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Irresponsabilidade monetária e inflação acima da meta - eis o principal risco de curto prazo
Felizmente, ainda dá tempo de reverter

A forte entrada de recursos de estrangeiros nas últimas semanas trouxe alívio ao dólar, que caiu de R$ 5,78 para ao redor de R$ 5,05 — muito embora a derrocada do dólar após a eleição de Joe Biden seja um fenômeno mundial; o índice DXY regrediu a valores do início de 2015.

O mercado parece dar um voto de confiança às declarações recentes de Paulo Guedes, de Rodrigo Maia e do presidente Jair Bolsonaro de que o teto de gastos para o ano de 2021 será cumprido.

O investidor está correto ao se guiar prioritariamente pela questão dos gastos públicos, pois é a trajetória de endividamento do governo que determinará se o Brasil caminhará para a prosperidade ou para o calote.

A uníssona comunicação dos principais agentes políticos, raríssima neste governo, gerou expectativas mais animadoras. Mas sempre há o risco de o discurso mudar.

O risco maior, porém, é a carestia, que já voltou

Para não nos acusarem de "engenheiros de obra pronta", vale ressaltar que este Instituto, ainda em fevereiro de 2020 — ou seja, antes do início da pandemia de Covid-19 —, já alertava para este risco. 

Com o início da pandemia, muitos especialistas passaram a alertar que o "risco" seria de deflação. Com efeito, ainda em junho, "especialistas" diziam que o IPCA de 2020 seria de risível 1,53%.

Este Instituto, no entanto, seguiu alertando para o risco inflacionário em maio, junho, setembro e outubro. O fato é que, após dois meses de queda (abril e maio), o IPCA passou a subir rapidamente. O IPCA de novembro ficou em 0,89% — o maior para o mês desde 2015

IPCAmensal.png

Gráfico 1: evolução do IPCA mensal

E, no acumulado de 12 meses, a alta dos preços ficou em 4,31%, acima da meta de 4% do Banco Central para 2020. 

IPCA12meses.png

Gráfico 2: evolução do IPCA acumulado em 12 meses

E piora: do início de junho ao fim de novembro — ou seja, em apenas seis meses —, o IPCA acumula alta de 3,30%. Alta de 3,30% em apenas seis meses significa que, em meados do ano que vem, quando completarmos o período de 12 meses, o IPCA poderá estar rodando próximo de 6%, muito acima do teto da meta, que é de 5,25%.

Inflação acima do teto, ainda que temporariamente, é sempre um risco, pois pode alterar as expectativas futuras e desencadear várias remarcações de preços defensivas. 

Inflação acima da meta faz com que as pessoas passem a crer que a inflação de preços, por estar alta no presente, continuará alta no futuro. Consequentemente, essa deterioração das expectativas pode fazer com que os formadores de preço — dentistas, encanadores, mecânicos, cabeleireiros, supermercados, indústrias e comércio — passem a reajustar seus preços baseando-se nessas expectativas. 

Trata-se de uma reação natural à percepção de que está havendo uma perda real de renda, o que leva a um processo defensivo por parte desses agentes econômicos, que tentam preservar sua renda real por meio de reajustes de preços, salários e contratos.

Isso ocorreu durante todo o governo Dilma, e foi necessário um profundo choque monetário — a SELIC foi elevada de 7,25% para 14,25% e, pela primeira vez na história do real, a oferta monetária se contraiu — para quebrar essas expectativas inflacionárias.

Felizmente, por ainda estarmos bem no início do processo, é possível fazer uma reversão de curso sem ter de recorrer a choques drásticos. Mas não dá para postergar. (O comunicado de ontem do Banco Central, após a reunião do Copom, por ter sido um pouco mais linha-dura que de costume, já ajuda).

De resto, o fato é que pouca gente imaginou que essa carestia pudesse ocorrer em 2020. Ainda em novembro, o relatório Focus indicava um IPCA para 2020 confortavelmente abaixo da meta, com alta de 3,25%

Foi só há alguns dias que passaram a prever inflação acima da meta.

Isso é incompreensível, pois todos os dados já indicavam, ainda no primeiro semestre, que haveria uma grande pressão altista nos preços.

Os dados eram claros

A carestia atual é resultado direto do aumento da moeda injetada na economia pelo Banco Central. A inflação é e sempre foi, em todos os tempos e lugares, um fenômeno monetário.

A política monetária frouxa do Banco Central é a responsável direta pelo fenômeno.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1).

SelicM1.png

Gráfico 3: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, a expansão da oferta monetária acelera.

Essa forte expansão monetária teve como efeito direto a forte elevação dos índices de preço no atacado. Não apenas a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos prevê isso, como se trata de uma relação historicamente empírica: sempre que a oferta monetária se expande, os preços no atacado vão junto.

Os dois gráficos abaixo deixam isso cristalino. O primeiro gráfico mostra a taxa de crescimento acumulada em 12 meses do M1. O segundo gráfico mostra a taxa de crescimento da inflação de preços no atacado.

M1.png

Gráfico 4: taxa de crescimento da oferta monetária M1 (acumulada em 12 meses). 

IPA-M.png

Gráfico 5: evolução mensal do IPA (média móvel acumulada em 12 meses). O valor na coluna da esquerda se refere a valores mensais; para saber o valor acumulado a cada 12 meses, basta elevar o valor da coluna da esquerda ao expoente 12. Assim, o atual valor de 2,5 significa uma inflação de preços de 34,50% em 12 meses (1,025ˆ12).

Sem nenhuma surpresa, a variação de M1 e a variação de preços no atacado é direta. Recentemente, a expansão de 50% do M1 gerou um encarecimento de 34,50% dos preços no atacado.

A questão é saber o quanto dessa variação dos preços no atacado irá "vazar" para os preços ao consumidor. Neste quesito, aí sim, passou a haver uma discrepância. É a primeira vez na história recente que a elevação dos preços no atacado e a elevação dos preços ao consumidor apresenta um enorme distanciamento. 

IPAMxIPCA.png

Gráfico 6: taxa média mensal, em um período de 12 meses, da inflação de preços no atacado (linha azul) e da inflação de preços ao consumidor (linha vermelha).

A questão agora é se linha vermelha vai subir para se aproximar da azul, ou se a linha azul vai cair para se reaproximar da vermelha, ou se ambas vão se encontrar na metade do caminho.

Para o Banco Central e seu sistema de metas de inflação, apenas a segunda alternativa pode ocorrer.

A carestia divulgada e a carestia sentida

O Brasil ainda não se esqueceu que quem mais sofre com a inflação é o pequeno. A começar por seu custo de vida, seguramente maior do que indica o atual IPCA. 

Como já explicamos detalhadamente aqui, a cesta desse índice reflete um padrão de consumo de anos anteriores e, consequentemente, está inadequada ao especialíssimo ano de 2020. 

O IPCA deste ano, por continuar mantendo inalterados os pesos de itens cuja demanda simplesmente sumiu em decorrência da pandemia — como passagens aéreas, hotéis, turismo, lazer, estacionamentos, ingressos de cinema e teatro, mensalidades escolares e cursos de idioma — transformou-se no índice daquele economista imaginário que passou a pandemia viajando de avião, se hospedando em hotéis e sem comer arroz. Nada a ver com o Brasil real.

A Fecomércio de São Paulo se empenhou em corrigir essa falha e passou a calcular o custo de vida dos produtos e serviços essenciais mais consumidos pelo pequeno neste momento de crise. A "cesta da pandemia" contém os grupos de alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais. Essa cesta subiu 11,4% nos últimos 12 meses. O arroz subiu 65%, o feijão, 46%, e o leite, 33%. O brasileiro não leva para casa o IPCA.

Depois do pequeno, os mais prejudicados com a inflação são justamente os políticos, que perdem eleições enquanto a carestia punir o mais fraco. A conferir.

O que ele fará

O Banco Central está em uma posição delicada. Até ontem, ele vinha prometendo manter a Selic em 2% (muito abaixo da inflação) por tempo indeterminado, provavelmente até o quarto trimestre de 2021, por força da política de "forward guidance" (orientação futura), a qual importou dos países desenvolvidos e passou a adotar abertamente desde agosto

No entanto, no comunicado de ontem, deu a entender que abandonará esta política caso a inflação de preços comece a ficar acima das atuais expectativas — as quais, vale repetir, erraram muito.

Assim, ele torce para que os efeitos da expansão de 50% da massa monetária (que ele mesmo promoveu) sejam anulados pela descontinuidade do auxílio emergencial e por um dólar comportado — cuja queda pode não significar muito, pois a moeda americana está se enfraquecendo no mundo inteiro.

O mercado, porém, ainda não está acreditando muito nesse milagre. Os títulos indexados à inflação indicam IPCA próximo a 4% em 2021, com uma corcova em meados de 2021 ao ritmo de 6% ao ano. E o mercado futuro de juros indica que a Selic estará próxima a 4,5% em janeiro de 2022, bem acima das projeções dos analistas, que esperam 3%.

Em 2012, um Banco Central desconfortavelmente servil ao Executivo federal derrubou a Selic de 12,50% para 7,25%, nível mais baixo até então. A inflação, tal como agora, subiu rapidamente com o estímulo dos juros e obrigou o BC a subir a Selic dois anos depois para 14,25%, detonando a recessão que caracterizou o fim do governo Dilma em 2015. 

Inflação não tem ideologia e não costuma perdoar heterodoxias.



autor

Helio Beltrão e Anthony Geller

Helio Betrão é o presidente do Instituto Mises Brasil.

Anthony P. Geller é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Trader  10/12/2020 17:09
    Mesmo com a queda do dólar, os preços das commodities em reais dispararam, o que significa que elas encareceram muito mais em dólares. Novidade nenhuma, pois as commodities, por serem precificadas em dólares, variam de acordo com a força do dólar. Dólar forte, commodities baratas. Dólar fraco, commodities caras.

    ibb.co/3Rr07Zh

    Ou seja, o real ainda terá de se apreciar bem mais caso haja alguma expectativa de alívio nos preços dos alimentos.
  • Meirelles  10/12/2020 17:20
    Mantenho minha aposta que o BC não vai mexer muito na Selic. Ele vai é tentar operar via dólar.

    Ontem fez um comunicado mais hawkish, removendo qualquer possibilidade de novos cortes (bizarramente, até a última reunião do Copom, eles vinham falando que tinha algum espaço para mais queda). Hoje, socou swap cambial a seco, sem ser para rolagem.

    Parece que perceberam, com muito atraso, que o dólar acima de R$ 5,50 por mais de um semestre fez um estrago além do esperado, principalmente nos alimentos.

    Antes tarde…
  • Bernardo  10/12/2020 17:29
    Aí o dólar teria de cair muito, mas muito mesmo. No primeiro ano do governo Dilma, em 2011, o dólar estavam mundialmente fraquíssimo. No Brasil, ele chegou a R$ 1,60 em julho daquele ano. Só que o IPCA foi para acima de 7% naquele mesmo período, pois a expansão monetária estava forte.

    Ou seja: ter um câmbio mais barato em um cenário de dólar mundialmente fraco não adianta. Primeiro você tem de controlar a moeda. Esse é o conceito básico de sound money.
  • Imperion  10/12/2020 17:43
    Difícil cair tanto. A inflação brasileira é sempre maior que a americana e não temos um george bucho pra estragar a economia deles com guerrinha trilionária como no governo Lula e no primeiro da dilmandioca (Obama manteve a mesma política externa).
  • Fernando  10/12/2020 17:48
    A prova cabal de como o dólar está mundialmente fraco é o preço do petróleo. Mesmo com a Europa e vários estados americanos em lockdown, o barril está na mesma cotação do final de 2018, quando a economia americana estava a pleno emprego e a pleno vapor.

    Se o real não se apreciar mais e o petróleo continuar subindo, a gasolina vai explodir.
  • Douglas   12/12/2020 16:17
    Em um cenário como este haveria intervenção na Petrobras
  • Ulysses  10/12/2020 17:31
    Impressionante a correlação dos gráficos 4 e 5. Obrigado pela dica.
  • Leandro  10/12/2020 17:39
    Vale ressaltar que, no final de 2015, o crescimento do M1 ficou negativo (primeira vez na história do real). No entanto, 2015 foi o ano de vários reajustes nos preços controlados. A gasolina estava semi-congelada pelo governo desde 2011, e a eletricidade, desde 2012.

    Em 2015, o congelamento acabou e esses preços foram subitamente reajustados, chegando a subir até 80% em algumas cidades.

    Por isso aquele forte aumento observado até o início de 2016. Foi só então, após todos os reajustes terem sido feitos, que o IPA passou a cair. Sua deflação só viria a ocorrer em 2017.

    Foi a primeira vez, portanto, que houve esse atraso (o famoso delay) na relação entre M1 e IPA.

    Fora isso, a relação é quase que instantânea.
  • 4lex5andro  15/12/2020 16:33
    Vêm de imediato a lembrança da campanha presidencial de 2014, onde a presidente socialista jurava por tudo que o país estava bem, e que não haveria surto inflacionário.

    Os questionamentos sobre as intervenções do governo nos preços da energia, já vinham cada vez mais sendo ventilados, dado que os índices de inflação se mostravam cada vez menos moderados.

    E o Pib já não respondia aos ''incentivos'' como o de proteger a indústria local com o Inovarauto, em um momento que o país precisava era se abrir às novas tecnologias que já rodam nas estradas americanas e européias.

    O Brasil de fato, naquele outubro de 6 anos atrás, foi exposto ao maior estelionato eleitoral da história, e note-se, sem que congresso e judiciário dessem uma nota de aviso ou gesto de questionamento.

    Esse país não tem futuro.
  • Paulo Henrique  10/12/2020 23:00
    Sou leigo em teoria austríaca(embora já tenha lido e entendido um pouco) mas, como exatamente essa expansão do m1 atinge primeiramente o atacado? É porque há maior liberdade de reajuste de preços?
  • anônimo  10/12/2020 23:16
    1) Expansão monetária gera aumento do consumo. As pessoas têm mais dinheiro, mas os preços ainda não se mexeram. O comércio fica aquecido.

    2) Se as vendas das Casas Bahia estão aumentando e os estoques estão diminuindo, a primeira medida da varejista não será a de aumentar os preços destes bens de consumo (pois isso pode espantar clientes), mas sim encomendar novos produtos para repor seus estoques.

    3) Se as geladeiras, os fogões, as televisões e os móveis estão sendo vendidos rapidamente, de modo que os armazéns das lojas estão se esvaziando, então a encomenda de novos estoques será maior.

    4) Consequentemente, os fornecedores das Casas Bahia — o setor atacadista — aumentarão suas encomendas para as indústrias. E as indústrias, por sua vez, aumentarão sua produção.

    5) E com um detalhe: essas indústrias que irão aumentar sua produção de fogões, geladeiras e televisões irão demandar mais bens de capital (máquinas e equipamentos) para aumentar essa produção.

    6) Consequentemente, as indústrias de bens de capital terão de aumentar sua fabricação de bens de capital.

    7) Observe que chegamos ao início das etapas de produção.

    8) As indústrias de bens de capital produzem o maquinário que será utilizado pelas indústrias de bens de consumo para fabricar televisões, geladeiras, fogões etc. E as indústrias de bens de consumo venderão para o setor atacadista, que então irá revender para as Casas Bahia (varejo).

    9) Sendo assim, os primeiros preços a subirem em decorrência deste aumento de demanda serão os dos produtos que estão lá no início da cadeia produtiva, como matérias-primas, commodities e maquinários. É ali que está o início da produção. Quem está ali "não tem pra onde correr". Se a demanda aumenta, não tem como aumentar a produção com a mesma velocidade (por motivos óbvios). Depois vem o atacado. No fim, só no fim, vem o varejo.

    Para comprovar isso, apenas veja as taxas de inflação acumulada em 12 meses dos bens finais, dos bens intermediários e das matérias-primas brutas:

    portalibre.fgv.br/sites/default/files/2020-12/igp-m_1a-previa_fgv_press-release_dez20_0.pdf
  • Paulo Henrique  10/12/2020 23:45
    Muito bom!
  • Imperion  10/12/2020 17:40
    Igualmente como em 2012, represar a recessão com juros muito baixos, que inadvertidamente vão subir (pois é impossível mantê-los baixos na canetada por muito tempo), o aumento desses coincidirá com as próximas eleições.

    Então é melhor o governo bobo reajustar agora, que a recessão vai ser mais suave.
  • Juliano  10/12/2020 17:51
    Em termos puramente político-eleitoreiros, dá pra levar até as eleições de 2022. É arriscado, mas dá. Dilma fez isso. Ganhou raspando com a economia já toda desarranjada. Mas aí não durou nem um ano depois.
  • anônimo  10/12/2020 18:45
    Acha que a melhor solução seria elevar os juros aos poucos ou de forma abrupta?
  • Carlos Alberto  10/12/2020 19:06
    Não era nem para ter baixado de 4,25%, valor em que estava em fevereiro.

    Aliás, 4,25% já era bizarro para o Brasil. O México, que tem grau de investimento, e que está com as contas públicas bem mais ordem, está com a taxa básica de juros exatamente em 4,25%.

    Inventaram de derrubar a Selic para 2%, gerando juros reais negativos (uma completa bizarrice para um país como o Brasil). Isso levou a uma totalmente evitável carestia, principalmente nos alimentos.

    Agora já era. A solução é apenas deixar como está e torcer por uma forte queda do dólar e para que esta seja maior que o encarecimento das commodities. Qualquer elevação de juros agora irá mais atrapalhar do que ajudar. Elevar juros após terem reduzido erroneamente é o equivalente a dar marcha à ré no carro pensando que o atropelado irá melhorar.
  • Marcos Rocha  10/12/2020 19:12
    Não sei se iria atrapalhar. O mercado de juros futuros já está trabalhando com esta alta. Já prevê juros em torno de 6% para 2023.

    Isso significa que bancos — que se baseiam nos juros de longo prazo — já estão praticando essas taxas. Subir a Selic seria apenas seguir, com atraso, essas taxas.
  • Vinícius  10/12/2020 19:59
    O chefe já deu o tom:

    "Acredito que o Roberto não fará isso tão cedo"

    blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/bolsonaro-nao-acredita-que-o-banco-central-aumentara-juros-tao-cedo/
  • Trader  10/12/2020 19:55
    Quem manda no BC (que não tem autonomia) é Guedes, e ele já deixou claro que Selic a 2% é o novo teto.
    A única salvação terá de vir da queda do dólar. Por isso o BC tá vendendo até a mãe nos swaps.
  • anônimo  11/12/2020 12:03
    Não querendo abusar, mas você tem algum palpite para onde vai o dólar no curto prazo? Rumo aos R$4,00? rs
  • Trader  11/12/2020 13:04
    R$ 4,60 até o fim do ano que vem.
  • Eslavo  10/12/2020 17:42
    Paulão Guedes poderia endividar o governo para comprar uma bomba nuclear para o Congresso.
  • Perifento.  10/12/2020 19:32
    Mas e como o BC poderá agir para debelar inflação alta com tamanha dívida pública de 100% do pib?
  • Vladimir  10/12/2020 20:02
    Ele no mínimo terá de estabilizar a oferta monetária (nem é preciso retrair, mas apenas estabilizar) e esperar os efeitos.
    Só que interromper o crescimento da oferta monetária já o suficiente para causar uma grande desaceleração na economia (teoria econômica básica).
  • Imperion  10/12/2020 22:11
    Cortar seus gastos para no mínimo nao ter deficit nas contas. Isso para o aumento da divida e para a pressão inflacionaria pela emissao dessa divida.
    E se ele cortar impostos, vai ocorrer aumento proporcional na produção e isso vai fazer cair os precos pelo aumento da oferta.
    E ele tem que fazer isso antes que va a falencia pelo seu defict de 11 por cento.
    Porque se ele for , regioes se separarão e nunca mais esse pais se reunifica.
  • Imperion  10/12/2020 22:22
    No caso, o governo tem de cortar seus gastos para no mínimo não ter déficit nas contas. Isso interrompe o aumento da dívida e reduz a pressão inflacionária pela emissão dessa dívida.

    E se ele cortar impostos, vai ocorrer aumento proporcional na produção e isso vai fazer cair os preços pelo aumento da oferta.

    E ele tem que fazer isso antes que vá à falência pelo seu déficit de 11 por cento. Porque se ele for, regiões se separarão e nunca mais esse país se reunifica.
  • Jocelino  10/12/2020 19:41
    Parabéns pelo conteúdo! Se alguém puder indicar um livro ou texto que explique o tema inflação de uma forma didática para um não economista agradeço!
  • Jocelino  10/12/2020 21:59
    Obrigado!
  • Gabriel M  10/12/2020 20:13
    Alguma explicação para essa relação entre M1 e preços no atacado não estar sendo vista nos EUA, Europa e Japão?
  • Observador  10/12/2020 20:38
    Câmbio. As moedas destes países se apreciaram fortemente nesta pandemia, permitindo importações mais baratas que as de antes da pandemia.

    Fora isso, em épocas normais, ou seja, até 2019, a relação é direta (para o M2).

    Zona do euro

    Oferta monetária:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/euro-area-money-supply-m2.png?s=emuevolvmonsupm2&v=202012102000V20200908&d1=20001210&d2=20191210

    Preços ao produtor:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/euro-area-producer-prices.png?s=euroareapropri&v=202012102000V20200908&d1=20001210&d2=20191210


    EUA

    Oferta monetária (desde 2010, os pois os dados dos preços ao produtos só começam em 2010, não sei o motivo):

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=202012102000V20200908&d1=20101210&d2=20191210

    Preços ao produtor:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-producer-prices.png?s=unitedstapropri&v=202012102000V20200908&d1=20001210&d2=20191210


    Quanto mais aberta é a economia e mais forte é a moeda, menor a pressão sobre os preços em uma expansão monetária. Economia 101.
  • Gabriel M  11/12/2020 01:17
    Entendo a importância de uma moeda forte e do país ser aberto comercialmente, mas não é estranho vermos deflação no IPA desses países, mesmo com a brutal emissão monetária recente?

    Resumir ao câmbio é mais ou menos como dizer: "posso fazer a loucura que for na política monetária desde que outros países façam uma loucura ainda maior, pois provavelmente meu câmbio vai se apreciar e, portanto, não terei pressão inflacionária (que é, convenhamos, o cenário atual)". Ou seja, por essa explicação a inflação de preços deixou de ser um fenômeno monetário - mais especificamente consequência do aumento da quantidade de moeda na economia - e passou a ser consequência meramente do que ocorre com a taxa de câmbio (tem pessoas que defendem isso de peito aberto; já eu, não acho que faça sentido).

    Enfim, se já era difícil entender as causas da inflação de preços, depois dessa pandemia ficou ainda mais.


  • Observador  11/12/2020 01:47
    "Resumir ao câmbio é mais ou menos como dizer: "posso fazer a loucura que for na política monetária desde que outros países façam uma loucura ainda maior, pois provavelmente meu câmbio vai se apreciar e, portanto, não terei pressão inflacionária (que é, convenhamos, o cenário atual)"."

    Ué, mas se isso de fato ocorrer, qual o espanto?

    Você pode, aí sim, se espantar que isso tenha ocorrido. Mas o fato é que ocorreu. E, tendo ocorrido, cabe a você apenas aceitar, e não ficar querendo brigar contra.

    Sim, as moedas dos países desenvolvidos se apreciaram, e muito, em relação às moedas dos países em desenvolvimento (e os motivos para isso foram explicados aqui). E isso lhes permitiu importar commodities baratas. Veja a evolução dos preços das commodities em dólares. É isso que interessa.

    ibb.co/1qV6Gbx

    "Ou seja, por essa explicação a inflação de preços deixou de ser um fenômeno monetário - mais especificamente consequência do aumento da quantidade de moeda na economia - e passou a ser consequência meramente do que ocorre com a taxa de câmbio (tem pessoas que defendem isso de peito aberto; já eu, não acho que faça sentido)."

    Veja de novo o gráfico de commodities que linkei na resposta acima. Até junho, as commodities em dólares estavam com o mesmo preço de 1995. Não é uma questão de opinião; é fato.

    Ora, se as commodities voltaram a ter os mesmos preços de 1995 (em dólares), mas os preços da economia como um todo não voltaram aos mesmos valores de 1995, então é óbvio que essa diferença se dá pela oferta monetária.

    Ou seja, longe de revogar o fenômeno, os atuais eventos simplesmente o reforçaram.

    "Enfim, se já era difícil entender as causas da inflação de preços, depois dessa pandemia ficou ainda mais."

    Discordo. Tudo segue extremamente cristalino. O problema é que você está se recusando a aceitar determinadas coisas, como a brutal valorização do dólar neste período. Uma vez que você aceita isso (e os motivos foram explicados aqui), todo o resto se encaixa.
  • Gabriel M  11/12/2020 05:41
    Bem, aqui já veio uma outra explicação: o preço das commodities. E, de fato, é uma explicação que faz muito mais sentido.

    Pode-se citar a famosa correlação inversa entre o valor do dólar e o preço das commodities e, portanto, dizer que no fundo a explicação é cambial, mas basta olhar isoladamente para o preço das commodities agrícolas e a respectiva inflação dos alimentos nesses países para ver que a coisa não é bem assim.

  • Imperion  11/12/2020 13:08
    "Entendo a importância de uma moeda forte e do país ser aberto comercialmente, mas não é estranho vermos deflação no IPA desses países, mesmo com a brutal emissão monetária recente?"

    Não é estranho não. Já foi explicado aqui que eles estão represando o dinheiro emitido, num esquema que vai explodir mais na frente. O dinheiro represado ao não entrar na economia, não provoca inflação direta.

    A economia deles também é altamente produtiva. Isso sempre combate a inflação. A do Brasil tem a produtividade tão baixa, que todo dinheiro novo acaba indo para os preços, pois a capacidade de aumentar a oferta é altamente limitada pelos impostos, regras, intervenções estatais.

    O Brasil é um gigante acorrentado, enquanto que países europeus são anões com turbo.
  • Fiscalista  10/12/2020 21:31
    O Bolsonaro cortou os impostos de balas e revolvers.
    Até ai, ok. Estamos juntos. Quanto menos impostos, melhor.
    Mas por que quando o corte de impostos vem da chamada guerra fiscal, ou de uma política industrial do governo, que esse corte de impostos é ruim?
    Se é bom em uma situação, há de ser também na outra.
  • Supply-sider  10/12/2020 21:40
    Pergunte para a esquerda. Essa turma é que é contra corte de impostos. Supply-sider defende todo e qualquer tipo de corte de impostos, em toda e qualquer área, para toda e qualquer empresa, grupo ou setor.

    www.mises.org.br/article/2756/isencoes-fiscais-sao-o-oposto-de-subsidios-e-nao-geram-distorcoes
  • WMZ  10/12/2020 22:20
    "Inflação acima da meta faz com que as pessoas passem a crer que a inflação de preços, por estar alta no presente, continuará alta no futuro. Consequentemente, essa deterioração das expectativas pode fazer com que os formadores de preço — dentistas, encanadores, mecânicos, cabeleireiros, supermercados, indústrias e comércio — passem a reajustar seus preços baseando-se nessas expectativas. "


    Não entendi. Quantos dentistas, mecânicos, cabeleireiros, donos de supermercados, industriais e comerciantes conhecem a ciência econômica para fundamentar as "expectativas sobre a inflação"? Talvez, os grandes empresários... talvez. A explicação mais comum que você irá encontrar será a de que "os preços aumentaram por causa da ganância ou por causa da corrupção"

    O que eu acho que acontece?

    O pipoqueiro não fica ligado no COPOM para saber se ele deve ou não aumentar o preço da pipoca. Ele, simplesmente, olha para os custos e, também, para a freguesia. Ele vê que o preço do milho aumentou e repassa os custos. Se o aumento causou uma diminuição da clientela, ele vai abaixando aos poucos.E isso não só com o milho. O pipoqueiro também vê o gás, o transporte, o alvará e a mão de obra.

    Do pipoqueiro a gente vai para o produtor do milho que faz a mesma coisa. Do produtor do milho a gente vai para o produtor do fertilizante. Do produtor de fertilizante até...e assim vai.

    Obviamente, um grande empresário pode contratar um economista para seguir critérios mais racionais mas, mesmo assim, ele ainda segue a lógica contábil dos demais (ele pode se precaver melhor mas não tem o poder de alterar diretamente as coisas como o governo e os grandes bancos)

    Agora, aplicando o raciocínio até a exaustão, imagino que chegaremos nos grandes bancos e no governo (os grandes players), os quais não seguem tanto a "lógica dos custos" dos empreendedores.


    É um sistema piramidal de transmissão de informações, com os grandes players no topo reproduzindo os preços de cima para baixo e produzindo os novos preços de acordo com as reproduções passadas.Os grandes players estão estudando novembro para planejar em dezembro aquilo que será transmitido em janeiro e será sentido em fevereiro pela população.
  • Supply-sider  10/12/2020 22:33
    Meu caro, as pessoas estão inseridas na economia real. As percepções inflacionárias, e como as pessoas reagem a elas, não são questão de teoria e de manual. São mundo real. Ao perceberem que tudo à sua volta está encarecendo continuamente, elas tomar suas próprias providências para se protegerem. E a única coisa que elas podem fazer é (tentar) cobrar mais por seus serviços.

    Isso sempre ocorreu no mundo real. Foi assim na Alemanha da década de 1920. Foi assim nos EUA da década de 1970. Foi assim na América Latina da década de 1980. Foi assim no Plano Real (só que, desta vez, no sentido desinflacionário). Foi assim no governo Dilma. E é assim na Argentina há 20 anos.

    Esse comportamento sempre foi uma constante no mundo real. Não é necessário ser proficiente em teoria econômica para saber que as pessoas normais pensam que "se a inflação foi alta ano passado e continua alta este ano, então será alta ano que vem. Logo, é melhor eu começar a me proteger."

    Foi a academia que, muito tardiamente, só na década de 1970, começou a teorizar sobre isso.

    Agora, é óbvio que as remarcações feitas pelas expectativas só irão se efetivar se a oferta monetária acomodar estes aumentos de preços. Se a oferta monetária for restrita, não haverá como remarcações prosperarem. Exatamente como ocorreu no Brasil em 2016 e 2017.
  • Eduardo  10/12/2020 23:00
    "O pipoqueiro não fica ligado no COPOM para saber se ele deve ou não aumentar o preço da pipoca. Ele, simplesmente, olha para os custos e, também, para a freguesia. Ele vê que o preço do milho aumentou e repassa os custos. Se o aumento causou uma diminuição da clientela, ele vai abaixando aos poucos.E isso não só com o milho. O pipoqueiro também vê o gás, o transporte, o alvará e a mão de obra."

    Aumento de custos por si só não gera remarcação de preços. Eu mesmo conheço vários empreendedores que não repassam aumento de custos, pois sabem que perdem clientes. Isso é o cerne da teoria econômica austríaca. Quem define preço é o consumidor. Se os custos aumentarem, mas os consumidores não estiverem dispostos a pagar mais caro, o empreendedor simplesmente terá de reduzir sua margem de lucro.

    Um empreendedor, seja ele pipoqueiro ou um grande magnata, sobe preços quando:

    a) sente que a demanda está alta o bastante ao ponto de não ser afetada por esta alta de preços que você pretende fazer;

    b) tem pouca concorrência;

    c) sabe que sua concorrência também irá subir os preços pelo mesmo motivo que você.

    O item (a) é ditado pelo aumento da renda disponível, a qual, por sua vez, é afetada pela variação da oferta monetária.

    Se a oferta monetária estiver crescendo, o item (a) ocorre sem problemas. Se não estiver crescendo, um aumento de preços irá trazer queda nas receitas e falências.

    Já os itens (b) e (c) são determinados pela liberdade de empreendimento.

    É por isso que países que têm moeda estável e liberdade empreendedorial (EUA, Suíça, Alemanha, Cingapura, Hong Kong, Autrália, Nova Zelândia) têm inflação de preços relativamente baixa.
  • Imperion  11/12/2020 01:05
    O pipoqueiro vive na economia real. Confere.

    Ele produz algo, vende e ganha dinheiro. Mas ele é igual a todo resto. Ele compra matéria prima, produz em cima dela e vende. Mas a expansão monetária desvaloriza a moeda com a qual ele trabalha. Isso significa que ele vai pagar cada vez mais caro no milho, no gás, na licença da prefeitura e é claro vai querer receber mais no valor-hora do seu trabalho, já que seu trabalho é a mercadoria que ele comercializa.

    Ele também vai reajustar os preços como todo mundo. Se vai conseguir vender, já é outra coisa. Se não reajustar, é como se estivesse dando desconto e tomando prejuízo. E prejuízo mata qualquer negócio. Se congelar os preços, não vai receber nenhum subsídio do governo.

    Em suma, a expansão monetária afeta mais ele do que o investidor que trocou seus reais por ouro, ja que ele só pode mexer com a moeda cujo valor está sendo roubado pelo governo via imposto inflacionário, que é um imposto sobre consumo.
  • anônimo  10/12/2020 22:37
    A oposição está atacando o Bolsonaro com o argumento de quê ele está fazendo isso por razões políticas, e pra ajudar o filh0, porém esse argumento é bem contradizente, pois ora, ele disse em sua campanha que iria liberar o porte de armas para a população, obviamente o ideal é estimular o mercado bélico no Brasil primeiro, diminuindo as burocracias e eliminando os impostos, Não vejo absolutamente nada de mal nisso.
  • L. N.  15/12/2020 00:43
    Esquece. O STF já revogou essa zeragem da tarifa.

    Aliás, já que é o STF quem manda em tudo nesse país, para que afinal existe Poder Executivo no Brasil? Se não pode sequer regular uma alíquota do imposto de importação, não seria melhor interromper o teatro e deixar claro que quem manda no país é o STF?
  • Vladimir  15/12/2020 00:48
    * Bolsonaro aboliu radares das rodovias federais — mas o Supremo revogou a medida.

    * Aboliu o DPVAT — mas o Congresso revogou a medida

    * Acabou com a multa para quem não tem cadeirinha de criança no carro — mas o STF revogou.

    * Acabou com a obrigatoriedade de empresas publicarem seus balanços em jornais de papel (algo caríssimo e que ninguém lê, pois pode ser consultado de graça na Internet) — mas o Congresso revogou a medida.

    * Zerou tarifas de importação. Mas o STF revogou a medida.

    * Posicionou-se contra o lockdown. Mas o STF proibiu seu posicionamento, e disse que apenas estados e municípios podem implantar políticas relativas à pandemia.


    Até quando vai durar esse teatrinho de que há Poder Executivo no Brasil? Já estamos explicitamente sob uma ditadura dos togados, e com total apoio da imprensa. Acabou.
  • Giovanni  11/12/2020 02:19
    Do ponto de vista ideológico, Paulo Guedes é o melhor ministro da economia que já tivemos. Tudo que ele defende, se posto em prática, faria o Brasil enriquecer de maneira acelerada. Privatizações, desregulamentações, austeridade com funcionalismo, simplificação, enxugamento da máquina, menos burocracia, digitalização de serviços, concorrência, etc.

    Seu único senão é a questão monetária. Ele acha que moeda forte é algo ruim, pois gera desindustrialização.

    Tudo de bom que o Paulo Guedes defende, foi pouco ou nada posto em prática.

    O pior lado do Paulo Guedes, esse sim, foi posto em prática a todo vapor. Em maio desse ano, dolar a 5,90.

    Pena.
  • anônimo  11/12/2020 20:43
    O governo emitiu muitos títulos neste ano. Por que os juros não aumentaram?
  • Trader  11/12/2020 21:34
    1) Os juros longos subiram bastante. Quanto mais longo, maior foi a subida. Só voltaram a cair agora, que o governo deu uma sinalização melhor sobre o teto de gastos.

    DI 26: ibb.co/f4WBsqV
    DI 29: ibb.co/ZS41bK7
    DI31: ibb.co/QFW1n8Y

    2) O governo aumentou a oferta de títulos (o que eleva os juros), mas também aumentou a oferta monetária, o que aumenta a demanda pelos títulos (o que reduz os juros). Economia básica. Esse, aliás, é o motivo principal da existência de um BC: garantir juros baixos para bancar o governo.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  11/12/2020 21:46
    Há ainda o fator Binden. O que ele fará? Será ele um "Bush verde" que com sanções econômicas em nome do meio ambiente fará uma espécie de guerra ecológica? Se for neste caminho podemos esperar um enfraquecimento do dólar. Pode ser que isso tudo seja só bravata como a muralha que o Trump queria construir.
  • Imperion  12/12/2020 00:39
    Se fizer só a metade do que prometeu, ele lasca a economia americana e o dólar cai. Mas como muitas vezes os políticos mentem por votos, é esperar se o veio gagá cumpre mesmo.
  • Rick, O Garoto Prodígio  12/12/2020 18:56
    Nos recentes eventos, e quando estava lendo alguns artigos, lembrei de uma expressão que o Raphael Lima (Ideais Radicais), uma vez usou...

    ("Economia japonesificada")

    Ele estava querendo falar sobre economia estagnadas, e daí que surgiu uma duvida..

    O que viria a ser uma economia estagnada? - Porque, tudo bem, seria uma economia sem perspectivas de inovações ou (literalmente) uma economia que nem cresce nem cai.

    Mas a minha duvida seria mais no detalhe, como o Japão se tornou um exemplo de uma economia estagnada? E quais são os problemas maiores de se estar em estagnação?
  • Victor  13/12/2020 03:01
    Não precisa se preocupar nem um minuto sequer com a economia Br japonificar, se preocupe é com este país virar a Argentina com praias mais breve do que muitos pensam.
    Se por um lado temos o domínio de commodities importantes como açúcar, minério de ferro, soja, milho e proteína animal por outro lado temos uma imensa população cada vez mais coletivistas, mais feminista e pra piorar a taxa de natalidade virou pó.
  • anônimo  14/12/2020 03:04
    Qual a vantagem de uma alta taxa de natalidade?
  • Perifento.  14/12/2020 18:02
    Sem taxa de natalidade em níveis de reposição acontece os seguintes fenômenos:

    Médio prazo - Com cada vez mais casais se abstendo de ter filhos some a motivação biológica para produção de excedente econômico por parte dos adultos, menos produção, menos excedente, menos investimentos e menos consumo;

    Longo prazo - As pirâmides previdenciárias começam a cair, mas ao contrário do que se pensa o estado vai taxar o que for necessário e possível na vã tentativa de salvar seus sistemas de aposentadoria;

    Muito longo prazo - Esse é mais nebuloso, algo parecido só ocorreu na idade média, a população decai de forma muito acentuada deixando a passível de ser conquistada por povos em ascensão.
  • Imperion  14/12/2020 19:42
    Para os poderosos, mais gente pra eles usarem. Durante séculos, o trabalho dos outros era o ativo principal e quanto mais disponível, mais ricos eles ficavam. Nascendo mais gente, haverá mais trabalhador jovem pra usar na produção. Já os velhos são despesa, pois deixam de ser produtivos.

    Ao cair a natalidade, passa a haver menos jovens para o trabalho e mais velhos como despesa, com o agravante de que cada vez mais os jovens do mundo moderno se tornam menos produtivos. Então a produtividade cai, e o número dos que recebem sem fazer nada sobe. Como a economia real é a produtividade, quando esta cai, a economia cai também.
  • Aristizabal  12/12/2020 19:43
    Até que ponto a alta da inflação não vem de um aumento da demanda agregada produzida pelo auxílio emergencial que tirou diversas pessoas da pobreza, reduzindo inclusive a desigualdade?
    Quando o governo da o auxílio não há criação de moeda, pois o governo emite títulos pra tirar moeda da economia e em seguida dar esse mesmo dinheiro pras pessoas. Dessa forma, a criação líquida de moeda é nula.

    Na outra ponto, o governo reduziu a selic aumentando o M1 da economia. Mas o público beneficiado dessa redução da selic não usou pra gastar mais, mas sim pra poupar mais.

    Há uma correlação entre M1 e inflação, mas ela é espúria. Não explica.
    Até pq se fosse pra explicar, a inflação tinha que ser recorde do plano real e quiçá dos últimos 40 anos. O delta do M1 foi um dos maiores ja vistos em prazo tão curto de tempo
  • Valderrama  13/12/2020 00:48
    "Até que ponto a alta da inflação não vem de um aumento da demanda agregada produzida pelo auxílio emergencial que tirou diversas pessoas da pobreza, reduzindo inclusive a desigualdade?"

    Ué, aumento da demanda agregada é causada exatamente pelo aumento da oferta monetária. Quanto mais moeda no bolso, mais as pessoas podem demandar.

    Aumento na demanda em um cenário com oferta monetária constante não causa elevação geral dos preços. Mesmo porque, para que uma pessoa possa demandar algo nesse cenário, ela precisa antes ter produzido algo — e isso elevaria a oferta de bens e serviços para toda a economia, reduzindo os preços.

    Aumento da demanda só causa aumento de preços quando essa maior demanda surge em decorrência de um aumento da oferta monetária — nesse caso, a pessoa não precisa produzir nada para poder demandar algo; ela simplesmente utiliza o dinheiro recém-criado e já aumenta o seu consumo.

    Ou seja, você apenas confirma a teoria.

    "Quando o governo da o auxílio não há criação de moeda, pois o governo emite títulos pra tirar moeda da economia e em seguida dar esse mesmo dinheiro pras pessoas. Dessa forma, a criação líquida de moeda é nula."

    Errou a ordem e errou a teoria. Permita-me corrigi-lo:

    1) O Tesouro emite títulos.

    2) Bancos compram esses títulos.

    3) Ao comprarem, suas reservas bancárias diminuem.

    4) Redução das reservas bancárias, tudo o mais constante, leva a um aumento da Selic (a Selic nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram para emprestarem entre si no mercado bancário).

    5) Como a Selic não pode subir, pois o BC trabalha com uma meta para ela, então o BC tem de imprimir moeda e repassar aos bancos. Se não o fizer, os juros sobem. O BC, portanto, imprime moeda e compra títulos públicos em posse dos bancos com essa moeda recém-impressa.

    6) Tal aumento representa uma elevação da oferta monetária na economia. Bancos emprestaram para o governo e, em consequência, o BC emitiu moeda e repassou aos bancos. Lógica simples e direta.
    Ainda que você não tenha entendido nada do que eu disse, apenas olhe para o gráfico 3, linha azul. Como você pode dizer que aquela explosão monetária não é realmente uma explosão monetária?

    "Na outra ponto, o governo reduziu a selic aumentando o M1 da economia. Mas o público beneficiado dessa redução da selic não usou pra gastar mais, mas sim pra poupar mais."

    Ué, primeiro você disse que o aumento dos preços foi causado por um aumento de demanda gerado pelo auxílio emergencial. Agora diz que o auxílio emergencial não gerou demanda nenhum, pois todo mundo poupou o dinheiro.

    Depois você você negou que tenha havido expansão monetária. Agora reconhece que houve.

    Você é um ser confuso.

    "Há uma correlação entre M1 e inflação, mas ela é espúria. Não explica."

    Se os gráficos 4 e 5 são "espúrios", gostaria de saber o que você considera genuína.

    "Até pq se fosse pra explicar, a inflação tinha que ser recorde do plano real e quiçá dos últimos 40 anos. O delta do M1 foi um dos maiores ja vistos em prazo tão curto de tempo"

    E o delta do IPA foi o maior já visto em prazo tão curto de tempo.

    Sério, você é esquisito. Você nega coisas factuais e afirma coisas completamente contraditórias e facilmente refutáveis.
  • Imperion  14/12/2020 00:43
    40 anos nem precisa ser recorde, mas nesse período ocorreram duas trocas de moeda por causa da hiperinflação. Se queria lacrar deveria ter usado dos últimos anos, em que teve inflação mais branda. Aí você poderia mais facilmente enganar os mais leigos.
  • Imperion  14/12/2020 14:44
    Auxílio é redistribuição de renda. Retira-se da economia produtiva e dá-se para a improdutiva. E isso é inflacionário, pois os produtivos agora têm menos pra investir na produção e oferta. Se cai a oferta de produtos, mesmo com a oferta monetária congelada, ocorre inflação.

    Ninguém liga se o improdutivo para de trabalhar em questões de oferta. Mas se o produtivo para ou diminui o que faz, ocorre diminuição da oferta de bens e serviços. E isso gera inflação de preços.

    Mas não para por aí. O governo não tem dinheiro sobrando. Ele já gasta 11 por cento acima do que arrecada. Pra dar auxílio, tem que imprimir dinheiro lançando os títulos (os quais são comprados pelos bancos, e estes são, em seguida, monetizados pelo Banco Central). O governo pode lançar quantos títulos quiser, desde que haja trouxas pra comprar esses títulos.

    Em suma, somente algumas pessoas perdem dinheiro diretamente. Outras ganham comprando títulos. Ou recebendo dinheiro sem ter feito nada por merecer.

    E quem é leigo perde depois na inflação que esse esquema produz.
  • Governin   14/12/2020 17:41
    Só pra deixar claro: O tesouro não emite moeda.
    É só pra deixar mais claro ainda: o banco central só compra títulos de curtissimo prazo, impactando apenas na selic.
    O tesouro em geral emite títulos longos que o banco central é proibido por lei de comprar.
    Mas podem seguir no conto de fadas... está divertido
  • Bernardo  14/12/2020 18:36
    "Só pra deixar claro: O tesouro não emite moeda"

    Ninguém falou o contrário.

    "É só pra deixar mais claro ainda: o banco central só compra títulos de curtissimo prazo, impactando apenas na selic."

    Errado. O BC pode comprar qualquer título público, de qualquer maturidade, em posse dos bancos. (O próprio Fed faz Operação Twist comprando títulos públicos de longo prazo, legalmente. O Banco Central Europeu faz o mesmo).

    Com efeito, com a aprovação do Orçamento de Guerra em meados do ano, o Banco Central brasileiro ganhou autorização para comprar qualquer ativo (inclusive títulos privados, como CDBs e debêntures) em posse de instituições financeiras.

    www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/04/06/pec-do-orcamento-de-guerra-autoriza-bc-a-comprar-titulos-privados-para-garantir-liquidez

    Você está, no mínimo, desatualizado. O mais provável é que esteja desinformado, mesmo.

    "O tesouro em geral emite títulos longos que o banco central é proibido por lei de comprar."

    Coloque aqui, por favor, o link da lei explicitando tal proibição, e mostrando que ela continua válida durante a vigência do Orçamento de Guerra.

    Já eu coloco o trecho e link que confirmam o que eu disse:

    "Outra autorização concedida pela PEC do Orçamento de Guerra é para que o Banco Central negocie, durante a pandemia, títulos públicos de forma mais ampla do que faz hoje. A instituição poderá mirar títulos específicos no mercado secundário, com prazos variados, o que dá a ela mais poder para interferir na curva de juros de longo prazo."

    www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/04/06/pec-do-orcamento-de-guerra-autoriza-bc-a-comprar-titulos-privados-para-garantir-liquidez

    "Mas podem seguir no conto de fadas... está divertido"

    Divertido mesmo é ver um completo desinformado jurando que está abafando ao espalhar sua avassaladora ignorância.

    Aliás, não é divertido, não. É triste. Mas, ei, ao menos agora você se educou, está informado e parará de repetir asneiras, certo? Parabéns pela conquista.
  • Richard Stallman  13/12/2020 18:23
    www.lynalden.com/fraying-petrodollar-system/
  • anônimo  13/12/2020 22:08
    Pessoal, permitam-me fazer uma "pergunta de leigo":

    Há alguma razão especial para o gráfico 3 começar em 2002 e os gráficos seguintes começarem em 2004? Por que não antes?

    Estou começando a aprender a consultar as séries históricas do site do BCB e sempre fico em dúvida sobre qual intervalo de tempo é o mais adequado para utilizar.

    Agradeço pela atenção.
  • Daniel  14/12/2020 00:43
    Não. Pode começar de qualquer ponto. O que interessa é que, se for para fazer comparações correlativas, então facilita a visualização se os gráficos começarem todos no mesmo ano.
  • Leitor Chateado  13/12/2020 22:48
    A maior revolução econômica do século XXI vai acontecer na Europa no final deste ano e não há artigos recentes sobre isso.... Todos nós já sabemos que o Brasil não tem jeito, este instituto não precisa mostrar 2 vezes por mês que tudo está errado aqui.
  • Ulysses  14/12/2020 00:44
    Ó, por favor, sacie minha curiosidade. Qual será a maior revolução econômica da história que ocorrerá daqui a duas semanas?
  • Bruno  14/12/2020 20:49
    Acho que ele está se referindo ao Brexit... Dia 31/12 é o final do período de transição. E parece que muita coisa vai mudar.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  14/12/2020 10:17
    Bom vai ser uma revolução econômica pra pior pelo visto... Um continente rico vai se transformar oficialmente em um continente de terceiro mundo. Olha que mundo louco esse do novo milênio. Políticos europeus gargalhando de satisfação ao verem a população desempregada na fila do sopão comunitário pra não morrer de fome. Tudo em nome da "saúde", "ciência", "meio ambiente"...
  • Trader  15/12/2020 15:33
    O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV fechou hoje o ano.

    Resultado: 4,72% ao ano.

    portalibre.fgv.br/sites/default/files/2020-12/igp-10_fgv_press-release-resumido_dez20_0.pdf

    A meta do BC é 4% e o teto é 5,5%.

    Conseguir uma carestia de 4,72% em um ano de depressão econômica exige muita impressão monetária. Parabéns.

    P.S.: o IPA ficou em 33% ao ano. Recorde.
  • Felipe  15/12/2020 22:11
    (HÁ 20 ANOS)

    No dia 15/12/2000:

    - Um dólar custava R$ 1,96;
    - Um euro custava R$ 1,76;
    - O índice DXY estava em 112,86;
    - Uma onça de ouro custava aproximadamente R$ 531,55;
    - Um Jeep Grand Cherokee Limited V8 custava aproximadamente R$ 125 mil. Um Astra GLS três-portas, R$ 31 mil;
  • Fabio de Araujo  16/12/2020 00:14
    Uma questão para os autores deste artigo: segundo a teoria austríaca, o governo ao colocar mais moeda em circulação, que não seja acompanhada por maior oferta de bens, isto é, que a velocidade da circulação de moeda permanece inalterada, haverá inflação (alta do índice geral de preços). Se a inflação é, de fato, um fenômeno monetário, como os autores, Beltrão e Geller, explicam a emissão maciça de moeda na Europa e nos EUA em 2020, sem que o índice geral de preços tenha subido?
  • Felipe  17/12/2020 22:22
    Esse fenômeno de indexação, ou seja, de correção dos preços de todos os bens, serviços e afins pela inflação, existiu no Brasil durante os anos de hiperinflação e acabou após o Plano Real. Isso teria sido uma coisa tipicamente brasileira?

    Isso poderia, por exemplo, existir na atual Venezuela, ou a hiperinflação mais intensa de lá inviabilizaria esse fenômeno?
  • Bruno Souza  17/12/2020 22:31
    Sim, a indexação foi um fenômeno tipicamente brasileiro. E foi ela que impediu que a classe média fosse dizimada. Em todos os outros países devastados pela hiperinflação não havia o fenômeno da indexação. Como consequência, houve inquietação social, distúrbios e destruição da classe média. O Brasil não teve nada disso graças à indexação.

    Quem disse que não temos do que nos orgulhar?
  • Felipe  18/12/2020 21:11
    Se não me engano, isso foi criado no governo Castello Branco.

    Acho que isso explica o fato de o Brasil ter ficado 15 anos com hiperinflação.

    Como explicar essa queda na hiperinflação na Venezuela?
  • Felipe  20/12/2020 00:25
    "Mercedes-Benz encerra produção de carros no Brasil"

    A nacionalização do Classe C não resultou em preços menores (pelo menos eu suponho, se alguém souber o contrário me corrijam), como já ocorreu em vários carros que deixaram de ser importados e ficaram mais caros. Houve exceções, tais como o Omega (depois de vir importado da Austrália ficou bem mais caro), assim como no Audi A3 (ocorrendo a mesma coisa). Normalmente, entretanto, o carro nacionalizado também sofre perdas de itens de série, opcionais e afins.

    O que vocês acham?
  • Felipe  22/12/2020 01:19
    Agora a Audi pode tomar o mesmo caminho...
  • Felipe  20/12/2020 16:19
    Nesse ano a cidade de Brasília completa 60 anos. Por que houve essa transferência de capital? Quais foram os ganhos e perdas? Qual era a pretensão de Juscelino Kubitschek, afinal?
  • Victor  20/12/2020 19:42
    Para a transferência de capital haviam vários motivos:

    Militar: Rio de Janeiro é estrategicamente uma posição muito dificil de ser defendida;

    Urbana: O rio dos anos 40 era muito insalubre e sua geografia impedia uma adequada expansão para suportar o vindouro êxodo rural;

    Político: Havia um desejo para tirar dos cariocas a forte influência na política nacional.

    Os ganhos foram bem poucos, no máximo levar algum desenvolvimento para o cerrado do país e consigo o boom do agronegócio anos depois.

    As perdas, eu gosto de destacar que o Br perdeu uma capital e recebeu apenas uma sede de governo e nessa foi se a esperança de isso aqui ter uma identidade nacional tal qual outros países.
  • Felipe  21/12/2020 19:50
    Haveria outras razões?
  • Felipe  24/12/2020 16:38
    Por que, em 2000, o então governador de Minas Gerais, Itamar Franco, anunciou o calote da dívida? Como a situação fiscal do estado chegou a tal ponto?
  • Caio  24/12/2020 17:07
    Itamar Franco, em janeiro de 1999, anunciou que iria suspender, por 90 dias, o pagamento das dívidas de MG junto ao governo federal. O governo federal tinha assumido as dívidas de vários estados, e cobrava juros de 7,5% ao ano (uma ninharia à época). Mas Itamar, por pura politicagem e rancor (ele havia se tornado inimigo ferrenho de FHC), decidiu a moratória, o que foi crucial para a mudança do regime cambial.

    Aqui tem um bom resumo (época em que o jornalismo ainda prestava, pois realmente se preocupava em informar):

    www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc07019908.htm
  • Rafael  24/12/2020 19:32
    "época em que o jornalismo ainda prestava, pois realmente se preocupava em informar"

    Não mudou nada na imprensa. O que mudou foi quem dá os subsídios.

    Não existe "imprensa imparcial" no Brasil. Cada órgão está na mão de um grupo político diferente, e o jornalista nada mais faz do que revisar pauta e publicar o que já recebe pronto.

    Tudo isto sustentado com o nosso dinheiro.

    Eu sigo apenas um sinal, que nunca falha:

    Quanto MAIS apedrejado um político é, MENOS dinheiro ele está pagando pra mídia.


    *Vejam o passeio do Doria por Miami e SILÊNCIO total da grande mídia sobre o assunto apenas como um exemplo atual.
  • Gustavo  24/12/2020 19:38
    Foi pior do que silêncio. Tem jornalistas no Twitter defendendo a ida dele pra Miami (dizendo que ele "trabalhou muito" e tem de descansar), e xingando leitor que xinga o Dória.

    Dória foi o cara que mais comprou a imprensa no Brasil:

    Dória amplia em quase 70% verba de publicidade

    Já tem até jornalista petista virando a casaca e se tornando doriano. Follow the money.

    Lembrando que a turminha do Antagonista também está hoje inteiramente no bolso do Dória. Diogo Mainardi até virou funcionário público estadual de São Paulo, recebendo salário da TV Cultura.
  • Felipe  24/12/2020 21:21
    O Doria acabou desistindo da viagem logo depois, voltando para o estado de SP. De qualquer forma, ele foi flagrado lá sem máscara. Agora eu tenho certeza de que sou um completo otário.
  • Felipe  24/12/2020 21:18
    A mudança no regime cambial iria acontecer de qualquer jeito, creio eu.

    Existia alguma razão nessa rivalidade entre Itamar Franco e FHC?

    Sobre a imprensa, realmente ela parecia ser melhor antigamente.

  • Cristiano  25/12/2020 22:05
    Briga pela paternidade do Plano Real e divergências quanto à equipe econômica do primeiro mandato de FHC.
  • Caio  24/12/2020 17:09
    Nos anos 1990, a União assumiu as dívidas dos estados junto ao mercado financeiro porque a situação fiscal dos estados era complicada. Com o plano Real, em 1994, veio o controle da inflação, o que levou as despesas a serem maiores do que as receitas dos estados.

    Em 1997, a União chegou a um acordo com os estados e assumiu suas dívidas junto ao mercado. Os governos estaduais passaram a dever ao Tesouro Nacional e melhoraram os prazos e taxas desse endividamento.

    Nesse acordo, ficou estabelecido que os estados pagariam sua dívida em um prazo de 30 anos. O valor seria reajustado todos os anos de acordo com uma taxa pré-fixada (6% a 9%), somada ao Índice Geral de Preços (IGP-DI), medido pela Fundação Getúlio Vargas.

    Além disso, os bancos estaduais foram privatizados e os estados ficaram proibidos de emitir títulos de dívida. No ano 2000, também foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que aumenta o rigor em relação à gestão do dinheiro público. Por exemplo, caso os pagamentos das parcelas não sejam feitos, o estado inadimplente pode sofrer algumas penalidades, como ter retidos repasses e contribuições federais.

    agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-12/entenda-como-os-estados-se-endividaram-com-o-governo-federal
  • Felipe  25/12/2020 15:31
    Falando de inflação, achei esta interessante matéria falando sobre os preços dos carros historicamente. O que acham?
  • Lucas  25/12/2020 23:36
    Na matéria eles dizem que foi um desafio realizar um "cálculo coerente", devido às diferentes moedas que circularam na época e por conta da hiperinflação.

    Ora, se tivessem convertido os preços para gramas de ouro na época e usado isso como um "denominador comum" certamente chegariam a um "cálculo coerente" e ficaria bem mais fácil fazer a comparação. Embora eu reconheça que talvez, nessa hipótese, o "desafio" seria buscar a cotação do ouro na época do lançamento dos veículos - ou não, não sei o quão fácil ou difícil seria encontrar essa informação.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  25/12/2020 23:52
    Era até justificável os preços antigamente, havia menos montadoras e menos modelos e a produção era pífia se comparada com hoje.

    E atualmente? Temos possivelmente, quase todas as montadoras (pelo menos as que importam) operando aqui. Bem mais variedade de modelos. Parque fabril bem mais expandido. O que justifica um carro popular ser mais caro que um terreno ou até mesmo uma casa?
  • Leitor Antigo  26/12/2020 13:34
    Cinco coisas:

    1) Carga tributária maior que a de outros países;

    2) Tarifas de importação de 35%, o que praticamente elimina a concorrência estrangeira e garante reserva de mercado, para as fabricantes nacionais;

    3) Proibição, por lei, de se importar carros usados (na Europa, isso é totalmente legal);

    4) Câmbio depreciado (o que intensifica os efeitos dos itens 2 e 3);

    5) E o item principal: os consumidores se mostram dispostos a pagar os preços pedidos.

    Qualquer empresa — seja uma montadora de automóveis ou uma padaria — vai cobrar para os seus produtos o maior preço que puder, que seja consistente com o maior lucro possível. Duas coisas colocarão um teto nesse preço máximo: a concorrência e a disposição dos consumidores em aceitar os preços praticados (fenômeno esse chamado de 'valoração subjetiva dos consumidores'). 

    Para todo e qualquer empreendimento que lide com a venda de produtos não essenciais, são os consumidores que irão decidir o preço máximo que estão dispostos a pagar por estes produtos.

    No caso brasileiro, as montadoras aparentemente ainda não chegaram a esse preço máximo para seus carros, pois os preços continuam subindo e os carros continuam sendo (muito) comprados, e os lucros continuam altos — o que significa que os consumidores de uma determinada faixa de renda continuam deixando claro que estão dispostos a continuar pagando os preços vigentes.
  • anônimo  26/12/2020 14:14
    www.youtube.com/watch?v=2AYz50ZLhek
  • Felipe  26/12/2020 17:49
    Protecionismo, falta de liberdade econômica (incluindo infraestrutura medonha e insegurança jurídica), carga tributária enorme e moeda fraca e instável. O fato de o transporte coletivo ser precário também faz aumentar a procura por carros. Também há uma questão cultural, já que ter um carro novo ainda é sinal de status para muitas pessoas (mesmo que seja financiado em dezenas de parcelas), fenômeno de países pobres.

    Apesar de haver a questão de valoração dos consumidores, o fato é: não há para onde correr. Mesmo que os carros usados sejam mais baratos, eles continuam caros e são influenciados pelos preços desses carros quando eram novos, afinal esses carros usados um dia foram zero-quilômetro.
  • anônimo  26/12/2020 21:16
    carga tributaria de 50 por cento do pib. com isso sobra muito menos pra se investir em produção. com isso ha escassez de oferta e com isso os preços sobem. com isso tanto faz se tem uma montadora ou mil montadoras. tudo o que for produzido vai ser pouco.
    mil montadoras produzindo mil carros ou uma montadora produzindo mil carros e a mesma coisa na hora de ofertar.
    com a carga tributaria baixa , a producao pode se adequar a cinco mil carros. ae sim com mais oferta , os preços baixam.
    a alta carga tributaria estraga o processo produtivo. dae compensa mais produzir comodities pra exportar. e é nisso entao que se especializam os nossos produtores.
    produzir tomate(produto simples de baixo valor agregado) pra exportar , pouco imposto: rende mais em escala pra eles
    produzir carro(produto complexo de alto valor agregado, porem é a junção de varios outros produtos, cujos impostos da alta carga tributaria sao cumulativos) seu custo é altissimo, produção com excesso de impostos e alta burocracia, se produz menos e esse menos não é competitivo em qualidade , pois o que se gasta em impostos , podia se investir na produção e melhoria dos processos.
    e não sendo competitivo, ao ter reserva de mercado, eles ganham vendendo as carroças. imposto alto e protecionismo tem que andar junto.
    imagina se o imposto interno é elevadissimo e imposto de importação zero?
    sem competitividade, o povo compraria so importados de qualidade. então o gov aumenta os impostos internos e os de importação juntos.
  • Felipe  26/12/2020 00:50
    Eis uma boa notícia, a Câmara aprovou o projeto que facilita contas em dólar. Tomara que a lei seja melhorada até ser sancionada (caso o Senado aprová-la).

    Quem sabe assim o dólar fique mais barato...

    Vocês acham que o dólar mais barato agora foi só por causa do Joe Biden? O Congresso vai ainda no ano que vem analisar a eleição e aí sim haverá certeza eleitoral.
  • Carlos Alberto  26/12/2020 13:28
    Não. O dólar desabou no mundo inteiro (vide o índice DXY). Aqui no Brasil caiu bem pouco. Nossos juros continuam completamente fora do lugar. Os juros reais estão negativos e menores que os de México e Colômbia, que têm grau de investimento e finanças públicas arrumadas.
  • anônimo  26/12/2020 21:18
    não , o biden landem tem que governar pior que o nosso governo pro dólar cair em real. são os nossos erros que estão encarecendo demais o dólar.
  • Estado máximo, cidadão mínimo.  27/12/2020 02:01
    Possivelmente pelo efeito Binden. Há expectativa de que a economia americana caia bastante em seu mandato. Mas vai saber? Cabeça de político é caixa de pandora. Bem capaz de toda aquela verborragia dele ficar só na promessa mesmo e economia americana e sua política externa nem mudarem tanto assim. Estamos na era do marasmo.
  • Felipe  27/12/2020 20:11
    Obrador considerado como austero:

    "The conservative approach has kept Mexico's peso relatively steady against the dollar, and leaves the country's budget deficit and debt levels well below those in large emerging markets such as Brazil.

    Mexico is expected to end the year with a budget gap of just 4% of GDP, among the narrowest of countries with similar sovereign credit ratings such as Colombia, Peru, Italy and Russia, according to Fitch Ratings.

    Brazil, in contrast, is facing a budget shortfall of almost 17% of GDP, Fitch estimates, among the widest in emerging markets. Mexico's government debt will be almost half of Brazil's, which is on course to end this year at 95% of GDP."


    O motivo de o Brasil ser um dos países pobres com pior situação fiscal, é um grande mistério para mim.
  • Felipe  28/12/2020 00:31
    Juros reais (novembro, anuais) brasileiros comparados a outros países:

    - Brasil: - 2,21 % ao ano (7,09 % de juros de longo prazo), sem grau de investimento.
    - México: 1,21 % ao ano (5,35 % de juros de longo prazo), com grau de investimento.
    - Peru: - 1,85 % ao ano (3,47 % de juros de longo prazo), com grau de investimento.
    - Colômbia: 0,25 % ao ano (4,88 % de juros de longo prazo), com grau de investimento.
    - Rússia: - 0,14 % ao ano (5,91 % de juros de longo prazo), com grau de investimento.
    - Bangladesh: - 0,25 % ao ano (5,8 % de juros de longo prazo), sem grau de investimento como o Brasil.
    - Marrocos: 1,29 % ao ano (2,3 % de juros de longo prazo), com grau de investimento.
    - Nigéria: - 2,95 % ao ano (6,57 % de juros de longo prazo), sem grau de investimento como o Brasil.
    - Argentina: 0,14 % ao ano (84,76 % de juros de longo prazo), sem grau de investimento como o Brasil.
    - Suíça: - 0,05 % ao ano (- 0,5 % de juros de longo prazo), segundo melhor país em grau de investimento.
    - Cingapura: 0,08 % ao ano (0,84 % de juros de longo prazo), com grau de investimento.
    - Japão: 0,8 % ao ano (0,01 % de juros de longo prazo), com grau de investimento.

    PS: Espero ter calculado certo os juros reais.
  • Felipe  29/12/2020 13:05
    Bolívia teve deflação neste último mês de novembro, valores bastante bons para um país mais bagunçado que o Brasil. Os juros nominais estão em 3,82 %. Não sei o que esperar de Luis Arce. Se o dólar continuar a afundar, pode ser bom para dar sustentação às reservas internacionais, já que assim o preço do gás natural também sobe.

    Creio que o Equador continue um dos países com maiores juros reais do mundo.
  • Carlos Camacho  29/12/2020 14:24
    Bolívia mantém, desde 2008, sua moeda atrelada ao dólar. São espertos. Ali, o papo de "anti-imperialismo" é só retórica pra excitar militância. Na prática, o índio Morales — que de bobo não tem absolutamente nada — imitou Gustavo Franco e agarrou sua moeda ao dólar. A estabilidade econômica que isso gerou garantiu seguidas reeleições.
  • Felipe  29/12/2020 20:50
    O país tem vivenciado queda na inflação desde 2014.

    Nesse ano o M1 de lá também explodiu.

    Interessantemente, é um dos poucos países de câmbio atrelado que não sofreu ataques especulativos, talvez por ser um país de economia na informalidade e por não ter manipulação de juros.

    As reservas internacionais de lá têm caído (estão agora por volta de US$ 2,5 bilhões), isso que preocupa um pouco, já que o banco central depende delas para estabilizar o boliviano.
  • Carlos Camacho  29/12/2020 23:57
    O M1 deles subiu 9% este ano. Ou seja, absolutamente nada. Aqui no Brasil subiu 50%.
  • Felipe  30/12/2020 12:10
    Veja como subiu.
  • Carlos Camacho  30/12/2020 14:16
    Sim, mas isso não é nada. De 64 pra 70 são apenas 9%.

    No Brasil, subiu 50%.
  • Felipe  04/01/2021 19:31
    Dinamarca é outro país que atrela a moeda, nesse caso a coroa dinamarquesa é atrelada ao euro. Por sinal, a oscilação é menor do que quando o real era atrelado ao dólar americano.

    Será que não tem risco de ataque especulativo na Dinamarca, como houve com o Reino Unido?
  • Luan  29/12/2020 22:28
    Desemprego diminuindo;
    Bovespa batendo recorde;
    PMI, índice que mede o crescimento da indústria, em alta histórica;
    Caged recorde;
    Menor recessão da América Latina.

    Ao contrário do que apregoam os pessimildos, tudo caminha maravilhosamente bem!
  • Realista  30/12/2020 16:44
    A nossa crise foi totalmente fabricada por uma pandemia e lockdown, as cadeias produtivas não sumiram(embora algumas faliram, os maquinários não somem, eles trocam de dono).. Bastaria reabri-las para que ocorresse uma recuperação,; Mas, vamos analisar seus números?

    Bovespa em Dólar está em -19% no ano. Quem apostou contra o Real, comprou algum papel americano, ganhou duplamente. E ela subiu agora, concidentemente, quando o dolar saiu de 5,60 para 5,17(hoje). Por que? Pela mesma razão que você ganharia dinheiro ao comprar um papel americano com o dólar valorizando .. Moeda se valorizando atrai investimento externo, você ganhar duplamente(moeda valorizando e valorização do papel); Contabilidade básica.
    Trago 1000 dolares ao Brasil com o dolar em 5,60. Ele vai para 5,17. Ao reconverter, ganhei dinheiro só com a Valorização do Real. Pode ver a correlação aqui.
    Veja aqui

    einvestidor.estadao.com.br/mercado/investimento-estrangeiro-recorde-novembro-o-que-mudou/

    Isso aliado a impressão monstruosa de dolares pelo FED, que acaba por diminuir a aversão ao risco. Fator totalmente externo. (E que não é benéfico, criar ilusão de que não há risco onde há é a receita para bolhas)


    Mas se considerarmos o IPCA e o IGP, estamos ainda abaixo do pico de 2007-2008. Pouco mais de uma década sem ganhos reais.. 150 mil pontos ainda seria ruim. Ou seja. Está comemorando o que exatamente? Nem antes dessa pandemia os números estavam bom.

    Desemprego medido pela caged caindo. Qual a qualidade do emprego? Nos fins de ano sempre há geração de emprego sazonal, não fosse esse fator, não haveria caged recorde (somou recuperação pós-lockdowns com sazonalidade)..

    PMI industrial idem, vejamos o que determinou esses números da boca dos próprios industriais

    agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-09/custos-industriais-caem-15-no-segundo-trimestre#:~:text=O%20Indicador%20de%20Custos%20Industriais,impacto%20da%20alta%20do%20d%C3%B3lar.

    "Percebemos que a maioria dos fatores que puxaram esse índice para baixo é transitória. Os impostos foram adiados, mas serão pagos. O custo de energia, com a retomada da economia, tende a aumentar. O mesmo vale para os custos com pessoal e com capital de giro. Os preços dos insumos subiram bastante, em parte devido à queda temporária da oferta em razão da crise e também à desvalorização do real. Temos um problema que começa a aparecer e que vai ficar patente assim que as medidas emergenciais tiverem seu fim", avalia o gerente executivo de Economia da CNI, Renato da Fonseca.

    Adiamento de pagamento de impostos, aumento da liquidez (ocorreu uma enxurrada de crédito).. Tudo isso reduziu, temporariamente, os custos para alguns grupos.. Mas, gerou aumento nos preços dos insumos e importados, além da inflação que estamos vendo subir rapidamente.. Como qualquer austríaco sabe, não tem como a expansão de crédito gerar riqueza Real, no máximo ela redistribui recursos..

    Está totalmente de acordo com a previsão teórica dos ciclos econômicos o setor industrial se expandir mais, em um aumento de liquidez, do que o setor de serviços.. A empiria comprova(é o que menos está reagindo, mesmo com auxilios emergenciais e estimulo ao consumo)
    valor.globo.com/grandes-grupos/noticia/2020/12/30/sem-auxilio-emergencial-retomada-dos-servicos-sera-lenta.ghtml

    Ou seja. Para que algum setor sofra uma expansão mais forte, o setor que recebeu a liquidez, outros devem subsidia-lo. Quem está subsidiando? Todos, via inflação. O pobre está consumindo menos em alguns setores com o aumento do custo de vida.

    valor.globo.com/brasil/noticia/2020/12/30/com-pressoes-variadas-igp-m-sobe-23-no-ano-maior-alta-desde-2002.ghtml

    Mas, não vamos considerar todo esse PMI apenas ao crédito.

    Esse adiamento de pagamento de impostos foi bem vindo, também foi bem vindo os acordos trabalhistas, não vamos confundir medida temporária com benefício permanente. O preço dessas medidas é caro. Trocamos uma recuperação de curto prazo, adiando impostos, por menos crescimento no longo prazo. Já que aparentemente não haverá um verdadeiro ajuste fiscal para compensar o deficit astronomico

    oglobo.globo.com/economia/divida-publica-sobe-pelo-decimo-mes-seguido-chega-907-do-pib-1-24772982#:~:text=Em%20dezembro%20de%202019%2C%20a,R%24%206%2C57%20trilh%C3%B5es.

    ''Menor recessão da América Latina.'': Isso considerando o calculo do PIB, mas, como esse mesmo artigo mostra, o calculo do IPCA está subestimando a inflação Real.

    O PIB depende de um deflator. Se a inflação que o governo mensura é baixa(escolas que ninguem usa fechadas), mas ocorreu um aumento na quantidade de dinheiro da economia. Então você vai ter um numero do PIB maior. Puro ilusionismo..


    Recomendo ir Lacrar com outros desavisados. Abraço

  • Felipe  31/12/2020 02:14
    Curiosidades: parcela do uso de dinheiro vivo em relação a todos os meios de pagamento, países selecionados, em 2018. Não é surpresa que Itália e Espanha estejam entre os países com maior economia informal do continente.

    Em 2018, foi constatado de que a maior economia informal do mundo é a Bolívia.
  • Meirelles  03/01/2021 23:49
    1) Premiação feita por e para banqueiros centrais. Normal. O establishment é unido, se protege e não decepciona.

    2) Foram apresentados dois argumentos. Um deles foi a criação do Pix. Neste quesito não discuto. Foi de fato uma belíssima invenção.

    3) O outro argumento é que o PIB vai cair metade do previsto pelo FMI. Quem é leitor deste site sabe que isso é piada dupla: atribuir PIB a Banco Central e atribuir significado econômico ao PIB.

    4) Antes dele, quem também foi premiado foi Ilan Goldfajn. Curiosamente, Ilan teve uma política monetária que teve resultados opostos aos de Campos Neto (real forte e IPCA em contínua queda). Não é curioso?
  • Felipe  04/01/2021 01:29
    Realmente, o Goldfajn seguiu outro caminho. Será mesmo que o Pix foi inovador? Para mim é mais controle estatal.

    Ulrich fez um tuíte à respeito disso e, como sempre, apareceu gente atacando-o. Curioso foi o que ocorreu com o gourde haitiano. Falei sobre isso um tempo atrás, de quando de repente a moeda sofreu uma valorização absurda (lá o regime é atrelado, e o dólar também é usado). Eu realmente não sei o motivo do ocorrido, mas a valorização da moeda lá fez os preços dos bens despencarem.
  • Imperion  04/01/2021 15:35
    Ganhou um prêmio por fazer o que o grupo dele acha certo. Igual ao Lula recebendo honoris causa de faculdades esquerdistas. É nisso que mora a ideologia. O controle da opinião popular.

    O que interessa é que essa destruição da moeda, para a qual esse BC contribuiu muito, foi a causa da inflação desse ano para os produtivos e do enriquecimento dos parasitas.

    A economia contraiu para os produtivos, mas para os parasitas cresceu. Isso fará com que a situação do país piore ainda mais no longo prazo. Mais imposto, inflação ou endividamento pro povo produtivo pagar a conta.
  • Anônimo  05/01/2021 15:30
    O fenômeno de obsolescência programada atingiria também os celulares? Se sim, isso teria relação com a inflação monetária? Demanda dos consumidores? Regulações? Impostos? Pelo que se sabe, aparelhos como celulares sofrem deflação real de preços (o preço nominal sobe, mas o real cai, pois são necessárias menos horas de trabalho para comprar um). Não sei se hoje existem celulares que durem 5 anos... o meu irá completar 5 anos de uso. A bateria dele já não é lá essas coisas e mesmo comprando outra, pouco se altera o problema (bateria viciada).

    O que pensam à respeito?
  • Ex-microempresario  05/01/2021 19:07
    No aspecto técnico, baterias não são feitas para durar mais que dois ou três anos, por questões de custo. As antigas NiCd e Ni-MH podem durar bastante, mas as de lítio não.

    No aspecto comercial, celulares são algo diferente de todo o resto: você pagou pelo aparelho, teoricamente é o dono dele, mas quem manda nele não é você, é o fabricante e a operadora. Eles tem acesso a alterações no aparelho que você, proprietário, não tem. A Apple já admitiu que instalava remotamente alterações nos iPhone antigos que reduziam propositalmente a velocidade. A desculpa era justamente "economizar bateria".

    Se você troca a bateria de um celular, não há nenhuma razão técnica para ele não funcionar da mesma forma que quando era novo, exceto se o fabricante programou o aparelho para isso ou se a assistência técnica trocou a bateria velha por outra velha (baterias de lítio envelhecem mesmo que estejam guardadas sem uso). A propósito, "bateria viciada" não existe, é apenas invencionice. Existe bateria velha, só isso.
  • Lucas  05/01/2021 20:15
    No aspecto comercial, celulares são algo diferente de todo o resto: você pagou pelo aparelho, teoricamente é o dono dele, mas quem manda nele não é você, é o fabricante e a operadora. Eles tem acesso a alterações no aparelho que você, proprietário, não tem. A Apple já admitiu que instalava remotamente alterações nos iPhone antigos que reduziam propositalmente a velocidade. A desculpa era justamente "economizar bateria".

    A solução para isso estaria em sistemas operacionais móveis de código aberto, mantidos pela comunidade. Existem vários deles hoje em dia, mas ainda estão "engatinhando". Em sistemas operacionais de código aberto não haveria espaço para esse tipo de arbitrariedade.

    Um exemplo concreto disso está no mundo dos PCs. Muita gente tem computadores que rodam Windows 7, Windows Vista ou até mesmo Windows XP. Versões antigas do Windows geram empecilhos até mesmo para tarefas mais básicas, como navegar na internet. Windows antigos não suportam navegadores mais recentes e determinados sites se recusam a carregar em navegadores antigos. E, por vezes, é inviável fazer upgrade para uma versão mais recente do Windows, por questões de compatibilidade da máquina. Para contornar esses problemas, as pessoas estão recorrendo ao Linux, que não tem problemas em rodar em hardware antigo, desde que sejam feitas as customizações necessárias para adaptá-lo a um hardware mais limitado. Dessa forma, as pessoas conseguem dar sobrevida a computadores antigos, utilizando um sistema operacional atualizado, sem amarras.

    A partir do momento que isso começar a acontecer com celulares, a obsolescência programada por meio de limitações no sistema operacional pode ser superada e consegue-se estender a vida útil do aparelho por mais tempo.

    Obviamente, a substituição do aparelho eventualmente acabará sendo necessária. Por exemplo, por mais que seja possível instalar um sistema Linux recente em um computador muito velho, talvez não seja possível assistir vídeos do YouTube nele ou acessar páginas da Web mais complexas, já que isso exige um hardware mais robusto. O mesmo se aplicaria aos celulares. Não vai durar para sempre. Mas aí nada tem a haver com "obsolescência programada" e sim uma obsolescência "natural" mesmo.
  • Analista de Risco  05/01/2021 21:19
    Titio Lew já respondeu essa. Para ele, é a demanda dos consumidores.

    Fica um tanto óbvio quando se para pra pensar: quem gostaria de manter um celular por mais 10 anos (nessa época, o sonho de consumo era o poderosíssimo Motorola V3) ?!

    A cada 2 ou 3 anos a tecnologia já está em outro patamar (convém lembrar da Lei de Moore, que se manteve verdadeira pelo menos até 2019).
    Por isso também, não faz sentido você trocar a bateria, porque conforme se aumenta a capacidade de processamento, mais demandantes se tornam os softwares. No limite, você continuaria com um aparelho lento, com uma bateria que aguenta menos do que durava 5 anos atrás e que vive esquentando (porque não possui a eficiência energética dos dias atuais), o que também contribui para piorar o desempenho e a vida útil do celular.
  • Imperion  06/01/2021 00:35
    Aparelhos duravam 50 anos. Agora duram cinco. Celular, mesmo que durasse cinco, o software fica obsoleto. Mas, por outro lado, o novo já vem bem mais rápido. Um equivalente ao antigo então ja custa um quinto do preço, pois o processo fabricação é novo. E isso causa deflação de preços. O que causa mais demanda por esses aparelhos. Já os impostos vêm na contramão, atrapalham o processo produtivo benéfico e causam inflação ao restringir a oferta.
  • Felipe  06/01/2021 00:17
    Desempenho das moedas sul-americanas em relação ao dólar americano em 2020 (01/01/2020 - 01/01/2021), em ordem decrescente:

    - Bolívar soberano (VES): - 100 %
    - Peso argentino (ARS): - 53,56 %
    - Dólar surinamense (SRD): - 46,93 %
    - Real brasileiro (BRL): - 25 %
    - Peso uruguaio (UYU): - 11,53 %
    - Guarani paraguaio (PYG): - 6,66 %
    - Peso colombiano (COP): - 3,54 %
    - Peso chileno (CLP): - 1,42 %
    - Boliviano (BOB): - 0,06 %
  • Felipe  14/01/2021 01:56
    Vinte anos de preços de bens e serviços nos EUA.

    Serviços de saúde, graduação e livros-texto de graduação foram os que mais subiram, justamente os setores mais regulados e, no caso de saúde e ensino superior, ainda cobertos por inúmeros subsídios. Habitação também sofre dos mesmos problemas, com regulações e subsídios enormes.

    Por outro lado, carros sofreram pouca alteração de preço, assim como móveis.

    Brinquedos, televisão, serviços de telefone e softwares sofreram deflação de preços.

    Seria bom fazer um comparativo com o Brasil com esse detalhamento (inclusive de carros, que sofreram seguidos aumentos de preços). Em abril de 2001, um Mille custava R$ 12,2 mil. Quanto custaria um desse nos dias atuais, zero quilômetro?
  • Diogo  14/01/2021 02:01
    Semelhante ao que ocorreu no Brasil, com a óbvia diferença que nos EUA, país de moeda mais forte, as deflações são mais intensas.

    www.mises.org.br/article/3207/os-25-anos-do-real-os-precos-regulados-pelo-governo-subiram-muito-mais-que-os-precos-de-mercado
  • Felipe  14/01/2021 17:42
    Recentemente a Caixa Econômica Federal completou 160 anos de vida. Qual era a pretensão do Dom Pedro II ao criá-la? Para vender títulos governamentais? Por que não deixaram simplesmente o setor privado no setor bancário?

    No Brasil Colônia, quem emprestava dinheiro eram as Santas Casas.

  • Felipe  15/01/2021 00:34
    Juros reais (dezembro, anuais) brasileiros comparados a outros países:

    - Brasil: - 2,41 % ao ano, sem grau de investimento.
    - México: 1,06 % ao ano, com grau de investimento.
    - Peru: - 1,68 % ao ano, com grau de investimento.
    - Colômbia: 0,13 % ao ano, com grau de investimento.
    - Uruguai: 2,27 % ao ano, com grau de investimento.
    - Argentina: 1,39 % ao ano, sem grau de investimento como o Brasil.
    - Paraguai: - 1,41 % ao ano, sem grau de investimento como o Brasil.
    - Chile: - 2,42 % ao ano, com grau de investimento.
    - Equador: 10,04 % ao ano, sem grau de investimento como o Brasil.
    - Suíça: 0,05 % ao ano, segundo melhor país em grau de investimento.
    - Grécia: 2,35 % ao ano, sem grau de investimento como o Brasil.
    - Espanha: 0,5 % ao ano, com grau de investimento.
    - Índia: - 0,56 % ao ano, com grau de investimento.
    - Rússia: - 0,61 % ao ano, com grau de investimento.
    - Bangladesh: - 0,51 % ao ano, sem grau de investimento como o Brasil.
    - Egito: 2,7 % ao ano, sem grau de investimento como o Brasil.
    - Irã: - 18,5 % ao ano, sem grau de investimento como o Brasil.
    - Turquia: 1,22 % ao ano, sem grau de investimento como o Brasil. [1]


    [1] Como o Banco Central da Turquia subiu de 15 para 17 % a taxa de juros no dia 24 de dezembro de 2020 (acima das expectativas do mercado), decidi fazer uma média de juros simples dessas duas taxas, dando então 16 % de taxa de juros média. Não sei se fiz o correto... em poucos meses, a taxa de juros lá foi de 10,25 % para 17 %. Essa foi a inflação de preços deles. A lira turca foi uma das moedas que mais desvalorizaram em 2020. O atual presidente do banco central local foi nomeado em 7 de novembro de 2020. O presidente anterior foi trocado pelo Erdogan por causa da inflação crescente e pela desvalorização cambial.
  • Felipe  20/01/2021 03:38
    Vejam que interessante. O preço do ouro em lira turca caiu depois de novembro.

    Algo que notei, entretanto, é que consultando o preço do ouro em várias moedas, a queda do preço do ouro depois de 2011 era praticamente um padrão. Talvez a exceção tenha sido a Argentina, possivelmente pelos controles cambiais. Seria o preço do ouro praticamente comandado pelo dólar, já que é uma commodity e negociado na moeda? Lembrei desse interessante artigo.
  • Trader  20/01/2021 15:20
    Sobre a lira turca: após o contínuo derretimento da lira turca, que estava virando um vexame mundial, o Erdogan trocou o comando do Banco Central e deu carta branca ao novo comando para fazer de tudo para impedir o esfacelamento da lira.

    Resultado: a taxa básica de juros foi elevada de 8,25% para 17% em apenas dois meses, e o dólar caiu de 8,50 liras para 7,42 liras.

    O BC brasileiro, após o atual e insano experimento ultra-keynesiano, terá de fazer algo semelhante.

    P.S.: no Brasil, o ouro só teve dois anos negativos: 2013 e 2016.
  • Felipe  20/01/2021 16:23
    "Sobre a lira turca: após o contínuo derretimento da lira turca, que estava virando um vexame mundial, o Erdogan trocou o comando do Banco Central e deu carta branca ao novo comando para fazer de tudo para impedir o esfacelamento da lira."

    Sim, eu tinha falado isso logo acima. O sujeito pode ser brevemente comparado a Paul Volcker. Desse jeito a lira turca já irá passar o real brasileiro.

    Papel flutuante em país bagunçado e com moeda pouco utilizada no mercado internacional só funciona relativamente bem com política falconista. Falo sobre isso para algumas pessoas aqui do Brasil e elas ficam histéricas. Talvez nesse ano elas acordem. Se fosse eu, daria pancada para 8 %. O Equador, com juros livres, está agora com aproximadamente 9 % (antes da dolarização, já chegou a quase 80 %). O país é uma baderna maior do que aqui, mas como eles usam uma moeda decente, os juros conseguem ser mais civilizados.
  • Felipe  21/01/2021 00:47
    O que seria o tal do forward guidance que foi mencionado em notícias sobre a decisão do COPOM?
  • Trader  21/01/2021 05:06
    "Forward guidance", falando bem diretamente, é quando o Banco Central deixa claro que não mexerá nos juros enquanto as expectativas de inflação não começarem a subir para acima da meta.

    Ou seja, é apenas um instrumento complementar de coordenação de expectativas.

    Foi usado pela primeira vez pelo BoJ (Banco Central do Japão) em 2007. Depois, a novidade foi adotada por Fed, BCE e Banco Central da Inglaterra a partir da crise de 2008.

    Esse verbete é bom:

    en.wikipedia.org/wiki/Forward_guidance
  • Felipe  21/01/2021 13:59
    Os empréstimos ao setor privado têm caído desde 2016. Em março de 2020, entretanto, voltaram a crescer.

    Vem aí um novo início de ciclo econômico e mais inflação de preços nesse ano de 2021?
  • Felipe  21/01/2021 02:26
    Curioso ver que quem está agora na Secretaria do Tesouro é justamente a Janet Yellen, a mesma que anos atrás, na presidência do Federal Reserve, começou a aumentar os juros.
  • Supply-sider  21/01/2021 04:58
    E que manteve o dólar estável em relação ao ouro, sendo esta uma das grandes causas do boom da economia americana entre 2015 e 2019, como sempre defendeu a teoria supply-side.
  • Felipe  21/01/2021 13:49
    Seria uma estratégia do Joe para acalmar o mercado?


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