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"Todos devem ficar parados e o governo deve imprimir muito dinheiro" - eis a solução progressista
Precisamos de mais desemprego para evitar o desemprego

Já fazia muito tempo que eu não lia nada escrito por Paul Krugman. E ao deparar-me com sua última coluna no The New York Times, constatei que não perdi nada, pois ele não mudou em nada.

Estando hoje no extremo tanto do keynesianismo quanto do partidarismo político, ele há muito tempo abandonou qualquer tipo de análise econômica, e hoje se dedica àquilo que Mises rotulou de metafísica.

Não obstante, minha curiosidade foi mais forte tão logo vi que ele escreveu que reabrir a economia e permitir que as pessoas voltem a trabalhar irá certamente causar uma depressão econômica. Escreve ele:

Na semana passada, a Secretária de Estatísticas do Trabalho [Bureau of Labor Statistics] confirmou oficialmente o que já sabíamos: com alguns meses da crise da Covid-19, os Estados Unidos já têm um nível de desemprego igual ao da Grande Depressão. Mas isso não equivale a dizer que estamos em uma depressão. Só saberemos se é verdade quando virmos se este desemprego extremamente alto irá durar muito tempo — digamos, um ano ou mais.

Infelizmente, o governo Trump e seus aliados estão fazendo de tudo para tornar mais provável uma depressão em grande escala.

Agora, muitos de nós acreditamos que as maciças intervenções monetárias e fiscais na economia, tanto do governo federal quanto dos governos estaduais, irão afetar ainda mais a economia e, aí sim, causar uma depressão e fazer com que a taxa de desemprego dispare ainda mais.

Este, no entanto, não é o ponto de Krugman. Com efeito, ele parecer acreditar que não há intervenção estatal o suficiente — algo que, aliás, é uma constante em seus escritos.

Krugman afirma que reabrir a economia e permitir que a produção e o trabalho voltem irá gerar a próxima depressão.

Já estivemos nessa seara antes. Como esquecer daquele inesquecível dia, em 2011, quando Krugman disse que se o governo imaginasse que alienígenas fossem atacar a Terra e começasse a gastar preparando alguma defesa, a economia estaria curada

Quem já leu (ou lecionou, como é o meu caso) economia keynesiana sabe que, de acordo com os keynesianos, a economia de mercado sempre está à beira de um colapso e prestes a vivenciar uma recessão e um maciço desemprego a menos que o governo (a) reduza juros até não poderem mais ser reduzidos, e (b) incorra em maciços novos gastos para estimular a "demanda agregada", pois o "pleno emprego" só pode ser alcançado com o governo intervém. E ponto final.

Mas mesmo eu devo admitir que esta coluna em específico me pegou de surpresa. Embora ainda recorra aos tradicionais partidarismos, Krugman intensificou. À pergunta sobre como evitar uma completa depressão, Krugman responde que "temos de manter o curso atual" (em suas palavras) e manter todo mundo trancafiado em casa por um período de tempo ainda maior.

Seu raciocínio é que, se os governos autorizarem as pessoas a saírem do seu confinamento doméstico agora, todos os "avanços" supostamente já obtidos contra a Covid-19 serão perdidos, e aí a rocha voltará a rolar morro abaixo até chegar ao vale da montanha. Escreve Krugman:

Se pudéssemos controlar o coronavírus, a recuperação poderia ser realmente muito rápida. É verdade, a recuperação da crise financeira de 2008 levou muito tempo, mas isso teve muito a ver com problemas que se acumularam durante a bolha imobiliária, com um notável nível sem precedentes de endividamento das famílias. Não parece haver problemas similares hoje.

Mas controlar o vírus não significa "achatar a curva", o que, aliás, já fizemos — conseguimos desacelerar a disseminação da Covid-19 o suficiente para nossos hospitais não estarem superlotados. Significa esmagar a curva: reduzir muito o número de americanos infectados, depois manter um alto nível de testagem para localizar novos casos, juntamente com o rastreamento de contatos para podermos pôr em quarentena os que podem ter sido expostos.

Para chegar a esse ponto, porém, precisaríamos primeiro manter um regime rigoroso de distanciamento social, não importa quanto tempo dure, para reduzir as novas infecções a um nível baixo. E então teríamos de proteger todas as pessoas com as testagens e o rastreamento já disponíveis para as pessoas que trabalham diretamente para o governo, e para quase mais ninguém.

O mais próximo deste tipo de raciocínio foi o do correspondente da Associated Press no Vietnã, Peter Arnett. Após um bombardeio aéreo americano dizimar o povoado de Ben Tre, ele pronunciou a frase imortal: "Foi necessário destruir a cidade para salvá-la". 

Na novilíngua atual, Krugman está dizendo que, para salvar a economia, o governo tem de decretar e impingir políticas que irão afetar severamente a atividade econômica. Ninguém deve produzir nem trabalhar. Todos devem ficar parados em casa até haver testes disponíveis para cada indivíduo.

No entanto, Krugman, sendo Krugman, acredita que há uma "solução" fácil a ser aplicada neste ínterim, a qual irá permitir a economia continuar funcionando suavemente — sem ninguém trabalhar, é claro. Escreve ele:

Ao mesmo tempo, o governo e seus aliados parecem estar decididos a não fornecer a ajuda financeira que nos permitiria manter o distanciamento social sem dificuldades financeiras extremas. Prorrogar os benefícios aos desempregados, que vão expirar em 31 de julho? "Só sobre nossos cadáveres", disse o senador Lindsey Graham. Ajudar os governos estaduais e locais, que já demitiram um milhão de trabalhadores? Isso seria um "pacote de resgate para estados democratas", segundo Mitch McConnell. (Grifo meu)

Ou seja: se todo mundo ficar parado em casa, e o governo simplesmente imprimir moeda e distribuir para cada indivíduo da economia, os problemas econômicos estão resolvidos.

Essa declaração expõe por completo a extrema mentalidade keynesiana: imprimir dinheiro é o equivalente mais próximo a realmente produzir algo. Como todo keynesiano, Krugman comete a falácia da composição: ele acredita que se algo pode ser bom para uma pessoa (ou para algumas poucas pessoas), então será bom para todas as pessoas.

No caso dos EUA, já vimos que, graças às atuais políticas estatais (que somam seguro-desemprego dos governos estaduais e federal a mais uma ajuda de US$ 1.200 para cada cidadão), muitos trabalhadores estão recebendo de seguro-desemprego benefícios que são maiores que os salários que recebiam quando ainda trabalhavam. 

Logo, não é surpresa nenhuma que os pedidos de seguro-desemprego só fazem aumentar e muitos continuem sem trabalhar. De acordo com jornalistas keynesianos da CNBC, isso é "ótimo".

Não, isso não é ótimo. É um desastre em construção. Embora possa ser bom para mim se o governo me der um milhão de dólares por semana para não trabalhar, isso seria efetivo somente se eu fosse o único recebendo o benefício. Embora o resto da sociedade ficasse em pior situação em decorrência desta política — dado que isso seria uma explícita política de transferência de renda de todos para mim —, eu ao menos poderia dar a desculpa de que isso realmente é "ótimo", pois, na linguagem keynesiana, tal política faria aumentar a "demanda agregada".

Agora, pense nessa política em uma ampla e vasta escala, com todo mundo recebendo dinheiro criado do nada pelo Banco Central, e você terá uma ideia do que Krugman está realmente defendendo em nome de impedir uma depressão. 

Embora o governo já tenha inundado a economia de dinheiro recém-criado com a esperança (a vã esperança) de que isso irá sobrepujar os permanentes danos econômicos trazidos por um desligamento compulsório da economia, Krugman está deixando claro que esses estímulos ainda não são o bastante. Sua crítica partidária acima mostra que, na prática, ele quer que o governo coloque praticamente toda a força de trabalho como recebedora de benesses.

Isso lembra a famosa frase de Keynes, que disse que a expansão do crédito que ocorre quando o governo cria dinheiro do nada realiza o milagre de "transformar pedras em pães". Krugman essencialmente está dizendo a mesma coisa: o governo, por meio de volumosas injeções de moeda na economia, magicamente fará surgir coisas reais. Ninguém precisa trabalhar ou produzir. A mera criação de papel-moeda (ou dígitos eletrônicos) irá miraculosamente se converter no surgimento mágico de novas máquinas e equipamentos. Linhas de produção surgirão milagrosamente. Bens e serviços reais aparecerão do nada. Coisas "aborrecidas" como poupar, investir e produzir podem ser perfeitamente contornadas.

Infelizmente, várias autoridades políticas e econômicas ao redor do mundo genuinamente acreditam que isso é possível. Para a nossa miséria, a ideia de que imprimir moeda é a cura para tudo é algo que rejuvenesce à medida que se esquecem as experiências passadas

Assim como vários outros na esquerda, Krugman acredita que temos apenas duas opções: trancar todo mundo em casa e derrotar o novo coronavírus ou permitir que as pessoas vivam suas vidas sem interferência do governo e, com isso, adoecem e morram.

É óbvio que estas não são as únicas opções. E tampouco estamos diante de um dilema. A política original do lockdown, que Krugman endossa, surgiu em decorrência de um modelo epidemiológico completamente fraudulento criado por Neil Ferguson, do Imperial College de Londres, que previu que 2,2 milhões de americanos morreriam a menos que o governo decretasse imediatamente a quarentena de toda a população (sendo que o próprio Ferguson  caiu em desgraça e renunciou). 

E hoje, após quatro meses de pandemia mundial, já há evidências concretas de que o lockdown não altera o número de mortos per capita. Estatísticos não conseguem encontrar nenhuma diferença de excesso de mortalidade entre os países que se trancaram e os que não.

Logo, é praticamente tão difícil levar o Krugman epidemiologista a sério quanto é impossível levar o Krugman economista a sério.

Para resumir, enfim, a última explosão krugmaniana, temos a seguinte progressão: (a) fechar empresas e proibir pessoas de trabalharem resultou em maciças demissões e em uma taxa de desemprego igual à da Grande Depressão; (b) deixar as pessoas voltarem a trabalhar, empreender e produzir irá resultar em níveis muito maiores de adoecimento, o que irá aumentar ainda mais o desemprego; (c) portanto, imprimir muito dinheiro e manter todo mundo trancado em casa é a solução e tudo ficará bem.

As falácias lógicas são avassaladoras. E não pense que isso é monopólio de Krugman. Ele é apenas o difusor mais famoso. Todos os economistas heterodoxos ao redor do mundo defendem o mesmo: a impressão de dinheiro é a solução.

Se os governos continuarem mantendo as empresas fechadas e ordenando as pessoas a continuarem em prisão domiciliar, as taxas de desemprego irão disparar para níveis sem precedentes, e vivenciaremos uma depressão ainda pior. Como corretamente apontou Elon Musk, se todos estão em casa sem produzir coisas, não mais existirão coisas. E imprimir moeda não vai solucionar isso.

No entanto, Krugman afirma que se os governos imprimirem dinheiro e ainda estimularem o endividamento, tudo estará sob controle. E toda a esquerda progressista pensa o mesmo. Esta não é uma lógica apenas de Keynes, mas também de malucos como Silvio Gesell e os atuais seguidores da Teoria Monetária Moderna

Para ser honesto, a única coisa que está faltando nesta última fantasia de Krugman é começar o artigo com "Era uma vez…"




autor

William L. Anderson
é um scholar adjunto do Mises Institute, e leciona economia na Frostburg State University. 


  • anônimo  21/05/2020 19:51
    Algum estado americano deveria permitir esse tipo de coisa acontecer, só pra ver no que dá.
  • Humberto Moura  21/05/2020 20:43
    Já viu os exemplos de lugares que democratas comandam há décadas? Não faltam exemplos desastrosos e ainda assim conseguem vencer no voto popular. O povão é incapaz de ligar os pontos. Por isso democracia é uma farsa.
  • Vladimir  21/05/2020 20:59
    As cidades americanas geridas por democratas são pavorosas. Detroit é um lixo, Baltimore virou terra sem lei, Chicago é inabitável, Seattle foi destruída, mas o mais doloroso é ver o que fizeram com San Francisco, que era a cidade mais bela do país.

    Os mendigos defecam a céu aberto, a polícia está proibida de abordá-los, há distribuição "gratuita" de seringas aos drogados pela prefeitura, eles entram nas lojas e afugentam os clientes e o dono não pode fazer nada (pois é preconceito), e agora a cidade virou um acampamento de drogados a céu aberto.

    É nisso que dá ficar reelegendo Nancy Pelosi.








  • Felipe L.  22/05/2020 13:16
    Detroit já era, lá tem casa por US$ 100, porque ninguém quer morar lá. Os tempos com seus carros magnânimos já se foram. Sindicalistas, políticos e burocratas estragaram tudo.
  • Imperion  22/05/2020 13:41
    Favelização em processo.
  • Marcelo  22/05/2020 10:23
    O objetivo "progressista" é gerar o caos de maneira deliberada para, através do caos, implantar uma Nova Ordem Mundial socialista, com o monopólio do poder econômico, político e religioso em uma central única de poder.
    Nada mais totalitário e sob o monopólio também da opinião.
    A família sendo substituída pelo Estado que, por sua vez, é substituído pelo Partidão Vermelho sangue.
    O único capitalismo admitido é o "Capitalismo de Estado" em que o meta-capital recebe os privilégios estatais e "financia" a classe política dominante (progressista).
  • São Paulo é meu país  23/05/2020 07:53
    Exatamente. Precisamos responder à isso com armas, criptomoedas, separatismo, empreendedorismo, divulgação libertária/anarcocapitalista.
  • São Paulo é meu país  23/05/2020 07:45
    Já existe uma infinidade de exemplos dos desastres causados pelas medidas socialistas em todo o planeta, e a respostas dos esquerdistas é sempre que a culpa é do capistalismo e que é preciso ainda mais e mais intervenção do estado para resolver.

    Nem vale a pena perder tempo tentando mostrar algo para socialista.

    É melhor nós focarmos no trabalho que nós anarcocapitalistas podemos fazer.
  • Kennedy C.  21/05/2020 20:02
    Boa tarde pessoal. Desculpem pelo meu comentário não ter relação com o artigo, mas o que vocês acharam da fala do Campos Neto de que o Banco Central poderá intervir no câmbio a partir de agora para conter um "descolamento" de desvalorização em relação às outras moedas da região?

    E se o Leandro ou alguém experiente puder responder: É possível, com a reabertura da economia, uma suposta estabilização do câmbio e volta da tramitação das reformas, a economia voltar a crescer significativamente e isso fazer o Real voltar a se apreciar? Se sim, acham que as chances disso ocorrer são altas?
  • Kennedy C.  21/05/2020 20:49
    Mas a fala dele dessa vez não diverge das vezes anteriores? antes ele falava em conter "excessos", ou "exageros", mas agora fala em evitar um "descolamento", será que ele não acha que o Real "já flutou até o limite que era permitido"? ou entre os Chicagos, a moeda pode flutuar para o infinito (quero crer que eles não pensem isso)?

    E sobre o Dólar cair por impressão de moeda, a PEC do Orçamento de Guerra também não vai gerar o mesmo efeito de impressão? isso não faria o Real desvalorizar tanto quanto o Dólar no sentido do valor do Dólar continuar mais ou menos o mesmo, ou até mais caro? Eu investi em um fundo cambial atrelado ao Dólar recentemente, aconselha que eu desfaça a operação?

    Desculpe a quantidade de perguntas, e agradeço sua atenção e a de qualquer um que responda.
  • Humberto  21/05/2020 21:39
    "Mas a fala dele dessa vez não diverge das vezes anteriores? antes ele falava em conter "excessos", ou "exageros", mas agora fala em evitar um "descolamento""

    Não muito. Eu assisti a essa live. Ele falou sem nenhuma convicção. E ele sempre falou isso: o BC só entra quando sente que a moeda está "descolando" de seus pares. Ele fala isso desde agosto do ano passado. E de fato o BC só entra quando as moedas latinas estão subindo e o real está caindo.

    "será que ele não acha que o Real "já flutou até o limite que era permitido"?"

    É óbvio que ele acha isso. Mas ele não pode falar, senão a curva de juros sai do lugar e ele terá de interromper as reduções da Selic (as quais são muito caras a Guedes).

    "ou entre os Chicagos, a moeda pode flutuar para o infinito (quero crer que eles não pensem isso)?"

    Pode, sim. Para Chicago, moeda é só mais um item da economia. O preço dela tem a mesma importância que o preço da lata de azeitona.

    "E sobre o Dólar cair por impressão de moeda, a PEC do Orçamento de Guerra também não vai gerar o mesmo efeito de impressão? isso não faria o Real desvalorizar tanto quanto o Dólar no sentido do valor do Dólar continuar mais ou menos o mesmo, ou até mais caro?"

    Ambas cairão. Não será agora. Vai demorar um pouco. Mas cairão. A questão é saber qual cairá mais em relação à outra.

    "Eu investi em um fundo cambial atrelado ao Dólar recentemente, aconselha que eu desfaça a operação?"

    Eu não vejo lógica em investir em dólar. Qual o sentido de sair de um papel-moeda estatal gerenciado por burocratas e ir para outro papel-moeda estatal gerenciado por burocratas?

    Se você acredita que o real e o dólar devem cair, então vá para o ouro. Eu acho que vão, mas não será de imediato.
  • Kennedy C.  21/05/2020 22:13
    Muito obrigado pela atenção. Então a nossa melhor hipótese seria se o Dólar caísse mais em relação ao Real, seria benéfico para a economia brasileira, correto?

    E sobre o ouro, eu já investi nele depois do artigo desse Instituto falando sobre o mesmo, mas agora tenho a leve impressão de que é melhor tirar do Dólar para investir puramente em ouro mesmo.
  • Investidor Viajante  21/05/2020 22:51
    O dólar cair perante o real sempre ajuda, mas é importante ver como estão os preços das commodities. Se o dólar cai, mas os preços das commodities disparam, de nada adianta. Se o dólar encarece, mas os preços das commodities desabam ainda mais, aí a inflação de preços fica baixa (aconteceu recentemente).

    Quanto a investimentos, tenha em mente que você está entrando no fim de um período de forte valorização. É certo que, no curto prazo, terá perdas. Mas o que importa é o longo prazo. Ouro é um investimento para você fazer e esquecer. Você não se desfaz do ouro. Se já é idiotice vender dólar, é ainda mais idiotice vender ouro. Ouro você acumula. Você não se desfaz dele (exceto, é claro, em situações de extrema urgência e emergência). Investidor profissional nunca vende.

    Falei sobre isso aqui.
  • Kennedy C.  22/05/2020 00:25
    Eu tenho consciência de que isso é um investimento de longo prazo, mas você acha que compensa retirar dinheiro investido em Dólar para colocar em Ouro nesse momento? nesse caso, o rendimento superior do ouro no longo prazo (e estando imune de turbulências políticas) compensa a perda de pagar IR ao resgatar o investimento do dólar? Grato pela atenção.
  • Investidor Viajante  22/05/2020 00:54
    Sim, pode sair do dólar. Mas não entre no ouro ainda. Espere cair mais. Estamos adentrando na fase da "euforia pré-reabertura". Neste momento, os preços são irracionais. Quem tem ouro vai vender pra ir pra bolsa. Esteja lá para comprar deles. Já vivi isso várias vezes. Em março mesmo o ouro despencou por quatro dias por causa disso. Depois disparou em recuperou tudo em dois. Vai acontecer o mesmo.
  • Helliton   21/05/2020 20:19
    A lógica é simples, quando o governo imprime dinheiro pra gerar empregos, ele mata a poupança e consequentemente os empregos futuros, isso de inicio aumenta os empregos porque o povo gasta mais, porém gera desemprego a longo prazo. Ou o governo precisa imprimir cada vez mais, ou parar de imprimir. Se continuar imprimindo a inflação aumenta cada vez mais, se parar de imprimir gera desemprego. É assim que a inflação gera desemprego, apesar de gerar empregos de inicio.
    Muitos políticos estão interessados em gerar empregos agora com essa crise afinal as eleições se aproximam. O resultado será mais desemprego ou inflação alta.
  • Daniel Cláudio  21/05/2020 23:08
    O problema é que quando se alerta para coisas como políticas fiscais e monetárias destrambelhadas, você é imediatamente rotulado de negacionista de ciência. O debate está interditado. Aqui mesmo no Brasil estamos adotando a mesma política defendida pelo Krugman, embora em um grau um pouco menor. Vamos afundar todos juntos nessa.
  • Carlos Lima  21/05/2020 21:10
    excelente! uma pancada realmente forte no keynesiano que acredita nos milagres econômicos que acontecem quando se distribui dinheiro criado do nada. o texto é melhor ainda porque complementa um dos melhores artigos que já li neste site, intitulado "Economistas do lado da oferta vs. economistas do lado da demanda - entenda esta distinção crucial", texto obrigatório, no meu entender, e cujo link é www.mises.org.br/article/3190/economistas-do-lado-da-oferta-vs-economistas-do-lado-da-demanda--entenda-esta-distincao-crucial
  • Supply-sider  21/05/2020 23:06
    Este que você citou realmente é um dos melhores artigos do site. ;)
  • Carlos Brodowski   21/05/2020 22:54
    O KungFlu tem uma taxa de sobrevivência de 99,8% e uma taxa de mortalidade igual à da gripe (Fonte: Universidade de Stanford). Mais de 90% daqueles que pegam nem sabem que tem. 99% das fatalidades são de idoso com comorbidade.

    O sistema imunológico humano já aguentou e já se adaptou a centenas de milhares de vírus ao longo de milhões de anos. O novo corona é mais um. Deve ser tratado como o equivalente a uma gripe sazonal, isolando os idosos mais suscetíveis, e com todo o resto da população voltando ao trabalho, exatamente como foi nos anos anteriores.

    Não é um invasor alienígena que irá dizimar homens, mulheres e crianças indiscriminadamente. Mas não é supresa que Krugman esteja capitalizando em cima disso (ele gosta de aliens, como relembra o artigo). Ainda menos surpreendente é a ver a esquerda delirando de alegria. Regozijaram tanto que Lula não se conteve e disse "ainda bem que a natureza criou esse monstro", pois fará as pessoas voltarem a se submeter ao estado.

  • Mauro  21/05/2020 23:01
    Essa dos alienígenas é até tranquila (pois é impossível). Muito mais grave foi ele em 2002 dizendo, atenção:

    "To fight this recession the Fed needs more than a snapback; it needs soaring household spending to offset moribund business investment. And to do that, as Paul McCulley of Pimco put it, Alan Greenspan needs to create a housing bubble to replace the Nasdaq bubble."

    www.businessinsider.com/krugman-in-02-greenspan-needs-to-create-a-housing-bubble-2009-6

    Traduzindo: para combater essa recessão (de 2001), Alan Greenspan precisa criar uma bolha imobiliária para substituir a bolha da Nasdaq.
  • Guilherme  21/05/2020 23:19
    Esta também é tranquila. A melhor de todas foi essa:

    "The growth of the Internet will slow drastically, as the flaw in "Metcalfe's law"--which states that the number of potential connections in a network is proportional to the square of the number of participants — becomes apparent: most people have nothing to say to each other!

    By 2005 or so, it will become clear that the Internet's impact on the economy has been no greater than the fax machine's."

    Paul Krugman, em 1998, prevendo que por volta de 2005 a internet estaria semi-morta e seu impacto não seria maior do que a máquina de fax.
  • Felipe L.  21/05/2020 23:57
    Acho que peguei essa porcaria e nem fiquei sabendo, porque fiquei com alguns sintomas de gripe em um período, depois voltou, e agora não tenho mais.
  • Felipe L.  21/05/2020 23:49
    Acho que uma tradução melhor para Bureau of Labor Statistics seria algo como Departamento ou Secretaria de Estatísticas do Trabalho, porque a palavra "escritório" é algo que remete ao mercado privado, não uma repartição estatal.

    De fato, quem desconhece acha que nos EUA não existe uma social-democracia e que as pessoas demitidas vão passar fome. Muito pelo contrário. Nem mendigo passa fome. Isso é coisa de países pobres como o Brasil e a Índia. Li a notícia da Forbes, realmente um seguro desemprego desses é gostoso, praticamente a renda média da população de lá (que é de US$ 3700 por mês aproximadamente, o que não é uma porcaria). As pessoas reagem aos incentivos. Só ver a farra que está sendo agora com a migalha do auxílio de R$ 600. Claro que tem que existir caridade. Mas ela tem que ser privada, como existiu por tantos séculos, graças à instituições como a Igreja Católica. Mesmo hoje ainda existe tantas iniciativas assim.

    Quem não se lembra de quando o Leandro nos disse, anos atrás, de que é melhor ser um desempregado espanhol do que um assalariado brasileiro, ao expor os benefícios de uma moeda forte e uma economia mais livre? Hoje essa disparidade está ainda maior, ainda mais que a taxa de desemprego espanhola, até antes dessa pandemia, era menor do que a taxa no Brasil.

    Uma coisa que o Trump poderia fazer é entupir de medidas supply-side, facilitar ao máximo a abertura de novos negócios, entre outras coisas. Se essa notícia estiver certa, comemoremos. Outra coisa seria incentivar a poupança, já que a taxa de poupança nos EUA é baixa.

    Não sei se é impressão minha mas o AMLO no México não quer nem salvar o setor privado com endividamento, e ele até está planejando abrir a economia logo logo (não sei nem se lá ele impôs quarentenas e lockdowns). Logo sai meu artigo dele. Descobri fatos interessantes e surpreendentes ocorridos no governo dele.

    Enquanto isso, no Brasil, expandindo crédito, dando esmolas e afundando a moeda... parabéns a todos os envolvidos.
  • Gustavo  22/05/2020 00:49
    A ética do trabalho, tão arraiga nos americanos, foi corrompida para sempre. Na prática, o governo está pagando para as pessoas não trabalharem. Pior: está pagando um valor ainda maior para elas ficarem paradas do que elas recebiam quando trabalhavam.

    Esse arranjo não será revertido tão cedo. Duvido até que haverá coragem política para revertê-lo. Votarão prorrogações ao máximo possível. Nenhum político irá querer ser visto como aquele que tirou esse "direito".

    Frequento fórum de discussão americanos. Ontem mesmo um cara lá falou que o vizinho dele, que é caminhoneiro e está recebendo todas essas benesses, disse que não irá voltar a trabalhar "nem a pau". E por que voltaria? Por que trabalhar em troca de menos se você pode ficar em casa vendo Netflix e ganhando mais?

    E esse comportamento está se generalizando por lá.

    Difícil reverter isso.
  • Felipe L.  22/05/2020 01:53
    Os valores morais são deixados de lado em circunstâncias assim? Não consigo me imaginar no lugar dessas pessoas.

    A parte econômica eu sei, isso é implacável. Caramba, isso me deixa um pouco espantado, se é que realmente lá exista uma cultura diferente com relação ao trabalho (penso até em escrever algum artigo expondo um estudo aprofundado que explica a diferença entre a jornada americana e a de outros países desenvolvidos, talvez dê um mini-livro, porque me parece algo muito complexo).

    Que fórum seria esse? O Reddit? Estou até interessado.
  • Gustavo  22/05/2020 02:16
    Não. É um fórum no site do Gary North. Mas é pago.

    www.garynorth.com/members/forum/openforum.cfm?forum=1

    Ele próprio vem batendo muito nesta tecla. Para ele, o tecido social se alterou para pelo menos até a próxima geração, assim como o New Deal alterou a mentalidade da população também por gerações.
  • Hugo  22/05/2020 13:20
    Já ouvi esse papo em diversos lugares em que tive contato mais próximo com locais.
    Países que têm um dos melhores IDH do mundo reclamando que o governo paga um seguro desemprego generoso e ai o cara pega aquela grana pra viajar, ficar surfando, ou ficar em casa de bobeira.
    São locais em que os trabalhadores são muito mais libertos que no Brasil. Aqui se vc perde emprego fica morrendo de medo de conseguir outro compatível com suas qualificações. Enquanto em países desenvolvidos, fora os EUA, o pessoal trabalha uns 4/5 anos, depois tira um ano sabático, viaja, volta consegue empregos bons e vai levando a vida. Aqui se vc é engenheiro, com formação superior, se perde o emprego pra conseguir outro é muito díficil, pois o mercado não é dinamico.
    A saída para alguns, até o inicio desse ano, era abrir um negócio e ficar vivendo da renda daquele negocio, uma loja, um restraurante ou coisa equivalente. Ocorre que as vezes é uma pessoa com mestrado ou graduação que na prática vai trabalhar como um gerente de loja, mas sua remuneração, na realidade, é muito maior pois aufere-se renda tanto do trabalho de gerente quanto de dono do capital.
    Pra pessoa, individualmente, até que é bom, emprega a si e ao capital guardado. O problema é que pra sociedade como um todo, vc perde um cara que podia ta contribuindo numa grande empresa, na ponta da inovação, ou ajudando a resolver problemas de infraestrutura do país trabalhando numa construtora, ou ajudando a produzir internamente bens mais sofisticados que crie uma cadeia verdadeiramente inovativa pro país, pro cara ficar vendendo pastel, roupa ou choppe em shopping.
  • Jair  22/05/2020 16:06
    Ja morei fora e sei bem do que vc fala.
    A maioria das pessoas lá nem tem ensino superior e vive muito melhor que um graduado aqui no Brasil.
    As pessoas vivem bem sem sequer trabalhar 40 horas semanais. É um estado de bem estar social fortissimo. O governo auxilia os mais pobres e a desigualdade é baixissima
  • Elias  24/05/2020 20:46
    Aí entra a questão da alta produtividade, pois para haver menos horas de trabalho e salários maiores, o país precisa investir muito em tecnologia e capacitação profissional. E é nisso que o Brasil infelizmente está atrasado, pois a força de trabalho é pouco capacitada e a tecnologia é mais atrasada, muito em razão dos altos custos de importação (impostos altos) e logística. Nos países desenvolvidos onde existe o bem estar social, eles enriqueceram com o livre mercado primeiro para depois implementá-lo, por isso dá certo, além do fato da liberdade econômica nesses países continuar alta.
  • Imperion  22/05/2020 16:31
    Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que controem e as que destroem. Quem contrói desenvolve, cria, produz, inventa, remodela, melhora. Quem destrói não cria, precisa tomar dos outros. Se não consegue tomar, mata e destrói os bens construídos pelos outros. Não agrega nada à sociedade.

    É muito mais fácil apontar uma arma e roubar mil reais de um trabalhador em cinco minutos do que trabalhar oito horas diárias , o mês todo e ganhar mil reais.

    Deve-se então combater os parasitas assassinos destrutivos. Esse combate já existe há milênios e nunca vai acabar. Abaixe a guarda e eles agem.
  • Felipe L.  22/05/2020 00:02
    Só fazendo um adendo... o que me surpreende é que o Paul Krugman ainda é levado a sério. O cara tem até coluna em jornal, isso mostra que defender economia mainstream ainda paga as contas. E no Brasil há muitos assim, alguns até piores e que defendem abertamente o lixo da TMM.

    Alguém poderia me explicar o motivo de nenhum político ou burocrata ter imposto quarentenas e lockdowns na forte pandemia do H1N1? Mero interesse político? O cenário era parecido, aliás, exceto o fato de que aqui no Brasil o Meirelles não deixou a nossa moeda ser destruída.
  • Bernardo G.  22/05/2020 00:51
    Eu tenho uma teoria: redes sociais.

    Naquela época, 2009, elas não eram tão onipresentes como eram hoje. Não havia nem um décimo da histeria que há hoje. Políticos não eram cobrados para estarem "fazendo alguma coisa". Logo, eles nada faziam (como é o certo).

    E sem histeria nas redes sociais, não há mídia para potencializar isso.
  • anônimo  22/05/2020 15:52
    Felipe L.,
    O cara tem até coluna em jornal, isso mostra que defender economia mainstream ainda paga as contas. E no Brasil há muitos assim, alguns até piores e que defendem abertamente o lixo da TMM

    Pergunto numa boa: Qual o mecanismo da TMM que vc condena especificamente? Ademais, qual teoria monetária vc segue e o que a mesma prega efetivamente? Até porque a TMM está longe de ser mainstream e é muito pouco defendida no Brasil.
    Alem disso, o Krugman é contra a TMM. Sei que não sabia disso mas dará um jeito de acomodar a argumentação.

    Alguém poderia me explicar o motivo de nenhum político ou burocrata ter imposto quarentenas e lockdowns na forte pandemia do H1N1? Mero interesse político? O cenário era parecido, aliás, exceto o fato de que aqui no Brasil o Meirelles não deixou a nossa moeda ser destruída.

    Deve ser pq so descobriram agora que aplicar quarentena dá voto!
    Os hospitais completamente over em sua capacidade e a incapacidade de enterrar mortos também houve à época, por acaso?
    Não é mt dificil de ver que a pandemia atual é muito mais séria
  • Guilherme  22/05/2020 16:51
    O Krugman de fato era contra a MMT. Ele já havia criticado repetidamente os seguidores da TMM.

    Ele dizia, corretamente, que a teoria subestima alguns riscos em relação aos gastos do governo.

    Aliás, dica: quando Paul Krugman vem a público alertar que uma determinada filosofia econômica subestima os perigos dos gastos governamentais, então é porque tal teoria realmente é pura dinamite.

    Mas isso foi antes. Hoje, pós-Covid, ele advoga essa teoria abertamente, ainda que não a chame pelo nome.

    Mas longe de mim querer convencer alguém sobre o que Krugman realmente defende. Que acreditem no que quiserem. Desde que não empurrem Krugman para o libertarianismo, façam o que quiserem com ele.

    "Qual o mecanismo da TMM que vc condena especificamente?"

    Todos. Mas, em específico, o que eu mais condeno é o fato de ela ser totalmente anti-setor privado e completamente pró-setor público.

    A MMT é um duplo ataque ao setor privado.

    Pela MMT, o governo tem a total liberdade de imprimir e gastar dinheiro. Logo, o governo adquire um poder de compra ilimitado. Na prática, isso permite ao governo sobrepujar o setor privado e fazer uma melhor oferta para conseguir mão-de-obra, materiais, equipamentos etc. O que o governo quiser ele consegue.

    E indivíduos e empresas seriam correspondentemente privados destes recursos.

    E aí, para combater a inflação de preços que essa explosiva oferta monetária acarretaria, o governo aumentaria impostos para "retirar" dinheiro do setor privado.

    (Para MMT, impostos servem não para arrecadar dinheiro para o governo — a impressora faz isso —, mas sim para enxugar dinheiro da economia e, com isso, arrefecer a demanda e evitar uma subida nos preços.)
    Portanto, ficamos assim:

    1) de um lado, o governo imprime dinheiro e, consequentemente, obtém todos os bens, serviços e mão-de-obra que deseja, deixando o setor privado desprovido;

    2) de outro, ele aumenta impostos para retirar esse mesmo dinheiro da economia, asfixiando ainda mais o setor privado e retirando seu poder de compra.

    A MMT, portanto, nada mais é que um esquema inventado para que o governo sempre possa ganhar e para que setor privado sempre saia perdendo. Não é à toa que a extrema-esquerda caiu de amores por isso.

    "Ademais, qual teoria monetária vc segue e o que a mesma prega efetivamente?"

    Idealmente, padrão-ouro puro. Na prática (ou seja, aquela que é mais politicamente viável), um Banco Central que persegue como meta a estabilidade da moeda em relação a uma cesta de commodities.

    "Os hospitais completamente over em sua capacidade e a incapacidade de enterrar mortos também houve à época, por acaso?"

    Tanto nos EUA quanto no Brasil, tá cheio de hospital quebrando. Motivo? Falta de pacientes (exames de rotina sendo postergados impedindo o diagnóstico precoce de doenças graves e tratamento de doenças graves sendo postergados para dar lugar ao combate à covid-19).

    gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2020/04/hospital-de-novo-hamburgo-demite-132-trabalhadores-ck99988kl00yt017nid4s80cn.html

    Isso também está ocorrendo nos EUA. Procure links.

    O que está realmente over no Brasil são os hospitais do SUS (e, mesmo assim, em poucas localidades). Mas, ora, quando foi que os hospitais do SUS estiveram com capacidade ociosa? O mais legal é que, do nada, começaram a falar do SUS como se apenas agora ele estivesse com sobrelotação. Ora, UTI no SUS sempre foi lotada. Sempre. Aliás, é incrível como muita gente argumenta como se antes de março de 2020 o SUS fosse uma beleza. Já se esqueceram dos pacientes pelos corredores, das filas intermináveis e das demoras de meses para marcar um exame. E das UTIs sempre entupidas.
  • Fabrício  23/05/2020 19:16
    Ué, mas os hospitais não ficariam entupidos de pacientes com Covid-19?

    Hospitais do Paraná demitem 20% dos funcionários; Einstein e Sírio-Libanês cortam salários

    Os hospitais e clínicas privados e filantrópicos do Paraná já começaram a demitir funcionários por causa da crise do coronavírus — que reduziu em até 50% a ocupação de leitos e também prejudicou os atendimentos clínicos, que caíram 60% desde abril. Segundo o presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Paraná (Fehospar), Rangel Silva, a queda de faturamento chegou a 60% e, se os governos não ajudarem, vários hospitais do Estado irão à falência.

    "Pelo menos 20% dos funcionários do setor no Paraná, em hospitais, clínicas e consultórios, já foram demitidos ou tiveram o contrato suspenso e se nada for feito haverá mais demissões", afirma ele.

    www.bemparana.com.br/noticia/hospitais-e-clinicas-do-parana-ja-demitiram-20-dos-funcionarios

    www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/05/einstein-e-sirio-libanes-fazem-corte-de-salarios.shtml


    Afinal, anônimo, como é que "hospitais completamente over em sua capacidade" têm queda na receita e queda na ocupação de leitos? Coronalovers devem mais essa explicação.
  • Fabrício  22/05/2020 13:24
    Infectologista sueco diz que lockdowns não têm base científica

    www.gazetadopovo.com.br/ideias/infectologista-sueco-diz-que-lockdowns-nao-tem-base-cientifica/
  • anônimo  22/05/2020 13:42
    É como as pessoas dizem no interior: "Matando o boi para acabar com o carrapato"... ou seja, para resolver um problema é só destruir tudo.
  • Felipe L.  22/05/2020 14:27
    Leandro, fiquei com dúvidas sobre o seu comentário dias atrás.

    Esse longo prazo seria daqui quantos anos? IPCA seria algo de nível Dilma? Ou Collor? Castello Branco? E quanto aos preços das commodities, que você falou que explodiriam em um cenário de crise mundial que atacasse todos os setores agropecuário ao redor do mundo (uma super peste)? De qualquer forma, isso pode refletir na reeleição do Bolsonaro...

    "No atual arranjo, o real está claramente subvalorizado porque os juros de curto prazo (Selic) estão tabelados em um valor claramente irreal para o Brasil. Só que o principal culpado destes juros artificialmente baixos (para os padrões brasileiros) é o sistema de metas de inflação, que está perseguindo uma inflação de preços obscenamente alta.

    Uma meta de IPCA de 4% já é, por si só, uma valor escandalosamente alto. Mas em meio a uma pandemia que destruiu renda e que gerou uma taxa de desemprego de mais de 20% ao redor do mundo, tal meta é pornograficamente alta. Para alcançá-la já no curto prazo, a Selic tem de ser artificialmente baixa. Se a meta fosse mais realista — por exemplo, IPCA de 2%, como é no primeiro mundo, ou de 3% como é no México, no Chile e na Colômbia (no Peru é de 2%) —, a Selic seria maior, e, como consequência, a moeda não estaria tão destruída.

    Não me entenda mal: eu acho que, no longo prazo, o IPCA ficará bem acima de 4% (estamos com choque de oferta e com os BCs do mundo inteiro imprimindo moeda), mas, no curto prazo, o cenário é desinflacionário (previ isso há mais tempo).

    Por isso, para alcançar 4% de inflação de preços em um cenário que no curto prazo é desinflacionário, o BC tem de jogar a Selic lá pra baixo. Isso não só destrói a moeda no curto prazo, como ainda complica qualquer combate à carestia no longo prazo, quando os preços realmente começarem a subir (o que tenderá a exigir aumentos na Selic ainda maiores). "


    Por que a SELIC tem que ser baixa com o IPCA nessa meta? O que aconteceria se a SELIC aumentasse e a meta de inflação permanecesse a mesma?
  • Leandro  22/05/2020 16:22
    "Esse longo prazo seria daqui quantos anos?"

    Se nenhuma medida for tomada e tudo continuar como está (ver mais sobre isso abaixo), daqui a 18 meses já vai dar para sentir, creio eu.

    "IPCA seria algo de nível Dilma? Ou Collor? Castello Branco?"

    Mantido o cenário que será descrito abaixo, entre 5 e 10%. Mas os combustíveis subirão bem mais. Alimentos, idem.

    No entanto, parece — parece! — que o BC acordou para isso. Como as commodities começaram a subir forte, eles sabem que, se o dólar se mantiver nessa cotação, mas com as commodities subindo, a coisa tende a desandar. Por isso mudaram completamente de postura recentemente, e já falam abertamente sobre os preços das commodities e o dólar:

    noticias.r7.com/economia/bc-se-ve-muito-bem-preparado-para-intervir-no-cambio-diz-kanczuk-22052020

    "E quanto aos preços das commodities, que você falou que explodiriam em um cenário de crise mundial que atacasse todos os setores agropecuário ao redor do mundo (uma super peste)?"

    Só para não deixar dúvidas, dado que sua frase ficou ambígua: o que eu disse é que a única maneira de as commodities explodirem de preço (em dólares) em um cenário recessivo seria com uma súbita e inesperada praga em todas as plantações e colheitas, em simultâneo ao bombardeio de todas as plataformas de petróleo e de todas as minas, bem como o extermínio de todo o rebanho.

    Atualmente, as commodities estão subindo de preço em dólares, mas apenas voltaram ao nível em que estavam em meados de março (é que em abril elas desabaram). Mas como o dólar em março estava mais barato (abaixo de R$ 5 na primeira quinzena) do que está hoje, o BC está começando a ficar preocupado. E deveria mesmo.

    Clique no link e clique em "all" no intervalo de tempo para você ver como ainda estão baratas as commodities em dólar:

    tradingeconomics.com/commodity/crb

    Mesmo estando em níveis historicamente baixos, se as commodities começarem a subir mais (e tem muito espaço para isso), e o dólar não cair (em reais), a coisa complica.

    "De qualquer forma, isso pode refletir na reeleição do Bolsonaro…"

    Sim.

    "Por que a SELIC tem que ser baixa com o IPCA nessa meta?"

    Isso foi explicado. Porque, no curto prazo, o atual cenário é desinflacionário (alto desemprego e pessoas perdendo renda). Logo, com demanda restringida, não há espaço para aumentos de preço.

    Por isso, ter como meta um IPCA de 4% neste cenário desinflacionário exige juros muito baixos e câmbio bem alto — uma completa insanidade, mas dado que o BC se guia apenas pelo sistema de metas, e dado que se ele ficar abaixo da meta a imprensa chia e o presidente do BC tem de escrever uma carta para o CMN explicando este "fracasso" em não conseguir aumentar a carestia, então é o que ele tem de fazer.

    "O que aconteceria se a SELIC aumentasse e a meta de inflação permanecesse a mesma?"

    A questão nem é a Selic aumentar. A questão é que se a meta do IPCA fosse 3% em vez de 4%, não haveria necessidade de ter reduzido tanto a Selic. Consequentemente, o real estaria mais forte (mais poder de compra no mercado internacional). As reduções na Selic não só não tiveram nenhum efeito positivo sobre a economia (prova disso é que o IBC-Br de julho foi o melhor deste governo, quando a Selic ainda estava em 6,5% e o dólar a R$ 3,70), como, ao contrário, aumentaram ainda mais os juros longos (pois agora o mercado prevê inflação maior no longo prazo exatamente por causa desta redução exagerada no curto prazo).
  • Alex  22/05/2020 19:56
    Leandro,
    Mas a medida que o Bacen está indicando é que poderia usar reservas para combater o cambio, nao subir os juros. E o uso das reservas tem capacidade limitada, tanto no tempo quanto no escopo. Ou então swaps, mas esses tem custo fiscal elevado e acaba sendo expansionista;

    A sua previsão base é que o preço das commodities em dolares nao deve subir, logo o que pode gerar inflação domesticamente é o cambio depreciado.
    Se o que falei no primiero paragrafo de que a munição do bacen pro cambio, via reservas e swaps, são limitadas, então podemos nos preparar para uma inflação em 2021, certo?
    abraços
  • Leandro  22/05/2020 20:26
    "Mas a medida que o Bacen está indicando é que poderia usar reservas para combater o cambio, nao subir os juros."

    Isso ele já faz desde agosto de 2019.

    "E o uso das reservas tem capacidade limitada, tanto no tempo quanto no escopo. Ou então swaps, mas esses tem custo fiscal elevado e acaba sendo expansionista;:

    Correto.

    "A sua previsão base é que o preço das commodities em dolares nao deve subir"

    Não deve explodir no curto prazo. No entanto, dependendo do volume de injeções monetárias e dos efeitos dela, tudo pode acontecer em um prazo mais dilatado. Não tenho capacidade de fazer nenhuma previsão além disso.

    "logo o que pode gerar inflação domesticamente é o cambio depreciado."

    Em conjunto com outros fatores, como expansão monetária e commodities em alta.

    "Se o que falei no primiero paragrafo de que a munição do bacen pro cambio, via reservas e swaps, são limitadas, então podemos nos preparar para uma inflação em 2021, certo?"

    Se o câmbio ficar no atual nível, e as commodities encarecerem muito (em dólares) e a expansão monetária aditivar a demanda, sim.
  • Felipe L.  22/05/2020 22:36
    "Mantido o cenário que será descrito abaixo, entre 5 e 10%. Mas os combustíveis subirão bem mais. Alimentos, idem."

    Eu acabei de ver os preços das commodities, estando em patamares do começo de março desse ano, outubro de 2019, maio de 2019, março de 2019...

    Essa alta maior vai ser causada pelo preço das commodities, que estão em risco de subir por causa da desvalorização da moeda americana? Mesmo o petróleo? Eu vi hoje de que o M2 está em um ritmo de subida sem precedentes. No momento, o índice DXY ainda está alto. É interessante esse fenômeno das commodities, porque eles não estão influenciados pela força do real.

    Bem que os caminhoneiros poderiam fazer lobby para desregular o setor de combustíveis, e abolir os impostos sobre esses bens. Geanluca poderia fazer algo sobre isso, se é que seja da competência dele.

    "Isso foi explicado. Porque, no curto prazo, o atual cenário é desinflacionário (alto desemprego e pessoas perdendo renda). Logo, com demanda restringida, não há espaço para aumentos de preço.

    Por isso, ter como meta um IPCA de 4% neste cenário desinflacionário exige juros muito baixos e câmbio bem alto — uma completa insanidade, mas dado que o BC se guia apenas pelo sistema de metas, e dado que se ele ficar abaixo da meta a imprensa chia e o presidente do BC tem de escrever uma carta para o CMN explicando este "fracasso" em não conseguir aumentar a carestia, então é o que ele tem de fazer.

    [...]

    A questão nem é a Selic aumentar. A questão é que se a meta do IPCA fosse 3% em vez de 4%, não haveria necessidade de ter reduzido tanto a Selic. Consequentemente, o real estaria mais forte (mais poder de compra no mercado internacional). As reduções na Selic não só não tiveram nenhum efeito positivo sobre a economia (prova disso é que o IBC-Br de julho foi o melhor deste governo, quando a Selic ainda estava em 6,5% e o dólar a R$ 3,70), como, ao contrário, aumentaram ainda mais os juros longos (pois agora o mercado prevê inflação maior no longo prazo exatamente por causa desta redução exagerada no curto prazo)."


    Então o BCB persegue juros baixíssimos por causa somente dessa meta e do cenário atual? Porque antes da pandemia, era outro motivo, não era? Seria um outro caminho?

    No governo Temer, nunca houve nada do tipo. Não sei nem se eles erraram em abaixar a SELIC na véspera de 2018 e mais uma vez no começo daquele ano, porque ali os juros americanos voltaram a ficar atraentes.

    Abaixo da meta seria ficar abaixo da meta de inflação, portanto a imprensa é favorável à inflação de preços nessa faixa de 4% e os caras do BC têm medo deles assim, se ficar um IPCA baixíssimo?

    Agora é que você começou falar de deixar a meta de inflação mais rígida, se não me engano. Isso tem a ver com a mudança para um cenário de deflação?

    Que taxas seriam essas de longo prazo? Onde poderia checar elas? Há artigos a respeito delas? As taxas SELIC cobririam um prazo de quantos meses?
  • Leandro  25/05/2020 14:45
    "Eu acabei de ver os preços das commodities, estando em patamares do começo de março desse ano, outubro de 2019, maio de 2019, março de 2019…"

    Isso em reais, certo? Em dólares, regrediram a níveis de 1996.

    "Essa alta maior vai ser causada pelo preço das commodities, que estão em risco de subir por causa da desvalorização da moeda americana? Mesmo o petróleo?"

    Vamos de novo: a inflação de preços só irá subir quando os preços das commodities subirem. Em termos de Brasil, os preços das commodities em reais terão de superar valores de novembro e dezembro do ano passado para começarem a incomodar.

    Por ora — por ora! — isso ainda não é uma preocupação.

    Eu realmente não consigo ser mais claro do que isso e não tenho capacidades para ir além disso. Mercado de commodities é extremamente dependente de, entre outras coisas, fatores geopolíticos e climáticos. E eu não faço qualquer previsão para estes setores, simplesmente porque não é minha área. Uma briga comércio entre EUA e China reduz o preço do petróleo. Uma tensão no Oriente Médio aumenta o preço do petróleo. Geadas, estiagens ou chuvas torrenciais afetam substantivamente os preços das commodities agrícolas. Uma inesperada quebra de safra afeta tudo.

    "Eu vi hoje de que o M2 está em um ritmo de subida sem precedentes. No momento, o índice DXY ainda está alto."

    Verdade. Mas como a demanda por moeda está alta extremamente alta (vide a velocidade do dinheiro, nas mínimas históricas), ainda não há perspectivas de inflação de preços.

    "É interessante esse fenômeno das commodities, porque eles não estão influenciados pela força do real."

    Não. Commodities são negociadas globalmente em dólares. Logo, elas são influências pela força do dólar. Estando a demanda pelo dólar alta, as commodities estarão baratas em dólar. Sempre é assim.

    "Então o BCB persegue juros baixíssimos por causa somente dessa meta e do cenário atual?"

    Sim.

    "Porque antes da pandemia, era outro motivo, não era? Seria um outro caminho?"

    Antes da pandemia, o COPOM já tinha deixado claro que encerraria os cortes com a Selic a 4,25%.

    De lá pra cá, já reduziu de 4,25% para 3%, deixando claro que poderá levar para 2,25%. Ou seja, dois pontos percentuais abaixo do valor que era tido como o valor final.

    "No governo Temer, nunca houve nada do tipo. Não sei nem se eles erraram em abaixar a SELIC na véspera de 2018 e mais uma vez no começo daquele ano, porque ali os juros americanos voltaram a ficar atraentes."

    Sim. Olhando em retrospecto, a redução de 21 de março de 2018 foi errada. O petróleo estava disparando no mercado internacional, e o dólar começou a disparar ao fim de março. A greve dos caminhoneiros foi diretamente causada por aquela postura dovish do Banco Central.

    "Abaixo da meta seria ficar abaixo da meta de inflação"

    Seria ficar abaixo do piso do intervalo da meta.

    "portanto a imprensa é favorável à inflação de preços nessa faixa de 4% e os caras do BC têm medo deles assim, se ficar um IPCA baixíssimo?"

    Sim. Basta ver que, sempre que há uma deflação totalmente pontual em um determinado mês, a imprensa publica tratados e entrevistas com "especialistas" mostrando como o fato de você estar pagando mais barato pela comida é algo péssimo.

    Se você acha que estou exagerando, pode conferir aqui:

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,o-que-e-deflacao-e-por-que-a-queda-de-precos-nao-e-bom-sinal,70003043633

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/09/inflacao-negativa-efeitos-consumidor-ipca-setembro.htm

    josepaulokupfer.blogosfera.uol.com.br/2019/10/09/termometro-da-inflacao-reforca-economia-com-temperatura-muito-baixa/

    "Agora é que você começou falar de deixar a meta de inflação mais rígida, se não me engano. Isso tem a ver com a mudança para um cenário de deflação?"

    Eu sempre defendi ter como meta um IPCA zero. Não foi agora. Nunca defendi inflação de preços. Nunca disse que é bom ter a moeda se desvalorizando a uma taxa constante. Nunca disse que é positivo para a economia ter uma moeda cujo poder de compra cai anualmente.

    E o fato de estarmos hoje com juros e inflação de preços baixos (em decorrência de um cenário completamente atípico) faz com que seja o momento oportuno para reduzir a meta de inflação para 2%. Uma coisa é estabelecer como meta 2% quando o IPCA está em 11%, como foi em 2015. Outra, é estabelecer esta meta quando o IPCA está próximo disso. Não há momento mais propício.

    "Que taxas seriam essas de longo prazo? Onde poderia checar elas?"

    Taxas DI com vencimento mais longo. DI1F22, DI1F23, DI1F24… DI1F35.

    Pesquise os indicadores acima. Fontes não faltam.

    "As taxas SELIC cobririam um prazo de quantos meses?"

    A Selic é a taxa de empréstimo de um dia no mercado interbancário. Essa taxa é elevada ao expoente 252, representando 252 dias úteis. Assim, tem-se uma taxa diária anualizada.
  • Imperion  22/05/2020 22:34
    "O que aconteceria se a SELIC aumentasse e a meta de inflação permanecesse a mesma"?

    Nesse caso a inflacao ficaria abaixo da meta.
  • Felipe L.  22/05/2020 16:07
    Olhem que maravilha:

    "Guedes defende que Tesouro compre fatias de aéreas para evitar falências"

    Parte da notícia:

    "A estratégia é similar à adotada pelo presidente Barack Obama no pós-crise de 2008, quando o Tesouro dos Estados Unidos comprou fatias de empresas automobilísticas, como a GM, para evitar os efeitos de falências em série.

    Na reunião que teve com empresários, o ministro também afirmou que cada setor está sendo estudado pela equipe do ministério para se chegar a soluções específicas.

    Sobre a saída da crise, Guedes salientou que enxerga um cenário positivo, que chamou de "V".

    "[Esse V é assim,] ele cai meio rápido, sobe meio devagar, mas fica pouco tempo lá embaixo, já começa a subir de novo. O Brasil tem capacidade de fazer uma recuperação relativamente rápida. Isso é o que eu acredito. Mas nós vamos ter que entrar em campo para fazer isso acontecer daqui a uns 30 dias", disse."


    Imagina só, salvar um monte de empresa e endividar loucamente. Quem começou a salvar a GM foi o Bush, que foi atender às birras dos executivos. Obama foi fazer isso com a Chrysler, que fundiu com a Fiat. A GM nos EUA só está de pé por causa de seus utilitários (Silverado, Suburban e Tahoe), que por sinal são muito bons e já têm tradição de décadas (assim como os da Ford). Chrysler vide. A Ford foi a única que foi esperta e não foi salva, pelo menos não como foram a GM e Chrysler. Enquanto isso, a Toyota, Nissan, Hyundai e Honda não choraram e a fatia de carros no mercado americano só aumentou desde 2008. Hoje você vê mais sedã de marca asiática do que de marca americana. Os carros de passeio da Chrysler, Chevrolet e Ford praticamente sumiram todos do mercado. Chrysler foi salva duas vezes, na verdade. A primeira vez foi perto da década de 80, quando ela fez aquelas porcarias dos carros K. A marca, que já não tinha uma boa reputação de confiabilidade, piorou após ser comprada pela Fiat.

    Lá só não é pior pois o setor automotivo é competitivo, imagina nessa porcaria de Brasil, onde o protecionismo rola solto (e com carros super sofisticados como o Fiat Mobi).

    Imagina a farra e a destruição econômica que irão causar no Brasil. Sem contar a corrupção e afins.
  • Nonato  22/05/2020 16:12
    No caso dos EUA, já vimos que, graças às atuais políticas estatais (que somam seguro-desemprego dos governos estaduais e federal a mais uma ajuda de US$ 1.200 para cada cidadão), bmuitos trabalhadores estão recebendo de seguro-desemprego benefícios que são maiores que os salários que recebiam quando ainda trabalhavam.

    Logo, não é surpresa nenhuma que os pedidos de seguro-desemprego só fazem aumentar


    Nos EUA se vc pede demissão vc ganha seguro desemprego também?
    Alias, é bom que se diga que nos EUA a ajuda de US$600 dolares semanais (1200 é so para situação muito específica) é em função da situaçlão do seu IR em 2019, não tem a ver se a pessoa está empregada ou nao. Ela pode receber mesmo estando empregada.

    Logo, não entendi a lógica da colocação do autor do artigo, alguém consegue me explicar?
  • Raimundo  22/05/2020 16:24
    Para começar, há dois hyperlinks na frase que você destacou. Se você clicasse neles, teria a resposta.

    Em todo caso, era só você pesquisar um pouco. Na primeira googlada, olha o que eu achei:

    fivethirtyeight.com/features/many-americans-are-getting-more-money-from-unemployment-than-they-were-from-their-jobs/

    E olha que este é um site considerado de esquerda, hein?

    Trechinhos:

    . . . many people may now be eligible for substantially more money while unemployed than they made while they were working. A new analysis by Peter Ganong, Pascal Noel and Joseph Vavra, economists at the University of Chicago, uses government data from 2019 to estimate that 68 percent of unemployed workers who can receive benefits are eligible for payments that are greater than their lost earnings. […]

    They also found that the estimated median replacement rate — the share of a worker's original weekly salary that is being replaced by unemployment benefits — is 134 percent, or more than one-third above their original wage. A substantial minority of those workers, particularly in low-wage professions like food service and janitorial work, may end up receiving more than 150 percent of their previous weekly salary.


    E, para completar, olha que maravilha:

    The researchers uncovered other kinds of inequality, too. In some professions, like janitorial work, people who are employed by essential businesses are continuing to show up to their jobs under hazardous conditions. But in doing so, they may be eligible for less money than janitors who have been laid off or furloughed by a nonessential business.

    In an ideal world, Ganong said, the people who have kept working at hospitals or grocery stores would be receiving some kind of hazard pay. "But that's generally not the reality, which means there's a weakness in the current system," he said. "We're giving more money to certain workers to stay home than to other workers who are putting themselves at risk by going to work."


    Ou seja, quem está trabalhando em condições de risco está recebendo menos do que quem exercia a mesma profissão, parou de trabalhar e está no assistencialismo.


    P.S.:da próxima, faça um mínimo esforço e vá você próprio pesquisar dados. Quem quer tudo na mão é vagabundo.
  • Nonato  22/05/2020 18:57
    As perguntas que fiz no primeiro post, permanecem e o que vc colocou é apenas diversionismo. Senão, vejamos:

    68 percent of unemployed workers who can receive benefits are eligible for payments that are greater than their lost earnings

    Ok, mas isso nao ataca o que perguntei se i.Nos EUA se vc pede demissão vc ganha seguro desemprego também? e ii. a ajuda é baseada nos seus rendimentos de 2019 ou 2018, logo, se hoje vc está empregado ou não não importa nada.

    A substantial minority of those workers, particularly in low-wage professions like food service and janitorial work, may end up receiving more than 150 percent of their previous weekly salary

    Ok. E se estiverem trabalhando tambem continuaram recebendo, visto que é baseado na Declaração de IR de 2019 que é calculado a ajuda governamental. Se em 2019 vc recebeu menos de US$99k, entao vc ganha, se em 2020 vc ta trabalhando, meditando, desempregado ou coçando nada importa pela regra, correto?
    Dessa forma o que vc diz é puro diversionismo.

    "We're giving more money to certain workers to stay home than to other workers who are putting themselves at risk by going to work"

    De novo, a ajuda do governo federal é em cima do IR de 2019. A pessoa pode ganhar mais DO GOVERNO se receber seguro desemprego junto, mas NO AGREGADO, a pessoa recebe mais se estiver recebendo o (cheque do governo federal junto com seu salario) do que (desempregado com seguro desemprego e ajuda federal).
    E mais, até onde sei, e foi essa minha pergunta, a pessoa so recebe seguro desemprego (que é pago pelo governo estadual) se ela for demitida PELO CHEFE, ela não recebe se ELA SE DEMITIR. Correto?

    Pior que preguiça é a burrice.

  • Maurício  23/05/2020 18:54
    "Nos EUA se vc pede demissão vc ganha seguro desemprego também?"

    Sim. Se você está desempregado, você consegue.

    "a ajuda é baseada nos seus rendimentos de 2019 ou 2018, logo, se hoje vc está empregado ou não não importa nada."

    Isso em tempos normais. Atualmente, o valor de US$ 1.200 do governo federal é uniforme para todos os cidadãos. Além dos US$ 1.200 para todos, há o seguro-desemprego federal e os seguros-desempregos estaduais (cujo valor varia de estado para estado).

    "E se estiverem trabalhando tambem continuaram recebendo, visto que é baseado na Declaração de IR de 2019 que é calculado a ajuda governamental."

    Se continuarem trabalhando receberão apenas os US$ 1.200. Não receberão seguro-desemprego.

    "Se em 2019 vc recebeu menos de US$99k, entao vc ganha, se em 2020 vc ta trabalhando, meditando, desempregado ou coçando nada importa pela regra, correto?"

    Vide respostas acima.

    "A pessoa pode ganhar mais DO GOVERNO se receber seguro desemprego junto, mas NO AGREGADO, a pessoa recebe mais se estiver recebendo o (cheque do governo federal junto com seu salario) do que (desempregado com seguro desemprego e ajuda federal)."

    Se a pessoa está trabalhando, ela receberá apenas os US$ 1.200 do governo federal. Ponto.

    Se não estiver trabalhando, receberá os US$ 1.200, mais o seguro-desemprego federal e mais os seguros-desempregos estaduais. Terceira vez que repito a mesma coisa.

    "Pior que preguiça é a burrice."

    Recado dado a si próprio.
  • Milton Friedman Cover's  22/05/2020 21:21
    Boa noite.

    Sou principiante em Economia Liberal, embora tenha uma boa noção sobre ela, mas de boa noção e boas intenções, o Inferno está cheio. Claro, é melhor ter alguma noção do que ser totalmente beócio.

    Isto posto, vamos ao que interessa: essa "pandemia" altamente questionável, usada pela esquerda mundial para toler a nossa liberdade, a atitude comunista de ditar onde, quando e por quê sair de casa, essa "novidade" de imprimir dinheiro, é muito, muito surreal.

    1984, de Orwell, parece conto infantil perto do que vivemos agora e viveremos no futuro, se nada fizermos para reverter todo esse mal. No Livro do Apocalipse, também conhecido como Book of Revelation, fala em um momento muito crucial da espécie humana, onde o joio será separado do trigo.

    Embora não pareça ter similaridade com o atual momento, infelizmente, tem e muito!

    O duro é ver muitos liberais, libertários, conservadores, cristãos, defendendo a destruição da economia e o totalitarismo típico de Mao, Hitler, Stálin, Fidel, e outros ditadores, que os vários governantes mundiais impuseram às populações. A ideia de criar uma "Lei Universal", pela organização esquerdista, ONU, é de corar Lênin e os demais que citei acima.

    Que esquerdistas defendam imprimir dinheiro e manter as pessoas presas em casa, nós entendemos, pois são psicopatas que merecem estadia eterna nos hospícios da vida, mas pessoas anti esquerda defenderem isso, é o Caos se apoderando do planeta.

    Abraços.
  • São Paulo é meu país  23/05/2020 07:50
    Para se defender dessa impressão criminosa de dinheiro por parte do estado, uma poderosa ferramenta que vem crescendo são as criptomoedas. Com elas é possível usar uma moeda que não tem inflação estatal, que possui privacidade, que traz descentralização, entre outros benefícios.

    Precisamos tomar essa liderança e ir adotando e usando criptomoedas para tudo. Torná-las mais populares.
  • Felipe L.  23/05/2020 13:34
    Pessoas, comecei a ler o livro do Jorge Caldeira, o "A História da Riqueza do Brasil", muito bom por sinal e mostra um Brasil desconhecido.

    Entretanto, eu peguei um trecho do livro e que me chamou atenção (página 256), durante o governo de Dom Pedro I, e me causou dúvidas. O trecho é este:

    "O Banco do Brasil se tornara a peça central para manter um governo que gastava muito e arrecadava pouco, empregando um método ainda desconhecido na economia local. O governo emitia títulos de dívida e estes eram adquiridos pelo banco com o dinheiro que os depositantes deixavam em seu caixa. A posse do título conferia ao banco o poder de emitir notas de papel que tinham circulação oficial como dinheiro. Na hora de fazer o balanço, o banco contabilizava os títulos como ativos e os juros que eles pagavam como lucro. O esquema criava dois fluxos de dinheiro. Um carreava os recursos dos depositantes para os cofres do governo, outro ia do banco para os seus acionistas. Como o governo pagava apenas os juros, o banco emitia sempre mais – algo que interessava aos acionistas. Para todos os demais brasileiros sobrava dinheiro de papel, que cumpria a mesma função da moeda falsificada."

    Então, deixem ver se eu entendi: o banco emitia notas de papel que eram usadas como cédulas de dinheiro na economia pelas pessoas? Por que o banco emitia sempre mais essas notas? Os acionistas eram beneficiados em quanto mais notas o banco podia emitir? O dinheiro que os depositantes depositavam ia para comprar os títulos do governo, portanto emprestando dinheiro para o Tesouro?

    Esse sistema me lembrou muito o sistema bancário de hoje.
  • Gabriel  24/05/2020 19:13
    O recém criado Banco do Brasil daquela época tinha autorização de emitir bilhetes conversíveis em ouro. A população utilizava esses bilhetes em seu dia a dia, porém eles não tinham poder liberatório (não livravam a população da obrigação de pagar tributos). Ou seja, o governo autorizava o uso desses bilhetes nas operações comerciais, mas ele mesmo não aceitava como quitação de seus tributos (por que será, né?).


    Por um tempo, o arranjo foi maravilhoso para o banco e seus acionistas, porém foi ficando visível que o BB emitia muito mais bilhetes do que havia de ouro para lastreá-los, o que acabou, junto com a volta de D. João VI a Portugal, levando-o à falência em 1829.

    Em resumo, era um esquema montado para facilitar o financiamento do governo da época.

    Se tiver mais interesse no assunto, leia o livro do Gustavo Franco, A moeda e a lei. Ele faz um bom apanhado do sistema bancário dessa época no capítulo III.
  • Felipe L.  24/05/2020 04:36
    Leandro, você disse que hiperinflação não costuma durar muito tempo. A Venezuela atualmente seria exceção?
  • Leandro  24/05/2020 15:56
    A definição técnica de hiperinflação é um aumento de preços de 80% ao mês ou mais. Até hoje, na história do mundo, nenhum país viveu sob essas condições por mais de dois anos.

    A um trabalho completo sobre isso:

    www.cato.org/sites/cato.org/files/pubs/pdf/workingpaper-8_1.pdf

    Dito isso, parece que a Venezuela pode refutar esse histórico. Só que nada na Venezuela é normal. O país já se tornou uma galáxia à parte. Não há nada nem sequer remotamente semelhante a uma economia naquele país. Ali já virou escambo em estado puro.
  • Felipe L.  24/05/2020 17:07
    Dado o fato de que o governo venezuelano caloteou a dívida externa, ainda há quem compre títulos governamentais da dívida interna? Esse está o nível de déficits dos últimos anos. A URSS demorou para colapsar porque era um império e espoliava vários territórios, e já faz algum tempo que o petróleo está barato.

    Única hipótese que vejo é a China estar sustentando o regime venezuelano.

    Por que o Brasil juntou tantas reservas internacionais depois da crise de 2008? Graças ao Meirelles e aos ânimos dos investidores estrangeiros?
  • Felipe L.  25/05/2020 02:26
    Pessoas, eu vi uma notícia do AMLO que me chamou a atenção, onde ele simplesmente se recusou a endividar o governo para salvar a CCE (seria uma FIESP que come tacos?). O plano é esse.

    Esse trecho da primeira notícia me chamou a atenção:

    "Ele afirmou que, se os empresários mexicanos estão em crise e enfrentam falência, são eles que devem arcar com os custos e não as pessoas.

    "Se você for à falência de uma empresa, deixe que o empresário, os parceiros ou acionistas assumam a responsabilidade", concluiu AMLO."


    Assim como no Brasil, no México foram também impostos os lockdowns e quarentenas (só que lá foi de nível federal, enquanto aqui os prefeitos e governadores inovaram, apesar da postura do Bolsonaro). Dito isso, esse setor que pediu por socorro foi também afetado. E aí me ficou um dilema: será que o fato de o setor ter sido prejudicado, justifica economicamente e eticamente os socorros? Pelos ciclos econômicos, sabe-se obviamente que não, os socorros feitos pelo governo americano produziram corporações mimadas e ineficientes. E em ciclos econômicos, o governo é que gera esses ciclos (a não ser que em um cenário sem interferência estatal, houvesse as reservas fracionárias junto, o que acho improvável).

    Entre as medidas que lá foram colocadas, houve também a pitada demand-side, com crédito e empréstimo e o que foi considerado como "estímulo aos preços da gasolina" (ele afirmou que não haverá aumento nos combustíveis, mas desde o governo Peña Nieto que não há mais subsídios e controles de preço no setor). Só encontrei isso.

    Outra dúvida que me ficou é se haveria algum site para ver qual o percentual que o petróleo representa no PIB de um país. Já pesquisei o Trading Economics e demais sites, e não achei.


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