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O que defende a Escola Austríaca e por que ela não deve ser confundida com libertarianismo
A ciência econômica deve ser livre de juízo de valor

Toda ciência é, por definição, isenta de juízos de valor. Ou seja, ele é livre de vieses e opiniões do cientista que possam impactar a análise. 

Tal princípio é uma das grandes contribuições da revolução científica.

David Hume articulou no século XVIII o problema do "ser" e do "dever ser". Argumentava que não se pode derivar o que "deveria ser" a partir do que "é".

Essa dicotomia era uma forma analítica de fatiar escopos para aprofundar o conhecimento. A ciência deve se limitar a cuidar dos fatos, daquilo que "é", ao passo que a filosofia política e a ética, por exemplo, formam disciplinas voltadas ao que "deve ser".

O princípio da neutralidade se aplica também às ciências sociais, em particular à econômica. Como dizia Ludwig von Mises, a "economia é apolítica ou não-política, e se refere sempre aos meios, nunca à escolha dos fins últimos". 

É, portanto, a discussão sobre o que funciona e o que não funciona, de forma a alcançar certos fins dados.

Mises não acreditava em um científico "tem de ser". Muito pelo contrário: ele afirmava que toda ciência necessariamente não deve fazer juízo de valor — wertfrei, em alemão. Ele, em concordância com Hume, acreditava ser inútil tentar inferir um "tem de ser" de um "é".  

Ele sustentava que "não existe algo como um científico 'tem de ser'", e "não existe algo como uma ciência normativa, uma ciência que faça juízo de valor ditando o que tem de ser feito". 

Mises acreditava que não existe algo como um "valor objetivo", seja no mercado de trocas voluntárias, seja não conduta humana em geral.

Escola Austríaca não necessariamente é libertarianismo

Nas ciências naturais como a física, a química e a biologia, é razoavelmente trivial afastar juízos de valor. Experimentos controlados em laboratório — replicáveis e que isolam o objeto de estudo de todas as demais influências— deixam pouco espaço para contaminação por valores pessoais.

Já nas ciências econômicas, é muito mais difícil evitar que preferências individuais contaminem a análise, pois os fenômenos estudados pela ciência econômica — os quais incluem dinheiro, sistema bancário, preços, salários, agências. reguladoras, serviços de saúde, teoria do monopólio e vários outros tópicos — estão repletos de implicações morais. 

Porém, declarações concretas e científicas sobre estes fenômenos que constituem a disciplina da ciência econômica têm necessariamente de ser de valor neutro. (Por "científicas" referimo-nos ao fato de que as declarações envolvem relações de causa e efeito; de modo algum estamos afirmando que a economia se assemelha às ciências físicas).  

Assim, descrever o funcionamento do sistema bancário de reservas fracionárias, por exemplo, é uma tarefa positiva (de caráter prático), e não uma normativa. Agora, discutir se tal sistema é desejável já é uma tarefa normativa, e qualitativamente separada da explicação da mecânica desse sistema. 

A Escola Austríaca tenta fazer exatamente isso: separar análises econômicas de suas implicações morais. Ela explica como as coisas funcionam, e não como deveriam funcionar. Ela é, portanto, uma ciência econômica positiva (não confundir com o "positivismo", que é outra coisa), e não normativa. Ela não faz juízo de valor.

A Escola Austríaca se limita apenas a explicar os fenômenos econômicos (causas e consequências). Ela não prescreve nada. Ela nada diz sobre como algo deve ser.

Eis um sumário dos pontos realmente importantes a serem entendidos:

  • A Escola Austríaca nada tem a dizer sobre a ausência ou a existência do estado. Igualmente, ela nada tem a falar sobre a existência ou sobre a abolição de todos os impostos e regulamentações. Tampouco tem algo a dizer sobre a moralidade da guerra às drogas ou sobre a filosofia do Objetivismo.
  • A Escola Austríaca é uma ciência que se dedica exclusivamente a explicar o funcionamento da ciência econômica, bem como as consequências de cada política econômica adotada.
  • A Escola Austríaca não faz juízo de valor. Ela não está no ramo de dizer como as coisas devem ou não devem ser.
  • Fazer juízos de valor, dizer se algo deveria ou não existir, se tal política é ética e moral, é a função da filosofia libertária. Consequentemente, dizer que "imposto é roubo" e "imoral", que o "estado não deveria existir", ou que "a segurança e justiça devem ser privatizadas" são afirmações repleta de juízo de valor. Sendo assim, tratam-se de posições da filosofia libertária, e não da Escola Austríaca.
  • Obviamente, a filosofia libertária pode utilizar o arcabouço econômico fornecido pela Escola Austríaca para concluir sobre a indesejabilidade do estado e das regulamentações. Porém, tal conclusão normativa é exclusivamente da filosofia libertária.
  • No que tange a impostos, intervenções, Banco Central, guerra às drogas e existência do estado, a Escola Austríaca apenas explica quais são as consequências. Quaisquer juízos de valor a respeito destas medidas estão fora do âmbito da Escola Austríaca, e já adentram a filosofia libertária.
  • Um economista seguidor da Escola Austríaca, ao falar sobre impostos ou sobre controle de preços, irá se limitar a explicar como eles funcionam e quais as suas consequências. Ponto. A partir do momento em que ele adentrar questões morais, ou mesmo falar sobre a desejabilidade de tais medidas, ele não mais está falando do ponto de vista da Escola Austríaca. A partir do momento em que ele emite um juízo de valor, ele saiu do escopo da Escola Austríaca e adentrou o da filosofia libertária.

Portanto, para deixar bem claro: a Escola Austríaca fala apenas sobre ciência econômica, e adota uma abordagem positiva em vez de normativa. A Escola Austríaca apenas se limita a explicar como funciona a economia e quais serão as consequências de determinadas políticas econômicas. E só.

Ela nada tem a dizer sobre tamanho de estado, por exemplo. Quem fala sobre tamanho de estado é a filosofia libertária, a qual pode, aí sim, utilizar argumentos econômicos da Escola Austríaca.

Em termos práticos, libertários e anarcocapitalistas tendem a ser seguidores das ideias de Escola Austríaca. Mas nem todo seguidor das ideias da Escola Austríaca é libertário ou anarcocapitalista. 

Para concluir

A Escola Austríaca, enfatizando, não é uma ciência normativa. Ela não faz recomendações. Ela é uma ciência positiva, isto é, ela apenas explica como funcionam as coisas. Fazer recomendações é função da filosofia libertária — que pode ou não se basear na Escola Austríaca —, e não da ciência econômica genuína.

A função da economia é descrever causas e explicar consequências. Só. E é exatamente isso o que faz a Escola Austríaca de Economia. Dizer se determinadas políticas são desejáveis ou não, se são éticas ou não, se são nocivas ou não já é algo do campo da filosofia. A ciência econômica é positiva ao passo que a filosofia é normativa.

Tendo entendido tudo isso, vale concluir ressaltando que uma pessoa não pode fazer um comentário inteligente sobre questões normativas caso ela não entenda as questões mecânicas do sistema. 

Por isso, se uma pessoa quiser discorrer sobre a desejabilidade ou a moralidade de, por exemplo, um salário mínimo de R$ 15 mil reais, de controle de preços de alimentos, de medicina socializada e de agências reguladoras, ela precisa antes estar totalmente ciente das consequências econômicas de tais medidas (algo que exige o domínio da ciência econômica). 

Então, só então, ela poderá coerentemente falar sobre a ética e a moralidade de se defender tais políticas. Infelizmente, o que mais vemos hoje no mundo são pessoas defendendo políticas de acordo exclusivamente com quão "belas" elas soam, ignorando completamente suas reais (e quase sempre nefastas) consequências econômicas.

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autor

Helio Beltrão e Anthony Geller

Helio Betrão é o presidente do Instituto Mises Brasil.

Anthony P. Geller é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • FERNANDO LAZARINI  22/04/2021 16:31
    É uma forma bem engenhosa de se abster do debate e evitar conflitos.
  • Victor  22/04/2021 16:38
    É a primeira vez que vejo alguém dizer que libertários "se abstêm do debate e evitam conflitos". As críticas que ouço sempre são exatamente o contrário.
  • Guilherme  22/04/2021 16:39
    Haha, o que mais tem aqui é libertário debatendo (e trucidando) qualquer um que vem aqui tirar onda. E o indigitado assim diz que está havendo "abstenção do debate"?
  • anônimo  22/04/2021 16:44
    Também não entendi o tal Lazarini. Sempre criticam os libertários por serem excessivamente agressivos na defesa de suas posições. Aí ele vem e diz o oposto?
  • Vladimir  22/04/2021 16:45
    Lazarini tá confundindo economia com filosofia. São coisas distintas, mas ele jura que são iguais. Pior: ele não aceita que uma pessoa possa ser as duas coisas.

    A mesma pessoa pode ser economista e filósofa libertária. Ao explicar as consequências de uma política econômica, ela é economista. Ao discorrer sobre a ética e a moralidade de tais medidas, ela está sendo filósofa.

    Não há conflito algum nisso, desde que a pessoa deixe claro quando está galando em nome da EA e quando está falando em nome da filosofia libertária.
  • Carlos Brodowski   22/04/2021 16:49
    Entenderam agora o problema com a educação do país? Por mais que você explicite, desenhe e colora, alguém sempre vai entender o exato oposto do que você disse.
  • FERNANDO LAZARINI  22/04/2021 19:22
    Pessoal, para quem é "austríaco" fica mais confortável tomar uma postura de neutralidade, adotando um discurso fleumático sob o manto da escola austríaca. Sou totalmente de acordo com o Libertarianismo. Concordo que temos problema em nossa educação, e um deles é não saber fazer inferências em comentários. Abraços.
  • Emerson Luis  06/05/2021 13:52

    Lazarini

    Imagine que um pensador tem dois "chapéus": o "chapéu da economia EA" e o "chapéu da filosofia liberalismo" (libertarianismo ou clássico/minarquismo).

    Quando esse pensador fala ou escreve sobre determinado assunto, primeiro ele "coloca o chapéu da EA" e diz quais são as consequências de determinada política ("o que se vê e o que não se vê";

    Logo a seguir, ele "tira o chapéu da EA" e "coloca o chapéu do liberalismo" e explica que (diante de tais fatos interpretados por determinados princípios) determinada política é melhor ou pior, certa ou errada.

    O pensador não precisa necessariamente dizer que em dado momento está usando um "chapéu" ou que trocou de "chapéu", embora em alguns contextos seja recomendável. Não precisa fazer a coreografia dos Power Rangers.

    Mas ele precisa saber a diferença para não se confundir e não confundir o receptor da mensagem.

    E a questão NÃO É fazer uma análise neutra pela ótica da Escola Austríaca OU fazer uma análise ética pela ótica do liberalismo (podemos e devemos fazer ambas), mas sim entender e fazer a distinção.

    Aliás, a análise neutra da EA fornece matéria-prima para a análise ética do liberalismo. Assim, é um falso dilema.

    Portanto, NÃO É "uma forma bem engenhosa de se abster do debate e evitar conflitos", mas sim uma forma de tornar a comunicação mais clara e exata, evitando se confundir e confundir os outros.

    * * *
  • imperion  06/05/2021 15:42
    perfeita colocação emerson . quem discorda são aquelas pessoas que querem te "obrigar a ter uma posição". so que quem "obriga" fere a moral do liberalismo. e as redes sociais estão cheias de hipocritas cobrando posicionamentos como se elas fosse donas da verdade. a própria etica do liberalismo ou libertarianimo já defende que não és obrigado a nada.
    pode se ate criticar uma pessoa por ela não ter posicionamento , mas não pode obrigar a telo. pois assim vc fere a liberdade dela
  • D.C.  22/04/2021 16:54
    Aproveitando o tópico, é importante falar também sobre o problema do "cientificismo" nas ciências humanas. Penso que a ciência sempre deve ser defendida, o cuidado é com os métodos, os métodos científicos atuais são adequados apenas as ciências naturais. Esses métodos não devem ser aplicados para as ciências sociais e humanas e esse é ponto que causa maior confusão.

    O que difere ciências naturais das ciências sociais e humanas? A mente humana, que permite a nós a liberdade de ação e escolha. Portanto é impossível adequar o método de observação e experimento aos humanos, além do problema prático de replicar um ambiente fiel com as mesmas variáveis, ainda há o fato intrínseco de que um ser humano pode não ter a mesma resposta igual ao de outros sob os mesmos efeitos. Uma mesma pedra jogada com a mesma força e condições ambientes terá o mesmo resultado sempre, já a mente humana sob o efeito de uma ação, mesmo mantendo as mesmas condições de um primeiro experimento, pode ter respostas diferentes.

    Também não é possível apenas coletando dados sociais e econômicos, pois apenas os dados não permitem esclarecer se há uma correlação com causalidade ou há uma correlação espúria.

    O que sobra para ciências sociais e humanas? Racionalismo ou politicagem.
  • João Pedro  22/04/2021 17:01
    É claro que a ciência deve ser defendida — nos locais delimitados ao seu escopo.

    O método científico moderno separou, erroneamente, as ciências em duas: as ciências naturais, verdadeiras e empíricas; e as ciências humanas, que seriam pseudociências, falsas e baseadas em "achismos".

    Ainda que tenham razão nas duras críticas às ciências humanas, muitas vezes utilizadas como palco para maluquices — já que, teoricamente, você não precisa de, e nem tem como, provar empiricamente muitas das descobertas —, negar que a ciência econômica seja totalmente verdadeira em sua lógica dedutiva apriorística (para com isso estimular a adesão de economistas à matemática para tornar seu trabalho prestigiado como "ciência de verdade") é uma postura totalmente equivocada.

    Esse é o "cientificismo" criticado por Hayek: acreditar que uma teoria é mais correta só porque utiliza o método empírico não faz sentido, uma vez que o método empírico não é o correto para a economia.

    Na introdução de qualquer livro-texto de Microeconomia você muito provavelmente encontrará um aviso de que os modelos apresentados não são quantitativos, que não é possível utilizar números ordinais, e que tais modelos não podem ser usados para implicar relações interpessoais de, por exemplo, utilidade. Aí, nos capítulos seguintes, você verá o autor utilizando uma Curva de Indiferença para determinar que uma certa quantidade do bem A é equivalente a uma certa quantidade do bem B, ignorando que consumidores têm uma escala de preferência subjetiva, intrapessoal e temporal, impossível de ser mensurada.

    Verá também o autor dizendo que um aumento X no preço fará com que a demanda diminua Y, dependendo de sua elasticidade Z. O grande problema é que nada disso é estático — e, portanto, nada disso pode ser tomado como verdade. Preços, por exemplo, são influenciados por uma quantidade imensurável de variáveis também imensuráveis.

    A estatística, outra ferramenta neoclássica, falha da mesma forma. A estatística pode nos dizer coisas incríveis sobre o passado, pode até nos dar certa habilidade preditiva em relação ao futuro, mas correlações históricas não podem ser usadas como leis universalmente válidas para ditar o que irá acontecer no futuro — no máximo, o que provavelmente pode acontecer.

    Milton Friedman responde, em seu livro Essays in Positive Economics (1953), que o essencial é que os modelos matemáticos tenham uma previsibilidade correta, ainda que não sejam inteiramente verdadeiros em suas hipóteses iniciais.  Friedman começa dividindo a economia em economia positiva e economia normativa, defendendo a primeira. Para ele, a economia deveria julgar, por exemplo, políticas públicas pelo que elas são e não pelo que elas deveriam ser. Ainda assim, novamente, seus modelos não conseguem julgar eficientemente e com certeza o que vai acontecer. 

    A economia positiva difere da normativa simplesmente na medida em que simples julgamentos de valor sem nenhum embasamento passam a ser analisados com correlações estatísticas. A economia normativa diz, diferentemente da economia positiva, o que provavelmente vai acontecer, e não o que vai acontecer. O único método possível para dizer o que vai acontecer é o lógico apriorístico, mas somente quando delimitado ao seu escopo.
  • William  22/04/2021 17:20
    É inequívoco que o cientificismo, abuso da ciência e perversão da linguagem científica, é um grave problema dos dias de hoje. E um dos sintomas mais claros disso é o fato de que muitas pessoas cientificamente incultas (mesmo que "dipromadas") desconhecem os limites das ciências que praticam ou cujo nome empunham, o que significa dizer que não as levam a sério o suficiente e dela abusam.

    Isto transforma a Ciência em fetiche e seu nome em chavão, que passa a ser usado para justificar todo tipo de despropósitos e abusos. Inclusive a perseguição de pessoas e o cerceamento de seus direitos.

    É bastante sintomático que algumas pessoas achem que Ciências particulares como a física ou a medicina, parciais por definição, possam dar respostas que englobem toda a Realidade.

    Ou seja, ao se procurar resolver problemas complexos que as envolvam, não basta deter-se nelas, sendo necessário cotejar suas contribuições com as de outras ciências e, muitas vezes, lidar com problemas extra-científicos (talvez filosóficos), como o sejam as decisões políticas e as que envolvem a liberdade humana individual, decisões dos indivíduos sobre suas próprias vidas.

  • Renato  22/04/2021 17:04
    Lockdown é um bom exemplo de "ciência natural" (na verdade, nada mais é do que um simples modelo matemático) que foi adotada sem qualquer consideração para com a ética e para com as ciências humanas.
  • Flávio  22/04/2021 17:09
    Lockdown não tem nada de ciência. O modelo matemático utilizado para justificar lockdown não é ciência. Isso é fraude pura, e coisa tirada da cabeça de planejador central.
  • anônimo  22/04/2021 17:10
    O problema é que muita gente das ciências naturais acha que as ciências humanas (o que inclui a economia) são e devem funcionar exatamente do jeito que ocorre nas ciências naturais. A imposição de lockdown é uma evidência disso. Basta usar um modelo matemático e pronto, a sociedade inteira deve se moldar aos seus desejos.
  • Humberto  22/04/2021 17:13
    Isso de lockdown tem a mesma "ciência" do ambientalismo, no qual eles também usam modelos matemáticos que supostamente prevêem o clima daqui a algumas décadas, caso o homem não reduza suas emissões. E então saem destruindo economias impondo restrições à produção com base nesses modelos totalmente fraudulentos.
  • LUIZ HENRIQUE AMADOR  22/04/2021 17:39
    [OFF TOPIC]

    Olá pessoal,

    Gostaria que vocês me respondam em uma questão. Muitos estão dizendo que estamos em uma bolha nuca vista antes no mundo, e que os estragos proveniente dela serão maiores que a crise de 2008. Vocês acham quando mais ou menos que essa bolha irá estourar? E quando ela estourar, no ponto de vista de voces, quais serão as oportunidades e consequências que irão surgir dela ? - há um velho ditado que diz que, as maiores oportunidades surgem quando tem sangue nas ruas, ou uma guerra acontecendo.

    Obs: Sou apenas um jovem, de 19 anos leigo em economia, Então caso eu falei alguma besteira. por favor, me corrijam.
  • Marcelo  22/04/2021 17:57
    "Vocês acham quando mais ou menos que essa bolha irá estourar?"

    No mercado, o que você aprende sempre de maneira dolorosa é que é impossível fazer "timing" (o primeiro artigo linkado acima fala bem sobre isso).

    "E quando ela estourar, no ponto de vista de voces, quais serão as oportunidades e consequências que irão surgir dela?"

    Qualquer setor que envolva tecnologia e corte de custos. Também penso que o setor da gastronomia será bom, pois vários restaurantes foram dizimados pelos lockdowns. Haverá mão de obra farta (garçons desempregados) e muito menos concorrência. Quem souber entrar no momento certo e oferecer um bom produto irá se dar bem.
  • Estudante da liberdade  22/04/2021 20:06
    Juros 5% esse ano, dolar 4 reais dnv? Inflação sera de 5 ou menos também.

    O Biden taxando tudo agora e aumentando gastos, acho que ajuda também.

    Qual a projeção de vcs?
  • Trader  22/04/2021 20:43
    Biden tá doidinho pra expulsar os investidores dos EUA e mandá-los para outros países. Se o governo daqui (junto com o Banco Central) fizer o básico do básico, sem querer reinventar a roda, dá até pra pensar em reeleição. Tem caminhões de dólares louquinhos para entrar em qualquer país que seja minimamente receptível. Qualquer sinalização positiva nossa e eles virão correndo pra cá. Vai ser possível até desfazer todas as recentes cagadas cambiais.
  • anônimo  22/04/2021 21:15
    pelo que eu vi aliquota por la pode arrebentar acima dos 40%
    e depois da fuga começa a decolar os indices de ociosidade
    a imprensinha vai ter que rebolar pra explicar ja que nao tem mais o trump pra levar a culpa
    na semana passada a inflaçao tem começado a comer as beiradas, daqui a pouco ta com as asinhas de fora
  • Felipe  22/04/2021 21:17
    E por que Biden faria isso, qual seria o ganho político? Vejo ele como uma continuação do Obama, um democrata tradicional, estatista.

    Esse negócio de dólar entrar no País me lembra muito a década de 1970, quando a moeda americana estava fraca e vários dólares foram para países latino-americanos. Depois a farra acabou, com a entrada do Paul Volcker. O Chile foi um dos poucos países latino-americanos que passaram relativamente bem por essa turbulência.

    Bolsonaro até que está fazendo um bom governo, pelo menos na parte de fazer as reformas, ainda que ínfimas. Resta saber se a equipe econômica atual irá cumprir a meta de inflação à risca, já que até o teto já foi estourado.

    Cuidado com esses ciclos... sempre que se entra em um ciclo de dólar desvalorizado mundialmente, em algum momento a conta chega. Lula foi sortudo e não herdou nenhum momento de dólar mundialmente forte (exceto em breves períodos após a crise de 2008).

    Teve uma forte queda recentemente... agora o dólar está em aproximados R$ 5,44.
  • Trader  22/04/2021 21:34
    "E por que Biden faria isso, qual seria o ganho político?"

    Ele está sob o controle da esquerda radical, cuja agenda sempre foi utilizar impostos para punir os mais bem-sucedidos. Não há teoria nenhuma por trás disso. Há apenas ideologia tosca.

    Vários "liberais" e "left-libertarians" que faziam cara de nojinho para Trump e que apoiaram Biden apostando na "moderação" deste vão ter que se explicar.
  • Felipe  23/04/2021 00:05
    "Vários "liberais" e "left-libertarians" que faziam cara de nojinho para Trump e que apoiaram Biden apostando na "moderação" deste vão ter que se explicar."

    Realmente eu vi muitos assim no Facebook. Simplesmente ridículo esse ódio gratuito ao Trump.
  • Leandro  22/04/2021 21:38
    O Partido Democrata está aplicando ipsis litteris os preceitos da Teoria Monetária Moderna: criação de moeda para bancar projetos de infraestrutura e aumento de impostos para "drenar" um pouco dessa moeda e, com isso, evitar pressões inflacionárias.

    Amanhã um artigo sobre isso.
  • Felipe  22/04/2021 23:55
    Será você o autor do artigo, Leandro?
  • Estudante da liberdade  23/04/2021 02:38
    É oficial, Biden esta com TMM na veia. Quando nossos juros voltarem a ser positivos e meia duzia de reforma e a venda do correios (que atrapalha o varejo), talvez o dolar não volte pra 4? Eu acho que sim, pelo menos 4.

    Vocês acham que o dolar volta a patamar de Bush? Pelo o que eu li, a equipe do FED não ta com tara de enfraquecer o dolar como meio e nem fim, mas tolera como consequência se for preciso bancar essa zona esquerdista
  • Bolsodilma ciroguedes  23/04/2021 13:40
    Seria bom os EUA afundarem com a TMM por uns 4 anos e o Brasil bem longe dessa loucura. Daí o dólar baixa por cagada do Biden e não por causo do nosso governo. E o mundo todo vendo que até um governo ruim é melhor que essa TMM.
  • Kennedy  23/04/2021 10:12
    Bom dia pessoal. Leandro, o que você acha de investir na criptomoeda PAX Gold, que aparentemente é lastreada em ouro? é melhor do que manter uma conta em uma corretora para investir em fundos de investimento vinculados ao Ouro, já que não tem taxas e nem come-cotas?
  • Meirelles  23/04/2021 13:46
    Eu tenho e recomendo (e já fui xingado por Bitcoiners por isso). Você só precisa entender que não funciona como um ETF, ou seja, não tem market-maker, o que significa que os preços praticados podem se descolar muito do preço de mercado (tanto pra cima quanto pra baixo).

    Em todo caso, vale lembrar que já há um ETF de ouro: GOLD11.

    Você compra como se fossem ações e a tributação é de apenas 15% se você vender já no dia seguinte. Muito melhor do que fundos, que têm come-cotas e tributação acima de 20% caso você venda no curto prazo.
  • Introvertido  22/04/2021 22:05
    "E por que Biden faria isso, qual seria o ganho político? Vejo ele como uma continuação do Obama, um democrata tradicional, estatista."

    Só que ele é um progressista muito mais extremista e radical que Obama, e está injetando á TMM na veia dos EUA, irão promover fartosos subsídios para empresas, principalmente às automotivas elétricas, crédito fácil para os americanos, e grandes elevações de impostos para "Absorver" o dinheiro em circulação.
  • Bolsodilma ciroguedes  23/04/2021 00:23
    O ganho político dele é com os assistencialistas. Muitos são imigrantes que têm direito a voto, e foram pra lá pra sugar os impostos dos produtivos da economia americana. Nova ode da esquerda é atrair assistencialistas pro país a troco de assistencialismo e direito a voto. 
  • Introvertido  22/04/2021 20:56
    É uma boa oportunidade para atrair investidores, mas vai depender da sinalização que o nosso governo vai dar, se continuarem com essas lambanças, tchau tchau reeleição, bem vindo de volta PT.
  • Marionete do Nego Ney  22/04/2021 22:53
    Vocês acham que se isso ir pra frente e os investidores de fato vierem pra cá o ouro e as criptos caem? Se caírem, seria esse o momento perfeito pra entrar rasgando nesses ativos visto que seria questão de tempo pro governo zoar tudo de novo?
  • Meirelles  22/04/2021 23:11
    Cripto é sempre compra. Principalmente nos raros momentos em que está em promoção.

    O que você tem de entender é que, futuramente, quando as moedas estatais foram digitais, todos terão em suas carteiras a moeda nacional, o dólar e uma cripto para servir de poupança. Comece a acumular desde já.
  • Bolsodilma ciroguedes  23/04/2021 13:43
    Criptos são internacionais. Não faz diferença se vão pra banânia, venezoeira, argentina, ou país bom como Suíça. Criptos caem se a demanda por elas caísse ( supondo que de repente os EUA abandonassem o keynesianismo e voltassem para o padrão ouro, todo mundo ia querer dólar pra reserva e menos criptos).

    Mas como o Biden Laden vai subir os impostos e imprimir muito dólar, praticamente mais pessoas vão para o ouro e criptos. Então nada de queda no ouro e criptos no longo prazo.
  • Renegado  23/04/2021 13:32
    O maior problema da ciência na atualidade, é que praticamente todas estão focadas no que "deveria ser", e muito pouco no que é. Desta forma, podemos pegar como exemplo essa questão de aquecimento global antropogênico. Nunca conseguiram provar nada, mas vivem enchendo o saco dizendo que daqui a 100 anos a temperatura vai aumentar X graus e que isso vai afetar muitas coisas. Outro exemplo é a camada de ozônio, nunca conseguiram associar que os CFCs realmente conseguem de fato chegar até na altura do ozônio e destruir esta "frágil "camada. Certamente há interesses escusos por trás. Deve ser por isso que tenho a impressão de que as ciências em geral andam meio estagnadas. Nada de realmente bombástico tem sido descoberto. Aonde estão os Nicolas Teslas e Einstein da atualidade? Devem estar perdendo tempo com o "que deveria ser" e políticas comunistas. A conclusão final é de que enquanto as ciências são politizadas, eu não acredito cegamente nas mesmas.
  • Introvertido  23/04/2021 14:14
    Á ciência é dividida em duas camadas: Ciências Naturais e ciências Humanas, o grande problema dos cientistas é que eles hoje vivem na própria bolha deles, eles pensam que, caso uma coisa possa ser imediatamente parada por meio de medidas práticas, ou seja, decretos de políticos, ela passa a ser á única medida viável para parar o evento maléfico que está por vir.

    Eles ignoram o que essas medidas podem causar como efeito colateral, ou seja, ignoram todo o progresso que às ciências humanas fizeram até hoje (E sim, á escola austríaca é o ápice dá ciência econômica no momento), em base de que apenas á ciência natural é a solução, e que medidas imediatas é o melhor coisa á se fazer.

    Eu me pergunto: Até quando às pessoas começarão á levar á ciência humana, em sua plena definição, á sério? É na ciência humana que dados empíricos e teóricos são analisados pelo bem da verdade, se um congelamento de preço ocorre, e causa pobreza á todos, á ciência humama tratará de analisar o que aconteceu, á mesma coisa pode ser concluída em todas às esferas da econômia, mas os idiotas úteis e os analistas desonestos á ignoran.

    Isso ocorre principalmente por causa das falhas humanas: Arrogância, egoísmo, desonestidade, e emotivismo. Á maioria dos seres humanos fingem não ver os malefícios que cada ato e decisão decisiva de políticos pode causar, pois eles não gostam de admitir que estavam errados em suas interpretações.

    É por isso que às ciências humanas e naturais são tão diferentes: Enquanto á ciência natural se compromete com á verdade pura, á ciência humana se relaciona diretamente com á natureza humana e suas falhas, isso acaba deixando todos os tópicos livres e direcionadas para á pura interpretação, em base em motivismo, e não com á lógica e a razão.

    Para uma ciência natural poder ser utilizada para fazer medidas, ela primeiro irá precisar passar por um processo de forma mútua com às ciências Humanas, e como às ciências humanas se relacionam diretamente com á natureza humana, todo o processo acaba sendo corrompido.

    Isso acata em medidas drásticas, o emotivismo e a ignorância são elementos naturais dos seres humanos, análises profundas geralmente são ignoradas. Como conclusão, medidas drásticas e extremistas como o lockdown ocorrem.

    Á Escola austríaca é uma rara excessão, aqui os economistas fazem suas análises em base na lógica e na razão, utilizando por base dados empíricos e teóricos. É uma pena que seja tão ignorada, mas o problema é que é difícil uma escola de pensamento tão focada na verdade prevalecer em um mundo onde o motivismo, o coitadismo e o coletivismo prevalecem, todas essas coisas são frutos da falha natureza humana...
  • Ferrari  23/04/2021 15:55
    Excelente artigo. Vejo como principal problema em qualquer discussão sobre economia com qualquer um dos campos políticos a obrigatória influencia ideológica. Este site e seus comentários é prova real disso, qualquer coisa que seja fora do suposto modelo libertário de economia é exortado com raivosos latidos, sendo que sempre são no campo da suposição. A mesma coisa acontece com a ala à esquerda, explicar que 2+2 são 4 é praticamente impossível pois tem que ser 5 para 1 ficar com o Estado. Resumindo, o Hélio deve ter percebido a imensa confusão que seus próprios partidários cometem e escreveu o texto.
  • Leitor Antigo  23/04/2021 17:39
    "qualquer coisa que seja fora do suposto modelo libertário de economia é exortado com raivosos latidos, sendo que sempre são no campo da suposição"

    Sendo eu alguém realmente antigo aqui, eu nunca vi isso.

    Agora, o que eu sempre vejo aqui quase que diariamente é nêgo chegando xingando ou ironizando. Quando não estão fazendo isso, estão defendendo autoritarismo e todos os tipos de intervenção estatal. Todos são devidamente respondidos, quase sempre com fatos, argumentos e links.

    Ora, responder — com argumentos — a xingamentos e defesas de autoritarismo está longe de ser um "raivoso latido". Até porque, qual seria então a classificação de quem chega aqui xingando? Miados pacíficos?

    Já pessoas que chegam com humildade, fazendo perguntas educadas, sempre são muito bem tratadas (e respondidas com profundidade).

    Você provavelmente esteve aqui defendendo algum tipo de autoritarismo (ou então foi malcriado), tomou uma resposta da qual não gostou, e ficou ressentido. Normal.
  • Matheus S.  23/04/2021 18:30
    No sub-título: "A ciência econômica deve ser livre de juízo de valor", uma afirmação que poucos entenderiam, até mesmo economistas formados. Quando a discussão parar de se ter juízo de valor, teremos um debate civilizado.

    Quando começa um debate sobre economia, o adversário já vem com questões com juízo de valor. Quando você não defende salário mínimo, falam que defendemos escravidão. Quando falamos para desburocratizar, estão falando que defendemos monopólio. Quando defendemos alíquota zero para importação e exportação, falam que defendemos as multinacionais.
  • Supply-sider  23/04/2021 18:35
    Concordo. Mas repare que, nestes exemplos, a discussão está completamente no nível emocional, e não no racional.

    Se você quiser discutir questões econômicas no nível puramente emocional, esquece. Será impossível vencer a esquerda (campeã imbatível do mimimi). Aliás, repare que a esquerda só começou a perder terreno exatamente quando o debate saiu do emocional e foi um pouco mais para o campo da razão (graças à internet).

    Como escrito ao final do artigo, "uma pessoa não pode fazer um comentário inteligente sobre questões normativas caso ela não entenda as questões mecânicas do sistema. Por isso, se uma pessoa quiser discorrer sobre a desejabilidade ou a moralidade de [qualquer política], ela precisa antes estar totalmente ciente das consequências econômicas de tais medidas (algo que exige o domínio da ciência econômica). […]

    Infelizmente, o que mais vemos hoje no mundo são pessoas defendendo políticas de acordo exclusivamente com quão "belas" elas soam, ignorando completamente suas reais (e quase sempre nefastas) consequências econômicas."
  • GAROTA DO TUCKER  25/04/2021 18:15
    Em termos bem toscos, Escola Austríaca dfende como segurar apropriadamente um martelo, como não deixar o martelo cair no prorpio pé e como nao virar um chicaguista. Libertarianismo explica a inviabilidade de sair por aí com um martelo na mão apenas para causar impacto e se sentir um defensor dos oprimidos pelo "sistema", bem no estilo Felipe Feto e sociais-democratas globais. Mas outro dia assisti um vídeo do Olavo e ele resolvia esse impasse. Ele explicou "positivamente" que Horkheimer ao defender a proibição do incesto, no final das contas defendia RETORICAMENTE o incesto normativo. Ou seja, segurar o martelo é bom, martelar de verdade é para corajosos. EA fez seu papel, cabe aos libertários aplicar o que aprenderam com suas marteladas
  • Emerson Luis  06/05/2021 13:06

    Ótimo artigo!

    Dúvida:

    "A Escola Austríaca, enfatizando, não é uma ciência normativa. Ela não faz recomendações. Ela é uma ciência positiva, isto é, ela apenas explica como funcionam as coisas."

    Existe "ciência negativa"? Se existem, (1) quais seriam e (2) o que caracterizaria uma ciência como "negativa"?

    * * *


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