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Ao contrário do que diz Lula, não é necessária uma pandemia para as pessoas se lembrarem do estado
Trabalhadores e empreendedores já lidam com a hidra diariamente

Na semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou considerar algo positivo o surgimento do novo coronavírus, pois a pandemia estava fazendo as pessoas voltarem a ver valor no estado. 

Eis a transcrição de sua frase: "Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises".

A real intenção de Lula era claramente opor estado e mercado — ou seja, estado e livre iniciativa.

A frase causou polêmica, mas a polêmica é desnecessária.

O ex-presidente não precisava do coronavírus para opor estado e livre iniciativa: esta oposição já está dada há muito tempo. O estado brasileiro, em seus três níveis, sempre exerceu um intenso e contínuo papel hostil ao setor produtivo, e com muito mais intensidade do que um vírus

No relatório Doing Business 2020, produzido pelo Banco Mundial, e que mede a facilidade de se fazer negócios em 190 países, o Brasil aparece na 124ª posição geral e nas seguintes posições específicas: 138ª na abertura de empresas, 170ª na obtenção de alvarás de construção, 98ª no acesso à energia elétrica, 133ª no registro de propriedades, 104ª no acesso a crédito, 61ª na proteção dos investidores minoritários, 184ª no pagamento de tributos, 108ª no comércio exterior, 58ª no cumprimento de contratos e 77ª na resolução de insolvências. 

E a Covid-19 nada tem a ver com esses números, medidos em 2019.

Nosso estado é uma fonte infinita de incertezas sobre a aplicabilidade das leis. Quem supostamente deveria garantir a segurança jurídica é exatamente aquele que muitas vezes atua contra. Todos os dias vemos decisões de instâncias inferiores contrariando precedentes vinculantes dos Tribunais Superiores. E, igualmente, vemos instâncias superiores anulando decisões mais racionais tomadas por instâncias inferiores. Pior ainda é quando os próprios Tribunais em Brasília dão mau exemplo, aplicando as leis e a Constituição Federal ao sabor do vento.

Isso é uma mina inesgotável de problemas e obstáculos para as empresas. Não à toa, somos o país dos advogados, contadores, despachantes e demais profissões dependentes da burocracia. Há quase 1,2 milhão de advogados inscritos na OAB, enquanto engenheiros civis são cerca de trezentos mil

Ou seja, apostamos quatro vezes mais em custos do que em investimentos. 

O Brasil é também um paraíso para os contadores, pois somos o país em que se gasta mais horas para calcular o valor dos tributos a recolher, 50% de tempo à frente do segundo colocado (Bolívia). 

Há cerca de 12 mil cartórios no país, que arrecadam R$ 15 bilhões por ano carimbando documentos muitas vezes desnecessários, como, por exemplo, provas que vivos precisam fazer para demonstrar que não são zumbis.

De 1988 a 2017, foram aprovados 5,4 milhões de dispositivos legislativos (769 por dia). Só em nível federal foram 15,96 por dia. Considerando os três entes federativos, tem-se uma média de 217 mil leis em cima de cada um de nós.

Nossos portos estatais, por causa da hiper-burocracia ali reinante, são os mais lentos do mundo. E são assim propositalmente, pois tamanha lentidão permite a venda de jeitinhos e favores para despachar ou desembarcar a mercadoria mais rapidamente.

O Brasil gasta 13,6% do PIB com pagamento de servidores ativos, com salários em média 87% superior aos semelhantes do regime celetista.

Dezoito estados brasileiros gastam com pessoal mais do que a lei permite, sendo que três desses gastam com servidores estaduais perto de 80% do que arrecadam. 

A maior parte dos municípios brasileiros depende de verbas externas complementares às suas arrecadações, sendo que quatro quintos da receita de sete em cada dez municípios advêm de transferências, o que não impediu as prefeituras de aumentar em 53%, em média, o número de servidores públicos municipais na última década.

Não fazem o dever de casa e depois marcham até Brasília com o pires na mão pedindo auxílios emergenciais. Que dinheiro público vai sobrar para ajudar na crise? Realmente, só pedindo para o Banco Central imprimir.

Enquanto a maioria dos países estuda formas de desonerar o setor produtivo para aliviar a economia, estamos no movimento oposto, cogitando a majoração da carga tributária. Estimativas indicam que o desemprego aumentará para 15,4% em junho, e que outros milhões de empregos estão suspensos ou tiveram reduções salariais de 25% a 75%. 

Sentadas na sombra, até agora nenhuma categoria executiva, legislativa ou judiciária, federal, estadual ou municipal, deu sua parcela de contribuição. Nem 25%, nem 2,5%, nem mesmo 0,1%. Os salários do funcionalismo público, pagos pelos impostos dos assalariados e desempregados, seguem impávidos.

Pior: algumas categorias estão conseguindo reajustes e outras pleiteando aumento.

Enraizado

Há uma dificuldade atávica no Brasil em perceber que o estado não é um fim em si mesmo. Ele, na mais benevolente das hipóteses, seria um meio custoso de proporcionar bem estar a algumas pessoas físicas e jurídicas. Essa incapacidade cognitiva, que atribui ao estado variados deveres e funções, acaba por enfraquecer aquela que poderia ser considerada a única atividade aceitável de um estado, a saber: reduzir riscos jurídicos, garantindo alguma previsibilidade de comportamento do judiciário.

Em existindo um estado, o melhor que ele pode fazer para ajudar o mercado é garantir o cumprimento de contratos, punindo a fraude e as quebras contratuais. 

Por outro lado, o estado precisa inteiramente do mercado: estão nas relações privadas os fatos geradores dos tributos que sustentam a máquina pública. Sem iniciativa privada produzindo, não há arrecadação para o estado. Não haveria estado.

Crises são inimigas de tudo: do planejamento, da racionalidade, da economia e até mesmo das liberdades individuais mais básicas garantidas na Constituição (a determinação de se fechar estabelecimentos e de proibir a livre circulação em estradas é flagrantemente inconstitucional). Para atravessar mais esta crise, é preciso olhar para frente, e não para o umbigo. Em vez de um "estado forte", mais do que nunca passa a ser necessário um estado que reduza seus confiscos e regulações anti-empreendedoriais, e que apenas dê liberdade a empreendedores e trabalhadores —os quais são ainda mais cruciais em épocas de crise.

Isso, sim, seria um estado justo e eficiente. E tal estado seria o oposto do estado atual, que chegou ao ponto de proibir as pessoas de trabalhar, empreender e produzir.

Mas não é esse estado que Lula e demais políticos parecem querer.


autor

Marcos Abreu Torres
é advogado e mestre em Constituição e Sociedade.

  • Imperion  25/05/2020 21:34
    Falou o que pensa a maioria dos políticos. E ainda tá tão gaga que esqueceu de mentir que é contra as mortes.
  • Marcelo  25/05/2020 21:37
    Sobre regulações, em nível federal é até tranquilo. Posso falar, por experiência própria, que a máquina administrativa estadual é mais emperrada que a federal e menos emperrada que a municipal.
  • Jefferson  25/05/2020 21:41
    Muitos ganham com a regulação e a burocracia. Inclusive, vários capitalistas cujos empreendimentos só são lucrativos quando operam em conluio com políticos, burocratas e reguladores. É a regulação que impede o surgimento de concorrência. É a burocracia que empurra você a usar serviços específicos, como despachantes. Há empresas especializadas em fazer serviços de atravessador e despachante, coisa que não haveria em ambiente não burocratizado. E nem preciso falar dos cartórios.

    Eu, que nunca tive esperança de que isso acabar seria diminuído, agora com a pandemia que deu controles totalitários a estados e municípios, aí é que acabou mesmo qualquer chance. Quando o estado adquire novos poderes, ele jamais retrocede. Tudo o que foi implantado agora em termos de regulações jamais será desfeito. Será, no máximo, afrouxado.
  • Daniel Cláudio  25/05/2020 21:53
    Vale lembrar que os próprios ministérios federais são formados por uma maioria de burocratas (normalmente de economistas e juristas) que exercem o poder há décadas. São concursados encastelados na máquina, e que não saem de lá de jeito nenhum. E eles têm total poder de barrar qualquer nova iniciativa.

    Quem manda em um ministério ou em uma agência não é o ministro ou o presidente, mas o funcionários concursados que estão lá há muito tempo e sabem como as coisas funcionam.

    Logo, por mais bem intencionado que seja alguém, ele não tem chance nenhuma contra a máquina. Sem se mudar a mentalidade da população (que é quem chancela e pede tudo isso), nada pode ser feito.
  • Anônimo  25/05/2020 22:01
    Em todo o aparato governamental há uma série de amarrados burocráticos e impeditivos legais limitando o avanço de qualquer pautas liberalizante. Está tudo engessado do ponto de vista jurídico e político. Todos os governos antecessores (com a exceção de Temer) deixaram as coisas super amarradas para que qualquer liberalização fosse quase impossível de acontecer. Logo, não será do dia pra noite que veremos ações liberais permanentes em um país protecionista e anti qualquer coisa como o Brasil.

    Um exemplo de quão terrível é a situação está no fato do governo ter que derrubar 12 processos judiciais para leiloar um trecho da ferrogrão.
  • Andre Victor Teodoro  26/05/2020 01:35
    Nada é tão duradouro quanto um programa provisório de governo!
  • Felipe L.  25/05/2020 21:46
    Só no Brasil mesmo, onde um ex-presidiário condenado (que só está solto graças ao STF que tirou a prisão após a 2ª instância) vem me dar palpites sobre Economia. O cara além de economista, cientista político e sociólogo (quando ele mencionou o psicopata do FDR) é até leitor de livros. Só falta ter uma coluna de jornal.

    Isso que a Bolívia nem é exemplo de país super-avançado. Lá a pobreza é bem maior, assim como a informalidade. Espero que com a presidente interina, o país tome outro caminho.

    Até no México com aquele socialista do AMLO, há governadores e prefeitos doando salários para ajudar na pandemia (isso que é o mínimo). Aqui os iluminados destroem a economia privada e depois ficam com os salários intactos. Assim é gostoso, né?

    Aqui pelo jeito não existe nenhuma vergonha na cara.
  • Imperion  26/05/2020 14:17
    Defensor do estado grande, pois ele foi um dos que parasitaram o estado e ao fazê-lo demonstrou que não liga para as pessoas. Para ele, as pessoas são um meio para um fim. Ele torce pra que ocorram tragédias para que as pessoas voltem para as asas do Estado.

    Ao invés de resolver as demandas das pessoas, eles tentam criar demandas não solicitadas pra justificar as cobranças.

    Políticos perseguem o poder. Deve-se desconfiar de todos, nos meios corporativos e políticos, pois nesse meios se concentram os psicopatas, e estes usam e manipulam as pessoas, com a cara de anjo, fala mansa, argumentação impecável.
  • Felipe L.  25/05/2020 21:53
    Pessoas da rede, eu vi uma notícia do AMLO que me chamou a atenção, onde ele simplesmente se recusou a endividar o governo para salvar a CCE (seria uma FIESP que come tacos?). O plano é esse.

    Esse trecho da primeira notícia me chamou a atenção:

    "Ele afirmou que, se os empresários mexicanos estão em crise e enfrentam falência, são eles que devem arcar com os custos e não as pessoas.

    "Se você for à falência de uma empresa, deixe que o empresário, os parceiros ou acionistas assumam a responsabilidade", concluiu AMLO."


    Assim como no Brasil, no México foram também impostos os lockdowns e quarentenas (só que lá foi de nível federal, enquanto aqui os prefeitos e governadores inovaram, apesar da postura do Bolsonaro). Dito isso, esse setor que pediu por socorro foi também afetado. E aí me ficou um dilema: será que o fato de o setor ter sido prejudicado, justifica economicamente e eticamente os socorros? Pelos ciclos econômicos, sabe-se obviamente que não, os socorros feitos pelo governo americano produziram corporações mimadas e ineficientes. E em ciclos econômicos, o governo é que gera esses ciclos (a não ser que em um cenário sem interferência estatal, houvesse as reservas fracionárias junto, o que acho improvável).

    Entre as medidas que lá foram colocadas, houve também a pitada demand-side, com crédito e empréstimo e o que foi considerado como "estímulo aos preços da gasolina" (ele afirmou que não haverá aumento nos combustíveis, mas desde o governo Peña Nieto que não há mais subsídios e controles de preço no setor). Só encontrei isso.

    Outra dúvida que me ficou é se haveria algum site para ver qual o percentual que o petróleo representa no PIB de um país. Já pesquisei o Trading Economics e demais sites, e não achei.

    O que pensam sobre?
  • López  25/05/2020 22:11
    O raciocínio dele está correto em princípio. Governo não deve socorrer empresa nenhuma. Capitalismo genuíno é lucro privado e prejuízo privado. E as falências são grandes estímulos econômicos. São as falências que mantêm a economia eficiente. São as falências que garantem que recursos escassos sejam sempre direcionados aos fins mais demandados pelos consumidores.

    Entretanto, se empresas quebram única e exclusivamente porque o governo as obrigou a interromperem as atividades e proibiu o comércio (ou seja, o governo matou a receita das empresas), aí fica complicado.

    Uma coisa é uma empresa quebrar porque foi ineficiente ou porque não mais satisfazia os consumidores. Outra coisa, bem distinta, é uma empresa quebrar porque o governo a proibiu de operar por um tempo indeterminado.

    No mínimo — no mínimo! — o governo deveria conceder total isenção de impostos para essas empresas, bem como zerar todos os encargos sociais e trabalhistas da folha de pagamento, e facilitar o financiamento a essas empresas zerando o imposto de renda e o imposto sobre ganhos de capital dos fundos de investimento, de private equity ou de venture capital que investirem nelas.

    Fora isso, proibir uma empresa de operar e simplesmente falar que ela deve quebrar é absolutamente criminoso.
  • Felipe L.  26/05/2020 00:52
    É um problemão isso aí. Imagina se o governo impõe um decreto requerendo que a empresa prove que ela "estava em péssimas condições" antes da pandemia. Melhor coisa é esquecer isso e partir para supply-side.
  • LUIS CARLOS   25/05/2020 22:00
    No pequeno município cearense onde moro, começou um lockdown vai até 01 junho, eu vejo pessoas defendendo este tipo de leis absurdas, os Ferreira Gomes conseguiram aparelhar todas as instituições, praticamente não tem nenhuma mídia de TV e qualquer outras instituições denegrindo a imagem deles ou falando mau do governo, e a mídia influencia muita gente, infelizmente, não querendo defender Bolsonaro, mas ele tido como um demônio e Lula e Camilo como um santo ou um Deus, os melhores políticos que apareceu na face da terra, sendo que nós sabemos que eles não valem nada, apesar que todo politico luta pelos seus próprios interesses e nunca pelo interesse do povo, mesmo porque não tem nenhum incentivo para isso e outra ninguém nunca agrada todo mundo, por isso, não devia existir estado e políticos.
  • Gabriel  25/05/2020 22:03
    Assim como no resto na América Latina, aqui no Brasil temos uma mentalidade estatizante enraizada. Porém, por aqui ainda conseguimos piorar as coisas: basta que um projeto, um projetinho sequer, que diminua o poder do estado e alivie as costas da iniciativa privada engatinhe no Congresso que a gritaria contra, com o apoio da mídia, começa.

    Fale, por exemplo, que o salário de juízes e todo o judiciário brasileiro precisa ser urgentemente reduzido, inclusive com a revisão de "direitos". Prontamente irá aparecer "especialistas" de todos os lados, funças reclamando de receber "miserê" e toda a sorte de oportunistas para detonar com o governo que ousar propor tal coisa.

    Qualquer iniciativa, por menor que seja, visando simplificar as coisas (ou, pior, tornar as coisas menos confusas) é prontamente barrada debaixo de berreiro. Basta lembrar do setor de serviços que quer barrar a PEC 45 (que já seria um avanço) e que propõe a volta da CPMF.

    E o problema não é só nas castas superiores. Proponha privatizar as universidades públicas e veja a gritaria que, principalmente, a classe média irá fazer em torno disso. É o país da meia-entrada e a meia-entrada transfere o custo do ajuste para "o outro"

    Não é à toa que somos o que somos. De gritaria em gritaria, atendendo a quem berra mais alto, reformas são deixadas para "depois".

    Sob essas circunstâncias, não dá para ter um resultado muito diferente.
  • Felipe L.  25/05/2020 22:34
    Que o Flávio Rocha não me era uma pessoa confiável eu já sabia, agora depois dessa, tenho a absoluta certeza.

    Guedes é só aparentemente firme no discurso, quando é para defender moeda fraca. Agora nas ações, nada.
  • Maurício  25/05/2020 22:49
    Não entendi por que você falou isso dele. Ele estava protestando contra duas PECs que criariam novos impostos. Ele não estava defendendo CPMF.
  • Felipe L.  25/05/2020 23:14
    "Ao lado do ex-secretário da Receita Federal Marcos Cintra e do empresário Flavio Rocha, um grupo de entidades dos setores de comércio e serviços lançaram hoje um movimento para trabalhar contra os projetos de reforma tributária que tramitam no Congresso, a PEC 45, que está na Câmara, e a PEC 110, que corre no Senado. Eles propõem que seja feita outra reforma, que se basearia em proposta que Cintra defendia quando estava no governo Jair Bolsonaro, com desoneração da folha de pagamento e criação de imposto sobre movimentações financeiras, chamada à época de nova CPMF."

    Isso não foi defesa de CPMF? Defender desoneração de um lado e oneração de outro é contraditório, exatamente o que fez a Dilma. O Cintra sempre defendeu isso e foi tirado do governo por causa disso.

    A PEC 45 parece boa, a PEC 110 melhor ainda. Mas eu não entendo de legislação tributária, então se eu errei, eu peço desculpas.
  • Gabriel  26/05/2020 00:40
    Não precisa entender de sistema tributário para criticar a volta da CPMF. Isso já foi tentado no Brasil, inclusive era um imposto "transitório" que perdurou por anos. Os efeitos nefastos de impostos sobre transações na economia, especialmente em relação ao uso do sistema financeiro, já é algo bem documentado. Mas, como sempre, o Brasil quer reinventar a roda.

    Quando Guedes veio ano passado com esse papo de CPMF o Flávio Rocha era a favor, a única coisa que ele discordava era da abrangência que, segundo ele, era "baixa".

    E ainda, para mascarar o nome do monstro CPMF, sugeriu chamar o novo imposto de"E-tax". Ele sabe que defender abertamente um imposto tão impopular pegaria mal para ele.
  • Gabriel  25/05/2020 23:16
    Pode não ter defendido explicitamente na matéria do UOL. Mas em um jornal local, Tribuna do Norte, ele defendeu.

    Segue:

    "De um lado, teríamos um imposto velho com um nome novo, com as características do IVA (Imposto sobre Valor Agregado).

    De outro, temos a opção de criar um imposto sobre transações financeiras, em substituição aos impostos como ICMS, PIS, Cofins e IPI.

    São imensas as vantagens do segundo modelo. Haveria uma universalização da base de contribuintes, o que viabilizaria a redução da carga tributária de cada um, sem comprometer o aumento da arrecadação. Além disso, esse imposto teria uma operação simples e barata, sobretudo se comparada ao sistema baseado no rastreamento físico das mercadorias.

    Se esse imposto já seria bom hoje, ele tenderia a melhorar com o tempo, na medida em que a economia se tornar cada vez mais digital. É uma experiência que já deu certo. A CPMF, que vigorou por dez anos, até 2007, provou que taxar as transações financeiras é de uma eficiência sem par.
    "

  • Maurício  26/05/2020 00:43
    Putz, não sabia disso. Obrigado pela informação.
  • Felipe L.  26/05/2020 01:12
    Alguém sabe o motivo de o dólar estar em queda contínua? Estamos agora com menores valores desde começo desse mês, por volta de R$ 5,44 (está alto, eu sei, por mim estaria nos R$ 3,71 de julho passado).

    Mercado financeiro também se entusiasmou com a reunião ministerial secreta (Guedes cortou o Braga Netto, não sei nem por que ele teve coragem de apresentar aquela ideia maluca)?

    Torçamos para o Paulo Guedes não falar mais nenhuma besteira cambial... nem o Bolsonaro fazer alguma maluquice.
  • Trader  26/05/2020 01:39
    Tudo isso e mais o fato de o BC ter adotado uma postura um pouco — só um pouco! — mais hawkish. Dois membros do Copom, em ocasiões distintas, já disseram que se inflação voltar por causa do câmbio subirão os juros. Isso representa uma ruptura com o discurso até então totalmente dovish.


    Ademais, após tamanha desvalorização, era natural essa recuperação.

    Por fim, há o fato de o BC ter feito, no mesmo dia da semana passada, leilão de linha e swap, deixando claro que realmente não quer dólar perto de R$ 6 (questão até de orgulho próprio).

    Antes tarde…
  • Imperion  26/05/2020 05:57
    A reversão ocorre porque sinalizam voltar a produzir. Quem se antecipa volta a investir no que investia antigamente.

    O Fed tá produzindo dólares também, logo ele deixa de ser escasso. Isso impede a alta.
  • Trader  26/05/2020 05:58
    Mas são essas mesmo.
  • Felipe L.  26/05/2020 14:48
    Continua caindo... agora está em R$ 5,36, menores valores desde 29 de abril!
  • Bernardo  26/05/2020 15:38
    O vídeo da reunião ministerial do Bolsonaro foi um cisne negro às avessas. De lá pra cá, num passe de mágica, tudo melhorou. Enquanto a imprensa e a elite política fingiam escândalo com os palavrões, o mercado financeiro viu que ali havia uma equipe que estava genuinamente interessada em defender a economia e o direito do povo de empreender e trabalhar.

    Mais uns três vídeos daquele e o real vai rivalizar com o franco suíço. :)
  • Felipe L.  27/05/2020 22:02
    Nesse momento está por volta de R$ 5,27.
  • FL  26/05/2020 02:33
    Eis o pioragravante: existem tantas regulações em todos os setores que potenciais empreendedores são afastados até antes mesmo de começarem.

    Por experiência própria, tenho um grupo de amigos com capital e já pensamos em abrir todo tipo de negócio: restaurante, estacionamento, corretora de seguros, quadra de futebol, consultoria, revenda de bebida, bar... em todas as nossas análises, sempre paramos na burocracia.

    Para um caso, são pelo menos 8 meses para ter a liberação de funcionamento (após cerca de 87 idas aos mais diversos cartórios). Para outro, o alvará dos bombeiros com a prefeitura demora e é muito caro, apenas para iniciar a operação. Para outro, são tantas obrigações que você deve entregar ao governo que precisaríamos de uma estrutura enorme (e cara).

    Depois, se você heroicamente conseguir passar por tudo isso e abrir um negócio, vai ser tratado pelo Ministério do Trabalho como um marginal que abusa dos funcionários; como uma ameaça à sociedade pelo corpo de bombeiros, se houver um azulejo fora do lugar; como o causador da crise caso não colete todos os 978474 impostos incidentes sobre seu negócio.

    O que fizemos? Nos juntamos e formamos um grupo de investimento. Há o risco, mas absurdamente mais controlado.
  • Jerônimo Resende  26/05/2020 02:42
    Você concluiu algo que eu mesmo já concluí desde 2011. Se você comparar o tanto que você consegue ganhar fácil e sem dor de cabeça no mercado financeiro e no Tesouro Direto (ou simplesmente com ouro, como já demonstrado aqui) com o tanto que você sofre produzindo e criando empregos, chega a ser incompreensível que ainda haja pessoas empreendendo no Brasil.

    No mercado financeiro o ganho vem fácil e sem dor. Na economia real, você pode ir até preso caso tenha algum lucro. Será achincalhado, xingado de explorador, processado e multado.

    E o problema, obviamente, não está no mercado financeiro, mas sim na insanidade regulatória, burocrática e tributária que o governo impôs ao empreendedorismo.

    Já tive uma loja de materiais elétricos por 20 anos. Vendi para um interessado (que Deus o abençõe), embolsei a grana e apliquei (sou muito agradecido à Dilma pelos juros altos que ela proporcionou, os quais me permitiram aposentar já ali). Hoje ganho mais (mesmo com a recente queda) e com dor de cabeça nula.
  • Felipe L.  26/05/2020 02:59
    Grupo e investimento? Como assim? Fiquei curioso.
  • Richard Gladstone  26/05/2020 06:58
    Sou solidário.

    Há muito tempo atrás, eu e dois amigos tivemos a mesma ideia que vocês, a de abrir uma cafeteria. Eu cuidaria da operação, pois tenho formação na área de alimentos e bebidas. Manobramos com a burocracia (muita coisa foi iniciada ou feita sem o devido licenciamento no começo) e começamos a operar.

    Em dois anos, nenhum dos três aguentava mais aquilo. Cartório, inspeção, Justiça do Trabalho, ISSQN, ICMS. PIS/COFINS, RAIS...um inferno.

    Desfizemos a sociedade, sem traumas , cada um foi cuidar da sua vida e mantivemos a amizade. Mais seis meses naquela vida e um não poderia olhar pra cara do outro nunca mais.

    Desse momento em diante, decidi que jamais voltaria a empreender diretamente, pra não ter que lidar com funcionário e burocracia. Passei a investir em várias frentes e embora dê trabalho, não poderia estar mais satisfeito com essa escolha. Hoje, só faço acompanhar como estão meus rendimentos e buscar novas oportunidades.

    Já disse uma vez, e repito: empreendedor nesse país é herói...e maluco de hospício.
  • São Paulo é meu país  26/05/2020 11:14
    Realmente é revoltante. Empreendedores são heróis, e funcionários estatais ("públicos") são parasitas.
  • Henry   27/05/2020 00:43
    E quem investe em tesouro direto? Pode ser considerado parasita?
    O próprio Paulo Guedes falou que quer acabar com o ganho fácil do rentismo no país
    Ele mandou um "vai trabalhar vagabundo" pra quem não quer se arriscar na bolsa e fica se apegando a títulos públicos

    www.clubedospoupadores.com/economia/fim-renda-fixa.html
  • Carlos Alberto  27/05/2020 01:45
    Aí os rentistas saíram da renda fixa, foram para o dólar e ouro, e ganharam muito mais do que ganhariam na renda fixa, pois os juros baixos fizeram explodir o valor do dólar e do ouro.

    Pensa num tiro no pé.
  • Carlos Alberto  27/05/2020 01:48
    Sobre sua pergunta, postei este comentário num artigo sobre dívida pública.
  • anônimo  30/05/2020 08:25
    Ninguém invista no Tesouro Estatal. Não financiem o nosso inimigo. Muito pelo contrário, de preferência soneguem imposto para enfraquecê-lo.
  • Ricardo  26/05/2020 20:14
    Tudo tem seu preço.
    Se empreender é dificil e burocrático, fazendo muita gente desistir, é pq só quem é mais capaz consegue.
    Eu tenho meu proprio negócio e consigo tocar numa boa.

    Uma dica que dou é que muitas das vezes a gente fica de muquiranagem, não querendo pagar pra um despachante ou um bom contador pra fazer o serviço mais basal. Dessa forma vc se desocupa para poder focar em questões estratégicas e de maior importancia dentro da empresa.
    A margem de lucro que tiro é superior ao que o Ibovespa tira, por exemplo. Mas realmente, se vc é um craque de bolsa e valuation e precificação de ações em bolsa, e consegue bater com folga e sistematicamente o Ibovespa, aí sim recomendo ficar na bolsa mesmo.
    Ja tive esse dilema anteriomente: empreender ou investir em bolsa. Escolhi a primeira por não entender muito da bolsa e nao me arrependo.

    Saia na rua e veja quantas lojas e negocios há por ai. Todos eles venceram questoes burocraticas. Se eles conseguem, vcs tb conseguem
  • Felipe L.  27/05/2020 01:12
    Evidência anedótica não reflete a realidade como um todo.

    Na URSS haviam pessoas que se davam bem no mercado negro, e aí, quer dizer que o restante era incapaz e que portanto os efeitos do socialismo eram algo tolerável?
  • Ricardo  27/05/2020 14:49
    Evidência anedótica?
    O Brasil é um dos países que mais tem empreendedores por mil habitantes. Está cheio de microempresário por aí que superou as burocracias governamentais.
    Aliás, o que mais está na moda hoje é virar empreendedor.
    De novo, basta arregacar as mangas e seu retorno estará atrelado ao risco, simples assim. Regar básica da economia

    Comparar um negócio legítimo com criminalidade dentro do comunismo é que mais parece anedota. Com perdão do trocadilho rs
  • Felipe L.  27/05/2020 16:48
    "Evidência anedótica?"

    Claro que é. Eu posso citar o contrário em qualquer cidade interiorana.

    "O Brasil é um dos países que mais tem empreendedores por mil habitantes. Está cheio de microempresário por aí que superou as burocracias governamentais."

    Ah, agora eu descobri que você é o mesmo que comentou neste artigo (acho que sim). Nem preciso responder. Mas eu vou fazer o favor de completar as respostas deles.

    Se você colocar o setor informal como empreendedorismo, é claro que é (tanto é que você provavelmente deve ter se baseado também aqui). Mas isso é fenômeno típico de países atrasados. Não são empreendimentos sustentáveis, porque eles não podem crescer e gerar riqueza, ficando em uma situação de sobrevivência pura, já que não podem obter crédito e contratar mão de obra. Ué, assim é também na Grécia, Venezuela, Síria, Egito, Bulgária e afins. Até um estudante de Humanas que nunca agrediu ninguém que planta maconha em casa poderia ser considerado empreendedor. Sem contar que aquele MEI é uma piada pronta. A tributação é baixa mas a burocracia praticamente é a mesma. Muda porcaria nenhuma.

    São pessoas que estão desempregadas ou que perderam seus negócios formalmente, então não possuindo outra opção. Só que as pessoas na informalidade não conseguem expandir os seus negócios e ainda correm risco de serem presas ou ficarem com multas impagáveis. Aí é uma coisa óbvia, nessa conta você pode colocar dezenas e dezenas de milhões nesse setor, chamado no Inglês de shadow economy.

    Pode esperar que vai explodir o número de informais. Ser humano tem instinto de sobrevivência, é uma coisa óbvia. A maioria é honesta e não vai recorrer à criminalidade, tanto é que se fosse assim na Idade Média, a cada surto de praga, a criminalidade seria total.

    Atualmente, de mais de 100 países analisados, nesse índice, o Brasil está na 98 ª posição.

    Sugiro que você e outras pessoas leiam esses artigos:

    - A informalidade é o único refúgio de quem quer sobreviver em uma economia asfixiada pelo estad;o
    - Economias prolongadamente afetadas por governos não se recuperam facilmente;
    - Como o governo gera mão-de-obra para o tráfico de drogas;
    - As lições da Itália: como o governo em conluio com quadrilhas conseguiu asfixiar a economia;
  • Ricardo  28/05/2020 16:20
    Felipe,
    Te respondi mas acho que a resposta acabou saindo no lugar errado. está no fim da página.
    Abraços
  • Jairdeladomelhorqptras  26/05/2020 13:33
    O governo Ingles no início do século XIX temeu uma invasão da marinha francesa de Napoleáo. Criou então um cargo de "Vigilantes do mar" na costa inglesa.. E os nomeoou. A marinha francesa foi derrotada na Batalha Naval de Trafalgar em 1805. E Napoleão definitivamente derrotado em Waterlo em 1815. O cargo de "vigilante" foi extinto em 1848. Todo Estado é esta m@@@?
    Abraços
    OBS. A data de 1848 cito de memória. Possível pequeno erro para mais ou para menos.
  • ANTONIO JORGE BARBOSA  26/05/2020 20:42

    Sou contador há 30 anos. Não somos apenas calculadores de impostos.
  • Fernando  26/05/2020 22:14
    Concordo. Mas diga aí, com toda a honestidade possível: não houvesse impostos, haveria mais ou menos trabalho para contadores?
  • WDA  26/05/2020 23:01
    Possivelmente haveria mais. Pois tenderia a haver mais empreendimentos (sobretudo se fossem diminuídas também as burocracias) e a contabilidade é muito importante para os empreendimentos.

    Note-se, porém, que o autor do texto é advogado, e menciona a advocacia no mesmo ponto em que menciona a contabilidade. Não se trata, portanto, de birra contra a profissão.

    Mas o que é inegável é que a forma como a contabilidade, o direito e tantas outras profissões são no Brasil hoje praticadas está muito atrelada à burocracia estatal que, aliás, criou reservas de mercado para essas profissões, o que não beneficia nem a população em geral, nem, no cômputo geral, os próprios profissionais - que vivem numa sociedade pior e menos pujante do que poderiam viver.
  • Ricardo  27/05/2020 18:03
    "Claro que é. Eu posso citar o contrário em qualquer cidade interiorana."

    Deixa de ser evidencia anedotica no momento em que há dados concretos aqui pra isso, como que vc mesmo colocou. Em tempo, não fui eu que fiz o comentário que vc linkou, sequer conhecia esse site naquela época.

    "Não são empreendimentos sustentáveis, porque eles não podem crescer e gerar riqueza, ficando em uma situação de sobrevivência pura, já que não podem obter crédito e contratar mão de obra."

    Se o seu empreendimento for bom o suficiente, ele vai crescer, gerar empregos e poder obter crédito na praça.
    Se o estudante que planta maconha que vc citou, conseguir ser produtivo, criar estrategias de vendas, usar a logistica de maneira eficiente para vender seu produto, ele vai prosperar e virar uma empresa média ou grande.

    Eu não consigo é entender que um liberal de verdade não creia que é a iniciativa privada, as pessoas correndo atras do seu proprio ganha pão que faça a economia crescer.
    Qual a alternativa que vc sugere pra essas pessoas? Irem pedir bolsa familia?

    Crie uma empresa, apresente um plano de negocios sustentavel aos bancos, ou a diversas fintechs e investidores individuais (anjos) que atualmente há por ai, capte recursos, invista e produza.
    Se discorda disso, vc tem que apresentar a alternativa pra todos esses empreendedores do país que seja melhor para eles, e como isso faria a economia crescer mais
  • Ex-microempresario  28/05/2020 17:35
    Ricardo, frequento o Mises faz algum tempo e me considero libertário.

    Sua frase "Eu não consigo é entender que um liberal de verdade não creia que é a iniciativa privada, as pessoas correndo atras do seu proprio ganha pão que faça a economia crescer." está certíssima na teoria.

    Na prática, em minha opinião, tentar empreender no Brasil é passar atestado de imbecil ou masoquista, exceto para quem tem parente importante na política, no judiciário ou no ministério público.

    Para explicar, vou completar sua argumento:
    "Crie uma empresa, apresente um plano de negocios sustentavel aos bancos, ou a diversas fintechs e investidores individuais (anjos) que atualmente há por ai, capte recursos, invista e produza.

    Depois, prepare-se para descobrir que a cada semana você precisa de um alvará novo ou de uma licença recém-inventada, e que conseguir esta licença exige uma peregrinação por infinitas repartições públicas onde você será atendido com muita demora e bastante má-vontade.

    Seja fiscalizado por gente que não tem o menor conhecimento sobre a área que fiscaliza, mas ainda assim exige ser tratada com bajulação e cafezinho, isso quando não pede favores abertamente.

    Compareça a audiências da justiça do trabalho, onde um juiz expressará claramente seu desprezo por gente como você, e utilizará todas as brechas (legais ou nem tanto) para dar ganho de causa ao seu ex-funcionário.

    Escute seu contador explicar as maluquices burocráticas que os governos federal, estadual e municipal inventam, e que você tem que resolver, sob pena de multa.

    Assista aos programas de TV ensinando às pessoas que todo empresário é explorador, malvado e ganancioso, que o governo é necessário para proteger o povo e que lucro é uma coisa mais nojenta que mocotó requentado.

    Suporte os clientes mal-intencionados (educados pela TV) que tentam "negociar" ameaçando com procon, delegacia de defesa do consumidor, ministério público e outros tantos.

    Descubra que há incontáveis conselhos de classe que trabalham incessantemente para conseguir uma lei, decreto ou portaria que lhes dê uma reserva de mercado - o que significa que você terá que pagar uma boa grana para um sujeito que vai passar na sua empresa uma vez por mês assinar um papel que só ele pode assinar.

    Daí, depois de tudo isso, pague seus impostos, constate que não sobrou muita coisa, e tente continuar otimista.

    "Se discorda disso, vc tem que apresentar a alternativa "
    Não há alternativa, Ricardo. Salvo uma improvável revolução, nosso destino está traçado: seremos um fornecedor de soja e carne para a China, com alguns masoquistas teimando em passar por tudo que acabei de contar.
  • Richard Gladstone de Jouvenel  29/06/2020 15:22
    Caríssimo,

    Sua disposição pra empreender nesse país é tocante, e não vai aqui nenhuma ironia...é um elogio sincero.

    Mas me ocorre uma curiosidade...

    Qual o ramo de atuação do distinto colega?

    Creio que ajudaria a iluminar a razão de sua garra em ter negócio próprio.
  • Felipe L.  28/05/2020 23:10
    No Uruguai os funcionários estatais (ministros e legisladores) estão cortando os seus próprios salários em 20% para ajudar a combater a pandemia.

    Aqui já está sendo uma birra para congelar aumentos do funcionalismo.

    É inacreditável a falta de vergonha na cara por aqui.

    Ninguém tem coragem de peitar esse lobby. Se o Bolsonaro, seus ministros e assessores cortassem os seus salários, assim como os deputados apoiadores, já seria um começo.
  • Wesley   29/06/2020 01:43
    Sorte que o Uruguai não é mais uma província do Brasil. Eles saíram dessa porcaria de país. Imagine se eles fossem mais um estado do sul do Brasil? Fizeram a coisa certa em sair. O Bolsonaro é só mais outro parasita. Fez carreira política defendendo privilégios para a ala militar. Não é atoa que ele em plena pandemia, deu aumento salarial aos policiais militares e civis do DF (que têm os salários mais altos do país). Fora que ele deixou os militares de fora da reforma da previdência. Os funças têm um poder político enorme no Brasil. Poucos políticos têm coragem de enfrentá-los.
  • L Fernando  29/06/2020 19:44
    Quando o sujeito é tosco e comenta sai isso ai.
    Primeira que o texto reflete dados de 2019
    Segundo que no Brasil o BOLSONARO apita menos que o lixeiro.
    Não tem como o proóprio Brasil avançar enquanto existirem analfabetos funcionais enraizados por tudo.
  • Carlos De Souza   29/06/2020 19:05
    Não dá para reduzir salários dos funcionários públicos, não é culpa do Bolsonaro é porque é inscontitucional, inclusive semana passada o STF julgou essa causa, e decidiu a favor da irredutibilidade de salários.
  • Felipe L.  29/06/2020 20:53
    Agora o João Doria quer multar em R$ 500 as pessoas que não usarem a focinh... a máscara facial nas ruas. Então se eu andar num bairro deserto onde passa mais morcego do que gente, sou obrigado a usar isso agora?
  • anônimo  30/06/2020 01:19
    doriana e seus momentos de adolf , vai multar o morador de rua que nao tem mascara e nem ambiente privado pra ficar sem usar uma , acha que muda a educacao da populacao na base da ameaça e puniçao , e o pior eh que muitas pessoas concordam ... troca da liberdade por falsa sensaçao de segurança
    mais facil jesus voltar do que o brasil virar um pais que preste
  • ALUNO  01/07/2020 04:26
    Conversando com um esquedista, perguntei:
    - Vc acha que o abre e fecha do comércio pode conter a propagação do vírus?

    Ele respondeu:
    - A população não respeita a quarentena, mas fato é que quando o isolamento social estava em 60%-70% lá em abril a derivada da curva de contaminados era bem menor.
    Pelas análises que já foram feitas, se vc olhar a curva de contaminação vs índice de isolamento social fica mais claro.
    Se tivesse sido feito um isolamento social rígido durante todo o mês de abril, negócio já taria praticamente resolvido e provavelmente poderíamos ter retomado as atividades econômicas normalmente em junho.
    ---------------------------------------------------------------------------------

    Vocês concordam com essa visão que ele expôs?
  • Professor  01/07/2020 15:06
    É a mesma conversa de keynesianos e socialistas. Quando uma intervenção estatal falha, é porque não foi feita na intensidade suficiente. Quando o socialismo fracassa, é porque não era socialismo de verdade.

    Quando o isolamento social fracassa, é porque ele não teve a intensidade suficiente.

    A economia está completamente depenada por causa da quarentena, e o nêgo ainda diz que "não foi o suficiente".

    Mais impressionante que a retórica idêntica é o fato de haver gente que passa aperto para refutar isso.
  • Felipe L.  01/07/2020 18:16
    De fato. É exatamente a mesma porcaria de narrativa. O povo felizmente tem as redes sociais (por isso que agora eles estão desesperados em controlá-las). A mídia tradicional, claro, vai ficar se comportando como corretamente apontou o Augusto Nunes, como "mídia de velório" (os Pingos nos Is para mim são o único jornal "mainstream" que considero decente). Tem familiar meu que acha que isso é a nova Peste Negra.

    O lado bom disso é que o Bolsonaro vai ganhar popularidade. Esse auxílio emergencial é um programa vasto de social-democracia que nenhum petista nunca conseguiu implantar. Outro exemplo foi o projeto faraônico da Transposição do Rio São Francisco, que saiu do papel. Só isso já é uma estratégia política muito boa. Qualquer pessoa com meio neurônio ligado na realidade sabe o que está acontecendo. O Bolsonaro é mal-assessorado (como pode ser comprovado no andamento das reformas supply-side), mas a oposição é pior ainda. Mas, o que mais importa para um político ser reeleito no Brasil é entregar moeda e economia. Busque moeda forte e estável e redução no desemprego, que já é uma vitória quase certa. Discurso pró-bandido só dá certo em quem é da elite e pode morar fora do Brasil. A imensa maioria dos brasileiros odeia bandido, seja quem é roubado em um ônibus ou teve o seu Uno básico usado e financiado em 60 vezes roubado. Afinal, se o banditismo tivesse sido tão bem tolerado durante toda a história do homem, nunca que sairíamos da Idade Média, período onde um problema meteorológico em lavouras podia causar inanição em massa (e que a Igreja normalmente ajudava os necessitados).

    Lembro que foi perpetrado lockdown e quarentena, muitas décadas atrás, nos EUA, contra os judeus (deve haver alguém que saiba mais sobre isso do que eu).

    Hoje o Bolsonaro é o único político que conheço e que é abertamente contra lockdowns e quarentenas.

    Se meus avós estivessem vivos ainda hoje, com certeza eles teriam alguma simpatia com o Bolsonaro.

    Mudando um pouco de assunto, o próprio fenômeno do "milagre econômico" teve um forte efeito psicológico na Geração Silenciosa (de meus avós) e Baby Boomer. Além disso, o cérebro humano tende a destacar nas memórias passadas as partes positivas. Que o Bolsonaro (e os sucessores) foque nas reformas.
  • Engenheiro e Economista  02/07/2020 14:34
    Caro ALUNO

    Se você mostrar as curvas apresentadas, garanto-lhe que as refuto matematicamente com extrema facilidade.
    Do jeito que você colocou, carece de dados. Por exemplo, sequer foi dito em que região foram coletados os dados. No Brasil todo? . Em algum Estado? Em algum Municipio?

    De qualquer maneira, há um equivoco teórico na tese do rapaz. Em primeiro lugar, se deve comparar o numero de mortes devido à COVID 19 e não o numero de infectados. Isso porque o numero de infectados é diretamente relacionado ao numero de testes aplicados. Por óbvio, quanto mais testes,==>> mais contaminados.

    Isso quer dizer que os números de contaminados oficiais em março, quando muito poucos testes eram aplicados, certamente estavam abaixo do mesmo numero proporcional de abril e outros meses posteriores, quando o numero de testes aplicados sofreu uma relevante elevação. Assim, não se pode compara-los diretamente como esses gráficos por ele alegado supõe demonstrar as relaçoes.

    Como os mortos foram praticamente todos testados. aí sim temos um numero menos distorcido do real.

    Porém mesmo o numero de mortes oficiais, tem seu problema. Em primeiro lugar morrer de COVID-19, é diferente de morrer com coronavirus. Mas, ainda que deixemos de lado essa consideração, há o aspecto "inflacionário" desse numero por razões diversas, entre elas, financeiras, como os seguros de vida que são relacionados com as causas da morte. As questões políticas então...nem se fala....
    Mas....OK...deixemos de lado tudo isso e consideremos que o numero de mortes por COVID-19 é o termômetro ideal para acompanharmos o avanço da contaminação da doença. E aí sim, faz-se todas as análises gráficas que se deseja.

    Mas, o principal equivoco teórico da argumentação do sujeito, é o efeito alegado pela adoção do lock down com o consequente isolamento social.

    Segundo os especialistas defensores de tal medida, ela teria o efeito de RETARDAR a contaminação da doença na população, e não o contrário. Supostamente, com as pessoas isoladas em casa a transmissibilidade do vírus sofreria um impacto negativo tão severo quanto maior fosse esse isolamento das pessoas.
    A consequência disso seria o suposto "achatamento da curva de contaminação diária", onde, o pico de contaminações diárias seria postergado em troca de seu valor ser menor do que seria caso não houvesse nenhum isolamento, que em compensação, seria mais rapidamente atingido.
    No entanto, a área final das duas curvas, com e sem isolamento social, a qual representa o numero total de infectados teria o mesmo valor. Portanto, há que se ficar claro : mesmo os defensores de lockdown, entendem que seu efeito não é impedir que as pessoas se contaminem, mas apenas retardar o contágio diário.

    Assim, a afirmação do rapaz:...."Se tivesse sido feito um isolamento social rígido durante todo o mês de abril, negócio já taria praticamente resolvido e provavelmente poderíamos ter retomado as atividades econômicas normalmente em junho.".... carece de lógica matématica relacionada com o "achatamento da curva".
    Ora, de acordo com a lógica da adoção do isolamento social, quanto mais rígido ele o for, mais devagar se chegará o suposto "pico de contaminação" e, como o isolamento deve ser abandonado apenas quando a curva de contaminação atingir esse pico e começar a cair, mais tempo, então, deve-se ficar isolado para retardar ao máximo o atingimento desse pico. É justamente o contrario da conclusão que ele chegou.

    Como ele entende que em abril o isolamento deveria ser total, o [i]"negócio"[/] (entende-se ser o atingimento do pico e consequente queda de contágio) deveria ter sido postergado em abril. Se continuasse com o isolamento super bem feito em abril, em maio, junho e sucessivamente, jamais tudo poderia voltar a abrir em junho....pois o pico estaria sempre sendo postergado......Enfim..tudo ao contrario do que ele conclui.

    O que me faz concluir que a inteligência está distante de ser uma característica aplicável a esse indivíduo.


  • Aluno  01/07/2020 19:44
    Sim, é fato que quando as coisas dão errado quando a lógica da esquerda é dobrar a aposta na mesma estratégia.

    Entretanto, refutar uma afirmação feita (supostamente) com base matemática usando a argumentação que você fez não resolve o debate.

    O cara te apresenta os números e gráficos mostrando que o isolamento fez a curva cair.

    Acredito que o melhor seria destrinchar os cálculos e as premissas do modelo matemático usado, para contra argumentar.

    Mas, como não sou da área de exatas, não me arrisco.

  • Fabrício  01/07/2020 22:19
    Já refutado várias vezes aqui.

    Já há evidências concretas de que o lockdown não altera o número de mortos per capita. Estatísticos não conseguem encontrar nenhuma diferença de excesso de mortalidade entre os países que se trancaram e os que não.

    De resto, é o óbvio ululante que as curvas estão se achatando agora. Isso é o que acontece com todas as epidemias após um determinado tempo. Com ou sem lockdown, a curva sempre achata e cai. Nenhuma curva sobe para sempre.

    O que teria de ser pesquisado é: dois países de população semelhante, de mesma cultura, e de mesmos hábitos sociais e de higiene. Um trancou tudo. O outro permaneceu totalmente aberto.

    A teoria diz que o número final de contagiados será semelhante (em termos per capita). O avanço de ambas as curvas em relação ao tempo poderá ser distinto, mas o número total final de contagiados terá de ser semelhante (em termos per capita, é claro).
  • Lucas  02/07/2020 02:55
    Antes de discutir se lockdown funciona ou não funciona, é necessário discutir se lockdown é ou não eticamente defensável.

    O lockdown restringe a liberdade de pessoas inocentes de ir e vir. Ora, se são inocentes, então não deveriam ter sua liberdade restringida.

    Nesse contexto, alguém poderá argumentar que pessoas portadoras do vírus não poderiam ser consideradas inocentes, porque teriam potencial de infectar terceiros e causar danos a terceiros. Porém, o que se faz na prática é restringir a liberdade de todo mundo porque não se sabe quem porta o vírus. Ora, e aquele princípio que diz todos são inocentes até que se prove o contrário? Se querem tirar a minha liberdade porque eu posso infectar alguém, que primeiro provem que eu sou portador do vírus! Façam testes. Se ficar comprovado que eu realmente posso infectar alguém, aí sim eu represento alguma ameaça para terceiros e preciso ficar isolado dos demais - isto é, em quarentena - até eu me curar ou morrer. Não sendo possível provar que tenho potencial de causar danos a alguém, não há justificativa para que me privem de minha liberdade.

    Por violar as liberdades individuais de pessoas inocentes, o lockdown é indefensável, mesmo que eventualmente se comprove sua eficácia na contenção da pandemia.


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