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Liberar o FGTS é, acima de tudo, uma medida ética e moral
A única crítica razoável ao programa “Saque Certo” é não ter permitido saques maiores

Imagine um cidadão pagando juros de mais de 10% ao mês no cartão de crédito e com dinheiro aplicado na poupança a uma taxa menor que 0,5% ao mês.

Este indivíduo, então, lhe pede um conselho a respeito de o que fazer com o dinheiro dele.

Você recomendaria que ele colocasse o dinheiro no Tesouro Direto, em alguma aplicação vinculada ao CDI ou que pagasse a dívida?

Supondo que você não tivesse raiva do cidadão, e nem quisesse recomendar um calote ou algo do tipo, a sugestão óbvia seria que ele pagasse a dívida. Dificilmente o sujeito encontraria alguma alternativa com rendimentos superiores aos 10% que ele está pagando e que não tivesse um alto risco de colocá-lo na cadeia.

Essa mesma lógica pode ser aplicada ao FGTS.

O FGTS é uma desapropriação

Sem muitos rodeios, o FGTS é uma quantia paga pelo patrão (correspondente a 8% do salário bruto do empregado), e que poderia ser incorporada ao salário do trabalhador (afinal, é uma quantia que já é paga pelo patrão), mas que é desviada para o governo e só pode ser reavida em casos específicos (ou após a aposentadoria).  

Na prática, o governo "pega emprestado" esse dinheiro do trabalhador e lhe paga juros de míseros 3% ao ano.  Dado que a caderneta de poupança rende 4,6% ao ano, e a inflação de preços está em 3,75% ao ano, o trabalhador não apenas deixa de auferir rendimentos maiores, como ainda perde poder de compra com o FGTS.  

E para onde vai o dinheiro do FGTS? Historicamente, uma parte era direcionada para subsidiar o BNDES e a outra para financiar a aquisição de imóveis do próprio trabalhador — algo completamente sem sentido, pois a aplicação desse dinheiro na caderneta de poupança já permitiria ao trabalhar obter muito mais rendimento e, com isso, ter mais dinheiro para comprar imóveis.

Mas prossigamos.

Liberar o saque seria apenas uma reparação

Como vimos, o dinheiro que está preso no FGTS rende muito pouco, ainda menos que a poupança, mas os juros pagos por quem está endividado são muito altos.

Ao permitir o saque do FGTS, mesmo que de apenas R$ 500, o governo ao menos permite que os trabalhadores endividados sigam o conselho dado no início do texto — ou seja, paguem suas dívidas — e que os trabalhadores que não estão endividados possam consumir sem ter de se endividar.

E, caso o leitor imagine que ninguém fica endividado por causa de R$ 500, saiba que 30% dos inadimplentes estão nesta condição por conta de valores menores que R$ 500 (ver aqui e aqui). Considerando que são 63,2 milhões de pessoas com contas atrasadas, estamos falando de quase vinte milhões de pessoas que poderiam ter evitado a inadimplência se tivessem tido acesso a R$ 500. É provável que boa parte dessas pessoas tivesse os tais R$ 500 presos em uma conta de FGTS.

Os dados usados no parágrafo anterior estão na apresentação feita pela equipe do Ministério da Economia por ocasião do lançamento do programa "Saque Certo – Direito de quem trabalha" (link aqui). Na página vinte e seis da apresentação, há uma tabela que sozinha justifica o apoio a qualquer programa que facilite o acesso ao dinheiro preso no FGTS. Nela, estão os valores de R$ 100 em janeiro de 2017 corrigidos por diversas taxas cobradas no mercado e pelo FGTS.

Alguém que tenha pedido R$ 100 emprestados em janeiro de 2017 estaria devendo hoje R$ 412,58 se fosse no comércio, R$ 295,46 se fosse empréstimo pessoal em um banco, 683,36 se fosse empréstimo em financeira, R$ 2.159,38 se fosse no cheque especial e R$ 2.462,61 se fosse no cartão de crédito.

Os mesmos cem reais aplicados pelo mesmo período no FGTS hoje valeriam míseros R$ 110,79.

É assustador.

A figura abaixo expande a tabela da apresentação do Ministério da Economia para outros valores.

rend_fgts1.jpeg

Observe que um infeliz que pegou R$ 500 no cartão de crédito em janeiro de 2017 e deixou a conta rolar hoje deve mais de doze mil reais; os R$ 500 que ele tinha no FGTS hoje valem R$ 553,95.

Mal comparando, é como se ele tivesse perdido R$ 10.000 entre janeiro de 2017 e hoje pelo direito de deixar o dinheiro guardado no FGTS. Se em janeiro de 2017 o governo tivesse autorizado a retirada de R$ 500 do FGTS para pagar a dívida, o sujeito hoje não estaria devendo cerca de doze mil reais.

Caso ele tivesse se endividado no comércio, o coitado teve de "pagar" cerca de R$ 1.500 pelo "privilégio" de financiar o desenvolvimento nacional.

Por outro lado, alguém pode dizer que ele tem direito a receber a multa em caso de demissão. É verdade: no caso de quem tinha R$ 500 no FGTS em janeiro de 2017 e hoje tem R$ 554, a multa seria de cerca de R$ 222, deixando o sujeito com R$ 776 nas mãos. Isso equivale a pouco mais da metade do que ele estaria devendo se, desde janeiro de 2017, ele tivesse deixado acumular uma dívida de R$ 500 em empréstimo pessoal de banco, o endividamento mais barato dentre os listados na tabela.

No entanto, se ele tivesse deixado a dívida acumular no cartão, os R$ 776 do FGTS mais multa seriam menos de 10% da dívida.

Apenas para dar uma idéia da crueldade que é deixar alguém endividado com dinheiro preso no FGTS, eis uma aproximação rápida da taxa de juros implícita na tabela do Ministério da Economia. A figura abaixo mostra as taxas aproximadas.

rend_fgts2.jpeg

É isso mesmo: a modalidade de crédito mais barata tem taxas mensais mais de dez vezes maiores que a taxa mensal paga pelo FGTS. Se o número verdadeiro do rendimento do FGTS for o dobro de minha aproximação e o número verdadeiro da taxa do empréstimo mais barato for metade da minha aproximação, ainda assim teríamos um escândalo.

O PIB é o de menos

Muito ainda será dito a respeito do impacto positivo da liberação do FGTS sobre o PIB. Mas isso é o de menos. A questão do FGTS vai muito além de estimular a demanda e os números do PIB. Mesmo um eventual impacto sobre a oferta, o que seria ótimo e é bem explorado na apresentação do Ministério da Economia, é incerto e virá em futuro que não podemos prever.

O principal motivo para se defender a liberação de saques do FGTS é que tal medida, além de reduzir os absurdos descritos no artigo, é sobretudo ética e moral: trata-se, na mais branda das hipóteses, da devolução de um produto que foi roubado e, para piorar, ainda foi depreciado.

Sendo assim, a única crítica válida ao programa é ele não ter liberado mais do que os R$ 500.



autor

Roberto Ellery
é professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), articulista do Instituto Liberal, e participa de debates sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos de longo prazo das políticas de investimento.

  • Andre  05/08/2019 17:30
    Essa liberação de uma parte do FGTS parece mais uma atitude de desespero por parte do ministério da economia do que uma atitude ética e moral.
  • Carlos Alberto  05/08/2019 17:48
    É claro que é desespero. E é também uma boa propaganda.

    Mas isso não altera o fato de que, acidentalmente ou não, foi uma medida correta. Mesmo medidas tomadas no desespero podem ser corretas.
  • Pobre Paulista  05/08/2019 17:54
    Desespero para o quê, exatamente?
  • anônimo  05/08/2019 18:02
    Ao meu ver, estimular o consumo e com isso dar aquela aditivadinha básica (e totalmente temporária) no PIB.
  • Leandro  05/08/2019 18:06
    Isso até tinha chance de ocorrer. Mas com o recente esfacelamento das moedas dos países emergentes após um simples tuíte do Trump (que mundo!), é capaz de nem isso a medida alcançar.

    Aliás (sim, lá vou eu de novo), é espantoso que ninguém no Brasil leve em consideração o Currency Board, mesmo após essa prova visceral de como uma moeda flutuante não serve para uma economia ainda em desenvolvimento.

    Com uma simples tuitada de um político estrangeiro, o dólar salta de R$ 3,73 pra quase R$ 4 em menos de uma semana. O fato de que um único político estrangeiro, utilizando o Twitter, pode esfacelar a moeda de outro país mostra perfeitamente toda a irracionalidade desse arranjo de câmbio flutuante. Ainda mais inconcebível é haver economistas supostamente liberais dizendo que o câmbio flutuante (que flutua totalmente de acordo com a política) é o arranjo mais propício ao desenvolvimento econômico.
  • Pobre Paulista  05/08/2019 18:26
    O mais curioso disso tudo é que a China contra-atacou como? Deixando seu povo mais pobre... E se gabando disso.
  • Vladimir  05/08/2019 18:37
    Agora, do ponto de vista puramente "zoeirístico", o governo chinês foi impecável: com uma simples desvalorização cambial, anularam todo o efeito das tarifas de importação. Aliás, eles já vinham fazendo isso desde 2018, tanto é que os preços dos importados nos EUA caíram, mesmo com as tarifas.
  • Andre  05/08/2019 18:59
    Os ditadores chineses não encaram essas pessoas comuns e trabalhadoras como povo e sim como gado, o gado terá que passar um pouco mais de privação para enfraquecer a economia americana, já a beira de uma recessão, para forçar uma derrota do louco do Trump nas eleições de 2020 e voltar a fazer negócios com o novo líder mais equilibrado do salão oval.
    Falta combinar com os russos, literalmente.
  • Carlos Alberto  05/08/2019 19:18
    Detalhe: nas duas últimas semanas, a desvalorização da moeda chinesa foi menor que a desvalorização do real.

    Para um chinês, o dólar encareceu 2,43%. Para um brasileiro, 4,98%. Simplesmente o dobro.

    Acho que os "gados" não são exatamente os chineses...
  • Vinicius  05/08/2019 19:45
    Então vai ter recessão nos EUA? Vai ter outro setembro de 2008? Pelo que sei os países da zona do euro também estão indo pra recessão e seus bancos estão em péssimo estado, o Deutsche está na prática sofrendo um bank run de 1 bilhão de dólares por dia de seus correntistas.
  • Paulo  05/08/2019 20:07
    Leandro, se alguém já fez essa pergunta no site, perdoe-me, não estou encontrando.
    Mas, caso o Brasil adote o currency board, os juros não subiriam no curto prazo, devido não ter mais um BC? Isso poderia gerar um choque maior do que a variação cambial nos atuais 4 anos
  • Leandro  05/08/2019 20:12
    Ao contrário. Todos os países em desenvolvimento que adotaram o CB tiveram uma imediata queda nos juros.

    Lógico: com um CB, somem as expectativas inflacionárias e acabam os temores de calote dos estrangeiros. Sem temor de inflação e sem medo de calote, os juros caem.

    Ainda que os eventuais déficits do governo puxassem os juros para cima, esta subida serviria para atrair capital estrangeiro, o qual faria os juros voltarem novamente para os níveis vigentes.

    No final, os juros vigentes no país que adota um CB ortodoxo se aproximam daqueles vigentes no país da moeda-âncora. E nem poderia ser diferente, dado que, na prática, este país passa a fazer parte de uma união monetária com o país da moeda-âncora.

    Um ótimo exemplo disso ocorreu na Bulgária.
  • Paulo  05/08/2019 20:44
    Obriga. Era esse meu maior temor.. Acho que passei a ser defensor desse regime para o Brasil. Embora a dolarização não me parece ser inferior e tem menos riscos de algum futuro Ciro Gomes destruir; Creio que a questão dos juros também seria semelhante, correto?
  • Felipe Lange  07/08/2019 01:59
    Leandro, que tuíte foi esse e por que causou esse prejuízo no câmbio?
  • Implicante  07/08/2019 04:01
  • Felipe Lange  07/08/2019 17:21
    Eu vi hoje, mas eu ainda não entendi em como isso interferiria na taxa de câmbio.
  • Leandro  07/08/2019 19:01
    A China é uma grande parceira econômica dos países emergentes. Uma guerra comercial dos EUA com a China afeta o crescimento econômico da China, o que por sua vez afeta o crescimento econômico dos emergentes.

    Logo, ficamos assim:

    1) Guerra comercial gera menos comércio.

    2) Menos comércio gera menos crescimento econômico mundial.

    3) Menor crescimento econômico mundial afeta principalmente os emergentes.

    4) Menos crescimento econômico nos emergentes gera menos demanda por moeda dos emergentes

    Menos comércio, menos crescimento econômico, menos demanda por moeda = moedas de países emergentes mais fracas.

    Além do Brasil, as moedas de Chile, Colômbia, México, Rússia, Índia e África do Sul também apanharam. Aliás, até mesmo a moeda da Nova Zelândia, que depende diretamente do comércio com a China, também levou ferro.
  • Felipe Lange  08/08/2019 17:13
    Como eu não pensei nisso. Evidentemente que ninguém ganha com isso. Donald está pior que o Obama (até em questão de controle de armas).
  • Skeptic  12/08/2019 15:02
    Leandro, você já pensou em tentar se tornar um colunista de algum jornal ou revista de maior visibilidade? Suas análises são fundamentais mas ficam presas num meio onde só é acessível por pessoas já convertidas. Não sei qual a importância do IMB hoje, como libertário, eu chuto que é pouca, mas para o público geral é praticamente inexistente. Gostaria de ver suas ideias sendo debatidas por economistas liberais, mesmo que pragmáticos demais. Além da grande mídia, tendo que se incomodar como uma nova empurrada na Janela de Overton. E aproveitar essa onde liberal até dentro do Ministério da Economia.

    Por isso mesmo, e por outros motivos, vejo o trabalho do Raphaël Lima como algo tão importante, embora ele me pareça muito brincalhão as vezes, como se tivesse um canal voltado para adolescentes.
  • Rodolpho  12/08/2019 15:28
    Se você acha que publicar na "grande mídia" é melhor do que em um instituto criado exatamente para divulgar idéias econômicas, então você ainda não entendeu absolutamente nada do que se passa no Brasil e no mundo.

    Se o Leandro começasse a publicar na Folha, na Veja, no Estadão, no Globo, na Época e em lixos afins, aí eu perderia todo o respeito por ele.

  • Lucas-00  05/08/2019 17:51
    O mais estranho que o FGTS foi criado pelos militares durante a ditadura, mas a esquerda adora defende-lo...
    E o que me dá mais raiva também, e é o governo sempre se referir ao FGTS como direito, e não dever.
    Na verdade, até o alistamento militar obrigatório o governo se refere como direito, e não como dever. (!)
  • Guilherme  05/08/2019 18:14
    Não só o FGTS. As estatais também. Aliás, a própria CLT foi criada por um ditador abertamente fascista (o qual, por sua vez, se inspirou abertamente na Carta Del Lavoro, de Mussolini).

    Mas, ora, qual é o espanto de se constatar que a esquerda defende programas abertamente fascistas?

    A esquerda "anti-fascista" tem muito em comum com os fascistas originais
  • Bernardo  05/08/2019 19:50
    Sim, a esquerda é bipolar assim mesmo.

    Eles odeiam quem fornece emprego e renda, mas bajulam a instituição que confisca o dinheiro do trabalhador e paga apenas 3% de juros (com uma inflação que historicamente fica acima dos 5%). Segundo eles, tamanho esbulho configura justiça social.
  • Dane-se o estado  05/08/2019 22:07
    Alistamento não é dever de ninguém também!
  • Lucas-00  06/08/2019 14:18
    Sim, tem razão.
    Escrevi errado, me perdoe.
    Estudo em escola padrão MEC há 15 anos, essa porcaria estatal entra na cabeça de um jeito...
  • Gustavo A.  05/08/2019 20:05
    Foi Roberto Campos que ajudou a criar o FGTS, mas, em seu tempo, foi uma medida para flexibilizar as relações de trabalho, havia estabilidade no setor privado. O fundo de garantia entrou no lugar para facilitar as demissões, por incrível que pareça (este é o nível brasil de intervencionismo econômico).

    Uma matéria do site do Senado acerca do tema: Em 1967, FGTS substituiu estabilidade no emprego

    Ainda assim, o tema encontrou muita resistência política de sociais democratas (como Franco Montoro). O New Deal é quase um ato anárquico perto do que se tinha no Brasil no século XX.

    Até aí tudo bem, o problema veio em 1988, nossos queridos constituintes (em que se incluem Lula, Aécio, Genoino, Renan Calheiros, Ey Ey Ey Mael, Sarney e muitos outros bandidos) constitucionalizaram o FGTS e outras jabuticabas trabalhistas na Constituição Federal, em seu artigo 7º (seguro desemprego, fgts, piso salarial, irredutibilidade, 13º, remuneração maior por trabalho noturno, jornada de 8 horas, etc).

    Ou seja, para que se acabe com esses "direitos" é necessário que se faça emendas constitucionais, que são bem mais difíceis de serem aprovadas que lei ordinárias. Isso se o judiciário não julgar que são cláusulas pétreas, logo, imutáveis.
  • 4lex5andro  06/08/2019 16:50
    Bom excerto, havia conversado sobre isso com um colega analista do TRT há uns meses.

    Impressionante como em pleno séc. XX, existia a figura da estabilidade no emprego privado, ou seja, o empresário seria obrigado a dar estabilidade após dez anos de contínuo exercício deste.

    E vinte anos depois (1988), se demorou a exigir em lei, aprovação prévia de concurso público, para cargo estável no serviço público (que nem deveria existir), daí se depreende por quê o Brasil convive com taxas de desemprego formal tão altas a tanto tempo.
  • Vinicius Eduardo Lucio Silva  07/08/2019 13:27
    A esquerda defende, porque a maioria da população defende e acredita ser um direito, a maioria das pessoas são totalmente ignorantes a respeito de economia, e você pode desenhar para ela, dar aula para ela e no fim ela vai continuar acreditando que esta levando alguma vantagem nesse arranjo todo. A esquerda é aproveitadora, na verdade a maioria dos políticos são.
  • Gustavo A.  07/08/2019 14:25
    Tem que "empurrar" a janela de Overton. É normal o povão apresentar resistência a certos temas, observe a previdência... quando Temer tentava aprovar, a população ficava inconformada, a desaprovação era grande.

    Desde então há um discurso massivo a favor da reforma, inclusive do presidente eleito. Hoje, em pesquisas, a maioria já até acredita que será favorável à economia (muito embora é bastante provável que a grande maioria nem saiba como funciona o INSS).

    Com o FGTS é a mesma coisa, o povo hoje pode achar que é um direito intocável, mas ao ser bombardeado com informações negativas, pode topar mudanças na legislação tranquilamente.

    Antes a esquerda conseguia manipular melhor as massas, saía nas ruas, sindicatos enormes faziam propaganda, professores nas salas de aula... Mas hoje, além da mudança do pensamento em um aspecto geral, temos a internet a nosso favor, um meio de difundir informações muito mais eficaz.
  • Robert Santana  07/08/2019 19:03
    Velho, eu fico louco com isso, o quanto as pessoas são completamente ignorantes a respeito de tudo, acham que senso crítico é ficar assistindo jornal e reclamando de tudo. O cara defende as coisas com unhas e dentes e no final nem ele msm sabe explicar como funciona, apenas defende pq disseram a ele que é bom. Vejo gente defendendo FGTS com todas as forças e no final nem ela mesma sabe o que significa FGTS. E o pior é que pode se esguelar, desenhar, mostrar fatos, dados, explicar como funciona, fazer mímica e no final ela continua defendendo pq é um direito dela.
  • ed  05/08/2019 18:06
    "Todos os direitos trabalhistas são descontados do salário."

    Eis uma frase sublime, simples e que contém tudo o que qualquer ser humano deve saber sobre os direitos trabalhistas.
  • Pedro  05/08/2019 20:05
    Correto. Os ditos "benefícios" são aplaudidos pelo trabalhador porque ele tem a ilusão de que representam um acréscimo em seu rendimento ao final do mês. Ele não percebe que o valor de seu salário é determinado, em qualquer instância, pelo mercado de trabalho. O patrão concorda em desembolsar X pelo seu empregado, mas se esse X vai direto para o bolso do empregado, ou se será descontado Y para o bolso do governo, para o patrão tudo dá no mesmo. Foi o que aconteceu quando o 13o salário foi tornado obrigatório no início dos anos 60: o valor do salário em carteira diminuiu para acomodar 13 salários por ano, ao invés de 12. O mesmo aconteceu com o FGTS das domésticas.

    Enfim, é isso, sem tirar nem por: encargo trabalhista nada mais são do que dinheiro que sai do bolso do patrão e entra no bolso do governo sem fazer escala no bolso do trabalhador. Ou quando chega no bolso do trabalhador, é dali a muitos anos e devidamente depenado após longa escala em bancos estatais. Mas a ilusão é o que interessa: o empregado vê o governo como o paladino que vai defendê-lo da sanha do patrão ganancioso. Muitos dos países mais pobres do mundo têm amplos benefícios trabalhistas.
  • Diogo  05/08/2019 20:06
    Aqui nos Estados Unidos não há nada disso. O trabalhador recebe o salário-hora contratado. Não há o equivalente a FGTS, fim de semana remunerado, aviso-prévio, décimo terceiro, férias remuneradas et al. O impacto tributário na folha de pagamento é de 10 a 12% (IR, Medicare e Social Security).Quando se entra de férias, não se recebe salário, mas, o salário que se recebe dá para custear as férias, que normalmente são curtas.

    E quem vive melhor? O trabalhador daqui ou o do Brasil? A nossa faxineira chega de carro bom, tem apartamento próprio todo aparelhado e plano de saúde. Gostaria muito que alguns teóricos que advogam tantos impactos na folha de pagamento no Brasil passassem um período por aqui para ver como o "inferno capitalista" funciona. Aqui não se vai aos Shoppiing Center (Mall) somente para passear, mas para comprar. O povo todo compra, e muito.
  • Rene  05/08/2019 19:28
    Muitos economistas estão apontando os juros negativos da Europa como algo inédito na economia mundial: Vejam, as pessoas estão pagando para empresar dinheiro para os governos. Pois o governo brasileiro já faz isto com o FGTS a muito tempo. Se descontarmos a inflação, estamos pagando para emprestar dinheiro para o governo desde a década de 60. A diferença é que o Brasil faz a cobrança compulsoriamente e ainda diz para a população que é um direito.
  • Maurício  05/08/2019 20:15
    Trabalho na Caixa e sempre lidei diariamente com FGTS. O que posso dizer é que em muitos casos o custo operacional para liberar um FGTS quase sempre era maior que o próprio valor que o trabalhador recebia.

    Sou uns dos poucos que pensa que o Fundo de garantia não deveria existir, sendo que esta poupança compulsória deveria ser de responsabilidade do empregado e não do Estado. Assim como Abono salarial e outros benefícios deveriam não existir ou no mínimo ser revistos.

    Mas o que percebo é que as pessoas se acostumaram com isso e -infelizmente- a sociedade brasileira não tem capacidade de formar uma poupança ao longo de sua vida e transferiu esta responsabilidade para o Estado. Porém penso que deveríamos ter um choque cultural nesse sentido, deixando os indivíduos com a responsabilidade de administrar seus recursos.
  • Bruno Souza  05/08/2019 20:17
    Não existe cultura de poupança justamente porque o estado destruiu isso. Se não houvesse INSS, FGTS e serviços públicos essenciais, as pessoas seriam obrigadas a poupar, aprenderiam a poupar e a se planejar

    Infelizmente é difícil reverter isso, principalmente por vivemos em um ambiente democrático, onde prevalece o populismo

    Outra coisa, nossa cultura é distorcida, escolhas individuais, como ter filhos cedo, recaem como responsabilidade social. Se uma pessoa tem um ou vários filhos antes de ter construído uma carreira e um patrimônio, sendo incapaz de sustentar adequadamente seus filhos, ela não será vista como culpada pela sua situação, pelo contrária, será tratada como uma vítima da sociedade e do sistema econõmico.
  • J K  06/08/2019 01:11
    Um outro ponto de vista: Historicamente, e até os anos 90, o Brasil só produzia produto de baixo valor, indústria primária extrativista. País agrícola, celeiro do mundo, novato na indústria de petróleo, de automóveis, etc. Na agricultura, onde o uso intensivo de mão de obra significava a maior parte do custo de produção, os baixíssimos salários e a ausência de benefícios (Ainda hoje é um pouco assim) serviram à população para manter baixo o preço dos alimentos e Ainda assim, tínhamos uma quantidade de pessoas abaixo dos índices mínimos de segurança alimentar. Salário baixo = pouca poupança, e como não se conseguiu avançar na questão educacional, não se impulsionou a modernização do país.
    Termina que, no afã de formar alguma poupança, esses penduricalhos foram se tornando indispensáveis.
    Acho que o país tem uma nova chance agora, mas não concordo que se extinguam os benefícios, e sim que sejam incorporados aos salários. O patronato tem que lucrar para sobreviver, mas nada adianta se matarem os consumidores.
  • Estudante  05/08/2019 23:28
    A china vai ultrapassar os EUA como economia? O que vai acontecer?

    A esquerda toda esta louca com a China, defendendo desvalorização cambial (usando a china como exemplo e referência) e defendendo intervencionismo.

    O que vocês tem a dizer sobre tais posições? (China VS EUA, desvalorização cambial ajudando a China e o futuro da economia chinesa)
  • Professor  06/08/2019 01:28
    Quem defende que destruir o poder de compra da moeda (desvalorização) gera crescimento certamente estava hibernando durante o governo Dilma, quando o dólar saltou de R$ 2 para R$ 4,24. A economia afundou. E nem poderia ser diferente: não há economia forte com moeda fraca.

    Artigos inteiramente sobre isso:

    A empiria comprova a boa teoria: desvalorizar o câmbio piora a economia e reduz as exportações

    Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente

    Três consequências da desvalorização da moeda - que muitos economistas se recusam a aceitar

    O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade

    Bresser-Pereira nunca decepciona
  • J K  06/08/2019 16:11
    Mas a moeda é a fotografia da economia, e não o contrário.
  • Vladimir  06/08/2019 17:01
    Ao contrário: a economia vai de acordo com a moeda.

    Isso é lógica básica: se você não tem um meio de troca estável, você não tem como efetuar transações com este meio de troca. Sem ter um meio de troca estável, toda e qualquer transação se torna incerta, pois você não como calcular custos (logo, nem lucros e prejuízos). Daí toda a economia colapsa.

    Por outro lado, se você tem uma moeda estável, você se torna perfeitamente capaz de calcular e de fazer previsões. Suas transações se tornam muito menos incertas. Seus cálculos de custos (formação de preços, lucros e prejuízos) se tornam muito mais efetivos. Suas estimativas quanto aos valores futuros se tornam bem mais previsíveis.

    Tanto é que, em economias hiperinflacionadas, basta uma simples troca de moeda que tudo volta a funcionar literalmente da noite para o dia. Foi assim no Brasil com o real, foi assim com as economias do Leste Europeu. E tanto é que a hiperinflacionada Venezuela não tem nenhuma chance de se recuperar se mantiver sua moeda destruída.

    Se a moeda fosse consequência da economia, então nenhum país precisaria trocar de moeda. O Brasil poderia continuar até hoje com o Cruzado do Sarney...


    P.S.: na quarta-feira da semana passada, um dólar custava R$ 3,75. Hoje, apenas quatro dias úteis depois, custa R$ 3,98. Não aconteceu absolutamente nada na economia brasileira para justificar tamanha desvalorização. No entanto, pela sua lógica, a economia brasileira deve ter afundado para gerar tamanha desvalorização em uma semana...
  • Andre  06/08/2019 17:24
    Impor uma moeda forte e saudável em uma economia em hiperinflação resolve o problema de curto prazo mas se sua população for pouco afeita ao trabalho e adorar burocracias e benefícios estatais estragará tudo no médio prazo, Brasil e Argentina, tiveram excelentes planos de estabilização econômica nos anos 90 e estragaram tudo com suas propensões a gastarem mais do que ganham e burocratizarem tudo. Já os para padrões latinos disciplinados chilenos e peruanos vêm indo muito bem após seus respectivos planos de estabilização econômica.

    "P.S.: na quarta-feira da semana passada, um dólar custava R$ 3,75. Hoje, apenas quatro dias úteis depois, custa R$ 3,98."

    Nas palavras do Leandro Roque:

    "Em países com política fiscal irresponsável o cambio não cai, afunda"
  • J K  07/08/2019 02:30
    Concordo, André.
    Não adianta se impor uma moeda forte. Moedas se tornam fortes quando a economia vai bem e, como qualquer produto que sirva de reserva de valor, tornam-se cobiçadas. Tendo procura, tem valor.
  • Andre  06/08/2019 17:14
    Uma inundação de lucidez em tão poucas palavras, obrigado por compartilhar conosco seu dom da palavra.
  • anônimo  06/08/2019 01:29
    Detalhe: a moeda da China, ao contrário do que afirma a imprensa e Donald Trump, está em constante valorização em relação às outras. E desde 1995.

    Na prática, a China opera com um câmbio semi-fixo desde 1995: ora o renminbi se valoriza em relação ao dólar, ora se mantém fixo. Veja o gráfico.

    Foi só em 2014 que o dólar voltou a se fortalecer (em nível mundial), o que gerou uma inevitável desvalorização do renminbi em relação ao dólar. Não coincidentemente, a economia desacelerou fortemente desde então.

    Não existe mágica em economia. Não tem como você enriquecer destruindo sua moeda. Isso atenta contra a lógica básica. Se fosse assim, a Argentina seria uma potência. Isso é tão autoevidente que qualquer criança de 4 anos consegue entender.
  • J K  06/08/2019 00:50
    Parece que o governo quer mesmo é acabar com o fundo. Eu fiz uma pesquisa e encontrei dados de maio(?) de 2018, e o fundo teria um saldo de R$105 Bi, números "arredondados". Era algo como, os depósitos dos correntistas somavam R$ 430 Bi (esse é o valor que o fundo teria que devolver aos seus donos, os trabalhadores) e o saldo total do fundo cerca de R$ 535 Bi, fosse algo como R$ 345 Bi a receber de investimento imobiliário (acho que dinheiro em posse das construtoras para as obras), somado a participação do fundo em empresas do governo, valor garantidor, um pouco emprestado ao governo para obras de infra, enfim, como disse, R$ 105 bi sobrando.
    Depois eu achei um balanço de março/2019 e o saldo se reduziu a menos de R$ 60 Bi. Agora o governo vai distribuir nos saques R$ 25/30 Bi e fará distribuição de lucro e dividendos de uns R$ 10 Bi.
    Eles estão mesmo preparando para integrar ao salário o valor a recolher (~= 8,5% do salário) e deixar de gastar dinheiro com a burocracia na adm. do fundo, a despeito de gerar um lucro direto ao governo, depois de descontadas todas as despesas, mas não sei se estão querendo jogar a construção só para a iniciativa privada. Faz uma enorme diferença pegar dinheiro emprestado do Fundo/CEF e pegar num banco privado.
    Diga-se de passagem, a economia pode acelerar rapidamente se o governo incentivar a construção civil. Essa massa de dinheiro que estão tentando colocar em circulação equivale ao salário de 2,5 milhões de pessoas na construção civil.
  • Richard Stallman  07/08/2019 15:18
    A construção civil que se exploda. Se dessem R$ 50,00 para todos os brasileiros de todos os subsidios que a construção civil recebeu e recebe, seria melhor.
  • AGB  07/08/2019 20:43
    Excelente idéia, Juscelino Kubitscheck. Vamos construir outra Brasilia, agora na Amazônia.
  • GERHARD ERICH BOEHME  06/08/2019 13:00
    Concordo plenamente com os argumentos, todos corretos, porém está sendo feito no momento errado.

    Qualquer incremento de moeda ou de crédito no momento atual na economia irá somente produzir efeitos devastadores. Os mais pobres serão mais uma vez os mais penalizados.


    FGTS e as "trapalhadas" de sempre.
    Até tu Bolsonaro!
    ?????????????? ?????????? ????????????
    www.facebook.com/groups/229980247032599/permalink/2649003108463622/

    "A primeira vez que você vier a mentir e eu acreditar, a culpa será sua. A segunda, será minha." (Theodor Leberecht Oswald Bœhme)
  • Hugo  06/08/2019 14:21
    Não haverá incremento de moeda e crédito. Esse dinheiro do FGTS não está paradinho e guardadinho dentro de um cofre, esperando por sua liberdade. Quem afirma isso não entende absolutamente nada de setor bancário.

    Esse dinheiro já está "circulando" na economia, assim como o dinheiro do INSS (que é imediatamente repassado a terceiros).

    Logo, a CEF terá de vender ativos para restituir o dinheiro do FGTS para seus donos de direito. Não há criação de moeda.
  • Capital Imoral  06/08/2019 14:24
    Esse é o tipo de artigo que eu esperaria de gente que lê neste instituto. Pegamos a argumentação do garoto de apartamento para exemplificar a falta de realismo social dos neoliberais: "Considerando que são 63,2 milhões de pessoas com contas atrasadas. É provável que boa parte dessas pessoas tivesse os tais R$ 500 presos em uma conta de FGTS".

    Vocês perceberam o erro da argumentação? Ora, para refutar o artigo inteiro basta visitar um boteco de esquina e descobrir que pobre não gosta de pagar dívidas - mesmo tendo dinheiro. O garoto de apartamento pensa: "É só devolver R$ 500 ao trabalhador, que ele irá comprar uma calculadora HP e pagar as dívidas". Muito pelo contrário, trabalhador brasileiro, malandro como é, irá pegar esses R$ 500 e irá fazer um puta de um churrascão. Muito pagode, cerveja e novinha pra samba.

    Pobre só paga dívida quando é para agiota ou quando a polícia bate na porta cobrando pensão.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Keynesiano de carteirinha  23/09/2019 16:05
    Uma das muitas bolas fora dos Austríacos é achar que as ações humanos são precisamente previsíveis.
  • Vladimir  23/09/2019 16:27
    Hein?! Os austríacos dizem exatamente o contrário!

    Aliás, é exatamente pelo fato de o comportamento humano ser imprevisível, que é impossível matematizá-lo. É impossível modelar a economia por equações. Logo, é impossível fazer quaisquer previsões econômicas com base em econometria.

    Quem acredita que o comportamento humano é previsível são aqueles que pretendem matematizá-lo. E quem são essas pessoas? Keynesianos, neoclássicos e chicaguistas.

    Certifique-se de saber o básico sobre algo antes de criticá-lo. Senão você se passa por otário.

    O desastre da ciência econômica moderna e seus modelos que transformam indivíduos em equação

    Não é possível gerenciar a economia por meio de uma planilha eletrônica

    Uma observação sobre o uso da matemática na economia
  • 4lex5andro  06/08/2019 17:31
    Dois pontos positivos:

    - Descolar a antecipação de saque do FGTS de atos discricionários do governo vigente, ao mudar a ação para MP, com prazo para virar lei.

    - E restituir esse dinheiro para seu dono de direito, o empregado, mesmo que parcialmente. Um avanço impensável diante dos últimos governos do Brasil.


    Pode melhorar, é fato, mas ainda são méritos do governo atual e seus ministros, da economia e justiça, que tem tido uma gestão acima da média, em se tratando de Brasil.

    Se tentasse findar com o depósito totalmente, nas contas da CEF, muito do crédito já empenhado poderia resultar em até uma quebra (parcial ou total) da CEF, que é -de longe- o maior emprestador para o mercado imobiliário no país.

    Privatizar/vender a Caixa, é até desejável. De igual modo, os Correios e o BB, por exemplo.

    No entanto essa opinião é ainda restrita, e mesmo os meios de mídia, não informam o eleitor como deveria sobre os benefícios de menos uma estatal para justificar o esbulho.

    E nisso, o congresso (em sua grande maioria contrário ás privatizações) ainda teria mais munição pra sabotar quaisquer medidas do governo a partir daí.
  • Joao  06/08/2019 19:43
    Acho que ético e moral seria nem ter confiscado. Liberar o FGTS é uma questão de reparação.
  • Felipe Lange  07/08/2019 01:43
    Leandro, haverá um novo ciclo econômico de expansão no Brasil após essa redução na taxa SELIC? Por que chegou às mínimas históricas?
  • Andre  07/08/2019 11:46
    O Fernando Ulrich tem um canal no Youtube, lá ele explicou recentemente essa redução de juros no Brasil.
  • Felipe Lange  07/08/2019 17:19
    Eu vi. Mas eu prefiro o Leandro. É o maior conhecedor da economia brasileira da biosfera.
  • Leandro  07/08/2019 18:59
    Antes, a gente dependia das reformas internas. Agora, além delas, dependemos também do cenário externo.

    Ou seja, o desafio duplicou.

    De resto, não veja essa redução de juros como a solução. A SELIC já caiu de 14,25% para 6,50%. Não será uma nova queda de 6,50% para 5% que irá finalmente destravar a economia.

    Nossos problemas são outros. Impostos, moeda instável, mão-de-obra pouco produtiva, burocracia, regulamentações, infraestrutura e contas públicas desarrumadas contam muito mais do que um ponto percentual de redução na SELIC.



    P.S.: muito obrigado pelo imerecido e espalhafatoso elogio. Mas maneire nos barbitúricos. ;)
  • Demolidor  07/08/2019 06:30
    Se eu pudesse dar a meus clientes só 10% das desculpas e histórias da carochinha que o estado dá para nos tungar, já daria para eu viver encostado e feliz...
  • Menestrel da Podridão  07/08/2019 12:35
    Aqui a lógica hiberna,
    Impera a lei do capeta:
    O Estado te quebra a perna
    E te alegras co'a muleta?

    twitter.com/dapodridao
  • Pensando em investir no País  07/08/2019 13:15
    Pessoal, uma poupança forçada pelo governo, como o FGTS, não pode ser benéfica para o País, já que vcs defendem que é a poupança que gera prosperidade? Falo isso sem levar em conta a moralidade de obrigar alguém a poupar;
  • Eduardo  07/08/2019 14:14
    Não há poupança, meu caro. Em primeiro lugar, o dinheiro do FGTS vai para o governo gastar em projetos políticos. Em segundo lugar, o saldo do FGTS perde para a inflação de preços. Em terceiro lugar, não é voluntário.

    Ora, se algo é 1) imediatamente gasto pelo governo, 2) destruído pela inflação e 3) não é voluntário, então isso não é poupança.

    É confisco, puro e duro.

    Se fosse poupança, então um assalto seguida do devolução de apenas parte do que foi roubado também seria poupança.
  • xupita  07/08/2019 15:18
    Pessoal do Mises.org.br,

    Assistam ao filme "Afterimage" (2016).

    Tema:
    É um filme bom sobre como o governo comunista polonês de 1948 maltratou um dos maiores artistas plásticos poloneses de todos os tempos, Wladyslaw Strzeminski, um dos primeiros a fazer arte de vanguarda na Polônia.

    Sinopse:
    O governo comunista de 1948, do Partido dos Trabalhadores Unidos da Polônia, queria impor o uso da arte, Realista Socialista - em polonês: Socrealizm, para propagandear o comunismo.
    O artista Wladyslaw Strzeminski era contra o governo comunista e a imposição de qualquer arte nele; queria liberdade para criar.

    Assim sendo,
    O artista Wladyslaw Strzeminski foi perseguido pelo Ministro da Cultura comunista, Wlodzimierz Sokorski.
    Ele foi demitido da Escola Nacional de Belas Artes em que trabalhava.
    Foi demitido de todos os outros empregos pelo governo.
    Foi expulso da Associação de Artistas Polonesa, sendo que ele a fundou; e não poderia mais comprar material de pintura, pois o governo só permitia a compra de quem tivesse a carteira da associação.
    Não obteve vale-alimentação do governo nem de empregadores que o demitiam (único modo de comprar comida na época, além de dinheiro e escambo).
    Teve obras quebradas, roubadas e desapropriadas pelo governo comunista.
    Foi impedido de fazer novas obras pela censura do governo.
    Foi expulso do museu e sua sala de exposição foi fechada e quebrada.
    O artista Wladyslaw Strzeminski morreu doente, faminto, desempregado e pobre.

    Destaques sobre o filme:
    -- Diretor, Andrzej Wajda: Excelente. Ganhou Oscar, Leão de Ouro, Palma de Ouro, Urso de Ouro. Vários filmes indicados a melhor filme estrangeiro. Agregou muito para a identidade cultural polonesa.
    -- Ator protagonista, Boguslaw Linda: Interpretação excelente, madura e simples.
    -- Produção: Boa fotografia, bom ritmo (nada acelerado nem contemplativo), bons figurinos, boa história.
    -- Roteiro: Trata da fase final da vida do artista plástico, com viés anticomunista no filme.

    Wikipédia:
    Sobre o filme:
    -- en.wikipedia.org/wiki/Afterimage_(film)
    -- pt.wikipedia.org/wiki/Powidoki

    Sobre assuntos anexos:
    -- Diretor, Andrzej Wajda: en.wikipedia.org/wiki/Andrzej_Wajda
    -- Artista biografado, Wladyslaw Strzeminski: en.wikipedia.org/wiki/W%C5%82adys%C5%82aw_Strzemi%C5%84ski
    -- Ditadura comunista na época de 1948, República Popular da Polônia: en.wikipedia.org/wiki/Polish_People%27s_Republic
    -- Arte comunista governamental imposta na época de 1948, Realismo Socialista (socrealizm): en.wikipedia.org/wiki/Socialist_realism_in_Poland
    -- Partido do governo na época de 1948, Partido dos Trabalhadores Unidos da Polônia (de 1948 à 1989): en.wikipedia.org/wiki/Polish_United_Workers%27_Party
    -- Ministro da Cultura comunista de 1948, Wlodzimierz Sokorski: en.wikipedia.org/wiki/W%C5%82odzimierz_Sokorski
    -- Primeiro Ministro Polonês na Época de 1948, Józef Cyrankiewicz: en.wikipedia.org/wiki/J%C3%B3zef_Cyrankiewicz

    Trailer (legendado em pt-br):
  • Pedro  07/08/2019 16:40
    O que vocês acharam da proposta de pacto federativo proprosto por Guedes? Vocês tem artigos sobre o caso?
  • Emerson Luis  30/08/2019 13:36

    O FGTS (assim como o 13º) não é um dinheiro a mais que o empregado recebe, é um dinheiro a menos que ele deixa de receber agora para só receber depois e desfasado.

    * * *



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