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Trump está certo: o governo brasileiro proíbe o povo de importar bens baratos e de qualidade
O objetivo é proteger grandes empresas e grandes sindicatos; mas as consequências são nefastas

Você sai de casa e se dirige ao supermercado. A decisão de ir ao supermercado "A" em vez de ir a qualquer outro supermercado, quitanda ou mercearia está relacionada à comodidade oferecida pelo estabelecimento, aos preços ali praticados, à qualidade dos produtos e à variedade que consigo encontrar.

No caminho, dois indivíduos o assaltam. Agarram seus braços à força e lhe mandam ficar quieto e não reagir. Garantem que nada de ruim irá acontecer caso você faça exatamente o que ordenarem. 

Entre empurrões e ameaças, você é forçosamente conduzido a outro lugar, o qual se parece bastante com o supermercado a que você se dirigia; porém, você imediatamente percebe que não é o mesmo. 

Ali também há alimentos e bebidas, produtos de limpeza e decoração, e até mesmo a área de comida pronta para levar.  No entanto, você não vê a mesma qualidade, a mesma variedade, e nem os mesmos preços baixos. 

Os assaltantes que arrastaram você até ali lhe explicam que aquela é a melhor qualidade que se pode conseguir com os insumos e mão-de-obra disponíveis localmente, que os preços estão os mais baixos possíveis, e que, ademais, ao comprar neste supermercado, você está prestando um grande serviço a todos que ali trabalham e a todo o bairro ao redor.

Pergunta óbvia: se este supermercado é tão fabuloso quanto garantem os assaltantes, por que tiveram de obrigar você a entrar nele? Se ele realmente fosse superior e vantajoso, você iria voluntariamente optar por comprar nele.

Por mais exagerado que o exemplo acima possa parecer, é exatamente isso o que ocorre sob o protecionismo. Mediante vários empecilhos às importações — os quais podem ocorrer na forma de tarifas de importação, taxas de câmbio artificialmente elevadas, ou variadas formas de restrições burocráticas —, o governo tenta frear a entrada de produtos estrangeiros, desta maneira favorecendo deliberadamente os produtos nacionais, à custa dos consumidores.

Com efeito, é isso o que ocorre no Brasil. Mas, felizmente, alguém de peso apontou essa excrescência, e em nível mundial.

O Brasil "é uma beleza"

O presidente americano Donald Trump, durante uma coletiva na Casa branca, criticou as relações comerciais dos EUA com o Brasil.

Segundo ele, empresas e produtores americanos têm grandes dificuldades de exportar produtos para o Brasil, tamanhas são as tarifas de importação brasileiras, bem como enormes são as exigências burocráticas e regulatórias.

Disse ele, respondendo a uma pergunta sobre as relações comerciais com a Índia:

A Índia cobra tarifas tremendas, e os presidentes anteriores nunca falaram com a Índia. [...] O Brasil é outro exemplo. É uma beleza. Eles cobram de nós o que querem. Se você perguntar a algumas empresas, elas dizem que o Brasil está entre os mais difíceis do mundo, talvez o mais difícil. E nós não os chamamos e dizemos 'ei, vocês estão tratando nossas empresas injustamente, tratando nosso país injustamente'.

Dizer o quê? Trump está certo. Nós brasileiros somos proibidos pelo governo de importar produtos baratos. E isso é um fato mundialmente reconhecido.

Segundo a Câmara Internacional de Comércio, o Brasil é a economia mais fechada do G-20 e uma das mais protecionistas do mundo. Em um ranking das 75 maiores economias do mundo, que representam quase a integralidade do comércio internacional, o Brasil aparece apenas na 68.ª posição entre os mais abertos. Apenas oito países seriam mais fechados que o Brasil, entre eles potências como Quênia, Paquistão e Venezuela.

Ao passo que a média de importações dos países do G-20 é de 27,5% do PIB, o Brasil importa apenas 14% do PIB. A coisa é tão bizarra que, em relação ao PIBimportamos e exportamos menos do que Cuba, país que vive um bloqueio econômico.

Bizarrices tropicais

Aquilo que sempre foi ruim piorou ainda mais durante o governo Dilma. Com a justificativa de estar "estimulando" a indústria, o governo praticamente fechou os portos e aumentou as alíquotas de importação de praticamente todos os produtos estrangeiros: automóveis, pneus, produtos têxteis, calçados, brinquedos, lâmpadas, sapatos chineses, tijolos, vidros, vários tipos de máquinas e até mesmo de produtos lácteos.

Um recente exemplo deste nosso disparate aconteceu com o aço: as chapas grossas de aço carbono não são fabricadas no Brasil e têm alíquota de importação de 12%, uma completa insanidade. Durante um período de 2014, a alíquota foi reduzida de 12% para 2%. Mas isso durou apenas 180 dias. Expirado o período, as alíquotas voltaram a subir para 12%. E, em janeiro de 2016, quiseram elevar para 24%, o que seria fatal para empreendedores que necessitam de bens de capital tão cruciais quanto tratores. Felizmente, a sandice não foi adiante, e as tarifas continuam em "apenas" 12%.

Para você, consumidor, este excelente site tem uma calculadora que permite você calcular, por estado, quanto irá pagar de tributos ao importar um bem. Por exemplo, se você mora no estado de São Paulo e decidir importar, via Courier, um produto que custa US$ 1.000 (R$ 4.000) mais US$ 50 de frete, você pagará R$ 4.263 só de tributos, o que dá mais de 100% do preço do produto. 

O preço final total será de R$ 8.463. Ou seja, as indústrias nacionais estão sem nenhuma concorrência estrangeira.

Clique no site, faça pesquisas por estados, e teste a resistência do seu estômago. E veja também este site, que dá mais detalhes sobre a tributação.

O objetivo e as consequências

Ao elevar as tarifas de importação, o intuito do governo é um só: proteger as empresas nacionais (tanto os grandes empresários quanto os sindicatos destas empresas) e blindá-las contra os reais desejos dos consumidores, que sempre querem produtos baratos e de qualidade.

Tal medida, além de afetar os mais pobres — que ficam sem poder aquisitivo para comprar produtos bons e baratos feitos no exterior —, afeta também os pequenos e médios empreendedores, que não conseguem adquirir insumos baratos (e cruciais) para seus negócios.

E isso tem de ser enfatizado: tarifas protecionistas não afetam apenas os consumidores; elas também afetam as empresas domésticas que precisam importar bens de capital e maquinários modernos para incrementar sua produtividade e, com isso, fabricar produtos melhores e mais baratos (vide a questão do aço acima). Tarifas as obrigam a pagar mais caro por seus insumos ou então a comprar insumos nacionais mais caros e de pior qualidade. 

Isso reduz sua produtividade e aumenta seus custos. Sendo menos produtivas e operando com custos maiores, essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente. 

Consequentemente — e essa é uma das consequências não previstas do protecionismo —, as exportações tendem a ser menores do que seriam sem as tarifas. 

Com o protecionismo, o governo cria uma reserva de mercado para grandes empresários e grandes sindicatos, os quais agora, sem a concorrência externa, se sentem mais livres para, do lado empresarial, cobrar preços mais altos, e do lado sindical, exigir salários maiores, e em troca oferecerem produtos de pior qualidade para os consumidores.

Consequentemente, não sobra alternativa para os consumidores e empreendedores senão consumir os produtos destas duas corporações protegidas pelo governo. Nós nos tornamos reféns.

Tendo de pagar mais caro por produtos nacionais de qualidade mais baixa, os consumidores nacionais ficam incapacitados de consumir mais e de investir mais. A capacidade de consumo e de investimento da população fica artificialmente reduzida. 

E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia. 

Assim, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos à custa de empregos de alta produtividade em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas. 

Logo, toda a economia se torna mais ineficiente, a produção fica aquém do potencial, os preços médios são maiores do que seriam caso houvesse liberdade, e, como consequência de tudo, os salários reais ficam abaixo do potencial.

Como seria com liberdade

Se pudéssemos comercializar livremente com o resto do mundo, a renda real dos consumidores nacionais aumentaria sobremaneira, pois agora eles gastariam bem menos em cada produto consumido. Com mais renda disponível, as pessoas podem ou investir mais ou gastar mais em outros produtos e serviços que a economia nacional de fato seja eficiente em produzir. 

E, felizmente, tudo isso não é apenas teoria, mas também empiria. Os fatos comprovam que os países mais abertos ao comércio internacional não apenas não têm problemas de emprego, como também são, em média, 5 vezes mais ricos do que aqueles que decidem impor todos os tipos de travas e barreiras à liberdade de seus cidadãos de importarem bens do exterior.

Um recente exemplo disso, aqui mesmo na América do Sul, é o Peru: o país está cada vez mais aberto ao comércio exterior (suas importações dispararam) e a taxa de desemprego só faz cair. Ou, colocando de outra maneira, o número de pessoas trabalhando não pára de subir.

Óbvio: quanto mais aberta é uma economia ao comércio exterior, maior é a renda da população (quem compra mais barato tem mais dinheiro sobrando) e menor o desemprego (população com renda maior investe mais, demanda mais, e cria mais emprego).

No final, essa é apenas uma manifestação da lei das vantagens comparativas de David Ricardo: se cada um se concentrar em produzir aquilo que realmente faz bem, e comercializar livremente esses produtos, a riqueza real de todos será maior.

O que fazer?

Em tempos em que muito se debate sobre a queda na renda real das pessoas, que melhor política para aumentá-la do que reduzir as tarifas de importação e realmente baratear todos os produtos à disposição dos trabalhadores?

Perante tal proposta, a reação mais comedida dos protecionistas é a de que a liberação do comércio exterior prejudicaria "nossas empresas", pois elas não têm como concorrer de igual para igual com os estrangeiros por causa de nossa carga tributária, de nossa legislação trabalhista e de nossa burocracia.

Porém, como bem respondeu o editor do Instituto Mises Brasil, Leandro Roque, se estes são os problemas de fundo que afetam a competitividade de alguns setores nacionais em relação aos estrangeiros, então eles têm de ser atacados por meio de reformas estruturais. Se os custos de produção são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

Recorrer ao protecionismo para proteger essas indústrias em detrimento do resto da população é simplesmente criar mais problemas sobre os problemas já existentes. Tolher os consumidores, prejudicar os pequenos empreendedores e impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias é jogar gasolina no fogo. 

Conclusão

As consequências deste fechamento da nossa economia são diariamente vivenciadas por todos nós consumidores e produtores: além de ficarmos praticamente proibidos de ter acesso a produtos bons e baratos feitos no exterior, também não conseguimos insumos de qualidade para aumentar nossa produtividade.

Os custos do protecionismo recaem especialmente sobre os mais pobres. Quem está mais acima na pirâmide de renda pode fazer o esforço para pagar mais ou até mesmo ir para Miami fazer suas compras por lá. Já com uma renda baixa, este é um luxo ao qual não podem se dar os mais pobres.

Se Trump conseguir algum avanço em fazer o governo brasileiro reduzir as tarifas de importação, permitindo que nós consigamos comprar produtos americanos (de roupas a notebooks e tablets) mais baratos, aí então ele sim será o verdadeiro "mito".

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41 votos

autor

Thiago Fonseca
é graduado em administração pela FGV-SP e é empreendedor do ramo de eletroeletrônicos


  • Diogo  03/10/2018 16:39
    Alguém sabe se a conversão de Bolsonaro ao livre comércio é genuína?
  • João Paulo  03/10/2018 16:47
    Pode ser, mas desde que não envolva a China.
  • Fabio Barbati  03/10/2018 17:01
    Veja quem será o ministro da fazenda Paulo Guedes. A questão da China em relação ao Bolsonaro é que ele é contra vender estatais estratégicas para o governo Chinês, que já vem comprando muita coisa aqui no Brasil, inclusive terras agricultáveis, nióbio e outras coisas mais
  • Minarquista  03/10/2018 18:14
    Privatizar é vender para empresas privadas. Vender para estatais de outro país não é privatizar. É apenas trocar o estado que é o dono.
    Para todos os libertários, já ficou evidente que o estado não pode ter empresa nenhuma. Isso não se justifica nem do ponto de vista moral, nem do ponto de vista utilitário. Não há justificativa moral para tirar o fruto do trabalho alheio à força na forma de impostos (violência) para comprar ou criar uma empresa, sendo que ela poderia ser criada privadamente (sem violência).
    Isso vale para o governo brasileiro, e para todos os demais. Ou seja: qualquer governo que tenha vergonha na cara tem não só que privatizar todas as empresas públicas, como também tem que proibir que qualquer estado do mundo tenha participação em qualquer empresa dentro do território do país.
    Simples assim!
  • cmr  03/10/2018 18:52
    "...como também tem que proibir que qualquer estado do mundo tenha participação em qualquer empresa dentro do território do país. "

    Nada a ver.

    O negócio é quebrar o monopólio. Se o governo chinês quiser comprar todas as empresas estatais brasileiras, que compre.
    Tendo liberdade econômica, estas estatais chinesas estarão no regime de concorrência, e serão os chineses que as sustentam com os seus impostos.

    Se os cidadãos chineses querem ser generosos conosco, igual somos com Cuba, não é problema nosso; assim como não é problema dos cubanos a nossa generosidade para com o regime deles.
  • Amoedo  03/10/2018 19:14
    cmr, sua linha de raciocínio é completamente imoral. Está tirando da nossa reta pra botar na reta dos chineses.
  • Minarquista  03/10/2018 21:18
    Cmr: a sua visão é que nós deveríamos ser coniventes com uma imoralidade.
    Pior: no caso específico da China, a população não consegue se organizar contra o estado policial. Eles são mortos antes.
    Não vejo como uma pessoa de bem pode aceitar esta imoralidade calada. Proibir a imoralidade no Brasil não nos custa absolutamente nada. Não vejo porque permiti-la.
    E mais: empresa privadas podem ser responsabilizadas por seus atos. Processar governos estrangeiros é outra história. Deixar governos estrangeiros serem donos de qualquer coisa no Brasil significa resolver eventuais conflitos negociando com um tirano estrangeiro. É muito poder na mão de poucos. Temos a obrigação de evitar o poder dos estados no mundo, seja o poder do estado brasileiro ou qualquer outro.
  • Ed Gallo  03/10/2018 23:57
    A unica Imoralidade que existe, e nao poder ter o que comer!
  • Marcos Patrick  03/10/2018 23:59
    Esse sentimento de "Ser dono, ter em nossas mãos" deve ser tratado de forma muito diferente a qual se trata futebol, time etc... Tendo resultados melhores tanto para eles como para nós é satisfatório e inteligente, além de fortalecer relações comerciais.
  • Luzimar Figueiredo Teixeira  06/10/2018 18:18
    Como assim, China? Ela está despejando uma quantidade enorme de bugigangas sem qualidade e chineses no Brasil e, nada está sendo feito para controlar este rolo compressor. Mesmo que o Bolsonaro queira tomar medidas de abertura, ele enfrentará os grandes lobistas, essa mudança não vejo a curto prazo. Enquanto houver brasileiro no Brasil, não vejo saída. Sinto pelos que se condoerem-se, verdade seja dita, a lei de Gérson se aplica.
  • Pobre Paulista  03/10/2018 17:00
    Genuína ou não, se metade disso virar realidade já está bom...
  • Imperion  04/10/2018 02:03
    Desconfie, ele é político.
  • Giuseppe  04/10/2018 18:01
    Não acredito na conversão de Bolsonaro ao liberalismo. Sempre votou como estatista (estatista e militar), não é por ter arrebatado Paulo Guedes que me convenceu do contrário. Confio na história do candidato, não no que ele diz na TV. No bottomline, anda é um político com 27 anos de carreira. É igual aos que competem com ele. Não me iludo.
  • Andre  03/10/2018 16:40
    Sem chance de menores tarifas de importação no Brasil, governo vai alegar que o país está sendo vítima do imperialismo tentando destruir a indústria nacional e povo brasileiro, que na verdade é um rebanho, apoiará todas as altas tarifas para protegerem seus empregos de classe média para comprar aptos de 44m² e a soberania nacional. Tudo com forte apoio da mídia esquerdista e anti Trump.
    O Brasil é uma beleza, só tacando fogo.
  • Carlos Alberto  03/10/2018 16:42
    Vendo essa questão das chapas grossas de aço carbono, tenho um questionamento. A situação é essa e dificilmente vai mudar, agora, imaginando que os políticos querem defender o empresariado, por que produtos não produzidos no Brasil também são taxados?

    Caso estes produtos não produzidos no Brasil, deixassem de serem taxados, isso não iria ajudar o empresariado, já que eles poderiam comprar maquinário e produtos que não temos aqui e com isso diminuir custos?
  • Roberto  03/10/2018 16:47
    Não tente encontrar sentido, mas na genial "lógica" de nossos governantes, se algo não é produzido aqui rapidamente passará a ser desde que haja tarifas de importação. Se não existe água no deserto, basta o governo criar uma alíquota de importação sobre a água que imediatamente surgirá água no deserto.

    E, se você acha que estou exagerando, apenas veja o governo Dilma: as estatais simplesmente foram proibidas de importar insumos. A Petrobras, por exemplo, foi obrigada a usar maquinário exclusivamente nacional. Voltamos à década de 1980.
  • 5 minutos de ira!!!  04/10/2018 16:28
    Será que foi assim que deus fez cair mana dos ceus para os hebreus!? Proibiu a importação de comida do Egito!?
  • Jorge  03/10/2018 18:43
    "por que produtos não produzidos no Brasil também são taxados? "

    Duas possíveis explicações:

    1) intuito arrecadatório;
    2) estimular o surgimento daquela indústria no país.

    Obviamente não estou defendendo nenhuma dessas justificativas, que são muito bem refutadas pelo artigo, estou apenas descrevendo o que possivelmente se passa na cabeça de nossos iluminados governantes.
  • Marcelo  03/10/2018 19:22
    O meu ramo, oftalmologia e optometria, é protegido para ninguém, pois não tem fabricantes nacional. Mas as tarifas de importação são violentas.

    Precisei comprar um oftalmoscopio wellch&allyn. Nos EUA, 300 dólares; aqui 3.200 reais.

    E não existe um mísero fabricante nacional. A proteção se dá para os fornecedores de peças de reposição da indústria de ótica.

    Um autorefrator que custa 2.500 dólares nos EUA chega a 35 mil reais no Brasil. Comprei o meu seminovo por 15 mil reais com um ano de uso de um amigo que fechou o consultório.

    Parece que o objetivo é lascar quem tem problemas de visão porque não vejo razão minimamente racional pra fazerem isso.
  • Estudante  03/10/2018 16:51
    Mas e as barreiras não tarifárias ?
    O Brasil tem poucas barreiras não tarifárias.
  • Professor  03/10/2018 17:00
    Ah, sim, bem poucas... É simplesmente proibido importar carros usados. Ah, e roupas também.

    Ministério da Agricultura, Anvisa e Ibama demoram 10 anos para permitir a importação de defensivos agrícolas que já foram liberados nos EUA e na Europa. Neste momento, há nada menos que 36 defensivos aguardando liberação para ser importados, sendo que 28 deles já têm registros em países como EUA, Japão, Canadá, Austrália e Argentina (Fonte).

    E piora: Os produtos que atualmente estão na fila aguardando liberação são, em média, cerca de 30% mais favoráveis ao meio ambiente e a saúde do que os que estão em uso. (Fonte).

    Tudo para proteger as fabricantes nacionais.

    Ademais, as políticas de compras governamentais (para estatais, por exemplo) dão preferência para empresas nacionais. Investimentos estrangeiros em terras e em vários ativos regulados pelo governo são severamente limitados.

    Fora isso, há a infraestrutura em frangalhos, que encarecem ainda mais as importações.

    Sim, bem poucas barreiras não-tarifárias...
  • Alexandre Galiotto  07/10/2018 03:36
    Boa noite,

    Realmente as tarifas de importação são absurdas, sem contar impostos como IPI - para compensar o imposto aplicado as empresas nacionais, o que é ridículo para ambos os casos -, o PIS - que gira em torno de 2,95% - e CONFINS - que gira em torno de 9,65 e 10,65% -, sem considerar ainda o II e o ICMS, e outros como a taxa Siscomex, AFRMM, e toda cadeia de impostos cobrados na logística e na prestação de serviços, obrigando os empresários destes ramo a adotar medidas que não acredito que sejam benéficas para a economia de um país, mas mesmo assim, estão na lei. Como por exemplo o beneficio cedido pelo estado de Rondônia através da Lei 1473/12, o qual obriga a empresa de importação por conta e ordem, localizada em qualquer lugar do Brasil, manter uma filial funcional em Rondônia, a qual emite a guia de liberação de mercadoria para estrangeira sem o pagamento de ICMS , com um desconto por antecipação de 85% do imposto do ICMS para o estado de Rondônia, pata assim ter o beneficio da redução do IMCS interestadual na importação de 4%, em praticamente qualquer mercadoria, a não ser aquelas sem similar nacional, que são tributadas em 12%. Outros estados como o Espirito Santo, Pernambuco, Goias, Santa Catarina, entre outros, então, lutam em uma guerra fiscal com os outros Estados em troca de que naqueles Estados sejam instaladas empresas de serviços que gerem empregos mesmo que inefetivos, onde o negócio real esteja ocorrendo em outros lugares, ou seja, uma troca que parece ser benéfica , mas no fundo, é só uma oportunidade momentânea, considerando que São Paulo, por exemplo, não autoriza a concessão desse beneficio para importações diretas de importadores que se utilizam desta redução de ICMS. Então, o rol de produtos como as roupas, podem ser importadas, sem problemas, e ai depende do tipo de roupa também, mas as taxações e impostos federais que são o grande problema, mesmo que para roupas não seja imposto o IPI, de II é imposto 35%, então é bem difícil fazer negócio com uma exigência tão grande de fluxo de caixa para uma empresa, que, se fosse feita uma importação direta pela empresa seria cobrado o ICMS interno do Estado, então essa redução do ICMS que o beneficio proporciona acaba desonerando um pouco a carga tributária. Mas mesmo assim, acredito que este tipo de política comercial seria mais eficiente se as empresas pudessem importar diretamente sem o intermédio de importadora terceirizada com um beneficio fiscal, pois certamente os impostos estaduais de ICMS poderiam simplesmente ser de 4%, sem frescura, certamente as empresas de conta e ordem não deixariam de existir, e novas empresas prestadoras de serviços ganhariam o mercado pela competitividade e eficiências dos serviços, pois iria se importar muito mais. Obviamente contabilizei um número de 4% pois é o valor do beneficio utilizado do ICMS, assim como posso afirmar que o PIS, o COFINS e o IPI - que é cobrado na entrada do produto no Brasil e também na sequencia na nota de remessa para a empresas compradora, no caso de uma importação por conta e ordem -, certamente podem ser eliminados, pois o II já regula grande parte das importações. Mas digo que tudo deve ser estudado antes de ser aplicado, devido aos contratos já firmados com empresas e funcionários públicos que não tem nada a ver com as necessidades dissimuladas do Estado - que já é outro assunto.
  • Alexandre Galiotto  07/10/2018 20:48
    Quero corrigir meu comentário: PIS - gira em torno de 2,10%.
  • Renan  03/10/2018 17:05
    O Estudante deve estar do zoação, é claro. Experimente ir ao Paraguai e fazer compras superiores a 300 dólares (que nem é muito). Você vai direto pra PF pagar 50%, fora outras taxas.
  • Reginaldo  03/10/2018 17:10
    PF não, Receita Federal. E agora são só US$150.00 na via terrestre. A carga tributária dos importados é alta pra igualar a carga tributária dos produtos nacionais e todo o custo extra que a ação (e omissão) do Estado agrega aos bens produzidos no Brasil.

    É bem aquilo que o artigo falou: pra corrigir as distorções causadas pelo estado (voraz carga tributária, a enorme burocracia, as indecifráveis regulações e os poderosos sindicatos), o próprio estado se encarrega de criar outras distorções (tarifas de importação e barreiras não-tarifárias) para "consertar" o estrago das distorções anteriores.

    Coisa de gênio.

    Ou, como diria Trump, é uma beleza.
  • Trinity/Cortella  03/10/2018 16:57
    Imagina a arrecadação que esses impostos de importação garantem ao Estado... difícil quererem abrir mão desse dinheiro. Não adianta explicar soluções de longo prazo pra essa gente, a linguagem deles é vender o almoço pra pagar a janta.
  • Lucas Silva  03/10/2018 17:32
    Exato. Um motivo que também estimula o protecionismo (ou as taxas, mas precisamente) é exatamente isso: o governo não precisa gastar muito pra arrecadar essa parte de contribuição impositiva, logo é uma receita quase 100% grátis.
  • Minarquista  03/10/2018 18:17
    Discordo. O que os burrocratas não enxergam é que a liberação do comércio internacional faz crescer o pib, e, por conseguinte a arrecadação.
    Como sempre, toda a intervenção é imoral e contraproducente.
  • Minarquista  03/10/2018 18:28
    É urgente acabar imediatamente com todas as barreiras de comércio com outros países, sejam tributárias ou não.
    Isso deixará evidente que o Brasil é inviável e em poucos meses o estado se verá obrigado a:
    1) jogar a CLT no lixo (que é e sempre foi o seu lugar)
    2) reformar e simplificar a estrutura de impostos, provavelmente passando parte da carga para o consumo
    3) reduzir fortemente os impostos sobre salários e produção
    4) zerar todos os impostos sobre investimento
    5) reduzir ao mínimo o peso do estado
    6) cortar todos os subsídios, inclusive à cultura
    7) privatizar todas as empresas públicas
    8) privatizar todas as universidades e escolas públicas
    9) privatizar o sistema de saúde
    10) vender todos os imóveis, terrenos e terras públicas que estejam ociosos
    11) mandar embora 90% dos funças
    12) acabar com todas as agências reguladoras e demais cabides de emprego
    13) reduzir políticos em 90% e assessores em 99%
    14) alcançar o estado mínimo
    É... parece que acabar com as barreiras é um bom começo...



  • Felipe Lange  03/10/2018 23:06
    Mas esses impostos não são para fins de "arrecadação" e sim para fins meramente protecionistas, como o Leandro muito bem explicou. Se fossem para fins de financiamento da quadrilha, as tarifas seriam bem menores. Elas são altíssimas para justamente desestimular a compra de bens importados.
  • Ciro Gomes 2018  03/10/2018 17:25
    Tá mas qual país ficou rico importando mais e exportando menos? Que eu saiba os países desenvolvidos são os que tem um grande parque industrial. Por isso segurar importações! A classe média materialista vai ter de parar de comprar coisas baratas dos gringos e privilegiar a indústria nacional. É um custo a ser aguentado pois temos de ser nacionalistas!
  • Leandro  03/10/2018 17:31
    "Qual país ficou rico importando mais e exportando menos"

    Eis uma lista de alguns países que, nas últimas décadas, sempre ou quase sempre tiveram déficits em sua balança comercial: EUA, Austrália, Nova Zelândia, Suíça (esta, aliás, teve o mais prolongado déficit de todos, de 1950 até meados da década de 1990), Reino Unido e Luxemburgo.

    Por outro lado, escolha qualquer país da América do Sul ou da África e as chances são de que você encontrará um país que exporta muito mais do que importa.

    (Já o Chile, durante sua década de desenvolvimento, apresentou recorrentes déficits em sua balança comercial).

    "que eu saiba os países desenvolvidos são os que tem um grande parque industrial"

    1) Nova Zelândia e Austrália eram subdesenvolvidos (a Nova Zelândia era quase terceiro mundo até a década de 1980), viraram desenvolvidos, são hoje extremamente ricos. Como? Seguem tendo como pauta de exportação commodities de baixo valor agregado.

    2) Para você ter uma ideia, na Austrália, não há nenhuma grande montadora de automóveis. E, na Nova Zelândia, nem sequer há montadora de automóveis. Eles já perceberam que é muito mais negócio importar carros baratos do que direcionar recursos escassos para fazer algo em que não são bons. Eles sabem que isso seria burrice.

    Eis o segredo: abertura total ao investimento estrangeiro.

    3) Laticínios, carne, lã, madeira, peixe, alumínio, e produtos de papel. Todos eles commodities. E sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Nova Zelândia.

    4) Carvão, minério de ferro, lã, alumínio, trigo, carne e algum maquinário. Sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Austrália.

    5) Por que o Brasil teria de fabricar absolutamente tudo aqui dentro, sendo que é muito mais inteligente comprar de quem já tem o know how da fabricação? De novo, Austrália, Nova Zelândia e principalmente Chile só exportam matéria-prima, não exportam nada de alto valor agregado, e se tornaram países desenvolvidos.

    6) Nunca ninguém refutou a teoria das vantagens comparativas. Você tem de explicar por que seria vantajoso querer concorrer com quem já domina a área. Tem de explicar também aos neozelandeses que eles devem urgentemente direcionar recursos escassos para construir uma fábrica de automóveis, ainda que seja muito mais vantajoso para eles comprar de outros países.

    7) Já imaginou se o governo do Japão cismasse que o país tem de virar uma potência na extração de petróleo? É exatamente isso o que nacionais-desenvolvimentistas querem.

    8) Hong Kong e Cingapura têm de importar toda a sua comida e toda a sua água. E têm os maiores PIBs per capita do mundo. Por essa lógica, era para eles urgentemente saírem desapropriando prédios e transformar tudo em pasto, pois é urgente plantar a própria comida.

    9) No que a Austrália e Nova Zelândia são competitivas? No que o Chile é competitivo senão em vinhos e cobre? No que Hong Kong e Cingapura eram competitivos?

    10) No Brasil, há um vasto setor de serviços a ser explorado. Há todo um setor de turismo, totalmente subutilizado (há vários locais bonitos sem a mais mínima infraestrutura para turistas). Há setores tecnológicos de ponta (a Embraer, por exemplo). Nossas mineradoras são eficientes e pagam bem (para quem é bom).

    Em todos os países ricos, o setor de serviços ocupa quase 70% da economia.

    No entanto, você insiste em dizer que eu mesmo é que tenho de fabricar meu notebook.

    11) No Brasil, o protecionismo, as reservas de mercado e os subsídios às indústrias vigoram desde o ano 1500. Você ainda quer mais? Em termos de protecionismo, as empresas brasileiras já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século, não se desenvolveu, e ainda é necessário dar mais tempo?
  • Pobre Mineiro  03/10/2018 19:03
    Leandro,

    só que no caso de um país grande e populoso como o Brasil, seria difícil não sermos bons em tudo. (caso tivéssemos qualificação, cultura, etc...)

    Vai dizer que em mais de 200 milhões de pessoas, não apareceria ninguém bom em projetar carros, aviões,
    circuitos eletrônicos, e outras tecnologias ?. Assim como agropecúaria, roupas, e tudo mais ?.

    Países pequenos não produzem muita coisa diversa, pois não tem população para isso.

    Uma China, EUA, Brasil, etc... se tiver liberdade econômica e população culta, sempre serão países bons em tudo.
    Estou certo ?.
  • Leandro  03/10/2018 19:14
    Em termos puramente probabilísticos, sim. De fato, quanto mais gente, maior a probabilidade de haver grandes talentos e mais variadas competências.

    Mas só isso não basta. Como você bem ressaltou ao final, é necessário ter cultura empreendedorial, profundo saber, paixão pelo risco e amplo conhecimento técnico sobre os mais variados assuntos.

    Livre imigração de pessoas capacitadas e ávidas para empreender ajudaria bastante, mas seria uma proposta muito politicamente incorreta.

    Além de tudo isso, seria também necessário, é claro, grande liberdade empreendedorial, moeda forte, baixos impostos, baixa regulação e pouca burocracia.

    Enxerga tudo isso no Brasil?
  • Pobre Mineiro  03/10/2018 19:32
    Infelizmente não, pelo menos não até o ano 2100.
  • AGB  04/10/2018 01:30
    A Nova Zelândia não era um país de 3º mundo, como o próprio artigo informa. Governos perdulários e populistas provocaram a queda do PIB desde 1950 até 1980. Mas bastou uma gestão sensata para que voltasse ao patamar anterior. Da mesma forma a Austrália. Em 1945 seu nível de desenvolvimento era igual ao da Argentina, que estava entre os 5 maiores do planeta. Inclusive havia implantado fábricas de automóveis. Para compensar, nossos vizinhos tiveram Perón. Mas a Austrália continuou crescendo. Nos últimos anos aplicaram diversas políticas para tornar a economia ainda mais eficiente: por exemplo, fechando a indústria automotriz.
  • Pedro_N  04/10/2018 13:04
    Mais uma resposta fantástica do Leandro!

    Esse é o tipo de comentário que eu salvo no meu OneNote, na seção de 'Respostas Fantásticas do Leandro'.
  • 5 minutos de ira!!!  04/10/2018 16:36
    O Leandro deve estar sonhando em falar isso na cara do Ciro Gomes há algum tempo, não?

    Deu pra sentir!!!
  • Limonada suíça  03/10/2018 17:25
    Cá pra nós

    o Trump não tem lá muita moral pra falar do Brasil rsrsrs

    Ele ta fazendo o mesmo no país dele.

    Se ninguém taxar é ótimo, mas um sempre acaba taxando e levando vantagem sobre o outro. E num sistema capitalista ninguém quer sair perdendo.



  • Bernardo  03/10/2018 17:28
    Isso é problema dos americanos (e já foi amplamente discutido aqui em vários artigos; digite "Trump" na ferramenta de buscas). Se ele conseguir fazer o Brasil reduzir as tarifas de importação, ele será "o cara".

  • Amoedo  03/10/2018 19:17
    O que o Trump planeja fazer, ainda não é nem perto do que é feito por aqui desde sempre.
  • Pedro Paulo  03/10/2018 17:37
    Em uma simples importação feita pela internet pagamos 60% do valor da mercadoria+frete e o ICMS (que varia por estado). Mas quanto de tarifas e impostos incidem por exemplo, sobre a impostação de uma máquina feita por uma fábrica? Ou sobre a importação de produtos por uma loja varejista?
  • André  03/10/2018 17:41
    Os 60% de imposto de importação é o regime simplificado de tributação, um bom negócio para padrões brasileiros, fora dele, itens de consumo podem somar até 102% de tributação total.

    Sobre máquinas e equipamentos o governo é mais "manso" e a tributação total fica nuns 78%
  • Luciano Prado  03/10/2018 17:45
    Segundo o próprio site da receita, as importações têm uma alíquota multiplicadora de impostos.

    Ou seja, os impostos sobre importados podem ser multiplicados por até 7,6 vezes.

    É uma pedalada na OMC!

    www4.receita.fazenda.gov.br/simulador/

    Eis o que está escrito (negrito meu):

    "Na quase totalidade das importações, a alíquota aplicável do PIS é de 1,65% e a da Cofins é de 7,6%. A base de cálculo para ambas as contribuições é o valor aduaneiro das mercadorias importadas, acrescido do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), incidente sobre a importação, e do valor das próprias contribuições, pois elas são incluídas no preço final das mercadorias (cálculo "por dentro"). Assim as contribuições devidas são iguais a:

    PIS = Alíquota PIS x (VA + ICMS + PIS + Cofins)

    Cofins = Alíquota Cofins x (VA + ICMS + PIS + Cofins)"


    Ou seja, é um imposto incidindo sobre outro imposto que por sua vez também já incidiu sobre outro imposto. "Uma beleza" .
  • AGB  04/10/2018 00:42
    E a justiça considerou essa tributação sobre tributos absolutamente legal...
  • Adriano  05/10/2018 02:27
    O que você esperava de uma gangue estatal que tem na cobrança de impostos a fonte de suas mordomias?
    O poder judiciário é mais um parasita sugando o hospedeiro. Pra ele, assim como para os demais parasitas, quanto mais sangue melhor.
  • Antônio Lucas Chaves  03/10/2018 17:49
    Interessante o artigo, muito elucidativo.

    Umas dúvidas de alguém que não é da área da economia:

    Esse regime de tarifas alfandegárias (sobre importação e exportação) reflete algum tipo específico de ideologia (neoliberal)?

    Digo isso porque, ao que me lembro, essa sistemática remonta ao mercantilismo de protecionismo quando do surgimento dos Estados Nacionais. Se assim é, mesmo com a vitória do ideário liberal no século XVIII, por que e como ela se manteve diante da nova burguesia?

    Penso, a princípio, que a resposta seja o distanciamento entre a teoria e a prática. Exemplo: eu, como empresário, sou liberal, mas a partir do momento que o Estado quer me privilegiar, corrompo o funcionamento do sistema a meu favor.

    Att.
  • Marcos  03/10/2018 17:56
    "Esse regime de tarifas alfandegárias (sobre importação e exportação) reflete algum tipo específico de ideologia (neoliberal)?"

    Sim, a ideologia mercantilista. Uma das mais antigas da história do mundo. Deve ser também a mais longeva e mais onipresente.

    "Digo isso porque, ao que me lembro, essa sistemática remonta ao mercantilismo de protecionismo quando do surgimento dos Estados Nacionais."

    Exatamente.

    "Se assim é, mesmo com a vitória do ideário liberal no século XVIII, por que e como ela se manteve diante da nova burguesia?"

    O ideário liberal se manteve entre 1865 até a Primeira Guerra Mundial (1914). Esse foi o período de crescimento econômico mais acelerado do mundo. Após a Guerra, o mercantilismo voltou com tudo. E nunca mais foi embora.

    "Penso, a princípio, que a resposta seja o distanciamento entre a teoria e a prática. Exemplo: eu, como empresário, sou liberal, mas a partir do momento que o Estado quer me privilegiar, corrompo o funcionamento do sistema a meu favor."

    Raciocínio perfeito.
  • Jairdeladomelhorqptras  05/10/2018 02:31
    Caro Marcos,
    Realmente a grande marcha a ré no liberalismo econômico ocorreu na I Guerra Mundial.
    Foi quando oo governos agigantaram-se alegando as Razões de Estado (que seria necessário para a condução da guerra). Só que o verdadeiro liberalismo, como você disse, jamais retornou.
    O pessoal do Mises tem razão. Quando o Estado adquire um poder sobre o seu povo, dificilmente renunciará.
    Abraços
  • zanforlin  03/10/2018 17:51
    Artigo esclarecedor, e nos leva a especular como seria se o que propugna se realizasse.
    Mas, essa estrutura pesada, arcaica e injusta não é como cobra, que, cortando-se a cabeça, morre. Mudando-se a cabeça, eleita, restarão os milhares (ou milhões?) não eleitos e estáveis, nos "armários" da burocracia, nas agências "reguladoras" , criando regras,procedimentos e o mais que imaginarem apenas para trabalhar na fiscalização dessas regras criadas . Exemplo? Vejam o CONTRAN e suas mais de 740 "resoluções", baixadas com base em delegação de competência inconstitucional (o art. 171 da Lei nº 9.503/97, o CTB), que transforma a ação de dirigir num verdadeiro inferno, e em fonte inesgotável de verbas expropriadas dos motoristas. Tenho um artigo (não publicado neste prestigioso sítio) que trata especificamente desse tema (DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA: O PERIGO
    (CONTRAN NÃO TEM COMPETÊNCIA PARA IMPOR VELOCIDADE MÉDIA)
    Parabéns ao Thiago Fonseca.
  • Pesquisa  03/10/2018 17:55
    De zero a 10, qual nota vocês atribuem a satisfação pessoal de viverem no Brasil atualmente e qual perspectiva para daqui os próximos 4 anos?
  • Jorge  03/10/2018 18:56
    Nota 4:

    As razões para não ser zero são:
    - o clima é ameno (ao menos na minha região);
    - é aqui que tenho laços familiares;
    - apesar de conseguir me comunicar em inglês, o português é a língua com a qual me expresso plenamente.

    Perspectivas para os próximos anos: não vejo grandes mudanças. Praticamente tudo o que nos desagrada deverá permanecer como está ou piorar. Com um congresso formado predominantemente por populistas e demagogos as eleições não mudarão essa realidade, independentemente de quem seja eleito presidente.
  • Régis  03/10/2018 18:57
    Como eu moro no interior (cidade pequena, calma e segura) e trabalho em casa, não tenho muito a reclamar. Quero apenas moeda forte e inflação baixa. O resto eu me viro.

    Dou nota 6 para o presente momento e espero que suba para 8 no futuro.
  • Pobre Mineiro  03/10/2018 19:27
    Eu dou nota 0 (zero)

    Eu sou aquele típico incompetente duas vezes. (vou explicar)

    Sou brasileiro, mas não tenho nenhum orgulho ou vergonha de sê-lo.
    Não posso sentir vergonha por uma coisa que não é minha culpa, nem ter orgulho de algo que não tenho nenhum mérito.

    Além do português, meu idioma nativo, eu falo alemão, o maldito inglês, mandarim, me viro em francês, italiano e japonês. Logo idioma não é tanto o meu problema.

    Não sou muito ligado na minha família, pois a minha família é do tipo não muito unida e equilibrada.
    Tenho muitos parentes esquerdistas e funças, quase todos. Logo eles não me acrescentam quase nada.
    Sou solteiro e não tenho filhos.

    Já morei na Alemanha, e falhei na tentativa de imigrar para lá, talvez por ter tentado fazer tudo muito dentro da lei.

    Eu me adapto muito facilmente a várias culturas, não me daria bem em um país muçulmano, africano, e até mesmo muitos daqui da América Latina. Até na China eu acho que eu conseguiria viver numa boa.

    O tempo passou, eu envelheci e perdi muitas oportunidades.
    Eu só estou no Brasil porque não fui aceito lá fora.
    Logo eu sou um incompetente duas vezes, sou falho em ser brasileiro e falhei na tentativa de cair fora daqui.

    Não fico resmungando nem remoendo isso, pois isso me transformaria numa pessoa amarga.
    Só lamento alguns primos jovens que tenho, que ficam cheios de ideais patrióticos com essa porcaria de país e não migram, mesmo tendo chance.

    Mas estou planejando uma nova tentativa, mais consciente, menos romântica.
    Só não digo nada para ninguém, estou juntando umas moedas estrangeiras para isso...
  • Vinicius  04/10/2018 12:21
    Pobre Mineiro, pode por favor falar mais sobre sua experiência na Alemanha por que exatamente não conseguiu ficar por lá e o que faria de diferente para conseguir? Abraço.
  • Roberto Jargemboski  05/10/2018 11:44
    Eu estou há um ano fora do Brasil, estive em Lisboa e agora estou morando em Luxemburgo. Eu sou de Joinville, Santa Catarina, que certamente é uma das melhores cidades do Brasil pra se viver, mas ainda assim, a diferença é chocante, especialmente comparando com Luxemburgo.
    Eu acho que pra quem mora em cidades menores e mais seguras como Joinville, se o país estiver minimamente estável, se não estivermos sob o governo de algum socialista maluco, é possivel viver com dignidade, claro, sem esperar nada do estado, pagando plano de saúde, tendo seu carro, e tudo o mais privado.
    Pela minha experiência aqui, posso dizer que ainda é possivel viver no Brasil SE houver um avanço no sentido da redução do estado, fortalecimento da moeda, desburocratizações etc. - com isso, uma cidade como Camboriu, Florianópolis, Joinville, e outras cidades do sul especialmente, podem sim ser bons lugares de se viver, com IDH comparável a algumas cidades européias - mas do jeito que as coisas estão hoje, prefiro ficar por aqui.
  • Lucas  05/10/2018 14:30
    Já perguntei aqui no site sobre Luxemburgo, porque o país sempre está entre os melhores em qualidade de vida, em saúde, renda e etc. O que se passa por ai ? Deve ser excelente.
  • Tarabay  08/10/2018 16:32
    "O que se passa por ai ?"

    Liberdade econômica e estado com tamanho reduzido, simples assim.
  • Lucas  08/10/2018 19:44
    Claro, tão simples que tem em todos os países...
  • Vitor  03/10/2018 18:43
    Aconteceu comigo algo citado no texto. Comprei algo na Ali Express, só que foi de courier em vez de serviço postal. Eu esperava 60% de imposto de importação. Mas juntam com ICMS e tudo calculado COM O FRETE INCLUSO, imposto de um pouco mais de 100%.

    Deixou de valer a pena, e resolvi deixar o produto lá no depósito da receita enferrujando.
  • Frustrado  03/10/2018 19:01
    É assim mesmo. Estava procurando uma certa câmera reflex na internet, e deu assim:

    Ebay: U$ 300,00.
    BR: R$ 5.500

    Também já pensei em abrir um negócio focado na fabricação de clones de Arduino e shields em geral, alguns que eu projetei e não existem, embora haja uma demanda enorme, mas graças ao nosso glorioso, mais que soviético e draconiano imposto de importação de 60%+ICMS local, o capital inicial requerido para o meu negócio seria altíssimo, e olha que nem considerei as etapas burocráticas e registros que não tenho a mínima ideia do que precisaria ser feito para a coisa ser "legal".

    Como o negócio estaria iniciando, eu venderia os produtos com preços bem menores. De fato, se fosse possível importar tudo de Shenzhen sem impostos, mesmo com o câmbio no patamar atual, o custo individual seria irrisório, mas enfim.

    Sem essas amarras, eu poderia complementar a minha renda trabalhando para mim mesmo. O governo se intrometeu e quer ser o meu sócio de qualquer maneira.

    E cobra caro, muito caro por isso.

    Estatistas não fabricam, e se forem importar, pagam as taxas de boa fé "em nome da proteção da indústria nacional", e da destruição da iniciativa de quem queria começar a fazer dinheiro e vender produtos a preços mais realistas.

    Foda-se o Estado, porque desde que comecei a pesquisar sobre liberalismo, estou convicto como rocha de que contrabando é autodefesa.
  • Vladimir  03/10/2018 19:17
    Esse seu relato é de um potencial empreendedor que notou a inviabilidade de um negócio devido ao sócio compulsório governo (sócio só na hora do lucro, onde o ônus da empreitada é somente seu). Quantos empregos você poderia ter gerado, melhorando assim a sua qualidade de vida, bem como a de outras pessoas?

    Mais importante, quantas empresas deixam de investir no Brasil, justamente por constatar a intromissão/extorsão do estado que você constatou?

    Somando-se às outras incertezas que sempre se tem comentado por aqui (regulamentações, burocracia, leis trabalhistas, incerteza do regime e etc) é que podemos concluir que o cara que abre uma empresa neste país tem que ter estômago muito forte.
  • Demolidor  05/10/2018 15:25
    Falando em Arduino... notei agora que o Raspberry Pi Zero W está em falta na Filipeflop. Imagino que a nova taxa dos Correios vá causar aumento de preços. E é brincadeira que um computadorzinho que custa US$ 10 lá fora só possa ser encontrado por mais de R$ 100 aqui.

    Pergunto: adianta formar profissionais neste país, com uma barreira dessas para desenvolvimento de internet das coisas? Que tipo de empresa os desqualificados que nos governam acham que vai aparecer num ambiente desses?

    Depois os burocratas vêm reclamar que precisa importar tecnologia de ponta e que os americanos dominam tudo. Claro. Ao invés de construirmos em cima de tecnologia que eles já nos disponibilizam a preços baixos, precisamos nos virar para encontrar/fabricar substitutos.
  • Laerte  03/10/2018 19:03
    Havia encomendado um produto químico, importado da China, para uma aplicação industrial totalizando 2 kg do material em questão. Fornecedor enviou a um custo 0 (zero), pois trata-se de desenvolvimento. Quando chegou no brasil (minúsculo mesmo), o mesmo não foi liberado sem antes pagar a quantia de R$ 288,27 referente a taxa de importação; R$ 157,44 de ICMS, R$ 51,26 de desembaraço alfandegário e R$ 4,62 de reembolso da infraero totalizando assim R$ 501,59. Essas taxas foram baseadas em um valor arbitrário de R$ 480,45 / kg. Porém na realidade, tal material não chega a custar R$ 15,00/Kg.

    Nestas horas eu percebo que o brasil não tem como dar certo com o tamanho do estado atual.
  • Anti-estado  03/10/2018 19:24
    Meu pai é médico ultrassonografista. Há alguns anos ele e a clínica em que trabalha compraram um aparelho importado novo. Só para resumir: o desembaraço demorou absurdos 2 anos, eles pagaram outros absurdos 300% de impostos e entregaram o aparelho quebrado e já obsoleto. Mas tudo isso é para nos proteger dos capitalistas satânicos!

    Um colega de trabalho ganhou, repito, GANHOU AO CUSTO DE R$ 0,00 (zero reais) 3 CD's de instalação do Linux. A receita, em sua inacreditável criatividade maligna, taxou o coitado em 60% com base no preço do Windows. Qual a lógica disso?
  • Wesley  03/10/2018 19:26
    O problema do protecionismo não é apenas econômico e sim político. Se a economia for aberta de uma hora pra outra muitas empresas vão quebrar e o desemprego que já é alto (por causa da legislação trabalhista) vai disparar mais ainda. Isso têm um custo político enorme para quem comanda o país. Nenhum político vai querer enfrentar esse desafio. É só lembrar do plano real quando começou e as importações foram liberadas e causou desemprego, revoltando os sindicatos e barões da indústria. O Gustavo Franco foi bombardeado pelo baronato brasileiro por manter a âncora cambial. Mas sem dúvidas seria maravilhoso ver a pressão internacional que obrigaria o Brasil a baixar os impostos. Seria maravilhoso ver as empresas brasileiras sendo retaliadas pelo protecionismo como o Brasil faz. Mas a dúvida que fica é que o protecionismo beneficia as empresas americanas já instaladas aqui também. Como a GM e a Coca-Cola.
  • Snipes  03/10/2018 19:51
    Só haverá desemprego naquelas indústrias eficientes que se acostumaram a serem protegidas e a não terem de produzir produtos de qualidade.

    Mas, ora, essas empresas ineficientes irem à falência é uma bênção. Elas travam a economia, consomem recursos escassos, e impedem que mão de obra e maquinário sejam liberados para outros setores.

    Economia rica não é aquela que protege ineficientes, mas sim aquela que cria eficienca por meio da promoção da concorrência com o resto do mundo.
  • Lombardi  03/10/2018 20:48
    Sempre quis entender a lógica de gente que acha que devemos abrir a economia primeiro e só depois desburocratizá-la.

    Se burocracia, encargos e impostos inviabilizam investimentos produtivos, como os empresários nacionais irão competir com os empresários estrangeiros e conseguirem gerar renda pras pessoas importar mais barato? E se o desemprego for alto, com que dinheiro o grosso da população irá importar?

    Não é atoa que depois do começo do Plano Real, a economia foi fechada novamente. É óbvio, pra combater os efeitos da abertura comercial é muito mais fácil fechar a economia novamente do que desburocratizá-la pela primeira vez.

    Por isso o verdadeiro desafio é interno. Depois da implementação de um mercado mais livre nacionalmente, a abertura comercial é praticamente espontânea e sem gerar nenhum efeito colateral indesejado como desemprego. Os EUA, por muito tempo, foi o país mais livre do mundo mesmo tendo tarifas de importação consideradas altas.
  • Leandro  03/10/2018 23:36
    Isso que você falou nunca vai acontecer. Aliás, respeitosamente, é delírio puro.

    A forma mais garantida de haver uma desburocratização é justamente liberalizando o comércio exterior: com importados baratos e de qualidade chegando, não haverá outra alternativa aos políticos senão liberalizar imediatamente o mercado interno para que este consiga sobreviver e concorrer.

    A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

    Ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.

    O estado ferra várias empresas? Sem dúvida, mas isso não é justificativa para acabar com as liberdades do indivíduo (e suas decisões de consumo).

    Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina.

    "Os EUA, por muito tempo, foi o país mais livre do mundo mesmo tendo tarifas de importação consideradas altas."

    Já vieram com essa conversa aqui várias vezes, dizendo que os EUA se industrializaram por causa de tarifas de importação. Atentado à lógica.

    O crescimento e a industrialização dos EUA começaram na década de 1820 com as ferrovias com locomotivas a vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam. Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie.

    Tudo isso antes de 1860 (quando realmente houve elevação das tarifas de importação, que foi o estopim da Guerra Civil).

    Os estados americanos que mais se enriqueceram durante esse período anterior a 1860 foram os do nordeste. E o motivo é simples: os grandes industriais europeus aportaram lá, na Nova Inglaterra. Esse é um fenômeno que simplesmente não pode ser ignorado em qualquer análise econômica minimamente séria.

    E aí houve o inevitável: regiões industrializadas sempre viram protecionistas. Em 1860, o Congresso aprovou a Morrill Tariff, que elevou enormemente as tarifas sobre importações para proteger as indústrias do norte bem como seus altos salários, prejudicando severamente os estados do sul, que agora tinham de arcar com os altos custos de importação, mas que não tinham como repassar estes altos custos para seus preços, pois vendiam três quartos da sua produção para o mercado mundial. Vestuário, equipamentos agrícolas, maquinários e vários outros itens ficaram extremamente caros de se obter. O sul queria livre comércio porque também era a única maneira de exportar sua produção.

    Isso impulsionou os estados do sul se rebelaram. Aí deu-se origem àquela maravilha que foi a Guerra Civil Americana, com 600.000 mortos.

    (Recomendo este texto a respeito, que faz uma ótima compilação destes eventos.)

    Com a vitória do norte, tarifas protecionistas foram implantadas que vigoraram até o ano de 1900, caindo a partir dali).

    Como consequência dessa imposição tarifária e da destruição do livre comércio, o sul empobreceu (e, até hoje, é mais pobre do que o norte).

    Tarifas fizeram exatamente o que prometiam: protegeram (de 1865 a 1900) aquelas indústrias do nordeste americano que já estavam estabelecidas, e empobreceram o resto do país. E, de quebra, mataram 600.000 civis em uma guerra.

    Alguns detalhes:

    1) Até 1913, a única forma de o governo federal americano se financiar (a única forma que era permitida pela Constituição) era por meio de tarifas de importação. Ou seja,toda a carga tributária federal se resumia a tarifas de importação.

    2) A Morrill Tariff elevou progressivamente a tarifa de importação de 15% em 1860 para 44% em 1870. Foi uma década perdida para os EUA.

    A partir de 1870 a tarifa voltou a cair, chegando a 27% em 1880, a 15% em 1910 e a 7,7% em 1917.

    E vale um adendo importante: como os preços só caíam por causa da moeda forte (os EUA viviam o padrão-ouro), os preços nominais dos produtos importados também só caíam. Logo, os custos nominais dessas tarifas -- que já eram decrescentes -- caíam ainda mais.

    3) É de crucial importância distinguir entre tarifas de importação com intuito protecionista e tarifas de importação com intuito arrecadatório. Uma é o exato oposto da outra.

    Uma tarifa com intuito protecionista é imposta exatamente para impedir que as pessoas importem. Se ela realmente lograr tal objetivo, a receita do governo será zero. Óbvio. Se o intuito do governo é desestimular as pessoas de importar -- e se as pessoas realmente não importarem --, então a arrecadação do governo com essa tarifa será zero. E ele não ligará, pois era isso o que ele queria.

    Já uma tarifa com intuito arracadatório existe, ao contrário, para trazer o máximo possível de receita para o governo. Ela não está ali para impedir as pessoas de importar; ao contrário, o governo está torcendo para que as pessoas importem o máximo possível, pois só assim ele terá muitas receitas. E se o governo exagerar na tarifa, então ela vira meramente protecionista, e a arrecadação do governo tenderá a zero -- exatamente o contrário do que ele almejava.

    Por uma questão de lógica simples, sabendo que o governo americano da época sobrevivia exclusivamente com as receitas dessas tarifas, então a conclusão lógica é que, à época (antes de 1860 e pós-1870), elas não tinham caráter protecionista. Se tivessem, o governo não teria receita.

    As tarifas de importação do governo Sarney e do governo Dilma, por exemplo, eram meramente protecionistas. Já as americanas eram arrecadatórias.

    E, ainda assim, eram mais baixas que as nossas atuais.

    4) Os EUA cresceram e se industrializaram porque havia ampla liberdade de empreendimento e o governo federal era mínimo (excetuando o período Lincoln). Não havia regulamentações (ao menos, não como as de hoje), e o governo federal coletava impostos unicamente via tarifas sobre importados, pois esta era a única maneira permitida pela constituição.

    Excetuando-se o período da Guerra Civil, os EUA cresceram de 1820 a 1929. E, até 1913, como não havia um Fed, era um crescimento com queda de preços.

    Livre mercado e moeda-forte. Combinação que jamais deu errado.
  • Lombardi  04/10/2018 04:20
    "Isso que você falou nunca vai acontecer. Aliás, respeitosamente, é delírio puro."

    Qual exemplo de país que abriu as fronteiras e só depois fez reformas liberais? O Brasil tentou fazer isso em 1994, como você está defendendo, e as reformas não avançaram. Então, delírio é o que você defende.
    Todas as reformas liberais primeiro acontecem dentro do país e só depois pensa "fora" do país. Se o país não for atrativo para investimentos e abrir as fronteiras, a única coisa que você terá é desemprego e ricos caindo fora.

    "Já vieram com essa conversa aqui várias vezes, dizendo que os EUA se industrializaram por causa de tarifas de importação."

    Por favor, me mostre onde eu escrevi que os EUA se tornaram desenvolvidos por causa do protecionismo. Eu disse que os EUA, por muito tempo, foi o país mais liberal do mundo mesmo tendo tarifas de importação consideradas altas (e que todos praticavam, portanto, todos os países deveriam serem ricos igual os EUA segundo a linha de raciocínio de quem defende tarifas protecionistas).
  • Sílvio Santos  04/10/2018 13:38
    "Qual exemplo de país que abriu as fronteiras e só depois fez reformas liberais?"

    Alemanha no pós-guerra, Hong Kong e Cingapura na década de 1960, Chile na segunda metade da década de 1970 e Nova Zelândia na década de 1980 (nesta, a abertura se deu simultaneamente às reformas).

    "O Brasil tentou fazer isso em 1994, como você está defendendo, e as reformas não avançaram."

    Oi?! Em 1994, as tarifas de importação caíram de 35% para 20%. Isso é "abertura comercial"? Aí, em março de 1995, sob lobby das montadoras, subiram pra 70%. Isso é "abertura comercial"?

    "Então, delírio é o que você defende."

    Acho que você deveria estudar mais e "ensinar" menos. Acima de tudo, ser um pouco mai humilde.
  • Lombardi  04/10/2018 20:22
    Alemanha no pós-guerra, Hong Kong e Cingapura na década de 1960

    Nos três exemplos a abertura comercial foi simultânea à desburocratização da economia. Igual a Nova Zelândia do último exemplo. Fizeram o pacote completo, não abriram a economia e só depois fizeram reformas internas. O Brasil seria o primeiro exemplo.

    Chile na segunda metade da década de 1970

    Você escolheu o cara errado pra mentir. Eu li bastante sobre o regime do Pinochet. Pinochet era um liberal, mas também era afetado pela cultura latina do mercantilismo. Ele tinha muita desconfiança de que ao abrir a economia chilena deliberadamente, a subversão soviética e cubana poderiam afetar seu regime (não só ele como os outros regimes militares da América do Sul também). Ele realmente abriu a economia para os padrões latinos, mas não antes das reformas liberais.

    Oi?! Em 1994, as tarifas de importação caíram de 35% para 20%. Isso é "abertura comercial"?

    Você parece ignorar o que significa contexto. O Brasil até a metade do governo Collor era tão fechado quanto a URSS. Era praticamente PROIBIDO importar qualquer tipo de produto estrangeiro. Foi o Collor que promoveu, depois de muito tempo, a abertura comercial do Brasil. Os impostos ainda eram bem altos, mas no contexto brasileiro foi sim uma abertura comercial (tanto que esse que foi o verdadeiro motivo de seu impeachment). O Plano Real deu continuidade à parte do que o Collor fez, entre elas essa abertura.

    Acho que você deveria estudar mais e "ensinar" menos. Acima de tudo, ser um pouco mai humilde.

    Te digo o mesmo.
  • Daniel  03/10/2018 19:29
    Caramba, gostaria muito de que alguém me tivesse explicado sobre isso antes! Ótimo artigo!
  • Raquel  03/10/2018 19:50
    Ser brasileiro é karma.Eu já conclui que ficar reclamando não adianta de nada,pois esse sistema que existe não irá mudar de forma pacífica.Muita gente se beneficia das coisas como estão.O negócio é correr pra algum país onde se possa respirar,e ter mais dignidade.
  • Paulo Henrique  03/10/2018 20:35
    Trump acredita em uma coisa chamada ''fair trade'', ele não é protecionista no termo classico da coisa, se ele fosse, ele não buscaria acordos comerciais onde as partes diminuem barreiras, e sim, apenas fechar seu próprio país.

    Vai ser interessante bolsonaro aqui buscando novos mercados e o trump lá querendo fazer acordos novos.
    Uma chance como essa de finalmente abrir o mercado Brasileiro é rara
  • Anti funca  03/10/2018 22:48
    Essas altas taxas e tudo para manter funcas lixo na estatal,bem ou mal fhc conseguiu diminuir um pouco o numero desses lixos,nao a toa que todo funca odeia o psdb,e isso que nem direita é. Para fazer as reformas tem que reduzir custos,e para fazer isso e so demitindo funcas e privatizando tudo,o que todos esses lixos temem.
  • Márcio Hoglhammer Moreira  03/10/2018 23:44
    meio certo, meio errado. Usar os EUA como exemplo pega meio mal, afinal a poucos meses, poucos mesmo, não taxaram nosso aço e aluminio? Ou reverteu o NAFTA, pondo que peças dos carros vendidos lá, TERÃO que em sua MAIORIA ser fabricados LÁ ( leia-se EUA). Então, pimenta nos...
  • Vladimir  04/10/2018 00:03
    "meio certo, meio errado"

    Gostaria de saber o que está meio certo e o que está meio errado.
  • Edson  04/10/2018 00:05
    Haha, o IMB publicou dezenas de artigos criticando o protecionismo do Trump. Mas bastou publicar um que não criticasse (mesmo porque nem era o tema) e a turma dos isentões já veio cobrar críticas ao Trump.

    Leiam os links acima postados pelo Leitor Antigo.
  • Bernardo  04/10/2018 00:07
    Sim, o Trump é protecionista (embora, para padrões brasileiros, as tarifas dele de 10% são ridículas). Mas isso é problema dos americanos (e já foi amplamente discutido aqui em vários artigos; digite "Trump" na ferramenta de buscas; ou então leia os artigos linkados acima).

    Agora, se ele conseguir fazer o Brasil reduzir as tarifas de importação, que é o que me interessa, ele vira meu ídolo. Simples assim.
  • Guilherme  04/10/2018 01:29
    A definição de ironia: uma brasileirinho que paga tarifa de importação de mais de 100% xingar Trump de protecionista porque ele impôs uma tarifa de 10%.

    É uma beleza.


    P.S.: sou a favor de tarifa zero para tudo e para todos, e por isso critico Trump por essa medida, mas tenho um minimo de noção do ridículo.
  • Marcos  04/10/2018 00:10
    Não existe uma industria nascente sem protecionismo.
    Friedrich list.
  • Sir John Cowperthwaite  04/10/2018 01:30
    Então Hong Kong e Cingapura devem ser miragens, pois possuem indústrias pujantes que surgiram sob tarifa de importação zero. Deve ser tudo ilusão de ótica, né?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804
  • Kira  05/10/2018 01:53
    Porque? empresários são burros e não sabem administrar seu dinheiro para comprar máquinas e contratar mão de obra e concorrer no mercado pro compradores e fornecedores?
  • Caio  04/10/2018 01:32
    Lógica sensacional: a indústria só fica boa, eficiente e competitiva se ela estiver operando protegida da concorrência, com reserva de mercado e totalmente imune aos desejos dos consumidores.

    Eis o ápice da indigência intelectual. Parabéns pela façanha.
  • Demolidor  04/10/2018 03:17
    Trump foi ao ponto. As práticas comerciais brasileiras são deletérias e precisam ser abolidas. Se ele tiver sucesso, quem mais vai ganhar é a população brasileira em geral, que poderá consumir produtos de qualidade a preços baixos. Embora alguns empregos sejam perdidos em indústrias ineficientes, a empiria demonstra que a melhora na dinâmica econômica vai gerar mais empregos e aumentar a renda real da população.

    Só quero fazer um contraponto: não adotemos um discurso de mocinhos versus bandidos. Os EUA também adotaram protecionismo na indústria de suco de laranja nos anos 1980, algo que deu argumento aos protecionistas daqui (embora o Brasil já praticasse um protecionismo "soviético" em outras áreas, o discurso de retribuir o tratamento, algo que Trump está usando, preocupa).

    www.ictsd.org/bridges-news/pontes/news/o-antidumping-na-prote%C3%A7%C3%A3o-ao-suco-de-laranja-estadunidense

    Espero que Trump queira mesmo acabar com as barreiras, aqui e lá, e que tenha sucesso na empreitada. No entanto, me perdoem se meu instinto de desconfiar de políticos me mantenha cético quanto a isso.
  • cmr  04/10/2018 20:39
    "Embora alguns empregos sejam perdidos em indústrias ineficientes, a empiria demonstra que a melhora na dinâmica econômica vai gerar mais empregos e aumentar a renda real da população. "

    Isso no longo prazo, mas caso você fosse um político:
    Não se esqueça, a eleição é no máximo daqui a 4 anos. O que você vai mostrar para o povão gado, ávidos por imediatismo ?
  • Demolidor  05/10/2018 14:25
    Leia os comentários abaixo de outros foristas sobre Hong Kong e Cingapura. A mudança é rápida. Basta ver que um entrave brasileiro é o tempo para se abrir empresa, que causa perda de oportunidades. Estamos falando de semanas ou meses, quando empregos estariam deixando de ser gerados.

    A empiria demonstra: Alemanha Ocidental se ajustou em poucos meses quando controles de preços foram abolidos. Há apenas seis anos, o Paraguai tinha um presidente de esquerda do Foro de São Paulo e expulsava os brasiguaios. Hoje, o que não falta são empresas e profissionais brasileiros emigrando para lá.

    O que precisa ser desmascarado é esse discurso de que ajudar a enriquecer empresário nababo ligado ao estado gera empregos. Não gera. Estão aí Brasil e Argentina para provar.
  • Carlos Donizeti dos Santos  04/10/2018 11:06
    Bom dia.
    Esta situação piorou muito, pois os Correios estão cobrando R$ 15,00 em cada encomenda internacional.
    Mercadorias de qualidade que comprávamos por 50%, 20% ou menos (incluindo o frete internacional) do que pagamos no Mercado Livre, agora ficam inviáveis de serem compradas no exterior!
  • Rodolfo Andrello  04/10/2018 14:34
    Como seria a concorrência dos produtos brasileiros sem essa carga hedionda de intervencionismo? Vejamos a produção de uma camiseta. Este importante produto é confeccionado, olhando de maneira resumida, com os custos do tecido, da linha, e da remuneração da costureira, e isso é assim tanto aqui como na China. Pela lógica comprar este produto aqui dentro do país deveria ser muito mais barato em função do ônus que possui a China e que o produtor nacional não tem que arcar... o lojista Chinês precisa fazer que sua camiseta cruze os sete mares para chegar em minhas mãos. ceteris paribus, o produto nacional tenderia a possuir custos inerentes mais baixos. Em que pese tudo isso, ele ainda consegue me fornecer um produto mais barato do que se eu o tivesse adquirido de um vendedor nacional. A única variável que não foi incluída na anedota acima é a intervenção estatal. Dadas as implicações que o exemplo suscita, há bons motivos pra desconfiar que hoje a burocracia mata de fome mais que a própria escassez.
  • Intruso  04/10/2018 14:43
    Gostaria que esclarecessem uma coisa. Os produtos importados pelo Brasil tem que ser pagos em moeda forte (dólares de preferência). O Brasil obtém dólares exportando produtos agrários, minerários, etc de baixo valor agregado que serão usados na compra dos tais produtos importados (de alto valor agregado). Então vivemos em uma amarra, uma verdadeira camisa de força. Só podemos importar pelo valor daquilo que exportamos?
  • Economista  04/10/2018 15:30
    Claro que não. Você pode também usar os dólares que entram como investimento estrangeiro direto, que entram como investimento em títulos públicos e privados, que entram como investimentos em ações, que entram como aquisição de imóveis e terrenos etc.

    É perfeitamente possível um país ser um grande importador sem exportar nada. Basta que ele seja aberto e receptivo ao capital estrangeiro na forma de investimentos.

    Eis um artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2477
  • Paulo Henrique  05/10/2018 12:28
    O que acontece com um país nao receptivo a investimentos externos e importador, sem superavit na balança comercial, é possivel ocorrer crises cambiais?
  • Felipe Costa Gualberto  04/10/2018 17:32
    Acho que o Brasil fabrica sim as chapas grossas de aço carbono. CSN, por exemplo
  • Daniel  04/10/2018 17:56
    Não leu a fonte? Está escrito lá:

    "Produto sem fabricação no Brasil terá alíquota reduzida de 12% para 2% por 180 dias"

    www.camex.gov.br/noticias-da-camex/196-camex-reduz-imposto-de-importacao-de-chapas-grossas-de-aco-carbono
  • Lombardi  05/10/2018 03:18
    brasil.elpais.com/brasil/2018/01/05/economia/1515177346_780498.html
    www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/03/150322_lee_cingapura_cc

    "economista critica rumo das políticas brasileiras e defende protecionismo nos países emergentes"

    Quanto será que ele considera ideal as tarifas protecionistas? 60% ainda não está bom? Exportar mais do que importar não é o cenário ideal que ele defende?

    Que delícia eu vivi para ver acontecer, socialistas defendendo medidas que na época ainda eram consideradas abertamente fascistas. Socialistas abandonando o socialismo e defendendo o intervencionismo de militares autoritários. Só faltam também defenderem o que os regimes militares latinos fizeram, aí o pacote estaria completo.
  • Leandro  05/10/2018 13:45
    Ha-Joon Chang é (apenas mais um) especialista em fazer propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados coreanos.

    Não há nenhuma dúvida de que protecionismo é bom para as grandes indústrias e seus empregados, mas resta ainda alguém explicar como é que restringir as opções de consumo, diminuir a oferta e encarecer os produtos disponíveis pode ser algo bom para o enriquecimento da população.

    O grande problema do livro "Chutando a Escada" é que ele confunde abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável em economista. O argumento é que, "dado que a Coréia do Sul implementou tarifas protecionistas e suas empresas cresceram, então obviamente todos os países deveriam se fechar para enriquecer". Não há um só debate no livro sobre a possibilidade de a Coréia ter se desenvolvido ainda mais caso não houvesse implementado tais tarifas (daí a confusão entre correlação e causalidade).

    Aliás, esse é exatamente o histórico de Hong Kong e Cingapura (que o autor do livro parece ignorar). Ambos os países eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970 e hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas. Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul em termos per capita. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

    Outro erro grave do livro é dizer que "o livre comércio funciona bem somente na fantasia do mundo teórico da concorrência perfeita". Ora, quem primeiro fez o argumento em prol do livre comércio foi David Ricardo, ainda no século XIX, e seu argumento jamais se baseou em tal teoria, que nem sequer havia sido inventada à época.

    Aliás, com dados pra lá dúbios. Por exemplo, Chang se limita a analisar apenas os países que se desenvolveram no século XIX, e afirma que eles se desenvolveram porque adotaram políticas protecionistas em determinados setores; mas ele não analisa todas as políticas adotadas. E em momento algum ele analisa os países que não se desenvolveram, pois isso mostraria que tais países adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que ele defende.

    A teoria indica que tais países protecionistas teriam se desenvolvido ainda mais (com empresas mais competitivas e população mais educada) caso o comércio fosse mais livre. O livro não faz essa contraposição de ideias, pois trabalha exclusivamente com dados empíricos.

    Mais especificamente sobre a Coréia do Sul, não é verdade dizer que ela "era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação de produtos de alta qualidade (ao contrário do Brasil, que só exporta produtos sem valor agregado e cuja mão-de-obra é desqualificada). Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    Vale lembrar que a Coréia do Sul no início da década de 1960 era mais pobre do que a Coréia do Norte. E mesmo assim os japoneses investiram lá. E deu no que deu.

    Outra desonestidade é se concentrar na Coréia e não analisar os países que adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que eles defendem. Estes simplesmente não se desenvolveram. O que não é surpresa nenhuma.

    Mais um ponto: vamos fazer o jogo dessa gente e conceder -- por apenas um segundo -- que tarifas protecionistas sejam necessárias para o desenvolvimento das empresas. A pergunta é: no Brasil, as empresas já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século e ainda é necessário dar mais tempo?

    Aos protecionistas ficam as seguintes perguntas: Tarifa de quanto? Por que tal valor? Por que não um valor maior ou menor? Por quanto tempo deve durar tal tarifa? Por que não um tempo maior ou menor? Qual setor deve ser protegido? Por que tal setor e não outro? E, finalmente, por que o segredo para a eficiência é a blindagem da concorrência?

    Políticas protecionistas e de incentivo à indústria não foram exatamente a cerne do governo Dilma? E olha a maravilha de resultado...

    Sobre a crucial ajuda dos japoneses à Coréia do Sul:

    www.academia.edu/5057806/PARK_CHUNG-HEE_AND_THE_ECONOMY_OF_SOUTH_KOREA

    Aqui há um relato bem breve:

    en.wikipedia.org/wiki/Third_Republic_of_South_Korea
  • 4lex5andro  05/10/2018 15:48
    Taiwan não se enquadraria nos exemplos de Singapura e Hong Kong?

    Ou se assemelharia ao caso sul-coreano?

    Poucos textos sobre economia em português abordam, sob um viés libertário, o sucesso econômico desses países orientais.
  • AGB  06/10/2018 12:09
    Sempre é bom registrar que a Coréia, embora sofrendo séculos de dominação estrangeira (chineses, manchus, japoneses), possuía uma cultura de alto nível. Já havia inventado um alfabeto mil anos antes de Cristo. Sem desmerecer os avanços das culturas pré-colombianas, estas ainda estavam no patamar atingido pelos povos mesopotâmios lá pelo ano 3000 AC. É evidente que o desenvolvimento das sociedades americanas exigiria uma enorme mudança de mentalidade.
  • Lucas Ramos Cardoso  05/10/2018 13:08
    O problema é que o governo brasileiro taxa a muitos produtos estrangeiros desnecessariamente, não faz sentido taxar um produto se no Brasil não é fabricado ou mesmo sem concorrência, o que fica óbvio que é mais uma maneira em arrecadar tributos e sustentar a máquina política brasileira, se não fosse verdade, não veria tantos buracos nas estradas brasileiras, é porque é que pagamos o IPVA ? Muito hipócritas !
  • Gustavo A.  05/10/2018 14:13
    Aproveitando que o Trump está em foco no artigo...

    E essa aprovação do Kavanaugh pra Suprema Corte? Importantíssima para os Republicanos.
  • ERS  05/10/2018 14:49
    O que aconteceria com o comercio brasileiro se adotássemos o padrão ouro ?

    Devido ao alto valor do ouro, o Brasil teria condições de exportar alguma coisa ?

    O alta valorização da moeda, devido a padrão ouro, não mataria a já moribunda industria turística brasileira ?

    Em quanto deveria ser fixado o preço do ouro 1 real= 1 grama de ouro ?


  • Pobre Paulista  05/10/2018 15:45
    O que tem a ver uma coisa com outra?

    Mas a título de curiosidade, se o Brasil adotasse o padrão-ouro hoje, 1g de ouro valeria R$150 reais.
  • 4lex5andro  05/10/2018 15:45
    > Se somente o Brasil adotasse o padrão-ouro, difícil avaliar, mas se todos os países também o fizesse, certamente diminuiria o poder dos bancos centrais sobre emissão de moedas, o que seria benéfico a toda a economia que não ficaria tão exposta a surtos em épocas de eleição/trocas de governo.

    > Continuaria exportando, só a cotação dos produtos seria feita em "moeda" diferente.

    > Jamais, o turismo interno estaria fortalecido, e haveria um maior dinamismo - e competição - no setor hoteleiro; como referência os países que são potências no setor de turismo {Eua, Espanha e França} usam moedas muito valorizadas, o dólar e o Euro.

    > Não é ser fixado, isso seria intervenção governamental, o próprio mercado já tem sua cotação {que continuaria sendo referência possivelmente} atualizada diariamente.
  • gean carlos  05/10/2018 17:08
    Sabe quando a república social democrata das bananas do brasil vai entender isso ?

    NUNCA. Vão se passar 10.000 anos e tudo vai continuar a mesma coisa.
  • gean carlos  05/10/2018 21:22
    Sabe quando a república social democrata das bananas do brasil vai entender isso ?

    NUNCA. Vão se passar 10.000 anos e tudo vai continuar a mesma coisa.
  • Otimista  06/10/2018 23:59
    Eu sou mais otimista neste quesito.
    Se vc oferecer fatos e comprovar esses fatos de idéias liberais para as pessoas possa ser que haja uma mudança de pensamento e de ações.

    Essa propagação é essencial no meio familiar e de amigos próximos para expandir mais e mais.

    A verdade liberta.

    Nunca diga nunca.
  • Nordestino Arretado  07/10/2018 17:28
    Caros amigos, sei que o que irei falar é off topic, mas gostaria que vocês dessem opiniões sobre o tal CEPAC que construiu o Porto Maravilha no RJ.
  • Sté  07/10/2018 21:42
    Ué? ...e me ensinaram que estávamos a um passo do paraíso, era só o pessoal do Estado sabiamente apontar seus fuzis às pessoas certas.
  • João  08/10/2018 18:27
    Boa tarde!

    Vcs poderiam me explicar porque o Nordeste gosta tanto do PT e extensões?

    Só aqui na Bahia tem:
    1) 4 das 5 cidades mais perigosas do Brasil
    2) O estado com o 2° pior saneamento básico
    3) 3° em desemprego perdendo para o Alagoas e o Pernambuco.
    4) No site da transparência Bahia as receitas e despesas só tem aumentado.(39,42,45,_Bi)

    Mesmo assim conseguiu se reeleger Ruim Costas+Jack Wagner+Ângelo coroné+seguidores.

    O Haddad conseguiu ganhar em 411 de 417 municípios da Bahia.

    Além do mais agora só tem 2 opções como conseguir reverter esse quadro?
  • Pobre Paulista  08/10/2018 19:38
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1982
  • Insurgente  08/10/2018 19:40
    Porque as pessoas gostam de mamata, tem a mentalidade tacanha, maioria estão na caverna e são alienadas e não entendem nada ou quase nada de política.

    Também sou baiana, daqui de pertinho de salvador - (com s minusculo MESMO)

    Ruim Costa em termos de infra fez igual a Kim jon Un em Peyongyang. deu uma boa maquiada em Salvador, com o metrô de uns poucos quilômetros que os retardados acham massa, asfaltou os bairros ultra populosos das periferias, e fez o hospital do subúrbio juntamente com o apoio de ACM Neto.

    Substituiu a força policial degradada mas divulgou que fez contratações. de mais de 6 mil homens

    Construção de 7 hospitais.


    fora isso:
    Pedagiou estradas lixosas, que continuam lixosas e esqueceu outras tantas;
    Greve de professores todo santo ano, com uma educação horrorosa;
    Programas da Bahiatursa, gastando dinheiro com pagamentos a artistas famosos em shows;
    Filas gigantescas em hospitais;
    Taxas de homicídio numa crescente ( 98% em 10 anos).
    Empresas fechando






  • Skeptic  09/10/2018 02:28
    Trump, o protecionista reclamando (com razão) do protecionismo alheio. Muito hipócrita.
  • Realista  09/10/2018 13:28
    Um protecionista que cobra 10% reclamando de protecionistas que cobram 100%. Não sei quanto a você, mas eu, se pudesse escolher, optaria pelo primeiro sempre. E feliz.
  • Emerson Luis  19/10/2018 11:08

    Quando o preço do feijão subiu muito em 2016, o governo caridosamente diminuiu os impostos de importação desse produto para baixar o preço.

    Que bondoso! Mas por que não zeram essas taxas definitivamente para o feijão e outros produtos de primeira necessidade? Não vivem dizendo que eles e somente eles se importam com os pobres? Quem nos protege de nossos "protetores"?

    * * *


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