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Entrando pelo cano da liquidez – o congelamento momentâneo do mercado repo americano
A questão é saber se é necessário um desentupidor ou se há problemas estruturais graves


Nota do Editor: uma versão mais sucinta deste artigo foi inicialmente publicada no jornal Folha de S. Paulo

______________________________________

Na semana passada, um inesperado aperto de crédito atingiu os bancos americanos.

A taxa de juros das operações compromissadas, o repo rate, do nada e inesperadamente, saltou de 2% para 10%, muito acima do teto determinado pelo banco central americano (o Fed) para o juro de curto prazo, que estava em 2,25% ao ano.

Todo o sistema financeiro tremeu. Ato contínuo, o Fed teve de fazer seguidas injeções de liquidez neste mercado. Quando foi a última vez que isso ocorreu? Imediatamente antes da crise financeira de 2008.

O que tudo isso significa?

Vamos por partes.

O que é

Operações compromissadas significam "operações com compromisso de recompra". Em inglês, repurchase agreements. Daí a abreviação mais popular para repo.

De maneira extremamente sucinta, trata-se de um mercado ao qual bancos, fundos de investimento (hedge funds), corretoras, operadores de mercado etc. recorrem para obter financiamento (e fazer empréstimos) de curtíssimo prazo.

Se um banco ou um fundo de investimento necessita de fundos para cumprir uma obrigação de curto prazo, e outro banco ou outro fundo de investimento está com fundos sobrando, o segundo empresta para o primeiro.

Especificamente, o emprestador repassa dinheiro para o tomador, e o tomador entrega, como garantia, algum ativo para o emprestador, normalmente um título público.

Passado o prazo do empréstimo, que normalmente é de uma noite (overnight), o tomador do empréstimo recompra o ativo que repassou ao emprestador. Daí, repurchase agreement, acordo de recompra.

É exatamente neste mercado, que é regulado pelo Federal Reserve (o Banco Central americano), que montanhas de dinheiro e montanhas de títulos se encontram. Por meio do repo, grandes investidores — como fundos de investimento — ganham dinheiro ao emprestarem, por um curto período de tempo, dinheiro que normalmente ficaria parado. Estes empréstimos permitem que bancos e corretoras obtenham financiamento de curto prazo. Em troca, como dito, repassam ao emprestador títulos que possuem. Essa é a garantia do empréstimo. Findado o período do empréstimo, esse titulo dado como garantia será recomprado.

É um mercado repo saudável o que permite que todas as demais transações financeiras da economia ocorram suavemente. É neste mercado que US$ 16 trilhões de títulos da dívida pública americana são transacionados.

O que houve

Desde a semana passada, começaram a haver "vazamentos". O dinheiro, repentinamente, ficou escasso. Os títulos públicos continuavam a ser ofertados em troca de financiamento de curto prazo, mas não mais havia dinheiro a ser emprestado. O dinheiro sumiu do encanamento.

Consequentemente, a taxa de juros do mercado saltou de 2% para 10%.

overnight repo.png

Desde então, o Fed passou a injetar liquidez diariamente neste mercado. E a demanda por esta liquidez não está cedendo.

Como interpretar

Esse abalo surpreendente me remeteu ao passado.

Há 12 anos, no dia 9 de agosto de 2007, abri a planilha com meu painel de controle repleto de indicadores financeiros e empalideci. O principal indicador de risco que eu acompanhava havia saltado de 50 pontos no dia anterior para mais de 100 pontos!

Ato contínuo, o Banco Central Europeu injetou US$ 130 bilhões no setor bancário. O mercado não deu importância. No dia seguinte, a história não estampou a capa dos jornais financeiros.

Foi útil: não se ganha dinheiro com notícias de capa de jornal, mas com notícias da página 15 em vias de migrar para a capa.

Naquela quinta-feira iniciou-se o desenrolar, em câmara lenta, da maior crise internacional desde a Grande Depressão da década de 30: a "crise de 2008".

Entre mais de 20 indicadores, eu monitorava com lupa o risco do setor bancário via o outrora obscuro Ted Spread, que é calculado pegando a diferença entre a taxa de juros do título público americano de 3 meses e a taxa Libor. Esse indicador é utilizado pelos diminutos e pouco charmosos departamentos de "money market" dos bancos de Wall Street e da City de Londres.

Esse spread — diferença entre a taxa que bancos emprestavam entre si (Libor) e a taxa livre de risco (titulo de 3 meses do Tesouro americano) —, indicava em tempo real o risco de crédito dos maiores bancos internacionais bem como a disponibilidade de caixa no mercado interbancário. 

O interbancário é o mercado de empréstimos de curtíssimo prazo no qual bancos negociam entre si sobras e furos de caixa em bases diárias. Aqui no Brasil é o mercado que forma a taxa Selic (de empréstimos com garantia de títulos) e a do CDI (sem garantia).

Por se basear naqueles empréstimos sem garantia, o Ted Spread mede em particular o risco que os bancos emprestadores enxergam nos demais bancos tomadores. Quanto mais alto, maior o risco. Em julho de 2007, esse indicador estava em 0,54. Ao final de agosto, estava em 2,42. Já em outubro de 2008, chegou a 4,48. Confira aqui.

O mercado interbancário é como o encanamento da economia. Se a água, a liquidez, deixar de fluir livremente nesse imenso condomínio integrado e mutuamente dependente que utiliza dólares, a economia sofrerá um baque tempo depois.

No sentido inverso, se houver um excesso de impurezas da economia sendo introduzido nos canos (um alto estoque de dívidas podres, por exemplo), o fluxo de liquidez tende a se interromper, o custo do serviço dos encanadores momentaneamente dispara (a taxa de juros sobe), e a economia mundial sofre um infarto. É o que prevê a TACE, teoria austríaca dos ciclos econômicos.

A questão é identificar se a anomalia da semana passada pode ser resolvida com um mero desentupidor ou se revela problemas estruturais graves, como vazamentos em massa.

Minha suspeita é que há complicações estruturais. A colossal liquidez acumulada desde 2009 nas caixas d'água de bancos, companhias americanas, fundos soberanos e bancos centrais, algo como US$ 10 trilhões adicionais criados a partir das políticas de afrouxamento monetário (QE), não foi capaz de impedir a interrupção abrupta do fluxo de liquidez. Não faz sentido.

É bem verdade que o Fed vinha enxugando parte do que injetou anteriormente, reduzindo o caixa dos bancos em US$ 1,5 trilhão. Mas ainda há enorme liquidez ao redor do mundo.

O que esperar

Por enquanto, o Fed tem enfrentado o distúrbio com um desentupidor gigante, um afrouxamento de liquidez light. Ele anunciou que pretende injetar US$ 75 bilhões neste mercado até o fim de outubro.

Suspeito que em breve voltará ao afrouxamento quantitativo (QE) maciço para inundar os canos, que, entretanto, seguem vazando. Após a "anomalia" de agosto de 2007, levou-se um ano para estourar a crise.

Quanto tempo levará agora? Por enquanto, tudo é palpite. Não importa quão sólida seja a fundação: quando o encanamento entope, é bom ficar alerta.



autor

Helio Beltrão
é o presidente do Instituto Mises Brasil.

  • Juliano  26/09/2019 17:14
    Muito obrigado pela clareza da explicação (como é praxe por aqui). Alguém arrisca a palpitar sobre o que vem por aí?
  • Trader  26/09/2019 17:21
    Na dúvida, sempre compre ouro.
  • Um humilde investidor  26/09/2019 17:28
    Como comprar ouro no Br? (Entendi que o comentário é em tom levemente irônico, mas minha pergunta é séria).
  • anônimo  26/09/2019 17:34
    Se for para comprar ouro físico, aqui:

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=1075

    Se for apenas para ter um investimento atrelado em ouro, abra conta na corretora Órama (5 minutos, de graça, tudo pela internet) e invista no fundo Órama Ouro.

    Recomendo esta segunda opção, por ser bem mais prática.
  • Eduardo  28/09/2019 03:09
    Leia o regulamento... Isso é um fundo multimercado cujo objetivo é acompanhar a rentabilidade do ouro (mísera, a não ser em tempos de crise), não é feito investimento em ouro em si.

    Ademais, se quer ouro só no papel compra na B3 mesmo, a liquidação é física (retirar o lingote) ou financeira (dinheiro em conta).
  • Kleber  27/09/2019 12:29
    www.parmetal.com.br

    Entregam em casa.
  • Marcelo  02/10/2019 01:24
    Com empresas que vendem barras ou lâminas com certificação de pureza. Nem pense em comprar fundos ou contratos futuros, pq vc não sabe se eles comprar ouro de fato e o governo pode confiscar facinho ou congelar operações. Ouro sempre físico, mas no longo prazo não sai do lugar.
  • Carlos Alberto  26/09/2019 17:30
    Se fosse uma disparada de um dia só, não teria muitos problemas. Mas o que impressiona é que a coisa está durando. Já está assim há mais de uma semana. Todo mundo do mercado financeiro diz que está faltando dólar no mundo. O Fed está fazendo injeções diárias no mercado repo para tentar diminuir a seca. A cada intervenção anunciada, o número de participantes sempre surpreende para cima.

    O Fed já enxugou 1,5 trilhão das reservas bancárias desde 2014. A base monetária americana está em contração desde então. Já são 5 anos de contração da base monetária. Fora este site, quase ninguém mais fala sobre isso.

    Por isso o dólar se apreciou violentamente ao redor do mundo. E os preços das commodities mensurados em dólar voltaram a níveis da década de 2000. Esqueçam qualquer papo sobre inflação. O futuro será de preços baixos e estáveis. Quem souber investir bem agora vai se aposentar cedo.
  • Observador  26/09/2019 17:38
    Também acho. É por isso que (ainda) não esquentei cabeça com essa recente disparada do dólar. Em reais, os preços das commodities continuam baixos. Voltaram ao nível de 2015. E estão bem abaixo dos preços do ano passado. É por isso que não está havendo repasse de preços com a desvalorização cambial. Quando, e se, as commodities começarem a encarecer em reais, aí sim é hora de se preocupar.

    O encarecimento do dólar ferra quem vai viajar, mas por enquanto não há sinais de pass through inflacionário.
  • Vladimir  26/09/2019 17:54
    É um bom ponto. O índice DXY, que meda a força do dólar, está em quase 100. A última vez que ficou acima desse valor foi em 2000 e 2001, quando o dólar simplesmente não tinha concorrência mundial (o marco tinha sido substituído pelo euro e o Japão estava em forte recessão).

    Dólar excessivamente forte gera problemas cambiais para países de economia fraca, mas também garante preços baixos para todas as commodities.
  • Yuri  26/09/2019 17:46
    A coisa tá só esquentando. Agora, em vez de 75 bilhões, já estão falando em 100 bilhões de dólares.

    New York Fed Boosts Size of Repurchase Operations
  • cmr  26/09/2019 17:47
    Já me disseram que só vai se safar quem investir em ouro e cripto moedas.
    Quem me falou isso foi um cripto fanático, daí tenho muita prudência quanto a isso.
  • Carlos Alberto  26/09/2019 18:00
    Em cripto eu não entro não. Como é a moeda do mercado negro, é intoleravelmente volátil. Se um magnata da máfia russa resolve vender, a cotação desaba. Se ele resolve comprar, ela dispara. Se você for comprar ou vender na "data errada", pode ficar anos sem se recuperar.

    Ademais, não há a mais mínima previsibilidade. Com todos os outros investimentos (ações, ouro e títulos públicos), você entende o que se passa. Já com cripto, ninguém sabe explicar oscilação nenhuma.

    Não é para mim.


    P.S.: recomendo também Tesouro IPCA longo. Já caiu bastante, mas acho que vai cair mais. Quando o IPCA 2045 chegou a 5%, vários "especialistas" recomendaram vender. Eu enchi o carrinho. Hoje, já está em 3,45%. Ou seja, quem vendeu seguindo a recomendação dos "especialistas" deixou de ganhar uma fortuna. Acredito que com a intensificação dos juros negativos no mundo (e eles chegarão aos EUA), o Tesouro IPCA aqui pode chegar a 2%. No Chile, já tem titulo público com juros negativos. Um pouco disso vai chegar aqui também. Questão de tempo.

    Aí quem comprou Tesouro IPCA quando estava a 7,80% (saudades da Dilma rsrs) vai se aposentar.
  • Andre  26/09/2019 18:33
    Mas depois do estouro da crise a inflação vai é subir e o governo terá que voltar a velha forma, pagar juros altos pra atrair investidores.
  • Estado o Defensor do Povo  26/09/2019 18:32
    Cripto é muito bom pois é uma moeda totalmente revolucionária e nova no mercado, obviamente se você não conhece é melhor não botar dinheiro nisso, mas vale sim muito a pena você conhecer as criptos, começando com bitcoin.
    Eu recomendo a você começar lendo o livro do fernando ulrich:"Bitcoin, a moeda na Era digital", tem na amazon e é baratinho, ele também tem um canal no youtube que tem vários vídeos falando sobre bitcoin. Depois disso você pode continuar estudando e ver as potencialidades das criptomoedas. Lembre-se: O que mais vai te dar dinheiro não é as ações da bolsa ou seilá quantos quilos de ouro, mas conhecimento, então invista no seu.
  • Imperion  26/09/2019 18:39
    Temor da guerra comercial. Tao comprando dolares pra adiantar as trocas antes, então acreditam que a guerra vai piorar, tendo que desovar os estoques antes dos novos bloqueios futuros.
    Ao mesmo tempo se espera a recessao, entao estao emprestando menos. Ta faltando dinheiro entao em duas frentes.
  • alerj  26/09/2019 19:29
    hélio

    vc poderia explicar melhor esse parágrafo? "Minha suspeita é que há complicações estruturais. A colossal liquidez acumulada desde 2009 nas caixas d'água de bancos, companhias americanas, fundos soberanos e bancos centrais, algo como US$ 10 trilhões adicionais criados a partir das políticas de afrouxamento monetário (QE), não foi capaz de impedir a interrupção abrupta do fluxo de liquidez. Não faz sentido." . O que não faz sentido ? E pq ?
  • Magno  26/09/2019 19:43
    "Como é que, com toda esta liquidez criada, ainda assim está faltando liquidez? Não faz sentido. Era para estar sobrando liquidez."

    Eis a tradução.
  • alerj  26/09/2019 19:37
    Outra questão é sobre esse tópico " É bem verdade que o FED vinha enxugando parte do que injetou anteriormente, reduzindo o caixa dos bancos em US$ 1,5 trilhão. Mas ainda há enorme liquidez ao redor do mundo."
    O site em vários artigos disse q o dinheiro injetado pelo FED na crise 2008 virou reservas nos banco e não circulava. Como pode haver então enorme liquidez no mundo ?
  • Trader  26/09/2019 19:49
    Uma parte virou "reservas em excesso" (sobre as quais o Fed ficou pagando juros), já a outra parte ficou circulando no mercado financeiro e, principalmente, no mercado de títulos. Daí a forte queda nos juros dos títulos públicos.

    E isso só nos EUA, onde a coisa foi mais comedida. Na Europa foi ainda pior. O QE segue até hoje, e esse dinheiro, ao que tudo indica, também ficou todo no mercado financeiro (majoritariamente títulos). Por isso lá foram todos para taxas negativas.
  • Leandro  26/09/2019 19:55
    Correto. Ao menos na Europa, não virou crédito. E isso é perfeitamente compreensível.

    Uma coisa que poucas pessoas ainda não perceberam é que, ao contrário da intuição normal, juros excessivamente baixos acabam restringindo a expansão do crédito. E a lógica é simples.

    Se os juros estão em, por exemplo, 50% ao ano, então os bancos podem se dar ao luxo de ser menos cautelosos na concessão de empréstimos e sair emprestando para qualquer um. É a mesma lógica do agiota: se você emprestar para pessoas com histórico de crédito duvidoso, cobre juros altos; quanto mais altos os juros, mais você empresta para pessoas assim. Nesse cenário, a expansão do crédito pode acabar aumentando.

    Por outro lado, quanto mais baixos os juros, mais criteriosos e cautelosos os bancos têm de ser. Se os juros são muito altos e o mutuário dá calote em algumas prestações, tudo bem; desde que ele pague as outras, o banco ainda tem lucro. Já com juros baixos, qualquer atraso na prestação já afeta severamente a possibilidade de lucro do banco. Em um cenário de juros zero, apenas pessoas e empresas com excelente histórico de crédito conseguem empréstimos.

    Por isso esse aparente paradoxo entre juros zero, crescimento do crédito quase nulo e inflação de preços zero.
  • alerj  27/09/2019 10:21
    E pq então a parte q ficou circulando do QE (emitida na crise de 2008) nao gerou hiperinflação ?
  • Trader  27/09/2019 13:16
    Porque o dinheiro ficou no mercado financeiro (como já dito) e porque esse dinheiro não é, nem de longe, o suficiente para gerar uma hiperinflação. Vide o M2 dos EUA (maior agregado disponível) e o M3 da zona do euro.
  • PauloHMB  26/09/2019 19:53
    Em 2020-2021 é para vencer trilhões em dívidas adquiridas com juros baixissimos e zero, e haverá uma necessidade de rolagem.
    Suspeito que tenha algo relacionado a isso.. Você teve um aumento brutal da divida corporativa nos anos de liquidez, uma excassez de reservas no montante necessário para continuar rolando naqueles juros.
    Também somou com o pagamento de impostos nessa época.
    Tudo indica que se esse for um fator importante, e a rolagem nos próximos anos aumentar, a pressão sobre as reservas bancárias podem aumentar ainda mais; O que faria o FED iniciar um novo quantitative easing;
    Na prática ele já iniciou, os juros estariam subindo não fosse a injeção e iniciado uma recessão. (ainda mais com o montande de divida para rolar, se os juros sobem, muita gente quebra);

    Simplesmente não tem outra alternativa a não ser injetar mais álcool nos canos de água
  • Denis C Spalenza  08/10/2019 02:08
    Isso é uma bola de neve. Uma hora vai chegar no pé da montanha e o estrago vai ser imenso.
  • alerj  27/09/2019 15:32
    Ok. Há uma crise no horizonte e está começando a faltar água no encanamento. Na crise de 2008, vcs explicaram q a causa da crise foi imobiliária (Fannie Mae e Freddie Mac) . qual a causa dessa agora ?

    Att, Alerj
  • Alesp  27/09/2019 15:45
    Respondido no último parágrafo do texto.

    Att, Alesp
  • Aluno  27/09/2019 17:46
    Vou fazer um resumo grosseiro e peço a ajuda dos amigos aqui pra me ajudar a entender alguns pontos:

    "A crise de 2008 estourou por conta de vários "títulos podres" em que as pessoas não tinham condições de pagar e desencadeou uma onda de calotes... aí tinham vários produtos financeiros atrelados a esses títulos podres e foi um tsunami de calotes.

    Aí o governo foi lá e fez o QE, basicamente ele injetou dinheiro na economia, ligou a impressora loucamente pra meio que "consertar" todos esses calotes. "


    Até aí ok o meu resumo ?

    Então aí vem as minhas dúvidas...

    1 dúvida - Por que o FED está enxugando o caixa dos bancos ?
    2 dúvida - Esse artigo ta dizendo que ainda existe um "fantasma dessa crise de 2008" e essa injeção de dinheiro(QE) do governo não resolveu a questão por completo... não seria o caso de continuar injetando dinheiro ?
    3 dúvida - Foi apenas os EUA que fez o QE ou vários países fizeram isso ? Como funciona essa demarcação geográfica da crise ? O Brasil chegou a fazer QE também ? Como funciona isso ?

  • alerj  02/10/2019 16:00
    Aluno

    Eu sou apenas um leitor, mas como ng respondeu a suas perguntas vou tentar ajudar,ok?

    1 dúvida - Por que o FED está enxugando o caixa dos bancos ? Geralmente os BCs fazem isso quando há indícios de retorno da inflação. E provavelmente o FED o fez por essa razão.

    3 dúvida - Foi apenas os EUA que fez o QE ou vários países fizeram isso ? Como funciona essa demarcação geográfica da crise ? O Brasil chegou a fazer QE também ? Como funciona isso ?

    Todos os países fizeram, mas cada um tem um impacto específico na economia global. O Brasil tb e daí a crise de 2008
    Existem dois textos muito bons no site sobre essa sua pergunta.

    Para a questão do Brasil recomendo: "Como o governo brasileiro transformou uma recessão em uma profunda depressão " e para a crise americana e as providências do FED recomendo: Como ocorreu a crise financeira americana
    principalmente o último tópico "A mudança radical do FED"


    Att, Alerj
  • Auxiliar  02/10/2019 17:29
    "Por que o FED está enxugando o caixa dos bancos ?"

    O Fed, na verdade, está enxugando o seu próprio balancete. Ele está reduzindo seu passivo.

    "Esse artigo ta dizendo que ainda existe um "fantasma dessa crise de 2008" e essa injeção de dinheiro(QE) do governo não resolveu a questão por completo... não seria o caso de continuar injetando dinheiro ?"

    É o que a Europa sempre fez. E a situação lá está muito pior que nos EUA.

    "Foi apenas os EUA que fez o QE ou vários países fizeram isso ?"

    Toda a zona do euro fez. E muito mais que os EUA.

    "Como funciona essa demarcação geográfica da crise ? O Brasil chegou a fazer QE também ? Como funciona isso ?"

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466
  • Paulo Cesar  27/09/2019 18:21
    Queria agradecer ao site e a todos que comentam sobre o assunto em questão, não sou formado em economia mas sou entusiasta da área e fico impressionado com o quanto aprendo neste site, inclusive, algumas vezes aprendo mais nós comentários do que no próprio artigo!
    Um muito obrigado ao site e a todos que colaboram com informações pertinentes ao assunto.
  • Ninguem Apenas  29/09/2019 18:35
    Leandro,

    Uma dúvida, seria sobre o S&P 500.

    Digamos que uma crise internacional de fato ocorra, nesse caso, a tendência é de valorização do dólar. No entanto, a têndencia é que os índices da bolsa americana desabem pois imagino que o mercado de ações foi o que mais recebeu o dinheiro recém impresso nos anos de boom, seria algo lógico ser o setor que mais sofra a contração. (ou não?)

    Neste cenário, um ativo como o IVVB11 no Brasil seria um ativo que tenderia a se valorizar ou a desvalorizar?

    Com a queda das ações, na minha visão ele cairia, mas como é precificado em dólar fiquei com a dúvida, pois ele tenderia a se valorizar por esse motivo também. Eu imagino que a queda da bolsa seja mais intensa que a possível valorização do dólar, mas posso estar muito errado.

    Esta maneira de pensar está errada? Eu entendo que não tem como prever o futuro, mas só para saber se racionei corretamente ou estou imaginando coisas.


    Outra dúvida (dizem que perguntar não ofende) seria quanto aos investimentos, imagino que você possua investimentos fora, mas qual você imagina que seria o posicionamento correto em caso de uma crise? REITs seja uma boa talvez?

    Teria boas recomendações sobre como investir lá fora? (não os investimentos em si, pois isso sei que ninguém recomenda)


    Ninguém tem como prever o timing, mas por suposição, digamos que seja exatamente daqui 6 meses, qual seria a maneira correta de se posicionar?


    No mais, ainda tá investindo em ativos atrelados ao IMA-b ou IMA-geral?



    Eu entendo se não quiser responder algumas (ou todas) dessas perguntas kk

    De qualquer forma agradeço!
  • Leandro  30/09/2019 01:13
    "Neste cenário, um ativo como o IVVB11 no Brasil seria um ativo que tenderia a se valorizar ou a desvalorizar?"

    Depende de o que vai ser mais intenso: a valorização do dólar ou a queda do S&P 500. Se for a valorização do dólar, então o IVVB11 sobe. Se for a queda do S&P 500, então o ETF cai.

    "Eu imagino que a queda da bolsa seja mais intensa que a possível valorização do dólar, mas posso estar muito errado."

    Ninguém pode saber ao certo. Eu mesmo ainda não estou visualizando recessão nos EUA. As taxas de 3 meses e de 30 anos não se inverteram nem por uma semana (têm que ficar pelo menos um mês invertidas) , e o dólar está forte desde 2015. Nunca houve recessão nos EUA precedida por um período de dólar forte. Pode até ser que haja agora, mas aí seria a primeira vez.

    "Esta maneira de pensar está errada? Eu entendo que não tem como prever o futuro, mas só para saber se racionei corretamente ou estou imaginando coisas."

    Toda a teoria está correta, mas, como sempre no mercado, o problema é o timing. Uma teoria certa aplicada no momento errado é apenas uma teoria errada. Estar certo no momento errado significa estar errado.

    "Outra dúvida (dizem que perguntar não ofende) seria quanto aos investimentos, imagino que você possua investimentos fora, mas qual você imagina que seria o posicionamento correto em caso de uma crise? REITs seja uma boa talvez? Teria boas recomendações sobre como investir lá fora? (não os investimentos em si, pois isso sei que ninguém recomenda)"

    Por questão contratual, o IMB não fornece este tipo de conselho. Mas, de minha parte, já adianto que não me sinto nem minimamente capacitado para falar sobre o mercado imobiliário lá fora. Não tenho todas as informações necessárias.

    "Ninguém tem como prever o timing, mas por suposição, digamos que seja exatamente daqui 6 meses, qual seria a maneira correta de se posicionar?"

    Crise onde? Aqui, na Europa ou nos EUA? Crise em qual setor: bancário, imobiliário, mercado de ações ou mercado de títulos? Qual seria a causa? Sem que estas perguntas estejam devidamente respondidas e muito bem fundamentadas, impossível qualquer palpite.

    "No mais, ainda tá investindo em ativos atrelados ao IMA-b ou IMA-geral?"

    A meu ver, no Brasil, não há nada melhor em termos de segurança, previsibilidade e rentabilidade. É verdade que boa parte da gordura já foi queimada, mas se você pertence à turma que acredita que os títulos atrelados ao IPCA de longo prazo ainda cairão para 2,50%, então IMA-B e IMA-B 5+ continuam sendo uma ótima pedida.

    Como bem disse um leitor em outro artigo, quando estes títulos (IPCA de longo prazo) caíram para 5%, teve uma onda de "especialistas" recomendando a venda, dizendo que não cairiam mais do que isso. De lá pra cá, caíram de 5% para 3,40%. Quem seguiu o conselho deixou muito dinheiro em cima da mesa. No Chile, já há juros negativos. A tendência é que aqui ainda caiam bastante.
  • Skeptic  30/09/2019 12:18
    O interest rate do Fed não estava distorcido e pagando juros pelas reservas em excessos ao invés de uma taxa overnight interbancária? Isso não significava que havia um enorme excesso de liquidez no setor bancário? Como está hoje a situação desse taxa de juros, já está igual ao funcionamento da Selic? Foram detectada bolhas causas pelos QEs nos EUA no mercado financeiro ou em outros setores depois de 2008?

    Já deixo o meu agradecimento antecipado para quem responder!
  • Trader  30/09/2019 14:02
    "O interest rate do Fed não estava distorcido e pagando juros pelas reservas em excessos ao invés de uma taxa overnight interbancária?"

    Correto.

    "Isso não significava que havia um enorme excesso de liquidez no setor bancário?"

    No mercado interbancário. Correto.

    "Como está hoje a situação desse taxa de juros, já está igual ao funcionamento da Selic?"

    Exatamente como você descreveu.

    "Foram detectada bolhas causas pelos QEs nos EUA no mercado financeiro ou em outros setores depois de 2008?"

    Mercado de ações, de títulos e, pontualmente, em alguns imóveis.
  • PauloHMB  02/10/2019 03:13
    Uma pergunta, como explicar a austrália nunca ter entrado em recessão nos ultimos 25 anos?Ela tem um banco central que manipula juros como qualquer outro, e aparentemente é a maior expansão continua de todos os países
  • Leandro  02/10/2019 15:03
    Porque sua moeda é impressionantemente estável e robusta.

    Este gráfico mostra a evolução da taxa de câmbio do dólar australiano em relação ao dólar americano (quantos dólares australianos são necessários para comprar um dólar americano) dividido pelo índice DXY, que mensura a força do dólar americano em relação a uma cesta das principais moedas do mundo.

    Quanto maior o índice, mais fraco está o dólar australiano. Quanto menor o índice, mais forte.

    ibb.co/D5wZN4c

    Perceba que, desde 1994, o dólar australiano varia dentro de um intervalo bem pequeno. Na média, fica entre 1,35 e 1,65. Hoje, ela está no mesmo nível em que estava em 1994.

    Moeda estável por 20 anos não tem realmente como causar recessão.

    Agora, veja este mesmo índice para o Brasil: a moeda não só não é estável, como está em desvalorização contínua. Não tem realmente como a economia aqui ser forte.

    ibb.co/4Z9hf45
  • Dedé  22/10/2019 17:15
    Tem esse mesmo gráfico em relação a moeda chinesa?
  • Leandro  22/10/2019 18:19
    Sim. Aqui está:

    ibb.co/YN2kfSx
  • Emerson Luis  02/12/2019 19:02

    A boa notícia é que esses governos estão tentando sanar a crise antes que ela exploda.

    A má notícia é que estão atacando os sintomas novamente e deixando as causas crescerem.

    * * *


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