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Quais foram os efeitos das tarifas de Trump sobre os preços nos EUA?
A resposta pode surpreender os menos iniciados

A boa teoria econômica explica que, em um mercado concorrencial, não são os vendedores que determinam os preços dos bens e serviços. Eles não têm o poder de determinar preços a seu bel-prazer. Eles não podem sair aumentando preços incontidamente. Tampouco podem impor aumentos súbitos nos preços.

Em última instância, quem determina os preços são os consumidores.

Se as preferências dos consumidores não se alteraram, e nem sua renda, então fortes aumentos de preços de determinados bens ou serviços terão como consequência uma redução de sua demanda.

Por isso, em um cenário de aumento de tarifas de importação (ou de súbita desvalorização cambial), os preços dos bens de consumo nas lojas não teriam por que subir sensivelmente. Afinal, as preferências dos consumidores não se alteraram neste curto espaço de tempo. Se os preços pudessem ser majorados em decorrência de um aumento das tarifas de importação, então, obviamente, empreendedores já teriam elevado esse preço antes das tarifas. Não são necessárias tarifas para mostrar que os preços podem ser aumentados.

O que ocorre, portanto, quando há uma súbita elevação nas tarifas de importação (ou súbitas desvalorizações cambiais) em mercados concorrenciais é o óbvio: os produtores ajustam a única coisa que é realmente variável — sua estrutura de custos.

Sim, pequenos repasses de preços podem ocorrer, mas nada muito além da própria taxa anual de inflação de preços do país.

Trump e as tarifas

As tarifas de Trump sobre os produtos chineses tiveram efeitos relativamente pequenos sobre os preços aos consumidores americanos. Uma reportagem sobre isso foi feita pela NPR.

Há um ano, uma equipe da NPR foi a um Walmart no estado da Georgia para pesquisar os preços de 80 produtos. Recentemente, os pesquisadores voltaram ao mesmo local para ver quais foram os efeitos das tarifas de Trump sobre os preços. A conclusão, embora tenha surpreendido as pessoas, não deveria ser nada surpreendente para economistas seguidores da Escola Austríaca.

O aumento foi de aproximadamente 3% — sendo que as tarifas, que eram de zero, chegaram a 20%.

E de quanto foi a inflação de preços oficial do país neste mesmo período? Se você utilizar o índice cheio do CPI (Consumer Price Index – Índice de Precços ao Consumidor), ela foi de 1,7%. Se você utilizar apenas o núcleo do CPI (que exclui itens voláteis como combustíveis e alimentos), ela foi de 2,4%. E se você usar a mediana do CPI, que sempre considerei ser o índice mais acurado, a inflação de preços foi de 2,9%.

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Ou seja, as tarifas não tiveram nenhum efeito especial sobre os bens específicos selecionados para a pesquisa no Walmart.

Há quem diga que essa quase ausência de repasses é explicada pelo fato de que as tarifas foram impostas majoritariamente sobre materiais industriais (máquinas, insumos e demais bens de produção), e não para a maioria dos bens de consumo. A afirmação é verdadeira, mas não muda a lógica. Em ambos os casos (tarifas sobre bens de consumo ou bens de capital), o que altera são os custos dos produtores e vendedores, e não o preço final da venda, pois este depende exclusivamente das preferências dos consumidores (mais sobre isso abaixo).

Oficialmente, a justificativa para essas tarifas é que elas forçarão as empresas americanas a voltar a produzir dentro dos EUA. Mas tal raciocínio é completamente tolo. As empresas americanas podem até realmente fechar algumas de suas instalações industriais na China, mas não voltarão para os EUA. Há muito mais chances de elas se mudarem para o Vietnã do que irem para Detroit, Pittsburgh ou Toledo. Os custos trabalhistas são muito mais altos nos EUA do que em outras partes do sudeste asiático. Empresas de todo o mundo têm ido para o Vietnã ao longo dos últimos anos, e isso inclui até mesmo empresas chinesas. Trata-se de uma tendência irreversível.

A reportagem da NPR afirma que as empresas americanas estão tentando ocultar os aumentos dos preços espalhando esses aumentos para várias linhas de produção, de modo a difundi-los. Pode até ser verdade, mas a reportagem não apresentou nenhuma evidência estatística que dê suporte a essa afirmação. E, mesmo que apresentasse, não mudaria absolutamente nada da lógica econômica: aumento de custos não têm como ser integralmente repassados aos consumidores.

Mais ainda: a reportagem também admitiu que havia alguns produtos cujos preços caíram. Isso também era esperado.

Basicamente, a reportagem não ofereceu nenhuma evidência de que as tarifas geraram qualquer aumento de preços.

O jornalista entrevistou representantes de várias empresas americanas. Nenhum atribuiu às tarifas qualquer causa às mudanças de preços. Eles não deram muitas informações sobre sua política de preços. Creio ser a atitude correta. Essas empresas não têm obrigação nenhuma de fornecer informação gratuita a jornalistas da NPR, e nem a qualquer outra pessoa.

Eis os exemplos que foram apresentados como sendo os produtos que tiveram as maiores elevações de preços. Você observará que são itens essencialmente irrelevantes para a vida de qualquer pessoa: uma coleira de cachorro e um colar de cachorro. Tais itens são tão marginais na lista de compras da esmagadora maioria das pessoas, que o vendedor está disposto a correr o risco de elevar seus preços, mas somente com a pressuposição de que os concorrentes também estão enfrentando as mesmas restrições por causa das tarifas. Consumidores não irão se deixar restringir por causa de um aumento de preços em uma coleira de cachorro. Eles não compram muitas coleiras de cachorro em um ano. Eles também dificilmente se lembram de quanto custava uma coleira de cachorro um ano atrás.

Sendo assim, vendedores conseguem se safar com aumentos de preços nestes tipos de produtos. Mas a maioria dos vendedores não consegue se safar com aumentos generalizados de preços. Os consumidores simplesmente iriam atrás de outros produtos. Vendedores sabem disso, e por isso aumentos de custos não são livremente repassados aos consumidores.

A Walmart não comentou a reportagem. No entanto, em maio, a empresa havia alertado que "um aumento das tarifas levará a um aumento nos preços para os consumidores". Já no mês passado, o diretor financeiro, Brett Biggs, afirmou que a empresa havia conseguido "com muita ponderação, gerenciar seus preços e suas margens".

"Nós dispersamos o impacto para centenas de milhares de itens que temos no mercado", disse o CEO da Walmart, Greg Foran, à época.

O problema é outro

Imaginar que aumentos nos custos de produção se traduzem automaticamente em aumentos de preços é desconhecer por completo como funcionam os processos de mercado. Tal idéia advém do velho conceito de valor econômico defendido pelos economistas clássicos. Esta teoria é conhecida como a teoria do "valor determinado pelo custo de produção". Ela foi refutada definitivamente por Carl Menger em 1871. Ele foi o indivíduo que originou a Escola Austríaca de pensamento econômico.

Então quem paga pelo aumento das tarifas? Majoritariamente, os varejistas.

Dado que os preços não podem ser arbitrariamente aumentados — afinal, as preferências dos consumidores não se alteraram em decorrência de um imposto de importação; a demanda dos consumidores não foi alterada só porque o governo criou um imposto —, as tarifas têm de ser absorvidas pelas empresas.

Ou seja, as tarifas nada mais são do que um aumento no custo de produção. Como não é possível repassar integralmente aumento de custos para os preços, os varejistas é que acabam absorvendo este aumento de custos.

Portanto, de um lado, os custos de produção aumentam; de outro, as receitas permanecem as mesmas. Com isso, a margem de lucro é diminuída.

Com margens menores tende a haver menos investimentos. E aí então é que os efeitos começam a se espalhar pela economia. Menos investimentos significam menos produção e menos crescimento da renda. Leva-se um tempo até chegar a este ponto, mas ele sempre chega.

Por outro lado, se os preços de fato forem aumentados em decorrência desta elevação das tarifas, haverá necessariamente uma queda no consumo — pelo óbvio motivo de que tarifas de importação não alteram as preferências dos consumidores do modo que eles repentinamente passem a aceitar um preço maior para os bens de consumo.

Logo, se o aumento de custos for repassado aos preços, haverá uma redução do consumo. E isso, é claro, também afetará diretamente os lucros das empresas.

A conclusão básica é que qualquer aumento nos custos terá de ser absorvido pela empresa; tal aumento não pode ser repassado integralmente para os consumidores.

No extremo, este aumento no custo de produção pode levar uma empresa à falência, o que afeta a oferta do produto. E, aí sim, haverá um aumento nos preços. Mas tal aumento não se deu por um mero repasse de impostos, mas sim por uma redução na oferta.

Murray Rothbard já havia descrito este processo há quase 50 anos:

A primeira lei da incidência pode ser estabelecida imediatamente, é uma bem radical: nenhum imposto pode ser integralmente repassado. Em outras palavras, nenhum tributo pode ser repassado do vendedor para o comprador e dali até o consumidor final. Abaixo, veremos como isso se aplica especificamente aos impostos sobre o consumo, os quais são normalmente tidos como totalmente repassáveis aos consumidores.

Normalmente se considera que qualquer imposto sobre a produção ou sobre as vendas aumenta o custo de produção e, portanto, é repassado como um aumento de preço para o consumidor. Os preços, no entanto, jamais são determinados pelos custos de produção. O que ocorre é exatamente o contrário.

[…]

De certa maneira, é até verdade que um imposto pode ser repassado, mas o mecanismo é outro: o imposto faz com que a oferta do produto seja reduzida, o que, consequentemente, eleva seu preço no mercado [N. do E.: confira a descrição em detalhes do processo aqui]. Tal fenômeno dificilmente pode ser rotulado de repasse, pois repassar implica que o tributo é repassado sem gerar nenhum dano ao produtor. Se alguns produtores têm de ir à falência para que o tributo seja repassado, então isso obviamente não é um repasse, mas sim um efeito da tributação. [...]

Conclusão

O principal fardo de um aumento de impostos sobre bens importados — e tarifa de importação nada mais é do que um imposto sobre vendas — recai sobre os importadores.

No caso específico da Walmart americana, que importa muito da China e que atua em um ambiente extremamente concorrencial (e, logo, não pode simplesmente sair aumentando preços), é ela quem sofrerá as principais perdas geradas pelo aumento dos impostos sobre as vendas de bens importados.

Os exportadores chineses também perderão, pois irão tentar reduzir os preços dos bens exportados para manter a Walmart como cliente. (Ou então o governo chinês irá desvalorizar a moeda, o que prejudicará toda a população chinesa em benefício da americana).

Também perdem os exportadores americanos, pois passam a ser vítimas de tarifas retaliativas impostas pelo governo chinês. Em especial, vários agricultores americanos estão sofrendo com as restrições retaliativas impostas pelo governo chinês.

Já os consumidores americanos perdem porque a Walmart teria reduzido os preços dos outros bens não fossem as tarifas. Haverá menos vendas por causa dos custos de produção maiores. Mas isso não é o mesmo que dizer que os consumidores americanos serão forçados a pagar preços maiores pelos bens específicos sobre os quais foram impostas tarifas de importação. As perdas para os consumidores americanos serão indiretas.

No final, a única certeza é que todo o padrão de vida cai com a restrição do livre comércio. Sem exceção.

 


autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Matheus  19/09/2019 18:17
    .Sabe pessoal, se esses problemas são tão claramente explicados pela Escola Austríaca, que até um leigo não formado em economia como eu pode entender, não entendo como esses supostos "doutores" que estão dirigindo países, fazem jogadas tão estúpidas e corporativistas. Até parece que essas universidades em economia não servem para nada!

    P.S.: A propósito, muito interessante a explicação de que como os custos não podem ser repassados ao consumidor, os vendedores é que pagam o pato! Justamente aqueles que "deveriam" ser "protegidos" !
  • Geraldo  19/09/2019 18:20
    O que mais há nos governos é gente que não sabe absolutamente nada de economia. Aqui mesmo no Brasil há um ignorante de marca maior no comando do Banco Central.

    Aliás, o melhor presidente de Banco Central que já tivemos não era economista, mas sim um engenheiro e administrador.
  • Trader  19/09/2019 18:23
    Aliás, e o real, ó...

    [som de descarga]
  • Trader  19/09/2019 18:31
  • Carlos Alberto  19/09/2019 18:56
    Guedes é Chicago. Campos Neto também. Essa turma nunca esteve nem aí pra câmbio, que eles acham que é um preço simples como qualquer outro. Para Chicago, o câmbio subir é a mesma coisa que o tomate encarecer. Incomoda um pouco, mas não traz muitos efeitos para a economia. No máximo, eles concedem que há um pequeno repasse inflacionário, o qual pode ser perfeitamente contido com juros.

    Esquece, câmbio flutuante é um daqueles modismos irracionais que duram muito tempo. E aí de repente todos abandonam.


    P.S.: se câmbio flutuante fosse bom, haveria taxas de câmbio entre os estados brasileiros. Imagina que maravilha que seria...

    P.S.2: quero ver qual mágica vão utilizar para segurar os caminhoneiros. O real está indo pra privada e o barril de petróleo disparou no mercado internacional. A Petrobras já começou a reajustar. O diesel hoje já subiu 10 centavos nas refinarias (bem abaixo do encarecimento lá fora). Ou seja, vai subir bem mais. E tudo isso em troca de 0,5 ponto percentual de SELIC. Coisa de gênio.
  • Supply-Sider  19/09/2019 19:12
    Austríacos pegam muito leve com chicaguistas. Li os artigos deste site contra a escola de Chicago. São muito educadinhos. Quem bate com gosto neles é o pessoal da supply-side economics (tipo o John Tamny, que tem artigos aqui). Essa turma de Chicago que defende moeda fraca, câmbio flutuante e que acredita que é juros (e não câmbio) o que determina preços e estimula a economia merece porrada sem dó. Em alguns quesitos são até piores que os keynesianos. Ambos destroem nosso padrão de vida, mas Chicago faz isso utilizando uma retórica liberal, o que só me enraivece ainda mais.


    Dica: estudem a economia americana de 1978 a 1989. De 1978 a 1982, foi monetarismo chicagueano. A economia despirocou. De 1983 a 1989 foi supply-side economics. A economia decolou. De 1990 a 1994 foi neo-keynesianismo. A economia parou. De 1995 a 2000, voltou o supply-side, a economia disparou. De 2001 a 2014, pós-keynesianismo. Deu no que deu. De 2015 em diante, voltou uma mescla de supply-side com protecionismo. O supply-side vem garantindo alguns bons números, ao passo que o protecionismo vem tentando anular o que há de bom. Resta saber o que irá prevalecer,
  • Matheus  19/09/2019 19:05
    À respeito do Meirelles, li no link que realmente sua atuação foi muito boa em reduzir a inflação e manter o crescimento econômico. Entretanto, como estava sob o governo lula, não teria ele sido "contaminado" pelo molusco?

    Obrigado pela prestatividade em responderem.
  • Auxiliar  19/09/2019 19:18
    Não. Sempre houve dois Lulas: o pragmático e o palanqueiro. O primeiro prevaleceu enquanto esteve no governo. O segundo elegeu Dilma duas vezes.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190
  • Carlos  19/09/2019 18:21
    País de economia livre e aberta é outra coisa. Resiste a tudo. Aqui no Brasil, se duvidar, os repasses aos preços seriam ainda maiores do que as tarifas rsrsrs...
  • Daniel   24/09/2019 12:50
    Com certeza haha
  • Ha Joon Chang  19/09/2019 18:31
    ""Assim como muitas pessoas, quando criança eu era fascinado pelos mestres de kung fu dos filmes de Hong Kong que desafiam a gravidade. Também como muitas crianças, suponho, fiquei amargamente desapontado quando descobri que aqueles mestres na verdade estavam pendurados em cordas de piano.

    O livre mercado é um pouco assim. Aceitamos de um modo tão completo a legitimidade de certas regulamentações, que simplesmente não as enxergamos. Quando examinamos atentamente os mercados, verificamos que eles são sustentados por regras — por um grande número delas.

    Para começar, existe um vasto leque de restrições com relação ao que pode ser negociado, e não estou falando apenas das proibições "óbvias" relacionadas com as drogas narcóticas e os órgãos humanos. Os votos eleitorais, os empregos do governo e as decisões judiciais não estão à venda, pelo menos abertamente, nas economias modernas, embora estivessem à venda, no passado, na maioria dos países. As vagas nas universidades normalmente não podem ser vendidas, embora em alguns países o dinheiro possa comprá-las, seja pagando (ilegalmente) as pessoas que fazem a seleção ou (legalmente) por meio de doações em dinheiro à instituição. Muitos países proíbem o comércio de armas de fogo e de bebidas alcoólicas. Em geral, os medicamentos precisam ser explicitamente licenciados pelo governo, com base na prova da sua segurança, antes que possam ser comercializados. Todas essas regulamentações são potencialmente polêmicas, como era a proibição de vender seres humanos (o tráfico de escravos) há um século e meio.""


    PORTANTO: O livre mercado não existe. Todo mercado tem algumas regras e limites que restringem a liberdade de escolha. O mercado só parece livre porque estamos tão condicionados a aceitar as suas restrições subjacentes que deixamos de percebê-las. Não é possível definir objetivamente o quanto um mercado é "livre". Essa é uma definição política. A alegação habitual dos economistas que defendem o livre mercado de que eles estão tentando defender o mercado contra a interferência politicamente motivada do governo é falsa. O governo está sempre envolvido e esses adeptos do livre mercado estão tão politicamente motivados quanto qualquer pessoa. Superar o mito de que existe algo como um "livre mercado" objetivamente definido é o primeiro passo na direção de entender o Capitalismo.
  • Remetendo  19/09/2019 18:45
  • Estado o Defensor do Povo  19/09/2019 21:56
    O teu livro é uma bosta, quase vomitei lendo aquilo.
  • Felipe Lange  19/09/2019 18:35
    "Há muito mais chances de elas se mudaram para o Vietnã do que irem para Detroit, Pittsburgh ou Toledo. Os custos trabalhistas são muito mais altos nos EUA do que em outras partes do sudeste asiático. Empresas de todo o mundo têm ido para o Vietnã ao longo dos últimos anos, e isso inclui até mesmo empresas chinesas. Trata-se de uma tendência irreversível. "

    Bom, Detroit você pode esquecer... enquanto os comunistas ficarem lá tomando conta do aparato burocrático, além do infernal sindicato UAW (que praticamente fez as marcas americanas de carros falirem), não há motivos para investir lá. É uma estupidez. É um sindicato dos metalúrgicos do ABC que come rosquinha e compra carro de marca americana.

    De fato, moro aqui na Flórida e basta você passar em um Home Depot, que você nem sente mais falta do Brasil. O brasileiro merece liberdade econômica. Já fui ao Walmart também, tem muita coisa legal lá. Quando der, irei lá de novo.
  • Estado o Defensor do Povo  20/09/2019 00:48
    kkkk Não sei porque em todos os teus comentários tu fala que mora nos EUA ou na Flórida, nada demais só um negócio que me chamou a atenção mesmo kkkkk.
    Mas é bom termos alguém por aí para sabermos o quão bosta é os states comparado ao BOstil.
  • Felipe Lange  20/09/2019 16:57
    É, estou ficando até repetitivo... mas eu gosto de tentar mostrar parte da realidade daqui, sem idealização. Já escrevi e traduzi vários artigos falando sobre a economia daqui.
  • Marcelo Valle  19/09/2019 20:10
    No final Trump não conseguiu o que queria, mas conseguiu ferrar os chineses em detrimento dos americanos.
  • Pedro  19/09/2019 20:18
    Será que conseguiu mesmo?
  • cmr  21/09/2019 00:51
    Eu acho que o Trump pouco se importa com qualquer coisa além do seu próprio ego.

    Tudo que ele quer é ser lembrado, pela eternidade, como o presidente que trouxe os empregos de volta;
    ainda que tais empregos sejam aqueles que até imigrante ilegal alfabetizado recusa.
  • Pedro  19/09/2019 22:06
    Não entendi muito o ponto do artigo se o mesmo conclui, no final, que o preço vai acabar aumentando por causa dos impostos, só que via uma redução da oferta por conta de falências e redução do investimento ao invés do repasse imediato desse custo adicional....
  • Paulo  19/09/2019 22:19
    Aí então nada pode ser feito por você. ;)

    Zoações à parte, uma coisa é dizer que tarifas de importação podem ser integralmente repassadas para os consumidores. Isso não é possível em uma economia competitiva.

    Já a falência de empresas foi apenas um exemplo extremo (e totalmente secundário) do que pode ocorrer quando custos de produção são elevados de maneira súbita e acentuada (como Trump hoje ameaçando tarifar em 100% os produtos chineses).

    Aliás, dizer que "custos de produção acentuados geram falências" é realmente novidade para você? Não quero crer.

    Não é o ponto do artigo e nem sequer é a realidade americana.

    Logo, qual parte você segue sem entender?
  • Pedro  20/09/2019 23:14
    Elas não podem ser repassadas integralmente de maneira imediata. Mas serão repassadas, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde.

    Como o artigo diz: o aumento das tarifas resulta em aumentos de custos e redução das margens.

    Isso leva a menos investimentos, menos concorrência, menor oferta e mais tarde, aumento de preços e/ou redução o poder de compra em função de uma queda na renda.

    Em outras palavras Trump não conseguiu o que queria, que era elevar significativamente os preços dos produtos chineses, ainda... mas inevitavelmente isso vai acontecer se as tarifas forem mantidas.

  • anônimo  20/09/2019 05:06
    Mudando um pouquinho o assunto pra notícia lastimável de última hora.

    josepaulokupfer.blogosfera.uol.com.br/2019/09/19/juro-baixo-nao-e-economia-dando-certo-real-forte-nao-e-economia-forte/

    E no meio da bobajada toda, ele ainda diz que o dólar está se desvalorizando e por isso os EUA estão crescendo. Que a China só cresceu pq a moeda é desvalorizada.

    Eu fico sempre na dúvida, é mau caratismo ou ignorância mesmo?
  • Intercept  21/09/2019 01:04
    Ambos.
  • Roger Lima  20/09/2019 09:24
    Eu sou novato nessa coisa de escola austríaca, e eu tenho uma certa dificuldade em entender essa história de que os governos aumentam os custos dos serviços e produtos, e as empresas não repassam isso agora o consumidor, preferindo absorver o impacto a repassar , isso é meio fantasioso, ainda mais aqui no Br em que se o petróleo ou o dólar subir 10 centavos lá fora, aqui se reflete a 10 reais instantâneamente, agora se o dólar ou o petróleo baixar , aqui os preços continuam os mesmos altos , sob a alegação de que ""foram comprados com o dólar alto"", enfim, essa dinâmica e raciocínio da escola austríaca eu até consigo compreender, mas ela não funciona aqui não, tudo aqui é feito para ferrar com o indivíduo, seja o dólar e o petróleo galopantes,seja as empresas que aproveitam as regulamentações estatais para justificarem seus atos escusos, seja o estado interferindo e fudendo com a economia,e enfiando imposto em tudo , achando que isso vai resolver alguma coisa !!!
  • Vladimir  20/09/2019 12:02
    "e eu tenho uma certa dificuldade em entender essa história de que os governos aumentam os custos dos serviços e produtos, e as empresas não repassam isso agora o consumidor, preferindo absorver o impacto a repassar"

    Já começou errado. O que foi dito explicitamente é que as empresas não repassam integralmente para o consumidor os custos criados pelo governo.

    Este é o ponto.

    Leigos e estatistas acreditam que as empresas não pagam nenhum imposto porque elas supostamente repassariam a totalidade destes impostos para o consumidor. Se isso fosse verdade, então não importaria se as alíquotas fossem de 1% ou 100% -- no final, tudo seria pago pelo consumidor e nada seria arcado pela empresa.

    Isso não existe. E o próprio fenômeno de empresas irem à falência por causa de custos criados pelo governo mostra isso.

    Sim, empresas repassam uma parte, mas, como mostrou o exemplo prático da Walmart, ela difundiu o aumento dos custos em milhares de produtos. Ela pode se dar a esse luxo porque é uma empresa enorme e extremamente eficiente. Se fosse uma pequena empresa lidando com apenas poucos produtos importados, seria impossível ela fazer isso.

    Imagine que você é dono de uma importadora de sapatos. Você lida exclusivamente com sapatos chineses. Se o governo aumentar a tarifa para 100%, você acha que seria capaz de aumentar os preços dos seus sapatos em 100% da noite para o dia, e ainda assim manter a mesma freguesia? Manter a mesma receita? A mesma margem de lucro?

    "isso é meio fantasioso, ainda mais aqui no Br em que se o petróleo ou o dólar subir 10 centavos lá fora, aqui se reflete a 10 reais instantâneamente, agora se o dólar ou o petróleo baixar , aqui os preços continuam os mesmos altos , sob a alegação de que ""foram comprados com o dólar alto"""

    Falou várias bobagens em um tópico só.

    Para começar, variação do preço do petróleo no mercado internacional nada tem a ver com aumentos de impostos feitos pelo governo. Ponto. O artigo fala sobre repasses de impostos. Aumento do petróleo nada tem a ver com repasse de imposto.

    Ademais, meu caro, mercado de petróleo no Brasil é, na prática, um monopólio estatal. Há apenas uma empresa estatal atuando neste mercado. Aí, é óbvio que ela põe o preço que quer. O artigo deixa claro que está falando de mercados concorrenciais, isto é, mercados em que já vários fornecedores.

    Vá aos EUA para você ver como funciona este mercado. Vá lá ver se há repasses integrais dos aumentos do petróleo para as bombas de gasolina. Ah, e lá, quando o petróleo cai no mercado internacional, os preços caem na bomba quase que imediatamente. Pois, se um posto não fizer isso, perderá clientela para o posto concorrente do outro lado da rua. (Palavra de quem já morou lá por três anos e pegou todos os tipos de variação no mercado de petróleo).

    Ainda assim, foi bom você ter trazido esse exemplo, pois mesmo ele comprova os pontos abordados.

    1) Os aumentos praticados pela Petrobras (a estatal monopolista) não são integralmente repassados pelos postos. Confira aqui.

    2) Por causa dos aumentos praticados pela Petrobras, o consumo de combustíveis caiu. Confira aqui.

    Ainda assim, isso nada tem a ver com o artigo, que fala sobre repasse de impostos, e não sobre o aumento de preços de uma commodity no mercado internacional.

    Qual é a sua dúvida?

    [i]"enfim, essa dinâmica e raciocínio da escola austríaca eu até consigo compreender, mas ela não funciona aqui não, tudo aqui é feito para ferrar com o indivíduo, seja o dólar e o petróleo galopantes,seja as empresas que aproveitam as regulamentações estatais para justificarem seus atos escusos, seja o estado interferindo e fudendo com a economia,e enfiando imposto em tudo , achando que isso vai resolver alguma coisa !!!"

    Vira-latismo e auto-piedade nunca desenvolveram um país. Se, em vez de apontar dedos e recorrer ao vitimismo, as pessoas simplesmente se dedicassem a estudar melhor os fenômenos do mundo, sem preconceitos, aí ao menos teríamos alguma chance.
  • Rodolfo Andrello  20/09/2019 12:16
    Aquele texto pra manter sempre à mão pra quando algum top 3 economista esbravejar que empresários não pagam impostos, apenas os consumidores.
  • Mauri  20/09/2019 17:05
    Então o Trump estava certo: Aumentou a arrecadação com as tarifas sem aumentar a inflação.
    Deu um prensa nos chineses que vieram para a mesa discutir para tirar um monte de tarifas que tinham colocado nos produtos americanos.

    O Trump acertou duas vezes aumento o imposto e melhorou a exportação para a China.

    O comentarista está só vendo a realidade pelo buraco da fechadura.
  • Humberto  20/09/2019 17:31
    "Então o Trump estava certo: Aumentou a arrecadação com as tarifas sem aumentar a inflação."

    Ué, ninguém nunca discutiu que não aumentaria a arrecadação. Só que Trump dizia que quem pagaria pelas tarifas seriam apenas os chineses, o que é claramente uma falácia. Quem paga pelas tarifas são os empreendedores (a maior parte) e os consumidores americanos.

    "Deu um prensa nos chineses que vieram para a mesa discutir para tirar um monte de tarifas que tinham colocado nos produtos americanos."

    Ué, mas é óbvio que se um país impõe tarifas sobre os produtos de outro país, este outro país será prejudicado e terá de negociar. Só que as pessoas do país cujo governo impôs as tarifas também serão prejudicadas.

    Qual o espanto?

    "O Trump acertou duas vezes aumento o imposto e melhorou a exportação para a China."

    Se aumentar imposto sobre importação é "acertar", então o Brasil foi campeão invicto durante a era Dilma.

    Quanto a "melhorar as exportações para a China", você está pavorosamente desinformado.

    www.forbes.com/sites/kenroberts/2019/06/30/these-six-u-s-exports-to-china-have-been-particularly-hard-hit-by-trade-war/#32646e96a713

    De resto, é sempre interessante constatar como direitistas não têm problema nenhum em defender políticas altamente estatizantes, desde que seja "seu homem" no comando.

    Pavoroso.

    "O comentarista está só vendo a realidade pelo buraco da fechadura."

    Já você, como demonstrado, nem sequer sabe onde está a fechadura.
  • Antagônico  21/09/2019 08:07
    kkkkkkk

    "De resto, é sempre interessante constatar como direitistas não têm problema nenhum em defender políticas altamente estatizantes, desde que seja "seu homem" no comando."

    A resposta do Humberto foi D+!
  • Mauri  23/09/2019 16:48
    Acho que você não lê o que escreve, vou copiar abaixo:

    Os exportadores chineses também perderão, pois irão tentar reduzir os preços dos bens exportados para manter a Walmart como cliente. (Ou então o governo chinês irá desvalorizar a moeda, o que prejudicará toda a população chinesa em benefício da americana).

    Quem se ferrou foram o chineses o que os obrigou a vir negociar e baixar or preços, evitando assim que os consumidores americanos pagassem mais pelo importados. Na visão macroeconomica o Trump agiu certo.

    Acho que você não está nem vendo a porta para olhar no buraco da fechadura. A cegueira é pior do que imaginamos.
  • Vladimir  23/09/2019 17:41
    Ah, sim. Foi um sucesso tão grande, que os fazendeiros americanos – que sofreram a represália do governo chinês, e não mais estão conseguindo exportar – estão se suicidando em taxas recordes.

    Amid Trump Tariffs, Farm Bankruptcies And Suicides Rise

    Why are America's farmers killing themselves?

    Farm Crisis: Suicides Spike In Rural America As Trade War Deepens

    Why Are U.S. Farmers Killing Themselves? - America's farm crisis is having devastating effects

    Wisconsin farmer tells fox news suicides, bankruptcy rising in rural U.S. amid China trade war

    Explica essa, ô espertão. Isso é que é uma política de sucesso, hein?

    A cegueira em defesa de políticos, realmente, é estupefaciente.
  • anônimo  23/09/2019 19:25
    Sério mesmo que estão se matando só porque os chineses não estão mais comprando deles?
  • Magno  23/09/2019 20:32
    Os chineses sempre foram os principais compradores. Os agricultores investiram (se endividaram) tendo em mente o consumo dos chineses.

    Aí vêm os governos e artificialmente interrompem esta interação voluntária. Todos os investimentos se revelam errôneos. A dívida passa a ser impagável. Suicídios.

    E nêgo "direitista" passando pano pra essa calamitosa intervenção estatal.
  • Vitor Lima Alencar  22/09/2019 00:02
    Aumentando o preço das tarifas para o fornecedor, e sem que este possa repassar para o consumidor, se gera um encarecimento dos custos de produção, o que afasta mais ainda as empresas do país.
    Portanto pode-se ter um efeito contrário ao pretendido. Caso isso não aconteça o único beneficiário é o Estado que majorou sua arrecadação e assim poderá aumentar seu orçamento militar, conforme já anunciado.
  • Renan Kaic Loeps  23/09/2019 11:28
    Senhores, se eu estiver sendo ignorante, me perdoem.

    Mas ao ler um texto desse me dá até raiva:

    Só a Petrobrás subir um pouco o preço da gasolina que os postos já socam 20 centavos a mais no preço da gasolina.

    Esses dias atras eu estava pagando entre 3,99 (comum) e 4,10 (aditivada). Foi só sair aquela notícia do ataque à refinaria no Oriente Médio que uns 2 dias depois o posto que eu costumava abastecer aumentou para 4,29 (comum) e 4,49 (aditivada).

    Um absurdo....
  • Pobre Paulista  23/09/2019 13:00
    Mas é exatamente por isso que se mantém essa prática de se anunciar aos 4 ventos que ocorreu um "evento" que irá causar aumento no preço da gasolina. Assim os vendedores podem simplesmente subir o preço, afinal o consumidor já está "esperando" por isso de qualquer jeito.
  • Andre  23/09/2019 14:17
    Expediente comum aqui no Br, acostume-se.
  • anônimo  23/09/2019 19:26
    Esse aumento até pode ser bom. Pra começar a discutir seriamente a privatização da Petrobras.
  • anônimo  23/09/2019 20:03
    Os efeitos das tarifas do Trump não afetaram apenas EUA e China, afetaram também o BR. Dólar em 4,20.

    Enquanto isso o Banco Central fica brincando com manipulação de taxa de juros.
  • Januário  24/09/2019 13:07
    O BC brasileiro já mostrou várias vezes que não está preparado para conseguir deixar a moeda estável, sempre que houve algum evento internacional que precisa de sua intervenção (afinal existe pra isso) não consegue cumprir o papel esperado, ainda mais agora com as declarações do Paulo Guedes de real fraco. Eu realmente não entendo o que passa na cabeça dele, dólar forte é um destruidor de governos.
  • Lucas Negro Jacon  26/09/2019 17:03
    Levando em Conta a explicação do texto.
    Proposta de taxação de impostos em Empresas , hoje isentas, como UBER e NETFLIX não gerariam um aumento de preços para o consumidor Final? Teriam que ser absorvidas pelas empresa? Pois nois houve aumento ou diminuição na demanda pelos produtos.
  • Emerson  26/09/2019 17:30
    A resposta está no texto. O mercado é concorrencial? A demanda é elástica (ou seja, o consumidor pode simplesmente deixar de consumir)?

    Se sim, então a empresa vai absorver a esmagadora fatia do aumento. Se não, então ela conseguirá repassar alguma parte.

    Netflix tem concorrência das TVs a Cabo, da HBO direct, dos sites piratas que oferecem downloads de filmes e séries, e agora da Amazon Prime. Se for tributada, dificilmente poderá repassar e ainda assim manter sua demanda inalterada.

    Sobre a Uber, se a taxação for uniforme sobre todas as demais empresas (Cabify, Pop99, Easytaxi), e se todas elas concordarem em repassar a mesma fatia para os consumidores (de modo que os preços subam de maneira rigorosamente igual), ela até poderá ter alguma chance. Entretanto, a chance de tal coordenação ocorrer é zero. E, ainda que houvesse, a tendência ainda seria de queda na demanda (afinal, o preço subiu).

    Logo, seria mais prudente não arriscar. A empresa teria de arcar com a tributação.
  • J Edimar  27/09/2019 19:12
    Trump quer impedir da China se torna a maior potência parando de bancar seu crescimento agressivo com importações. A guerra comercial é muito boa para quem é mais nacionalista como a Rússia e Índia.


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