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Escolha a métrica que quiser: a pobreza mundial desabou nas últimas décadas
Ignore os pessimistas: vivenciamos a maior redução da pobreza na história da humanidade

A pobreza extrema em todo o planeta castigava 1,894 bilhão de pessoas em 1990 (equivalente a 35,8% da população mundial da época). Em 2015, esse número já havia caído para 735 milhões (equivalente a 10% da população mundial).

Mas o que realmente chama a atenção não é o fato de que, em termos absolutos, há hoje 1,159 bilhão a menos de pobres extremos no mundo, mas sim o fato de que, se a taxa de pobreza extrema vigente em 1990 tivesse se mantido (35,8%), o planeta teria hoje 2,633 bilhões de pessoas na pobreza extrema (1,9 bilhão a mais do que realmente há).

E isso merece ser ressaltado: o número de pessoas na pobreza extrema caiu ao mesmo tempo em que a população mundial aumentou. A porcentagem da população mundial que vive na pobreza extrema está em queda livre mesmo havendo cada vez mais pessoas no mundo.

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Porcentagem da população mundial na pobreza extrema. Fonte: Banco Mundial.

Especificamente, o período 1990-2015 foi o de maior redução da miséria na história da humanidade: a cada ano, uma média de 46,36 milhões de pessoas saíram da pobreza (mais de 125 mil por dia ou quase 5,3 mil por hora). Alternativamente, podemos dizer que uma média de 105,3 milhões de pessoas saíram e evitaram entra na pobreza a cada ano durante o último quarto de século (quase 290 mil pessoas por dia ou 12 mil pessoas por hora).

Embora todos esses números já sejam relativamente bem conhecidos, em várias ocasiões tendemos a nos esquecer deles quando adotamos uma visão excessivamente pessimista sobre o estado do planeta, motivo pelo qual os assim rotulados "novos otimistas" — Steven Pinker, Bill Gates e Max Roser — tratam insistentemente de nos recordar qual é a autêntica realidade destas cifras.

Voltam os pessimistas

Entretanto, nos últimos dias, o antropólogo Jason Hickel sugeriu que tamanho otimismo é bastante injustificado, pois nossos padrões de pobreza são demasiadamente tíbios: dado que a linha da pobreza extrema é definida em 1,90 dólar por dia (apenas 700 dólares por ano), tomar como referência de pobreza este valor supõe ter como aceitáveis situações paupérrimas pelo simples fato de as pessoas estarem ligeiramente acima desta linha divisória.

Com efeito, e de acordo com Hickel, se tomarmos linhas de pobreza mais elevadas — por exemplo, 7,40 dólares por dia, ou seja, 2.700 dólares por ano —, chegaríamos à desestimulante conclusão de que, embora a porcentagem de pobres tenha reduzido, o número absoluto de pobres aumentou: em 1990, era de 3,783 bilhões de pessoas; já em 2015, subiu 4,113 bilhões de pessoas.

Ou seja, adotando linhas de pobreza mais razoáveis, o número global de pobres não apenas não reduziu, como, ao contrário, aumentou durante os últimos 25 anos — em decorrência exclusiva do aumento do número de pessoas no planeta.

Antes, vale reconhecer que a reprimenda de Hickel é parcialmente correta: é verdade que não deveríamos cair no triunfalismo e na autocomplacência pelo simples fato de as cifras da pobreza extrema terem se reduzido enormemente se, no entanto, os algarismos da pobreza não tão extrema mostram apenas algum sinal de melhoria.

Porém, o juízo de Hickel é desnecessariamente negativo: é verdade que ainda há muito por fazer, mas também é verdade que já avançamos bastante.

A realidade dos números

Ao fim e ao cabo, a redução da taxa de pobreza ao redor do globo não depende de a definirmos de maneira excessivamente restritiva: não importa como você define a pobreza, o fato é que ela se reduziu entre 1990 e 2015.

Sim, é verdade que, quanto mais baixa for a linha de referência, maior terá sido a queda da pobreza. Entretanto, ainda que muitos indivíduos que conseguiram escapar das situações de extrema pobreza durante os últimos 25 anos não tenham conseguido ascender a cotas muito mais altas de prosperidade, isso não significa que a redução não tenha sido generalizada.

Por exemplo: se estabelecemos a linha de pobreza em 3,20 dólares por dia (1.168 dólares por ano), a taxa de pobreza cai de 55,1% em 1990 para 26,2% em 2015.

Se a colocamos em 5,50 dólares por dia (2.007 dólares por ano), esta cai de 67% para 46%.

E se a colocamos em 15 dólares por dia (5.475 dólares por ano), cai de 80,8% para 74,6%.

pobreza-mundial.jpg

Taxa mundial de pobreza para limiares distintos — Fonte: Banco Mundial

Ou seja, a porcentagem da população mundial na pobreza extrema cai não importa o valor do umbral escolhido.

O que acontece para alguns valores, entretanto — e é que o ocorreu para o valor escolhido por Hickel —, é que, embora o percentual tenha caído, a quantidade de pessoas no mundo aumentou. Consequentemente, um percentual menor em 2015 engloba um número muito maior de pessoas do que um percentual maior em 1990.

Mas isso é o de menos. O principal ponto vem agora.

Como já dito, é óbvio que muitos daqueles que ganhavam menos de 1,90 dólar por dia em 1990 ainda terão de vivenciar um enorme aumento da renda para ultrapassar os limites de US$ 7,40, de US$ 10 ou de US$ 15 por dia.

Imagine um país com 100 habitantes e uma renda per capita de 1 dólar por dia (US$ 365 por ano): seu PIB seria de 36.500 dólares. Para que esse país passe a ter uma renda per capita média de 15 dólares por dia em um período de 25 anos (PIB de 547.500 dólares), a economia teria de se multiplicar por 15, ou seja, teria de vivenciar um crescimento médio anual de 11,4%.

E isso supondo que a população não aumente em nada neste período. Se, em vez de 100 habitantes, passasse a haver 150 habitantes, o PIB teria de subir para 821.250 dólares para alcançar uma renda per capita de 15 dólares diários. Ou seja, seria necessário um crescimento anual médio de 13,2%.

Estabelecer padrões tão desproporcionais e desarrazoados de crescimento não é nada realista. A redução da pobreza é um processo acumulativo e de longo prazo, e o que realmente importa é que estamos indo na direção correta.

Veja o Vietnã

Tomemos como exemplo prático o bem-sucedido caso do Vietnã. Em 1992, 52,9% de sua população vivia com menos de US$ 1,9 por dia. Em 2016, apenas 1,96% da população estava nestas condições — não obstante a população ter crescido 33%.

Igualmente, em 1992, 94,4% de seus cidadãos viviam com menos de US$ 5,5 por dia. Em 2016, a tal taxa já havia caído para 28,7%.

Finalmente, em 1992, 99,6% da população vivia com menos de US$ 15 por dia. Em 2016, tal porcentagem estava ainda era de altos 86,2%.

O que nos leva à pergunta: do fato de que não tenha havido uma redução substantiva na pobreza se a mensurarmos pelo limiar de US$ 15 dólares por dia, seria correto concluir que nos últimos 25 anos não ocorreu uma melhora extraordinária e sem precedentes na qualidade de vida dos vietnamitas? É evidente que não.

Conclusão

Ainda há muito por fazer, mas o que foi conseguido em tão pouco tempo é espetacular.

Vale lembrar que o modo padrão durante a maior parte da história humana sempre foi a pobreza. A pobreza sempre foi a norma e a condição natural e permanente do homem ao longo da história do mundo. E esta se manifestava em conjunto com todos os seus problemas.

Hoje, uma pessoa sai da pobreza extrema a cada segundo, graças a melhores sistemas econômicos, a um maior conhecimento adquirido, e a melhores e mais baratas tecnologias, as quais já chegam a quase todas as áreas do globo. Cada vez mais pessoas têm uma expectativa de vida maior e vivem com mais saúde e com mais conforto em relação a qualquer outro período da história humana.

A qualidade global de vida é hoje melhor do que jamais fôra em outras eras.

Em definitivo, ainda que seja verdade que o mundo continua repleto de pobres (de pessoas quem vivem em condições que julgaríamos absolutamente inaceitáveis no Ocidente), temos vivenciado em 25 anos um processo titânico de redução da pobreza em escala global.

Não é motivo para cairmos no triunfalismo vão, mas também não há razões para aceitarmos o pessimismo martirizador.

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26 votos

autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Thiago  11/02/2019 16:37
    O que ainda segura os números da pobreza global é a África (até mesmo na América Latina, Venezuela a parte, as coisas estão melhorando). O problema é que na África não tem condições mínimas de segurança e justiça para que a integridade física das pessoas e a acumulação de bens sejam respeitadas. Isso é condição necessária para o livre-mercado.

    No meio de tanta barbárie, a única coisa que eu acho que resolveria seria um ajuste a la Cowperthwhaite.
  • Luis  11/02/2019 16:41
    Dúvida: estudando Schumpeter e lendo os artigos daqui já entendi bem que o que causa o aumento da renda per capita é o aumento da produtividade. E sei que o que causa o aumento da produtividade é o desenvolvimento tecnológico. Mas o que causa o desenvolvimento tecnológico: educação das pessoas ou competição entre empresas (ou países)?
  • Alfredo  11/02/2019 16:47
    Acúmulo de capital. É ele que vai permitir que empresas invistam no aumento de produção (o que aumenta a riqueza per capita), na melhoria da qualidade da mão de obra (o que melhora o capital humano) e na intensificação da concorrência.
  • George  11/02/2019 16:54
    Sim, mas acúmulo de capital também não explica tudo. Idéias e conhecimento são cruciais.

    O que efetivamente cria a riqueza - e por que muitas pessoas são contra isso
  • Imperion  11/02/2019 19:13
    O desenvolvimento tecnológico melhora a produtividade de diversas áreas, isso estimula as pessoas a produzirem mais pra consumir. A palavra desenvolvimento vem de desenvolver, criar, por exemplo um cientista analisando o que está ao seu alcance (todo conhecimento de então) cria algo novo, que muitas vezes é um processo baseado em anteriores que é mais eficiente. Com esse processo vc tem um bem de capital novo que permite mais saltos de produtividade.

    Melhores processo de obtenção de energia, por exemplo , aumentam a oferta desta, consequentemente baixando o custo da energia, promovendo mais prosperidade a todos. Um produtor que necessita de energia elétrica vai poder comprar mais energia, e como energia é a capacidade de realizar trabalho, ele vai realizar mais, vai produzir mais.

    Cada produto que o homem inventou pode ser aperfeiçoado através das engenharias, cuja educação ensina a melhor projetar novas coisas.

    E isso cria uma demanda educacional no local. Se produtos vão melhorando, são necessários mais pessoas capacitadas pra produzir e criar mais.

    A educação permite produzir mais, e produzir mais cria demandas de prosperidade que exigem que se invista em mais educação, pois é um ciclo virtuoso.

    O desenvolvimento tecnológico precisa de investimento em bens de capitais, investimento em desenvolvimento de novos produtos e processos e consequentemente educação pra ter mão de obra pra fazer tudo isso.
  • Imperion  11/02/2019 19:10
    A competição é um elemento de alavancagem, o medo que outro faca e depois fique forte faz com que vc faca tambem, e isso direciona investimentos para a area , tanto educacional quanto de desenvolvimento.
  • Flávio Ferreira  11/02/2019 23:03
    "Mas o que causa o desenvolvimento tecnológico: educação das pessoas ou competição entre empresas (ou países)?"

    Prezado Luis,

    De acordo com Joel Mokyr, o principal fator é uma mudança cultural na qual a produção de conhecimento útil passa a gozar de grande prestígio entre a elite intelectual. Você encontra uma resenha do livro dele aqui.

    Matt Ridley, por sua vez, sugere que a expansão do comércio envolvendo a cooperação/competição entre milhares de indivíduos é um fator crucial. Confira o livro dele aqui.

    Finalmente, indo um pouco além da sua pergunta, o desenvolvimento tecnológico é um dos fatores, dentre outros, que acarretam a prosperidade econômica, como muito bem destacado por Hans-Hermann Hoppe neste artigo.
  • Metallion  12/02/2019 11:19
    Atribuir o aumento de riqueza a uma melhoria de cultura contraria as evidências mais elementares. Basta tomar o vilão-mor, os EUA, como exemplo. A sua cultura mudou em muitos aspectos para pior, mas isso não os empobreceu, muito pelo contrário.

    O problema é que é bonito dizer que é uma mudança cultural, ainda que seja um argumento errado.

    Não caia na bobagem progressista de culpar a cultura de um povo por seu fracasso econômico. É o acúmulo de riqueza que permite sair da pobreza, e é o governo que atrapalha esse acúmulo, ponto.
  • Flávio Ferreira  12/02/2019 17:28
    Prezado Metallion,

    Levando-se em conta que o seu comentário parece ter se dirigido ao meu comentário, farei as seguintes considerações.

    Não caia na bobagem progressista de culpar a cultura de um povo por seu fracasso econômico.

    Concordo plenamente, se o seu argumento for o mesmo utilizado por Leandro Narloch neste artigo.

    Atribuir o aumento de riqueza a uma melhoria de cultura contraria as evidências mais elementares.

    Você não acha que é um pouco de soberba realizar tal afirmação, sem ao menos estudar as obras que apontam mudanças culturais como um importante fator para o desenvolvimento tecnológico e, consequentemente, para o aumento da riqueza? Para obter um primeiro e superficial contato com o assunto, basta clicar no link que eu coloquei no comentário acima, que contém uma resenha do livro de Joel Mokyr. Leia também com atenção o artigo de Hoppe disponível no site deste Instituto, cujo link também foi disponibilizado no comentário acima.

    Além disso, é bom deixar claro que é possível ocorrer crescimento econômico, mesmo em uma sociedade que não possua uma cultura notavelmente inovadora, através da cópia de inovações alheias, como argumentado por Edmund Phelps.

    Basta tomar o vilão-mor, os EUA, como exemplo. A sua cultura mudou em muitos aspectos para pior, mas isso não os empobreceu, muito pelo contrário.

    Gostaria de fazer duas considerações.

    Primeiro, um avanço no caminho para a servidão, com maiores intervenções estatais, não provoca um colapso da economia da noite para o dia. Mas tais intervenções cobram o seu preço. Vide Phelps, link fornecido acima. Ver também, de forma bem minuciosa, a descrição de Lawrence H.
    White
    de como as ideias econômicas interagiram com as políticas públicas, para o bem ou para o mal, nos últimos cem anos.

    Segundo, os EUA ainda possuem um elevado índice de liberdade econômica.

    É o acúmulo de riqueza que permite sair da pobreza, e é o governo que atrapalha esse acúmulo, ponto.

    Sim, de fato, o acúmulo de riqueza (mais precisamente: o investimento em bens de capital, possibilitado pela poupança) é um dos principais fatores para se sair da pobreza. Sim, de fato, o governo atrapalha esse acúmulo.

    Mas daí afirmar que "uma mudança cultural (...) seja um argumento errado" como um dos elementos causadores da prosperidade econômica vai uma longa distância. É uma afirmação dogmática e simplista, incapaz de explicar fenômenos sociais complexos.
  • Roberto  11/02/2019 17:01
    Quem se importa com a lógica? Com os fatos? O que vale é a emoção. E em termos de emoção fazer arranca rabo de classe por causa da desigualdade é muito mais excitante do que apenas falar da redução da pobreza. Explore o ressentimento, explore a desigualdade de pouca gente ficando muito rica e muita gente ficando rica, mas não na mesma proporção. Dane-se a pobreza. O que interessa para demagogos é o poder. Os liberais vão perder sempre.

    P.S.: por isso, no Brasil, ideias liberais, caso algum dia sejam implantadas, não ficarão muito tempo em prática.

    P.P.S.: e não dou duas eleições para os EUA elegerem um(a) presidente abertamente socialista.
  • Chandler  11/02/2019 17:10
    Bom, não sei quanto aos EUA, mas ao menos aqui no Brasil o que teremos eternamente é um feijão com arroz. Nunca iremos para o socialismo venezuelano ou cubano, mas também nunca iremos para o capitalismo suíço ou honconguês.

    Ficaremos sempre em cima do muro. Prosperaremos em relação aos nossos vizinhos mais socialistas (Equador, Bolívia, Venezuela e Argentina), mas ficaremos para trás em relação ao resto do mundo.

    Há o lado bom desta nossa inércia: jamais seremos Cuba ou Venezuela. Mas há o lado ruim: jamais seremos desenvolvidos.
  • Humberto  11/02/2019 17:13
    Besteira, o futuro é de abundância. E quanto maior a abundância e o progresso, menos as pessoas vão defender socialismo. Os próprios milleniums, que se dizem socialistas, jamais durariam um dia na Venezuela. Eles não defendem aquilo. Querem apenas uma vida mais mansa (ter muita coisa sem ter de produzir nada em troca). Com o tempo, com a idade, vão entender como o mundo funciona e vão mudar de ideia. Basta arrumar o primeiro emprego.

    Esses dias vi um vídeo sobre inteligência artificial e fiquei abismado com a utilização da IA na produção, no tratamento de saúde, na locomoção, na construção etc. Isso fará com que os custos das coisas desabem. Custos baixos mais abundância de coisas é igual a maior padrão de vida. Ninguém irá se opor a isso. Haverá alguma resistência no início, mas só.


    P.S.: hoje, quando as pessoas defendem "socialismo", elas estão na verdade pensando nas sociais democracias da Suécia e da Dinamarca (otárias que são em acreditar que aquilo é socialismo), e não em Venezuela ou Cuba. Isso já é um avanço.

    Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

    Cinco fatos sobre a Suécia que os social-democratas não gostam de comentar
  • Lacalle  11/02/2019 18:10
    Essas pessoas gostam de fazer escarcéu e ressaltar a desigualdade como o maior problema de todos (em vez de abordarem a pobreza absoluta e maneiras de permitir um maior crescimento econômico) simplesmente porque precisam de justificativas para criarem novas intervenções. Perceba que elas nunca interessadas em debater como continuar o processo de enriquecimento das pessoas. Intervencionistas, por definição, não querem que os pobres sejam menos pobres; querem apenas que os ricos sejam menos ricos. Para elas, o objetivo é manter o aparato estatal plenamente operante, e não torná-lo desnecessário.

    Mas é até compreensível essa mudança de foco: afinal, se o mundo erradicar a pobreza, acabou o trabalho dos burocratas.

    Os únicos prejudicados por essa efetiva redução da pobreza que vem ocorrendo ao redor do mundo são os burocratas cujas carreiras dependem exatamente da existência de pobres, pois só assim eles podem defender suas políticas intervencionistas (quase sempre em benefício próprio). Esses são os "pobristas", os reais defensores da pobreza, os "redistributivistas do nada".

    Ao contrário do que os defensores da repressão fiscal dizem, o capitalismo não se beneficia da pobreza. São a burocracia e o intervencionismo que se "beneficiam" da existência de pobres.
  • Wilson  11/02/2019 18:45
    Detalhe: as pessoas mais ricas do mundo (que são tão vilipendiadas e ameaçadas de "tributação punitiva") possuem sua riqueza quase que exclusivamente na forma de ativos, principalmente ações e instalações industriais. Agora me digam: como é que vão "redistribuir" isso? Vão roubar 20% das ações por ano? Vão confiscar os maquinários e os bens de capital? As ações e os maquinários serão redistribuídos para os pobres? Como os pobres irão usá-las?

    A obsessão da esquerda com a riqueza alheia não é nem questão de inveja, mas sim de patologia.
  • Imperion  11/02/2019 20:12
    Fizeram isso na venezuela, confiscaram os bens de capital pra redistribuir, daí os produtores pararam de produzir a agora tem crise de desabastecimento.

    É só jogar na cara dessas pessoas esse exemplo de como o confisco é so roubo mesmo. Se ninguém produzir, a economia acaba mesmo. Confisquem as terras, mas nãonao se come terra, se come o que é produzido nela e sobra. Se o produtor não pode ganhar com sua produção, ele só vai plantar pra comer e pra mais ninguém.
  • Copyright  11/02/2019 18:53
    A prova cabal de que o discurso da desigualdade é totalmente insensato é que os números podem ser legalmente alterados. Como?

    1. Crie regiões do tamanho de bairros

    2. Calcule o índice Gini para cada região

    3. Calcule a média das regiões

    Pronto, a desigualdade estará automaticamente reduzida. E legalmente. A pobreza, é claro, continua inalterada, mas a desigualdade deixou de ser "alarmante". Só com isso você já entende por que essa neurose com "desigualdade" é uma completa besteira. Ignora-se o essencial (pobreza) e perde-se tempo com o circunstancial (quanto que Abílio Diniz tem a mais no banco do que eu).
  • Hélio Schwartsman  11/02/2019 18:56
    O historiador Walter Scheidel (Stanford) decidiu olhar para o passado em busca daquilo que realmente faz com que a renda seja mais bem distribuída e concluiu que só grandes catástrofes sociais dão conta da missão –e mesmo assim apenas por tempo limitado.

    O resultado de suas pesquisas está em "The Great Leveler" (a grande niveladora). Ao longo de mais de 500 páginas, ele mostra com muita erudição histórica que a tendência geral das sociedades, desde a Idade da Pedra até hoje, é concentrar riqueza e que essa orientação só é revertida de forma um pouco mais perceptível em situações extremas das quais queremos manter total distância. Não é uma coincidência que o autor chame as forças niveladoras que identificou de quatro cavaleiros do apocalipse.

    Continua.

    www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2017/06/1891959-igualdade-ou-morte.shtml
  • Imperion  11/02/2019 19:16
    É só perguntar se ele quer fazer tudo igual ao outro, se arriscar e trabalhar igual ao outro, que essa igualdade some. Quem fala isso quer receber igual ao outro, mas não sofrer igual ao outro.
  • João Girardi  11/02/2019 17:39
    Tinha um artigo aqui no IMB que falava do Bernie Sanders indignado que a internet na Romênia era melhor que nos EUA, não estou encontrando, foi deletado? Se não foi, alguém por gentileza poderia postá-lo aqui? Desde já agradeço.
  • Leitor  11/02/2019 17:45
  • Humilde investidor  11/02/2019 17:54
  • Alexandre Ferreira  11/02/2019 19:03
    Pode ser, mas ainda falta muito para as coisas melhorarem definitivamente. Concordo que não podemos ser só pessimistas, mas ainda não podemos estourar o champanhe. Ainda temos ainda uma enorme porcentagem de favelados que com seus celulares inteligentes, moram em barracos que não possuem um mínimo de saneamento básico, em favelas onde o esgoto corre a céu aberto, contaminando as crianças que estão a brincar. Enfim, infelizmente falta muito. Concordo que a aquisição de bens domésticos de uso diário, como fogão, geladeira, lavadora, TVs, PCs e etc, foi enormemente disponibilizado aos pobres nas últimas décadas. Mas eles ainda sofrem muito pela falta de moradia digna.
  • Guilherme  11/02/2019 19:10
    Ué , e "curiosamente", todas as deficiências que você citou decorrem exatamente de serviços fornecidos monopolisticamente pelo estado.

    Repare: apesar dos altos impostos, das regulamentações, da burocracia e das barreiras contra importações, não existem no Brasil empresas estatais monopolistas fabricantes de TV's, geladeiras, micro-ondas, smartphones, carros, móveis e imóveis.

    Por outro lado, serviços como saneamento, polícia, água, coleta de lixo são prestados por estatais monopolistas protegidas contra qualquer concorrência.

    (No caso do lixo, o serviço é geralmente feito por empresas privadas, que obtêm uma concessão monopolista dos governos locais).

    E então vem a pergunta: entre estes dois arranjos, qual é aquele ao qual os pobres conseguem ter acesso?

    Os pobres, segundo você próprio, têm acesso abundante, farto e cada vez mais barato aos produtos criados pelo mercado. Já os produtos que são ofertados pelo estado, a coisa na melhor das hipóteses está estagnada.

    E ainda tem nêgo dizendo que precisamos de mais estado...
  • thiago  12/02/2019 10:39
    Você poderia definir o que é uma "moradia digna"?
  • Raquel  12/02/2019 14:20
    Opções existem meu caro,patético é tratar o favelado como coitado e vítima do sistema.
    Pergunte a um favelado que more no Vidigal ou na Rocinha,favelas que estão no coração da zona sul do Rio,se querem ir morar na Baixada Fluminense?O aluguel na baixada é bem mais em conta,e por incrível que pareça,considero a baixada menos violenta que a capital.Eu fiz isso a minha vida toda,e minha mão não caiu,todo santo dia,trajeto baixada-capital.
    Mas nego quer dar uma de esperto e morar perto da praia(e do trabalho),pagando pouco.
  • João  12/02/2019 10:45
    15 dólares por dia não é um valor tão baixo, na realidade é bem maior que o salário minimo brasileiro.


    * * * * *
  • Barroso  12/02/2019 12:54
    E se cada habitante for obrigado a pagar a enorme dívida mundial per capita como é que fica?
  • Bruno Nogueira de Oliveira  12/02/2019 14:38
    Impressão minha ou um fator muito importante nesses cálculos foram desconsiderados: a inflação?

    1,90 dólares em 1990 compra as mesmas coisas que 1,90 dólares hoje?
  • Yuri  12/02/2019 14:45
    Esses valores são corrigidos pela inflação. Chama-se correção pela paridade do poder de compra. Isso é coisa óbvia em qualquer estudo econômico. Tão óbvio que até mesmo os burocratas do Banco Mundial sabem disso.


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