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Sim, o certo é “deixar o mercado cuidar disso” - mas você tem de saber o que essa frase significa
Soluções para problemas complexos requerem o maior número possível de mentes criativas interagindo

"'Deixem o mercado cuidar disso! Deixem o mercado cuidar daquilo!'  Você não se cansa de ficar repetindo essa fórmula simplista?".

Assim terminava um e-mail que recebi de um leitor.

O professor de Harvard, Dani Rodrik, muito querido nos círculos protecionistas, vai na mesma linha. Em seu livro Economics Rules, ele escreve: "A abordagem do hamster para um problema é previsível: a solução está sempre no livre mercado. [...] Já as raposas, em algumas ocasiões, recomendam mais mercados e, em outras, mais governo." De acordo com Rodrik, é melhor ser uma raposa do que um hamster.

Esse argumento, à primeira vista, parece ser o ápice da sensatez.  Reformulado, ele está dizendo que:

É dogmático e perigoso supor que uma solução ou uma abordagem é a resposta para absolutamente todos os problemas. Há problemas que só podem ser solucionados com chaves de fenda; outros, só com martelos. Somente um tolo insistiria em usar uma chave de fenda em vez de um martelo para pregar um prego; ou usar um martelo para atarraxar um parafuso. Já o indivíduo sábio, não-ideológico, iluminado, sensato, de cabeça aberta, e cientificamente atento sabe que, em algumas situações deve usar uma chave de fenda e, em outras, um martelo. O que poderia ser mais sensato do que isso?

O erro dessa formulação é fácil de ser apontado: o mercado — ou seja, a livre, espontânea e voluntária interação entre as pessoas — não é apenas uma ferramenta; o mercado são várias ferramentas

O mercado é um kit de ferramentas que contém muito mais ferramentas do que as que os burocratas do governo possuem. 

Ao passo que o governo possui apenas algumas poucas ferramentas — majoritariamente martelos (algumas marretas), serrotes e braçadeiras —, o mercado está repleto de várias e incontáveis ferramentas. E suas ferramentas são muito mais diversas, variadas, especializadas e criativas do que aquelas contidas naquele simples e limitado conjunto do governo.

Dizer "deixe o mercado cuidar disso" é apenas uma maneira sucinta de dizer "deixem que qualquer indivíduo (ou grupo de indivíduos) que se mostre mais disposto, mais capacitado, mais experiente, mais sagaz, mais versado e mais bem equipado tenha a liberdade para tentar lidar com cada problema específico".

E dizer "deixe que o mercado sempre cuide disso" não significa — contrariamente ao que Rodrik sugere — propor uma solução única e simplista para todos os problemas. Significa, ao contrário, propor que o campo seja mantido aberto para que todas as soluções exequíveis possam ser tentadas. 

Dizer "deixe que o mercado sempre cuide disso" é alertar para o fato de que utilizar o governo para tentar corrigir um problema é uma atitude que sempre irá impedir que outras várias soluções criativas e experimentações inovadoras sejam tentadas.

Em suma, a escolha não é entre apenas duas soluções possíveis: o mercado ou o governo. Ao contrário, a escolha é entre um conjunto gigantescamente amplo e variado de soluções possíveis (o mercado, com seus vários mestres de obras e carpinteiros altamente especializados e detalhistas) ou entre um ínfimo conjunto que apresenta apenas uma solução (o governo, com seus burocratas que manejam martelos, serrotes e braçadeiras).

E, ao contrário de empreendedores correndo riscos no mercado, não seria muito sensato presumir que esses burocratas com martelos, serrotes e braçadeiras possuam conhecimentos profundos sobre qualquer um dos problemas que eles sejam convocados a "consertar".

Consistência não é simplicidade

Sim, devo admitir que minha solução proposta para vários problemas relacionados a políticas públicas é dizer "deixe o mercado cuidar disso". Mas essa resposta aparentemente simplista não é nem ingênua e nem preguiçosa. Ela é realista. 

Ela reflete meu entendimento de que qualquer problema que você imaginar — reconstruir uma terra arrasada por um terremoto, fornecer educação e saúde de excelente qualidade para crianças e adultos, reduzir congestionamentos em ruas e estradas, fornecer uma moeda de qualidade, construir pontes e estradas, fornecer água tratada e encanada — será mais bem resolvido, com muito mais eficiência, presteza e baixo custo, por indivíduos atuando livremente na arena das trocas voluntárias e pacíficas (mercado) do que por burocratas do governo.

Dizer "deixe o mercado cuidar disso" é o oposto de dar uma resposta simplista: essa frase sintetiza a mais completa rejeição a uma solução única para tudo fornecida por burocratas com um poder centralizado. Significa endossar um arranjo incomensuravelmente complexo para lidar com o problema em mãos. 

Recomendar o mercado (a livre interação entre pessoas) em lugar do governo (a intervenção de burocratas) significa a humildade de reconhecer que ninguém possui informação e conhecimento suficientes para determinar, ou mesmo para prever, quais métodos específicos são os melhores para lidar com o problema.

Recomendar o mercado, com efeito, significa recomendar que se permita que milhões de pessoas criativas, cada uma com perspectivas distintas e com seus próprios conhecimentos e percepções, voluntariamente contribuam com suas próprias idéias e esforços para lidar com o problema. 

Recomendar o mercado é recomendar não uma solução única e simplista, mas sim um processo descentralizado que gera vários experimentos concorrenciais, os quais então levam à descoberta das soluções que funcionam melhor sob aquelas circunstâncias.

Recomendar o mercado é entender a genialidade daquela importante constatação de James Buchanan, que disse que "a ordem é definida durante o processo de seu surgimento".

Esse processo é flexível e estimula a criatividade. Ele também nega a qualquer um o poder de impor unilateralmente sua própria visão sobre todos.

Em suma, aconselhar que "deixem o mercado cuidar disso" é uma maneira abreviada de dizer que "eu não tenho um plano simplista para lidar com esse problema; com efeito, rejeito todos os planos simplistas. Somente uma instituição competitiva e descentralizada, e que recebe contínuas informações de todos os indivíduos que dela participam (ou seja, o mercado), pode ser confiável o bastante para descobrir e implantar uma solução suficientemente detalhada para lidar com o problema em questão".

Dito tudo isso, vale ressaltar que os mercados só funcionam otimamente sob um arranjo em que a propriedade privada esteja protegida, os contratos firmados sejam respeitados, a cultura empreendedora seja forte, e o meio de troca utilizado (o dinheiro) não seja achincalhado. Se tais instituições estiverem ausentes, dificilmente haverá um mercado para lidar com qualquer problema.

Mas se essas instituições estiverem presentes, então os mercados irão se revelar espantosamente criativos e confiáveis. Recorrer ao mercado para lidar com problemas representa, portanto, o caminho mais sábio.

Conclusão

Infelizmente, no entanto, a tolice frequentemente triunfa sobre a sabedoria. As pessoas frequentemente pressupõem que grandes problemas sociais só podem ser resolvidos por um grupo específico e pré-determinado de pessoas, as quais magicamente possuiriam a chave para a solução.

Embora declarar que "deixem o governo cuidar disso" possa parecer uma solução, tal atitude é meramente um sinal de uma fé simplista e sem qualquer fundamento: uma fé de que as pessoas investidas de poder não irão abusar deste poder; de que burocratas nomeados por políticos possuem respostas melhores do que milhões de indivíduos interagindo voluntariamente em busca de soluções próprias, colocando seus próprios recursos e sua própria reputação em jogo; de que apenas aquelas "soluções" escritas em estatutos e regulamentações, e implantadas por burocratas assalariados, representam soluções verdadeiras e factíveis.

Portanto, sim, mostrem-me um problema e eu provavelmente responderei que "deixem o mercado cuidar disso". E irei responder dessa maneira porque não apenas sei que meus parcos conhecimentos e esforços jamais estarão à altura do desafio de solucionar problemas complexos, como também sei que nenhum político ou burocrata entre nós tem o poder de saber a melhor solução para todo e qualquer problema social. 

Soluções para problemas sociais complexos requerem o maior número possível de mentes criativas interagindo voluntariamente entre si — e isso é exatamente o que o mercado entrega.

 

32 votos

autor

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.


  • Heberth  26/06/2018 16:19
    Mais um excelente e objetivo artigo !

    Além de tudo do que foi explícito, vale ressaltar o clamor contínuo do "homem" pela exacerbada intervenção estatal em prol da "justiça social" ( que Hayek demonstrou jamais existir) em detrimento do livre mercado. Tudo isso em virtude da ignorância econômica.

    Pobre Brasil, em particular !
  • Robert  26/06/2018 16:21
    Eu conheço pelo menos umas 10 pessoas que desesperadamente deveriam ler isso. Mas não o farão, pois contradiz tudo aquilo que elas já determinaram "ser a verdade inquestionável".
  • Jean Meira  26/06/2018 16:22
    As pessoas preferem acreditar que um grupo reduzido de indivíduos (estado) será capaz de resolver um problema que eles desconhecem totalmente em vez de acreditar que várias indivíduos levados pelo interesse próprio (mercado) poderão fazer isso muito melhor.
  • thiago  27/06/2018 13:16
    Creio haver a crença de que o Estado poderia mobilizar as melhores mentes para resolver os maiores problemas
  • Sayd  26/06/2018 16:24
    "Ao passo que o governo possui apenas algumas poucas ferramentas — majoritariamente martelos (algumas marretas), serrotes e braçadeiras"

    E fuzis, algemas e penitenciárias para aqueles que se recusarem a lhe pagar o arrego (i.e. impostos)
  • Jeffrey  26/06/2018 16:40
    No final, todas as leis estatais são impingidas pela pena de morte. Tudo vai depender do seu grau de resistência.

    Se você sonegar impostos será preso. Se resistir à prisão será morto. Se você não pagar uma multa terá seus bens arrestados. Se não aceitar receberá ordem de prisão. Se resistir à prisão será morto.

    Se você abrir uma carrocinha de limonada sem ter uma licença emitida por um burocrata você será multado. Se não pagar a multa, um burocrata irá atrás de você e dirá que você tem de ir ao tribunal. Se não for, outro burocrata (agora uniformizado e armado) irá atrás de você e jogará você na cadeia. Se resistir, você vai apanhar. Se reagir e bater, vai ser baleado.

    Isso, no final, é ainda pior do que assalto. De um assaltante você ao menos tem chance de escapar. Do estado não.
  • Jairdeladomelhorqptras  26/06/2018 22:07
    Caro Jeffey.
    Apoiado.
    Nas mãos do estado, a guilhotina - tanto real quanto figurada- está logo ali.
    Abraços
  • Sayd  26/06/2018 16:27
    Ok, o sr Mercado é o melhor planejador econômico descentralizado que existe, não há dúvida. A inteligência econômica encontra-se dispersa na população. Entretanto, existem situações em que o mercado falha. Nas guerras e conflagrações as leis de mercado simplesmente não são postas em prática, ou não funcionam a contento, devido a conflitos de interesse. Quando o valor econômico não pode ser medido, o mercado não existe, por exemplo em situações onde as transações não resultam em ganhos para ambas as partes. Exemplo disso são as ações de ajuda humanitária. Portanto, uma pequena dose de estado sempre será necessária.
  • Amante da Lógica  26/06/2018 16:36
    "Entretanto, existem situações em que o mercado falha."

    Vejamos.

    "Nas guerras e conflagrações as leis de mercado simplesmente não são postas em prática, ou não funcionam a contento, devido a conflitos de interesse."

    Tradução: quando políticos de um país resolvem declarar guerras aos políticos de outros países, destruindo toda a infraestrutura e submetendo a população do país atacada a impiedosos bombardeios, as coisas se tornam escassas, os preços disparam, e muita gente sofre privações.

    Isso, para você, significa que "o mercado não está funcionando a contento".

    Genial.

    "Quando o valor econômico não pode ser medido, o mercado não existe, por exemplo em situações onde as transações não resultam em ganhos para ambas as partes. Exemplo disso são as ações de ajuda humanitária."

    Ajuda humanitária voluntária não resulta em ganhos para as ambas as partes? Quer dizer então que quem pratica caridade voluntariamente não tem ganho nenhum com isso? Nem de bem-estar ou de leveza da alma? Não tem um lucro psíquico (pesquise)?

    Outra coisa: é lamento quebrar ilusões, mas é impossível haver caridade e ajuda humanitária sem mercado. A caridade e a ajuda humanitária só são possíveis porque alguém, em busca do lucro, criou os bens utilizados nesse trabalho voluntário para aliviar o sofrimento das pessoas.

    Por exemplo, na caridade você distribui comida? Pois a comida é um bem material que teve de ser produzido por alguém. E esse alguém estava em busca do lucro.

    Você distribui roupas de frio? Roupas são bens materiais que foram produzidos por alguém em busca do lucro.

    Você dá aulas de matemática? Então você terá de fazer uso de giz, quadro-negro e folhas de papel. Isso são riquezas que foram anteriormente criadas por alguém em busca do lucro.

    Você distribuiu remédios? Remédios foram criados por farmacêuticas em busca do lucro.

    É realmente muito bonito uma pessoa se acreditar indiferente ao mundo material e adepta da caridade e do trabalho voluntário. Mas a caridade é impossível se alguém, antes, não tiver criado riqueza.

    Artigo para você:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2777

    "Portanto, uma pequena dose de estado sempre será necessária."

    E eu achando que você ao menos estava defendendo a caridade voluntária... Mas não. Todo esse seu discurso foi apenas para dizer que devemos dar dinheiro para dinheiro para políticos (meros atravessadores com salários magnânimos) para que estes então repassem o dinheiro (após desviarem um troquinho para trustes na Suíça e nas ilhas Cayman) para os necessitados.

    Isso sim é algo necessário. E bem humanitário.
  • 4lex5andro  26/06/2018 23:55
    KKKKKKKK

    O amante da lógica volta e meia dá uma mitada com suas respostas a "ignaros" desavisados.

    Só faltou escrever uma assinatura, se fosse possível, no perfil: - "Não me venha com xurumelas, tolerância zero."
  • Fernando  29/06/2018 05:32
    Sou um grande fã do Amante da Lógica! Gostaria de ver ele escrevendo artigos aqui. As respostas dele são sempre de uma paciência, racionalidade e timing impecáveis. Nenhum estatista sai impune.
  • Insurgente  29/06/2018 16:30
    Ele mita é sempre!

    E eu babo nas respostas dele, uma vez que esta criatura consegue sintetizar palavras de uma forma genial!

  • Bruno  27/06/2018 15:29
    Vejamos o mercado de transporte rodoviário de cargas.

    O transportador que utiliza drogas para se manter acordado consegue tranportar mais em menos tempo, reduz custos e leva vantagem. Mas, está colocando a vida de terceiros em risco.

    Como o mercado resolveria esse impasse?
  • Humberto  27/06/2018 16:11
    Ué, mas este cenário está acontecendo exatamente no arranjo atual, em que o estado está no controle! Por que você isenta o estado e cobra respostas de quem nem sequer está no arranjo? É incrível essa propensão de algumas pessoas a sempre isentar o estado de tudo.

    De resto, sua pergunta é de fácil resposta: sendo as estradas privadas, os proprietários de cada estrada farão sua própria política. Fosse eu o proprietário de uma estrada, certificar-me-ia de que apenas caminhoneiros aptos poderiam dirigir -- afinal, se algo ocorrer em minha propriedade, eu sou o principal culpado.

    Por outro lado, de quem é a culpa dos acidentes que ocorrem nas estradas estatais?
  • Bruno  28/06/2018 10:49
    "Por que você isenta o estado e cobra respostas de quem nem sequer está no arranjo?"
    Ué, olha o título do artigo. Apenas descrevi uma situação e perguntei como o livre mercado cuidaria disso. Nada mais natural. Não estou "cobrando" nada de ninguém, apenas interagindo dentro do assunto. Responde quem quiser. Talvez você (e muitos outros, estou falando contigo mas serve para muitos) precise fazer uma auto-análise e pensar se não é você quem está propenso a criar oposições, apontar o dedo e falar de forma agressiva em conversas na internet.

    "os proprietários de cada estrada farão sua própria política."
    Achei essa solução muito parecida com a solução estatal. Alguém dita normas e as fiscaliza. Mas acho que o problema original continua, aqueles donos de estradas que não fiscalizarem ou não exigirem segurança levarão vantagem na competição.

    "afinal, se algo ocorrer em minha propriedade, eu sou o principal culpado"
    E daí que o proprietário é o culpado? Em que isso o prejudica? A não ser que exista algo para puni-lo isso não significará nada para ele. Como se daria essa punição? Quem a executaria?

    "Por outro lado, de quem é a culpa dos acidentes que ocorrem nas estradas estatais? "
    O assunto do artigo é sobre como o livre mercado soluciona os problemas. Você parece estar constantemente fugindo do assunto.
  • Felipe  28/06/2018 12:59
    "Alguém dita normas e as fiscaliza."

    Bingo! É exatamente assim: havendo propriedade privada, o proprietário dita as normas e a fiscaliza. Você está começando a entender o básico.

    "Mas acho que o problema original continua, aqueles donos de estradas que não fiscalizarem ou não exigirem segurança levarão vantagem na competição."

    Oi?! Quer dizer então que se eu sou proprietário de uma "estrada da morte", na qual o índice de acidentes é altíssimo e os usuários sabem que está cheia de bêbados trafegando, eu levarei vantagem na concorrência?! Todo mundo vai ficar doidinho para dirigir ali?!

    Você só pode estar de zoeira.

    "E daí que o proprietário é o culpado? Em que isso o prejudica?"

    Essa pergunta é séria? "E daí que um determinado restaurante só serve comida ruim. Em que isso o prejudica?"

    O brasileiro, de fato, nada entende de mercado.

    "A não ser que exista algo para puni-lo isso não significará nada para ele. Como se daria essa punição? Quem a executaria?"

    Como se dá a punição para um restaurante que só serve comida ruim? Quem executa essa punição?

    O anti-capitalismo do brasileiro comum é tão profundo que ele simplesmente não consegue ver a diferença básica entre mercado e estado.
  • William  28/06/2018 12:59
    "Como se daria essa punição? Quem a executaria?"

    No caso de mortes em que o proprietário é comprovadamente culpado, ora, o sistema judiciário, agora funcionando concorrencialmente e não mais monopolisticamente.

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=731

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=93

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1570

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=605
  • Demolidor  26/06/2018 21:29
    Ok, o sr Mercado é o melhor planejador econômico descentralizado que existe, não há dúvida. A inteligência econômica encontra-se dispersa na população. Entretanto, existem situações em que o mercado falha. Nas guerras e conflagrações as leis de mercado simplesmente não são postas em prática, ou não funcionam a contento, devido a conflitos de interesse.

    Eu queria saber voar com meus próprios braços também, mas a sra Física e a sra Biologia não permitem, essas malvadas.

    Talvez eu deva ir a algum lugar onde as leis da Física não são postas em prática. Mas nem no vácuo espacial, onde a gravidade é negligível, isso ocorre.

    Algum político com uma caneta mágica precisa dar um basta nessa situação.
  • Curioso  26/06/2018 16:29
    E a assistência aos desamparados? Todo país tem lá o seu percentual de órfãos, oligofrênicos, deficientes etc; Tem gente que por um motivo ou outro cai em momentos muito difíceis. Se não tiver um sistema compulsório para 'arrancar' uma parte parcela TOLERÁVEL da prosperidade (via impostos) e dar esse amparo, não vai ser a caridade privada que vai resolver isso. Ora, não se tolera que parte dos impostos seja destinada à segurança (interna e externa) e às atividades jurisdicionais e diplomáticas? Por que não destinar um parte, repito, TOLERÁVEL das riquezas de um país para assegurar que, na pior das hipóteses ninguém fique desamparado? Se a grana der, e a sociedade topar, qual o problema? Não acredito que a caridade privada resolva esse tipo de problema. Exige planejamento e constância. Quando a situação aperta a primeira coisa que se corta e a caridade a terceiros. Claro que quanto maior o aparato burocrático para lidar com esses programas, mais manipulação política vai ser ter. A solução é vigilância.
  • Roberto   26/06/2018 16:35
    "Se não tiver um sistema compulsório para 'arrancar' uma parte parcela TOLERÁVEL da prosperidade (via impostos) e dar esse amparo, não vai ser a caridade privada que vai resolver isso."

    Por que não? Só porque você determinou oniscientemente que assim será?

    Vale enfatizar que, neste cenário de profundo corte de impostos e gastos, haveria muito mais renda disponível para as pessoas, o que lhe permitiria direcionar muito mais para a caridade.

    Quais os seus argumentos em prol do assalto?

    "Ora, não se tolera que parte dos impostos seja destinada à segurança (interna e externa) e às atividades jurisdicionais e diplomáticas?"

    Só para os minarquistas (incoerentes). Anarcocapitalistas também são contra isso.

    "Se a grana der, e a sociedade topar, qual o problema?"

    Se absolutamente 100% dos indivíduos de uma sociedade toparem, sem problemas. Se um se recusar, é roubo.

    "Não acredito que a caridade privada resolva esse tipo de problema."

    Qual seu argumento além do hiper-científico achismo?
  • Mercado  26/06/2018 16:42
    Caridade governamental não está amparando nada, pelo contrário está criando ainda mais necessitados na outra ponta, vide aí os quase 14 milhões de desempregados "oficiais" e mais tantos outros desalentados. O melhor ministro da assistência social é a família, que decide quais recursos ajudará quem e de qual forma. Qualquer arranjo fora disto é desculpa para protoditador angariar poder para ter o domínio dessa faca que dividirá o bolo.
  • Eduardo  26/06/2018 16:44
    O que vai resolver o desamparo é darmos dinheiro para políticos para que estes então repassem o dinheiro para desamparado.

    O que vai resolver o desamparo é contratarmos atravessadores (com salários magnânimos) para que estes (após desviarem um troquinhos para trustes na Suíça e nas ilhas Cayman) entao repassem algumas migalhas para os desamparados.

    Isso sim é uma ideia genial e prática. Qualquer outra ideia que não essa deve ser sumariamente descartada como sendo "radicalismo de mercado".
  • reinaldo  26/06/2018 19:02
    Quanto à ajuda aos desamparados, tenho um exemplo prático: No meu bairro uma casa de madeira queimou até as fundações. Ninguém se feriu, mas a família perdeu tudo, literalmente. Em menos de quinze dias, as doações cobriram todas as necessidades da família (até eu mesmo doei alguns casacos). Eles já tinham casa para morar (um senhor cedeu uma casa desocupada até eles arranjarem uma definitiva), eletrodomésticos, comida, móveis, etc.
    Sabe quanto a prefeitura ajudou? NADA, absolutamente NADA. Tudo foi por ação voluntária dos moradores da cidade, encabeçadas pelas duas rádios locais.
    Nestes momentos é que se percebe a inutilidade do estado.
  • Rodolfo Andrello  26/06/2018 19:08
    "Se não tiver um sistema compulsório para 'arrancar' uma parte parcela TOLERÁVEL da prosperidade (via impostos) e dar esse amparo, não vai ser a caridade privada que vai resolver isso". Basta ao ser humano viver um único século sob a vigência do estado de bem estar social que ele já ignora milênios de experiência e declara que nunca houve nem haverá salvação fora do welfare state.
  • Raquel  27/06/2018 22:18
    Mas caridade não é obrigação,é opção.
    Porque raios eu sou obrigada a contribuir compulsoriamente com o bem estar dos outros?
    Eu já faço caridade voluntariamente, dentro das minhas possibilidades.
    Se uma pessoa chega ao ponto de se tornar indigente,porque o resto da sociedade deve ser punida pelos erros alheios?
    Não sei no resto do Brasil,mas o que vejo muito aqui no Rio,são mulheres miseráveis,tendo filho em produção.Depois ficam batendo na minha casa,pedindo dinheiro,comida,fralda.Sinto pena das crianças(não da ordinária da mãe),mas sinto mais pena ainda do meu bolso.
  • Régis  26/06/2018 17:25
    O problema é que, normalmente quando falam em "mercado", as pessoas imediatamente pensam em "mercado financeiro e corretores da bolsa". E só. Nunca falha. A mídia é a principal responsável pela disseminação desse mito.
    É sempre necessário ressaltar e enfatizar que quem "trabalha no mercado" -- aliás, quem é o mercado -- somos nós. Você, eu e todos os cidadãos. Nós é que decidimos, por meio de nossas decisões de comprar e de se abster de comprar, o que deve ser produzido, qual indústria sobrevive, qual deve ser extinta e qual deve trocar de gerência, quem vai prosperar e quem vai falir. E é respondendo às nossas demandas que padarias, restaurantes, lojas de roupa e de eletroeletrônicos (pessoas que "trabalham no mercado") produzem.

    Isso é o mercado: uma matriz na qual os indivíduos praticam trocas livres e voluntárias. No livre mercado, as decisões relativas a (1) o que produzir, (2) em quais quantidades, (3) utilizando quais métodos e (4) em quais locais, são tomadas visando satisfazer às mais urgentes demandas dos consumidores.

    Aliás, se houver algum arranjo mais eficaz e mais ético do que esse, estou muito interessado em saber dessa revolucionária descoberta.

    Quem pode atrapalhar esse processo, protegendo e socorrendo ineficientes e destruindo os eficientes, são os políticos e suas regulamentações. Exatamente quem as pessoas querem elevar ao status de santos solucionadores de problemas.
  • Padawan  27/06/2018 03:35
    "O problema é que, normalmente quando falam em "mercado", as pessoas imediatamente pensam em "mercado financeiro e corretores da bolsa". E só. Nunca falha. A mídia é a principal responsável pela disseminação desse mito."

    Estava pensando nisso agora há pouco! E termos como "agradou ao mercado" só reforçam a desinformação.

    Dito isso, tenho uma dúvida. Há alguma verdade na forma pejorativa como o mercado financeiro, por exemplo, é retratado pelo senso comum?
  • Economista  27/06/2018 12:47
    A pergunta está errada. A pergunta certa é: por que houve esta "financeirização" da economia ao redor do mundo?

    E a resposta é simples: a contínua desvalorização da moeda causada pelos governos.

    Foi esse fenômeno da contínua desvalorização da moeda causada pelos governos que gerou um agigantamento do setor financeiro, pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança. Isso criou exatamente aquilo que os críticos do capitalismo chamam de "financeirização" da economia, arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano.

    Eu mesmo dedico boa parte dos meus dias à procura de investimentos que possam ao menos proteger meu poder de compra para o futuro. Houvesse uma moeda forte, do tipo que faz os preços caírem uma média de 1% ao ano (como ocorreu nos EUA entre 1865 e 1913), eu me ocuparia de investimentos produtivos, e não de investimentos meramente defensivos.

    Acabe com a desvalorização da moeda e você verá o setor financeiro encolher de importância.
  • Che  26/06/2018 17:33
    O mercado tem falhas e o estado é a solução para elas. Me refiro a estado mínimo, por óbvio. Fornecimento de serviços públicos onde é quase impossível a concorrência é um exemplo irrefutável. Não dá para ter mais que um fornecedor de água, esgoto e energia elétrica, por exemplo. Não dá para fazer 2 BR 116, uma concorrendo com a outra. Os liberais anárquicos se perdem tentando resolver esses problemas, mas não apresentam exemplos concretos.
  • Guilherme  26/06/2018 17:41
    O fato de você não conseguir visualizar a solução para um problema não significa que não haja solução para ele. Você simplesmente acabou de incorrer na exata contradição apontada pelo artigo.

    Como funcionaria água, esgoto e energia elétrica? Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=646

    (Sugiro ler o artigo todo, mas caso tenha preguiça, pode pular direto para a seção "A liberdade de entrada restringe as arbitrariedades")

    Como já funcionou na prática em outros lugares? Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1309

    Estradas? Aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1614


    Pelo visto falta leitura para você. Jamais venha a público dizer que "não existe solução para algo" baseando-se apenas em seu conhecimento sobre o mundo. É só uma dica.
  • Rodolfo Andrello  26/06/2018 19:28
    Vou simular aqui: acabei de começar meu empreendimento pra construir a concorrente da BR 116, estou chamando de BR 116 V2 beta edition. Espera aí! esqueci de perguntar antes o que vai me acontecer se eu estiver construindo a estrada e um burocrata do governo descobrir que eu não tenho licença ambiental, CNPJ, CLT assinada dos meus colaboradores... Ops, acho que não vai rolar. Mas vejam só, o estado impediu que eu construisse a BR 116 beta V2, e você concluiu que a ausência de exemplos concretos depõe de maneira irrefutável a favor do estado... Não sei quanto a você, mas o fato de que me abstive de empreender tendo armas apontadas para mim me impedindo de tomar decisões voluntárias não é o que eu chamaria de argumentação racional.
  • Demolidor  26/06/2018 21:23
    Não dá para fazer 2 BR 116, uma concorrendo com a outra.

    Ao ler isso, fiquei pensando aqui: vou de Miami a Orlando por Fort Myers, Port Saint Lucie ou Turnpike?

    De Dubai para Abu Dhabi, vou por Jumeirah, Aeroporto al Makhtoum ou Emirates Road?

    De Cancún a Chichen Itzá, qual das três rodovias paralelas eu pego?

    De São Paulo a Curitiba vou pela Régis ou por Bertioga?

    Até em arranjo estatista há alguma forma de concorrência e redundância. E tem gente que diz que não tem como...
  • Kira  26/06/2018 22:38
    "Não dá para fazer 2 BR 116, uma concorrendo com a outra." Não, mas dá pra escolher qual empresa de engenharia vai fazer a pista, em um mercado de dezenas delas.
  • Demolidor  24/07/2018 13:37
    Citei errado Bertioga. Seria para o Rio, pela Rio-Santos. Para Curitiba seria por Peruíbe.

    Aliás, apenas para demolir ainda mais o argumento de que não pode haver concorrência em estradas, nós temos, a partir de São Paulo para oeste, as rodovias Raposo Tavares e Castelo Branco seguindo rotas bem parecidas... e em boa parte do país, BR-116 e BR-101 em rotas próximas.

    Fica aí de referência.
  • Kira  26/06/2018 22:37
    Corrigindo seu comentário estapafúrdio: O mercado tem falhas e a solução para essas falhas são mais mercado e ausência de estado, pois é das falhas que surgem inovações que tornam negócios falhos obsoletos em negócios mais lucrativos. De onde imbecilidades você tirou a desidéia de que fornecer água e energia é algo impossível de haver concorrência? empresas de energia nuclear, hidrelétrica, eólica, solar, empresas mistas, empresas alugando redes umas das outras, etc... O mesmo para água. VOCÊ É UM LIBERALECO DE MERDA DEFENSOR DE BANDIDO.
  • Kira  26/06/2018 22:41
    ESTADO NÃO SERVE PARA NADA, APENAS PARA CRIAR INFLAÇÃO E ROUBAR FRAÇÕES DO LUCRO DAS PESSOAS EM IMPOSTOS, E CRIAR BARREIRAS E DIFICULDADES ARTIFICIAIS PARA PROTEGER SEUS INTERESSES E CONVENCER TROUXAS DE QUE É IMPOSSÍVEL SURGIR CONCORRÊNCIA. imbecis com esse pensamento nunca ouviram falar em empreendimento, engenharia, evolução de tecnologia, acham que a opinião de um burocrata político de merda é superior a toda uma sociedade com dezenas ou centenas de empreendedores em potencial buscando soluções que lhes tragam lucro e atendam demandas. O livre mercado é a melhor forma de eliminar empresas ineficientes e de evitar em absoluto a existência de monopólios ou oligopólios.
  • JeNeSuisChe  28/06/2018 02:52
    Lendo o comentário do "Che" lembrei-me de duas frases:

    Uma é de um meme: [i] "É contra o mercado e quer aumento da intervenção estatal. Aponta como problemas do mercado coisas causadas pela intervenção estatal" [i]

    A outra é de Roberto Campos, provavelmente do fim dos anos 80: [i] "A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor" [i]
  • Pobre Paulista  26/06/2018 17:50
    Duvido que o livre mercado cobre impostos melhor do que o estado.
  • Pobre Mineiro  26/06/2018 21:47
    Também duvido.
  • Felipe Lange  26/06/2018 19:39
    Pessoal, parece que vai sair uma legislação sobre agrotóxicos que, pelo que ouvi, vai flexibilizar para adquirir novos agrotóxicos. O Mises Brasil pretende fazer um artigo sobre, falando sobre as consequências da regulação sobre agrotóxicos, além de expor a hipocrisia da esquerda e dos ambientalistas? Acho que seria muito interessante algum autor que seja da área escrever sobre, e publicar aqui.
  • Jenifer Viana  27/06/2018 16:22
  • Felipe Lange  27/06/2018 22:22
    Para desespero da esquerda...
  • Um leigo qualquer  26/06/2018 22:47
    Off

    Gostaria que o Leandro ou alguém inteligente me tire uma dúvida.

    Eu li o "O que o governo fez com o nosso dinheiro" e lá diz que um dinheiro antes de se tornar meio de troca, ele era uma mercadoria. Fica assim um dinheiro-mercadoria, por exemplo, o ouro, que era usado para ornamentos.

    O Bitcoin se enquadra nessa definição? Porque não sei qual seria o uso de mercado do Bitcoin antes de se tornar um meio de troca.
  • Pobre Paulista  26/06/2018 23:28
    Bitcoin possui características típicas de commodity. Muitos o chamam de "commodity digital" por isso.

    NMHO não é dinheiro, pois não tem liquidação instantânea (O recebedor precisa esperar uma confirmação de terceiros, que pode levar tempo). Mas obviamente isso não impede que ele seja utilizado para transações quaisquer.

  • Um leigo qualquer  27/06/2018 12:53
    No segundo artigo:

    "Os bits usados para publicar este artigo — os quais foram comprados na forma de espaço no Hard Drive (Disco Rígido), Memória RAM, largura de banda de internet etc. — representam a mesma commodity da qual os bitcoins se originaram.

    Os bits (que carregam informação) criptologicamente protegidos são a commodity que lastreiam o Bitcoin. O Bitcoin fornece seu serviço (o produto) por meio da troca de bits."

    Então, no caso, a commodity (mercadoria) seriam os bits criptografados? Então mesmo se o bitcoin fosse banido do uso de moeda ainda haveria o uso dele como criptografia?

    Ps: não estou tentando invalidar o bitcoin. Afinal, eu tenho algumas criptocoins. Só estou tentando entender como ele se encaixa na definição do Rothbard.
  • Jeff  27/06/2018 13:39
    "Então mesmo se o bitcoin fosse banido do uso de moeda ainda haveria o uso dele como criptografia?"

    A tecnologia Blockchain é a grande sacada por trás do Bitcoin, e é ela quem realmente irá alterar o mundo. Ela pode até mesmo levar a uma reviravolta na relação entre o indivíduo e o estado.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2815
  • Sabio  27/06/2018 09:18
    Por que o IMB nunca aponta falhas do mercado e sempre do Estado? O primeiro seria perfeito?
  • Amante da Lógica  27/06/2018 12:42
    É simples. Diga você uma falha oriunda da interação voluntária entre bilhões de pessoas (atuando em um setor livre, e não em um setor regulado pelo estado), aponte por que isso seria uma falha e mostre como você ou um burocrata (ou seja, um único indivíduo) teria feito tudo melhor.
  • Sabio  28/06/2018 00:09
    Digo sim: a atual desvalorização maciça do real, totalmente descolada dos fundamentos reais da economia brasileira que conta com forte solidez externa. Outro exemplo, a não descoberta do pré sal. Quem descobriu este foi a petrobras. Sem ela não haveria hoje o pre sal com todos seus leilões.
  • Gênio  28/06/2018 01:08
    "a atual desvalorização maciça do real, totalmente descolada dos fundamentos reais da economia brasileira que conta com forte solidez externa."

    Concordo. Temos de proibir as pessoas de fazerem o que quiserem com o seu dinheiro.

    Por exemplo, investidores estrangeiros foram otários para colocar dinheiro aqui? Temos apenas de dizer: "Perderam, playboys! Seu dinheiro agora é nosso! Nada de querer tirá-lo daqui. Se foderam!"

    Tenho certeza de que o anúncio de tal medida irá fazer maravilhas para o câmbio, e deixaria os investidores estrangeiros ávidos para vir para cá, dando ainda mais dinheiro para nós. O anúncio de que quem colocar dinheiro aqui irá perdê-lo certamente derrubará o dólar para menos de 1 real. É tão óbvio...

    "Outro exemplo, a não descoberta do pré sal. Quem descobriu este foi a petrobras. Sem ela não haveria hoje o pre sal com todos seus leilões."

    Essa é ainda mais genial. Uma empresa estatal detentora das principais jazidas do país e atuando monopolisticamente em um ramo cuja entrada da concorrência é amplamente regulada pelo estado (para não dizer proibida) descobre camadas de pré-sal, e isso é prova de que a iniciativa privada e o livre mercado falharam!

    Pergunta: quando você cai no chão de quatro consegue se levantar sem guindaste?
  • anônimo  28/06/2018 14:50
    "Diga você uma falha oriunda da interação voluntária entre bilhões de pessoas (atuando em um setor livre, e não em um setor regulado pelo estado), aponte por que isso seria uma falha"

    Navios pesqueiros em águas internacionais estão levando diversas espécies de animais marinhos á extinção.



    "mostre como você ou um burocrata (ou seja, um único indivíduo) teria feito tudo melhor."

    Teria que haver uma fiscalização dos portos a nível mundial com multas para aqueles que pescarem animais em risco de extinção.
  • Guilherme  28/06/2018 16:33
    "Navios pesqueiros em águas internacionais estão levando diversas espécies de animais marinhos á extinção."

    Não há propriedade privada nem sobre o mar e nem sobre as espécies que nele habitam, que são propriedade pública.

    A extinção é uma consequência inevitável da ausência de propriedade privada. Todas as espécies criadas em cativeiro ou em habitats privados não estão em extinção, pelo simples motivo de que sua extinção acarretaria o fim dos lucros do empreendedor.

    Você simplesmente acabou de dar um exemplo prático de algo ruim causado pela ausência de instituições de mercado.

    "Teria que haver uma fiscalização dos portos a nível mundial com multas para aqueles que pescarem animais em risco de extinção"

    Ué, mas por que os burocratas já não estão fazendo isso hoje?! Afinal, este é exatamente o arranjo em que vivemos: estado cuidando das coisas públicas. Você está dizendo que esta fragorosa falha dos burocratas é exatamente a prova de que os burocratas são necessários?

    Deve ser gostoso viver sob essa deliciosa ilusão.
  • Anonimo  27/06/2018 17:14
    Kkkkkkk vcs lembram do que o Petkovic dizia antes? Parece que ele mudou de ideia
    brasil.elpais.com/brasil/2018/06/27/deportes/1530053462_136459.amp.html
  • anônimo  04/07/2018 20:40
    Qualquer pessoa que fale bem do socialismo é pura nostalgia. Mesma coisa do regime militar.
  • pablo  04/07/2018 18:43
    Vamos a três exemplos recentes de "deixe o mercado cuidar disso": Tragedia da Samarco em Mariana, onde a empresa usou a barragem de rejeitos acima da capacidade visando o lucro,Tragedia da Chapecoense onde o empresário da Lamia resolveu não abastecer o avião para lucrar mais,Locaute nos transportes do Brasil porque o mercado internacional estava definindo os preços dos combustíveis. São milhoes de exemplos de caos quando o estado se omite e deixa o mercado livre.

    Se um estado grande faz tão mal(segundo os "experts" em economia do IMB),me explica então a Noruega e a Suécia.
  • Amante da Lógica  04/07/2018 19:15
    "Tragedia da Samarco em Mariana"

    Minerados são o xodó dos governos, pois geram muitos empregos, garantem fartas receitas tributárias para governos municipais, estaduais e federal (os impostos pagos pela Samarco representvam simplesmente 80% da arrecadação de Mariana) e garantem muitos dólares via exportação.

    Sendo assim, elas operam protegidas pelos governos em todos os níveis. São suas queridinhas. Logo, elas sabem que, qualquer coisa que fizer de errado, nada acontecerá, pois o governo virá a seu socorro.

    Prova desse protecionismo é que todos os órgãos estatais que detinham o monopólio da fiscalização das barragens da empresa — como o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, e a Superintendência Regional de Regularização Ambiental — haviam garantido, ainda em julho de 2015, que tudo estava "em totais condições de segurança".

    E aí, qual será a punição para esta falha estatal?

    O fato de nada ter acontecido à Samarco é simplesmente a prova suprema de como a empresa, muito longe de operar em um livre mercado, sempre esteve em conluio com o estado (em todas as esferas).

    "Tragedia da Chapecoense onde o empresário da Lamia resolveu não abastecer o avião para lucrar mais"

    Exatamente por causa da legislação estatal imposta pelo governo brasileiro, só se pode fretar aeronaves de empresas do país sede ou do país de destino. Não houvesse essa legislação, qualquer empresa decente de qualquer país do mundo poderia fornecer seu avião.

    Isso foi abordado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2516

    Mas piora: a empresa cujo avião foi fretado, de origem venezuelana, estava falida por causa da situação econômica daquele país socialista.

    aeromagazine.uol.com.br/artigo/time-do-chapecoense-sofre-acidente-aereo_3018.html

    Ou seja, socialismo (e sua destruição de capital) em conjunto com leis estatais autoritárias (que impedem a correta alocação de capital, ou seja, a oferta de aviões bons de outros países). Eis as causas da queda.

    Isso poderia ser evitado? Sim. Como? Com a desestatização do setor aéreo e com o uso de seguradoras:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=129

    "Locaute nos transportes do Brasil porque o mercado internacional estava definindo os preços dos combustíveis."

    Errado. Quem definia os preços era a Petrobras.

    Dado que a Petrobras detém o monopólio do refino (98% do refino é da Petrobras), é ela quem define, sozinha, sem mercado, o preço dos combustíveis nas refinarias.

    No resto do mundo, o petróleo é produzido (ou importado) e as refinarias, que trabalham com concorrência, estipulam os preços. Eventuais altas no preço do barril no mercado internacional não são repassados integralmente pelas refinarias às distribuidoras, exatamente pelo motivo de as refinarias terem concorrência.

    Já no Brasil, em que não há concorrência no refino, eventuais altas no preço do barril no mercado internacional são integralmente repassadas pelas refinarias da Petrobras, que são monopolistas.

    "Se um estado grande faz tão mal(segundo os "experts" em economia do IMB),me explica então a Noruega e a Suécia."

    Segundo o site Doing Business, nas economias nórdicas,

    1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil, se você quiser importar pela internet, pagará no mínimo 60%);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 15% (no Brasil, chega a 34%);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho);

    6) o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Não há uma CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nos países nórdicos.

    O único quesito em que os nórdicos superam o Brasil em ruindade é no IRPF, cuja alíquota máxima lá é maior que a daqui -- o que de pouco adianta, pois tais pessoas sempre conseguem driblar as regulamentações e evadir esses impostos.

    Aliás, na classificação do Instituto Fraser, a Suécia e a Dinamarca possuem mais liberdade econômica que os EUA no que diz respeito à estrutura legal e aos direitos de propriedade; a moeda é mais sólida (temos menos inflação), o comércio internacional é mais livre e menos protecionista, e as regulamentações sobre as empresas e sobre o mercado de crédito são mais baixas. Não há uma aquela infinidade de leis que regulamentam profissões e licenças ocupacionais, as quais bloqueiam a concorrência em vários outros países.

    Sim, deveríamos ser mais parecidos com a Suécia - quer tentar?

    Cinco fatos sobre a Suécia que os social-democratas não gostam de comentar

    Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

    Mitos escandinavos: "impostos e gastos públicos altos são populares"


    Mas, infelizmente, não temos como copiar os nórdicos, por esses motivos:
    A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas

    Volte sempre.
  • Fã do Amante  04/07/2018 19:21
    Rapaz, qualquer dia desses o Amante da Lógica ainda vai ser processado e preso por "espancamento intelectual" e "danos morais por causar humilhação pública".
  • Guilherme  04/07/2018 19:28
    Já eu, se fosse ele, entraria na Justiça do Trabalho e exigiria adicional de insalubridade e indenização por trabalho não remunerado. O cara dá aula todo dia e ninguém o paga por isso.
  • Humberto  04/07/2018 19:38
    Detalhe: a LaMia era uma empresa venezuelana (foi fundada com participação estatal, no caso, do estado venezuelano de Mérida), mas com sede na Bolívia.

    Ou seja, mistura a merda com a bosta. A chance de um troço desses ir pro chão é de quase 100%. O incrível, aliás, é que tenha conseguido voar.
  • Emerson Luis  04/07/2018 21:11

    É importante sempre lembrar que tanto "governo" quanto "mercado" são abstrações: no mundo concreto, o que existe de fato são indivíduos.

    Qual grupo tem proporcionalmente maior capacidade de processamento eficiente de informações: (1) um pequeno grupo de políticos e burocratas tentando administrar toda a macroeconomia há milhares de quilômetros de distância ou (2) milhões de indivíduos administrando as microeconomias de seus respectivos nichos?

    * * *


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