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Sim, a dívida pública é uma fraude - mas não da maneira como é afirmado por aí
O problema é o que ela acarreta

Os títulos emitidos pelo governo sempre foram vistos como "ativos livres de risco". A dívida pública, ao menos daqueles países mais fiscalmente responsáveis, sempre foi tida como um investimento de risco zero.

Consequentemente, no momento de se avaliar qualquer tipo de investimento, o pilar sobre o qual todos os cálculos se baseavam era a rentabilidade dos títulos da dívida do governo: "se a dívida pública de um ano proporciona 7% de rentabilidade sem risco nenhum, outros investimentos alternativos que de fato são arriscados terão de render muito mais para compensar sua possibilidade de falência".

Trata-se de um raciocínio que, à primeira vista, faz sentido e soa bem, talvez também por causa da necessidade humana de encontrar crenças firmes nas quais se agarrar, principalmente em momentos de turbulência.

No entanto, o fato é que a dívida pública jamais foi um ativo livre de risco que nos protegerá contra qualquer perda do nosso capital: durante anos, em todos os países, ela sempre foi paga parcialmente por meio da inflação monetária, a qual, ao diluir o valor da moeda, retornava ao proprietário do título um dinheiro cujo poder de compra é menor do que era quando ele havia emprestado ao governo.

Mais recentemente, em algumas partes do planeta, vimos que ela também passou a ser parcialmente repudiada. Já outros países simplesmente deram o calote direto.

Nestes casos, por ser vendida como algo que não é, já cabe qualificá-la de fraude. Mas este nem é o ponto.

Quando digo que a dívida pública é uma fraude não me refiro a estes fenômenos, os quais já são bem conhecidos por todos. Refiro-me, isto sim, à fraude que ela causa dentro de todo o processo de criação de riqueza da economia.

A dívida privada e suas consequências

Já sabemos que o crescimento econômico não advém do consumo, mas sim da poupança e do investimento. E, precisamente por isso, os "rentistas" — isto é, aqueles que emprestam seu capital — representam uma engrenagem indispensável dentro da economia.

Sem rentistas que abram mão do seu dinheiro — ou seja, do consumo presente — para que outros empreendedores com melhores idéias sejam capazes de criar novos e melhores planos de negócio, viveríamos em uma economia de subsistência.

Ao emprestar, o rentista não está apenas abrindo mão do consumo presente: ele está emprestado seu tempo na forma de capital. Ele está abrindo mão de prazeres presentes e restringindo seu consumo visando a um maior ganho futuro.

A remuneração do rentista, portanto, está mais do que justificada mesmo quando ele não move um único dedo para tocar o empreendimento: simplesmente pelo fato de ter de esperar que as boas idéias maturem, simplesmente pelo fato de transferir parte do seu tempo vital a empreendedores perspicazes, ele merece se apropriar de uma parte da produção futura, a qual, não fosse o rentista, simplesmente não teria sido possível de ser produzida.

Entretanto, observe: o pagamento ao rentista deve advir da produção futura, a qual, sem ele não seria possível.

Se eu utilizo meu tempo efetuando tarefas improdutivas, estarei perdendo tempo. Logo, não obterei nada em retorno. Igualmente, a tarefa mínima que deve efetuar um rentista é a de avaliar as aptidões e capacidades do empreendedor para quem ele irá emprestar seu capital, assim como a viabilidade do projeto que ele irá financiar. Se ambos não se saírem bem, o rentista simplesmente não terá como cobrar a devolução do seu empréstimo.

Neste sentido, a tarefa do rentista possui uma dimensão social, na medida em que ele opta por utilizar seu tempo na geração de riqueza para os demais indivíduos da sociedade.

Por isso, quando ele acerta e ganha dinheiro como consequência, isso significa que as demais pessoas da economia saíram ganhando. Ele utilizou seu tempo para projetos que, por serem lucrativos, demonstram estarem satisfazendo as necessidades mais urgentes dos consumidores. Ele, em suma, criou valor.

Inversamente, se ele erra e perde dinheiro, isso significa que ele dilapidou seu tempo e seu capital sem ter gerado nada de valioso em troca. Os prejuízos auferidos pelo empreendimento significam que foram criados bens e serviços que não são úteis aos consumidores. Recursos escassos foram imobilizados e destruídos em atividades que não aumentaram o bem-estar das pessoas. Ele, em suma, destruiu valor.

Até aqui, tudo certo: os interesses individuais e coletivos estão em sintonia. Porém, o que ocorre com a dívida pública?

Por que a dívida pública é uma fraude

Com a dívida pública, toda a rede de relações mutuamente benéficas descrita acima é destruída.

Para começar, o que realmente permite a quitação da dívida pública? Por acaso, seria a geração de bens futuros valiosos por parte dos projetos em que o governo investe? Ou seria simplesmente a capacidade do governo de arrecadar impostos de seus súditos?

É evidente que a resposta é a última.

Nenhum rentista investiria seu capital em uma empresa cujo plano de negócios fosse cavar buracos para depois tapá-los novamente. No entanto, quem empresta ao governo está fazendo exatamente isso.

O governo, desta forma, permite aos rentistas realizar um uso improdutivo do seu tempo e do seu dinheiro sem experimentar perdas em decorrência disso.

E observe: não estou afirmando que o governo não pode nunca fazer um uso produtivo dos recursos que maneja. O que estou dizendo é que, primeiro, o governo não seleciona seus investimentos em função da rentabilidade esperada dos mesmos (basicamente porque não tem como conhecê-la) e, segundo, que o pagamento da dívida pública não depende do resultado positivo destes investimentos.

Desta maneira, todo o processo econômico de geração de riqueza fica completamente invertido: o rentista agora pode imobilizar seu capital sem qualquer critério e, pior, irá se apropriar de parte da riqueza produzida por todo o resto da sociedade (por meio dos impostos que o governo confiscará dos produtivos para honrar os títulos em posse do rentista).

Os incentivos gerados por esse arranjo são claramente perversos, especialmente para aqueles poupadores que rentabilizam seu capital de maneira automática. Em momentos de crise, por exemplo, todos desejam emprestar seu dinheiro para o governo: não porque imaginam que o governo fará uso sensato e produtivo do mesmo, mas sim porque o governo detém o poder de tributar os produtivos e, com isso, garantir a quitação deste "investimento".

A injustiça é clara: os rentistas sem idéias nem projetos podem agora proteger seu patrimônio — e, inclusive, auferir boas rentabilidades — à custa daqueles outros rentistas — e trabalhadores e empreendedores — que seguem se arriscando e contribuindo para manter a economia funcionando.

Trata-se de um maciço arranjo de subsídio cruzado, em que os interesses individuais entram em conflito com os interesses coletivos: os investidores da dívida pública e os políticos gastadores e irresponsáveis prosperam à custa dos pagadores de impostos presentes e futuros (trabalhadores, empreendedores e investidores do setor privado).

Culpados inocentes

Contudo, sejamos claros: mesmo com tudo o que foi dito, não faz sentido considerar "inimigas da humanidade" aquelas pessoas que se refugiam de maneira persistente na dívida pública.

A imensa maioria dos rentistas — entre os quais se encontram, por exemplo, os pequenos poupadores que possuem planos de previdência e fundos de investimento — desconhece as especificidades do problema, e se limita a responder a incentivos: "se o governo me pede dinheiro emprestado e me devolve com juros, então é claro que empresto".

O que realmente está em questão é a urgência de se perceber que a organização econômica atual — em que o trilionário volume da dívida pública é o ativo predileto de bancos, seguradoras, fundos de pensão, fundos de investimento — gera enormes distorções não apenas no lado financeiro da economia, como também no lado produtivo: o governo se converte no garantidor de fundos que ele desperdiça para financiar sua máquina burocrática, fundos estes que ele só é capaz de amortizar confiscando parte da rentabilidade do capital corretamente investido por outros cidadãos em investimentos realmente produtivos e demandados pelos consumidores.

Assim, os produtivos, os corajosos e os dispostos a assumirem riscos são penalizados para bancar os improdutivos e avessos ao risco.

Conclusão

Obviamente, só existem pessoas que emprestam para o governo porque permitimos que o governo tenha carta branca para gastar mais do que arrecada e se endivide em consequência disso. Caso nós cidadãos exigíssemos que o governo fosse estritamente limitado ao que arrecada, a figura do rentista desapareceria por completo.

De novo: só há rentistas porque o governo é populista e gasta mais do que arrecada, pois os políticos querem acomodar as demandas de todos os grupos de interesse. Quanto maior o escopo do governo, quanto maior a variedade de áreas em que ele intervém, quanto maiores e mais diversas as tarefas que os eleitores querem que ele faça, mais irão prosperar os rentistas.

Logo, criticar rentistas mas não defender uma maciça redução do papel e do escopo do estado é uma total contradição.

Por isso, para uma economia prosperar sem estas injustiças cometidas pelo governo seria necessário um arranjo em que há ativos absolutamente seguros porém nada rentáveis (como o ouro) e todo um conjunto de projetos empreendedoriais com distintos perfis de duração e de risco, nos quais, via debêntures, ações, títulos privados ou outros instrumentos, os rentistas possam imobilizar seu capital, sempre assumindo a possibilidade de não recuperá-lo.

Uma economia cresce quando rentistas só conseguem obter ganhos ao participarem do processo social de criação de riqueza. Por isso, um arranjo próspero é aquele em que não há como rentistas auferirem retornos situando-se à margem do processo de criação de riqueza — ou, principalmente, criando obstáculos a ele.

Mas, para isso, é necessária uma profunda redução do estado — o que quase ninguém quer.

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34 votos

autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Zumbílvio Santos  17/07/2018 16:46
    O que vocês acham da Auditoria da Dívida ?


    alguns economistas são contra dizendo que é pretexto pra dar o calote, outros concordam que se deve ter transparência e seria útil fazer uma auditoria.

    Qual a opinião do IMB ?

  • Amante da Lógica  17/07/2018 16:59
    Por mim, os idiotas úteis podem fazer à vontade. Não apenas estarão se concentrando em algo totalmente inútil, como ainda acabarão concedendo ainda mais legitimidade ao arranjo, pois a auditoria não dará em nada (afinal, auditoria nunca foi o problema da dívida).

    A dívida pública é uma fraude, mas não do tipo que necessita de uma "Auditoria Já!".

    Quem afirma que o problema da dívida pública se resume a uma mera questão de auditoria não apenas embaçando o debate, como ainda está ajudando a perpetuar o real problema, pois está dando um manto de legitimidade a um arranjo inerentemente imoral: a dívida continuará sendo fraudulenta mesmo que uma eventual auditoria comprove que não há nada de contabilmente errado com ela (e não há).

    Tampouco o problema da dívida está nos juros: ela é igualmente imoral não importa se os juros são de 1% ou de 100%.

    O problema da dívida é outro, muito mais complexo e anti-ético do que auditorias e juros. Exatamente como explicado no artigo.
  • Pobre Paulista  17/07/2018 17:05
    Mero chororô de quem não conseguiu comprar NTNB a 7,5%+IPCA no começo de 2016 ;-)
  • Chupim  17/07/2018 17:16
    Haha, saudosos tempos. Eu me entupi de NTN-Bs naquela época. Lembro especialmente do inesquecível dia 22 de janeiro de 2016. A 2035 fechou pagando IPCA + 7,82% ao ano. Joguei quase que todo meu patrimônio ali.

    Tô rindo à toa até hoje. E quem vai garantir minha aposentadoria são os produtivos. Meu sincero muito obrigado a eles.
  • Andre  17/07/2018 17:48
    Pois vá se preparando, vamos passar por essa fase de juros imensos novamente até meados de 2020, com o déficit primário insistentemente alto e dívida pública brasileira passando dos 90% do PIB , exigirá um esforço de quase 6% do PIB apenas para mante-la no lugar.
  • cmr  18/07/2018 16:30
    A mim só resta apelar para dogmas e factóides religiosos.

    O que é de vocês está guardado, quando morrerem não terão nem como dizer que não sabiam o que estavam fazendo.
    Vocês sabiam da imoralidade do esquema e ainda assim entraram nele.

    Só que Deus viu tudo e sabe de tudo, vocês vão direto para o inferno.
  • Chupim  18/07/2018 16:46
    Pode ser. Mas então, se o critério é esse, está todo mundo garantido no inferno, inclusive você.

    Ou você realmente acha que o dinheiro na sua caderneta de poupança não é usado pelo banco para comprar títulos do governo? Ou você realmente acha que o dinheiro no seu CDB ou no seu fundo de investimento não é usado também para comprar títulos do governo?

    Ou mesmo o seu dinheiro em ações e debêntures. Você realmente acha que a empresa não o utiliza para comprar títulos públicos?

    É lógico que você sabe disso. E, sabedor disso, Deus também tá vendo e o que é seu também tá guardado.

    A menos, é claro, que você seja extremamente coerente e guarde todos os seus milhares de reais dentro de uma gaveta. Aí, de fato, você tem moral para falar -- embora esteja prejudicando abertamente sua família, o que também é contra os desígnios de Deus.
  • Breno  18/07/2018 16:53
    Haha, por isso que esse é o melhor site interativo da internet. Só comentários engraçados e ao mesmo tempo geniais e elucidativos. Dá pra ficar dias aqui só lendo e aprendendo com os comentaristas.
  • Pobre Paulista  18/07/2018 22:02
    Nem precisa ir tão longe, Chupim. Basta argumentar que ele mesmo usa a moeda monopolística imposta pelo estado.
  • Bitcoiner  22/07/2018 00:08
    Por isso apenas bitcoiners são libertários de verdade. Vocês são tudo fachada.
  • Richard Stallman  18/07/2018 18:06
    Esse ai era usuário de um certo blog que foi bom até 2012 e depois descarrilou. Nem liga.
  • Fabio Faria  17/07/2018 17:00
    Mais um excepcional texto!!

    Aliás estava conversando com um amigo exatamente sobre esse tema.

  • Bernardo  17/07/2018 17:19
    O governo gasta muito e gasta mais do que arrecada porque seus eleitores assim desejaram.

    Foi o povo, por meio do seu voto, quem pediu um estado cuidando de escolas, universidades, saúde, esportes, cultura, filmes nacionais, petróleo, estradas, portos, aeroportos, Correios, eletricidade, aposentadorias, pensões, e subsídios para pequenos agricultores e para megaempresários.

    Acima de tudo, foi o povo quem pediu um estado ofertando amplos programas assistencialistas e uma crescente oferta de empregos públicos pagando altos salários.

    Como não há imposto que chegue para bancar tudo isso, o governo tem de recorrer a empréstimos. Os rentistas agradecem.

    E nêgo xingar rentista mas pedir ainda mais social-democracia mostra bem o nível de confusão mental que predomina.
  • Pobre Paulista  17/07/2018 18:02
    Eu já defendi a tese que o Estado é uma mera resposta do mercado para estas pessoas, mas tomei umas espinafradas por aqui hehehe...
  • ed  17/07/2018 18:19
    Sua tese que o mercado cai por terra com o simples fato de que impostos são obrigatórios. Se fossem voluntários quase ninguém pagaria o que prova que o governo não é um desejo do mercado.
  • ed  17/07/2018 18:49
    Sua tese que o mercado demanda por governo*
  • Rodolfo Andrello  17/07/2018 17:25
    Acabo de ver uma situação cômica, numa recente notícia entitulada: "Alemanha proíbe pré-venda de jogos sem data de lançamento". Resolvi ler os comentários em um portal especializado no universo gamer. (Vejam bem, não eram comentários de um portal genérico como UOL ou G1). Resultado: estatismo nível hard, praticamente todos os consumidores saudavam o governo alemão por estar salvando os consumidores de serem enganados por empresários inexcrupulosos.
  • Antonio  17/07/2018 17:26
    Ola´, acham que há um risco real de calote da dívida no próximo governo, seja calote aberto ou calote via inflação/monetização?
  • Régis  17/07/2018 17:40
    Calote aberto sem chance. Seria estupidez.

    Hoje, o governo só consegue se manter porque pega dinheiro emprestado. Tendo um déficit primário — isto é, desconsiderando toda a despesa com juros — de 3% do PIB, o governo não paga nem o funcionalismo público e nem o salário de seus políticos se não tomar dinheiro emprestado.

    Sendo assim, ele precisa se endividar simplesmente para continuar funcionando. O governo precisa de dinheiro emprestado apenas para continuar existindo.

    Logo, ele jamais dará o calote em seus credores. Isso seria de uma burrice inominável.

    Ao dar um calote, o governo estaria fechando exatamente aquela fonte de financiamento que sempre lhe esteve aberta e disponível. Mais ainda: estaria acabando exatamente com aquilo que o mantém vivo.

    Ora, você não mata quem sempre lhe empresta dinheiro e que faz com que seja possível você fechar suas contas.

    Adicionalmente, vale ressaltar que nem a Venezuela de Chávez e nem a Argentina dos Kirchner fizeram isso. A Argentina deu o beiço nos credores estrangeiros, mas não nos nacionais.

    Sim, haverá calote no Brasil, mas este não ocorrerá com os títulos públicos em mãos de bancos, fundos de investimento, cidadãos e empresas nacionais. O calote ocorrerá sobre aqueles grupos que têm menos poder político: aposentados, pensionistas, dependentes de assistencialismo etc. Chegará um momento em que estes não mais receberão nada.

    Mas, antes disso, ainda haverá cortes na saúde, na educação e na cultura. Terá de haver. Assim como também terá de haver vendas de ativos. Haverá privatizações, mesmo que a contragosto. Em última instância, o governo preferirá vender todas as suas estatais a calotear a dívida pública (e há muitas estatais a serem vendidas).

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532
  • Tannhauser  17/07/2018 17:53
    Inflação é a saída mais fácil.

  • brunoalex4  17/07/2018 18:11
    Boa tarde.

    Régis (ou qualquer outro que puder responder),

    Tem um coisa que ainda não consigo entender: até que ponto este tipo de arranjo é sustentável? Por exemplo: Venezuela. Até que ponto ela,ou país em situação parecida, vai conseguir honrar esses compromissos se eles a cada dia que passa produzem cada vez menos riqueza? Resumindo: quem empresta para eles tem esperança de receber o quê de volta? Desculpem se é uma pergunta idiota, mas não consegui entender isso ainda.

    Abs.
  • Eduardo  17/07/2018 18:24
    Quem emprestou pra Venezuela em moeda estrangeira já se estrepou há muito. O calote já foi oficialmente declarado. Já os nativos que emprestaram em moeda nacional estão recebendo de volta -- em uma moeda que não serve nem para papel higiênico.

    No Brasil e em todos os outros países um pouco mais sérios que a Venezuela, a situação perdura enquanto o governo conseguir ir rolando a dívida, exatamente como explicado aqui. Enquanto o governo conseguir ir atiçando investidores para comprar títulos (e então usar o dinheiro desses investidores para quitar os títulos vincendos), a situação poderá ir sendo empurrada com a barriga.

    Mas perceba o seguinte: a perpetuação deste arranjo garante que o governo continue funcionando, mas a economia privada estará literalmente uma privada, pois não haverá mais investimentos nela. Todo o dinheiro para investimentos estará indo para bancar o governo e seus burocratas. A conseqüência será uma queda no padrão de vida.
  • brunoalex4  17/07/2018 18:43
    Obrigado! Agora entendi.
  • Pobre Paulista  17/07/2018 18:25
    Enquanto o mercado consegue criar riqueza mais rápido do que o governo consegue destruir, esse sistema se mantém.

    Tão logo o jogo empate ou vire, aí entra-se numa espiral descendente. Vide Venezuela, como citado.

  • Felipe Lange  17/07/2018 17:53
    Acho difícil. Se derem calote, toda a máquina burocrática se desfaz, e eles (os políticos) não querem isso.
  • Ludwig  17/07/2018 17:48
    Mises escreveu sobre isso em Ação Humana:

    "O problema assumiu maior importância quando os governos começaram a recorrer a empréstimos em longo prazo, perpétuos, cujo principal não seria nunca reembolsado.

    O Estado, essa nova deidade da nascente estatolatria, essa eterna e super-humana instituição imune às fraquezas humanas, oferecia ao cidadão uma oportunidade de colocar sua riqueza a salvo de qualquer vicissitude. Abria o caminho para libertar o indivíduo da necessidade de arriscar e de ter que conseguir sua renda novamente, cada dia, no mercado capitalista.

    Quem investisse seus recursos em títulos emitidos pelo governo ou por entidades paraestatais ficava liberado das inevitáveis leis do mercado e da soberania dos consumidores. Deixava de ter necessidade de investir recursos para melhor servir os desejos e necessidades dos consumidores.

    Passava a ter segurança, protegido dos perigos da competição no mercado onde os prejuízos são a punição pela ineficiência; o Estado eterno o acolhia sob sua asa e lhe garantia o desfrute tranquilo de seus recursos.

    Desde então, sua renda não mais decorria do processo de atender os desejos, mas dos impostos arrecadados pelo aparato de compulsão e coerção. Em vez de servir os seus concidadãos, submisso à sua soberania, passava a ser um sócio do governo que arrecadava impostos do povo.

    O que o governo pagava como juros era menos do que o mercado oferecia. Mas esta diferença era fartamente compensada pela indiscutível solvência do devedor, o Estado, cuja receita não dependia de satisfazer o público, mas da cobrança inflexível do pagamento dos impostos."

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=301
  • Thiago  17/07/2018 18:58
    Estou me sentindo mal de ter parte dos meus investimentos no tesouro. Vou ter que pensar melhor em que fazer. Mas no Brasil é complicado investir em algo seguro e rentavel com o estado e a justiça toda hora criando empecilhos para isso.
  • Out of the box  25/07/2018 18:57
    Você sabia que existe centenas de outros países que você pode investir?
    Dá uma olhada nas peripécias desse cara:
    nomadcapitalist.com
  • Judeu  25/07/2018 20:03
    Tem algum conteúdo parecido no português?
  • Out of the box  25/07/2018 23:10
    Eu desconheço meu amigo.
  • Paulo Henrique  17/07/2018 21:15
    Um assunto próximo ao artigo.

    As taxas de Juros de 2 anos e 10 anos dos títulos americanos estão prestes a se inverter

    www.marketwatch.com/story/morgan-stanley-expects-the-inverted-yield-curve-harbinger-of-recession-in-2019-2018-07-12

    fred.stlouisfed.org/series/T10Y2Y

    Será que ela perdeu a capacidade de previsão das recessões ou podemos ficar mais atentos aos movimentos da economia americana? Digo isso, pois, também existe uma diferença substancial em como os juros foram manipulados nesse ciclo econômico
  • Leandro  17/07/2018 21:35
    Na verdade, o mensurador mais acurado é a inversão das curvas dos títulos de 3 meses e de 30 anos, isto é, quando os títulos de curto prazo (3 meses) ficam com juros acima dos títulos de longo prazo (30 anos).

    Trata-se de uma anomalia que sempre precede uma recessão nos EUA.

    A curva de juros se inverte (com as taxas de curto prazo sendo mais altas que as de longo prazo) porque os investidores, ao perceberem que o país está entrando em recessão ou perceberam que a inflação futura será cadente, sabem que, no futuro, as taxas de juros cairão (ou por causa da recessão ou por causa da inflação em queda).

    Sendo assim, eles correm para garantir a aquisição de títulos de longo prazo que ainda garantam altas taxas de retorno nesse cenário de incerteza. Ao correrem para esses títulos em busca de segurança, o preço deles aumenta e a taxa de juros cai.

    Isso ocorreu no Brasil em 2003, no final de 2011 e em 2015. E ocorreu em todas as grandes desinflações de história, como EUA, Canadá, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia nas décadas de 1980 e 1990.

    Especificamente nos EUA, esse é o melhor indicador que há para prever recessões. Até hoje, a acurácia é de 100%.

    Eis o gráfico atual:

    fred.stlouisfed.org/graph/fredgraph.png?g=kwWj
  • anônimo  17/07/2018 22:30
    O objetivo dos capitalistas é o lucro e não as necessidades da população.
  • Eduardo  18/07/2018 00:19
    Só que, para ter lucro, em um livre mercado, o capitalista tem necessariamente de atender aos desejos da população. Por definição. É impossível, num livre mercado, ganhar dinheiro ofertando bens e serviços que não são do interesse da população. Lógica básica.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2818

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2777
  • Paulo César Ignacio Domingues  17/07/2018 22:32
    Li o artigo sobre o câmbio. Muito interessante. Fiquei, no entanto com uma dúvida. Quem garante que, na criação do Real, a relação 1 para 1 refletia corretamente os preços das mercadorias nas 2 moedas? Se não, esse erro vem se propagando desde então.
  • Leandro  18/07/2018 00:19
    Não houve esse tabelamento de preços que você inferiu.

    No dia 30 de junho de 1994, CR$ 2.750 valiam um dólar, determinados pelo câmbio livre.

    Naquele mesmo dia, definiu-se que CR$ 2.750 seriam definidos como sendo iguais a um real. Um real, portanto, passou a ser o nome dado a CR$ 2.750.

    Assim, um real (que foi definido como sendo CR$ 2.750) surgiu valendo um dólar.

    Não houve mágica nem decreto nenhum. Houve apenas uma definição de valores: assim como é definido que 60 segundos são um minuto e 1,609 milha é um quilômetro, definiu-se que CR$ 2.750 (que valiam um dólar em 30 de junho de 1994) seria o equivalente a 1 real.

    Logo, dado que CR$ 2.750 foi definido como 1 real, e dado que ele valia 1 dólar (estipulado pelo mercado de câmbio livre), tem-se que 1 real nasceu valendo 1 dólar.

    Sem mágica nenhuma. Assim surgiu o real.

    E o câmbio continuou flutuante (o câmbio nunca foi fixo nem sequer por um dia durante o Plano Real). Aliás, ao final do mês de lançamento, o real já havia se apreciado para R$ 0,90 por dólar. O real nasceu com câmbio flutuante, e assim permaneceu de julho de 1994 a março de 1995, quando adotou-se o câmbio atrelado ao dólar (que não deve ser confundido com câmbio fixo).
  • Tano  18/07/2018 04:57
    Mas igual poderia estar defasado nessa data. Entendi a pergunta e me gerou a mesma dúvida quando li o artigo
  • Vladimir  18/07/2018 13:39
    Deixa eu tentar ser mais direto que o Leandro: não houve nenhum tabelamento de preços durante a troca de nome da moeda, e o câmbio permaneceu flutuante o tempo todo. O que houve foi pura e simplesmente uma troca de nomes.

    Logo, não tem disso de "poderia estar defasado". Mesmo se tivesse, o próprio câmbio flutuante corrigiria isso.

    Já que vocês estão com dificuldades para entender o que houve no passado, vou dar um exemplo utilizando dados de hoje. Neste exato momento em que escrevo, um dólar custa R$ 3,8553.

    Pois bem. Suponha que, ao final do dia de hoje, um dólar termine valendo R$ 3,87 pelo câmbio livre. Ato contínuo, o governo diz que esses R$ 3,87 devem mudar de nome, e agora irão se chamar Solar.

    Ou seja, o governo simplesmente disse que 3,87 unidades de real acabaram de ganhar um novo nome de batismo: Solar.

    Cada 3,87 unidades de real têm agora o nome de 1 Solar.

    Começou a entender? Isso não é tabelamento. Nenhum preço foi congelado ou manipulado. Isso independe de eventuais defasagens de preço ou de câmbio. É simplesmente uma definição de nome.

    E dado que, ao final do dia, pelo câmbio livre, 3,87 unidades de real equivalem a 1 dólar, então tem-se que, ao final do dia de hoje, 1 Solar é igual a 1 dólar.

    Porém, dado que o câmbio continua flutuante amanhã, então amanhã 1 Solar flutuará normalmente em relação ao dólar, de modo que essa relação de 1 dólar para 1 Solar deixará de existir.

    Será que agora foi? De novo: não houve nenhum tabelamento de preços durante a troca de nome da moeda, e o câmbio permaneceu flutuante o tempo todo. O que houve foi pura e simplesmente uma troca de nomes.
  • Brunoalex4  18/07/2018 14:15
    Bom dia.

    Esse procedimento poderia ser repetido? Poderíamos ter um novo plano real e, sendo otimista ao extremo, fazer tudo certo dessa vez? Grato.
  • Pobre Paulista  18/07/2018 14:36
    O sucesso do Plano Real não tem a ver com uma mera renomeação de moedas, e sim com o pacote de austeridade que foi implantado. Isso, aliado à abertura comercial iniciada no governo Collor, permitiu uma grande entrada de capital estrangeiro, que estabilizou o câmbio, freou a inflação, e impulsionou o desenvolvimento da indústria.

    Pra fazer isso novamente, é melhor esperar para cortar zeros, fica mais fácil.
  • Leandro  18/07/2018 14:40
    Nem precisa. É só seguir o que foi dito neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    Publicado em março de 2015, escrevi ao final dele:

    "Aqui vai uma dica para Michel Temer: quer se tornar popular quando assumir o governo? Estabilize a moeda em relação ao ouro. As consequências são incríveis. Não é teoria. É empiria."

    Ele não me ouviu.

    Voltei a repetir a mesma coisa em fevereiro de 2016:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304

    Ele continuou sem me ouvir.

    Veja a evolução do preço do ouro:

    s15.postimg.cc/6yj6baozf/ouro.png

    As alternativas a isso seriam liberar a circulação de moeda estrangeira (não vai acontecer) ou adotar Currency Board (chance zero).


    No mais, o efêmero período que tivemos de inflação de preços baixa e dólar barateando que tivemos (ano de 2017) se deveu inteiramente à brutal redução da oferta monetária, uma política que, embora de fato seja efetiva para debelar a carestia, gera profundos efeitos recessivos. Ela não tem como durar sem gerar instabilidades.
  • Billy  18/07/2018 10:58
    Tem um vídeo bem didático que cita a dívida do governo e o sistema financeiro como uma fraude, apesar de o vídeo ter outro foco.

    A lógica do vídeo está correta?

    The monetary system visually explained
    youtu.be/lN657jMoASI
  • Edujatahy  18/07/2018 12:00
    Não existe lucro sem risco.
  • gabriel  18/07/2018 12:08
    Mas vamos imaginar a situacao hipotetica, na qual ninguem mais empresata dinheiro ao governo, nao importando quao altos os juros que eles oferecam. Nesse cenario, o governo ainda teria que se financiar, logo teria que aumentar impostos, o que tambem consiste em tirar do setor produtivo. Entao estou um pouco confuso com o que o IMB acha que seria o cenario ideal (assumindo obviamente que o governo queira mantero nivel de gastos). Poderiam esclarecer por favor?
  • Daniel  18/07/2018 13:27
    "Mas vamos imaginar a situacao hipotetica, na qual ninguem mais empresata dinheiro ao governo"

    Neste caso, choverá dinheiro para investimentos produtivos, e a economia irá bombar.

    "Nesse cenario, o governo ainda teria que se financiar, logo teria que aumentar impostos, o que tambem consiste em tirar do setor produtivo".

    Aumentar impostos em R$ 500 bilhões?! Queria muito saber como ele faria essa mágica.

    O governo simplesmente não tem como aumentar impostos quando quer. Não neste volume. O máximo que o governo consegue fazer hoje é aumentar uma alíquota sobre os combustíveis, o que dá uns R$ 10 bilhões no máximo de receita, e ainda gera greve de caminhoneiros.

    Aumentar impostos gera enorme resistência popular. Se o governo deixa de tomar R$ 500 bilhões emprestados, ele simplesmente não tem como aumentar impostos em R$ 500 bilhões. Isso é totalmente impraticável. E se ele de fato tentasse, cairia no dia seguinte.

    Para você ter uma ideia, a carga tributária americana está em 17,5% do PIB desde a década de 1950:

    fred.stlouisfed.org/graph/fredgraph.png?g=ivV5

    Logo, se o governo deixa de tomar emprestado (e a maneira mais efetiva é criar uma emenda constitucional proibindo o governo de se endividar), então não terá segredo: a única opção será cortar gastos.

    "Entao estou um pouco confuso com o que o IMB acha que seria o cenario ideal (assumindo obviamente que o governo queira mantero nivel de gastos). Poderiam esclarecer por favor?"

    Acho que agora já deu para você desconfundir um pouco. Se você vive tomando R$ 500 bilhões emprestado todo ano, e então repentinamente passa a ser proibido de continuar fazendo isso, o que você fará? Aumentará suas receitas em R$ 500 bilhões (como?) ou vai cortar gastos onde conseguir?

    Proibir o governo de se endividar é a maneira mais rápida e mais garantida de fazer o governo encolher. Exatamente por isso, nunca ocorrerá.
  • Praxeologia é pseudociência  18/07/2018 14:10
    "Neste caso, choverá dinheiro para investimentos produtivos, e a economia irá bombar. "

    Não necessariamente.

    você está utilizando uma dedução apriorística. Como a economia brasileira é muito dependente do Estado e tem seus entraves (burocracia, custo brasil,renda baixa etc) pode ser que o país fique numa situação bem pior e o setor privado não responda da forma que a "lógica apriorística do IMB" indica.


    O país pode entrar numa recessão ainda pior.


  • Skin in the game  18/07/2018 15:31
    Então posso inferir que os editores do site não possuem títulos públicos?
  • Taleb  18/07/2018 15:47
    Inferir é livre. Eu concordo plenamente com o artigo e estou entupido de títulos públicos.

    Mas eis um detalhe crucial: até agora eu só dei dinheiro. Não resgatei nada. Portanto, não apenas não tomei dinheiro de ninguém, como ainda estou bancando tudo.

    Quando, e se, eu resgatar a integralidade de meus investimentos, aí sim posso ser acusado das coisas que o artigo corretamente aponta.

    Fora isso, também tenho ações, debêntures, LCIs, LCAs, LCs e CDBs de bancos pequenos, de modo que estou fazendo minha parte para investir na economia.

    E você?
  • Carlos Alberto  18/07/2018 15:52
    Eu também concordo com o artigo e também estou lotado de títulos públicos. Até já resgatei alguns, mas até agora dei muito mais dinheiro do que pedi de volta, de modo que meu saldo líquido como "doador" para o governo é positivo.

    Sou totalmente a favor de o governo equilibrar o orçamento e parar de se endividar. Façam um plebiscito proibindo o governo de se endividar e eu irei votar pela proibição.

    Mas eu não sou mártir nem faquir nem masoquista. Muito menos um idealista. Não fui eu quem criou esse sistema imoral. Se ele existe e se todos tiram proveito dele, então não serei eu o otário que ficará de fora apenas reclamando e tendo de bancar tudo.

    Trabalho no setor privado e pago uma caralhada de impostos. Quero ao menos receber um pouco de volta. Se há essa possibilidade via títulos públicos, então irei aproveitá-la.

    Se você é prisioneiro em um campo de concentração e sabe que a fuga é impossível, então há apenas duas opções: ou você espera passivamente seu abatimento sem fazer nada, ou você se alia aos guardas, permanece vivo e ainda aumenta as chances de sair dali relativamente inteiro.

    Eu opto pela segunda.
  • Fernando   18/07/2018 16:00
    Eu tbm opto pela segunda
  • cmr  18/07/2018 16:32
    Se a sua aliança com os guardas não implicar em prejuízo para os outros prisioneiros, aí tudo bem.

    Mas esse não é o caso da dívida pública.
  • Moral  19/07/2018 01:18
    Se você acredita que o estado seja ruim e maléfico para o próximo é IMORAL entregar dinheiro ao governo.

    Isso é o mesmo que financiar máfia.
  • Fernando  19/07/2018 13:24
    Vou fazer o que então? Se empreender é arriscadíssimo e os prisioneiros apoiam essa máfia? Não vou pagar pelo restante, não sou herói.
  • Imigrante  19/07/2018 14:52
    Vá até o aeroporto internacional mais próximo de você e saia logo do Brasil.
  • Moleque atrevido  19/07/2018 14:43
    E desde quando libertário liga pra moral? Tem até funça aqui.
  • Pobre Paulista  19/07/2018 15:38
    Isso. Vamos fingir que o governo não existe e parar de pagar impostos.

    Depois que estivermos presos, vamos fingir que estamos livres e que ainda somos produtivos para a sociedade.

    Tá osso, viu?
  • Andre  19/07/2018 16:59
    Libertário e liberal de repartição é coisa bem comum por aqui. Mas pegue leve com eles, em breve ficarão na fila de cesta básica igual aos funças do estado do RJ por falta de salários.
  • Antonio  20/07/2018 15:01
    Imagina que você vivesse na época da escravidão, mesmo achando a prática repugnante seria impossível viver sem consumir produtos feitos por escravos nem comer você conseguiria pois os produtos agrícolas eram plantados por escravos.

    Enquanto a grande maioria da população achar o roubo estatal legítimo será impossível viver sem financiar a máfia de um jeito ou de outro.
  • Moral  21/07/2018 10:28
    Você tem total opção de não financiar a máfia via título. Existem diversas opções que não passa por querer se "assegurar" em um título que será "garantido" com a violência ao próximo (e você SABE disso).
    E isso não é heroísmo nem nada, é simples coerência . É hipocrisia reclamar do estado e seu tamanho enquanto fica dando VOLUNTARIAMENTE dinheiro ao mesmo.
    Se assuma como hipocrita pelo menos, ao invés de querer ficar racionalizando esta prática.
  • Pobre Paulista  23/07/2018 14:35
    Não há sequer um único investimento no mercado de capitais nesse país que não esteja em última instância lastreado num título público.

    Se você investe nesse país, você é sócio do governo, querendo ou não.
  • Moral  24/07/2018 11:25
    Este argumento não é válido. O fato de que você não tem como garantir que uma empresa,por exemplo, irá investir ou não em título público não significa que você tomou a decisão voluntária de investir no governo. Você decidiu investir em um negócio, que gera valor a sociedade, que traz fluxo de caixa futuro. Possivelmente a empresa irá usar sobra de caixa em título público, mas isso não é o core business da empresa.
    Comparar isso a entrar em um site como tesouro direto e mandar dinheiro direto para a máfia é totalmente diferente.

    Existem títulos imobiliários, ouro, debêntures, Commodities, criptos...

    E não só isso.
    É totalmente legal investir em QUALQUER LOCAL DO PLANETA. Só precisa de pesquisa e esforço. Inclusive em empresas que são MUITO mais sólidas do que o governo brasileiro.

    Um "Libertario" que utiliza está desculpa de que não tem "opção " a não ser comprar título público ou está sendo ignorante ou quer continuar sendo hipócrita.

    A dura realidade é que é bem mais fácil entrar em um site, clicar um botão e esperar o estado te devolver uma grana com juros usando da violência.

    Investir exige esforço, tempo e risco. Isso é o natural. Querer sair do natural (ainda para a facilidade preguiçosa do título público) só aumenta a distorção, e o poder do estado.
  • Abolicionista  21/07/2018 10:35
    Antônio, está sua comparação não está adequada.
    A pergunta certa é, você sendo abolicionista na época da escravidão, também teria escravos porque várias pessoas têm?
  • Tio Patinhas  19/07/2018 21:34
    Não tenho qq ligação com os editores do site, concordo com o artigo e não invisto em títulos públicos.
  • Hugo  24/07/2018 13:42
    Excelente discussão. Muito informativa. Meu agradecimento a todos que participaram dela.
  • Hamilton  24/07/2018 23:12
    Soube que os EUA teve, por um breve período, "zero" dívida estatal. O que aconteceu com o país durante e após este período?
  • Demolidor  01/08/2018 02:58
    Boa pergunta. Único período em que a dívida pública caiu a zero foi nos anos 1830. Houve um pequeno aumento até os anos 1860, quando explodiu em razão da Guerra Civil.

    Os anos 1830 foram o início do boom das ferrovias, um período de grande crescimento econômico, que durou até a Guerra Civil:

    cs.stanford.edu/people/eroberts/cs181/projects/corporate-monopolies/development_rr.html

    Aliás, guerras sempre fizeram a relação dívida pública/PIB ficar desbalanceada, em razão do aumento da dívida e redução do PIB. Outro período em que a relação explodiu foi durante a II Guerra.

    Já o fato de hoje a relação dívida/PIB estar pior que na II Guerra pode ser creditado, majoritariamente, ao famigerado Estado de Bem Estar Social, o maior destruidor de riquezas depois do socialismo. Basta ver os números do governo.

    www.usgovernmentspending.com/debt_deficit_history
  • Emerson Luis  31/07/2018 23:32

    O carrapato está ficando maior do que o boi...

    * * *


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