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Quem realmente cria monopólios, oligopólios e cartéis?
Sem entender suas raízes, não é possível defender aquilo que causa o crescimento econômico

"Uma das funções das quais o estado jamais pode renunciar é a de quebrar cartéis e monopólios na economia. 

O surgimento dessas estruturas é a tendência natural dos mercados, um fenômeno que decorre do fato facilmente observável de que as taxas de lucro de diferentes empresas não são exatamente iguais.

Se uma empresa tem uma taxa de lucro maior do que a sua concorrente, ela crescerá mais do que a sua concorrente. E em algum momento ela terá dinheiro suficiente para comprar a sua concorrente, e de fato comprará a sua concorrente para aumentar sua participação no mercado.

Ao longo dos anos, quando esse processo acontece livremente sem qualquer intervenção externa, temos cada vez menos empresas concorrendo por clientes na economia.

Até chegar ao ponto em que há tão poucas dessas empresas que elas podem facilmente coordenar suas estratégias de produção entre si. 

Essa estrutura de mercado é o que chamamos de "cartel". 

Um cartel pode continuar se concentrando, até finalmente se tornar uma única empresa: um monopólio. 

Em qualquer destes casos, os consumidores não têm para onde correr. O monopolista pode vender produtos de baixíssimo custo de produção, deplorável qualidade, e a preço ultrajante; mesmo assim, será a única opção do consumidor.

Este processo não é particular para qualquer época da história humana ou qualquer ramo da economia. É um processo universal e resultado de algumas empresas serem mais lucrativas do que outras. 

Aqui é enterrado o sonho liberal de uma economia que se autoajusta para o bem da população."

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Esboço do processo de formação de um monopólio em livre mercado

O que vai acima é um resumo do senso comum de várias pessoas, inclusive acadêmicas, sobre como se formam monopólios, oligopólios e cartéis na economia. Tais pessoas genuinamente acreditam que monopólios, oligopólios e cartéis são arranjos inerentes a uma economia de mercado, e que apenas o estado (políticos e burocratas) pode impedir tal fenômeno.

Contudo, depois de séculos de produção e comércio por todo o mundo, surpreendentemente não há hoje qualquer cartel ou empresa atuando como monopolista em um mercado livre. 

Como explicar esse aparente paradoxo?

A história como ela realmente é

Indo direto ao ponto, eis a realidade: todos os monopólios e cartéis que existem estão exatamente em mercados com regulação estatal

Há poucas empresas de telefonia móvel no Brasil; mercado regulado pela ANATEL. Há poucas empresas de aviação comercial; mercado regulado pela ANAC. Há poucos bancos; mercado regulado pelo Banco Central. Os planos de saúde são caros e pouco variados; mercado regulado pela ANS. Os postos de combustíveis são sempre os mesmos, nenhum quebra e nenhum surge; mercado regulado pela ANP. Há uma única empresa que faz entrega de determinados tipos de correspondência; imposição feita pela Lei 6.538/78. (Veja uma lista básica aqui).

Mas o que dizer do mercado de aplicativos de celular? Do mercado de alimentos? Do mercado de vestuário? Mercados com pouca ou nenhuma regulação estatal? Não existe um número muito maior de competidores em todos eles? Seus produtos não são muito mais baratos e de qualidade muito mais satisfatória?

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Não há monopólios ou cartéis no livre mercado. Procure. Descubra você mesmo. 

Quando pensar em um mercado cartelizado, pesquise sobre o grau de intervenção estatal que ele sofre. O leitor fatalmente descobrirá que ele é fortemente regulado pelo estado ou por suas agências reguladoras. Sim, todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo. Setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, postos de gasolina etc. — todos regulados.

Não há monopólios ou cartéis no livre mercado.

Mas, então, como conciliar o processo lógico descrito no início do artigo e a observação empírica apresentada a seguir?

A resposta da charada

O processo lógico está incompleto. Não, empresas não têm as mesmas taxas de lucro. Sim, isso implica que, sem intervenções estatais, haverá fusões e aquisições entre elas. 

Mas está faltando um ingrediente essencial nessa receita: a entrada de novas empresas. 

Por que só se analisa o que acontece com as empresas já existentes? Não podem surgir novas empresas nesse setor em que está ocorrendo as fusões e aquisições? Isso não restabeleceria a competição entre os produtores?

Sendo assim, vamos tentar entender o que causa a entrada de novas empresas na economia.

Há duas condições para que um empreendedor decida investir entrando em um determinado mercado: ter o capital necessário, e ter perspectiva de lucro no negócio. 

Se essas duas condições estiverem atendidas, então ele abre a sua empresa. Se qualquer uma delas não estiver atendida, ele não fará nada.

Sobre ter capital para investir, é importante entender que não é necessário que o novo empresário seja qualquer pessoa em particular. Basta que qualquer pessoa tenha capital suficiente e esteja procurando boas oportunidades de investimento. Não é importante sabermos de antemão quem é essa pessoa.

No Brasil, hoje, há mais de R$ 4 trilhões de dinheiro poupado. Isso é dinheiro suficiente para abrir qualquer negócio. As pessoas que pouparam esse dinheiro estão procurando (geralmente por meio de seus bancos) onde investi-lo com bom retorno.

Então, em uma economia moderna, encontrar capital para investimentos com perspectiva de lucro não é o problema

Assim, voltemo-nos agora para a segunda condição apresentada: o que poderia determinar a perspectiva de lucro de um negócio?

Causas da perspectiva de lucro

Pressupondo que haja demanda dos consumidores pelo produto em questão, existem aqui também dois fatores principais. 

O primeiro é o nível da concorrência. Ao abrir uma nova padaria, o empresário não procura uma região onde há poucas padarias? Ou onde as que existem são muito mal avaliadas pelos moradores ao redor? O mesmo não vale para uma nova academia? Uma empresa de telefonia? Um escritório de advocacia? Ou para qualquer negócio?

Empreendedores em qualquer área procuram um público mal atendido pelos empreendedores atuais. Afinal, ter poucos concorrentes ou ter concorrentes fracos é sinal de lucro, e é lucro que o empresário está buscando. 

Agora vejamos o segundo fator que pode afetar sua perspectiva de lucros: exigências legais.

Se para poder operar em um determinado mercado for exigido o cumprimento de exigências legais muito custosas, isso diminui significativamente as perspectivas de lucro do negócio. Adquirir licenças, arcar com todas as imposições, contratar contadores e advogados, pagar taxas de operação, lidar com os papeis, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos — tudo isso custa caro e pode tornar o negócio inviável. 

Ainda pior são os casos em que é necessária autorização de algum órgão regulador antes de começar a operar, e esse órgão restringe o número de licenças concedidas. Isso cria um tipo de leilão pelas licenças disponíveis, encarecendo a operação do novo negócio já de início. O grande exemplo é o já muito debatido caso dos táxis, mas há também o da telefonia, o de instituições financeiras e diversos outros.

E, por fim, o pior dos cenários é o da proibição total, como a lei que proíbe que haja concorrência aos Correios em alguns de seus serviços, que age como um custo impagável que inviabiliza qualquer tentativa de negócio.

Repare como os dois fatores agem de forma independente. De nada adianta os concorrentes serem fracos se as exigências legais forem custosas. E de nada adianta as exigências legais serem brandas se o mercado já está saturado. 

O negócio só será lucrativo ao empreendedor em um mercado de concorrentes fracos (ou inexistentes) e exigências legais brandas (ou inexistentes).

Cena 1, tomada 2

Agora, vamos refazer o roteiro levando tudo isso em conta. 

Temos uma situação inicial de um mercado com diversas empresas, cada uma delas com uma lucratividade diferente. Precisaremos analisar o desenrolar da situação inicial sob dois cenários diferentes: um em que os custos de cumprir as exigências legais são altos, e outro em que eles são baixos.

Já que as empresas têm taxas de lucro diferentes entre si, veremos fusões e aquisições entre elas, reduzindo o número de concorrentes. A redução no número de concorrentes leva a uma piora na concorrência, o que por sua vez leva a uma deterioração na qualidade do produto e a uma escalada nos preços.

No primeiro cenário em que os custos vindos das exigências legais são altos, novas empresas não entram porque não é lucrativo operar neste mercado. O número de empresas segue reduzindo até que surge um cartel ou monopólio, prejudicando ainda mais a situação dos consumidores.

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 Representação da evolução de um setor econômico em que é necessário cumprir exigências legais de alto custo (setor fortemente regulado pelo estado)

No segundo cenário, o de custos baixos para o cumprimento das exigências legais, também temos inicialmente empresas com diferentes taxas de lucro entre si, as consequentes fusões e aquisições, e a redução no número de concorrentes. Depois disso, temos também uma piora no nível da concorrência.

Mas lembre-se: quando a concorrência é fraca e o custo das exigências é baixo, as perspectivas de lucro no setor aumentam.

Com isso, temos a entrada de novos competidores, o que eleva de novo o número de empresas concorrentes, o nível da concorrência, e a qualidade do produto para o consumidor. Voltamos à situação inicial.

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 Representação da evolução de um setor econômico em que não é necessário cumprir exigências legais de alto custo (livre mercado)

Isso quer dizer que, quando as exigências legais de operação não são um obstáculo à entrada de novas empresas, o cenário inicial, do ponto de vista dos consumidores, é um cenário recorrente. Qualquer desvio dele é a própria causa de sua correção. Empresas vêm e vão, mas os níveis de concorrência, preços e qualidade do produto se mantêm estáveis. Aqui é onde o sonho dos liberais de um mercado que se autoajusta para o bem da população se torna realidade.

Objeções comuns

Diferentemente do que pensa a maioria, o que previne monopólios não é a ação do estado, mas justamente sua não-intromissão nos mercados. 

Quanto menos custoso for cumprir com suas exigências regulatórias, mais rápido é o ajuste feito pela entrada de concorrentes. A melhor forma de preservarmos a saudável concorrência entre produtores é não permitir que o estado  regule os produtores com leis, regulamentos e exigências.

Algumas pessoas, no entanto, enxergam possíveis problemas com essa solução. 

Em primeiro lugar, muitos veem essas exigências estatais como essenciais para o bom funcionamento da economia. Se qualquer um pudesse se tornar motorista, os passageiros estariam em perigo com motoristas irresponsáveis. Se a ANATEL não estipulasse requisitos mínimos de qualidade, o sinal do telefone seria frequentemente fraco. E assim por diante.

Para essas pessoas, seria um dilema ter que escolher entre (a) um mercado com produtores regulados, mas com cartel ou monopólio, e (b) outro sem cartel ou monopólio, mas com produtores livres de regulação.

Só que é crucial ter em mente que existe uma alternativa à regulação estatal: a regulação de mercado. Com efeito, é impossível existir um mercado desregulamentado. As alternativas são: ou o mercado é regulado por políticos e burocratas, ou ele é regulado pelos consumidores.

Ambos os modelos de regulação têm o objetivo de tirar de mercado as empresas de produto insatisfatório e garantir bom preço e qualidade das demais. A regulação estatal faz isso por meio de leis e normas que encarecem a produção e, como vimos, causam o surgimento de monopólios.

Já a regulação de mercado faz isso por meio das escolhas dos consumidores: empresas escolhidas crescem e prosperam, empresas preteridas definham e morrem. 

Logo, é falso dizer que, se não fosse pela regulação estatal, não haveria regulação nenhuma.

Há também a ideia de que um pequeno novo entrante nunca conseguirá vencer um grande produtor estabelecido. O erro aqui é supor que um empresário não consiga ser lucrativo sem derrubar seus concorrentes. O livre mercado não é uma guerra que precisa ser lutada. O mercado é um ambiente de trocas voluntárias, e não é necessário destruir ninguém para realizar trocas voluntárias.

Eis um exemplo. Suponha que uma certa rede de supermercados inicialmente realize 100% das vendas do setor no país. Graças ao monopólio, o preço e a qualidade de seus produtos serão insatisfatórios para os consumidores. Entretanto, não há qualquer exigência legal à entrada de novos competidores — qualquer um pode abrir um mercado e começar a vender sem incorrer em custos que não sejam aqueles do próprio negócio.

Aqui, alguém diria que não haveria a entrada de novos concorrentes porque, apesar da concorrência ser fraca e de não haver custos legais de operação, ninguém conseguiria vencer a grande rede no Brasil inteiro. Mas isso é necessário? 

E se o Seu José, no pequeno município de Pindorama, resolvesse abrir uma vendinha concorrente? A vendinha seria lucrativa?

É óbvio que sim. Ele não precisa vender no país todo. O seu negócio será viável e lucrativo enquanto ele continuar recebendo os clientes do município insatisfeitos com a grande rede. 

Numa situação dessas, concorrentes locais surgiriam por todo o país, dando uma opção melhor aos consumidores. E a grande rede precisará melhorar o seu serviço por todo o país — ou então perderá clientes continuamente até sair do mercado sem ter sido "derrubada" por qualquer produtor em particular (e sim, a queda de gigantes é algo corriqueiro no capitalismo).

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O mercadinho do Seu Zé tem muito mais poder sobre o seu bem-estar e sobre a liberdade econômica do país do que você imagina

Conclusão

Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações, é exatamente o estado. Normalmente, isso ocorre de uma maneira mais direta, por meio de regulamentações e exigências que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado. Mas também há maneiras mais indiretas, como subsídios a empresas favoritas, protecionismo via obstrução de importações, e até mesmo altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Já uma economia livre é muito mais orgânica do que as pessoas geralmente se dão conta. Empresas nascem, crescem, definham e morrem a todo instante. Como na biologia, esse processo é muito saudável para a economia como um todo, um processo de constante auto-rejuvenescimento, mesmo que não seja sempre bom para cada empresa em particular.

Reza a lenda que quando o Ministro das Finanças francês no século XVIII Jean-Baptiste Colbert perguntou a comerciantes o que ele poderia fazer para fomentar ainda mais o comércio e a economia da época, um deles respondeu: "Laissez-nous faire", ou "deixe conosco", ou ainda "deixe fazer". Ao que tudo indica, as intenções do ministro pareciam sinceras de realmente querer ajudá-los. Deve ter tido um espanto com a resposta de que o melhor era ele não fazer nada.

Muita gente até hoje se surpreende ao descobrir que o caminho do crescimento econômico sustentado depende muito mais do laissez-faire do que do mexer, revirar e reordenar. Entender as raízes do monopólio talvez ajude o leitor a perceber isso.

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autor

Felipe Lungov
é formado em economia pela FEA-USP com especialização em estatística pela FIA-USP. É editor do blog Palavras de Liberdade e presidente da Academia Liberalismo Econômico.

  • Marcelo  25/06/2020 19:36
    Rapaz, comecei a ler os primeiros parágrafos e tomei um susto! Pensei até que o site tinha sido hackeado de novo... rs.

    Muito bom artigo, como de praxe. Um dos clichês mais persistentes, e que inclusive é acreditado até mesmo por muitos "liberais" é esse de que o livre mercado gera monopólios. Mas aí você pede um só exemplo e o cara cita Google...
  • Bernardo  25/06/2020 19:45
    Além do Google, já vi também citarem Facebook como exemplo de monopólio de mercado...
  • Márcio Camargos  25/06/2020 19:56
    Mas Google e Facebook são sim monopólios ué…
  • Bruno  25/06/2020 20:02
    É mesmo?

    Concorrentes do Facebook: Instagram, Snapchat, LinkedIn, Google,Twitter, Pinterest, Tumblr, Tagged, MySpace, MeWe, Flickr, Diaspora, Ello, Foursquare, Ning, Path, Quora.

    Concorrentes do Google: Yahoo, Bing, DuckDuckGo, Blippex, Wolfram Alpha, Blekko, Naver, Yandex, Pipl, Baidu, Yacy, StartPage.

    g1.globo.com/mundo/noticia/2013/07/google-conheca-as-alternativas-ao-gigante-das-buscas.html

    Todos estão aí, implorando para você utilizá-lo.

    Mas você não vai abrir mão da qualidade e da praticidade do Google, né? E ainda o critica justamente por lhe fornecer todas essas comodidades.

    Esse livre mercado realmente é mau.
  • WMZ  26/06/2020 16:39
    Tá, mas o Google paga a diversos sites e provedores de informação digital para que o Google tenha prioridade e privilégios sobre os demais sites.(dá uma googleada que você vai ver)

    É como se o IMB fizesse um bom contrato com o Google para que o instituto só fosse exibido nos buscadores do Google (é um exemplo extremamente tosco mas é só para exemplificar... vamos supor que o contrato era vantajoso para o IMB...em troca, todas as buscas sobre economia apresentariam o IMB como o primeiro site)

    Ao meu ver, esse monopólios do Google não é ruim já que não tem como a empresa diminuir a qualidade e aumentar os preços, já que é por causa da qualidade e dos preços práticos que o Google é tão popular e, logo, um melhor canal de divulgação
  • Sílvio  26/06/2020 16:59
    "Tá, mas o Google paga a diversos sites e provedores de informação digital para que o Google tenha prioridade e privilégios sobre os demais sites.(dá uma googleada que você vai ver)"
    O Google paga?
    "É como se o IMB fizesse um bom contrato com o Google para que o instituto só fosse exibido nos buscadores do Google (é um exemplo extremamente tosco mas é só para exemplificar... vamos supor que o contrato era vantajoso para o IMB...em troca, todas as buscas sobre economia apresentariam o IMB como o primeiro site)"

    Isso está em contradição com a primeira afirmação sua. Afinal, o Google paga ou ele recebe?

    "Ao meu ver, esse monopólios do Google não é ruim já que não tem como a empresa diminuir a qualidade e aumentar os preços, já que é por causa da qualidade e dos preços práticos que o Google é tão popular e, logo, um melhor canal de divulgação"

    Pela enésima vez: monopólio, por definição, significa um mercado cuja entrada de concorrentes é proibida pelo governo. O Google não só tem uma dezena de concorrentes, como também a entrada no mercado é totalmente livre. Não há nenhuma lei estatal proibindo o surgimento de novos motores de busca.

    Ao menos entendam conceitos básicos antes de falarem sobre o assunto.

    Se o Google é o preferido, é porque ele é o melhor. Você mesmo não abre mão de utilizar o Google para as suas buscas. E adivinhe só? Você faz isso totalmente de graça e o serviço é excelente.

    Ao combaterem a gratuidade deste "monopólio", você estão fazendo um elogio rasgado à eficiência do capitalismo.
  • WMZ  26/06/2020 17:09
    Os sites e os provedores de informação recebem do Google.Os concorrentes do Google, como o Duckduckgo, serao os prejudicados pois terão menos coisas indexadas nas buscas
  • Bruno Souza  26/06/2020 17:40
    1) Onde o consumidor está sendo prejudicado no fato de uma empresa estar investindo para expandir seus serviços?

    2) Por que tal empresa deve ser punida por fazer isso?

    3) Operadoras de telefonia celular que dão chips gratuitos para clientes em determinadas ofertas devem ser punidas?
  • Adnet  25/06/2020 20:09
    Monopólio, por definição, significa uma mercado fechado pelo governo, o qual proíbe a entrada de qualquer concorrência.

    Google tem monopólio? Quer dizer então que se eu quiser fazer uma busca pelo Bing ou pelo Yahoo ou pelo Altavista ou pelo Badu ele me proíbe?! Aliás, se o Google tem o monopólio, como é que existem todos esses outros?

    O Google domina a cena e é o preferido simplesmente porque seu sistema de busca é muito eficiente. Não me lembro da última vez em que tive que ir para a página 2 do Google para achar alguma coisa. Na época em que o Google se popularizou e cresceu, tinha até a piada de que se você está se distanciando muito da primeira página de pesquisa do Google, provavelmente o que você está procurando não existe.

    Outros fatores também foram determinantes: a página que aparecia os resultados era mais limpa, as propagandas ficavam no canto e não no meio dos resultados etc.

    Outra coisa, o navegador Firefox oferece a opção de fazer a busca pelos motores do Google, Yahoo, Bing, Buscapé, DuckDuckGo etc. Curioso esse monopólio, não?

    Deus do céu, tem gente que nem conhece o significado das palavras que digita.
  • A.D.  26/06/2020 14:08
    Além de não serem monopólios em sentido estrito (não vou citar novamente os inúmeros concorrentes já citados), a maior prova da ineficácia desse argumento é que nenhum dos dois consegue praticar PREÇOS MONOPOLÍSTICOS. Na verdade, a concorrência é tamanha que os principais serviços são oferecidos GRATUITAMENTE. Você utiliza o facebook e o google de GRAÇA. Caso contrário, justamente em virtude da facilidade de concorrência, imediatamente as pessoas migrariam para outros serviços e eles perderiam grande parte dos respectivos market share. Isso também obriga sempre google e facebook a melhorem os seus produtos. Em virtude da base de dados que conseguem acumular, ganham dinheiro (e com elevada margem de lucro) basicamente com publicidade, aí sim, um setor ultra-regulado (duvida?! pergunte ao Gustavo Lima). Ou seja, google e facebook atuam, principalmente, cada um, em dois negócios: o de frente (no caso do google, site de buscas, e, no do facebook, rede social) e o de "fundo" (publicidade). O negócio de frente não é regulado, a concorrência é imensa e a margem de lucro é zero; o de fundo é super-regulado, a concorrência é ínfima e a margem de lucro é enorme. Portanto, google e facebook são a melhor prova de que governos é que geram monopólios (se o setor de publicidade não fosse ridicularmente regulado e judicializado, que é outra forma asinina e absurdamente ineficiente de regulação, surgiriam muitas outras empresas focadas especificamente nesse setor. Como a margem de lucro seria menor, google e facebook poderiam optar por vender as suas base de dados, no lugar de explorar diretamente a atividade. Poderiam surgir muito mais empresas especializadas em captar e vender dados. Outras empresas de rede social e busca que cobrassem mais barato por publicidade poderiam receber mais recursos e crescer, ameaçando até mesmo o negócio principal das líderes no setor. Empreendedores poderiam desenvolver várias outras formas de propaganda que não necessitasse do google ou do facebook: as recentes lives são um exemplo disso, empresas contrataram artistas para divulgar seus produtos, sem dependência de google ou facebook ou da globo. O que o Conar e a justiça fizeram? Condenaram os atores e as empresas a pagarem multas absurdas por "propaganda indevida". Resultado: atores e empresas terão que arcar com os custos elevados da burocracia, restringindo concorrência e incentivando a utilização dos meios tradicionais, ou seja, setor ainda mais monopolizado).
  • Marcelo  26/06/2020 10:26
    O gerador de cartéis e monopólios é a sociedade escusa entre o grande capital e o partido socialista instalado no governo, com o capital recebendo privilégios e subornando os políticos, até gerar uma central única de poder político e econômico dominando coisas e mentes.
  • Felipe L.  25/06/2020 21:11
    Cartéis não são problemas per se. Só passam a ser problemas quando são criados pela regulação estatal. A OPEP é um cartel mas, até onde sei, nenhum governo mundial criou uma regulação mundial sobre petróleo e derivados e fomentou a OPEP. Exemplo foi o avanço recente na extração do petróleo pelos Estados Unidos.
  • Trader  25/06/2020 22:25
    Nem mesmo a OPEP pode ser considerada cartel, pois eles não mais têm capacidade de estipular preços. Os preços do petróleo são estipulados no mercado futuro de commodities. A OPEP simplesmente segue.

    Ademais, a força do dólar é o principal determinante do preço do petróleo. Commodities são precificadas e comercializadas em dólar no mercado internacional, de modo que a força do dólar é determinante para o preço. Quando o dólar está fraco, o petróleo está caro. Quando o dólar está forte, o petróleo está barato. Não há exceções a essa relação.
  • A cabeça do burocrata  25/06/2020 21:25
    Se uma empresa pratica um preço muito alto, é monopólio e ela deve ser destruída.

    Se pratica um preço muito baixo, é concorrência predatória e ela deve ser processada.

    Se pratica o mesmo preço das demais, é cartel e ela deve ser multada.

    Observe que para os detratores, nunca jamais haverá um arranjo aceitável em uma economia de mercado
  • Desafio  25/06/2020 21:58
    Ok, algumas perguntas sobre concorrência para os "expérts" em economia do IMB.

    Como é que a Dollynho vai competir com a Coca?

    Como é que o pão de queijo da dona Cledna vai competir com o Starbucks?

    Como é que a barraquinha de hambúrguer do Jocas vai competir com o McDonald's?
  • Bernardo  25/06/2020 22:09
    Resposta para todas: conquistando a preferência dos consumidores.

    Se não conseguirem, abraço. Você não pode obrigar os consumidores a abrirem mão daquilo que gostam para dar dinheiro para aquilo que não gostam.

    A menos, é claro, que você acredite que há um "direito natural" da Dollynho ser mais querido que a Coca-Cola, da dona Cledna ser maior que a Starbucks, e do Jonas superar o McDonald's.
  • Thiago  25/06/2020 22:10
    Dica básica: pelo simples fato desses três existirem já mostra que são lucrativos.
  • anônimo  25/06/2020 22:18
    Há restaurantes, cantinas, e coisas similares surgindo o tempo todo, em cidades grandes e pequenas, mesmo aqui no Brasil, dentro de faculdades privadas, em toda esquina. (Antes da Covid, claro).

    Mesmo com os McDonalds e BurgersKings da vida, todo dia eu via (antes da Covid) um novo foodtruck vendendo hambúrguer na rua e lotado, mesmo praticando preço acima desses gigantes...na cabeça socialista, todas as empresas deveriam ter o mesmo tamanho? Sendo uma mais bem sucedida, deve ser penalizada? Como tal arranjo produzirá, senão, produtos e serviços medíocres e caros, visto que ao se destacar o sujeito é penalizado? Me lembra aquela imagem de pessoas de diferentes tamanhos tentando ver um jogo e os socialistas imaginam que é função do governo dar uma caixa para que os menores possam ver também (ficando todos do mesmo tamanho), mas que na prática o que acontece é que cortam as pernas de todos e ninguém mais assiste é nada...
  • Antônio  25/06/2020 22:21
    O dono da barraca da esquina não quer ser maior que o McDonalds e sim sustentar sua família.

    Evidentemente só é possível a uma ser a maior mas é possível que várias sejam lucrativas. Não há nada de errado com esse arranjo e nem nada a ser consertado.

    Não é da nossa responsabilidade dizer/saber como outros empreendedores irão competir com outros. Isso é problema deles. Como consumidor tudo o que interessa para mim são produtos bons a preços que eu considere aceitáveis.
  • TIoSam  25/06/2020 22:26
    Olá Amigo, creio que a sua resposta está no texto. A questão não é competir, pois o livre mercado não é uma guerra que precisa ser vencida.

    Qualquer um dessas empresas que você citou contra gigantes do mercados são capazes de serem lucrativas.

    "O seu negócio será viável e lucrativo enquanto ele continuar recebendo os clientes do município insatisfeitos com a grande rede."

    O ponto justamente é, não precisa derrubar o maior, mas sim ser lucrativo para os sócios/donos.
  • Conserva  25/06/2020 22:28
    "Como é que a Dollynho vai competir com a Coca?"

    E todo mundo compra Coca? Se a Dolly não estivesse conseguindo competir não continuaria existindo depois desses anos todos que está no mercado.

    "Como é que o pão de queijo da dona Cledna vai competir com o Starbucks?"

    Existem milhares de lanchonetes espalhadas pelo país inteiro que vendem pão de queijo e que eu saiba o Starbucks até hoje não as quebrou.

    "Como é que a barraquinha de hambúrguer do Jocas vai competir com o McDonald's?"

    E todo mundo compra hambúrguer no McDonald's? Recentemente têm surgido diversas novas hamburguerias artesanais, além de hambúrguer artesanal em carrinhos de food truck.

    Pela sua lógica, não só não era para estar surgindo nenhum, como também todos os existentes já deveriam ter quebrado.
  • anônimo  25/06/2020 22:37
    Eu sei que foi trollagem, mas vale a pena enfatizar coisas óbvias: não é necessário que dona Cledna, Jocas ou Dolly concorram de igual pra igual com o maior de sua respectiva área. A pergunta real é: essas empresas menores estão funcionando bem? Estão gerando lucro? Então não existe necessidade nenhuma delas serem as maiores. Se dona Cledna consegue tirar seu sustento com o pão de queijo dela, mesmo com a existência do Starbucks, então isso já é positivo. Pois além dessa última empresa não conseguir cobrir 100% das localidades, ainda tem de levar em conta que a preferência das pessoas nunca é 100% para determinado produto, logo sempre haverá demanda diferenciada. 

    Eu, que não sou ninguém, conheço inúmeras pessoas que não gostam do mcdonalds, coca-cola ou starbucks, e que prefeririam qualquer alternativa menos mainstream industrial. Imagina a quantidade dessas pessoas na economia total.
  • anônimo  25/06/2020 23:49

    "Como é que a Dollynho vai competir com a Coca? "

    a dolly é um dos melhores estudos de caso sobre presença de mercado

    o dollynho ao virar meme na internet fez a marca ganhar uma presença que a coca-cola jamais vai ter

    do ponto de vista de investimento foi apenas um personagem low budget de baixa qualidade e não tem uma criança no brasil que não conheça

    ou pega outra área de bebidas , a ambev não impede o crescimento de cervejas artesanais

    contato que seja um campo de livre iniciativa sempre existem novos nichos e abordagens pra conquistar uma posição no mercado
  • Imperion  26/06/2020 14:28
    Desde que a Coca não seja protegida pelo estado, a Dolly pode competir contra ela. Agora se for, não tem jeito. Os custos da Dolly roubariam a qualidade de seu produto. E sem agradar aos consumidores, não venderia.

    A Coca não detém monopólio. É apenas grande…

    Qualquer concorrente tem que apenas ter o produto de qualidade, visto que a Coca mesmo grande não agrada 100 por cento dos produtos que ela produz.

    Mas é óbvio que a concorrência tem que investir na qualidade do próprio produto, na capacidade de entregar aos seus consumidores. E nisso a Coca ser gigante ou produzir água passada não influi em nada. Isso só influi nas vendas da própria Coca.

    Não pode assim ter proteção a uma companhia , o mercado deve ser livre e o empresário, pra crescer, tem que investir no dele e não na sabotagem do concorrente.

    Quem pensa o contrário é aquele invejoso que acha que pra ter alguma coisa, tem que tirar dos outros e não construir o próprio.

    É aquele invejoso que acha que pra conseguir tem que destruir o que os outros têm e não construir o seu.
    É aquele que não quer construir o seu próprio patrimônio aos poucos, mas prefere roubar o dos outros em minutos. Mas fica pagando de vítima porque não tem.

    A sorte favorece os destemidos e preparados. Não os covardes vitimistas e preguiçosos.
  • Thomas  26/06/2020 01:06
    O mais irônico é que aqueles que são considerados os "grandes monopolistas" da história americana foram, na prática, os maiores benfeitores dos consumidores:

    1) Andrew Carnegie conseguiu, praticamente sozinho, fazer com que o preço do aço para ferrovias caísse de $160 por tonelada em meados dos anos 1870 para apenas $17 por tonelada já ao final dos anos 1890. 

    Dada a importância do aço para uma economia moderna, essa brutal redução dos preços gerou maior riqueza e um maior padrão de vida para todos.  Carnegie era tão eficiente que as 4.000 pessoas que trabalhavam em sua planta na cidade de Pittsburgh produziam três vezes mais aço do que os 15.000 trabalhadores da Krupp alemã, o mais moderno e renomado grupo industrial da Europa.

    2) John D. Rockefeller foi capaz de reduzir o preço do querosene de $ 1 por galão para $ 0,10 por galão. As pessoas finalmente passaram a poder iluminar suas casas. 

    Rockefeller também desenvolveu 300 produtos a partir dos resíduos que sobravam após o petróleo ter sido refinado.  As alegações de que Rockefeller era um competidor "desleal" (seja lá o que isso signifique), a lamúria típica daqueles incapazes de ofertar um produto a preços que agradem aos consumidores, foram enterradas definitivamente meio século atrás pelos estudos de John S. McGee publicado no Journal of Law and Economics.  (John S. McGee, "Predatory Price Cutting: The Standard Oil (N.J.) Case," Journal of Law and Economics 1 [Outubro 1958]: 137-69). 

    3) James J. Hill cresceu na pobreza, mas suas habilidades empreendedoriais moldaram a Great Northern Railroad, uma linha férrea que ligava St. Paul, Minnesota, a Seattle, um enorme sucesso empresarial feito absolutamente sem qualquer subsídio governamental. 

    Em 1893, quando as ferrovias subsidiadas pelo governo foram à falência, a linha férrea de Hill não apenas foi capaz de cortar suas tarifas, mas também de colher lucros substanciais.

    4) Em 1798, o governo do estado de Nova York havia concedido a Robert Livingstone e Robert Fulton o monopólio da operação dos serviços de barcos a vapor pelo período de trinta anos.  Mas Cornelius Vanderbilt foi contratado para gerir esse transporte entre New Jersey e Manhattan, como forma de desafiar aquele monopólio.  Vanderbilt não apenas conseguiu se esquivar das perseguições do governo, como também cobrava apenas um quarto da tarifa praticada pelos monopolistas.

    Depois que uma decisão judicial em 1824 derrubou o monopólio concedido pelo estado de Nova York a esse tipo de transporte, a tarifa de uma viagem entre a cidade de Nova York e Albany, a capital do estado, despencou de sete dólares para três.  O trecho Nova York-Filadélfia, que custava três dólares, caiu para um.  Os viajantes que iam de New Brunswick para Manhattan agora pagavam apenas seis cents, e comiam a bordo de graça.  Quando Vanderbilt moveu suas operações para o Rio Hudson, ele cobrava uma tarifa de dez centavos, em contraste aos três dólares que até então eram cobrados pelos concorrentes. Pouco depois ele decidiu abolir completamente suas tarifas, custeando sua operação exclusivamente com a receita adquirida dos serviços a bordo, os quais ele alugava para outras empresas.

    Vanderbilt também sobrepujava duas outras empresas de barcos a vapor que levavam passageiros e mercadorias para a Califórnia.  Elas cobravam $600 por passageiro por viagem.  Vanderbilt, novamente sem qualquer subsídio, cobrava $150 por passageiro, e absolutamente nada para entregar as mercadorias.

    "Monopolistas" assim eu quero para sempre.
  • Felipe L.  26/06/2020 03:31
    Nessa época moeda era moeda, com padrão-ouro. Alguns centavos e já podia fazer alguma coisa. Até a contabilidade é beneficiada por uma moeda forte. Hoje estaríamos em uma prosperidade ainda maior se nunca tivessem inventado moda com os Bancos Centrais. Talvez até carros voadores, por que não? Imagina um carro careta por 200 réis?

    Um sonho mais distante (o padrão-ouro puro) do que se encontrar com uma super-modelo dinamarquesa.
  • Caio  26/06/2020 13:36
    Na escola aprende-se que esses caras eram os "robber barons", e que foi o Sherman Act que "salvou" os americanos dos monopolistas…
  • Thomas  26/06/2020 14:17
    As leis antitruste foram criadas precisamente para serem usadas pelos concorrentes menores para arrasar concorrentes mais eficientes.

    Na época, as empresas acusadas de monopolização dos mercados estavam aumentando sua produção e reduzindo seus preços num ritmo muito maior do que o resto da economia como um todo. Elas estavam expandindo sua produção quatro vezes mais rápido do que a economia como um todo (algumas até dez vezes mais rápido) e baixando os seus preços ainda mais rápido do que o nível geral de preços estava caindo durante aquele período deflacionário.

    A ALCOA, por exemplo, foi uma das empresas acusadas de "monopolização". Quando a ALCOA foi fundada em 1887, ela se chamava Pittsburgh Reduction Company e a libra de alumínio custava 5 dólares. Em aproximadamente 50 anos, ela passou a dominar o mercado de alumínio, razão pela qual foi acusada, em 1937, de "monopolização". Ocorre que durante esse período, ela, com base na sua eficiência, reduziu o preço da libra de alumínio para ínfimos 22 centavos de dólar. Em suma: a ALCOA foi processada porque reduziu em aproximadamente 95% o preço final do produto que comercializava.

    A Standard Oil, de John Rockfeller, como já dito, durante seu suposto "monopólio", o preço do barril de querosene caiu de 30 centavos para 6 centavo.

    Você acha que foi esse tipo de efeito negativo sobre os consumidores provocado pelos "monopólios" que preocupou os criadores do Sherman Act ? Claro que não! Obviamente, não eram os consumidores que estavam preocupados com essa postura das empresas "monopolistas" de aumentar a produção e baixar os preços. Quem estava preocupado com isso eram os concorrentes dessas empresas, e foram eles que passaram a pressionar os políticos a aprovarem uma lei antitruste.

    Quem mais pressionou o governo para aprovação do Sherman Act foram os pequenos produtores rurais, por meio de seus sindicatos (os grangers). Esses pequenos produtores não estavam agindo em defesa da liberdade econômica ou dos consumidores, mas de seus próprios interesses, já que grandes empresas — como a Swift — estavam lhes tomando mercado oferecendo produtos mais baratos e melhores.

    Recomendo este artigo, do professor André Luiz Santa Cruz Ramos, talvez o maior especialista do Brasil na área.

    www.mises.org.br/article/1999/o-sherman-act-e-a-origem-das-leis-antitruste--quem-realmente-se-beneficia-com-elas
  • Humberto  26/06/2020 01:21
    "Só que é crucial ter em mente que existe uma alternativa à regulação estatal: a regulação de mercado. Com efeito, é impossível existir um mercado desregulamentado. As alternativas são: ou o mercado é regulado por políticos e burocratas, ou ele é regulado pelos consumidores."

    Sim. Quanto menos um mercado é regulado — ou seja, quanto menos um mercado é restringido — pelo governo, mais ele é regulado pelas forças do mercado (pense em restaurantes, padarias, barbearias, manicures, oficinas mecânicas, borracharias, lava-jatos, hamburguerias, lojas, comércio em geral e todo o setor de serviços etc.). 

    Inversamente, quanto mais restrições governamentais, menor é a regulação pelas forças do mercado, e piores tendem a ser preço e qualidade (mercado bancário, aéreo, elétrico, petrolífero, postos de gasolina, telefonia celular etc.).

    Há um trade-off direto entre ambos.

    Nunca haverá uma escolha entre regulação e ausência de regulação.  Sempre haverá uma escolha entre dois tipos de regulação: regulação feita por políticos e burocratas, ou regulação feita pelas forças do mercado (consumidores). Regulação feita por decretos, ou regulação feita pela liberdade de escolha.

  • Kim  26/06/2020 02:56
    Boa noite, mas e se três lojas( 1 2 e 3), por exemplo, se juntam, e aumentam o preço, mas quando aparece uma com preço mais baixo (loja A), essas tres abaixam mais ainda, falindo a loja A. E aí? Por exemplo: Antes do monopólio, variação: R$20 – R$30, mas essas tres vendem por R$50. Se aparecer alguem com R$20 – R$30, eles abaixam para R$10 ate a falir, depois voltam nos R$50?
  • Bernardo  26/06/2020 03:04
    Pra começar, três lojinhas de bairro enfrentando a concorrência de uma quarta lojinha que acabou de chegar não representa exemplo de monopólio em lugar nenhum do mundo — mesmo porque, segundo seu próprio exemplo, há plena liberdade de entrada no mercado.

    Citar três lojinhas de esquina baixando o preço para enfrentar a concorrência de uma quarta lojinha (que surgiu no outro lado da rua) está longe de representar um exemplo prático de monopólio global dominador.

    Monopólio é quando uma única empresa domina todo o mercado de um país porque o governo proíbe a entrada de concorrentes. Lojinha num bairro qualquer disputando a clientela daquele bairro (e ainda sofrendo a concorrência de outras que têm liberdade plena de entrar) está longe de ser monopólio. Aliás, os moradores daquele bairro sempre podem ir comprar em outro bairro.
  • Flávio  26/06/2020 03:05
    Tal situação só ocorre se as empresas já estabelecidas conseguem ter custos menores que a nova entrante. Do contrário, não é uma situação que se sustente a longo prazo. E se a loja 2, por exemplo, tem menos caixa e aí acabam sobrando só a 1, a 3 e a A, alguns meses depois? Pode acontecer, também.

    Às vezes, ocorre de a nova entrante praticar preços tão baixos que são as concorrentes já estabelecidas que quebram, por não conseguir acompanhar o preço. Basicamente, foi dessa maneira que a Wal Mart, ainda quando empresa pequena, se estabeleceu. E só conseguiu isso por manter custos extremamente baixos.
  • anônimo  26/06/2020 16:50
    Aqui no meu bairro tinha uma mercearia que 2 dos principais produtos que vendia era pão e água mineral.

    Meu pai e eu até já deu uns conselhos para ele como entregar a domicílio e aceitar outros métodos de pagamento(maquininha de cartão, TED pelo Banco inter e nubank(sem custos) e até bitcoin) mas o cara não quis inovar porém ele fez outras "inovações" trocou de carro(próprio) e melhorou a faixada da casa dele.

    Aí veio a loucura dos governadores e prefeitos por causa do vírus decretou lockdown e enquanto isso surgiu outros "players" que foi 2 jovens vendendo pão em um carro de mão aos "berros" e um vizinho vendendo água mineral ( aceitando os métodos de pagamento acima exceto o bitcoin e incluindo comprar à fiado) sendo que ambos entregam a domicílio.

    O lockdown começou a caducar e quando o mesmo voltou já tinha perdido boa parte da clientela(eu diria uns 80% pois quem compra agora é quem mora ao redor dele) sendo que até agora não mudou não se atualizou não se modernizou não satisfaz mais os desejos e as necessidades dos clientes sendo talvez agora o início do fim do empreendimento dele.

    Mas de certa forma melhorou a minha vida, da minha família e dos meus vizinhos que são mais distantes da mercearia uns 500 metros.

    Melhorou a vida dos novos empreendedores que antes estavam desempregados e agora estão no setor produtivo.

    Se o dono da mercearia aprender com os erros talvez não quebre.

    Quantos vcs conhecem que estão nesta situação?
  • Augusto  26/06/2020 17:13
    O erro dele foi cometido aqui:

    "mas o cara não quis inovar porém ele fez outras "inovações" trocou de carro(próprio) e melhorou a fachada da casa dele."

    Ou seja, em vez de reinvestir lucros (capital acumulado) para expandir e melhorar a qualidade dos serviços, ele optou por consumir o capital em despesas próprias.

    Clássico exemplo de livro-texto sobre o que um empreendedor não deve fazer.

    "Quantos vcs conhecem que estão nesta situação?"

    A maioria.

    www.mises.org.br/article/2928/a-maioria-dos-empreendedores-e-composta-de-maus-empreendedores--eis-a-sua-chance-
  • Imperion  26/06/2020 17:09
    A partir do momento em que elas abaixam os preços, elas lucram menos. E se for pra quebrar alguém eficiente, elas tem que baixar os preços até o ponto de ter prejuízo. Não funciona. Teve prejuízo, quem tem o risco de quebrar são elas, pois agem contra a boa governança corporativa de um simples negócio.

    Essa estratégia só traz resultado quando as três tem acesso a crédito farto liberado pela intervenção do governo. E a outra não protegida não tem. Ou então os impostos deles são descontados e os da quarta não. Ou conseguem alívio da burocracia ao mesmo tempo em que o governo ataca a quarta.

    Elas pegam o dinheiro do governo, abaixam os preços, gastando o que veio do contribuinte. Tendo crédito farto, fazem a aposta, pois sabem que estão em vantagem gerada por suas ligações com o governo, enquanto que a quarta não tem essa ajuda do governo.

    Elas não conseguiriam fazer isso sem ajuda estatal. No livre mercado, se elas tem um produto pior e se juntam pra quebrar a quarta, enquanto esta tiver o produto se qualidade, ela vai ter compradores.

    A ajuda protecionista para alguns, vantagens políticas e favores na verdade favorecem o capitalismo selvagem, exatamente quando se juntam pra prejudicar quem tá em vantagem fazendo o serviço de qualidade.
  • Andre de Lima  26/06/2020 16:37
    Salvo engano foi o que aconteceu com a Hyundai quando chegou ao Brasil com o seu HB20. (esse exemplo das empresas 1, 2, 3 e a entrada de um novo concorrente A, a diferença é que não o tiraram do mercado, o cooptaram para fazer parte da MAFIA)
    Repetindo, salvo engano, a ideia dos asiáticos era vender o carro pelo "preço justo" compatível com os custos de impostos e tudo mais e o valor do veículo recém lançado sairia menos de 18000 na versão de entrada e a topada com os opcionais não chegava a 30000. Porém... Fiat, Ford, Chevrolet, Renault... "cara, deixa de ser tonto, se você fizer isso você quebra a gente! Pode colocar no minimo 32000 na versão de entrada, os brasileiros SÃO OTARIOS e pagam valores absurdamente abusivos pelos automoveis!"
    Alguém pode me explicar como um carro que é produzido e fabricado no Brasil, como o Gol, pode viajar centenas de km e ser vendido no exterior mais barato do que aqui? Sei dos impostos abusivos do nosso governo, uma tributação escomunal, custos de operação e maquinario, sei de tudo isso, mas a ganância exacerbada das montadoras não entra nem um pouco nessa conta? Nada me tira da cabeça que esses putos partem para a tática do "se colar colou". Lançam um carro, colocam um preço estratosférico nele e esperam a população comprar, afinal, já estamos acostumados a sermos engrupidos pelas montadoras mesmo. Depois que viram que vende, já era. Vai ser aquele preço mesmo e boa. As
  • Gustavo  26/06/2020 16:49
    Explicado aqui:

    www.mises.org.br/blogpost/1027/sobre-os-precos-dos-carros-no-brasil

    Além da explicação acima, vale lembrar que o governo proíbe a importação de carros usados, a qual é liberada nos EUA e em países da Europa (não sei como é no México).

    Se você opera em um mercado fechado pelo governo (alíquota de importação de 35%, moeda fraca, e proibição de importação de usados), aí, meu filho, você põe o preço que quer.

    E como tem otário pagando, a festa é completa.

    P.S.: de minha parte, não vejo sentido nenhum pagar algo por algo que, só de você girar a chave na ignição, já irá se desvalorizar 25%. Só compra carro novo no Brasil quem é muito rico ou quem é otário.
  • Felipe L.  26/06/2020 17:40
    Além disso, some ao fato de que a nossa moeda é uma porcaria e todas as distorções causadas por um país sem liberdade econômica.
  • Lucas  27/06/2020 01:54
    Alguém pode me explicar como um carro que é produzido e fabricado no Brasil, como o Gol, pode viajar centenas de km e ser vendido no exterior mais barato do que aqui? Sei dos impostos abusivos do nosso governo, uma tributação descomunal, custos de operação e maquinário, sei de tudo isso, mas a ganância exacerbada das montadoras não entra nem um pouco nessa conta? Nada me tira da cabeça que esses putos partem para a tática do "se colar colou". Lançam um carro, colocam um preço estratosférico nele e esperam a população comprar, afinal, já estamos acostumados a sermos engrupidos pelas montadoras mesmo. Depois que viram que vende, já era. Vai ser aquele preço mesmo e boa.

    Mas essa é a "tática" que se utiliza para determinar o preço de qualquer produto. Custos de produção não determinam preços. Nem impostos. O que determina o preço é o quanto as pessoas estão dispostas a pagar pelo produto. Se o consumidor está disposto a pagar o preço cobrado, é porque acredita que o produto vale isso. Logo, esse será o preço.

    Se eu gasto 10 reais para produzir algo e as pessoas estão dispostas a pagar 1.000 reais por esse produto, então esse é o valor do produto. E se eu aumentar esse preço para 1.500 e ainda assim a demanda continuar inalterada, é sinal de que eu estava cobrando muito barato. Isso nada tem a ver com ganância. Agora, se ninguém quiser comprar o meu produto, por achá-lo caro, é sinal de que ele não vale tudo isso e eu terei de reduzir o meu preço para algo mais condizente com realidade ou melhorar o produto.

    O mesmo vale para os carros. Os preços são altos, mas estão dentro do que o consumidor está disposto a pagar por eles. Caso contrário, o consumidor gastaria esse dinheiro com outra coisa ou compraria do concorrente que oferecesse algo melhor e mais barato. Porém, pelos motivos já explicados pelos colegas, há diversas barreiras que impedem o acesso do consumidor a produtos melhores e mais baratos. E se o consumidor acredita que ter um carro lhe deixará em uma situação melhor do ficar sem carro, então ele estará disposto a pagar o que for necessário para adquiri-lo. Sendo assim, não há incentivo algum para os fabricantes reduzirem seus preços ou melhorarem seus produtos.
  • Joao Paulo  27/06/2020 04:58
    Na América país, o pessoal tá pegando no pé do Jeff Bezos, da Amazon.

    www.thenation.com/article/politics/amazon-bezos-pandemic-monopoly/tnamp/

    Entre outras coisas, estão acusando a Amazon de explorar trabalhadores, fornecedores e pequenas empresas, além de abusar de sua posição de monopólio, blá blá blá

    Aí eu fiquei me indagando: e alguém é obrigado por lei a comprar pela Amazon? Ou a trabalhar junto com ela? E mais, quem é que prendeu todo mundo em casa e, com isso, aumentou muito a demanda por entregas a domicílio?

    Agora até o congresso entrou na jogada...
  • Historiador  27/06/2020 14:27
    A esquerda odeia pessoas que enriquecem prestando bons serviços à população.

    www.mises.org.br/article/2669/comecou-como-dono-de-livraria-e-ja-e-o-homem-mais-rico-do-mundo--por-decisao-dos-consumidores

    Por outro lado, ela ama quem enriquece com a especulação. Vide George Soros.

    www.mises.org.br/article/2846/george-soros-quer-as-redes-sociais-estatizadas-e-divulgando-apenas-ideais-progressistas
  • Imperion  28/06/2020 00:32
    A esquerda sempre vai ser contra a iniciativa privada. Eles querem tomar as propriedades. Sempre vão denunciar que os empresários estariam prejudicando as populações.

    Eles querem ganhar o debate ideológico, se aproveitando que de algum lado os políticos deles ja sabotaram a população, mas esta, ignorante, acredita no contrário. Daí eles se aproveitam pra atacar os ricos. É tudo compassado. É sempre a mesma estrutura de ataque

    Cabe a quem sabe a verdade se contrapor, senão eles acabam educando os jovens contra o capitalismo e os EUA caem na besteira de ir pro comunismo 
  • Felipe L.  28/06/2020 14:31
    Minha madrasta americana alegava que o Walmart explora os funcionários, por isso não comprava lá. Não sei se isso tem fundo de verdade, mas sei que o Walmart lá é um espetáculo. Encantador.
  • Felipe L.  27/06/2020 14:07
    Falando em monopólios, até antes do contrabando de sementes da seringueira para fora da Amazônia, como que a borracha era comercializada? Era exportada para Europa e EUA de onde?

    O termo usado "Paris of the tropics" para Manaus era real à época? Por que depois que levaram as sementes para a Ásia, o Brasil perdeu protagonismo na borracha? Para quem não sabe, hoje o Brasil importa borracha.

    Esses ciclos causados por uma súbita valorização de commodities são causados pela descoberta de um produto ainda escasso, então o que provoca o seu maior preço inicial? O mesmo eu acho que ocorreu com o café (e açúcar com o Nordeste). Muitas cidades do interior paulista ainda guardam os casarões de pessoas que ficaram ricas com o café. No contexto de hoje, isso ainda seria possível?
  • Imperion  27/06/2020 16:20
    A borracha quando surgiu foi uma ótima invenção. Antes as rodas eram rígidas. Quando batia numa pedra quebrava. Então eram revestidas por um anel de aço, que as deixava mais rígidas.

    Como toda invenção nova e útil, ocorre uma valorização de preço, provocada, entre outros, por uma demanda crescente e produção escassa devido às dificuldades iniciais do processo produtivo.

    O café e o açúcar por exemplo já tiveram alta demanda e baixa produção. Até melhorarem o processo de produção, acharem os melhores solos, aumentar a produção, passaram-se séculos.

    Hoje a oferta é enorme em relação ao consumo.

    Antes a borracha só vinha do Acre. Produção baixa e escassa. Com o espalhamento das sementes, ocorreram muitos sítios, a produção aumentou e os preços caíram.

    Ocorreu também a invenção da borracha sintética. Com isso, uma maior parte da demanda passou a ser ofertada. E a sintética é mais barata, pois tem matéria-prima abundante.

    O Brasil hoje mesmo produz mais borracha de seringueira que há cem anos, mas como a oferta de borracha mundial é muitas vezes maior, seus preços ja caíram muitas vezes.

    Atualmente ainda quando uma invenção nova e revolucionária surge ela é bem cara. Imagine o reator de fusão. Ele vai sair por uns 20 bilhões e os primeiros não vão produzir energia que pague o custo. Oferta baixa, custo alto. Preço de venda alto.

    E o que segura os preços é que a oferta de energia mundial é abundante. Senão, venderiam pelo olho da cara. Isso vai obrigá-los a melhorar o processo de produção pra ter lucro.

    Outra coisa que pode repetir o processo da borracha são os metamateriais. Sao totalmente novos, oferecendo soluções pra problemas ainda sem solução. Sao invenções partindo do zero que podem ganhar demanda porque são úteis e seu preço já começa alto porque sua produção é baixa.
  • Felipe L.  27/06/2020 20:16
    O que foi a Fordlândia? Por que não vingou?

    De todo modo, obrigado pelas respostas.
  • Felipe L.  27/06/2020 21:50
    Esqueci de perguntar... por que o Brasil perdeu esse protagonismo com o setor de borracha? Pragas?
  • Imperion  28/06/2020 19:33
    Fordlandia, depois de um mega investimento, foi atacada por pragas. Era um empreendimento pra recuperar a borracha brasileira que perdia espaço nas plantações da Malásia.

    As da Malásia foram plantadas a dedo em lugares bons e da fácil acesso. A do Brasil estava isolada no meio do Acre.
    Os custos da borracha Malásia caíam devido à alta produtividade.

    No Brasil se usava as seringueiras naturais que se achava no meio da floresta. Elas cresceram ali, mas não se sabia que dava pra plantar em algum lugar bom e produzir em grande escala. Faltava a todos o conhecimento pra isso.

    Quando o capital da borracha saiu do Brasil pra Malásia, não ocorreram investimentos mais pra melhorar a produção e poderia se ter investido bem na época que se era o maior produtor. Mas a mentalidade exploradora e pouco capitalista do brasileiro falou mais alto. Poderia se procurar novos sítios pra se plantar seringueira no Brasil, se investisse nisso. Nem isso fizeram.

    O golpe final mesmo foi a borracha sintética. A invenção desta tomou o mercado. Matéria-prima barata, custo final por uma fração. A concorrência acabou com o protagonismo do Brasil, mas não com a produção total. Só que com a inospitalidade da região produtora brasileira, sem investimento, não ocorreu evolução dos processos.

    Barões do café paulistas junto ao governo federal criaram taxas pra impedir a exportação do produto, pois o café criava lobistas e eles não queriam que outras regiões tivessem os seus. O governo imperial não protegeu as lavouras e as sementes foram contrabandeadas.

    Desconhecendo o capitalismo, acharam que os lucros seriam eternos. Faltou empreendendorismo.
  • Imperion  28/06/2020 19:44
    Era necessário ir pela estada de ferro madeira e mármore. Depois, de rio pra Manaus e Belém do Pará. Era vendido o látex curtido, a matéria-prima da borracha. Era trocado com a libra inglesa. E essa moeda circulou nas cidades comercializavam látex.
  • AGB  29/06/2020 19:53
    Trata-se da estrada de ferro Madeira-Mamoré, que permitia transpor esses dois rios e ligava a fronteira da Bolívia com o rio Amazonas facilitando o escoamento da borracha extraída para os mercados da Europa e Estados Unidos.
  • Imperion  28/06/2020 19:49
    Manaus e Belém exportavam a produção, recebiam em libras, que circulava livremente pelas cidades, daí investiram na cidade com teatros etc. Daí pegou o apelido, pois por um tempo parecia a Europa.

    A produção de borracha natural cresceu na África, Ceilão, Malásia, Indonésia, tudo com sementes brasileiras. Até hoje a produção de borracha natural vem dali.

    No Brasil as seringueiras estão todas espalhadas na floresta. Faltou capitalismo e plantio. Faltou procurar áreas, faltou empreendedorismo, e ocorreu a sabotagem do governo com os barões do café.

    Na fordlandia , ocorreu o empreendimento de Ford, para tentar trazer um pouco de capitalismo, mas ocorreu que as seringueiras dele pegaram praga, devido ao plantio incorreto. Ocorreu prejuízo de 20 milhões de dólares.

    O que atrapalha é que o Acre era inóspito. Os custos de produção lá ficaram proibitivos quando as seringueiras estrangeiras começaram a produzir.

    O capital se deslocou pra Ásia e África. Se tivessem investido bem na região produtora antes, evitado o contrabando, a história poderia ser outra.

    No final, com a invenção da borracha sintética, os preços caíram muito mais. Aí que se abandonou de vez qualquer tentativa brasileira.

    A segunda tentativa ocorreu na segunda guerra na base do trabalho escravo, com o getulinho.
  • Felipe L.  28/06/2020 22:15
    Onde você conseguiu todas essas informações? Plantio incorreto por quê? Nas plantações na Ásia eles já sabiam algo que no Brasil não se sabia?
  • AGB  29/06/2020 20:09
    Essa do contrabando das sementes é ótima. Quem conhece a Amazônia sabe como é "fácil" controlar o tráfico de mercadorias na região. Sem esquecer que as sementes de café, origem da riqueza para o Brasil nos séculos XIX e XX, vieram da Guiana Francesa, contrabandeadas no bolso do diplomata português Francisco de Melo Palheta.
  • Felipe L.  29/06/2020 20:54
    De todas as fontes que pesquisei, todas falaram do contrabandista Henry Wickham, que levou as sementes de Hevea brasiliensis para fora do Brasil.
  • Imperion  30/06/2020 00:04
    Plantaram seringueiras uma próxima da outra, isso favoreceu a difusão da praga.

    Quanto aos outros sítios na Malásia, por exemplo, não que eles fossem especialistas, mas os sítios não eram em lugares inóspitos como o Acre.

    Eles tb utilizaram de capitalismo e empreendendorismo. Se perderam algo em algum lugar, recuperaram em outro. Existem técnicas agrícolas, que se poderia flexibilizar na tentativa e erro. Ajudou tb que eles levaram sementes pra lá, não a praga da seringueira junto.

    No Brasil era extrativista. Não se possuía conhecimento técnico necessário pra fazê-lo e nem investiram pra conseguí-lo.

    A praga não pegou em todas as seringueiras, apenas o Brasil não investiu quando tinha dinheiro pra evoluir os processos da borracha.
  • Felipe L.  30/06/2020 04:22
    Parece que no Brasil sempre tem o caranguejo querendo derrubar o outro... você respondeu, nesse tempo até consegui achar algumas informações interessantes. Eles melhoraram as técnicas de drenagem e buscaram por variedades da seringueira mais resistentes a pragas. Acabei colocando elas em meu trabalho para a aula de Botânica. Obrigado de qualquer forma.

    Coitado do Ford, achou que investir num local desconhecido até os dias de hoje, com povos de valores diferentes, seria como continuar com seus conceitos empreendedoriais nas regiões fortemente urbanizadas americanas.
  • Jeff  30/06/2020 02:42
    Dúvida: se o mercado não regula e não determina requisitos básicos, corremos o risco de alguma empresa fabricar um produto que a princípio demonstre qualidade com preço competitivo mas que eventualmente possa trazer prejuízo a saúde do consumidor?
    Por exemplo um celular ou dispositivo eletrônico que emita níveis de radiação acima do tolerável ou um alimento que contenha algum ingrediente que prejudique a saúde no longo prazo. Talvez levaria muito tempo para mercado identificar essas ameaças a ponto de milhares de pessoas serem prejudicadas?
  • Bezos  30/06/2020 02:50
    Sim, claro, pois todo mundo sabe que capitalistas realmente lucram quando matam todos os seus consumidores, certo?

    Quanto mais consumidores os capitalistas matarem, maiores serão seus lucros. Quanto mais consumidores mortos, maior será o consumo de seus produtos, né?

    A mentalidade anticapitalista do brasileiro é tão bizarra, que ele chega ao paradoxo de dizer que capitalistas dinheiristas irão, por maldade, adotar comportamentos totalmente anti-capitalistas, anti-lucro e prejudiciais a si próprios.

    Espanto.
  • anônimo  30/06/2020 02:56
    Além do que foi dito acima, vale lembrar que a fiscalização é monopólio estatal. Sendo, e se os fiscalizados resolverem subornar seus fiscais? Quem que é irá realmente garantir qualidade?

    Pois é. Entenda a encrenca aqui.

    www.mises.org.br/article/2651/a-carne-fraca-pergunta-quem-regula-os-reguladores

    www.mises.org.br/article/2850/contrabandistas-e-batistas-as-regulacoes-beneficiam-os-regulados-e-iludem-os-ingenuos-


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