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A “exploração dos trabalhadores” é um mito – e é fácil de entender por quê
Para começar, ser um trabalhador é muito menos arriscado do que ser um capitalista

"Para mostrar que algo é uma meia-verdade, temos de recorrer a longas e áridas dissertações"

— Frédéric Bastiat

 

Ainda é bastante dominante a idéia de que patrões estão, de alguma forma, explorando os empregados que trabalham para eles quando sua empresa aufere um lucro.

Curiosamente, logo de início já se ignora o fato de que o patrão está claramente fazendo mais pelas finanças dos empregados do que todas as outras pessoas que criticam o arranjo mas que não estão dando emprego a ninguém — postura essa muito comum entre aqueles "guerreiros sociais da internet", que afirmam que dar emprego a alguém significa explorá-lo.

É verdade que trabalhadores recebem como salário menos que o valor total daquilo que eles produzem, mas é assim porque aquilo que eles produzem foi:

a) feito com recursos que tiveram de ser comprados pelos patrões capitalistas,

b) em uma fábrica, indústria ou local de trabalho que teve um custo para ser construído e que requer várias despesas para ser operado;

c) e com o capitalista sendo também responsável por bancar os custos de anunciar, propagandear e comercializar o produto fabricado, com o intuito de conectar o produto aos consumidores potenciais.

E, no final,

d) se o produto não vender, todos aqueles que trabalharam em sua fabricação já foram pagos, exceto o capitalista, que arca com os prejuízos.

Em termos práticos, houve uma volumosa quantia de dinheiro investido naquela fábrica ou local de trabalho, dinheiro este que não será recuperado tão cedo. Todos os gastos investidos na construção do local de trabalho, na compra de bens de capital, e na contratação de mão-de-obra ainda não foram recuperados pelo capitalista.

Uma empresa que investe, suponhamos, $10 bilhões — na construção da fábrica, comprando maquinários e pagando os salários dos trabalhadores — com o intuito de recuperar, na forma de fluxo de caixa anual, aproximadamente $1 bilhão (10% de retorno), terá de esperar 10 anos apenas para recuperar todo o capital adiantado (fora a inflação do período).

Neste caso, o capitalista  se endividou em $10 bilhões (ou, caso seja capital próprio, ele abriu mão deste valor e seu equivalente em bens de consumo que ele poderia ter adquirido no presente) para receber, anualmente, uma receita de $1 bilhão.

Ele age assim porque acredita que será capaz de atender aos desejos e necessidades das pessoas (consumidores) de uma maneira melhor do que elas estão sendo atendidas no presente. Tal atitude requer uma habilidade e uma competência que, por si sós, representam uma contribuição trabalhista acima daquela dos empregados. Estas características são exclusivas de um empreendedor.

Se sua visão estiver correta, ele auferirá lucros futuros. Se estiver errado, ele irá arcar com prejuízos.

Vale ressaltar que, ao agir assim, ou seja, se endividando ou colocando seu próprio capital em risco, ele está incorrendo em um risco que pode ser considerado desnecessário. Afinal, não fosse a busca pelo lucro, o rico capitalista poderia simplesmente comprar uma casa maior ou sair em um cruzeiro. No entanto, o capitalista assume um risco agora, e abre mão do consumo presente, na esperança de que irá obter um benefício no futuro. Isso é uma parte da sua remuneração.  

Outra parte da sua remuneração é o tempo entre o investimento feito e as receitas trazidas por esse investimento. Tudo o mais constante, se tivermos de escolher entre ter recursos agora, no presente imediato, ou apenas a hipótese de ter esses mesmos recursos apenas no futuro, é claro que ficamos com a primeira opção, pois o futuro é incerto. É por isso que emprestadores de dinheiro (capitalistas) cobram juros no dinheiro que emprestam: eles estão abrindo mão da certeza do consumo presente pela hipótese de um consumo maior no futuro. Não há certeza nenhuma; apenas expectativas.

Já os trabalhadores recebem seus salários hoje, independentemente de como serão os lucros futuros dos capitalistas (com efeito, eles são pagos hoje mesmo se não houver lucros futuros).

Ou seja, os trabalhadores são pagos hoje, já o capitalista será remunerado:

a) apenas no futuro,

b) apenas se o produto fabricado for vendido, e

c) apenas se ele for vendido com lucro — isto é, se for vendido a um preço maior do que os custos de fabricação, o que inclui os salários dos trabalhadores.

O economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk explicou que, ao contrário de explorar os trabalhadores, o capitalista remove dos trabalhadores o fardo de ter de esperar pela renda. Se os trabalhadores quisessem produzir bens por conta própria, eles teriam de esperar até encontrar um comprador que lhes garantisse um salário estável.

Mais ainda: eles primeiro teriam de poupar (ou então se endividar) para acumular os recursos necessários para comprar uma fábrica ou construir um local de trabalho sem a ajuda do capitalista.

O capital aumenta o valor do trabalho

Vale também mencionar que o capitalista aumenta o valor da mão-de-obra do trabalhador.

Se um indivíduo decidir tentar fazer no campo o mesmo trabalho que faria em uma fábrica especializada, ele dificilmente terá um produto com a mesma qualidade. Certamente, não terá uma produção com o mesmo volume, o que significa que suas receitas seriam muito baixas.

O capitalista, portanto, aumenta o valor da mão-de-obra ao fornecer ao trabalhador as máquinas e ferramentas que aumentam a qualidade do produto e a quantidade produzida. Não fosse o capital disponibilizado pelos capitalistas (maquinário, ferramentas, matéria prima, insumos, instalações etc.), a mão-de-obra não teria como produzir estes bens de qualidade altamente demandados pelos consumidores. Consequentemente, os trabalhadores nem sequer teriam renda.

Logo, a conclusão óbvia é que trabalhadores claramente podem ganhar mais trabalhando para capitalistas do que por conta própria — caso contrário, todos os trabalhadores iriam simplesmente se declarar autônomos e daí passariam a ter uma renda maior.

Talvez alguns deles poderiam ganhar mais ao se tornarem autônomos, mas não querem assumir as responsabilidades concomitantes, as quais são atualmente arcadas pelo capitalista que os emprega. Isso também é evidência de que os capitalistas estão acrescentando valor ao trabalho dos trabalhadores.

Mais-valia

Os marxistas afirmam que os capitalistas exploram os trabalhadores ao simplesmente extraírem seus lucros dos salários dos trabalhadores sem estarem fornecendo nenhum valor ao processo produtivo — ou seja, os capitalistas estariam "extraindo uma mais-valia" dos trabalhadores.

Além de esta idéia ser infundada, como mostrado acima, vale também dizer que, se ela fosse verdade, organizações sem fins lucrativos rapidamente entrariam em cena, contratariam todos os trabalhadores, eliminariam o "peso morto" de se remunerar o capitalista e quebrariam todas as empresas voltadas para o lucro.

Mas isso não acontece simplesmente porque elas não conseguem. Os capitalistas estão claramente fornecendo alguma competência ou visão que beneficia seus empregados. Cada lado se beneficia desta transação mútua, o que é evidenciado pelo fato de que se o trabalhador pudesse conseguir um arranjo melhor, ele rapidamente o arrumaria, e se o empregador pudesse arranjar empregados melhores, ele os contrataria.

Em última instância, os salários não são um número arbitrário, mas sim um reflexo de quanto valor um empregado é capaz de criar para os consumidores do seu trabalho (no caso, os consumidores são o capitalista que paga por sua mão-de-obra, e os clientes que pagam pelo produto produzido).

Se um indivíduo quer abrir mão de ter um patrão e ficar com 100% das receitas de seu trabalho, ele pode perfeitamente fazê-lo: basta aprender uma habilidade, desenvolvê-la, acumular capital (ou se endividar), comprar equipamentos, alugar um local de trabalho, tornar-se autônomo e encontrar clientes que valorizem seu trabalho ao ponto de lhes providenciarem uma renda fixa mensal.

Mas aí ele próprio teria de se tornar um empreendedor capitalista.

 

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Leia também:

Sim, o trabalho assalariado é uma mercadoria - e é isso o que o protege contra abusos

Em economias capitalistas, assalariados são disputados e têm aumentos salariais constantes


autor

Antony Sammeroff

  • Estado o Defensor do Povo  22/10/2019 17:46
  • Lucas Lopes  22/10/2019 17:57
    Embora seja um videozinho até acima da média (em relação ao que seria de se esperar da esquerda), ainda assim é um vídeo que fala muita bosta (como é de se esperar da esquerda).
  • reinaldo  22/10/2019 18:51
    O canal devia se chamar "Entre na Matrix". Seria mais apropriado ao tipo de conteúdo que divulgam lá.
  • Drink Coke  22/10/2019 18:39
    100 trabalhadores do ABC com os devidos equipamentos, sistemas e instalações podem produzir 100 carros em um dia, mas tire os equipamentos e eles sequer seriam capazes de produzir um mísero carro durante um dia. O grande fator da produtividade são as máquinas e instalações, então como o trabalhador pode reivindicar toda a produção se foram as máquinas fornecida pela empresa a causa principal do volume produzido? Isso apenas entrando nos fatores tangíveis, trabalhador e máquinas, mas há dois fatores intangíveis que são essenciais para a existência da produção, a idéia e a iniciativa. São elas que fazem acontecer e comandam os fatores de produção. Em ordem hierárquica de importância na produção: Empreendedor, Poupança e trabalhador.
  • Leigo  22/10/2019 19:14
    "eles sequer seriam capazes de produzir um mísero carro durante um dia"

    Consequentemente o mundo estaria mais pobre, pois teríamos 100 carros/dia a menos.

    É uma lógica tão simples e não observada por muitos.
  • anônimo  23/10/2019 19:25
    Infelizmente não é ensinado nas escolas. Mas que o "cap. Explora o trabalhador" sim.
  • Carlos Evellyn  22/10/2019 18:40
    Nunca acreditei nessa falácia marxista de exploração do trabalhador. Marx nunca pensou nos impostos, e o capital para produzir? como o capitalista comprou? fez surgir o dinheiro por mágica?
  • Rick  23/10/2019 14:03
    Parece que Marx nunca conheceu a palavra CUSTO. Ele achava que tudo era produzido com mágica mesmo.
  • Juan  22/10/2019 18:48
    Sobre a "mais-valia", vale também ressaltar que o operário seria incapaz de gerar riqueza sem o capitalista e o empreendedor (a menos que ele se tornasse também um empreendedor autônomo bem-sucedido e elaborasse um plano de negócios tão bom quanto ou melhor que o de seus rivais).

    Consequentemente, são o empreendedor e o capitalista que cedem ao trabalhador parte da riqueza que o empreendimento cria: longe de espoliar o salário do trabalhador, é o trabalhador que fica com uma parte dos lucros que corresponderia ao capitalista e ao empreendedor.

    Marx entendeu exatamente ao contrário o processo social do capitalismo: o valor não é extraído do proletário para o capitalista e para o empreendedor, mas sim do capitalista e do empreendedor para o proletário.
  • distributista  22/10/2019 18:50
    Eu pra mim, os capitalistas pecam ao não pagar um salário justo aos trabalhadores.
  • Emerson  22/10/2019 19:06
    Concordo. Exatamente por isso eu me tornei capitalista, contratei várias pessoas (que estariam desempregadas sem mim) e passei a pagar a elas salários mensais (os quais não teriam se não fosse por mim).

    E você? Também está fazendo isso? Quantas pessoas você emprega? Coloque aqui o nome da sua empresa que irei pesquisar o salário médio que você paga. Não tenho dúvidas de que não irei me surpreender com sua profunda generosidade.
  • Estado o Defensor do Povo  22/10/2019 19:19
    Caro distributista, não existe isso de salário justo, economia não faz juízo de valor, salário é um preço e como tal está regido a oferta e demanda, os empregadores pagam por um determinado profissional a quantia que eles acham vale o serviço dele, salário não é benesse, é um negócio, ninguém paga o seu salário por via de regra pensando em quantos filhos você tem para se sustentar, em quantas TVs você quer ter, e sim em querer pagar o mínimo possível para ter mais lucros, e o mesmo é válido para o empregado, ele não pensa via de regra na hora de negociar o salário quantos filhos o patrão têm, em quantos quilos de arroz ele quer comprar etc, e sim ele pensa em ganhar o máximo possível para ter mais lucros, é a atuação desses dois lados que determina os preços do salário no mercado, e que não são fixos, mas variam constantemente dependendo do tempo e local.
    Você mesmo na hora de comprar o pão, você pagaria mais caro pelo pão se descobrisse que o padeiro tem 6 filhos pra cuidar? Você preferiria comprar o pão de quem é solteiro ou de quem tem uma família gigante pra cuidar? No aguardo pela sua resposta.
  • Ponderação  26/10/2019 03:44
    Artigo excelente. Comentários idem, De fato, sob a perspectiva do capitalismo não há exploração, não há salário justo, apenas troca de valores. No entanto, faltou uma pitada de humanidade, ou melhor, cristandade, pois nas hipóteses em que o capitalismo é utilizado como fundamento para o lucro cego, aí sim estaremos diante de uma injustiça. Empreendedores que querem crescer também incitam seus funcionários/colaboradores. E isso se faz não apenas com uma remuneração meramente capitalista, mas também cristã - empatia, apoio moral, incentivo intelectual e suporte para aprender a gerir a própria renda. Isso é possível de ver em grande empresas, mas nas pequenas e médias costuma ser mais raro, ao menos na minha localidade.
  • Chibata Austríaca  22/10/2019 18:58
  • Juan  22/10/2019 19:17
    E, de fato, foi uma ótima explicação (tirando alguns exageros que tinham o claro intuito do humor).

    Chiquinha era a detentora do meio de produção (caixa de engraxate). Ela poderia ela própria fazer todo o trabalho manual e, com isso, embolsar 100% das receitas. No entanto, preferiu empregar Chaves e, com isso, abriu mão de 50% das receitas.

    Perceba que, ao contrário do que dizem os marxistas, o lucro de Chiquinha não foi extraído do salário de Chaves. Ao contrário: o salário de Chaves é que foi deduzido do lucro de Chiquinha.

    Chiquinha, se quisesse, viveria bem sem Chaves (apenas teria de trabalhar mais). Já Chaves não viveria sem Chiquinha.

    Como eu disse acima, é o capitalista (Chiquinha) que cede ao trabalhador (Chaves) parte da riqueza que o empreendimento cria. Longe de espoliar o salário do trabalhador, é o trabalhador (Chaves) que fica com uma parte dos lucros que corresponderia ao capitalista (Chiquinha).

    Socialistas, como sempre, entenderam exatamente ao contrário o processo social do capitalismo: o valor não é extraído do proletário para o capitalista, mas sim do capitalista para o proletário.
  • Reisman  22/10/2019 19:22
    O vídeo do Chaves e a explicação do Juan são perfeitos.

    Quem fornece os bens de capital, com os quais trabalhador assalariado trabalha, é o capitalista. Sem o capitalista, não haveria sequer salário para o trabalhador. Logo, dizer que o capitalista utiliza o trabalhador para obter lucro (sendo este o cerne da "mais-valia") não apenas é incorreto, como também é uma afirmação que não sobrevive à mais elementar ordem cronológica dos fatos.

    O salário do funcionário é deduzido do lucro do capitalista; não houvesse o funcionário, o lucro ficaria integralmente para o capitalista.

    Além do exemplo da caixa do engraxate, isso também é fácil de ser percebido quando você pensa, por exemplo, na relação entre o restaurante e o garçom.

    Observe que, via de regra, garçons são atividades "desnecessárias" - no sentido de que não é preciso haver garçons para que a comida e a bebida cheguem à sua mesa.

    Nada impede que os malvados capitalistas donos de restaurante façam um conluio e, por exemplo, demitam todos os seus garçons (o que representaria um enorme corte de gastos). Aí, sob esse novo arranjo, seriam os próprios clientes que levariam suas comidas e bebidas até a mesa. O esquema seria bastante simples, porém desconfortável: você chegaria ao restaurante, iria até o balcão, faria seu pedido e iria esperar na sua mesa. Uma vez pronto o seu pedido, você se levantaria da mesa, iria até o balcão, pegaria sua comida e sua bebida e iria até a mesa. Se quisesse mais bebida, iria até o balcão e pediria.

    Se todos os restaurantes fizessem isso, duvido muito que suas receitas cairiam - para onde mais as pessoas iriam para comer e ser servidas ao mesmo tempo? Ademais, mesmo que houvesse queda na receita, os cortes de gastos oriundos da demissão dos garçons certamente seriam suficientes para fazer com que os lucros fossem ainda maiores do que antes.

    E aí vêm as duas perguntas que ninguém faz:

    1) Por que os capitalistas abrem mão desse lucro maior preferindo gastar parte deles com garçons?

    Porque pensam no conforto dos clientes. Basta que um restaurante comece a oferecer serviços de garçom, e todos certamente irão copiá-lo. Ótimo exemplo dos benefícios da livre concorrência.

    2) De onde vem o salário dos garçons?

    Como já implícito na primeira pergunta, foi deduzido do lucro dos capitalistas.

    Ou seja, os salários dos trabalhadores são deduzidos dos lucros dos capitalistas. Não houvesse os capitalistas, não haveria salários para os trabalhadores.


    P.S.: aliás, se o estabelecimento retirasse o garçom e deixasse o cliente livre para ir ao freezer pegar sua cerveja (ou ir até o barril e pegar o seu chope), o consumo destas bebidas seria ainda maior. Eu pelo menos beberia muito mais.
  • Pensador Puritano  23/10/2019 14:27
    Selfie-service dispensou os garçons e barateou a comida(Redução de custos),provando que os trabalhadores são um custo a mais na atividade de fast-food,mas nos restaurantes gourmet,os garçons e maître são fundamentais para o serviço mesmo aumentando os custos,portanto a mais-valia é o maior engana trouxa da história.
  • Pérsio   23/10/2019 00:25
    Excelente artigo!
    Ao contrário do que dizia Karl Marx, capital e trabalho NÃO SÃO inimigos , eles são complementares. Um PRECISA do outro.
  • Chibata Austríaco  22/10/2019 19:29
    Caro leitor, consegue perceber ? Viram agora ?

    Eu acho muito importante colocar o vídeo didático do Chaves. E o Juan me ajudou bastante com o seu comentário porque mostra a verdadeira índole do pessoal do IMB.

    Tem o sujeito que é Chiquinha e ta apenas defendendo o lado da Chiquinha.
    Tem o sujeito que é o Chaves e ta defendendo o lado do Chaves.(Esses vocês do IMB normalmente chamam de "esquerdistas", marxistas...)

    O problema ta no sujeito que é "Chaves" mas acha que é "Chiquinha".
  • Humberto  22/10/2019 19:58

    "Eu acho muito importante colocar o vídeo didático do Chaves. E o Juan me ajudou bastante com o seu comentário porque mostra a verdadeira índole do pessoal do IMB."

    Até onde eu vi, a índole é responder comentários explicando e aprofundando teorias.

    Já a índole dos críticos é sempre exatamente a mesma: fazer-se de ofendidinho e indignado. Fica até chato (além de ser constrangedor de ver tal comportamento em marmanjos que já deveriam estar sustentando suas famílias). Não há uma mísera contra-reação original. Todo mundo que é respondido só sabe se fazer de delicado, sem apresentar uma mísera contra-argumentação racional.

    Já nem peço mais refutação, pois nunca vi e acredito que nunca verei.
  • Amante da Lógica  23/10/2019 00:56
    "Tem o sujeito que é Chiquinha e ta apenas defendendo o lado da Chiquinha."

    Ao defender a Chiquinha, ele está automaticamente ajudando o Chaves, pelo simples e lógico motivo de que, não fosse a Chiquinha, Chaves estaria pior, pois sem renda.

    Com Chiquinha, Chaves tem instrumentos de trabalho, fatura $ 100 e fica com $ 50. Sem Chiquinha, Chaves não tem nada.

    E não há refutação lógica a isso.

    "Tem o sujeito que é o Chaves e ta defendendo o lado do Chaves.(Esses vocês do IMB normalmente chamam de "esquerdistas", marxistas...)"

    Não entendi. Qualquer pessoa racional no lugar do Chaves também defenderia os próprios interesses. Chaves voluntariamente aceitou o arranjo proposto por Chiquinha (ganhar $ 50), pois, a alternativa, seria não ter nada. Ao agir assim, ele defendeu os próprios interesses.

    É estranho você dizer que tal postura (defender os próprios interesses) seria rotulada de "esquerdista", "marxista" etc.

    "O problema ta no sujeito que é "Chaves" mas acha que é "Chiquinha"."

    Por que isso seria um problema? Um proletário que pensa como um empreendedor e que quer se tornar um empregador seria um problema para quem e por quê?

    Ao meu ver, aliás, ele seria um problema apenas para o patrão dele, que corre o risco de perdê-lo.

    Sua participação aqui foi confusa.
  • 5 minutos de IRA!!!  23/10/2019 14:06
    Não, não........ o problema está no Chaves querer, uma vez que a caixa de sapateiro exista, que ela seja compartilhada e quem produzir com ela, ganha 100% do que produzir. Tá, pode ser, mas não com a caixa de sapateiro da Chiquinha!! Que seja com outra que foi comprada por todos que a utilizarão.

    Ai, como mostra a história, a Chiquinha, com sua caixa de sapateiro, consegue engraxar mais sapatos e cobrar menos que a turma que comprou uma caixa de sapatos para compartilhar, pois eles estão muito envolvidos com discussões sobre quem pegou os melhores horários para utilizá-la, quem está estragando o equipamento, quem produz mais rápido e deveria deixar o que produz menos ter mais tempo para usá-la, assim todos ganhariam o mesmo com a caixa, etc.

    Só vamos lembrar que, na URSS, havia uns 5% de terras que estavam nas mãos de proprietários privados. Estes 5% produziam algo tipo 70% dos alimentos do país..........
  • Pensador Puritano  23/10/2019 16:47
    Excelente observação,nosso Congresso Nacional tem horas que parece com este cenário abordado por tu,discussões longas e enfadonhas,só parasitas par aguentar aquilo ou no meu caso por puro passatempo....Haja paciência e as vezes vejo que até eles se entediam com aqueles discursos inflamados e vazios de conteúdos e realismo,"famoso discursar para a platéia".
  • Só um observador  23/10/2019 12:51
    Parece que todo trabalho ou empreendimento do Chaves tende sempre a fracassar sendo diferente naquela série do Todo mundo odeia o Chris em que mesmo o Chris fracassando em algum empreendimento ou trabalho "novo" acaba voltando pro "antigo"( trabalhar pro Doc ).

    Resumindo...

    Chaves - passa fome - fracassa em todos os empreendimento ou trabalho - passa fome - trágico

    Chris - não passa fome - fracassa em alguns empreendimento ou trabalho "novo" - volta pro trabalho antigo - não passa fome - menos trágico

    Spoiler não gravado nos episódios finais:

    Chaves morre atropelado e Chris vira um humorista rico.
  • anônimo  23/10/2019 19:36
    Existe uma teoria social que a pato Donald representa o trabalhador do povo. Tenta e sempre no final é sua sorte que faz tudo dar errado, não os erros que ele mesmo comete. Personagens parecidos: Carlitos, chaves, Didi moço, os mocinhos de Carl Dickens, heróis de filmes hollywoodianos. Toda cultura do século vinte foi baseada assim, e os capitalistas sempre os vilões da ficção.
  • Tannhauser  22/10/2019 19:05
    Façam um artigo sobre as manifestações no Chile e outros países vizinhos.
  • Leigo  22/10/2019 19:12
    Nessa parte que a Justiça do Trabalho falha ao afirmar que os empregados estão em desigualdade com os empregadores.
  • Richard Hugh  22/10/2019 19:23
    É interessante que o artigo considera toda a relação trabalhador x empregador como puramente lógica e racional, desconsiderando o fator mais importante: o humano.
    Parece que quem escreve esse tipo de artigo nunca teve um emprego na vida, tendo que ouvir a arrogância de muitos patrões pelo mundo a fora, bem como ter que lidar com a humilhação de ser assediado verbalmente na frente dos colegas - o que acontece a rodo por aí, qualquer pessoa que já tenha vivido essa realidade sabe que é verdade.
    O problema é a completa ignorância de todos os lados - seja dos sindicatos parasitas, ou dos 'economistas liberais', que fazem uma generalização como se o mundo fosse 100% lógico e racional.
  • Amante da Lógica  22/10/2019 19:52
    E você conseguiu a proeza de vir com toda essa logorreia para dizer o quê? Pois é, nada.

    Dica: coitadismo, vitimismo e idealização (sonhar com um mundo utópico) não irão trazer a você nada de positivo. Ao contrário: você terá apenas decepções. A parte racional do mundo real não funciona com base em utopias, mas sim com base em coisas lógicas.

    Acorde e aprume-se enquanto é tempo.


    P.S.: você critica generalizações, mas você próprio baseou todo o seu coitadismo em generalizações. Você realmente acredita que todas as relações patrão-empregado se baseiam em abusos, arrogância, humilhação e assédios? Se sim, terá de provar. Se não, então o seu próprio ponto perde o sentido.

    Da próxima vez, certifique-se de que, ao criticar generalizações, não esteja você próprio incorrendo em uma.
  • Ex-microempresario  23/10/2019 17:23
    Como o Richard provavelmente nunca foi empresário na vida, ele nem desconfia da arrogância dos fiscais, dos conselhos de classe, dos juízes e advogados trabalhistas, dos políticos em campanha, dos sindicalistas e muitos outros, e nem imagina as humilhações que um empresário sofre por parte de todos eles.

    Mas para deixar o Richard feliz, informo que (como meu pseudônimo indica) eu me livrei do problema fechando minha empresa.

    Meus vinte e poucos ex-funcionários estão livres do patrão arrogante. Espero que estejam felizes na fila do seguro-desemprego.
  • Fred  22/10/2019 20:10
    Então pelo fato de os tais Capitalistas ter acesso ao Capital e ter o privilégio de nascer com as habilidades certas, fica reservados a eles terem uma qualidade de vida e maior ascendências econômica ?
    O trabalhador cumpriu com seu papel social ao passo de sua habilidade pessoal.
    Então o sistema todo é baseado em o que se pode chamar "sorte" e muito menos merecimento.
  • Carlos Alberto  22/10/2019 20:15
    "Então pelo fato de os tais Capitalistas ter acesso ao Capital e ter o privilégio de nascer com as habilidades certas, fica reservados a eles terem uma qualidade de vida e maior ascendências econômica ?"

    Você está dizendo que quem não é capitalista e nem empreendedor não pode ter nem "qualidade de vida" e nem "ascendência econômica"? Em qual mundo você vive?

    Conheço vários assalariados (que não são nem empreendedores e nem capitalistas) que possuem excelente qualidade de vida. Como eles enriqueceram? Trabalhando naqueles setores que estão continuamente sob demanda; fornecendo justamente aquilo que o mercado demanda a cada momento.

    O que você realmente quis dizer (mas não teve a hombridade de falar explicitamente) é que você é um materialista que deseja viver com o mesmo luxo dos capitalistas e empreendedores -- mansão, jacuzzi, Lamboghini, helicóptero e tudo --, mas quer ter isso tudo sem correr riscos, sem arriscar o próprio patrimônio e sem criar valor para terceiros. Típica mentalidade socialista. Quer ter tudo, mas não quer fazer nada em troca.

    "O trabalhador cumpriu com seu papel social ao passo de sua habilidade pessoal."

    Ininteligível.

    "Então o sistema todo é baseado em o que se pode chamar "sorte" e muito menos merecimento."

    O fator "sorte" já começa presente no berço. Há crianças que nascem em famílias unidas e amorosas, e há crianças que nascem em famílias despedaçadas, com pais drogados, alcoólatras e divorciados. Há crianças que nascem inteligentes e dotadas de várias aptidões naturais, e há crianças que nascem com baixo QI. Como você resolveria isso de modo a fazer com que todos fossem lindos e maravilhosos?
  • Leigo  22/10/2019 21:04
    Então pelo fato de os tais Capitalistas ter acesso ao Capital e ter o privilégio de nascer com as habilidades certas, fica reservados a eles terem uma qualidade de vida e maior ascendências econômica ?

    Não.

    Nem sempre o capitalista tem acesso ao capital, ele pode enriquecer com base em uma ideia que melhore a vida de milhares de consumidores ou poupando para investir em algo que dê retorno.

    www.mises.org.br/article/2054/nao-e-a-meritocracia-e-o-valor-que-se-cria

    Nem sempre o capitalista teve privilégio de nascer com as habilidades certas, ele pode ter procurado adquiri-las.

    www.bbc.com/portuguese/geral-42643529

    O capitalista pode empobrecer, não é porque nasceu rico com acesso ao capital e com as habilidades certas que continuará rico.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1836

    Portanto, a qualidade de vida e maior ascendência econômica fica reservada:

    a) aos capitalistas que souberam poupar, manipular o capital, investir corretamente, melhorar a vida dos consumidores...;
    b) aos não capitalistas que foram beneficiados pela revolução industrial e a propriedade privada dos meios de produção que, a cada dia, elevam a vida de todos, fornecendo celulares, comida barata, possibilidade de viajar...

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2834
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2672
  • Estado o Defensor do Povo  22/10/2019 21:11
    Nós não vivemos em uma sociedade de castas, se você quiser ascender socialmente você pode, basta criar valor para as outras pessoas que elas voluntariamente te darão uma pilha de dinheiro, o processo não tem segredo.
  • Carlos Brodowski   22/10/2019 21:54
    Nem precisa explicar muito. Exploração é quando uma parte ganha à custa de outra; é quando apenas uma das partes quer fazer algo, e a outra é obrigada fazer.

    E isso jamais ocorre em uma troca voluntária, que é o que ocorre em um contrato de trabalho. Afinal, para uma troca voluntária ocorrer, por definição, as duas partes têm que enxergar um ganho, a priori. Se um dos lados não acreditar que ficará em melhor situação, então ela simplesmente não fará o contrato. E se ela mudar de idéia (acreditando que sua situação não melhorou como imaginava), nada impede de ela rescindir o contrato.

    É realmente simples assim.

    Quem acredita em "exploração dos trabalhadores" é realmente ou burro ou alienado, pois não entende o mais básico da lógica.
  • anônimo  22/10/2019 22:32
    "Em última instância, os salários não são um número arbitrário"

    Uma coisa que o Thomas Storck disse ao Thomas Woods é que neste contrato "voluntário" "Work at this wage or starve", ou seja, ou os trabalhadores se sujeitam trabalhar pelo salário que o empregador oferece ou morrem de fome, ou o seu filho morre de fome (muitos são pais de família). Então, dependendo da situação em que o trabalhador esteja, o salário é sim determinado arbitrariamente pelo mercado de trabalho.
  • Daniel  23/10/2019 00:12
    Artigo inteiro respondendo exatamente a esta falácia do "morrer de fome":

    www.mises.org.br/article/3031/eis-as-tres-principais-maneiras-como-os-capitalistas-melhoram-a-vida-dos-trabalhadores-

    Eis um antepasto:

    "João não tem nenhum emprego e não é proprietário de nenhum meio de produção. Sem emprego, sem renda e sem ativos que possam lhe gerar renda, a única opção que ele tem para alimentar a si próprio e a sua família é literalmente utilizar suas mãos para produzir bens que satisfaçam a vontade de consumidores voluntários.

    Obviamente, a produtividade de João será próxima de zero. Na melhor das hipóteses, ele conseguirá cultivar alguns vegetais e abater alguns pequenos animais para alimentar sua família.

    Ou então ele pode fazer pequenas atividades artesanais com suas mãos utilizando recursos brutos que ele encontrou na natureza, e então vender este artesanato para quem quiser voluntariamente comprar.

    Se a família de João sobreviver, o máximo a que ela pode almejar é um nível mínimo de subsistência.

    Para se tornar mais produtivo, e assim garantir a sobrevivência sua e de sua família, João obviamente necessita ter acesso a bens de capital que lhe permitam aumentar sua produtividade. Afinal, quanto mais ele conseguir produzir utilizando sua mesma mão-de-obra, maior será sua receita.

    Sendo assim, João agora tem de fazer uma escolha: adquirir ele próprio bens de capital para que ele possa produzir bens para vender, ou ir trabalhar para um capitalista que lhe forneça os meios de produção aos quais João pode aplicar sua mão-de-obra em troca de um salário.

    Há vários, mas eis os três principais benefícios fornecidos pelo capitalista a João, os quais fazem com que João, e a esmagadora maioria das pessoas, considere ser mais benéfico trabalhar para um capitalista."
  • Ex-microempresario  23/10/2019 17:18
    O empresário que "ousa" empreender é extorquido por uma carga tributária de quase 40%, sem contar as despesas obrigatórias que o estado cria com uma canetada para beneficiar os amigos.

    Esta carga tributária é usada pelo estado para distribuir bolsa-família, vale-leite, vale-gás, creche gratuita (com alimentação incluída) e mais um monte de "bondades".

    E aí vem um sujeito falar que o "pobre pai de família" está passando fome.

    É muita cara-de-pau.
  • Chestertoniano  22/10/2019 22:35
    Se não paga um salário justo, está explorando sim.
  • Emerson  23/10/2019 00:13
    1) Qual o salário justo?

    2) Quantas pessoas você emprega?

    3) Qual o salário que você paga para elas?

    Coloque aqui fotos que comprovem os pagamentos. Utilize este site para postar o link das fotos:

    pt-br.imgbb.com/
  • Estado o Defensor do Povo  23/10/2019 02:49
    Pra esse povo salário justo é só 150 mil reais por mês mais o auxílio-mansão.
  • Intruso  23/10/2019 15:51
    Pelo Dieese o salário mínimo em setembro de 2019 deveria ser de R$ 3.980,82 a fim de atender o que está estabelecido na Constituição de 1988: moradia, alimentação, educação, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social. Isso não seria o justo?
  • Emerson  23/10/2019 17:30
    Claro, claro. O "salário justo" é aquele que cobre tudo que burocratas determinaram ser o essencial.

    Mas, veja só, por que não começa você dando o exemplo? Contrate uma empregada doméstica e pague a ela R$ 3.980 por mês. Poste aqui a carteira de trabalho dela com a sua assinatura. (Utilize este site para postar a foto: pt-br.imgbb.com/)

    Seja a mudança que você defende. Comece por você. Caso contrário, vou pensar que você é apenas um "ativista de sofá", e não quero ter essa impressão injusta de você.
  • Guilherme  23/10/2019 17:30
    No Brasil, todo progressista é especialista em dizer o que os outros devem fazer e quanto os outros devem pagar (de salários, de impostos, de juros etc.). Eles próprios não fazem bosta nenhuma. Aliás, nem sequer dão emprego a um único miserável (mas exigem que os outros o façam).

    Difícil haver gente mais patética e fracassada do que essa.
  • Alguém  23/10/2019 20:09
    Bora pessoal!! Bora tacar o salário mínimo pra R$ 3980,82 e dane-se.
    Quem sabe quando o desemprego bater 50%,o custo de vida explodir e as poucas indústrias que ainda temos sairem correndo desse país sem nem olhar pra trás as pessoas finalmente entendam que não é assim que se cria riqueza.
    Você poder revogar a realidade e viver no sonho da abundância hoje, mas amanhã a conta vem e vem rasgando (Tem um país vizinho nosso ao norte ai que é um ótimo exemplo disso).
  • Chestertoniano  23/10/2019 22:15
    Salário justo, como definido pelos Papas Leão XIII e Pio XI, é o salário suficiente para sustento do operário e de sua família.
  • JoãoBL  22/10/2019 22:58
    Eu concordaria com a conclusão do artigo se a sociedade empregasse um meio de troca (moeda) que não pode ser criado a partir do nada, como por exemplo ouro ou bitcoin. Enquanto uma classe detiver o poder de criar moeda, diminuindo a sua escassez e, portanto, o seu valor, o resto da sociedade sempre receberá menos do que deve pelo seu trabalho e a sua poupança sempre será lentamente furtada. Isso ficou ainda mais claro após a crise da bolha da internet, com as medidas tomadas pelos bancos centrais que acentuaram a concentração de renda nos "1%".Concordo com as pessoas orientadas por ideias da esquerda que existe algo de errado com a sociedade, mas acredito que o seu diagnóstico esteja errado. O real conflito de classe está entre as elites do estado contra o restante da população.
  • Alfredo  23/10/2019 00:12
    Quem cria moeda é o Banco Central, uma agência estatal responsável por planejar centralmente a economia.

    Esquerdistas e redistributivistas, estranhamente, são contra o padrão-ouro (como você demonstrou saber).

    Aí fica difícil
  • Yuri  23/10/2019 02:07
    Pergunta off topic:

    Leandro,

    Vendo uma notícia como essa: economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/22/dolar-vai-seguir-acima-de-r-4-por-meses-dizem-economistas.htm

    Me pergunto o que o BC e/ou Governo Federal deveriam fazer (ou não fazer) para manter o real estável/valorizado? Quais os caminhos para resolver esse problema do câmbio?

    (Já li artigos que vc menciona medidas como adoção do Currency Board, liberação de circulação de moedas estrangeiras, etc... mas, como você mesmo disse, são medidas que tem chance quase zero de serem implantadas no Brasil.)

    Obs: No longo prazo a expansão monetária no Brasil tende a gerar uma desvalorização do real perante o dólar? Uma inflação brasileira na casa dos 4% a.a. frente a uma inflação nos EUA (salvo engano) na casa dos 2% a.a. irá gerar essa tendencia de desvalorização com o passar do tempo? Se estou certo, um dos caminhos seria diminuir o ritmo da expansão monetária para buscarmos um inflação menor?
  • Leandro  23/10/2019 05:08
    Ainda mais importante do que estabilizar em relação ao dólar é estabilizar em relação a uma cesta de commodities.

    Mais importante do que saber quantos dólares seus reais compram é saber quantas commodities seus reais compram.

    Preço de commodities é tão ou mais determinante do que a simples cotação dólar na determinação da inflação de preços. Afinal, commodities são insumos para a produção de bens e serviços da cesta de consumo. E, além de influir diretamente no custo de produção, os preços das commodities tendem influenciam os termos de troca e, consequentemente, a renda e a demanda domésticas.

    Felizmente, o Banco Central parece saber disso, tanto é que ele abertamente fala sobre isso em seus relatórios trimestrais de inflação.

    Veja, por exemplo, na página 34:

    www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2017/12/ri201712p.pdf

    E a própria alta cúpula do Banco Central reconhece que utiliza o IC-Br (Índice de Commodities - Brasil) como guia para a "inflação importada". Veja a partir do minuto 38:30:



    O IC-Br converte os preços (em dólares para reais) das principais commodities consumidas no Brasil. Como as commodities são precificadas em dólar, se o dólar encarece, as commodities tendem a encarecer em reais. No entanto, se o dólar encarece, mas as commodities barateiam em dólar (que é o que normalmente ocorre), então há estabilidade no preço das commodities em reais. E se o dólar encarece, mas commodities barateiam em dólar com mais intensidade do que o dólar encareceu em reais, então elas ficam mais baratas em reais. (Isso aconteceu em maio, junho, julho e agosto; vide no gráfico abaixo).

    Com efeito, esse Índice se tornou tão proeminente, que ele passou a ser o segundo destacado na lista dos Indicadores Econômicos Selecionados, atrás apenas do IBC-Br, que é a prévia do PIB:

    www.bcb.gov.br/estatisticas/indicadoresselecionados

    Veja a evolução do Índice de Commodities (já convertido para reais):

    ibb.co/1XFmmyR

    E perceba que há correlação com o IPCA

    ibb.co/C0FThSQ

    Portanto, se for para escolher, manter o IC-Br estável (ou, melhor ainda, declinante) já seria ótimo. Para fazer isso, basta vender dólar (em troca de reais) e utilizar os reais para comprar títulos públicos em posse dos bancos. Ao fazer isso, a base monetária não se altera (logo, a Selic não é afetada) e o dólar barateia, o que já garante estabilidade no índice de commodities.

    Já que é para haver Banco Central, e já que ele é o "guardião da moeda", então faria muito mais sentido ele atuar para garantir o preço da moeda (seu real poder de compra) do que fixar o preço do crédito (a taxa de juros de curto prazo).
  • anônimo  23/10/2019 22:19
    A taxa de inflacao brasileira de 4 por cento contra 2 do dólar sempre vai fazer o dólar valorizar. Foi recentemente calculado aqui que o real já desvalorizou 384 por cento desde a sua inicialização em 1994, o que colocou seu valor em relação ao dólar entre 3, 34 a a 3, 90 mais ou menos.
    Assim se se manter os 4 por cento de inflacao brasileira, esses números sobem pra entre 3,40 e e 3, 96 depois de um ano.
    Como sempre o real mantém essa taxa de inflacao e o dólar sempre uns 2 , da pra ir calculando que as máxima e mínima do dólar vão sempre subindo, ano após ano.
    O banco central pode intervir no curto prazo, pra baixar dos atuais 4,4 pra os valores normais, mas não tem milagre , 1 real nunca mais volta pra um dólar. A não ser que o dólar explodisse sua taxa de inflacao e desse inflação de 384 por cento de uma vez.


    Mas o real pode valorizar com menos estado, menos burocracia, menos impostos e mais investimentos em produtividade. Nesses anos do real , a produtividade brasileira não aumentou tanto quanto o dinheiro em acirculação.
    E o endividamento por causa do déficit público colocando mais dinheiro tá fazendo o gov colocar mais dinheiro ainda em circulação.
    Essa pressão ainda tem mais peso na inflacao brasileira, o que deixa o país dependente do que acontece lá fora: china vs EUA.
    Em suma o gov pode intervir pra não perder o controle do dólar, mas precisa dar um jeito no seu defcit de 12 por cento do PIB. Ele tira dinheiro da sociedade , o que abaixa a produtividade e coloca pra pagar dívida gerada pelo déficit( aumenta o dinheiro em circulação.).
    Por isso a inflacao brasileira não baixa mesmo nessa depressão que vivemos.
  • Aoki  23/10/2019 02:53
    A teoria marxista é realmente algo que explica tudo em economia: o dono de uma lanchonete é um burguês explorador, enquanto o diretor de uma multinacional é um proletário oprimido. Faz todo o sentido.
  • Gustavo  23/10/2019 13:15
    Acredito que seria uma abordagem melhor apresentar essa ideia ressaltando que o salário é determinado pelo lucro e nunca o contrário (ainda mais pra quem sofreu anos de lavagem cerebral de valor trabalho e decorou por osmose que custo determina preço). E também que trabalho é só mais um recurso escasso como um tomate ou um ventilador.

    É mais didático explicar que se há demanda para um trabalho em uma fabrica especifica que produz o produto X, é porque existe anteriormente uma demanda pelo produto X em questão, caso não existisse essa demanda pelo produto X não haveria demanda para o trabalho de produzi-lo. No caso de uma possível diminuição do valor de X acarretaria na diminuição valor do serviço/trabalho/esforço de produzi-lo.

    Se a sociedade em geral não percebe as velas como um produto doméstico essencial e ,por exemplo, mudar sua preferência para lampadas, consequentemente a demanda por trabalho na industria de lampadas irá despencar. O preço dos salários oscila em decorrência do preço dos produtos finais, se há lucro em produzir as lampadas existira trabalho nesse setor, caso contrário não haverá trabalho. Pois, significa que sua produção é inviável, consome mais recursos do que produz, ou seja, empobrece uma sociedade, deixa de criar valor para destruí-lo.
  • Vladimir  23/10/2019 15:01
    "uma abordagem melhor apresentar essa ideia ressaltando que o salário é determinado pelo lucro e nunca o contrário (ainda mais pra quem sofreu anos de lavagem cerebral de valor trabalho e decorou por osmose que custo determina preço). E também que trabalho é só mais um recurso escasso como um tomate ou um ventilador."

    Até aqui, quase tudo certo. Para ficar certo você teria de dizer que "o salário é possibilitado pelo lucro", e é "determinado pelos consumidores".

    Consumidores determinam as receitas, as receitas determinam os lucros, e os lucros possibilitam os salários.

    Tire o consumidor da jogada, e tudo acaba. Se os consumidores pararem de comprar, não há receitas. E aí não há nem salários e nem lucros.

    "É mais didático explicar que se há demanda para um trabalho em uma fabrica especifica que produz o produto X, é porque existe anteriormente uma demanda pelo produto X em questão, caso não existisse essa demanda pelo produto X não haveria demanda para o trabalho de produzi-lo. No caso de uma possível diminuição do valor de X acarretaria na diminuição valor do serviço/trabalho/esforço de produzi-lo."

    Tudo bem, mas aí você apenas reforçou meu ponto de que euem determina tudo é o consumidor. Isso é um tanto óbvio, não?

    "Se a sociedade em geral não percebe as velas como um produto doméstico essencial e ,por exemplo, mudar sua preferência para lampadas, consequentemente a demanda por trabalho na industria de lampadas irá despencar."

    Idem acima.

    "O preço dos salários oscila em decorrência do preço dos produtos finais, se há lucro em produzir as lampadas existira trabalho nesse setor, caso contrário não haverá trabalho. Pois, significa que sua produção é inviável, consome mais recursos do que produz, ou seja, empobrece uma sociedade, deixa de criar valor para destruí-lo."

    Correto. E de novo: apenas comprova que quem determina tudo é o consumidor.

    Há um artigo inteiro sobre isso:

    Por que lixeiros e professores ganham menos que artistas e grandes jogadores de futebol
  • anônimo  23/10/2019 22:37
    O trabalhador não participa do capital, não participa do prejuízo. O lucro é o salário do capital. Não e da parte do trabalhador. Só que pra ter lucro , tem que fazer render, pois não é garantido o lucro pr quem investe. É risco. E quem se arrisca tem direito a ficar com o produto do risco. Pois ele ia ficar no prejuízo e o trabalhador não ficaria.
    O trabalhador so faz uma parte do serviço total ,que geraria o preço final. Não faz todo. Grande parte é feito pelo capital do empresário. E essa parte é dele. É uma divisão de partes.
    Os socialista apenas fantasiam que o trabalhador faz 100 por cento, pra provocar revolta contra o sistema e empresários, com fins políticos. E parece ser verdade, da maneira como falam.
    Também pregam que o capital da empresa é do trabalhador, o que é um erro proposital contábil, pra parecer que o trabalhador pode tomar a propriedade alheia, como se os bens de capital pudesse virar dinheiro num passe de mágica.
    Tem que se ensinar que essa visão é fantasiosa mesmo. Denunciar, senão instalam comunismos na forma da lei. E as pessoas ficam achando que tomar fábricas produz prosperidade.
    Tem que se ensinar contabilmente, 1 + 1 = 2, que se o trabalhador quiser ficar com os lucros ele deve investir em bens de capital próprio , participar dos prejuízos também. É uma questão de não ser canalha. E uma questão moral não querem a parte de outrem sem merecer.
  • Leandro Rock'n'Roll  24/10/2019 01:33
    O Brasil precisa desesperadamente de capitalismo. Capitalismo de verdade, não o liberalismo de pulover do João Dória e do Tucano Huck. Eu como um jovem de 19 anos à procura do primeiro emprego sinto na pele como é iniciar num país pobre, afundado em estatismo e leis trabalhistas como o nosso. A tão bela proteção da CLT só serve pra me manter no desemprego crônico, assim como tanto outros iguais a mim.
  • Dirce  24/10/2019 13:12
    Ótimos e enriquecedores comentários. Aprendi muito mais lendo os artigos e algumas indicações dadas por vocês do que em 10 anos de escola com apenas ideologia marxista.
    O problema do Brasil, na minha humilde opinião (de quem ainda tem que estudar muito, mas muito mais economia), é tanto a lavagem cerebral da exploração e da ideia do burguês safado quanto, por outro lado, "empresários" que acreditam que livre mercado é fazer lobbie por incentivos fiscais em Brasília..... ou seja, no primeiro prejuízo vão chorando pra Brasília (não querem correr riscos).
    Assim, enquanto tivermos os dois paradoxos (trabalhador que quer ganhar 100% dos lucros) e "empresário" que não quer lidar com risco, não vamos pra frente....
  • Pensador Puritano  24/10/2019 13:19
    Estive lendo em sites esquerdistas a ladainha de sempre sobre a precarização do trabalho,citam o caso dos motoristas de aplicativos e vem com aquele papo de regulamentar o setor,políticos esquerdistas aproveitam para lacrar e ganhar votos ao prometerem lutar pela categoria:os motoristas autônomos que se sentem inseguros com a onda de assaltos aos mesmos,engraçado é que querem culpar as empresas pela falta de segurança(Obrigação do estado)enfim se a ideia dos esquerdalhas por acaso vingar,a regulamentação desse setor será engessada e a UBER irá virar uma cooperativa de taxistas tão imprestável e inoperante quanta a guilda estatal dos taxistas,esses deputados esquerdistas na sanha de ganhar votos e serem anticapitalistas acham que a regulamentação é necessária e fecham os olhos para a realidade nua e crua(Não existe almoço grátis para ninguém)pública e notória que enquanto houver mais motoristas querendo entrar na UBER eles serão tratados como mais um e sem privilégios,portanto a tal precarização só será corrigida com a entrada de mais aplicativos no mercado e com esta concorrência os motoristas terem mais e melhores condições de trabalho,enfim só o mercado irá equilibrar esta relação e não será com regulamentações e limitação da concorrência que tais"relações de trabalho" será corrigida,enfim viva a livre-concorrência.
  • O Bordeleiro  24/10/2019 14:47
    Em 2008 nos bordeis tínhamos 50 homens para 20 mulheres, as meninas cobram 100 reais o programa, meninas 7/10 e 9/10 cobravam 150 reais, tinha tb o 20tao com mulheres 2/10 - 5/10.
    era possível conversar e trocar até beijos com elas, passada de mão, chupeta no salão , siririca a tudo nível experimental,
    uma verdadeira maravilha. Então começou a moda do culto ao corpo em meados de 2011 e o bordel passou a ser um lixo, sem conversas sem caricias e somente um capitalismo brutal, "vai subir ? vai subir?" era só essa pergunta q se ouvia no salão , passavam direto. então o salão começou a ficar com 60 meninas e 60 homens 10% disposto a subir e 90 % disposto a ver Strip e se aproveitar de amostras grátis , as meninas ficaram mais gostosas fato, porem mais chatas, e começaram a cobrar o dobro do valor, todas elas, ou seja , o volume do publico masculino continuo o mesmo e a oferta de meninas aumentou , porem o preço subiu e não abaixou, a pergunta que fica é como esse fenômeno quebrou a logica de precificação e fez os preços subirem mesmo com maior oferta de meninas?

    Hoje a pior menina 7/10 do salão cobra 150 + quarto e a melhor 350 10/10, o 20tao hoje é 70 reais 3/10.
  • anônimo  25/10/2019 02:08
    Bordeleiro, depois de 2008 tudo aumentou de preço, não foram só as meninas, e tinha aquele negócio de legalizar essa profissão também nessa época
  • Ex-microempresario  27/10/2019 18:18
    A turma que defende a "justiça social" precisa esclarecer uma coisa:

    Neste artigo, dizem que o salário deve ser definido pelas "necessidades" de cada um. Quem tem família maior, sustenta a vó ou coisa assim, tem que ganhar mais.

    Em outros artigos, reclamam que existe "discriminação" contra as mulheres, que ganhariam menos para fazer a mesma coisa.

    Afinal, é para todo mundo ganhar igual ou é para todo mundo ganhar diferente?

    É para ganhar de acordo com o que faz ou de acordo com o que "precisa"?
  • anônimo  27/10/2019 18:53
    Com qual argumento eu poderia refutar o seguinte ponto de vista: "O capitalista não trabalha, já que possui o capital e através dele adquire mais capital explorando o trabalho do empregado" ?
    ps: na conversa a frase foi mais ou menos assim: o dono da megaempresa fica o dia todo curtindo a vida enquanto nós estamos ralando 60h semanais, sofrendo pressão,stress,com horarios estritos.
  • Guilherme  28/10/2019 00:12
    Desenhado no artigo.

    De onde vêm os empreendimentos nos quais os trabalhadores são empregados?

    Como a fábrica ou a empresa foi construída? De onde vem o capital — as máquinas, ferramentas e equipamentos — das fábricas e empresas, com o qual os trabalhadores contratados realizam seu trabalho para produzir os bens que eventualmente estarão disponíveis para os consumidores comprarem?

    De onde vêm os recursos que garantem o pagamento dos salários dos trabalhadores?

    Alguém necessariamente teve de poupar uma parte dos rendimentos obtidos no passado para, então, utilizar esses recursos poupados na construção da empresa e no seu aparelhamento com todos os bens de capital necessários — sem os quais o trabalho de qualquer trabalhador seria consideravelmente muito menos produtivo, com muito menos quantidades produzidas, e muito mais imperfeito em sua qualidade.

    O empreendedor que inicia um empreendimento tem necessariamente de ou ter economizado os fundos necessários para cobrir suas próprias despesas de investimento ou ter tomado emprestado de outros que pouparam o necessário.

    Logo, sem o capitalista para financiar e sem o empreendedor para empreender, o trabalhador não teria à sua disposição as máquinas, as ferramentas e todos os bens de capital que possibilitam seu trabalho, que o tornam mais produtivo, e que aumentam seu valor.

    E tem mais.

    Os trabalhadores e todos os demais ligados ao processo de produção recebem seu pagamento enquanto o trabalho está sendo feito. Já o empreendedor arca com toda a incerteza sobre se irá ganhar ou não o suficiente com a venda de seus produtos para cobrir todas as despesas nas quais incorreu. Ele, aliás, nem sequer sabe se conseguirá vender seu produto.

    Ao pagar aos seus empregados os salários que foram acordados por contrato, o empreendedor os alivia da incerteza a respeito de se, no final do processo, haverá lucro, prejuízo, ou se a empresa ficará no zero a zero.

    É o empreendedor quem tem de fazer os julgamentos especulativos e criativos sobre o que produzir e a que preços seus produtos poderão ser vendidos. A precisão deste juízo empreendedorial em conseguir antecipar melhor do que seus concorrentes aquilo que seus consumidores podem querer comprar no futuro, bem como os preços que poderão pagar por esses bens, é o que determinará o sucesso ou fracasso de seu empreendimento.

    Sem o empreendedor e o capitalista para organizar, financiar e dirigir o empreendimento, seus empregados não teriam trabalho e nem receberiam salários antes que um único produto fosse fabricado e vendido.

    Portanto, o empreendedor não é somente o organizador da empresa e o investidor que faz tudo acontecer; ele também é quem irá arcar com as consequências caso não obtenha um lucro pelos seus esforços empresariais.


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