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O arroz, o excesso de moeda e os 4 mil anos de controle de preços
Produtores e comerciantes ganham a culpa, enquanto o real culpado ganha um passe livre

Urukagina foi o primeiro reformista da história. Após campanha contra os arbítrios do monarca anterior, foi coroado rei de Lagash, na Suméria, em 2.350 a.C.

Entre outras medidas, Urukagina aboliu o controle de preços. Suas reformas chegaram a nós por meio da escrita cuneiforme esculpida em impressionantes cones de pedra, em uma verdadeira "declaração de direitos" centrada no conceito de "liberdade", ou "amagi", que teve ali seu primeiro registro histórico.

A história econômica é em essência uma narrativa de 4.400 anos consecutivos de fracassos de medidas governamentais como os controles de preço de Lagash.

Um breve histórico

O argumento contra os controles de preços não é meramente um exercício acadêmico, algo restrito aos manuais de economia. Há realmente um histórico de quatro mil anos de catástrofes econômicas causadas pelos controles de preços.  Este histórico está parcialmente documentado em um excelente livro intitulado Forty Centuries of Wage and Price Controls (Quarenta Séculos de Controles de Preços e Salários), de Robert Schuettinger e Eamon Butler, publicado originalmente em 1979.

Todas as citações a seguir foram retiradas do livro, com a preciosa ajuda do professor Thomas DiLorenzo.

Hamurabi, o continuador

Na Babilônia, seiscentos anos depois do evento em Lagash, o Código de Hamurabi, de 282 leis, estabeleceu: tabelas de preços fixos de aluguel de carroças, de armazenamento de grãos, de serviços médicos, aluguel de barcos, e outros. 

O Código de Hamurabi continha uma barafunda de regulamentações e controle de preços, do tipo: "Se um homem contratar um camponês, deverá dar a ele oito gurs (unidade de medida hamurábica) de cereais por ano";  "Se um homem contratar um boiadeiro, deverá dar a ele seis gurs de cereais por ano"; "Se um homem alugar um barco de seis toneladas, deverá pagar um sexto de um shekel de prata por dia por esse aluguel".  

E os decretos não paravam mais.

Tais imposições "sufocaram o progresso econômico no império por vários séculos", como mostram os registros históricos.  Assim que estas leis foram implementadas, "houve um acentuado revés na prosperidade das pessoas"

O comércio declinou continuamente durante o reinado de Hamurabi, após comerciantes e mercadorias escassearem. O tabelamento teve por consequência um castigo não premeditado àqueles que o código pretendia apoiar.

Portanto, nem tudo começou com os gregos. Mas os helênicos não ficaram atrás em termos de controles de preços. 

Sofismas gregos

Durante o período clássico de Atenas, em 400 a.C., fiscais denominados "sitophylakes" impediam preços 'abusivos' dos grãos, em uma antevisão do Código de Defesa do Consumidor.

Lísias, escritor de discursos, em sua peça oratória 22, "Contra os Comerciantes de Grãos", pediu em tribunal ateniense a pena de morte para os comerciantes que acumulassem ou aumentassem preços em tempos de escassez. 

Foi criado "um exército de fiscalizadores nomeados para a função de estabelecer o preço do cereal em um nível que o governo ateniense julgasse justo". Os atenienses chegaram até mesmo a executar fiscais que não logravam êxito no tabelamento.

Esse controle de preços grego inevitavelmente levou à escassez de cereais. Por sorte, vários empreendedores corajosamente conseguiram se esquivar destas leis ignaras e, com isso, salvaram milhares da inanição. Não obstante a imposição de pena de morte para aqueles que desobedecessem às leis de controle de preços, tais leis "eram praticamente impossíveis de serem impingidas".  

A escassez criada pelo controle de preços criou grandes oportunidades de lucro no mercado negro, para a grande sorte do povo grego.

Uma nova praga no Egito

À mesma época, no Egito, "havia uma verdadeira onipresença do estado" na regulação da produção e da distribuição de grãos. "Todos os preços foram congelados por decreto em todos os níveis". Este "controle assumiu proporções assustadoras. Havia um exército de burocratas que inspecionavam diariamente o cumprimento do decreto".

Os agricultores egípcios ficaram tão enfurecidos com esse controle de preços, que vários deles simplesmente abandonaram suas fazendas. Ao final do século, "a economia egípcia havia entrado em colapso, junto com sua estabilidade política".

Roma não caiu em um dia

Até essa altura, as altas de preço eram geralmente pontuais e derivadas dos chamados "choques de oferta", ou quebras de safras. Já no Império Romano, entrou em cena uma novidade: o fenômeno da inflação, ou alta generalizada de preços, que se tornou política pública.

Desde 269 a.C., ainda na República, o templo de Juno Moneta (origem da palavra "moeda") cunhava o "denarius" contendo 100% de prata. Mas, a partir de 64 d.C., os imperadores passaram a recunhá-lo misturando metais mais baratos. 

Faziam-se moedas menores, ou aparavam-se pequenas nervuras das beiradas das moedas de ouro, serrilhando-as, com o objetivo de cobrar impostos, quando entravam nos prédios do governo. Posteriormente, essas aparas eram derretidas para se transformar em mais moedas. 

Obviamente, assim como também fizeram os gregos, os romanos misturavam, às moedas de ouro e prata, metais menos nobres como o cobre. Adicionalmente, inventaram a não tão sutil arte da revalorização, o que significava que cunhavam as mesmas moedas novamente, porém com valor de face superior ao anteriormente gravado.

Nero reduziu o conteúdo de prata para 88% (lucro e inflação instantâneos de 15%). O "denarius" seguiu sendo continuamente depreciado por ligas metálicas até conter apenas 0,5% de prata, em 268 d.C.

Quando Diocleciano subiu ao trono em 284 d.C., a inflação (e a população romana) estava ensandecida: as moedas romanas eram apenas uma placa de estanho folheada a cobre ou a bronze.

Em 301 d.C., Diocleciano lançou seu infame Édito Máximo, que impôs pena de morte a qualquer um que vendesse mercadorias acima dos preços estipulados pelo governo. Além do controle dos preços, os salários também foram congelados. 

Diocleciano "estipulou um teto de preços para carnes, cereais, ovos, roupas e outros bens, e instituiu a pena de morte para qualquer um que vendesse seus artigos a um preço maior do que o estabelecido".  

Diocleciano atribuía a culpa da inflação generalizada à ganância de comerciantes e especuladores. Além de instituir a pena de morte aos vendedores, instituiu também para aqueles que comprassem acima do preço de tabela.

Entretanto, para surpresa de Diocleciano, os preços continuaram subindo. Os comerciantes não podiam vender seus artigos com lucro; assim, fechavam as portas. As pessoas deixavam suas carreiras de escolha em busca de empregos nos quais os salários não fossem fixos ou desistiam e aceitavam a ajuda do governo, uma espécie de seguro-desemprego ou mesmo bolsa família. Sim, foram os romanos que inventaram esse tipo de assistência social. Roma tinha uma população de cerca de 1 milhão de pessoas nesse período, e 200 mil delas, cerca de 20%, recebiam ajuda do governo.

Os resultados foram que "as pessoas simplesmente pararam de colocar seus bens à venda no mercado, dado que elas não mais poderiam obter um preço sensato por eles. Isso aumentou tão acentuadamente a escassez, que, após a morte de várias pessoas, a lei foi finalmente revogada."

No fim, foi a adulteração da moeda e o déficit das contas públicas – despendido para financiar o exército, o funcionalismo público, os programas sociais e a guerra – que derrubaram o Império Romano

Washington e os soldados famintos

Já em épocas mais modernas, foi por muito pouco que o exército revolucionário de George Washington não morreu de fome no campo de batalha graças ao controle de preços sobre alimentos que havia sido instituído pelo governo da Pensilvânia e por outros governos coloniais.  

A Pensilvânia impôs controle de preços especificamente sobre "aquelas mercadorias imprescindíveis para o exército", criando uma desastrosa escassez de tudo que o exército mais necessitava. 

Congresso Continental sabiamente adotou uma resolução anti-controle de preços no dia 4 de junho de 1778, a qual dizia: 

Considerando que já foi descoberto pela experiência que limitações impostas aos preços das mercadorias não apenas são ineficazes para o objetivo proposto, como também são igualmente geradoras de consequências extremamente maléficas, fica resolvida a recomendação aos vários estados para que revoguem ou suspendam todas as leis limitando, regulando ou restringindo o preço de qualquer artigo. 

Ato contínuo, "Já no outono de 1778, o exército já estava suficientemente bem provido como resultado direto dessa mudança de política".

Robespierre conhece a guilhotina

Os políticos franceses repetiram os mesmos erros após sua revolução, instituindo a "Lei de Maximum" em 1793, a qual impôs controle de preços sobre pão, cereais e, depois, sobre uma longa lista de vários outros itens.   

Quando essas medidas se revelaram incapazes de aumentar a oferta de alimentos, o comitê enviou soldados para o interior do país com o intuito de confiscar violentamente os cereais dos perversos agricultores, que estavam "entesourando" tudo.

Previsivelmente, "em algumas cidades francesas, as pessoas estavam tão mal alimentadas, que estavam literalmente caindo pelas ruas por desnutrição".

Uma delegação representando várias províncias escreveu para o governo em Paris que, antes da lei do controle de preços, "nossos mercados estavam bem providos; porém, tão logo congelamos os preços do trigo e do centeio, estes cereais nunca mais foram vistos. Os outros tipos que não estão submetidos ao controle de preços são os únicos que podem ser encontrados à venda".

O governo francês se viu então obrigado a abolir sua maléfica lei de controle de preços após ela ter literalmente dizimado milhares de pessoas.  

Quando Maximiliem Robespierre estava sendo carregado pelas ruas de Paris a caminho de sua execução, a plebe gritava "Lá vai o maldito Maximum!".

Um sermão nazista

Ao final da Segunda Guerra Mundial, os planejadores centrais americanos haviam se tornado ainda mais totalitários em termos de política econômica do que os nazistas derrotados.  

Durante a ocupação americana da Alemanha, no pós-guerra, os "planejadores" americanos se mostraram muito entusiasmados com os controles econômicos impostos pelos nazistas, inclusive o controle de preços. Desnecessário dizer que eram estes controles econômicos que estavam impedindo a recuperação econômica alemã.  

O notório nazista Hermann Goering chegou até mesmo a passar um sermão no correspondente de guerra americano Henry Taylor sobre o assunto. Como relatado no livro de Schuettinger e Butler, Goering disse:

Todas as coisas que a sua América está fazendo no campo econômico estão nos causando vários problemas.  

Vocês estão tentando controlar os preços e os salários das pessoas — ou seja, o trabalho das pessoas. 

Se você faz isso, você inevitavelmente tem de controlar a vida das pessoas. E nenhum país pode fazer isso pela metade.  

Eu tentei e não deu certo. 

Tampouco pode um país fazer isso integralmente, indo até as últimas consequências. Eu tentei isso também e, de novo, não deu certo.  

Vocês não são melhores planejadores do que nós. Eu imaginava que seus economistas haviam lido e estudado o que ocorreu aqui.

Os controles de preços foram finalmente abolidos na Alemanha, em 1948, pelo Ministro da Economia Ludwig Erhard. A abolição ocorreu de uma só vez, em um domingo, quando as autoridades de ocupação americanas estavam ausentes de seus escritórios, incapazes de impedi-lo. Tal revogação produziu o "milagre econômico alemão".  [Veja todos os detalhes do milagre alemão neste artigo].

Modernidades

Nos EUA, controles de preços foram a causa da "crise energética" da década de 1970 e dos apagões na Califórnia na década de 1990 (os preços do setor de geração de energia foram liberados, mas continuam congelados no setor de transmissão e distribuição). 

No Brasil, em 1986, após anos de crescente inflação (monetária e de preços), o presidente Sarney baixou um decreto congelando os preços de todos os bens e serviços da economia brasileira.

Como consequência, carros usados tornaram-se mais caros que carros novos, as carnes desapareceram dos açougues (mas prontamente reapareciam tão logo o comprador ofertasse uma quantia extra por baixo do balcão) e o governo acabou tendo de literalmente prender bois no pasto para impedir suas exportações, que eram bem mais vantajosas. 

Recentemente, Argentina Venezuela nos forneceram os mais atualizados, didáticos e escabrosos exemplos. Na Venezuela, por exemplo, acabou até o papel higiênico.

O nosso arroz e o Banco Central

Em nosso 2020 d.C., o governo ainda não avalizou o tabelamento do arroz, do leite, da laranja e outros alimentos. Porém, muitos seguem acreditando que o comerciante ou o produtor ganancioso é o responsável pelo aumento de preços. 

Não aprenderam a lição de 4.400 anos.

A alta atual dos preços de alimentos é resultado do aumento da moeda injetada na economia pelo Banco Central. Como diziam Milton Friedman, Ludwig von Mises, Roberto Campos e outros, "a inflação é, em todos os tempos e lugares, um fenômeno monetário".

A política monetária frouxa do Banco Central promoveu a alta do dólar: o real tem o pior desempenho entre os principais emergentes neste ano

O dólar caro, por sua vez, contaminou os preços em reais das commodities negociadas no mundo e cotadas em dólares, como o arroz. 

Não houve nenhum "choque de oferta". Não houve nenhuma redução da produção de alimentos. Ao contrário, houve recorde de produção. O que ocorre é que, por causa do câmbio desvalorizado (graças a reduções artificiais da Selic, que está em um nível irreal; nossos juros reais estão negativos e menores que os da Suíça), as exportações de alimentos estão batendo recorde.

E então, como consequência, está havendo desabastecimento no mercado interno. Mas não é um desabastecimento causado por um clássico choque de oferta; é um desabastecimento causado por câmbio artificialmente desvalorizado.

Mesmo com safra recorde, o forte aumento da exportação para a China e também para outros países, majoritariamente em decorrência de uma taxa de câmbio favorável às exportações, está causando essa carestia. 

As exportações do agronegócio estão em níveis recordes — e os produtores estão totalmente corretos em mandar sua produção para fora em troca de moeda forte.

Já os donos de supermercado, que apenas compram dos produtores para revender aos consumidores, nada podem fazer quanto a isso.

O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da oferta monetária (M1). 

m1selic.png

Gráfico 1: linha azul, eixo da direita: M1; linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic cai, expansão da oferta monetária acelera.

Já o gráfico a seguir mostra a evolução da taxa Selic e da taxa de câmbio. 

cambioselic.png

Gráfico 2: linha azul, eixo da direita: taxa de câmbio (reais por dólar); linha vermelha, eixo da esquerda: taxa Selic

Observe que a relação é também quase sempre inversa. Quando a Selic sobe, a expansão a taxa de câmbio cai (ou pára de subir). Quando a Selic cai, a taxa de câmbio sobe.

Para concluir

Ao longo de mais de quatro mil anos, ditadores, déspotas e políticos de todos os naipes viram nos controles de preços uma forma suprema de prometer ao público "alguma coisa em troca de nada".  

Com o gesto de uma mão, uma piscada de olhos e o movimento de uma caneta, eles prometem que irão deixar tudo milagrosamente mais barato. E o povo sempre acredita. 

Por mais de quatro mil anos, os resultados têm sido exatamente os mesmos: escassez e desabastecimento, várias vezes com consequências catastróficas; deterioração da qualidade do produto; proliferação dos mercados negros, em que os preços são maiores do que seriam em um mercado livre e os subornos são desenfreados; destruição da capacidade produtiva daquelas indústrias cujos preços são controlados; distorções grosseiras dos mercados [no Brasil do Plano Cruzado, carro usado era mais caro do que carro novo]; criação de burocracias tirânicas e opressivas para fiscalizar o controle de preços; e uma perigosa concentração de poder político nas mãos destes burocratas controladores de preços.

De resto, tabelar os preços nunca foi a solução: o comerciante tende a deixar de negociar o produto tabelado porque terá prejuízo; então, restringirá a oferta, buscará outros ramos de atuação (de produtos não tabelados), e o consumidor fica com o prato vazio. 

E é isso que os economicamente ignorantes querem criar sempre que pedem ao governo que intervenha nos preços de um determinado setor da economia. 

Mais Urukagina, menos Hamurabi.


autor

Helio Beltrão e Anthony Geller

Helio Betrão é o presidente do Instituto Mises Brasil.

Anthony P. Geller é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Guilherme  16/09/2020 17:37
    Aproveitando a deixa, eis a fresquinha de hoje (atenção: o valor é mensal, e não o acumulado de 12 meses):

    IGP-10 acelera alta para 4,34% em setembro com forte avanço de preços no atacado

    Os preços no atacado medidos pelo IPA-10 tiveram alta de 5,99% no mês, ante uma elevação de 3,38% em agosto, mostra FGV

    "A taxa em 12 meses ficou positiva em 17,03%. A alta no custo dos alimentos ajudou a sustentar a inflação ao consumidor dentro do indicador."
  • Juliano  16/09/2020 17:41
    Quem quer brincar de Teoria Monetária Moderna tem de aceitar descer para o play e enfrentar as consequências.
  • Humberto  16/09/2020 17:49
    Só que, no Brasil, quem impõe a brincadeira é o BC e quem é forçado a descer para o play para apanhar somos nós.
  • Imperion  16/09/2020 18:11
    E o governo insistindo que inflação tá zero . Capaz mesmo.

    E tem gente mandando baixar os juros mais ainda.
  • Trader  16/09/2020 18:33
    Alexandre Schwartsman é um destes. Disse que a Selic tem de cair muito mais hoje. E o cara é simplesmente visto como o ícone da economia ortodoxa no Brasil. Esse é o nível.
  • Alfredo  16/09/2020 17:57
    Essa tabela mostra como a taxa básica de juros está errada no Brasil. Atenção para o diferencial entre a taxa básica e a taxa de 10 anos.

    twitter.com/mweigt/status/1306280520192585729/photo/1
  • Trader  16/09/2020 18:04
    Isso se chama barbeiragem total do BC. A curva de juros empinou enormemente após as reduções exageradas na Selic. Os juros de longo prazo hoje estão maiores do que estavam antes das duas últimas reduções da Selic.

    Quanto mais o BC reduzia a Selic sem fundamentos, mais os agentes econômicos previam maior inflação no futuro (o que, de fato, acabou se concretizando). Consequentemente, os juros de longo prazo subiram.

    Quanto mais se reduzia a Selic, mais pioravam as expectativas para a inflação futura, mais subiam os juros de longo prazo. (E bancos emprestam de acordo com a curva de juros e não de acordo com a Selic.)

    Ou seja, a redução da Selic, na prática, gerou um aperto do crédito ao mesmo tempo em que desvalorizou o câmbio e gerou carestia nos alimentos.

    Coisa de profissional. São as consequências de se ter heterodoxos e keynesianos no Banco Central.
  • Vinícius  16/09/2020 17:59
    O que vocês acham desta ideia que foi postada no 4chan?


    "Cupons de arroz - uma solução para ajudar a alimentar os pobres do mundo

    Olá, / qa /, dê uma olhada nesta ideia que tive.

    Muitas pessoas no Terceiro Mundo sofrem de insegurança alimentar. Muitas vezes, eles têm dinheiro, mas é inútil porque seus governos continuam imprimindo cada vez mais.

    De acordo com a Wikipedia, o arroz é o alimento básico mais popular do mundo. É especialmente popular em países pobres da Ásia, África e América Latina. E se um desses países pobres abolisse sua moeda e passasse a usar cupons de arroz?

    Minha ideia funcionaria assim:
    > cada empresa de arroz imprimiria um conjunto de cupons no valor de 1, 5, 10, 20, 50 e 100 quilos de arroz
    > cada um desses cupons deve corresponder exatamente à quantidade declarada de arroz, nem mais, nem menos
    > o dinheiro seria abolido e as pessoas trocariam por meio dos cupons de arroz
    > por exemplo: uma corrida de táxi do aeroporto ao centro da cidade custaria, digamos, 10 KGR (quilos de arroz)
    > o taxista iria então ao escritório da empresa de arroz e trocaria seus cupons por arroz, para alimentar sua família
    > não haveria autoridade monetária, o número de cupons de arroz impressos na sociedade seria determinado exclusivamente pelos produtores e importadores de arroz
    > não importa como os preços do arroz flutuem, cada família teria seu valor de trabalho armazenado em cupons que iriam, pelo menos, garantir que ela fosse bem alimentada"
  • Vladimir  16/09/2020 18:17
    É uma zoeira das boas. Até curti.

    Aliás, ao contrário do que parece, tal ideia não é mais ridícula do que colocar uma agência estatal com o monopólio de imprimir papeizinhos com fotos de bichinhos (ou de criar dígitos eletrônicos).

    No final, tanto a moeda fiduciária quanto "vouchers de arroz" são exatamente a mesmíssima coisa: meros cupons cuja impressão é livre (o órgão impressor faz o que quer com ambas), e que têm alguma serventia hoje como meio de troca, mas que ninguém em sã consciência seria louco de "acumular visando a aposentadoria".

    Você acumularia "vouchers de arroz" visando à sua aposentadoria daqui a 40 anos? Pois é.
  • Vinícius   16/09/2020 18:36
    Mas, no exemplo, a emissão de vouchers de arroz não estaria limitada pela capacidade de produção do alimento? Já que o órgão impressor seria a própria companhia que distribui o arroz. Então um aumento no número de vouchers significaria que há mais alimento disponível para a sociedade, não?
  • anônimo  16/09/2020 21:18
    "Então um aumento no número de vouchers significaria que há mais alimento disponível para a sociedade, não?"

    não

    arroz se come, depois que ele é consumido o voucher faz o quê ? puff, sumiu, mágica?
    em algum momento vai ter mais papel do que arroz

    superando a bobagem toda, a essência da proposição é basicamente o padrão-ouro (o papel atrelado a algo), leia isto:

    mises.org.br/article/3248/os-recentes-eventos-deixaram-ainda-mais-claro-dinheiro-de-verdade-e-o-ouro-e-voce-empobreceu

    mises.org.br/article/2308/o-atual-arranjo-cambial-tem-menos-de-50-anos--e-decorre-de-um-acidente-artificialmente-criado

  • Imperion  17/09/2020 00:37
    Só se eu for um produtor generoso e doar meu arroz. Faço o voucher, um pra cada saco. E distribuo. Eu controlo e só emito o voucher lastreado no arroz. No caso, eu troco o voucher por arroz lastreado e recolho o voucher de volta ao meu cofre. Se eu não produzir mais arroz, paro a emissão. Destruo o papel.

    Mas o que foi proposto foi só a emissão do papel do voucher a rodo. Aí não da certo. Quanto mais papel, menos arroz pra distribuir.

    Além do mais, a propositura é só acabar com a fome. Quem vai dar o arroz? Vão tomar do produtor? Vai prendê-lo, matá-lo se ele se recusar?

    O problema da fome é fazer quem não produz produzir. Produzindo, terão.
  • Joao  16/09/2020 18:13
    Incrível como todo rentista está descontente com a situação do juros. Se você não quer enfiar seu dinheiro em ativos reais e viver mamando o governo simplesmente jogue seu dinheiro na Argentina, lá a taxa de juros está ao seu favor. A única medida que o governo necessita fazer é desburocratizar ainda mais a exportação e importação de bens de consumo. Retirar essa porcaria de radar e descentralizar a exportação apenas para grandes empresas. O resto o próprio mercado faz naturalmente com o tempo.
  • Trader  16/09/2020 18:26
    Rentista descontente? Tá por fora, hein, cidadão?

    Os juros de longo prazo estão hoje maiores do que estavam no início do ano. O Tesouro IPCA 2045 paga hoje juros maiores do que pagava durante todo o segundo semestre de 2019, quando a Selic era maior.

    E os juros de longo prazo subiram exatamente porque as expectativas inflacionárias futuras aumentaram em decorrência da atual política monetária heterodoxa.

    Vá se informar minimamente antes de falar besteira e se auto-humilhar.

    O que se critica aqui é a destruição do poder de compra da moeda (vide os IGPs e os IPAs, se é que você sabe o que é isso) e as consequências nefastas que isso gera.

    Agora, se você realmente acha que moeda desvalorizada é bom, então tem de explicar por que Argentina e Venezuela não são pujantes.

    Aprenda ao menos o básico (artigo de ainda antes da pandemia, e que previu tudo):

    Aviso ao Ciro Guedes: uma moeda desvalorizada é um ataque direto ao padrão de vida da população
  • Rentista Profissional  16/09/2020 18:34
    Shhh, não fala isso! Vai atrapalhar minha aposentadoria!

    Eu, como rentista profissional, ano passado eu tava puto com o Guedes porque os juros do Tesouro IPCA 2045 tinham desabado. Chegaram a pagar a ridícula taxa de 2,89% ao ano.

    Aquilo não era Brasil.

    Já hoje não. Já tá tudo certo. O Tesouro IPCA 2045 já voltou a pagar quase 4% de juros (o que significa um aumento de 38% sobre os ridículos 2,89% do ano passado).

    Sou muito grato a essa atual política do BC de reduzir Selic estabanadamente. Foi essa lambança que propiciou a volta dos meus juros reais bem brasileiros (e não aquela farsa Suíça do ano passado).

    Tomara que o BC corte mais a Selic hoje, pois quero ver a curva de juros ainda mais empinada. Minha aposentadoria virá mais cedo.
  • Felipe  16/09/2020 18:57
    Felizmente aqui no Mises Brasil esses comentários sem sentido de "atacar rentista" não ganham curtidas.
  • Michel  17/09/2020 22:22
    Taxa de cambio valorizada não favorece nem o setor primario nem a industria.
    O que ha hoje é inflação causada pelo cambio ou correção de preços que estavam estagnados a anos fruto de retenção dos produtos no mercado interno fruto de um real forte?
  • Teló  18/09/2020 01:28
    "Taxa de cambio valorizada não favorece nem o setor primario nem a industria."

    Interessante, pois a prática mostra o oposto.

    É justamente quando o câmbio está se apreciando (de 2005 a 2008, 2010 a 2011), que a indústria fica mais forte. E é justamente quando o câmbio se desvaloriza (2009, e 2012 em diante) que a indústria encolhe.

    Veja todos os gráficos aqui.

    E aqui.

    E a explicação é simples e direta:

    No mundo globalizado em que vivemos, várias indústrias são também grandes importadoras. Para fabricar, com qualidade, seus bens, eles necessitam de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo. Uma mineradora e uma siderúrgica têm de utilizar maquinário de ponta para fazer seus serviços. E elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição. 

    O mesmo vale para a indústria automotiva. Segundo o presidente da GM, a fabricante irá reajustar preços exatamente por causa do aumento nos custos de produção causados pelo dólar mais caro. Novidade nenhuma.

    Vale acrescentar que a fabricante também é prejudicada pela redução da oferta de aço no mercado interno, dado que agora mais aço tende a estar sendo exportado. 

    É claro que nem todos os custos de produção são afetados pela desvalorização da moeda, pois nem todos os componentes utilizados no processo produtivo são importados. No entanto, esse exemplo mostra como a desvalorização da moeda não irá necessariamente ajudar os exportadores no longo prazo.

    Adicionalmente, se os exportadores de um país têm de recorrer continuamente ao mercado internacional para comprar maquinários e peças de reposição, e se os maquinários e as peças de reposição são demandados globalmente pelos exportadores de todos os outros países, então aqueles que tiverem uma moeda forte estarão em grande vantagem, pois poderão comprar tudo mais barato. Seu custo de produção será menor.  

    E isso é algo que tem de ser continuamente enfatizado: uma moeda forte ajuda as indústrias mais competentes. Qualquer indústria exportadora tem também de importar máquinas e bens de capital de qualidade, além de peças de reposição, para produzir seus bens exportáveis (pergunte isso a qualquer mineradora ou siderúrgica). 

    Se isso puder ser feito a um custo baixo (permitido por uma moeda forte), tanto melhor. Uma moeda forte permite que as indústrias comprem bens de capital, máquinas e equipamentos de qualidade a preços baixos.  Isso as deixa mais produtivas, aumenta a qualidade dos seus produtos, e faz com que eles sejam mais demandados lá fora.

    Nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que são altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte.  Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

    Se moeda forte fosse empecilho para a indústria, todos esses países seriam hoje terra arrasada.  No entanto, são nações fortemente exportadoras.  Moeda forte e muita exportação.

    "O que ha hoje é inflação causada pelo cambio ou correção de preços que estavam estagnados a anos fruto de retenção dos produtos no mercado interno fruto de um real forte?"

    Hein? Você está dizendo que mercadorias estocadas e escondidas causavam preços baixos, e que agora mercadorias desovadas estão gerando preços altos?

    Isso é sério?
  • Ex-microempresario  16/09/2020 18:40
    João, vc acha que algum "rentista" brasileiro está com seu dinheiro rendendo a taxa SELIC? Só se for um rentista internado no hospício.

    Os rentistas já levaram seu dinheiro para ouro, euro, dólar e futuros faz tempo.
  • Trader  16/09/2020 20:13
    Rentista que saiu da Selic e foi para o ouro, dólar, euro ou juros futuros ganhou ainda mais do que na Selic da época da Dilma, que garantia 14,25% ao ano.
  • Imperion  17/09/2020 00:34
    Rentista investe nas trapalhadas dos governos e dos políticos.
    Culpe os políticos.
    O (im)posto Ipiranga continua com a politica inflacionária, o rentista analisará e mudará seu investimento.
    O erro é do governo.
    O rentista muda o seu ao sabor do vento.
    Sai ganhando quem sabe melhor mensurar a realidade, não quem fica torcendo que ela seja o seu ideal.
    Rentista esperto ja foi pro ouro.
  • Amante da Lógica  17/09/2020 00:47
    Eu juro que não entendo quem xinga rentista, mas ao mesmo tempo defende gastos do governo. Será que não percebem a total contradição?

    O governo gasta muito com o serviço da dívida porque se endividou muito. E ele se endividou muito porque gastou mais do que arrecadou. E ele gastou mais do que arrecadou exatamente porque adotou as políticas populistas defendidas por esses mesmos demagogos que criticam os gastos com juros.

    A dívida não surgiu do nada. Ela é a simples e inevitável consequência dos gastos. Foi exatamente para gastar mais que o governo se endividou. 

    Defender mais gastos públicos por meio de um estado intervencionista e onipresente — como fazem os demagogos e populistas —, mas xingar as consequências desses gastos (aumento da dívida e das despesas com juros, que são financiadas pelos rentistas) é sintoma de dissonância cognitiva.

    É atitude de quem não compreende nem mesmo o princípio mais elementar da matemática contábil. 

    Só existem pessoas que emprestam para o governo (rentistas) porque nós permitimos que o governo tenha carta branca para gastar mais do que arrecada e se endivide em consequência disso. Caso nós cidadãos exigíssemos que o governo fosse estritamente limitado ao que arrecada, a figura do rentista desapareceria por completo.

    Quanto maior o escopo do governo, quanto maior a variedade de áreas em que ele intervém, quanto maiores e mais diversas as tarefas que os eleitores querem que ele faça, mais irão prosperar os rentistas.

    Logo, criticar rentistas mas não defender uma maciça redução do papel e do escopo do estado é uma total contradição.
  • Carlos Lima  17/09/2020 05:42
    brilhante o comentário do Amante da Lógica. resumido, direto, fácil de entender, ou seja, super didático. aliás, tudo que ele escreve é bom e bem fundamentado. ô cara, não tá na hora de você aparecer com seu nome verdadeiro e enviar artigos pro imb analisar e eventualmente publicar? estou falando sério, sem ironias, sem brincadeiras. comentar sempre, tudo bem, mas nem todo mundo faz como eu e lê todos os comentários, porque mesmo valendo a pena, toma muito tempo, embora na verdade a participação dos leitores muitas vezes até supera o proprio artigo. pois fica a sugestão, viu Amante da Lógica? apareça e nos brinde com alguns artigos brilhantes. os adeptos da escola austríaca ficarão agradecidos.
  • Sadib  17/09/2020 20:49
    Esses idiotas que xingam os "rentistas" querem comer o bolo e depois guarda-lo na geladeira.
    Tenho minhas dúvidas se é ignorância ou é hipocrisia.
  • Businessman  16/09/2020 18:28
    Mas oq deverá acontecer nos próximos 2 a 5 anos? hoje vejo apenas duas saídas.

    Cambio totalmente desvalorizado devido a Selic baixa e dívida em 95-100%.

    Selic mais alta, real mais valorizado, mas em contra partida dívida indo pro espaço (oq naturalmente depreciaria o cambio de igual forma devido ao risco maior de calote).

    Hoje eu vejo a seguinte situação, se correr o bixo pega e se ficar o bixo come.


    O ideal seria subir a Selic e cortar custos do estado, mas convenhamos, vamos falar sobre oq deve acontecer e não o nosso sonho rsrsrs.


    Gostaria de uma posição melhor quanto a isso dos colegas, oq vocês veem como possíveis caminhos que o pais irá/poderá tomar.
  • Alfredo  16/09/2020 18:39
    Mas é bem isso mesmo. Ou o bicho pega ou bicho come. Não tem mais saída fácil e indolor. Foi muita lambança no espaço de um ano. Já era. A correção virá dolorosamente via mercado (aliás, já está vindo), com preços e juros longos subindo (como já está acontecendo).

    Câmbio já fez o estrago. Já está contratado. Agora é só aguentar.


    P.S.: o que deveria ser feito já foi falado aqui e aqui, mas não vai acontecer.
  • Felipe  16/09/2020 19:14
    Soluções:

    (1) Copiar o Equador: dolarizaram a economia e o banco central de lá não faz mais política monetária e nem cambial (os juros flutuam). Logo após isso, fizeram um brutal corte de gastos. A economia conseguiu crescer e se tornar mais produtiva mesmo com instabilidade política e institucional piores do que aqui (e com dez anos de chavismo).
    (2) Copiar o Peru, que é deixar o dólar concorrer com o real.
    (3) Adotar uma Caixa de Conversão ortodoxa, como na Hungria ou em Hong Kong.
    (4) Copiar Cingapura, onde os juros flutuam e o banco central atrela o câmbio à uma cesta das principais moedas do mundo.

    Sem essas soluções acima, não existe nada além de dar pancada nos juros. Ou volta para a realidade de que os juros estão irreais, ou a tendência é de uma forte depreciação contínua da moeda.
  • Régis  16/09/2020 20:11
    Correção do item 3: não é Hungria, mas sim Bulgária.

    Mas também dá pra citar como exemplos Estônia, Letônia e Lituânia, que fizeram Currency Board com o marco alemão. A Estônia de hoje é um sucesso inegável.
  • Felipe  16/09/2020 20:19
    Eu sempre confundo Hungria com Bulgária. Obrigado pela correção. Realmente os países bálticos adotaram Currency Board. Seguiram o conselho do Steve Hanke, se deram bem.

    Parece que nesse ano a Bulgária irá adotar o euro, vamos ver.
  • Ex-microempresario  16/09/2020 22:19
    Tecnicamente todas estas opções são boas.

    Realisticamente, a chance do Brasil adotar qualquer uma delas é a mesma de o Sargento Garcia prender o Zorro.

    Até a possibilidade de seguirmos o caminho da Argentina, com hiperinflação e congelamento, embora pequena, é maior que essas quatro, infelizmente.

    Isso aqui já era.
  • WMZ  16/09/2020 22:53
    Só há uma única solução:

    O Brasil está em ótimas condições financeiras e tem um futuro brilhante pela frente se uma coisa urgente for feita: a auditoria cidadã da dívida pública! Vocês sabiam que os 1,2 trilhões da dívida pública são ilegais? Quem disse foi a renomada internacionalmente Maria Lúcia Fatorelli (Psolista)

    Só precisamos auditar e passar a limpo a dívida pública, que foi inflada para enriquecer banqueiros espertos e seus políticos de estimação

    ACD faz palestra na USP e na OAB, já debateu com o grande filósofo Paulo Ghirardelli (o Aristóteles brasileiro) e acompanhou as injustiças que fizeram contra a pobre Grécia (entre outros países)

    Vindo do PSOL eu já sei que é uma ideia de jerico. É óbvio que "auditoria" é igual a "calote"

    (o investidor vai pensar assim: auditoria? Tô fora! Vou vender os meus papéis... afinal, o conceito de justo ou injusto pode ser qualquer coisa que, no caso, o mais forte irá decidir, ou seja, o Estado... como dizia Stiner: o poder faz o certo)

    O lado bom é que, numa primeira vista, a auditoria irá limitar o poder do Estado, já que ele não poderá mais se endividar com facilidade...mas é só numa primeira vista pois é óbvio que ele irá arrumar uma outra maneira mais dolorosa de destruir a riqueza do povo.

    Outro lado bom é que quem investiu em títulos ganhará muito dinheiro, já que os juros irão disparar...mas é óbvio que o Estado irá arrumar um jeito de espoliar os prudentes poupadores

    Frente a grande ameaça que o PSOL oferece ao Brasil, qual é a opinião de vocês sobre a auditoria cidadã da dívida pública?

    Eu fui no site e os "acadêmicos" são os grandes apoiadores... pode ser uma boa oportunidade para desmoralizar a academia...eu vi que eles atacaram o von Mises com um golpe baixo
  • Reinaldo  17/09/2020 00:42
    De minha parte, sou inteiramente a favor de toda e qualquer auditoria da dívida brasileira. Quanto mais auditoria, melhor.

    Mas tem uma coisa que os seguidores dessa ideia vivem gritando e eu nunca entendi: o que seria uma "dívida ilegal"?

    Estaria ela dizendo que alguém, que não o governo, emitiu dívida em nome do governo?

    Ou estaria ela dizendo que o governo emitiu dívidas para privilegiar nababos?

    Se for a segunda opção (como sei que é), digo apenas: Nossa, que espanto!

    Por acaso a Fatorelli comprova que algum cidadão privado invadiu o Tesouro e emitiu títulos sem que nenhum burocrata, político ou regulador soubesse? Se é isso, estou interessado em saber.

    Se não é isso, então ela está apenas chovendo no molhado: descobriu tardiamente que o estado é uma gangue de ladrões em larga escala que existe apenas para privilegiar quem está dentro da máquina e que vive à custa de quem está fora dela e é obrigado a bancar toda a esbórnia.

    E ainda há otários que defendem governo...

    E complemento:

    Até onde sei — e gostaria que alguém me provasse errado —, quem emite títulos para financiar seus gastos é o governo (ou seja, políticos, burocratas e reguladores) e só. Ninguém mais tem acesso ao Tesouro para, fortuitamente, emitir títulos em benefício próprio.

    E, até onde sei, o governo se endivida exatamente porque gastou mais do que arrecadou. E ele gasta mais do que arrecada exatamente para saciar os exorbitantes salários dos políticos, burocratas e reguladores, além de privilegiar seus empresários favoritos com subsídios e empréstimos subsidiados pelo BNDES (com o nosso dinheiro de impostos).

    Agora, se alguém sabe de algo mais, é bom compartilhar.
  • Imperion  17/09/2020 00:29
    Corte de gastos para zerar o déficit. Zero mesmo.
    Proibir o Congresso de aprovar um orçamento deficitário.
    Subir os juros.
    Meta de inflação: zero por cento.
    Programa de geração de renda (não de redistribuição de renda).
    Fim dos subsídios.
  • anônimo  17/09/2020 14:44
    Acho que não há mais saída além da secessão. Essa ideia de Brasil já deu, não existe unidade nisso aqui, essa federação esdrúxula só existe para sustentar regalias das mesmas famílias das autarquias hereditárias que há séculos se refestelam aqui. Que cada região ou estado comece do zero sua própria história.
  • Edujatahy  17/09/2020 15:25
    Não existe outro caminho. A única chance de melhorar de vida aqui é via secessao. O resto é enxugamento de gelo.
  • Sadib  18/09/2020 00:46
    Secessão, e outras medidas como proibir o Congresso de aprovar um orçamento deficitário seriam o caminho. Porém quem acredita que qualquer medida que diminua o Estado alcançaria?
    Eu não acredito. A casta nunca vai abrir mão do poder por vontade própria.
    Não sei se juridicamente funciona - já que estamos falando de uma autarquia - mas se um presidente liberal (de verdade) fosse eleito, e ao invés de perder tempo passando reformas, simplesmente pudesse fechar o BCB, as contas teriam que ser ajustadas na marra (como na Grécia).
    Como isso só acontecerá nos nossos sonhos, então só nos resta comprar ouro.
  • ale  18/09/2020 13:22
    Concordo contigo, mas a secessão em razão da mentalidade da maioria é impossível de acontecer.
  • anônimo  16/09/2020 18:34
    Gado e seus demagogos estatais, o binômio da alegria. E quando todos esses desincentivos ao trabalho é produção atingiam o ápice, o jeito era colocar o exército para invadir o país vizinho para roubar suas riquezas e trazer escravos para o trabalho forçado nos campos. Acho que o excesso de ócio e regalias desses dirigentes estatais deve causar problemas mentais como delírios e esquizofrenia...
  • Felipe  16/09/2020 19:07
    É realmente cômico esse sermão do piloto Hermann Göring sobre os controles de preços. Aliás os nazistas se afundaram na própria burrice, já que uma economia planejada não se sustenta por muito tempo. Agora estou terminando de ver o documentário "Hitler's Circle of Evil".

    O que eu tinha falado sobre as causas do desabastecimento foi confirmado por esse artigo. Leandro escreveu sobre isso em 2015.

    Falando de inflação de alimentos, tive a curiosidade de comparar o Brasil com os países da América do Sul que adotaram medidas próximas em lockdown (por isso não coloquei o Uruguai). Peguei os dados de julho desse ano, em acumulado dos últimos 12 meses. Dos piores para os melhores. Vamos lá?

    - Venezuela, 2239,9%;
    - Argentina, 46%;
    - Brasil, 7,61%;
    - Colômbia, 5%;
    - Peru, 2,31%;
    - Equador, 1,21%;
    - Bolívia, - 0,14%;
    - Paraguai, - 0,9%;

    Ou seja, o Brasil é o terceiro pior em inflação de alimentos na América do Sul.

    Se os lockdowns causam inflação, por que na Bolívia e no Paraguai houve deflação?

    E decidi comparar também em termos de ouro as moedas da América do Sul:

    - O ouro encareceu 69,95% em relação ao real brasileiro;
    - O ouro encareceu 46,48 em relação ao peso uruguaio;
    - O ouro encareceu 46,06% em relação ao peso colombiano;
    - O ouro encareceu 40,63% em relação ao guarani paraguaio;
    - O ouro encareceu 39,01% em relação ao sol peruano;
    - O ouro encareceu 31,63% em relação ao peso chileno;
    - O ouro encareceu 29,71% em relação ao boliviano;

    Ou seja, o real brasileiro perde para as moedas vizinhas até em termos de ouro. Não existe esses dados para o bolívar soberano nem para o peso argentino, o qual é manipulado graças ao cepo.
  • Vladimir  16/09/2020 20:19
    O peso boliviano é atrelado ao dólar. Como explicado aqui, Evo Morales de bobo não tinha nada. Seu "anti-imperialismo" era só gogó. Na prática, na hora que realmente interessava, copiou Gustavo Franco e atrelou a moeda ao dólar. No que fez ele muito bem.

    O peso chileno me surpreendeu positivamente. Pensava que depois das badernas do ano passado as coisas iriam piorar bem mais.

    Já o sol me surpreendeu negativamente. Esperava um resultado melhor (muito embora a base comparativa seja injusta, pois, ano passado, a moeda não se desvalorizou praticamente nada).

    O Paraguai já foi discutido aqui. O país é muito mais sólido do que imaginam os piadistas.

    A Colômbia está dentro do esperado.

    O Uruguai está até melhor que o esperado.

    Já o Brasil é isso que estamos vendo. aqui, ao contrário dos outros países, a Teoria Monetária Moderna está firme no controle.
  • Felipe  16/09/2020 20:40
    O duro é que o peso boliviano como é pode estar com os dias contados, já que as reservas internacionais estão evaporando. Isso porque o preço internacional do gás natural desabou desde 2014 (exatamente quando o dólar voltou a ficar mundialmente forte), o que fez com que o governo esteja queimando essas reservas para manter o câmbio intacto. Por enquanto nenhum ataque especulativo ocorreu no país, o que é até uma surpresa (até o Equador sofreu na sua época do sucre atrelado).

    E o problema é que câmbio flutuante normalmente é um lixo em países emergentes.
  • Andre - Asunción Paraguay  17/09/2020 03:24
    Governo boliviano prefere argentinizar o acesso a dólares do que desvalorizar sua moeda, naquele país desvalorizar 15% que foi a média emergente pode jogar 40% da população pra passar fome e numa situação dessas nenhum governo pára em pé por lá durante décadas.
  • Martinez  17/09/2020 21:16
    Sobre o Peru, pode haver uma explicação: o país adotou um lockdown severo e hoje é o país que tem o maior número de mortes por milhão do mundo (passou até a Bélgica, que até então era a líder incontestável).

    Destruição econômica (lockdown) com recorde de mortes: nenhuma moeda aguenta.

    Mas, como dizem, isso é Ci-ên-cia.
  • Felipe  17/09/2020 22:04
    Acho difícil que os lockdowns tenham interferido na moeda, a não ser que isso você queira dizer na atividade econômica, já que crescimento econômico tende a valorizar a moeda. Lembrando que prefeitos e governadores não falam mal de dólar fraco para a mídia, não fazem política monetária e nem política cambial. Fosse isso realmente uma regra, o dólar americano teria se deteriorado ainda mais, assim como o euro.

    Detalhe interessante do Peru: a taxa de mortalidade por pneumonia lá é bastante alta. E se as mortes por coronavírus estiverem misturadas com as de pneumonia? Nos EUA o próprio CDC admitiu que grande parte das mortes não foram por causa do coronavírus, e sim apesar do coronavírus. O país está no meio da Cordilheira dos Andes, e então os problemas de respiração se agravam ainda mais.
  • Humberto  18/09/2020 00:51
    Lockdown inevitavelmente afeta a moeda. Com a economia caindo, ocorrem menos transações monetárias. O dinheiro parado em caixa vai para a segurança, como o dólar.

    Fundos de investimento e principalmente tesouraria de grandes bancos têm de apresentar retorno, pois têm metas a bater. Neste cenário, basta o dólar começar a subir que todos vão atrás. E com o BACEN e a Fazendo deixando claro que de fato queriam um dólar caro, temos o trade mais óbvio de todos.
  • Pedro  16/09/2020 21:28
    BC acaba de manter a taxa de juros em 2% ao ano. Pelo visto essa insanidade não vai acabar tão cedo. Protejam suas economias, não mantenham suas poupanças em reais.

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/09/16/bc-copom-juros-selic-16-setembro.htm
  • Fernando  16/09/2020 21:44
    Por falar em controle de preços, hoje o Banco Central manteve o tabelamento dos juros de curto prazo.

    Aliás, o que tem de "liberal" por aí que defende que o BC tabele o preço do crédito…

    Ainda pior são aqueles que juram que BC tabelando o preço do crédito de curto prazo é de fato uma prática liberal e não-intervencionista.
  • Felipe  16/09/2020 22:23
    Pior que eu vi gente falando que a SELIC não é controle de preços, mesmo mostrando os fatos. Realmente é o fim da picada, com gente assim não dá nem para discutir.
  • Floresta  16/09/2020 22:17
    O que acham do Pantanal e da Amazonia sendo queimada por culpa do governo Bolsonaro? AS queimadas e tal
  • Madeira  17/09/2020 00:34
    Queimada tem todo ano em todo lugar. Teve uma forte na Austrália no início deste ano, e está tendo neste exato momento uma violenta e extensa na progressistíssima Califórnia (convenientemente ignorada pela mídia nacional).

    Quer acabar com queimadas? Faça isso:

    www.mises.org.br/article/3059/por-que-proibir-o-brasil-de-explorar-suas-florestas--e-o-exemplo-sueco-
  • Felipe  17/09/2020 03:27
    Aqui no interior do estado de São Paulo também tem. Infelizmente não existe propriedade privada no Brasil e então muitos vão pondo fogo e prejudicando terceiros com a fumaça enorme. Ainda tem gente que faz isso com plantação de cana.

    Incêndio na Califórnia tem todo ano, é normal e é preciso que ocorra as queimadas, porque senão a vegetação não consegue se renovar e as árvores morrem. O problema é que são terrenos estatais e muitas, mas muitas pessoas moram perto e moram em casas de madeira. Os incêndios são piores do que os daqui e fica tudo vermelho, parecendo um inferno. No Brasil muitos incêndios ocorrem em áreas pouco povoadas, como nas regiões de cerrado que ficam ao redor da Amazônia (mesmo porque não vai ter incêndio em uma floresta úmida). Não sei o caso do Pantanal, mas aquela região é um misturado de vários tipos de vegetações, só existindo aqui na América do Sul.

    Óbvio que como agora é o governo Bolsonaro, os ambientalistas e a mídia ficam histéricos. Tratam o Ricardo Salles como se ele fosse vender a Amazônia para os americanos ou fechar o Ibama (pena que não vai acontecer).

    Problema, de novo, de falta de propriedade privada. Governo não consegue nem fazer uma rua nivelada, como que vão monitorar um bioma maior que muitos países?
  • Estado o Defensor do Povo  16/09/2020 23:07
    Mas sem mim, quem vai controlar os preços e garantir o que as empresas não subam o preço pra obter lucros arbitrários?
  • Vinicius  17/09/2020 05:18
    Sim, a alta do dólar é um fator que contribui para a alta do preço dos alimentos. Mas penso que não seja o principal. Os auxílios emergenciais geraram uma tonelada de dinheiro gerado a partir do nada, que foram distribuídos diretamente na camada mais necessitada da população. E quem está na base da pirâmide vai fazer o que com esse dinheiro? Demandar coisas que não dê para deixar para amanhã. Vulgo, comida! Ninguém pode deixar de comer, logo esse dinheiro começa a circular justamente no setor mais demandado. O preço dos outros produtos e serviços que compõe o IPCA permanecem "estáveis" mesmo com a alta do dólar. Já que são produtos e serviços onde as pessoas estão mais dispostas a cortar de seus gastos. Me parece que a alta do dólar não é o principal fator desse surto inflacionário no IGMP.
  • Amante da Lógica  17/09/2020 14:53
    "Sim, a alta do dólar é um fator que contribui para a alta do preço dos alimentos."

    Correto.

    "Mas penso que não seja o principal."

    Alimentos são commodities transacionadas no mercado internacional. E são precificados em dólar.

    Arroz, milho, soja, trigo, laranja, cacau, açúcar, café, aveia (assim como madeira, algodão, borracha, lã etc.) — tudo tem seu preço em dólar determinado internacionalmente na bolsa de mercadorias e futuros, e são transacionado ao redor do mundo de acordo com esse preço.

    Se o preço em dólar do arroz, do milho e da soja se torna atraente para um produtor brasileiro, então ele irá exportar mais. Se a sua moeda nacional, o real, passa a valer muito menos que o dólar, então ele ganha um incentivo ainda maior para exportar.

    Se a saca de arroz custa 12 dólares, e o dólar custa R$ 3, então um exportador irá ganhar 36 reais por saca.

    Mas se o dólar salta para R$ 5,50, então essa mesma saca de arroz custando os mesmos 12 dólares passa a valer R$ 66 para o exportador.

    E aí, ele obviamente vai optar pra mandar mais para fora do que vender para dentro. Eu faria exatamente o mesmo. Você também.

    Como então você pode dizer que o dólar não é o maior fator contribuinte para isso?

    "Os auxílios emergenciais geraram uma tonelada de dinheiro gerado a partir do nada, que foram distribuídos diretamente na camada mais necessitada da população."

    Correto. Vide gráfico 1.

    "E quem está na base da pirâmide vai fazer o que com esse dinheiro? Demandar coisas que não dê para deixar para amanhã. Vulgo, comida! Ninguém pode deixar de comer, logo esse dinheiro começa a circular justamente no setor mais demandado."

    Sim, mas isso, e apenas isso, não explica tudo. Por exemplo, por que o preço das carnes não disparou igualmente? Ou da cerveja? Ou o do papel higiênico? Pobre também adora carne. E cerveja. E papel higiênico. E compra bastante.
    "O preço dos outros produtos e serviços que compõe o IPCA permanecem "estáveis" mesmo com a alta do dólar."

    Eis os preços que contribuíram para a estabilidade do IPCA:

    * passagens aéreas tiveram queda forte (normal, as pessoas ainda não voltaram a voar e muito menos a viajar internacionalmente; ademais, o preço do petróleo teve forte baixa no mercado internacional)

    * mensalidades escolares: dado que vários outros pais simplesmente tiraram os filhos da escola e pararam de pagar mensalidade, várias escolas ofereceram fortes descontos nas mensalidades para evitar que isso continuasse ocorrendo (e também por causa das aulas on line, o que gerou uma forte economia de custos com luz, agua e manutenção das escolas).

    A escola da minha filha de 4 anos, por exemplo, cobrava R$ 650 e agora está cobrando R$ 280.

    * vestuário: ninguém estava saindo de casa para comprar e ninguém ia a shopping. Logo, ninguém comprava roupas (pois você tem de experimentá-las presencialmente para se decidir pela compra). Consequentemente, seus preços.

    * Vários governos estaduais concederam descontos nas contas de luz. Isso teve um grande peso deflacionário no IPCA.

    * O preço da gasolina caiu, tanto pela forte queda no petróleo quando pela brutal redução na demanda (todo mundo em casa, ninguém consumia gasolina).

    Observe que os itens acima, no cenário dado, praticamente independem de oferta monetária. Você pode inflacionar a moeda o tanto que quiser, e isso não alteraria os preços das roupas, da conta de luz, das mensalidades escolares e das passagens aéreas. Não no curto prazo.

    "Me parece que a alta do dólar não é o principal fator desse surto inflacionário no IGMP."

    Dado o que foi exposto a acima, e dado que IGP-M mede maioritariamente atacado, seria bom você apresentar suas teorias, então.
  • Imperion  17/09/2020 21:23
    O governo pratica várias medidas inflacionárias ao mesmo tempo. Você está certo. Uma delas foi a desvalorização da moeda. Já se esperava que o que bateu recorde de exportação subisse mais que o resto, que também vai subir.

    O arroz tá sendo comprado a rodo no mundo. A carne também é importante. Mas ela ja tinha subido desde o fim do ano passado. O pessoal que esqueceu. E se focou no arroz, que só subiu agora.

    Medidas inflacionárias atualmente sendo feitas:

    Déficit de um trilhão ou 11 por cento do PIB, juro negativo, subsídios, aumento do assistencialismo, fundo partidário bilionário, fundo eleitoral bilionário, aumento dos gastos obrigatórios, emissão recorde de moeda pra pagar tudo isso…

    Ia ter inflação mesmo que o dólar não valorizasse e mesmo que não tivesse a Covid.
  • Álesson Vaz  17/09/2020 13:51
    E quais seriam os efeitos de um possível imposto de exportações. Poderiam escrever um artigo que explicasse melhor esse cenário.
  • Álesson Vaz  18/09/2020 16:53
    Não vislumbrei nada aqui nesse artigo, que descrevesse em detalhes os efeitos dos impostos de exportações.
  • Eduardo  18/09/2020 17:10
    Não está no artigo, meu caro. Mas no comentário. O link foi para um comentário, e não para o artigo. Vou transcrever aqui a pergunta e a resposta:

    Pergunta: E que tal se o governo passasse a tributar a exportação do arroz? Isso resolveria o problema?


    Resposta: Tal medida iria apenas reduzir a produção, exatamente o oposto do que se quer.

    Imagine que você é um agricultor. Você está produzindo para mandar pra fora, pois, ao exportar, você ganha dólares, que é uma moeda forte. É muito melhor produzir para vender para estrangeiros ricos que pagam em dólar do que vender para o populacho que paga em reais.

    Se as exportações começarem a ser tributas com o intuito de serem restringidas, você, obviamente, não continuará produzindo o mesmo tanto para agora vender apenas para o populacho em troca de reais. Se você fizer isso, você estará pagando para trabalhar e produzir (você estará produzindo o mesmo tanto, mas ganhando muito menos; na prática, seu custo de produção aumentou).

    Logo, você obviamente irá reduzir sua produção até o ponto em que a redução da oferta aumente os preços e lhe traga uma receita satisfatória.

    Ou seja, trata-se de uma medida que, ao contrário do que se almeja, reduz a oferta de arroz produzido. E isso não é condizente com preços menores.

    Não tem mágica, meu caro. Não tem truques. Não existe soluções simplórias. E muito menos a solução está no autoritarismo (sua media é autoritária, pois advoga a imposição de uma coerção estatal com o intuito de obrigar alguém a fazer algo que ele voluntariamente não quer).

    A solução é uma só e é a mesma que este Instituto repete dia sim, dia também: fortalecer o real; fazer com que o real seja uma moeda tão demandada quanto o dólar. Se o real fosse forte, ninguém pensaria em exportar em vez de vender para o mercado interno.

    Em termos práticos, a solução é abolir de vez essa atual e insana política monetária ultra-heterodoxa e de juros reais negativos menores que os da Suíça, a qual é a responsável por tudo.

    Sem isso, nada feito.
  • rafael isaacs  17/09/2020 15:09
    E o caso do japão que houve varias rodadas de qe, é dito que a base monetaria expandiu 279% desde o inicio e a inflaçao la se manteve baixa. Qual a explicação?
  • Toshiro  17/09/2020 17:20
    É simples: não houve nenhuma explosão da oferta monetária do Japão.

    Eis a evolução da oferta monetária total do Japão. Observe que a taxa de crescimento cai logo após a crise de 1990. Ou seja, ocorreu o exato contrário do que você afirmou.

    tradingeconomics.com/japan/money-supply-m2

    Mais ainda: de 1992 a 2019, a oferta monetária dobrou. Isso significa que taxa média anual de crescimento foi de módicos 2,6%.

    Isso não é absolutamente nada.

    Estranho seria se realmente tivesse ocorrido uma inflação de preços no Japão.


    P.S.:A economia é cheia de empresas e bancos zumbis mantidos pelo governo. Não quebram, mas também não evoluem. A consequência disso é que, ao contrário do senso comum, há muito pouco crédito disponível.
  • rafael isaacs  17/09/2020 22:01
    o grafico no link que mandou nao mostra um aumento do m2?
  • Pablo  18/09/2020 00:46
    Claro, ué, M2 sempre aumenta. Nenhum país do mundo tem oferta monetária estática.

    O ponto é: nêgo diz que o Japão imprimiu moeda até as tampas e que isso deveria ter gerado inflação de preços. Simplesmente mostrei que não só não imprimiu a rodo, como, ao contrário, o ritmo de impressão foi extremamente brando.

    Compare com Argentina, por exemplo:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/argentina-money-supply-m2.png?s=argentinamonsupm2&v=202009172300V20200908&d1=19201013

    Ou até mesmo com o Brasil:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-money-supply-m2.png?s=brazilmonsupm2&v=202009172300V20200908&d1=19950718&d2=20200918
  • rafael isaacs  18/09/2020 21:40
    entao foram so radadas de quantitative easing, o que nao causa inflaçao, nada fora do normal
  • Anarquista Liberal  17/09/2020 15:13
    - Off topic -
    Boa tarde. Ontem a tarde vi um texto num site no qual um professor de história dizia a seguinte pérola:

    "A ditadura promoveu ativamente o silenciamento do debate político sobre o tema: As representações dominantes ora objetificavam as posições subalternas, ora naturalizavam os corpos negros, associando-os falsamente ao crime, ao futebol, ou ao carnaval."

    Gostaria de saber que tipo de afirmação é esta e a quê ela explicitamente diz, e também se ela é uma frase falseável e porquê. Juro que fiquei com uma pulga atrás da orelha ao ouvir isso. A todos, obrigado.
  • Oscar  17/09/2020 17:22
    Ele deve ter retirado a frase de algum filme do Buñuel, que era mestre em fazer coisas sem nenhum sentido lógico.
  • WMZ  18/09/2020 01:47
    (vou puxar assunto dos meus parcos conhecimentos sobre filosofia da linguagem mas acho que serve para iluminar um pouco)

    Parece ser uma afirmação do tipo:

    O número de estrelas que existem no universo é ímpar

    É uma pseudoproposicão

    Conseguimos entender a frase e eu aposto que se eu fosse uma pessoa famosa ou com autoridade, a maioria das pessoas iriam acreditar no que eu disse.

    Mas, obviamente, o que está escrito não tem valor algum já que, por uma dificuldade técnica, é impossível para um ser humano contar o número de estrelas que existem no universo...Mas a maioria das pessoas não pensa assim

    Outro exemplo seria:

    As paredes estão tristes hoje

    Conseguimos compreender e as estruturas sintéticas e gramaticais estão ok mas, é óbvio, a proposição não faz o menor sentido...Por que? E por que do último por que?

    Os cabeças do esquerdismo estudaram as estruturas íntimas da linguagem humana...nem tudo é besteirol e, agora, eles estão empregando aquilo que aprenderam (ou que foram induzidos a fazer por quem aprendeu)... Éééé liberal, você confia na sua lógica hoppeana? Tem esquerdista sabe o porquê da "lógica fazer lógica"
  • Felipe  17/09/2020 16:23
    Para vocês verem como a coisa está feia para o Brasil.

    Era para estarmos com um real tão ou mais forte do que no governo Temer, já que não estourou nenhum escândalo de corrupção dentro do governo federal, há mais membros pró-mercado e em tese é um governo totalmente novo, ao passo que o governo Temer ainda tinha alguns resquícios do governo petista e teve de lidar com coisas como o Joesley Day.

    Esse é o poder que um ministro da Economia possui sobre a moeda.

    Chama o Meirelles e o Goldfajn, Bolsonaro.
  • Rene Kultz  17/09/2020 17:18
    Controle de preços é a política que falha sempre mais tentada na história. É como ver uma casca de banana do outro lado da rua e ir em direção a ela, pensando: "Droga, vou ter que cair de novo...."
  • Gabriel  17/09/2020 17:22
    Parabéns a todos os envolvidos:

    Alta nos preços leva morador de periferia a trocar carne por ovo e pedir cesta básica nas redes sociais

    Segundo ela, antes da Covid-19, era possível fazer uma boa compra no mercado com R$ 200, mas agora está mais complicado.

    "Subiu demais os preços de alimentos, o arroz, feijão, óleo, carnes. Tentamos o máximo economizar, mas é difícil porque as coisas estão bem caras"


    Se o Maurício Macri brasileiro não acordar para vida pode já ir esquecendo de uma possível reeleição. As próximas pesquisas serão um pouquinho diferentes do que nós estamos vendo hoje.

    Na América Latina a regra é clara: acabou o dinheiro, acabou o amor. Pergunte ao Collor e a Dilma. Quem desrespeita essa regra básica da política latino-americana é chutado para fora do governo.

  • Felipe  17/09/2020 18:33
    Verdade. Se não cuidar da moeda, vai para o saco. Bolsonaro precisa trocar a equipe econômica dele por uma ortodoxa. A atual é keynesiana e vai afundar o mandato dele, se continuarem brincando com SELIC negativa e de TMM.
  • Bob Lucas  17/09/2020 19:49
    Você ainda não percebeu que é o Bolsonaro que é Keynesiano? Sempre foi quando era deputado. Só "mudou" recentemente para tentar ganhar as eleições
  • L Fernando  17/09/2020 20:57
    O que me chama a atenção de quem comenta é que parece que esqueceram completamente que houve uma intervenção politica e juridica no Brasil pelo STF que permitiu a governadores e prefeitos decidirem tudo no tipo de ação a ser adotado no combate do virus
    Houver um fechamento geral do comércio e de outro serviços, como consequência disso uma queda brutal de arrecadação, mas compensada pelo tesouro FEDERAL em socorro aos estados e municipios.
    Isso é um fator muito relevante da atual situação
    A desvalorização da moeda pode não ter sido a melhor estratégia, mas a cultura do contra e da desgraça e da roubalheira pela pandemia dever ter efeito mais negativo que Paulo Guedes
  • Bob Lucas  18/09/2020 20:02
    O que isso tem a ver? Quem foi que obrigou o Bolsonaro a aumentar o salário de geneais ativos e aposentados? Quem está obrigando-o a não enviar as provatizações para o congresso? Foi o SFT que demitiu o Salim Mattar? Foi o Congresso que deu um cartão vermelho para o Waldery que quer manter as contas em ordem? São os governadores que estão obrigrando o BC manter os juros artificialmente baixos? 2% no brasil é piada!

    Quem é ortodoxo raiz, não defende esse governo. Ele vai manchar as ideias liberais de um jeito irreparável
  • Bernardo  18/09/2020 20:15
    Essas medidas que ambos citaram nada têm a ver com o tema.

    De resto, todos os ortodoxos raízes famosos defendem a atual política monetária. O maior expoente de todos é Alexandre Schwartsman, que disse que a Selic tinha de cair muito mais. Ele é contra o governo, mas se derrete de amores pelo atual BC. Vá você lá se entender com eles.

    Aqui sempre se pôs o dedo na ferida: o atual BC é comandado por ultra-heterodoxos seguidores da Teoria Monetária Moderna, a qual está à esquerda de Keynes. E os fatos, os dados e as estatísticas foram expostos. É só refutar.
  • Bob Lucas  17/09/2020 19:45
    Não se preocupem a questão da inflação será resolvida com o "patriotismo": o novo populismo verde e amarelo.
  • Felipe  17/09/2020 20:26
    Dólar ficou estável em R$ 5,30 por alguns dias, agora ficando por volta de R$ 5,23. Eu acho que o dólar vai continuar se enfraquecendo mundialmente pelo menos nos próximos meses. Mas será que será uma repetição da deterioração ocorrida no governo Bush?

    Eu não me iludo em achar que, mesmo com o dólar ficando mundialmente fraco, o real vá deixar de ficar mundialmente fraco (está fraco até em relação às moedas dos países vizinhos).
  • Lucas  17/09/2020 22:27
    Eu tenho notado uma certa "reação" do Índice DXY. Desde que começou a cair continuamente a partir do mês de março, o índice parece ter encontrado um suporte na região dos US$ 92,00: quando chega ali, ele sempre acaba subindo. Em compensação, desde o final de julho parece haver uma resistência ao redor dos US$ 93,70. Sempre quando chega ali, inicia uma tendência de baixa. Nesses últimos meses, o DXY segue andando de lado entre esses valores, conforme pode ser visto no gráfico a seguir:

    www.tradingview.com/x/TofvAoDn/

    A propósito, desde o início de setembro o DXY vem se valorizando, tendo apresentado seis dias seguidos de alta. Curiosamente, nesse mesmo período, o dólar perante o real iniciou uma tendência de queda, indo de R$ 5,6057 até os atuais R$ 5,2394. No dia 8 de setembro, essa tendência de queda parecia que iria se reverter, mas, no dia seguinte voltou a cair de novo.

    www.tradingview.com/x/bUcvpqia/

    Interessante observar também que, esta semana, a cotação do dólar rompeu pela primeira vez o suporte da linha de tendência de alta iniciada lá no dia 2 de janeiro:

    www.tradingview.com/x/r7MpAIFh/
  • Régis  18/09/2020 00:48
    O dólar tá doidinho pra cair (como já está caindo no resto do mundo). Nosso adorável BC é que não quer deixar — vide o que ele faz com a oferta monetária e com a Selic.
  • Trader  18/09/2020 17:39
    Esquece. Já voltou para R$ 5,36 hoje. Em apenas um dia, o real devolveu os ganhos que teve nos últimos 11 dias úteis.

    Não tem jeito: enquanto estivermos com TMM e juros reais negativos, o jeito é continuar entupido de ouro.
  • anônimo  18/09/2020 18:52
    Varias porradas hoje, juros futuros subindo
    valor.globo.com/financas/noticia/2020/09/18/juros-futuros-disparam-com-estresse-no-mercado-secundario-de-titulos-publicos.ghtml
    Basicamente, já estão exigindo premio pelo risco de inflação e o risco fiscal

    Creio que vamos ter menos crédito ao setor privado mesmo com a selic a 2%
  • Régis  18/09/2020 19:48
    Até que demorou mais do que eu imaginava, mas a fatura já está chegando. Querem brincar de Teoria Monetária Moderna achando que são o Fed, que imprime a moeda mais demandada do mundo e que, por isso, pode se dar ao luxo de brincar com experimentos heterodoxos.

    Notícia de hoje:

    Inflação ao produtor dispara e IGP-M acelera alta a 4,57% na 2ª prévia de setembro

    Com este resultado, taxa acumulada em 12 meses passou de 12,58% para 18,20%. Índice é utilizado como referência para a correção de contratos como os de aluguel de imóveis.

    Carestia de 18,20% em 12 meses. Lembro que tinha uns babaquinhas heterodoxos, defensores de keynesianismo, que viviam vindo aqui perguntar "cadê a inflação"?

    Pois é.
  • Felipe  19/09/2020 12:50
    Agora está em R$ 5,39. Câmbio flutuante é isso aí gente, em países como o Brasil ele afunda com grande facilidade.

    Se é que nos países vizinhos temos moedas mais sólidas como o peso chileno, guarani paraguaio e sol peruano.
  • anônimo  19/09/2020 18:49
    Para mim, essa alta de R$ 5,23 para R$ 5,39 foi claramente uma correção. No cenário atual, dólar caindo enquanto DXY subia estava totalmente fora da realidade! Agora o preço do dólar voltou para o lugar "certo" - infelizmente.
  • Rafael  18/09/2020 01:00
    Vejam por outro lado: se a moeda estivesse forte, esse cara nunca mais sairia da presidência. Viraria imperador.

    twitter.com/PATRlOTAS/status/1306686856193507328

    Ele é mais popular e carismático do que Lula.

    Lula já é membro da elite chique e delicada. Jair, talvez por seu treinamento militar, não tem frescura com nada.
  • Felipe  18/09/2020 01:13
    Ele é bem a cara do povo brasileiro, por isso foi eleito. Ele parece aquele tiozinho de uma cidade interiorana que tem um jeito descontraído e simpático.
  • Felipe  18/09/2020 01:27
    Pessoal, visto esse tuíte do Fernando Ulrich sobre insumos na indústria, ficou uma dúvida: essa falta foi causada pela desvalorização cambial e/ou lockdowns? Ok, cadeias de produção de alimentos ficaram funcionando e até houve exportação, mas e para os outros setores? O que esperar para próximos meses e anos?

    O índice de commodities está alto, voltando para valores próximos dos de outubro de 2018 e de setembro de 2015. Commodities em dólares, por outro lado, ainda estão muito baratas.
  • Guilherme  18/09/2020 01:34
    Ambos. É só ler os relatos. Uma parte fala que os fornecedores não estão entregando porque não há o produto. Outros falam que não há matéria-prima. Outros falam que até há, mas está caríssima.

    E a maioria fala que os insumos que utilizam são importados e estão a preços proibitivos.

    Agora, acrescente ao câmbio desvalorizado o fato de que as cadeias produtoras nos outros países produtores também foram interrompidas, e você tem aí a tempestade perfeita.

    P.S.: o mais revoltante foi o relato da resina. No Brasil, ela é produzida pela Braskem, que exporta quase tudo (normal, eu também faria o mesmo); só que há uma altíssima tarifa de importação, a qual foi criada pelo governo Dilma exatamente para proteger a empresa da concorrência estrangeira, pois ela foi considerada uma campeã nacional.

    Ou seja, por causa de um arranjo estatal, há apenas um produtor, que exporta quase tudo, e ao mesmo tempo há tarifas de importação que proíbem o povo de importar barato, obrigando-o a comprar apenas da Braskem. Intolerável.
  • Felipe  18/09/2020 02:05
    Interessante mencionar que os preços ao produtor dispararam no Brasil, recorde que não conseguimos no governo Dilma. Foi pior só no governo Lula, logo em 2003 e com o pânico por ele ter sido eleito.

    Comparando esse índice de preços ao produtor com outros países (copiando um comentário antigo meu):

    - Estados Unidos: deflação de preços ao produtor.
    - Equador: deflação de preços ao produtor.
    - México: inflação, mas muito mais civilizada do que no Brasil.
    - Noruega: deflação ainda mais forte.
    - Itália: deflação.
    - Uruguai, que nem lockdown direito impôs: disparou, mas a inflação ao produtor está caindo e a de agosto está menor do que aqui. Provavelmente graças à pancada dos juros feita por eles recentemente.

    No Peru quase não houve carestia.

    Estaria esse fenômeno no Brasil ocorrendo mesmo nesses países que tiveram deflação nos custos de produção?

    No caso sendo esses lockdowns, essa falta de insumos ocorreu logo pouco tempo após os lockdowns de março, ou demorou para aparecer os efeitos? Uma hipótese minha é que a demanda pelos insumos voltou a explodir com a retomada do setor industrial, e então essas cadeias ainda não conseguiram atender.

    Que coisa caótica, se eu já vi gente reclamando para o Bolsonaro sobre a carestia nos supermercados, imagino que já tenha gente da indústria se queixando disso. Ele deveria abolir as tarifas de importação, como ele já fez com o arroz.

    Como ficará essa situação para os próximos meses/anos?

    PS: Essa notícia sintetiza tudo?
  • Gabriel M   18/09/2020 15:42
    Boa tarde. Leandro ou auxiliares, como vocês respondem à crítica de que a desvalorização cambial não se deve (majoritariamente) à política monetária frouxa do BCB, mas sim a outros fatores como CDS, DXY e CRB?
  • Vladimir  18/09/2020 17:10
    DXY desabou e está no mesmo valor do início de 2018, quando o dólar estava a R$ 3,15 (e a SELIC a 6,50%).

    O índice de commodities (CRB) até pesa mais, mas está apenas 12% abaixo de onde estava em meados do ano passado, quando o dólar estava a R$ 3,75.

    Já o risco país é menor hoje (198,2) do que era em 2017 e 2018.

    Qual outra dúvida?
  • Álesson Vaz  18/09/2020 18:06
    Então, o correto seria o governo zerar todos os impostos de importações para bens de capital e tudo o quê aumente a produção. Essa abordagem funcionaria? Pq nesse cenário hipotético haveria um aumento de produtividade e o preço dos produtos diminuiriam.
  • Marcos  18/09/2020 19:57
    Não entendi se você está perguntando, questionando, afirmando ou concluindo.

    No caso do exemplo específico, deve-se fortalecer a moeda e liberar geral (tarifa zero) a importação de todos os alimentos e de todos os insumos de construção civil. Hoje eles são tarifados para impedir que concorram com o produtor nacional.
  • Felipe  20/09/2020 01:24
    Perguntando sobre o caso zimbabuense (de novo, porque ainda fiquei com dúvidas): Mugabe saiu do poder em novembro de 2017 (supostamente por golpe, o que não tenho certeza).

    A inflação de preços acumulada dos últimos 12 meses ficou civilizada, entretanto, até julho de 2018. Depois foi subindo e subindo.

    Se as moedas estrangeiras foram banidas somente em junho de 2019, então como que a inflação voltou a incomodar quando o país ainda podia usar dólares, euros e afins?
  • Felipe  20/09/2020 21:33
    Alguém aqui viu aquele vídeo do Celso Russomano que o Bolsonaro teve coragem de colocar no canal dele no YouTube? Para mim é o fim da picada só de ele dar importância ao Russomano.
  • Estado o Defensor do Povo  23/09/2020 00:03
    Esse aqui certo?

    Me assusta a quantidade de likes, ele teve a proeza de se contradizer no próprio vídeo e ainda assim fazer sucesso, sinal de que o eleitorado brasileiro mal consegue juntar frases.
  • Felipe  23/09/2020 13:21
    Sim, um forte sinal de analfabetismo funcional e econômico.

    Esse cara vai ser eleito por causa do Bolsonaro. Depois aí veremos como será a "gestão" dele na cidade de São Paulo.
  • Estado o Defensor do Povo  23/09/2020 15:28
    Meus pêsames aos paulistanos então.
  • Revoltado  23/09/2020 16:29
    Raphael Lima, em seu canal, refutou cada trecho deste vídeo.
  • Augusto Godinho Cordeiro Ferreira  21/09/2020 12:12
    Eu sou um estudante de economia e tenho como principal e única teoria a qual uso para basear minha perspectiva a da economia austríaca.
    No entanto, também por gostar muito de estatística e trabalhos que utilizam dados, gostaria de entender porque não há um trabalho empiríco feito por economistas da escola austríaca em relação aos ciclos econômicos.
    Por mais que, de acordo com Mises, não seja necessário uma vez que através da lógica já é possível chegar às conclusões essenciais, ainda gostaria de entender porque no século 21 com abundância de dados para se analisar, eu não consigo encontrar um tabalho empírico sobre o assunto. Seria muito interessante, não para provar a teoria, mas para torná-la ainda mais didática e mostrar alguns dados importantes os quais devem ser analisados além daqueles que a economia tradicional utiliza.
    Obrigado!
  • Leitor Antigo  21/09/2020 15:03
    Não entendi exatamente o que você chama de empírico. Neste site mesmo praticamente todos os artigos sobre economia apresentam dados estatísticos para ilustrar a teoria.

    Todos os artigos do Leandro Roque sobre economia brasileira possuem dados e gráficos.

    Agora, se você quer equações matemáticas e regressões econométricas, aí realmente não vai encontrar, pois tais coisas não explicam em nada a ação humana.
  • Felipe  21/09/2020 15:45
    Com a dolarização, como funcionam as exportações e importações no Equador? Os juros flutuam.

    Isso porque, já que lá o sucre não existe mais (além das moedinhas conversíveis), o que acontece quando o dólar desvaloriza ou valoriza pelo índice DXY? Quando o dólar fica caro, as commodities ficam mais baratas. Quando o dólar fica fraco, as commodities ficam mais caras. Essas flutuações são então como se fosse um câmbio flutuante de um país civilizado, influenciando nas exportações e importações?

    Vale lembrar de que o Equador é uma economia extremamente dependente de commodities. Desde a dolarização, a produção de petróleo só subiu, deixando a Venezuela bastante para trás, apesar de o setor de petróleo equatoriano ser dominado pela estatal Empresa Pública de Hidrocarburos del Ecuador.
  • Sadib  23/09/2020 19:18
    www.infomoney.com.br/colunistas/alexandre-schwartsman/no-colchao/

    "Confesso que não sou muito fã de agregados monetários (base, M1, M2, etc.) e, para ser absolutamente sincero, nem costumo segui-los. Num mundo em que o instrumento de política monetária é (tipicamente) a taxa básica de juros, como a Selic, ou a Fed Funds, os agregados têm pouco a dizer sobre a postura dos Bancos Centrais."

    Dói ler esse cara..

    Enquanto isso no mundo real (o que já era previsto a meses aqui):

    valor.globo.com/empresas/noticia/2020/09/23/industria-sobe-precos-de-itens-de-consumo.ghtml

    "Redes de supermercados estão recebendo novas tabelas de preços mais salgados, de alimentos industrializados, bebidas, produtos de higiene, limpeza e têxteis. Os fabricantes alegam pressão de custos, devido a insumos mais caros e escassos. O ritmo de entregas dos pedidos diminuiu - a indústria não consegue entregar o volume encomendado por varejistas e atacadistas."

    Salve-se quem puder!
  • Lucas  24/09/2020 19:52
    Presidente do BC manifesta tranquilidade com relação à inflação

    A projeção do BC é que a inflação termine este ano em 2,1%. Para 2021, as projeções estão em torno de 3%.

    Se a estimativa se confirmar, a inflação em 2020 ficará abaixo da meta que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,5% e o superior, 5,5%.

    Para Campos Neto, os preços dos alimentos em alta recente tendem a se estabilizar e a inflação deve ficar sob controle. "O Banco Central tem situação de absoluta tranquilidade em relação à inflação. Existem efeitos provenientes das subidas de preços de commodities e o efeito do pagamento do auxílio emergencial. Também mostramos relação do IPA [Índice de Preços ao Produtor Amplo] e do IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] e possível contaminação. A mensagem geral é que estamos tranquilos e entendemos que existia uma pressão em 2020, mas não entendemos que esses reajustes recentes vão contaminar as inflações futuras", disse Campos Neto.
  • Felipe  24/09/2020 20:35
    Realmente ele está em outra dimensão. Dá ou não dá saudades do Meirelles e seu discurso falando de que a moeda é patrimônio nacional?
  • Felipe  24/09/2020 23:08
    Alguém aqui já pensou em fazer um histórico sobre os preços do xerox e dos clipes de papel de 07/1994 até os dias de hoje, e comparar com os preços de outras coisas?
  • Felipe  25/09/2020 01:29
    Alguém sabe por que a inflação uruguaia disparou após 2018? Só agora que ela está arrefecendo, com a pancada nos juros feita recentemente pelo banco central local. Antes do Mujica, estava com a inflação ainda pior.
  • Andre - Asunción Paraguay  25/09/2020 02:21
    O Uruguay é um país com histórico de alta inflação, provavelmente influência dos argentinos, mas o governo por lá sempre esteve em déficit e pouco afeito a cortar gastos, o que o salva é o respeito aos direitos de propriedade e facilidade para fazer negócios, pois do contrário o pequeno país já teria desaparecido.

    O atual governo do LAcalle Pol é um evento histórico por lá, pois é um liberal de verdade com uma maioria legislativa também liberal que receberam um país em razoável ordem econômica, competitivo e que antes da pandemia estava por reformar o estado uruguayo para acabar com essas insistentes revisitas à inflação.
  • Felipe  26/09/2020 19:28
    Hoje visitei uma loja de aquários nova aqui da cidade. Faz anos que eu não fazia isso. O que me chamou atenção é o quão caro ficaram algumas coisas. Um aquário de 40 litros não sai por menos de R$ 130. Em 2012 eu comprei o meu por algo como uns R$ 80 ou R$ 90, se não me engano. Nesses 8 anos, foi um IPCA acumulado de uns 52%. A alta nos materiais de construção deve ter influenciado nos preços dos vidros. Uma mangueira de silicone que eu pagava R$ 2 o metro, agora está em R$ 6.

    Interessante é que os animais vendidos para aquários sofreram menos com aumentos, principalmente os peixes ornamentais que sofreram massificação na produção como Betta splendens, Poecilia reticulata, Poecilia sphenops, etc. Por que será? Ração para peixe também usa commodities (embora as rações para peixes tenham isenção do Ministério da Agricultura) e os testes de aquário usam também química (não sei se seria química fina, mas é química).

    Não está fácil o Brasil não, estamos revivendo a era da Dilma. Talvez o único setor que não esteja sofrendo com carestia seja o de clipes de papel e de impressões de xerox.
  • anônimo  26/09/2020 23:38
    Governo formado por ineptos destruindo o valor do Real e tendo consequência carestia dos produtos! Até quando aguentar tudo isso?
  • Lucas  27/09/2020 00:38
    Por muito tempo. Direita, esquerda e mídia são unânimes em apoiar a atual política monetária. Nunca se viu isso antes. Se duvida, tenta encontrar um mísero artigo de esquerda criticando a atual política monetária do Banco Central. Não encontrará nenhum.

    Aqui mesmo neste site, o que tem de leitor keynesiano que defende a atual política monetária (xingando artigos que a criticam) é surreal….
  • Felipe  28/09/2020 00:04
    Ih rapaz, o tempo todo eu sou atacado em um grupo de Economia no qual sou moderador, por falar sobre essa realidade. Ou eu simplesmente não leio nenhum comentário ou simplesmente dou mute ou ban, dependendo do caso.

    Como é que vou discutir com uma pessoa que confunde IPCA com índice de preços ao produtor?
  • Felipe  27/09/2020 15:01
    Eis o ranking da taxa de juros de longo prazo de alguns países:

    - Brasil: 7,07%;
    - Indonésia: 7,01%;
    - Bangladesh: 6,7%;
    - Rússia: 6,28%;
    - Índia: 6,03%;
    - México: 5,83%;
    - Colômbia: 5,14%;
    - Jordânia: 4,68%;
    - Peru: 4,26%;
    - Botsuana: 3,63%;
    - China: 3,15%;
    - Filipinas: 3,09% (detalhe que o grau de crédito de lá está bastante bom);


    Se os juros reais (pela SELIC) brasileiros estão tão baixos, então como que a taxa de juros de longo prazo está ainda alta? Simples: quanto mais reduziam a SELIC, maior ficava a expectativa de inflação futura. Baseado nisso os juros de longo prazo no Brasil permaneceram altos. E é baseado nesses juros que investimentos produtivos são feitos, não na SELIC.

    Isso é tanto verdade que os juros de longo prazo no Brasil estão em 7,07%, com SELIC a 2%. No Peru, com sua "SELIC" a 0,25%, os juros de longo prazo estão em 4,26%.

    E aí, será que agora teremos 3 trilhões de fintechs brasileiras com isso?
  • Felipe  28/09/2020 12:58
    Esse gráfico histórico do preço do ouro em relação ao real resume o motivo de o Lula e o FHC terem sido reeleitos, assim como o relativo sucesso do mandato do Temer até o começo de 2018.


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