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As consequências não-premeditadas de uma política de tributação de grandes fortunas
Os maiores prejudicados serão exatamente aqueles a quem se quer ajudar

Muita gente gostaria de viver em um mundo no qual cada um contribui de acordo com sua capacidade, e recebe de acordo com a sua necessidade. 

Essa frase foi criada e popularizada por Karl Marx, e o desejo de redistribuição de renda nela contido continua sendo defendido por pessoas que não conhecem sua origem e nem mesmo se consideram marxistas.

Nesse mundo, todas as pessoas teriam acesso irrestrito a educação, saúde, transporte, segurança e outros serviços, todos produzidos e ofertados "gratuitamente" pelo estado. E caberia aos ricos, que têm maior capacidade contributiva, fornecer os recursos para bancar tudo: construir as escolas, os hospitais, os ônibus, as viaturas policiais, os salários desses profissionais e tudo o mais que fosse necessário para a prestação destes serviços.

Esse mundo nunca existiu e nunca existirá em lugar algum. Por quê?

Existem dois motivos principais. 

O primeiro, que é um motivo político (e que não será desenvolvido neste artigo), é que os políticos, como quaisquer outros seres humanos, agem por interesse próprio. A partir do momento em que cabe a eles tirarem de alguns e dar para outros, eles utilizarão esse poder para ajudar quem melhor puder lhe retribuir: os mais ricos. O pobre nunca terá o mesmo poder de persuasão política que tem o rico.

No entanto, para esse artigo, vamos desenvolver o segundo motivo, o motivo econômico por que não é possível criar um mundo baseado na redistribuição de renda dos ricos para os pobres através de serviços públicos.

O motivo econômico

As pessoas frequentemente confundem "fazer o pagamento de um imposto" com "sofrer o ônus do imposto. 

Quando alguém diz que quer que os ricos financiem o estado, o que essa pessoa quer na verdade é que os ricos deixem de consumir algo em benefício próprio para que os recursos poupados nesta renúncia possam ser gastos na prestação de serviços para os pobres. 

Já que o pobre não abriu mão de qualquer consumo, e ainda recebeu serviços públicos, ele claramente saiu ganhando. Essa é a teoria.

Mas o pagamento e o ônus do imposto não são a mesma coisa. Normalmente, quem paga o imposto não é quem sofre a perda. E não é possível limitar o ônus do imposto somente sobre quem ele incide (veja também aqui).

Eis um exemplo hipotético para ilustrar. 

Suponhamos que o governo federal comece a cobrar o Imposto sobre Grandes Fortunas, previsto na Constituição (no momento, há nada menos que quatro projetos de lei sobre isso no Senado). Somente os ricos terão de pagar este imposto. 

Uma vez implantado esse imposto, José, um homem muito rico, terá agora de pagar R$ 1 milhão a mais em impostos já no primeiro ano da vigência desse novo imposto. Seu patrimônio declarado à Receita Federal fez com que, segundo os auditores, ele tenha de pagar essa quantia adicional de R$ 1 milhão em decorrência desta sua riqueza declarada.

E aí começam as consequências não-premeditadas.

José, o empresário

No mundo real, o patrimônio dos milionários não está majoritariamente na forma de dinheiro parado no banco, mas sim na posse de imóveis, fábricas, instalações industriais, bens de capital, caminhões, tratores, maquinários em geral e ações. 

Obviamente, é impossível confiscar uma fatia desses bens e repassá-los para os mais necessitados. 

Portanto, um imposto sobre grandes fortunas (que incide sobre o patrimônio declarado) terá necessariamente de ser pago com a redução do consumo presente destes milionários. Esta, aliás, sempre foi a intenção declarada dos defensores deste imposto: os ricos devem gastar menos com supérfluos e bens de luxo e pagar mais impostos.

Dado que o imposto está incidindo sobre um estoque (seu patrimônio), José terá de reduzir o seu consumo, presente ou futuro, para pagar o imposto. 

Mas apenas isso não basta. O segredo da análise econômica está em entender o que José precisará fazer para pagar esse novo imposto.

Suporemos inicialmente que José seja um rico empresário, e a maior parte de seu patrimônio está investido em sua empresa. Assim, ele precisará tirar R$ 1 milhão de sua empresa para entregar esse dinheiro ao governo federal. Como alguém tira dinheiro de sua empresa?

Ele tem basicamente três escolhas: ele pode conseguir esse dinheiro (a) reduzindo sua folha de pagamento ao longo do ano, (b) reduzindo os investimentos (compras de matéria-prima, de bens de capital ou ampliação da capacidade produtiva), ou (c) vendendo equipamentos e bens de capital em geral. 

Todas essas três ações, e somente elas, farão com que ele consiga transformar parte de sua empresa em um milhão de reais em dinheiro para entregar ao governo.

No entanto, perceba o óbvio: 

a) reduzir folha de pagamento significa reduzir salários ou demitir trabalhadores;

b) reduzir investimentos (compras de matéria prima, de bens de capital ou ampliação da capacidade produtiva) acarreta na redução das receitas e da produção de seus fornecedores, que por isso terão de demitir funcionários que se tornarão ociosos; 

c) vender equipamentos e bens de capital também não apenas  afeta a capacidade produtiva da empresa de José (e consequentemente sua capacidade de auferir mais receitas), como também diminui a produção das empresas que produzem esses materiais, causando ainda mais demissões. (Ao colocar maquinário à venda no mercado, ele está criando concorrência para o produtor desse capital. Alguns compradores comprarão de José, reduzindo as vendas do produtor.)

José provavelmente optará por levantar dinheiro usando um pouco de cada uma dessas três saídas. Mas é importante perceber como, independentemente do que ele decida fazer, ele está causando desemprego ou redução de salários na economia para conseguir pagar o imposto.

Essa é uma das consequências não-premeditadas de uma intervenção estatal na economia. Ao gerar atitudes que não ocorreriam voluntariamente em um livre mercado, toda a cadeia de produção econômica sofre uma perturbação.

Mas não é só isso. 

Se agora há menos trabalhadores produzindo com menos capital a partir de menos matéria-prima, há também menos produto final dessa empresa no mercado. Ou seja, há uma redução na oferta do produto que essa empresa produz. Sempre que a oferta cai, o preço sobe. Preço mais alto retira o produto do alcance de quem? Dos mais pobres.

E, no ano seguinte, tem mais imposto para pagar, reiniciando todo esse processo. 

É claro que o José do nosso exemplo é apenas uma representação de todos os ricos empresários do país. As escolhas que ele tem são as mesmas de qualquer outro rico empresário que precisará pagar o imposto. 

É fácil, portanto, antever o que acontecerá com os pobres dessa economia em decorrência do novo imposto pago pelos ricos empresários para uma redistribuição de renda na economia.

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 Redistribuindo a renda de um rico empresário. Elaboração: Economista Visual.

Mas e se José não for empresário?

José, o investidor

José talvez não tenha empresa alguma. Ele talvez seja rico porque deixa muito dinheiro rendendo no banco (ele é aquilo que se convencionou rotular de "rentista"). 

Sendo assim, tudo o que ele precisa fazer é sacar R$ 1 milhão de suas aplicações e entregar ao governo. Fazendo isso, ele conseguirá pagar o imposto sem afetar os mais pobres da economia. 

Certo?

Errado.

Mais uma vez, é necessário entender onde estava o dinheiro. O banco não remunera a aplicação de José por bondade, mas porque empresta o dinheiro que recebe de José para outra pessoa que quer tomar dinheiro emprestado a juros. 

Ao passo que pequenos volumes de dinheiro podem ser emprestados para realizar a viagem dos sonhos, adiantar a compra do carro novo, a compra de eletrodomésticos ou coisa parecida, grandes volumes de empréstimos só são tomados pelos bancos para serem investidos em empreendimentos lucrativos: emprestar para empreendedores que irão adquirir máquinas e outros bens de capital, contratar mão-de-obra, comprar matéria prima e produzir alguma coisa que será vendida aos consumidores com lucro. 

Quando José resgata R$ 1 milhão de suas aplicações, o banco só consegue pagá-lo se diminuir a sua carteira de empréstimos no mesmo valor.

Então, da mesma forma que vimos acima, esse R$ 1 milhão sairá de empresas que precisarão reduzir o seu tamanho, causando desemprego e queda na produção. Só assim o banco consegue devolver a José o seu investimento, e só assim José consegue pagar o imposto ao governo.

Esse caso é muito parecido com o anterior. A maior diferença é que José não é empresário por meio de sua própria empresa, mas sim por meio do banco, que encontra empreendedores e empresas nos quais investir o dinheiro de José. Mas quando José precisa do dinheiro para entregar ao governo, o efeito na economia é exatamente o mesmo.

(O mesmíssimo efeito acima ocorreria de José tivesse de sacar dinheiro de fundos de investimento.)

Existe ainda a hipótese de José ter seus investimentos, através de uma instituição financeira ou não, aplicados em títulos públicos. Se ele resgatar este investimento, não provocará o efeito que vimos no setor privado. Mas o Tesouro está pagando o resgate do investimento de um lado (devolvendo o dinheiro emprestado por José), e recebendo o imposto de igual valor do outro. No final, o Tesouro não recebeu nada e portanto não terá dinheiro para prestar os serviços públicos que motivaram a criação do imposto. Por esse motivo (e para simplificar a nossa análise), ignoremos essa hipótese para qualquer efeito de redistribuição de renda.

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 Redistribuindo a renda de um rico investidor. Elaboração: Economista Visual.

Efeitos da redistribuição de renda

Então, no fim das contas, ao retirar esse dinheiro do setor privado, estamos necessariamente, de uma forma ou de outra, criando ônus não somente para a pessoa que faz o pagamento do imposto, mas para todas as pessoas empregadas com esse dinheiro ou que consomem seu produto final. 

E isso vale para qualquer imposto, já que todos eles são uma transferência de recursos do setor produtivo para o setor estatal.

Com uma economia tão interligada como a nossa, e com uma carga tributária de mais de 30% do PIB há anos, e sendo o quarto país que mais tributa empresas no mundo, importa muito pouco quais são os impostos e quem está sendo cobrado. Todos estamos abrindo mão de consumo. 

Os mais ricos ainda conseguem viver sua vida com conforto, afinal têm mais recursos desde o início. Mas o cobertor do pobre é muito curto, e qualquer redução em seu consumo tira comida da sua mesa.

Além de tudo, a fuga

O fato de que não é possível limitar o ônus do imposto a quem realiza o seu pagamento já deveria ser contundente o suficiente para causar reflexão até mesmo no mais árduo defensor de políticas de redistribuição de renda. 

Mas ainda há uma segunda carta econômica na manga para os que ainda não se convenceram: os ricos não são tolos; eles não irão sustentar os pesados gastos públicos da sociedade.

Na prática, eles contratarão advogados para ajudá-los a ocultar sua riqueza do governo. Se isso não der certo, eles se mudarão para outro país. Se forem proibidos de sair do país, então, já que é para viver como pobres, preferirão trabalhar em empregos de baixa qualificação e responsabilidade sem gerar riqueza tributável. E se forem obrigados a permanecer em trabalhos de alta qualificação e geração de riqueza, serão improdutivos como escravos.

Em qualquer um destes cenários, estamos matando a galinha dos ovos de ouro. Em nenhum deles a renda dos ricos será capaz de financiar os serviços públicos. 

De acordo com o Banco Mundial, a renda dos 10% mais ricos no Brasil representa 41,9% da renda total. Pode parecer muito, mas mesmo que trocássemos todos os tributos atuais por um imposto de 75% sobre essa renda, esse imposto não seria nem mesmo capaz de recompor a nossa carga tributária atual de 32,43%.

E tudo isso sob a hipótese bastante questionável de que os 10% ricos continuariam gerando a mesma renda que geram hoje, mesmo que só ficassem com 25% dela para si. E isso — reforçando — para manter a carga tributária atual, e portanto o nível de gastos públicos atuais. 

O volume de dinheiro necessário para que os serviços públicos sejam prestados com qualidade (que era todo o objetivo dessa mudança) é muito superior — é até difícil imaginar quanto dinheiro seria necessário para isso.

Então tributar os ricos não tem como gerar recursos suficientes para bancar os gastos de saúde, educação, e segurança para toda a população.

(Confira aqui a fracassada tentativa do governo francês de elevar impostos sobre os mais, o que gerou uma grande debandada do país, e obrigou o governo a revogar o aumento dois anos após implantado).

Conclusão

Em nenhum país ocidental os ricos arcam exclusivamente com os impostos. Não há, em nenhuma sociedade, um número grande o bastante de ricos que possam custear sozinhos os gigantescos gastos efetuados pelos estados assistencialistas ocidentais. E é ingenuidade crer que as pessoas mais ricas irão simplesmente quedar inertes e aceitar pagar alíquotas mais altas.

E, mesmo que fosse possível extrair um volume de recursos dos ricos suficiente para bancar todos os serviços sociais, os pobres também seriam atingidos via desemprego e redução no consumo.  

Vale repetir o que já foi dito: uma intervenção estatal na economia gera atitudes que não ocorreriam voluntariamente em um livre mercado. Assim, toda a cadeia de produção econômica sofre uma perturbação, o que gera várias consequências não-premeditadas.

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Leia também:

A maneira correta e mais eficaz de espoliar os ricos

Quatro consequências inesperadas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos



autor

Felipe Lungov
é formado em economia pela FEA-USP com especialização em estatística pela FIA-USP. É editor do blog Palavras de Liberdade e presidente da Academia Liberalismo Econômico.

  • Geraldo  25/08/2020 19:39
    Recomendo este vídeo com ênfase, que sintetiza uma parte do que foi explicado:

  • Alfredo  25/08/2020 19:47
    Tem também este:

  • André de Lima  26/08/2020 02:09
    Muito top! De onde é?
  • Leitor Atento  26/08/2020 03:13
    Foi indicado no próprio artigo, na seção "O motivo econômico".
  • f  25/08/2020 19:41
    Estes artigos são um melhor que o outro, parabéns aos editores.

    Devia imprimir cada um e enviar por correio para cada deputado, senador e funcionário publico, quem sabe eles humildemente se solidarizam e evoluem.

  • SERGIO SIENKIEWICZ  26/08/2020 14:44
    De uma outra maneira, voce disse uma grande verdade : quem é responsável por dirigir e fazer as leis deste país, não passam de ignorantes, ficando para nós a obrigação de mandar artigos e informações que os iluminem minimamente.
  • Imperion  26/08/2020 18:09
    O cara tem uma verba de gabinete astronômica e nem pra contratar um estudo sobre a viabilidade técnica do assunto do qual ele defendera a aprovação da lei.

    Incompetência pura. Não tem problema nenhum ele dizer que não entende do assunto. Mas pra que então pagar tanta verba de gabinete, tanto assessor, se ele não usa com eficiência e competência?
  • Felipe  26/08/2020 23:02
    É por puro comodismo. Bolsonaro é um exemplo... tem um monte de assessor e não consegue conduzir nenhum tipo de reforma substancial e realista para o país (a melhorzinha foi a Lei de Liberdade Econômica, que nem dele foi e sim do Geanluca). Tanto isso é verdade que no ano passado ele preferiu se envolver em fofocas, comprar briga com Congresso e falar sobre imoralidade no Carnaval.
  • Consagrado  27/08/2020 10:11
    Carnaval é imoral mesmo. Principalmente por usar dinheiro público pra realizar uma festa sem demanda no meio das ruas por uma semana.
  • Eduardo  28/08/2020 15:15
    Correio é público e não funciona, está em greve, a carta não chegaria...hahahaha
  • Helliton  25/08/2020 19:42
    O Banco Mundial diz que a renda de 10% é 41,9 da total. Porém não paga 1 ano de imposto. Obviamente o governo não tributa renda ou lucro faz tempo, ele tira de onde não tem. Ou seja do pobre.
  • José Roberto  25/08/2020 19:44
    Outra babaquice inominável é tributar herança.

    Eu trabalho duro a vida inteira, junto dinheiro, poupo e me esforço para dar uma vida digna para meus filhos apenas para que um vagabundo chegue, tome meu dinheiro e o repasse para Renan Calheiros, Lula, Dilma, Collor, FHC, Rodrigo Maia, Alcolumbre, Gleisi Hoffman, Marcelo Freixo, Jandira Feghali, Maria do Rosario, Paulo Pimento, Paulo Paim e canalhas afins. E, segundo a esquerda, isso é "justiça social".

    Durante todo o meu processo de acúmulo de riqueza por meio de trabalho duro e honesto já pago vários impostos. E aí eu morro e vem um burocrata estipular que devo pagar ainda mais além de tudo o que já paguei?

    Você paga impostos diretamente e indiretamente durante toda sua vida e realiza um planejamento no qual beneficiará seus herdeiros. E então vem o governo dá mais uma mordida. Seus filhos pagarão impostos durante toda a vida até que passem o patrimônio aos seus netos, e mais uma vez, a herança é tributada.

    Siga este ciclo por algumas gerações e seus descendentes precisarão de bolsa-família.

    Nós acumulamos riqueza com o objetivo de não corrermos atrás delas. Quando poupamos e investimos, temos o objetivo de algum dia (talvez apenas na velhice) vivermos dos lucros desse dinheiro. Essa é a meta. A outra opção seria não economizar nada e confiar no INSS para sustentá-lo na velhice (e isto não seria nada prudente).

    Aí, após uma vida inteira juntando patrimônio, você é "recompensado" com mais um imposto sobre sua fortuna, pois você foi muito egoísta ao tentar se precaver na velhice.

    Negar o direito de herdar o seu patrimônio é o mesmo que proibir a caridade. As pessoas são livres para presentear e doar o que quiserem de seus bens (o governo já faz o contrário, toma tudo por meio de achaque).

    Alguém defender isto, sendo pobre ou rico é uma estupidez incalculável. Por coerência, tal pessoa tem de estar desde já fazendo um testamento legando tudo para Lula e deputados do PT e PSDB.
  • Felipe  25/08/2020 20:10
    O imposto de renda também é uma forma de punir o trabalho. Não falam que tributar o cigarro é para desestimular o tabagismo? Então, imposto de renda é para desestimular o trabalho. Não sei como que o Milton Friedman defendia uma barbaridade dessas.
  • Lucas Mendes  25/08/2020 20:19
    Brilhante seu comentário. Cada vez que vejo algo desta natureza me reconforto. Sei que não estou sozinho no meu pensamento, ademais uma vida inteira de luta e privações e vem um burocrata dizer e achar que vc tem a obrigação de ser tungado no seu patrimônio. É de uma canalhice só.
  • Lucas R.  25/08/2020 21:54
    Outra babaquice inominável é tributar herança. (...) E, segundo a esquerda, isso é "justiça social".

    O pior é que há até mesmo gente que se declara conservador de direita que defende essa "justiça social". Caio Copolla é um dos que defende o imposto sobre herança e chegou a falar sobre isso em uma de suas participações no quadro 'O Grande Debate' da CNN:

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    "Uma divergência que costumo ter com os liberais é em relação à taxação de herança. Eu sempre acreditei que a forma menos meritocrática de aquisição de patrimônio é justamente a herança. Porque é um laço absolutamente consanguíneo. É óbvio que tem o ato de vontade de deixar a herança para os seus, mas - inclusive na legislação brasileira - há limitações a esse ato de vontade, pois há a herança que é necessariamente distribuída a seus parentes. Nesse sentido, eu não vejo problema nenhum em aumentar tributação de herança."
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    E continuou:

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    "Os americanos são um excelente exemplo. Porque todo o sistema tributário deles é feito para incentivar o altruísmo. É aquela história: quem não é generoso por força de caráter acaba sendo por uma questão de legado. E até por uma questão de inteligência e de distribuição de patrimônio. Então é uma legislação que incentiva o estabelecimento de fundações, de grande doações. Doações para universidades, essa proximidade entre a elite financeira e a elite intelectual. Então eu acho que o Brasil deveria caminhar seguindo esse bom exemplo, justamente no sentido de resolver essas distorções inerentes ao sistema capitalista, que são a miséria extrema e a concentração extrema de riqueza. Eu não vejo com bons olhos. Isso, claramente, é um desequilíbrio e aí a taxação de heranças iria nesse sentido. E chega até a ser mais simbólico do que relevante do ponto de vista econômico mesmo."
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    Aliás, o "debate" inteiro foi bastante deprimente. Até porque não houve debate propriamente dito, mas sim uma "conversa de compadres", com o Caio concordando com tudo que o seu oponente esquerdista falava.
  • Cristiano  25/08/2020 23:12
    Bem decepcionante isso vindo dele…

    Isso apenas comprova que o pessoal da direita tem apenas ideologia política, mas pouca base econômica.
  • Matheus S  26/08/2020 02:55
    "Uma divergência que costumo ter com os liberais é em relação à taxação de herança. Eu sempre acreditei que a forma menos meritocrática de aquisição de patrimônio é justamente a herança. Porque é um laço absolutamente consanguíneo. É óbvio que tem o ato de vontade de deixar a herança para os seus, mas - inclusive na legislação brasileira - há limitações a esse ato de vontade, pois há a herança que é necessariamente distribuída a seus parentes. Nesse sentido, eu não vejo problema nenhum em aumentar tributação de herança."

    Engraçado ele dizer isso. Se fosse um debatedor experiente em se esquivar desses tipos de argumentos, o colocaria em uma contradição.

    Por exemplo, ele diz que é a herança é "forma menos meritocrática de aquisição de patrimônio... porque é um laço absolutamente sanguíneo." Ora, é muito simples argumentar contra isso. Haja visto que para ele é a forma menos meritocrática, por qual razão restringir isso aos mais ricos e não aos pobres? Já que é a forma menos meritocrática, devemos incluir todos os níveis sociais, pois os pobres também herdam bens de seus parentes, em menor valor, mas herdam, então pela ética meritocrática, devemos taxar tanto pobre quanto rico nos termos de transmissão de bens. Por essa razão, em uma situação hipotética de falecimento dos pais do Copolla, todos os bens transmissíveis de seus pais deveriam ser taxados, pois é a forma menos meritocrática de acúmulo de capital. Viu só. Esse argumento é até mais fácil de se rebater do que a simples e tão falada desigualdade de renda.

    "Os americanos são um excelente exemplo. Porque todo o sistema tributário deles é feito para incentivar o altruísmo. É aquela história: quem não é generoso por força de caráter acaba sendo por uma questão de legado. E até por uma questão de inteligência e de distribuição de patrimônio. Então é uma legislação que incentiva o estabelecimento de fundações, de grande doações. Doações para universidades, essa proximidade entre a elite financeira e a elite intelectual. Então eu acho que o Brasil deveria caminhar seguindo esse bom exemplo, justamente no sentido de resolver essas distorções inerentes ao sistema capitalista, que são a miséria extrema e a concentração extrema de riqueza. Eu não vejo com bons olhos. Isso, claramente, é um desequilíbrio e aí a taxação de heranças iria nesse sentido. E chega até a ser mais simbólico do que relevante do ponto de vista econômico mesmo."

    O exemplo americano sempre virá quando o assunto é taxar herança. Não adianta. Para começar, apenas uma dúzia de estados americanos continuam a tributar a propriedade(imposto na transmissão da propriedade herdada) e meia dúzia ainda tributam a herança, o número da jurisdições com tais impostos tem caído constantemente ao longo do tempo.

    A segunda coisa a se avaliar é que os cônjuges sobreviventes geralmente estão isentos desses impostos, independentemente do valor da propriedade ou herança. Tal como acontece com o imposto federal sobre heranças, esses impostos estaduais são cobrados apenas acima de certos limites. E mesmo nesses níveis ou acima, seu relacionamento com o falecido - a pessoa que morreu - pode poupá-lo de parte ou de todo o imposto sobre herança. Notavelmente, os cônjuges sobreviventes e descendentes do falecido raramente, ou nunca, pagam essa taxa. ?

    A terceira coisa é que para fins fiscais, essas taxas, tanto federais quanto estaduais, são avaliadas com base no valor justo de mercado do imóvel , e não no valor que o falecido pagou originalmente por seus ativos. ? Embora isso signifique que qualquer valorização dos ativos da propriedade ao longo do tempo será tributada, também protege contra a cobrança de impostos sobre os valores máximos que caíram desde então. Por exemplo, se uma casa foi comprada por US$ 5 milhões, mas seu valor de mercado atual é US$ 4 milhões, o último valor será usado.

    A quarta coisa a ser avaliado é que a partir desse ano, o valor bruto dos ativos que seriam taxados tem que ser acima de US$11,58 milhões para solteiros e US$22 milhões para casados - no caso específico de residentes fiscais nos EUA. Tendo em mente que a grande maioria dos milionários americanos tem seus ativos um valor menor de US$5 milhões, já se pode excluir a maior parte dos milionários que seriam tributados. Para ficar um pouco mais claro, os EUA tem algo em torno de 18.700.000 pessoas milionárias, mais de 10,2 milhões de famílias registraram patrimônio líquido de US$ 1 milhão a US$ 5 milhões, sem incluir o valor de sua primeira residência. O número de famílias com riqueza líquida ultraelevada – aquelas com US$ 5 milhões a US$ 25 milhões em ativos é de cerca de 1,4 milhão em número, e o total de famílias com mais de US$ 25 milhões é de 173.000, segundo a pesquisa.

    Ou seja, para ser injusto, irei incluir as famílias com a riqueza de US$5 milhões a US$25 milhões em ativos em sua totalidade, cerca de 1,4 milhão cerca de 200 mil pela número de famílias ultra-ricas. De 10,2 milhões de famílias com riqueza milionária, apenas 1,6 milhões de famílias seriam tributadas, isso uma porcentagem acima de 10% das famílias, ou seja, a grande maioria não seria tributada. E ainda tem mais, a grande parte desses 1,6 milhões de famílias também não seriam tributadas pelos motivos elencados acima ou mesmo por causa de planejamentos sucessórios bem elaborados criando um trust por exemplo ou mesmo renunciando a cidadania americana, como muitos americanos fazem e compram cidadania no caribe, o que mostra que até o patriotismo americano tem limites quando chega a hora de fazer o planejamento sucessório. Por isso que as taxas de arrecadação desses impostos sempre foram ínfimos quando comparado ao total arrecadado em todas as esferas governamentais.

    Como muitos bilionários doam suas fortunas como forma de caridade ainda em vida ou no final dela, acreditam que isso se deve por conta do imposto de herança, uma coisa totalmente sem sentido em detalhes críticos bem observados. Isso acontece por conta de que são bilionários, são famosos por suas grandes fortunas, o preço de tal fama é a certeza de abdicar parte dessa riqueza para doação como forma de caráter pessoal, mas muitos dos bilionários abdicam no máximo de 50% de sua fortuna para caridade, com o restante deixando como herança, o que ainda é uma fortuna extraordinária, US$500 milhões é capaz de prover fartura de uma família por gerações. Os milionários que em grande parte são de ativos de no máximo US$20 milhões, não tem as mesmas condições de um bilionário.

    Fontes: www.investopedia.com/articles/personal-finance/120715/estate-taxes-who-pays-what-and-how-much.asp
    exame.com/economia/milionarios-dos-eua-superam-populacao-da-suecia-ou-de-portugal/
    americansfortaxfairness.org/tax-fairness-briefing-booklet/fact-sheet-the-estate-inheritance-tax/
    blog.ativore.com/entenda-o-estate-tax-pos-reforma-trump/
  • Felipe  26/08/2020 12:41
    Excepcional resposta.
  • anônimo  26/08/2020 14:50
    Eu sempre acreditei que a forma menos meritocrática de aquisição de patrimônio é justamente a herança.

    Azar o dele se ele acredita. A taxação como qualquer outra é tomar o patrimônio do outro. Não importa se morreu ou não.
    É meritocrático? Não dá o direito de tomar.

    Quem tem menos direito ou mérito pra receber esse dinheiro é quem não fez nada pra construir esse patrimônio. O morto fez a vida toda e um assistencialista que não fez nada recolhe o butim de uma vez. O que rouba não respeita nem a quantidade roubada, nem o tempo e nem o esforço de quem construiu.

    Sempre assim.

    É pouco meritocrático o filhinho de papai ganhar dinheiro dos pais dele? Como que se sabe se ele não contribuiu com os pais pra eles terem o patrimônio? A verdade é que ele não sabe.

    O "dono" do patrimônio é que tem que ser livre pra doar 100 por cento do patrimônio (se ele acha que o filho não merece herança) se ele for do tipo generoso ou não doar nada e deixar 100 por cento aos filhos.

    Mas o imposto é danoso como todos os outros.
  • ed  25/08/2020 22:01
    Karl Marx defendia abertamente a abolição de todo o direito de herança.

    www.mises.org.br/article/2794/cinco-coisas-que-marx-queria-abolir-alem-da-propriedade-privada
  • Diogo  25/08/2020 23:10
    Compre toda sua herança em bitcoins, antes de morrer, e repasse a senha para seus filhos. É 0% de imposto
  • Austríaco Iniciante  26/08/2020 00:11
    kkkkkkkkkkkkkkkk

    Essa é a melhor solução mesmo, Diogo.

    Esse é o nível das pessoas que supostamente defendem nossa liberdade. Por isso sou cada mais fechado no libertarianismo radical, qualquer um que fale algo fora disso, eu já escondo minha carteira.
  • Bernardo R.  25/08/2020 19:46
    Artigo excelente. É praticamente um desenho. Obrigado!
  • Felipe  25/08/2020 19:50
    "Novo Peugeot 208 terá versões 1,2 e turbo para a Argentina"

    A situação automotiva do Brasil está tão ruim que até na Argentina (país no buraco desde quase sempre) eles possuem mais opções de carros do que aqui. Aqui teremos só com motor aspirado 1,6, lá serão mais motores e mais combinações.

    O Onix exportado do Brasil para lá sempre vai com motor 1,4. Nem a versão básica do Onix exportada, a Joy, vem com o motor 1,0-litro aspirado (ou seja, Onix 1,0 aspirado é só aqui mesmo). Como a tributação de 1000 cm³ (11 a 13%) é diferente da de 999 cm³ (7%), então aqui acabam empurrando mais carros com motor 1,0-litro (e a tributação de um Peugeot 1,2 e 1,6 é a mesma, ao passo que um 208 1,0 aspirado seria provavelmente inviável), sendo que nem todos os carros vão bem com o motor de menor cilindrada aspirado. Some ao fato de que a gasolina lá é vendida com menos etanol e conclua sobre o que ganhamos com isso aqui.

    Essa distorção na reforma tributária irão corrigir também?

    Será que é tão difícil copiarem o sistema tributário estoniano para ser aplicado aqui?
  • Daniel  25/08/2020 21:27
    "Essa distorção na reforma tributária irão corrigir também?"

    Não. Ela é do interesse das montadoras, pois isso desestimula a vinda de outras para cá (concorrente). Desestimula também as importações (mas estas já foram abolidas pelo câmbio desenvolvimentista).

    "Será que é tão difícil copiarem o sistema tributário estoniano para ser aplicado aqui?"

    Sim, pois aí teria de haver um maciço corte de gastos, principalmente nos privilégios da alta casta do funcionalismo público.
  • Felipe  25/08/2020 22:41
    Realmente, a civilização brasileira já está colapsada. Não vai ser um partido Novo que irá mudar isso.
  • Felipe  25/08/2020 22:54
    E sabe que eu também descobri? Dos carros brasileiros exportados, 71% deles foram para o mercado argentino em 2018. Isso diz bastante coisa sobre a qualidade dos carros feitos no Brasil (e olhe que alguns carros exportados são até mais interessantes do que os vendidos aqui).
  • André  26/08/2020 01:10
    Pegando o gancho no setor automotivo.

    O que rola é muito mais safadeza por parte das montadoras (na minha opinião). Elas sabem que o brasileiro é otario! E mesmo que haja boicote, jamais aceitarão diminuir margens de lucro, vão preferir demitir funcionarios e vender menos carros, mais caros, do que diminuir o valor do produto ou melhorar sua qualidade.
  • André de Lima  26/08/2020 01:33
    Caramba, é o cúmulo do ridículo isso. O vídeo apresentado no primeiro comentário eu já tinha visto e é muito top. Cara, tem que ser muito imbecil pra acreditar que aumento de taxa produz aumento de riqueza...pqp.

    Evidente que isso é a falácia! O objetivo real é espoliar de uns para dar a outros apadrinhados.
  • MAURICIO GOMES  25/08/2020 20:41
    Só uma dúvida,os esquerdalhas podem alegar que todas estas perdas no setor privado será compensada com o aumento dos gastos públicos e dos investimentos públicos,ou seja há perda de um lado e ganho do outro,apesar da corrupção e do rente-seeking.
  • Juliano  25/08/2020 21:32
    E como exatamente ocorreria essa mágica? Retira-se capital e empregos de um lado, e reemprega-se do outro?

    Na mais benevolente das hipóteses, no final, tudo ficou na mesma. Só que mesmo isso é uma ilusão. No final, tudo piorou.

    Empregos gerados por obras do governo são passageiros. E tais obras não seguem demandas de mercado, mas sim critérios políticos.

    Ao passo que empregos do setor privado existem porque há uma demanda dos consumidores (o que significa que riqueza genuína está sendo criada), empregos em obras públicas atendem a critérios políticos e só existem porque riqueza foi confiscada e destruída em outro lugar.

    As duas situações são incomparáveis.
  • Vinícius  25/08/2020 21:37
    Não tem como gasto do governo gerar riqueza. Tampouco ele podem manter a riqueza no mesmo nível. Se ele tributou e gastou, então ele depredou e empobreceu a economia. Mais sobre isso aqui:

    Ciclo nefasto: a economia cresce, o governo gasta, e os gastos do governo depredam a economia

    Em uma recessão, um programa estatal de obras públicas irá apenas piorar a economia
  • anônimo  25/08/2020 22:39
    Podem nao , ja alegam. Essa sempre foi a justificativa pra tomar o patrimonio dos outros.
    Essa falacia deles tem que ser combatida com a logica correta: gastos do governo nao promovem prosperidade. Tem efeito danoso. Existe extensa literatura que demonstra isso.
    Os leigos so acreditam nisso por ignorância ou por que estao de olho na promessa de "receber algum".
    Visto que eles ja pregam isso, e isso é desculpa, tem que se botar a mao na massa e combater isso antes que passe, com a logica correta, para esclarecer o eleitos.
    Se mesmo assim eles os apoiarem deixa de.ser ignorancia e passa a ser de cunho moral. A pessoa sabe , mas faz assim mesmo.
  • Imperion  25/08/2020 21:23
    Excelente explicação, bem simples pra leigos entenderem. Mas piora. As fábricas vão tentar vender seus bens de capital pra pagar, mas como todos estão se livrando dos seus, não vão achar comprador.

    É inevitável mandar seus empregados embora. Cortar folha.

    E como a pessoa continua rica, outro ano tem novo desconto na fortuna. E cumulativa. Um imposto de 40 (quase metade) por cento na fortuna, em três anos reduziria o patrimônio a menos de 10 por cento. Afinal, os 60 por cento restantes posteriormente retirados mais 40 por cento sobra só 20 por cento do patrimônio inicial logo no segundo ano.

    Em dois anos, a empresa ja encolheu 80 por cento pra pagar.

    Isso é mero confisco de propriedade a prazo. Já sabendo disso, vai ter corrida pra vender tudo e mitigar os prejuízos.
    Na outra ponta, os pobres apoiam porque acham que vão levar algum. Se levarem, se fosse possível, vai ser só no primeiro ano. Nem vai ter muito arrecadado pra pagar o sessentão. Depois, com as empresas demitindo, o número de recebedores iria aumentar muito mais (menos produtivos, mais parasitas, mais gente pra ratear o butim).

    O governo vai ter que se endividar. Mas como o governo não tem dinheiro, só o tomado dos pagadores de impostos, ele não se endivida. Ele endivida "você".

    Logo, vc trabalhador que se salvar da demissão vai ter seus impostos aumentados e é vc quem vai à falência a posteriori.
    E os que recebem mesada do governo vão deixar de receber. O butim foi gasto e agora na economia não tem bens de capital pra produzir. Desabastecimento.

    Num cenário assim, quem que vai querer produzir, pra ser roubado? A intenção é boa, ser generoso com os pobres. Mas a verdadeira generosidade é permitir que eles empreendam também, produzam também, ganhem renda com isso, prosperem e sejam independentes. Sem deixar transformar o estado no agente do roubo e da divisão do butim.
    Não há diferença apontar uma arma na cabeça de outrem ou deixar ou ajudar a fazer pra levar algum. A pessoa se condena junto. E isso não é generosidade. De boa intenção…
  • Galvao  25/08/2020 23:20
    Primeiramente, o Governo tem que tomar medidas internas antes de entrar no assunto da seara: "novos impostos". Dito isso, concordo plenamente em taxar as maiores fortunas de forma progressiva. O que fica a alheia a esta discussão toda é a questão do pagamento da dívida pública brasileira. Chega de pagar pela irresponsabilidade do Governo aos banqueiros, ou vamos para o mesmo caminho da Grécia. Uns míseros 1 trilhão de reais investidos na área social deste país transformariam o Brasil em país de primeiro mundo em uma década. Paralelamente, não entendo o choro dos detentores das grandes fortunas do Brasil. O pobre pode pagar e eles não podem?
  • Amante da Lógica  25/08/2020 23:30
    Vamos desconstruir seu raciocínio.

    "O que fica a alheia a esta discussão toda é a questão do pagamento da dívida pública brasileira. Chega de pagar pela irresponsabilidade do Governo aos banqueiros, ou vamos para o mesmo caminho da Grécia."

    Tradução: você é contra a gastança do governo (afinal, toda a dívida foi feita justamente para financiar a gastança; não haveria dívida — e não haveria juros da dívida — se o governo não tivesse incorrido em gastança).

    Até aí, perfeito.

    "Concordo plenamente em taxar as maiores fortunas de forma progressiva"

    Aí, incoerentemente, é a favor de o governo arrumar novas maneiras de aumentar sua arrecadação, o que o permitiria aumentar ainda mais sua gastança.

    Não faz sentido você vituperar contra a dívida pública (gerada pela gastança) e, ao mesmo tempo, defender novos canais para o governo aumentar suas receitas (o que levaria a ainda mais gastança, como mostra o gráfico do artigo).

    Aprume-se. Escolha um lado. Não dá para argumentar duas coisas contraditórias ao mesmo tempo.

    "Uns míseros 1 trilhão de reais investidos na área social deste país transformariam o Brasil em paós de primeiro mundo em uma década. Paralelamente, não entendo o choro dos detentores das grandes fortunas do Brasil."

    Gostei dessa mágica. Fale-me mais sobre ela, por favor. É simples assim? A gente despeja um trilhão "na área social deste país", e em dez anos viramos a Suíça? Aceito. É barato demais.

    O orçamento anual do governo federal é de mais de 3 trilhões de reais (e isso antes da Covid). Aceito jogar um trilhão "na área social deste país" em troca da abolição de políticos, ministérios, agências, secretarias e caralhadas afins. É uma barganha.

    A única coisa chata é que um valor infinitamente maior do que esse já foi gasto "na área social deste país" ao longo das últimas duas décadas. E parece que ainda não viramos primeiro mundo...


    P.S.: ah, sim: como você planeja tributar os ricos sem que eles fujam e sem que isso piore a situação da classe média e dos mais pobres? Fala aí pra gente.
  • Seguidor da Lógica  25/08/2020 23:36
    - Lei Seca diminuiu os acidentes?;
    - Desarmamento reduziu homicídios?;
    - Estabelecer salário mínimo aumentou empregos?;
    - Exigir 1000 laudos para empreender criou as melhores empresas mundiais?;
    - Obrigar a se defender com alguém da guilda chamada OAB evitou condenações erradas?;
    - Obrigar a fazer contabilidade com alguém da guilda CRC ocasionou aumento de produtividade nas empresas?;
    - Proibir importações de remédios não liberados pela ANVISA salvou mais vidas?;
    - Tarifas de importação geraram reindustrialização?
    - Desvalorização cambial gerou reindustrialização?
    - Aumentar o estado nos deu mais liberdade?

    E aí,

    - taxar mais os ricos vai enriquecer a população?
  • rraphael  26/08/2020 02:51
    ta la , milhoes de desempregados e falidos pais a fora mas brasilia tem 2,4 bilhoes guardadinhos pra fazer eleiçao

    nao acredito mais que alguem seja inocente a ponto de achar que dar mais dinheiro pra politicos vai transformar o pais num lugar melhor

    se com pandemia os "brilhantes" gestores demonstraram toda a incompetencia, mesmo recebendo cheques em branco pra fazerem o que queriam , e nao deram conta de um virus ... por que diabos alguem ainda acha que dar 1 quatrilhao , 1 quintilhao pra maquina estatal vai melhorar a minha vida ou a sua ? a menos que voce seja filho de politico nao tem sentido

    a primeira coisa que politicos fazem ao aumentar a arrecadacao eh aumentar os proprios salarios , distribuir emendas entre seus membros , alugar predios mais confortaveis , contratar comissionados pra fazer rachadinhas

    alias, o caso das rachadinhas expoe outra hipocrisia dessa turma, nao existe rachadinha sem estatismo, nao existe um comissionado sem um agente publico, pessoas criticam as consequencias, mas a maioria nao da um pio sobre a causa disso tudo

    e por fim, passamos mais de uma decada de lulopetismo , o tal do "pai dos pobres" e "mae da odebretch" tinha comprado o congresso todo , aprovava o que queria , e por algum motivo esqueceram completamente de "taxar as grandes fortunas"

    problema do brasil nunca foi (a falta de) dinheiro, e sim o que fazem com o esbulho - e ainda querem que eu acredite nesse papo de justificar o roubo , quanto mais bem sucedido voce for, mais o ladrao vai te tungar ... ai criamos uma legiao de pessoas que nao querem trabalhar pois preferem viver do roubo de outras pessoas
  • Estado o Defensor do Povo  27/08/2020 02:16
    O que o senhor quer dizer com "área social" do país? Educação? Saúde? Estádio da copa? Filme do Porchat?
  • Diego  25/08/2020 23:24
    Sobre a questão da França, aconteceu outra coisa devido a essas medidas.

    Os pequenos produtores rurais tiveram suas propriedades extremamente valorizadas em algumas regiões, e muitos que se tornaram milionários "no papel" sofreram com o governo socialista de François Hollande. Muitos agricultores aposentados que recebem pensões de cerca de € 600 mensais receberam contas de até € 5 mil sobre suas propriedades avaliadas em cerca de 1 milhão de euros.

    Isso equivalia a cerca de 70% de toda a renda deles!

    Agora veja só, na França esse imposto é chamado de L'impôt de solidarité sur la fortune (ISF). Em português, "imposto de solidariedade sobre a riqueza". Bela solidariedade tomar mais da metade da renda do cidadão!

    Ainda existe um imposto sobre propriedade na França que é de 0,5% ao ano que valem € 1 milhão. Viu o estrago?

    www.investidorinternacional.com/2017/04/23/imposto-heranca-grandes-fortunas/

    www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/france/11187602/The-wealth-tax-a-tax-on-the-rich-that-cripples-the-poor.html

    Além de Gerard Depardieu, que fugiu para a Rússia, outro bastante famoso que teve a mesma atitude que o ator foi o bilionário Bernard Arnault.

    www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/louis-vuitton-foge-dos-impostos-de-francois-hollande
  • Estado o Defensor do Povo  25/08/2020 23:49
    SP é muito rica então vai salvar a festa toda :D
  • anônimo  26/08/2020 06:09
    Para 207 milhoes de brazucas receberem 3200 reecas ao mes, como querem os que falam de salario universal a cada cidadão condizente com custo de vida, seriam necessrios 7,94 trilhoes anuais. Mais que nosso pib.
    E como se pagaria? Quem trabalharia depois recebeu o salario do gov? Ninguem. Entao nao teria pib nem dinheiro pra pagar a ninguem.
    Vai obrigar a trabalhar , igual na urss, china, trabalhos forçados?
    Se pode porque entao nao começa agora obrigar quem nao quer trabalhar entao? Pra que esperar a economia ir pras cucuias?
  • Rosa Luxemburgo  26/08/2020 12:21
    Bom dia!

    seguinte, ninguém paga nada de impostos, acabemos com as estruturas democráticas (judic, legis, execut) e vamos pro verdadeiro vale tudo e quem ganha leva tudo sozinho. Anarquia já , sem regras, sem leis, sem nada pra atrapalhar o capitalismo puro e dadivoso. Até na sua casa tem regra pra conviver e distribuir a renda e ficam aqui se debatendo sobre essa distribuição e tributação. Brasil já era, aliás nunca quis ser grande, estruturas sugadoras e entranhadas no seio da sociedade cada vez mais perversa.
  • Joseph  26/08/2020 14:29
    Argumento poderoso. Texto refutado.
  • Fritz inteligente e educado  26/08/2020 15:42
    Falou, esperneou, reclamou e chorou, mas não conseguiu nada além de vomitar clichês surrados e mostrar que sequer entendeu o artigo ou a filosofia liberal clássica / libertária. Vendo comentários desse nível sou obrigado à concordar com você, o Brasil já era...
  • Felipe  26/08/2020 13:41
    "Bolsonaro baterá o martelo do Renda Brasil na sexta (28), diz Marinho"

    Acho que, com o Guedes, teremos ainda mais impostos e mais assistencialismo. No ano passado já houve redução nas deduções do imposto de renda, o que na prática é aumento de imposto, então a tendência deve piorar. Um sujeito que propõe taxar livro deveria sair do cargo.

    Não sei como que ainda não foi demitido.
  • rraphael  27/08/2020 01:09
    guedes me parece o unico aberto a satisfazer a sanha reeleitoreira do bolsonaro
    soh deve cair se tiver que colocar a cabeça do guedes a premio pra nao perder a dele
  • Elias  27/08/2020 02:24
    [OFF-TOPIC]

    Eu estava pesquisando a respeito da Geórgia, que é um país com bastante liberdade econômica e com economia em plena expansão. A Geórgia é o 7º melhor país do mundo para fazer negócios (Doing Business) e o 12º com maior liberdade econômica do mundo (Heritage). No entanto, os salários por lá são baixos e a regulação trabalhista é flexível (ou seja, a mão de obra por lá é muito barata) ao mesmo tempo que o índice de desemprego não é baixo: cerca de 14%.

    O que está faltando para as grandes empresas considerarem uma mudança de suas bases da China para esse país, com muita liberdade econômica e facilidade para empreender, ao mesmo tempo que a mão de obra é barata? Certamente se a Geórgia recebesse mais investimentos privados, o país seria muito mais próspero do que já é.

    Queria entender isso. Porque ainda tem empresas que insistem na China, sendo que existem alternativas muito boas como a Geórgia?
  • Yuri  27/08/2020 14:45
    A Geórgia vive sendo ameaçada pela Rússia, está em uma região geopoliticamente instável e, historicamente, toda aquela região é conhecida por sua inacreditável corrupção e por suas políticas de compadrio (só prospera quem tem relações com políticos ou com a máfia russa).

    Eu não investiria naquela região nem se fosse totalmente isento de tributação.

    Ainda assim, com tudo isso, os avanços econômicos da Georgia têm sido impressionantes.
  • Um certo liberal  27/08/2020 15:26
    Além do que o Yuri certeiramente pontuou, há gargalos do setor de logística que impedem que a indústria seja pujante por lá, pelo menos por enquanto - o país tem 4 portos operacionais, as ferrovias que chegam ao Mar Negro não ligam todas as regiões do país e apenas 40% das estradas são pavimentadas.
  • Imperion  27/08/2020 20:51
    A Geórgia só se tornou livre agora. Podem levar décadas pra crescer mesmo com toda essa liberdade, devido ao atraso. Ela ainda não alcançou nível da China, que mesmo freando, ainda tem possibilidades.

    A Geórgia é nova nisso. Ela adorou a liberdade porque quer acelerar o seu desenvolvimento atrasado. Mas demora pro mercado se desenvolver.

    Quem acabou de sair do socialismo, sem receber uma educação voltada ao empreendendorismo, vai manter a mesma mentalidade anti-capital e produtividade.

    A liberdade força o país a crescer, mas o fator passado é uma âncora que segura os resultados. As vezes vc tem que esperar a nova geração substituir a velha. Esse é o mercado interno atual da Geórgia.

    Já os estrangeiros ao irem pra lá têm que garimpar oportunidades de negócio. Tem que desbravar um mercado totalmente novo. Estudar bem.

    A China por outro lado já tá com o negócio de pé, só falta uma posição do investidor. Mesmo sendo uma quimera keynesiana-socialista.
  • Felipe  27/08/2020 18:02
    Leandro certa vez disse que uma das razões de o desemprego ter ficado maior em 1998 se deu pelo fato de que o poder de compra do salário mínimo ficou maior (podia comprar mais gramas de ouro e dólares). Eu acho que pode contribuir (o desemprego no Brasil quase sempre foi alto, talvez fosse baixo só antes da criação da CLT), mas isso é um problema muito menor do que os encargos trabalhistas e toda aquela burocracia da CLT. Nos EUA o maior problema do desemprego é o salário mínimo; aqui o negócio é muito mais profundo e sofisticado.

    Dito isso, com esse cenário agora de desvalorização cambial, o desemprego poderia cair mais rápido, caso nenhuma medida de lockdown tivesse sido feita, copiando a Suécia ou a Bielorrússia? Ou não teria fundamento, já que o câmbio desvalorizado também aumenta os custos para os empregadores?
  • Leandro  27/08/2020 20:37
    Não foi exatamente isso que eu disse. Aqui está o artigo.

    www.mises.org.br/article/2055/uma-radiografia-da-destruicao-do-real--ou-nao-ha-economia-forte-com-uma-moeda-doente

    Já o atual cenário é completamente diferente, pois vivenciamos um choque de oferta (várias indústrias foram proibidas de operar pelos governos estaduais; os atuais preços dos materiais de construção são uma consequência disso) seguido de uma forte expansão monetária.

    Isso nunca tinha acontecido antes. Estamos em um território totalmente desconhecido. Sem os lockdowns não haveria choque de oferta. E essa expansão monetária não teria acontecido sem os lockdowns. E, consequentemente, essa brutal desvalorização cambial não teria ocorrido.

    Logo, é impossível fazer qualquer inferência sobre taxas de desemprego e desvalorização cambial, dado que tal desvalorização ocorreu por causa da expansão monetária e do choque de oferta.
  • WMZ  27/08/2020 19:11
    Qual é o pior defeito do Brasil?

    Regulamentação insensata? (trabalhistas e afins)
    Protecionismo?
    Burocracia gargalante?
    Taxação excessiva?
    Insegurança jurídica?
    Moeda fraca?
    Expectativa de caos econômico?
    Instabilidade econômica (excetuando moeda fraca)?
    Logística?
    Instabilidade política?
    Governo desenvolvimentista? (o governo absorve os bens e serviços que poderiam estar sendo usados pela iniciativa privada, algo que torna tudo mais caro para iniciativa privada)
  • Felipe  27/08/2020 20:37
    Acho que é tudo isso.

    Por exemplo, Equador tem menos liberdade econômica que o Brasil, mas eles podem usar o dólar. Aqui nem isso temos.
  • Ferrari  28/08/2020 13:12
    Gostaria de saber se na visão de vocês, essa concentração exacerbada de patrimônio nas mão de poucas pessoas (em face dos habitantes do globo) um dia não ocasionará o total controle destes sobre os modos de produção, mídia, política, leis, etc... não ocasionará por exemplo, monopólios gigantescos que iram ditar os preços, não mais com base na demanda, não irão estes exercer tamanho poder sobrepujando o próprio Estado (em seu papel mais puro de mediador e legislador)? E se isso não é ruim para o próprio ser humano? tamanha concentração gera ódio e revolta e esperar que apenas o crescimento econômico distribua riqueza pode levar gerações para acontecer sendo que os menos favorecidos precisariam de medidas compensatórias hoje?
  • Williams  28/08/2020 13:37
    Quem fala de "concentração exacerbada" não entende nada do mundo.

    Quem faz alarde de que 1% detém 50% de algo desconhece por completo a lei de Pareto, a qual explica que tal arranjo não só não tem nada de atípico, como, ao contrário, é a própria norma do universo.

    Ainda no século XIX, Vilfredo Pareto estudou a distribuição de riqueza em várias nações europeias. Ele descobriu que aproximadamente 20% da população detinha 80% do valor do capital de uma nação. Ato contínuo, ele aplicou esse raciocínio até o topo da pirâmide.

    Se 20% da população detém 80% do valor do capital de uma nação, então 4% (20% de 20%) detém 64% (80% de 80%) do valor do capital. Isso de fato se mostrou verdadeiro.

    E prosseguiu.

    Se 4% detém 64%, então aproximadamente 1% (20% de 4%) deverá deter aproximadamente 50% (80% de 64%). E isso também se comprovou verdadeiro.

    Sendo assim, é perfeitamente natural e normal que aproximadamente 1% da população detenha um pouco mais da metade da riqueza.

    Aliás, continuando: 0,16% deve deter 41% da riqueza. E 0,032% deve deter 33% da riqueza.

    E tudo isso se comprovou verdadeiro.

    Um grande número de estudos subsequentes indica que essa mesma distribuição se aplica para todas as sociedades estudadas. Não importa se os países eram nações pré-social-democratas (antes de 1900), nem a localização geográfica ou quão socialistas eles são. A mesma distribuição existe.

    Aliás, o que é realmente perturbador é que a regra 20-80 de Pareto se aplica a todos os tipos de estatística institucional que pouco têm a ver com distribuição de riqueza.

    Aproximadamente 20% do efetivo de uma força policial faz 80% das prisões. Aproximadamente 20% de uma determinada classe social consome 80% dos produtos destinados àquela classe. Aproximadamente 20% de um grupo faz 80% do trabalho. Aproximadamente 20% da população é responsável por 80% de toda a produção econômica. Aproximadamente 20% dos que recebem uma e-letter gratuita de fato a lêem. E por aí vai.

    Ou seja, na prática, as pessoas estão protestando contra algo que, longe de ser uma novidade, é uma proporção há muito já estabelecida pela natureza. Pessoas assim fariam melhor se concentrassem seus esforços em tentar entender por que é assim em vez de ficar pedindo para os governos injustificadamente usarem de violência para tentar alterar esse equilíbrio natural.

    Portanto, não. Não tem risco de acontecer isso que você teme simplesmente porque o mundo já funciona exatamente assim há séculos. Não é coisa de agora.
  • Estado o Defensor do Povo  28/08/2020 14:27
    Na verdade não é "1% retêm 50% da riqueza", mas sim "1% PRODUZ 50% da riqueza".
  • Imperion  28/08/2020 18:22
    É necessario insistir nisso em todas as discussoes. Senao os esquerdistas fazem parecer mesmo mesmo que eles tem direito a tomar o fruto dos outros.
  • Máquina  29/08/2020 22:25
    "Na verdade não é '1% retêm 50% da riqueza', mas sim '1% PRODUZ 50% da riqueza'"

    É importante separar bem isso, o que é riqueza retida e riqueza produzida. A riqueza retida é facilmente observável; já a produzida nem tanto, visto que depende de cooperação entre as pessoas. Explico-me
    Um time de futebol ganha um campeonato. Qual o % desse feito que pode ser atribuído ao goleiro? E ao atacante? E ao massagista? E ao sub-gerente de marketing do clube? Difícil saber o quanto cada um produziu.
    Mas é mais fácil ver quanto cada pessoa recebe do orçamento do clube. Fácil ver o quanto cada um retém.

    Se formos extrapolar o argumento pro período escravagista. Quanto o escravo produzia? E quanto ele retinha? E o senhor de engenho? E os herdeiros do senhor de engenho? e os herdeiros dos escravos? Justo isso?
    Pra se pensar
  • Mortífera  30/08/2020 18:45
    Isso já foi respondido por Vilfredo Pareto (Lei de Pareto) e por Derek de Solla Price (lei de Price).

    Lei de Pareto: 20% das pessoas são as responsáveis por 80% do trabalho. Isso significa que 4% (20% de 20%) das pessoas são responsáveis por 64% (80% de 80%) de todo trabalho. Isso, por sua vez, significa que aproximadamente 1% (20% de 4%) são responsáveis por quase 50% (80% de 64%) de todo o trabalho.

    Lei de Price: 50% do trabalho é feito pela raiz quadrada do número de pessoas de uma equipe. Se uma equipe tem 100 pessoas, então 10 pessoas fazem 50% do trabalho. Se um time de futebol tem 11 jogadores, então 3 jogadores são responsáveis por 50% dos resultados em campo.

    Há um estupendo vídeo do Jordan Peterson sobre isso. Para mim, foi um vídeo inesquecível. Depois que eu entendi isso e compreendi que tal relação sempre foi assim na história do mundo, parei de perder tempo pensando em esquemas artificiais para tentar mudar isso. Apenas aceita que é assim, que sempre foi assim e que sempre será assim. Vai doer menos.


  • Chato  30/08/2020 20:02
    Por mais que seja "uma lei da natureza" essa proporção de Pareto, nós somos seres humanos e, ao contrário dos outros seres vivos, somos dotados de racionalidade o suficiente para sermos livres dos "arbítrios e intempéries" da natureza.

    Se ainda não somos livres de certo arbítrio da natureza e se esse arbítrio for uma ameaça ao bem-estar da humanidade (ou dos interessados) então a "lei da natureza" que rege esse arbítrio deve ser, primeiramente, entendida para , posteriormente, ser manipulada ou neutralizada. (a outra saída seria se contentar e choramingar)

    Se é "natural" que 20% dos homens fiquem com 80% da riqueza e se essa natureza é prejudicial aos 80%, então cabe aos interessados buscar entender essa lei para, depois, manipulá-la ou neutralizá-la de modo que 80% da riqueza fique com 80% da população ou qualquer que seja as novas proporções

    Então, esse argumento que "justifica" a desigualdade "afirmando que ela é natural" não é válido.
  • Gustavo  31/08/2020 14:31
    Isso é o equivalente a você dizer: "Puxa, não acho justo dois mais dois serem quatro. Quero que seja seis. A humanidade tem de deixar de ser egoísta e trabalhar para que dois mais dois sejam seis. Isso seria muito mais socialmente justo".

    Eu também acho chato que aviões caiam e que pessoas morram de câncer. Isso não deveria existir. Mas é um fato da vida. Ou você os encara ou você fica chorando debaixo da cama.
  • Imperion  31/08/2020 19:20
    20 por cento "produz" 80 por cento das riquezas do mundo. Eles não controlam 80 por cento das riquezas do mundo. A culpa é dos outros 80 por cento da população que não querem produzir. Só querem tomar o fruto e o esforço dos outros 20. E por serem assim, sempre vão ter menos. Quem produz 80 por cento da riqueza do mundo, se for tomado, vai parar a produção também e não vai ter mais nada pros outros 80 tomar.

    Então, ao invés de se preocupar em anular a lei de Pareto e achar que é injusto, saiba que "injusto" é querer mais parte de algo que não fizeste, não participaste, não criaste, não desenvolveste.

    Afinal, o produtor demora três meses pra colher o tomate, mas o ladrão demora 5 minutos.

    O mais fácil sempre é tomar e desrespeitar o tempo e o esforço de quem produziu. O injusto é quem tomou, o produtor é vitima. Como que ele é injusto por ter produzido algo?

    Esse conceito de justiça de que "se o outro tem, não quer dar, vou tomar" totalmente deturpado é que cria a pobreza no mundo. Colocado em prática, as pessoas só passarão a querer tomar, que é o mais fácil. E a sociedade não se desenvolveu permitindo isso.

    Justiça é impedir que quem faz isso continue, e obrigue a ressarcir o roubo. Não é justiça premiar quem rouba, toma, não se esforça, não produz, assassina, submete os outros.
  • Chulo  31/08/2020 06:39
    o cara puxou a regra pareto pra definir tudo sobre rendimento no trabalho.
    que REDUCIONISMO TOSCO hahahaha
  • Daniel Cláudio  31/08/2020 14:30
    Se você quer refutar a Lei de Pareto e a Lei de Price (sobre as quais há várias trabalhos acadêmicos), escreva um livro repleto de notas de rodapé. Aí sim você será alguém.

    É o cúmulo da arrogância achar que pode refutar toda uma montanha de trabalho intelectual com apenas um comentário de poucas linhas. Quisera eu ter essa segurança e auto-confiança.
  • Máquina  31/08/2020 13:56
    Mas o Pareto falou isso se referindo à produção ou à apropriação da dos bens e serviços de uma economia. E se falou para os dois ele se referia que as mesmas pessoas que produzissem seriam aquelas que se apropriariam?
    Pois como coloquei, no período escravocrata as pessoas que mais produziam nada recebiam, que eram os escravos.
    Talvez isso não estivesse também à vista do Pareto pelo fato de ele ser italiano e não ter convivido com escravos, muito possivelmente.

    E no caso da Lei de Price, temos que lembrar que um time não tem apenas 11 jogadores. Tem o técnico, o cartola, o massagista, o gerente de suprimentos, o coordenador de RH, tem o olheiro etc. Sem contar que como comprova essa teoria? O que vc observa pra dizer que x jogadores foram responsaveis 50% do resultado? Participação no gol com assistencia ou finalizando? E o backoffice, como quantifica? E os gols evitados, o zagueiro que travou uma bola, ou que cortou uma bola na linha, tb entra na conta?

    Voltando ao exemplo dos escravos: eram 15% da população em final dos anos 1870. Podemos dizer que eles eram responsaveis por mais da metade do PIB brasileiro? E que mesmo tendo direito a /produzido 50% do PIB brasileiro eles receberam 0%?
  • Riggs  31/08/2020 14:34
    Meu bom homem, escravidão não era um arranjo voluntário. Price e Pareto se aplicam a livres interações humanas (isso é básico, mas vejo que você não sabe).

    Quanto às suas outras perguntas, vá estudar essas leis. Procure trabalhos a respeito dele. Pare de preguiça. Não queira que os outros façam o serviço por você. Se você realmente está interessado em aprender coisas novas (algo que eu fortemente sugiro), não é pedindo resumo para os outros que você irá alcançar seu objetivo.

    Saudações.
  • Imperion  31/08/2020 19:13
    Não, o que produz não são as pessoas. São os bens de capital que produzem. O correto é dizer que a produção está concentrada onde tem mais bens de capital operando. Nos locais pobres em bens de capital, onde as pessoas não produzem, não era gerada riqueza. Em todas as épocas tem os que produzem e os que não produzem.  Na época era comum o hiperfúndio. A produção era feita por poucos. A maioria ficava numa roça.

    Essa produção toda era administrada com e sem escravos. Não necessariamente era obrigado a ter escravos nesse lugar. Entendido isso, esse 15 por cento de escravos só estavam lá pra produzir pros hiperfúndios (seus donos), então esses 15 por cento eram produtivos e eram responsáveis por mais da metade da produção da colônia.

    Mas obviamente não eram livres , nem donos da produção. Mas participaram dela.
  • Imperion  29/08/2020 20:09
    Agora vai

    revistaforum.com.br/global/argentina-projeto-de-imposto-sobre-grandes-fortunas-foi-protocolado-nesta-sexta-na-camara-de-deputados

    E ainda tem a cara de pau de dizer que só vai ser cobrado uma única vez.
  • rraphael  30/08/2020 00:07
    grande fortuna segundo a materia seria 200.000.000 de pesos arg

    ou , um pouco menos de 1.500.000 de reais em patrimonio

    melhor ainda eh a justificativa - combater o coronavirus

    virus elitista esse so deve beber dom perignon
  • AGB  30/08/2020 19:57
    200 milhões de pesos argentinos equivalem a 1,5 milhões de dólares, pela cotação do dólar "blue" (US$ 1.00 = 138 pesos). Pela cotação oficial (1 dólar = 78 pesos) seriam 2,5 milhões de dólares. No Brasil a conta vai de 8,25 milhões de reais até 13,75 milhões (cotação oficial). Alguém se candidata?
  • Windu  30/08/2020 03:04
    Já cansei de dizer que o Brasil, mais especificamente Paulo Guedes e o Congresso, está perdendo uma oportunidade única pra sugar tudo da Argentina. Desde fortunas, passando por empresários, chegando a mão-de-obra qualificada.

    Na época que o socialismo estava sendo implementado na Venezuela, quem se aproveitou da situação foi a Colômbia. Vários milionários compraram títulos colombianos, mandaram seus negócios pra lá e ainda fizeram campanha para que seus "colegas" fizessem o mesmo.

    O Congresso é um câncer, mas Paulo Guedes não está ajudando. Ele não está fazendo o suficiente. A burocracia brasileira é tão atrasada e complexa que consegue o feito de fazer ela própria perder muito dinheiro.
  • Paulo Guedes  30/08/2020 19:43
    Nem sei nada de Argentina e nenhum outro rolê de pobre.
  • Elias  31/08/2020 18:26
    Outra questão que eu vejo para não haver uma possível "fuga" de argentinos ao Brasil é a barreira linguística. Nem os brasileiros se interessam em aprender espanhol e nem os argentinos se interessam em aprender português. É muito mais fácil e cômodo para os argentinos irem para o Chile, Uruguai, Perú, Colômbia e até o Panamá (países que falam espanhol, além de terem mais liberdade econômica que o Brasil) do que no nosso país - a não ser que o Brasil se transforme na velocidade da luz e passe a ser mais atrativo se mudar por aqui, algo praticamente impossível neste momento.
  • Jonas  29/09/2020 02:06
    Um problema sério do Brasileiro é insistir em olhar apenas para o próprio umbigo: "Nossa, o projeto é só pra quem tem patrimônio de 5 milhões ou mais, ninguém tá falando em roubar seu Iphone 7 parcelado em 10x seu pobre de direita".

    Vou contar uma história pessoal. Não sou rico. Não tenho salário astronômico. Juntei dinheiro por 5 anos. Consegui comprar um apartamento de 100.000 reais em 2007, em um bairro novo. Em 2013 ele foi vendido por 400.000. Sim, teve um boom absurdo o mercado imobiliário.
    Virou um terreno, construi uma casa colocando mais 400.000 muito bem guardados ao longo do tempo.

    Hoje o valor dessa casa é por volta de 1.500.000,00 reais. Continuo sem um salário astronômico. Garanto, não sou empresário, não tive uma super herança, apenas trabalho, e hoje, nos meus 50 anos de vida, me assusta um pouco a taxação de patrimônio.
    Já é bem complicado pagar as taxas municipais: O município já come um IPTU bem gordo. Imagino, do nada, mais uma cobrança "pequena" ou ridícula do governo, tipo 2% do patrimonio: 30.000 reais por ano. Garanto: Não conseguiria pagar, a menos que colocasse meus filhos em escolas públicas, vendesse meu carro, e trabalhasse apenas para manter o patrimônio.

    Além do IPTU gordo para o município, tem para o Governo Federal 27,5% do meu salário, impostos a rodo em todos os produtos e serviços. Aí vem um cidadão sem objetivo de vida, que não tem sonhos, que acha que é obrigação de todos viverem numa igualdade em pobreza, e quer dar lição de moral dando risada "viu, ninguém vai roubar seu iphone". Vai por mim, a preocupação de muita gente não é o iphone, nem o apartamento de 100.000. É aquele patrimônio que você suou pra guardar por décadas, abrindo mão de muita coisa, é uma cabeça infantil revolucionária achar que é obrigação dar ao governo (em nome dos mais pobres, claro).

    Hoje o afortunado é acima de 5 milhões.
    E se amanhã for o de 2 milhões? O mercado imobiliário quebra.

    Fico imaginando, numa situação dessa, se conseguir vender o imóvel, aí o governo te colocou onde vc merece, num apartamento pequeno de classe média padrão. "Chora mais classe média burguesa", né?

    Pra piorar, esse mesmo cara que se acha genial defendendo a taxação, é aquele que, viaja para os EUA e Canadá e fala "noooossa, lá a classe média do subúrbio toda mora em casas enormes de 2 andares, que inveja deles, como eu queria que meu país fosse assim".

  • Diego  29/09/2020 18:10
    E esta empresa não gera lucro não para este pagamento? Óbvio que sim! Então estas 3 hipóteses só se constituem caso empresa opere no prejuízo.
  • Guilherme  29/09/2020 20:52
    Este é o perfeito resumo da mentalidade da esquerda: lucros sempre existirão, por isso não há mal nenhum em tributar sempre um pouco a mais e cada vez mais.

    Uma vez, nos EUA, perguntaram a uma líder estudantil em rede nacional sobre a tributação dos mais ricos. Ela defendia a espoliação total dos bilionários. Perguntaram o que ela faria se todos os bilionários fugissem do país em decorrência desse esbulho. Ela respondeu: "Aí a gente espolia os mais ricos que permanecerem. Sempre haverá ricos."

    É isso aí. Se tiver rico, é pra tomar tudo. Se houver empresa tendo lucro, é pra tributar ao máximo também. Afinal, "sempre haverá lucros".

    Com tantos ignorantes assim, é impressionante que ainda não estejamos comendo alfafa e comunicando por meio de rosnado e grunhido.
  • Imperion  29/09/2020 23:11
    O importante pra eles é passar a precedência jurídica de tomar o patrimônio pelo que se possui.

    Daí começa com os milionários, não se arrecada nada, porque é pouca gente. Reduz o limite pra uns 500 mil, não é o suficiente e se reduz cada vez mais. A grande maioria não tá nem aí, acha correto tomar dos outros e vai apoiar.

    A bola então está nos que são contra, porque sabem ser roubo. Mas quantos desses defenderiam o patrimônio alheio, ajudando outrem a não ser roubado, caso o próprio patrimônio não esteja ainda na reta?

    O pessoal que quer pegar dinheiro tá unido.
  • Revoltado  30/09/2020 15:59
    E não basta correr, caso seja um rico residente na Califórnia!

    Mesmo que o sujeito não viva mais no talvez estado mais progressista dos EUA, este ainda será taxado por uma década, tendo que pagar uma porcentagem decrescente por ano.
    A menos que ame em demasia Hollywood, praias, liberdade sexual (exceto ao branco heterossexual, obviamente) o Deserto Mojave, San Francisco e parques nacionais, é bom dar um perdido enquanto é tempo caso tenha um patrimônio considerável.


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