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O investimento estrangeiro só virá quando a moeda for estável – historicamente, não é o nosso caso
Sem estabilidade na moeda, esqueça qualquer crescimento

O dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica. Além de ser o meio de troca, a moeda é também a unidade de conta que permite o cálculo de custos de todos os empreendimentos, investimentos e despesas.

Consequentemente, a estabilidade deste dinheiro (meio de troca e unidade de conta) irá determinar a estabilidade de toda a economia. 

A lógica é direta: se você não tem um meio de troca estável, você não tem como efetuar transações com este meio de troca. Se você não tem uma unidade de conta estável, toda e qualquer transação se torna incerta, pois você não como calcular custos (logo, nem lucros e prejuízos).

Por outro lado, se você tem uma moeda estável, a unidade de conta também se torna estável. Consequentemente, você se torna perfeitamente capaz de calcular e de fazer previsões. E aí suas transações se tornam muito menos incertas. Seus cálculos de custos (formação de preços, lucros e prejuízos) se tornam muito mais efetivos. Suas estimativas quanto aos valores futuros se tornam bem mais previsíveis. 

Por isso, se a moeda é instável, a economia também se torna instável e fraca. Já se ela é estável, a economia se fortalece e prospera

E qual é a definição de estabilidade de uma moeda? Certamente, não é apenas a mensuração da inflação de preços. Não é só a inflação de preços dentro de um país o que define a estabilidade de uma moeda. A inflação de preços pode estar baixa por uma miríade de fatores, o que inclui uma simples redução na demanda, causada por uma estagnação na renda da população — que, por sua vez, decorre de uma atividade econômica fraca.

A melhor definição para a estabilidade de uma moeda está no comportamento do seu preço em relação às outras moedas estrangeiras. Afinal, se os outros meios de troca e unidades de conta estão encarecendo em relação à moeda nacional, isto significa que a própria moeda nacional está deixando de ser demandada como meio de troca e unidade de conta. Há outras melhores. O exemplo mais extremo disso é o do bolívar venezuelano. E também o peso argentino.

Em termos mais diretos, se a taxa de câmbio está continuamente encarecendo em termos da moeda nacional, então ela está se tornando instável. E está se enfraquecendo.

Consequências

Como já dito, a moeda é o meio de troca e a unidade de conta que permite o cálculo de custos de todos os empreendimentos, investimentos e despesas. 

Consequentemente, se essa unidade de conta é instável — isto é, se seu poder de compra cai contínua e rapidamente, principalmente em termos das outras moedas estrangeiras —, não haverá incentivos para se fazer investimentos, principalmente de estrangeiros no país.

Quando investidores investem, eles estão, na prática, abrindo mão do consumo presente para obter um fluxo de renda futura. Para que investidores (nacionais ou estrangeiros) invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que lhe traga mais poder de compra no futuro do ele possui hoje.

Entretanto, se a unidade de conta é continuamente distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza. Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo. Ou então não investirá.

Sendo mais direto, por que investir se qualquer eventual retorno futuro virá em um meio de troca que lhe permitirá comprar menos bens e serviços?

Vejamos um exemplo prático do Brasil.

Em fevereiro de 2017, um dólar custava aproximadamente R$ 3,10. Naquela época, um investidor estrangeiro que houvesse trazido US$ 100 para cá converteria para R$ 310.

Hoje, após uma série de bagunças — grampo dos irmãos Batista, greve dos caminhoneiros, incertezas eleitorais, e incertezas quanto à economia mundial —, o dólar custa aproximadamente R$ 4,05.

Consequentemente, se aqueles R$ 310 do investidor estrangeiro fossem reconvertidos em dólares, ele teria apenas US$ 76.

Isso significa que, para que ele obtivesse algum ganho real com seu investimento — por exemplo, para que ele pudesse voltar pra casa com pelo menos US$ 101 —, sua taxa de retorno líquido teria de ser de 32% (os R$ 310 teriam que se transformar em R$ 409) em dois anos e meio.

Isso equivale a um retorno líquido de 11,75% ao ano. E apenas para o investidor estrangeiro ficar no zero a zero.

Há algum investimento na economia produtiva — desconsidere títulos públicos ou mesmo especulação com ações, que não geram empregos — que gere um retorno líquido de 11,75% ao ano? 

Sim, certamente há. Mas não muitos. Pergunte a qualquer operador de bolsa de valores e ele vai lhe confirmar que um retorno de 11,75% ao ano sobre o patrimônio investido é algo que apenas bancos e poucas grandes empresas conseguem.

Ou seja, resumindo tudo: um investidor estrangeiro teria de ter um retorno líquido de 11,75% ao ano apenas para ficar no zero a zero. Para começar a ter algum lucro minimamente relevante, ele teria de ter um retorno de, no mínimo, uns 15% líquido ao ano — algo que, hoje, você só consegue especulando com ações.

Agora, peguemos um cenário inverso.

Suponha que, neste mesmo período de tempo, o dólar tivesse caído de R$ 3,10 para R$ 3. (Uma queda modesta, o que configura uma moeda estável).

Um investidor estrangeiro que houvesse trazido US$ 100 para cá e convertido para R$ 310 teria agora US$ 103 sem precisar de ter investido em nada.

Isso significa que, se ele tivesse feito qualquer investimento produtivo – investimento em infra-estrutura ou em fábricas ou em tecnologia da informação, por exemplo —, ele teria um lucro ainda maior.

Se ele investisse em aeroportos e rodovias, e tirasse 5% ao ano líquidos, aqueles R$ 310 iniciais valeriam hoje (2 anos e meio depois) R$ 350. Lucro líquido de 12,90%.

Se esses R$ 350 fossem reconvertidos em dólares, ao câmbio de agora 3 reais por dólar, ele teria US$ 116. Ganho de 16%.

Perceba a diferença absurda: no primeiro cenário, seria necessário um retorno líquido 11,75% ao ano apenas para o investidor estrangeiro ficar no zero a zero. Já no segundo cenário, um retorno líquido de meros 5% ao ano já lhe garantiria um lucro líquido total de 16%.

E tudo por causa do câmbio.

(Detalhe técnico: para ambos os casos, é comum o investidor fazer o um hedge cambial para se proteger dessas flutuações. No entanto, se, por um lado, o hedge ajuda a suavizar as perdas em caso de desvalorização, ele também anula todos os ganhos em caso de valorização. Adicionalmente, investimentos produtivos são de longo prazos, e hedges cambiais de longo prazo são extremamente raros. Veja uma ótima reportagem sobre isso).

A importância da estabilidade

Para países em desenvolvimento, que precisam de investimentos estrangeiros, essa questão da estabilidade da moeda é crucial também por outro motivo: uma moeda estável cria as condições necessárias para a transferência de conhecimento

O conhecimento acompanha o investimento e o capital estrangeiro vem acompanhado de conhecimento estrangeiro.

Um país de moeda estável envia um sinal claro ao mundo: "tragam seu dinheiro; mandem para cá seus especialistas; construam suas fábricas aqui; ensinem a nós tudo o que vocês sabem; e a riqueza que vocês criarem aqui voltará para vocês multiplicada e em uma moeda que mantém seu valor".

Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe. O investimento em tecnologia é maior. O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior. O investimento em infraestrutura é maior. O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior. 

Já um país de moeda instável está mandando um sinal claro aos investidores estrangeiros: "mantenham sua riqueza financeira e intelectual longe daqui; caso contrário, você irá perdê-la sempre que for remeter seus lucros".

O máximo a que um país de moeda instável pode aspirar é utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o chamado "hot money") que entra no país à procura de ganhos rápidos com arbitragem. Consequentemente, os melhores cérebros do país abandonarão as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado financeiro. 

Os investidores preferirão se refugiar em investimentos tradicionais e mais seguros, como imóveis e títulos do governo. Não há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam riqueza.

Conclusão

Não há crescimento econômico sem investimentos. E o investimento estrangeiro, pelo simples fato de ser mais vultoso (há muito mais capital fora do Brasil do que dentro do Brasil), é o mais capacitado a gerar crescimento econômico.

Igualmente, não há empregos sem investimentos produtivos. E não há empregos que paguem bem sem investimentos vultosos.

Mas não há investimentos produtivos sem moeda estável.

É por isso que os economistas clássicos, à sua época, já defendiam a idéia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais estável possível. Eles já sabiam que ter uma moeda cujo valor flutuasse constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem diariamente. 

Imagine o que ocorreria se a definição de metro, grama e minuto fosse alterada diariamente? Em um dia, o metro tem 100 centímetros; no dia seguinte, o metro se desvaloriza e passa a valer 95 centímetros. Depois, se valoriza e passa a ter 107 centímetros. Como seria possível fazer qualquer obra dessa maneira?

Assim como um metro flutuante e um minuto flutuante gerariam vários erros de construção, de cálculo e de planejamento, um dinheiro (meio de troca e unidade de conta) flutuante não tem como permitir investimentos sensatos. Ele gera apenas uma grande desarmonia nas transações e um profundo caos no cálculo econômico.

Uma moeda instável desestimula investimentos produtivos. E, consequentemente, age contra o crescimento econômico

Por isso, uma moeda estável é indispensável para atrair o capital estrangeiro e, com isso, gerar crescimento econômico.

Se a moeda brasileira mantiver sua atual trajetória de enfraquecimento e instabilidade iniciada em maio de 2017, pode esquecer qualquer chance crescimento. Não haverá investimentos estrangeiros produtivos.

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Leia também:

Os três tipos de regimes cambiais existentes - e qual seria o mais adequado para o Brasil

Três consequências da desvalorização da moeda - que muitos economistas se recusam a aceitar 



autor

Thiago Fonseca
é graduado em administração pela FGV-SP e é empreendedor do ramo de eletroeletrônicos


  • Geraldo  22/08/2019 18:36
    Perfeito o artigo. Aliás, aproveitando o assunto, o que vocês estão achando do Roberto Campos Neto? Particularmente, acho que ele é a maior decepção deste governo. É um mosca-morta. Tá parecendo o Tombini.

    A função auto-atribuída do Banco Central é proteger a moeda, ser seu guardião, manter seu poder de compra. E o cara tá simplesmente deixando o real derreter. Ou seja, ele próprio está renegando sua auto-atribuição.

    Se continuar neste ritmo, Bolso roda rapidinho.
  • Leandro  22/08/2019 18:58
    É um bom ponto. Até o final de julho a coisa ia relativamente bem. Mas aí -- por motivos que não quero aqui especular --, ele decidiu que reduzir a SELIC em 0,5 ponto percentual (quando o mercado esperava 0,25 p.p.) seria essencial para "retomar o crescimento".

    Já haviam reduzido de 14,25% para 6,50%, sem grandes efeitos no PIB, e aí acharam que reduzir de 6,50% para 6% seria a medida que, aí sim, faria toda a diferença...

    Só que, no mesmo dia, o Fed reduziu a taxa básica americana em apenas 0,25 ponto percentual e, ao contrário do que esperava o mercado, sinalizou que isso não era o início de uma série de corte.

    Ou seja, no mesmo dia, o BC brasileiro reduziu mais que o mercado esperava (e sinalizou que vai reduzir mais), e o Fed sinalizou que irá reduzir bem menos. O BACEN ficou dovish e o Fed ficou hawkish.

    Dali em diante tudo desandou. Tornou-se muito arriscado para o estrangeiro vir aqui até mesmo para especular, quanto mais para investir produtivamente. Houve uma redução da demanda pelo e um aumento da demanda por dólar.

    Isso vale ser repetido: com a redução da SELIC, e principalmente com a sinalização de que virão novas reduções, ao mesmo tempo em que o Fed está menos dovish do que se esperava, deixa de ser atraente para o estrangeiro vir para cá até mesmo para especular.

    Por ora, com a SELIC baixa (não era isso o que sempre quiseram todos?), é bom nos acostumarmos com um dólar mais caro. Resta apenas torcer para que ele não encareça mais.
  • Trader  22/08/2019 19:05
    Sim, com a redução da Selic em um ritmo maior que a redução dos juros americanos, o carry trade perdeu totalmente a atratividade.

    Com os EUA no patamar entre 2% a 2,25%, e aqui a 6% ao ano, e com sinalização de novas quedas, não há motivo nenhum pra vir dólar especulativo (hot money) para cá. Só que também não há motivo nenhum para vir dólar produtivo, por medo de mais desvalorizações (bem explicadas no artigo).

    Ou seja, o dólar caro veio pra ficar. É torcer pra não piorar.
  • Tulio  22/08/2019 20:30
    Ou então o Campos Neto pode estar seguindo uma estratégia "inovadora": deixa o real derreter até o dólar chegar a R$ 4,50. Dali em diante, vai ficar claro que não tem como piorar.

    Aí o investidor estrangeiro virá, pois ele saberá que só terá a ganhar.

    Enfim, wishful thinking, mas quem sabe?
  • Felipe Lange  22/08/2019 21:03
    Mas Leandro, essa questão da SELIC é uma mera gambiarra né? Porque por exemplo, se ele fosse aumentado, aí ficaria ainda mais difícil para o governo honrar a dívida, e mais investimentos produtivos seriam direcionados para financiar a burocracia estatal, não é? Quando você menciona "o mercado", seria quem exatamente? Apenas a Bolsa?
  • Leandro  22/08/2019 21:40
    "essa questão da SELIC é uma mera gambiarra né?"

    Em todos os países do mundo, um comitê central definir juros é uma gambiarra. Neste quesito, somos iguais a todos.

    "Porque por exemplo, se ele fosse aumentado, aí ficaria ainda mais difícil para o governo honrar a dívida, e mais investimentos produtivos seriam direcionados para financiar a burocracia estatal, não é?"

    Mas eu não disse que tinha de ser aumentado. Com efeito, tentei não fazer juízo de valor. Apenas expliquei o que ocorreu: um comitê central de um país reduziu os juros mais intensamente do que o comitê central de outro país, e que isso não era o previsto por especuladores.

    Sim, a taxa de câmbio de todas as moedas do mundo é formada majoritariamente por especuladores. Os especuladores estavam posicionados esperando um movimento, e veio outro bastante diferente. Aí tiveram de desmontar suas posições.

    Mas esse ocorrido é o de menos, pois é um fenômeno totalmente pontual e específico. A desvalorização do real vem de longe, mais precisamente desde julho de 2011. Foi ali que tudo começou. O atual momento é apenas um pingo em meio a um longo processo de deterioração (o qual só deu um refresco entre abril de 2016 e maio de 2017).

    "Quando você menciona "o mercado", seria quem exatamente? Apenas a Bolsa?"

    Mercado financeiro, que é onde os preços de todas as commodities (incluso moeda) são formados.
  • Sadib  25/08/2019 15:47
    O que nós, pobres brasileños podemos fazer para nos defender, ou o que vcs recomendam de investimento em uma situação como essa? Compramos dólar? Compramos ouro? Dá pra lucrar com isso ou só chorar?
  • Carlos Lima  22/08/2019 21:18
    GERALDO, com todo respeito, eu sinceramente não entendi se vc está falando sério ou brincando, quando diz que cabe ao banco central proteger a moeda, assumindo o papel de guardião da mesma.
    se estava brincando, nem precisa mais continuar lendo. pode voltar daqui mesmo. caso contrário, tenho algumas considerações a fazer.
    pra mim essa história de guardião, da moeda, da constituição, da democracia, ou seja lá do que for, pelo menos aqui no brazíu é tudo piada, e de muito mau gosto.
    por tudo que li, o que acontece de fato é exatamente o contrário: um banco central, no modelo que conhecemos, destrói a moeda, abalando a economia com suas metas de inflação, e sua nada nobre missão de criar políticas monetárias no mínimo questionáveis, tipo aquelas intervenções sistemáticas no câmbio, na maioria das vezes inúteis.
    na verdade, sendo bem claro, o que o banco central do brazíu faz é prejudicar mais do que ajudar a economia, e não existe nada que possa ser feito pra mudar essa triste realidade, a não ser extingui-lo, pura e simplesmente.
    não esquecer que o banco central do brazíu foi designado "emprestador de última instância", um eufemismo pra "salvar os banqueiros em caso de quebra", protegendo-os dos seus clientes, que mesmo sendo vítimas, acabarão assumindo eventuais prejuízos.
    bem, pode ser que não seja nada disso e eu tenha entendido tudo errado logicamente, o que no meu caso não é algo tão raro de acontecer.
    então eu realmente gostaria de saber: bancos centrais são mesmo heróis, ou vilões disfarçados? bancos centrais devem continuar existindo, ou podem ser substituídos, com vantagens, pelos "currency boards"? faz alguma diferença quem estiver no comando dessa instituição? se o presidente for uma mosca viva ou uma mosca morta, isso muda alguma coisa?
    eu preciso ter essas respostas porque, desde que comecei a frequentar este site, criei uma imagem totalmente negativa do banco central, que aprendi a rejeitar e responsabilizar por quase tudo de ruim que acontece na nossa combalida economia.
    se for seu desejo, fique à vontade pra contestar tudo que escrevi. aceito todo tipo de crítica, construtiva ou destrutiva.
    felicidades pra você.
  • Geraldo  22/08/2019 21:44
    Sim, concordo com tudo o que você falou. Mas meu ponto é: a função auto-autribuída do BC é ser o guardião da moeda. Isso não é minha opinião. Isso é algo que eles próprios falam deles. Logo, RNC está falhando claramente nisso, o que fortalece ainda mais seu argumento abolicionista. Ilan Goldfajn foi razoável, e ainda assim foi o segundo melhor. Meirelles ainda é imbatível (muito embora o contexto externo fosse totalmente diferente)
  • Estado o Defensor do Povo  22/08/2019 19:02
    Puta merda mano às vezes eu choro pelo azar de ter nascido no Brasil, me fudi :)
  • Gustavo  22/08/2019 19:10
    Calma, na Argentina é piorzinho... Lá, o dólar foi de 1 peso em 2001 para 55 pesos hoje. Básico...
  • Andre  22/08/2019 21:01
    Você vê que o Brasil acabou mesmo quando cara usa Argentina como argumento.
  • Fabrício  22/08/2019 19:12
    E ninguém no governo fala em Currency Board?
  • Carlos Alberto  22/08/2019 19:20
    Guedes é Chicago. Campos Neto também deve ser. Essa turma nunca esteve nem aí pra câmbio, que eles acham que é um preço simples como qualquer outro. Para Chicago, o câmbio subir é a mesma coisa que o tomate encarecer. Incomoda um pouco, mas não traz muitos efeitos para a economia. No máximo, eles concedem que há um pequeno repasse inflacionário, o qual pode ser perfeitamente contido com juros.

    Esquece, câmbio flutuante é um daqueles modismos irracionais que duram muito tempo. E aí de repente todos abandonam.

    P.S.: se câmbio flutuante fosse bom, haveria taxas de câmbio entre os estados brasileiros. Imagina que maravilha que seria...
  • Leandro  22/08/2019 19:29
    Exato. Taxas de câmbio flutuantes são aceitas por economistas simplesmente porque estes têm em mente apenas o conceito de 'nação'. Só que 'nação' é uma unidade política, e não é uma unidade econômica.

    Como você bem disse, imagine se houvesse uma taxa de câmbio flexível entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro? Ou entre Bahia e Santa Catarina? Isso seria um incentivo ao livre comércio e os investimentos entre os estados ou seria uma barreira?

    Se os estados adotassem câmbios flexíveis entre si, os efeitos seriam desastrosos para o comércio e para todo o investimento nacional, com cada estado fazendo guerra cambial e impondo várias tarifas protecionistas. Ainda bem que não é assim.

    Não faz sentido -- a menos para protecionistas inveterados, é claro -- defender câmbio flutuante entre países, mas "câmbio fixo" entre estados, cidades e bairros.

    Um sistema de câmbio flutuante é, por definição, um sistema de "quase-escambo". Taxas de câmbio flutuantes introduzem incertezas indesejadas nos mercados internacionais, obstruindo o livre comércio e, principalmente, os investimentos. O investidor torna-se muito mais um especulador do que propriamente um investidor.

    O ideal supremo é que todas as moedas fossem atreladas ao ouro (o que faria com que a taxa de câmbio entre elas fosse fixa). Não sendo isso possível, a segunda melhor hipótese seria o seu país atrelar sua moeda ao ouro. Nesse caso, haveria câmbio flutuante em relação a todas as outras moedas, mas ao menos a sua seria estável; ela teria uma definição exata e bem-definida. A terceira melhor hipótese é ancorar sua moeda a outra moeda por meio de um Currency Board ortodoxo.
  • Felipe  22/08/2019 20:04
    Artigo desenhado. Muito bom!
  • Felipe Lange  22/08/2019 20:58
    Como diria o Leandro, câmbio flutuante em país como o Brasil não flutua, afunda. Já pode-se chamar de "câmbio afundante". Político flatula, real afunda.
  • Fernando  22/08/2019 21:43
    Com o dólar neste patamar temos que "torcer" para a economia não voltar a aquecer. Com a economia em crescimento, motivada pela expansão da oferta monetária, a carestia vai ser forte. Ou seja, com dólar nesse patamar, a retomada econômica vai ser abortada precocemente já que será necessária a elevação dos juros para conter a carestia. E lá vamos nós de novo para um micro voo de galinha.
  • Régis   22/08/2019 21:56
    Mas se ela não se aquecer, quem vem em 2022 será Ciro Gomes. E aí tudo termina de acabar de vez.

    Concordo com o Geraldo acima. Campos Neto tem de ser substituído por alguém que ao menos imponha respeito. Já que é pra ter Banco Central (pois ninguém, exceto os austríacos, defende a abolição dessa bosta) então este ao menos tem de estar sob o comando de alguém que se imponha (RNC é novinho e tem cara de surfista).

    Defendo o retorno de Meirelles ou então de Gustavo Franco. Mesmo recém enfartado ele seria melhor.
  • Wagner Pires   22/08/2019 22:18
    Gostei muito do artigo, mas, tenho uma dúvida que se faz presente sempre que se defende o investimento estrangeiro. É que os keynesianos alegam que investimento bom é o investimento do capital do nacional, porque o investimento estrangeiro faz a economia perder força, já que há remessa de lucros, descapitalizando o país.

    Outra alegação é que se o investimento estrangeiro direto superar o investimento nacional a remessa de lucros, em determinado momento, junto com a Balança Comercial deficitária destruirá o colchão de reservas estrangeiras do país.


    Alguém poderia me ajudar na desestruturação dessas ideias?

    Obrigado.
  • Leandro  22/08/2019 22:53
    "É que os keynesianos alegam que investimento bom é o investimento do capital do nacional, porque o investimento estrangeiro faz a economia perder força, já que há remessa de lucros, descapitalizando o país. [...] se o investimento estrangeiro direto superar o investimento nacional a remessa de lucros, em determinado momento, junto com a Balança Comercial deficitária destruirá o colchão de reservas estrangeiras do país"

    Isso é totalmente desprovido de sentido.

    Para começar, os investimentos físicos continuam intactos. As máquinas continuam aqui, as fábricas continuam aqui, as instalações industriais continuam aqui, a mão-de-obra continua aqui, os produtos produzidos continuam aqui. Tudo continua aqui.

    Inclusive o dinheiro.

    Sim, nenhum dinheiro sai do país. Não saem reais e nem dólares.

    Embora a mídia adore usar a expressão "fuga de dólares", não existe isso de "dinheiro estrangeiro saindo do Brasil". E nem entrando. Dólares, euros, ienes, renminbis, franco suíço etc. não são moeda corrente no Brasil. E nenhum banco brasileiro está autorizado a aceitar depósitos em moeda estrangeira.

    Assim, quando há investimento estrangeiro direto ou quando há exportações, nenhum centavo de moeda estrangeira de fato entra no Brasil. E quando há remessa de lucros, nenhum centavo de moeda estrangeira sai do Brasil (mesmo porque nunca entrou).

    O que ocorre, então? Uma simples troca de propriedade de contas bancárias.

    Dólares, que estão em uma conta bancária em um banco americano, mudam de proprietário. E reais, que estão em uma conta bancária em um banco brasileiro, também mudam de proprietário.

    Vou dar um exemplo do que ocorre quando há uma exportação.

    1) Quando um brasileiro exporta soja para os EUA, não entram dólares na sua conta bancária aqui no Brasil. O dólar não é moeda corrente aqui e nem na esmagadora maioria dos países do mundo.

    2) Sendo assim, o dólar não "entra" aqui via sistema bancário e nem muito menos sai do sistema bancário americano.

    3) O que ocorre na prática é que o exportador brasileiro adquire a titularidade de uma conta bancária, em um banco americano, em dólares. (Essa conta era do importador americano da soja brasileira).

    4) Ato contínuo, o exportador brasileiro pode decidir entre vender a titularidade dessa conta bancária para outra pessoa (normalmente para um banco brasileiro ou para um importador brasileiro) ou manter a propriedade dessa conta em dólares, decidindo investir esses dólares na própria economia americana (comprando ações, debêntures ou até mesmo títulos do governo americano).

    5) Perceba que os dólares nunca saíram dos EUA. A única coisa que aconteceu foi que a titularidade de uma conta bancária em um banco americano mudou de dono: um importador americano de soja brasileira repassou uma parte de seus dólares para um exportador brasileiro, que então decidirá o que fazer com os dólares dessa conta: ele pode vender para um banco brasileiro ou para um importador brasileiro, sempre em troca de reais.

    6) Com investimento estrangeiro ocorre o mesmíssimo processo. O investidor estrangeiro repassa a sua conta bancária americana para um brasileiro (um importador ou um banco brasileiro que quer manter ativos no exterior) e, em troca, adquire a propriedade de uma conta bancária no Brasil, em reais. Agora em posse de reais ele está livre para fazer investimentos aqui.

    7) E, na hora de remeter seus lucros, ele simplesmente faz o processo inverso: vende seus reais em uma conta bancária aqui no Brasil para um exportador de soja que quer trocar dólares por reais em troca dos dólares que estão em uma conta bancária estrangeira em nome deste exportador (que agora quer converter seus dólares para reais).

    8) Não há absolutamente nenhuma alteração nas reservas do país. Estas estão em posse do Banco Central e não foram alteradas em nada.

    Ou seja, como tudo que keynesiano fala, nada disso faz o mais mínimo sentido.


    P.S.: ah, sim, raramente temos déficit na balança comercial. E, se tivéssemos, não seria problema nenhum. Ao contrário, aliás: dependendo do que estamos importando, seria ótimo.

    Sugiro este artigo:

    Por que ainda há histeria em relação a déficits na balança comercial?
  • Wagner Pires  23/08/2019 01:31
    Muito obrigado, Leandro. Esclarecido.

    Sou seu fã. Grande abraço!
  • Vinicius  22/08/2019 23:07
    Acabei de olhar a cotação do Nuevo Sol peruano, a moeda daquele povo se valorizou essa semana inteira enquanto o real brasileiro apanhou feio.
    Mas os juros peruanos também foram reduzidos recentemente igual ao Brasil.
  • Viajante  22/08/2019 23:29
    É a moeda mais sólida da America Latina. É mais estável até que o peso chileno. Em 2017, a inflação foi de 1,36%. Em 2019, foi de 2,19%. E com a economia chegando a crescer 5%.

    A dívida do governo é de exíguos 26% do PIB

    Por que a moeda estável? Além das finanças do governo estarem em ordem, o dólar circula livremente no país ao lado do nuevo sol.

    Eis o que diz a Wikipedia:

    "Peru tem uma economia parcialmente "dolarizada", onde 70% da liquidez do sistema bancário tem sido em dólares americanos. A maioria dos salários e bens de comércio estão em sóis mas as empresas, e as pessoas escolhem emprestar e poupar em dólares americanos."

    pt.wikipedia.org/wiki/Novo_sol


    Com essa concorrência, se o nuevo sol não for bem gerido, os peruanos migram para o dólar, e o governo perderá suas receitas.

    A consequência desta estabilidade da moeda é que os peruanos praticamente não mais sabem o que é crescer menos de 4% ao ano.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/peru-gdp-growth-annual.png?s=prgdpyoy&v=201908222216V20190821&d1=20020122&d2=20190822&type=column


    Eis um artigo inteiro sobre esse arranjo peruano:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089
  • Guilherme  22/08/2019 23:37
    O Nuevo sol peruano não é a moeda guardanapo que usamos no Brasil. Em Lima com a menor cédula local, 10 soles, é possível sair de casa, tomar um transporte público, chegar no centro da cidade para adquirir um razoável almoço completo e voltar pra casa de transporte, e ainda corre o risco de sobrar algumas moedinhas. E pasme, o salário médio em dólares de um limeño é igual ao do paulistano, o que um paulistano faz em Sampa com 10 reais?
  • Vinicius  23/08/2019 11:18
    E como fazemos pra ter um regime cambial assim? Como os peruanos conseguiram?
  • Questionador  24/08/2019 23:06
    Os peruanos conseguiram essa proeza simplesmente permitindo que o dólar fosse moeda corrente, junto ao sol.

    Com essa concorrência, o Banco Central peruano é forçado a depredar menos a moeda.

    Leia este artigo (o exemplo peruano aparece depois de vários parágrafos):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089
  • Marcelo  25/08/2019 13:15
    Guilherme, você está enganado sobre fazer isso com 10 dólares, especialmente em Lima, que é uma cidade muito cara em razão do setor de negócios e de turismo. Estive lá recentemente e posso afirmar isso.
    Abraço.
  • Áncash  25/08/2019 15:36
    Un menu almuerzo en el cercado de Lima para peruanos cuesta alrededor de 10 soles y la cena por unos 8 a 12 soles que la tenemos más cerca de nuestras viviendas en los barrios en las afueras. Los barrios turisticos son muy pero que muy costosos y solamente extranjeros pueden accederlos. Se estuviste recién en Lima seguramente quedaste en uno de ellos porque la delincuencia en las afueras trayeda por los venecos esta por las nubes.
  • Marcelo  27/08/2019 10:50
    Isso mesmo.
    E não esqueçamos que a Odebrecht tinha ótima relação com o governo peruano.
    O PIB aumenta mas a miséria nao diminui por isso necessariamente.
    As pessoas precisam estudar um pouco mais no lugar de engolir qualquer artigo por aí.
    Abracos e sucesso
  • ronaldo  04/10/2019 17:48
    exacto!!!
  • Luiz Novi  22/08/2019 23:24
    Sobre o BC ser o guardião da moeda...
    O artigo deixa claro que uma moeda estável cria as condições necessárias para os investimentos, frisando que: "Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe".
    O verdadeiro guardião da moeda não é o BC, mesmo este sendo totalmente independente. A estabilidade da moeda de um país vem de sua baixa tributação, desregulamentação, desburocratização, facilidade/segurança em se fazer negócios, isso terá como consequências confiança para investimento e o resultado será a valorização da moeda nacional.
    Uma atitude ousada do BC para conter a moeda, sem o respectivo respaldo de toda uma política fiscal responsável, de um ambiente rodeado de incertezas, burocracia, insegurança jurídica(um exemplo foi a contabilidade criativa em cima da LRF e consequentemente aumento dos limites de gasto com a folha), irá como o próprio artigo citou, atrair capital de curto prazo puramente especulativo.

    Vocês concordam?

    Grande abraço.

    Luiz Novi
  • Vladimir  22/08/2019 23:42
    "Uma atitude ousada do BC para conter a moeda, sem o respectivo respaldo de toda uma política fiscal responsável, de um ambiente rodeado de incertezas, burocracia, insegurança jurídica [...] irá como o próprio artigo citou, atrair capital de curto prazo puramente especulativo."

    Correto. Mas se o BC nada fizer, nem mesmo o capital de curto prazo virá. Já que a estrovenga existe, que ao menos ela cumpra sua função de nos dar uma moeda estável. Se nem isso ele cumpre, então ele deve ser abolido e deve ser liberada a circulação de moeda estrangeira no Brasil.

    O que não dá é ter uma agência estatal que detém o monopólio da moeda (proibindo as pessoas de usar outra moeda) e que nem sequer tem a decência de entregar uma moeda minimamente decente. Isso é intolerável.
  • Emmanuel  23/08/2019 01:55
    E tende a piorar. Tá rolando na internet um abaixo assinado para que a União Europeia e o Reino Unido apliquem sanções econômicas ao Brasil por causa das queimadas na Amazônia. Fizeram algo semelhante com a Rússia no final de 2014 (por causa da Criméia) é o rublo se esfacelou.

    Não creio que será feito contra o Brasil mas o simples ruído já basta pra desvalorizar a moeda no mercado internacional. Até creio que foi isso que aconteceu hoje.
  • L Fernando  23/08/2019 02:03
    Pura hipocrisia
    Como se o governo atual fosse responsável pelas queimadas
    Isso tem todo ano e até em maior escala
    Esquerdistas são doentes, sociopatas.
    A França não pode reclamar de queimadas, basta ver o que queimam lá, até Notredame
  • Humberto  23/08/2019 03:05
    Isso das queimadas não vai adiante, não. Daqui a umas duas semanas, quando voltarem as chuvas, passa. Daqui a um mês, ninguém vai mais lembrar.

    Agora, li recentemente na imprensa um papo de que multinacionais com filiais na Argentina estavam comprando dólares no Brasil para enviar pra lá. Acho que isso faz bastante sentido, pois o dólar aqui disparou após as primárias de lá, e encareceu muito mais do que no Chile e na Colômbia, por exemplo.

    Argentinos sempre ferrando...
  • Guilherme Quito - Ecuador  23/08/2019 03:23
    E o governo Bolsonaro perdendo a batalha da comunicação.
  • Wesley  23/08/2019 02:09
    Acho que pouquíssimos economistas dão importância para a questão da moeda forte. O próprio Paulo Guedes disse numa entrevista que não vê problema no dólar acima de 4,20. Ele ainda disse que isso iria reindustrializar certos setores da economia. E os economistas de mídia só falam de inflação e SELIC. Se a inflação e SELIC estiverem baixas, então o dólar pode estar 5 reais que não tem problema. Só os economistas da EA que dão importância a moeda forte.
  • Andre  23/08/2019 11:13
    Me preocupou bastante este artigo pois realmente escancarou como a atual administração no BC não se importa com dólar caro. Câmbio é o preço mais importante para que os investidores tenham confiança no país, os empresários tenham horizonte de investimento, a classe média tenha motivação para progredir e que os pobres sejam menos pobres.
  • Drink Coke  23/08/2019 13:20
    Isso é verdade, no curso de economia moeda é tratado como algo neutro. Um certo nível de inflação não é visto como um problema, aliás um pouco de inflação é visto como estimulante para o crescimento. Já deflação é visto como um perigo. Exportar mais do que importar é algo que é visto como algo bom para economia do país, então na cabeça dos economistas desvalorizar um pouco a moeda seria positivo. Isso é o que se ensina em todos os cursos de economia do país e do mundo, não é a toa que a economia do mundo está como está.
  • Chitara  23/08/2019 14:47
    É claro que a moeda é importante. Mas como a EA resolve o problema ? Como "JÊNIO" a ideia é REDUZIR a quantidade de moeda.

    A moeda fica forte porque POUCAS pessoas tem acesso a ela. (oferta x demanda) Você ajuda somente os ricos, os que já detém uma grande quantidade de moeda.

    É isso que o país quer ? É isso que as pessoas minimamente empáticas querem ? Obviamente que não.

    Você abre mão de uma moeda forte em troca de que mais pessoas tenham acesso ao dinheiro, porque o importante são as pessoas e não o dinheiro. O importante é que a maioria consiga ter acesso aos bens/serviços básicos. Vivemos o tempo inteiro nessa linha tênue, nesse trade off. Seria muito fácil resolver o problema pelo método da EA, mas você volta com a barbárie, aumenta a desigualdade, aumenta a quantidade de miseráveis(Que não vão ter dinheiro e que por sua vez não terão acesso a educação e saúde e que por sua vez não conseguirão se preparar para ter um bom emprego, sem emprego não conseguirão ter dinheiro e é um ciclo vicioso que só piora.

  • Pantro  23/08/2019 15:06
    E quem é que está falando em reduzir a quantidade de moeda, nobre indigente?

    Este Instituto, ao menos, nunca defendeu isso (ao contrário, apontou as causas negativas quando isso ocorreu). Ele sempre sugeriu várias alternativas. Escolha a sua favorita

    * Atrelar a moeda ao ouro (solução utilizada pela Alemanha para extinguir a hiperinflação de 1923).

    * Currency Board

    * Livre circulação de moedas estrangeiras

    Nenhuma dessas envolve redução da quantidade de moeda
  • Constatação  24/08/2019 14:34
    A Venezuela abriu mão da força da moeda, viu?
  • Wesley  23/08/2019 02:13
    Tenho uma dúvida. Depois que apareceram notícias sobre o governo permitir um pouco mais a circulação de dólares no Brasil, muitos disseram que se o dólar pudesse circular livremente no Brasil como o Real, ia ocorrer uma forte desvalorização da moeda brasileira, similar ao que ocorre na Argentina. Porque lá as pessoas correm para o dólar em momento de incerteza e o peso desaba. Se os brasileiros tivessem o privilégio de negociar e receber seu salário em dólar, o que aconteceria com o Real? As pessoas o abandonariam nos momentos de desvalorização, como agora?
  • Trader  23/08/2019 03:38
    Ao contrário: aumenta a demanda pela moeda local, pois você vai precisar dela para comprar a outra.

    É assim no Peru.

    Na Argentina, o dólar não é realmente legalizado. Há controle cambial. E havia o cepo na época dos Kirchner. E é exatamente por isso que ninguém (exceto os pobres) demanda o peso. Tão logo o cara recebe em peso, ele já corre para se livrar dele em troca de dólares.

    Quanto mais você veta uma moeda, mais as pessoas vão atrás dela, e mais querem se livrar da moeda oficial.

    Caso o dólar fosse liberado aqui no Brasil, você iria querer ter reais porque seria fácil trocar por dólares. Se você é proibido de trocar com facilidade real por dólar (como ocorre na Argentina), aí você nunca vai querer ter real. E aí a demanda pela moeda nacional desaba.


    P.S.: aqui no Brasil, quando foi dada essa notícia (final de maio), o dólar estava a R$4. Após a notícia, ele caiu sem parar. Chegou a beliscar R$ 3,71 em meados de julho.
  • Guilherme Quito - Ecuador  23/08/2019 03:10
    A crise argentina se disparou após um corte de juros mal feito pelo BCRA, Javier Milei como sempre previu:

    www.youtube.com/watch?v=1YL5xgpGZng

    pular para o 2:40, mas o vídeo todo vale a pena.
  • Felipe Lange  23/08/2019 04:18
    Pessoal, a França tem um histórico intervencionista de décadas. Assim sendo, o que sobrou de riqueza do país dos dias atuais teria vindo de qual período? No século XIX o país tinha relativa liberdade econômica?
  • Leandro  23/08/2019 04:37
    Esse "mistério" da França tem uma explicação. Após a Segunda Guerra, a França foi adepta de uma virtude que poucos países europeus seguiram: moeda forte e inflação baixa.

    Com exceção de alguns anos da década de 1970 e 1980, a inflação de preços sempre esteve abaixo de 5%. E, desde 1986, a inflação média é de invejáveis 2%. É um histórico melhor até mesmo que o do Reino Unido. Em termos de solidez monetária, a França só perde pra Alemanha e pra Suíça, e empata com a Holanda.

    Ademais, apesar de toda a retórica, o país nunca foi de adotar altas tarifas de importação.

    Essa combinação entre solidez monetária (o que torna investimentos previsíveis e mais seguros) e livre comércio não pode de maneira alguma ser negligenciada. Não é à toa que nós do IMB rotineiramente publicamos artigos defendendo livre comércio e moeda forte.

    Compare a inflação da França, com a da Itália e da Espanha, por exemplo.

    Por fim, vale enfatizar também que, embora o francês médio seja meio avesso ao trabalho, a classe empreendedorial é sólida e competente (aliás, tem de ser para sobreviver à enorme carga tributária). Ademais, a população é culta e o setor de engenharia e infraestrutura é excelente. E o fluxo de turistas estrangeiros -- o que aditiva o setor de serviços e comércio -- é enorme.
  • Dedé  23/08/2019 10:24
    Acho que o grande problema desses países é a mobilidade social. O sujeito pobre, não passa pelas mesmas privações de um pobre brasileiro, nem enfrenta os mesmos problemas sociais de violência, saúde pública falida e péssima infraestrutura.
    Mas a dificuldade de um francês ascender socialmente deve ser muito maior que a de um americano ou suíço.
  • Estado o Defensor do Povo  25/08/2019 19:38
    Dedé isso acontece porque o pobre brasileiro é proibido de trabalhar por causa da lei do salário mínimo, e além dos altos encargos trabalhistas que engessam a economia e diminuem a rotatividade do mercado, boa parte dos miseráveis brasileiros são desempregados.
  • anônimo  23/08/2019 12:08
    França, Itália, Grécia, Portugal, Espanha, e a Europa em geral, todos esses países só são o que são hoje graças ao acúmulo de capital que realizaram por milênios. Por muitos séculos foram "o centro de mundo" em se tratando de inovação, comércio e humanidades.

    Os EUA em muito menos tempo desbancou todos esses países mercantilistas. A questão da moeda só serviu para preservar a riqueza que acumularam durante toda a história, ela não tem como fazer milagre. Não adianta a moeda ser sólida igual ouro, mas gastarem 50% da renda em funcionalismo público.
  • Luiz Novi  23/08/2019 16:32
    Acho que esse texto do anônimo completa bem o meu comentário acima. Política Monetária não faz milagres, deve sim haver um respaldo de outras políticas, como a fiscal, por exemplo.
  • Felipe Lange  23/08/2019 14:17
    "Por fim, vale enfatizar também que, embora o francês médio seja meio avesso ao trabalho, a classe empreendedorial é sólida e competente (aliás, tem de ser para sobreviver à enorme carga tributária). Ademais, a população é culta e o setor de engenharia e infraestrutura é excelente. E o fluxo de turistas estrangeiros -- o que aditiva o setor de serviços e comércio -- é enorme. "

    Interessante isso de ser "meio avesso ao trabalho". Sei não viu, acho que ninguém gosta de trabalhar, trabalhando apenas porque os recursos são escassos (a etimologia da palavra vem de Tripalium, instrumento de tortura). Macron não tem feito nada para fazer as reformas econômicas, uma pena. Vamos ver como ficará nas próximas décadas, se mudará algo com a imigração muçulmana. Engenharia se refere aos carros também?

    Leandro além de economista, é historiador e antropólogo também.
  • Gabriel  23/08/2019 11:35
    Com relacao ao hedge cambial ser "extremamente raro", eu entrei no link, mas nao vi isso. So diziam que estavam tentando facilitar. Voces teriam mais fontes para demonstrar que eh raro por favor?
  • Trader  23/08/2019 14:46
    Aqui: Câmbio instável dificulta financiamento estrangeiro à infraestrutura

    Alguns trechos (destaques meus):

    A falta de proteção contra variações do câmbio ocupa o topo da lista gargalos para o desenvolvimento da infraestrutura. Em 2017, a Secretaria de Assuntos Estratégicos ouviu 50 especialistas de escritórios de advocacia, consultorias, operadores, instituições financeiras e gestores de recursos. O risco no câmbio foi o item de preocupação mais mencionado.

    A solução mais simples para esse problema seria cobrar tarifas em dólar. Mas a ideia é vista com ressalvas na atual equipe de governo.

    "Dolarizar nunca é bom", afirmou Diogo Mac Cord, secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura do Ministério da Economia. A indexação das tarifas em moeda estrangeira é polêmica. Porém, não está totalmente descartada, segundo informou.

    Estudo do Fórum Econômico Mundial sobre o financiamento da infraestrutura no Brasil sugere a dolarização parcial de tarifas do setor elétrico, entre outras medidas. A energia gerada pela usina de Itaipu já é cotada em dólares. Os custos nas usinas térmicas, que utilizam óleo, também sofrem influência direta da variação da moeda estrangeira.

    Na Colômbia, as tarifas de pedágio e estradas são parcialmente dolarizadas. Mas recursos públicos podem ser usados para amortecer o efeito de variações bruscas da moeda. Assim, os preços aos usuários permanecem estáveis.

    A rigor, o Brasil já tem um mecanismo de proteção cambial que está em contratos de concessão de rodovias paulistas. Permite que as concessionárias descontem, dos pagamentos que devem fazer ao governo, os custos de uma variação cambial excessiva. Por outro lado, as empresas precisam pagar taxas de outorga maiores ao governo, caso a moeda estrangeira caia em relação ao real.

    O ministro Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) tem dito que estuda soluções para o risco cambial.

    No mundo, estão em uso 3 formatos de proteção contra variações do câmbio, segundo Igino Zucchi, 1 ex-secretário do PPI (Programa de Parcerias de Investimento) que atualmente é sócio da Capital Structuring e conselheiro do Infra2038:

    * Dolarização – a tarifa ou parte dela é corrigida pelo dólar ou moeda estrangeira em que estiver a dívida externa do concessionário. Pode dar certo, por exemplo, na Ferrogrão, uma ferrovia que será usada por exportadores de soja, pois todo o negócio está cotado em dólar. Pode dar errado se for usado em pedágios de rodovias, pois tende a ser um ponto de incerteza na composição dos custos dos serviços prestados por caminhoneiros

    * Tesouro – o governo cobre os custos adicionais do concessionário se o dólar encarecer, mas recebe pagamentos maiores se o dólar baratear. "Pode ganhar ou perder, mas há chances de ser positivo em termos de resultado para o governo e para o concessionário, que pode captar recursos mais barato e por maior prazo", disse Zucchi.

    * Hedge – é um contrato feito com bancos no qual o concessionário "trava" uma cotação para o dólar. Se moeda norteamericana ficar mais cara que o contratado, a perda é da instituição financeira. Se ficar mais barato, a perda é do concessionário. Mas há 2 questões ainda por resolver para que essas operações se tornem viáveis: como o banco vai se proteger da variação cambial e como evitar o risco de "calote" caso o concessionário tenha de pagar ao banco. "Em grande parte das vezes, isso inviabiliza a operação", afirmou o especialista.


    Há também um estudo do Fórum Econômico Mundial dizendo que a única solução é a dolarização das tarifas, o que já foi aventado por aqui.

    De resto, você encontra hedge cambial para um período de até uns 180 dias. Se muito. Pra 5 anos, nunca vi. E, se houver, seria caríssimo.
  • Chitara  23/08/2019 14:28
    Interessante esse texto... o IMB dizendo que moeda instável ( Bitcoin) é ruim e que o desenvolvimento só vem com moeda estável(moeda estatal) .


    Destaque para a notícia do dia: França agora se opõe ao acordo UE-Mercosul. Parabéns aos envolvidos.





  • Pantro  23/08/2019 14:55
    "o IMB dizendo que moeda instável ( Bitcoin) é ruim"

    Pra começar, Bitcoin não é (ainda) um meio de troca. E não é um meio de troca exatamente por ser muito instável. Por enquanto, ele é só um ativo especulativo.

    Em segundo lugar, não entendi a sua surpresa com o IMB (que sempre defendeu padrão-ouro) criticar moedas instáveis. Por acaso você achava que o Instituto defendia moedas zoadas, como a venezuelana?

    "e que o desenvolvimento só vem com moeda estável(moeda estatal)"

    O artigo é todo uma crítica à nossa moeda estatal, que consegue ser pior que outras moedas estatais. E aí você conclui que o artigo faz uma defesa da moeda estatal?!

    E, de novo, você está estranhando o IMB dizer que só há desenvolvimento com moeda estável?

    Você tem sérios problemas de leitura e interpretação.

    "Destaque para a notícia do dia: França agora se opõe ao acordo UE-Mercosul. Parabéns aos envolvidos."

    Parabéns ao Macron, que finalmente conseguiu o que sempre quis. Aliás, essa postura da França já havia sido prevista por este Instituto neste artigo.

    Saudações.


    P.S.: você ao menos conseguiu ler isso acima?
  • junior  23/08/2019 14:46
    paulo guedes disse, que o interesse dele era o investidor de longo prazo.
  • Vladimir  23/08/2019 16:38
    Negada, depois dessa aqui, acabou. O cara simplesmente virou desenvolvimentista:

    Brasil está preparado para dólar a R$4,10 ou R$4,20, diz Guedes

    O governo não teme um dólar acima de 4 reais porque o Brasil tem bons fundamentos, afirmou nesta quinta-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, ressaltando que a desvalorização do real pode contribuir para a reindustrialização de alguns setores, como têxtil, calçados e autopeças.

    "Se o dólar for para 4,10 reais ou 4,20 reias estamos preparados", afirmou Guedes em discurso durante evento do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), no Rio de Janeiro.

    Ele frisou que não acredita na possibilidade de um "ataque especulativo" contra a real.

    "Não temos nenhuma preocupação com a questão cambial e nossa dinâmica de crescimento é própria", afirmou, acrescentando que "nem mesmo uma eventual recessão nos Estados Unidos preocupa".

    "Se o mundo desacelera, caem preços das commodities, o dólar pode subir um pouco mesmo, de repente você vai reindustrializar nos setores de autopeças, carros, têxtil, sapatos, móveis, não devemos temer o efeito contágio."


    Isso, sinceramente, é papo de keynesiano desenvolvimentista. Um sósia de Ciro Gomes assumiu o controle da economia. Estamos lascados.
  • Drink Coke  23/08/2019 17:07
    Por que desenvolvimentista? ele não disse que vai interferir no câmbio, nem que deseja isso, só está mandando uma mensagem de despreocupação com a situação, uma questão mais política.

    Obs: De fato o dólar mais alto ajuda algumas indústrias que concorrem com produtos importados (Não estou dizendo que isso seja bom para a população!)
  • Vladimir  23/08/2019 17:24
    Dizer que moeda desvalorizada gera reindustrialização não é apenas um argumento desenvolvimentista. É também um argumento completamente estapafúrdio. E estúpido. Nível Bresser-Pereira.

    Na prática, o cara está dizendo que quanto mais distorcida e sem valor for nossa unidade de conta e meio de troca, maior será a nossa criação de riqueza e maior será nosso desenvolvimento. "Destrua a moeda, e surgirão uma Apple, uma Microsoft e uma Google", parece ser o lema.

    A crença, sem nenhuma lógica, é a de que uma moeda desvalorizada, sem poder de compra, irá estimular as pessoas a produzir mais e melhor, e a investir com mais sapiência. "Esfacele a moeda, e amanhã viramos uma Suíça".

    Se isso fosse verdade, a Argentina de Macri – que levou o dólar de 9 pesos para 50 pesos – seria hoje uma potência industrial de causar inveja à Suíça (que, aliás, nunca teve moeda fraca).

    Se você vê alguma lógica neste raciocínio, então, meu caro, tenho péssimas notícias para você no que tange ao seu bom senso.
  • Drink Coke  23/08/2019 18:14
    Ai que sono.

    Só uma pergunta, se seu concorrente sobe o preço isso é bom ou ruim para você?


    De resto, desnecessário seu comentário, pois isso nem estava sendo discutido.
  • Vladimir  23/08/2019 18:24
    "se seu concorrente sobe o preço isso é bom ou ruim para você?"

    Se meu concorrente utiliza a mesma moeda que eu e sobe o preço, então estou em vantagem, pois, tendo o mesmo poder de compra que ele, posso agora tentar ser mais eficiente.

    Agora, se meu concorrente utiliza uma moeda mais forte, mais estável e de maior qualidade que a minha, então não interessa o que ele faça: ele sempre estará em vantagem. Sua moeda forte permite que ele compre insumos e bens de capitais mais baratos que eu, o que o tornará mais produtivo e o permitirá fabricar produtos de melhor qualidade.

    Por fim, se meu concorrente tem moeda forte, e eu tenho moeda fraca, então a discrepância acima fica duplamente pior: ele terá acesso barato a insumos bons, e eu terei acesso caro a insumos vagabundos produzidos pela blindada indústria nacional.

    Sério mesmo, se você acha que este segundo cenário é vantajoso, então é realmente melhor você continuar aí no seu sono.
  • anônimo  24/08/2019 01:32
    Alguém desse instituto precisa falar com o Guedes urgentemente. Atualmente é o momento perfeito pra fazer um Currency Board com o dólar. E acho que não é tão difícil assim, medidas provisórias devem resolver.
  • Leandro  24/08/2019 05:27
    Venho escrevendo sobre o assunto desde 2013, quando já eram explícitos os sinais de uma irrefreável desvalorização do real.

    Em março de 2015, quando o dólar galopou e bateu em R$ 3,15 (o equivalente a R$ 3,96 hoje, corrigido pelo IPCA), e começaram as manifestações anti-Dilma, defendi que um Currency Board fosse adotado a essa paridade. Alguns leitores me criticaram à época, dizendo que tal valor era "claramente desvalorizado", e que, se fosse mantido, levaria uma inflação de preços galopante.

    Duas semanas depois, o dólar já estava em R$ 3,30 e eu voltei a defender a ideia.

    Aí, em maio de 2015, houve um suspiro e o dólar caiu para R$ 2,90. Todo mundo achou que a situação já estava resolvida.

    E então veio setembro de 2015, e o dólar bateu em R$ 4,24. E ficou acima de R$ 4 até março de 2016, quando se tornou claro que Dilma sofreria impeachment. E então o dólar começou a cair. E caiu bem.

    No entanto, mesmo nos melhores momentos do governo Temer, ele raramente ficou abaixo dos R$ 3,15 (valor inicial que eu defendi para o Currency Board). Hoje, ele está em 4,12 (há três semanas com forte tendência de ascensão).

    E isso em um governo que é visto como "pró-mercado", hein? Imagine um eventual governo Haddad, com toda a turma da Unicamp na Fazenda e no Bacen? Dólar a R$ 5,50 ainda seria uma pechincha.

    Por isso, eu sempre enfatizo: deixar a moeda sob o controle do governo em um país com o histórico do Brasil, com seus políticos, é masoquismo. Um Currency Board está longe de ser perfeito (nenhum arranjo é), mas seria muito melhor do que o arranjo atual.

    No entanto, como as chances de isso ocorrer estão abaixo de zero (nenhum político, de nenhum partido, votaria em prol de uma medida que implica abdicar totalmente do controle da moeda), vamos ficar com o arranjo atual.
  • Felipe Lange  25/08/2019 18:05
    Só se mandarmos textos ao Bolsonaro no Twitter ou Facebook. Ele normalmente lê e até mesmo responde os comentários, dependendo da relevância.

    A parte monetária do governo atual está uma porcaria. Nesse aspecto o Peru dá uma surra. Muita gente deve ter saudades de quando um real valia um dólar, apesar do câmbio atrelado também ser uma porcaria. O Plano Real falhou na parte monetária.

    O jeito é migrar para criptomoedas. Na Venezuela já tem gente conseguindo sobreviver com Nano e Bitcoin.

  • Carlos Alberto  23/08/2019 17:26
    Estamos em 2019. Nos últimos 10 anos, o dólar foi de R$ 1,60 para R$ 4,20, a economia só despirocou, a indústria só encolheu (exatamente como previsto) e ainda tem gênio dizendo que, se o dólar encarecer só mais um pouquinho, aí sim viramos uma potência industrial.

    E o cara que falou isso é liberal, hein?

    Rapaz, é totalmente desanimador.
  • L Fernando  23/08/2019 19:05
    Até parece que é só o Guedes estalar os dedos que iremos por o Dolar a 3,00
    Deve ter coisas muito muitos mais complexas e um legado muito pesado para que em 7 meses isso tudo mudasse
  • Carlos Alberto  23/08/2019 19:18
    A questão não é "estalar os dedos". A questão é que ele vocalizou que deseja exatamente o contrário: dólar caro.

    Aí é um abraço.

    "Opa, o czar da economia quer uma moeda fraca? Beleza, vamos entregar", disse o mercado financeiro. Taí...
  • Andre  23/08/2019 17:51
    São por lógicas como essas que afirmo, o Brasil acabou completamente, olha o que os quadros ditos liberais do país andam dizendo. Estão rindo dos argentinos? Pois coloquem suas barbas de molho porque com esse gradualismo no congresso, timidez e lentidão nas privatizações , barbeiragens do BC e liberais aceitando enfraquecimento da moeda seremos os próximos a ver a moeda corroer até o osso.
  • Economista  23/08/2019 18:01
    Sim. Mas eis o que os gênios fizeram:

    1) Venderam dólar pelo maior preço oferecido, o que obviamente só serviu para encarecer ainda mais o dólar.

    2) E compraram dólar no mercado futuro, com a desculpa de manter as reservas líquidas do Bacen inalteradas.

    Resultado prático: o dólar disparou ainda mais depois dessa intervenção genial.
  • PauloHMB  24/08/2019 00:21
    Eu já encontrei um texto do Guedes falando em desvalorização cambial para estimular exportação;
    Ele é chicaguista das antigas;
    Espere reformas, abertura comercial, mas na moeda, não espere milagres;

    Moeda é, inclusive, um dos motivos para eu me considerar austríaco. É a única vertente de pensamento que tem uma explicação satisfatória para aquilo que eu vejo no cotidiano;

    Mas, melhor que a moeda não flutuar, é ela valorizar, o que é um sonho ainda mais distante dado a nossa inflação
  • Leandro  24/08/2019 00:48
    Moeda se valorizando em conjunto com expansão monetária é o arranjo que mais maximiza seu bem-estar. Sua renda nominal aumenta (pois a quantidade de dinheiro circulando aumentou) e os preços ficam estáveis ou até mesmo chegam a cair (porque a moeda está se fortalecendo).

    Esse é um arranjo que, por enquanto, apenas suíços, cingapurianos e israelenses dominam. (Dê uma olhadinha no desempenho do shekel israelense – ILS – e surpreenda-se). Mas os americanos estão chegando lá. Resta ver se vai durar.
  • PauloHMB  24/08/2019 01:06
    Leandro, eu vi em um comentário seu aqui no Mises mesmo que o dólar esta forte devido a economia americana estar forte e a base monetária estar estável.
    O que eu não entendi ainda é, a base monetária lá ainda tem algum peso na quantidade de dinheiro entrando na economia? Ainda mais depois que o FED inundou as reservas bancárias, criando um excesso, ainda acho que o que define essa quantidade de dinheiro na economia não é mais a base monetária, mas os bancos privados e sua vontade de emprestar(junto das empresas de tomar empréstimo)

    Muito obrigado pela resposta (aprendo muito aqui)
  • Leandro  24/08/2019 05:27
    "eu vi em um comentário seu aqui no Mises mesmo que o dólar esta forte devido a economia americana estar forte e a base monetária estar estável."

    Sobre a base monetária americana, eu disse (meu comentário a que você se refere está aqui) que ela não sobe desde 2014. E que, estando ela estagnada (aliás, está até em contração), não há por que estranhar juros baixos. Aliás, é o que ensina a teoria econômica.

    Já o dólar está forte por vários motivos, sendo que os principais são: a economia está crescendo (é uma das poucas economias desenvolvidas com crescimento econômico robusto), e a demanda mundial pelo dólar disparou (por causa da aversão a riscos, por causa da estagnação européia, e pelo fato de a economia americana ter a única taxa de juros de longo prazo positiva no mundo desenvolvido).

    O dólar não está forte necessariamente por causa da base monetária contida. Mais importante que a oferta de uma moeda é a demanda por ela.

    "O que eu não entendi ainda é, a base monetária lá ainda tem algum peso na quantidade de dinheiro entrando na economia? Ainda mais depois que o FED inundou as reservas bancárias, criando um excesso, ainda acho que o que define essa quantidade de dinheiro na economia não é mais a base monetária, mas os bancos privados e sua vontade de emprestar(junto das empresas de tomar empréstimo)"

    Correto, a evolução da quantidade de dinheiro na economia é definida exatamente por este fator que você citou. Mas, em última instância, se a base monetária estiver parada, o crescimento do M1 possui um teto. Com base monetária parada, é impossível o M1 crescer indefinidamente, para sempre. Consequentemente, uma base parada manda um sinal claro: enquanto ela continuar assim, impossível haver qualquer explosão na oferta monetária.

    Obrigado por suas palavras e um grande abraço!
  • Felipe Lange  24/08/2019 02:22
    De fato os americanos estão no caminho. Mas o que explica o caso especificamente de Singapura? A cidade-estado sofreu um pouco na Crise Asiática (menos do que Hong Kong), embora bem menos do que os vizinhos.
  • Leandro  24/08/2019 05:28
    É porque o Banco Central de Cingapura (que se chama Autoridade Monetária de Cingapura) não estipula juros e nem faz metas para evolução da base monetária e dos agregados monetários (como faz o BC brasileiro).

    A Autoridade Monetária de Cingapura tem uma única missão: manter uma taxa de câmbio estável.

    Exatamente como deve ser.

    Embora não funcione como um Currency Board ortodoxo, a Autoridade Monetária tem como única função controlar o valor do dólar de Cingapura em relação a uma cesta de moedas das principais economias do mundo. A autoridade monetária de Cingapura não controla juros; ela atua para garantir que o dólar de Cingapura mantenha um valor relativamente estável perante as principais moedas do mundo. Ela faz isso aumentando e reduzindo a base monetária por meio da compra e venda de ativos, respectivamente.

    No site da autoridade monetária tem muita coisa interessante, inclusive a descrição do próprio mecanismo de funcionamento.

    www.mas.gov.sg/monetary-policy

    Veja lá, em destaque:

    Monetary policy in Singapore is centred on managing the trade-weighted exchange rate with the objective to ensure price stability over the medium term as a basis for sustainable economic growth.

    Há vários links interessantes lá. Clique, navegue, leia, divirta-se.
  • Felipe Lange  25/08/2019 20:29
    O Banco Central de Cingapura era exatamente então como foi o saudoso período do BC argentino, que tentou imitar uma Agência de Conversão, mas sem políticos argentinos?
  • Leandro  25/08/2019 21:11
    Não. O BC argentino, entre 1991 e 1999 de fato chegou a operar como um Currency Board (só emitia moeda nacional se houvesse um equivalente em moeda estrangeira nas reservas, e trocava pesos por dólar a uma taxa inflexível de 1 para 1).

    E então, em 1999, resolveram "argentinizar" o arranjo[/link], e aí obviamente tudo desandou.

    Já o BC de Cingapura não é uma caixa de conversão, não emite moeda de acordo com suas reservas e não está obrigado a trocar moeda nacional por uma taxa especificada. Ele funciona como um BC normal, expandindo e contraindo a base monetária. Só que, em vez de tentar buscar uma meta para os juros do interbancário, sua meta é manter a taxa de câmbio estável em relação a uma cesta de moedas.

    Ou seja, ao passo que a maioria dos BCs controla juros, o de Cingapura mira apenas o câmbio. Se for pra escolher o menos mal, então o de Cingapura ganha de lavada, pois sua opção é muito mais racional. Já que é pra haver uma agência estatal manipulando a moeda, então uma que ao menos garanta o poder de compra da moeda é preferível a uma que tenta controlar o preço dos empréstimos de curto prazo (algo sem nenhum sentido).
  • Matheus S  24/08/2019 12:08
    "Moeda se valorizando em conjunto com expansão monetária é o arranjo que mais maximiza seu bem-estar. Sua renda nominal aumenta (pois a quantidade de dinheiro circulando aumentou) e os preços ficam estáveis ou até mesmo chegam a cair (porque a moeda está se fortalecendo).

    Esse é um arranjo que, por enquanto, apenas suíços, cingapurianos e israelenses dominam. (Dê uma olhadinha no desempenho do shekel israelense – ILS – e surpreenda-se). Mas os americanos estão chegando lá. Resta ver se vai durar. "

    Leandro, esse cenário de moeda se valorizando juntamente com expansão monetária só é possível se houver um crescimento econômico maior do que esses agregados, não é mesmo? Isso foi o que aconteceu com o Brasil durante a era Lula, mas influenciados pela desvalorização do dólar, entretanto entra nesse quesito.

    Tenho mais uma pergunta. Você disse em um comentário acima sobre a necessidade de ancorar a moeda ao ouro, mas como faremos isso se o ouro que o Brasil detém não cobre toda a base monetária?

    Por exemplo, digamos que os EUA querem retornar ao padrão-ouro, converter sua base monetária - da última vez que olhei estava em US$13 trilhões para o ouro, seriam necessários mais de 250 mil toneladas. Pergunto como tornar isso realidade se o ouro estocado pelos países não cobrem suas respectivas bases monetárias?
  • Leandro  24/08/2019 17:42
    "esse cenário de moeda se valorizando juntamente com expansão monetária só é possível se houver um crescimento econômico maior do que esses agregados, não é mesmo?"

    Sim, mas aí é ovo e galinha.

    A moeda estável permite o crescimento econômico, e então o crescimento econômico mantém a estabilidade da moeda e até a ajuda a se apreciar.

    No atual sistema bancário e monetário, o crescimento econômico gera aumento da oferta monetária (pois empresas e indivíduos tomam crédito para investir e consumir). Mas esse aumento da oferta monetária é, como você bem disse, contrabalançado pela expansão da oferta de bens e serviços (crescimento econômico).

    E tudo, no entanto, começou quando se garantiu a estabilidade da moeda.

    Sem uma anterior estabilidade da moeda, impossível começar qualquer crescimento econômico. Não é o crescimento econômico que traz estabilidade à moeda. É a estabilidade da moeda que permite o começo do crescimento econômico. Não há como começar um crescimento econômico com uma moeda toda desarrumada. Vide o Plano Real.

    "Isso foi o que aconteceu com o Brasil durante a era Lula, mas influenciados pela desvalorização do dólar, entretanto entra nesse quesito."
    Bem relativamente. Os melhores anos foram 2007 e 2010, mas, ainda assim, houve inflação de preços relativamente alta (4,47% e 5,8%, respectivamente). No entanto, em termos de Brasil, era bom.

    "Você disse em um comentário acima sobre a necessidade de ancorar a moeda ao ouro, mas como faremos isso se o ouro que o Brasil detém não cobre toda a base monetária?"

    Na verdade, eu disse atrelar, e não ancorar. Longe de ser apenas um preciosismo semântico, há profundas diferenças entre os dois regimes. (Diferenças estas explicadas em detalhes aqui).

    Um regime de âncora seria um Currency Board, cuja âncora seria o ouro. Neste caso, a base monetária teria de cobrir todo o preço do ouro. Ou, em outras palavras, todo o volume de ouro nos ativos do Currency Board teria de ter um valor igual ao da base monetária.

    Já um regime de moeda atrelada não necessita de um Currency Board. O próprio Banco Central já basta. E ele operaria exatamente como faz a Autoridade Monetária de Cingapura (explicado lá em cima). Só que, em vez de se basear em um cesta de moedas, ele se basearia no ouro.

    "Por exemplo, digamos que os EUA querem retornar ao padrão-ouro, converter sua base monetária - da última vez que olhei estava em US$13 trilhões para o ouro, seriam necessários mais de 250 mil toneladas. Pergunto como tornar isso realidade se o ouro estocado pelos países não cobrem suas respectivas bases monetárias?"

    Não sei se suas contas estão certas, mas, como dito acima, tal arranjo seria inevitavelmente um Currency Board. Os EUA, ao menos por ora, não precisam disso. Atrelar a moeda ao ouro (em vez de ancorar) já seria bem mais factível. E, francamente, já bastaria.

    Caso não acredite em mim, confira um gráfico do histórico do preço do ouro em dólar e comprove: os períodos em que houve mais estabilidade foram exatamente aqueles em que houve mais crescimento econômico.
  • Matheus S  24/08/2019 22:48
    "No atual sistema bancário e monetário, o crescimento econômico gera aumento da oferta monetária (pois empresas e indivíduos tomam crédito para investir e consumir). Mas esse aumento da oferta monetária é, como você bem disse, contrabalançado pela expansão da oferta de bens e serviços (crescimento econômico). "

    Mas possa existir um cenário em que haja crescimento econômico sem aumento da oferta monetária? Pelo que eu tenho lido aqui no site, se interromper a oferta monetária - isto é num exercício de imaginação, eliminaria o ciclo expansionista e consequentemente a moeda se tornaria estável e com isso aconteceria o crescimento econômico.

    Portanto aumentaria a oferta de bens e serviços, mas a oferta monetária estaria estagnado por determinados fatores que não incluem debater agora. A consequência desse cenário é o aumento real do salário pela quantidade maior de bens e serviços disponíveis á população, mas o salário nominal ficaria estagnado. O salário nominal só aumentaria se houver aumento da oferta monetária, mas mesmo assim esse aumento teria que ser menor do que o crescimento econômico para não afetar o salário real. Estou certou ou errado nesses cenários?

    Mas obviamente como você mesmo disse, esses cenários dependem do tipo de regime cambial adotado.


    "Um regime de âncora seria um Currency Board, cuja âncora seria o ouro. Neste caso, a base monetária teria de cobrir todo o preço do ouro. Ou, em outras palavras, todo o volume de ouro nos ativos do Currency Board teria de ter um valor igual ao da base monetária.

    Já um regime de moeda atrelada não necessita de um Currency Board. O próprio Banco Central já basta. E ele operaria exatamente como faz a Autoridade Monetária de Cingapura (explicado lá em cima). Só que, em vez de se basear em um cesta de moedas, ele se basearia no ouro. "

    Finalmente entendi. Seria o cenário descrito num artigo aqui do Mises sobre o regime adotado pela Alemanha nos anos 20 com o Banco Central germânico tendo dois funcionários fazendo o trabalho de apenas acompanhar a variação do ouro para a moeda atrelada e manter a paridade.


    "Caso não acredite em mim, confira um gráfico do histórico do preço do ouro em dólar e comprove: os períodos em que houve mais estabilidade foram exatamente aqueles em que houve mais crescimento econômico."

    Eu acredito e concordo.
  • Estudante  23/08/2019 22:52
    Afinal, vocês acham que vamos crescer ao menos #% nos próximos 4 anos?
    Pra eleger Bolsonaro...
  • PauloHMB  24/08/2019 00:41
    Agora, para justiçar um pouco o ministro, o dolar esta mundialmente forte. Hoje, o amor dos nossos conservadores, adicionou mais tarifas de importação a China, levando a panico global, e o derretimento da nossa moeda.

    Com esse cenário externo, somente sendo os EUA para ter sua moeda fortalecida.
    E eu devo discordar que se ocorrer uma crise financeira ela vai ser pouco grave.

    A china é uma bolha, a europa é uma bolha, o japão é uma bolha, os eua talvez.

    O cenário externo me tira o sono muito mais que a nossa moeda, alias, nossa moeda ta reagindo a essa incerteza global. Todo mundo vai correr para os titulos americanos em busca de proteção e isso gera fuga de capital especulativo daqui.

    Os juros dos títulos invertendo indicam isso
  • TIAGO DONISETE MARIANO  24/08/2019 10:04
    Eu entro aqui todo dia para saber sobre as novidades e me deparo com esse texto esclarecedor, infelizmente no Brasil parece que fazem tudo ao contrário do que da certo, não é possível que em mais de 30 economistas trabalhando para o governo ninguém possa resolver,enfim,tenho uma pergunta ,como o real poderia se valorizar e tornar-se estável?, agradeço desde já.
  • Questionador  24/08/2019 23:13
    "Desde o ano 2000, todos os peruanos são livres para utilizar duas moedas que concorrem entre si: o nuevo sol peruano e o dólar americano. Essas duas moedas são de livre circulação no país, o que significa que, na prática, o país está sob um sistema de moedas paralelas e concorrenciais.

    Os peruanos são livres para comprar e vender, depositar e emprestar, poupar e investir, no país e no exterior, em qualquer uma dessas duas moedas. Ambas são livremente aceitas, e todos os contratos feitos em qualquer uma dessas duas moedas são juridicamente válidos.

    A taxa de câmbio entre ambas as moedas é totalmente flexível. Isso significa que, caso os cidadãos e as empresas do Peru percam a confiança no sol, a demanda pela moeda nacional cairá e todos correrão para o dólar, tornando o sol uma moeda totalmente sem valor. Esse contínuo risco de abandono total da moeda nacional — o que geraria uma hiperinflação em termos de sois — impõe uma severa disciplina ao Banco Central do Peru, que é obrigado a manter uma política monetária decente.

    E esse é o segredo do bom desempenho da economia peruana, principalmente na esfera monetária, na última década e meia. Como o Banco Central peruano está sujeito à disciplina da concorrência monetária por meio de uma taxa de câmbio livre e flexível, ele não tem alternativa senão gerenciar o sol de maneira extremamente prudente."

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089
  • Wesley  24/08/2019 16:51
    O que vocês acham da Europa usando a Amazônia para ferrar a economia brasileira? Teria como contornar, tipo negociar com outros países(fora da Europa) não daria certo?
  • Leandro  24/08/2019 17:48
    Difícil. Se toda a UE for adiante e aplicar sanções (não acredito nisso, mas é uma hipótese), aí acabou. A moeda desaba.

    Fizeram isso com a Rússia em 2014, após o Putin anexar a Crimeia. O rublo se esfacelou. O dólar saltou de 34 para 80 rublos em dois meses. O BC do país elevou os juros de 6% para 15% para tentar conter a sangria. A economia afundou. Hoje, o dólar custa 66 rublos.
  • Wesley  24/08/2019 20:21
    Obrigado pela reposta, então estamos ferrados se eles quiserem ??
  • Lucas  24/08/2019 20:45
    Não tem. Só se outra grande potência econômica, como os EUA, por exemplo, se colocassem abertamente ao nosso lado e ameaçasse retaliações caso a UE não mudasse de idéia.
  • anônimo  25/08/2019 00:03
    Europa não vai fazer isso. É apenas um blefe bobo.
  • Felipe Lange  25/08/2019 18:16
    Leandro, e essa história do governo russo comprar ouro? Para que eles fizeram isso? Ainda estão fazendo?
  • Leandro  25/08/2019 21:01
    A Rússia não só está se entupindo de ouro, como o próprio Putin simplesmente zerou o VAT para os russos comprarem ouro. Isso é inédito e não ocorre em nenhum outro país do mundo.

    www.kitco.com/news/2019-08-22/Russia-s-President-Putin-Cancels-VAT-on-Gold-and-Other-Precious-Metals-Investments.html

    Não sou dado a especulações, mas é óbvio que vem coisa por aí. No mínimo, um bloco de países asiáticos quer abandonar o dólar e passar a transacionar entre si em ouro. A conferir.
  • GOLD COIN  29/08/2019 23:13
    Leandro, como a Rússia consegue manter a inflação baixa (4.6% em julho desse ano), desemprego relativamente baixo (4,5%, a média da zona do Euro é de 7,5%) e está entre os dez países com a menor dívida pública (13,5% do PIB)?

    Isso seria apenas maquiagem?
  • Leandro  30/08/2019 01:18
    A inflação de preços está até bem acima da média. Chegou a 5,3% no início do ano. Todos os países mais sérios da América Latina têm inflação menor que essa.

    A dívida é baixa porque ela foi caloteada com a hiperinflação que ocorreu na década de 1990 (por isso a cédulas têm um valor nominal alto). Em um período de quatro anos, de 1997 ao final de 2000, a oferta monetária quintuplicou. E aí a dívida derreteu.

    De resto, desde que o Putin chegou ao poder, houve seguidos superávits orçamentários, chegando a 10% em alguns anos. Isso ajudou bastante a reduzir a dívida.

    Nada sei sobre o mercado de trabalho russo.
  • Felipe Lange  25/08/2019 18:14
    A parte boa disso é que o governo americano está ao lado do governo brasileiro. O Bolsonaro recentemente negociou acordos com países como Liechtenstein, Suíça e afins.

    A UE está se esfacelando, eles estão morrendo de medo dos agropecuários brasileiros, que podem bravamente concorrer com os agropecuários europeus. Conseguem produzir, mesmo com infraestrutura egípcia e tantos outros obstáculos (inclusive ambientais regulatórios). Essa conversa ambientalista é uma mera desculpa, isso aí nada mais é do que o corporativismo. Trouxa do ambientalista que acha que burocratas europeus estão preocupados com a Amazônia (o Pirula pode muito saber de Ciências Naturais, mas sabe nada de Ciência Política).

    Muito bom seria o Brasil sair da porcaria do Merdosul, assim como desregular com força o mercado interno, e abrir o mercado às importações. Aí compra de qualquer país do mundo.
  • GOLD COIN  25/08/2019 01:19
    Pessoal, uma dúvida.

    Comparar países pela Paridade do Poder de Compra (PIB PPC) é adequado?

    Por exemplo, por esse método o PIB da China seria maior que o dos EUA e o da Rússia seria maior do que nosso.
  • Túlio   25/08/2019 13:44
    Não sei de onde você tirou esses números.

    O PIB per capita PPP americano é de 55.681 dólares.

    tradingeconomics.com/united-states/gdp-per-capita-ppp

    E o chinês é de 16.187 dólares

    tradingeconomics.com/china/gdp-per-capita-ppp


  • Matheus S  25/08/2019 14:35
    Ele disse o PIB por paridade de poder de compra, o PIB per capita PPP ou até mesmo nominalmente dos estadunidenses é maior do que os chineses, mas o amigo acima perguntou sobre o PIB PPP, sendo o chinês US$23 trilhões e o dos EUA em torno de US$20 trilhões.

    Eu acho o PPC superestimado e não pode ser usado para achar um valor real, o que se pode fazer é pegar todos os indicadores econômicos e fazer um grande quadro por isso que o próprio FMI assim como qualquer instituição desse porte mostra todos os indicadores, qual as pessoas vão preferir e como elas vão interpretar esses dados e outra coisa.

    O PPC em si não indica o valor real, até porque em economia de baixo salário, o PPC tende ser superestimado, ou seja, não se pode usar como medida REAL, para ser uma unidade REAL, como alguns usam para chegar a um denominador comum. Se usa o PPC em conjunto com os outros indicadores e agregados para ter uma visão como um todo.

    Resumindo, PPC não aborta inflação que tira o valor da moeda, o PPC não aborta como o câmbio afeta as importações, super importantes para economias como China e Rússia, isso reduz significativamente a capacidade de poder de compra, não se pode e não deve usa-lo como paramento para definir equivalência real entre 2 economias assim, de forma aleatória, sem levar em conta outros aspectos e sem contar que são economias totalmente diferentes, não dá pra definir o que tem o mesmo valor em cada uma, não contando com o câmbio.

    O método PPP é bom para ser usado na medição da taxa de câmbio que é conferido pelo poder de compra relativo entre os países. Porém, há vários defeitos usados neste método, um exemplo são as imprevisíveis oscilações no mercado mundial, por isso torna-se inválidas por diversos fatores o método PPC, existem restrições ao comércio internacional como tarifas, custos de transporte ou até mesmo a existência de informação imperfeita a respeito dos preços de cada bem em cada país como a China em que há controle de preços ou na Rússia, impostos e assim sucessivamente.

    Se o método PPC fosse realmente a medida correta de medir o tamanho de um país economicamente, a Índia teria um PIB equivalente a US$8,12 trilhões, o que faria ser a terceira maior economia do mundo, passando largamente o Japão, porém ninguém relata na imprensa sobre esse PIB da Índia, ficando com a rara divulgação da China passando os EUA em método PIB por PPP.
  • void  27/08/2019 18:44
    Gostaria de aproveitar e perguntar ao Leandro se o site não pretende manter um índice do PPR dos países todos. Seria interessante, não?
  • Vinicius  25/08/2019 17:25
    Só de confiar em números chineses a coisa já é estranha, produtos Ching ling não prestam imagina estatística.
    Mas esse PPP até é plausível quando usado para medir o poder de compra da população local, mercado, serviços simples e coisas ordinárias, não é usado a sério nem pelos governos para estabelecer políticas públicas ou economicas.
  • Matheus S  25/08/2019 13:52
    Se me permitam, colocarei um link sobre a importância do investimento estrangeiro para o desenvolvimento de um país.

    Fonte:medium.com/@franciscoprimeiro/as-falácias-de-ciro-gomes-7c305641865e

    Trechos:

    "Basicamente, em um crescimento a longo prazo, nós podemos ter duas fontes de crescimento: um crescimento nos fatores de produção, nos recursos (capital ou força laboral, também inclui capital humano), ou um crescimento na produtividade, na eficiência (usando como exemplo aqui, a produtividade total dos fatores (PTF)). Quando socialistas citam por exemplo o crescimento soviético como modelo de sucesso econômico, eles não afirmam qual das duas fontes estavam em jogo, no caso soviético houve sem dúvidas um absurdo crescimento de 1928 até na década de 1970, porém, esse crescimento, diferente de muitos países industrializados, — incluindo o EUA (é estimado que 70% do crescimento real do EUA venha do progresso tecnológico, ou seja, um aumento da produtividade) — onde o crescimento vem do aumento da eficiência econômica, veio do abrupto deslocamento dos fatores de produção, ou melhor: veio de um aumento dos fatores de produção, não da eficiência em si, só temos um problema: esse crescimento é limitado. Quando deslocaram-se milhões de russos e todo o capital para a indústria soviética, houve sem dúvidas um crescimento industrial, crescimento esse sustentado com taxas de poupança cada vez maiores, que sufocam o bem-estar da sociedade, virtualmente falando, o progresso tecnológico não contribuiu em nada para o crescimento soviético. O mesmo se aplica aos tigres asiáticos.

    No caso coreano, houve uma maior participação da população na força laboral — o caso de Singapura chega a ser mais absurdo, a taxa da população empregada em razão da população total, saltou de 27% para 51% — , houve também um grandioso acúmulo de capital, os investimentos no começo dos anos 50 na Coreia do Sul correspondiam a 5% do PIB, explodiu para 20% no meio dos anos 60, alcançou 30% no início dos anos 1980, e chegou a aproximadamente 40% em 1991. Houve também um grande acúmulo de capital humano na Coreia, a taxa dos trabalhadores com ensino secundário saltou de 26.5% em 1966, para 75% em 1990. Como já disse Krugman (1994) "somente aumentos nos fatores de produção, sem um aumento na eficiência com que esses fatores são usados, levará a retornos decrescentes. Um crescimento decorrente de um aumento nos fatores é inevitavelmente limitado […] a resposta é que um aumento do progresso tecnológico tem levado a um contínuo aumento na produtividade total dos fatores — um contínuo aumento na renda nacional por cada unidade de fatores".

    Jong-Il e Lau (1993) nos dão uma bela estimativa das fontes do crescimento dos tigres asiáticos, mas iremos nos concentrar na Coreia. Em tais estimativas nós temos que para todos os tigres asiáticos, houve um crescimento positivo anual do progresso tecnológico (medido aqui como PTF), para poupar leitura, irei me concentrar apenas na Coreia, no caso dela tivemos um aumento anual médio de 1.2% na PTF, isso é maior do que as estimativas convencionais, que estimavam um crescimento anual médio de -0.5%. Nesses estimativas, temos o seguinte resultado: nada menos que 80% do crescimento sul-coreano é oriundo de um crescimento no capital, e 20% oriundo de um crescimento da força laboral (incluindo, propriamente dito, o capital humano)…pera, e cadê o progresso tecnológico? Isso é o interessante, pelas suas estimativas, o progresso tecnológico simplesmente não contribuiu para o crescimento sul-coreano, ou seja, o crescimento sul-coreano é oriundo de um aumento nos fatores, em nada a eficiência dos fatores contribuiu para o crescimento sul-coreano. Se mantivermos como padrão os fatores do EUA na comparação (ou seja, nós comparamos a eficiência dos fatores, aqui sendo constantes e sendo como base o EUA) o resultado é esse:

    miro.medium.com/max/661/1*72UNuFokwZd4FLFBLRwBNw.png

    Isso significa que mantendo constante os fatores, o produto real americano mais que triplica no período, os outros países industrializados também tem notáveis crescimentos, porém os tigres asiáticos teriam um crescimento total de 66% no produto real, ou seja, um crescimento médio de 1% ao ano, ao invés de espetaculares 9%.
    Young (1994) também nos dá um resultado semelhante, na fase em que o produto real coreano cresce de maneira espetacular, entre 1966 e 1970, a taxas de 14% por ano, o crescimento da produtividade foi de apenas 1%, a maioria do crescimento coreano nesse período vem do crescimento do capital, que cresceu a espetaculares 19%, a força laboral cresceu a 10% no período. No todo, entre 1966 e 1990, tivemos um crescimento médio de 10% no produto real coreano, um crescimento de 13% no capital, um crescimento de 6% da força laboral, e um crescimento de 1.6% na produtividade dos fatores, ou seja, o crescimento da eficiência dos fatores na Coreia foi menor que o venezuelano (2.6%), o mexicano (1.7%) e o brasileiro no mesmo período (2%). Isso nos esclarece que o crescimento coreano é oriundo de um grande deslocamento dos fatores, e não no crescimento da produtividade."
  • Vykthor  25/08/2019 21:10
    O que ele quis dizer com "eficiência dos fatores" e "descolamento dos fatores"?
  • Matheus S  26/08/2019 21:57
    "O que ele quis dizer com "eficiência dos fatores" e "descolamento dos fatores"?"

    Fatores = Estoque de capital físico ajustado pelo grau de utilização da capacidade
    Capital humano por trabalhador
    Número de horas trabalhadas
    E outras variáveis que compõem o PTF.


    A eficiência dos fatores é justamente o crescimento da produtividade(por meio de progressos tecnológicos...) através dos fatores mencionados agora acima que compõem o PTF.


    Exemplo dado por ele mesmo sobre o caso do "deslocamento dos fatores":

    "Quando deslocaram-se milhões de russos e todo o capital para a indústria soviética, houve sem dúvidas um crescimento industrial, crescimento esse sustentado com taxas de poupança cada vez maiores, que sufocam o bem-estar da sociedade, virtualmente falando, o progresso tecnológico não contribuiu em nada para o crescimento soviético. "

    Então o que ele quis dizer com isso:

    "Nesses estimativas, temos o seguinte resultado: nada menos que 80% do crescimento sul-coreano é oriundo de um crescimento no capital, e 20% oriundo de um crescimento da força laboral (incluindo, propriamente dito, o capital humano)…pera, e cadê o progresso tecnológico? Isso é o interessante, pelas suas estimativas, o progresso tecnológico simplesmente não contribuiu para o crescimento sul-coreano, ou seja, o crescimento sul-coreano é oriundo de um aumento nos fatores, em nada a eficiência dos fatores contribuiu para o crescimento sul-coreano."

    Tá tudo explicado no texto, ou confira apenas na matéria clicando no hyperlink.
  • Ninguém Apenas  25/08/2019 18:26
    Leandro,


    A situação da moeda no Brasil está uma zona. No entanto, tivemos algumas medidas bem pró-mercado nesse governo. Vou ser direto, eu não imagino que essas medidas tenham sido ideia desse povo na política.

    Pode parecer exagero, mas eu só acredito que essas medidas (as boas) tenham saído deste sítio aqui. Imagino que o IMB tenha entrado em contato com o povo lá, direta ou indiretamente.

    Se for o caso, tentem pelo amor de Deus tentar mudar o robertinho e o paulinho de ideia sobre a moeda kkk


    Não existe um perído que eu desejei mais o padrão-ouro quanto agora.

    Mas não serei ignorante, sei que todos aqui (inclusive o pessoal do IMB) querem isso tanto quanto eu.


    Independente de tudo isso ser ou não verdade, tô ansioso por um próximo artigo seu kk

    Valeu!
  • Leandro  25/08/2019 20:58
    Só tivemos alguma "influência" na questão da MP da Liberdade Econômica, que foi impulsionada pelo Geanluca Lorenzon.

    De resto, nada.

    A atual equipe é até bem intencionada, mas, por serem chicaguistas, não fazem a mais mínima idéia sobre como funciona a teoria da moeda. Nem sequer o básico.

    Eles realmente acham que é possível haver recuperação econômica com o dólar indo de R$ 3,65 pra R$ 4,20 em pouco tempo, e, pior, mantendo essa tendência. Chicaguista acredita que moeda fraca e desvalorizada pode ajudar a induzir a prosperidade.

    Neste quesito, um neoclássico sem afiliação ideológica como Henrique Meirelles era melhor: ele sabia que, sem moeda estável, não haveria qualquer estabilidade econômica.

    Ao longo de 2002, com a eleição de Lula, o dólar saltou de R$ 2,20 para R$ 3,99. (R$ 3,99, em 2002, dezessete anos atrás, era um valor equivalente a R$ 10,89 hoje).

    Aí o que ele fez tão logo assumiu o BC em 2003? Elevou a SELIC pra 26,50% e "cantou e andou" para o que estava acontecendo com a economia (desemprego explodindo e recessão forte). O objetivo era estabilizar a moeda.

    (Não defendo o método, pois, utilizar juros é a solução mais ineficiente possível; porém, reconheço que, dado o contexto da época – baixas reservas internacionais em Argentina no auge da crise – não havia muita alternativa).

    A moeda se estabilizou já em junho de 2003, e o resto é história. É verdade que o cenário internacional foi totalmente propício e dificilmente voltará a se repetir, mas mesmo isso não tira o mérito da coragem da decisão.

    Recentemente, Ilan Goldfajn foi na mesma linha e também teve êxito até o fim de 2017. A partir de 2018, ele mudou de postura. E aí a coisa começou a desandar. (Ainda assim, mesmo com sua suposta "baixíssima popularidade", quantas manifestações de rua voluntárias houve contra o governo Temer? Ninguém protesta quando a moeda é estável, pois, no final, é isso o que realmente interessa. Muito mais que emprego).

    A atual equipe econômica está (corretamente) concentrada no fiscal, e deixando completamente a questão monetária de lado. E aí tomaram um susto com o PIB estagnado do primeiro trimestre. Ora, qual surpresa? O dólar saltou de R$ 3,65 em janeiro para R$ 3,99 no final de março. Estranho teria sido haver PIB positivo. Por outro lado, é possível que o PIB do segundo trimestre venha positivo, pois o real se apreciou neste período. Os dois melhores meses do ano foram junho e julho. Para azar do atual governo, são meses que caem em trimestres diferentes, e por isso não serão contabilizados no mesmo PIB trimestral. E, dadas as perspectivas de agosto, é possível que os números de julho sejam apagados.

    Em suma: por ora, a se manter a atual postura do Banco Central, e com o Ministro da Economia dizendo não ver problemas com dólar a R$ 4,20, não há perspectivas alvissareiras. A guerra comercial EUA x China e as ameaças de sansões econômicas da UE ao Brasil tendem a agravar a situação (uma obviedade, eu sei, mas é o que temos).
  • Questionador  25/08/2019 23:41
    Então, Leandro, com esta turma chicaguista (na prática, desenvolvimentista), o dólar poderá ir para 5, 6 reais ainda em 2019?

    O que você acha de investir agora em Bitcoin? E em ouro?

    Na sua visão, quando ocorrerá a recessão americana?

    Abraço!


  • Leandro  26/08/2019 13:48
    "com esta turma chicaguista (na prática, desenvolvimentista), o dólar poderá ir para 5, 6 reais ainda em 2019?"

    Por enquanto, não há fundamentos para isso. Mas, infelizmente, tudo é possível nesta seara.

    "O que você acha de investir agora em Bitcoin? E em ouro?"

    Bitcoin é válido, mas é totalmente especulativo e completamente imprevisível. Não segue fundamentos macroeconômicos. Ouro você já deveria ter há muito tempo, mas é investimento para longo prazo. No mínimo, 5 anos. Não é para especular.

    "Na sua visão, quando ocorrerá a recessão americana?"

    Não faço a mais mínima idéia. As taxas de juros de 30 anos e de 3 meses ainda não se inverteram. Portanto, por enquanto, não há perspectiva.
  • Felipe Lange  26/08/2019 01:23
    Leandro, pensa em fazer algum artigo sobre o tema de ambientalismo (falando desse teatro da Amazônia), como você fez em 2011 com Belo Monte? Talvez uma atriz que você goste também tenha entrado na jogada... ok, brincadeira.
  • Skeptic  26/08/2019 23:42
    Mas é justo culpar a equipe econômica pela piora da conjuntura internacional?
    Você acha que o BC deveria ter uma postura mais firme? Como exatamente?
  • Economista  27/08/2019 01:08
  • anônimo  30/08/2019 01:39
    Esse instituto precisa falar com o P.G. sobre a questão monetária. O dólar está subindo muito rápido.
  • Felipe Lange  26/08/2019 01:05
    Leandro, você disse que o real valorizou (ou o contrário?) no primeiro governo Lula por causa da Guerra ao Terror iniciada pelo Bush. Se essa guerra não tivesse sido iniciada, essa boa trajetória de valorização do real (ou desvalorização do dólar americano) continuaria? Acho que essa equipe do BC agora estaria bem nesse momento...
  • Leandro  26/08/2019 13:51
    Não houvesse a guerra, o dólar seria um pouco mais forte do que foi. O dólar simplesmente se enfraqueceu perante todas as moedas do mundo.

    No início de 2002, o índice DXY, que mensura o poder de compra do dólar em relação ao euro, ao iene japonês, à libra esterlina, à coroa sueca, ao dólar canadense e ao franco suíço, estava em 120. Em 2008, já havia caído para 71. Ou seja, o dólar perdeu 41% do seu poder de compra em relação a essas moedas.

    Dito isso, o dólar não seria muito mais forte sem a guerra, pois o governo Bush era abertamente favorável a um dólar fraco (em setembro de 2003 eles foram claros em relação a isso) -- ao contrário do governo Clinton, cujo secretário do Tesouro Robert Rubin defendia abertamente um dólar forte.
  • Sadib  26/08/2019 13:55
    O que nós, pobres brasileños podemos fazer para nos defender da desvalorização constante do real, ou o que vcs recomendam de investimento em uma situação como essa? Compramos dólar? Compramos ouro? Dá pra lucrar com isso ou só chorar?
  • Guilherme - Quito Ecuador  26/08/2019 16:16
    Sadib, o melhor investimento a longo prazo pra quem se preocupa com desvalorizações da moeda é sair do Brasil, esqueça-o, este país não gosta de você e o fará sofrer sempre que possível, aprenda um ofício profissional exportável eletronicamente. A curto prazo invista em fundos cambiais e ouro.
  • Joãozinho  26/08/2019 14:11
    Vou repetir aqui um comentário que fiz em outro artigo, e agora com ainda mais convicção.

    Deve ser gostoso ser americano. Lá, o presidente vai pro Twitter, defende medidas anti-mercado, o resto do mundo entra em pânico, se desespera, sai comprando dólares a rodo "para se proteger", e aí a moeda americana se fortalece!

    Aqui no Brasil, se um vereadorzinho do Rio vai pro Twitter e xinga um deputado, ou se o presidente faz piadinha com a mulher de outro presidente, ou se um país vizinho faz merda nas urnas, a bolsa desaba, o dólar dispara, os juros de longo prazo sobem e o país entra em recessão!

    Povo privilegiado esse americano!
  • Guilherme - Quito Ecuador  26/08/2019 16:25
    Joãozinho, dá pra você aproveitar também da força do dólar, tem alguns países em nosso continente que rodam dólar como moeda corrente. Não é tão fácil como nos EUA, mas é sim perfeitamente possível auferir renda em dólares. Com este real desvalorizado do jeito que está prevejo que terei um nababesco verão no litoral brasileiro, alguém recomenda algum?
  • anônimo  26/08/2019 16:22
    Dolár bateu 4,15. Alguém desse instituto precisa falar com o Guedes ou tudo vai ir pro vinagre.
  • Vladimir  26/08/2019 16:29
    Ué, mas tá se aproximando do valor que o trouxa quer, que é 4,20. Veja a justificativa dele:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3052#ac238550


    P.S.: e sim, nesse ritmo, o governo cai até o fim do ano. Ciro Gomes vem aí.
  • L Fernando  26/08/2019 17:38
    Ele é trouxa e você o "experto"
    Já li por aqui que o dolar reflete a desvalorização de uma moeda em relação a outra, isto é do Real desde sua criação como o Dolar
    Li que deveria ser perto de 4,20 pelo índices de inflação
    Então o que tem de errado nisso ?
  • Vladimir  26/08/2019 18:33
    Não. O valor "correto", pela teoria da paridade do poder de compra, é por volta de R$ 3,50 (utilizando IPCA).

    De resto, vale observar: depois que o BC reduziu a SELIC, os juros de longo prazo subiram, e estão hoje maiores do que estavam antes da redução da SELIC. E subiram por quê? Ora, por causa da desvalorização da moeda, o que mostra que ela está "longe" de estar em seu valor correto.

  • Andre  26/08/2019 16:34
    BC vai vender dólares a vista por que?

    g1.globo.com/economia/noticia/2019/08/23/bc-anuncia-leiloes-de-dolar-a-vista-para-setembro-com-disparada-do-dolar.ghtml

    Esse tipo de operação não é quando falta liquidez? Por que não vende os bons e velhos swap cambiais que funcionam tão bem pra dar uma baixada nesse dólar?
  • Economista  26/08/2019 16:52
  • Guilherme  26/08/2019 19:32
    A preocupação do atual Banco Central, e muito mais importante.

    Banco Central anuncia nova moeda de R$ 1 para comemorar os 25 anos do Real
  • Andre  26/08/2019 19:42
    Deixe o BC do Brasil comemorar o plano real enquanto ainda é possível, essa moeda não aguentará a próxima recessão mundial e será só mais uma moeda inflacionada por governos irresponsáveis com anuência da sociedade.
  • anônimo  26/08/2019 22:43
    Não entendi por que isso valorizaria o dolar. Me parece neutro em relação a cotação.
    www.bcb.gov.br/detalhenoticia/16835/nota

    ''?Na rolagem da posição em swaps cambiais a vencer em 1º/11/19, no montante de US$ 11,6 bi (232.340 contratos), tendo em conta as condições vigentes atualmente no mercado local de câmbio, o BC ofertará, de 2 a 27 de setembro, lotes diários de:

    a. venda de dólares à vista, de forma simultânea à oferta no mesmo montante em swaps reversos; e
    b. swaps cambiais, para o complemento da rolagem.

    Ao final do período de execução desta rolagem, objetiva-se que todo o estoque vincendo em 1º/11/19 seja rolado ou trocado por dólares à vista, portanto sem afetar a posição cambial líquida do BC. A troca de instrumentos ocorrerá conforme a demanda dos agentes pelos diferentes instrumentos, por meio de leilões competitivos. As condições para a operacionalização de cada leilão serão divulgadas por intermédio de comunicados públicos do Depin e do Demab no dia útil anterior à sua realização.''

  • Economista  27/08/2019 00:42
    Exato. Não tem como isso valorizar. Explicado aqui.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3052&ac=238686#ac238669
  • anônimo  27/08/2019 01:27
    Desculpe, mas creio que você não compreendeu minha exposição ou eu não entendi a sua;
    Nessa sua resposta linkada, você afirma que vender pelo maior preço aumenta o preço;
    Mas por que?
    Ele esta vendendo pelo preço de mercado e aumentando a oferta naquele preço; Isso deveria no minimo mante-lo naquela preço ou evitar subidas
  • Economista  27/08/2019 14:33
    Sua pergunta é séria? Se uma instituição que detém US$ 380 bilhões de dólares passa a ofertar estes dólares apenas pelo maior preço, o que você acha que fará o comprador destes dólares quando for revendê-los? Vai vender por um preço menor e tomar prejuízo?

    E não, o BC não está aumentando a oferta de dólares. Afinal, ele vende dólares spot mas compra dólares no mercado futuro. Ou seja, o saldo final é neutro.

    Mas é pior ainda: se ele apenas vendesse dólares, ele estaria retirando reais de circulação. Neste caso, aí sim, haveria um aumento da oferta de dólares em relação à oferta de reais. Só que ele não faz isso. Após vender dólares e coletar reais, o BC recoloca esses reais no mercado (comprando dólares no mercado futuro). Ou seja, não há alteração nenhuma na oferta.

    Básico.


    P.S.: Neste momento, dólar a R$ 4,16. Quando começaram os leilões, o dólar estava em R$ 4,04. A se manter esse ritmo, o governo Bolsonaro será mais breve que Dilma 2.
  • Economista  27/08/2019 16:00
    R$ 4,18 e subindo...

    E tem nêgo que acha que tá funcionando...
  • Tulio  27/08/2019 16:16
    R$ 4,19 agora. E Campos Neto acabou de discursar na CAE do Senado falando que haverá mais cortes na SELIC.

    Comprem MUITO ouro.
  • Jordan Lima  27/08/2019 16:19
    Governo baixou juros antes da hora, prejudicando o carry trade. Aí, depois que o dólar começou a disparar, anunciou venda de reservas e chamou o mercado para dançar. Mercado pelo visto gostou. E, pra piorar, agora ainda tem a pressão dos fundos nacionais que estão comprando dólar pra se proteger, pois todos eles são elefantes pesados agarrados no DI e não conseguem se mover.
  • Victor Psicólogo   26/08/2019 17:08
    Olá, pessoal e principalmente Leandro!
    Gostaria de tirar uma dúvida. Sendo leigo no assunto, essa atual alta do dólar não estaria sendo causada muito mais pelas incertezas do mercado externo do que por erros do governo brasileiro? Quais os erros que Roberto Campos Neto fez e o que ele deveria ter feito para segurar a moeda? Estou considerando que não haverá currency board, padrão ouro etc. Me refiro a medidas palatáveis politicamente. Com a reforma da previdência aprovada, reforma tributária, administrativa, privatizações, mp da liberdade econômica etc, o dólar não tende a cair pelo menos a partir do fim do ano?
  • Economista  26/08/2019 17:37
    "Sendo leigo no assunto, essa atual alta do dólar não estaria sendo causada muito mais pelas incertezas do mercado externo do que por erros do governo brasileiro?"

    O cenário externo certamente não ajuda, mas, com a exceção do peso argentino, o real foi a moeda que mais se depreciou. Compare a evolução do real perante peso chileno, peso colombiano, peso mexicano, rublo russo, rand sul-africano e, por que não?, dólar neozelandês e dólar australiano.

    Tomamos cacete de todos. Está acontecendo o quase que o mesmo que aconteceu no governo Dilma, com a diferença de que Dilma também nos fazia tomar cacete da moeda do Haiti, algo que não está acontecendo agora.

    "Quais os erros que Roberto Campos Neto fez e o que ele deveria ter feito para segurar a moeda?"

    De início, reduziu a SELIC além da conta. Todo mundo precificava um corte de 0,25 ponto percentual, e ele reduz 0,50 ponto. Ao mesmo tempo, todo mundo esperava que o Fed fosse afrouxar muito mais do que realmente afrouxou. (Embora o BC brasileiro não tenha nenhum controle sobre o Fed, vale lembrar que o Fed soltou sua decisão de juros antes do BC brasileiro, de modo que não há desculpas de "não saber que seria assim").

    Mas isso ainda é o de menos. Piora.

    O BC começou a fazer leilões de dólar. Medida correta. Mas está fazendo tudo errado.

    Pra começar, ele está fazendo leilões tradicionais, isto é, vendendo dólares pelo preço mais caro ofertado. Mas, ora, vender dólar pelo maior preço oferecido obviamente só serve para encarecer ainda mais o dólar. Exatamente o que está acontecendo. Ou seja, o BC não está realmente interessado em reduzir o preço do dólar.

    Mas agora vem o mais bizarro: ao mesmo tempo em que vende dólares, o BC está comprando dólar no mercado futuro, com a desculpa de manter as reservas líquidas do Bacen inalteradas.

    Resultado prático: o dólar disparou ainda mais depois dessa intervenção genial.

    Eis o ponto: quando o BC vende dólares (por qualquer que seja o preço), ele retira reais da economia. Ou seja, aumenta a oferta de dólares e reduz a de reais. É isso que tende a pressionar o preço pra baixo. Mas o BC não está fazendo isso. Ao mesmo tempo em que ele vende dólares e coleta reais, ele está recolocando esses reais no mercado, comprando contratos dólar no mercado futuro.

    Ou seja, não adianta nada. A oferta de dólares e de reais continua exatamente a mesma de antes da operação, e com o agravante de que agora o BC está vendendo dólares pelo preço mais alto ofertado.

    No final, o que o BC realmente quer é apenas reduzir um pouco as reservas (que são caras) e, na melhor das hipóteses, usar reais para comprar títulos públicos e, com isso, retirar dívida em posse do mercado. Esse é o único objetivo.
  • Victor Psicólogo  26/08/2019 20:29
    Obrigado pela explicação. Estava bastante otimista com esse ministério da economia até saber dessa do Roberto Campos.
  • Um humilde investidor  26/08/2019 22:09
    Mestre Leandro,

    Vendendo USD spot e comprando futuro, o Bacen está reduzindo a reserva (e por consequência o custo do Carry Trade), mas está mantendo a exposição líquida inalterada.

    Entendo que a leitura do Bacen é de que o USD subiu pq o mercado spot está ilíquido. O Bacen então aproveitaria para introduzir a estratégia supracitada sem alterar sua exposição a riscos.

    Faz sentido esse racional?

    Obrigado.
  • Leandro  27/08/2019 01:05
    "Vendendo USD spot e comprando futuro, o Bacen está reduzindo a reserva (e por consequência o custo do Carry Trade), mas está mantendo a exposição líquida inalterada."

    Correto quanto a manter a exposição líquida inalterada, mas ele não consegue reduzir o custo do Carry Trade. Para reduzir o custo do Carry Trade teria de haver um mínimo de estabilidade cambial, algo que, coincidência ou não, só piorou depois do início das intervenções. Ou seja, até agora, o custo do cupom cambial só aumentou.

    "Entendo que a leitura do Bacen é de que o USD subiu pq o mercado spot está ilíquido."

    Correto.

    "O Bacen então aproveitaria para introduzir a estratégia supracitada sem alterar sua exposição a riscos."

    Sim, a intenção era essa. Por enquanto, está dando errado. No dia em que ele anunciou esta medida, o dólar custava R$ 4,05. Hoje, está em quase R$ 4,16. Só esse aumento de quase 3% já praticamente inviabiliza qualquer Carry Trade, dado que o CDI é de 5,90% (com tendência de queda) e os juros de empréstimos de dólares nos EUA são de 2,20%.
  • Felipe Lange  26/08/2019 18:09
    Pessoas da Internet, seria o Brasil o único país do mundo onde o funcionário estatal entra por concurso e fica com "estabilidade"?
  • Geraldo  26/08/2019 20:01
    Pesquisei "nos EUA tem concurso público" no Google e achei isto:

    www.planejamento.gov.br/assuntos/relacoes-de-trabalho/noticias/servico-publico-americano-tem-uma-unica-carreira-e

    Segundo esse link, o serviço público civil federal nos EUA tem apenas uma carreira e uma única tabela salarial com 15 padrões, sendo que cada padrão tem 10 níveis, enquanto que no Brasil, ao contrário, são 150 carreiras ou categorias e uma infinidade de níveis e padrões.

    O recrutamento de servidores é feito de várias maneiras e existem institutos especializados em recrutamento de pessoal que montam estandes nas universidades para atrair os melhores talentos para o serviço público. A admissão pode ser uma prova, um ou vários testes de aptidão física ou exame de currículo. No ingresso, dependendo da formação escolar e experiência do candidato, ele é enquadrado no padrão equivalente ao seu nível de formação na tabela salarial única para todo o serviço público federal que tem critérios muito objetivos. A base salarial nos EUA é medida anualmente e vai de US$ 17 mil/ano a US$ 124 mil/ano no topo da carreira.


    Os servidores americanos não têm estabilidade no emprego e podem ser demitidos como qualquer outro trabalhador do setor privado. A ascensão na tabela salarial é feita exclusivamente por mérito, através da avaliação de desempenho com fixação clara de regras e metas a serem atingidas. Os servidores recebem bônus anuais pela produtividade.

    Já no resto do mundo, eu teria que pesquisar para saber mais.
  • Geraldo  26/08/2019 23:32
    Resolvi fazer outra busca, desta vez por "em quais países há concurso público", e o que achei foi bastante desanimador:

    folhadirigida.com.br/noticias/tema/especial-noticiario/diferencas-entre-o-servico-publico-no-brasil-e-no-exterior

    Na França, a questão da estabilidade é praticamente sagrada: questioná-la é "praticamente questionar a democracia".
  • Felipe Lange  27/08/2019 02:46
    Obrigado por esse favor... caramba, acho que pedi muito. Bom, embora aqui nos EUA não tenha o concurso, continuo vendo funcionários estatais com má vontade, principalmente em repartições totalmente estatais. Pelo menos a USPS (os Correios daqui) funciona de sábado e eles entregam na porta de sua casa (sem precisar atender), quando a região não é perigosa. Agora, eu não sei o que é perigoso para os americanos... minha madrasta fala que tal lugar é perigoso, aí o meu pai que é brasileiro fala "Não é como no Brasil. ", então é esquisito.
  • Estado o Defensor do Povo  27/08/2019 16:47
    Geraldo aqui no Brasil os funcionários públicos também podem ser demitidos, não é crime fazê-lo sob certas circunstâncias, mas agora sim, é extremamente difícil eles serem demitidos, para tal o processo administrativo é muito demorado, e ainda por cima a lei é muito branda pra eles, são muito pouco exigidos, para o processo sequer ter entrada o cara tem que ser estratosfericamente incompetente, por exemplo se o servidor público faltar o trabalho por 30 dias seguidos sem justificativa a exoneração é automática (se fosse em empresa privada sem carteira assinada o cara é demitido depois do segundo dia de falta), portanto nos EUA é quase o mesmo, a lei não proíbe demissões de servidores públicos, mas é extremamente difícil acontecer.
  • Estado o Defensor do Povo  27/08/2019 17:01
    Geraldo aqui no Brasil os funcionários públicos também podem ser demitidos, não é crime fazê-lo sob certas circunstâncias, mas agora sim, é extremamente difícil eles serem demitidos, para tal o processo administrativo é muito demorado, e ainda por cima a lei é muito branda pra eles, são muito pouco exigidos, para o processo sequer ter entrada o cara tem que ser estratosfericamente incompetente, por exemplo se o servidor público faltar o trabalho por 30 dias seguidos sem justificativa a exoneração é automática (se fosse em empresa privada sem carteira assinada o cara é demitido depois do segundo dia de falta), portanto nos EUA é quase o mesmo, a lei não proíbe demissões de servidores públicos, mas é extremamente difícil acontecer.
  • Estado o Defensor do Povo  27/08/2019 04:20
    Não Felipe, nos EUA também o funcionário público é mais estável que o privado e ganha bem mais regalias em média.
    Um estudo feito pelo congressional budget office mostra que 93% dos funcionários públicos federais americanos ganham mais do que funcionários comparáveis a eles no setor privado, a única exceção no gráfico são os graduados em doutorado.

    em 2019 os salários e benefícios dos funcionários civis do poder executivo custarão 291 bilhões de dólares, em 2018 os funcionários públicos federais receberam 80% à mais em média do que os funcionários do setor privado, com os federais recebendo um salário anual de $94.463 em média e os privados recebendo $63.306, se contarmos com benefícios governamentais como health care e pensões, a diferença fica ainda maior, com os servidores federais ganhando $135.971 e os privados ganhando $75.381. Eles são de muito interesse de políticos, que fazem lobby pra eles, são protegidos pelas uniões federais(acredito que seja mais ou menos uma espécie de sindicato deles para os funcionários públicos federais) , que sempre se opõem a legisladores que tentam conter a folha salarial deles, os membros do congresso estão cercados por servidores federais, logo eles tentam à todo custo aumentar ainda mais os seus salário e benefícios.

    Eles ainda têm diversas regalias que o setor privado não possuem, que custam em média 47% a mais do que o setor privado, como seguro de saúde, inúmeros benefícios na aposentadoria, seguro de vida, plano de pensão com proteção da inflação, agendas flexíveis de trabalho que os permitem ter mais tempo com a família, trabalhar meio-período e compartilhamento de empregos, eles ainda recebem prioridade de atendimento em vários estabelecimentos de primeira.

    E eles também têm uma segurança no trabalho extremamente alta, demissões no setor público são apenas 1/4 das do setor privado, uma investigação feita pela Government Executive diz que as agências públicas têm problemas em se livrar dos servidores mais incompetentes, apenas 0,5% deles são demitidos por ano por qualquer motivo, incluindo má performance e má conduta. Funcionários públicos federais tem 4 vezes mais chances de pedir demissão nos EUA do que os privados, e eles ainda são muito mais bem-tratados e bem vistos pela sociedade do que os empregados na pequena e média empresa, exatamente como acontece aqui no Brasil. De janeiro de 2009 à janeiro de 2010, com os estragos feitos pela crise de 2008, a empregabilidade no setor privado diminui 3,5%, enquanto no setor público diminuiu apenas 0,5%, 7 vezes menos.

    mises.org/wire/public-servants-who-serving-whom
    www.downsizinggovernment.org/federal-worker-pay
    www.mercatus.org/publication/public-vs-private-unemployment
  • Felipe Lange  27/08/2019 18:30
    Na verdade você traduziu ao pé-da-letra, os "unions" são de fato os sindicatos. O UAW, por exemplo, destruiu as Big Three nos EUA.
  • Felipe Lange  27/08/2019 18:33
    Eu frequento atualmente o PBSC (um colégio estatal do governo estadual da Flórida) e o que me chama atenção é a incompetência do sistema deles de atendimento por e-mail. E o pior é que custa caro, o campus onde estou é um verdadeiro labirinto, você se perde lá facilmente e o negócio não funciona de noite e nos fins de semana. Não sei se aqui existe uma espécie de portal da transparência como no Brasil, mas suspeito de que o PBSC custe bilhões de dólares todos os anos (ou pelo menos centenas de milhões de dólares).
  • Economista  26/08/2019 19:13
    As 10 melhores e as 10 piores moedas emergentes. Confira o Peru e desespere-se com o real.

    twitter.com/dlacalle_IA/status/1166011418359058432/photo/1
  • Jonathan  26/08/2019 21:26
    Então, de nada adiantará MP 881, Reforma da Previdência, Reforma Tributária, Reforma Administrativa?

    Continuaremos no máximo estagnados no lamaçal maldito que nos encontramos agora?

    Existe alguma possibilidade dessa falta de investimento estrangeiro ser compensado com investimento interno? O Brasil tem capital interno (não sei se o termo é esse) suficiente pra isso?
  • Trader  27/08/2019 00:02
    "Então, de nada adiantará MP 881, Reforma da Previdência, Reforma Tributária, Reforma Administrativa?"

    Se a moeda continuar se esfacelando, muito pouco.

    "Continuaremos no máximo estagnados no lamaçal maldito que nos encontramos agora?"

    Por aí.

    "Existe alguma possibilidade dessa falta de investimento estrangeiro ser compensado com investimento interno? O Brasil tem capital interno (não sei se o termo é esse) suficiente pra isso?"

    Não o suficiente. Nenhum país tem. Ninguém prospera sem investimento estrangeiro, pelo simples fato de que o conjunto de capital estrangeiro (físico, financeiro e intelectual) sempre será maior que o nacional, de qualquer país.
  • Desesperado   26/08/2019 21:58
    Pessoal, sei que é pedir muito, mas pfv, ensinem a comprar ouro!! Eu n faço idéia de como! O pouco que tenho é em reais. Tenho medo de pesquisar isso na Internet e entrar em furada.
  • Carlos Alberto  26/08/2019 23:59
    Se for para comprar ouro físico, aqui:

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=1075

    Se for apenas para ter um investimento atrelado em ouro, abra conta na corretora Órama (5 minutos, de graça, tudo pela internet) e invista no fundo Órama Ouro.

    Recomendo esta segunda opção, por ser bem mais prática.
  • Felipe Lange  28/08/2019 04:17
    Bacana. Conhecem algum similar aqui nos EUA?
  • Tarabay  27/08/2019 18:58
    Eu negocio pela PARMETAL, segue:


    www.parmetal.com.br/quero-comprar-ouro/?gclid=CjwKCAjwqZPrBRBnEiwAmNJsNjcLXyEwQyqkhj_zj9yaYLpub03iusdin78khmO5h-ZE7NMJ2RqwJxoCTOEQAvD_BwE

    Você pode fazer a negociação via whatsapp e te encaminham a nota fiscal da compra por e-mail em até 48hs.

    Eles negociam prata também.
  • RJJR  18/11/2019 00:56
    Negocia contrato? Neste caso qual o grau de confiança na Parmetal acerca de sua solidez. No caso de ouro físico tenho uma dúvida acerca do spread na venda a ser realizada através de agente da Parmetal em minha cidade que não tem ponto comercial da Parmetal e, se este for muito alto, gostaria de saber se alguém já teve a experiência de viajar nacionalmente portando ouro. Em aeroporto bastaria levar a documentação para não ter problemas?
  • Poder de compra brasileiro   27/08/2019 02:06
    Eu ganho 6 mil líquidos. Sabe o que me deixa mais puto da vida? É que na região que moro é considerada uma renda invejável para a maioria. Só que um mexicano que acabou de atravessar o deserto e n foi pegue pela polícia vai estar com um poder de compra maior e usufruindo de bens e serviços melhores que os meus dentro de seis meses. Em menos de um ano ele tá com um carro melhor que o meu, com um celular melhor que o meu, com um vídeo game melhor, com um notebook melhor, com acesso a supermercado com muito mais opções, com muito mais opções de lazer e ainda vai estar juntando dinheiro em moeda forte. Brasília é foda!.
  • Perturbado ou nem tanto  27/08/2019 02:40
    O segredo da vida então seria ser pago em dólar e fazer uma previdência em ouro (em vez de contribuir mês a mês em moeda fiat, fazer compras de ouro mensais)? Lembrei agora do Silvio Santos: em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro. Pior que o desgraçado tava passando o bizu o tempo todo...
  • Tarabay  27/08/2019 19:27
    "O segredo da vida então seria ser pago em dólar e fazer uma previdência em ouro (em vez de contribuir mês a mês em moeda fiat, fazer compras de ouro mensais)? Lembrei agora do Silvio Santos: em barras de ouro, que valem mais do que dinheiro. Pior que o desgraçado tava passando o bizu o tempo todo..."

    Adoto a estratégia de comprar ouro como previdência há uns 4 meses (deveria ter começado antes) e pretendo comprar prata também.

    Obs.: Você já serviu o exército? A última vez que ouvi a expressão "passando o bizu" foi dentro de um quartel.
  • anônimo  27/08/2019 04:27
    No contexto brasileiro, qual seria a solução possível? Currency Board necessitaria da autorização de quem?
  • Ninguém Apenas  27/08/2019 14:55
    A melhor solução prática seria atrelar o real ao ouro, adotando o preço do ouro como baliza.

    Bastaria o Bolsonaro ligar pro RNC e dizer: "Tem que atrelar o real ao ouro, talkey? Isso aí é uma moeda sadia."

    E estaria resolvido.

    Não precisa de lei e nem nada. (até onde sei, mas aceito correções).
  • Thiago  27/08/2019 15:31
    Fazer um Currency board no brasil sem colocar isso como clausula pétrea na constituição, não resolveria. Qualquer um da esquerda que chegar a presidência acabaria com ele no primeiro ano de governo.

    a tentação populista da expansão monetária fácil é muito forte!
  • Golden bug  27/08/2019 15:59
    Galera, o que acham da idéia de fazer uma previdência em ouro. Compras mensais de ouro por 30 anos. Qual a opinião de vcs?
  • Régis  27/08/2019 16:05
    Já deveria ter começado há muito. Esse Instituto sugere isso desde 2008. Quem seguiu ganhou 13% ao ano.

    Eu pessoalmente acho que o ouro está um pouquinho esticado agora, mas se a meta é longo prazo, então compre sem medo.

    Mas sempre tenha também títulos atrelados à inflação.
  • Estado o Defensor do Povo  27/08/2019 16:12
    Sou da opinião de que previdência tem que ser totalmente privada e opcional, ou seja, faz sua previdência quem quiser, mas se o cara quiser gastar todo o salário todo mês a escolha é dele, não interfiramos, mas agora na minha humilde opinião sua sugestão de previdência me parece bem melhor do que o esquema ponzi do governo atual, onde quem entra paga pra quem tá saindo. O problema é confiar os seus fundos de ouro na mão dos políticos, que não podem ver dinheiro dando sopa que eles jã vão pegando uma parte pra eles, é só ver a roubalheira que acontece com o FGTS.
  • PauloHMB  27/08/2019 16:04
    Como todo azar para a América Latina é pouco(Oh terrinha tensa). A curva de Juros de 3 meses e 30 anos se inverteram.
    Se o Brasil for um pouquinho esperto, ele vai usar isso para capitalizar politicamente no congresso e acelerar as reformas
  • Marcos  27/08/2019 16:21
    Inverteram-se hoje. E inverteram bem (1,95% contra 1,98%, e com tendência de mais alargamento). Nada bom.

    A conferir.
  • Andre  27/08/2019 17:17
    AS curvas de juros se inverteram mesmo, é o fim? REcessão americana líquida e certa?
  • Estudante  27/08/2019 19:15
    Hoje As curvas se inverteram gravemente, 100% de acurácia (3 anos pra 30 anos)

    O QUE SERÁ DE NÓS BRASILEIROS?

    Confira aqui: www.cnbc.com/2019/08/27/us-treasurys-investors-monitor-trade-developments.html
  • PauloHMB  27/08/2019 19:59
    Não é certo, mesmo com essa métrica que nunca deu falso negativo.
    Os juros dos titulos estão absurdamente distorcidos pelo mundo. Por exemplo, na Europa você tem juros negativos em quase todos eles(alguns países, em todos).. Olhar por esse prisma perdeu a precisão. Pelo menos na Europa.
    E não é certo que isso não tenha influenciado os titulos americanos na acurácia.

    Se ele é o único país que tem juros reais positivos(e, pelo menos no de 10 anos, os juros reais já são zero, o que não significa que você não tenha ganhos, já que a intenção não é vender no dia seguinte e o preço dos titulos sobem) então você tem um mundo indo atrás desses titulos, e isso faz o preço deles subirem, e os juros caírem.

    O sinal de recessão pode ter sido destruído.

    Mas, isso é mera hipótese. Pois se considerar os outros fatores - divida corporativa, guerra comercial, deficit fiscal e o tempo que a economia esta se expandindo, então já é uma recessão esperada pelo mercado.

    Dessa vez não seria apenas os austríacos. (Ou majoritariamente eles);

    Já o Brasil, bem, se a equipe economica souber capitalizar políticamente, pode ser a oportunidade de por algum pânico nno congresso e acelerar os ajustes, sem gradualismo.

    A nova zelandia, quando quebrou, renasceu; Suas reformas vieram como tratamento de choque depois de uma morte clinica;

    Já sobre a argentina, eu deixo eles virem para o Brasil, mas antes tem de assinar um contrato dizendo que o Pelé é melhor que o Maradona, e pedindo desculpas toda vez que disseram o contrário.

    No anarcocapitalismo não seria diferente se entrassem na minha propriedade.
  • Mike  27/08/2019 20:03
    Com o dólar chegando a 4,20 reais e prevendo uma retomada da economia brasileira, podendo gerar uma valorização do real perante a moeda americana, não seria um bom momento para o americano investir no Brasil?
    Entendo que haja risco neste movimento e que um possível cenário de recessão nos EUA gere procura por proteção nos títulos americanos, contudo, talvez o retorno compense o risco.
  • anônimo  27/08/2019 20:44
    É um bom momento o filho de Bolsonaro (o que é formado em EA) dá uma ou duas dicas de filho para pai sobre economia.
  • Pensando em continuar no País  28/08/2019 15:32
    Pessoal, é o caso de jogar a toalha em relação à economia no Brasil?
    Me sinto mal lendo isso. Se essa equipe econômica não conseguir fazer o Brasil prosperar, os liberais só vão ter influência em seus clubinhos. E o desenvolvimento do Brasil? Que pena...
  • Vladimir  28/08/2019 15:38
    Todo o problema está no Banco Central, que não está defendendo a moeda (sua função básica e autodeclarada). Se tal problema for corrigido, todo o resto se resolve como que por mágica. Por outro lado, sem se resolver o BC, tudo vai pro vinagre.

    Já que a estrovenga existe, que pelo menos ela faça seu trabalho com um mínimo de decência. Se for pra ficar lá só imprimindo dinheiro e derretendo o real, então que ela seja fechada.
  • Pensando em continuar no País  28/08/2019 15:58
    Acredita que o Bacen vai acordar?
  • Vinicius  28/08/2019 16:19
    "Todo o problema está no Banco Central, que não está defendendo a moeda (sua função básica e autodeclarada)"

    Não existe mais nenhum brasileiro capaz de presidir o BC para lhe conferir credibilidade e defender a moeda, a saída é fechá-lo ou entregar a presidência a um banqueiro peruano.
  • Andre  28/08/2019 16:11
    Sim, jogue logo a toalha, projete sua vida para depender o mínimo possível do desempenho econômico do Brasil, não há mais quadros qualificados capazes de salvar isso aqui e a Argentina é o próximo passo.
  • jose da silva  30/08/2019 14:47
    e para que ficar nesse jogo, a cada 3 anos nas vésperas das eleições para presidente começa a moeda a cambalear e tudo mais, e porque não adotar logo o Dolar como o Equador e acabar com esse problema de vez? não seria melhor?
  • Desvendador dos (nem tão) mistérios   30/08/2019 20:08
    Isso aqui é p mostrar o quanto a equipe econômica tá interessada em não ferrar com o poder de compra dos brasileiros #SQN!

    www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/economia/blog/joao-borges/post/2019/08/30/venda-de-dolar-a-vista-recordando-paulo-guedes.ghtml
  • Alexandre M  02/09/2019 20:17
    Interessante a abordagem, mas o assunto é mais complexo.

    A questão da moeda remonta ao padrão ouro e padrão dólar. Ate a II Guerra grande parte das transações era feita em metal, ouro. Hoje, o dólar é a referência internacional para as transações, conforme acordado em BrettonWoods.

    Assim, os demais países viraram reféns da liquidez do dólar e o que dita a força de uma moeda é sua demanda em relação ao dólar. Além disso, grande parte dos países mantêm suas Reservas em grande parte nessa moeda.

    Tentando ser simples, creio que a única forma de ter uma moeda estável é gerando lastro a essa moeda, rompendo com o padrão-dolar. Para tanto, o país deveria construir suas Reservas em ouro (metal).

    Não obstante, façam uma pesquisa sobre as moedas mais fortes e a quantidade de metal ouro que esse país detém em Reservas.


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