clube   |   doar   |   idiomas
As lições da Argentina: inércia, gradualismo e medo de reformas são fatais para uma economia
As amargas consequências de se evitar a realidade

Em dezembro de 2015, ultimo mês do governo de Cristina Kirchner, a Argentina apresentava um déficit orçamentário de 5,1% do PIB.

Dado que o governo argentino havia decretado moratória no início da década de 2000, e reincidido em 2014, o governo não conseguia se financiar facilmente via empréstimos no mercado financeiro. Pior: os mercados internacionais estavam fechados para o governo do país, tanto por conta desse histórico de moratórios quanto pelo descrédito gerado pelos governos Kirchner.

Sem poder emitir títulos para se financiar, o então governo Kirchner tinha duas alternativas para cobrir esse rombo orçamentário: aumentar impostos ou imprimir dinheiro.

Aumentar impostos era inviável, pois estes já estavam em níveis alarmantes. Segundo o relatório de competitividade global do Fórum Econômico Mundial, a carga tributária da Argentina já era simplesmente a mais alta das 138 economias analisadas. Pior: desde 2002, a carga tributária do país — federal, províncias e municípios — já havia aumentado mais de 10 pontos percentuais em relação ao PIB.

A trajetória dos gastos públicos foi ainda mais espantosa: eles aumentaram 20 pontos percentuais em relação ao PIB, com os gastos consolidados do país chegando a 47,9% do PIB, uma cifra claramente desproporcional.

Logo, sem poder se endividar e sem ter como aumentar impostos, o governo Kirchner fez aquilo que os países latino-americanos tradicionalmente fazem: colocou seu Banco Central para imprimir dinheiro e, assim, monetizar a dívida. O Banco Central imprimia e repassava ao Tesouro. E então o governo gastava.

Assim, de 2003 ao final de 2015, a base monetária da Argentina — uma variável totalmente sob controle do Banco Central argentino — aumentou 1.730% (ou seja, foi multiplicada por 18). Como consequência, a quantidade de dinheiro (pesos) na economia argentina (M1) disparou 2.415% (ou seja, foi multiplicada por 25).

E o que sucede quando não existe uma grande demanda por um ativo (neste caso, o peso argentino), mas este tem sua oferta substantivamente aumentada? Correto, esse ativo perde valor. Internamente, a perda de valor do peso estava se materializando em uma alta de preços galopante (de 30% em 2015).

Externamente, tamanha inflação da oferta monetária deveria ter se expressado na forma de uma forte depreciação cambial. Entretanto, o governo Kirchner havia instaurado, desde 2011, o chamado 'cepo cambial': o governo restringia a compra de dólares pelos cidadãos argentinos. O objetivo do cepo era exatamente o de aprisionar os argentinos ao peso inflacionado, impedindo-os de escapar (para o dólar) de uma moeda que o governo estava inflacionando para financiar seus déficits.

Ou, dito de outra maneira, em vez de financiar o excesso de gastos governamentais emitindo títulos da dívida nos mercados globais, os Kirchner optaram por parasitar toda a população aplicando o "revolucionário" imposto da inflação.

Esta era a bomba que, segundo o prometido, Maurício Macri iria desarmar ao assumir a presidência: reestruturar as finanças públicas para não mais financiar o déficit orçamentário por meio da impressão de pesos, e abolir o cepo cambial.

O controle dos gastos em conjunto com o fim da inflação monetária colocaria um freio na carestia e permitiria que o cepo cambial pudesse ser abolido sem grandes traumas. Adicionalmente, o fim do cepo supostamente atrairia investimentos estrangeiros e reativaria o crescimento econômico.

Ajustes, mas sem dor

Entretanto, o novo presidente argentino também prometeu evitar qualquer tipo de ajuste duro. Em vez de medidas rápidas e decisivas, houve a promessa de gradualismo.

Em vez de aprovar um forte corte nos paquidérmicos gastos herdados dos Kirchner, Macri anunciou, tão logo assumiu a presidência, aumentos para os aposentados e para os professores. E para não comprar briga com sindicatos e com o funcionalismo público, não fez nenhuma indicação de que privatizaria estatais. A Aerolíneas Argentinas, por exemplo, que foi estatizada pelos Kirchners e que dá um prejuízo ao Tesouro argentino de 2 milhões de dólares por dia, segue intacta. Igualmente, a estatal petrolífera YPF registra prejuízos trimestrais milionários, e nada de o governo se desfazer dela. Já o número de funcionários públicos continuou em níveis soviéticos (há 4 milhões de funcionários públicos na Argentina, sendo que aproximadamente 280 mil são fantasmas). Para completar, as dificuldades para empreender seguem as mesmas (o país está na 116ª posição no ranking de facilidade empreendedorial).

A intenção, portanto, era não se indispor com ninguém e adotar apenas ajustes graduais e suaves. Nada que pudesse ser considerado muito drástico. E nem severo.

Em termos realmente efetivos, seu plano consistia em começar a casa pelo telhado: reestabelecer a credibilidade internacional do governo argentino e abolir o cepo cambial antes de corrigir o déficit.

Acreditava-se que isso já bastaria para aumentar a confiança, trazer os tão necessitados investimentos estrangeiros, e fazer a economia voltar a crescer, as receitas tributárias aumentarem e o déficit cair.

Este era o plano. Nada de mudanças estruturais. Apenas uma mudança de postura.

De início, até que funcionou...

Como esperado, tão logo Macri chegou ao poder, em dezembro de 2015, ele cumpriu a promessa e aboliu o cepo cambial. A taxa de câmbio saltou de 10 pesos por dólar para 15 pesos por dólar.

Poucos meses depois, em abril de 2016, ele pagou os credores internacionais que ainda resistiam a aceitar a moratória soberana decretada em 2001. Naquele mesmo mês, o governo argentino voltou a ser aceito nos mercados internacionais e conseguiu voltar a emitir dívida nestes mercados — 40 bilhões de dólares a uma taxa de juros de 6,75% (em dólares) ao ano — após 15 anos de exclusão.

O charme de Macri parecia estar surtindo efeito e o plano parecia estar dando muito certo. Só que havia dois problemas: um interno e outro externo.

... mas depois desandou

O problema interno é que Macri fracassou completamente em seu intuito de corrigir o déficit: em 2017, o desequilíbrio das contas públicas alcançou 6% do PIB — acima do registrado no último ano de Kirchner — devido ao fato de que os cortes de gastos simplesmente não ocorreram.

Consequentemente, o governo argentino manteve-se firme na tradição: continuou imprimindo dinheiro para bancar seus gastos.

Como mostra o gráfico abaixo, a expansão da base monetária sob o governo Macri foi de mais de 75% desde janeiro de 2016 até hoje.

argentina-money-supply-m0.png

Gráfico 1: evolução da base monetária argentina

Como consequência, a quantidade de dinheiro em posse de pessoas físicas e jurídicas continuou crescendo tão ou mais intensamente sob o governo Macri em relação ao governo Kirchner. O M1 cresceu 73% no mesmo período.

argentina-money-supply-m1.png

Gráfico 2: evolução do M1 argentino

Já o problema externo é que as taxas de juros nos EUA começaram a aumentar. De dezembro de 2015 até hoje, elas subiram de 0,25% para 2%.

Consequentemente, os títulos da dívida argentina deixaram de ser vistos pelos investidores estrangeiros (de acordo com a razão rentabilidade-risco) como um ativo interessante no qual depositarem seu capital.

E então os investidores estrangeiros começaram a sair do país, trocando os inflacionados pesos por dólar, a taxas cada vez mais aceleradas. Além dessa saída dos investidores estrangeiros, houve a corrida dos próprios argentinos à moeda americana, um velho hábito nacional em fases de grande incerteza.

Como inevitável consequência dessa estrondosa inflação monetária e da fuga para o dólar, o peso não mais parou de se desvalorizar em relação ao dólar. Em dezembro de 2015, eram necessários 10 pesos para comprar 1 dólar. Hoje são necessários 38 pesos.

cambiohistorical.png

Gráfico 3: evolução da taxa de câmbio da Argentina

Observe que, apenas neste ano de 2018, o dólar já encareceu mais de 100%. Em outras palavras, o peso já desvalorizou mais de 50% em relação ao dólar.

Como consequência dessa desvalorização da moeda, a inflação de preços está acima de 30%.

Para tentar conter essa crescente desvalorização da moeda — cuja raiz, sempre vale repetir, é a inflação monetária —, o Banco Central argentino passou a elevar a taxa básica de juros em doses cada vez mais cavalares.

argentina-interest-rate.png

Gráfico 4: evolução da taxa básica de juros na Argentina

Observe que, após um período de relativa calmaria em 2017, com a taxa básica de juros argentina em "apenas" 24,75% (quando o câmbio também estava relativamente estável), a aceleração da saída de capitais em 2018 em conjunto com a forte desvalorização do peso fez o Banco Central argentino elevar a taxa básica para incríveis 60%.

Vale também notar que essas súbitas e acentuadas elevações da taxa básica de juros geraram um ciclo vicioso: quanto mais a moeda se desvalorizava, mais o BC subia os juros para tentar conter a desvalorização. E quanto mais ele subia os juros, mais as pessoas se assustavam com a gravidade da medida e mais elas abandonavam o peso e fugiam para o dólar. E mais ainda o câmbio se desvalorizava.

Trata-se do famoso exemplo das consequências não-premeditadas: um súbito e acentuado aumento dos juros, com a intenção de conter a desvalorização da moeda, acabava gerando o efeito exatamente oposto, pois os investidores e os próprios cidadãos argentinos se assustam com a intensidade das medidas e reforçam ainda mais a sua fuga. O raciocínio é: "Se o governo está subindo os juros desta maneira é porque a situação é muito pior do que parece. É melhor eu sair do peso rápido!".

Com uma taxa de juros em 60%, com uma moeda em acelerado processo de desvalorização e com uma inflação de preços acima de 30%, a produção industrial desabou 8%.

Para resumir: dado que o déficit público nunca foi corrigido, e dado que foi ficando cada vez mais caro financiá-lo com recursos externos, os cidadãos argentinos e os investidores estrangeiros rapidamente perceberam que a monetização dos déficits (impressão de dinheiro pelo Banco Central) não iria acabar, e que, portanto, a inflação de preços não iria ceder.

Acrescente a isso o fato de que não mais há um cepo cambial, e tem-se então um cenário de fuga generalizada para o dólar, o que explica a brutal desvalorização do peso.

Para reverter esse cenário, o governo, além de subir os juros, recorreu, ainda em maio, ao FMI para negociar um empréstimo parcelado de US$ 50 bilhões (o que equivale à metade das atuais reservas internacionais do país). Como isso não bastou para arrefecer a fuga do peso para o dólar, o governo argentino voltou novamente o FMI agora em agosto e pediu para antecipar parcelas deste empréstimo. O objetivo é usar esses dólares para tentar conter a desvalorização cambial.

O FMI, vale lembrar, é apenas uma burocracia global muito bem nutrida com o dinheiro dos pagadores de impostos dos países-membros, e que se dedica a malversar esses fundos emprestando-os a governos esbanjadores e insolventes, aos quais nenhum investidor privado se arrisca a emprestar. A ideia de pedir empréstimo ao FMI é ganhar tempo: ajudar a conter a desvalorização do peso sem ter de fazer grandes ajustes e, então, torcer para que durante os anos seguintes haja alguma estabilidade que permita à economia voltar a crescer, o que faria com que os déficits caiam em decorrência das maiores receitas de impostos geradas pelo crescimento econômico.

Além da ajuda do FMI, o governo argentino também apresentou um pacote de elevação de impostos (4 pesos extras sobre cada dólar de exportação primária e 3 pesos adicionais sobre cada dólar das demais exportações) e de redução do número de ministérios para tentar conter o déficit — e, com isso, em tese, não mais ter de imprimir dinheiro para financiá-lo.

O plano que nunca houve

Dito tudo isso, quem melhor resumiu as causas do fracasso foi o economista argentino Roberto Cachanosky:

Desde o início do governo Macri, seus assessores lhe venderam a ideia de que não haveria problemas em não se ter um plano econômico. O plano econômico era o próprio Macri: isto é, bastava ele estar na Casa Rosada, com o kirchnerismo fora do governo, que isso iria, magicamente, produzir uma chuva de investimentos estrangeiros, os quais gerariam um mágico efeito de crescimento econômico — apesar do monumental gasto público, da carga tributária confiscatória e de toda a rígida e inflexível legislação trabalhista.

Todos os sérios problemas estruturais que vinham se acumulando na economia argentina desde décadas, e que foram levados a um extremo insólito pelo kirchnerismo, magicamente seriam pulverizados pela simples presença de Macri. Esta era, no fim, a verdadeira estratégia: a simples mudança de governo já bastaria para fazer os investimentos dispararem, a economia crescer, as receitas tributárias aumentarem e o déficit cair.

A falta de um plano econômico consistente seria mais do que compensada pela simples existência de Macri, a qual bastaria para mudar as expectativas e alterar o rumo da economia sem a necessidade de grandes reformas estruturais.

De concreto, o macrismo, no mínimo, subestimou a fenomenal crise herdada do kirchnerismo. Um erro grosseiro tanto econômico quanto político.

Ao menos Macri teve a decência de, em seu último discurso, reconhecer que seu gradualismo foi uma medida errada e fracassada.

___________________________________________________

Leia também nossos outros artigos sobre a Argentina, os quais já previam que o gradualismo estava destinando a economia do país ao fracasso:

O populismo radical foi rechaçado na Argentina. O grande risco atual é o conformismo e a inércia

A Argentina é inviável

A Argentina continua inviável. Qual realmente é o problema com o país?

Após um ano de governo, o que Mauricio Macri conseguiu fazer na Argentina?

 

30 votos

autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • JUDEU  05/09/2018 11:18
    Como a social-democracia é magnífica...
  • Reginaldo  05/09/2018 16:26
    90% das pessoas tem a mentalidade social democrata, incluindo as pessoas mais instruídas (veja que a população argentina é considerada bem instruída, muito mais que a brasileira). Mas elas não são culpadas por esse defeito intelectual. Foram doutrinadas nos últimos 70 anos para pensarem assim. Construíram todo o seu ideário político e econômico em cima de bases falsas.

    Agora é muito difícil mudar isso. Qualquer tentativa de questionar a social democracia equivale a destruir os alicerces de um prédio. O cérebro das pessoas reage com mecanismos psicológicos de proteção. Por isso, negação e violência são o padrão contra ideias libertárias. Quase ninguém é capaz de ligar os pontos, e associar o caos atual à falta de liberdade.
  • JP  05/09/2018 17:03
    Por isso o problema não pode ser reduzido à política nem à economia. O cerne é a cultura.

    Mesmo que por uma passe de mágica qualquer país saísse de seu estado mental esquerdista, ainda sim, levaria anos para as pessoas adaptarem-se ao pensamento de autorresponsabilidade e de liberdade.

    Um ser humano ou qualquer animal são feitos de hábitos, repetições, já dizia Aristóteles há milênios. Largue um animal selvagem por algum tempo em um ambiente que não o seu natural e veja que perderá sua capacidade de sobrevivência.

    Acontece que por sermos doutrinados no socialismo, nem mesmo sabemos que somos socialistas, nem temos ciência que nos educaram e formamos hábitos de dependência social.

    Faz parte da ideologia revolucionária comuno-socialista apagar a história da sociedade a qual ela pretende subjugar, o mais recente fato relativo ao museu nacional faz parte desse processo.

    Não tendo consciência do ambiente a qual pertencemos fica mais fácil sermos dominados.

    Quando menos percebermos já foi, assim foi na Venezuela, assim está sendo em vários países, inclusive no Brasil.
  • anônimo  05/09/2018 18:36
    É verdade que o argentino é (ou era) instruido, pelo menos até a década de 1990. Gosta (ou gostava) de ler mais que o brasileiro.

    Não sei a situação após o ano 2000. Ano em que saí.

    Mas em materia económica estiveram/estão como aqueles da caverna de Platão. Estão nas sombras do keynesianismo e não conseguem sair dela.

    Lendo os jornais La Nación ou Clarin de 1988 (plan Primavera com Alfonsin) e os de 2018, os titulares "são os mesmos"!! Ou seja, as mesmas receitas. Banco Central vende X dólares para conter a escalada do dólar:

    [link]www.clarin.com/economia/dolar-sigue-subiendo-toda-region-acerca-32_0_Bk999pzw7.html[/linl]

    A seguir os comentários de um ex vice do Banco central em relação às Lebac:

    www.cronista.com/finanzasmercados/Lucas-Llach-y-el-velociraptor-de-las-Lebac-20180524-0061.html-

    Um lindo gráfico:

    www.clarin.com/economia/enfermedad-economica-argentina-107-anos-deficit-fiscal_0_Bysy4ClpM.html
  • Carlos  06/09/2018 00:41
    Pra mim o que vai destruir essa esquerda atual e a sua agenda que hoje é praticamente hegemônica será, paradoxalmente, o que lhe dá força hoje, que é essa tentativa fanática e religiosa deles de destruir a "natureza humana".

    Pois querendo ou não a natureza humana é imutável, ela pode ser "adormecida", mas uma hora ela acorda e começa a causar problemas para a elite esquerdista. E um exemplo é as marchas anti-imigração na Europa por exemplo, a eleição de Donal Trump e o próprio Brexit.

    Essa tentativa absurda de acabar com a natureza humana, levada ao extremo, vai levar a uma fissura social que fará com que obrigatoriamente uma nova "filosofia politica" seja implementada. Agora se ela será melhor ou piorar, ai só deus sabe.
  • JP  06/09/2018 15:38
    Já já um novo ponto de ruptura se fará presente.
  • Leandro C  08/09/2018 15:02
    Carlos 06/09/2018 00:41,
    Concordo com seus argumentos e premissas, mas, em cima disto, tenho uma leitura um pouquinho diversa em alguns detalhes:
    a natureza humana é mesmo imutável, inclusive, na minha opinião, ligeiramente má, razão pela qual alguns sempre irão tentar se aproveitar dos demais para seu conforto; e melhor oportunidade não há que se apropriar do Estado; e melhor forma não existe que instalar um totalitarismo; e melhor ainda não ser sequer odiado por isto e assim evitar ser combatido/confrontado, o fazendo então de forma populista e se utilizando, preferencialmente, das agendas sociais/culturais comunistas, expedientes que já se mostraram muito úteis na bovinização popular, utilizados não para (ou melhor, não apenas para) destruir a natureza humana, mas também para adormecê-la indefinidamente (como fim ou no meio no processo para sua destruição).
    Também considero que estamos em um ponto de retorno para a direita em termos mundiais, mas o pêndulo sempre oscilará, infelizmente (pode ser uma leitura pessimista, mas me considero apenas realista), sempre oscilando e indo um pouquinho mais à esquerda (mesmo porque a riqueza mundial criada pela tecnologia etc proporciona que não se passe fome de imediato); no tocante ao pessimismo, acho até que é algo religioso, no sentido do estado convergir com religião (como voltamos a ver tentativas mundiais do catolicismo), todos pedindo paz, final dos tempos e tudo o que foi profetizado.
    Mas, enfim, concordando mais uma vez contigo, a esquerda foi com muita sede ao pote, provocando o movimento pendular, mas tenho por certo que o futuro será mesmo o distópico, corram para as colinas!
  • Capital Imoral  05/09/2018 12:54
    O incêndio no Museu Nacional representa um rompimento com o retrocesso intelectual

    Na noite de 2 de setembro de 2018, um incêndio de grandes proporções atingiu a sede do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, destruindo cerca de vinte milhões de itens catalogados. No artigo de hoje irei comentar sobre este ocorrido e porque não há razão para tanto alarde.

    Conservadores e neoliberais entraram em pavorosa quando ocorreu o incêndio no Museu Nacional. Diziam eles: "É o fim da consciência nacional", "Quem controla o presente controla o passado", "O que será da alta cultura? (nunca leu um livro)". Chega a ser engraçado a hipocrisia desse pessoal que diz representar a alta cultura. Até mesmo Alexandre frota, que até ontem estava pronunciando "Cristões", quis dar pitaco sobre cultura e consciência nacional.

    A verdade é que não fiquei nem um pouco comovido, por mim poderia ter colocado o Instituto Mises, Liberais e conservadores dentro daquele museu e queimado tudo. Para criar o futuro é preciso romper com o passado. É hora de rompermos de vez com esse passado tenebroso e olharmos para o futuro. É preciso acabar com esse lixo burguês idolatrado e supervalorizado por uma classe média sem cultura e ignorante.

    Eu acredito, inclusive, que houve demora para destruir todo esse lixo cultural que nos remete à escravatura e patriarcado. Veja que a revolução cultural se iniciou com a república brasileira; se você pesquisar em alguns livros de história, que agora são cinzas (hahaha), verá que os republicanos faziam questão de apagar da história tudo que lembrasse de alguma forma a monarquia no Brasil. Por quê? porque isso era uma forma de manter costumes e valores contra-revolucionários.

    A esquerda precisa ser soberana
    Quando escrevo sobre soberania nacional não falo apenas da soberania territorial, isso é o de menos; o mais importante está na soberania cultural e intelectual. O conservador é um bicho tão burro que não percebe que, mesmo depois do golpe, ainda temos o controle da cultura, até mesmo da alta cultura. Ter um dos fundadores do PSOL como responsável pelo maior museu de história natural e antropologia das Américas é um exemplo claro disso. Isso sem contar as escolas, universidades e centros acadêmicos. Não tem para onde você fugir meu filho, o cerco está se fechando, cedo ou tarde sua mente será nossa.

    Não podemos mais nos prender ao passado, o passado virou cinzas, acabou. O mundo precisa evoluir, chega de ficar nessa masturbação mental no qual a pessoa fica relembrando de um passado que já morreu. Acabou, neoliberal. Mises morreu naquela fogueira e agora temos Capital Imoral. Veja o futuro glorioso que estamos preparando para você: um futuro onde a pessoa poderá desfrutar a sutileza do modernismo e contemporâneo; poderá desfrutar do minimalismo literário, que é, de fato, mais inclusivo e social; poderá se emocional (talvez não) com a graciosidade da dramaturgia social, uma dramaturgia que a todo momento te denuncia, uma denúncia por existir, uma denúncia por ainda continuar a ser tão humano, tão inerte, como a própria natureza humana. Não tenha medo, eu vou te levar ao futuro.


    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Elimar Junior  05/09/2018 17:43

    Capital imoral,

    Interessante alguém que se auto denomina "filósofo" ser tão contraditório.

    Nos comentários do artigo www.mises.org.br/Article.aspx?id=2401#ac172146 você afirma que "vivemos uma sociedade onde 90% é semianalfabeto, uma sociedade onde 98% não saberia apreciar uma obra de Liszt ou Haydn.", ou seja, venera o passado do qual desdenha agora. Lembrando que, em um passado não muito distante, este tipo de manifestação cultural era de apreciação quase exclusiva do "patriarcado", que no atual momento você também despreza.

    Toma pontos de vista diferentes conforme a ocasião lhe convém, e flerta com argumentos infundados e preconceituosos (preconceituosos ao ponto de vista de que, ao não apreciar um certo ramo musical a pessoa é tida, por você, como ignorante. Já levou em consideração o gosto musical, estritamente pessoal, dos indivíduos que você mencionou?).

    Acredito que todo este seu fervor por "apagar o passado", seja para, talvez, apagar um fato que lhe incomoda: TODA e QUALQUER política pregada pela esquerda só leva a humanidade aos caos da miséria e da fome.

    Quanto à subversão da cultura ao politicamente correto, defendido por você (e sim, infelizmente estamos à mercê desta situação), é a maior causa dos problemas que nos assolam hoje. Se o país que vivemos está onde está, é pelo excesso de regulamentações em todos os âmbitos de nossas vidas. Desde as relações sociais até as comerciais, todos estamos presos por cordas invisíveis que não nos deixam pensar e evoluir como deveríamos.

    Se você defende tanto assim o amadurecimento e a evolução mental que tanto necessitamos, deveria prezar pela LIBERDADE INDIVIDUAL de pensamentos e ações, nunca pela coerção moral e pela doutrinação de mentes.

    Mentes doutrinadas geram resultados pífios e desastrosos.

    Quanto à refutar Mises, tenta de novo. Tá longe ainda.

    Abraço!
  • Libertariozinho  05/09/2018 18:36
    O fracasso da esquerda contra o capitalismo é tão evidente que não existem mais argumentos econômicos ou éticos contrários, apenas argumentos supostamente morais, o que não tem relevância alguma para provar nada.
    Seu historicismo é tão esquisito que acredita que VOCÊ irá levar tudo para frente. Esse tipo de historicismo eu nunca tinha visto...
  • Roberto Souto  05/09/2018 18:54
    És um Gênio! Só talvez seja generoso demais quando diz conservador e liberal no Brasil. Aqui ambos significam a mesma casta de ignorantes, acham que ir a igreja todo domingo e discutir palpites em sites e redes sociais vai substituir 100 anos de incursão maciça de contracultura e valores revolucionários, influenciando principalmente os meios de informação e os supostos bastiões que resguardariam a república. É na cultura, coisas que brasileiro tanto despreza, que as mudanças de fato se concretizam. Economia deixa para os que gostam de pagar contas.
  • 5 minutos de ira!!!  05/09/2018 19:44
    Bem..... os americanos estavam a botar abaixo as estátuas dos confederados...... conte alguma novidade, Capital Imoral (sei que tens capacidade de divagação genial), porque dessa posição esquerdopata estamos cansados de saber.

    Eu chamo isso de Anacronismo científico, como o caso da "dívida histórica" perante ex escravos, da qual tratou outro artigo recentemente.

    Quem fez isso direitinho foi o ISIS ao destruir cidades e templos muitimilenares.

    A esquerda domina a política brasileira há 30 anos e destruiu nossa economia nos últimos 18. É óbvio que, para eles, temos que romper com o passado... para esquecer dessas últimas décadas e votar novamente neles... o mais impressionante... é isso mesmo que vai acontecer... se não nessa eleição, na próxima...

    ATT
  • Zeca  05/09/2018 21:47
    Bicho, o liberal médio é tão retardado que não entende nem trolagem intencional.
  • Pensador Puritano  06/09/2018 10:12
    Trolagem ou não devemos refutar capital imoral sim,pois esse tipo de pensamento é sedutor e faz a cabeça dos alienados e chego a dizer que as vezes até eu com toda a cultura austríaca que tenho e fruto da leitura diária de Mises...fico balançado,imagina os desavisados.
  • Realista   06/09/2018 13:04
    Quem deveria ir pra fogueira são os fanáticos feito você, sejam esquerdistas ou direitistas.

  • Leandro C  08/09/2018 20:44
    Capital Imoral 05/09/2018 12:54,
    muito bem lembrado, enquanto muitos choram pelo incêndio do museu, não percebem que toda a nossa cultura, não apenas objetos que haviam em um museu, já foi, diária e paulatinamente, completamente incinerada, passo a passo, sob o nosso nariz; aliás, assim como o que queimou não tem mais volta, também considero que no plano cultural já não há mais volta, talvez apenas pequenos retornos que alimentarão novos "avanços" da esquerda, pois, enquanto país, infelizmente, já estamos completamente dependentes, reféns mesmo, da ideia de Estado totalizador, central, em absolutamente tudo com que interagimos; parabéns a todos os sobreviventes.
  • Cristiane de Lira Silva  08/09/2018 21:48
    "A verdade é que não fiquei nem um pouco comovido, por mim poderia ter colocado o Instituto Mises, Liberais e conservadores dentro daquele museu e queimado tudo. Para criar o futuro é preciso romper com o passado. É hora de rompermos de vez com esse passado tenebroso e olharmos para o futuro. É preciso acabar com esse lixo burguês idolatrado e supervalorizado por uma classe média sem cultura e ignorante."

    Kkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkk Eu concordo que é preciso romper com o passado e olhar para o futuro, mas não queimando um museu ( e destruindo as suas 700 peças egípcias. Um desastre.) Piadas suas à parte, a esquerda está chorando pelo museu.
  • Yonatan Mozzini  05/09/2018 12:57
    Existe uma solução rápida, simples e fácil para a economia da Argentina. Apenas uma medida que irá, ao longo do tempo, obrigar o governo a tomar a dezenas de medidas sensatas: a dolarização. O peso argentino precisa ser extinto para que a economia argentina sobreviva.
  • Breno  05/09/2018 13:37
    Uma fatia dos argentinos já esta dolarizada há muito tempo. O cara recebe o salário em pesos e imediatamente corre para converter tudo em dólares e deixar debaixo do colchão.

    Como já estão escolados em corralito e já conhecem bem o histórico inflacionário e de desvalorização cambial do país, não há taxa de juros que os convença a sair do dólar pra voltar pro peso. E, convenhamos, quem já estava no dólar há mais tempo teve um baita ganho com esse investimento. Só este ano ganhou mais de 100%.

    A única solução efetiva seria de fato a total dolarização da economia, só que isso não será feito por motivos nacionalistas. Preferem ferrar toda uma economia apenas para poder dizerem que "ao menos temos uma moeda nacional".
  • Mendonça  05/09/2018 20:16
    Extinguir o Peso e adotar a dolarização é apenas um paliativo. Você ataca o problema sem atacar a causa. Nenhuma economia foge à reforma do estado, redução de gastos de governo, investimentos em infra-estrutura, tributos baixos, baixa carga de juros, oferta de crédito barato e acessível. Sem isso empresas não se desenvolvem, tampouco há livre mercado, pesquisa & desenvolvimento; deixa de haver emprego e renda, e a arrecadação não cresce. O óbvio.
  • Guilherme  05/09/2018 20:33
    Que ambicioso, o argentino médio já ficaria plenamente satisfeito com a economia totalmente dolarizada e sem vislumbrar a possibilidade de um futuro venezuelano. Equador escapou de virar mini Venezuela por sua dolarização, não dá pra imprimir verdinhas, isso aqui é América Latina, ter renda per capita em dólares de 5 dígitos e não ser um chiqueiro socialista enrustido é baita sucesso.
  • Vinícius   09/09/2018 18:12
    Mas sem ter a impressora ou poder se endividar, o governo praticamente será obrigado a tomar todas essas medidas
  • Leandro C  05/09/2018 13:14
    Desde pequenos sempre ouvimos, em relação às crises, que a Argentina seria o Brasil amanhã, o que, de certa forma, "sempre foi, sem nunca ter sido, mas sendo"; enfim, lições que a realidade vai dando e que, enquanto povo, fingimos não ver.
    A principal, a mais óbvia, é a de que pessoas, instituições, empresas, governos etc, devem gastar, e bem, menos do que ganham, o que passa sempre pelo dilema qto ã responsabilidade.
    No âmbito privado, se vc cede às tentações do imediatismo, o problema é seu (que goza o prazer e arca com os custos); no entanto, se o governo cede às tentações, o problema é nosso (que raramente gozamos o prazer, mas certamente arcaremos com os custos, em regra, muito mais elevados).
  • Guilherme  05/09/2018 13:16
    Aqui em B.A. os preços estão loucos, e os bens de capitais novos e carros importados nem sequer têm preços, e sim uma banda de preços e que após uma solicitação por escrito de intenção de compra, recebe-se o preço por e-mail diretamente do financeiro da empresa.
    Para quem recebe em moeda estrangeira o país virou um paraíso, os argentinos presos aos famigerados pesos pagam muito bem por moeda estrangeira.
  • Régis  05/09/2018 15:54
    Quem mora na Argentina e ganha em dólares deve realmente viver bem. Eu não encararia porque não gosto de viver em países de regimes populistas: sempre há alguma escassez (lembro-me que em 2014-2015 chegou a faltar preservativo em Buenos Aires por causa dos controles de preços).

    Dizem que o bom é que dá pra comer bem e barato em Buenos Aires (em dólares). Eu acredito, mas pra mim não compensa os apagões sucessivos e nem as eventuais escassez de coisas. (De nada adianta morar na Venezuela e ganhar em Bitcoins se você não tem o que comprar).
  • Guilherme  05/09/2018 16:18
    E que lugar você vive atualmente Regis?
  • Regis  05/09/2018 16:47
    Moro no interior do ES e trabalho de casa.
  • Guilherme  05/09/2018 17:31
    Também trabalho pela internet, gosto dos coworking. Dizem que é muito bonito e bom de viver no Espírito Santo, minha cunhada é de Venda nova do Imigrante, mas nunca tive oportunidade de visitar, quando morava na Zona Leste de São Paulo só tinha tempo aos finais de semana, bem quando as passagens estão muito mais caras.
    Sinto falta da natureza exuberante e de fácil acesso do Brasil, mesmo numa cidade imensa como São Paulo com pouco mais de 100km de estrada é possível chegar em lugares realmente impressionantes, aqui isso exige um empenho de 1000km em média, porém passagens de avião e ônibus são muito acessíveis.
    Em B.A. a escassez de itens é para os pobres e sem acesso a moeda forte, mas estes estão sempre em escassez mesmo. Serviços são muito bons e baratos aqui, para os dolarizados, em Santiago e Montevideo são tão caros como São Paulo. Os apagões são reais, mas como tenho 27 anos e minha namorada 22 são até divertidos.
  • Régis  05/09/2018 18:04
    Moro perto de Vargem Alta, com acesso rápido a boas praias, sem lotação e a preços muito bons. São coisas assim que ainda me seguram no Brasil: se você souber escolher um bom lugar para viver, o custo de vida ainda é baixo e a segurança ainda é boa.

    Aliás, em termos de segurança, há várias cidades muito boas no interior do Brasil para quem pode trabalhar de casa (como é o meu caso). Não são perfeitas, mas o custo de vida baixo e a ainda (relativa) estabilidade da moeda (que é o que me interessa) ajudam bem.
  • Lucas  05/09/2018 22:11
    Se não for incômodo,gostaria de saber como e com o que vocês trabalham de casa.
  • Régis   05/09/2018 22:33
    Eu sou tradutor.
  • Guilherme  06/09/2018 02:07
    Desenvolvedor de software.
  • William  05/09/2018 13:49
    Essa questão da Argentina é interessante: toda a raiz do problema está na política monetária hiperinflacionista, os dados sobre isso são públicos, mas a grande mídia nunca fala sobre isso.

    O dólar encarece 100% em relação ao peso em alguns meses e a imprensa acha que isso foi causado por algum mau humor ou por uma crise na Turquia. Ninguém da "mídia especializada" fala sobre esse ponto crucial.

    Pior ainda: essa mesma mídia nem ao menos sabe por que a moeda argentina possui essa inflação historicamente absurda.
  • Humberto  05/09/2018 13:58
    É porque a narrativa argentina destroça um mito caro aos keynesianos.

    O M1 da Argentina é de 1,4 trilhão de pesos, como mostra o gráfico do artigo. No Brasil, o M1 é de "apenas" 332 bilhões, ou 0,332 trilhão.

    E a população brasileira é 5 vezes maior que a Argentina. Com tanto dinheiro circulando, é claro que ele vira lixo.

    A Argentina é um país que aplica keynesianismo na veia. Explodiram a oferta monetária exatamente como Keynes recomenda, na crença de que a demanda seria estimulada e isso causaria crescimento econômico. Só falta a ideia funcionar
  • Bruno  05/09/2018 14:52
    Sou leigo e fiquei com algumas dúvidas...
    Caso o governo argentino fique estritamente dentro do seu orçamento, cortando seus gastos, ocorreria deflação?
    Em caso afirmativo, até que ponto iria essa deflação? O peso argentino poderia voltar a valer 10 para um dólar como em dez/2015?
    E se não houver deflação? O valor do peso ficaria como está hoje em que 39 pesos valem um dólar ou a desvalorização não teria mais freio? Ou a única solução seria criar uma nova moeda, como fizemos com o plano real aqui no Brasil.
  • Ulysses  05/09/2018 15:03
    Se houver déficit zero, o governo não mais precisa se endividar. Consequentemente, no caso da Argentina (no Brasil não é assim; é diferente), o Banco Central não mais precisaria imprimir dinheiro para o governo fechar as contas.

    Entretanto, a oferta monetária ainda continuaria crescendo em decorrência de empréstimos tomados por pessoas físicas e jurídicas (no sistema bancário de reservas fracionárias, a concessão de crédito aumenta a oferta monetária), embora a uma taxa muito menor.

    Ou seja, caso a Argentina equilibrasse seu orçamento, ela passaria a funcionar como o Brasil.

    Qual a solução? Dolarização ou Currency Board.
  • Leandro C  08/09/2018 21:24
    Bruno 05/09/2018 14:52,
    Na opinião desabalizada de um não especialista, creio que se o governo argentino adotasse as medidas necessárias de contenção, ficando dentro do orçamento, ainda assim sofreria os efeitos da descontenção anterior; é como se você parasse de se endividar, isto é, de tomar novos empréstimos aumentando suas dívidas, mas, ainda assim, ainda teria que pagar pelas dívidas anteriormente contraídas; as dívidas anteriores não sumiriam magicamente, precisariam ser compensadas de algum modo.
    Mas como compensar isto!? não sei também, mas, sem intervenções práticas, apenas no plano teórico, creio que o equilíbrio seria reposto se a população e também a riqueza nacional crescessem tantas vezes quanto a emissão de moedas foi feita a mais que o necessário (o que é impossível na prática), isto é, com a Argentina voltando a crescer o problema seria cada vez menos percebido, entretanto, como o problema é gigante isto demoraria séculos (é como você possuir uma dívida grande e, de repente, perceber um aumento de sua renda, o que ajuda a pagar a dívida, mas esta ainda continua a existir).
    No plano prático, creio que o governo teria que enxugar o dinheiro da praça, transformando o excesso de dinheiro em circulação (dívida informal do governo) em títulos públicos (dívida formal), com prazo extenso a ser pago a longo período, o que somente conseguiria ser realizado quando a palavra do governo, isto é, a promessa de pagamento pelos títulos, voltasse a ter algum valor, já que ninguém acredita mais no governo argentino, ou arrecadação tão superavitária a proporcionar eliminação gradual do dinheiro (lembrando que hoje imprimem moeda por não conseguirem pagar as contas), equalizando a questão.
    A troca simples por outra moeda, eliminando-se os zeros, como o Brasil fez algumas vezes, teria menos o papel de resolver o problema e sim mais o condão de tornar mais prática a utilização de moedas, pois é ridículo pagar um milhão de cruzeiros para comprar uma bala, mas não sei se na Argentina a inflação já trouxe tamanho desvalor ao dinheiro.


  • Vladimir  05/09/2018 15:58
    O verdadeiro inferno é que políticas populistas sempre tentam ser resolvidas com ajustes graduais, que não resolvem nada. Como nada é resolvido, a situação tende a piorar. E isso só aumenta a insatisfação dos eleitores, que irão voltar para os populistas originais.

    Na Argentina isso é bastante evidente. No Brasil, vamos conferir agora em outubro.
  • Luiz Marinho  05/09/2018 16:03
    O que Macri realmente fez: acabou com o cepo e reduziu subsídios para a eletricidade. Ah, e aumentou as tarifas de ônibus em Buenos Aires, que estavam defesadas.

    Ele chegou a eliminar alguns impostos sobre exportações (retenciones), mas a acabou de recriá-los.

    De resto, não fez mais nada.

    Eu nunca foi otimista, mas esperava um mínimo bom senso dele. Nunca teve culhoes para algo como um Fujishock.
  • Andre  05/09/2018 16:24
    Fujishock, talvez o ajuste econômico mais ousado da história do continente. Se o Brasil persistir nesse crescimento econômico anêmico ou afundar em nova recessão, aquele país montanhoso vai ter uma renda per capita superior a nossa até 2020.
  • JOSE F F OLIVEIRA  05/09/2018 16:02
    [29/08/2018] Argentina . Supermercados sendo saqueados.

    ||||| www.facebook.com/alutaonline/videos/1163317310500278/ ||||||
  • Julio Cesar  05/09/2018 16:54
    Podemos esperar uma invasão argentina também.???????????
  • Müller  05/09/2018 17:30
    Era só o que faltava, invasão da argentina em massa pro brasil, por cauza da crise!! Se isso ocorrer por questões geograficas, vao vir tudo pro sudeste e sul do brasil, regiões que são o motor do país!!
  • Ivan  05/09/2018 17:02
    Na verdade, o caso argentino (desvalorização cambial e expansão monetária) é um ótimo cenário para se analisar as "desvalorizações cambiais competitivas", como defende Ciro Gomes e sua equipe econômica (que inclui Luiz Gonzaga Belluzzo).

    Quem defende desvalorização da moeda como forma de "estimular a economia" só pode ser jumento. Não tem outra explicação.
  • Jonas  05/09/2018 17:23
    Mas como Macri é um candidato considerado de direita, então ele não é exemplo econômico para a "mídia especializada" da Folha e BBC. Vide a repercussão no começo do ano quando o Dólar disparou na Argentina, quando ele apenas estava fazendo o que uma Dilma ou Ciro Gomes fariam.
  • Gustavo A.  05/09/2018 17:37
    Belluzo é um embuste. Ele aplicou o keynesianismo maluco dele até no Palmeiras, gastou muita grana pra trazer alguns medalhões, não ganhou nada e no ano seguinte ao fim da sua gestão o time caiu de divisão.
  • Paulo Henrique  06/09/2018 02:50
    O que devemos esperar do Brasil caso o Ciro caso ele ganhe(e as chances não são baixas)?
    Eu sei que ele é keynesiano desenvolvimentista, mas no atual contexto, ele também defende uma reforma previdênciaria (mudança de modelo), o que poderia dar uma folga no quadro fiscal do governo.

    É difícil prever
  • Juliano  06/09/2018 16:22
    A reforma que ele defende envolve aumento da dívida. Ele diz que cada indivíduo receberá um título prefixado do governo.

    Em todo caso, quem garante que tal reforma seria aprovada pelo Congresso? Ele vive dizendo que tem de fazer isso nos primeiros 6 meses, pois depois não dá mais. E se ele não conseguir? Tudo indica que o governo morre e nada mais passa - segundo ele próprio.
  • Luciano viana  07/09/2018 12:33
    De acordo vom o plano ciro, as pessoas vao trabalhar mais pra pagar previdência. Vão continuar pagando pelos que não trabalham. Vai ser a mesma coisa. E ele vai perdoar dividas. Quem emprestou , vai trabalhar mais pra pagar o calote dos outros. Como? Aumentando a divida, os impostos ou a inflacao. Mas ja sabemos que isso é que gera a pobreza brasileira. Sempre wue ouver os calotes, vai ter dinheiro dos impostos cobrindo. Os produtivos é que psgarao
    O que vai acontecer? Os produtivos com menos renda, vai ter que demitir ora se ajustar aos novos custos, e o governo pra sustentar os novos nao trabalhadores vai aumentar ainda mais os impostos , divida ou inflação, o que vai levar a novas demissões. Esse circulo vicioso so parara quando os produtivos falarem nao as novas despesas. O giv nao podendo gastar ora mais vai manter os beneficios para os nao trabalhadores baixos ou encerrara o programa
    Em teoria a sanha de tomar a renda dos produtivos so pode chegar sos 100 por cento da renda. Mas um pouco acima dos 50 por cento, os produtivos ja desistem de trabalhar, pois compensa trabalhar menos e receber a "promessa de renda mensal sem trabalhar paga pelos trouxa".
    Foi o que aconteceu na venezuela. O setor produtivo foi morrendo aos poucos e o gov foi sustentsndo os nao trabslhadores com dinheiro do petroleo. A economia sem producao se abastecia importando de fora com o dim dim do petroleo. Ate que o dinheiro do petroleo acabou. A producao nacional morta e o gov tomando o pouco de propriedade que restou ora distribuir pros parasitas.
    Tem que se falar nao a essas aventuras populistas enquanto é tempo, pois se vc se enfraquecer deixando o gov tomar alíquotas de impostos csfa vez maiores, vc é um porco no abate.
  • Paulo  08/09/2018 17:19
    Pior, não há correlação alguma entre desvalorização cambial e aumento das exportações. É incrível como toda a mídia, economistas, saem repetindo um senso comum sem qualquer evidência empírica. É um caso a ser estudado. Será que eles nunca colocaram o gráfico de exportações totais do lado do gráfico cambial?
  • Jaspion  05/09/2018 17:28
    Que lambança! Voltei a pouco de uma viagem para o Chile. Que país, senhores, que país! Trata-se de uma ilha de racionalidade neste oceano de insanidade político-econômica que é a nossa América Latrina. Fiz escala em Buenos Aires de forma que passei algumas horas no aeroporto e notei duas coisas: 1) o real é amplamente aceito. Talvez tanto quanto o dólar; 2) Um sem-fim de policiais, dentro e fora do aeroporto...uns poucos trabalhando e outros jogando conversa fora. Seriam uma parcela dos 4 milhões de funças ociosos?

    Pergunto: como pode o BC argentino aumentar a base monetária de forma pornográfica (certamente a mando da Casa Rosada)? Quais os mecanismos que poderiam impedir tal aumento...e o que impede que isso aconteça aqui? Aqui, no que me consta, o BC tem certa autonomia no que tange a política monetária. Pode-se dizer o mesmo a respeito da tx de juros?


  • Gustavo A.  05/09/2018 18:20
    E quase a Barchelet destrói o país com uma nova constituição. Sorte dos chilenos.
  • Jiraya  05/09/2018 18:21
    Aqui no Brasil, desde a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal, o BC é proibido de financiar diretamente o Tesouro. Isso era prática comum até meados da década de 1990 (daí a nossa hiperinflação).

    Hoje, para se financiar, o Tesouro brasileiro emite títulos e estes só podem ser adquiridos diretamente por bancos, pessoas físicas (Tesouro Direto) e fundos de investimento. O Banco Central não pode imprimir dinheiro para comprar estes títulos diretamente do Tesouro. Ele só pode comprar esses títulos após eles já terem sido adquiridos pelos bancos. Isso faz toda a diferença.

    Até hoje, todas as hiperinflações só ocorreram em arranjos em que o BC podia diretamente monetizar o Tesouro. Atualmente, tais arranjos só perduram na Argentina e na Venezuela.
  • zanforlin  05/09/2018 18:09
    Ocasionalmente, um artigo publicado hoje no "Counterpunch", cujo autor tem opinião algo diferente dessa:

    www.counterpunch.org/2018/09/05/so-glad-the-grown-ups-are-back-in-charge-in-argentina/
  • Bernardo  05/09/2018 18:33
    Opinião? Manifestação político-partidária, você quis dizer, né?

    Nada mais do que um sujeito (estrangeiro, óbvio, que nunca morou lá) glamourizando os anos Kirchner tendo por base sabe-se lá o quê, e criticando (corretamente) o atual governo, que nada mais é do que uma continuação do anterior, como mostram as políticas efetivamente adotadas.

    O cara pegou dois governos rigorosamente iguais, falou que são diferentes e você acreditou.

    Aliás, hoje já se sabe que todos os números da época foram manipulados pelo governo.

    O governo argentino manipulou o PIB e a inflação - e Cristina Kirchner se dolarizou quando isso era proibido

    Kirchner e Macri, duas merdas. Aquela começou; este prosseguiu. Triste ver como tem nêgo otário que ainda cai na armadilha e faz guerrinha para defender políticos, sendo que todos são criminosamente iguais.
  • Leandro C  08/09/2018 21:35
    Bernardo 05/09/2018 18:33,
    Como não confio no governo, acabo sempre achando que toda e qualquer informação que vem dele é mentira, especialmente no tocante à inflação, informações estas que teriam impacto profundo em nossas vidas a longo prazo, mormente em relação a nossos investimentos.
    Você, ou algum amigo, saberia dizer se isto que você mencionou (do governo argentino mentir quanto à taxa de inflação) ocorre (se é possível) ou ocorreu (caso concreto no passado) em nosso país ou se, não sendo possível, por qual motivo, no país da esculhambação, isto milagrosamente não ocorreu!?
  • Jairdeladomelhorqptras  05/09/2018 19:00
    Tenho a impressão que o problema argentino iniciou-se com o populismo de Peron. Assim como Getúlio Vargas foi a nossa versão populista. De lá para cá a Argentina é o único exemplo de um país de primeiro mundo (na década de 1930 a Argentina estava entre os países mais ricos) que caiu para o terceiro mundo.
    Gostaria muito de ler um artigo no Mises que resumisse esta trágica trajetória Argentina.
    Um país de população predominantemente de origem européia, com petróleo, com terras fertilíssimas, com padrão educacional elevado, enfim, com todas as condições para tornar-se um grande país.
    As idéias esquerdistas, populistas, afundaram a Argentina. E por incrível que pareça, considerando as diferenças históricas, me parece que o Brasil não foi tão incapaz quanto a Argentina.
    Boa sorte para eles.
  • Gardel  05/09/2018 19:23
    Há uma introdução sobre isso aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562
  • Felipe Lange  05/09/2018 20:56
    Leandro você saberia explicar o motivo de, na época do FHC (ou mesmo no Collor e Itamar Franco), a Petrobras não ter sido privatizada em conjunto com as que entravam no processo de privatização? Se ela tivesse sido privatizada nessa época (imagino que por um jeito Collor), hoje estaríamos em situação melhor?

    O período do governo FHC poderia ser também enquadrado no artigo "Governos de esquerda que adotam reformas liberais"?
  • Leandro  05/09/2018 22:31
    A Petrobras nunca esteve no programa de ninguém. E as outras privatizações ocorreram muito mais por necessidade de caixa do que por busca por eficiência - tanto é que criaram as agências reguladoras em vez de simplesmente abrir o mercado e deixar qualquer empreendedor (nacional ou estrangeiro) operar livremente nele.

    Sobre como estaríamos hoje com a Petrobras privatizada, certamente não teria havido nem petrolão, nem aparelhamentos, nem distribuição de propinas para amigos do regime, nem loteamento para políticos, nem fortalecimento do PT, e nem essa disparada dos preços implantada para recuperar o caixa da estatal (como o próprio Pedro Parente admitiu ser o objetivo).

    Mas apenas privatizar a Petrobras não bastaria. Teria de haver concorrência no refino (como este Instituto sempre defendeu; e que só agora surgiu candidato falando nisso); teria de haver liberdade de entrada para qualquer petrolífera em qualquer área da cadeia de produção.

    E nem precisa querer reinventar a roda; basta copiar o modelo americano.

    Quanto à última pergunta, eu diria que sim, muito embora as reformas tenham sido tímidas (sim, eu sei que houve obstáculos no Congresso, mas ainda assim).
  • Felipe Lange  06/09/2018 02:36
    meu comentário saiu no lugar errado...

    Leandro, hoje o Brasil está num cenário parecido com aquela época, onde qualquer presidente que fosse assumir teria que fazer privatizações com urgência?

    El Guajito, sou de outros tempos... passo meus 20 anos num Brasil onde o Lula está preso.
  • Leandro  06/09/2018 16:15
    Assemelha-se bastante. Dado que o orçamento é rígido por causa da constituição, e o governo necessita de receitas, essa seria a solução mais racional.

    Tá cheio de candidato por aí (como Ciro Gomes) dizendo que vai equilibrar o orçamento com reoneração e com abolição de isenções. O que os gênios não percebem é que isso é um aumento de impostos. E aumentar impostos em uma economia debilitada tende a reduzir ainda mais os investimentos e também a contratação de mão-de-obra.

    Com menos investimentos, as receitas tributárias caem. Com mais desemprego, os gastos com seguro-desemprego e outras seguridades sociais aumentam. Ou seja, piora ainda mais a situação.
  • El Guajito  06/09/2018 00:09
    Quem tinha seus 20 anos na década de 90 sabe o sacrifício e a resistência que foi pra fazer privatizações meia-boca (deviam ter aproveitado e feito reformas jurídicas) e você vem falar em Petrobras? Aquilo é a vaca mais sagrada de todas.
  • Refugiado do esquerdismo  06/09/2018 10:08
    Exatamente. O sacrificio e a choradeira dos funcas de perder a boquinha foi muito forte,ate hoje tem gente que fala mal de privatizacoes e conheco ex funca chorao que perdeu a boquinha e ele é,obvio,petista.
  • Shak  06/09/2018 16:53
    Até hoje existem saudosistas da telecomunicação estatal. Daí já se vê a dificuldade que é passar uma privatização.
  • anônimo  13/09/2018 13:51
    Pro Plano Real virar realidade, teve que ter muito jogo de cintura político, muitas trocas de favores e muito debate. E isso era perfeitamente previsível porque o Plano Real envolvia vendas de estatais e austeridade das contas públicas, algo que começou apenas com Collor 2 anos antes. Essas reformas dos anos 90 foram mais ou menos como implementar a Perestroika na URSS uma década antes, houve muita resistência de gente influente.

    Se um dia a Petrobras for vendida (algo que nunca tentaram e nunca vão tentar) acontecerá o mesmo que aconteceu com as telecomunicações e mineradoras, vão fechar o mercado para uma, duas ou três empresas e as agências do governo vão se encarregar de não "roubarem nossos recursos" e nos "atenderem bem".

    O problema do Brasil é estrutural. Fazer privatizações e austeridade apenas é um paliativo para a situação, para resolvê-la precisaria fazer uma nova Constituição, um novo código civil e um novo arcabouço jurídico.
  • Andre  13/09/2018 15:08
    E por sua vez uma nova constituição exige uma mentalidade completamente diferente da população, que atualmente está focada em: vagas de concurso público, subsídios para indústria, bolsas para miseráveis, bolsas de estudo, desde graduação até doutorado como na choradeira da CAPES onde tem gente que acha que sai ciência dali, políticas afirmativas para minorias, seja lá o que for isso, pedidos para regulamentação de profissões novas e os batidos educação e saúde deveres do estado.

    Única saída para o Brasil é o aeroporto.
  • Carlos  06/09/2018 00:25
    A Argentina precisa de uma espécie de "fujishock" porteño, caso contrário vai ser sempre a mesma história. E o pior é que a Venezuela é logo ali...

    Me parece que a nossa vantagem no Brasil é que a legislação do plano real possui mecanismos para impedir que o BC possa financiar os déficits orçamentários diretamente.

    Porém o meu medo é que, diante dessa nossa crise abissal os políticos resolvam fazer o mais fácil, destruir as "amarras" criadas com o plano real e, assim, abrir a "porteira do inferno".
  • Henrique Z  06/09/2018 16:19
    Sempre falei isso. Na América Latina, só o Fujishock (Peru) e os Chicagos Boys (Chile) fizeram reformas que realmente foram incorporadas, respeitadas e se mantêm até hoje. Nos outros países, houve só arremedos e paliativos.

    Só que é preciso entender as diferenças culturais entre os povos.

    O Fujishock e todas as reformas liberais passam pelo povo. E falo por experiência própria: peruanos adoram trabalhar. Seja como empregado, agente de trading ou como empreendedor eles dão duro em tudo que fazem. Logo, foram ELES que pediram pelas reformas.

    Já o argentino padrão criou as mesmas bases morais socialistas que o venezuelano: precisamos de um Estado enorme, muitos direitos positivos e impostos para os ricos. Lamentável.

    Por isso advogo pela tese do povo guiando o destino de um país: a Suíça tem o Estado mais servil do mundo. Lá qualquer lei pode ser referendada com 50.000 assinaturas, independente da vontade de seus políticos. Por que então não fazem leis socialistas? Porque eles tem uma virtude pouco apreciada por socialistas: vergonha na cara.

    Se o argentino não quer reformas, é porque ele não quer trabalhar. Não é questão de ignorância. Não estamos avisando crianças que esse ano não vai ter presente no natal. São adultos plenos, conscientes do que estão fazendo... quase duas décadas de caos. É o mesmo caso da Venezuela.

    Eles não querem ruptura, não querem liberdade. Querem um messias que arrume grana para eles, e se for de empresário/capitalista/imperialista melhor ainda.

    O brasileiro também é assim, mas por algum motivo que não sei explicar as coisas aqui sempre foram um pouco mais racionais que na Argentina.
  • Felipe Lange  06/09/2018 00:34
    Hoje o Brasil está num cenário parecido com aquela época, onde qualquer presidente que fosse assumir teria que fazer privatizações com urgência?
  • Leandro  06/09/2018 16:18
    Assemelha-se bastante. Dado que o orçamento é rígido por causa da constituição, e o governo necessita de receitas, essa seria a solução mais racional.

    Tá cheio de candidato por aí (como Ciro Gomes) dizendo que vai equilibrar o orçamento com reoneração e com abolição de isenções. O que os gênios não percebem é que isso é um aumento de impostos. E aumentar impostos em uma economia debilitada tende a reduzir ainda mais os investimentos e também a contratação de mão-de-obra.

    Com menos investimentos, as receitas tributárias caem. Com mais desemprego, os gastos com seguro-desemprego e outras seguridades sociais aumentam. Ou seja, piora ainda mais a situação.
  • Luciano viana  07/09/2018 12:38
    O Brasil tem mais parasita do que trabalhador produzindo de fato. Tem que privatizar, mas a maioria é parasita, nao quer deixar. A necessidade de evitar a falencia do gov é que vai obrigar a privatizar. É os parasitas vao procurar outros trouxas pra trabalhar por eles.
  • Demolidor  06/09/2018 06:30
    A cereja do bolo é o aumento da taxação sobre exportações. Piada de péssimo gosto.

    Não parece à toa que Trump tenha elogiado Macri. Para que guerra comercial se a Argentina ataca a si mesma?
  • Rodney  06/09/2018 16:21
    Meus caros,

    Hoje, qual é a melhor corretora para aplicar em LCI e LCA?

    Se tivesse muito dinheiro iria para mercados com maior lucratividade, mas infelizmente, não tenho o suficiente para arriscar.

    E não sei um site bom ou comunidade que converse sobre o assunto.

    Se puderem me ajudar agradeço muito.
  • Igor  06/09/2018 16:27
    Easynvest e XP, mas mesmo assim não são grandes coisas. Bancos digitais como o Inter oferecem LCIs e LCAs em sua plataforma com rentabilidades melhores. Para aplicar nestes instrumentos, eu prefiro o Inter.
  • Rodney  06/09/2018 18:15
    Valeu pela dica. Tenho um colega em ações que investe pela Clear. Diz que eles só cobram 0,80 centavos por corretagem. Vou ver o que eles tem de LCIs e LCAs. Qualquer coisa vou ficar com o Inter mesmo. Muito obrigado!
  • Felipe Lange  06/09/2018 22:45
    Falando em investimentos, penso em comprar algumas ações da Petrobras e deixar para vender caso algum presidente com credibilidade vença a eleição e decida privatizá-la.
  • Luciano viana  07/09/2018 12:43
    Eu comprava acoes da Petrobrás. Realmente sem a gerencia estatal, a empresa vai valorizar , mas no longo prazo.
  • Libertário Austríaco  06/09/2018 21:25
    Não é o meu objetivo me meter na vida dos outros...

    As aplicações em renda fixa são muito interessantes, em especial com o longo prazo em mente. Mas é bom que a pessoa faça um "portfólio", com uma alocação para ativos como ações e criptomoedas, após uma correta análise de quando e onde entrar.

    Apenas emiti uma opinião.

    Abraço!
  • Rodney  07/09/2018 13:18
    Para um leigo como eu, toda boa informação à respeito é bem vinda. Estou verificando tudo isso. Vou começar por baixo (começando a aplicar em LCA primeiramente), e depois que entender melhor sobre retorno, riscos, taxas, etc, procurarei investimentos melhores / maiores. Muito obrigado pessoal.
  • JOSE F F OLIVEIRA  06/09/2018 22:27
    . . . . (youtu.be/bsnEJfgXL5M) . . . .
  • Felipe Lange  06/09/2018 22:43
    Pessoal preciso da ajuda de vocês com meus tweets, defendendo a privatização do Museu lá do Rio de Janeiro. Vocês acham que compensa eu responder esse pessoal?
  • Estudante  07/09/2018 05:16
    Alguém me explica porque o programa do Ciro de tirar todo mundo do SPC pode ser um fracasso?

    Queria um artigo rebatendo as ideias dos candidatos, seira excelente para os estudos!


    Parabéns IMB, aprendo mais aqui do que com MEC, de longe!!!!!

    Abraços!!
  • Alberto Carlos  07/09/2018 15:18
    Ele detalhou o plano aqui:

    www.facebook.com/cirogomessincero/videos/2064636940247861/

    A proposta dele é uma das coisas mais toscas que eu já ouvi na vida (aliás, gostei de ver ele se referindo a um endividado qualquer como "veado").

    Na prática, ele está dizendo que irá estatizar o endividamento das pessoas.


    Pelo plano de Ciro, eu vou às Casas Bahia, vou torrar meu cartão de crédito, não vou pagar a fatura (vou entrar no rotativo), e aí então o governo vai assumir essa dívida e vai me cobrar 8% ao ano para pagá-la.


    Dado que há fundos de investimento que rendem 25% ao ano, eu simplesmente estarei ganhando dinheiro para consumir.

    Desnecessário dizer que os ricos (que têm acesso a bons fundos de investimento altamente rentáveis) é que irão se dar realmente bem.

    Desnecessário também dizer que com tamanha explosão na demanda bem como na oferta monetária (quando você passa seu cartão de crédito, o banco cria dinheiro e repassa para o vendedor), a inflação de preços iria às alturas.

    Com essa proposta, Ciro mostra como estavam enganados aqueles que, embora não votassem nele, o consideram inteligente. O sujeito é uma toupeira. Beira o inacreditável que ele tenha deixado essa auto-humilhação ir ao ar.


    P.S.: o coronel diz que os juros no cartão de crédito nos EUA são de 8%. Mentira. São de 17,32%. Mais que o dobro.

    www.bankrate.com/finance/credit-cards/current-interest-rates.aspx

    O sujeito é um mentiroso descarado. Mas, ainda pior do que um político mentiroso, é um irresponsável desses incentivando as pessoas a se endividarem no cartão de crédito sob a (falsa) promessa de que o estado irá salvá-las.


    Ah, e por que os juros do rotativo no Brasil são altos?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2591
  • Jonas  07/09/2018 16:55
    Alberto Carlos, pode me aconselhar/mostrar bons fundos de investimento (com rentabilidade alta e confiáveis)?
  • Edson  07/09/2018 15:19
    Típico de demagogo populista e mau caráter que quer faturar votos baseando-se na ignorância e na ingenuidade do povão.

    Dizer que um presidente pode tirar as pessoas do SPC é algo tão provinciano, tão atrasado, tão coronelista, que um cidadão que faz uma promessa dessas deveria até ser preso.
  • Estudante  07/09/2018 17:12
    Alberto Carlos, obrigado pela explicação, vamos lá:
    Segundo o Ciro, a proposta vale até data que ele anunciou o plano, pra evitar que no futuro e no presente as pessoas saiam dando calote sabendo que o governo vai as salvar.
    Então acho que ninguém vai as casas bahia para fazer o que você falou...

    Pelo meu humilde conhecimento que adquiro aqui, são duas consequências:

    1-Os bancos privados vão deitar e rolar porque quem ta assumindo o risco agora são os bancos publicos
    2- Os bancos privados poderão conceder crédito a juros baixos, afinal não existe mais risco, quando o SPC voltar a bater 63 milhões de brasileiros novamente, o estado vai comprar os títulos e garantirá todo o lucro dos bancos.
    3-Depois de reduzir o numero de 63 milhões de Brasileiros, em pouco tempo o numero volta para os 63 milhoes, ele pretende estimular o consumo e isso gera endividamento -a mesma causa que jogou o povo pro SPC, a mesma história -, mesma cagada da Dilma, estimou consumo a rodo, milhares adquiriram empréstimos enquanto sua poupança, sua renda e produtividade continuou igual, se isso gerasse produção não era pra ter acontecido a recessão de 2015.
    4-O ciclo vai destruindo a produtividade e o poder de compra...


    Provavelmente esqueci de mais algum, me corrijam se eu estiver errado e acrescentem se eu esqueci de algo.

    Agora uma pergunta:
    ''Desnecessário também dizer que com tamanha explosão na demanda bem como na oferta monetária (quando você passa seu cartão de crédito, o banco cria dinheiro e repassa para o vendedor), a inflação de preços iria às alturas.''

    Depositos compulsórios, reserva fracionaria e etc

    Eu só não entendo o seguinte: O banco não transfere os dígitos do comprador para o vendedor? Ou extingue os dígitos do comprador e cria-se os mesmos na conta do vendedor?

    Não entendo porque cria aumento de oferta monetaria se não tem digito a mais, preciso que alguém me esclareça esse exato exemplo do cartão e porque aumenta a oferta.

    Um forte abraço fraternal e viva a liberdade!
  • Antonio Jose  10/09/2018 14:57
    Não tenho tanto conhecimento assim mas vou tentar explicar, se for a débito sim há só transferência de fundos. Se for a crédito há criação de moeda pelo menos até a pessoa pagar a fatura.

    Além disso muitos comerciantes usam os recebíveis como garantia para novas operações de crédito, o que gera mais expansão monetária.

    Mas o grosso mesmo da expansão monetária vem da emissão para financiar o deficit público e programas do governo baseado em empréstimos a juros subsidiados.
  • Jonas  07/09/2018 17:37
    Pra fazer reformas liberais, ou ao menos liberalizantes, o cara precisa ser macho.

    Precisa ser pulso firme e não ter medo de ser pintado como o Satanás em forma humana pelos parasitas que estão nos cargos de poder.

    Por causa desse "medo" de destruir a carreira, a maioria pára pelo caminho. Há poucos exemplos de políticos liberais que conseguiram fazer essas reformas.
  • Leonardo Traz  08/09/2018 01:35
    Alguém pode me dizer uma forma de um brasileiro comum se proteger contra medidas inflacionárias do governo?
  • Mauro  08/09/2018 02:46
    No Brasil é até fácil: é só comprar títulos (públicos ou privados) atrelados ao IPCA.
  • Leandro C  09/09/2018 13:38
    Mauro 08/09/2018 02:46,
    Colega, uma dúvida que sempre mantenho e talvez você e os demais possam contribuir para esclarecê-la: não confio no Governo (não por culpa minha, já que o mesmo diariamente trai suas próprias palavras e nem mesmo a lei ou a Constituição são ignoradas pelo próprio Governo) e assim tenho desconfio muito de todas as informações fornecidas pelo mesmo, desde aquelas referentes a surtos de doenças até aquelas referentes a dados econômicos; enfim, para o momento, tendo em vista que os juros da aplicação sugeridas estão diretamente ligadas à taxa de inflação fornecida pelo próprio Governo, como confiar que tal informação é fidedigna!? com o que comparar? é aceitar que a única informação que disposmos e pronto!? qual seria a ferramenta de prova real (o câmbio?)?
    abraço a todos.
  • anônimo  08/09/2018 05:05
    É um erro achar que investimentos externos vão chegar apenas com reformas de governo.

    Na maioria dos casos, investimentos externos que geram muitos empregos, são realizados por compra de empresas bem sucedidas.

    Dificilmente, um investidor vai chegar contratando gente, montando fábrica, etc.

    Quando empresas médias estão lucrando bastante, sempre vai dispertar interesse e permitir um investimento seguro.

    Os investimentos externos que começam do zero, na maioria das vezes são de grandes empresas. Na maioria das vezes os investimentos costumam ser em empresas médias que estão tendo lucro.

    Isso é que cria riqueza e permite expansão real da economia, com bastante entrada de moeda estrangeira.

    Na nossa situação, por mais que as exportações do agronegócio segure a inflação, acabamos sofrendo com a concorrência externa. Todo mundo quer vender aqui, mas não quer produzir aqui.
  • Vladimir  08/09/2018 15:29
    "Na maioria dos casos, investimentos externos que geram muitos empregos, são realizados por compra de empresas bem sucedidas. Dificilmente, um investidor vai chegar contratando gente, montando fábrica, etc."

    Você, pelo visto, desconhece o que ocorreu em Hong Kong, Cingapura, EUA, Suíça etc.

    Só uma palhinha:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059


    "Na nossa situação, por mais que as exportações do agronegócio segure a inflação, acabamos sofrendo com a concorrência externa. Todo mundo quer vender aqui, mas não quer produzir aqui."

    Frase contraditória.

    Pra começar, exportação não seguram a inflação de preços; ao contrário, pressionam. Exportar significa reduzir a quantidade de bens disponíveis para a população nacional. Quanto mais produtos são enviados ao exterior, menor é a oferta destes mesmos produtos no mercado interno. Menor oferta, maiores os preços.

    Outra coisa: se de fato houvesse concorrência externa para vender aqui, então os preços dos bens importados seriam baixíssimos. Entretanto, são caríssimos, graças às tarifas de importação impostas pelo governo.

    Ou seja, não há nem uma coisa nem outra disso que você falou.
  • Observador  08/09/2018 17:50
    Boa tarde!

    Mudando de assunto...

    Porque a "grande mídia" refere-se à tentativa de assassinato a Jair Bolsonaro como só um "ataque" e "isolado"?
    Será que eles vão levantar a questão da proibição de armas brancas para os cidadãos?
    Será que terá outras tentativas ao mesmo e à outros candidatos(Amoedo, Daciolo)?
    O Brasil tem chances reais de sair do socialismo?
  • Antonio Jose  10/09/2018 15:02
    Pelo círculo de pessoas com quem convivo a grande maioria acredita que o dinheiro do governo é infinito, os direitos trabalhistas saem de graça, o Brasil é um país rico (quase todo mundo confunde recursos naturais com riqueza) é tudo questão de administrar melhor e acabar com a corrupção.

    Até que as olavetes tem razão em uma coisa: A grande guerra é cultural enquanto não se mudar a mentalidade da população fica difícil mudar algo.
  • Lucas Rodrigues  09/09/2018 18:16
    A inércia e a inépcia em relação a fazer reformas estruturais, leva- e sempre levou- ao caos total.
  • %C3%83%C2%B3rf%C3%83%C2%A3o  11/09/2018 15:24
    Boa tarde,

    Entrei no link que Carrino indica no primeiro parágrafo:

    "Em dezembro de 2015, ultimo mês do governo de Cristina Kirchner, a Argentina apresentava um déficit orçamentário de 5,1% do PIB."

    www.ceicdata.com/en/indicator/argentina/consolidated-fiscal-balance--of-nominal-gdp

    e procurei o de Brasil:

    www.ceicdata.com/en/indicator/brazil/consolidated-fiscal-balance--of-nominal-gdp

    Que futuro devemos esperar?

    Obrigado.
  • Leandro  11/09/2018 16:22
  • anônimo  12/09/2018 12:09
    Obrigado!
  • Reinaldo Elias  11/09/2018 16:18
    A solução é um choque de capitalismo, vendam todas as Estatais, reduzam drasticamente os ministérios, enfrente os parasíticos sindicatos..., fácil de dizer, mas difícil de implementar, as pessoas na AL adoram governo.
  • Emerson Luis  17/09/2018 12:13

    Ou seja, tentaram trocar um culto à personalidade por outro. Espero que não termine em outro peronista no poder, mas talvez seja esperar demais.

    No Brasil não é muito diferente: a maioria deposita a esperança de melhora em um indivíduo e não nos princípios e valores que ele defende.

    "E se o Paulo Guedes morrer ou sair do seu governo?" - Muito simples: é só colocar outro liberal no cargo, oras!

    O que vai melhorar as condições socioeconômicas do Brasil (se colocado em prática) NÃO é o Fulano ou o Sicrano, mas o liberalismo que eles supostamente representam.

    Ou então, o que vai afundar o Brasil de vez não é o Molusco, o Poste, o Sardinha, etc, mas o intervencionismo e o coletivismo que eles vão aprofundar (embora alguns posssm ser ainda piores do que os outros).

    * * *


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.