clube   |   doar   |   idiomas
A relação entre juros artificialmente baixos, câmbio depreciado e degradação ambiental
Estranhamente, os progressistas dão um passe-livre a isso

Nota do Editor

O artigo abaixo possui a adição de um trecho específico para torná-lo ainda mais crucial à realidade brasileira. 

____________________________

Teóricos que defendem soluções de livre mercado para o ambiente já demonstraram que a melhor maneira de se preservar a natureza é estendendo a criatividade empreendedorial e os princípios do livre mercado para todos os recursos naturais, o que requer a completa privatização destes e uma correta definição e defesa dos direitos de propriedade que pertencem a eles.  

Sem estes direitos, todos eles baseados na propriedade privada, o cálculo econômico se torna impossível, a correta alocação de recursos escassos para as aplicações mais demandadas é impedida e todos os tipos de comportamentos irresponsáveis são encorajados, o que leva ao consumo e à destruição injustificados de vários recursos naturais.

Entretanto, estes teóricos conservacionistas pró-livre mercado até hoje seguem ignorando uma outra grande causa do uso ineficiente e improdutivo dos recursos naturais: a expansão artificial do crédito — via redução artificial dos juros e consequentemente expansão da oferta monetária — que os bancos centrais orquestram e ciclicamente injetam nos sistemas econômicos por meio dos sistemas bancários.

A expansão artificial

Toda expansão creditícia artificial desencadeia, em sua fase inicial, uma bolha especulativa que pode ser caracterizada por uma "exuberância irracional". 

Quando o Banco Central reduz artificialmente os juros, ele faz com que aqueles investimentos que antes não eram atraentes repentinamente se tornem promissores. Quando os juros dos empréstimos bancários são reduzidos, aqueles projetos de longo prazo que antes eram inviáveis tornam-se agora — exatamente por causa dos juros mais baixos — aparentemente viáveis. 

Esses projetos de longo prazo — como, por exemplo, empreendimentos imobiliários, construção de shoppings, fabricação de máquinas, e ampliação da capacidade produtiva das indústrias — são aqueles que demandam mais capital e mais investimentos vultosos. O que antes parecia caro, agora, repentinamente — por causa dos juros menores — parece bem mais acessível.

Esta fase da expansão creditícia provoca uma série de desequilíbrios e descoordenações na economia real. Como a taxa de juros é um preço como qualquer outro da economia, sua manipulação pelo governo irá, inevitavelmente, gerar distorções que se tornarão explícitas apenas no longo prazo.

Consequentemente, vários projetos e empreendimentos de longo prazo que antes da expansão do crédito se mostravam desvantajosos se tornam agora, por causa da queda dos juros, aparentemente (muito) lucrativos. 

Esse novo dinheiro criado pelo Banco Central e injetado na economia por meio do sistema bancário (via concessão de empréstimos) faz empreendedores pensarem que outras pessoas pouparam dinheiro — reduziram seu consumo —, desta forma liberando capital para a economia. No entanto, a realidade é que não houve nenhum aumento na poupança, e nenhum aumento em bens de capital. Houve apenas criação de moeda e manipulação de juros.

E quando este processo de expansão monetária ocorre simultaneamente em nível mundial, as consequências são globais.

As consequências ambientais

E um dos resultados mais ignorados deste fenômeno é a desnecessária pressão que ele gera sobre todos os recursos naturais.  

Árvores que até então não deveriam ser derrubadas se tornam extremamente desejadas por madeireiras, cuja matéria-prima está agora sendo demandada por vários setores imobiliários. 

Por causa do boom na construção civil, a produção de cimento aumenta exponencialmente, o que por sua vez exige um aumento na produção de alumina, de sílica, de óxido de ferro e de magnésio, os quais são queimados juntos em um forno e pulverizados, transformando-se em seguida em concreto.  

Para aumentar a extração de minerais, várias montanhas e vales são explorados e perfurados mais atabalhoadamente, sempre com urgência para se suprir a crescente (e artificial) demanda.  

O aumento artificial da renda, gerado pelo crédito fácil, estimula uma maior demanda por uma gastronomia mais requintada, o que estimula a pesca predatória e uma maior quantidade de abate de animais.  

Florestas são queimadas com mais frequência para aumentar o plantio de soja. A criação de gado, uma atividade que os ambientalistas dizem ser poluidora, se expande. A atmosfera é poluída. Os rios são contaminados. 

Além dos minerais, aumenta-se também a prospecção de petróleo e gás com o intuito de se completar projetos excessivamente ambiciosos para os quais simplesmente não haverá demanda assim que eles ficarem prontos, dado que os consumidores estarão mais endividados e sua renda não terá aumentado como se previa inicialmente.

No Brasil

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1) no Brasil.

selicxm1.png

Gráfico 1: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, expansão da oferta monetária acelera.

Já o gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio. 

selicxcambio.png

Gráfico 2: linha azul, eixo da direita: taxa de câmbio (reais por dólar); linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

A desvalorização cambial (que deixou nossos produtos mais baratos em dólares) tornou extremamente atraente a exportação de soja, milho, gado e madeira. Daí não ser surpresa a explosão em seus preços e o consequente aumento das queimadas em áreas do pantanal e da Amazônia visando à troca de vegetação para outras mais resistentes ao gado, ao plantio de soja e à derrubada de madeira.

O gráfico abaixo mostra a evolução do preço do Boi Gordo, em reais, na B3:

Boi gordo.png

Gráfico 3: evolução do preço do Boi Gordo, em reais, na B3.

Já o próximo gráfico mostra a evolução do preço do milho, também na B3:

milho.png

Gráfico 4: evolução do preço do milho, em reais, na B3.

E agora, o preço da madeira, em reais, no mercado mundial.

madeira.png

Gráfico 5: evolução do preço da madeira, em reais, no mercado mundial.

Por sua vez, o preço da soja, em reais, no mercado mundial.

soja.png

Gráfico 6: preço da soja, em reais, no mercado mundial.

Aqui, a evolução dos preços, em reais, das principais commodities agropecuárias brasileiras, segundo dados do Banco Central:

agropercuaria.png

Gráfico 7: evolução dos preços das principais commodities agropecuárias. Fonte: Banco Central

Finalmente, a evolução dos preços, em reais, das principais commodities industriais metálicas brasileiras, segundo dados do Banco Central:

metais.png

Gráfico 8: a evolução dos preços das principais commodities industriais metálicas brasileiras. Fonte: Banco Central

Para concluir, os preços dos imóveis no Brasil:

precosimoveis.png

Gráfico 9: índice dos preços dos imóveis no Brasil.

As consequências econômicas

No final deste ciclo, quando a expansão creditícia — que não pode se perpetuar para sempre, sob o risco de destruir a moeda — for interrompida, os juros de longo prazo subirão, a expansão monetária será desacelerada, a renda irá parar de crescer, e todos estes investimentos irão se revelar sem sustentação, pois não havia poupança real os lastreando. O mercado inevitavelmente irá impor o desejo dos consumidores e todos estes empreendimentos que até então pareciam lucrativos revelar-se-ão um grande desperdício.  

Vários investimentos de longo prazo feitos durante o período da expansão monetária se tornam ociosos, revelando que sua produção foi um erro e um esbanjamento desnecessário (o que os fez ser distribuídos incorretamente no tempo e no espaço) porque os empreendedores se deixaram enganar pela abundância do crédito, pela facilidade de seus termos e pelos juros baixos estipulados pelas autoridades monetárias.

O resultado de tudo isso é que o ambiente é danificado desnecessariamente, uma vez que, no final, o padrão de vida dos consumidores não aumentou em nada.  

Pelo contrário, aliás: os consumidores estão agora relativamente mais pobres em decorrência de todos estes investimentos errôneos e insustentáveis que foram empreendidos em decorrência da expansão artificial do crédito, investimentos estes que imobilizaram capital e recursos escassos para seus projetos, recursos estes que agora não mais estão disponíveis para serem utilizados em outros setores da economia.  

No geral, a economia está agora com menos capital e menos recursos escassos disponíveis, pois boa parte foi imobilizada em empreendimentos insustentáveis no longo prazo. 

É assim que a expansão do crédito, além de afetar toda a economia, ainda degrada desnecessariamente o ambiente.

Esta extremamente sucinta análise nos leva a uma óbvia conclusão: amantes da natureza, além de defender a privatização de todos os recursos naturais, deveriam também defender um sistema monetário de livre mercado, o qual não comporta um Banco Central manipulando e expandindo a oferta monetária e o crédito para atender aos desejos de curto prazo dos políticos.  

Em suma, a defesa teria de ser de um sistema monetário baseado em um padrão-ouro puro. Este seria o único arranjo capaz de erradicar as recorrentes expansões econômicas artificiais e insustentáveis e suas subsequentes crises financeiras e recessões, ciclo este que tanto mal faz ao ambiente, à humanidade e a todo o processo de cooperação social.

_________________________

Leia também:

O arroz, o excesso de moeda e os 4 mil anos de controle de preços

A Teoria Monetária Moderna já está sendo aplicada - e explica a inflação do ouro e dos "day traders"

Como a crescente estatização do crédito destruiu a economia brasileira e as finanças dos governos



autor

Jesús Huerta de Soto
, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.


  • Felipe  05/10/2020 18:24
    Na Argentina, apesar de ser regulado ou proibido, muitos negócios e pessoas aceitam dólares como moeda corrente e guardam em casa, pois perderam confiança no sistema bancário, pois já sabem que o peso argentino não presta e já sabem também do corralito.

    Será que isso poderia acontecer no Brasil?

    Ah, de curiosidade, a Hyundai na Argentina já anuncia os preços de seus carros também em dólares. Lembrei agora dos anúncios de carros na era Collor, quando também eram mostrados com preços em dólares.

    PS: Dólar deu uma caída leve hoje.
  • Trader  05/10/2020 22:56
    Os dólares das reservas internacionais estão acabando na Argentina.

    www.moneytimes.com.br/acompanhar-reservas-em-queda-e-nova-obsessao-na-argentina/
  • Felipe  05/10/2020 23:30
    Qual seria a relação disso com esse fenômeno da Hyundai?
  • Humberto  06/10/2020 00:23
    Ninguém em sã consciência quer trocar bens tangíveis e úteis (como automóveis) por uma moeda (peso argentino) que não tem poder de compra absolutamente nenhum.
  • Felipe  05/10/2020 23:41
    Uma coisa que percebi também é que agora está sendo comum eu ver argentino querendo sair do país, algo que eu não percebi ver com tanta frequência no Brasil.

    Curiosamente, apesar da inflação galopante, os argentinos ainda ganham mais que os brasileiros. Convertendo para câmbio paralelo, um argentino ganha US$ 590 aproximados e um brasileiro perto de US$ 448. Acabei de ver que, em dólares, um Toyota Etios lá é também mais barato (o qual é importado do Brasil). Convertendo, aqui um Etios custaria por volta de US$ 9000, ao passo que lá está por volta de US$ 5451, se é que faça sentido essa conversão torta que eu fiz...

    Eu perguntei em outro lugar mas não obtive uma resposta precisa (você até respondeu em outro lugar mas eu não achei o seu comentário): como exatamente a ressurreição do cepo cambial do Macri e sua piora pelo Fernández fizeram ressurgir o câmbio paralelo como a única medida confiável? O câmbio oficial é fictício pois, pelo controle de compra de dólares no mercado formal que provocou a sua queda na demanda (a queda na demanda por dólares no mercado formal poderia causar essa distorção?), o peso argentino então ficou "sobrevalorizado"? Qual a diferença desse controle de dólares daqui e o de lá, para aqui no Brasil não existir um câmbio paralelo?
  • Vladimir  06/10/2020 00:27
    Na Argentina, o governo limitou a compra de dólares para 200 por mês. Com isso, obviamente, todos correram para o mercado paralelo, onde ainda conseguem comprar o tanto que querem.

    Só que o dólar no paralelo custo o dobro que o dólar no mercado legal.

    No Brasil, felizmente, não há essa limitação. Você pode comprar quantos dólares quiser, todos os dias. Tanto via fundos cambiais quanto em espécie (o banco Inter, por exemplo, vende em espécie e entrega na sua casa).

    Logo, e obviamente, não há necessidade de um mercado paralelo aqui no Brasil.
  • Hércules Padovani  11/11/2020 00:51
    Quando comparo preço de produtos entre paises calculo o tempo de horas que um trabalhador médio do país em refererencia leva para adiguirir o bem versos o tempo horas do trabalhador médio brasileiro . EUA x Brasil:: 1 x 2,5 EUROPA idem . Conclusão : os brasileiros trabalham 2,5 vezes mais para adiguirir um bem relativos a aqueles países. Somos Escravos Ainda
  • Júlio César  05/10/2020 18:42
    Excelente artigo. Numa tacada só, sintetizou a TACE e as consequências práticas (e não-econômicas) dela. Um desenho.

    Obrigado!
  • Túlio  05/10/2020 19:10
    O IPA-M, que representa os preços no atacado, aumentou 6,36% este mês, ante um avanço de 3,15% na segunda prévia de agosto. Sobe 25% em 12 meses.

    O IGP-M acelerou a 4,57% na segunda prévia de setembro, após ter aumentado 2,34% em igual leitura de agosto. Com o resultado, o índice acumulou elevação de 14,66% no ano de 2020 e alta de 18,20% em 12 meses.

    g1.globo.com/economia/noticia/2020/09/29/igp-m-indice-que-corrige-o-aluguel-dispara-para-434percent-em-setembro.ghtml

    portalibre.fgv.br/sites/default/files/2020-09/igp-m_fgv_press-release-resumido_set20_1.pdf

    Esse mix de Selic irreal e Teoria Monetária Moderna está esfacelando o câmbio e provocando todos esses desastres. A esquerda, que sempre defendeu essa política monetária ultra-keynesina (juros baixinhos, expansão monetária insana e dólar caro), está compreensivelmente quieta. Qualquer crítica seria inocerência.
  • Régis  05/10/2020 23:04
    Até que demorou mais do que eu imaginava, mas a fatura já está chegando. Querem brincar de Teoria Monetária Moderna achando que são o Fed, que imprime a moeda mais demandada do mundo e que, por isso, pode se dar ao luxo de brincar com experimentos heterodoxos.

    Carestia de 25% em 12 meses. Lembro que tinha uns babaquinhas heterodoxos, defensores de keynesianismo, que viviam vindo aqui perguntar "cadê a inflação"?

    Pois é.
  • Ulysses  05/10/2020 23:21
    A atual Selic de 2% está tão bizarra que, pela primeira vez na história, detentores do título Tesouro Selic, que sempre tinha rentabilidade diária positiva, estão há quase três meses no negativo.

    A famosa "reserva de emergência" passou a ter o mesmo risco que ações.

    Explicação: como a Selic está menor que a inflação (juros reais negativos), todo mundo está se desfazendo dos títulos. Logo, eles passaram a ser vendidos com forte deságio. O valor deles caiu. Consequentemente, seus detentores tiveram uma perda de capital.

    Isso nunca aconteceu antes. Coisa de profissional. Esse atual Banco Central é o mais bizarro da história do real.
  • Getúlio M.  05/10/2020 19:15
    Acho que esse artigo veio mesmo a calhar. É difícil pensar que as atuais preocupações ambientais vão desaparecer. Ao invés de vociferar contra os ambientalistas, talvez fosse realmente melhor tentar estabelecer um diálogo razoável sobre as verdadeiras causas da degradação ambiental. A hipótese apresentada pelo prof. Soto, confirmada pelos gráficos, me parece muito plausível.
  • Vladimir  05/10/2020 19:23
    Mas não se trata de vociferar contra ambientalistas ou esquerdistas. O problema é que eles querem a quadratura do círculo: eles querem florestas estatais e bem-cuidadas, e crescimento econômico impulsionado por crédito farto e barato.

    Ou seja, eles acreditam em delírios. Juram que propriedade estatal pode ser muito bem gerida por políticos e burocratas, e acham que crescimento econômico artificialmente criado não gera consequências sobre essas mesmas propriedades estatais.

    Por isso que a solução sempre foi privatização de florestas e abolição do Banco Central. Ambas sempre foram defendidas por este Instituto.
  • Lucas  05/10/2020 19:42
    Uma boa argumentação austríaca até poderia convencer pessoas intelectualmente honestas dessas causas e consequências. Mas não nutram muitas esperanças: a atual Religião Verde não passa de Milenismo disfarçado. E quase todo "ambientalista" é mau caráter, desonesto, invejoso e socialista disfarçado de ecologicamente responsável.
  • Juliano  05/10/2020 22:55
    Vale também ressaltar que o Ministério do Meio Ambiente (e isso é histórico, e não exclusividade do atual), com sua política de "integrar o meio ambiente à produção", protege as indústrias com boas influências políticas e discrimina novos empreendedores ao, por exemplo, legalizar a poluição e desmatamento para as indústrias existentes ao mesmo tempo em que impõe custos proibitivos às novas.

    Hoje, brasileiros prejudicados pela poluição e pelo desmatamento não têm como processar os poluidores, que além de estarem protegidos pelo governo federal, estão atuando sobre uma propriedade estatal, que não é de ninguém.
  • Marcos Rocha  05/10/2020 22:59
    Se a Amazônia e o Pantanal fossem propriedade privada, seus donos cobrariam para que madeireiras e pecuaristas pudessem explorar o terreno. Como visam ao lucro, tal prática garantiria uma constante preservação e reflorestamento das áreas exploradas. 

    Nunca mais se ouviria gritarias sobre o fim da Amazônia e do Pantanal.

    No entanto, querem que o estado cuide dessas áreas e, ao mesmo tempo, desmaiam ao descobrir que o estado é ineficiente no serviço.
  • Greg  05/10/2020 19:16
    EuEu fico imaginando como a China deve ter degradado o clima do próprio país baseado nesse sistema exposto pelo artigo. A impressão naquele país é algo bruto.
  • Régis  05/10/2020 19:23
    Dê uma voltinha por Pequim e tente respirar…

    P.S.: só que os chineses estão começando a ficar espertos. Eles estão terceirizando essas atividades poluidoras. Já estão maciçamente importando essas coisas. Países de primeiro mundo já fazem isso há décadas.
  • Renato  05/10/2020 19:34
    "Eles estão terceirizando essas atividades poluidoras. Já estão maciçamente importando essas coisas. Países de primeiro mundo já fazem isso há décadas."

    Correto. Eu mesmo vivo falando isso. Veja, por exemplo, a questão das mineradoras. Escavar minério é atividade de país atrasado e subdesenvolvido. País rico importa minério, deixando todo esse trabalho árduo para os atrasados.

    A esquerda defende emprego industrial e defende que mineradoras sejam protegidas da concorrência estrangeira, mas acha ruim quando a mineradora faz lambança, estoura barragem, e vaza dejeto e gente morre. Ora, não dá pra ter as duas coisas ao mesmo tempo. Se é contra importação, vai ter de deslocar mão-de-obra para fazer essa atividade primitiva que é escavar minério da terra, plantar soja e milho, e derrubar. Se vai escavar e escoar minério, merdas irão acontecer, rios serão contaminados e pessoas irão morrer. Se vai queimar para criar pasto ou plantar soja, vai destruir ecossistema.

    País rico terceiriza essas atividades para os atrasados e depois simplesmente importa tudo (mantendo assim seu meio ambiente limpo). País pobre coloca gente para escavar minério, derrubar árvores, queimar mata e sujar todo o meio ambiente, e depois exporta os produtos para os ricos em troca de dólares que não terão utilidade nenhuma, pois a importação é restrita. E ainda acha todo esse arranjo lindo e vantajoso.
  • André  05/10/2020 19:36
    Artigo bem didático mesmo. Só complementaria a questão ambiental no seguinte:

    Ao fim do ciclo, as madeireiras e mineradoras etc. irão abandonar a área explorada, por não ter mais capital para cuidar dela, o que é garantia absoluta de degradação ambiental. E aí, com o tempo, se inicia um novo ciclo de expansão do crédito, e então, dada a urgência, força a busca de novas áreas, e o ciclo de degradação também reinicia.

    Por outro lado, em uma economia baseada em poupança real, a exploração de uma área é feita já com vistas a prazos mais longos e o custo ambiental (o de recuperação das áreas) já estará embutido no preço dos produtos explorados, de tal forma que uma única área pode ser reaproveitada inúmeras vezes.

    Abraços.
  • Fabrício  05/10/2020 19:43
    Fora que também existe uma diferença entre um crescimento econômico de livre mercado e um causado por expansões artificiais do crédito.

    Quando uma economia cresce súbita e aceleradamente em decorrência de uma expansão artificial do crédito, tudo ocorre de maneira atabalhoada, gerando um sentimento de "urgência" em todos os empreendimentos. Já em uma economia que cresce harmoniosamente, com poupança, não sofre destes males. Mesmo porque não haveria estes surtos temporários de crescimento seguidos de estagnação e recessão.
  • WMZ  05/10/2020 19:36
    Um economista, que parafraseou Keynes, me disse que os ciclos são causados pelo fator "natureza humana" ,ou seja, que o empresário contrai o crédito artificialmente barato por causa da ganância ou coisa assim

    Por aqui, eu já li que isso não é verdade, que o empresário contrai o crédito artificialmente barato por uma questão de "sobrevivência", afinal, a concorrência pode estar pegando o crédito para expandir

    Ambas teorias podem até fazer lógica mas será que é a realidade?

    Algum empresário daqui pensou assim na era Dilma?

    O que, de fato, aconteceu?
  • Humberto  05/10/2020 19:48
    Não. Você inverteu causa e consequência.

    Quando o crédito se torna fácil e barato, não é que empreendedores se tornam maus prognosticadores.
    O que ocorre é que pessoas comuns e sem tino empreendedorial tentam virar empreendedores.

    Ou, colocando de outra maneira: não é que empreendedores se tornam ruins e passam a fazer coisas erradas. Pessoas ruins e erradas é que se tornam empreendedoras.

    Em um ambiente de moeda sólida e estável, e juros de mercado, só empreende quem tem tino. Já em um ambiente de moeda esculhambada e juros artificialmente manipulados pelo governo, qualquer um vira empreendedor.
  • Gustavo Henrique  05/10/2020 19:39
    Esse governo é uma tragédia completa. Paulo Guedes é patético, só fala e pouco faz. Meirelles que nunca ficou de discursinho ideológico foi muito mais liberal e facilitou muito mais a nossa vida. Ciro Guedes tá correndo atrás do Mantega pra ser o pior ministro da história.

    Isso é importante pra liberais e libertários no geral se afastarem desses reacionários nojentos, esses embustes vão fomentar o crescimento de uma nova esquerda radical (o que é bom pra eles, já que se sustentam da polaridade e não da produtividade).
  • Flávio Ribeiro Gomes  05/10/2020 19:50
    Guedes e Campos Neto são Chicago e estão seguindo à risca as doutrinas de Chicago. Surpresa nenhuma. Apenas quem não conhece este Instituto, que sempre dissecou as teses de Chicago, pode se dizer decepcionado.
  • Imperion  06/10/2020 00:16
    Tá tudo esquematizado. Não é que os chicaguistas também não saibam que tá tudo isso acontecendo. Eles já sabiam antes.

    O povo que é ignorante e não sabe defender sua moeda. Então eles fazem a jogada e já sabem pra onde o mercado vai antes de ocorrer.

    A equipe econômica já sabe pra onde vai quando subir os juros. Eles sabem e vão mudar de posição antes de ocorrer. Pois estão no comando com informações privilegiadas.

    Juros baixos agora pra agradar os endividados. Juros altos amanhã pra agradar os anti-inflacionistas.
  • Carlos Alberto  05/10/2020 19:52
    Mas o "reacionarismo" do atual governo (refiro-me aqui à agenda de costumes) é disparado sua melhor qualidade.
    Já a agenda econômica — principalmente a política monetária — é que é a tragédia e está à esquerda de Ciro Gomes. Tanto é que o próprio nem critica.
  • Gabriel  05/10/2020 20:28
    Uma pena que essa ala "reacionária" esteja desembarcando do governo. Definitivamente é a melhor parte do mesmo.

    Imagine se combinassem o conservadorismo social com o supply-side economics? Seria um governo imbatível, faria até sucessor.

    É realmente lamentável, seja por burrice ou desconhecimento, que não seguiram este caminho. Ninguém vai investir em país que tem moeda lixo, isso é básico.

    P.S.: Já disse aqui, se continuar nessa toada, Bolsonaro será nosso Maurício Macri. Política na América Latina é simples: acabou o dinheiro, acabou o amor. Perguntem ao Collor e a Dilma.
  • Vladimir  05/10/2020 20:43
    Pois é, foi exatamente a agenda de costumes e o "reacionarismo" o que desalojou a esquerda do poder (exatamente como previa esse texto de 1992).

    Pena que os "reacionários" não foram adiante, e preferiram adotar uma política econômica e monetária copiada da Argentina. É isso o que pode trazer a esquerda de volta.
  • Ex-carioca  05/10/2020 20:52
    Chicago ou não, liberal ou não, o fato é que a equipe econômica é extremamente incompetente, ainda mais quando comparada à equipe do Temer.

    O quê houve de pouca destatização já era coisa antiga, discutida e pacificada. Bastava tocar para frente.

    O detalhamento técnico das privatizações, reforma previdenciária, reforma tributária e reforma administrativa e do Estado são patéticos. É de um amadorismo comparado a um estudante de administração de empresas no primeiro ano apresentando o trabalho na sala de aula. Além disso, claramente há uma falta de foco. Ora a importância é a reforma tributária, ora a reforma administrativa. E, quando há uma proposta para isso ou aquilo, nada passa de uma carta de intenções ou um documento mal escrito e às pressas, parecendo roupa remendada.

    A equipe do Temer, por outro lado, tinha muita capacidade técnica e sabia como destravar o Estado Brasileiro, tanto que conseguiram aniquilar os sindicatos. Simplesmente ninguém foi aproveitado, somente o soça do Tarcisio.

    Concordo com vocês que se faz correto se separar desses reacionários imediatamente e felicito o instituto Mises Brasil e seus leitores em manter a postura firme nos princípios da liberdade.

    Espero sinceramente que o Fernando Ulrich tome consciência e pare de parasitar como conselheiro administrativo da casa da moeda. Ganhar dinheiro para "trabalhar" 2x por mês é coisa de político e funcionário público, não de um liberal
  • Eslavo  06/10/2020 01:43
    Fernando Ulrich deveria usar seu tempo livre um pouquinho melhor, e ao invés de fazer vídeos no youtube, distribuir panfletos na própria Casa da Moeda sobre a importância de uma moeda forte. Ao melhor estilo Steve Hanke.

    Já falaram algumas vezes aqui no IMB pra alguém deste Instituto ir atrás do Guedes pra tentar ele ser mais complacente com o Real. Mas o Guedes é o de menos. Quem está pressionando pra zerar a Selic é o Banco Central, não ele especificamente (embora não ligue para o que estão fazendo). Deveriam ir no Banco Central e distribuir esses panfletos.

    Já que está dentro do Estado, o Ulrich precisa se esforçar melhor para fazer alguma coisa útil.

    E reitero o que escreveram acima: moeda forte é o segredo. Temer só entregou isso e segurou o país na beira do abismo.
    Privatizações, impostos, desburocratização são temas que nossos queridos congressistas irão fazer de tudo pra enrolarem o máximo possível, já que querem trocas de favores no lindo jogo da democracia.
  • Trader  06/10/2020 02:41
    "Mas o Guedes é o de menos. Quem está pressionando pra zerar a Selic é o Banco Central, não ele especificamente (embora não ligue para o que estão fazendo). Deveriam ir no Banco Central e distribuir esses panfletos."

    Ao contrário: o Banco Central faz exatamente tudo aquilo que Guedes quer. O Banco Central sofreu captura regulatória (como explicado aqui), perdeu sua autonomia e hoje segue ordens da Fazenda.

    Guedes determinou que é para gastar pouco com os "rentistas", e o BC obedeceu. O BC agora faz política fiscal: ele estipula a Selic visando a gerar o menor gasto possível para a Fazenda em termos de serviço da dívida.

    Hoje, portanto, quem manda no BC é a Fazenda (seria o equivalente a Meirelles aceitando ordens de Guido Mantega). A preocupação atual do BC é exclusivamente com política fiscal.

    Ou seja, esquece. Sem chance.
  • Felipe  06/10/2020 11:08
    Os panfletos teriam que ser distribuídos tanto para membros do governo quanto para o Ministério da Economia, porque eu tenho certeza que deve ter alguém ali que defenda moeda forte e nada pode fazer. Mesmo no Partido Comunista Chinês existe divergências (que obviamente não são reveladas), imagine então dentro do governo Bolsonaro.

    Existe o endereço do Ministério da Economia para mandar correspondência ou encomenda.
  • Guilherme  05/10/2020 23:02
    Praticamente todas as questões relacionadas ao ambiente envolvem conflitos sobre propriedade. 

    Sempre que houver propriedade privada, os proprietários podem resolver estes conflitos por meio da proibição e da punição aos atos de transgressão.  O incentivo para se conservar é uma característica inerente à estrutura de incentivos criada pelo mercado. 

    O mesmo é válido para o incentivo de se preservar todas as coisas de valor.  A responsabilidade pelos danos à propriedade alheia tem de ser arcado pelo indivíduo que causou o estrago. 

    Propriedade comunal do ambiente, como existe hoje, é garantia de ineficiência e de conflitos. 

    Dado que as florestas, por exemplo, não são geridas privadamente, a meta de se conseguir uma administração racional e "verde" sempre será enganosa.  Somente quando uma terra tem dono é que este possui vários incentivos para cuidar muito bem dela. Sua preocupação é com a produtividade de longo prazo.  
    Assim, caso ele decida, por exemplo, arrendá-la para uma madeireira, ele vai permitir a derrubada de um número limitado de árvores, pois não apenas terá de replantar todas as que ceifou, como também terá de deixar um número suficiente para a safra do próximo ano. O mesmo vale para um pasto ou para uma área de plantio.

    Mas ninguém aceita isso. Então, nada feito.
  • Brasileiro empreendedor  05/10/2020 23:40
    Como aumentar a base monetária sem respingar no M1 e M2? E consequentemente não ter inflação?
  • Bernardo  06/10/2020 00:35
    A única maneira realmente comprovada é colocando o BC para pagar juros sobre as reservas em excesso.

    www.mises.org.br/article/2213/ao-contrario-do-que-diz-a-imprensa-o-banco-central-americano-nao-tem-como-elevar-os-juros

    www.mises.org.br/article/2585/afinal-o-fed-ira-elevar-os-juros-sua-decisao-refletira-sua-posicao-em-relacao-a-trump

    Se fizer isso você consegue quebrar a relação direta entre BM e M1.
  • Keanu Reeves  05/10/2020 23:44
    A escassez de alimentos está chegando, Brasil a partir do próximo ano, terá uma hiperinflação (A moeda brasileira é a mais desvalorizada do mundo! www.oincorreto.com/post/a-cadeia-de-suprimentos-foi-quebrada-e-a-escassez-de-alimentos-est%C3%A1-aqui
  • Trader  06/10/2020 00:42
    No Brasil não há este risco (não no curto prazo) porque somos produtores de alimentos (seu link é a tradução de um artigo americano). Aqui, o problema está no fato de que quase toda a produção está sendo exportada por causa do câmbio. Fosse eu produtor rural faria exatamente o mesmo. Prefiro vender para os estrangeiros em troca de moeda forte do que vender para o populacho em troca de uma moeda instável.

    No entanto, basta adotar uma política monetária mais sensata, que a moeda volta a se valorizar e, consequentemente, os produtores voltarão a vender para aqui dentro.
  • Felipe  06/10/2020 01:42
    Bolsonaro não seria estúpido a esse ponto. Ele é ruim, mas ainda não é o Alberto Fernández.
  • Ex-microempresario  06/10/2020 13:56
    Há risco sim. Por exemplo, tem empresa parada por falta de embalagem, e a fábrica de embalagem está parada por falta de plástico.

    Cadeias de abastecimento são muito mais complicadas do que aparentam para o consumidor. Um autônomo que pegou covid pode parar uma fábrica inteira, e até achar outro pode demorar.
  • Imperion  06/10/2020 00:21
    A política dos juros baixos, subsídios e crédito rural farto estimula a especulação imobiliária e as invasões. Ainda mais no sistema de plantation brasileiro. Degrada-se uma área e se invade outra enquanto deixa a primeira descansar.

    Muitos compram terras ao invés de investir na produção, esperando ganhar na especulação imobiliária. E o prejuízo é sanado com o perdão junto ao seu político de estimação.

    Já é de praxe receber dinheiro, esperando o perdão. O dinheiro emprestado é um presentão.

    Então o juro fácil sempre estimulou o "latifúndio" que a esquerda odeia. Mas não quer acabar com o subsídio.
  • Deviannt  06/10/2020 15:15
    Sei que não tem muito a ver, mas queria ver um artigo aqui falando sobre o uso de supercomputadores e Big Data proposto por Cottrell e Cockshott para a resolução do cálculo econômico. Enfim, fica aí como sugestão.
  • Gustavo  06/10/2020 15:31
    Não faria diferença nenhuma. Um "supercomputador" não resolve o problema da alocação de recursos e nem o da produção, pois não resolve o problema da ausência de preços de mercado, que é a característica intrínseca do socialismo.

    Sem preços de mercado livremente formados, simplesmente não há como alocar recursos de maneira racional, sensata e eficiente.

    Dizer que um supercomputador pode substituir a propriedade privada e a livre formação de preços (algo que só é possível no capitalismo) é absolutamente o mesmo que dizer que um comitê centralizado especializado pode substituir a economia de mercado, que era exatamente o argumento dos socialistas.

    Assim, você simplesmente voltou ao problema original do socialismo. Retornou à década de 1930. E o argumento de Mises, de 1920, segue inabalado.

    www.mises.org.br/article/2863/o-grande-problema-do-socialismo-nao-e-a-falta-de-conhecimento-mas-sim-a-incapacidade-de-calcular
  • Régis  06/10/2020 15:38
    Indo um pouco além do argumento da falta de preços:

    1) Dados são informações passadas e apenas isso. Podem auxiliar um investimento, mas não podem fornecer uma inovação, papel esse do empreendedor.

    2) Robôs são apenas automações. Não confunda com o que você vê em filmes. Robôs e computadores só fazem aquilo para o que são programados. Com o avanço da programação, poderão executar tarefas complexas que exigem a leitura de inúmeras variáveis, como conduzir 100% o seu carro ou limpar a sua casa, mas jamais serão capazes de criar o que não existe. O papel do empreendedor nunca será substituído.

    3) O governo pode fazer o papel empreendedor, mas limitado a poucas mentes, sem incentivos para melhorias e com interesses desconexo do consumidor. A economia de mercado fornece uma sociedade de mentes empreendedoras, com incentivos a melhorias e interesses alinhados ao consumidor.

    Por isso, a sociedade de mercado sempre será melhor do que qualquer outra.

    De resto, um supercomputador não vai a abolir a escassez, nem as externalidades advindas dela, nem a preferência variável dos consumidores, que inclusive indicam uma sociedade livre de coerção.

    É impossível um governo, por mais "onisciente" que seja, ter os burocratas e técnicos que tenham todo o conhecimento da população. Mesmo com supercomputadores e internet, ainda assim o conhecimento estaria disperso e não seria possível ser totalmente absorvido por iluminados do estado.


    Curiosidade: isso de supercomputador já foi feito. No Chile de Allende havia um projeto que tentaria implantar exatamente isso: uma economia centralmente planejada por um computador gigante. E tudo em decorrência da tese de que o problema do socialismo pode ser resolvido com a coleta gigantesca de informações.
  • Pensador Puritano  06/10/2020 18:13
    Mercado é a descentralização de decisões na alocação de recursos,ou seja,o quê,quanto,onde e como produzir para atender a demanda instável de consumidores ávidos por novidades(Inovações tecnológicas),enquanto planejamento central é centralização de decisões na alocação de recursos e sua filha bastarda é a burocracia que é lenta,custosa e averso a inovações tecnológicas(A exceção do setor armamentista e exploração espacial,devido ao instinto de sobrevivência do regime socialista contra inimigos externos poderosos,no caso soviético,os Estados Unidos e a Europa(OTAN)).Enfim eu prefiro o sistema descentralizado que é o mercado,basta comparar a qualidade dos serviços prestados pelo setor público(União,estados e municípios,cada um pior do que o outro,com raríssimas exceções e mesmo assim casos isolados,pois no agregado não conseguem entregar o serviço prometido nas campanhas eleitorais,a máfia estatal é uma merda só)e pelo setor privado(Vários fornecedores e os piores sendo eliminados ao falirem,por perderem clientes para a concorrência mais qualificada e não inovarem).Alguma dúvida???
  • Imperion  06/10/2020 19:36
    O cálculo econômico não funciona. Então, quando você coloca no computador, também não funciona. Computadores só processam o que você coloca neles.

    Supercomputadores operados por funcionários da economia só provariam que Mises tinha razão e que o socialismo é destruição de riqueza. Afinal, contabilmente, o socialismo apenas destrói os recursos da sociedade.

    Burocratas se mordem para o dia em que a capacidade computacional for tão forte, pois ficaria provado que o que eles fazem na economia é destruição, na verdade. E os eleitores cobrariam o fim dessas políticas.
  • WMZ  06/10/2020 20:55
    Além de não funcionar, o problema de se ter todas as decisões econômicas dependentes ou nas mãos do governo é que se o governo errar, a grande maioria sairá prejudicada, todo mundo se ferra e é como naquela de "colocar todos os ovos numa só cesta".

    Isso é muito diferente de se ter as decisões descentralizadas pois se um empresário erra, basicamente,só ele e os seus empregados saem prejudicados(há também os envolvidos nas cadeias e os consumidores, mas em menor grau).

    De quem é mais provável vir um erro que pode afetar a todos? De um governo entre um ou de um empresário entre milhões?

    Foi só um insight
  • Ninguém Apenas  07/10/2020 01:28
    No livro sobre o Cálculo Econômico do Barbieri que tá na biblioteca do instituto já tem uma parte dedicada só para refutar essa tentativa frustrada de Cottrell e Cockshott.
  • Leitor Antigo  07/10/2020 01:41
    Excelente lembrança. Aqui está o link para download gratuito:

    conteudo.mises.org.br/ebook-historia-calculo-socialista
  • WMZ  06/10/2020 21:09
    Existe a lei da oferta e da demanda. Por exemplo, quando a demanda aumenta e a oferta está baixa, os preços sobem

    Mas como acontece? Como que o vendedor sabe "que a oferta está baixa e a demanda está alta, então, eu devo aumentar os preços"?

    Eu sei que os custos não determinam os preços, já que é o mercado, mas no meu negócio eu sei que eu devo aumentar os preços quando os custos sobem... mas o cara que vende material para mim, se for seguir o meu raciocínio, também saberá quando os custos dele subirem.. e se o cara que fornece material para o cara que me vende material seguir o meu raciocínio...e assim sucessivamente. Imagino que o fim desse raciocínio termina no mercado financeiro com o governo ditando as taxas de juros e outras coisas macroecomicas
  • Eduardo  06/10/2020 21:32
    Como empreendedor, você sobe preços quando:

    a) sente que a demanda está alta o bastante ao ponto de não ser afetada por esta alta de preços que você pretende fazer;

    b) tem pouca concorrência;

    c) sabe que sua concorrência também irá subir os preços pelo mesmo motivo que você.

    O item (a) é ditado pelo aumento da renda disponível, a qual, por sua vez, é afetada pela variação da oferta monetária.

    Os itens (b) e (c) são determinados pela liberdade de empreendimento.

    É por isso que países que têm moeda estável e liberdade empreendedorial (EUA, Suíça, Alemanha, Cingapura, Hong Kong, Autrália, Nova Zelândia) têm inflação de preços relativamente baixa.
  • Lucas  06/10/2020 21:55
    Como que o vendedor sabe "que a oferta está baixa e a demanda está alta, então, eu devo aumentar os preços"?

    Imagine que você faz coxinhas, pastéis, kibes e outros salgados para vender e você sempre consegue vender tudo, sem dificuldades. Aí, digamos que a quantidade de pessoas que querem comprar os seus produtos aumenta. Você, obviamente, irá aumentar a sua produção - isto é, aumentar a oferta - para que ninguém fique sem poder adquirí-los - isto é, atender a demanda. Mas vamos supor que, por alguma razão, a quantidade de pessoas que querem comprar os seus produtos aumentou tanto que você já não dá mais conta de produzir mais, pois se tornou humanamente impossível. Aí você tem um cenário onde a oferta está baixa em relação à demanda, pois você simplesmente não consegue produzir o suficiente para atender a demanda.

    Nessa situação você poderia se ver obrigado a recusar clientes, por não conseguir atendê-los. Ou então, o que você poder fazer é... aumentar seus preços! Ao aumentar seus preços você consegue adequar a demanda à sua oferta. Um preço mais alto fará com que algumas pessoas desistam de comprar de você, ao mesmo tempo em que outras pessoas não abrirão mão de comprar o seu produto e aceitarão pagar o preço novo. Com isso, você diminuiu a sua demanda para adequá-la à sua oferta. Por um lado, você "perdeu" clientes que não concordaram com o aumento de preços, mas essa "perda" foi compensada por aqueles que realmente gostam do seu produto e aceitaram continuar comprando de você por um preço mais alto.

    O contrário também ocorre. Continuando no exemplo, vamos supor que você adquiriu algum maquinário que facilitou o seu trabalho e permitiu aumentar a sua produção. Isso permitiu que você aumentasse a sua oferta. Com uma oferta maior, agora você ganhou fôlego para atender mais clientes. E, de que forma você poderia aumentar a sua clientela: reduzindo seu preços. Como agora você consegue produzir mais, é possível lucrar mais mesmo praticando um preço menor, com o aumento do volume de vendas.

    Foi uma explicação bem "simplista", reconheço, mas espero que eu tenha conseguido responder à pergunta. Certamente, algum colega poderá responder de maneira bem mais técnica e completa.
  • anônimo  06/10/2020 21:59
    para verificar oferta / demanda basta olhar estoque / prateleiras :

    produtos encostados = oferta alta / demanda baixa , possibilidade de baixar preços

    prateleiras vazias = demanda alta / oferta baixa , possibilidade de aumentar preços

    vale lembrar que estoque = custos , produtos parados = prejuizo
  • Imperion  07/10/2020 01:35
    Quando as coisas estão estáveis, você e seu concorrente baixam os preços para disputar o consumidor.
    Mas quando a inflação tá coçando, você nota que seu concorrente sobe os preços, sem nem se preocupar com você. É porque o preço atual é velho e barato demais, estando defasado. É um sinal clássico.
  • Imperion  07/10/2020 01:39
    Se a oferta cair, ou a demanda subir, você sentirá nos preços. Veja os sinais. Seu fornecedor aumentará os preços. Logo, ocorreu uma das duas. Ou as duas ao mesmo tempo. Esse é o sinal clássico. Depois cabe a você verificar a causa. Ele pode estar tentando te enganar.

    Mas se o governo aumentou a base monetária, vc verificando, tem mais dinheiro circulando. Tendo mais dinheiro circulando, os consumidores estarão aceitando pagar mais pelos produtos. Então realmente foi aumento de demanda. Vai ter aumento de preços e desvalorização da moeda. É provável que seu concorrente aumentará os preços também.

    Pode ser também quebra na oferta. (Exportações em excesso como agora, ou realmente quebra na produção de algo, tudo verificável através de notícias de algum jornal informativo confiável).
  • Felipe  06/10/2020 23:57
    Pessoal, eu vi esse vídeo do Pix e confesso de que achei bastante interessante. O que vocês acham?
  • Guilherme  07/10/2020 01:36
    Sim, é uma ideia excelente e inovadora. A única coisa boa feita por esse Banco Central.
  • Ex-carioca  07/10/2020 16:14
    O BC eliminou a concorrência do WhatsApp(ou qualquer outra empresa estrangeira) porque há um casamento com a Receita Federal em ter visibilidade total de todas as transações financeiras no páis.

    Eliminando a concorrência, seja por regulamento, seja oferecendo "vantagens" ao consumidor como a não cobrança de tarifas, o BC monopoliza as transações financeiras, ajudando a receita federal a monitorar detalhadamente as transações que ocorrem informalmente.

    Profissionais prestadores de serviço, em geral, como advogados, médicos, pedreiros, cabeleleiros, torneiros mecânicos, marceneiros e etc ... vão cair na malha fina da receita federal. Não haverá outra opção senão declarar os ganhos. Como resultado, o preço dos seus serviços serão reajustados para acomodar o pagamento de tributos que antes não ocorria.

    O Estado Brasileiro não serve ao cidadão; ele se serve do cidadão.
  • anônimo  07/10/2020 18:23
    É boa, mas olha o que o Roberto Campos Neto disse
    portaldobitcoin.uol.com.br/demanda-pelo-pix-e-a-mesma-que-gerou-as-criptomoedas-diz-presidente-do-bc-do-brasil/

    "Nós no Banco Central temos importantes entregas para fazer no escopo do BC. A primeira é o PIX, onde queremos ter um sistema que atenda toda essa demanda do mundo moderno, demanda inclusive que gerou as criptomoedas. Um sistema que seja rápido, seguro e barato. E o PIX atende todos esses requisitos".

    Segundo ele, as criptomoedas só existem porque o usuário quer velocidade, segurança..

    De fato, esse são um dos motivos, mas um que ganha corpo a cada dia, e que ele parece estar ignorando, é a inflação gerada pelos bancos centrais..

    Eu mesmo tenho alguns bitcoins e não penso em vender enquanto estiver dependente do Real
  • David Ferreira Diniz  07/10/2020 11:18
    Quem fará a correta definição e defesa da propriedade privada? tomara que não seja o estado.
  • Felipe  07/10/2020 20:24
    "Estudo do BCE descobre sinais de redução da independência do Banco Central"

    Curioso é que, segundo eles, a autonomia do BCB não mudou, ao passo que isso se deteriorou no México e nos Estados Unidos. Só se realmente mudou no México, pois o atual presidente do banco lá veio do antecessor Peña Nieto e que é mais ortodoxo e, até onde eu saiba, o AMLO nunca interferiu nisso, embora o Banxico tenha reduzido os juros por várias vezes (e pretende parar com as reduções, mas no que diferencia isso do Brasil? Será que não mudou mesmo aqui no Brasil? Para mim eu acho que tendo ou não autonomia, o BCB em última instância continua sendo do Ministério da Economia. Talvez a exceção tivesse sido o Meirelles no BCB quando o Mantega já era o ministro da Fazenda. As duas políticas eram antagônicas de certa forma.
  • Felipe  09/10/2020 14:59
    Estamos sendo humilhados também pelos chineses. Além de o governo chinês ainda ter grau de investimento, o valor do dólar por renminbi está nos menores valores desde maio de 2019, ou julho de 2017 ou novembro de 2016... no mínimo são espertos, pois uma moeda fraca poderia colocar em risco o regime deles.

    Depois falam que a moeda chinesa é fraca... que nada, é mais antiga que a brasileira e um dólar não custa ainda sete renminbis. Se o real tivesse a idade do renminbi, já estaria mais de 7 reais para cada dólar faz tempo.

    É por isso que a Sony vai sair do Brasil... claro, é mais barato produzir na China do que aqui, ou mesmo na Coreia do Sul. Os dois países possuem moeda forte e ambiente melhor para investimentos. Não tem como competirmos. E detalhe que o percentual do PIB brasileiro para exportações é bastante baixo, dos menores do mundo.
  • Felipe  09/10/2020 22:40
    Esse mapa mostra o grau de crédito de vários países do mundo pela Standard & Poor. O Brasil está sem grau de investimento desde o fim do governo Dilma.

    China (A+), Botsuana (BBB+), Rússia (BBB-), Indonésia (BBB), Filipinas (BBB+), Índia (BBB-), México (BBB), Peru (BBB+) e Colômbia (BBB-) possuem grau de investimento, mas o Brasil não (BB-). Brasil está, então, mais perto de grau de crédito de países como Grécia (BB-), Paquistão (B -), Ucrânia (B), Turquia (B+), Egito (B), Nigéria (B -) e África do Sul (BB-).

    Quanto pior o grau de crédito, maiores os custos de crédito, já que os juros dos títulos governamentais se refletem nos investimentos também produtivos. Isso é tanto verdade que as taxas de juros de longo prazo no Brasil ([link=l.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.worldgovernmentbonds.com%2Fspread-historical-data%2F%3Ffbclid%3DIwAR22K8GaEi5ZZ7JuKJYj_ciag8O77ftV4JwqRgOtbi3hbvG3qHkRumU8Nf4&h=AT2-a8nK18b0HcvjME8-uCbWb-qu8WiePG1-j3EqDIsAnJWtpsyVVOWXaSQP6X_EG0Dx3PJ0IHJIEuNThod2Z7_HgBgXNredM1eZR06_cdTSw-nEj8nXNrSPkfBEYmx5ed8D&__tn__=-UK-R&c[0]=AT3m9R9lptZcSclu4yUQxzAmVesyfIOwTOYpoSJmfFm1WwORUlkf3ZJHlf-MytwdJIIFo3ZzdHmAfN_S0VaMURiOJkDKKrDbM_1hciMqIr9re2eTqOgStbFFnyu1dPyzP84IFLjizL3GIvquYs0T2fc0OFZ1-yV8BQ]7,68%[/link]) estão maiores do que em todos os países que ainda possuem grau de investimento, inclusive os emergentes.

    Acho que a equipe econômica atual não se ligou para essa realidade.
  • Felipe  10/10/2020 01:12
    Desculpem pela lambança que fiz.
  • Imperion  10/10/2020 13:07
    O país com um déficit tão grande deveria cortar gastos, mas nossos representantes tão é aumentando os gastos, organizando mais assistencialismo, mais subsídios, mais perdão a grupos.

    País que faz tudo na contramão é essa banânia mesmo
  • Felipe  11/10/2020 12:36
    Verdade.
  • anônimo  10/10/2020 22:49
    Tanto a equipe econômica atual quanto a equipe do Temer perceberam isso. E por quê não fizeram nada? Porque estamos em uma democracia.

    Em uma democracia temos ilustres cidadãos como Joesley e Maia Botafogo travando todas as privatizações e reformas quando o país precisava se desafogar do endividamento.

    A real é que Bolsonaro subestimou o sistema. Um sistema surgido ainda na época das capitanias hereditárias e que é o responsável pela mediocridade da America Latina desde então.

    A única coisa que está ao alcance da equipe econômica atual é entregar uma moeda forte e distribuir dinheiro para garantir sua popularidade.

    Faça um favor pra liberdade e queime um cartório hoje mesmo.
  • Felipe  12/10/2020 19:32
    "IPCA de setembro sobe 0,64%"

    "O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro subiu 0,64%, ficando 0,40 ponto percentual (p. p.) acima dos 0,24% de agosto. Esse é o maior resultado para um mês de setembro desde 2003 (0,78%)."

    Aos poucos, as previsões dos economistas austríacos vão se concretizando.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.