tipo de risco sistêmico que o BC simplesmente não pode se dar ao luxo de correr.

    É por isso que vemos essa completa insanidade no mercado de câmbio, com o dólar chegando a variar 15 centavos em um único dia sem nenhuma atuação do BC, mesmo com as commodities na máxima histórica (em reais).

    Isso dificilmente será corrigido só com Selic. Já passou do ponto.
  • Paulo  12/08/2021 18:59
    Sabe dizer porque os fundos Brasileiros estão fazendo isso? Risco eleitoral? Desconfiança com o fiscal Brasileiro?
  • Trader  12/08/2021 20:24
    Como respondi acima, o próprio BC estimulou esse comportamento. Agora não consegue sair dele.
  • Um Cão  13/08/2021 08:30
    Obrigado pelos depoimentos Trader.

    Me pergunto se o BCB vai continuar comprando ouro e possivelmente vender dólares no futuro.
  • YURI - SÃO CARLENSE  13/08/2021 03:41
    Valeu pela resposta, Leandro.

    Grato pela sua costumeira disposição em nos esclarecer.
  • YURI - SÃO CARLENSE  24/08/2021 17:33
    Leandro,

    Estava ouvindo um dos podcasts seus aqui em IMB de anos anteriores.

    Era o cenário de inflação alta do governo Dilma e você falava que a SELIC teria que ser subida rapidamente para controle da inflação.
    Inclusive você mencionava o caso de BCs de outros países que tiveram que dar uma pancada forte e rápida nas taxas de juros para conter a inflação.

    No cenário atual, pra conter a inflação o BC teria que dar esse mesma pancada forte pra cima na SELIC? Uma alta lenta da SELIC não seguraria a inflação?

    Por fim, você acha que o nosso BC agirá dessa forma?
  • Leandro  24/08/2021 18:11
    "Era o cenário de inflação alta do governo Dilma e você falava que a SELIC teria que ser subida rapidamente para controle da inflação."

    Aquele era um cenário atípico.

    De um lado, havia vários preços sendo segurados pelo governo (principalmente combustíveis e energia elétrica), os quais obviamente disparariam quando fossem liberados.

    De outro, você tinha os bancos estatais jogando dinheiro na economia a rodo, totalmente imunes à Selic, que não se aplicava a estes bancos (clique no link para ver em detalhes).

    Naquele cenário, considerando que os bancos estatais eram imunes à Selic e sabendo que os preços futuros iriam disparar tão logo fossem descongelados, a Selic teria de fazer o serviço antecipado, e com força dobrada. Ela teria de atuar exclusivamente sobre o crédito privado, e numa força que compensasse o estrago dos bancos estatais.

    Fiz um resumo sucinto aqui.

    No fim, a Selic subiu bastante (de 7,25% para 14,25%), mas muito lentamente: o primeiro aumento ocorreu em abril de 2013 e o último em julho de 2015. E ficou em 14,25% até outubro de 2016, quando houve a primeira redução já sob Ilan Goldfajn.

    Ou seja, foram três anos de aperto monetário. A inflação de fato foi debelada, mas à custa de três anos fortemente recessivos. Tudo poderia ter sido em resolvido em um ano.

    "Inclusive você mencionava o caso de BCs de outros países que tiveram que dar uma pancada forte e rápida nas taxas de juros para conter a inflação."

    Sim. Os casos clássicos são EUA e Canadá na década de 1980, Nova Zelândia na década de 1990, e o próprio Brasil em 2003.

    No governo Dilma, os aumentos tímidos e graduais lograram apenas o pior dos mundos: geraram recessão e não arrefeceram a inflação (que só cedeu com o governo Temer e a troca de toda a equipe econômica, a qual trouxe mais confiança).

    "No cenário atual, pra conter a inflação o BC teria que dar esse mesma pancada forte pra cima na SELIC? Uma alta lenta da SELIC não seguraria a inflação?"

    O cenário atual é mais tranquilo, relativamente. Os bancos estatais estão domados (ou seja, não mais estão jogando dinheiro a rodo na economia a juros menores que a Selic), as commodities estão caras e as contas externas estão em superavit recorde, o que em tese é bom para o real.

    A bizarrice foi feita lá atrás, e criticada em tempo real por este Instituto.

    A primeira trabalhada ocorreu ainda em agosto de 2019, quando o BC, sem qualquer necessidade e sem nenhum fundamento, reduziu a Selic de 6,50% para 6% (costumo brincar dizendo que nem a FIESP e nem a CUT pediram tal redução). O dólar foi, em três semanas, de R$ 3,70 para R$ 4,20. Era óbvio que a coisa estava errada.

    Não satisfeito, o BC seguiu reduzindo a Selic até 4,25% em fevereiro de 2020, sendo que o IPCA de 2019 havia sido de 4,31%. Já estávamos adentrando os juros reais negativos.

    Aí veio a pandemia e os caras inventaram de jogar a Selic para 2%, causando juros reais menores que os da Suíça (e levando o dólar para R$ 5,80). Alimentos e combustíveis já estavam disparando, e o BC brincando de "forward guidance" só porque a inflação do setor de serviços ainda aparentava estar contida (óbvio, pois estava tudo fechado).

    O que é realmente inacreditável é que o próprio BC se mostre surpreso com a inflação de preços. Ora, se o dólar vai de R$ 3,70 para quase R$ 6 em menos de um ano, é realmente surpreendente que a carestia dispare?

    Estranho seria se nada acontecesse. Aí sim toda a teoria econômica básica poderia ser jogada no lixo. Até a Unicamp reconhece essa relação câmbio e inflação …

    "Por fim, você acha que o nosso BC agirá dessa forma?"

    Somente agora ele parece ter acordado para a situação. Começou a fazer o certo, mas muito tarde. Reduziu demais a Selic, e agora terá de elevar muito para consertar a lambança. Como comentaram aqui, é o caso clássico de "overshooting" (um termo aplicado ao câmbio).

    O mais irônico é que se ele tivesse mantido a Selic próxima de 6%, o desempenho econômico teria sido o mesmo (juros maiores são mais do que compensados por uma população com mais poder de compra e gastando menos com combustíveis, alimentos e gás de cozinha), a moeda estaria mais forte, a carestia seria muito menor e o atual governo não estaria sendo motivo de troça da oposição.

    A recente subida de Lula nas pesquisas coincide completamente com o aumento do custo de vida. Nada tem a ver com vacinação (muito avançada) e "negacionismo" (vá ao interiorizão do Brasil, o Brasil raiz, e veja que o povão não dá muita pelota pra pandemia). É puramente a economia.
  • capitalista chinês  24/08/2021 19:18
    Roberto Campos Neto disse que não tem intenção de continuamente elevar os juros, pois não faria mais efeito já que o problema do câmbio agora é fiscal e político.
  • Felipe  24/08/2021 21:19
    "O cenário atual é mais tranquilo, relativamente. Os bancos estatais estão domados (ou seja, não mais estão jogando dinheiro a rodo na economia a juros menores que a Selic), as commodities estão caras e as contas externas estão em superavit recorde, o que em tese é bom para o real."

    Por que as contas externas em superávit seriam boas para a moeda? As commodities (você estaria falando do preço em real ou em dólar? Ou em ambos?) seria pelo fato de soja e minério de ferro estarem entre as maiores pautas de exportação aqui? Por que as commodities mais caras poderiam beneficiar o real? O real brasileiro está "atrelado" às commodities?

    Tenho minhas dúvidas sobre essas pesquisas do Lula, mas de qualquer forma inflação sempre tem um custo político (o pessoal que ficou xingando o Ulrich no Twitter está calado agora). Para a imensa maioria das pessoas, o que importa são as contas a pagar e a renda. Em cidades interioranas realmente as pessoas parecem ser mais tranquilas com relação à pandemia. Emprego importa, mas o que o dinheiro consegue comprar é ainda mais importante (basta ver que na Itália, na Grécia e na Espanha, com desemprego alto, eles recebem seguro-desemprego com uma moeda ainda forte, e esses três países vivenciaram vários meses de deflação nesse tempo).
  • Leandro  25/08/2021 01:51
    "Por que as contas externas em superávit seriam boas para a moeda?"

    No curto prazo. Porque entram mais dólares são vendidos do que comprados.

    "As commodities (você estaria falando do preço em real ou em dólar? Ou em ambos?) seria pelo fato de soja e minério de ferro estarem entre as maiores pautas de exportação aqui? Por que as commodities mais caras poderiam beneficiar o real? O real brasileiro está "atrelado" às commodities?"

    O Brasil é um típico país de moeda ligada ao desempenho de commodities. Rússia, Noruega, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Colômbia, México, Peru, Chile, África do Sul também são.

    Nestes países, o câmbio tende a desempenhar de acordo com as commodities. Isso, aliás, já foi muito explicado neste site. Commodities caras (em dólar) significa dólar fraco, logo, câmbio apreciado. E vice-versa.

    Sempre que commodities encarecem, essas moedas performam bem em relação ao dólar. Vide o desempenho delas no período 2004-2011.

    No entanto, apenas commodities não fazem milagre. É preciso que os juros estejam realistas. Se os juros reais estiverem amplamente negativos, não há milagre. Não haverá atração de capital.
  • Felipe  25/08/2021 02:41
    Por que as commodities mais caras tendem a deixar essas moedas mais fortes? Imagino que, com essas exportações mais caras, então mais dólar americano "entra" no Brasil, assim gerando uma apreciação cambial.

    Vale lembrar que existe o cenário onde o DXY sobe ao mesmo tempo em que o real brasileiro se aprecia em relação ao dólar, que vimos em parte desse ano (veja esse gráfico). É pouco comum, mas acontece.

    Você disse, muitos meses atrás, de que esse ciclo de alta no preço internacional das commodities sempre é revertido, o que devo supor que seja por causa política monetária do Federal Reserve System. Por exemplo, recentemente vimos uma alta no preço do minério de ferro. Houve uma grande queda, mas continua caro. A Vale S.A. se valorizou por causa disso. No passado recente, a Vale teve que fazer demissões e cortes de custos, pois aqueles investimentos que ela fez quando o minério estava mais caro se provaram insustentáveis. Agora estamos vendo um minério de ferro caro, mas com o DXY ainda moderadamente alto.
  • Introvertido  25/08/2021 18:29
    Prazado Felipe,

    Você está errando na causalidade, simplesmente não há como, de forma analista a priori, uma maior entrada de dólares causar a valorização do real, mas uma quantidade de reservas decente traz segurança para os investidores e importadores, e uma baixa quantidade de reservas pode causar uma crise cambial.

    Outro erro: você parece ignorar por completo que um dos principais causadores de altas de commodies é a própria desvalorização do dólar, logo, o preço das commodies subir junto com o Real é algo completamente normal. Incomum é o real não subir junto, como está acontecendo agora.

    Se o valor das commodies realmente influenciassem o real em algo, então o real atualmente já deveria estar em contínua valorização em relação ao dolar, mas poisé, não é isso que está acontecendo, pois o principal problema está no gerenciamento cambial por parte do BC.

    Abraços.
  • Felipe  09/08/2021 15:32
    "Mercado estima inflação em 6,88% e Selic em 7,25% em 2021"

    Vale lembrar que, em dezembro de 2020, vejam a manchete:

    "BC estima inflação de 4,3% em 2020 e de 3,4% em 2021"

    O melhor é que, para esse ano, o BCB havia previsto que a chance para estourar o teto da meta de inflação era de 8 % (!!!). Política monetária é o passageiro e o piloto é fiscal?

    Novamente os austríacos tendo razão...
  • Introvertido  09/08/2021 16:29
    Qual inflação o mercado tinha previsto para 2021? Se os investidores do mercado acertaram, então p provavelmente a previsão para 2020 estará correta.
  • Introvertido  09/08/2021 19:03
    Digitei o comentário rápido de mais, e acabou ficando meio nonsense, uao. Mas eu já consegui às respostas para minhas dúvidas.
  • Felipe  09/08/2021 20:42
    Ok.

    De qualquer forma, dólar se fortalecendo de novo e o real se mantendo estável ante dólar. Vamos ver como será nas próximas semanas...
  • Felipe  10/08/2021 00:43
    Oficialmente o Zimbábue saiu de uma hiperinflação, nesse mês de julho. Pelo que vi, eles voltaram a flexibilizar o mercado de câmbio no ano passado, de forma que as pessoas também podem ter sua conta em moeda estrangeira.

    Para quem estiver curioso, há um documento do banco central deles. Parece que eles estão reduzindo a taxa de expansão monetária, já que a moeda local voltou a existir, além de que eles pretendem aumentar as reservas internacionais.

    Caso continuarem com a taxa básica deles de 40 % anuais e o sistema multi-cambial for respeitado, os juros reais devem ficar entre os maiores do mundo.
  • Introvertido  10/08/2021 04:50
    Achei um artigo sobre o Zimbábue aqui no IMB.
  • Introvertido  10/08/2021 04:56
    Aqui um outro artigo um pouco mais atualizado.
  • capitalista chinês  10/08/2021 12:47
    Coloque aí na conta mais outro país onde a ideologia de esquerda-progressista entrou, destruiu tudo e arruinou.

    O ex-presidente(ditador) Magube utilizou as já bem conhecidas técnicas de discórdia da esquerda para se legitimar diante da população por meio da criação de tensão racial entre brancos e pretos, patrão-empregado, direito de propriedade privada, coletivismo ...

    Mugabe, utilizando o funcionalismo público do país, e apoiado pela população inflamada pelo ódio, expropriaram as propriedade privadas (terras e comércios) dos brancos.

    Como todo progressista, Mugabe e o funcionalismo público, afundados em sua própria ignorância, acharam que eram os donos do conhecimento e da verdade, e que em posse das terras e máquinas colocariam as coisas para funcionar para o "bem comum" com "boa vontade" e senso de "justiça social". Não apenas isso, acharam que dinheiro era riqueza e começaram a imprimir papel a perder de vista.


    Desnecessário dizer que tudo deu errado.


    Com o dinheiro que não valia nada e nenhuma produção de bens e serviços para serem consumidos, o funcionalismo público(aquele mesmo que ajudou a operacionalizar as ações) se sentiu prejudicado e literalmente chutou Mugabe para fora do governo. De lá para cá, o país vem revertendo suas ações (devolvendo as propriedades privadas aos seus donos originais).


    A pergunta retórica é: para que serve o funcionalismo público? senão para atender ao governo de momento, contanto que esse seja benéfico aos seus interesses parasíticos
  • Felipe  10/08/2021 16:41
    Pessoal, vejam que interessante, o BCB explicando sobre as consequências de sair emitindo moeda e dando para todo mundo:



    Deram uma explicação austríaca...
  • Felipe  10/08/2021 21:10
    Interessante eles terem mencionado o ouro, coincidentemente perto do período no qual o BCB comprou mais reservas de ouro...
  • Um Cão  10/08/2021 21:20
    Algo inesperado vindo do BC. Principalmente depois de darem dinheiro de graça para todo mundo com os "auxílios emergenciais". Acho que é bipolaridade.
  • capitalista chinês  11/08/2021 12:52
    O paradoxo do banco central brasileiro em 0:50

    Se "A quantidade de dinheiro precisa ser compatível com a quantidade de bens e serviços disponíveis no país", então estimular uma economia capengando pela criação de dinheiro do nada é piorar a situação.

    Além disso, corrija-me se eu estiver errado, mas essa ideia de ficar adivinhando a quantidade de dinheiro na economia é uma das causas pelo qual não vemos deflação nos preços dos bens e serviços, mesmo que esteja havendo ganhos de escala, produtividade e tecnologia nestes.
  • Artista Estatizado  11/08/2021 15:57
    Correto. Qualquer quantidade de dinheiro serve, no longo prazo. E sim, a criação de dinheiro impede a deflação de preços.
  • Introvertido  11/08/2021 02:48
    Depois que a bolha americana estourar, o que será que virá á seguir? Grande Reset? Yuan como nova moeda global? Volta ao padrão-ouro? O futuro é incerto...
  • Felipe  11/08/2021 13:11
    Renminbi como moeda de reserva mundial e de troca é ainda algo bastante difícil de acontecer. Basta ver o que o governo chinês faz com os investidores, mais recentemente com o setor educacional.

    Para a China se tornar hegemônica como era nos últimos séculos da Idade Média, eles precisam expulsar esse aparato comunista de lá.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  11/08/2021 17:24
    Muito dificilmente que aquele partido sairá de lá sem mais nem menos. Mais fácil o PCC voltar aos tempos de Mao que promover mais liberdade ao país, que, diga-se de passagem, há milénios já se acostumou com desmandos de líderes ora da realeza, e agora do partido comunista. Sem dizer que foram eles que inventaram tudo isso aí que vemos hoje: banco central imprimindo sem lastro, concurso público com garantia de estabilidade e regalias descaradas para nababos e mandarins.
  • Jeferson Vasquez  12/08/2021 21:48
    '' Mais fácil o PCC voltar aos tempos de Mao.........''

    Ou seja, 3000 mortos por hora! Tá bom! (ironia.)
  • Thomas Peyton  11/08/2021 14:39
    Off Topic:


    Impressionante como o Banco Central detonou com o povo brasileiro, e por tabela, o atual governo. Toda ida ao mercado, triste e inevitavelmente, vem-me a mente a perniciosidade praticada por nossa autoridade monetária.

    Quanto ao governo atual, sinceramente, perdeu-se uma grande janela de oportunidade, incrível. Todos os setores da mídia, oposição e até grupos políticos da situação defenderam um aumento dos gastos públicos sem pudor nenhum. "Economia a gente vê depois." Ora bolas, nestas circunstâncias, um ajuste das contas públicas, fatalmente, teria de ocorrer logo depois. Sem dó, nem misericórdia. Quando da elaboração dos orçamentos, os membros do governo poderiam mostrar manchetes e falas de todos que apoiaram essas medidas insanas, fato que daria um grande suporte para as medidas de austeridade. Seria um salto no abismo, sem dúvida. Mas morreríamos com a dignidade de ter uma moeda decente, com um poder de compra razoável, a penúria seria muito menor. Muito provavelmente, toda a população iria compreender. Afinal, melhor o dinheiro dos impostos escorchantes que você já paga para fechar a conta do que a sua despensa, não é verdade? Mantivessem os 6,5% conquistados duramente desde 2016. A pressão da mídia foi forte antes mesmo da pandemia para diminuí-lo? Foi. Gigantesca, por sinal. Abaixasse meio ponto ou até, estourando, um ponto! Porém, de modo nefasto, o governo atual se vangloriou por pagar a menor SELIC da história! Optaram pela penúria do poder aquisitivo da população, simplesmente, para diminuir o serviço de uma dívida que já era monstruosa devido a políticas econômicas fascistas de gestões anteriores. Meus Parabéns, Paulo Guedes e demais membros de sua equipe, por optarem pelo populismo midiático e rasteiro de atacar "rentistas" a custa do sangramento financeiro da população, e , claro, ao Presidente da República pela sua ignorância crassa em assuntos desta natureza. Continue andando de moto, aliás, pois será assim que, muito provavelmente, o senhor sairá do altiplano executivo no final do ano que vem. Quero ver fazer ajuste agora, população está no limite!

    Queiram me perdoar pelo desabafo, estou muito decepcionado com todas essas medidas ditatoriais que nós estamos presenciando, além, claro, de estar presenciando um decréscimo substancial da qualidade de vida de nós brasileiros, perpetrado, com grande parcela de culpa, por nosso Banco Central.
  • Leandro  11/08/2021 15:39
    A grande ironia é que exatamente o ministro que mais vituperou os "rentistas" é aquele que irá acabar entregando uma taxa de juros maior do que a que herdou.

    No futuro, historiadores sérios olharão para essa bizarra época de Selic a 2% e dirão: "No que aqueles lunáticos estavam pensando?"

    O Brasil, que sempre foi conhecido como o "país dos juros reais mais altos do mundo", repentinamente, sem que tivesse havido qualquer mudança estrutural na economia (ao contrário, as contas públicas só pioraram com a pandemia), passou a ter juros reais negativos e menores até mesmo que os da Suíça.

    E o pior é que quase ninguém se salva. O ortodoxo Alexandre Schwartsman, que hoje passou a criticar o Banco Central, escreveu várias colunas na Infomoney em 2020 (bem como postagens em seu Twitter) dizendo que a Selic deveria ser reduzida até 1,50%, e ainda lamentou a "falta de coragem" do atual BC em fazer isso. Hoje faz cara de paisagem para tudo.

    Foram pouquíssimos os analistas que alertaram, em tempo real, não só que a Selic estava errada, como também que a desvalorização cambial (causada pela Selic errada) seria fatal para a inflação de preços. E que a política de seguir cegamente metas de inflação estava errada para aquele momento pandêmico.

    Este Instituto foi uma destas exceções.

    Era bizarro, realmente: combustíveis e alimentos explodindo por causa do câmbio, e o BC brincando de "forward guidance" porque a inflação do setor de serviços estava baixa (óbvio, estava tudo fechado).


    A única coisa boa disso tudo é que mais um experimento keynesiano (Teoria Monetária Moderna) foi enterrado. O Brasil, aliás, é um cemitério de ideias keynesianas. Em apenas seis anos, duas teorias (Nova Matriz Econômica e Teoria Monetária Moderna) foram para a cova.

    Acho que não precisamos de mais.
  • Felipe  11/08/2021 16:33
    Pessoal que ficou me xingando no Facebook quando eu alertava sobre isso me deve explicações. E também os que atacaram o Fernando Ulrich no Twitter.

    Nos devem explicações.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  11/08/2021 16:48
    Sei não, hein? O povo não vai enterrar a TMM tão cedo. Tivemos uma década de TMM com o Sarney e mesmo assim insistem em ressuscitar essa bazófia. Só de olharem o Brasil daquela época, já era prós outros governos aprenderem com nossos erros. E mesmo assim eles insistem.

    E o brasileiro vai nessa
  • Thomas Peyton  11/08/2021 20:33
    "A grande ironia é que exatamente o ministro que mais vituperou os 'rentistas' é aquele que irá acabar entregando uma taxa de juros maior do que a que herdou."

    É de sentir vergonha alheia.

    Ortodoxia econômica - neoliberais-, realmente, está em um mato sem cachorro. Próxima parada Viracopos?



  • YURI - SÃO CARLENSE  12/08/2021 02:15
    Pois é, Leandro.

    No ano passado, quando eu lia as colunas do Alexandre Schwartsman pedindo mais redução de Selic, eu não acreditava no que estava lendo (até cheguei a pensar que era eu que não estava sabendo interpretar os artigos).

    Quando vi você dizer num dos seus comentários que aquilo era um absurdo (mesmo vindo de um economista sério como ele), eu vi que eu não estava errado. Aquilo era uma loucura, de fato.

    Parece que essa pandemia foi um período em que todo mundo perdeu a lucidez. Paulo Guedes incorporando Ciro Gomes em falando em "chuveirar dinheiro"; RCN jogando o juros a 2% e a mídia defendendo; total desprezo pelas finanças públicas como responsabilidade fiscal fosse algo sem importância.

    Pior que irá levar anos pra se tentar consertar tais loucuras. Isso se a esquerda não voltar ao poder e se Bolsonaro não caminhar para populismo.

    Consertar tantas loucuras será difícil. O pior é que se quer dá pra ter certeza que o país trilhará o caminho do ajuste.

  • Bolsodilma cirolulaguedes  12/08/2021 14:49
    "Parece que essa pandemia foi um período em que todo mundo perdeu a lucidez"

    Seguiu a psicologia do apocalipse zumbi em pequena escala. Imagine agora se as economias ficassem paradas durante anos, com as pessoas obrigadas a ficar em casa? As economias implodiriam e os políticos viriam com soluções piores que estas. O que nos leva a conclusão mesmo que economia é só a produção de bens e serviços.
  • Introvertido  11/08/2021 16:12
    Os próximos anos também serão sombrios, recomendo olhar apenas para você mesmo e sua segurança, esse instituto já havia previsto muita coisa desde 2019, quem ouviu, provavelmente protegeu sua renda e patrimônio durante a loucura que foram os anos de 2020 e 2021, quem não ouviu, teve boa parte de seu poder de compra solapado.

    Desabafar é bom, mas note que fazer isso não muda absolutamente nada do mundo. Recomendo começar á planejar uma imigração para algum país, preferencialmente livre e que tenha um orçamento minimamente organizado.
  • Roberto R  12/08/2021 09:34
    Concordo com os anos sombrios a frente. Justamente pela "loucura que foram 2020 e 2021" nao acredito mais em "paises livres", talvez um pouco mais economicamente em relacao ao Brasil. Eu mesmo moro no Reino Unido e posso te dizer com uma boa margem de certeza que isso se tornara uma ditadura sanitaria/totalitaria/vigilancia cada vez mais. Depois de 2 lockdowns de MESES a fio e as "autoridades" ja falando de mais, sem contar a vacina experimental e seu passaporte digital que sera necessario para ir a nightclubs e estadios (por enquanto!!!!), ou seja, muito distante mesmo de qualquer coisa que possa parecer livre. O governo ainda aqui teve uma ideia curiosa digamos, de pagar 80% dos salarios de todo cidadao que ficou sem poder trabalhar no lockdown (furloughs) obviamente sem qualquer dinheiro para isso, aumentando o deficit e a divida publica monstruosamente, com o plus de -9,9% do PIB . Nao vejo os paises europeus muito diferente disso nem desse rumo. Tomara q ainda existam lugares mais livres.
  • Um Cão  11/08/2021 21:16
    Então quem diabos está financiando os deficits do tesouro americano?

    Todo o mundo.

    Não acho que faz muito sentido alguém torrar dinheiro para ajudar o governo americano... Só se forem os grandes bancos, com medo de serem solapados junto com o país.

    Ninguem que investe nos títulos está realmente pensando em ajudar o governo, somente querem obter lucro. Mesmo com juros negativos é possivel ter grandes ganhos especulando com titulos de longo prazo.
  • Felipe  13/08/2021 01:31
    Vejam que legal, achei uma matéria de época da revista The Economist, de janeiro de 1999, justo quando estourou a crise do Real (até rimou). Gustavo Franco havia renunciado.

    Alguns pontos de discussão:

    - Segundo o artigo, o Brasil recebeu US$ 41,5 bilhões, meses atrás, do FMI, para defender o real. Apesar disso, o real deixou de ser atrelado.

    - O que acharam do penúltimo parágrafo do artigo?

    É uma coisa bastante contraditória: precisa ter reservas internacionais para servir de base para a moeda nacional para um determinado patamar. Mas e se precisar queimar reservas para manter o câmbio em um certo patamar, pode faltar reservas e então isso já fragiliza a moeda. E ainda há a encrenca da base monetária, que não pode ser "muito" maior do que as reservas internacionais. E quem é que vai controlar o aumento desse agregado monetário? Por alguma lei dentro do BCB, que pode ser revogada? Qual a punição para quem ferir essa lei? Parece o problema de quem vigia os vigilantes... um banco central é uma contradição econômica.
  • YURI - SÃO CARLENSE  13/08/2021 04:05
    Leandro,

    Recentemente vc mencionou sobre os termos de troca e sua influencia na cotação do dólar.

    Dúvida básica: melhora/ganho nos termos de troca significa que os preços dos produtos exportados estão subindo mais que o preço dos importados, correto? Um ganho nos termos de troca seria uma das causas da valorização do real?

    Tendo a concluir que a melhora dos termos de troca seria benéfico para a economia do Brasil, pois, com as mesmas exportac¸o~es consegue-se importar mais produtos (aumento do poder de compra e bem-estar da populac¸a~o).

    Por outro lado, para um país exportador de commodities como o Brasil, o ganho nos termos de troca significa alta no preços das commodities. Essa alta das commodites tende a pressionar pra cima nossa inflação, o que seria um ponto negativo.

    Como vc analisa essa questão dos termos de troca para o Brasil?
  • Leandro  13/08/2021 07:38
    "Dúvida básica: melhora/ganho nos termos de troca significa que os preços dos produtos exportados estão subindo mais que o preço dos importados, correto?"

    Correto.

    "Um ganho nos termos de troca seria uma das causas da valorização do real?"

    Sim, no curto prazo. No longo prazo, o que determina o câmbio é o diferencial de juros e o poder de compra de cada moeda.

    "Tendo a concluir que a melhora dos termos de troca seria benéfico para a economia do Brasil, pois, com as mesmas exportações consegue-se importar mais produtos (aumento do poder de compra e bem-estar da população)."

    Sim, pois com o mesmo volume exportado adquire-se mais dólares, os quais podem então ser utilizados para importar mais coisas.

    "Por outro lado, para um país exportador de commodities como o Brasil, o ganho nos termos de troca significa alta no preços das commodities. Essa alta das commodites tende a pressionar pra cima nossa inflação, o que seria um ponto negativo. Como vc analisa essa questão dos termos de troca para o Brasil?"

    A alta das commodities ocorre em dólares (commodities são precificadas em dólares). Se elas encarecerem em dólares, mas o real se apreciar em relação ao dólar, então não necessariamente elas irão encarecer em reais.

    O atual problema da nossa carestia é exatamente esse: as commodities encareceram em dólares, mas o real não se apreciou em relação ao dólar na mesma magnitude (por causa da Selic errada).

    Na segunda metade da década de 2000 as commodities estavam ainda mais caras em dólares do que estão hoje, mas a Selic estava acima de 12%, o que garantia uma tranquila apreciação do real. Hoje, com a Selic tendo estado binariamente em 2%, não havia como o real se apreciar apenas com termos de troca.
  • Felipe  13/08/2021 12:42
    Foi interessante o período 2003-2011: as commodities encareceram em dólares, ao mesmo tempo em que baratearam em reais.

    Poderíamos ter isso agora, se a equipe econômica estivesse mais preocupada com a moeda.

    Se o teto da meta fosse abaixado para 4 % já em 2019 (como o México desde... 2003!), a gente estaria em uma situação melhor agora.

    Precisamos da dupla Regan/Volcker aqui no País...
  • Bolsodilma cirolulaguedes  13/08/2021 22:10
    Viveríamos isso agora, se os gastos públicos não tivessem explodido pra 13.4 por cento do PIB somente em déficit.
  • YURI - SÃO CARLENSE  13/08/2021 21:04
    Entendi, Leandro

    Valeu pelos esclarecimentos, mais uma vez.

    Suas explicaçãoes realmente são uma aula e contribuem demais para nossa compreensão do cenário econômico atual.

    Abraços !!
  • Bolsodilma cirolulaguedes  16/08/2021 00:16
    em comemoração aos nossos políticos que acabaram com o padrão ouro,
    vamos fazer um brinde olhando esse site que exibe gráficos antes e pós 1971.


    wtfhappenedin1971.com/?fbclid=IwAR3MZ69frbZZxQtjpGQ4Fl-HODA-fO4otompS6kpdHrLz1jAdhSW6YX8to8
  • Joel  16/08/2021 12:36
    o bitcoin é exatamente o que Hayek estava falando com aquela frase no final da pagina:

    "I don't believe we shall ever have a good money again before we take the thing out of the hands of government, that is, we can't take it violently out of the hands of government, all we can do is by some sly roundabout way introduce something that they can't stop." – F.A. Hayek 1984
  • Lucas  18/08/2021 07:18
    O que aconteceria se todos os países adotassem a mesma moeda?

    Por Bruno Vaiano

    Por um lado, haveria muitas vantagens. O comércio internacional se intensificaria – afinal, é muito mais prático comprar e vender na mesma moeda. Os gastos com câmbio desapareceriam. E eles não são pequenos: estima-se que a União Europeia tenha passado a economizar algo entre € 13 e € 19 bilhões anuais com a troca de moedas após a unificação monetária do bloco sob o euro.

    Países pobres teriam um alicerce mais sólido para se desenvolver, sem crises de hiperinflação como as que assolaram o Zimbábue nas últimas décadas (o país africano chegou a ter uma nota de 300 trilhões antes de autorizar o uso de moeda estrangeira no lugar da moeda local).

    Mas nem tudo são flores.

    Por exemplo: a tática de desvalorizar a própria moeda artificialmente – algo que a China fez sistematicamente nas últimas décadas para derrubar o valor de suas exportações e esmagar concorrentes – se tornaria impossível.

    Sem liberdade para guiar a própria política monetária – mexendo em taxas de juros, por exemplo –, os países perderiam o poder de reagir a crises de acordo com as particularidades locais, o que dificulta a recuperação. Isso faria com que algumas economias (as mais fortes, em geral) pagassem o pato quando outras fossem para o chão. Lembra da Alemanha salvando a Grécia após a crise internacional em 2008?

    super.abril.com.br/blog/oraculo/o-que-aconteceria-se-todos-os-paises-adotassem-a-mesma-moeda/
  • Leandro  18/08/2021 14:11
    É inacreditável como prospera essa farsa de que a China desvaloriza seu câmbio. Ainda mais impressionate é ver veículos de imprensa — que supostamente deveriam averiguar as informações antes de saírem repetindo lugares-comuns — fazendo coro a esta falácia.

    A moeda da China, ao contrário do que afirmam desinformados (ou seriam desinformantes), está em constante valorização em relação às outras. E desde 1995.

    Isso mesmo: a China opera com um câmbio semi-fixo desde 1995: ora o renminbi se valoriza em relação ao dólar, ora se mantém fixo. Veja o gráfico.

    E essa política monetária de valorização da moeda foi um dos grandes chamarizes para as indústrias estrangeiras ali se estabelecerem: com uma moeda em constante valorização, quem produzir na China e remeter os lucros para a matriz no exterior ganhará duplamente: alem dos lucros, ganhará também com a apreciação da moeda chinesa (a qual poderá comprar muito mais dólares quando a empresa estrangeira for remeter dólares para sua matriz; explicado em detalhes aqui).

    Moeda forte, portanto, é chamariz para o estabelecimento de indústrias estrangeiras.

    Ademais, o IRPJ é de 25% no país e não há sindicatos.


    Há tanta coisa para se criticar no governo chinês, e as pessoas criticam não só algo que não existe, como, ao contrário, ocorre ao exato oposto do que dizem.
  • Felipe  18/08/2021 16:16
    Na verdade há, só que são controlados pelo sindicato do Partido Comunista Chinês. Problema não são os sindicatos e sim o controle estatal sobre eles.

    Pelo menos o PBC parece ter mais cautela com a moeda do que o BCB.
  • WMZ  19/08/2021 08:05
    Depende. Se mantermos fixa a oferta monetária do renminbi e variável a oferta de dólar no mercado monetário chinês, veremos que era para o renminbi estar MUITO mais valorizado do que sempre foi.

    A estratégia de desenvolvimento chinês não é, como aqui no Brasil, depender de multinacionais
  • Introvertido  19/08/2021 16:42
    "Sem liberdade para guiar a própria política monetária – mexendo em taxas de juros, por exemplo –, os países perderiam o poder de reagir a crises de acordo com as particularidades locais, o que dificulta a recuperação."

    Esse Bruno Vaiano é o que? Keynesiano? Porque tem tantas falácias nesse texto, que chega há ser impressionante

    O principal causador das crises é o próprio controle que o BC tem sobre os bancos, permitindo enormes expansões monetárias de crédito por juros baixos, e quem intensifica às crises também são os próprios pacotes de ajuda que o BC e o determinado governo redistribuem para às empresas, impedindo que às empresas falidas sejam liquidadas, tudo por causa do dinheiro esbulhado do contribuinte para às empresas amigas do governo.

    O autor do título fala como se redistribuir pacotes de socorro ajudassem em algo, sendo que até hoje não houve qualquer sinal disso, a crise da década 20, por exemplo, não houve nenhum pacote de socorro, houve exatamente o inverso: o governo americano fez enormes cortes de gastos, e a crise acabou em menos de 2 ano, enquanto na crise da década de 30 ocorreram horrendas intervenções, que iam de congelamento de salários até grandes pacotes de socorros, nós sabemos bem como tudo terminou.

    Já os pacotes de socorro de 2008 estão nas reservas do FED até hoje, com o FED pagando juros bilionários para os bancos colocarem dinheiro na reserva.

    "Isso faria com que algumas economias (as mais fortes, em geral) pagassem o pato quando outras fossem para o chão. Lembra da Alemanha salvando a Grécia após a crise internacional em 2008?""

    Hein? Que referência mais bizarra é essa? Grécia estava quebrada, gastando muito mais dinheiro do que arrecadava e mal conseguindo pagar os juros das dívidas, utilizar moeda papel para pagar esses juros nessa situação acarretaria em hiperinflação, e não tardaria até haver calote de todas as dívidas. Porém a Grécia estava impedida de fazer isso, pois o Euro á disciplinou, e o governo alemão distribuiu pacotes de socorro indiretos para os bancos alemães, porém por meio de dinheiro redistribuido para a Grécia para o governo pagar os juros dos bancos alemães.
  • Felipe  20/08/2021 23:53
    "'Ruídos' institucionais e fiscais impactam inflação, diz Campos Neto"

    Dentro da notícia, há uma longa apresentação, feita pelo próprio Roberto Campos Neto (íntegra dela aqui). Foi transmitida por um vídeo ao vivo com o Ascoa (Americas Society/Council of the Americas) nesse dia 19 de agosto.

    Os slides até que são bem apresentados, com gráficos fáceis de entender e com dados de inúmeros países ao redor do mundo, com coisas como o índice de preços ao produtor (coisa que eu mencionei aqui no ano passado por tantas vezes...). Interessantemente, o índice ao produtor explodiu aqui no Brasil antes do resto do mundo, e com maior intensidade. Há também dados do mercado financeiro, apresentação do PIX e afins...
  • Felipe  21/08/2021 01:52
    Leandro, o que mudará com esses depósitos voluntários juntos ao BCB?

    O peso mexicano, apesar do governo conturbado do Obrador, continua atrativo para investidores estrangeiros. O país ainda está com grau de investimento (provavelmente por causa das medidas austeras feitas no ano passado) e os juros reais estão mais atrativos do que aqui (a inflação lá está menor do que aqui), apesar de ainda negativas. A dúvida agora será como ficará a gestão do Banxico, com a nomeação de Herrera para o ano que vem.
  • Leandro  21/08/2021 15:34
    De início, o que é garantido mesmo é que a dívida pública (títulos públicos) em posse do mercado cairia.

    Hoje, para reduzir a base monetária, o BC normalmente tem de fazer "operações compromissadas" (vende títulos com o compromisso de recomprá-los no futuro). Ao fazer isso (vender os títulos), a dívida em posse do mercado aumenta.

    Caso opte pelo pagamento de juros sobre depósitos voluntários dos bancos, os títulos públicos saem da equação. A dívida pública em posse do mercado fica menor.

    Isso é o que é garantido de acontecer. Todo o resto já se torna apenas palpite.

    De resto, a experiência prática ainda é recente; porém, quando foi adotado (nos EUA), este mecanismo de fato gerou uma contenção no crescimento do M1 (até antes da pandemia, quando tudo mudou).

    De janeiro de 2009 a janeiro de 2020, apesar de toda a explosão da base monetária, o M1 americano cresceu apenas 7% ao ano:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m1.png?s=unitedstamonsupm1&v=202102042300V20200908&d1=20090105&d2=20210205

    Já o M2 cresceu a uma taxa média anual ainda menor, de 6,3%:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=202102042300V20200908&d1=20090101&d2=20210205

    Ou seja, a medida de fato colocou uma rolha no mecanismo de transmissão da política monetária, separando por completo a expansão da base monetária (M0) e a expansão da oferta monetária (M1, M2).

    Eis o meu palpite: eles vão reduzir os compulsórios e, simultaneamente, adotar essa política de pagar juros sobre todo e qualquer depósito voluntário que os bancos façam no BC.

    Adotando esse mecanismo, o controle da expansão dos agregados monetários se torna muito mais fácil.
  • Felipe  21/08/2021 21:47
    Essas operações compromissadas estariam dentro das operações de mercado aberto?

    Além de EUA e Brasil, há outro banco central que utiliza esse mecanismo?

    Do ponto de vista austríaco, quais as consequências por essa maior facilidade em controle da expansão monetária?
  • Leandro  21/08/2021 23:41
    São mercado aberto, mas não envolvem títulos públicos. Compromissadas todos os BCs utilizam, mas pagar juros sobre depósitos voluntários é exclusividade do Fed e, agora, do Bacen. Na Europa, o BCE cobra juros sobre estes depósitos (daí os juros reais negativos).

    De resto, foi tudo bem explicado aqui:

    www.mises.org.br/article/2213/ao-contrario-do-que-diz-a-imprensa-o-banco-central-americano-nao-tem-como-elevar-os-juros
  • Felipe  22/08/2021 01:37
    Leandro, algumas dúvidas: as exportações de commodities fazem "entrar" dólares no País (claro, o exportador também pode escolher trocar os dólares pelos reais). A que medida essa vinda de dólar via exportação poderá fazer a moeda americana ficar mais barata perante o real? Ou isso não mudaria em nada?
  • Leandro  22/08/2021 05:39
    No momento em que o exportador converte dólares em reais há uma pressão baixista no câmbio. Mas para que a queda seja acentuada, é necessário haver conversões volumosas e contínuas.

    Consequentemente, apenas exportação não consegue fazer câmbio baixar. É necessário entrar muito dólar via conta de capital (investimento estrangeiro direto e em portfólio). Este é o que mais afeta, pois é de maior volume. É por meio deste canal que a taxa Selic faz efeito.

    No longo prazo, obviamente, o que vai definir o câmbio é o poder de compra das moedas. No entanto, uma maciça entrada de dólares, por manter o câmbio apreciado (ainda que pontualmente), ajuda a manter o poder de compra da moeda, fazendo com que haja menos inflação de preços.

    Daí, pode-se dizer que que uma maciça entrada de dólares, por ajudar o poder de compra da moeda (reduzindo pressões inflacionárias), fará com que o câmbio de longo prazo seja mais apreciado.
  • Felipe  22/08/2021 02:06
    Outra pergunta: o tal do "balance sheet" envolvendo o banco central seria o balanço da instituição? O que isso significa e como funciona? Há algum artigo aqui sobre? Pergunto isso pois peguei um exemplo que me chamou a atenção: o balanço do banco central boliviano está em altas históricas, apesar de as reservas internacionais estar em baixas históricas. E tem de se levar em conta que a taxa cambial USD/BOB nesse tempo não se alterou muito (pelo menos desde que entrou o regime fixo).
  • Leandro  22/08/2021 05:52
    Sim, balace sheet é o balanço do Banco Central. Na prática, para efeitos de análise macroeconômica, considera que ele mensura os ativos em posse do BC, como títulos públicos, moedas estrangeiras, ouro.

    Quando o balance sheet está em expansão, isso significa que o BC está imprimindo moeda para comprar ativos. Ou seja, ele está fazendo uma política monetária expansionista. Ou então, um tanto mais raro, significa apenas que seus ativos se valorizaram (ouro e dólar encareceram).

    Normalmente, ocorre uma mistura dos dois.

    Quanto ao BC da Bolívia, do meu ponto de vista, achei surpreendentemente comedido. Está próximo dos níveis de 2015. E e linha com a recente movimentação do M1. Compare com o BC brasileiro, por exemplo. Aqui está muito pior.
  • Felipe  22/08/2021 13:04
    Acho que você trocou o gráfico do Brasil, deve estar falando desse.

    Política monetária na Bolívia é diferente. Os juros flutuam e o câmbio é que é fixado, o que deve explicar essa menor tendência ao expansionismo monetário. Arce, apesar de esquerdista, não deve mudar isso (a não ser que colapse por falta de reserva internacional, por enquanto ninguém quis fazer ataque especulativo), já que os índices de preços bolivianos estão extremamente baixos. Ele deve continuar com o populismo do Morales, sem chegar aos moldes econômicos venezuelanos (especialmente num país com tanta diversidade étnica).
  • Leandro  22/08/2021 13:57
    Não. Minha intenção foi realmente colocar o balance sheet do Banco Central brasileiro para comparar com o balance sheet do BC boliviano.

    O boliviano está bem mais comedido que o nosso.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  22/08/2021 23:16
    o balance do fed , nos últimos anos, está em expansão Leandro? quanto?
  • Bolsodilma cirolulaguedes  23/08/2021 01:25
    só explodiu na fraudemia? pensei que desde 2008 já estava assim. títulos?
  • Trader  23/08/2021 01:54
    Títulos públicos, hipotecas, papeis comerciais (até mesmo crédito para compra de carros), além de todos os tipos de papeis bancários. Foi explicado aqui.

    No Brasil, fizemos o mesmo.
  • Artista Estatizado  22/08/2021 11:31
    A construção de um Balanço Patrimonial é algo ensinado na primeira disciplina de Introdução à Contabilidade, e se aplica a qualquer tipo de empresa, não apenas bancos.

    É algo que todas as pessoas, independente de profissão, deveriam aprender, pois é a base para se investir no mercado financeiro com visão de longo prazo, procurando-se ser sócio das empresas.

    Todo evento que gera efeito no balanço é lançado obedecendo a seguinte equação: Ativos = Passivos + Patrimônio Líquido ou Assets = Liabilities + Owner's Equity
  • Bolsodilma cirolulaguedes  21/08/2021 22:13
    Leandro, fico imaginando se esses dólares vão vazar pra economia e " como". eles imprimem, fica parado, eles imprimem mais.
    Será que um dia o gov americano vai dar um jeito de turbinar o fed ora ele continuar pagando os compulsórios e eles poderem imprimir mais?
  • Bolsodilma cirolulaguedes  21/08/2021 23:53
    eu quis dizer " depósitos voluntários" , não compulsórios, hehe.
  • Leandro  22/08/2021 06:11
    Não é de interesse dos bancos vazar esse dinheiro e gerar uma hiperinflação. Eles também perderiam. Emprestam dinheiro hoje a uma taxa e, quando receberem de volta, o dinheiro valerá menos do que valia quando emprestaram, mesmo considerando os juros.

    Igualmente, também não é de interesse do Fed deixar isso acontecer. Apenas pense em seus burocratas. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?

    Eles irão manter uma monetária expansionista até o ponto em que isso mantiver as ações valorizadas. E só. Eles não têm interesse em destruir o dólar pois destruiria diretamente o padrão de vida deles.

    No extremo, entre uma recessão profunda gerada por um acentuado aumento nos juros e no compulsório e uma hiperinflação que destroce seus proventos, os burocratas do Fed ficarão com a primeira opção sem titubear. Eu certamente ficaria.
  • Felipe  22/08/2021 12:58
    Para um país que nunca entrou em hiperinflação na sua história, eu não deixaria entrar em hiperinflação. Geraria também distúrbios sociais. Já estão reclamando da inflação agora. A coisa boa é que a bomba estourou no governo Biden, já que em 2020 já estava começando o expansionismo monetário do Fed. Isso e o que está ocorrendo no Afeganistão já estão afetando a sua popularidade.
  • Bolsodilma cirolulaguedes  23/08/2021 21:32
    mas ações não podem se valorizar pra sempre( bolha da tulipa) .
    tem que haver uma ruptura, que seria quando eles abandonam o barco. seriam só ações artificialmente valoradas. o mercado ficaria viciado.
    fugir para o bitcoin?
  • Felipe  23/08/2021 12:59
    "Real desvalorizado faz remessas de brasileiros no exterior baterem recorde"

    Como analisam isso? Quais os efeitos para curto, médio e longo prazos?
  • Bolsodilma cirolulaguedes  23/08/2021 21:50
    O déficit público gera um risco de falência do governo. Politicamente, eles ainda tentam enfiar mais gastos.

    Querem com isso: mais impostos, mais endividamento, mais inflação. Tem tudo pro real se desvalorizar ainda mais. O Guedes até que cortou bem o déficit em 2019. Mas 2020 tudo piorou e até bateu o recorde: 13.4 por cento do PIB só em déficit.

    E como a população tá comprando essas bazófias de renda mínima e o escambau, tem tudo pra esquerda ganhar a eleição, já que o Guedes e bolsonaldo não sabem que é moeda forte que ganha eleição.

    O Brasil não tem grau de investimento por causa dessa questão fiscal. Tanto a solução da esquerda quanto da direita não a resolvem e só vai piorar se essa reforma tributária que tá vindo aí aumentar impostos. Não tem juro que aguente a incompetência do político brasileiro.

    Se o dólar vir a baixar, será temporário, pois até agora nenhuma medida forte pra segurar a desvalorização do reeeca foi feita.
  • Carlos Alberto Fr.  25/08/2021 14:01
    Creio que se não fossem essas maciças injeções monetárias, menos dinheiro haveria para financiar empresas disruptivas como Netflix, Uber, etc. Acho que serviu pra isso.
  • Um Cão  25/08/2021 22:46
    Ou seja, serviu para inflar mais ainda as ações de empresas que já estavam supervalorizadas e que já obtiam financiamento via investimento privado, debêntures e provavelmente aquele arrego vindo de políticos.

    Empresa boa não precisa de crédito barato pra sobreviver. Só empresas zumbi.
  • imperion  26/08/2021 00:34
    agora o bc e o fed nãopode deixa essas ações desvalorizarem, porque senão seu patrimônio corroe. então imprime se mais dinheiro pra impedir as correções.
  • Introvertido  26/08/2021 02:26
    Como assim o patrimônio do FED corroe? Eu sei que ele atende principalmente os interesses dos grandes fundos financeiros e bancos americanos, mas como o patrimônio da maior maquina de imprimir dinheiro do planeta terá seu patrimônio corroído com a elevação dos juros, o que imediatamente processaria em um desabamento dos preços das ações?

    Se os juros subirem, é fato que todo o sistema financeiro americano irá entrar em crise. Mas não vejo o FED sofrendo muito, pois os admistradores do FED provavelmente iriam tomar às devidas precauções para não ter seu patrimônio corroído junto com o restante da cambada, recuando todas às suas operações no mercado financeiro e imediatamente se livrando de todas suas ações, á não ser que eles não saibam sobre os ciclos econômicos, o que é de se duvidar, já que curiosamente a teoria austriaca dos ciclos econômicos vem sendo aceitada na main stream já faz um tempo. Ilumina-me por favor.

    Para mim, é mais provável que o FED não esteja elevando os juros simplesmente porque tal instituição obviamente já foi capturada pelos banqueiros e grandes fundos, e obviamente, nenhum banqueiro que saiba como funciona os ciclos econômicos irá suicidar-se fiscalmente, elevando os juros e sabendo que eles serão um dos mais afetados...
  • Um Cão  01/09/2021 15:24
    "Como assim o patrimônio do FED corroe? Eu sei que ele atende principalmente os interesses dos grandes fundos financeiros e bancos americanos, mas como o patrimônio da maior maquina de imprimir dinheiro do planeta terá seu patrimônio corroído com a elevação dos juros, o que imediatamente processaria em um desabamento dos preços das ações?"

    Por que o FED possui varios ativos em posse como titulos de hipoteca até ETFs. Uma das maneiras do FED elevar os juros é vender esses ativos, por consequência diminuiria o preço deles. Basta apenas uma redução de 0,5% (isso mesmo, meio por cento) para dizimar todo o capital do fed.

    Sugiro ver o vídeo do Fernando Ulrich sobre como e as consequencias do FED aumentarem os juros:

    youtu.be/L6w0OYjkmfQ?t=242


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