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A liberdade é mais importante que a democracia

Quem ganha com a democracia?  A se acreditar na resposta padrão, são as massas — os demos -- que se beneficiam com um governo da maioria.  Essa noção, entretanto, já está desacreditada.

Étienne de La Boétie, em seu poderoso livro The Politics of Obedience: The Discourse of Voluntary Servitude, explica que um tirano domina em decorrência do consentimento do povo, já que não existe qualquer outro meio de um homem controlar o destino de milhões.

Como o poder é sempre e em todo lugar algo inebriante e corruptor, estaria o problema na ordem de governo?  Embora seja verdade que, à medida que o poder aumenta e se torna mais centralizado, a violência e o assassinato se tornam os meios mais prováveis de se efetuar a transição entre regimes opressores, será que podemos daí concluir que a democracia seria o melhor arranjo?

A democracia de fato permite transições pacíficas entre duas elites governantes (ou, para sermos mais realistas, entre diferentes facções da mesma elite).  Provavelmente ela seja o arranjo mais adequado para se transferir o poder sem derramamento de sangue.  Mas qual o benefício da democracia para nós, as pessoas comuns?  Deveria você, por exemplo, celebrar aquelas raras ocasiões em que a maioria, por meio do voto, chancela uma visão de mundo igual à sua?  Afinal, mesmo um tirano irá, uma vez ou outra, governar a seu favor.

Não, a democracia não é benéfica para aqueles que são emancipados e cultuam a liberdade.  Um homem pode venerar a democracia durante o período em que ele está na maioria e até mesmo apreciá-la quando suas visões não mais estão no poder.  Mas seria isso uma forma de liberdade?  Seria a liberdade nada mais do que aceitar as decisões da maioria a todo o tempo e sob quaisquer custos?

A liberdade requer que cada indivíduo tenha o poder de utilizar seu corpo e sua propriedade da maneira que mais lhe aprouver, desde que tais ações não colidam com a liberdade de outrem.  E quando as colisões ocorrerem, um juiz ou arbitrador decide cada caso baseando-se nos direitos de propriedade — e nos direitos de propriedade apenas.

Em uma democracia, a liberdade é simplesmente o direito de votar a favor ou contra uma proposta ou um candidato, e então aceitar a decisão da maioria.  Caso não aceite, você será submetido ao aparato da coerção e compulsão do estado.  É assim que, essencialmente, a sorte política de cada um é lançada, com o voto singular não tendo absolutamente qualquer efeito.  O eleitor deve obedecer regiamente o resultado final, mesmo que discorde inteiramente dele — caso não o faça, provavelmente irá perder sua propriedade e seus direitos de propriedade no final.  Esse arranjo em nada difere de um arranjo em que, sob uma ditadura, o eleitor faz um voto simbólico e esse voto não é contabilizado, uma vez que o resultado já está determinado pelos caprichos do tirano.

Em ambas as situações o eleitor tem de aceitar a vontade de outros.  O direito ao voto — e o direito de ter seu voto contabilizado — não muda nada.

A democracia favorece apenas aqueles que estão no poder, bem como todo o seu grupo de apoio.  Ao contrário dos regimes absolutistas do passado, a democracia é a única forma de governo que fornece os meios mais consistentes para aqueles que estiveram no poder poderem dormir e morrer em paz.  O mesmo se aplica para toda a nomenklatura e seus apparatchiks e cortesãos.  Esses bajuladores, após a invenção da democracia, não mais precisam temer traições, assassinatos e o subsequente coroamento de um novo rei.  A elite e sua burocracia podem se aposentar tranquilamente em suas fazendas e gozar o resto de suas vidas sem qualquer receio — suas riquezas e descendentes estarão seguros, pagos regiamente pelo contribuinte "livre".

O grande ideal dos pensadores liberais dos séculos XVIII e XIX, ao defenderem uma reforma política que aboliria a monarquia e a autocracia, era libertar o indivíduo da tirania de um homem só ou da tirania de alguns poucos sobre todo o resto.  Mas eles também alertaram para um outro perigo igual ou até mesmo maior: a tirania da maioria sobre a minoria, mesmo que a minoria fosse composta de apenas um indivíduo.  O ideal deles não era uma democracia irrestrita, mas, sim, a liberdade individual assegurada por uma ordem constitucional que limitasse os poderes do governo.

Os governos seriam formados por homens com a única e exclusiva função de garantir e proteger esses direitos individuais.  Qualquer conceito de "direitos humanos" que quisesse ter algum significado teria necessariamente de se referir aos direitos individuais de seres humanos distintos.  Não deveria existir um homem "coletivo".  Afinal, tudo o que há são indivíduos segregados que pensam, agem, avaliam, sonham e têm objetivos e propósitos que guiam suas vidas.

Os liberais do passado também enfatizaram que a liberdade nunca estará garantida caso as pessoas não tenham os meios para viver suas vidas independentemente da — e algumas vezes em oposição à — autoridade política.  Essa é uma das razões por que eles consideravam o direito à propriedade privada algo essencial e crucial.  A propriedade privada dá a um indivíduo a propriedade e o controle sobre uma fatia dos meios de produção — e é por meio disso que ele poderá escolher como e com qual propósito irá viver sua vida.  A propriedade privada dá a ele um "território" que está sob sua própria jurisdição; ele governa a si próprio em sua casa ou em sua propriedade.  Na sociedade livre, ele pode criar seu "país" pessoal dentro de sua propriedade privada, de modo que esse "país" represente seus valores, ideais e desejos.

É verdade que nenhum homem é uma ilha.  O homem é um animal social que precisa da assistência e da companhia de seus semelhantes.  Porém, na sociedade livre, a associação humana é produzida e estimulada pelo mercado e seu sistema social de divisão do trabalho.  O mercado é uma arena de trocas pacíficas e voluntárias.  A premissa moral do mercado é que os homens são proibidos de utilizar a força e a fraude em suas transações.  A liberdade que cada homem tem de viver e fazer suas escolhas deve ser respeitada pelos outros integrantes da sociedade, assim como ele também deve respeitar a liberdade destes.

Dado que a coerção é proibida no mercado, se um homem quiser o companheirismo ou a cooperação de outras pessoas ele terá de aprender a praticar a cortesia, a polidez, a honestidade, a lealdade e as boas maneiras em todas as suas transações com terceiros.  Caso contrário, elas irão se afastar dele e irão se associar e fazer negócios com outros que sejam mais respeitosos e sensitivos.  Assim, o fato de que, no mercado, todas as interações são voluntárias e baseadas no consentimento mútuo, resulta em homens se tornando mais civilizados e refinados em suas relações com seus semelhantes.

Ademais, o mercado é muito mais democrático que a arena política.  No livre mercado, cada indivíduo toma a sua própria decisão relativa a uma ampla variedade de bens e serviços comercializáveis.  Dada suas preferências, sua riqueza e sua renda, ele compra a combinação de bens e serviços que a seu ver irá melhorar a qualidade, o desfrute e os propósitos de sua vida.  Mais ainda: no mercado livre e privado, suas decisões e escolhas não restringem diretamente as decisões e escolhas de terceiros.  Que um indivíduo goste de comprar presunto e ovos para seu café da manhã em nada impede que outro indivíduo possa comprar cereais e suco, ou que, ainda, um terceiro indivíduo possa optar por não comprar nada para comer no início do dia e, ao invés disso, opte por gastar seu dinheiro de alguma outra forma.

Os empreendedores e comerciantes que estão no lado da oferta do mercado respondem às nossas diferentes demandas concorrendo entre si para comprar e contratar os recursos, os bens de capital e os serviços de mão-de-obra que serão utilizados para produzir os bens que o público consumidor está demandando.  Empreendedores e comerciantes não podem obrigar os consumidores a comprar os bens e serviços que colocam no mercado.  Eles precisam persuadir o público a fazer isso, tendo como base a qualidade e o preço dos bens que estão postos à venda.  Tampouco podem eles forçar o público a trabalhar para eles, seja como fornecedores de recursos, seja como mão-de-obra.  Cada empreendedor e comerciante concorre contra seus rivais pela compra e/ou arrendamento desses recursos, bem como pelos salários pagos à mão-de-obra.  E nenhum desses empreendedores e comerciantes tem a certeza de que irá ter algum lucro ou mesmo equilibrar receitas e despesas — a menos que os consumidores escolham comprar aquilo que foi colocado à venda.

O que será produzido e a que preços esses bens serão vendidos é algo que será determinado em última instância pelo público, que "vota" com seu dinheiro naquilo que foi criado pelo mercado.  Ao mesmo tempo, os resultados originados pelo mercado são "pluralísticos".  Isto é, o mercado fornece uma forma de "representação proporcional".  As minorias são ofertadas com bens e serviços tanto quanto a maioria, dependendo apenas do quanto elas estão dispostas a "votar" com seu dinheiro no mercado.  De fato, qualquer minoria de consumidores pode receber ao menos alguns dos bens e serviços que desejam desde que estejam dispostas a — e sejam capazes de — oferecer preços a esses bens e serviços; preços esses que sejam suficientes para cobrir os custos nos quais o fornecedor irá incorrer para trazê-los ao mercado.

Mas, sendo assim, não seria verdade que os consumidores no mercado têm um número desigual de "votos" em termos da quantidade de dinheiro que eles têm para demandar os vários bens e serviços que desejam?  Sim, isso é verdade.  Mas em um mercado livre e competitivo, o que determina o número de "votos" monetários que cada consumidor tem é reflexo da renda que ele adquiriu como produtor, uma vez que ele também teve de ofertar outros bens que os consumidores também desejaram comprar.  Assim, a fatia de renda de cada indivíduo em sociedade livre é reflexo do quanto os outros membros da sociedade pensam valer seus serviços, do quanto eles valoram sua contribuição a um processo particular de produção.

O pluralismo democrático da economia de livre mercado se contrasta fortemente com o resultado oriundo do processo democrático político.  Os bens e serviços fornecidos pelo governo não estão abertos às escolhas e tomada de decisões individuais.  Não podemos ser exigentes na escolha dos bens e serviços governamentais em termos das quantidades relativas que gostaríamos de ter.  E certamente não temos a opção de rejeitar completamente alguns desses bens e serviços — ou mesmo não querer absolutamente nenhum deles.  Tampouco temos a opção de pagar por apenas aqueles bens e serviços governamentais que queremos.  O governo adquire os meios financeiros para fornecer as coisas que fornece à sociedade através da tributação — isto é, o roubo compulsório de parte da renda e riqueza dos cidadãos sem o consentimento voluntário e individual destes.

Em uma ditadura, esse confisco é determinado pelos desejos do soberano e daqueles próximos a ele, tendo por base as suas necessidades pelos recursos da nação.  Em uma sociedade democrática, os limites da tributação teoricamente dependem do grau com que aqueles que estão no poder são capazes de convencer a população de que o confisco via tributação é um reflexo legítimo da própria vontade "popular" que foi expressa no processo eleitoral.  Porem, na prática, os limites da tributação são influenciados pela formação de coalizões de grupos de interesse que financiam e pressionam por vários programas governamentais que envolvem redistribuição de renda e restrições ao mercado, seja através de regulamentações, de barreiras comerciais ou de privilégios monopolísticos.  Tudo isso, é claro, é defendido sob a alegação de ser do "interesse nacional" ou em nome do "bem comum".

É por permitir e chancelar esse tipo de abuso, algo inerente ao processo democrático, que tal sistema se tornou inimigo da liberdade.  Esses vários esquemas intervencionistas e de redistribuição de renda são a fonte das acusações de corrupção e de criação de discórdia nas sociedades democráticas.  É isso que torna a democracia um sistema divisivo.  Ao estender a democracia política às áreas que deveriam ser deixadas com a individualidade e a soberania pessoal, bem como com o pluralismo voluntário e democrático do livre mercado, o sistema se desvirtuou por completo.

Como está agora, a democracia não é vantajosa para os demos; ela é vantajosa apenas para a elite do poder.  Algo a se pensar.

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Leia também:

De Hans-Hermann Hoppe:

Democracia - o deus que falhou

Como os piores são eleitos

A democracia não é a solução; é o problema

A ética e a economia da propriedade privada

 

De Lew Rockwell:

Por que o estado cresce? (E o que podemos fazer quanto a isso)

O que é o estado?

Dois tipos de competição

 


autor

Richard Ebeling

leciona economia na Northwood University de Midland, Michigan, é um scholar adjunto do Mises Institute e trabalha no departamento de pesquisa do American Institute for Economic Research.


  • RENATO BARBOSA DA SILVA RAMOS  29/10/2010 12:02
    ESTIMADOS AMIGOS LIBERTÁRIOS\r
    \r
    AO LER A PUBLICAÇÃO DO EXTRAORDINÁRIO PROFºRICHARD EBELING DA HONROSA INSTITUIÇÃO HILLSDALE COLLEGE,CUJO PRESIDENTE É O MR.LARRY P.ARN(AMIGO MEU),AUTOR DE UMA EXCELENTE BIOGRAFIA DO PREMIER WINSTON CHURCHILL PUDE CHEGAR A CONCLUSÃO DE QUE ELE ESTÁ COBERTO DE RAZÃO.\r
    ACONTACE QUE TER A DEMOCRACIA NÃO É TER A LIBERDADE ASSEGURADA!\r
    NO LIVRO"CAPITALISMO,SOCIALISMO E DEMOCRACIA" DO FILÓSOFO POLÍTICO INGLÊS\r
    JOSEPH SCHUMPETER,ELE NOS FALA QUE A DEMOCRACIA É UN ARRANJO INSTITUCIONAL À TOMADAS DE DECISÕES POLÍTICAS(ADMNISTRATIVAS E/OU LEGISLATIVAS)E NADA MAIS.\r
    A DEMOCRACIA É UM MEIO,UM PROCESSO E NÃO UM FIM NELA MESMA,POR ISSO INCAPAZ DE SALVAGUARDAR A LIBERDADE INDIVIDUAL.\r
    PARA NÓS TERMOS A LIBERDADE ASSEGURADA É NESSESSÁRIO A PROMULGAÇÃO DE UMA LEGÍTIMA CONSTITUIÇÃO DA LIBERDADE DE FATO E DE DIREITO QUE ELEJA UM VERDADEIRO REGIME POLÍTICO DEFINIDO,QUE NO CASO É A DEMARQUIA,IDEALIZADO PELO ECONOMISTA,CIENTISTA-POLÍTICO,FILÓSOFO E JURISTA,O PROFºFRIEDRICH AUGUST VON HAYEK.\r
    LEMBREM-SE DE QUE NÃO PODEMOS EXIGIR DA DEMOCRACIA ÀQUILO QUE ELA NÃO PODE NOS FORNECER!\r
    ABS,\r
    RENATO RAMOS\r
    SAUDAÇÕES LIBERTÁRIAS!
  • Miguel A.E. Corgosinho  30/10/2010 14:02
    Reflita isso: O Brasil tem mais um poço de petróleo consistente de riqueza concreta e valor "para si", pelo qual o valor abstrato deveria ser correspondente a correlatos necessários da produção, constituindo-se diretamente a expansão da moeda nacional - e esta ultima, deve, por isso, se referir ao papel natural do desenvolvimento científico da economia e não o de se alargar ao máximo no ônus externo de títulos públicos.

    O que mais interessa é que existe uma soberania externa do valor (implícita a estrutura interna da riqueza), criada artificialmente pelo dólar, e conseqüentemente a fundação dos valores das riquezas entram globalmente para os EUA.

    Então, qual o país você acha que vai ser o dono do poço de petróleo?

    Resumindo, o adestramento especifico para o poder, a ser enfrentado pela democracia estenderam-se a preparação de um meio exterior mútuo, segundo a maneira de ver a soberania externa de todos os países. Considerando que os limites naturais do real objetivam a fusão ambiciosa de um núcleo a ser exposto os dois lados fundamentais de uma mesma moeda: o sujeito de valor e o seu próprio âmbito monetário.
  • Angelo Viacava  30/10/2010 16:08
    Miguel. Como dizemos aqui no RS: Te puxou, hein? Mas, afinal, és contra ou a favor do texto, enquanto conjunto de sentidos implícitos e explícitos?
  • Miguel A. E. Corgosinho  30/10/2010 22:15
    Angelo, \r
    \r
    Teria outras divergências com texto: "The Discourse of Voluntary Servitude, explica que um tirano domina em decorrência do consentimento do povo, já que não existe qualquer outro meio de um homem controlar o destino de milhões."\r
    \r
    Hoje, O que domina uma nação são as condições em que o capital modifica a organização interna da sociedade.\r
    \r
    O problema é: os politicos reconheceriam que o "poder" está implícito ao equipamento do Meio Exterior da produção? Ao meu modo de ver, a parte subjetiva deles se explicita apenas à autoridade para colocar concepções iniciais em ação, como um conjunto compartilhado de resultados, em que estariamos contidos nas operações geradoras para:\r
    \r
    - Abordar procedimentos de principios de controle, por processos ordenadores da simultaneidade, que são conheidos como "software".\r
    \r
    - Escolher a rede mundial para vigilância recíproca das atividades fundamentais - por objetivo da passividade de valor - reservadas as atividades númericas de um sistema em si.\r
    \r
    - Programar o funcionamento de transferência eletrônica contida nos conceitos das funções espaciais da informática, que compete assegurar os opostos reais de valor da produção, durante um periódo de liberdade social, na sequencia relativa de uma moeda soberana.\r
    \r
  • Arovet Li  04/11/2010 14:41
    Caro Miguel, devo dizer, honestamente, que não entendi muito bem o que você quis dizer. Achei o texto deveras confuso, mas talvez seja só eu; peço desculpas se não poderei fazer uma análise melhor do seu ponto de vista. Gostaria só de chamar atenção para um ponto: "Hoje, O que domina uma nação são as condições em que o capital modifica a organização interna da sociedade."\r
    Veja bem, o capital não força - para pior - uma mudança na organização social. Ele (ou melhor dizendo, os modos de produção de determinada sociedade) alteram aquilo que é ultrapassado, desnecessário e não mais reflete o momento histórico de tal sociedade. Foi com o surgimento da burguesia que se deu a origem da sociedade citadina e, com o desenvolvimento da burguesia, o mercantilismo e as instituições feudais foram sendo deixadas de lado (em maior ou menor grau, dependendo da onde você analisar). Não é que a burguesia 'forçou' uma mudança na sociedade. A burguesia estava pensando no seu próprio interesse (como Adam Smith brilhantemente demonstrou); mas a sociedade não mais comportava tais instituições. Essa, também, é uma briga que Marx teve com seus contemporâneos, em especial List (que embora anterior, fundamentou o chamado industrial-nacionalismo alemão). Para Marx, tais estudiosos estavam sendo contrários à História, que, na opinião de Marx, passava pelo desenvolvimento de um capitalismo liberal (no modelo inglês) para depois desembocar no início do socialismo. A História mostrou Marx errado, mas também mostrou List errado, já que o intervencionismo e o protecionismo se mostram desatualizados e contra-producentes. Temos, agora, que desenvolver o capitalismo da forma mais liberal possível, para que a sociedade consiga atingir as mudanças que são necessárias para seu tempo histórico (quem sabe, não será um anarcocapitalismo?). Portanto, não é que o capital 'força' mudanças; tais mudanças estão engendradas na sociedade e são necessárias para o desenvolvimento (mais ou menos tarde, dependendo da boa vontande dos políticos). O modo de produção só cria uma forma para tais mudanças serem realizadas. Espero que eu tenha me feito claro o suficiente.\r
    \r
    Mudando de assunto, excelente artigo. De fato, a liberdade é mais importante que a democracia, da mesma forma que o capitalismo liberal é mais justo para a sociedade que qualquer tipo de tentativa governamental para diminuir as desigualdades. Como Friedman escreveu, existe capitalismo sem liberdade, mas não existe liberdade sem capitalismo.
  • Miguel A. E. Corgosinho  09/11/2010 11:08
    Prezado Aroveti, Voce disse: o capital não força - para pior - uma mudança na organização social.\r
    \r
    Mas é esse o problema amigo: uma mudança na organização social, exemplo: o crescimento dos investimentos externos provocam emissão de moeda (endividamento do estado). \r
    \r
    Por que ninguém repensa o investimento (organização social) quando alguém mostra o modelo perverso de apropriação indevida da lei do valor da produção, pelo qual se faz a submissão econômica no estado (que nada produz)? \r
    \r
    Estranho esse sistema de liberdade: Os países se endividam pela riqueza da propriedade privada, porém, o valor é apenas uma relação entre a forma da propriedade e a ação humana!!! \r
    \r
    Após tantos anos de escravidão econômica com o FMI, o modo de abstrair os efeitos da propriedade privada não se diferencia de uma expropriação da unidade nacional, em que a producão perde o pressuposto da teoria do valor (neutro), necessário ao regime recíproco de conversão histórica e correlatos (interno/externo) diretos do valor da produção para a moeda, mas o valor se transforma inversamente em ônus reais (titulos públicos) para o rentista especular o estado ao longo do tempo.\r
    \r
    Se impõe um modelo de livre mercado, isso implica que ele realmente seja livre do estado - não bastaria captar cientificamente o tempo histórico do poder da riqueza acumulada no "valor da produção", para lastrear a moeda a lei do valor.\r
    \r
    Economistas, por que prender o estado ou a sociedade ao desfecho do mercado financeiro?\r
    \r
    Concordando com você nisso: "Temos, agora, que desenvolver o capitalismo da forma mais liberal possível, para que a sociedade consiga atingir as mudanças que são necessárias para seu tempo histórico (quem sabe, não será um anarcocapitalismo?)." (???) \r
    _______________________________________________________________________________\r
    \r
    Karl Marx, pág 119 - No mundo moderno todo individuo faz parte de um sistema escravista. Mas a escravidão da sociedade burguesa é, aparentemente, a mais ampla liberdade, porque parece ser a independencia acabada do individuo para o qual o movimento desenfreado... é a manifestação de sua própria liberdade, enquanto que na realidade não é mais do que a expressão de sua submissão absoluta e a perda do seu caráter humano.\r
    \r
    O que o individuo percebe é a aparência do direito legal, enquanto que o jogo real dos privilégios desenvolve-se de certa maneira por trás dele.\r
    \r
    Marx disso dá muitos exemplos concretos.\r
    \r
    Em primeiro lugar, o mercado capitalista: "A esfera da concorrência... a encerrar somente cada caso tomada a parte, é dominada pelo acaso, lei interior que confirma nos acasos e nas regras so aparece quando se reúne uma série desses acasos, enquanto que diversos agentes da produção não vêem nem a compreendem". Cada vendedor e cada comprador se crêem livres e todos estão submetidos, sem disso ter conhecimento à lei do valor.\r
  • Miguel A. E. Corgosinho  09/11/2010 12:25
    Errata: (... - não bastaria captar cientificamente...) para (... - bastaria captar cientificamente...)
  • Luciano  29/01/2011 12:36
    O idéia de liberdade trazida no texto é uma coisa absolutamente nefelibata. Eu pergunto: ser livre não é ter liberdade também para escolher a escravidão? Se a democracia não é o melhor regime, qual seria então? Se a ditadura da maioria é tão ruim como o autor afirma, então a ditadura da minoria seria melhor? A democracia é o espelho das imperfeições culturais em um determinado momento da História. Se no "mercado das idéias" o intervencionismo e o "welfare state" estão sendo "demandados", não podemos atribuir isso a um defeito congênito da democracia. As regras do mercado valem também para o mundo da política ("mercado das idéias").
  • anônimo  29/01/2011 13:49
    Eu pergunto: ser livre não é ter liberdade também para escolher a escravidão?

    Será que os escravos da democracia escolheram isso?
  • O MESMO de SEMPRE  10/08/2016 15:52
    PÔ Anônimo, essa tua frase é uma aberração lógica e vou te mostrar:

    Se o sujeito "escolheus a escravidão" ele fez uma livre escolha e não pode ser então um escravo. Portanto ele não escolheu a escravidão, mas sim a obediência absoluta.

    Quem livremente se entrega ao comando alheio não é um escravo, pois esta é a PRÓPRIA VONTADE LIVRE. Escravidão é ESTAR SUJEITO A VONTADE ALHEIA para NÃO SOFRER UM DANO AINDA MAIOR.

    Mais precisamente ESCRAVO É AQUELE EM QUE SUAS OPÇÕES NATURAIS SÃO LIMITADAS por outro, OU LIMITADAS PELO, ENTÃO, SENHOR.

    Por exemplo:

    Um escravo não tem disponível a opção de NÃO OBEDECER e NÃO SOFRER DANO ALGUM que o OUTRO LHE POSSA IMPOR. Assim a desobediência resultará em uma AÇÃO CONTRÁRIA por parte de quem lhe IMPÕE uma ESCOLHA LIMITADA, mesmo que NÃO tenha havido qualquer ACORDO LIVRE NESTE SENTIDO. (acordos LIVRES, de concessão mutua, preveem punição ao descumprimento)

    Alguém, O SENHOR, controla as OPÇÕES DISPONÍVEIS e assim LIMITA estas opções, disponibilizando apenas algumas e negando outras que estariam naturalamente disponíveis:

    Senhor:

    Você FAÇA O QUE MANDO ou VOU ATACA-LO, ESPANCA-LO, PRENDÊ-LO ou MATA-LO.

    O senhor não disponibiliza a opção de NÃO OBEDECER e NENHUM DANO SOFRER.


    Portanto NINGUÉM PODE LIVREMENTE SER ESCRAVO. Seria como dizer que a cor preto optou por ser branco.

    TRATA-SE DE AFIRMAÇÕES CONTRADITÓRIAS, IMPOSSÍVEIS NO MUNDO REAL: o preto não pode ser também branco, da mesma forma que dois corpos não podem estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo.

  • Fernando Chiocca  29/01/2011 14:06
    Eu respondo: Não, escravidão é o oposto de liberdade. Escravidão implica imposição, implica exatamente em não haver escolha. Não existe "escravidão voluntária". Se é voluntário, não é escravidão. Se é escravidão, não é voluntário.

    Ditaduras, no final das contas, são sempre de uma maioria contra uma minoria. O poder do governo se sustenta no consentimento de uma maioria; sempre. A ditadura dos Castro em Cuba tem o apoio de uma maioria de cubanos, assim como tinha a dos militares no Brasil, que caiu quando uma maioria retirou seu consentimento. Democracia, no fundo, é a mesma coisa que ditadura. Veja o caso da Venezuela de Chavez, que é uma democracia mas alguns a consideram uma ditadura.

    Democracia é a vontade da maioria. Se você acha que a vontade da mairia é mais importante que a liberdade, você acha que a Alemanhã Nazista Democrática ter assassinado judeus é mais importante do que preservar as vidas e liberdades destes. Então, eu só tenho a lamentar.

    As "regras do mercado" são respeitar a propriedade e liberdade dos indivíduos. Essa é, na verdade, a definição de mercado. Se estas regras não são observadas, não podemos dizer que existe um mercado livre: O que é o Livre Mercado?
  • augusto  29/01/2011 15:23
    "Ditaduras, no final das contas, são sempre de uma maioria contra uma minoria. O poder do governo se sustenta no consentimento de uma maioria; sempre. A ditadura dos Castro em Cuba tem o apoio de uma maioria de cubanos, assim como tinha a dos militares no Brasil, que caiu quando uma maioria retirou seu consentimento. Democracia, no fundo, é a mesma coisa que ditadura. Veja o caso da Venezuela de Chavez, que é uma democracia mas alguns a consideram uma ditadura."\r
    \r
    Eu acho que esta afirmacao precisa ser melhor qualificada.\r
    \r
    Eu diria que voce pode consentir a alguma coisa por dois motivos:\r
    \r
    1) O consentimento traz consequencias positivas (por exemplo, quando eu consinto em pagar uma taxa - o ingresso - para assistir um filme, ao mesmo tempo em que o dono do cinema consente a minha entrada no estabelecimento em troca de uma quantia especificada de dinheiro);\r
    \r
    2) O nao-consentimento traz consequencias negativas (por exemplo, se eu me recuso a fazer o teste do bafometro, eu vou perder horas na delegacia e depois no Detran para recuperar meu veiculo);\r
    \r
    Dito isso, vamos examinar a tese de que o poder do governo se sustenta no consentimento de uma maioria.\r
    \r
    Suponhamos uma comunidade em que os habitantes, julgando benefico retirar armas de circulacao, consintam em deixar que apenas empregados do Estado tenham acesso a armas. Esses habitantes estarao, a principio, felizes.\r
    \r
    Agora, suponhamos que este mesmo Estado, aproveitando-se do fato de ter armas, decida confiscar parte da propriedade dos habitantes - sob pena de prisao ou ate de perda da vida. Ora, os habitantes desarmados, embora maioria tem duas escolhas: podem tentar se rebelar, apesar dos riscos; ou podem consentir na parda de parte das suas propriedades - nao porque querem perder o que tem, mas justamente porque nao querem perder ainda mais.\r
    \r
    Dizendo de outra forma, nem sempre nossas escolhas sao baseadas no que eh melhor (eh melhor ser livre que ser escravo), algumas sao baseadas no que eh menos pior (eh menos pior pagar impostos que ser preso).\r
    \r
    Mas do ponto de vista da logica formal ou da praxeologia, confesso que nao sei se o que eu disse acima faz muito sentido ;-)
  • augusto  29/01/2011 15:49
    "Ditaduras, no final das contas, são sempre de uma maioria contra uma minoria. O poder do governo se sustenta no consentimento de uma maioria; sempre."\r
    \r
    Voltei para complementar minha mensagem anterior.\r
    \r
    Eh preciso lembrar que durante boa parte da historia do Brasil, a maior parte da populacao era constituida por escravos.\r
    \r
    Sendo os escravos a maioria, ficamos no seguinte impasse: ou os escravos consentiam em ser escravos (o que seria um absurdo); ou a maioria era oprimida pela minoria - o que contradiz a afirmacao do colega acima.\r
    \r
    Nesse caso, entendo que a "maioria" nao eh uma fracao da populacao, mas uma fracao dos meios de opressao.
  • Fernando Chiocca  29/01/2011 17:07
    Não augusto, o que vc disse não faz sentido. E a parte que vc disse que a maioria da população no Brasil colonia era escrava foi invenção da sua cabeça. Em nenhum momento da historia a maioria da população foi formada por escravos.

    A constatação de que qualquer governo (ditadura, monarquia, democracia..) conta com o apoio de uma maioria vem desde Hume, Mises, Etienne de La Boetie e Rothbard

    No mais, se o "nao-consentimento traz consequencias negativas", poderia consentir em me entregar todas as suas riquezas? Eu posso até lhe dar algo em troca.
  • augusto  29/01/2011 18:00
    "Não augusto, o que vc disse não faz sentido. E a parte que vc disse que a maioria da população no Brasil colonia era escrava foi invenção da sua cabeça. Em nenhum momento da historia a maioria da população foi formada por escravos."\r
    \r
    Verdade, peco desculpas e retiro o que disse.\r
    \r
    "A constatação de que qualquer governo (ditadura, monarquia, democracia..) conta com o apoio de uma maioria vem desde Hume, Mises, Etienne de La Boetie e Rothbard"\r
    \r
    Argumento de autoridade. De qualquer forma, a nocao de que "o Estado se sustenta no consentimento da maioria" parece-me falho, por dois motivos:\r
    \r
    (a) se a maioria consente, entao eh porque a maioria ve um beneficio nesse arranjo. Ora, se a maioria ve um beneficio nesse arranjo, por que ela haveria de abandona-lo? E se a maioria tem a forca para manter esse arranjo, por que a cederia a minoria em troca de um beneficio incerto? Se assumimos que "o Estado se sustena no consentimento da maioria", entao o projeto libertario nao passa de utopia - sem chance de realizacao.\r
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    (b) se a maioria consente, entao por que os governos precisam criar prisoes, exercitos e policia para se sustentar? Ora, o servico poderia ser prestado "pela maioria", que como turba encolerada rapidamente eliminaria qualquer minoria discontente.\r
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    No fundo: o problema esta no conceito de "maioria" e de "minoria", pois assume grupos homogeneos.\r
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    "No mais, se o "nao-consentimento traz consequencias negativas", poderia consentir em me entregar todas as suas riquezas? Eu posso até lhe dar algo em troca."\r
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    Ou voce nao entendeu o que eu disse, ou eu nao entendi a frase acima. Voce pode exigir que eu lhe de todas as minhas riquezas. Ora, voce esta a quilometros de distancia de mim, nao me conhece e dificilmente viria atras de mim. Nao consentir em te entregar minhas riquezas nao traz nenhuma consequencia para mim, e eh por isso que eu nao vou te dar nada. Por outro lado, se eu um dia resolver parar de pagar meus impostos, eu tenho certeza que nao levara muito tempo para aparecer um oficial de justica ou um policial batendo na minha porta. Obviamente isso eh uma consequencia negativa, e portanto eu pago os impostos. O unico "beneficio" de pagar os impostos eh nao ser molestado pela policia. Como eu jamais pedi ou concordei em ser molestado, pago simplesmente por medo.\r
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    Acho que isso eh bem diferente do cidadao que paga seus impostos porque acredita que pagar impostos seja um procedimento correto e moral, e que nao hesitaria em chamar seu vizinho de criminoso e bandido ao saber que ele sonega impostos.
  • Fernando Chiocca  29/01/2011 18:27
    Não foi a intenção de ter fazer um argumento de autoridade e sim de você ir pesquisar que estes pensadores já responderam suas indagações.

    Ora, se a maioria ve um beneficio nesse arranjo, por que ela haveria de abandona-lo?

    A maioria achar que o arranjo lhe é benéfico não significa que o arranjo [b]seja[b] benéfico. E na verdade não é. é extremamente maléfico para a maioria e extremamente benéfico para uma minoria.

    se a maioria consente, entao por que os governos precisam criar prisoes, exercitos e policia para se sustentar?

    A mesma coisa da "maioria de escravos"que vc inventou. É a maioria que cria e sustenta prisoes, exercitos e a policia e é a minoria que vai presa.

    Ora, o servico poderia ser prestado "pela maioria", que como turba encolerada rapidamente eliminaria qualquer minoria discontente.

    Sim, e é isso que acontece.


    Quanto ao "nao-consentimento", você perverteu todo o sentido. Vc pode não consentir voluntariamente em pagar impostos e não consentir com a existencia do estado. Mas uma maioria consente voluntariamente e oprime a minoria que vc faz parte a consentir na porrada.
  • augusto  29/01/2011 18:53
    "Não foi a intenção de ter fazer um argumento de autoridade e sim de você ir pesquisar que estes pensadores já responderam suas indagações."\r
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    E eu agradeco. Apesar de ter sempre tido uma inclinacao liberal/capitalista e de ter sobrevivido a duras penas um bacharelado em ciencias humanas onde xingar o FHC de neoliberal era visto como ato proprio e moral, so ha cerca de tres anos descobri a literatura de Mises, Hayek, etc., tendo chegado ai por uma mistura de leituras de Friedman e do sociologo austriaco Alfred Schutz.\r
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    "A maioria achar que o arranjo lhe é benéfico não significa que o arranjo [b]seja[b] benéfico. E na verdade não é. é extremamente maléfico para a maioria e extremamente benéfico para uma minoria."\r
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    Interessante. Eh correto - do ponto de vista da filosofia austriaca - dizer que uma pessoa pode consentir em ser vitima de uma fraude? Ora, se como voce diz ha uma minoria que se beneficia e uma maioria que sofre - embora a maioria acredite estar se beneficiando, essa maioria esta sendo enganada. Se ela esta sendo enganada, ela nao esta consentindo, pois nao esta recebendo o que lhe foi prometido.\r
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    "A mesma coisa da "maioria de escravos"que vc inventou. É a maioria que cria e sustenta prisoes, exercitos e a policia e é a minoria que vai presa."\r
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    E o que acontece quando a maioria prende toda a minoria? A maioria se divide e uma nova minoria surge espontaneamente? E quando o numero de presos se torna maior que o numero de homens livres, os presos passam a subjugar os livres? Nao seria o equivalente a dizer que quem manda numa penitenciaria sao os presos e nao os agentes? Ou os presos consentem em estar presos?\r
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    Ora, o servico poderia ser prestado "pela maioria", que como turba encolerada rapidamente eliminaria qualquer minoria discontente.\r
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    "Quanto ao "nao-consentimento", você perverteu todo o sentido. Vc pode não consentir voluntariamente em pagar impostos e não consentir com a existencia do estado. Mas uma maioria consente voluntariamente e oprime a minoria que vc faz parte a consentir na porrada."\r
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    Justamente o meu ponto, Fernando. Se voce "consente na porrada", voce nao esta consentindo, voce esta sendo subjugado.
  • augusto  29/01/2011 19:07
    Fernando,\r
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    Apenas um adendo. Meu erro em relacao a populacao escrava do Brasil nao foi uma tentativa planejada de usar dados incorretos para "puxar a sardinha para a minha brasa". Na verdade, eu estava acompanhando este debate: blog.mises.org/15331/haiti-and-the-commons , e assumi que a populacao escrava brasileira fosse maior que a populacao livre, como ocorreu no Haiti.\r
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    Conforme o site www.sethkaller.net/catalogs/47-historical/797-haitian-slave-uprising-in-1791 , naquele pais, no momento da revolucao, a populacao negra era 10 vezes maior que a populacao branca (eh o que se infere da frase "Africans outnumbered the white population by 10 to 1, embora nao esteja dito que todos os de origem africana fossem escravos).\r
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    Pela sua linha de argumentacao, ate o momento da revolucao, os negros haitianos (maioria) consentiam com a escravidao (que como voce sabe, era legal no Haiti). Ora, se eles consentiam, nao eram escravos, certo?
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  30/01/2011 19:29
    Prezado Leandro\r
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    A democracia é um método bem sucedido de fazer as pessoas confundirem estado com sociedade.\r
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    Eu percebo nos diversos textos do site que diferenciar a sociedade do estado é fundamental para os libertários.\r
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    Num regime democrático cria-se um caldo de cultura onde as pessoas pensam que o estado é uma propriedade coletiva de todos os eleitores e que os votos da pessoas influenciam as políticas públicas.\r
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    Ocorre que, na prática isto não acontece vez que apenas uma minoria tem o efetivo acesso aos poderes estatais, a maioria esmagadora das pessoas nunca terão qualquer benefício com o governo e as políticas públicas são definidas de forma completamente secreta, obscura e clandestina.\r
    \r
    Frise-se que os valores democráticos não alteram a natureza do estado vez que este continua usando de extrema violência para conseguir obter seus objetivos.\r
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    Lendo este texto fica claro para mim que é impossível os libertários lançarem um programa de governo.\r
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    Abraços
  • Pedro  23/01/2013 23:22

    Especialmente para o Miguel...

    Veja bem Miguel, num contexto histórico onde dialeticamente as classes se confrontam ante o Poder e o capital, podemos antever que o subjetivismo inconsciete deste contexto produz uma individuação num sentido teórico-pratica. Se contextualizarmos o sentido da hermeneutica capitalista opressora com com uma visão de mundo humanista, teremos como resultado a síntese sobre a idéia dominante dentro de uma escala de observação-participação contextualizada segundo uma abordagem ampla sobre as classes.
    É claro que numa visão de espectro pratico-teórico tudo pode se contextualizar num projeto social politico-humanista atraves de uma aboradagem progressista. É clarfo que as classes se exporão de modo característico dentro de uma função social histórica. É exatamente daí que podemos concluir que é válida a contextualização das classes dentro de um campo de pratica social estabelecida historicamente.

    Enfim, é isso grande Miguel
  • Emerson Luis, um Psicologo  07/08/2014 22:52

    A democracia não é um fim em si mesma, mas um meio para proteger direitos fundamentais. Seu ponto fraco é poder ser desvirtuada e funcionar contra esses direitos.

    * * *
  • Tim  22/08/2016 21:14
    Esse artigo merece um UP.


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