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Eis a ideia econômica menos compreendida – e uma das mais cruciais – da história
O menos “apto” não perece; ele apenas ganha menos dinheiro. E isso faz toda a diferença

Os defensores da propriedade privada e do livre mercado são frequentemente chamados de "darwinistas sociais" por aqueles que se opõem a estas duas instituições. Segundo estes críticos, defender livre mercado e propriedade privada significa desejar exterminar os fracos em benefício dos fortes. Significa defender a "lei da selva" e a "sobrevivência do mais apto".

No entanto, é exatamente sob o capitalismo que ambos os grupos — os mais fortes e os mais fracos, os mais adeptos e os menos preparados — conseguem se beneficiar e sobreviver sem violar as respectivas liberdades individuais, o que torna este arranjo dramaticamente anti-darwinista.

Os críticos simplesmente são incapazes de perceber que os arranjos voluntários que espontaneamente surgem no mercado substituem a selva. A competição para se criar riqueza adicional não produz baixas reais no longo prazo. Há apenas beneficiários.

No entanto, o apego à retórica de "competição selvagem", "sobrevivência do mais forte" e "darwinismo social" ofusca a veracidade da constatação acima.

E uma explicação para esse erro está na incompreensão de dois fenômenos cruciais: a questão das vantagens absolutas e das vantagens comparativas.

Vantagem absoluta e comparativa

O que ocorreria se os trabalhadores do grupo B tivessem exatamente a metade da qualificação dos trabalhadores do grupo A para produzir tanto o bem X quanto o bem Y?

Neste caso, os trabalhadores do grupo B presumivelmente não estariam entre os "mais aptos". Mas será que a vantagem absoluta dos trabalhadores do grupo A significa que os trabalhadores do grupo B morreriam de fome? Não. Quando os salários não são proibidos de se ajustarem de acordo com qualificação e produtividade, há a garantia de que ambos os grupos serão produtivamente empregados.

Se eu tenho metade da produtividade e da qualificação de você em tudo, ainda assim poderei sobreviver no mercado, pois, cobrando a metade do seu salário, o custo de se produzir empregando a mim seria o mesmo de produzir empregando você – o que significa, por definição, que, se eu cobrar qualquer valor marginalmente abaixo da metade do seu, serei eu quem irá ganhar o emprego.

Por outro lado, quando os salários são proibidos de se ajustarem às diferentes habilidades, resultados adversos surgirão: por exemplo, a imposição de encargos sociais e trabalhistas que encarecem (chegando até mesmo a dobrar) o custo total de um empregado irá desempregar os menos qualificados e produtivos.

Obviamente, o desemprego destas pessoas é o resultado da intervenção no livre mercado, e não do funcionamento livre deste mercado.

E se alterarmos o exemplo de modo que os trabalhadores do grupo B tenham a metade da produtividade e da qualificação dos trabalhadores do grupo A na produção do bem X, mas tenham um terço da produtividade e da qualificação na produção do bem Y?

Neste caso, os trabalhadores do grupo A ainda possuem uma vantagem absoluta na produção de ambos os produtos, mas agora os trabalhadores do grupo B adquiriram uma vantagem comparativa (ou relativa) na produção do produto X em relação aos trabalhadores do grupo A, pois agora terão apenas de abrir mão de dois terços de Y por unidade de X que produzem em relação aos trabalhadores de A.

Isso é fácil de entender.

Os trabalhadores do grupo A são capazes de produzir ou 100 unidades de X ou 100 unidades de Y por dia (ou por hora, ou por mês, ou por ano; você é livre para escolher o intervalo de tempo).

Os trabalhadores do grupo B são capazes de produzir, no mesmo intervalo de tempo, ou 50 unidades de X ou 33 unidades de Y.

Se os trabalhadores do grupo B se concentrarem exclusivamente na produção de X, e os de A se concentrarem exclusivamente na produção de Y, ambos ganharão, pois este será o arranjo em que há a produção do maior número de produtos — ou seja, é o arranjo em que a oferta é máxima.

Veja os arranjos possíveis:

1º Arranjo

Trabalhadores do grupo A: produzem 100 de X e 0 de Y

Trabalhadores do grupo B: produzem 50 de X e 0 de Y

 

2º Arranjo

Trabalhadores do grupo A: produzem 50 de X e 50 de Y

Trabalhadores do grupo B: produzem 25 de X e 16,6 de Y

 

3º Arranjo

Trabalhadores do grupo A: produzem 0 de X e 100 de Y

Trabalhadores do grupo B: produzem 0 de X e 33 de Y

 

4º Arranjo

Trabalhadores do grupo A: produzem 0 de X e 100 de Y

Trabalhadores do grupo B: produzem 50 de X e 0 de Y

 

5º Arranjo

Trabalhadores do grupo A: produzem 50 de X e 50 de Y

Trabalhadores do grupo B: produzem 50 de X e 0 de Y

 

Observe que o 4º arranjo, que é aquele em que ambos se concentram no que fazem melhor, é o que produz a maior oferta total de bens de qualidade: 100 de Y (feitos pelo grupo A) e 50 de X (feitos pelo grupo B).

O 5º arranjo também produz a mesma quantidade total de bens; entretanto, há uma redução de 50 unidades do bem Y, cuja produção o grupo A é capaz de fazer com três vezes mais qualidade. E há um aumento de 50 unidades do bem X, cuja produção o grupo A é capaz de fazer com apenas duas vezes mais qualidade.

Ou seja, o quinto arranjo é menos eficiente que o 4º arranjo: ele produz uma quantia menor de um produto que é 3 vezes melhor, e produz uma quantia maior de um produto que é apenas duas vezes melhor.

Com liberdade não há desemprego involuntário

Quando há liberdade para preços e salários se ajustarem de acordo com a realidade, e o comércio não é artificialmente restringido pelo governo, nenhum trabalhador fica desempregado involuntariamente.

Ao contrário: ambos os grupos de trabalhadores irão ganhar caso os trabalhadores do grupo B se especializem na produção do bem X (em cuja produção eles são relativamente melhores), e utilizem uma parte dessa produção para trocar com os trabalhadores do grupo A que produziram Y (em cuja produção eles são relativamente melhores).

Com efeito, neste caso, os trabalhadores do grupo B são relativamente mais aptos à produção do bem X no mercado, ainda que eles sejam, em termos absolutos, menos adeptos à produção deste bem do que os trabalhadores do grupo A.

Isso é, em essência, o que David Ricardo demonstrou com sua teoria das vantagens comparativas, que ele apresentou ao mundo em 1817. Mesmo que os trabalhadores de um país sejam menos produtivos na fabricação de todos os bens em relação aos trabalhadores de outro país, uma especialização de acordo com as vantagens comparativas de cada um, em conjunto com a adoção do livre comércio internacional, irá beneficiar os trabalhadores de ambos os países.

Verdadeira, mas nada óbvia

E esta é uma idéia extremamente importante de ser entendida. Segundo um relato de Deirdre McCloskey, quando o matemático Stanislav Ulam desafiou o vencedor do Nobel Paul Samuelson a apontar um princípio das ciências sociais que fosse, ao mesmo tempo, verdadeiro e nada óbvio, sua resposta foi: "a teoria das vantagens comparativas de David Ricardo". E ele prosseguiu:

O fato de que ela não é trivial pode ser atestado pelos milhares de indivíduos importantes e inteligentes que nunca foram capazes de entender a doutrina por conta própria, ou mesmo de acreditar nela após ouvirem uma explicação.

O espantalho do "darwinismo social" surgiu exatamente da idéia de que somente aqueles que são absolutamente os melhores em tudo irão sobreviver, e que todos os outros irão morrer esfaimados. Entretanto, esta simplesmente não é a realidade da competição que ocorre no mercado. Desde que as pessoas sejam livres para buscar seus próprios interesses, e desde que os preços de mercado (inclusive salários) não sejam proibidos de se reajustar, as pessoas optarão por se especializar naquilo em que possuem uma vantagem comparativa — mesmo que sejam, em termos absolutos, piores em tudo e não possam alegar vantagem absoluta em nada.

Como muito bem explicou George Reisman:

Cada indivíduo, por mais limitadas que sejam suas habilidades, pode superar a todos os demais — sem se importar com o quão mais talentosos estes são — na busca de seu nicho produtivo. [...]

Aqueles cujas habilidades não são maiores do que as necessárias para ser um zelador são capazes de superar, sem qualquer dificuldade, os maiores gênios produtivos do mundo — para obter um emprego de zelador.

Por exemplo, Bill Gates pode ser um indivíduo tão superior que, além de ser capaz de revolucionar a indústria de software, também seja capaz de limpar cinco vezes tantos metros quadrados de um escritório na mesma duração de tempo que qualquer zelador do planeta, e ainda fazer um serviço melhor. Mas Gates pode ganhar um milhão de dólares por hora administrando a Microsoft, e os zeladores podem estar dispostos a trabalhar por, digamos, $10 a hora, sendo que essa propensão deles para executar o mesmo serviço a um centésimo de milésimo do salário que Gates cobraria supera enormemente a menor habilidade que possuem, de modo que são eles agora que estão em clara preferência e vantagem na situação.

Conclusão

No mercado, o livre ajuste de preços permite que até mesmo aqueles que são, em um sentido absoluto, os menos capazes possam sobreviver em vez de perecerem.

Sendo assim, no mercado, o menos "apto" não perece; ele apenas ganha menos dinheiro. E isso não é nada trivial quando se compara o capitalismo a outros arranjos sociais.

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Leia também:

Como a Nova Zelândia e o Chile transformam vacas, ovelhas, uvas e cobre em automóveis de qualidade



autor

Gary Galles
é professor de economia na Universidade de Pepperdine, na Califórnia.


  • Em busca da verdade  16/10/2019 18:57
    Não creio que num mercado de trabalho totalmente livre não haveria desemprego. Não é porque o preço de um bem é livre que necessarimente toda sua oferta terá demandada. Na teoria sim, mas na prática nem sempre. Veja o caso dos juros no primeiro mundo. Estão negativos. Teoricamente, todo crédito criado recentemente e que tornou o juro negativo deveria ser demandado, levando à hiperinflação (algo previsto por muitos austriacos e que não se confirmou, ao contrário, há até deflação). O mesmo vale para o emprego. Não é porque o preço do trabalho é livre que toda sua oferta será necessarimente absorvida, gerando pleno emprego. Alias, muito mais importante que o preço da mão de obra é a necessidade dela. Por isso na era Lula houve pleno emprego, mesmo com leis trabalhistas muito mais restritivas e custosas financeiramente que as atuais.

    Eu penso que nenhuma teoria em ciências humanas dá conta da realidade, senão partir desta para aquela. Ou seja, o chão que sustenta uma teoria, bem como sua estrutura metálica que mantém o edifício em pé, deve ser a experência concreta. O caminho correto é do empírico para a formulação teórica. O problema dos austriacos, falha epistemológica, é que inverteram a lógica, tentando a priori pensar a realidade. E aí vêm surpresas como a deflação pós mega expansão monetária do Fed em vez de hiperinflação.
  • Amante da Lógica e da Verdade  16/10/2019 19:39
    "Não creio que num mercado de trabalho totalmente livre não haveria desemprego."

    O que você crê ou deixa de crer é algo que não tem a mais mínima importância para a humanidade. A questão é: qual é a sua teoria? Qual a sua explicação? Quão sólida ela é?

    Eis agora a minha teoria (e a minha realidade): não vivemos na abundância. As coisas não existem fartamente à nossa disposição. Todas elas precisam ser trabalhadas. Sendo assim, sempre haverá, em todo e qualquer lugar, algum trabalho a ser feito. Seja na fabricação de um bem de consumo, seja na prestação de algum serviço — nem que seja a limpeza de uma janela, a troca de uma lâmpada ou a limpeza de algum banheiro.

    Esse é um fato inegável: vivemos em um mundo de escassez em que sempre há algum trabalho a ser feito. E a quantidade de pessoas para executar esses trabalhos é limitada.

    Em um ambiente genuinamente livre, no qual as pessoas podem voluntariamente fazer qualquer acordo entre si sem sofrer a interferência de terceiros, não há desemprego involuntário.

    Ou seja, a pessoa que quer trabalhar não fica sem trabalhar. Todo o desemprego é voluntário: só fica sem trabalhar quem não quer trabalhar.

    Por exemplo, em um mercado totalmente desimpedido, você encontraria facilmente alguém disposto a lhe pagar — sem medo da justiça trabalhista — para trocar uma lâmpada, varrer um chão, limpar uma janela, consertar um carro, instalar uma televisão, reparar algum eletrodoméstico, programar um computador ou mesmo projetar um prédio (caso você seja realmente bom).

    No extremo, se essa demanda por mão-de-obra cair, então o preço dessa mão-de-obra também irá cair, até que toda a mão-de-obra disponível volte a estar empregada.

    O desemprego involuntário, portanto, é um fenômeno inexistente em um mercado livre, pois segue a mesma lei da oferta e da demanda que se aplica a todo o resto da economia: se a demanda por um produto cai, então o preço deste produto tende a se reduzir o suficiente para que todas as unidades disponíveis sejam adquiridas.

    Logo, se sempre há trabalho a ser feito, e se há mais trabalho a ser feito do que mão-de-obra para fazê-lo, por que então há desemprego involuntário?

    Obviamente, esse descompasso só pode ser causado por algum tipo de interferência externa nesta arena em que a demanda por bens e serviços e a oferta de mão-de-obra para executá-los se equilibram.


    P.S.: você pode, aí sim, dizer que o arranjo acima não é "confortável" ou "não é desejável". Tudo bem, mas aí é outro debate. Você tem de provar, por meio de argumentos racionais, que, uma vez adotado, ainda assim haveria amplo desemprego.

    "Não é porque o preço de um bem é livre que necessarimente toda sua oferta terá demandada. Na teoria sim, mas na prática nem sempre."

    De novo, isso é só achismo seu. Você tem de apresentar argumentos e teorias sólidas.

    "Veja o caso dos juros no primeiro mundo. Estão negativos. Teoricamente, todo crédito criado recentemente e que tornou o juro negativo deveria ser demandado, levando à hiperinflação (algo previsto por muitos austriacos e que não se confirmou, ao contrário, há até deflação)."

    Tem tanta coisa errada em um só parágrafo que é até difícil escolher por onde começar. Mas vamos lá.

    1) Pra começar, os juros estão negativos por imposição governamental, e não por um arranjo de livre mercado. E daí?

    2) E daí que juros negativos por imposição governamental nada mais são do que um controle de preços.

    3) Quando um Banco Central estipula a taxa básica de juros de economia, ele está, na prática, decretando um controle de preços.

    4) Banco Central estipular juros nada mais é do que uma agência governamental controlando o preço do crédito.

    5) Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta.

    6) Se a prefeitura da sua cidade estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100 por mês, o que acontecerá com a demanda por imóveis? Garanto que vai explodir. Mas o que acontecerá com a oferta? Garanto que vai encolher.

    7) E se a prefeitura fizer o contrário, e estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100.000 por mês? Garanto que a oferta vai explodir, mas a demanda vai desaparecer.

    8) Com o preço do crédito ocorre a mesmíssima coisa. O que acontece se o preço do crédito for decretado em um valor acima do de mercado? A oferta será ampla, mas haverá pouca demanda por empréstimos. E se o preço do crédito for decretado em um valor abaixo do de mercado? A demanda por empréstimos será alta, mas a oferta será escassa.

    9) Uma coisa que poucas pessoas ainda não perceberam é que, ao contrário da intuição normal, juros excessivamente baixos acabam restringindo a expansão do crédito. E a lógica é simples e segue o mesmo padrão apresentado acima.

    10) Se os juros estão em, por exemplo, 50% ao ano, então os bancos podem se dar ao luxo de ser menos cautelosos na concessão de empréstimos e sair emprestando para qualquer um. É a mesma lógica do agiota: se você emprestar para pessoas com histórico de crédito duvidoso, cobre juros altos; quanto mais altos os juros, mais você empresta para pessoas assim. Nesse cenário, a expansão do crédito pode acabar aumentando.

    11) Por outro lado, quanto mais baixos os juros, mais criteriosos e cautelosos os bancos têm de ser.

    12) Se os juros são muito altos e o mutuário dá calote em algumas prestações, tudo bem; desde que ele pague as outras, o banco ainda tem lucro. Já com juros baixos, qualquer atraso na prestação já afeta severamente a possibilidade de lucro do banco. Em um cenário de juros zero, apenas pessoas e empresas com excelente histórico de crédito conseguem empréstimos.

    13) Por isso esse aparente paradoxo entre juros zero, crescimento do crédito quase nulo e inflação de preços zero.

    E você? Qual a sua teoria?

    "O mesmo vale para o emprego. Não é porque o preço do trabalho é livre que toda sua oferta será necessarimente absorvida, gerando pleno emprego. Alias, muito mais importante que o preço da mão de obra é a necessidade dela."

    Pela terceira vez: apresenta seus argumentos e sua teoria, como eu fiz até agora.

    "Por isso na era Lula houve pleno emprego, mesmo com leis trabalhistas muito mais restritivas e custosas financeiramente que as atuais."

    Para começar, não houve pleno emprego na era Lula. Muito longe disso. A menor taxa de desemprego mensurada pela PNAD ocorreu na era Dilma (pois é) em dezembro de 2013 e foi de 6,3%. Isso está longe de ser pleno emprego. E o número só foi baixo por causa da metodologia bizarra, que, dentre outras coisas, exclui beneficiários de bolsa-família e desalentados do mercado de trabalho – algo que já havia sido denunciado aqui.

    Ademais, como bem explica a teoria, o desemprego foi baixo porque houve grande expansão da oferta monetária em conjunto com alta inflação de preços: ambas as coisas, combinadas, permitem contratar mais pessoas (pois há mais dinheiro) a salários reais extremamente baixos (porque os preços sobem rapidamente; e inflação no governo Dilma foi recorde). Exatamente como sempre ensinou a teoria.

    Aliás, a teoria também ensina que tal arranjo não pode durar para sempre, e uma correção inevitavelmente ocorrerá: ou via desemprego ou via redução do ritmo de aumento dos preços. No Brasil, ocorreram ambas. De novo, exatamente como prevê a teoria.

    E você, qual a sua teoria?

    "Eu penso que nenhuma teoria em ciências humanas dá conta da realidade, senão partir desta para aquela."

    Interessante, dado que, até agora, você só fez falar de suas teorias. Posso então concluir que você próprio está recomendando ignorar tudo o que você disse?

    "Ou seja, o chão que sustenta uma teoria, bem como sua estrutura metálica que mantém o edifício em pé, deve ser a experência concreta. O caminho correto é do empírico para a formulação teórica."

    Sem problemas por mim. Tudo o que eu disse acima segue válido. E você? Qual a sua teoria?

    "O problema dos austriacos, falha epistemológica, é que inverteram a lógica, tentando a priori pensar a realidade."

    Ao menos que você aponte uma falha neste raciocínio (até agora você fracassou em suas tentativas), você está apenas parolando trivialidades e ressentimentos.

    "E aí vêm surpresas como a deflação pós mega expansão monetária do Fed em vez de hiperinflação."

    Dado que o dinheiro ficou totalmente empoçado nas reservas bancários dos bancos americanos, como inúmeras vezes apontado por este site (aliás, tal política foi propositalmente criada pelo Fed), por que deveria haver hiperinflação? Como haveria hiperinflação se foi criada uma política voltada estritamente para manter dinheiro parado nas reservas bancárias? Estranho seria se houvesse ocorrido hiperinflação.

    E aí, qual a sua teoria?
  • Fabrício  16/10/2019 19:52
    Ouch! Esse tal "em busca da verdade" não volta mais. E se voltar vai ser só pra gemer. Pode apostar.
  • Victor Quintao  16/10/2019 20:20
    O "Em Busca da Verdade" deveria voltar e sempre. Quanto mais pessoas pensando Mises, melhor...Se continuar desse jeito, os libertários continuarão ilhados no mundo...Enquanto isso o Marxists.com não menospreza ninguém...inventam artigos (enganosos) sobre as injustiças sociais que até o Diabo chora e fica com remorso...
  • zezao cianureto  16/10/2019 23:43
    Perfeito!
  • Victor Quintao  16/10/2019 20:32
    Em economias mais dinâmicas, se uma pessoa é demitida existe uma tendência dela arranjar um outro emprego mais rapidamente...Aqui no Barril, como tudo está parado, se uma pessoa perde o emprego, ela perde o emprego
  • Humberto  16/10/2019 20:38
  • João T.  16/10/2019 20:42
    "Em uma economia livre e dinâmica, na qual sempre há oportunidades de emprego, se um indivíduo tem um emprego do qual não gosta ou no qual se sente desprestigiado, ele simplesmente pede para sair deste emprego e vai à procura de outro.

    Sendo ele competente em sua área, os empregadores irão lhe disputar acirradamente, fornecendo benefícios e salários altos. Afinal, sendo ele competente e produtivo, aquele empregador que lhe oferecer um simples aumento salarial e o conseguir como empregado terá enormes lucros. Os empregadores disputariam esse trabalhador.

    Logo, em uma economia livre, é o trabalhador quem estipula o próprio salário.

    Já em uma economia amarrada pelo governo, na qual há poucas oportunidades de emprego, e o próprio ato de contratar alguém legalmente é extremamente caro (no Brasil, encargos sociais e trabalhistas dobram o custo de um empregado), o trabalhador fica sem opção.

    Nesta economia amarrada pelo governo, aquele trabalhador que não gosta do seu emprego ou não se sente valorizado não tem nenhuma opção. Se ele pedir demissão, dificilmente encontrará outro emprego legal — pois a economia é amarrada e os custos trabalhistas são altos.

    Assim, quanto mais regulada e burocratizada a economia, e quanto maiores os encargos tributários sobre a folha de pagamento, menores as disponibilidades de emprego, menor o poder de barganha dos trabalhadores, menores os salários, maior a insatisfação, e maiores as chances de abuso.

    Em suma: se o mercado de trabalho é engessado por regulações trabalhistas e tributos sobre a folha de pagamento — os quais encarecem sobremaneira o preço do trabalho legal —, o governo está simplesmente fazendo com que empreender e gerar empregos legalmente seja proibitivo em termos de custos.

    Consequentemente, a mão-de-obra de qualidade mais baixa terá dificuldades para encontrar empregos formais, pois não é produtiva ao ponto de gerar mais receitas do que custos para seus empregadores. Seu poder de barganha será nulo, não haverá disputa por sua mão-de-obra e seus salários serão permanentemente baixos.

    Não culpe os capitalistas. Culpe os políticos."
  • Victor Quintao  16/10/2019 21:53
    "Se eu tenho metade da produtividade e da qualificação de você em tudo, ainda assim poderei sobreviver no mercado, pois, cobrando a metade do seu salário"...Como fazer isso se o funcionário não aceita essa redução no salário? Demitindo e contratando outros que aceitam...Mas estes outros verão que seus empregos não estão garantidos, como eles queriam,e verão que os empregos estão atrelados à competitividade da empresa (se a empresa estiver indo bem financeiramente e agradando o patrão, teremos empregos)...Tenho 1 milhão de empregados que sabem disso + 1 milhão de desempregados que foram demitidos por causa disso...e tenho 1 líder...
  • Ulysses  16/10/2019 22:28
    Errado. Aliás, raciocínio típico de quem nunca empreendeu na vida.

    Nenhuma empresa troca funcionário bom por funcionário ruim. Nenhuma empresa troca quem tem o dobro da produtividade por quem tem a metade. Tal troca, além de ser extremamente arriscada (trocar o melhor pelo pior nunca é inteligente), é também muito mais custosa do que parece: o funcionário ruim, ao ser contratado, tem ser extensivamente treinado, e isso é custoso; pior ainda, por ele pior, ele tende a ser mais burro, de modo que não há garantia nenhuma de que ele será bom de serviço.

    A teoria do artigo, da qual você pelo visto não entendeu bulhufas, não é sobre demitir o bom pelo ruim: é sobre como o ruim pode ter seu lugar na cadeia de produção, desde que aceite receber exatamente de acordo com o valor que ele gera.

    O Sírio-Libanês não irá demitir um cirurgião medalhão e contratar para o seu lugar um recém-formado despreparado apenas para cortar custos. O recém-formado despreparado poderá encontrar emprego no Sírio-Libanês, desde que aceite receber exatamente de acordo com o que produz (que é muito menos que o cirurgião medalhão). Se ele, por outro lado, cismar de que quer receber o mesmo que o cirurgião medalhão, aí é claro que ele não terá emprego nenhum.

    Sindicatos e leis de salário impostas por conselhos profissionais fazem exatamente isso. Políticas protecionistas que não aceitam que a população de um país não tem o mais preparo que a população de outro país na produção de um determinado item também fazem exatamente isso.

    Artigos recomendados sobre isso:

    www.mises.org.br/article/2903/em-economias-capitalistas-assalariados-sao-disputados-e-tem-aumentos-salariais-constantes

    www.mises.org.br/article/2617/como-a-nova-zelandia-e-o-chile-transformam-vacas-ovelhas-uvas-e-cobre-em-automoveis-de-qualidade
  • Victor Quintao  16/10/2019 23:17
    Eu tenho uma empresa que possui 1000 funcionários que recebem 100 reais. Se ela estiver dando prejuízo de 50000 mil reais eu terei duas escolhas (estou tirando a escolha de cortar custos) para cobrir o preju: ou demitir 500 funcionários (500*100=50000 mil e antes dessa demissão há aquela "férias forçadas" justamente para não perder o funcionário treinado) ou diminuir os salários para 50 (1ooo*50=50000 mil, se não querer, há quem quer)....suponhamos uma persistência do preju....qualquer que seja a minha decisão haverá uma reação dos funcionários, dos ex-funcionários (que foram demitidos ou que não aceitaram) e dos futuros funcionários (os que aceitaram)...todo mundo só quer seu empreguinho garantido: os funcionários estão temerários por causa da segurança de seus empregos depender do bom desempenho da empresa, os novos funcionários também, pois viram a história dos ex-funcionários, e os ex-funcionários já possuem ideias mais radicais (que carregarão para o próximo emprego) , tanto por serem demitidos quanto por terem que ir procurar novos empregos por não concordarem com o salário de 50 (atividade estressante)...Por causa destes temores e destas ideias radicais, há uma convergência para o sindicalismo?
    Surgirá um líder sindical obrigando todos os empregadores a oferecerem garantias? Esse líder sindical poderá oferecer subsídios para os empregadores que não conseguem pagar (tira escondidinho de um e dá para o outro)?

    *estou sendo meio off-topic...estou propondo a "ação humana dos empregados"...Demissões ou cortes de gastos convergem no "sindicalismo" e no "intervencionismo"
  • Régis  16/10/2019 23:41
    Isso é uma conjectura que nada tem a ver com nada. Funcionários trabalhavam em uma empresa ineficiente (que estava tendo prejuízos porque os consumidores pararam de comprar seus produtos aos preços ofertados) e foram demitidos porque a empresa estava quebrando.

    E daí? Qual o ponto?

    Não é cortando salários e contratando empregados piores que você fará com que esta empresa ruim passe magicamente a agradar os consumidores. Empregados realmente espertos pulariam fora rapidamente deste barco afundando e iriam para outras empresas melhores. Se não fizeram isso, é porque são burros mesmo, e aí merecem o martírio.

    Eu já trabalhei em uma empresa (do setor de tecidos) que eu tinha percebido que não duraria mais muitos meses. Imediatamente comecei a enviar currículos para outras empresas. Saí rapidinho. Quatro meses depois ela fechou. Não seria cortando salários e contratando vendedores piores que ela sobreviveria. Simplesmente não havia mais mercado para ela. Simples assim. Falências não apenas são coisas naturais, como também são imprescindíveis para que haja dinamismo em uma economia.

    Imagine uma economia em que nenhuma empresa quebrasse? Seria uma economia vibrante e dinâmica, ou seria uma economia atrasada e ineficiente?

    Dois artigos inteiros sobre isso:

    www.mises.org.br/article/3029/qual-traz-maior-prosperidade-para-uma-economia-criacao-de-valor-ou-maior-eficiencia-na-producao-

    www.mises.org.br/article/3048/eis-o-principal-motivo-por-que-empresas-recem-criadas-quebram--e-como-evitar
  • Interessado  17/10/2019 00:33
    Não estou falando de empresas fechando definitivamente. A empresa do meu exemplo demitiu os 500 piores funcionários,50 se demitiram por não aceitar os salários mais baixos, deixou os 450 melhores com ela e chegaram mais 50. Ela está relativamente incompetitiva mas com 500 funcionários ela consegue "se sustentar" (suponhamos).

    O ponto é: estes funcionários não estão se sentindo inseguros? Tudo depende da vontade do empregador! Será que ninguém vai fazer nada para ter um poderzinho se quer na empresa (persuasão)?


    O ponto é: não seria maravilhoso para todos os funcionários (somente) se houvesse algum empecilho que impedisse essas demissões ou esses cortes salariais?

    O ponto é:se o trabalho de milhões de funcionários depende da vontade de milhares de empregadores, não seria natural o desejo dos funcionários de controlar a vontade dos empregadores? Não é algo vantajoso e possível?


    *Não estou propondo nada, muito menos moralismo... só estou tentando entender as potenciais reações... você pulou fora do barco mas um outro colega seu votou no Zé Intervencionista que prometeu proibir a demissão e prometeu subsidiar as empresas improdutivas!



  • Régis  17/10/2019 01:46
    Sigo sem entender seu ponto. Você está dizendo que há funcionários que irão se sentir inseguros com medo de perder seu emprego?

    Ora, mas isso é a norma em qualquer área. Grandes e poderosos executivos também têm essa insegurança. Basta um resultado trimestral ruim que ele pode ser demitido. E técnicos de futebol, então? Não há profissão mais instável do que essa. Tem dó deles também? Deveria.

    Aliás, até mesmo funcionário público passa por isso. Basta anunciar a privatização de uma estatal que eles se borram todos. E daí, qual o seu ponto?

    Se há trabalhadores inseguros que irão querer criar sindicatos para tentar proteger seus empregos (uma impossibilidade prática, pois é impossível manter empregos em empresas falidas), isso é algo que não tem nada a ver com a teoria. A teoria existe para explicar como funciona a economia, e não para soar bonita ou agradável para os mais delicados.

    Aliás, é também a teoria que explica que sindicatos, ao exigirem pisos salariais altos, causam desemprego aos menos qualificados. E aí, os menos qualificados não deveriam criar um sindicato para combater os outros sindicatos? Você também deveria fazer essa pergunta.

    Perceba que suas perguntas passam totalmente ao largo do ponto principal em discussão.
  • Victor Quintao  17/10/2019 02:42
    Tirando a parte da dó você me entendeu. "Quando os salários NÃO são proibidos de se ajustarem de acordo com qualificação e produtividade, há a garantia de que ambos os grupos serão produtivamente empregados"

    O problema está no "NÃO" porque na realidade é SIM, os empregadores são proibidos de ajustarem o salário de acordo com a produtividade e etc...Agora, o que os empregados querem? O poder de renegociar os salários para, quem sabe, ganhar menos para não ser demitidos ou algum sindicato/político/lei/fiscal forçando as coisas ? Eu acho que é e foi a segunda opção, mesmo não ela sendo razoável (como propõe o site)
  • Leandro C  18/10/2019 14:16
    "Régis 17/10/2019 01:46"
    Apenas acrescentando aos argumentos do colega que os empresários, tal qual os empregados, também ficam receosos, também não querem falir e isto é da natureza humana.
    Os empregados montam sindicatos, buscam legislações que protejam os já empregados.
    Os empresários, por sua vez, montam lobbys, buscam legislações que protejam os empreendimentos já em curso, tentam fechar o mercado à concorrência (interna e externa), tentam colocar regras que dificultem a entrada de novos players.
    Enfim, o medo é da natureza humana, mas há diversas formas de lidar com ele; nossa cultura nos ensina a lidar errado com o medo.
    Podemos aceitar que tantos os empregados quanto os empresários tenham seus lobbys fortes, o que significa que o governo também terá que ser forte para lidar com isto, e então nos encontrarmos na situação atual, onde vale mais a pena erguer muros contra os outros e agradar o governo, cuja balança pode pesar inexoravelmente em favor de alguém e detrimento de outro; solução que, ao final, enriquece alguns enquanto empobrece a todos.
    OU podemos tentar ir implantando uma cultura de não aceitação de qualquer coisa deste tipo, nem por parte de uns, nem de outros; o que significa que o governo então não necessitará ser tão forte (ou, traduzindo, tão inchado, grande, custoso, invasivo etc) para lidar com isto e então os empregados terão que agradar os seus empregadores e seus empregadores, igualmente, terão que agradar tanto os trabalhadores quanto os consumidores; ninguém precisará se preocupar tanto em agradar o governo e então o que pesará em favor de um ou de outro será a capacidade de agradar ao mercado; solução que satisfaz a todos.
  • Victor Quintao  17/10/2019 01:45
    *obrigados a oferecer
  • Leandro C  17/10/2019 12:29
    "João T. 16/10/2019 20:42"
    Em uma economia livre e dinâmica, na qual sempre há oportunidades de emprego, se um indivíduo tem um emprego do qual não gosta ou no qual se sente desprestigiado, ele simplesmente pede para sair deste emprego e vai à procura de outro."

    Concordo plenamente colega; inclusive, acrescento ao debate a reflexão de que o livre mercado proporciona, da forma como você mencionou, as melhores condições para a felicidade de todos, tanto do consumidor, quanto do próprio trabalhador (não que não sejamos todos trabalhadores e consumidores), mas, quero dizer, proporciona que a felicidade não resida apenas no consumir, mas também no produzir.

    Em princípio, todos são consumistas, não apenas aqueles que vivem no livre mercado, mas também aqueles que vivem em outros arranjos (como, no socialismo), não fosse assim, se nada consumissem, morreriam à míngua; ocorre que o livre mercado fornece melhores condições tanto de renda quanto de diversidade de consumo (ou seja, proporciona as melhores condições de consumo de fato), enquanto em outros arranjos o consumo é restringido mais duramente pela escassez; mas isto não significa que a natureza das pessoas seja deturpada no primeiro e angelical no segundo (como os ECOmenistas querem fazer crer); longe disso em matéria de personalidade humana e, na prática, ocorre até o contrário, na medida em que a maior eficiência alcançada no livre mercado conduz também a um consumo mais eficiente.

    O que as pessoas mais querem é, afinal, consumir felicidade; não apenas comida, mas experiências, conceitos etc, senão se satisfariam apenas com farinha e água e ponto final, o que parece já haver em quantidade suficiente a todos; neste sentido, acusar o livre mercado de incentivar o consumo é uma bobagem, pois se em outro arranjo a pessoa passa a maior parte do seu tempo infeliz (pois, pelas condições que você mencionou, ela não pode trocar de emprego) e só consegue felicidade no consumo (ainda que em um consumo parco, em razão das deficiências impostas pelo Estado) então só resta sair gastando como um louco em busca de toda a sua satisfação (o que a experiência revela que não funcionará indefinidamente); agora, em um arranjo no qual a pessoa passa a maior parte do tempo já feliz, ao poder trabalhar naquilo que já a satisfaz minimamente, então sua ânsia por se refestelar fora do trabalho certamente diminui, pois a pessoa, a princípio, já se sente minimamente satisfeita; ela já estará suficiente plena de felicidade e então tenderá a buscar o que, de fato, precisa materialmente (não psicologicamente para preencher seu vazio sentimental).

    Assim, o livre mercado traria as melhores condições de proporcionar que cada pessoa encontre mais facilmente sua felicidade, tanto no trabalho, quanto no consumo. É garantia de felicidade para todos? claro que não, a escassez continuará existindo por toda a parte e o mundo continuará a não ser um lugar plenamente justo e sempre há desarranjos pontuais; o livre mercado é apenas o arranjo que proporciona as melhores condições, pois é o menos injusto, o que proporciona as melhores condições de lidar com a escassez e ainda as melhores condições para promover os rearranjos necessários com maior celeridade.
  • Leandro C  18/10/2019 14:26
    "Em busca da verdade 16/10/2019 18:57"
    Tenho que o colega "Amante da Lógica e da Verdade 16/10/2019 19:39" foi magistral e já iluminou, em muito, nosso raciocínio; contudo, talvez seja oportuno pontual algumas questões:

    "Não creio que num mercado de trabalho totalmente livre não haveria desemprego."
    Também não creio, pois as pessoas vão mudando de ideia constantemente, ainda mais no livre mercado (onde a liberdade ganha um peso maior); claro que no processo de readaptação e mudança não seja instantâneo; e nem precisa, já que a preocupação não será com o pleno emprego (em termos coletivos) ou com estar efetivamente empregado em qualquer coisa (em termos individuais), mas sim com o bem estar geral ou com estar fazendo o que se gosta; a preocupação com o emprego enquanto prioridade deixa de existir; a existência de desemprego, portanto, deixa de ser a questão mais relevante num cenário em que todos possam, ainda assim, ter bem estar.
    Ademais, a plena liberdade não é garantia que toda a escassez cessará, pelo contrário, é o reconhecimento que a escassez existe e que cada um tem o direito de buscar a seu modo a satisfação de suas necessidades; a plena liberdade não será um passe mágico que acabará com todo sofrimento, apenas é o melhor arranjo para tanto, na medida em que permite que cada um procure as próprias soluções para lidar com tal sofrimento; a plena liberdade não é garantia de que isto ocorrerá, mas tenho por certo que é o melhor arranjo para que isto ocorra.
    Aliás, acreditar que algum arranjo resolverá, por si só, todos os nossos problemas é coisa de esquerdista fanático, um niilismo gigante, nenhum arranjo nos conduzirá ao Eldorado, à nossa transcendência aqui na Terra, ao paraíso; continuaremos a ter que lidar com a realidade, apenas haverá condições de ser uma realidade melhor a cada um a partir do momento em que cada um puder decidir sua realidade.
    Perceba que a escassez existe e nos aproximamos em sociedade justamente porque percebemos que individualmente seria muito penoso que conseguimos produzir tudo de que precisamos; o livre mercado é o melhor arranjo na medida em que prevalece o equilíbrio entre o individual e o coletivo (sociedade), na medida em que o indivíduo apenas se relaciona com os demais quando assim entender conveniente, isto se dá porque ninguém é obrigado a nada já que o livre mercado ocorre mediante as trocas voluntárias; nos demais arranjos, a troca não é voluntária, portanto, você é coagido e não tem liberdade, portanto, há desequilíbrio na balança em detrimento do indivíduo e em prol da sociedade; o indivíduo passa a ser escravo tanto maiores são as obrigações que o coletivo (a democracia etc) venha a criar (e olha que são milhares de leis); balança desequilibrada resulta em tristeza aos indivíduos; cultura de balança desequilibrada faz com que os indivíduos tristes, visando lidar com a tristeza, criem estratégias para desequilibrar ainda mais a balança (mais Estado, mais sociedade etc).

    "Não é porque o preço de um bem é livre que necessarimente toda sua oferta terá demandada."
    Claro que não; tanto que há empresários que quebram, aliás, há consumidores insatisfeitos e quebrados também; por isto todos ficam muito mais responsáveis ao consumir e ao produzir; perceba que o arranjo inverso (não usar o preço ou demanda como parâmetro, mas sim imposições legais) é ainda mais perverso, menos eficiente, traz menos felicidade etc etc.

    "Na teoria sim, mas na prática nem sempre."
    Acho que nem na teoria é assim. Na prática certamente não é, pois se eu produzisse um vaso horroroso feito de cocô de cavalo, ainda que eu baixasse o preço a zero, provavelmente, ainda assim, não haveria demanda; o exemplo é bizarro, mas coloque qualquer produto na situação e verá que ocorre o mesmo.

    "Veja o caso dos juros no primeiro mundo. Estão negativos. Teoricamente, todo crédito criado recentemente e que tornou o juro negativo deveria ser demandado, levando à hiperinflação (algo previsto por muitos austriacos e que não se confirmou, ao contrário, há até deflação)."
    O exemplo que você citou comprova exatamente o contrário do que você quis comprovar; o primeiro mundo é mais livre, mas, também não é plenamente livre, e, no caso, a falta de liberdade na definição de juros é mesmo um problema.

    "O mesmo vale para o emprego."
    Sim, o mesmo vale para o emprego e para tudo o mais; nos mesmos termos já tratados.

    "Não é porque o preço do trabalho é livre que toda sua oferta será necessarimente absorvida, gerando pleno emprego. "
    Concordo, não é. Apenas haverá melhores condições para o ser e tenho que "melhor" é melhor do que "pior", então se for "melhor" já é "melhor", não precisa ser absolutamente "perfeito" para que aceite; talvez seu idealismo esteja exarcebado, melhor tentar se aproximar um pouco mais da realidade.

    "Alias, muito mais importante que o preço da mão de obra é a necessidade dela."
    Sim; lei da demanda e oferta havida no livre mercado; a demanda regula o preço; então qual o problema?

    " Por isso na era Lula houve pleno emprego, mesmo com leis trabalhistas muito mais restritivas e custosas financeiramente que as atuais."
    Isso não ocorreu; e se tivesse ocorrido, não seria pelos motivos que mencionou, mas sim apesar das questões que você mencionou. Ademais, não acho que tenha mudando taaaaaaanto assim de lá para cá, tudo ainda é muito caro, inclusive a mão de obra.

    "Eu penso que nenhuma teoria em ciências humanas dá conta da realidade, senão partir desta para aquela."
    Pois seus argumentos entregam que você acredita sim em teorias que dão conta da realidade, se não você não seria (ou pareceria ser) tão idealista; pois bem, mas se a percepção quanto à personalidade foi falha, perdoe-me; de todo modo, concordo com sua expressão: nenhuma teoria dá conta da realidade, nem em ciências humanas e nem em qualquer área; a realidade será sempre maior do que o conhecimento que possamos ter dela, inclusive, isto me parece meio óbvio; não somos e nunca seremos seres oniscientes, justamente por isto é que a liberdade é tão importante, para que cada um busque a sua própria verdade, a sua própria teoria e prática; digo até que se fôssemos seres oniscientes certamente não haveria escassez e certamente o socialismo funcionaria plenamente, pois o Estado saberia plenamente do que cada um precisa e como satisfazer a cada um; ora, no estágio atual de consciência sequer nós mesmos consigamos decifrar exatamente o que queremos, ou sabemos etc; portanto, justamente porque fundada na realidade é que o livre mercado proporciona as melhores condições de existência; justamente porque fundada numa idealidade é que outros arranjos funcionam de forma tão pior.

    " Ou seja, o chão que sustenta uma teoria, bem como sua estrutura metálica que mantém o edifício em pé, deve ser a experência concreta. O caminho correto é do empírico para a formulação teórica. O problema dos austriacos, falha epistemológica, é que inverteram a lógica, tentando a priori pensar a realidade. E aí vêm surpresas como a deflação pós mega expansão monetária do Fed em vez de hiperinflação."
    Quanto mais chão uma teoria tiver, tanto mais sólida será; mas sempre estará erguida a partir do chão e, portanto, sempre correrá riscos de, ainda assim, desmoronar; justamente porque a teoria não é a realidade; para que ela seja a realidade a teoria não terá que ser uma estrutura metálica a manter o edifício em pé, ela terá que ser o próprio chão, o que é uma impossibilidade; enfim, não somos oniscientes, justamente por isto criamos teorias a respeito da realidade, buscando entender esta; se soubéssemos de tudo, não precisaríamos teorizar sobre nada.
    No mais, não exijo que os austríacos expliquem a realidade de forma perfeita ou plena, apenas acho que, no pouco que conheço, são os mais coerentes; novamente você demonstra uma idealização excessiva, uma teorização que não encontra base na realidade; a vantagem dos austríacos, a meu ver, é justamente por terem atuado da forma contrária daquela que você imputou, ou seja, é justamente perceberem a realidade sem tanta utopia ou idealização (acredito que não de forma absoluta, senão seriam deuses) como vemos nos demais pensadores.
  • Bernardo  16/10/2019 19:12
    A vantagem comparativa é suficiente para empurrar a sobrevivência do mais apto a uma determinada tarefa. Leões são mais aptos como predadores das maiores presas, mas as hienas são mais aptas como abutres de resíduos menores.

    O fato de que consumidores escolhem os melhores produtores para cada produto não é uma falha, mas sim uma característica universal de inigualável valor intrínseco. Sendo assim, é algo que deveria ser ampla e claramente compreensível para qualquer um.

    Produtores, principalmente os menos eficientes, tendem a não gostar do fato de estarem sujeitos aos caprichos e aos controles dos consumidores. Mas ao mesmo tempo, estes mesmos produtores também são consumidores, e adoram estar no controle, na condição de consumidores, de outros produtos que compram.
  • George R.  16/10/2019 22:34
    Certo, mas essa sua comparação com animais é meio deslocada. A competição econômica que ocorre sob o capitalismo é radicalmente diferente da competição biológica que prevalece no reino animal. Com efeito, é diametralmente oposta.

    As espécies animais têm de lidar com meios de subsistência escassos e naturais, cuja quantidade elas não podem aumentar. Já o homem, em virtude de ser dotado da razão e da inteligência, pode aumentar a oferta de todas as coisas das quais dependem sua sobrevivência e bem-estar.

    Assim, em vez da competição biológica de animais brigando entre si para arrebatar uma fatia de quantidades limitadas de recursos naturais, com os fortes triunfando e os fracos perecendo, a competição econômica sob o capitalismo é uma disputa para ver quem mais consegue aumentar a quantidade de bens existentes, sendo que o resultado prático de tal competição é fazer com que todos vivam melhor e mais longevamente.

    De maneira completamente distinta aos leões na savana, que precisam competir por uma oferta limitada de animais como zebras e gazelas, por meio do poder de seus sentidos e membros, os produtores no capitalismo competem por uma quantidade limitada de dinheiro que está nas mãos dos consumidores, pelo qual competem oferecendo os melhores e mais econômicos produtos que suas mentes são capazes de conceber.

    Dado que tal competição é do tipo que visa à criação positiva de riqueza nova e adicional, não há perdedores reais no longo prazo. Há apenas ganhadores.

    A competição entre os agricultores e entre os fabricantes de equipamentos agrícolas permite que os famintos e os fracos possam se alimentar e crescer saudáveis; a competição entre os fabricantes de produtos farmacêuticos permite que os doentes possam recuperar sua saúde; a competição entre os fabricantes de óculos, lentes de contato e aparelhos auditivos permite que muitas pessoas que de outra forma não poderiam ver ou ouvir agora o possam.

    Longe de ser uma competição cujo resultado é "a sobrevivência do mais forte", a competição no capitalismo é mais acuradamente descrita como uma competição cujo resultado é a sobrevivência de todos — ou pelo menos de um número cada vez maior de pessoas, proporcionando maior longevidade e melhores condições de vida.

  • Juliano  16/10/2019 19:13
    Obrigado pela sucinta explanação sobre um tema tão crucial. Excelente.
  • Lucas  16/10/2019 20:11
    É óbvio que o principal obstáculo ao princípio de Ricardo ser mais bem conhecido é a teoria econômica que foi criada pelo homem que surgiu muito após Ricardo ter publicado: um carinha chamado Marx.
  • Vladimir  16/10/2019 20:15
    Acho que não. A teoria de Ricardo desafia os lobistas dos grandes e poderosos conglomerados industriais, que dependem do protecionismo e da reserva de mercado para manterem seus lucros artificiais (oriundos da proibição estatal do povo podem comprar importados mais baratos).
  • Humberto  16/10/2019 20:14
    Um excelente artigo. Ótima lembrança de quanto Ricardo (um economista injustamente muito pouco apreciado) contribuiu para a ciência econômica.
  • Cosmo  16/10/2019 21:13
    Excelente artigo, principalmente para aqueles que tem aquela mentalidade de que o capitalismo é um sistema em que uns perdem para que outros ganham, quando na verdade ele é um sistema em que todos ganham. Infelizmente esse pensamento é predominante pq o capitalismo foi deturpado pelo socialismo e o facismo.
  • Chibata Austríaca  16/10/2019 23:25
    "Warren Buffet, o famoso financista, expressou belamente este argumento, ao declarar o seguinte em uma entrevista na televisão em 1995: "Creio pessoalmente que a sociedade seja responsável por um percentual significativo do que eu ganhei. Se me colocarem no meio de Bangladesh, do Peru ou de outro lugar semelhante, vocês descobrirão quanto este talento irá produzir no tipo errado de solo. Daqui a trinta anos ainda estarei tendo dificuldades."

    - "23 Coisas que nãos nos contaram sobre o Capitalismo"

    Ha-Joon Chang, 2010

  • Vladimir  16/10/2019 23:40
    Warren Buffet enriqueceu comprando ações de empresas. Obviamente, ele só é rico porque comprou ações de empresas eficientes e lucrativas. E eram eficientes e lucrativas exatamente porque operavam em ambientes de mercado dinâmico e competitivo – ou seja, em ambiente capitalista.

    Por definição, se ele comprasse só ações de empresas de Bangladesh, é óbvio que ele estaria na miséria. Não há capitalismo em Bangladesh (ao menos não no mesmo nível americano). Logo, não há empresas com o mesmo nível de eficiência, qualidade e lucratividade que há nos EUA.

    Essa frase dele, em sendo verdadeira, é uma grande deferência à eficiência capitalista e uma profunda crítica à sua ausência.

    Obrigado por postá-la.
  • zezao cianureto  16/10/2019 23:29
    Excelente artigo, o problema é convencer em uma democracia, onde o numero de empregados é maior que o de empreendedores, que menos direitos e menos leis irão gerar mais empregos. Você tem a vontade da maioria se opondo a razão da minoria. Portanto sempre haverá a interferência do ESTADO infelizmente do lado oposto da razão.
  • Estado o Defensor do Povo  17/10/2019 01:35
    Caro "em busca da verdade", um adendo sobre o que você falou sobre expansão creditícia, não é verdade que juros excessivamente baixos estimulem a expansão de crédito, pelo contrário.

    A lógica é a seguinte:

    Quanto maiores forem os juros, mais os bancos terão incentivo para emprestar, nesse arranjo devedores mais arriscados de dar calote conseguem contrair empréstimo, só que ao mesmo tempo nesse arranjo os devedores não têm incentivo para tomar empréstimo, então não há expansão de crédito.

    Com juros excessivamente baixos a lógica se inverte, os tomadores de empréstimo até têm mais incentivo para comprar crédito, mas os bancos não têm mais incentivo para emprestar dinheiro nesse arranjo, apenas empresas e pessoas com um excelente histórico de confiança e sem risco de calote conseguem tomar empréstimo.

    Juros baixos estimulam expansão de crédito até um certo ponto, depois não mais.

    Ninguém aqui fala de hiperinflação, as rodadas de injeção de liquidez dos bancos centrais são operações apenas entre eles e bancos, todo dinheiro que eles criam nesse processo não entra na economia, não é passado de mão em mão, para haver inflação tem que haver oferta farta de moeda para as pessoas, pois com mais dinheiro na mão as pessoas passarão a cobrar mais caro pelos seus serviços, como esse dinheiro nunca ficou disponível para as pessoas comuns, então não há inflação.
  • Observador  17/10/2019 01:47
    Essa questão dos juros é bastante interessante e eu confesso que NUNCA tinha pensado por esse lado. E faz total sentido. É realmente a lógica do agiota: juros altos possibilitam empréstimos para todos os tipos de clientes; juros baixinhos só possibilitam empréstimos para os clientes mais top, com os melhores históricos.

    Não é à toa que nos países de juros baixinhos praticamente não há expansão monetária. Não há crédito. Só se empresta para megaempresas com ótimo histórico de crédito. Li no Financial Times que pessoas e microempresas praticamente não conseguem empréstimos na zona do euro. Não tinha entendido o motivo. Agora faz todo o sentido.
  • anônimo  17/10/2019 13:05
    Compreendi em partes.

    Quanto menor for a margem, maior será a necessidade de ampliar a escala, ou não? Peguemos, por exemplo, a venda de canetas, picolés e caixas de fósforo. Isto não se aplicaria ao sistema bancário também? Abraço a todos :-)
  • Um humilde investidor  17/10/2019 11:16
    Caro Estado o Defensor do Povo,

    Para o banco não faz sentido querer que os juros básicos subam. Juros mais altos significam em mais calotes. Quando falamos de carteira de empréstimos , o que importa é o spread bancário. Se o spread se mantiver alto com os juros básicos baixos, é até mais interessante para os bancos pois o risco de calote diminui ao mesmo tempo em que o lucro dos empréstimos se mantém alto.

    O que ocorre quando vemos o lucro dos bancos subir junto da subida das taxas de juros é que os bancos passam a especular com títulos públicos, e não com empréstimos.
  • Estado o Defensor do Povo  17/10/2019 14:37
    E quando que eu falei que os bancos querem que os juros subam cara pálida? Só disse que juros excessivamente baixos não estimulam a expansão de crédito, e expliquei a lógica por trás.
  • Dane-se o estado  17/10/2019 13:33
    " espantalho do "darwinismo social" surgiu exatamente da ideia de que somente aqueles que são absolutamente os melhores em tudo irão sobreviver, e que todos os outros irão morrer esfaimados. Entretanto, esta simplesmente não é a realidade da competição que ocorre no mercado. Desde que as pessoas sejam livres para buscar seus próprios interesses, e desde que os preços de mercado (inclusive salários) não sejam proibidos de se reajustar, as pessoas optarão por se especializar naquilo em que possuem uma vantagem comparativa — mesmo que sejam, em termos absolutos, piores em tudo e não possam alegar vantagem absoluta em nada."

    O espantalho do Darwinismo social é mesmo um espantalho, inclusive um espantalho da própria teoria original de Darwin, já que esta crítica que pressupõe que somente os muitos preparados vão sobreviver ignora um outro fator fundamental da teoria da seleção natural:

    A mimetização;

    Organismos de uma espécie que desenvolvem as melhores características tendem a ser mais preparados e a sobreviver mais, porém a tendência é que os demais que não são tão preparados ou vão seguir este indivíduo mais preparado ou vão imitar suas características.

    Ou seja, Alguém que tem um ideia empreendedora muito revolucionária vai ter vantagem e ter muito lucro e girar a preferência da seleção natural dos outros indivíduos da espécie para ele primeiro, mas os demais que não são tão espertos podem simplesmente mimetizar e replicar o modelo empreendedor, ampliando a oferta de características e ideias úteis no mercado e assim mantendo sua sobrevivência estabelecendo concorrência e reduzindo o custos.

    Na verdade um mercado livre é sim um Darwinismo social e seleção natural, e isto nunca foi algo ruim.
  • thiago  17/10/2019 14:48
    também não gostei da comparação anti-darwinista. Os seres se adaptam à suas vantagens comparativas, de forma que uns comem zebras, outros comem as carcaças, outros comem grama, outros comem frutos, outros desenvolvem resistência a toxinas. Os chimpanzés menos aptos não morrem, mas vivem sob a liderança do macho-alfa ou ocupam determinado lugar na hierarquia do grupo, e o mesmo pode ser dito para várias espécies. Concordo que estamos num patamar mais elevado, em que criamos riquezas, mas isso não nega os princípios darwinistas.
  • Estado o Defensor do Povo  17/10/2019 16:26
    O ponto é que essa história de darwinismo social causa a impressão que apenas indivíduos excepcionais têm chance, enquanto pessoas mais comuns estão fadadas ao fracasso e a miséria, e não é verdade isso, mesmo pessoas comuns que não têm absolutamente nada de especial vão sobreviver no mercado, elas tendem a imitar os mais aptos, aliás não só isso, é bem possível ter sucesso na vida sem ser um indivíduo extraordinariamente brilhante, tenho alguns tios na família que são assim.
  • Eli Manning  17/10/2019 18:24
    Pessoal, gostaria que me tirassem uma dúvida.

    Em um cenário com juros baixos, os bancos só conseguiriam obter os seus ganhos através da ampliação dos créditos, dado que as margens - spreads- estão baixíssimos. Ou seja, teriam de aumentar a escala das suas operações. Diante disso, como surgiria a possibilidade de uma maior clivagem dos mutuários, limitando, assim, em última instãncia, a oferta de crédito pelos estabelecimentos bancários? Sinceramente, não estou conseguindo entender isto.

    Quanto menor for a margem, maior será a necessidade de ampliar a escala, ou não? Peguemos, por exemplo, a venda de canetas, picolés e caixas de fósforo. Isto não se aplicaria ao sistema bancário também?

    Muito grato :-)

  • Diego  18/10/2019 23:41
    Sim se aplica. Mas eles nem precisam fazer isso. Na europa eles simplesmente nao emprestam a pessoas e empresas, sem historico de credito bom.

    Para os bancos de todo o globo, sempre haverá um cliente com muito poder e dinheiro, que sempre precisará de eempréstimos :O governo.
  • Emerson Luis  03/12/2019 15:31

    É uma ideia realmente pouco óbvia, até mesmo anti-intuitiva, mas verdadeira. Muitos sinceramente não a compreendem, mas alguns não querem compreendê-la ou fingem não conseguir.

    Vale enfatizar que a máxima da seleção natural NÃO diz "sobrevivência do mais forte", mas sim "sobrevivência do mais apto". É muito diferente. E ser mais apto inclui a aptidão de cooperar.

    Diferentemente do que a maioria de nós aprendeu a acreditar, na Natureza em geral há muito mais cooperação do que competição. E o ser humano é o animal com maior capacidade de cooperação que existe.

    * * *



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