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Aviso ao Ciro Guedes: uma moeda desvalorizada é um ataque direto ao padrão de vida da população
Nenhum país jamais prosperou destruindo sua moeda

Quem poderia imaginar que Ciro Gomes assumiria o comando da economia? Pois foi o que ocorreu. A atual política cambial defendida por Paulo Guedes (e chancelada pelo Banco Central) é uma cópia esculpida em carrara daquela que sempre foi defendida por Ciro (confira dois exemplos aqui e aqui).

Guedes passou até a falar abertamente em substituição de importações, algo que remete a Luiz Carlos Bresser-Pereira.

Não é à toa que o pedetista já até deu uma amaciada, e passou a elogiar abertamente alguns pontos da atual política econômica. Por uma questão de justiça, Ciro deveria até ganhar algum cargo na área econômica do governo, em homenagem ao fato de algumas de suas ideias estarem sendo desavergonhadamente copiadas.

Gracejos à parte, não, o fato é que, ao contrário do que defendem Paulo Guedes e Ciro Gomes, uma moeda desvalorizada definitivamente não traz nada de positivo para a população. E encarecer viagens para a Disney é o menor dos problemas.

A ideia corrente entre economistas desenvolvimentistas, keynesianos e chicaguistas é que muitas agruras econômicas de um país podem ser rapidamente resolvidas por uma simples desvalorização da moeda (ou seja, um encarecimento da taxa de câmbio). Ao se desvalorizar a moeda, dizem eles, as exportações são estimuladas e, liderada por um aumento nas exportações, a indústria volta a produzir e, por conseguinte, toda a economia volta a crescer.

Ainda segundo os defensores da desvalorização, uma moeda depreciada permite aos exportadores reduzirem os preços de suas mercadorias no mercado internacional — o que os ajuda a abocanhar novas fatias de mercado — ao mesmo tempo em que suas receitas e seus lucros também aumentam.  E isso traria ramificações positivas para a economia doméstica.

O problema, obviamente, é que este raciocínio olha apenas um lado da equação e ignora absolutamente todo o resto da economia. Ele olha apenas para os efeitos diretos, mas ignora totalmente todos os outros efeitos indiretos.

Consequências não-premeditadas

Um exemplo simples ajuda a entender o real problema. Suponha que a taxa de câmbio do país seja de 1 real para 1 dólar, e que os exportadores estejam vendendo seus produtos por US$ 100 no mercado americano. Nesse caso, os US$ 100 se convertem em R$ 100 de receita. Suponha também que os custos de produção foram de R$ 80. Logo, o lucro é de R$ 20 por produto exportado.

Suponha agora que o real se deprecie acentuadamente, de modo que a nova taxa de câmbio passe a ser de R$ 1,50 por dólar (isso foi exatamente o que ocorreu no início de 1999, em total prejuízo da esmagadora maioria da população brasileira).

Logo de imediato, o exportador pode reduzir seu preço no mercado internacional para US$ 66,66 e ainda assim manter a mesma receita em reais. Ele de fato ganhou uma vantagem competitiva sobre seus rivais estrangeiros, gerando benefícios para o setor industrial doméstico.

O problema é que a análise keynesiana/desenvolvimentista/chicaguista pára por aí e já dá o argumento por encerrado. Só que, infelizmente, o mundo real é um pouco mais complicado do que uma análise rápida e simplista.

A primeira grande encrenca é que, no mundo globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores. Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles necessitam de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo. Uma mineradora e uma siderúrgica têm de utilizar maquinário de ponta para fazer seus serviços. E elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição. O mesmo vale para a indústria automotiva. Segundo o presidente da GM, a fabricante irá reajustar preços exatamente por causa do aumento nos custos de produção causados pelo dólar mais caro. Novidade nenhuma. Vale acrescentar que a fabricante também é prejudicada pela redução da oferta de aço no mercado interno, dado que agora mais aço tende a estar sendo exportado. 

Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem de R$ 80 para R$ 120 (aumento de 50%), o exportador do nosso exemplo anterior não mais poderá reduzir seu preço em dólar. Consequentemente, ele não irá ganhar vantagem competitiva no mercado internacional.

É claro que nem todos os custos de produção são afetados pela desvalorização da moeda, pois nem todos os componentes utilizados no processo produtivo são importados. No entanto, esse exemplo mostra como a desvalorização da moeda não irá necessariamente ajudar os exportadores no longo prazo.

Adicionalmente, se os exportadores de um país têm de recorrer continuamente ao mercado internacional para comprar maquinários e peças de reposição, e se os maquinários e as peças de reposição são demandados globalmente pelos exportadores de todos os outros países, então aqueles que tiverem uma moeda forte estarão em grande vantagem, pois poderão comprar tudo mais barato. Seu custo de produção será menor.  

E isso é algo que tem de ser continuamente enfatizado: uma moeda forte ajuda as indústrias mais competentes. Qualquer indústria exportadora tem também de importar máquinas e bens de capital de qualidade, além de peças de reposição, para produzir seus bens exportáveis (pergunte isso a qualquer mineradora ou siderúrgica).  Se isso puder ser feito a um custo baixo (permitido por uma moeda forte), tanto melhor. Uma moeda forte permite que as indústrias comprem bens de capital, máquinas e equipamentos de qualidade a preços baixos.  Isso as deixa mais produtivas, aumenta a qualidade dos seus produtos, e faz com que eles sejam mais demandados lá fora.

Nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que são altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte.  Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

Se moeda forte fosse empecilho para a indústria, todos esses países seriam hoje terra arrasada.  No entanto, são nações fortemente exportadoras.  Moeda forte e muita exportação.

Trabalhadores não se beneficiam com a desvalorização

Passando agora para o cidadão comum, a desvalorização da moeda só traz malefícios, pois ela gera carestia em praticamente todos os bens do mercado interno. Até mesmo os preços de coisas básicas como remédio, pão, carne e combustíveis encarecem em decorrência de uma alta do dólar.

A química fina dos remédios é toda importada; o trigo é uma commodity precificada em dólar; se o dólar encarece, o preço do trigo sobe, e leva junto o pão, a pizza, a macarronada, a cerveja a e todo o resto. 

O mesmo raciocínio se aplica às carnes. De um lado, a desvalorização tende a aumentar as exportações, o que reduz a oferta interna e aumenta os preços (vimos isso em novembro de 2019); de outro, encarece o preço dos insumos, como milho e soja (que são commodities precificadas em dólar; se o real se desvaloriza perante o dólar, o preço dessas commodities em reais aumenta). E, dado que milho e soja são utilizados como ração para a suinocultura, seu encarecimento afeta todo o custo de produção. 

E, obviamente, temos os combustíveis. O petróleo é uma commodity transacionada em dólar no mercado internacional. Se o dólar encarece, o petróleo encarece. Há mais exportações (o que reduz a oferta no mercado interno) e as importações ficam mais caras. 

Portanto, além de encarecer alimentos, remédios, e todos os importados (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários), a desvalorização cambial também encarece os preços dos combustíveis e, consequentemente, dos fretes terrestres (diesel é petróleo e petróleo é cotado em dólar), das passagens aéreas (querosene é petróleo), das passagens de ônibus, e até mesmos os preços dos alugueis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar). 

Entretanto, é verdade que se todo esse aumento do custo de vida doméstico não fizer com que os trabalhadores exijam reajuste salarial, então de fato os exportadores — aqueles que não possuem muitos maquinários importados em sua linha de produção — realmente irão se beneficiar com uma desvalorização cambial. Mas, vale ressaltar, o ganho dos exportadores ocorreu em detrimento da redução do poder de compra, em termos reais, dos trabalhadores.

Por outro lado, se os trabalhadores exigirem um reajuste salarial de modo a restaurar seu poder de compra, então os ganhos dos exportadores serão anulados. A depreciação cambial terá criado um ganho apenas temporário para os exportadores, mas terá gerado uma carestia permanente para todo o restante da população.

No fim, uma política de moeda desvalorizada é, na realidade, uma mera política de transferência de renda dos trabalhadores — classe média e pobres — para os ricos empresários do setor exportador. O cidadão comum não ganha absolutamente nada com a desvalorização de sua moeda — só perde — ao passo que os grandes industriais podem ganhar, e muito, se seus empregados não exigirem reajustes salariais.

Desvalorização cambial é apenas mais um exemplo de governo e Banco Central agindo como um Robin Hood às avessas, tomando de quem não tem para dar a quem tem.

Você trabalha para consumir, mas o governo proíbe

O objetivo final do trabalho e da produção é o consumo. As pessoas acordam cedo e vão trabalhar todos os dias com o intuito de auferir uma renda, a qual utilizarão para obter bens e serviços. Ou seja, elas trabalham e produzem para poder obter coisas em retorno. Nosso trabalho e nossa produção são a expressão de um desejo de "importar" bens e serviços, seja do vizinho ao lado ou de algum produtor a milhares de quilômetros de distância.

Quando a moeda é desvalorizada, o governo está simplesmente elevando os custos de se trabalhar e produzir, afetando o padrão de vida da população. A consequência inevitável é que uma minoria é protegida e uma esmagadora maioria é prejudicada, pois seu poder de compra foi atacado e, consequentemente, seu padrão de vida foi restringido.

É tautologicamente impossível desvalorizações da moeda aumentarem o padrão de vida de uma economia, pois, por definição, obrigar a população a utilizar uma moeda com menor poder de compra e a pagar mais caro por bens nacionais de pior qualidade não são medidas que possam elevar a qualidade de vida de uma população. Questão de lógica básica.

Pior: por reduzirem a renda disponível da população — que agora tem de pagar mais caro pelos produtos nacionais —, desvalorizações comprovadamente reduzem investimentos e, consequentemente, a geração de empregos. Não há mágica.

Todos os outros agentes econômicos são afetados por uma política de desvalorização cambial. Os consumidores terão de lidar com preços maiores em praticamente todos os produtos, desde gêneros alimentícios e transportes até móveis (que são fabricados com commodities transacionadas em dólar), utensílios domésticos (desde panelas de aço a aparelhos eletroeletrônicos). 

E os empreendedores que utilizam produtos importados — uma simples firma que utiliza computadores e precisa continuamente comprar peças de reposição — vivenciarão um grande aumento de custos.

Para concluir

Por fim, quanto ao argumento de uma valorização cambial seria ruim para os exportadores, há dois pontos:

1) Como dito, qualquer indústria exportadora tem também de importar máquinas e bens de capital de qualidade, além de peças de reposição, para produzir seus bens exportáveis. Se isso puder ser feito a um custo baixo (permitido por uma moeda forte), tanto melhor. Uma moeda forte permite que as indústrias comprem bens de capital, máquinas e equipamentos de qualidade a preços baixos.  Isso as deixaria mais produtivas, aumentaria a qualidade dos seus produtos, e faria com que eles fossem mais demandados lá fora.

2) Os exportadores têm hoje à sua disposição uma variedade de produtos financeiros criados justamente para protegê-los (fazer hedge) contra variações na taxa de câmbio. Swaps permitem que eles até mesmo se protejam de variações cambiais em um período de um ano.

(No entanto, talvez a maior desgraça de uma moeda fraca é que ela afasta o crucial investimento estrangeiro, mantendo a economia estagnada e atrasada. Confira todos os detalhes de por que isso ocorre aqui.)

Moeda desvalorizada não apenas não traz pujança a um país, como ainda é sinal de debilidade econômica e de empobrecimento. Não é à toa que não há nenhum país que tenha prosperado destruindo sua moeda. Não há um mísero exemplo prático disso.

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Leia também:

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A empiria comprova a boa teoria: desvalorizar o câmbio piora a economia e reduz as exportações

Quem ganha a guerra cambial? Isso é o de menos. O que é garantido é que você perde



autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.



  • Tulio  13/02/2020 19:48
    Ciro Guedes foi ótima. E o mais desesperador é que é isso mesmo...
  • Marcio  14/02/2020 21:36
    Desculpe a ignorância. É pra intervir no câmbio ou deixar ele flutuar ou mexer na taxa de juro pra chamar capital estrangeiro e baixar o câmbio na marreta?
    Tudo tem consequências, nada é tão simples como explora o texto. Qual o número mágico do real x dólar? Ou temos que arrumar o fiscal e fortalecer a indústria nacional no melhor das nossas habilidades? Ou já abre tudo e salve - se quem puder?
    Difícil. A "teoria na prática e outra"
  • Caio  14/02/2020 22:00
    "É pra intervir no câmbio ou deixar ele flutuar ou mexer na taxa de juro pra chamar capital estrangeiro e baixar o câmbio na marreta"

    É pra fazer isso aqui:

    www.mises.org.br/article/3223/aviso-ao-ciro-guedes-uma-moeda-desvalorizada-e-um-ataque-direto-ao-padrao-de-vida-da-populacao#ac248022

    E isso aqui:

    www.mises.org.br/article/3223/aviso-ao-ciro-guedes-uma-moeda-desvalorizada-e-um-ataque-direto-ao-padrao-de-vida-da-populacao#ac248173

    "Tudo tem consequências, nada é tão simples como explora o texto."

    Qual foi a simplicidade do texto? É só você refutar.

    "Qual o número mágico do real x dólar?"

    Entre 3,40 e 3,50.

    www.mises.org.br/article/2901/afinal-o-cambio-esta-barato-ou-caro-eis-uma-maneira-de-estimar-seu-atual-valor-correto

    "Ou temos que arrumar o fiscal e fortalecer a indústria nacional no melhor das nossas habilidades?"

    Pode fazer também. Isso, aliás, pode perfeitamente ser feito sem destruir a moeda. Aliás, o efeito será muito melhor se for feito sem destruir a moeda.

    "Ou já abre tudo e salve - se quem puder?"

    "Argumento" tirado ipsis litteris da boca de Ciro Gomes. Impressionante…..

    www.mises.org.br/blogpost/2321/nove-perguntas-frequentes-sobre-importacao-livre-comercio-e-tarifas-protecionistas

    www.mises.org.br/article/2853/o-livre-comercio-mesmo-quando-adotado-unilateralmente-so-traz-ganhos

    www.mises.org.br/article/2926/a-cabeca-confusa-de-um-protecionista

    "Difícil. A "teoria na prática e outra""

    Se a teoria na prática é outra, então a teoria está errada. Mude. Adapte-se. Seja bem-vindo.

    "Desculpe a ignorância."

    Tá desculpado. Apenas seja mais cuidadoso e menos afobado na próxima.
  • Marcio  14/02/2020 22:37
    Mesmo valendo 3,50 conforme os cálculos comprei a 4,00 e não vendi ainda porque parece que com esse governo vale mais.
  • Rip van Winkle  15/02/2020 07:01
    Vale mais porque o câmbio é flutuante sujo. Mas o fato do BC a todo momento intervir nesse câmbio, pelas suas políticas de banda, faz com que o seu investimento não seja seguro. O certo para um câmbio ser forte seria um currency board (câmbio atrelado) com alguma moeda forte. Mas o câmbio fixo, como foi feito pelo Gustavo Franco nos ano 90, não seria ruim também não! O pior é o câmbio flutuante sujo, como é o caso do nosso.
  • Gamaliel  18/02/2020 21:51
    Como é que compra dólar no brasil no caso de alguem que quer especular? Fundos cambiais?
  • Carlos  18/02/2020 22:10
    Sim. Fundos cambiais. Ou entã0 mercado futuro.

    blog.rico.com.vc/dolar-futuro
  • Marcos Posan  15/02/2020 09:20
    OMG!! KKKK
    A resposta do Caio foi como um tiro de sniper! Rindo até amanhã!
  • Andrade  13/02/2020 19:51
    Veja as promessas de campanha de Ciro. Tudo o que ele prometeu que faria em nível macro (e que nós zoamos) está sendo diligentemente entregue pela dupla PG/RCN.

    Moeda fraca, juros mínimos na caneta, "ataque aos rentistas" (PG é tão fã de Ciro que copiou até seus chavões), teto de juros no cheque especial, bancos estatais voltados para crédito imobiliário baratinho e reindustrialização via câmbio desvalorizado (plataforma essa tirada diretamente do nacional-desenvolvimentismo).

    Não é à toa que Ciro até começou a elogiar o governo. Pudera. Adotaram toda a plataforma dele.
  • Carlos Alberto  13/02/2020 19:54
    Cara, já falei isso aqui. Aquele argumento de "Vai passear ali em Foz do Iguaçu, está cheio de praia bonita no Brasil, vai pra Cachoeiro do Itapemirim, conhece um pouquinho o Brasil e na quarta vez você vai para a Disney" é o MESMÍSSIMO argumento que Ciro Gomes sempre usou. Sem tirar nem pôr.

    Era Ciro Gomes quem dizia: "Dólar barato desindustrializa e serve apenas pra elite ir pra Miami. Muito melhor dólar alto, e o povo ir pra Fortaleza, que é mais bonita que Miami…".

    Sim, Ciro Gomes está firme no comando da Fazenda e do Banco Central.
  • Leandro  13/02/2020 20:05
    Ele também vive dizendo que "antes, tínhamos fiscal frouxo e monetário apertado", e que "isso agora mudou".

    Falso. Não é verdade que sempre tivemos "fiscal frouxo". Até 2014, sempre tivemos superávit primário. Houve até superávit nominal em alguns meses. Hoje, temos déficit primário (desde 2014). E, obviamente, nunca tivemos monetário rígido antes (só a partir de 2015). Até então, os bancos estatais barbarizavam, jogando dinheiro a rodo na economia (sendo eles a principal causa da carestia naquela época).

    Pra completar, Guedes ainda vive dizendo que nós estávamos "importando barato" — sendo que somos o país mais fechado do mundo entre as economias relevantes — e que era isso que estava causando "desindustrialização", de modo que um dólar caro agora fará uma "substituição de importações". Esse também é o mesmo argumento de Ciro Gomes.
  • Felipe L.  13/02/2020 22:47
    Mas Leandro, no primeiro governo Lula ocorreu sim uma política monetária rígida, com o Meirelles. O problema começou depois de 2010.
  • Leandro  13/02/2020 23:03
    Na verdade, os bancos estatais já alopravam desde 2004, piorando muito a partir de 2007. Mas foi a partir de 2008 que eles alucinaram.

    www.mises.org.br/article/1854/quem-realmente-esta-causando-a-carestia-no-brasil
  • Rip van Winkle  15/02/2020 07:22
    Leandro, por isso que quando o Gustavo Franco era presidente do Banco Central o poder de compra do brasileiro era alto, porque ele tratava o Real como filho dele (que era de fato) não deixando a moeda se desvalorizar. E tem indigente que alega que o governo Lula é quem gerou maior poder de compra, é uma falácia absurda, argumento de sofista. O 9 dedos entupiu o mercado artificialmente de crédito barato, que só fez o pobre e a classe média se endividar. Que adiantava ter carro, televisão, casa, mas era tudo financiando, tudo passivo com o banco? Na realidade nada era do proprietário, e sim do banco. Essa farra de entupir o mercado de crédito barato e farto -- que gerou inflação monetária -- só fez com que no governo Dilma o brasileiro desenvolvesse a peste da dívida. Na cabeça dessa gente o brasileiro tinha a estirpe da educação financeira do sueco e do japonês. Isso que dá querer fomentar uma política de crédito em um país onde uma grande gama da população não sabe nem o que são juros compostos. E o Guedes que paga de liberal -- só que não -- ainda vem com essas retóricas à la Ciro Gomes de querer industrializar o Brasil (que tá há mais de 50 anos nessa industrialização e nunca consegue se industrializar). Em 2018 o analista da SPX (Rogério Xavier) já tinha dado o papo que o Dólar bateria a casa dos 5,00 reais, na época muita gente achava o cara um maluco, um sujeito com devaneios. Eu não duvido mais!

    www.infomoney.com.br/mercados/confundiram-um-exercicio-com-uma-profecia-economista-da-spx-esclarece-cenario-de-dolar-a-r-530/
  • Humberto  13/02/2020 20:26
    Sempre que Ciro Gomes dizia isso ("você não tem que ir pra Miami, tem que ir pra Fortaleza"), eu ficava puto com tamanho autoritarismo. Quem é ele pra definir pra onde eu posso ir? E aí agora vem seu irmão siamês e determina não só quantas vezes eu posso ir pra Disney, como também quem eu posso levar!

    Ainda bem que eu sempre investi em fundos cambiais. Dessa raiva (destruição desenvolvimentista da moeda) eu não passo. E o mais legal é que o Ciro Guedes ficou tão preocupado em xingar todo mundo de "rentista", que quem fez exatamente o que ele mandou (abandonar o real e ir encarecer dólar) ganhou mais do que com a Selic da Dilma. A Selic da Dilma pagava 14,25% ao ano, já o dólar do Guedes dá 17,25% em 7 meses….
  • Leitor  14/02/2020 18:54
    Como assim, nobre 17% em 7 meses?
  • Humberto  14/02/2020 19:58
    Estava em 3,71 em julho de 2019 e ontem (fevereiro de 2020) estava em 4,35. Faça a continha básica e surpreenda-se com a porcentagem.
  • Alexsandro   13/03/2020 14:38
    E hoje que de fato já bateu os 5? Kk
  • Régis  13/02/2020 20:46
    E nem dá pra ir pra Cachoeiro do Itapemirim, pois a cidade foi destruída pelas chuvas de janeiro.

    g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2020/01/27/prefeito-de-cachoeiro-de-itapemirim-es-decreta-estado-de-calamidade-publica-apos-chuva.ghtml
  • Felipe L.  13/02/2020 22:59
    O próprio estado faz questão de desincentivar o turismo (doméstico ou estrangeiro), com essa infraestrutura porca e estado de barbárie (já não dá mais para chamar de criminalidade). Cai uma chuva prolongada e pronto (agora eles podem colocar a culpa no aquecimento glob... mudanças climáticas), parece que passou dois furacões na cidade, com avenida cedendo, deslizamento, sujeira, etc.
  • WDA  13/02/2020 21:33
    Caro Carlos Alberto,

    o problema não é sugerir que se visite o Brasil, que é muito bonito mesmo. O problema é o Ciro Guedes querer determinar aonde e quantas vezes quem quer que seja tem de ir (empregada doméstica ou não).

    Se a doméstica ou o engomadinho da Bolsa quer ir abraçar ratazana nos EUA e fazer papel de pateta 3 ou 4 vezes, que o faça! Ciro Guedes nada tem a ver com isso. Gostando ou não da idéia, isto não lhe diz respeito, portanto não devia atrapalhar empurrando o dólar pra cima com suas declarações infelizes.

    Penso que na terceira vez, se tanto, as pessoas já teriam enjoado e procurariam outro lugar pra ir. E com uma moeda mais forte e o Brasil se tornando um país mais sério, mais capitalizado, com mais recursos, sendo mais bem visto no exterior e com uma população mais rica e capaz de decisões, talvez o interessante mesmo passasse a ser viajar pelo Brasil, que passaria a ser o destino charmoso, desejado por todos... Seja como for, pra onde se vai, pra onde se deixa de ir com seu próprio dinheiro, isso é problema de cada um.

    Pior que tudo isso, mais grave que a frase infeliz que ele usou pra dar de exemplo (e a idéia que implica, de saber melhor do que os outros o que lhes convém) é ele desconhecer (ou desconsiderar) todas as demais consequências relevantes, e negativas, que a opção por uma moeda mais desvalorizada acarreta, inclusive os custos de oportunidade.

    Ele próprio parece não notar que, de todas as consequências, a mais fundamental é que o nosso povo em vez de mais enriquecido, livre e cheio de possibilidades, fica mais pobre e mais limitado - como aliás, está subentendido na própria fala dele...
  • Vladimir  13/02/2020 20:24
    Quando eu vi, ainda no início de 2019, que o Guedes começou a xingar todo poupador de "rentista", pensei: isso aí é puro Ciro Gomes. Cópia total. Vai dar merda.

    Infelizmente, acertei em cheio.
  • Felipe L.  13/02/2020 23:02
    O pior foi ter visto o próprio Geanluca Lorenzon justificando esse controle nos juros, falando de que não era controle e afins, o que foi respondido aqui no Instituto pelo próprio Leandro.
  • JADER AYUB ALVES CARDOSO  14/02/2020 02:38
    antes de falarem merda, deem uma olhada no usdx. ou dollar index. deem uma olhada no sp500 ger30 etc. ta tudo indexado e esta fazendo maxima emcima de maxima historica, ou seja o dolar ta caro pra todos os emergentes. nao eh culpa do paulo guedes. oque o guedes ta fazendo eh economizando com juros, pra nao pipocar a divida publica, e o custo disso e ter um cambio caro temporariamente. se voces quiserem ele faz a receita petista, juros alto dolar barato e divida publica pipocando rumo a uma hiperinflacao, que vai gerar dolar caro no futuro porem de maneira permanente.
  • Carlos Alberto  14/02/2020 14:52
    Você próprio deveria seguir seu conselho e parar de falar merda. As moedas do países emergentes e exportadores de commodities não estão, nem de longe, com comportamento semelhante ao do Brasil.

    Eis a moeda do México:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/mexico-currency.png?s=usdmxn&v=202002141440V20191105&d1=20150215

    Eis a moeda do Peru (essa é humilhação total):

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/peru-currency.png?s=usdpen&v=202002141343V20191105&d1=20150215

    Eis a moeda da Colômbia (país que passou por distúrbios sociais):

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/colombia-currency.png?s=usdcop&v=202002141440V20191105&d1=20170614&d2=20200214

    Eis a moeda da Nova Zelândia:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/new-zealand-currency.png?s=nzdusd&v=202002141443V20191105&d1=20150215

    Eis a moeda da Austrália:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/australia-currency.png?s=audusd&v=202002141443V20191105&d1=20150215

    Vejamos se você vai seguir seu próprio conselho, ser mais humilde, pesquisar mais antes de falar, e, principalmente, parar de falar merda.
  • Guilherme  14/02/2020 14:57
    Essa moeda do Peru é uma humilhação total. E a economia deles é um foguete. Curioso né?

    tradingeconomics.com/peru/gdp-growth-annual
  • Sem nome  14/02/2020 17:04
    A moeda de emergentes perante o DOlar, como é esse gráfico? Ali no méxico o gráfico aponta para 20, 20 o que?

    Não da pra julgar moeda com valor nominal
  • Carlos Alberto  14/02/2020 17:13
    E eu não estou interessado em valor nominal, pois isso é o de menos. Em momento algum falei de valor nominal. Estou interessado é no comportamento da moeda ao longo do tempo. Na evolução do câmbio. É isso que está em discussão, pois é esse comportamento que mostra a estabilidade da moeda.

    Compare o comportamento de todas acima com a do Brasil:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-currency.png?s=usdbrl&v=202002141708V20191105&d1=20160514&d2=20200214
  • Andre  14/02/2020 17:48
    Sem nome, seu monitor deve estar com brilho muito alto e não deve estar vendo as linhas na tela. de 2018 a 2020 a moeda mexicana varia entre os 18 e 20 em valores nominais, o que dá variação de uns 10% em 24 meses, um resultado muito melhor que o brasileiro no mesmo período.
  • Madruga  14/02/2020 17:53
    Correção: a moeda mexicana variou de 18 pesos por dólar em 2016 para … 18 pesos por dólar hoje.

    Zero de desvalorização em 4 anos.
  • Felipe L.  14/02/2020 22:27
    O pessoal acha que aqui é igual no Twitter, que você fala uma bobagem, ganha muitas curtidas e fica por isso mesmo.
  • Douglas  27/02/2020 03:02
    Seria tão bom se o Paulo Guedes seguisse a política do Ciro Gomes. Quem sabe a gente tivesse uma chance desse país prosperar.
    Atacar o rentismo é um dever de todos. Um plano nacional de desenvolvimento, com um estado forte e uma iniciativa privada organizada, como fazem todos os países do mundo há décadas, inclusive e principalmente os EUA

    Agora esperar chegar 2022 pra que essa publicação se torne uma realidade, mas com o original
  • Michael  27/02/2020 15:19
    "Um plano nacional de desenvolvimento, com um estado forte e uma iniciativa privada organizada, como fazem todos os países do mundo há décadas, inclusive e principalmente os EUA"

    Fiquei curioso. Qual o plano nacional de desenvolvimento dos EUA? Poste aqui o link para esse plano. Mostre, por gentileza, o governo de lá traçando metas e estipulando planos para todas as indústrias e setor de serviço do país.

    Mostre, por gentileza, o governo selecionando as campeãs nacionais e direcionando dinheiro dos pagadores de impostos para estas campeãs. (Curiosa e ironicamente, Apple, Amazon, Microsoft e FedEx surgiram sem ajuda do governo e prosperam sem fazer parte desse tal "plano". Mas tenho certeza de que é só coincidência…)

    De resto, você pode ficar duplamente tranquilo: Ciro Gomes já está no total controle da política econômica e esse seu plano de desenvolvimento já foi integralmente implantado no governo Dilma. Ou seja, seus dois desejos já são realidade.
  • Humberto Francisco Oliveira  13/02/2020 20:00
    Apreciei muito este artigo, vai de encontro ao que vivencio. Sou um pequeno importador de máquinas e equipamentos não fabricados no Brasil e vejo a realidade deste mercado de dólar alto atingir em cheio meus negócios e meus clientes, que necessitam dos bens.
  • Anti-BC  13/02/2020 23:37
    Espero que você sobreviva diante de tamanho absurdo.
  • Fabrício  13/02/2020 20:07
    Além das montadoras dizendo que terão de aumentar preços, a indústria de plásticos também anunciou um aumento de 3% em seus preços. Motivo: insumos importados caros.
  • Mauricio  13/02/2020 20:09
    Excelente artigo mostrando todos os aspectos negativos dessa política de visão curta do Guedes.
    Alguém poderia mostrar esse artigo ao posto Ipiranga?
    A arrogância do Paulo Guedes é tão grande que se lesse o artigo iria detonar o autor e quem acredita nisso,ou seja ,quem entende o básico de moeda e economia ,que não é o caso dele.
  • Luis Alfredo  13/02/2020 20:13
    E assim se vai dando munição para os intervencionistas da esquerda e, se bobear, munição para a esquerda mais radical. Lamentável. Tanto esforço para tirar essa gente lá de Brasília e o governo atual botando tudo a perder. O Paulo Guedes deveria, pelo menos, ficar quieto. Já ajudaria muito, apesar das bobagens que vem fazendo. E esta do Real desvalorizado é uma bem grande delas.
    Realmente o jeito de se fazer economia no Brasil é um deserto de ideias. E a voz deste portal ecoa neste deserto. Uma pena.
  • Pobre Paulista  13/02/2020 20:19
    Tem como o Guedes determinar câmbio fixo e juros flutuantes assim do dia pra noite?
  • Leandro  13/02/2020 20:34
    Não sei se entendi bem, até porque não é isso que está sendo defendido (não neste artigo). Mas eu posso tentar responder.

    Para começar, o principal nome da economia deveria literalmente "calar a boca", ou seja, parar de falar em público que "não vê problema nenhum com um dólar a R$ 4,30 ou 4,50".

    Ainda em novembro de 2019, assim que ele veio a público e falou essa insanidade, o dólar imediatamente saltou de R$ 4,15 para R$ 4,27. Só não foi adiante porque tal valor estava bizarro até mesmo para os padrões pombísticos do atual Banco Central, que teve de fazer dois leilões-surpresa para conter o estrago.

    Agora, em fevereiro de 2020, ele repete o mesmíssimo procedimento e leva o dólar para R$ 4,38. Realmente, não dá para entender…

    De resto, tanto a teoria quanto a empiria demonstram que governos conseguem a moeda que querem. Nos EUA, quando o presidente (ou o Secretário do Tesouro) diz querer um dólar forte, o mercado imediatamente entrega um dólar forte.

    Foi assim com Reagan, que falou em sua campanha que queria um dólar forte e até mesmo restaurar o padrão-ouro (o dólar, que estava na lona sob Jimmy Carter, começou a subir imediatamente após Reagan vencer a primária de New Hampshire e se consolidar nas pesquisas). Foi assim com Clinton, cujo Secretário do Tesouro Robert Rubin falava abertamente que ter um dólar forte era do interesse dos EUA. Foi assim com Bush, cuja equipe dizia que queria um dólar fraco para concorrer com a China. Não é de se estranhar que a economia foi ao chão com ele. E foi assim com Obama, cujo Secretário Jack Lew falava abertamente sobre as vantagens de ter uma moeda forte.

    Sim, quando presidente, Ministro da Fazenda e presidente do Banco Central deixam claro em seus discursos que querem uma moeda forte, e que irão trabalhar para isso, o mercado imediatamente aquiesce e torna a moeda forte (para especuladores, há ganhos a ser feitos tanto com moeda forte quanto fraca, de modo que, para eles, pouco importa a força da moeda, mas sim a direção do movimento da moeda. Se o governo quer a moeda em uma direção, eles entregam essa direção e ganham com isso).

    É claro que é importante ter um orçamento equilibrado e ser bem receptivo ao investimento estrangeiro, mas o gogó ajuda. E muito.

    Gustavo Franco, por exemplo, praticamente manteve o real forte no gogó. O fiscal não ajudava e juros altos não são garantia de nada, tanto é que quando houve a desvalorização de 1999 os juros estavam muito maiores do que no período 1996 - 1998; ou mesmo em 2015, com SELIC a 14,25% e dólar ultrapassando os R$ 4,00. (Sobre a atuação de Franco durante todo o Plano Real, leia o livro "3.000 dias no Bunker", de Guilherme Fiúza).

    Além de Reagan e Paul Volcker, que também fizeram farto uso das palavras (ambos falavam claramente que queriam um dólar forte, e conseguiram) e de Bill Clinton e seu secretário do Tesouro Robert Rubin, a Alemanha também fez o mesmo durante todo o pós-guerra.

    "Ah, mas se é tão fácil assim, por que ninguém faz?" Ora, porque vivemos na era da insanidade monetária. Hoje, o senso comum diz que, se a moeda não for desvalorizada, não haverá exportação, a economia não será competitiva, e a indústria irá acabar. Com efeito, dado que o próprio Guedes é um adepto aberto desta teoria, aí é um abraço. Nada pode ser feito.

    O mercado financeiro não entrega moeda forte para uma equipe econômica que diz abertamente que quer uma moeda fraca. Infelizmente, está aí a resposta para a sua pergunta.
  • zezao cianureto  13/02/2020 21:30
    Leandro será que a desvalorização do real não foi a unica maneira que Guedes encontrou para reduzir salários?
    Já que falar em redução salarial no Brasil é praticamente uma blasfêmia.
    Sabemos que os aumentos salariais concedidos, nos últimos anos, foram irreais principalmente no setor publico.
  • Leandro  13/02/2020 21:45
    Pode ser, mas isso não afeta o funcionalismo público, pois os salários destes independem de "custos de produção", de "desempenho", de "receitas de venda", de "margens de lucro" e de "aumento de exportações". Já os trabalhadores da iniciativa privada, principalmente das indústrias voltadas para a exportação e pouco dependentes de insumos importados, estes sim são afetados. Se o dólar sobe e as receitas das empresas exportadoras aumentam marginalmente, mas eles não exigem reposição salarial, então de fato há uma queda no custo real de seus salários, o que os torna mais "empregáveis".

    Mas daí a dizer que esta foi uma política proposital já é algo que não posso fazer, pois não tenho provas. Até porque seria uma política incrivelmente ignara, pois ferraria toda a população em troca de alguns poucos empregos em setores de baixos salários (como são todas as indústrias pouco intensivas em capital).
  • Imperion  14/02/2020 14:40
    Nao, reduzir salários seria pra cortar custos do funcionarismo, mas eles vao receber retroativo quando a inflação se ajustar a alta do dólar.
    O que ocorre é que desvalorizando a moeda pela logica deles estariam beneficiando a indústria, da qual vao receber pomposos impostos. Entao estão mirando é na arrecadação mesmo. Mas quem vai pagar o pato é o consumidor.
    É uma maneira comprovada de contar mais impostos indiretos das pessoas, desvalorizar a moeda e provocar inflação.
  • Felipe L.  15/02/2020 13:30
    Leandro, eu dei uma pesquisada e vi, em 2016, de que o Meirelles falou que um câmbio estável é muito mais benéfico do que um extremamente volátil. Esse discurso certamente teve efeito no real, né?
  • Vladimir  13/02/2020 21:25
    Nunca entendi por que vender dólar (um ativo como qualquer outro) configura uma "intervenção no mercado", mas tabelar a taxa básica de juros é um exemplo perfeito de "liberalismo não-intervencionista".

    Por uma questão de lógica básica, tabelar o preço do crédito é uma política insanamente intervencionista. Já vender um ativo é uma política, aí sim, muito mais liberal.

    Por fim, se vender dólares (um ativo) é intervencionismo, então toda e qualquer privatização é uma política intervencionista, pois privatização nada mais é do que o governo vender um ativo. Consequentemente, chegamos ao ápice da insanidade: se o governo vender a Eletrobras, isso será intervencionismo. Já se ele mantiver intactas suas 157.938 estatais, isso será uma política liberal…

    Bizarro…
  • Bernardo   20/02/2020 22:21
    Notícia fresquinha da Reuters:

    "The real extended its recent slide on Thursday to a new all-time low within sight of 4.40 per dollar, with traders citing the apparently relaxed attitude of Campos Neto and Guedes regarding its weakness as a key reason for the continued sell-off."

    uk.reuters.com/article/brazil-economy-guedes/update-1-brazils-guedes-says-weak-fx-due-to-low-interest-rates-absolutely-natural-idUKL1N2AK0YW

    Ou seja, os próprios especuladores estão dizendo que estão desvalorizando a moeda porque a equipe econômica falou que quer a moeda desvalorizada.

    Isso comprova o que o Leandro disse acima, que cada governo leva a moeda para a direção que ele quiser.
  • 4lex5andro  11/03/2020 16:04
    Complicado o Brasil.

    Desapontador, sobretudo pra quem votou nesse atual governo em 2018, mas que opções se tinha, era isso ou a esquerda-socialista, que aí sim, implodiria a economia de vez (talvez até fechando-a a niveis soviéticos, de fato).

    E mesmo que a fala em prol do dólar alto, tenha sido uma forma de pressionar o congresso pelas reformas adm. e tributária/fiscal, não melhoraria a imagem do governo e seu ministério da economia, pois o preço disso está sendo a destruição da moeda - e empobrecimento do país.
  • Bruno Machado  13/02/2020 20:59
    Juro que não quero encrespar mas não é verdade que países não se desenvolvem com moeda fraca. Veja que as moedas de Chile, Japão e países nórdicos são fracas e valem até menos que o real…
  • Leandro  13/02/2020 21:11
    Opa, alto lá! Não confunda alto valor nominal das cédulas de uma moeda (como as dessas que você citou) com moeda fraca. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, essa é uma confusão bastante comum: o alto valor nominal das cédulas de uma moeda diz muito sobre o seu passado, mas não sobre seu presente.

    O alto valor nominal das cédulas do iene, por exemplo, se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

    Vale lembrar que, ao passo que o real é de 1994, o iene é de 1871 (123 anos mais velha que o real). A coroa sueca é de 1873 (121 anos mais velha). A coroa dinamarquesa é de 1875 (119 anos mais velha). Já o peso chileno é de 1975, mas passou por uma severa hiperinflação durante toda a década de 1970.

    (No caso do Japão, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 350 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente. Hoje, um dólar comprava apenas 109 ienes. Isso dá uma apreciação total de 221% do iene.)

    Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

    É isso o que você tem de olhar, e não simplesmente o valor nominal das cédulas. Nesse aspecto (alto valor nominal das cédulas), dificilmente alguém bate o Japão. E, no entanto, o país tem uma moeda forte e inflação de preços zero. O mesmo vale para os países nórdicos. Veja por exemplo a evolução do preço da moeda da Dinamarca em dólar. Hoje, um coroa dinamarquesa vale, em dólares, o mesmo tanto que valia em 1971.
  • Samuel   13/02/2020 21:00
    Zerar os impostos de vários produtos importados como foi feito pela equipe econômica de certa forma não ajudaria a equilibrar esse aumento no dólar ?

    Em relação a venda das reservas de dólares do Brasil para pagar os juros da dívida, o dólar está valorizado não seria benéfico, ajudando a reduzir a dívida do Estado?

  • anônimo  13/02/2020 21:16
    "Zerar os impostos de vários produtos importados como foi feito pela equipe econômica de certa forma não ajudaria a equilibrar esse aumento no dólar ?"

    Depende da redução. O dólar encareceu mais de 19% (de 3,65 pra 4,35). Seria necessário haver uma redução de igual montante nas tarifas de importação apenas para ficar no mesmo nível que estava antes. Houve esta redução? Não estou sabendo.

    "Em relação a venda das reservas de dólares do Brasil para pagar os juros da dívida, o dólar está valorizado não seria benéfico, ajudando a reduzir a dívida do Estado?"

    Então, o Ciro, digo, o Guedes prometeu que faria isso. Mas só prometeu. Até agora nada. Ele prometeu que se o dólar passasse dos 4,30 iriam vender reservas pra abater dívida. Certamente não cumpriram a promessa porque têm medo de serem vistos como agressores do sacrossanto câmbio flutuante (afundante).
  • Leitor assíduo  20/02/2020 15:10
    É possível, legalmente, usar reservas cambiais para pagar juros, ou o principal, da dívida?

    Como funcionaria esse mecanismo contábil?

    Obrigado.
  • Trader  20/02/2020 20:44
    Eis a questão.

    1) O BC vende dólares e arrecada reais.

    2) Ele pode usar esses reais para comprar títulos em posse do mercado.

    4) Ato contínuo, esses títulos vão para o BC.

    4) Mas eis a encrenca: isso não é abatimento da dívida. A dívida continua intacta, pois o Tesouro continua pagando normalmente juros sobre esses títulos em posse do BC.

    5) O que realmente pode acontecer é o Tesouro passar a rolar esses títulos. Isto é, quando eles estiverem vencendo, em vez de quitá-los o Tesouro pode trocar por outros de mais longo prazo (se estivesse em posse do mercado não teria como ele fazer isso).

    6) E se os títulos forem atrelados à Selic, aí o Tesouro tem a certeza de que o BC não fará resgates diários, ao contrário de pessoas e empresas. Isso também dá uma folga ao Tesouro.

    7) Mas é só. Não há abatimento nenhum da dívida. Há, isso sim, e na melhor das hipóteses, uma redução dos gastos do Tesouro com a dívida (que saiu do mercado e foi para o Banco Central).
  • Leitor assíduo  28/02/2020 20:00
    Muito obrigado.
  • WDA  13/02/2020 21:04
    Tô falando... se o Ciro Guedes (ops, Paulo Guedes) lesse o site Mises e desse ouvidos aos artigos e comentários - acertados - do Leandro Roque e do Helio Beltrão a respeito deste ponto, não estaria dizendo nem fazendo besteira neste quesito.
  • Guilherme  13/02/2020 21:23
    Essa questão do rentismo e do dólar tem mais impacto e importância do que está sendo divulgada. Guedes disse que com a redução da Selic o rentismo acabaria e aí as pessoas teriam de colocar o dinheiro em atividades produtivas para conseguir ter algum retorno.

    Até aí, ok, faz sentido.

    Só que, ao mesmo tempo, quando ele deixou claro que o dólar era para cima, e que não haveria nenhuma atuação do Banco Central, então ele próprio acabou chancelando o rentismo que ele tanto combateu, só que agora no dólar.

    Bancos e empresas, em vez de aplicarem na Selic (que agora estava baixa), aplicaram no dólar (pois sabiam que seu curso natural era para cima, e sem resistência do Banco Central). Ou seja, não tinha como dar errado. E aí encheram as burras de dinheiro. Como já disseram aqui, em 7 meses o dólar já subiu mais de 18%. Isso é mais que com a Selic da Dilma a 14,25%.

    Ou seja, não só o dinheiro não foi para investimentos produtivos, como foi para uma aplicação (dólar) que rendeu mais que a antiga Selic e que não gerou nada de positivo para a economia. Se as pessoas abandonam a moeda nacional e correm para se proteger numa moeda estrangeira, não há investimentos produtivos. Não é à toa que os indicadores desabaram em novembro e dezembro.
  • Trader  13/02/2020 21:34
    E isso se tiverem se contentado em ficar só no dólar. Quem, além de dólar, comprou um ETF tipo IVVB11 (que entrega a variação do dólar mais o índice S&P 500), ganhou duplamente: dólar e bolsa americana. De janeiro de 2019 até hoje, já valorizou 58%. Em um ano! Com certeza bancos, empreendedores espertos e investidores estão fichados nessa. Se até eu, que sou uma sardinha, tô nessa, imagina os tubarões.

    E o bobalhão do Guedes achando que basta reduzir a Selic (e destruir a moeda) que os investimentos produtivos virão automaticamente por falta de opção de investimento…
  • Nirvana  13/02/2020 21:47
    Bolsonaro, que foi eleito com a promessa de cortar ministérios e combater a corrupção hoje não passa de um Sarney da vida. Agora Guedes se transformando num Bresser-Pereira. O Brasil é o país do passado.
  • anônimo  14/02/2020 00:43
    Opa
    Por de tras do Bolsonaro existe um congresso o oposto dele
    E no Brasil, Presidente não apita nada
  • Cristian  14/02/2020 20:23
    Como que não apita nada?

    Como a lava jato bem nos mostrou, o sapo barbudo teve um trabalho imenso em todo seus 2 mandatos para comprar a maioria do congresso e senado federal além de colocar alguns grandes empresários na palma da mão com os seus mensalões, petrolões leilões de ministérios, aparelhamento das instituições, do judiciário.
  • Usando o bom senso  18/02/2020 12:11
    Bolsonaro não é um ditador. Ele não governa sozinho ou somente com sua equipe. O que se transforma em política oficial, em leis etc. tem que passar primeiro pelo congresso, que está cheio de esquerdistas e de uma oposição ávida por comer o fígado do governo. Não podemos culpar Bolsonaro por não conseguir cumprir suas metas e promessas de campanha pelo simples fato do Brasil não ser uma ditadura e por ter uma esquerda forte...
  • Luccas Attílio  13/02/2020 21:57
    Frase infeliz do Paulo Guedes.
    O ideal seria que a taxa de câmbio não sofresse intervenções,
    deixasse que o mercado estabelecesse o seu valor.
    Fiz uma discussão disso nesse link aqui
    velhaeconomia.blogspot.com/2020/02/desmistificando-taxa-de-cambio.html
  • Vitor  13/02/2020 21:59
    Pois é... Paulo Guedes está se revelando uma grande decepção. Então foi para isso que colocamos um "liberal" no poder? Liberalismo desse jeito, só mesmo no Brasil... E o pior é ouvir a esquerda (que não entende nada de coisa alguma, grande novidade) falando todo dia que Paulo Guedes "é um liberal e amigo dos banqueiros". Pode até ser amigo dos banqueiros, mas liberal... Sinceramente, não sei onde vai dar, no final, essa política econômica burra pró-desvalorização da moeda. Agora, se der uma M grande no final, o pior é a esquerda voltar ao poder. Igual aconteceu na Argentina pós-Macri.
  • Juan  13/02/2020 22:52
    Macri foi outro que assim que chegou ao poder enfiaram na cabeça dele (uma equipe de economistas de Chicago e Stanford) que o câmbio era sacrossanto e que o ideal era desvalorizar para estimular a indústria e as exportações. Logo no primeiro dia de governo ele já meteu uma desvalorização de 50%. Dali em diante já foi tudo ladeira abaixo, com inflação batendo em 40% ao ano. Ele desvalorizou tanto que os preços explodiram, a indústria desabou e ele foi desvalorizado pra fora do poder.
  • Imperion  13/02/2020 22:00
    Depois de ouvir esse despautério do Ciro Guedes, já sabia que o site ia vim com um artigo lúcido sobre o assunto. Ja prevejo que essa alta vai estourar a inflação nos próximos meses e isso vai fazer os juros aumentarem. O dólar deveria estar em 3,80, estando a 4,30, vai ter um espaço e tanto pro real se desvalorizar. O difícil é prever se a industria nacional não vai demitir e diminuir a produção, o que piora ainda mais a inflação que estou prevendo. Lembrando que o Brasil estava com inflação e estava em recessão, e estava apenas saindo dela. Não é hora de desvalorizar a moeda. O Temer fez de tudo pra contornar a depressão e o Guedes errado, faz parecer que os liberais são piores que os intervencionistas. 
  • David  13/02/2020 22:09
    Mas olhando em retrospecto, e fazendo a devida comparação, Temer era bem pouco intervencionista.
  • Gabriel  13/02/2020 22:51
    O Temer foi um dos melhores presidentes que esse país já teve. Pegou o país na beira do precipício e em apenas dois anos arrumou a casa e entregou o país muito melhor do que estava. Isso em dois anos!

    E olha que poderia ter entregado mais, Joesley day impediu.
  • BlackEagleBR  14/02/2020 21:58
    Como eu sempre digo (e sou criticado): Temer foi o melhor presidente do Brasil até o momento (talvez FHC consiga competir? provavelmente não)! Ele foi a tempestade perfeita ao contrário: não tinha credibilidade com a população (mas tinha o rabo preso de todo o Legislativo e soube usar isso), então teve que arrumar alguém que tivesse (Henrique Meirelles, o grande salvador da economia). O maior mérito dele foi obedecer ao Henrique Meirelles (aliás, o Brasil deve MUITO a esse homem, basta ler sobre a atuação dele nas últimas décadas) e protegê-lo de TODOS que queriam tirá-lo. Se o Meirelles falava para diminuir juros, por exemplo, apareciam uns 50 pedindo a cabeça dele, Temer peitava e o protegia (diferente de todos os outros presidentes em relação aos seus ministros da Fazenda até o momento).
    Temer era pragmático e sabia que ia sair preso mas não duraria (como não durou) e que o país precisava de estabilidade política (tanto que quando saiu ele teve o cuidado de não fazer escala em nenhum aeroporto internacional para que o investidor estrangeiro não tivesse medo de crise política porque ele fugiu do país).
    Não fosse o Joesley Day (aliás o Janot devia ser preso por aceitar uma denúncia do jeito que foi feita, sem provas concretas nem nada) a reforma da previdência já teria sido feito, provavelmente a fiscal também (e provavelmente mais uma ou duas), e tudo isso em dois anos! Não estou falando que ele não era corrupto (porque isso já foi provado que é) mas ele soube botar o país no rumo correto (pelo menos na economia), diferente do atual presidente...
  • Guilherme  14/02/2020 22:25
    Concordo plenamente. Foi disparado o melhor de todos (fez muito em pouquíssimo tempo) e ainda era diariamente sabotado pela imprensa. Imagine como seria se a imprensa tivesse com ele a mesma boa vontade que tinha com FHC, Lula (no primeiro mandato) e Dilma (no primeiro mandato)?
  • Felipe L.  14/02/2020 12:30
    A parte monetária deles foi muito boa, principalmente se comparar com o governo atual. E isso de um político PMDBista e que nunca se assumiu como "direita", assim como a sua equipe nunca se assumiu como "liberal".
  • Felipe L.  13/02/2020 22:46
    Se até um estrangeiro escreveu um artigo falando sobre o palpite do Paulo Guedes, então é coisa séria.

    Como fazer o dólar cair?

    Já que não existe possibilidade de extinguir o Banco Central, então sugiro isso:

    (1) - Paulo Guedes fica quieto e para de palpitar sobre câmbio. Fica quieto. Roberto Campos Neto vide. Se for para falar alguma coisa sobre o câmbio, mencionar sobre os benefícios de uma moeda forte e fale o quão boa ela é para a população, principalmente para os mais pobres (isso vai garantir a reeleição do Bolsonaro; não vai ser o Olavo que elegerá o Bolsonaro ou não, e sim comida, água, gás, energia mais baratos e empregos simples com salários reais em moeda cada vez mais forte). Pense no frentista, no caixa de supermercado, no empacotador, no atendente de lojinha de bairro... esses serão os principais beneficiados.

    (2) - Banco Central e companhia pressionam o Congresso para passar a medida que permite que brasileiros possam ter contas em dólar (que eles falaram sobre no ano passado). Eles que se virem.

    Pensei em outra, mas eu não sei... vender dólar por aqueles leilões que o Leandro mencionou. Qual o problema de vender? Ninguém é obrigado a comprar. O estado vender a Petrobras, ninguém que defenda liberdade econômica reclama; agora vender dólar é pecado?

    Eu acho hipócrita esse ataque aos "rentistas". Espera um pouco, quem gera crédito é quem se abstém de consumir e então empresta e quer ganhar juros com isso. Há os que se arriscam mais, e os que se arriscam menos. O que é o rentismo que eles definem? Qual é o crime? E tem outra coisa: dado de que o Brasil sempre teve um histórico intervencionista, de moedas fracas, calotes e insegurança jurídica, é óbvio que isso vai ser incentivado (se for falar de, por exemplo, aplicar em títulos do Tesouro Direto e viver às custas de todo mundo com os juros). Para que emprestar dinheiro para um cara que tem altas chances de me dar calote, se eu posso emprestar para o governo?

    E olha que maravilha, agora além da GM nos presentear com aumentos de preços por causa do protecionismo, agora tem a questão cambial. Realmente, somos escravos e ninguém ainda nos contou. Acho que é por isso que os plásticos dos carros nacionais são terríveis, com péssima montagem e fáceis de riscar. Nem as carroças de Detroit são tão ruins assim.

    Vocês se lembram das tarifas zeradas no ano passado sobre os bens de capital? Com essa desvalorização, os efeitos benéficos dessa redução de tarifas vão ser quase anulados.

    Estaremos agora subsidiando a boa vida dos estrangeiros, já que os melhores produtos (café, laranja e afins) serão exportados.

    É realmente esquisito um ministro que já fez discursos bons pró-mercado, esteja defendendo uma moeda fraca. Talvez a realidade fosse diferente com o Gustavo Franco. Ou o Meirelles (cuja estadia na equipe econômica garantiu a reeleição do Lula).
  • Bruno Feliciano  13/02/2020 22:47
    Tem austriacos na equipe e ja vi pessoas dando declarações pro moeda forte e que todo grande exportador é um grande importador e etc...

    Enfim, não sei a influência desse instituto no governo e nem dos austríacos la. Mas sinceramente, acredito que ainda dê pra reverter, basta esse instituto e todos os ''liberais'' ao lado do Guedes do Campos Neto tentarem.

  • Lucas  13/02/2020 22:59
    Não, o único austríaco lá é o Geanluca Lorenzon, egresso deste Instituto e que elaborou a Lei da Liberdade Econômica, que é disparada a melhor coisa deste governo. Mas é só. Todo o resto é uma mistura de chicaguistas com keynesianos conservadores. Um único Henrique Meirelles é melhor que todos eles juntos.
  • Felipe L.  13/02/2020 22:55
    Bom, vamos lá... esse comentário eu fiz antes, mas eu vou fazer algumas alterações.

    Estou interessado e confuso sobre o assunto de moeda, apesar de já ter lido um monte de texto sobre (livro ainda não, pelo menos não especificamente sobre o tema).

    Em um comentário anterior (acho que feito pelo Leandro Roque mesmo), foi dito de que os países ricos de hoje, durante esse processo, passaram por padrão-ouro (câmbio fixo) ou câmbio atrelado, portanto é o que explica o fato de o câmbio flutuante não ser um problema nos EUA e Europa, assim como na Coreia do Sul (que acabou adotando o modelo flutuante). Assim sendo, nenhum país se desenvolveu por causa do câmbio flutuante, mas sim apesar dele. Foi falado de que no Chile foi brevemente adotado um regime de câmbio atrelado, mas que acabou colapsando. Esses regimes cambiais de câmbio atrelado adotados no México, Brasil, onde há controle de câmbio e juros (política cambial e monetária) são um lixo, então o Brasil tentar voltar a isso é algo desastroso. Uma SELIC a mais de 30% para essa dívida pornográfica afundaria de vez e asfixiaria a economia. Embora é fato de que depois eles se desenvolveram (México e Brasil durante o câmbio atrelado), isso durou pouco e então é algo fora de cogitação, além de que vai ser mais uma geringonça, além do BC manipular os juros, manipular o câmbio (de maneira aberta, não enrustida como é hoje). Ok, câmbio flutuante não é livre mercado por ainda existir o BC emitindo as suas moedas em relação a outros países, mas ele é mais próximo disso em relação ao arranjo anterior brasileiro ou estou errado? Hoje, o BC basicamente manipula "somente" os juros. Nesse arranjo atual, para o Brasil ter uma moeda forte, só seria possível se estabelecessem um ambiente com segurança jurídica, estabilidade política, respeito aos contratos, infraestrutura decente e que atraísse o máximo possível de investimentos estrangeiros, acabando com regulações e afins? Único regime de câmbio atrelado que conheço e que até o momento não deu problema foi o de Cingapura, pois o BC de lá só mexe na taxa de câmbio, tomando como referência outras moedas do mundo.

    O acordo de Bretton Woods, que foi uma continuação do câmbio fixo, englobou somente a América do Norte, Europa Ocidental e Japão?

    Li parcialmente um relatório de 2018 do FMI falando sobre os regimes cambiais ao redor do mundo e achei legal que vi arranjos de câmbio atrelado (há vários tipos), entre eles: "conventional peg" (exemplos: Líbia, Kuwait, Iraque e Jordânia), "stabilized arrangement" (exemplos: Líbano, Ilhas Maldivas, Guiana e Croácia), "crawling peg" (exemplos: Honduras, Nicarágua e Botsuana), "crawl-like arrangement" (exemplos: Irã, China e Sérvia) e "Pegged exchange rate within horizontal bands" (exemplos: Tonga).

    Foi dito de que se hoje, cada estado brasileiro pudesse emitir a própria moeda, poderia haver problemas porque ocorreria guerras cambiais. Cada federação hoje emitir a sua própria moeda (sem lastro, como é hoje), não seria um exemplo de dar mais autonomia local e mais respeito aos princípios de subsidiariedade, tendo então algo mais descentralizado, como é por exemplo quando é defendida a secessão? Ou a moeda, por ser um meio de troca, se encaixaria em outra circunstância sendo então distinta, de forma que, por exemplo, cada federação brasileira tendo a autonomia de ter a sua própria moeda não seria análoga à, por exemplo, cada federação brasileira poder ter seu próprio sistema penal, judiciário e afins?

    O padrão-ouro é diferente porque, apesar de o mundo inteiro ter usado o metal como commodity, cada região tinha a sua própria moeda. Hoje as moedas são fiduciárias, então seria esquisito propor, por exemplo, uma moeda global. De certa forma o dólar americano é, mas não como eu estou imaginando nessa situação hipotética.

    Hoje com as criptomoedas, não consigo imaginar apenas o padrão-ouro como a única alternativa de livre mercado. Talvez um "padrão Bitcoin", com um papel-moeda usando a criptomoeda como lastro.

    Desculpem-me pela insistência e por algum eventual equívoco e confusão. É que estou com muitas dúvidas.
  • Supply-sider  13/02/2020 23:43
    Em havendo um Banco Central, sua função é única: manter a moeda estável em relação a algum padrão. Historicamente, esse padrão sempre foi o ouro. Porém, manter a moeda estável em relação a uma cesta de commodities (como o Índice CRB, que é o principal índice de commodities do mundo) seria ainda melhor.

    Para isso, bastaria o Banco Central operar exatamente como já opera hoje, mas com uma crucial diferença: em vez de comprar e vender títulos públicos visando a manter a taxa de juros do mercado interbancário fixa (curiosamente, o Banco Central controlar juros é algo visto como "liberal"), ele irá comprar e vender títulos públicos com o intuito de manter a cotação da moeda estável em relação ao padrão de referência escolhido. (Os detalhes estão descritos aqui).

    Forneça uma moeda estável ao longo do tempo, e retire as barreiras governamentais à produção e ao comércio, e toda a economia estará preparada para um crescimento contínuo de longo prazo, sem voos de galinha.

    Sobre isso, poucos se deram conta, mas o Banco Central americano (o Federal Reserve) vem mantendo o dólar extremamente estável em relação ao Índice CRB (o principal índice de commodities) desde o início de 2015. Já são cinco anos de dólar estável em relação a um padrão de referência. Daí não ser nada estranho a resiliência da economia americana, com taxa de desemprego nas mínimas históricas, economia em crescimento contínuo e estável, salários em alta (crescendo a uma média de 5% ao ano) e, principalmente, inflação de preços estável abaixo de 2%. 

    De resto, economistas do lado da oferta não têm nada a dizer sobre o nível de juros, simplesmente porque, ao contrário de todos os outros, temos a humildade de reconhecer que não fazemos a mais mínima ideia de qual seria o valor correto dos juros.

    E é exatamente por isso que a função precípua do Banco Central, já que ele existe, é manter a moeda estável (de preferência, em relação a uma cesta commodities), e deixar os juros flutuarem livremente. Impossível arranjo mais liberal do que este.
  • Anti-BC  14/02/2020 02:52
    Ótimo comentário.

    Você poderia elencar as diferenças entre a Escola Austríaca de Economia e a Escola de Abordagem Supply-Side?

    Abraço?
  • Rip van Winkle  16/02/2020 00:43
    Eu não acho que um currency board seja uma política ruim em se tratando de política monetária. O Brasil se adotou currency board deve ter sido em uma época bem primitiva, porque na época do FHC o câmbio era fixo. E nessa questão do currency board foi ele quem salvou a Estônia de uma hiperinflação que se precipitava quando do colapso soviético lá no início dos anos 90.

    LEIA:


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2892

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=312


    Como se pode ver nesses artigos o BC é irrelevante, assim como sua atuação. O pior tipo de câmbio é o flutuante, como é o caso do nosso, o melhor seria o fixo ou então um currency board para pegar estabilidade. Se não me engano o Panamá usa currency board, e dos países que não possuem banco central, ele é um deles. Eu não vejo um sistema financeiro genuinamente livre com BC, e países como Hong Kong, Panamá, Liechtestein, Andorra, Monaco (que não possuem autoridades monetárias), prova que não é preciso. O fato de se ter BC só desenvolve o risco de o Estado crescer cada vez mais e fazer o Banco Central aumentar seus poderes, pois é inerente do Estado tal característica de expansão. Lembrando que até 1913 os EUA não tinham Banco Central, ainda no século 19 (primeira metade) o Segundo Banco dos Estados Unidos foi aleijado pelo Andrew Jackson e todas as regulamentações no setor bancário ficaram obsoletas, tanto que foi a partir de 1837 que começou o período chamado de sistema bancário livre nos EUA. O Mises da Espanha tem um artigo extenso e muito grande sobre isso para quem quiser se aprofundar:

    www.mises.org.es/2020/01/la-historia-y-la-estructura-del-sistema-de-la-reserva-federal/


    O padrão ouro é o melhor, porém incorre de se ter menos dinheiro na economia e assim diminuir o acesso ao mesmo, como alguns alegam. Mas pode ser um pacote e não somente o ouro para se atrelar à moeda. O que não pode é ficar nessa farra de criar moeda do nada e deixar um rastro de inflação monetária sem precedentes. Eu só vejo sentindo em um BC se houver concorrência com ele, se o BC tiver os privilégios monopolistas que só o Estado tem, é imoral uma instituição dessa funcionar, não se sustenta na mínima dialética dos fundamentos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    É isso então!
  • Felipe L.  26/02/2020 12:33
    O regime cambial no Brasil nunca foi câmbio fixo, e sim câmbio atrelado.
  • Marcos  13/02/2020 23:43
    Não tenho nem perto o conhecimento sobre teoria econômica como o resto dos amigos nos comentários possuem, mas com o pouco que sei e sinto na pele já deve ser o suficiente pra tecer alguns comentários.

    - O real está derretendo. Cada dia mais. Pão, combustiveis, gás, carne. Tudo cada vez mais caro.
    - Guedes fazendo de tudo pra esquerda voltar com força pro poder.
    - Guedes mostrando mais uma vez que qualquer outra escola senão a Austríaca dará errado.
    - Rezando pra ele parar com essas "Chicagadas" por quê a vida já não está fácil por aqui, renda baixa e trabalhando quase 10h por dia pra sustentar a parasitagem estatal com um Ciro Gomes no Ministério da Fazenda fazendo as coisas ficarem ainda piores.
  • Dirce  14/02/2020 17:11
    Este governo é uma piada. Só fica levantando a bola para os lulistas/populistas cortarem.
    Acho que é a primeira vez que vejo um governo no qual a oposição nem precisa se dar ao trabalho de atuar.
    Basta eles colocarem um estagiário para compilar todos os vídeos destas medidas e falas imbecis, juntando com as filas do INSS/Bolsas e relatos da população, que a vitória será garantida (temo que até mesmo seja garantida se o câmbio e dívida não piorarem ou melhorarem - afinal são apenas duas palavras que a maioria não entende o significado).
  • Andre  14/02/2020 00:01
    Como países como o Peru e Paraguay conseguem ter taxas de juros até mais baixas que a Selic brasileira e suas taxas de câmbio seguem estáveis?

    O Chile teve recentemente uma hecatombe social e o dólar por lá desvalorizou muito menos que aqui.
  • Ypacaraí  14/02/2020 00:22
    O Peru tem a moeda mais sólida da América Latina, e seu segredo foi explicado aqui:

    www.mises.org.br/article/2089/para-impedir-a-destruicao-do-real-e-do-setor-industrial-o-banco-central-tem-de-ter-concorrencia-

    O Paraguai é ok. As leis trabalhistas são mais simples e os impostos ridiculamente menores. E praticamente não há dívida pública no país (apenas 20% do PIB). Mas ainda assim a situação está longe de ser invejável:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/paraguay-currency.png?s=usdpyg&v=202002132137V20191105&d1=19200310
  • Caacupé  14/02/2020 00:39
    Paraguay no solamente és ok, hemos hecho casi un milagro pues nuestros vecinos y mayores destinos comerciales son una completa estafa para nosotros. Brasil y Argentina atrapan mucho El desarollo de nuestra nación.
  • 300esparta  14/02/2020 13:32
    Legitimo xiru reclamando dos outros e não colocando a culpa no teu próprio país.

    Quem vai investir num país que pra andar de carro tem que andar com propina no bolso pra pagar polícia?

    Quem vai investir ali sendo que inventam qualquer desculpa pra fazer lei e ir lá cobrar "coima" (propina)?

    Até os materiais da ponte nova que o Brasil via Itaipu está bancando demorou pra entrar pq não acertavam o valor da propina pros aduaneros?


    Aonde um aduaneiro compra uma Lamborghini Urus? Pq será? De onde saiu esse dinheiro??


    Aonde sequestram filhos de brasileiros e o governo não faz nada?

    Tem um EPP que é uma milícia mequetrefe e mesmo assim não conseguem acabar com ela?

    Aonde direto vai "campesinos" invadir propriedade alheia e ainda ganham a terra.


    Para de falar bobagem paraguaio.

    Seu país é uma porcaria porque vcs mesmo se vendem por menos de 50mil guarani por qualquer coisa.


  • Caacupé  14/02/2020 15:40
    Paraguay mismo con muchos problemas tiene numeros economicos macros muy por arriba del gigante decadente Brasil y la giganta moribunda Argentina.
    Vuestro país esta destrozado y sigue 40 anos sin incremento de productivid. Todavia tomo provecho y vou hacia Florianopolis para vacaciones donde El cambio me favorece mucho.
  • Rip van Winkle  16/02/2020 01:22
    Paraguayo te lembro solamente de una cosita. Tu país solamente existe por cuenta de nosotros, de Brasil, o usted no sabias? Vamos rememorar el año 1 de marzo de 1870 con el fin de la Guerra de Paraguay, donde ustedes no lograron éxito en la guerra y acabaron perdiendo la peleja. Si Brasil no intervenise en la negociación con Argentina (que fue la nación que habia propruesto la anexación de su territorio, ustedes no habian de ser Paraguay, habian de ser Brasil y Argentina). Entonces va a ler un poco de historia para no hablar tonterías acá. Calate antes de señalar que Brasil los prejudican, nosotros salvamos ustedes de un gran riesgo nacional. Mucho pelo contrario, en Brasil tenemos varios problemas con ustedes en relación a zona fronteriza. El gobierno de Paraguay ha de tener mucho defecto, pero no es culpa de Brasil eses problemas, creo que usted quieres encontrar un culpable hacia justificar los defectos internos, sin embargo, no puedes incriminar Brasil.
  • Andre  17/02/2020 04:50
    Você vê que o braziu acabou mesmo quando um brasileiro se incomoda com o que um paraguaio disse e o responde na língua dele. É catar os cacos deste país e levar pra vender como sucata, e de preferência em dólar.
  • Rip van Winkle  22/02/2020 22:40
    Olá, André!

    Claro! Tem que deixar bem claro que o país dele só existe por conta do Brasil. O cara vem regurgitar asneiras aqui, não pode passar batido não! O Brasil acabou faz tempo, se tivessem dado continuidade no que vinha sendo feito na década de 90, ok. Mas cagaram no pau ao eleger o 9 dedos.
  • Imperion  14/02/2020 14:51
    Nosso pais nao devia mandar no seu.
  • Victor  14/02/2020 15:49
    O paraguayo aí está reclamando de barriga cheia, aquele país vai muito bem pra padrões latino americanos, a população qualificada tem empregos com salários dignos, tem muitas obras pela capital e podem importar o que quiser de Miami pagando 10% de impostos. Está tão razoável que é a segunda maior comunidade de brasileiros fora do Br, fica atrás apenas dos EUA.
    Mas no lugar dele eu também reclamaria, o país teve crescimento médio de 6% a.a. recentemente e agora cresce "apenas" 3%. Estão é certos em não se contentar com pouco.
  • Quwabara  14/02/2020 00:19
    Será que o Guedes não está fazendo o dólar subir pra pagar dívidas públicas?

    Lembro que a Rússia usou de artimanha semelhante durante a década de 90.
  • Viktor  14/02/2020 00:30
    A Rússia não usou "artimanha recente". A Rússia simplesmente hiperinflacionou sua moeda na década de 1990 e com isso caloteou sua dívida. O país entrou em colapso social, quase houve um golpe de estado e, no final, Putin (que era oposição ao governo) assumiu e nunca mais saiu.

    Já Guedes prometeu que se o dólar passasse dos 4,30 o governo (Banco Central) iria vender reservas pra abater dívida. Mas só prometeu. Até agora nada. Certamente não cumpriu a promessa porque essa gente tem medo de, ao vender dólar, ser vista como agressora do sacrossanto câmbio flutuante (o qual, em vez de flutuar, só pode afundar).
  • Roxo  14/02/2020 00:35
    Sim, exatamente isso, BC e Tesouro compartilham a conta câmbio onde o BC repassa ao tesouro os lucros da valorização das reservas internacionais, e com esse dinheiro junto com repasses do sempre obscuro BNDES o Ciro Guedes pretende abater a dívida pública e entregar a promessa de zerar o déficit primário em 2020.
  • Gabriel  14/02/2020 02:18
    Só lembrando que essas transferências de lucro na conta cambial do BC ao TN valeu até o ano passado, pois hoje já está vigente a lei 13.820.

    agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2019-05/sancionada-lei-que-muda-relacao-financeira-entre-bc-e-tesouro
  • Andre  14/02/2020 17:10
    Gabriel, segue a típica vírgula da lei 13.820:

    "Excepcionalmente, e desde que autorizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), os recursos depositados na reserva poderão ser usados para pagar a dívida pública mobiliária federal interna (dívida em títulos públicos) quando severas restrições nas condições de liquidez afetarem de forma significativa o seu refinanciamento."

    Fonte: Agência Senado

    Na prática a lei apenas dificulta a transferência dos lucros do BC ao tesouro, com meia dúzia de canetas o resultado volta a ser como sempre foi. O papel aceita tudo.
  • Gabriel  14/02/2020 18:55
    Estás certíssimo, André.
  • anônimo  14/02/2020 16:01
    As estratégias são bem diferentes. Guedes quer fazer a moeda derreter em relação ao dólar pra zerar o déficit com as reservas (não vai conseguir totalmente, mas ok).
    Já o caso russo foi único na história. O governo imprimiu dinheiro exclusivamente pra pagar suas dívidas e conseguiu. No longo prazo foi excepcional, mas no curto prazo foi um desastre.
    Há trocentos exemplos de países que imprimem dinheiro pra pagar suas dívidas, mas nunca conseguem porque não querem cortar seus gastos. A Rússia foi o único exemplo que conseguiu, pelo que me lembre.
  • anônimo  14/02/2020 00:40
    E eu achando que tinha sido um milagre o Bolsonaro nomear o Guedes;
    Mas ai vi que ele nomeou alguém ''do mercado'' alguém ''liberal'';

    Ou seja, baseado em senso comum, quando precisou de algo mais profundo (conhecer a importância de uma moeda forte e estabilidade cambial). Falhou miseravelmente

    E nem vou citar a CPMF, porque fica abaixo de qualquer outro liberal que tenha entrado no governo Lula, tipo o Marcos lisboa (esse ai seria melhor que o cpmf guedes e ainda assim é o tipo que provavelmente bateria palmas para os juros suíços no Brasil)

    Resumindo, Chama o Meirelles que da na mesma e ainda temos moeda forte
  • Fernando  14/02/2020 00:48
    O gozado é que o próprio Banco Central reconhece tudo isso que foi dito. Tá lá no site deles:

    "A condução da política cambial afeta diretamente a vida do cidadão, mesmo que não tenha transações com exterior. A taxa de câmbio reflete nos preços dos produtos que o país importa e exporta, influenciando assim os demais preços da economia."

    www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/politicacambial
  • Paulo Henrique  14/02/2020 01:01
    O que ninguém disse ainda é que o Coronavirus está fechando a China inteira e ela é o maior destino de exportação do Brasil(ou o segundo maior).

    Assim, não tem Real que fique de pé com juros reais próximo de zero; 4,38 está até barato se a coisa se agravar lá;

    Ah sim, qualquer um que acompanhasse a internet sabia que a China estava mentindo, mas nosso banco central não, ele estava na sua torre de marfim considerando estabilidade global , enquanto escrevia na sua ata que a politica monetária requer medidas de cautela, dedando os juros para níveis suíços

    O cambio, como não tem controle, está precificando a economia Brasileira(na lama). Os preços mostram informação que burocratas não tem, como a China, juros não seriam diferentes, se não fossem controlados
  • cmr  14/02/2020 13:54
    Tem um canal no YouTube, "mundoruralbusiness" que tem várias análises sobre esse histeria de corona vírus, China fechada, falida, etc...

    Segundo eles, toda essa histeria está sendo habilmente explorada pela China, que vai lucrar com commodities baratas das economias falidas.(países que vivem de exportar matéria prima)

    A despeito das teorias conspiracionistas, a situação atual não é intencional, mas de um lado os EUA estão aproveitando para tentar prejudicar a China, e a China reage explorando a situação a seu favor.

  • Felipe L.  14/02/2020 01:07
    Interessante mencionar que o até o peso mexicano se desvalorizou menos do que o real nesse curto período. Ao contrário, se valorizou.
  • Daniel  14/02/2020 01:15
    O México hoje paga o maior juro real do mundo. Sua taxa básica está em 7,25% e sua inflação está em 3,24%, o que dá um juro real de quase 4%. A taxa de desemprego é de 2,9%.
  • Tiago RC  14/02/2020 01:43
    Alguém saberia me informar se essa queda nos juros, e consequente desvalorização do real, está ocorrendo devido à expansão monetária, ou se é devido à queda no apetite por crédito do governo?

    Se estão imprimindo mais que antes para baixar os juros, isso será a receita para uma bolha e uma crise futura...
  • Trader  14/02/2020 14:39
    A queda nos juros é trapalhada total do Banco Central desenvolvimentista. Quiseram "lacrar" mostrando "a menor taxa de juros da história", mas se esqueceram de que reduções atabalhoadas têm consequências.

    Junte-se a isso as frases completamente infelizes do Guedes sobre "dólar a R$ 5 seria interessante, e você tem a tempestade perfeita.

    O governo não perdeu o apetite por crédito porque continua tendo déficit primário. E a expansão monetária não está fora do padrão porque empresas e pessoas não estão tomando muito crédito (e os bancos estatais estão em contração, graças a Meirelles).
  • Tiago RC  14/02/2020 19:17
    Bom, mas se a expansão monetária não está acima do normal, não há muito com o que se preocupar, certo?
  • Trader  14/02/2020 19:55
    Na verdade pode ser até pior. Se a moeda se desvaloriza sem que esteja havendo uma grande expansão monetária, então aí é porque a confiança dos agentes (produtores, empreendedores e investidores) desabou mesmo. Todo mundo está abandonando a moeda para ir para o dólar. E se a demanda pela moeda nacional cai e todo mundo vai pro dólar, não há investimentos, não há contratações, não há expansão. Em suma, não há como a economia se expandir se a demanda pela moeda nacional está caindo. Não há expansão econômica se todo mundo quer se desfazer da moeda.
  • Pobre Paulista  14/02/2020 02:20
    Como é que a formação bruta de capital fixo está crescendo, com a inflação sob controle, emprego crescendo, e isso tudo com o dólar subindo? Eu não estou entendendo é nada.
  • Rico Goiano  14/02/2020 14:22
    De fato não está entendendo nada. Saiu o IBC-Br hoje, a prévia do PIB divulgada pelo Banco Central. Pelos dados, o país cresceu 0,89% em 2019. Até setembro, dava-se como certo um crescimento de 1,20%. Sabe quando que ocorreu o tombo forte? Em novembro e dezembro. Sabe quando o dólar atingiu a maior cotação? Em novembro.

    Aliás, sabe qual foi o melhor mês de 2019? Julho. Quanto estava o dólar? 3,71. E a Selic estava em 6,50%.
    Você fala de inflação sob controle? Carne, combustíveis e remédios nas alturas não contam? São itens triviais?

    Derreteram a moeda, a economia derreteu junto. E tem gente que segue sem entender nada mesmo…
  • Pobre Paulista  14/02/2020 15:48
    Ou seja, você mesmo está dizendo que mesmo com o dólar subindo de R$3,70 a R$4,20 em um ano, ainda assim houve aumento - ainda que modesto - do pib, inflação dentro da meta (*) , e nem se atreveu a responder sobre o contínuo - ainda que lento - aumento na industrialização do país.

    A conta ainda não fechou, explique-se melhor.

    (*) Obs: E como a inflação está dentro da meta e, como você bem pontuou, alguns itens que estão muito altos (causados parcialmente por eventos que nada tem a ver com câmbio, como a carne chinesa), então, por óbvio existem itens que estão muito abaixo da meta, o que é o contrário do esperado num cenário de câmbio derretendo.
  • Régis  14/02/2020 16:23
    Meu querido Pobre Paulista, você está bem por fora, hein? Eis uma notícia quentinha (grifos meus):

    "Indicadores mostram um fraco desempenho da indústria brasileira em 2019, de acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta segunda-feira (3). Os dados apontam queda em cinco das seis variáveis consideradas pela entidade, entre elas o faturamento real do setor, que caiu 0,8% na comparação com 2018.

    Uma situação de "quase estagnação da atividade industrial", segundo o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, em sua coluna na Rádio Brasil Atual.

    A massa real de salários caiu 1,9%, assim como o rendimento médio real do trabalhador, que recuou 1,5%. As horas trabalhadas na produção também despencaram 0,5% e o emprego apresentou uma queda de 0,3%. Apenas a produção industrial registrou alta na comparação com 2018, mas não o suficiente para ter uma repercussão positiva sobre o emprego e faturamento, como aponta a nota da entidade.

    Os dados da CNI ainda mostram que a indústria opera com uma capacidade ociosa em torno de 23%. Apesar de poder produzir mais, isso não ocorre por conta da falta de consumo e demanda interna, causada em parte pelos baixos salários.

    "E as nossas exportações de bens manufaturados, produzidos pela indústria, também está muito fragilizada, em queda, perdendo participação para a exportação primária, de grãos, minérios. Ou seja, ao invés de exportarmos produtos industrializados, pela capacidade de transformação da nossa indústria, nós estamos exportando produtos primários e a indústria que está transformando esse produto primário é a indústria de outros países que importam os nossos produtos", afirma o diretor técnico à jornalista Marilu Cabañas.

    www.redebrasilatual.com.br/economia/2020/02/fraco-desempenho-da-industria-mostra-fragilidade-da-economia-brasileira/

    P.S.: e eu nem sou de ficar com tara com indústria, não (economias desenvolvidas vivenciam redução da indústria no PIB). Mas os fatos são esses.


    Inflação: nem ter como haver explosão inflacionária se a população está sem renda. Os custos de produção sobem (por causa da moeda; IGP-M de 2019 ficou em 8%, uma barbárie), mas não há repasse para o consumidor (que não tem renda). Logo, empreendedores reduzem a margem de lucro. Aumento dos custos, receitas estagnadas. E aí, obviamente, só surge emprego mal remunerado e informal.

    Quanto a PIB, aí é zoeira sua, né?. Estamos partindo de uma base extremamente baixa (pois a economia encolheu em 2015 e 2016). Era para o PIB estar crescendo acima de 3%. Matemática básica. Mas segundo o Banco Central, ficamos em 0,8 em 2019. Tá muito bom…
  • Pobre Paulista  14/02/2020 16:49
    Legal, apenas mais uma confirmação do que eu disse.

    Era para estarmos vendo fábricas fechando, desemprego alto, inflação explodindo e etc. Mas está tudo apenas "normal", morno, andando de lado, levemente pra cima. E isso tudo com o dólar subindo 15% em um ano.
  • Régis  14/02/2020 17:05
    Que mudança de discurso, hein? Primeiro falou que estava tudo bombando. Depois, apresentado a alguns dados, disse que ainda há coisas boas. Agora, apresentado a novos dados, apenas passou a dizer que tudo está "morno e de lado", e que tudo poderia estar pior (sempre pode).

    Estamos agora comemorando economia parada? Isso virou motivo de celebração, só porque "tudo poderia estar pior"?

    Aliás, o que houve com você? Ganhou cargo no governo? Até outro dia você mesmo estava aqui reclamando da moeda fraca. Eu continuo o mesmo. Mesmos princípios, mesmas ideias.


    P.S.: já pensou se fosse Guido Mantega determinando que todo mundo tem que viajar apenas para dentro do Brasil, e estipulando quantas vezes é aceitável uma pessoa ir pra Disney levando a empregada? Você também seria blasé?
  • Pobre Paulista  14/02/2020 17:14
    Não mudei discurso nenhum, não estou apoiando (nem condenando) o Guedes, não trabalho no setor público e minha vida pessoal não é o assunto aqui.

    E não mude de assunto, responda a pergunta objetivamente. Se não souber, fica aí na sua e deixe as pessoas mais capacitadas colocarem respostas construtivas.

    Eis o ponto, objetivamente: Em outras eras, um aumento explosivo do dólar sempre trazia alguma crise, ou leves ou severas. Isso não aconteceu em 2019. Qual a explicação? O que em 2019 foi diferente de 1998, 2002, 2008 e 2014?

  • Paciente  14/02/2020 17:28
    "Eis o ponto, objetivamente: Em outras eras, um aumento explosivo do dólar sempre trazia alguma crise, ou leves ou severas."

    Correto, mas você inverteu causa e consequência. O dólar explodia exatamente em decorrência de crises internas, leves ou severas. Foi assim em 1999 (moratória de Itamar Franco em MG), 2002 (eleição de Lula), final de 2008 (crise financeira) e 2015 (perda do grau de investimento e fiscal todo zoneado).

    "Isso não aconteceu em 2019. Qual a explicação? O que em 2019 foi diferente de 1998, 2002, 2008 e 2014?"

    Em 2019 não houve crise mundial e nem rupturas internas abruptas. Houve, isso sim, um ministro da fazenda (de quem eu gosto) falando muita merda sobre câmbio. A desvalorização foi obra exclusivamente interna (o que, aliás, é até pior, pois não há culpados externos).

    Como o disse o Leandro lá em cima em resposta a você próprio (perceba como você está desatento, pois esta sua pergunta já foi respondida, como todas as outras), a explicação é clara e direta:

    "Tanto a teoria quanto a empiria demonstram que governos conseguem a moeda que querem. […] quando presidente, Ministro da Fazenda e presidente do Banco Central deixam claro em seus discursos que querem uma moeda forte, e que irão trabalhar para isso, o mercado imediatamente aquiesce e torna a moeda forte (para especuladores, há ganhos a ser feitos tanto com moeda forte quanto fraca, de modo que, para eles, pouco importa a força da moeda, mas sim a direção do movimento da moeda. Se o governo quer a moeda em uma direção, eles entregam essa direção e ganham com isso).

    "Ah, mas se é tão fácil assim, por que ninguém faz?" Ora, porque vivemos na era da insanidade monetária. Hoje, o senso comum diz que, se a moeda não for desvalorizada, não haverá exportação, a economia não será competitiva, e a indústria irá acabar. Com efeito, dado que o próprio Guedes é um adepto aberto desta teoria, aí é um abraço. Nada pode ser feito.

    O mercado financeiro não entrega moeda forte para uma equipe econômica que diz abertamente que quer uma moeda fraca. Infelizmente, está aí a resposta para a sua pergunta."


    Ou seja, a desvalorização de 2019 é coisa nossa, fabricada aqui dentro, pois foi desejada abertamente pela própria equipe econômica. O próprio Paulo Guedes vem recorrentemente a público dizer que está de boa com uma moeda fraca. Aí o mercado simplesmente entrega o que ele quer.

    E aí, agora você ficou satisfeito com a resposta?
  • Fernando  14/02/2020 17:45
    Pobre Paulista, vi que lá em cima você falou que a "inflação está dentro da meta". A da Dilma também ficou (exceto em 2015). No entanto, convido você a olhar os principais componentes do IPCA (alimentação, habitação, saúde, transportes): mais de 6% de alta.

    Pobres não tiveram um aumento de 6% na renda nominal (vide os dados do IBGE). Aí complica.

    E não me entenda mal: assim como você, apoio e torço para que o governo dê certo, pois não quero nem imaginar a alternativa. E é por isso que eu também sou muito crítico em relação ao câmbio.

    Moeda fraca afeta o padrão de vida dos mais pobres diretamente. E aí eles vão para as urnas...
  • Pobre Paulista  14/02/2020 18:00
    Muito obrigado,

    E aí, agora você ficou satisfeito com a resposta?

    Parcialmente.

    Primeiro, é fato, Guedes está pedindo por uma moeda desvalorizada, mas eu não estou sequer entrando no mérito de quais seriam as motivações. No entanto, ainda considerando o que o Leandro explicou acima (o que eu li atentamente), o ministro da economia não tem poder de colocar o câmbio no patamar que ele quiser (Aliás, seria ótimo se ele pudesse fazer isso, bastava botar lá e deixar quieto pra sempre). Ele pode pedir livremente por uma moeda desvalorizada, mas é o mercado que irá determinar o quanto será (porquê está 4,33 e não 7,21?). Esse "poder" dele é limitado, o máximo que ele consegue fazer é apontar a direção.

    Segundo, me refiro exclusivamente ao Brasil, lembrando que já tivemos a proeza de ter carestia e desemprego com o resto do mundo crescendo em velocidade de cruzeiro.

    Agora sim, a questão é sobre causa e efeito. É fato, crises causam aumento do dólar. E dólar alto implica em desindustrialização e inflação, como estamos todos aqui carecas de saber. Eu citei uns números aí só pra ilustrar o fato de que nós não estamos vendo isso (indicadores relevantes estão de neutro a levemente positivos). Aliás, até mesmo o IBOV em dólar está subindo (também, muito modestamente, mas não está derretendo, conforme o esperado).

    Mas se eu entendi bem sua resposta, o aumento do dólar em 2019 só teria causado uma crise no Brasil se houvesse uma crise mundial, é isso?
  • Leandro  14/02/2020 18:24
    "No entanto, ainda considerando o que o Leandro explicou acima (o que eu li atentamente), o ministro da economia não tem poder de colocar o câmbio no patamar que ele quiser"

    Ele tem todo o poder de direcionar a moeda para um determinado valor. Se ele deixar claro que quer uma moeda forte e, por exemplo, falar que quer o dólar a R$ 3 reais, o mercado financeiro irá direcionar a moeda para este valor, mas não necessariamente chegará a R$ 3. Pode ser que volte a R$ 3,70, como estava em meados do ano passado. Isso é garantido de acontecer.

    Especuladores ganham dinheiro com o movimento da moeda, e não necessariamente com o valor dela.

    Infelizmente, porém, quando o dólar estava em R$ 3,71, ele começou a falar que estaria tranquilo um dólar a R$ 4,30, R$ 4,50, até mesmo R$ 5 (ele citou nominalmente o valor de R$ 5 como um valor no qual ele começaria a vender reservas). Aí, pronto, o mercado financeiro prontamente aquiesceu e levou o dólar para este valor.

    Demonstração empírica perfeita da teoria.

    Aí quando o BC interveio no fim de agosto, quando a cotação bateu em 4,18, o mercado entendeu que aquele valor era o teto. Resultado: respeitou esse valor, que não foi ultrapassado até o fim de novembro, quando Guedes voltou a cena e reafirmou que dólar a R$ 4,30 estava tranquilo. Imediatamente o mercado financeiro aquiesceu e levou para esse valor.

    Não falha.

    "Aliás, seria ótimo se ele pudesse fazer isso, bastava botar lá e deixar quieto pra sempre."

    Como é que ele colocaria o dólar lá em baixo se ele o tempo todo fala que quer o dólar lá em cima?

    Se ele quiser colocar lá em baixo, ou seja, se ele falar claramente que quer dólar barato, o dólar irá para essa direção. Não chegará, obviamente, a 1 real, mas irá para baixo. Garantido. Só que ele não quer. Ele quer dólar caro. Aí acabou.

    "Ele pode pedir livremente por uma moeda desvalorizada, mas é o mercado que irá determinar o quanto será (porquê está 4,33 e não 7,21?). Esse "poder" dele é limitado, o máximo que ele consegue fazer é apontar a direção."

    Opa, agora sim você entendeu tudo. Exato! Ele consegue apontar a direção. E, até agora, teve 100% de sucesso. Toda vez que ele abre a boca e fala que "tá tranquilo" um dólar mais alto, o dólar imediatamente se aprecia. Já bateu em 4,38, e o Banco Central teve de atuar vendendo swap, pois até ele estava desconfortável com esse valor. Se não fizesse nada, e se Guedes continuasse falando, tranquilamente chegaria a R$ 5. Poderia levar até um ano, mas chegaria.

    De novo: esse movimento do dólar em simultâneo às declarações de Guedes é a demonstração empírica perfeita da teoria.

    "Segundo, me refiro exclusivamente ao Brasil, lembrando que já tivemos a proeza de ter carestia e desemprego com o resto do mundo crescendo em velocidade de cruzeiro."

    Sim, foi quando a moeda foi detonada.

    "Agora sim, a questão é sobre causa e efeito. É fato, crises causam aumento do dólar. E dólar alto implica em desindustrialização e inflação, como estamos todos aqui carecas de saber. Eu citei uns números aí só pra ilustrar o fato de que nós não estamos vendo isso (indicadores relevantes estão de neutro a levemente positivos)."

    Aí divergimos. A economia está no chão desde o fim de 2015. A recuperação está extremamente lenta. Em outras épocas, a recuperação era mais rápida. O simples fato de os números estarem "neutros" desde 2015 é a comprovação de que há um desarranjo grave e duradouro.

    "Aliás, até mesmo o IBOV em dólar está subindo (também, muito modestamente, mas não está derretendo, conforme o esperado)."

    Está no mesmo nível de maio de 2007 e de setembro de 2014. Pior: gringo que veio pra cá no início de 2018 ainda não ganhou nada. Até estava, até a moeda começar a derreter e eles perderem tudo. Não é à toa que estão se retirando em massa.

    ibb.co/bHzbh2Y

    "Mas se eu entendi bem sua resposta, o aumento do dólar em 2019 só teria causado uma crise no Brasil se houvesse uma crise mundial, é isso?"

    Se houvesse uma crise mundial, o dólar certamente teria aumentado muito mais (porque aí haveria fatores externos fortes), e a nossa situação interna certamente seria muito pior. Mas desconheço alguém que sequer questione isso. Não é essa a discussão e nem a realidade. Não há crise mundial (até o momento). Nossos problemas são exclusivamente internos.
  • Andre  14/02/2020 17:44
    "Qual a explicação? O que em 2019 foi diferente de 1998, 2002, 2008 e 2014?

    Causa e consequência, primeiro o desarranjo e depois a desvalorização da moeda:

    1998 - 99: Governo estava em déficit absurdo com gastos públicos gigantes, uma economia que não conseguia andar graças ao ajuste fiscal de 1995 que elevou a carga tributária de 25% do pib e subiu para 31% e adicionalmente teve crise forte nos emergentes em 1997 no sudeste asiático e 1998 na Rússia pressionando os juros mundiais pra cima;

    2002 - A economia e as contas públicas já vinham em desarranjo após a recessão causada pela crise do apagão, mais uma letargia na economia mundial após o estouro da bolha .com, depois o 11 de setembro e pra complicar mais veio o efeito Lula nas eleições daquele ano;

    2008 - Houve um colapso econômico mundial, o que ocorreu foi um flight to quality e a economia Br apanhou feito mulher de bandido, rodava anualizada em 7% até setembro de 2008 e terminou 2009 em 0%;

    2014 - A Dilma desajustou completamente toda a economia e a correção veio bem junto com uma forte desvalorização das commodities.

  • Felipe L.  17/02/2020 01:27
    Régis, em março do ano passado também houve uma queda considerável na produção industrial. O que teria causado isso?
  • Imperion  14/02/2020 15:17
    O dolar subindo freou os ganhos , simples. Tava melhorando. Tava cortando gastos, resolvendo a previdência. Um ou outro corte de impostos.
    Mas o guedes et chikaguista. Esse é o ponto fraco dele. Nao acha que valorizar a moeda nacional gera ganho.
    E exatamte.agora que tem que agir, nao age. Assim ele perde o que ja tinha conseguido.
    Se o dolar continuar acima dos 3,80 por muito tempo, a.inflacao vai voltar, os juros vao voltar a subir, pois vai ter desabastecimento por causa das exportacoes.
    O que poderia evitar o desabastecimento seria a capacidade do empreendedor nacional se adaptar a essa excassez , aumentando a produção nacional , mas a reforna tributaria nunca saiu. Entao nao temos como adequar a producao nacional as exportacoes.
  • Andre  14/02/2020 17:32
    "Como é que a formação bruta de capital fixo está crescendo?"

    Porque a base de comparação é a de uma economia deprimida, praticamente no quinto subsolo, até um gato morto se cair de uma altura grande o suficiente é capaz de quicar e incautos dirão "veja, o gato está vivo e tão vivo que pula".

    Adicionalmente a construção civil tem um peso enorme na FBCF:

    Taxa de investimento = FBCF / PIB

    Entre os ativos considerados como fixos, eles podem ser tanto tangíveis como intangíveis, sendo a FBCF obtida a partir de 4 componentes:

    Construção, com um peso de 53,7%;
    Máquinas e equipamentos, cuja participação é de 32,7%;
    Propriedade intelectual, com 11,6%;
    Outros ativos, que são os 2% restantes.

    Fonte: IBGE

    Ou seja, até aquele asfaltamento mal feito que as prefeituras fazem as pressas na véspera da eleição, aquele conjunto habitacional mal feito que apenas verticaliza favelas e usinas hidrelétricas que dão prejuízos milionários como Belo Monte contam como FBCF e reforçam a velha máxima, se um indicador é importante para avaliação política, este será manipulado à exaustão.
  • Liberal Inteligente e Educado.  14/02/2020 02:37
    Tudo bem. Se não posso ser rentista com juros altos, vou ser rentista comprando dólar. Fim.
  • Victor  14/02/2020 03:05
    Existe algum artigo explicando o que está passaando na cabeça do Guedes?

    O Brasil tem 1000 dólares em reserva, ele quer esperar que o dólar chegue até 7 reais para vender e obter 7000 reais? Não seria melhor imprimir moeda? Ou ele quer um duplo bônus? Abater a dívida e, ainda, "aquecer a economia" por meio da moeda fraca?

    Algum livro sobre a globalização (como acontece na realidade e, não, como deveria acontecer)?
  • anônimo  14/02/2020 14:34
    Na verdade, ele próprio já falou que um dólar a 5 reais "seria muito interessante".

  • Victor  14/02/2020 19:00
    Muito Obrigado!
  • Claudio  14/02/2020 10:43
    Excelente artigo.

    Gostaria só de saber a respeito do Japão. O Iene sempre foi uma moeda desvalorizada perante o dólar e o Japão é um país fortemente importador.
    No entanto, a indústria japonesa é forte e o poder de compra da população é alto.

    O que está por trás desse exemplo? Algo que não me atentei?

    Agradeço q explicação.
  • Leandro  14/02/2020 14:16
    Já respondido aqui mesmo. Não confunda alto valor nominal das cédulas de uma moeda com moeda fraca. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, essa é uma confusão bastante comum: o alto valor nominal das cédulas de uma moeda diz muito sobre o seu passado, mas não sobre seu presente.

    O alto valor nominal das cédulas do iene, por exemplo, se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

    Vale lembrar que, ao passo que o real é de 1994, o iene é de 1871 (123 anos mais velha que o real). Já o peso chileno é de 1975, mas passou por uma severa hiperinflação durante toda a década de 1970.

    No caso do Japão, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 350 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente. Hoje, um dólar comprava apenas 109 ienes. Isso dá uma apreciação total de 221% do iene.

    Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

    É isso o que você tem de olhar, e não simplesmente o valor nominal das cédulas. Nesse aspecto (alto valor nominal das cédulas), dificilmente alguém bate o Japão. E, no entanto, o país tem uma moeda forte e inflação de preços zero.
  • Everton  17/02/2020 22:03
    Leandro, achei que Paulo Guedes era Liberal e saberia disso tudo totalmente. A escola de Chicago realmente pensa assim? Em enfraquecer a moeda? A melhor forma de fortalecer o Real não seria continuar baixando a selic ao mesmo tempo que liberássemos mais o mercado?
  • Yuri  17/02/2020 22:14
    Eu sinceramente acho que Paulo Guedes sabe perfeitamente as implicações do real desvalorizado, mas acho que ele fica falando que "está tudo certo" pra tentar transmitir alguma segurança.

    P.S.: não entendi sua lógica de "continuar abaixando a Selic" para fortalecer o real. Foi exatamente ao reduzir de 6,50% para 4,25% que a coisa despirocou de vez. Imagina então se reduzir de 4,2% pra 1,50%? O dólar vai fácil pra R$ 5,50 no curto prazo...
  • Everton  18/02/2020 00:04
    Entre uma taxa selic 40% e dólar a 2 reais ou selic 4% dólar a 5 reais creio que para a nação o melhor é esta última. Pois taxa baixa ajuda a fortalecer a moeda. Mas sem liberar a economia, a moeda continuará frágil.
  • Trader  18/02/2020 00:47
    Ué, e por que não Selic a 6,25% e dólar a R$ 3,71? Essa era a realidade vigente em julho de 2019. Curiosamente, segundo o IBC-Br, julho de 2019 foi simplesmente o melhor mês da economia em todo o ano de 2019.

    Qual o problema de se voltar a uma realidade de meros 7 meses atrás?

    P.S.: com dólar a R$ 5, gasolina e diesel irão tranquilamente para mais de R$ 6 o litro. Caminhoneiros irão parar e destruir toda a economia. E, ainda que isso não acontecesse (improvável), o aumento dos custos de produção trazidos por um combustível caro (afetando não só o preço do frete, como também todas as operações industriais) iria destruir a economia. E a redução da renda disponível das pessoas (que agora gastariam muito mais com gasolina) faria com que houvesse menos dinheiro disponível para consumo e investimento.

    Não existe destruição impune da moeda. Pare com esse delírio.
  • Everton  18/02/2020 17:29
    Porque o ideal da taxa de juros é ser zero. Pra aumentar o valor da moeda só liberando o mercado. No Brasil o mercado é muito fechado e voltado para o Estado.
  • Régis  18/02/2020 18:38
    Por que o ideal da taxa de juros é ser zero? Se você empresta dinheiro hoje, você aceita que, daqui a 30 anos, devolvam apenas o mesmo valor nominal? E a preferência temporal? E a perda do poder de compra da moeda? E o risco do empréstimo? Como você refuta e abole isso?
  • Bernardo  18/02/2020 18:41
    "Porque o ideal da taxa de juros é ser zero"

    Rapaz, e não é que esses espécimes realmente existem?
  • Ex-microempresario  15/02/2020 21:04
    Se o valor unitário fosse parâmetro para moeda forte, era só o Brasil cortar mais três zeros (temos bastante know-how no assunto) e teríamos a moeda mais forte do mundo: Um "real novo" ia valer mais de duzentos dólares.

    Pena que não é assim no mundo real........
  • Mário  14/02/2020 13:21
    Concordo com a teoria toda, nada intervenção; porém, qual o poder que Paulo Guedes tem nas mãos, hoje, com o país todo amarrado com está(demora 1 ano pra aprovar um 2/3 de reforma da previdência), burocrático, corporativista, acostumado com toma lá da cá, alta carga tributária, insegurança, insegurança jurídica, péssimo ambiente para investimento, completamente dependente tecnologicamente do primeiro mundo...qual o poder que ele tem para baixar o dólar, sem aumentar juros (que em 2002 era de R$2,30 por dólar e hoje está em R$ 4,33 por dólar). Que o dólar baixo é bom e o real forte, é óbvio que ele sabe disso, tanto que ele afirma que OU é R$/1US e 4% a taxa de juros OU R$ 1,8/1US a 14% a taxa de juros. Está optando dentro do que a realidade permite. O que falta para chegar a R$1,8/1US e uma taxa de juros de 4%? ou seja moeda forte e juros baixos. Acho que ser um ambiente bom para negócios, sem tudo que foi citado e produtivamente eficiente, com indústria de alto valor agregado, tudo o que não somos. Somos exportadores de grãos, comida e matéria-prima e dependentes e importadores de tudo que é produto com valor agregado como máquinas e eletrônicos com um estado gigantesco na costas. Dessa forma a escolha dele parece ser no sentido de que o investidor, invista em algo produtivo e não viva de juros de banco que como ele disse "agride a iniciativa privada" que no fim é quem gera emprego e riqueza e que já está sangrando há tempos.
  • Vladimir  14/02/2020 14:33
    O mais legal é que você fala como se o dólar a R$ 4,30 fosse algo antigo já, e que só agora o pessoal passou a reclamar. Não, meu caro, dólar a R$ 4,30 é algo que aconteceu recentemente, um ano após Paulo Guedes assumir. Quando ele assumiu, o dólar estava a R$ 3,65. Aliás, caralho, em julho estava em R$ 3,71.

    Foi só agora que a coisa despirocou total, exatamente quando o iluminado passou a falar merdas do tipo "dólar a 4,30 não me preocupa, deixa vir". Essa desvalorização, que não aconteceu em outros países emergentes (não nesta intensidade), está no colo dele.

    Sério mesmo, é realmente tão difícil para as tietes do Guedes aceitar que ele falou merda? Não é crime nenhum reconhecer que um ídolo errou. Agora, crime moral, este sim, é a lisonja. É o cara errar e ainda ser adulado. Isso corrompe e estraga o caráter.
  • Jairdeladomelhorqptras  14/02/2020 13:28
    Pessoal do Mises,
    Sei que é bobagem menor. Mas para a devida interpretação do texto aqui vai. Em determinado momento o autor menciona: "dado que o milho e a soja entram na ração para bovinos...". É a realidade do país do autor. O EUA tem muito bovino confinado com esta dieta. No Brasil, é a dieta dos suínos e aves. Agro-indústria forte no Brasil. Para os bovinos é mais na pecuária leiteira. Bovinos de corte a participação do milho e soja na dieta é pouquíssima. O bovino de corte brasileiro é majoritariamente criado a pasto. Desculpem-me a chatice. Só uma canhestra tentativa de colaborar com o texto.
    Abraços
  • Renato A. Laguna  14/02/2020 13:34
    Temos inflação (ao menos os tais "núcleos") abaixo da meta, exportações desvalorizadas, desemprego alto, crescimento baixo. Se algum momento é propício para a desvalorização, é agora.
  • Rico Goiano  14/02/2020 14:24
    A "desvalorização propícia" ocorreu fortemente em novembro. Sabe o que aconteceu com a economia naquele mês? Saiu hoje o IBC-Br, que é a prévia do PIB divulgada pelo Banco Central. A economia encolheu em novembro e dezembro. Exatamente quando a moeda mais derreteu. Que coincidência, né?
  • Renato A. Laguna  14/02/2020 15:26
    Estou olhando o gráfico do dólar e não vejo nenhum movimento excepcional em novembro de 2019. Vejo sim uma desvalorização forte, que salta aos olhos, no primeiro semestre de 2018. 2018 teve um crescimento melhor que 2019.
  • Rico Goiano  14/02/2020 16:12
    "Estou olhando o gráfico do dólar e não vejo nenhum movimento excepcional em novembro de 2019."

    De 3,97 para 4,28 em menos de 30 dias não é movimento excepcional?! Então você deve ser venezuelano…

    "Vejo sim uma desvalorização forte, que salta aos olhos, no primeiro semestre de 2018. 2018 teve um crescimento melhor que 2019."

    O dólar ultrapassou R$ 4 no fim de agosto por causa das eleições, mas já em meados de setembro de 2018 voltou a desabar. Em outubro de 2018, já havia caído para R$ 3,65. (Recentemente, bateu em 4,38.)

    Ou seja, de R$ 3,65 para R$ 4,38 dá um encarecimento de 20%. E você realmente está achando estranho que o crescimento de 2019 foi pior que o de 2018? Sério?
  • LUIZ DE VRIES  14/02/2020 13:49
    Real supervalorizado com o único intuito de segurar a inflação gerada por privilégios e desmandos de governos perdulários é populismo cambial cristalino praticado sistematicamente pelo Plano Real ! O Brasil de hoje voltou a ser um mero exportador de commodities,hoje, a industria toda representa apenas 9% do PIB o mesmo índice de 1960 !Milhões de empregos na industria foram ceifados de 1994 para cá . Para reindustrializar o pais precisamos de um projeto a médio e longo prazo não adianta somente soltar as amarras da âncora cambial ! Temos que ter um plano, vamos começar por fiação e tecelagem ? Pelo setor de autopeças ? Linha Branca e eletrodomésticos ? Componentes eletrônicos? Moveleiro ? Químico-Farmacêutico ? O que mais pesa nas importações e nos tira empregos ? Encontrado este setor deve=se criar regras para que ele pague a mesma taxa de impostos que uma empresa chinesa ou ,no minimo, americana ! Tipo um SIMPLES Especial de 8% sobre faturamento bruto anual de até R$ 12 milhões ! ou 12 mil Salarios Minimos ! Agora temos que segurar a incontinência verbal !
  • Imperion  14/02/2020 14:55
    O real ja se desvalorizou 400 por cento e.mesmo assim a industria se desfez .
  • Guilherme  14/02/2020 15:02
    Permita-me uma correção na sua frase: o dólar já se encareceu mais de 300%, e exatamente por isso a indústria se desfez. Não existe indústria forte com moeda fraca. Isso é tão básico e tão direto que é preciso ser um Ph.D. em economia para não entender.
  • Ex-microempresario  15/02/2020 21:08
    Se fazer "planos" e "políticas industriais" resolvesse alguma coisa, o Brasil seria a maior potência do planeta.
  • Leitor  27/02/2020 19:40
    Tipo, escolher as "campeãs nacionais"?
  • Nelson  14/02/2020 15:07
    Criticam que o Ciro disse que dólar alto é bom para a exportação, o que é um fato. Mas não dão créditos a ele quando faz a mesma ponderação de que os preços da economia são todos indexados ao dólar (pão é trigo e trigo é dólar). No mais, o Paulo Guedes até está tentando não fazer o dólar subir tanto vendendo as reservas internacionais. O engraçado é que se o governo não intervém, aconteceria o que vcs criticam (dólar alto) e se o governo intervém vendendo dólar, aconteceria o que vcs dizem que é bom, dólar baixo. Então, só pra eu entender, vcs querem mais intervencionismo?
  • Vladimir  14/02/2020 16:13
    "Criticam que o Ciro disse que dólar alto é bom para a exportação, o que é um fato."

    Reveja seus fatos. Exportação não aumenta com moeda derretida:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/brazil-exports.png?s=bzextotd&v=202002041057V20191105&d1=20100216

    Se quiser entender por quê:

    mises.org.br/article/2378/a-empiria-comprova-a-boa-teoria-desvalorizar-o-cambio-piora-a-economia-e-reduz-as-exportacoes

    "Mas não dão créditos a ele quando faz a mesma ponderação de que os preços da economia são todos indexados ao dólar (pão é trigo e trigo é dólar)."

    Ué, estranho: ele reconhece que dólar alto gera preços altos, mas ainda assim defende dólar alto porque acha que aumenta exportações? É até vergonhoso você querer defender o cara com esse argumento, que o deixa totalmente a descoberto.

    ?"No mais, o Paulo Guedes até está tentando não fazer o dólar subir tanto vendendo as reservas internacionais. O engraçado é que se o governo não intervém, aconteceria o que vcs criticam (dólar alto) e se o governo intervém vendendo dólar, aconteceria o que vcs dizem que é bom, dólar baixo. Então, só pra eu entender, vcs querem mais intervencionismo?"

    Você está dizendo que vender dólar (um ativo como qualquer outro) configura uma "intervenção no mercado", mas tabelar a taxa básica de juros é um exemplo perfeito de "liberalismo não-intervencionista"?

    Por uma questão de lógica básica, tabelar o preço do crédito é uma política insanamente intervencionista. Já vender um ativo é uma política, aí sim, muito mais liberal.

    Aliás, se vender dólares (um ativo) é intervencionismo, então toda e qualquer privatização é uma política intervencionista, pois privatização nada mais é do que o governo vender um ativo. Consequentemente, chegamos ao ápice da insanidade: se o governo vender a Eletrobras, isso será intervencionismo. Já se ele mantiver intactas suas 157.938 estatais, isso será uma política liberal…

    Bizarro… 
  • Observador Silencioso  14/02/2020 16:26
    A seção de comentários deste site é a melhor coisa da internet. Nêgo chega aqui marrento, todo cheio de si, achando que tá abafando ao repetir clichês de Twitter e Facebook. No final, não fica um em pé.
  • Fabrício  14/02/2020 16:38
    Concordo. Eu sempre tento reservar uma hora por dia só pra ler os comentários. Se você filtrar, você sempre acaba aprendendo tanto quanto os artigos (em alguns casos até mais).
  • Skeptic  14/02/2020 23:04
    Só pra avisar, o site defende câmbio-fixo, currency board e padrão-ouro. E não, nada disso é intervenção. Intervenção é existir moeda estatal e banco central.
  • Abacate Suado  14/02/2020 15:07
    Resumindo: estamos fodidos, o Guedes esquerdou.

    Na próxima eleição vou votar no PT e PSOL só de zueira e pra ver esse cabaré pegar fogo de vez. Não existe esperança.

    Enquanto isso eu internacionalizo meu patrimônio em Bitcoin, que é dolarizado (das shitcoins estatais, pelo menos é a melhor), e faço meus hedges utilizando o mercado futuro e ainda ganho uns juros em cima (cash and carry - compra spot e vende o futuro - embolsa o prêmio)
  • It's the dollar, stupid!  14/02/2020 15:32
    Já foi realizado algum estudo mostrando a popularidade do presidente vs o enfraquecimento/fortalecimento da moeda.

    Falo isso porque minha impressão é que os tolos que defendem desvalorização acabam destruindo a popularidade do governo. O ápice de popularidade do Ferrnando Henrique foi quando 1 real estava equiparado a 1 dolar.
  • Élcio  14/02/2020 17:16
    Essa é a relação mais direta que tem:

    FHC 1: moeda forte, popularidade alta, reeleição em primeiro turno

    FHC 2: moeda na latrina, popularidade miserável e a total destruição do seu partido, que nunca mais fez presidente

    Lula 1: moeda em processo de fortalecimento, popularidade alta, e reeleição tranquila, mesmo com o mensalão.

    Lula 2: moeda consolidada (graças a Meirelles), popularidade na lua, elege facilmente uma toupeira.

    Dilma 1: começa a derreter a moeda a partir de 2013. Popularidade desaba. Só se reelege (e no aperto) porque comprou todo mundo. Quase perde para um playboy drogado e de altíssima rejeição (e que perdeu a eleição em casa).

    Dilma 2: derretimento total da moeda. População sai as ruas protestar contra a perda do poder de compra. Inflação chega a 11% em 2015. Caiu com um ano de governo.

    Temer: moeda em franca recuperação. Em 2016, consegue 30% de popularidade, uma façanha para qualquer político naquele ano e naquela situação. Em 2017, a mídia simplesmente aniquila sua reputação. Há dois processos de impeachment. Ainda assim, nunca houve uma mísera manifestação contra seu governo. Moeda seguiu forte. Em 2018, o Banco Central descuida da moeda e, simultaneamente, barril de petróleo em dólares dispara no mercado mundial. Caminhoneiros param tudo. Final de governo melancólico (o que acompanhou o enfraquecimento da moeda).

    Bolsonaro: tem uma base eleitoral sólida e inabalável. Sob qualquer situação terá mais de 35% do eleitorado. No entanto, sua popularidade está em queda. A moeda não ajuda. A conferir o futuro.
  • Antiesquerdismo   14/02/2020 17:28
    Que desastre! Os fdps de Chicago vão conseguir destruir a única oportunidade que tivemos de afastar a esquerda marxista em décadas!
  • Andre  14/02/2020 17:51
    único jeito de se afastar de esquerdistas é pelo aeroporto colega.
  • cmr  14/02/2020 18:07
    E ir para onde ?. Me diga um lugar onde não tem esquerdistas ?.
  • Andre  14/02/2020 19:05
    Rapaz, no Brasil até direitista é de esquerda, olha aí o Ciro Guedes, ao menos em países normais os esquerdistas estão bem identificados, os movimentos conservadores não são uma piada e seu conjunto de leis impede aventuras econômicas.
  • WDA  17/02/2020 00:29
    "Rapaz, no Brasil até direitista é de esquerda, ..."

    Tá aí uma grande verdade!
  • Dissidente Brasileiro  15/02/2020 19:49
    Na Antártida não tem esquerdista... ainda.

    O Pólo Norte também seria outra opção.
  • João Paulo   14/02/2020 15:44
    Parabéns ao Mises mais uma vez.

    Leandro, o que o Banco Central ou o governo deveria fazer para fortalecer o Real? O que seria isso que vocês chamam de política monetária rígida? Seria parar com o esquema de reservas fracionárias, ou parar de injetar dinheiro na economia?
  • Leigo  14/02/2020 16:25
    www.mises.org.br/article/3052/o-investimento-estrangeiro-so-vira-quando-a-moeda-for-estavel%E2%80%94historicamente-nao-e-o-nosso-caso

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    www.mises.org.br/article/2089/para-impedir-a-destruicao-do-real-e-do-setor-industrial-o-banco-central-tem-de-ter-concorrencia-

    www.mises.org.br/article/2055/uma-radiografia-da-destruicao-do-real%E2%80%94ou-nao-ha-economia-forte-com-uma-moeda-doente

    www.mises.org.br/article/2304/a-nossa-depreflacao-e-o-ajuste-fiscal-que-nao-vira-a-necessidade-de-um-novo-plano-real

    www.mises.org.br/article/2378/a-empiria-comprova-a-boa-teoria-desvalorizar-o-cambio-piora-a-economia-e-reduz-as-exportacoes
  • Joao Paulo  14/02/2020 17:13
    Valeu!!!
  • Dilmo  14/02/2020 16:17
    O Real já perdeu quase 77% do valor em relação ao dólar desde o seu surgimento em julho de 1994 até hoje.

    Durante o mesmo período a China que sempre é acusada de desvalorizar a moeda, teve uma apreciação de 23% do Renminbi.

    Mesmo assim os gênios continuam afirmando que o segredo para industrializar o país é aumentar ainda mais a intensidade da destruição da moeda.
  • Giuseppe  14/02/2020 16:22
    Bom, não é surpresa. Neste mesmo campo de comentários, ainda durante o período eleitoral, cantei a bola do que seria esse governo.

    A reação foi chacota e acusações.

    Estavam todos vislumbrados com o discurso de empreendedor-de-palco dos vendilhões de milagre.

    Pois bem, divirtam-se no Brasil. Boa sorte tentando restabelecer a FBKF com BRL trocando a 4.32.

    É só ler o livrinho do Benchimol, vai dar tudo certo.

    Forte abraço!
  • Bernardo  14/02/2020 16:33
    E o Cirão, digo, Guedão não para. Notícia de ontem:

    Guedes volta a defender imposto sobre transações financeiras

    Essa turminha de Chicago tem duas obsessões: derreter moeda e aumentar impostos. Joaquim Levy fez a mesmíssima coisa quando foi Ministro da Fazenda da Dilma.
  • reinaldo  14/02/2020 17:45
    Boa tarde,
    Eu mesmo estava discutindo com alguém no Instagram sobre isso. Iniciei dizendo que nenhum investidor vai colocar o dinheiro num país que destroi a moeda. Me responderam que a China desvaloriza a moeda e é uma grande exportadora, além disso o cãmbio estava artificialmente baixo (algo que não acredito).
    Ao responder que o povo chinês sofre com falta de produtos de qualidade, pois o que é minimamente aceitável é mandado para fora do país e que uma política de dolar alto reduz a oferta interna e encarece os produtos pois todas as matérias primas são cotadas em dolar, o sujeito me responde que é melhor pagar mais caro do que não ter emprego pois o país não exporta.
    Não quis discutir mais e falei para ele aplaudir quando o litro da gasolina estiver R$ 10,00.
    A obsessão sobre as exportações é algo do governo militar e pelo visto ainda vai ter vida longa no Brasil, mesmo que todo mundo empobreça por causa disso.
  • Yuan  14/02/2020 17:51
    Mas você deu bobeira. A China tem moeda forte. Ela não tem moeda fraca. Em 2005, eram necessários 8,28 iuanes para comprar um dólar. Em 2013, eram necessários apenas 6,05 iuanes. Hoje, 7 iuanes.

    www.mises.org.br/article/3042/a-guerra-comercial-e-uma-ameaca-real-mas-a-verdadeira-encrenca-e-o-sistema-bancario-chines

    Ou seja, a moeda da China se valorizou em relação ao dólar. Isso não é moeda fraca. É moeda forte.

    E aí você começa a entender por que todas as empresas se mudam para a China. País de moeda forte e estável atrai capital estrangeiro. Moeda forte e estável é garantia de que, quando você for remeter seus lucros para a matriz (convertendo a moeda nacional em dólar), você não terá prejuízo com o câmbio.
  • Andre  14/02/2020 18:04
    Não deu bobeira não, certas mentiras são tão disseminadas que já se instalaram na medula óssea do sujeito e é impossível tira-las de lá, então lhe restou usar a mentira alheia a favor de si. Na China só tem mesmo porcaria pra comprar, ainda que tenha oferta de bons produtos estrangeiros pra comprar o aumento brutal no custo de vida daquele país nos últimos anos tem feito a população comum ter acesso apenas ao produto local, igual o Brasil.
  • Giuseppe  14/02/2020 19:00
    Isso não é verdade. Morei na China por 3 anos (2014-2017).
    Ninguém sofre com falta de produtos de qualidade nos centros urbanos (e a população urbana já é a maior do país).
    Muito pelo contrário: é a quinquilharia que sai, não o que tem "qualidade minimamente aceitável". O que é bom, fica.

    A China teve sim muito sucesso ganhando escala em exportações pelo câmbio desvalorizado, mas não é a única explicação pro desenvolvimento, nem de longe. O problema é que lá foi o único lugar que funcionou, aí ficam usando esse argumento como se fosse um bom exemplo para outras economias.
  • Yuan  14/02/2020 20:08
    Carai, lá não tem câmbio desvalorizado!

    Em 2005, eram necessários 8,28 iuanes para comprar um dólar. Em 2013, eram necessários apenas 6,05 iuanes. Hoje, 7 iuanes.

    Ou seja, a moeda da China se valorizou em relação ao dólar. Isso não é moeda fraca. É moeda forte.

    E aí você começa a entender por que todas as empresas se mudam para a China. País de moeda forte e estável atrai capital estrangeiro. Moeda forte e estável é garantia de que, quando você for remeter seus lucros para a matriz (convertendo a moeda nacional em dólar), você não terá prejuízo com o câmbio.

    Pare de ficar repetindo essa mentira de que o câmbio lá é desvalorizado.
  • cmr  14/02/2020 20:30
    China desvaloriza a moeda.
    China é comunista.
    China oprime e invade outros países.
    China come cachorro.
    China come barata, rato, morcego.
    China caga na rua.
    China tem escravidão.
    China é uma ameaça à liberdade no mundo.
    China é uma farsa.
    China usa capitalismo predatório. (seja lá o que isso signifique!)
    China tem uma pobreza dantesca.
    China tem que ser detida...
    China isso... China aquilo...


    Cara, já cansei de tanto senso comum, até desanimo as vezes de responder esse pessoal.
  • Rodrigo  21/02/2020 05:52
    Não entendo as suas colocações... só cita dados a partir de 2005... a china se tornou uma potência só em 2005?? O câmbio artificialmente desvalorizado é uma mentira para todo o processo de desenvolvimento da china???
  • Yuan  22/02/2020 04:08
    1) A moeda da China era câmbio fixo com o dólar desde 1995, quando o país não era nada. E o câmbio permaneceu fixo até julho de 2005. 8,25 iuanes por dólar.

    2) De julho de 2005 até janeiro de 2014, a moeda da China se apreciou em relação ao dólar. Caiu de 8,25 iuanes por dólar para 6,05 iuanes por dólar. Trata-se de uma apreciação de 35%. Considerável.

    3) De janeiro de 2014 até hoje, aí sim, o iuane se desvalorizou em relação ao dólar, indo 6,05 iuanes por dólar para 7,02 iuanes por dólar. "Curiosamente", essa desvalorização coincide com o arrefecimento da economia chinesa.

    Tudo isso são fatos, não é uma questão de opinião. As informações são públicas. Quem quiser debater moeda chinesa que faça o favor de se informar minimamente sobre o assunto (e não é problema meu se a imprensa desinforma quanto a isso; nada posso fazer).

    Eis o gráfico da relação iuanes por dólares, do site Trading View.

    ibb.co/NS0WLFR

    E aí eu pergunto: não é curioso que o boom da economia chinesa tenha se dado com moeda em constante valorização? E não é curioso que a desaceleração da economia chinesa tenha se dado com moeda em desvalorização?

    Bem-vindo ao mundo real.
  • Felipe L.  22/02/2020 22:26
    Essa apreciação do renminbi foi alguma política de sobrevalorização artificial do BC chinês? Ou ela ocorreu de maneira espontânea?
  • Angela Hu  15/02/2020 02:09
    Estrangeiro mora cidade boa na China, povo verdade vive em condições muito abaixo que o estrangeiros residentes testemunham. É como se eu viesse morar no Brasil em Cerqueira Cesar, Moinhos de Vento, Leblon, Água Verde e falar que Brasil é bastante razoável viver quando não é.
    Os produtos bons nos mercados e preços que brasileiro que visita China acha barato são pra ricos, pois brasileiro gastador e chinês precisa guardar dinheiro pra futuro.
  • Gustavo A.  17/02/2020 20:18
    A grande verdade é que a sua experiência pessoal ou a dele não importam. Cadê os dados?
  • Fernando Vasconcelos  14/02/2020 18:32
    Duas dúvidas: 1) o governo atual está efetivamente desvalorizando a moeda ou este é um movimento natural do mercado por ela estar "artificialmente" forte ao longo dos últimos anos? 2) Caso a resposta da primeira pergunta seja "ocorre devido ao movimento natural de mercado", o Estado deveria intervir pra não deixar com que a moeda se desvalorize, ou seja, a solução é a intervenção no sentido contrário?

  • Matheus Almeida  14/02/2020 19:05
    Leandro Roque sempre muito bom com as respostas. Seria muito bom se você fosse mais presente nas redes sociais. Abraços.
  • Pobre Paulista  14/02/2020 19:52
    Eu tenho quase todas as respostas dele salvas no meu computador.
  • Skeptic  14/02/2020 23:12
    Lança um livro, sem copyrights de preferência. rs
  • 5 minutos de IRA!!!  14/02/2020 19:28
    bem... vamos ver se eu entendi:
    Estamos no segundo ano de mandato de Bolsonaro.
    Os valores nominais do câmbio só permitem inferências a respeito do presente.
    Temos mais dois anos de mandato.
    Dólar alto permite vender reservas para baixar a dívida hoje.
    Reduzindo a dívida, o ajuste fiscal tem um avanço, o que é bom para economia.
    Se as reservas forem vendidas amanhã, teremos, ainda nesse mandato, dois anos de redução de gastos com juro da dívida.
    Tudo o que faltará para os investimentos estrangeiros deslancharem, caso passem as reformas deste ano, é o cambio estável.
    Ainda teremos dois anos para voltar a estabilizar o real.
    Daqui a dois anos, caso o real fique estável de forma consistente, essa desvalorização de agora será paulatinamente desconsiderada.


    Portanto, as esperanças não morreram!!!!!!!!!!!!!!! Importante é Paulo Guedes fazer o que prometeu em relação à venda das reservas e, em seguida, ajustar o discurso imediatamente, acusando a jogada. Não importa. Passará como jogo sujo, mas pelo menos criará confiança de que ele sabe o que está fazendo!!!!!!!!!!!
  • Skeptic  14/02/2020 23:17
    Se reduz dívida contando gastos (junto com impostos) e não destruindo o poder de compra da população e piorando o padrão de vida de todos.

    Por que o Ciro Guedes não usa as reservas para dolarizar a economia? Seria muito mais útil.
  • 5 minutos de IRA!!!  03/03/2020 19:26
    O Brasil tem reservas suficientes para dolarizar a economia? Como se faz esse cálculo?
  • anônimo  03/03/2020 20:21
    Dolarização requer no mínimo uns 5 anos. Sem chances. Currency Board é muito mais prático.
  • Rafa  14/02/2020 19:50
    Esse argumento de "proteger os exportadores" é algo bem canalha. Rebaixa-se o padrão de vida de 200 milhões de pessoas para agradar meia-dúzia de tubarões. Mas, no fundo, Brasília adora um Real fraco. Guedes não mentiu, os outros políticos é que não são sinceros.
  • Daniel Ribeiro  14/02/2020 20:15
    O autor do artigo não tocou num ponto fundamental.

    A redução da taxa SELIC, que gera desvalorização cambial, proporcionou uma economia de pelo menos 110 bilhões aos cofres públicos, referente aos juros da dívida. E a dívida pública é nosso calcanhar de Aquiles.

    É claro que, idealmente falando, haveriam métodos muito melhores para a redução da dívida - muitos deles, aliás, propostos aqui no instituto Mises. Entretanto, não vivemos num mundo ideal - e o Guedes sabe disso. Vivemos num sistema de divisão de poderes, jogo de interesses, disputas setoriais, burocráticas, enfim, sabemos que devido ao embate de forças atual, seria impossível outro método tão eficiente para reduzir a dívida, do que reduzir a taxa SELIC.

    Traz efeitos? Evidente. Tudo o que foi apontado no artigo. Mas não pensemos que poderemos sair desse buraco fiscal sem um custo. Assim como não existe almoço grátis, também não existe pagamento da dívida grátis. Vamos sofrer um bocado. Mas é o caminho estratégico encontrado por Guedes - e está dando certo. Por outro lado, alguns desses efeitos da alta do dólar em relação ao real foram aliviados, como o aumento da cota no Paraguai para 500 dólares, e a redução de impostos de importação sobre vários itens, principalmente TI.

    Admiro as análises econômicas feitas pelo autores do Instituto Mises, mas nesse ponto considero que Guedes acertou em cheio. Compará-lo com as bizarrices do Ciro Gomes é muito radicalismo. Está muito longe. Assim como a escola austríaca, que eu admiro e respeito, está também longe de entender a genialidade da escola de Chicago.

    Bye
  • Metendo a Real  14/02/2020 20:26
    1) Informe-se melhor: segundo as estimativas do próprio Guedes, a redução será de R$ 96 bilhões, na melhor das hipóteses. Isso não é nem um mês de arrecadação.

    2) Quem começou a redução foi a dupla Meirelles/Ilan, que reduziram de 14,25% para 6,50%. E sem destruir a moeda. Estes sim merecem aplausos.

    3) Outra coisa: será que esta redução de 6,50% para 4,25% compensou o custo? Economia estagnada e indústria em queda. Números de novembro e dezembro pavorosos. Compensou?

    4) Ainda outra coisa: se haverá esta redução de R$ 96 bilhões nos gastos com a dívida, para que isso se traduza em coisa boa seria necessário o governo cortar esse mesmo montante em impostos. Ele não só não fez isso, como também segue prometendo novos aumentos de impostos.

    exame.abril.com.br/economia/guedes-volta-a-defender-imposto-sobre-transacoes-financeiras/

    5) Por último, e talvez mais importante de tudo: a desvalorização brutal da moeda não foi causada exclusivamente pelos juros, mas sim pelas falas de Guedes. Ver aqui e aqui

    6) A "genialidade" da Escola de Chicago se resume a derreter moedas e aumentar impostos. Levy fez isso no segundo mandato de Dilma. Estão reprisando agora. Deste tipo de "genialidade" quero distância. Sou muito mais um ortodoxozinho básico como Meirelles. Esse entrega o que promete sem destruir minha moeda.

    Bye.
  • Daniel Ribeiro  16/02/2020 03:32
    Nada do que vc escreveu refuta o que eu disse.
    96 bi, ao invés dos 110 bi estimados, não muda o fato de que: economizamos muito com os juros da dívida. Não é um mês de arrecadação, mas tente pensar numa forma de o governo arrecadar essa quantia, sem mexer com interesses de corporações e poderosos, sem intervenção do STF, de algum deputado ou algum órgão institucional... Tente, e irá fracassar miseravelmente.

    Meirelles não conseguiu economizar um centavo enquanto ministro. E o Guedes não está"destruindo" a moeda. Que visão apocalíptica! A desvalorização atual é uma consequência necessária (diferente de destruir); e a redução dos juros na conjuntura atual não se compara às reduções ocorridas no governo Meirelles.

    A redução compensou o custo? Com certeza. O nosso maior problema, como eu disse lá em cima, é a dívida pública. Não adianta pensar em crescimento sem resolver esse pepino. E outra: quem te disse que a economia está estagnada? O Brasil vem por uma ribanceira abaixo desde o final do governo Lula. Agora as perdas na indústria e no comércio foram bem menores do que dos outros anos. Sim, compensou. Estamos no caminho. Risco Brasil menor, mais investimentos... comércio se abrindo gradativamente.

    Sobre cortar impostos, vc sabe que não é tarefa fácil no Brasil. Por exemplo, quiseram acabar com o DPVAT, daí o ministro Toffoli derrubou, quiseram acabar com a indústria do radar, derrubaram também... Agora, não é necessário que os 96 bi economizados sejam revertidos em redução de impostos. A ideia é, na verdade, abater no valor da dívida.

    A desvalorização da moeda teve muitas causas, mas a redução dos juros foi o principal. Falas de ministros não são tão poderosas assim. Podem causar instabilidades momentâneas no mercado, mas não uma desvalorização dessa magnitude.

    Sobre a escola de Chicago, vc está apenas confirmando o que eu disse. Sugiro se informar mais sobre ela. Agora, se prefere o Meirelles... um cara que defende um fundo pra subsidiar o preço da gasolina e impedir que ela varie com o mercado mundial... paciência né. A teoria do cálculo econômico de Mises mandou lembrança.
  • Metendo a Real  16/02/2020 22:15
    "96 bi, ao invés dos 110 bi estimados, não muda o fato de que: economizamos muito com os juros da dívida."

    E quem fez mais por isso? A equipe econômica que reduziu a Selic de 14,25% para 6,50%, ou a que reduziu de 6,50% para 4,50%? Vocês tarados por Guedes e Chicago têm de parar com esse delírio de que tudo de positivo é obra dele. O cidadão recebeu a coisa muito bem azeitada pela dupla Meirelles/Ilan. E, infelizmente, ele está se esforçando (junto com Roberto Campos Neto) para acabar com esse legado.

    "Não é um mês de arrecadação, mas tente pensar numa forma de o governo arrecadar essa quantia, sem mexer com interesses de corporações e poderosos, sem intervenção do STF, de algum deputado ou algum órgão institucional... Tente, e irá fracassar miseravelmente."

    Meu querido, o governo não está arrecadando esta quantia. Acorde para a realidade. Ele está anunciando que irá deixar de pagar essa quantia para detentores da dívida. Ótimo. Mas se ele não aproveitar essa redução para fazer um corte de impostos de igual montante, então nada de positivo será sentido pelos mais pobres. Ao contrário: até agora, a consequência dessa redução dos juros foi a desvalorização da moeda, tendo como consequência alimentos, combustíveis e remédios subindo 6% ao ano. Vá ver se os mais pobres tiveram aumento nominal de 6% em seus salários.

    Tente, e irá fracassar miseravelmente.

    "Meirelles não conseguiu economizar um centavo enquanto ministro."

    Aqui você demonstra que realmente vive em outro mundo. Meirelles e Ilan reduziram a Selic de 14,25% para 6,50%. A ainda impuseram o teto de gastos. E tudo isso sem destruir a moeda.

    E aí você vem dizer que quem reduziu a Selic de 14,25% para 6,50% (sem destruir a moeda) "não conseguiu economizar um centavo", mas quem reduziu de 6,50% para 4,50%, ah, esse sim é o que fez tudo?!

    Faça um favor a si próprio, e pare de ser essa tiete desavergonhada de um chicaguista desenvolvimentista.

    "E o Guedes não está"destruindo" a moeda. Que visão apocalíptica!"

    Assumiu com o dólar a R$ 3,65 e levou pra R$ 4,38. Encarecimento de 20% em um ano. Se isso não é uma desvalorização acentuada, então você deve morar na Argentina, onde esse tipo de coisa é normal.

    "A desvalorização atual é uma consequência necessária (diferente de destruir)"

    Pronto, mostrou as reais cores. Você então deve ser fã do governo Dilma (sem problemas, apenas assuma).

    "e a redução dos juros na conjuntura atual não se compara às reduções ocorridas no governo Meirelles."

    Meirelles reduziu de 14,25% para 6,50% sem destruir a moeda. O atual reduziu de 6,50% para 4,50% detonando a moeda. De fato, não se compara. Aí você tem razão.

    "A redução compensou o custo? Com certeza."

    Fale por você. Até agora, a consequência dessa redução dos juros foi a desvalorização da moeda, tendo como consequência alimentos, combustíveis e remédios subindo 6% ao ano. Vá ver se os mais pobres tiveram aumento nominal de 6% em seus salários. E não houve nenhum corte de impostos. Já falei isso três vezes, e você ignora e apenas repete a mesma ladainha sem provas.

    O resto que você escreveu não traz novidade nenhuma. Apenas mais do mesmo. mas, no entanto, não posso deixar passar em branco o seguinte delírio:

    "Agora, se prefere o Meirelles... um cara que defende um fundo pra subsidiar o preço da gasolina e impedir que ela varie com o mercado mundial... paciência né. A teoria do cálculo econômico de Mises mandou lembrança."

    O quê?! Para começar, Meirelles saiu do governo em março de 2018. Dólar a R$ 3,15 e preço da gasolina ainda normal (curiosamente, foi exatamente depois que ele saiu que tudo desandou). Mas isso ainda é o de menos.

    Que defende "um fundo pra subsidiar o preço da gasolina e impedir que ela varie com o mercado mundial" é exatamente o atual governo! Por que você está fazendo esta calúnia?

    Eu mesmo nem acredito que o Guedes defende isso (talvez seja coisa só do Bolsonaro), mas quem realmente vocalizou foi o atual governo, e não Meirelles. Isso mostra que você não lida com fatos, mas com desejos.
  • Skeptic  14/02/2020 23:21
    Se é tão simples resolver tudo na canetada, pq não colocaram a Selic em - 5% aa?
    Mas se é pra usar a caneta para combater a dívida pública, aprovar o calote total seria muito mais eficiente.
  • Miscelânea  14/02/2020 21:01
    Espero que todos os que dizem que "real desvalorizado é bom" estejam 100% alocados em reais e em ativos brasileiros.

    Ou então expliquem por que ainda mantêm parte do patrimônio em dólar.

    No Twitter, tá cheio de medalhão das finanças defendendo a desvalorização do real. Mas todos estão fortemente alocados em dólar. Uma lindeza moral. Tem uns lá que até moram no exterior e ganham em euros.

    Isso, aliás, me lembra a Argentina. Descobriu-se que toda a alta cúpula econômica tanto da Kirchner quanto do Macri estavam totalmente dolarizados. Se fizerem uma investigação aqui vão descobrir que o próprio Guedes e a alta cúpula do BC também possuem fartos recursos no exterior (ainda que legais e declarados).
  • Werlang  14/02/2020 21:04
    O interessante é que o Excelentíssimo Senhor Doutor P. Guedes criticou o "rentismo". Os "rentistas" migraram para fundos cambiais, que estão dando um retorno muito maior que os juros da época de Dilma!
  • Yuri  14/02/2020 21:33
    O argumento do exportador importador é falacioso por si próprio, se uma indústria importa em dólar para exportar em dólar, a valorização ou desvalorização relativa do real não faz diferença nenhuma. Contudo, a parte dos custos que é paga em real, com a desvalorização da moeda, também reduzirá. Por exemplo, os custos com mão de obra serão menores em um país com a moeda nacional mais desvalorizada. Além disso, o Bacen possui meta para inflação, a partir do momento em que houver uma pressão inflacionária por causa da valorização do dólar, ocorrerá reajuste da taxa de juros, aumentando a entrada de dólares no país, com a consequente desvalorização do dólar. Por último, a desvalorização do câmbio não é uma política econômica do governo, mas sim uma consequência da Selic, que está nesse patamar devido a baixa atividade econômica e à inflação controlada. Então, vocês acham que o governo deveria intervir no Banco Central para valorizar o real através do aumento da taxa de juros? Isso não me parece muito liberal também.
  • Vladimir  14/02/2020 22:20
    "se uma indústria importa em dólar para exportar em dólar, a valorização ou desvalorização relativa do real não faz diferença nenhuma."

    Meu Deus, eu não li isso!

    Para começar, a indústria importa em dólar (ela tem de comprar dólar para importar), mas suas receitas de exportação são em reais (ela tem de converter dólar para reais). Dólar não é moeda corrente no Brasil.

    Se o dólar está a R$ 3,70, ela exporta US$ 100 e converte para R$ 370. Essa é a receita dela.

    Aí, se o dólar salta no mês para R$ 4,30 e ela precisa de importar novo maquinário, ela terá de desembolsar R$ 430.

    Ou seja, a receita dela foi com dólar a 3,70 e a despesa foi com dólar a 4,30.
    Como é que isso "não faz diferença nenhuma"?

    Não faria diferença nenhuma se o real fosse estável em relação ao dólar. Isto é, se o dólar custasse eternamente R$ 4,30, aí sim, seu argumento estaria correto.

    Há um exemplo inteiro e totalmente didático sobre isso no artigo. Vá lá ler.

    Se o dólar não fizesse diferença nenhuma, então se ele saltasse de R$ 1 para R$ 1.000 em um mês, isso também não faria diferença nenhuma?

    Inacreditável os tipos que despencam aqui.

    "Contudo, a parte dos custos que é paga em real, com a desvalorização da moeda, também reduzirá."

    Custos em real?! Você precisa comprar dólares para importar o maquinário! E o dólar saltou de 3,70 para 4,30. Isso não é custo em real, isso é custo em dólar! Puta merda…

    "Por exemplo, os custos com mão de obra serão menores em um país com a moeda nacional mais desvalorizada."

    É por isso que a Argentina é uma potência industrial. Aliás, deveríamos abandonar o real e adotar o peso. Aí sim ninguém seguraria a gente… Meu Deus.

    Aliás, você acabou de dizer que a cotação alta do dólar não faz diferença nenhuma. Agora, porém, está usando exatamente a cotação alta do dólar como argumento positivo (ela reduz os salários reais).

    Defina-se: ou a cotação não interessa em nada ou ela é crucial.

    Que vergonha…

    "Além disso, o Bacen possui meta para inflação, a partir do momento em que houver uma pressão inflacionária por causa da valorização do dólar, ocorrerá reajuste da taxa de juros, aumentando a entrada de dólares no país, com a consequente desvalorização do dólar."

    Parece muito inteligente. Vamos desvalorizar o real no gogó, e aí, quando a economia for pro saco, a gente sobe os juros!

    É cada gênio incompreendido…

    "Por último, a desvalorização do câmbio não é uma política econômica do governo, mas sim uma consequência da Selic, que está nesse patamar devido a baixa atividade econômica e à inflação controlada."

    É uma explícita política do governo, abertamente defendida pelo próprio ministro, que vive dizendo que não tem problema nenhum dólar a R$ 4,50. Sempre que fala que não tem problema dólar alto, o dólar salta. Você não saber disso mostra que você desconhece totalmente como funciona o mercado financeiro.

    Introdução básica para você:

    www.mises.org.br/article/3223/aviso-ao-ciro-guedes-uma-moeda-desvalorizada-e-um-ataque-direto-ao-padrao-de-vida-da-populacao#ac248022

    www.mises.org.br/article/3223/aviso-ao-ciro-guedes-uma-moeda-desvalorizada-e-um-ataque-direto-ao-padrao-de-vida-da-populacao#ac248173

    "Então, vocês acham que o governo deveria intervir no Banco Central para valorizar o real através do aumento da taxa de juros? Isso não me parece muito liberal também."

    Você está dizendo que vender dólar (um ativo como qualquer outro) configura uma "intervenção no mercado", mas tabelar a taxa básica de juros é um exemplo perfeito de "liberalismo não-intervencionista"?

    Por uma questão de lógica básica, tabelar o preço do crédito é uma política insanamente intervencionista. Já vender um ativo é uma política, aí sim, muito mais liberal.

    Aliás, se vender dólares (um ativo) é intervencionismo, então toda e qualquer privatização é uma política intervencionista, pois privatização nada mais é do que o governo vender um ativo. Consequentemente, chegamos ao ápice da insanidade: se o governo vender a Eletrobras, isso será intervencionismo. Já se ele mantiver intactas suas 157.938 estatais, isso será uma política liberal…

    Que participação bizarra… 
  • Yuri  14/02/2020 23:20
    Amigo, você escreveu um artigo discutindo volatilidade do câmbio, o que obviamente pode ser desastroso para o planejamento de qualquer indústria. Não vou me delongar, mas faça as contas, se antes você produzia um produto negociado no exterior a 100$, dos quais 80$ eram custos com insumos importados e 20$ com insumos nacionais, ao desvalorizar a moeda nacional os 80$ dos insumos importados continuarão os mesmo, mas os 20$ dos insumos nacionais diminuirão, desde que a desvalorização da moeda seja maior que a inflação. Logo, a indústria poderá sim negociar o seu produto no exterior a um patamar de preço menor que o anterior.

    Isso é um fato, desvalorização do real pode aumentar a competitividade dos produtos nacionais no exterior. Agora, quanto ao debate ético e moral austríaco, eu não me importo. Até mais.
  • Humberto  15/02/2020 02:35
    "se antes você produzia um produto negociado no exterior a 100$, dos quais 80$ eram custos com insumos importados e 20$ com insumos nacionais, ao desvalorizar a moeda nacional os 80$ dos insumos importados continuarão os mesmo, mas os 20$ dos insumos nacionais diminuirão, desde que a desvalorização da moeda seja maior que a inflação."

    Raciocínio completamente sem sentido.

    Se os insumos importados custam US$ 80, e o dólar vai de 3,70 para 4,30, então o seu custo saltou de R$ 296 para R$ 344. Já os preços dos insumos nacionais irão ou ficar na mesma (muito difícil) ou subir também (o mais provável, pois também têm componentes importados).

    Ou seja, no final, ambos os custos subiram, dos insumos nacionais e importados.

    E esse é o ponto principal: os custos subiram, mas a capacidade da empresa de vender para o mercado interno continuou a mesma. Você não tem espaço para subir preços para o consumidor brasileiro. O consumidor brasileiro não irá, repentinamente, aceitar pagar mais pelo mesmo produto só porque o dólar subiu. A renda do consumidor brasileiro
    continua a mesma.

    Ou seja: o custo de produção da empresa subiu, mas a receita dela em reais continuará a mesma. Logo, custos maiores e a mesma receita significam margem de lucro menor. Menos empregos, menos investimentos e menos renda. E isso se espalha por toda a economia, a qual vai ficando estagnada.

    "Logo, a indústria poderá sim negociar o seu produto no exterior a um patamar de preço menor que o anterior."

    Ao contrário: ela não tem poder de barganha nenhum no exterior. Vai ter de pagar pelos insumos o valor, em dólar, vigente no mercado mundial. Já no mercado nacional ela não poderá aumentar preços indiscriminadamente, pois o consumidor brasileiro não teve alteração da renda. Ele não vai aceitar pagar mais por um produto nacional fabricado com insumos importados só porque o dólar subiu.

    No final, de novo, a empresa vai arcar com tudo: custos maiores, receitas estagnadas, margem de lucro menor, menos investimentos, menos contratações, menos renda, economia parada.

    É por isso que toda a economia que desvaloriza sua moeda vivencia estagnação e desemprego. Economia básica.
  • Daniel Ribeiro  16/02/2020 02:52
    Um pouco de educação e respeito às pessoas não faz mal a ninguém. Pra que tanta agressividade? O que se espera conseguir com esse tipo de argumentação?
  • Skeptic  14/02/2020 23:30
    Sabe o que é intervenção econômica? Interferir nos preço da economia, exatamente o que a Selic é/faz.
    Juros são preços.
    Agora ter um BC que estabiliza o valor da sua moeda estatal é apenas a obrigação mínima, pois moeda estatal não deveria nem existir, muito menos como um monopólio.
  • Drink coke  15/02/2020 12:39
    Mas a selic não faz nada meu caro. A taxa selic é uma taxa de mercado, usada para emprestimos interbancarios de 1 dia. Acontece que o copom interfere nesse mercado para alterar o valor da selic e assim distorcer o preço do juros
  • Skeptic  18/02/2020 22:59
    Taxa de mercado com interferência do Copom?

    Escolha um coisa ou outra, ou um preço é livre ou ele não é, não existe meio termo.
  • Lucas BS  20/02/2020 06:34

    Skeptic 18/02/2020 22:59
    Taxa de mercado com interferência do Copom?

    Escolha um coisa ou outra, ou um preço é livre ou ele não é, não existe meio termo.


    Skeptic

    O Copom ordena que o BC compre títulos de dívida pública em posse dos bancos primários. Com esse dinheiro (apensado ao compulsório), o banco é dispensado de fazer operação overnight, não aumentando a SELIC.
    O BC também pode vender títulos aos bancos quando quer aumentar a SELIC

    Procure "como funcionam os bancos" aqui no Mises
  • Skeptic  24/02/2020 13:04
    Eu sei como funciona, o que eu estou dizendo que isso é um controle de preço e controle de preço não funciona.
  • Pobre Paulista  14/02/2020 22:27
    Olha aí, resume bem meu argumento acima:

    ideiasradicais.com.br/o-brasil-esta-crescendo-mais-do-que-o-pib-mostra

    Está uma maravilha? NÃO.

    Mas... está um caos? Longe disso!

    As coisas estão melhorando, lentamente, apesar do dólar estar encarecendo. Era apenas esse meu questionamento. Certamente alguns setores estão piorando, mas ao que parece, outros estão melhorando mais.

    Por mim o Dólar custava um Real (a câmbio fixo) e o ministro da economia seria ninguém. Estou apenas analisando o cenário macroeconômico nacional e tentando compreender à luz de tudo que aprendi aqui.
  • Maurício  14/02/2020 22:55
    Bolsoguedes por acaso tem alguma alternativa,falo isto,por que quando os esquerdalhas estavam no Poder,este site era um oásis ao mostrar quais opções o Governo tinha para fazer a economia crescer,agora que tem um Governo com um discurso liberal,vocês apontam as falhas na política cambial sem apontar as saídas,eu tenho cá para mim que Bolsoguedes está querendo derreter a moeda no curto prazo visando diminuir a dívida pública no médio prazo e a longo prazo com a recuperação do risco-pais por parte das agencias de risco internacionais e os investimentos estrangeiros vindo com força total para cá,ai sim o câmbio ira se valorizar e os congressistas anti-reformas irão enfiar a viola no saco e irão colaborar com o Governo sob pena de não serem reeleitos,enfim só posso conjecturar tal narrativa,pois sabemos que Paulo Guedes está aprendendo a jogar as peças no tabuleiro político,pois as vezes é melhor blefar do que municiar o inimigo,embora no presente pareça batalha perdida.Infelizmente teremos de aguardar estas apostas da equipe econômica se confirmarem,pois enquanto isto teremos de sofrer nas mãos destes congressistas fisiológicos que mais atrapalham do que ajuda e desafio o IMB a apresentar outra alternativa,pois relembrando com os congressistas corvos querendo destruir a agenda liberal,todo cuidado é pouco.Política é jogo sujo por parte dos corruptos e fanáticos esquerdistas e jogo estratégico por parte de políticos sérios(Minoria).Sou anarcocapitalista no campo filosófico e minarquista por pragmatismo.
  • Ninguém Apenas  15/02/2020 01:40
    Leandro,

    De onde surgiram tantos "liberais" defensores de moeda desvalorizada?

    Eu pergunto porque eu acho engraçado que o instituto venha criticando tanto os chicaguistas (e tá certo, tem que criticar mais), e tanta gente tenha aparecido para defender essa política de real desvalorizado.

    Agora o que eu não consigo de fato entender é: Desde quando a escola de Chicago começou a defender moeda desvalorizada?

    Para mim, injeção de crédito (redução de juros de curto prazo) e desvalorização da moeda é Keynesianismo e não Monetarismo. Os monetaristas sempre foram contra as políticas de fixação de câmbio e padrão-ouro, mas eu imaginava que eles defendiam que o Banco Central manipulasse os agregados monetários e não a taxa de juros.

    Se preocupar com a evolução da base monetária (sem tabelar juros ou câmbio) em apenas 3% não era o que o Friedman defendia? O que eu não consigo entender é qual a diferença desse monetarismo de Guedes para o Keynesianismo raiz que ele (Guedes) tanto criticou (hoje tenho dúvidas se ele ainda critica).

    Keynes também defendia o uso da inflação como meio de reduzir os salários reais (pelo menos nisso ele não estava totalmente errado) e não parece muito diferente do praticado agora.


    Por último, como se sente tendo repetido inúmeras vezes a verdade da moeda forte e ver isso acontecer agora?


    De qualquer forma, obrigado pelas longas explicações e pela paciência!
  • Observador  15/02/2020 02:18
    Também estou espantado com este fenômeno dos "liberais pró-governo e pró-desvalorização da moeda". É um fenômeno novo e repentino. No Twitter ele é dominante. Tudo quanto é nêgo do mercado financeiro está tecendo loas ao mercantilismo e à destruição da moeda. Pior: estão falando que isso sim é liberalismo. A mesma gente que criticava, corretamente, essa mesmíssima política no governo Dilma repentinamente passou a elogiar no governo Bolsonaro.

    É numa hora dessas que a gente vê os princípios e a coerência das pessoas. Quem elogia ou critica a mesma política de acordo com o governante não tem moral pra nada. Quem elogia a atual política tem a obrigação de elogiar o governo Dilma. Quem criticou o governo Dilma tem a obrigação de criticar a atual política. Quem elogia uma e critica outra é apenas um vendido ideológico, que se posiciona convenientemente de acordo com o político que está no poder.

    Fico feliz de ver que o IMB, ao contrário de outros, não se vendeu e mantém seus princípios.


    P.S.: detalhe: tem desenvolvimentistas petistas que estão elogiando a atual política econômica. Esses ao menos são bem mais coerentes do que os "liberais pró-desvalorização da moeda". Estão apoiando a implantação daquilo que sempre defenderam, ainda que tal coisa esteja sendo feita por um governo de "extrema-direita".
  • Gabriel  15/02/2020 02:40
    ''A mesma gente que criticava, corretamente, essa mesmíssima política no governo Dilma repentinamente passou a elogiar no governo Bolsonaro.''

    Agora vai falar para esse pessoal do mercado financeiro, que está passando pano para essas bizarrices, que essas ideias eram da plataforma eleitoral do Ciro Gomes e, por coerência, deveriam ter apoiado o mesmo em 2018.

    Vai ter escândalo e explicação de como você não entendeu os benefícios de um câmbio desvalorizado.
  • Felipe L.  15/02/2020 13:36
    Ih rapaz, isso está uma tristeza. Sou moderador de um grupo de Economia no Facebook, e só tem aparecido um monte de puxa-saco do governo tentando justificar a desvalorização do câmbio. Felizmente por aqui, o ambiente é muito melhor, e comentários e ataques são respondidos à altura.
  • Artista Estatizado  16/02/2020 16:46
    Análise perfeita. O Rodrigo Constantino mesmo está defendendo isso com base no fato de que o BC "tem metas de inflação", e portanto não há outra alternativa senão marretar os juros para baixo para impedir a inflação de ser muito baixa, o que acaba afetando o câmbio. Ou seja, as commodities em queda e não podemos ter a chance de tirar proveito disso. Precisamos de pelo menos um pouco de inflação.

    É terrivelmente desolador ver esse tipo de "liberal", que não é fiel a princípios.
  • Tiago Voltaire  17/02/2020 12:04
    Os liberais são xingados dia e noite pelos "conservadores" brasileiros, mas continuam puxando o saco de um governo terrivelmente desastroso. Envergonho-me de ser liberal em tais tempos.
  • Drink coke  17/02/2020 15:01
    Conservadores no brasil não existe. O que se chama de conservadores são um bando de anti-petistas que gostam de Olavo de carvalho. Não possuem uma ideologia exatamente, se você conversar com 2 conservadores verá 2 visões diferentes sobre política e economia, com exceção de 1 ponto, ambos odeiam o PT.

    É verdade que nós liberais também não gostamos do PT, porém é por causa dos objetivos do PT conflitarem com nossos principios filosóficos. Já os conservadores odeiam o PT por apenas odiar mesmo. Muita coisa que o PT fez e criticavam, o Bolsonaro está fazendo e hoje aplaudem.
  • Sideshow Bob  15/02/2020 18:53
    Simples: estamos confusos se o governo deve intervir no valor do dólar ou não.

    Já vi liberal dizer que sim. (?!?)
  • Vladimir  15/02/2020 23:56
    Não existe isso de "intervir no valor do dólar". Dólar é uma moeda mundial emitida pelos EUA, não tem como o governo brasileiro intervir no valor do dólar. Seria o mesmo que dizer que o governo da Argentina tem como "intervir no valor do real".

    O que está em discussão são duas coisas:

    1) deve o Ministro da Economia ficar falando em público que "dólar caro é bom" e com isso desvalorizar o real (por meio do mecanismo descrito aqui e aqui)?

    Pronto. Essa é a questão crucial. Tudo começa por ela. É ela que tem de ser respondida. Sem que ela seja respondida, nada vai adiante.

    Uma vez estando ela respondida, passamos ao segundo ponto:

    2) deve o Banco Central ficar fazendo reduções desnecessárias e atabalhoadas de juros, as quais claramente não mais têm qualquer efeito expansivo sobre a economia, mas que ajudam a desvalorizar ainda mais a moeda?

    Falando mais especificamente: a redução da Selic de 6,50% para 4,25% levou o dólar de R$ 3,71 para R$ 4,30, sem qualquer alteração perceptível sobre a atividade econômica. Qual o problema em reconhecer que tal medida foi errada?

    Essas são as duas perguntas cruciais. Quando elas forem respondidas, passamos às próximas.
  • Sideshow Bob  16/02/2020 12:40
    Que preciosismo hein.

    Obviamente eu estava falando das intervenções do BC pra afetar a cotação.

    Mas agora desenhei melhor.
  • Mr Citan  17/02/2020 14:26
    "Não existe isso de 'intervir no valor do dólar'".
    Como não?
    Temos uma casa da moeda que imprime dinheiro, então o plano é faze-la imprimir Euros e Dólares.
    Com isto o Dólar e o Euro se desvalorizam, e o Real se fortalece.

    Stonks! ?
  • Maurício  15/02/2020 01:53
    Concordo em gênero,número e grau com o artigo,moeda forte é mil vezes melhor do que moeda fraca,mas para termos uma moeda forte é preciso termos um estado enxuto e só com reformas para alcançarmos tal intento e manter governos liberais no Planalto,chega de sociais-democratas,enfim chega destes vermes vermelhos que prometem o céu e entregam o inferno,enfim confio nesta equipe econômica(Não temos outra opção)apesar dos seus equívocos(Moeda fraca no presente),lembrando que Meirelles entregava moeda forte,mas com um estado na uti(Inchado e perdulário desde FHC),portanto Paulo Guedes no presente está entregando uma moeda fraca com um estado saindo da uti(Reformas e privatizações)apesar de alguns congressistas fisiológicos encherem o saco.,aguardemos até que essa tempestade passe e possamos saborear períodos de bonança.
  • Confuso  15/02/2020 22:08
    Bom, então Paulo Guedes é burro e acha que moeda fraca fortalece a economia. É nisso que acreditamos? Que ele é burro? Peraí, tem caroço nesse angú. O cara é velhaco. Não é possível que todos saibam que dólar alto e moeda instável são ruins, exceto ele.
  • baked georgia  25/02/2020 21:27
    sem contar os tais impostos sobre o "pecado" que ele sugeriu umas semanas atrás. e ainda usando de justificativa os países sociais-democratas europeus! tudo imposto que atinge diretamente ao povo. e o pior é ver uns moralistas defendendo, mal sabendo que caso uma bizarrice dessas passa, logo chegaria impostos sobre carne, gordura, sal, açúcar, gasolina, etc.
    ou seja, iriamos viver estilo como os esquerdistas gostariam, só que fazendo arminha com a mão.
  • Lucas BS  15/02/2020 22:58
    Seria bom incluir umas estatísticas.

    Por exemplo: quantas empresas exportam e quantas não exportam.
    Obviamente, uma minoria exporta. Se a lógica estatista estivesse certa, somente alguns poucos seriam beneficiados em detrimento da maioria.

    Mesmo que se considere toda a cadeia de "beneficiados" abaixo dos que exportam, ainda assim é parcela ínfima
  • Luiz  16/02/2020 19:23
    "Nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que são altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc."

    Mas o Japão mantém o câmbio fixo em 0,0091 dólares para 1 iene, o que explica isso?
  • Humberto  16/02/2020 22:18
    De novo? Pela quinta vez a mesma pergunta? Sem problemas. É só copiar e colar a resposta já dada.

    Não confunda alto valor nominal das cédulas de uma moeda com moeda fraca. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, essa é uma confusão bastante comum: o alto valor nominal das cédulas de uma moeda diz muito sobre o seu passado, mas não sobre seu presente.

    O alto valor nominal das cédulas do iene, por exemplo, se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

    Vale lembrar que, ao passo que o real é de 1994, o iene é de 1871 (123 anos mais velha que o real). Já o peso chileno é de 1975, mas passou por uma severa hiperinflação durante toda a década de 1970.

    No caso do Japão, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 350 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente. Hoje, um dólar comprava apenas 109 ienes. Isso dá uma apreciação total de 221% do iene.

    Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

    É isso o que você tem de olhar, e não simplesmente o valor nominal das cédulas. Nesse aspecto (alto valor nominal das cédulas), dificilmente alguém bate o Japão. E, no entanto, o país tem uma moeda forte e inflação de preços zero.


    P.S.: não há câmbio fixo no Japão. Ao contrário: o iene se valorizou em relação ao dólar. Informe-se melhor.
  • Tiago Voltaire  17/02/2020 12:00
    Excelente resposta, Humberto.
  • Mr Citan  04/03/2020 15:47
    "Hoje, um dólar comprava apenas 109 ienes."

    E só não vale menos ainda, porque o Shinzo Abe teve a "brlihante idéia" de mexer com o Iene, pois um Iene desvalorizado geraria inflação, e inflação era bom, pois o Japão tava com uns bons anos de moeda valorizada e constante DEFLAÇÃO.
    Ou seja, negada japa tava com moeda forte e preços estáveis, e o Governo do PM Abe não via com bons olhos, e queria uma infalção de 2% para esquentar a economia.
    WTF!

    Essa idéia de jerico, que acabou até mesmo com a independência do Banco Central Japonês, foi chamada de "Abenomics".

    Lembro que antes dessa abominação chamada "Abenomics", a cotação em Out/2012 valia por vota de 1US$ = 80 Ienes.

    Resultado: O pobre (precisamente as mães solteiras) tiveram que se virar com 2 empregos, e os freeters ("nego que só vive de bicos") só aumentaram.
    Sem contar a saída do Citibank em terras nipônicas.
  • João Paulo  16/02/2020 20:16
    Leandro, por que dizem por aí, em alguns jornais, que o real desvalorizado ajuda o governo a equilibrar as contas? Ou é outro mito divulgado pela mídia?
  • Intruso  16/02/2020 22:16
    Nunca explicaram a mágica por trás deste raciocínio. Uns dizem que é porque aprecia a valor das reservas internacionais, o que não faz nenhum sentido em termos de déficit fiscal do governo (pelo óbvio motivo de que reservas internacionais não são utilizadas para abater dívida).

    Outros dizem — e aí até faz mais sentido — que a desvalorização da moeda ajuda o devedor (governo) e prejudica o credor (poupadores que emprestam para o governo). Mas isso não vale para títulos atrelados à inflação, que existem exatamente para corrigir isso.

    Portanto, na melhor das hipóteses, você pode dizer que quanto mais deturpada ficou a moeda, mais fácil é para o devedor quitar suas dívidas (afinal, ele irá pagar a dívida em um moeda com poder de compra menor do que tinha quando pegou o empréstimo). Mas isso, como explicado acima, nem mais faz sentido, por causa dos títulos atrelados à inflação.