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Por que a 'melhor década' em termos de criação de riqueza foi também a que gerou maior desigualdade
Uma obviedade: quanto maior a riqueza criada, maior o prêmio para os inovadores

Voltemos ao ano de 2010. Naquela época, você ainda tinha de gesticular com a mão para conseguir um meio de transporte particular — ou seja, um táxi. Mas não havia muitos à sua disposição. Com efeito, várias diversões noturnas dependiam exclusivamente de se você seria capaz de encontrar algum táxi para a sua volta.

Sempre que conseguia encontrar algum, você vibrava como a conquista de um título.

Para quem morava nas grandes cidades, ou então em uma vizinhança mais afastada, a frustração era muito mais frequente do que a alegria. A escassez de táxis costumava ser uma fonte de enorme desapontamento, o que nunca acabava bem, e poderia perfeitamente arruinar a sua diversão.

E isso era um fenômeno mundial. Os nova-iorquinos eram conhecidos por terem desenvolvido um truque: eles mantinham malas vazias em seus escritórios como uma isca para, ao fim do expediente, conseguirem algum táxi quando estava chovendo (ou até mesmo quando fazia um belo dia de sol). Motivo: a bagagem criava a impressão de que o passageiro estava indo para o aeroporto, e a tarifa nesse caso seria maior. Mesmo em Washington, D.C., povoada por poderosos, a proximidade de ruas mais fartamente atendidas por táxis costumava ser um fator na escolha de residências.

Desnecessário dizer que, nas áreas mais pobres de qualquer cidade do mundo, acesso a táxis era totalmente inexistente.

Hoje, as pessoas simplesmente clicam em um ícone de aplicativo em seus smartphones, e um motorista particular surge. Normalmente, não leva mais do que cinco minutos.

Por falar em smartphones, de acordo com uma recente reportagem do jornal The Washington Post, a posse global deste aparelho, em 2019, era de "apenas" 67%. O 'apenas' está entre aspas simplesmente porque alguns especialistas em tecnologia haviam previstos que a posse seria universal em 2020. Ainda assim, 67% representa um milagre. Se o leitor duvida disso, basta apenas que ele reveja um comercial estrelado pelo grande ator cômico Rob Huebel, do início dos anos 2000. Naquela época, o uso ostentoso de celulares (smartphones eram apenas um conceito futurístico) em público era visto como algo elitista e espalhafatoso, um sinal de uma pessoa insegura que quer mostrar sua riqueza.

Por falar em comunicação, o colunista Richard Rahn, do jornal The Washington Times, recordou-se no início deste ano de uma colega de trabalho, oriunda da Ucrânia, que, 25 anos atrás, tinha de pagar US$ 2,50 por minuto nas ligações telefônicas que fazia para seus familiares que ainda moram naquele país. Já hoje "ela pode fazer esta mesma ligação praticamente a custo zero" por meio do FaceTime, do WhatsApp ou do Skype. E o melhor: dá para conversar vendo a pessoa.

O colunista também acrescenta que, ao passo que eram necessárias 171 horas de trabalho para um assalariado médio americano ter um salário suficiente comprar uma passagem em um voo transatlântico em 1970, hoje são necessárias apenas 23 horas de trabalho para este mesmo assalariado ter o dinheiro para comprar a mesma passagem. 

Faltou apenas ao excelente colunista acrescentar que, na década de 1970, muito poucas pessoas podiam se dar ao luxo de direcionar 171 horas de trabalho assalariado para frivolidades como voos transatlânticos, e muito menos para voos domésticos. Caso o leitor tenha se esquecido, naquela época (50 anos atrás), as necessidades básicas da vida consumiam boa parte do salário do cidadão comum — pois bens e serviços básicos eram incomparavelmente mais caros do que hoje, em termos de horas de trabalho assalariado necessárias para adquiri-los —, ao passo que, hoje, os aeroportos estão lotados de pessoas de todas as classes de renda voando nacional e internacionalmente. 

E estas pessoas estão invariavelmente conversando ou teclando em smartphones ou notebooks, algo que seria inconcebível no início da década de 1970.

Mais riqueza sempre vem acompanhada de mais desigualdade 

Tudo isso acima, e muito mais, veio à minha mente ao me deparar com a enxurrada de colunas e reportagens publicadas na mídia com o intuito de celebrar e comentar os anos 2010. Dentre outras coisas, foi dito que os anos 2010 não tiveram recessões — ao menos não nos países desenvolvidos, mais notadamente nos EUA —, que o progresso tecnológico foi marcante e inaudito, e que, em termos de qualidade de vida (de novo, nos países desenvolvidos), foi a melhor década da história.

No entanto, em praticamente todas as colunas e reportagens, o mesmo alarme era soado: o mundo enriqueceu, mas a desigualdade também aumentou e bateu recordes.

O que é realmente estranho é que esta correlação não tenha sido entendida. Tendo sido a melhor década da história, não deveria ser surpresa nenhuma que a desigualdade de riqueza tenha aumentado em meio a esta prosperidade. Afinal, ambas as coisas estão integralmente relacionadas.

Quando indivíduos estão prosperando, suas vidas cotidianas logicamente se tornam cada vez melhores: há mais conforto, mais abundância e maior facilidade de se obter as coisas. Ao mesmo tempo, nunca é demais relembrar que, em sociedades livres, o aumento da riqueza geral da população é quase sempre uma consequência de empreendedores que souberam satisfazer as necessidades dos consumidores de maneiras inovadoras e geniais — e frequentemente souberam satisfazer necessidades que os consumidores nem sabiam que tinham (apenas releia os parágrafos dos táxis).

Como a história sobre a riqueza no mundo sempre deixou bastante claro, em economias de mercado, indivíduos se tornam ricos majoritariamente à medida que suas inovações melhoram o padrão de vida de todas as classes sociais. Eles só podem enriquecer — o que aumenta a desigualdade de renda — se conseguirem satisfazer as necessidades daquela maioria que não é rica.

Por isso, é espantoso ler economistas progressistas lançando invectivas contra a riqueza. O economista keynesiano Robert Samuelson, em sua coluna no The Washington Post, lamentou a "prosperidade assimétrica", e, ao fazê-lo, demonstrou não saber quão essencial uma riqueza assimétrica é para o bem-estar de uma sociedade livre: quando a desigualdade de riqueza está aumentando, é como se todos nós passássemos a ser vizinhos de Jeff Bezos, e de outros como ele.

No passado, limitações tecnológicas significavam que havia limites ao tanto que os trabalhadores do mundo podiam se beneficiar do brilhantismo dos poucos e geniais empreendedores que existiam no mundo — consequentemente, havia limites ao tanto que os trabalhadores podiam usufruir as abundâncias e riquezas do mundo. 

Para ficarmos em um exemplo bem paroquial, os americanos da costa lesta que iam fazer turismo na costa oeste dos EUA costumavam aproveitar a oportunidade para beber a cerveja Coors, pois ela era uma raridade disponível apenas naquela região. Até então, a Coors era apenas uma marca regional atendendo às necessidades dos americanos da costa oeste. No entanto, com um forte aprimoramento nas técnicas de distribuição, as quais melhoram dia após dia, a Coors já se tornou uma marca nacional, cada vez mais sendo encontrada onde quer que haja amantes de cerveja. 

Ou então pensemos em Jeff Bezos. Qual seria a diferença se ele fosse o homem mais rico do mundo em 1970 em vez de hoje? Sua genialidade certamente seria visível, ele teria elevado enormemente os padrões da vida da população de então, e com certeza ele estaria nas capaz das principais revistas do mundo. Mas ele certamente seria muito menos rico comparativamente ao que é hoje. Ao passo que boa parte do mundo estaria familiarizada com ele, poucos indivíduos seriam diretamente afetados por sua genialidade.

Por quê? Será que o mundo de 1970 era tão "mais justo e igualitário", que a riqueza era mais igualmente dividida? 

Com efeito, o mundo de 1970 era muito menos justo do que é hoje: a tecnologia de então, relativamente primitiva, impossibilitava que alguém possuidor do brilhantismo de Bezos fosse capaz de atender às necessidades das pessoas. Com a tecnologia de então, era impossível atender a um número exponencialmente crescente de pessoas.

Indo direto ao ponto: não havia internet na década de 1970, o que tornava impossível para alguém com acesso a um computador poder comprar as abundâncias do mundo. Mesmo um indivíduo que à época fosse considerado rico não tinha muitas alternativas — certamente, não tanto quanto tem hoje uma pessoa de classe média. Não apenas alguém com alta renda não podia aproveitá-la ao seu máximo potencial em 1970, como também simplesmente não havia muitas maneiras distintas de se adquirir bens e serviços naquela época.

Agora, voltemos ao presente. Aquilo que era inexistente em 1970 é hoje universal. Jamais se esqueça de que os computadores originais custavam mais de US$ 1 milhão na década de 1960, e nos anos 1970 ainda eram vistos como excessivamente caros em relação a todas as demais tecnologias existentes. Mas graças à proliferação de computadores pessoais — criações estas que resultaram no surgimento de empreendedores multimilionários e bilionários —, Jeff Bezos teve a oportunidade de criar um empreendimento global (Amazon) voltado para a compra e o envio de mercadorias, empreendimento este que qualquer cidadão comum se tornou apto a acessar por meio de seus computadores pessoais. 

Uma revolução nas comunicações — que similarmente gerou vários bilionários — possibilitou a indivíduos comuns em posse de computadores comprarem bens e serviços da Amazon estando em qualquer lugar do mundo.

E isso, por sua vez, transformou o dono da Amazon possivelmente no primeiro multibilionário do mundo.

Pensando em tudo isso pelo prisma do Bezos de hoje em relação ao hipotético Bezos de 1970, ele é exponencialmente mais rico hoje porque ele foi capaz de servir exponencialmente mais pessoas de uma maneira exponencialmente mais efetiva e eficaz. Bezos não confiscou a riqueza de ninguém; ao contrário, ele criou riqueza. O avanço tecnológico tornou tudo isso possível. Foi exatamente por ser capaz de servir, de forma barata, aos desejos de todos os consumidores do planeta desde sua base em Seattle, sem que a Amazon tenha uma presença física na maior parte do globo, que Bezos criou valor para as pessoas e, consequentemente, enriqueceu. Ao enriquecer, aumentou a desigualdade entre nós e ele.

Décadas atrás, a genialidade de Bezos estaria confinada ao noroeste dos Estados Unidos. Hoje, grande parte do planeta pode usufruir seu talento e se beneficiar dele. O mesmo raciocínio vale para todas as empresas de tecnologia.

O que vem pela frente

Quando se analisa friamente, não há nada de surpreendente no fato de que a desigualdade aumentou nos últimos dez anos. Trata-se de um fenômeno lógico: quanto maior a expansão da tecnologia e do comércio, maior a criação de riqueza, e maior a recompensa para aqueles que possibilitaram tudo isso.

O que é realmente importante é que esse aumento da desigualdade foi um efeito feliz e lógico de um avanço tecnológico e de um aumento no comércio global. Graças aos avanços nas comunicações, os mais talentosos empreendedores de hoje podem servir praticamente a todo o planeta e, com isso, enriquecerem. 

Com a proliferação da tecnologia e com o aprimoramento do comércio, o mundo encolheu, e as chances de mentes empreendedoras geniais servirem aos desejos do mundo aumentaram exponencialmente. E as chances destas mentes geniais se tornarem impressionantemente ricas cresceu em simultâneo. Ao enriquecerem, tais pessoas também melhoram nosso padrão de vida e nos enriquecem. Elas enriquecem mais, é fato; mas nós também enriquecemos. A riqueza foi criada; ela não foi confiscada e nem subtraída.

O aumento da desigualdade que tanto aborrece os progressistas é, com efeito, o maior inimigo que a pobreza já encontrou. Essa desigualdade fez com que a diferença de estilo de vida de pobres e ricos tenha diminuído.

E este é o segredo: concentre-se na diferença de estilos de vida, e não na diferença de riqueza. Ao passo que a segunda pode ter aumentado, a primeira encolheu substantivamente.

Ainda mais incrível é o que nos espera no futuro. Dizem que a tecnologia 5G levará ao surgimento de empresas e serviços nunca antes imaginados. Tais empreendimentos serão crescentemente operados por "robôs", de modo que um empreendedor nos pontos mais remotos do mundo será capaz de, com eficácia, atender às demandas de todas as classes de renda a milhares de quilômetros de distância nas cidades mais densamente povoadas do mundo. Se as mudanças tecnológicas que ocorreram nos anos 2010 assombraram você, imagine o que irá surgir nos anos 2020 e além.

O ponto crucial aqui é que, à medida que o mundo vai sendo encolhido cada vez mais, em um sentido figurado, pela tecnologia, a quantidade de riqueza criada por essa tecnologia promete alcançar níveis que hoje parecem insondáveis. Os Jeff Bezos que existirão daqui a cinquenta anos farão com que o de hoje seja relativamente pobre em comparação. As décadas futuras farão com que a recém-terminada "melhor década da história" pareça trivial e antiquada.

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Leia também:

Estamos mais ricos e melhores do que imaginamos - mas as estatísticas não capturam isso

Como a desigualdade de riqueza acaba reduzindo a pobreza



  • Victor  28/01/2020 04:04
    Essa sina da por equidade (é o que atualmente, na realidade, os progressistas desejam...tratamento diferente aos diferente...é diferente de igualdade) é derivada de algum moralismo? (assim como a meritocracia..."não é o mérito, é o valor que se cria)

    Na injustiça, imagino que a ausência dela cria um "ressentimento" (naturalmente, nenhum homem aceita qualquer injustiça contra si próprio, independentemente de qualquer razão) que gera um conflito o qual pode colocar "o injusto" na posição de "injustiçado"e o "injustiçado" na posição de injusto e, enfim, gerar mais conflitos desta ordem que, possivelmente, afetarão integralmente a sociedade .Então, é necessário eliminar qualquer tipo de injustiça para que não tenhamos os destrutivos conflitos e para que não sejamos os próximos injustiçados...É isso?

    A meritocracia é uma crença e impor isso a uma pessoa é uma agressão (restrição da liberdade de escolha) que causará aquele "ressentimento" (mais lógico quando a pessoa tem "o poder da escolha") que termina "naquele conflito". Quando somos "os que serão escolhidos", não necessariamente adotaremos "a nossa demonstração de competência" como critério: cada um mostrará as suas qualidades que nem sempre estarão relacionadas com trabalho (são várias que cada um pode se sentir "o merecedor" por qualquer coisa que tenha em diferencial...competência, amizade...belas pernas...tudo gera conflito). Porém, geralmente, pensamos que a meritocracia é o melhor critério (principalmente em concursos públicos ou qualquer competição desse tipo, como a briga por uma vaga no time da rua)...Por quê? Qual é o fundamento?
  • Daniel  28/01/2020 17:13
    Não. Essa sina de "equidade" nada mais é do que a vontade totalitária de tratar diferentemente pessoas iguais.

    Eu sou igual a você. Mas se você, por meio de sua competência e preparo, vai mais longe do que eu, então isso é tido como "injusto", de modo que a 'justiça" seria você ser tolhido e ter sua renda confiscada apenas para ficar parado no mesmo nível que eu.

    É isso, e apenas isso, o que essas pessoas querem. Sem tirar nem pôr. Não estou inventando, não. Apenas veja o discurso delas. É explicitamente isso o que elas defendem.
  • Victor  28/01/2020 23:28
    Esse tal de "ressentimento que pode gerar conflitos" parece ser a base de "todos os direitos e deveres" que cada ser humano tem. Os direitos e os deveres servem para administrar esses conflitos (que não são bons e nem ruins)..."Por que eu tenho direito à propriedade? - Porque sim, a priori"- isso não parece ser uma resposta...."por que os animais não devem ser comidos?"-"por que eles sentem dor e isso é ruim"- não é uma resposta também
  • Alfredo  29/01/2020 01:07
    "Por que eu tenho direito à propriedade? - Porque sim, a priori"- isso não parece ser uma resposta….

    Ou é ignorância ou é calúnia.

    As pessoas têm o direito de não serem assassinadas, de não terem sua propriedade confiscada e de não terem sua liberdade empreendedorial tolhida pelo simples motivo de que, caso um ou todos estes direitos forem abolidos, a humanidade estará extinta no dia seguinte.

    Se você perde o direito de não ser assassinado, todos podem passar a matar a todos os outros. A humanidade acaba.

    Se você perde o direito de não ter sua propriedade confiscada, ninguém mais trabalha e produz, pois tudo o que ganhar poderá ser normalmente roubado. Para que trabalhar se não poderá usufruir os frutos do trabalho? Para que produzir se eu posso simplesmente roubar de quem produz? Sem propriedade não há nem trabalho e nem produção. E sem trabalho e produção a humanidade acaba amanhã.

    Se você perde o direito à livre iniciativa, ninguém mais trabalha e nem produz. A humanidade acaba amanhã.

    Tudo isso acima é tão constrangedoramente óbvio, que qualquer criança consegue entender. Já um adulto ideologizado, ah, esse é mais difícil mesmo. É quase que um caso perdido.
  • Drink coke  28/01/2020 11:18
    A preocupação com a desigualdade é sempre com quem está acima de nós, pergunte ao trabalhador americano (ou mesmo o brasileiro) se ele está disposto a nivelar riqueza dele com os africanos, obviamente não ele, o interesse dele é nivelar com os ricos de wall street, porém pouco entende que ao fazer isso a longo prazo a formação de riqueza será destruída e desestimulada, e sua condição de vida ficará pior do que antes.
  • Carlos  28/01/2020 17:16
    Na verdade, o genuíno trabalhador nunca pensou nisso. Trata-se de uma classe social inerentemente conservadora. O genuíno trabalhador quer apenas melhorar sua vida e de sua família. Ele não tem arroubos revolucionários e nem muito menos homicidas. Quer apenas paz, tranquilidade e um arranjo no qual possa prosperar.

    Quem quer revolução, baderna e morte dos ricos é a esquerda progressista, exatamente a classe que nunca trabalhou na vida — e que por isso mesmo quer ter benesses com os recursos confiscados de terceiros.
  • 300esparta  28/01/2020 11:20
    Isso nada mais é que o princípio de Pareto ou a parábola dos talentos de Mateus na Bíblia.


    Cientificamente provado e "religiosamente" comprovado.

  • Vilfredo  28/01/2020 17:31
    Correto. A Lei de Pareto, aliás, nunca foi refutada.

    Foi ainda no final do século XIX que Vilfredo Pareto estudou a distribuição de riqueza em várias nações europeias. Ele descobriu que aproximadamente 20% da população detinha 80% do valor do capital de uma nação. Após essa descoberta, ele decidiu aplicar o raciocínio até o topo da pirâmide.??Se 20% da população detém 80% do valor do capital de uma nação, então 4% (20% de 20%) detém 64% (80% de 80%) do valor do capital. Isso de fato se mostrou verdadeiro.

    E prosseguiu. Se 4% detém 64%, então aproximadamente 1% (20% de 4%) deverá deter aproximadamente 50% (80% de 64%). E isso também se comprovou verdadeiro. 

    Portanto, 1% deter aproximadamente 50% da riqueza mundial (ou de uma nação) é um fenômeno que já havia sido previsto por Pareto ainda no século XIX.

    Um grande número de estudos subsequentes indica que essa mesma distribuição se aplica para todas as sociedades estudadas. Não importa se os países eram nações pré-social-democratas (antes de 1900), nem a localização geográfica ou quão socialistas eles são. A mesma distribuição existe.?

    ?Aliás, o que é realmente perturbador é que a regra 20-80 de Pareto se aplica a todos os tipos de estatísticas institucionais que pouco têm a ver com distribuição de riqueza.??Aproximadamente 20% do efetivo de uma força policial faz 80% das prisões. Aproximadamente 20% de uma determinada classe social consome 80% dos produtos destinados àquela classe. Aproximadamente 20% de um grupo faz 80% do trabalho. Aproximadamente 20% da população é responsável por 80% de toda a produção econômica. Aproximadamente 20% daqueles que assinaram uma revista renovam a assinatura ao final do primeiro ano. Aproximadamente 20% dos que recebem uma e-letter gratuita de fato a lêem. E por aí vai.??

    Ou seja, pessoas que se assustam com a "descoberta" da Oxfam ou com as estatísticas de desigualdade de renda estão na realidade protestando contra algo que, longe de ser uma novidade, é uma proporção há muito já estabelecida pela natureza.
  • Carlos Lima  28/01/2020 11:40
    essa discussão eterna sobre desigualdade me aborrece. não temos chance de vence-la, porque as pessoas que estão do outro lado, simplesmente foram domesticadas pra repetirem chavões tipo "aumento de riqueza de alguns provoca pobreza de milhões", sem apresentarem argumentos comprobatórios do fato. são fracassados, invejosos, intelectualmente desonestos, e hipócritas. com certeza adorariam ser um desses milionários que criticam. desconfio que na mais tenra idade foram alimentados com capim de péssima qualidade, o que demonstra o fato de serem tão sensíveis quanto uma porta, ao ouvirem nossos argumentos. ou seja, tranquilamente fazem de conta que as evidências não existem. eu já estou num nível de intolerância tão grande, com esse povo, que se o assunto for pobreza vs. desigualdade, vou logo me retirando. tenho estômago sensível, e acho super desagradável ter que vomitar em cima de idiotas, em público, e o tempo todo.
  • JT  28/01/2020 17:21
    Sim, a base de tudo é a inveja. Mas não teria com ser diferente, dado que a inveja passou a ser uma espécie de política publica estimulada diuturnamente pela mídia, pelas redes sociais, pelas universidades, pelo cinema etc.

    Qual foi a última vez que você ouviu um sermão contra a inveja nos meios de comunicação? Quando foi que você observou alguma figura da grande mídia casualmente reconhecer os malefícios deste sentimento?

    A condenação da inveja como uma força motivacional que leva à destruição da vida e da propriedade praticamente desapareceu da nossa cultura. Isso provavelmente se deve ao fato de que grande parte das políticas públicas de hoje se baseiam na inveja, dependem dela e, acima de tudo, a estimulam.

    Aquele sentimento que já foi um dos sete "pecados capitais" está hoje completamente arraigado em nosso espírito público.

    Qualquer um que tenha lido ou ouvido os discursos das autoridades venezuelanas perceberá que há um tema onipresente: a condenação da riqueza e a recorrência ao rancor e à inveja como política pública.

    Com efeito, o mesmo fenômeno aconteceu durante a Revolução Cubana: todas as políticas destrutivas implantadas pelo governo cubano foram fundamentadas no explícito sentimento da inveja à riqueza alheia.
  • Jorge  28/01/2020 18:23
    Quando a inveja estimula o sujeito a correr atrás de seus objetivos, a melhorar sua situação, e a se aproximar de seus "ídolos invejados", ela é boa. Quando estimula a roubar, a tolher e a confiscar, ela é ruim. O que diferencia uma da outra é a pessoa ter a moral pessoal de não defender o que é errado, e apenas produzir visando a satisfazer terceiros.
  • Pedro L.  29/01/2020 01:28
    Não é preciso ser douto em economia - nem mesmo fazer análises com exuberante acurácia - para perceber os imensuráveis benefícios gerados pelo mercado ao longo da história. Isto é tão óbvio que chego a crer que muitos esquerdistas realmente sabem disso, mas continuam acreditando apenas na demagogia como forma de angariar votos para aqueles políticos que defendem sua agenda (toda ela baseada na inveja e no recalque) de maneira mais rápida e lucrativa.
  • Imperion  30/01/2020 01:07
    Nem na igreja se prega mais contra esse pecado, que é a inveja. Agora se subverte o conceito de caridade: se vc não dá o que tem, vc não tem caridade. Agora o outro lado colaborar tb com a sociedade, para pelo menos receber por merecimento, não existe. Cria-se pessoas que acham que podem, que tem direito a receber benefícios somente porque estão vivas. E não são elas que produzem pra pagar esses benefícios.
  • vinicius nunes cardoso de siqueira  28/01/2020 12:00
    Legal parabéns , bela explicaçâo !!!
  • Consagrado  28/01/2020 13:19
    Ótimo texto.
  • Yan  28/01/2020 13:26
    Bom dia!! Sei que não tem nada a ver com o artigo, mas existe algo falando sobre as consequencias do estabelecimento de um teto para os títulos americanos (nova proposta do FED)? Caso não exista, alguém saberia me informar? Estou meio perdido com o que isso poderia acarretar.
  • Pobre Mineiro  28/01/2020 15:27
    Lembrando que no verdadeiro capitalismo, a riqueza não é dinástica.

    Idéias bem sucedidas são inevitavelmente copiadas, logo a concorrência entra com tudo.

    É exatamente nesse ponto, que os bilionários vão correndo para o aparato estatal, para
    proibir a entrada de novos concorrentes no seu modelo de negócios, isso sempre usando
    as desculpas mais estapafúrdias.
  • Thiago  28/01/2020 17:02
    Fantástico. Daqui pra frente, com o 5G, será a era da robótica e automação. A criação de riqueza e a abundância serão ainda maiores, junto com as facilidades e velocidades de transporte.

    Maior inimigo disso tudo? A ladainha da tal mudança climática e a tentativa de proibição de se usar fonte de energia barata.
  • Pobre Mineiro  28/01/2020 18:04
    Só que esse inimigo já está em decadência.
    Os estados, de todo o mundo, irão desaparecer.

    youtu.be/OArT_8-rqPs
  • Help  28/01/2020 22:36
    Alguem manja de algum site sobre dicas em investimentos de renda variaveis em geral? ações, minicontratos, ouro e etc...
  • Sadib  28/01/2020 22:56
    Estava pensando nesse tema, e nessas falácias sobre desigualdade depois de ler esses artigos:

    www.cbsnews.com/news/millennials-have-just-3-of-us-wealth-boomers-at-their-age-had-21/
    www.cbsnews.com/news/millennials-are-much-poorer-than-their-parents-data-show/

    Ele menciona que hoje os millennials, que são 25% da população, detêm "apena"s 3% da riqueza dos EUA. Em comparação, a geração X detinha - com a mesma idade na época - 6% do total da riqueza, e esse percentual era de 21% no caso dos "baby boomers".

    Falar de percentual pode ser enganoso, como mencionado nesse artigo do Mises, e isso não significa por si só que os millennials tenham uma vida miserável, ou muito mais pobre do que as antigas gerações.

    "Melhor ter 10% de 1 bilhão, do que ter 50% de 1 mil."

    Até ai nada de diferente.

    O que me deixou na dúvida, foi sobre o dado também citado que os millennials tem hoje o dobro de dívida para empréstimo estudantil que a geração X (com a mesma idade na época), e possuem um patrimônio liquido 40% menor do que essa geração (também quando a geração X tinha essa mesma idade que o millennials tem hoje).

    Alguém de vocês já ouvir falar sobre essa maior "pobreza" dos millenials? Isso faz algum sentido?
  • Guilherme  28/01/2020 23:24
    Consequência inevitável da intervenção estatal. O governo federal passou a conceder empréstimos subsidiados para estudantes universitários pagarem suas mensalidades.

    Qual a consequência? A óbvia e inevitável: as universidades, vendo agora uma demanda crescente e com dinheiro fácil garantido pelo governo federal, aumentaram as mensalidades. Quanto mais o governo concedia empréstimos subsidiados para os estudantes, mais os idiotas se endividavam para fazer cursos de filosofia e sociologia, e mais as universidades subiam os preços (questão básica de oferta e demanda).

    E aí, uma vez formados em áreas para as quais não há nenhuma demanda (basicamente ciências humanas), não conseguem emprego (pois não sabem criar valor), e aí ficam endividadas para a vida inteira.

    Até a década de 1980, era comum o sujeito trabalhar nas férias de verão e com o dinheiro pagar sua universidade. Era uma vida dura, mas totalmente possível. Hoje, o governo entrou em cena e alterou os incentivos. Agora, os idiotas se endividam, não trabalham no verão (pois conseguem dinheiro fácil do governo), cursam história das artes, e agora estão endividados sem ter como quitar suas dívidas.

    Não há mágica em economia.
  • Felipe L.  29/01/2020 13:32
    Guilherme, sério isso? Tem dados sobre? Acho que fica como um bom tema para um próximo artigo que eu vá escrever para o meu blog.

    Dos EUA, eu já vi um rapaz falando que com trabalho de verão nas férias, décadas atrás, ele conseguia pagar o ano todo na Universidade de Harvard (já é chamado de tuition). Não duvido muito, visto que os custos explodiram com esse monte de porcaria de programa e subsídio, além das regulações sobre profissões.
  • Sadib  29/01/2020 20:00
    Felipe, não sei exatamente quais dados você está procurando, mas é mencionado aqui um estudo do New York Federal Reserve Bank que a cada 1 dólar investido em programas de empréstimo estudantil, o valor de algumas universidades (tuition) aumentou - foi inflacionado - em até 65 centavos. Veja se é isso que procura.

    www.forbes.com/sites/ccap/2015/07/21/the-bennett-hypothesis-confirmed-again/#732b2370794a
  • Imperion  29/01/2020 22:45
    E a propaganda é que o gov ta "dando" educação. Tao se endividando em cursos inuteis somente pela falácia de que tem que ter diploma. Dae querem que o gerno tb crie reserva de vagas pra esses cursos, senao ae é que esse pseudo profissionais nao trabalham mesmo.
    Igual aquele sujeito que fez o trabalho de tcc que era as maneiras de explorar o c*. Ae querem que o gov crie vagas de sociologo pra agenda progressista espalhar a igualdade, dizendo que é importante, somente pra esse.cara.ser.contratado e usar seu conhecimento do seu projeto de tcc.
    E os anseios reais da sociedade ficam pra tras. O sujeito quer que o gov crie demanda pra esses trabalhos.
  • Vitor  29/01/2020 01:08
    Frédéric Bastiat em seu livro Harmonias Econômicas já tinha explicado como o livre mercado e a livre concorrência "transformam utilidades onerosas em utilidades gratuitas".

    A transmutação dos bens da natureza em "coisas gratuitas" é exatamente o que políticos vivem prometendo, mas que, na prática, o livre mercado entrega.
  • Emerson  29/01/2020 01:29
    Sobre os celulares, lembro que no final da década de 1990 era considerado ridículo falar no celular em um coletivo:

    "Tem dinheiro para comprar um carro, mas prefere ter um celular e andar de ônibus!"
  • Barbara Maffessoni  29/01/2020 11:05
    Na verdade, é a Classe Média que mais possui estatólatras e são o grande feudo da Esquerda, em especial funcionários públicos, estudantes de Federais e consumistas caloteiros (o quais, obviamente prejudicam os empreendedores, quando não pagam os serviços destes), acontece que eles não defendem esse arranjo por convicção, mas sim por conta de uma lógica bem mais desonesta e egoísta: Eles lucram com esse arranjo, então é óbvio que não irão querer perder a teta, a galinha dos ovos de ouro, implodir a panelinha, enfim, como queiram chamar a seita de amantes da Linguiçona do Kid Governo e eleitores gados de partidos de esquerda.

    O pobre em si, só pode ser controlado pela esquerda ou pelo estado, se ele for iletrado, tiver pouco acesso a informação, ou ser daquele irresponsável desesperado que se vende por pouca coisa.

    Enfim, é muito mais fácil um "miserável" da Classe Z deixar de ser fiel a seita do Estado, do que um cidadão de classe média defender ideias liberais ou libertárias, os partidos de esquerda são a personificação de muitas pessoas da classe média: Invejam os ricos, querem inverter eles de lugar com a classe média (Os Odebrecht, os Batista e o Senhor Eike não eram necessariamente miseráveis como um Silvio Santos ou Coronel Sanders antes de serem bilionários, eram todos de classe média alta/baixa) e desprezam totalmente os pobres, os utilizam apenas como massa de manobra porque são mais fáceis de serem enganados.

    Resumindo, sabem aquela frase do PT preferir funcionários públicos a Pobres? Ela faz total sentido se observarmos quem são os eleitores cativos e apoiadores deles: Empresários beneficiados com o Capitalismo de Compadrio do Estado e alpinistas sociais de quinta de classe média que querem se tornar o novo Bill Gates as custas do estado, como consequência, quem pune os pobres e miseráveis são justamente quem afirma que os defende: Os parasitas políticos/públicos do Estado e dos Partidos.
  • Felipe L.  29/01/2020 13:30
    Essa discussão de desigualdade é totalmente estúpida, mesmo porque geralmente quem se preocupa com desigualdade tem uma mentalidade invejosa.

    Falando nessa década (que tecnicamente acabará em 31 de dezembro de 2020), fico pensando no que o Brasil perdeu. Mais uma década perdida. Esse gráfico mostra a produtividade brasileira. A correlação entre moeda forte e aumento da produtividade é quase perfeita.

    Apesar de todo esse estrago, houve importantes avanços no mercado brasileiro, por exemplo no de carros. Mesmo com tarifas, subsídios, depenações, desvalorização da moeda e afins, em 2010 um carro de entrada com bolsas infláveis frontais e freios antitravamento de série era impensável. Carroças como o Fiat Mille (cujo projeto original é de 1984) ainda eram vendidas (o modelo exportado para os argentinos tinha motor 1,25). Motor com turbocompressor não era possível de pensar em carro de segmento do Polo.
  • Liberais bobões  29/01/2020 23:48
    Vale privatizada por 4bi hoje vale 300bi. Extração de minério, que destroi cobertura natural e gera poluentes, deixa pequena parte de lucro no Br. Irã começou se estranhar com EUA em 1950 após americanos ajudar Reino Unido a dar golpe p/ derrubar governo que havia estatizado cia que explorava petróleo no país desde 1908. Em 50 anos, Irã ficava só com 15% do lucro, enquanto estrangeiros enriqueciam com 85%. Não consigo entender que vender a vaca é solução para depois comprar 1 caixa de leite! Só na cabeça do empresários que isso é lucrativo!

    Eu não sei a ideia desse papo doutrinador que só serve para beneficiar os estrangeiros
  • … e ainda assim mais inteligentes que você  30/01/2020 00:56
    Sobre a Vale, outro dia mesmo um otário parecido com você veio trazendo o mesmíssimo argumento, e com link. Só que o próprio link dele (que traz a mesma informação que a sua), refutava o próprio argumento sujeito. Foi o mais perfeito caso de auto-humilhação já vista. E você foi para o mesmo caminho.

    Delicie-se com a resposta:

    www.mises.org.br/article/2457/por-que-e-preciso-privatizar-as-estatais--e-por-que-e-preciso-desestatizar-as-empresas-privadas#ac235760
  • Ulysses  30/01/2020 01:03
    A resposta é muito boa. Vale postar aqui:

    1) No primeiro ano pós-privatização, sem que tivesse havido qualquer alteração no preço mundial do minério, a Companhia Vale do Rio Doce registrou um lucro líquido de R$ 1,029 bilhão (US$ 851,33 milhões), um crescimento de 36,1% sobre o resultado em reais de 1997.

    2) Ou seja, com apenas um ano de privatização, o lucro líquido da empresa disparou 36%, sem que tivesse havido qualquer alteração substantiva no preço do minério de ferro!

    3) Nem o mais fervoroso privatista conseguiria imaginar um argumento tão poderoso a favor de uma privatização quanto este.

    4) Quanto ao argumento tosco da venda por US$ 3,34 bilhões (de dólares, e não de reais), vamos desenhar:

    4-a) O governo não vendeu a empresa toda simplesmente porque ele detinha apenas 27% do capital do total da empresa (e isso totalizava 42% das ações ordinárias, que dão direito a voto).

    4-b) Agora, um pouquinho de matemática básica: se 27% foram vendidos por US$ 3,34 bilhões, isso significa que toda a empresa valia US$ 12,4 bilhões. Se ela hoje vale R$ 300 bilhões, então este é mais um argumento poderoso em prol da privatização.

    5) O leilão se deu na bolsa de valores, a preço de mercado. Não teria como ações negociadas em bolsa serem vendidas a preços irrealistas. Quem fala isso nunca operou ações.

    6) Por ter sido vendida em bolsa, qualquer um poderia ter participado. Logo, quem hoje esperneia que a venda foi barata tem a obrigação de explicar por que não participou da venda. Se a empresa estava "a preço de banana", então o sujeito tinha a certeza de que a empresa iria se valorizar enormemente no futuro. Por que não montaram um consórcio e compraram ações? Era dinheiro certo. Não fizeram isso por quê? Odeiam dinheiro?

    7) Dica: sempre que você repetir em público baboseiras que leu em blogs de esquerda, sem fazer qualquer pesquisa, será humilhado. Pelo seu bem: não faça de novo este papel.
  • Rogerio Banega  30/01/2020 03:54
    Só mais um pequeno ÁS! Especialista renomado especializado em país emergente como a gente!

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/09/saul-estrin-lse-entrevista-privatizacoes-pouco-eficientes-paises-emergentes.htm

    Divirtam-se e larguem suas "ideologias" (crenças refutadas) do século XIX! Vocês não usam computador à lenha? Usam?
  • Vladimir  30/01/2020 04:10
    Essa entrevista para a qual você linkou (totalmente ideológica, mas tudo bem), apenas diz que "parcerias público-privadas" foram insatisfatórias e algumas foram desfeitas.

    Duh, mas quem é o idiota que defende parcerias público-privadas? Isso é um arranjo totalmente corporativista e anti-livre concorrência, bem ao gosto de keynesianos e social-democratas (que são os idiotas que as defendem).

    Uma parceria público-privada nada mais é do que um arranjo no qual políticos escolhem seus empresários favoritos para gerenciar um determinado setor (saneamento, por exemplo), e estes empresários, como consequência, passam a atuar em uma área totalmente protegido pelo estado contra a entrada de concorrentes, transformando-se na prática em uma reserva de mercado para essas empresas.

    Na prática, uma PPP é simplesmente isso: a criação de uma reserva de mercado, garantida pelo estado, para os empresários favoritos dos políticos.

    Estado e grandes empresas se aliam para, sob o manto de estarem realizando serviços, extorquir os cidadãos e dividir entre si o butim, dando em troca algo que lembra um pouco, com muita boa vontade, uma prestação de serviço.

    Por isso, esse arranjo é excelente para ambos os lados: os políticos recebem "agrados" das empresas que adquirem o direito de operar em um mercado fechado; e essas empresas, ao ganharem uma reserva de mercado (é proibida a entrada de concorrentes), passam a auferir lucros garantidos, sendo que a necessidade de apresentar qualidade é nula.

    No final, a PPP é um arranjo criado apenas para beneficiar aquelas empresas que têm fortes conexões com o estado, e que passam a usufruir uma reserva de mercado garantida pelo estado.

    Por isso este Instituto sempre condenou veementemente as PPPs, e já deixou claro que privatizar sem desestatizar nunca será a solução. É até alvissareiro ver que outros países do mundo perceberam essa enrascada e estão caindo fora dela.

    Como fazer com o mercado de saneamento e água? Explicado em detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=646


    P.S.: prezado Victor Quintão, uma dica: ao trocar seu nome para Rogerio Banega, troque também seu e-mail, pois ele entrega seu nome original. E deixa evidente a sua covardia. Por que está escondendo seu nome? Tudo isso é vergonha pela surra que tomou nesta seção de comentários? Seja homem e encare suas derrotas, covardão.
  • Victor Quintao  30/01/2020 16:05
    Não é covardia! É apenas o meu método de aprendizado, que eu vejo que falta nesse site:

    1) O site vem com uma tese, ok
    2)Mas não tem/não vem ninguém com uma antítese. Não vejo nenhum douto no socialismo ou no keynesianismo ou no anarcoprimitivismo e afins. O site expõe as outras ideoligias e aponta erros? Sim! Mas chega alguém para defender a ideologia exposta? Não!

    Não sinto segurança ao ler qualquer coisa como verdade absoluta
    Deveria ter um "Leandro socialista" ou um "Leandro desenvolvimentista" sempre se contrapondo

    Os sites socialistas não possuem esse espírito didático deste site ou não possuem essa possibilidade de debate

    Mudei de nome porque não partilho da ideologia desse Banega, porém, desconfio que exista algum especialista socialista/keynesiano/anarcoprimitivista que irá dinamitar a ideologia deste site (jjustamente por conhecer tão mal as outras ideologias, exceto a socialista...que vejo que é muito mais complicada do que parece)

    Você construiu um castelo ideológico que pode ser de vidro, já que pode apresentar falhas. Como que você irá detectar as falhas, para consertá-las, se voc? acha que ele está perfeito? Vai chegar um "Keynes da vida" e atirar uma pedra nesse seu castelo por causa de uma pequena falha conceitual que não foi revista.Aceitar tudo unilateralmente soa comoo doutrinação
  • João Paulo   01/02/2020 00:56
    Parece que, a cada dia, os artigos vão melhorando.
    Parabéns mais uma vez!


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