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Por que o número de empresas não importa em termos de inovação e concorrência
Quantidade é menos importante que qualidade – a qual depende de inovação

Vamos direto ao ponto: por si só, consumidores não se beneficiam do fato de haver muitos produtores do mesmo bem ou serviço. Com efeito, o número de produtores é irrelevante.

Consumidores também não ganham com o fato de haver muitas empresas concorrendo entre si. A estratégia destas empresas importa muito pouco.

Consumidores se beneficiam de algo muito mais concreto: a produção voltada para a criação de valor.

Concorrência não se resume ao que existe hoje

Como várias vezes já explicado aqui, criar valor para os consumidores é descobrir quais são os desejos e necessidades não satisfeitos das pessoas e então ajudar a satisfazê-los; é descobrir o que os consumidores valorizam e então ofertar para satisfazer essa demanda. Resolver problemas, satisfazer desejos ou necessidades, tornar a vida mais confortável etc.: tudo isso é criação de valor.

É possível criar valor oferecendo algo novo ou oferecendo algo que já existe de uma maneira diferenciada e inovadora. Igualmente, também é possível criar valor ofertando coisas triviais de uma maneira que faça o consumidor perceber o valor que pode obter com isso.

Fomos doutrinados a entender que concorrência significa vários agentes tentando fazer exatamente a mesma coisa, com cada um sendo forçado a superar os outros. Porém, isso é uma simplificação que praticamente beira a mentira.

E o motivo é que a pressão competitiva que faz com que um determinado empreendimento esteja continuamente tentando inovar (e até mesmo se reinventar) não está no fato de que "há outros concorrentes". O que realmente interessa é a possibilidade de que outros empreendimentos poderão surgir e superá-lo no futuro.

E isso é muito mais do que uma minúcia semântica.

Imagine um velocista que seja tão rápido (tipo um Usain Bolt) que nenhum atleta atual é visto como capaz de superá-lo. Por acaso isso significa que ele pode se dar ao luxo de parar de treinar? Poderia ele simplesmente se contentar em manter sua atual habilidade?

É óbvio que não. Não há nenhuma garantia de que outros atletas, que treinaram de maneira diferenciada e desenvolveram novas habilidades específicas, não irão entrar na área e superá-lo. Consequentemente, para se manter no topo, este velocista tem de estar continuamente se aprimorando.

Em termos de empreendimento, a situação é ainda mais difícil, pois, ao contrário do atleta, quem julga a qualidade da produção da empresa são os consumidores, e estes podem alterar repentinamente seus gostos e preferências, desenvolvendo outros desejos e demandas.

Ao passo que o atleta tem apenas de ser "mais eficiente" que seus competidores, empresas têm de agradar aos seus consumidores, e estes possuem gostos e demandas completamente volúveis. Um atleta tem apenas de alcançar uma marca objetiva; já empresas têm continuamente de saciar demandas subjetivas.

Mais ainda: sendo você um empreendedor, não basta "simplesmente" superar sua atual concorrência. Sempre pode haver novos entrantes, com inovações que irão solapar o valor daquilo que você está oferecendo hoje. Ou então seus atuais concorrentes podem repentinamente se reinventar e fazer o mesmo que você faz, só que melhor.

A verdadeira concorrência, aquela com a qual todo empreendedor tem de lidar, é a possibilidade do surgimento de melhores ofertantes no futuro.

Qualidade, e não quantidade

Ainda mais importante: essa pressão existe independentemente de quantas empresas estão atualmente produzindo um determinado bem ou serviço.

A competição no mercado de celulares analógicos ou mesmo de celulares flips era intensa, e foi abalada não pelo surgimento de celulares analógicos melhores ou mais baratos, mas sim pelo surgimento de um tipo diferente de aparelho: o smartphone.

Em outras palavras, o que realmente interessa é a proposta de valor; é o quão bem você satisfaz os consumidores — e não o número de concorrentes no atual mercado.

Enquanto empresas já atuantes no mercado se limitam a tentar manter seus preços mais baixos e a qualidade mais alta que seus concorrentes, desta maneira posicionando vantajosamente sua oferta em relação às ofertas similares de seus concorrentes, esta "dança" não é o que cria valor. Empreendedorismo inovador, criativo e imaginativo é o que realmente promove valor para os consumidores; é isso o que cria, remodela e destrói indústrias.

Em outras palavras, tudo o que é necessário para que haja oferta competitiva de produtos ou serviços é um produtor — desde que outros eventuais competidores não sejam legalmente proibidos pelo governo de entrar neste mercado.

Por algum motivo estranho, ainda prevalece essa crença insensata de que o que interessa para os consumidores é o número de empresas imobilizando recursos escassos (mão-de-obra e matéria-prima) para produzir os mesmos bens e serviços. Isso nos levou a enxergar a concorrência não em termos de empreendedorismo criativo, mas sim em termos de "quantidade de empresas".

Sim, quase sempre é verdade que mais empresas entrando em um mercado e concorrendo por uma demanda limitada irão incorrer em algumas inovações; mas não é o fato de que há outras empresas o que beneficia os consumidores. O que realmente beneficia os consumidores é a inovação.

E o que estimula a inovação é a busca de maior lucratividade futura. Você pode ter um mercado com centenas de empresas similares produzindo os mesmos bens e serviços. Se este mercado for abalado por um único empreendedor inovador e criativo, então este único empreendedor será muito mais importante do que qualquer outro das centenas de concorrentes.

O genuíno empreendedor cria a valiosa nova oferta que irá satisfazer os consumidores; ele destrói o que é velho ao criar o novo. É isso o que interessa, e não o número de empresas.

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Leia também:

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autor

Per Bylund

foi consultor de negócios na Suécia, é Ph.D em economia pela Universidade do Missouri e é professor de Empreendedorismo e Livre Iniciativa na Escola de Empreendedorismo da Oklahoma State University.




  • Supply-sider simpatizante da EA  14/10/2019 19:18
    No sentido mengeriano do termo, criação de valor é a satisfação de desejos e necessidades.

    Por definição, consumidores ganham quando a produção empreendedorial é feita com o objetivo de facilitar esta criação de valor, e não simplesmente quando há vários produtores concorrendo uns com os outros para fazer a mesma coisa.

    Isso realmente é básico, e o autor fez bem em chamar a atenção para isso. Há vários liberais e libertários que continuam dando ênfase à concorrência (que é importante) e ignorando que o cria riqueza é a tomada de risco e a criação de coisas novas (este recente artigo que fala sobre isso é excepcional).

    A concorrência pode estimular a criação de valor, é claro, mas, por si só, não é suficiente (e, arrisco a dizer, nem necessária) para a criação de valor. Em qualquer economia fechada ao comércio exterior, mas com alguma liberdade empresarial, há concorrência entre as empresas nacionais. E isso não necessariamente se traduz em criação de valor.
  • David  14/10/2019 19:24
    Um ponto interessante. De fato, é concebível que uma única empresa sem concorrentes e guiada unicamente pela economia de escala (visando a manter por preços baixos) possa se sustentar por muito tempo no mercado, desde que ela não incorre no "comportamento monopolista" (preços altos e produtos ruins).

    Sem intervenção estatal para criar uma reserva de mercado para esta empresa, qualquer eventual "comportamento monopolístico" imediatamente irá atrair concorrentes capazes de criar mais valor para os consumidores.

    Por outro lado, se tal empresa se revelar eficiente, com bons serviços e é capaz de sempre criar valor para os consumidores, ela dificilmente perderá seu posto para eventuais concorrentes.

    O melhor exemplo disso é o Google. Não possui nenhuma reserva de mercado, tem vários concorrentes ao redor do mundo, mas ninguém consegue desbancá-lo, simplesmente porque o Google sabe criar valor para os usuários.
  • Leonardo  14/10/2019 19:29
    Correto. Não é necessário ter duas ou mais empresas servindo cada mercado. Tudo o que é necessário é a ausência de barreiras legais para se entrar no mercado. Se o mercado é servido por uma única companhia, tudo bem. A concorrência existe a partir do momento que o estado não proíbe outras companhias de fazer sua tentativa.
  • Ninguém Apenas  14/10/2019 21:15
    Apesar de eu concordar totalmente com o que você falou, o fato é que existe sim uma limitação governamental que favorece a Google enormemente. Existe uma coisa chamada Backbone e é a espinha dorsal da internet, ela é a avenida principal pelo qual os dados trafegam.

    O Google, assim como outros sites grandes, paga ao governo uma taxa expressiva para ter acesso a uma parte maior dessa "avenida" e com isso garantir que a velocidade de busca seja muito maior que um site comum.

    Não existe nada de errado no Google proceder desta forma. No entanto, isso impede que outros sites menores possam concorrer com ele, mesmo que tenham até mesmo um algoritmo de busca mais eficiente, pois estes não possuem dinheiro para pagar a tal "avenida". Se o Backbone fosse 100% privado seria um genuíno livre mercado, mas não é, está sob controle direto do governo.


    Tirando isso, a Google é de fato imbatível no seu segmento.
  • Pobre Paulista  15/10/2019 12:41
    "O google não possui nenhuma reserva de mercado"

    Aí você só pode estar de sacanagem, né?

    O Google gasta mais com compra de patentes do que com pesquisa e desenvolvimento.

    E patentes nada mais são do que uma reserva de mercado vendida pelo estado.

    Cuidado. É impossível uma empresa se tornar gigante sem uma proteção do estado.
  • Túlio  15/10/2019 14:46
    Sim, ele tem patentes. Mas todas elas em coisas bizarras (não estou defendendo de maneira nenhuma, mas também não são exatamente coisas de extrema necessidade)

    Dito isso, naquilo que realmente interessa, o Google não tem nenhum monopólio. Há vários concorrentes: Yahoo Search, Bing, DuckDuckGo, Blippex, Wolfram Alpha, Blekko, Naver, Yandex, Pipl, Baidu, Yacy, StartPage?

    Todos estão aí, implorando para você utilizá-lo.

    Por que não o faz? Simples: porque o Google é disparado o melhor. E você, compreensivelmente, não vai abrir mão da qualidade e da praticidade do Google.

  • Pobre Paulista  15/10/2019 17:07
    Não é com "buscador grátis" que o google ganha dinheiro.
  • Henrique de Souza  15/10/2019 22:57
    Exato, até porque, tomando como exemplo, o DuckDuckGo, um buscador que garante a privacidade, o que o Google não faz, está começando a desbancar ao pseudo-monopólio no setor de search engine.
  • Mattheus  14/10/2019 19:32
    Isso significa que não existem monopólios ruins para o consumidor, exceto aqueles criados pelo governo (através de leis, regulações, patentes, licenças, reservas de mercado etc.)?
  • Humberto  14/10/2019 19:37
    Resposta curta: sim.

    Resposta mais longa: se não há barreiras à entrada, uma empresa só conseguirá manter sua fatia de marcado se estiver continuamente inovando, se reinventando, e criando cada vez mais valor os consumidores (facilitando sua vida, aumentando seu conforto etc.)

    Resposta completa: só há monopólio quando uma empresa usufrui uma reserva de mercado garantida pelo governo, o qual proíbe legalmente a entrada de outras empresas. Pense em Correios e em serviços de saneamento (que são concessões em que uma empresa privada é escolhida pelo estado para gerenciar o serviço ao mesmo tempo em que o estado proíbe outras empresas de atuarem naquele mesmo setor).
  • Zagosto  14/10/2019 20:02
    "E o que estimula a inovação é a busca de maior lucratividade futura."


    Mas deflação não é uma benção ? Falaram isso no tópico de ontem...

    Quem vai investir e empreender com o preço caindo ?


    "Consumidores se beneficiam de algo muito mais concreto: a produção voltada para a criação de valor"

    Mas "valor" não é SUBJETIVO ?
    Qualquer coisa pode ter valor desde que se convença os outros disso.
  • Daniel Cláudio  14/10/2019 20:12
    "Mas deflação não é uma benção ? Falaram isso no tópico de ontem... Quem vai investir e empreender com o preço caindo ?"

    Pelo visto, você desconhece o setor de tecnologia.

    Os preços caem ano após ano. É assim no setor de computadores, smartphones, televisores, máquinas fotográficas, notebooks, câmeras de vídeo etc. Deflação anual de preços. E, ainda assim, tal setor é intenso em investimentos.

    Pela sua lógica, não mais deveria haver uma única empresa de tecnologia no mundo.


    "Mas "valor" não é SUBJETIVO ? Qualquer coisa pode ter valor desde que se convença os outros disso."

    Exato! Valor é subjetivo, e cada um irá, de acordo com suas preferências individuais, decidir se irá ou não consumir os produtos de determinadas empresas. Você escolhe se irá dar dinheiro para a Apple ou para a Samsung, e eu escolho se irei ver Sandy & Junior ou Aerosmith.

    Qual a sua dificuldade?
  • Marcus Lins   14/10/2019 21:16
    Zagosto,

    Quanto à deflação: não importa se os preços sobem ou descem, desde que alguém veja a oportunidade de ter lucro. Se os custos também estiverem caindo, se houverem formas mais eficientes de produzir, se puderem ser alcançadas economias de escala ou de escopo... enfim, se meus custos amanhã forem ainda menores, eu posso vender por menos e lucrar. Como já foi dito, tem sido assim na área de tecnologia já faz bastante tempo. O celular de entrada tem sempre o mesmo preço, mas a cada ano é significativamente melhor que no ano anterior.

    Já sobre "algo concreto" e "valor subjetivo", a "concretude" está em oposição à simples existência de muitas empresas (uma possível condição para haver algo verdadeiramente concreto, o benefício - percebido subjetivamente - resultante da inovação.

    É como a diferença de dizer "o importante, pro apreciador de queijo, é aquela grama boa que a vaca come" e o "importante é o queijo que obtive do leite extraído da vaca que comeu a grama". Se alguém conseguir um queijo mais saboroso por causa da ração, por ter uma vaca sem estresse, ou qualquer outro meio, é o resultado concreto - o queijo - que importa, não o meio usado para obtê-lo (um, entre vários).

    Havendo empreendedores ávidos por obter lucros (ou simplesmente mostrar que dá para fazer mais e melhor, ou querendo trazer resultados melhores para a sociedade) e, tendo eles a liberdade para agir, essa ameaça tende a fazer os atuais produtores a se policiar e inovar.

    Evidentemente, inovar implica em arriscar e há um preço a se pagar nisso: experiências malsucedidas, tentativas e erros. Uma empresa pode falir tentando inovar se errar a medida. Se a sua posição como empresário for absolutamente estável, devido a vantagens políticas, não faz sentido algum arriscar.
  • Zagosto  14/10/2019 20:31
    Não entendi o seu exemplo do setor de tecnologia. Afinal um Iphone 2019 é mais caro do que um Iphone 2018... E o Iphone 2020 será mais caro que o Iphone 2019.

    Não tem deflação nenhuma. Se a Apple achasse que o Iphone 2020 será mais barato que o 2019, ela o faria ? Claro que não.
    Mesma coisa com qualquer outro produto do setor de tecnologia.


    Quanto ao valor SUBJETIVO... é mais profundo do que você conseguiu interpretar.

    Vou resumir pra você: Se o valor é SUBJETIVO então todo o sistema não passa de uma mentira...de uma ilusão, o valor passa a ser algo RELATIVO. Isso traz implicações até mesmo para as "afirmações axiomáticas" da escola austríaca. Não há lógica num ambiente relativista.
  • Daniel Cláudio  14/10/2019 21:14
    "Não entendi o seu exemplo do setor de tecnologia. Afinal um Iphone 2019 é mais caro do que um Iphone 2018... E o Iphone 2020 será mais caro que o Iphone 2019."

    Deixa eu desenhar.

    Um iPhone 2018, lançado em 2018, continuou sendo produzido em 2019, mas ficou mais barato em 2019. E continuará sendo produzido em 2020 e ficará ainda mais barato em 2020.

    Um iPhone 2019, lançado em 2019, continuará sendo produzido em 2020, e ficará mais barato em 2020. E continuará sendo produzido em 2021 e ficará ainda mais barato em 2021.

    Um iPhone 2020, lançado em 2020, continuará sendo produzido em 2021, e ficará mais barato em 2021. E continuará sendo produzido em 2022 e ficará ainda mais barato em 2022.

    Sempre foi assim com todos os modelos de iPhone.

    Aliás, sempre foi assim com todos os modelos de computador (em todas as décadas), de calculadoras (em todas as décadas), de televisores (em todas as décadas), de câmeras de vídeo (em todas as décadas), de máquinas fotográficas (em todas as décadas), de notebooks (em todas as décadas) etc.

    Lança-se um modelo novo hoje a um preço Y, e daqui a um ano este mesmo modelo continua em produção, mas sendo vendido a um preço X (sendo que X é menor que Y).

    Como você explica isso? Por que empresas de tecnologia investem maciçamente e produzem modelos que a cada ano que passa são vendidos a preços menores?

    Pela sua lógica, isso jamais deveria acontecer. Jamais alguém deveria continuar produzindo coisas cujo preço cai ano após ano.

    Quem nada sabe sobre administração e sobre economia básica (empresas lucram muito mais com redução de custos do que com aumento de preços) realmente tem dificuldade para entender esse básico.

    "Não tem deflação nenhuma. Se a Apple achasse que o Iphone 2020 será mais barato que o 2019, ela o faria ? Claro que não."

    Pergunta errada e totalmente sem sentido, pois misturou dois modelos distintos (o que lhe revela um completo pascácio).

    Eis a pergunta certa: se a Apple sabe que o iPhone 2019 será mais barato em 2020, por que ela continua produzindo o modelo 2019? Essa é pergunta. E você, pelo visto, não faz a mais mínima idéia da resposta.

    "Se o valor é SUBJETIVO então todo o sistema não passa de uma mentira...de uma ilusão,"

    Por quê? Se eu acho a Fernanda Lima bonita, mas você prefere o Alexandre Frota, não há mentira nenhuma nessas preferências. Nem ilusão. Há apenas gostos pessoais.

    No mercado, estes gostos pessoais são voluntariamente demonstrados por meio da ação de comprar ou de se abster de comprar determinado produto a determinado preço. Se eu acho que o preço de uma camisa está correto para mim, eu compro. Se eu acho que não, eu não compro. O fato de eu não comprar uma camisa por achar que ela está cara para mim não impede outro indivíduo de comprar essa mesma camisa por achar que ela está barata para ele.

    Não há ilusão nenhuma aí. Há apenas preferência individual voluntariamente demonstrada.

    "o valor passa a ser algo RELATIVO. Isso traz implicações até mesmo para as "afirmações axiomáticas" da escola austríaca. Não há lógica num ambiente relativista."

    Não há, em termos práticos, relativismo nenhum. De novo: há apenas preferências individuais voluntariamente demonstradas por meio do ato de comprar ou abster de comprar.

    Comprar ou se abster de comprar não é relativismo nenhum. É uma ação concreta que reflete uma preferência voluntariamente demonstrada.

    Informe-se minimamente sobre algo antes de querer perorar sobre isso.
  • Leigo  15/10/2019 17:07
    Eu não teria paciência pra responder.
  • Vladimir  14/10/2019 21:19
    E sobre o lançamento de modelos novos, vale acrescentar uma informação importante: embora um modelo 2020 seja nominalmente mais caro que o 2019, ele é mais barato em termos reais do que o modelo 2007, por exemplo.

    Uma televisão 4k hoje é muito mais barata, em termos reais, do que uma televisão em preto e branco da década de 1950.

    Essa é a grande maravilha da tecnologia.

    O fato desse tal Zagosto ignorar isso mostra que ele desconhece a realidade básica do setor de tecnologia.

  • Leandro Terra  14/10/2019 20:47
    Esse artigo só reforça a importância da união Estado-Iniciativa privada no crescimento dos setores estratégicos da tecnologia e informação. É de praxe evidente que desde a concepção do golpe contra Dilma, as castas elitistas seguiram em seu projeto de restaurar a casa grande e relegar os mais pobres ao estado de penúria. Cortes sucessivos têm sido impostos sobre os investimentos em tecnologia. Nenhum país do mundo têm crescimento econômico sem investimento em ciência, principalmente em computação. Estamos na era digital, onde tudo se moderniza em nível recorde, e quando mais se precisa de gastos em setores essenciais, mais se fala em cortar o principal propulsor da economia brasileiro por dois séculos, o Estado. Esse governo, liderado pelo Mico e seu lacaio Guedes, vão destruir o que restou moribundo do setor tecnológico brasileiro, com cortes de pesquisas nas universidades. A ciência brasileira, destruída por Temer, será finalmente sepultada pelo Bozo e sua trupé. A conferir.
  • Vladimir  14/10/2019 21:18
    Assinado: assessor de Ciro Gomes


    P.S.: pô, faltou dar ênfase à importância de se criar um "programa de compras governamentais", que nada mais é do que a transformação do empresariado em funcionários públicos: o baronato industrial produz, o governo compra (com o nosso dinheiro), e o consumir fica totalmente de fora da equação (sendo coercivamente obrigado a dar o dinheiro, é claro). A economia passaria a ser inteiramente conduzida por um conluio entre grandes empresários e governo.

    Isso, sim, seria progresso.
  • Pobre Mineiro  14/10/2019 21:58
    Melhor ainda, estatizar todas as empresas privadas para garantir o "preço justo" ao consumidor.

    kkkkkkkkkkk
  • Estado o Defensor do Povo  15/10/2019 13:21
    Vamo começar estatizando os teus bens, tenho certeza que eles não estão cumprindo a sua função social.
  • Pobre Mineiro  16/10/2019 14:13
    Agora sem ironias; está na constituição de 1988 que a propriedade privada no Brasil deve cumprir a sua função social, seja lá o que isso signifique.

    É assustador !!!.
  • danir  14/10/2019 22:29
    Não sou um phd em economia nem sinto prazer em ofender ninguem, mas este Leandro Terra tem todas as características de um cretino pomposo. Sente-se grande por seguir uma doutrina socialista cujo único resultado palpável é a morte e destruição de países, economias e pessoas. Se você, Leandro, acredita que a "grande economista" Dilma, sofreu golpe da parte das castas elitistas, você não tem nada para dizer neste espaço. Tente um site tipo Lula Livre ou similar. Até as divergências seguem um padrão de racionalidade e questionamento baseado em lógica e elaboração mental. Nada a ver com doutrinas religiosas/políticas ajustadas para congraçar idiotas úteis. Se você não sabe, fique calado, tente aprender. Em boca calada não entra mosquito.
  • PauloHMB  14/10/2019 22:37
    Ironicamente, estava pensando nisso antes de abrir esse site, mas, sobre as microtransações em jogos eletrônicos;
    Isso está se espalhando rapidamente, e pode ser considerado um jogo de azar no qual crianças tem acesso; pessoalmente, eu preferia, como consumidor, o mercado anterior, onde vários jogos vinham completo, pelo preço pago, hoje você paga o jogo, e compra o resto via DLC , Microtransações;

    O que me leva a conclusão que o mercado é uma imensa democracia, não olhando isso como algo virtuoso, mas que vai satisfazer a demanda da maioria, e excluir a minoria;
    Preferencia do consumidor deve ser referida no Plural;
    O nicho que não compra microtransações é reduzido para essas empresas fazerem jogos sem isso;
    Os custos crescentes talvez explique; Mas, isso so ocorreu porque os consumidores aceitaram pagar * e uma parte desses consumidores são crianças, que não trabalham, para fazer um julgamento imparcial de custo e benefício;

  • Marcus Lins  15/10/2019 13:26
    PauloHMB, graças às microtransações (nem sempre tão micro), ou às propagandas embutidas em jogos 100% gratuitos, hoje há uma disponibilidade muito maior de jogos e entretenimento. Ainda assim, em muitos jogos com essas transações, é possível ter uma boa experiência e até mesmo ser um dos melhores, sem comprar nada ou comprando muito pouco. Há o lado "charmoso" de ser o melhor dos que não gastam dinheiro, por exemplo.

    E ainda existem jogos completos quando pagos, cujas DLCs são, de fato, ou extras (roupas/skins novas) ou expansões (novas áreas, novas tramas). As primeiras são desnecessárias, as segundas são "outro jogo".

    As crianças não deveriam ser capazes de comprar, sem consentimento dos pais (basta exigir senha para comprar as coisas que elas só pedem, mas não conseguem sem que um adulto queira). Entra aqui a questão das propagandas infantis, cuja proibição quase extinguiu os desenhos animados e programas infantis das TVs abertas. Criança não tem poder de compra, a menos que um adulto autorize ou seja relapso e, involuntariamente, permita.
  • Skeptic  14/10/2019 23:39
    Sugiro a tradução de dois artigos que li hoje no Mises Institute e são bem atuais:

    Economists Are Not Plumbers - Peter G. Klein

    What Economists Are Not—And Shouldn't Try to Be - Carmen Elena Doroba?

    Aproveitando...
    Existe alguma noção econômica diferenciada para a concorrência em serviços que são mais valorizado pela quantidade de usuários que já fazem parte da rede, como em redes sociais ou serviços como o WhatsApp e YouTube?
    Como evitar um cartel nesses setores sem utilizar a agressão do estado? A abolição de patentes e copyright seria suficiente? Ou nada disso é necessariamente um problema a ser resolvido?
  • Felipe   14/10/2019 23:50
    Leandro, estou com alguns temas em pauta para colocar em meu blog. Sei de que décadas atrás bancos como a Nossa Caixa e Banespa ofereciam altos salários e várias mordomias (pelo menos é o que os meus familiares diziam). Vou até ler sobre (não sei realmente, visto que esses bancos imprimiam dinheiro e geravam hiperinflação). Falam da suposta privatização da Nossa Caixa, mas eu não sei como um esquema de vender para uma outra estatal (o Banco do Brasil) poderia ser considerado como tal e nem sei por que eles fizeram isso. Tenho familiares que trabalharam na CESP e Nossa Caixa, com até alguma dose de saudosismo, de como era décadas atrás trabalhar nessas estatais.

    Acho um bom tema abordar as estatais paulistas e até analisar as externalidades, já que o que se vê são apenas os supostos altos salários... supostos porque não se tem ideia de que se não existissem e o mercado fosse livre, poderia haver salários ainda melhores, assim como até melhores condições de trabalho. Na Nova Zelândia, por exemplo, burocratas que foram demitidos acharam empregos com melhores salários na iniciativa privada. E isso porque houve também uma desestatização genuína no mercado, coisa que nunca houve no Brasil.

    Se você puder indicar material para pesquisa, agradecerei (já encontrei um falando sobre os bancos no estado de SP). Aquele plano de desestatização ocorrido em SP foi desestatização mesmo, ou eles simplesmente saíram vendendo e impondo controles estatais por agências reguladoras (no caso das rodovias, sei de que foram por concessões).
  • Victor Quintao  15/10/2019 00:12
    Não entendo este site...vocês propõe boas coisas novas mas não querem fazer nada para acontecer...Está parecendo a Frente Popular da Judeia, do filme "A Vida de Brian"...Se ninguém fazer nada a realidade será Ciro Gomes, Lula, Bolsonaro, reforma agrária, privação da liberdade e etc...Os socialistas são tolos mas eles sabem como fazer uma propaganda...quem não fica com coração mole ao ler um texto deles sobre as injustiças sociais causadas pelo capitalismo?...Vocês propõe boas coisas novas para todos, ou seja, política...política é a arte do convencimento...tem que convencer um eleitor do sertão de Crato que ele não precisa de um governante messiânico para mudar de vida...Excelente site em matérias econômicas mas precisa de mais popularidade...como a Ford fez com os carros
  • Leitor Antigo  15/10/2019 00:54
    Do que exatamente você está falando (reclamando)? O que seria "fazer acontecer"?

    Este é um Instituto voltado para a educação econômica. Seu objetivo é explicar economia. Não é fazer militância política. Aqueles que entenderem e quiserem espalhar os ensinamentos é que irão fazer a diferença.

    Idéias são mais poderosas do que exércitos, e idéias, apenas idéias, podem iluminar a escuridão.

    Como o próprio Mises afirmou tão eloquentemente,

    "Todos carregam consigo uma parte da sociedade; ninguém está livre de sua quota de responsabilidade para com os outros.

    E nenhum indivíduo poderá estar seguro se a sociedade em que vive estiver se encaminhando para a destruição.

    Portanto, cada indivíduo, para seu próprio bem, deve se lançar vigorosamente nesta batalha intelectual. Ninguém pode se dar ao luxo de ficar indiferente e impávido; os interesses de todos dependem do resultado.

    Queira ou não, cada homem fará parte dessa grande batalha histórica, essa batalha decisiva em que fomos jogados pelos atuais eventos."



    Portanto, a responsabilidade de fazer a diferença também é sua, meu caro. Você está sendo provido com o material intelectual. Cabe a você popularizá-lo.
  • Dane-se o estado  16/10/2019 15:59
    "Todos carregam consigo uma parte da sociedade; ninguém está livre de sua quota de responsabilidade para com os outros. "

    Não tenho responsabilidade nenhuma e absolutamente nenhuma para com indivíduos adultos na sociedade, exceto de não usurpação do direito de propriedade. Não tenho quota de responsabilidade alguma para com outros que:

    1) Não conheço.

    2) Não sou a causa das fatalidades ou idiossincrasias que acarretaram em seus problemas existenciais (logo não tenho dívida ética e muito menos moral).

    3) Não sou vassalo do bem estar alheio.

    4) Não vejo ninguém com esse discurso hipócrita se importando com meus problemas existenciais e econômicos.

  • Vítor  15/10/2019 00:55
    "Vocês propõe boas coisas novas para todos, ou seja, política...política é a arte do convencimento"

    Taí um cidadão que ainda não entendeu absolutamente nada do site. Paciência...
  • Intruso  15/10/2019 13:43
    Existe uma frase que é do movimento ambientalista que se aplica bem a esse caso: " pensar globalmente e agir localmente".
  • Guto Trevisan  15/10/2019 14:24
    Fazem nada mesmo. Tem um que já é conselheiro no governo. Desce o pau na moeda fiduciária pra vender bitcoin e ter renda extra na casa da moeda.
  • Alguém  15/10/2019 13:47
    Pessoal, qual é a opinião de vocês sobre Adam Smith e Milton Friedman?
  • Vladimir  15/10/2019 14:28
    Smith é excelente em quase tudo, mas fez uma lambança monumental: popularizou a estapafúrdia teoria do valor-trabalho, o que simplesmente forneceu toda a munição para Marx criar a tese da Mais-Valia.

    www.mises.org.br/article/688/as-raizes-escolasticas-da-escola-austriaca-e-o-problema-com-adam-smith

    www.mises.org.br/article/434/o-mito-adam-smith

    www.mises.org.br/article/909/o-monumental-erro-em-comum-entre-marx-e-smith--erro-que-mudou-o-mundo-para-sempre


    Friedman é bom em quase tudo, exceto em teoria monetária, na qual ele é uma porcaria. Exatamente por isso, ele passou praticamente toda a sua vida falando de teoria monetária, e ignorando o resto em que ele realmente era bom.

    www.mises.org.br/article/1499/como-os-keynesianos-sequestraram-o-helicoptero-de-milton-friedman

    www.mises.org.br/article/1065/elucidando-milton-friedman-e-a-escola-de-chicago

    www.mises.org.br/article/935/a-geringonca-criada-por-milton-friedman
  • Leo  15/10/2019 15:36
    Realmente, a ideia de que a livre concorrência se trata da existência de várias empresas é uma simplificação perigosa e que é quase ideológica - utiliza-se a explicação (que já virou até meme no meio libertario) de que "no livre mercado, existirão várias empresas competindo para ver quem fornece [X]" como uma forma de diferenciar a economia cartelizada pelo estado de uma economia sem barreiras de entrada, onde mesmo uma empresa bem estabelecida pode ser a qualquer instante desafiada e tornada obsoleta por uma nova concorrente. Este é um conceito simples que ajuda a expor, utilitariamente, a ideia do livre mercado para pessoas que não sabem muito de economia.

    Como disse o autor do texto, não devemos nos prender à essa ideia. Inclusive levar a ideia de "quanto mais empresas, melhor" ao seu extremo em nada iria nos diferenciar dos keynesianos ou neoclássicos, para os quais devem existir tantas empresas em um setor que caso uma vá a falência, não se afetará a produtividade agregada do setor. Isso serve pra justificar aberrações como taxas de juros negativas, que geram todos os sinais econômicos preocupantes que começamos a ver mais claramente de alguns meses pra cá.

    Bom artigo.
  • Estudante de Economia desiludido com o Keynesinsmo  15/10/2019 17:19
    "Vamos direto ao ponto: por si só, consumidores não se beneficiam do fato de haver muitos produtores do mesmo bem ou serviço. Com efeito, o número de produtores é irrelevante.

    Consumidores também não ganham com o fato de haver muitas empresas concorrendo entre si. A estratégia destas empresas importa muito pouco."


    Fiquei confusa agora, em vários artigos do IMB li que a concorrência dá ao consumidor acesso a uma variedade de bens, permite a inovação e tal.
  • Desconfundindo  15/10/2019 17:27
    Exato. A concorrência permite acesso barato a uma variedade de bens, e não a uma uniformidade de bens.

    Veja este que é o melhor artigo sobre o tema:

    www.mises.org.br/article/2664/no-capitalismo-de-livre-mercado-quem-sempre-ganha-e-o-consumidor
  • Estudante de Economia desiludido com o Keynesinsmo  15/10/2019 17:48
    Obrigado, desconfundindo.
  • Estado o Defensor do Povo  15/10/2019 17:29
    A palavra chave aí é "muitas" e não "concorrendo". Abraços.
  • Analfabeto Ecônomico  15/10/2019 17:21
    "E o motivo é que a pressão competitiva que faz com que um determinado empreendimento esteja continuamente tentando inovar (e até mesmo se reinventar) não está no fato de que "há outros concorrentes". O que realmente interessa é a possibilidade de que outros empreendimentos poderão surgir e superá-lo no futuro."
    ****


    Seria o caso do Táxi versus Uber?
  • Carlos  15/10/2019 17:27
    Correto.
  • Eduardo  15/10/2019 20:26
    Os postos de gasolina aqui de Brasília são muitos(mais de 300) e não agregam valor e nem se diferenciam muito por preço.

    Eles chegam a me impressionar pela qualidade baixa no atendimento, rapidez para refletir as subidas e demora para refletir na bomba a queda de preço na distribuidora.

    É sabido que eles formam um cartel (e acredito que os demais são criminosamente ameaçados).

    Realmente qualidade da competição é mais importante do que a quantidade.
  • Emerson Luis  18/11/2019 13:29

    Essa dicotomia quantidade x qualidade parece ser um falso dilema: havendo liberdade econômica, a tendência é que produtos e serviços com poucos fornecedores com o tempo sejam imitados e surjam novos concorrentes.

    * * *
  • Marcio   24/11/2019 19:30
    Eu discordo pois o estados Unidos tem muita concorrência e milhares de empresas, vc compra produtos eletrônicos, carros, e muito mais por preços super a baixo do preço, um carro que é comprado no Brasil por 40 Mil Reais lá vc compra por 6 Mil Dólares, celulares descartáveis, internet por 1 Dolar, gasolina por 1,7 Dolar por isso lá até empregada doméstica tem carro


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