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Há 95 anos, a moeda morreu na Alemanha - e, junto com ela, toda a moralidade
Uma história que jamais deve ser esquecida

A história da destruição do marco alemão durante a hiperinflação da República de Weimar, de 1919 até o seu auge em novembro de 1923, é normalmente descartada como sendo apenas uma bizarra anomalia ocorrida em toda a história econômica do século XX.

Mas nenhum episódio ilustra de maneira mais completa as sinistras consequências do que pode ocorrer quando o dinheiro se torna um mero papel sem nenhum lastro e passa a ser utilizado livremente pelo governo. 

Mais ainda: nenhum episódio apresenta um argumento mais devastador e real contra o papel-moeda fiduciário: quando não há restrição à maneira como o governo gerencia moeda, ela morrerá.

"O fato de que as causas da inflação ocorrida na República de Weimar, bem como toda a conjuntura da época, dificilmente irão se repetir é o de menos", escreveu o historiador britânico Adam Fergusson em seu clássico de 1975, Quando o Dinheiro Morre. "A pergunta a ser feita — ou perigo a ser reconhecido — é como a inflação, qualquer que seja a sua causa, afeta uma nação."

Antes da Primeira Guerra Mundial, o marco alemão, o xelim britânico, o franco francês e a lira italiana tinham aproximadamente os mesmos valores — quatro para um dólar.

Ao fim de 1923, a taxa de câmbio do marco já era de um trilhão de marcos para um dólar — o que significa que a moeda havia perdido 99,9999999996% do seu poder de compra nesse período; ou, em outras palavras, ela valia um milionésimo de milhão do que valia há apenas dez anos.

Em meados de 1922, uma fatia de pão custava 428 milhões de marcos, e todas as ações da Daimler Corporation compravam o equivalente a 327 de seus carros. Já em novembro de 1923, uma quantidade de marcos que, dez anos atrás compraria 500 bilhões de ovos, agora mal conseguia comprar um ovo.

O ex-primeiro ministro britânico David Lloyd George, escrevendo em 1932, comentou que palavras como "catástrofe", "ruína" e "devastação" não eram suficientes para descrever a situação alemã, dado que seus significados já haviam se tornado banais. Saques, vandalismo, roubos, ascensão da prostituição, inanição, doenças, e até mesmo consumo de cães se tornaram banais. Pessoas tinham suas roupas roubadas nas ruas. Tudo isso eram eventos do cotidiano de uma sociedade "burguesa" da época.

A constante iminência de uma guerra civil pairava sobre a Alemanha, como já estava acontecendo com o bolchevismo na Rússia. A Baviera teve de declarar lei marcial.

A ascensão da moeda de papel após 1910

A inflação na Alemanha começou lentamente.

Em 1871, o marco se tornou a moeda oficial do Império Alemão (Deutsches Reich). Porém, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, a conversibilidade do agora chamado reichsmark em ouro foi suspensa no dia 4 de agosto de 1914. Sendo assim, o reichsmark, que até então era lastreado em ouro (e que, por isso, também era chamado de goldmark), se transformou no papiermark, uma moeda de papel puramente fiduciária, sem nenhum lastro. 

Em 1914, a quantidade de papiermark em circulação era de 5,9 bilhões; já em 1918, era de 32,9 bilhões. De agosto de 1914 a novembro de 1918, os preços no atacado subiram 115%, o que significa que o poder de compra do papiermark caiu mais de 50%. Neste mesmo período, a taxa de câmbio do papiermark se depreciou 84% em relação ao dólar americano.

Inicialmente, o Reich financiou suas despesas de guerra majoritariamente por meio do endividamento. A dívida pública total subiu de 5,2 bilhões de papiermark em 1914 para 105,3 bilhões em 1918.[1] 

E aí o governo recorreu cada vez mais à inflação monetária (impressão de dinheiro).

Começando em 1919, a velocidade da inflação aumentou, e o índice pulou para 12,6 em janeiro de 1920; 14,4 em janeiro de 1921 e 36,7 em janeiro de 1922. Na segunda metade de 1922, o índice já estava em 101 em julho; e foi para 74.787 em julho de 1923 e 750 bilhões em 15 de novembro de 1923.[2]

A nota de 100 trilhões de marcos foi então emitida e as impressoras do Reichsbank estavam imprimindo dinheiro ao ritmo recorde de 74 trilhões de cédulas de marcos por semana.  

Em vez de parar com essa loucura, o Reichsbank continuou a imprimir cada vez mais dinheiro, com a justificativa de que, agindo assim, estava mantendo o emprego estável, e que o momento de voltar à normalidade "estava próximo". 

Enquanto isso, uma atmosfera de caos civil reinava.

A Primeira Guerra

Antes de 1914, a política do Reichsbank impunha que pelo menos 1/3 do papel-moeda emitido tinha de estar lastreado em ouro. Porém, tão logo o dinheiro de papel sem lastrou passou a ser de curso forçado na Alemanha, em 1910, tudo se tornou um experimento imprudente.

Ao explodir a guerra, a maioria do mundo já havia desistido do padrão-ouro e abraçado com entusiasmo o dinheiro de papel sem lastro e de curso forçado. O ouro foi retirado de circulação e majoritariamente estocado nos cofres de alguns poucos bancos centrais, principalmente o dos EUA: de agosto de 1913 a agosto de 1919 o estoque de ouro monetário em posse do Banco Central americano — o Federal Reserve — aumentou 65%.

Enquanto isso, na Alemanha, o governo vendia maciçamente títulos do Tesouro, apelando ao patriotismo de massa para pagar pela guerra. Fortunas privadas foram transferidas para meros títulos de papel emitidos pelo estado, enquanto o Reichsbank suspendia a restituição de cédulas de dinheiro em ouro. Foram criados vários bancos com o objetivo único de imprimir dinheiro para emprestar, de modo que o crédito se tornou irrestrito para estimular as compras dos títulos emitidos pelo Tesouro alemão para financiar a guerra.  

Em contraste, a Grã-Bretanha financiou a guerra com uma medida bem mais prudente do ponto de vista inflacionário: Londres aumentou os impostos sobre os grupos e indústrias que lucrariam com a guerra.

Após a guerra, o ouro da Alemanha foi exaurido com o pagamento das reparações de guerra e também como resultado da invasão francesa do Ruhr. Ainda assim, o pouco que restou do ouro era o que fornecia algum alívio ocasional aos cidadãos alemães, quando algumas indústrias conseguiam pagar seus funcionários com pequenas quantias do metal dourado. A Höchst Dye Works, por exemplo, pagava seus funcionários com os 400.000 francos suíços que ela havia armazenado em bancos suíços.

O Tratado de Versalhes e a República de Weimar

O tratado de Versalhes não foi o culpado principal; ele apenas piorou a política monetária que já estava em curso antes da guerra.

A nova República de Weimar enfrentou desafios econômicos e políticos magnânimos.  Em 1920, a produção industrial havia despencado para apenas 61% do nível alcançado em 1913, e em 1923 caiu ainda mais, para 54%. Os terrenos perdidos após a promulgação do Tratado de Versalhes haviam enfraquecido consideravelmente a capacidade produtiva do Reich: o Império perdera aproximadamente 13% de suas terras e, em decorrência disso, aproximadamente 10% da população alemã vivia agora fora das fronteiras. 

Adicionalmente, a Alemanha tinha de fazer vários pagamentos indenizatórios para os países vencedores da Primeira Guerra. 

Ainda mais importante, no entanto, foi o fato de que os novos e inexperientes governos democráticos da Alemanha queriam atender ao máximo possível os desejos de seus eleitores. Dado que as receitas tributárias eram insuficientes para financiar estas despesas, o Reichsbank teve de recorrer à impressora de dinheiro.

De abril de 1920 a março de 1921, a proporção de receitas tributárias em relação aos gastos totais do governo era de apenas 37%. Após isso, a situação melhorou um pouco, de modo que, em junho de 1922, os impostos chegaram a cobrir 75% dos gastos totais. 

Mas então a situação voltou a deteriorar. E de maneira pavorosa. 

Já no final de 1922, a Alemanha foi acusada de atrasar seus pagamentos indenizatórios. Para reforçar suas reivindicações, tropas belgas e francesas invadiram e ocuparam o Vale do Ruhr, o coração industrial do Reich, em janeiro de 1923. O governo alemão, então sob o comando do chanceler Wilhelm Kuno, conclamou os trabalhadores do Vale do Ruhr a resistir a toda e qualquer ordem dos invasores, prometendo que o Reich continuaria pagando seus salários. 

Para manter todo esse arranjo, o Reichsbank começou a imprimir ainda mais dinheiro para financiar os gastos do governo (em termos técnicos, o Reichsbank estava "monetizando as dívidas do governo"). 

O intuito era utilizar o dinheiro recém-criado para compensar a queda da arrecadação tributária e pagar os salários, as transferências sociais e os subsídios. 

De maio de 1923 em diante, a quantidade de papiermark começou a ficar fora de controle. Subiu de 8,610 bilhões em maio para 17,340 bilhões em abril, para 669,703 bilhões em agosto até alcançar 400 quintilhões (ou seja, 400 seguido de 18 zeros) em novembro de 1923. 

Os preços no atacado dispararam para níveis astronômicos, aumentando 18.000.000.000.000% (dezoito trilhões por cento) desde o final de 1919 até novembro de 1923. 

Apenas naquele mês, o preço do dólar em termos de papiermark subiu 8,9 trilhão por cento. Em suma, o papiermark havia afundado e não comprava nem poeira.

O colapso da moeda e da economia

Em seu livro The Downfall of Money:Germany's Hyperinflation and the Destruction of the Middle ClassFrederick Taylor escreve que "pessoas com renda média e sem nenhum acesso a produtos agrícolas ou a moeda estrangeira foram forçadas a aprender a caçar e a ficar em filas por comida — tanto porque sua renda frequentemente não era o suficiente para comprar o que queriam em um determinado dia, como também porque havia, à medida que a hiperinflação se intensificava, uma genuína escassez de comida."

Já os agricultores simplesmente não queriam trocar seus alimentos por inúteis pedaços de papel que não tinham nenhum valor. "Naquilo que rapidamente estava regredindo para voltar a ser uma economia baseada no escambo, os mais espertos, para não dizer desonestos, chegavam rapidamente ao topo da cadeia darwiniana", escreveu Taylor. "Nas áreas rurais, os médicos exigiam pagamento em comida dos fazendeiros que os procuravam".

Os trabalhadores começaram a ser pagos diariamente, e os homens, tão logo recebessem seus salários, iam correndo com suas mulheres comprar qualquer coisa que conseguissem. O objetivo era tentar trocar o dinheiro por qualquer quantidade de bens possível. Caso não fizessem, o dinheiro que em suas mãos iria simplesmente perder todo o seu poder de compra ao longo do dia, e não lhes permitiria adquirir nada no dia seguinte.

Após comprar os itens essenciais, eles corriam até um banco para comprar qualquer moeda forte que ainda restasse. O número de bancos aumentou substantivamente para lidar com esse novo negócio.  

Em 1921, 67 novos bancos foram abertos. Em 1922, mais 92. E mais 401 surgiram em 1923-24. 

O número de funcionários de banco quadruplicou nesse período. O Deutsche Bank tinha 15 filiais em 1923. De anos depois, já eram 242.

Não foi a pujança da atividade econômica que criou a necessidade desses novos bancos. "Os bancos estavam sobrecarregados de ordens para comprar e vender ações e moedas estrangeiras. E os cidadãos comuns, em número cada vez maior, se tornavam especuladores da bolsa".

Com o colapso da moeda, o desemprego disparou. Desde o final da Primeira Guerra, o desemprego havia se mantido em níveis consideravelmente baixos, uma vez que os governos de Weimar mantiveram a economia artificialmente aditivada por meio de vigorosos déficits e impressão de dinheiro. Ao final de 1919, a taxa de desemprego estava em 2,9%; em 1920, em 4,1%; em 1921, em 1,6%; e em 1922, em 2,8%. 

Após o colapso, a taxa de desemprego chegou a 19,1% em outubro, a 23,4% em novembro e a 28,2% em dezembro de 1923. 

A hiperinflação empobreceu a esmagadora maioria da população alemã, especialmente a classe média. As pessoas passaram a sofrer com a escassez de alimentos e com a falta de proteção contra o frio. Elas estavam também literalmente morrendo de fome, pois nenhum agricultor queria abrir mão de seus produtos em troca de uma moeda que não valia nada. Toda a colheita de 1923 ficou estocada nos silos dos agricultores; enquanto isso, as prateleiras dos supermercados estavam vazias. 

O extremismo político passou a ficar em evidência e se tornou plenamente aceitável.

O colapso da moral

Tendo gerado escassez no mercado com suas políticas inflacionárias, as autoridades alemãs criaram novas regulações para tentar corrigir a irracionalidade que eles próprios haviam criado. O roteiro é sempre o mesmo, em todos os países: o governo cria intervenções que geram consequências inesperadas, e decide então recorrer a intervenções ainda mais violentas para "sanar" as consequências não previstas das intervenções anteriores.

Mas isso logrou apenas destruir também toda a moralidade.

"O colapso da moeda e o colapso da moralidade se tornaram idênticos", escreveu Frederick Taylor. 

Não eram apenas as prostitutas que vendiam seus corpos. "As recém-desprovidas filhas da classe média educada (em alguns casos, filhos também), que agora estavam no mercado do sexo pago, estavam inteiramente disponíveis a qualquer preço — preferivelmente em troca de cigarros, metais preciosos ou moeda forte em vez de marcos de papel."

Com a inflação tendo destruído toda a poupança da classe média, as moças jovens simplesmente não tinham nenhum dote a ser oferecido a pretensos futuros maridos. "Quando a moeda perde totalmente seu valor", escreveu uma mulher, "ela destrói todo o sistema burguês baseado no matrimônio, de modo que destrói também toda a ideia de se manter casta até o casamento".

Taylor cita uma história relatada pelo escritor russo Ilya Ehrenburg sobre uma noite que ele passou com alguns amigos em Berlim. Segundo Ilya, eles terminaram a noite visitando uma família alemã em um "apartamento burguês perfeitamente respeitável".  Foi-lhes oferecido limonada com um pouco de álcool e

então as duas filhas que estavam na casa entraram na sala, totalmente nuas, e começaram a dançar. A mãe olhava esperançosa para as visitas estrangeiras: talvez suas filhas fossem do agrado das visitas, e talvez as visitas pagassem bem — em dólares, obviamente. "E é isso o que chamamos de vida", suspirou a mãe. "Na verdade, é pura e simplesmente o fim do mundo".

[Nota do Editor: a hiperinflação vivenciada pelo Brasil no período 1980-1994 foi atenuada pelo fato de que, além do mecanismo da correção monetária (uma invenção brasileira), a classe média e a classe alta tinham acesso ao sistema bancário e utilizavam suas aplicações (como as aplicações no overnight) para se proteger da hiperinflação. Essas duas coisas não existiam na Alemanha da década de 1920. Houve muita escassez e racionamento no Brasil, mas não houve uma completa chacina da classe média, como houve na Alemanha].

A Alemanha se vira para o Rentenmark

No momento de maior crise, a política monetária foi retirada das mãos do Reichsbank naquilo que foi efetivamente um coup d'etat pelo chanceler Gustav Stresemann. Todos os empréstimos ao governo foram cancelados. A política monetária foi descentralizada. O estado foi rigorosamente separado da economia.

Uma estrutura bancária paralela foi organizada por um proeminente economista rebelde não-ligado ao governo. Ele criou um novo esquema em que a moeda era lastreada por pão de centeio — a commodity mais cobiçada na época —, e mais tarde por ouro, quando a commodity passou ser usada novamente.

As moedas "lastreadas por ouro", os Rentenmarks, tinham como garantia financiamentos imobiliários em propriedades fundiárias e títulos de dívida da indústria alemã na quantia de 3 bilhões de marcos de ouro.

Mas eis o curioso: praticamente não havia reservas de ouro. Não havia ouro nos cofres do Rentenbank (o então Banco Central alemão). Nenhuma cédula de rentenmark era conversível em ouro. Simplesmente o valor do rentenmark era mantido constante em termos de ouro. Como isso era feito? O Rentenbank simplesmente expandia e contraía a base monetária (vendendo e comprando ativos) de modo a manter o valor do rentenmark o mais estável possível em termos de ouro. O mecanismo era um simples ajuste da oferta de moeda.

Mesmo não havendo ouro, o incalculável efeito social e psicológico sobre a população gerado pelo simples anúncio de que a moeda havia retornado a uma paridade com o ouro, na relação de um para um. Acalmou as tensões sociais e deu início à estabilização econômica.

Os agricultores aceitaram o rentenmark, desovaram seus estoques, e a população alemã repentinamente se viu repleta de opções alimentícia à sua volta. Bastou apenas devolver estabilidade à moeda e toda a crise acabou e a economia voltou a crescer.

"A genialidade do Rentenmark é que ele livrou o Reichsbank de ter de financiar o governo," escreveu Adam Fergusson. Uma disciplina rigorosa sobre os gastos públicos foi imposta, assim como a proibição de o Reichsbank emprestar para o governo. Por muitos anos após, era comum que obrigações de longo prazo contivessem cláusulas de ouro para que os credores pudessem se garantir contra uma nova e repentina desvalorização da moeda.

Conclusão

Não é difícil de entender por que os alemães de hoje são tão avessos a qualquer tipo de política monetária que tenha semelhanças com uma política hiperinflacionária. A revista britânica The Economist disse jocosamente que os alemães sofrem de "fobia" em relação à hiperinflação. 

É claro. Quando um alemão se lembra de como a taxa de câmbio do marco pulou de 4,2 marcos por dólar em 1914 para 4,2 trilhões de marcos por dólar em novembro de 1923; quando ele se lembra de que, em meados de 1922, um pão custava 428 milhões de marcos; e que, em novembro de 1923, um ovo custava 500 bilhões de marcos, as memórias obviamente não podem ser boas. 

Tendo conhecimento de algumas dessas histórias, e olhando a corrupção moral a que foi submetida a Alemanha, não é de todo incompreensível entender fenômenos como a ascensão de Hitler. E também não é incompreensível por que os alemães de hoje não são muito tolerantes com seus vizinhos europeus que defendem políticas inflacionárias.

A Venezuela já passou do ponto, mas há outros países, como a Argentina, que estão em caminhos perigosos no que tange às suas moedas. Eles deveriam ler um pouco da história da Alemanha.

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Leia também:

A hiperinflação alemã, 1914-1923

Como se deu o milagre econômico alemão do pós-guerra


[1] Ver em H. James, "Die Reichbank 1876 bis 1945," in: Fünfzig Jahre Deutsche Mark, Notenbank und Währung in Deutschland seit 1948, Deutsche Bundesbank, ed. (München: Verlag C. H. Beck, 1998), pp. 29 – 89, esp. pp. 46 – 54; C. Bresciani-Turroni, The Economics of Inflation, A Study of Currency Depreciation in Post-War Germany (Northampton: John Dickens & Co., 1968 [1931]); também F.D. Graham, Exchange, Prices, And Production in Hyper-Inflation: Germany, 1920 — 1923 (New York: Russell & Russell, 1967 [1930]).

[2] Para mais detalhes ver Bresciani-Turroni, Economics of Inflation, chap. IX, pp. 334–358.

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autor

Thorsten Polleit
é economista-chefe da empresa Degussa, especializada em metais preciosos, e co-fundador da firma de investimentos Polleit & Riechert Investment Management LLP.  Ele é professor honorário da Frankfurt School of Finance & Management.


  • Gunther  08/06/2018 16:48
    Eu ia dizer que o artigo é sensacional, mas aí percebi que tal adjetivo fica deslocado perante tudo o que foi relatado, e mais ainda quando me lembro que isso tudo está acontecendo exatamente agora no vizinho ali de cima...
  • anônimo  08/06/2018 16:57
    O que causou a hiperinflação?
  • Guilherme  08/06/2018 17:05
    Como assim, meu jovem? Pulou essa parte?

    "Para manter todo esse arranjo, o Reichsbank começou a imprimir ainda mais dinheiro para financiar os gastos do governo (em termos técnicos, o Reichsbank estava "monetizando as dívidas do governo").

    O intuito era utilizar o dinheiro recém-criado para compensar a queda da arrecadação tributária e pagar os salários, as transferências sociais e os subsídios.

    De maio de 1923 em diante, a quantidade de papiermark começou a ficar fora de controle."


    Aliás, processo semelhante ocorreu no Brasil.
  • ed  08/06/2018 17:07
    O de sempre. Impressão de dinheiro.
  • Ciro Gomes  08/06/2018 16:59
    Acho que esse modelo alemão pode e deve ser copiado por nós, mas desde que esteja sob meu controle.

    Vejam como toda essa criação de dinheiro gerou uma enorme demanda agregada! Ao ser estimulada, a demanda criou vários bancos!

    E a indústria de papel e de tinta também foram estimuladas - afinal, as notas tinham que ser impressas.

    E os trabalhadores tinham aumentos salariais diários!

    Vocês neoliberais fascistas não sabem do que estão falando.
  • Lord Keynes  08/06/2018 18:25
    Discordo apenas de leve. A inflação tem que estar sob controle. Mas uma pequena inflação anual estimula a economia ao evitar o entesouramento do dinheiro fazendo com que ele gire entre as pessoas.

    Essa é a chave do progresso. Não defendo Venezuela, mas acho que Argentina é um bom caminho a ser emulado.

    Abraços, companheiro.
  • joao  09/06/2018 15:03
    hahahaha o grau de ironia aqui é fantástico
  • Rodrigo Wettstein  09/06/2018 17:50
    Nao. Nao acho que sejamos neoliberais fascistas. Talvez dois dos maiores defeitos de nós libertarios sejam achar que somos os donos da verdade e querer colocar injeção eletrônica em fusca.Fora isto, é só ataque tosco de esquerda e direita radicais idiotas. Viu?! Nós somos auto-críticos
  • KARL MARX  10/06/2018 14:21
    Vocês não entenderam nada do que eu ensinei!
  • Historiador  08/06/2018 17:04
    "A inflação na Alemanha começou lentamente."

    É sempre assim.
  • Daniel  08/06/2018 17:08
    A prostituição na orla de Copacabana explodiu justamente na década de 80 e início da de 90, quando a moeda nacional era uma piada, e a demanda por moeda estrangeira (fornecida por turistas e executivos estrangeiros) explodiu.
  • Ninguem Apenas  08/06/2018 17:22
    Desde que li os artigos sobre Weimar aqui no IMB passei a acreditar que a "cultura inflacionária" criada a partir de um período de forte inflação monetária e de preços seria a causa para explicar esse comportamento.

    Quem sabe um dia algum austríaco ligado a economia comportamental escreva um livro ou paper sobre.
  • Neto  08/06/2018 18:43
    Quando a moeda morre, a moral e a decência morrem junto. Existe uma correlação entre a ética de um povo e os seus resultados socioeconômicos. Acima de tudo: entre poder de compra da moeda, ética e prosperidade.

    Pode pesquisar.
  • José  08/06/2018 20:00
    Estatismo + Moeda Fraca = jeitinho brasileiro.
  • anônimo  08/06/2018 17:17
    "O colapso da moeda e o colapso da moralidade se tornaram idênticos", escreveu Frederick Taylor.

    Não eram apenas as prostitutas que vendiam seus corpos. "As recém-desprovidas filhas da classe média educada (em alguns casos, filhos também), que agora estavam no mercado do sexo pago, estavam inteiramente disponíveis a qualquer preço — preferivelmente em troca de cigarros, metais preciosos ou moeda forte em vez de marcos de papel."


    Interessante que esse mesmo tipo de degradação sempre aconteceu também em Cuba, só que, ao invés de marcos, temos pesos cubanos (que nada compram).
  • Vladimir  08/06/2018 17:24
    Moedas que nada compram e que não aceitam ser portadas por ninguém de fora (as chamadas moedas inconversíveis) funcionam, na prática, como se estivessem em hiperinflação.

    Igualmente, quando o governo confisca o dinheiro das pessoas (como fez o Collor), o efeito também é o mesmo de uma hiperinflação: afinal, o dinheiro que você tinha sumiu da noite para o dia, e você nada mais consegue comprar.
  • Carlos  08/06/2018 17:22
    De todas as m... que um governo pode fazer, nada se compara a destruição da moeda.
  • Cristiane de Lira Silva  08/06/2018 17:47
    (...)
    "Com a inflação tendo destruído toda a poupança da classe média, as moças jovens simplesmente não tinham nenhum dote a ser oferecido a pretensos futuros maridos. "Quando a moeda perde totalmente seu valor", escreveu uma mulher, "ela destrói todo o sistema burguês baseado no matrimônio, de modo que destrói também toda a ideia de se manter casta até o casamento".
    (...)
    "então as duas filhas que estavam na casa entraram na sala, totalmente nuas, e começaram a dançar. A mãe olhava esperançosa para as visitas estrangeiras: talvez suas filhas fossem do agrado das visitas, e talvez as visitas pagassem bem — em dólares, obviamente. "E é isso o que chamamos de vida", suspirou a mãe. "Na verdade, é pura e simplesmente o fim do mundo".
    (...)

    So tenho uma coisa a dizer sobre o isso: feliz é a nação onde existe progresso e as mulheres trabalham, votam e tem liberdade sexual. Feliz é a nação em que as mulheres são gente!

    No primeiro caso as mulheres eram mercadorias cujo valor estava em uma b***** com hímen que aliás valia pouco pois ainda precisava do dote pra ser comprada. No segundo caso as mulheres eram mercadorias que precisavam mostrar seus "dotes" porque não tinham o dote em dinheiro. Em ambos os casos não passavam de mercadorias vendidas pelas suas famílias. Em ambos os casos não tinham dignidade e liberdade nenhuma. Obrigada feminismo por tudo que eu tenho hoje! Vocês agora me deixaram em dúvida se eu devo agradecer ou não também ao estado pelo fim da prática da venda de mulheres com dote em casamento arranjado. Será que esse "digno" costume acabou depois da crise?
  • Bode  10/06/2018 17:31
    Não foi o feminismo que emancipou as mulheres. Foi o capitalismo mesmo.
  • Cristiane de Lira Silva  08/06/2018 18:01
    Pessoas, se o digníssimo costume da venda de b. com himens e dotes na Alemanha acabou por causa da crise então desculpem mas eu vou ter que agradecer a impressora!!! O capitalismo foi um inútil nessa situação.
  • Mário  08/06/2018 18:25
    Essa dona aí tá falando sério ou tá de zoeira total? (Tô meio lento hoje...)

    Pensava eu que a prostituição, que explodiu na Alemanha durante a hiperinflação, representasse o próprio ato de vender a b. com hímen.

    Mas agora descobri que, na visão das feministas, não só não representa isso, como ainda é uma libertação!

    Aprende-se uma coisa nova a cada dia...
  • Leonardo  08/06/2018 19:31
    O dote não era um pagamento para se usar o corpo de uma mulher, era uma forma de presente dos pais da noiva, sendo que quem iria prover a casa pelo resto da vida era o noivo, futuro marido.
    Você foi infeliz no seu comentário.
  • lilian  08/06/2018 19:01
    Cristiane, o dote era prática comum antigamente porque a mulher era na prática impedida de trabalhar se não fosse na terra, logo o homem via as mulheres como prejuízo, as famílias que não tinham dotes para suas filhas as prendavam, garotas jovens sem dotes com boas habilidades de costura, parteiras e de processamento de alimentos costumavam ser tão disputadas quando as com bons dotes, garotas com ancas finas poderiam ter o dote que fosse, eram preteridas.

    Com mais capitalismo, a demanda por mão de obra aumentou e as mulheres foram requisitadas para o mercado de trabalho, como poderiam contribuir com a renda doméstica de maneira mensurável a idéia de que davam prejuízo foi diminuindo, e nos países que se desenvolveram tal ideia morreu completamente.

  •   08/06/2018 19:10
    Querida, uma coisa é fazer do seu talento profissão, não há nada de errado nisso.
    Se há demanda não há que se acusar a oferta de imoralidade, nenhuma prostituta se prostitui sozinha, assim como nenhum corrupto se vende sozinho há o que corrompe e há o que aceita.

    Outra coisa é fazer do seus desespero profissão, na URSS comia-se criancinha (no mal sentido, segundo vc) pra não morrerem de fome. Quem sabe vender baby beef no açougue seja muito lucrativo em tempos de crise, ainda que seja imoral. É muito triste esta situação, não estou brincando. Quebrar uma tradição por estes meios, vc ainda comemora???

    Tem que ser muito sociopata, e olha que tenho apreço por pessoas libertinas Tbm gosto de romper himens minha senhorita, mas os meios fazem toda a diferença, se lhe agrada o trabalho com certeza não vejo óbices em pagar por um bom serviço feito com vontade e prazer.
  •   08/06/2018 19:02
    Qualquer semelhança não é mera coincidencia.
    SE a moeda não queimar na fogueira da inflação devido as travas que o BC colocou, vai queimar na fogueira do juros, que mesmo na canetada da selic, não impede os juros de mercado explodirem, leiam TD, ou no cambio.

    O tal tripé macroeconomico não foi uma invenção dalgum economista cruel, mas tão e simplesmente uma leitura da realidade como ela é.

    Se vc bambeia uma perna, as outras precisam se mexer pra manter o equilibrio, um dado da natureza, assim como os ciclos lunares ou das marés, mais hora menos hora o "mercado" compensa, jogando no lixo toda a bravata populista que a negou, que a distorceu, que tentou manipulá-la
  • Kalil  08/06/2018 19:59
    Grande artigo.
  • Zézão Cianureto  08/06/2018 20:28
    Estranho é o povo alemão. Ficaram com horror a hiperinflação mas logo em seguida voltaram a eleger um Estado Grande e controlador. Que acabou levando-os a outra guerra e mais hiperinflação.
  • Jailma Viana  12/06/2018 14:29
    O DNA da Alemanha está na Prússia, que a unificou e constituiu o Império Alemão. A Prússia foi um reino militarista. Segundo alguns historiadores, um acampamento militar elevado à condição de Estado. Tal mentalidade militarista e, portanto, coletivista, se espraiou por toda a Alemanha. Receber ordens superiores e cumpri-las fielmente é natural num Estado com tal origem.
  • Curioso  08/06/2018 23:07
    Eu tenho algumas dúvidas com relação à moeda.

    Como funciona a emissão de moeda na prática ? É sempre por via dos bancos ? Como é ?

    Como o governo sabe quanto de moeda tem em circulação ?

    A casa da moeda fabrica todo dia moeda e joga na economia ou existe algum intervalo ? Como funciona isso ? Todo dia a casa moeda ta imprimindo mais dinheiro ou Existe algum tipo de controle ?

    Pra impedir a inflação o governo tem formas de retirar o excesso de moeda em circulação ?

    Existe alguma forma do governo aumentar o poder de compra de uma moeda sem torná-la escassa ?

  • anônimo  08/06/2018 23:44
    "Como funciona a emissão de moeda na prática ? É sempre por via dos bancos ? Como é ?"

    Bancos emprestam para pessoas e empresas. Suas reservas caem. Ato contínuo, eles recorrem ou ao interbancário ou ao Banco Central.

    Ou então ocorre da maneira inversa: o Banco Central injeta dinheiro nas reservas bancárias, aumentando a base monetária. Com mais dinheiro nas reservas, os bancos emprestam mais. Entra mais dinheiro na economia.

    É assim que funciona hoje.

    Na Alemanha do artigo, o Banco Central imprimia dinheiro livremente e repassava ao Tesouro, que então gastava. Essa prática é proibida hoje na esmagadora maioria dos países, inclusive Brasil. Apenas Venezuela, Argentina e outras republiquetas ainda operam assim.

    Veja tudo aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

    "Como o governo sabe quanto de moeda tem em circulação ?"

    Os bancos repassam seus balancetes ao Banco Central. É obrigatório.

    "A casa da moeda fabrica todo dia moeda e joga na economia ou existe algum intervalo ? Como funciona isso ? Todo dia a casa moeda ta imprimindo mais dinheiro ou Existe algum tipo de controle ?"

    Sempre que há saques e os bancos demandam moeda em espécie para restituir esses saques.

    "Pra impedir a inflação o governo tem formas de retirar o excesso de moeda em circulação ?"

    Aumentando juros. Veja todos os detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2852

    "Existe alguma forma do governo aumentar o poder de compra de uma moeda sem torná-la escassa ?"

    Desconheço.
  • anônimo  09/06/2018 18:40
    Existe alguma forma do governo aumentar o poder de compra de uma moeda sem torná-la escassa ?

    A única maneira do poder de compra aumentar genuinamente sem a moeda se tornar mais escassa (pressupondo que as taxas de crescimento da oferta monetária continuariam iguais) é com um ambiente que favoreça o investimento estrangeiro.

    Com a demanda mundial pela moeda aumentando (devido aos volumosos investimentos), mesmo se as taxas de crescimento continuassem iguais o poder de compra aumentaria relativamente as outras moedas.

    Mas esse cenário só é realista se a taxa de crescimento da oferta monetária for baixa, caso o Banco Central for uma palhaçada (como o nosso), pode esquecer.


    E isso, não é "algo que o governo consegue fazer", inclusive é exatamente o contrário, é algo que ele deve deixar de fazer (abolir tarifas, regulamentações, parar de gastar mais do que arrecada e etc).
  • anônimo  09/06/2018 00:33
    podem me explicar como essa crise afetou a ascensão do hitler e do nazismo.
  • Voltaire  09/06/2018 15:37
    Boa tarde, amigo,

    bom, seria a destruição da economia alemã que daria aos Nacionais-Socialistas a possibilidade de "comprovar" suas ideias: a de que o Judeu Internacional estava conspirando para destruir a Alemanha. A propaganda nazista tinha até uma imagem de um judeu feio e gordo atrás de uma jovenzinha loira, caso que deve lembrar muito o que aconteceu na época, né?

    Depois que as coisas voltaram ao normal, Hitler voltaria às sombras; porém com a crise de 1929... ele volta com toda a força.
  • Voltaire  09/06/2018 15:46
    A imoralidade do Estado é evidente: o governo alemão gastou o que não tinha para a sua guerra inútil, destruiu sua economia e, depois, acusou Deus (e os judeus) e o mundo pelo fracasso. Milhões de seres humanos seriam exterminados por culpa desta mentira!

    Aqui no Brasil, certos sujeitos exterminariam empresários, fazendeiros e todos os americanos, portugueses e espanhóis, se possível, pois a culpa de nossa tragédia é sempre deles!

    Prostituição e crimes são consequências imorais da maior imoralidade que existe: a de que o governo tem o direito de fazer o que quiser com a economia para seus interesses.
  • Adelson  09/06/2018 02:27
    Artigo excelente. Parabéns.
  • Joalo  09/06/2018 03:38
    Olá! Apesar de conhecer o site a algum tempo, eu costumo ler poucos artigos. Confesso que tenho vontade de conhecer mais sobre a escola austríaca e tudo mais, porém eu fico em dúvida: quais consequências práticas (e psicológicas) que esse conhecimento terá na minha vida?
    Tendo em vista que me considero (quase) totalmente descrente em um Brasil " do futuro" que aplicasse os princípios e ideias que esse conhecimento carrega.

    Então a pergunta que resta: porque aprender sobre esses assuntos se não tenho perspectiva nenhuma de ver isso em prática?

    Quais as mudanças práticas que ocorreram em suas vidas? Levando em conta o período "antes" e "após" Mises ?
  • Xavier  09/06/2018 13:08
    Discussão inteira exatamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2901#ac217872
  • Joalo  09/06/2018 13:39
    Obrigado pela ajuda! Contudo essa discussão trata de perguntas diferentes das que eu fiz
  • Lucas  09/06/2018 13:27
    No mínimo, você pode ler todos os artigos sobre o Brasil. Os caras acertaram tudo e não erraram nada.
  • BRUNO GUIMARAES CARNEIRO  10/06/2018 19:50
    Compreender como as leis econômicas funcionam e porque elas funcionam de tal forma amplia a nossa visão. Nos dá mais indicações de como as medidas econômicas tomadas pelo governo no presente irão influenciar a economia no futuro. Com isso você consegue se preparar melhor, tem mais noção de onde investir.
  • Insurgente  11/06/2018 16:22
    A primeira é que você haverá de reconhecer que a interferência estatal afeta drasticamente a sua vida;

    A segunda é que com o aprimoramento e conhecimento a fragilidade e a desonestidade intelectual vai diminuir bastante, tornando-o mais crítico em relação ao que está ao seu redor;

    Com um pouco mais de conhecimento, poderá analisar a viabilidade de poupar e empreender por exemplo...

    Aprendendo sobre liberdade, conseguirá analisar que mesmo sem querer há uma "escravidão";

    Vai aprender que imposto é roubo! Que imprimir dinheiro não melhora a economia, que a propriedade privada é que favorece a melhoria dos processos como um todo.




  • Bruno  09/06/2018 13:02
    Lendo esse artigo e alguns relacionados (em especial "A tragédia da inflação brasileira - e se tivéssemos ouvido Mises?" ) fiquei com uma dúvida.

    Como faço para encontrar as seguintes informações:

    1. Quanto o governo brasileiro está aumentando a base monetária nesse momento?

    2. Por quais meios ele está realizando esse aumento? Para quem ele está emprestando dinheiro? Quais setores da economia estão recebendo esse dinheiro?
  • João   09/06/2018 13:41
    E se o Brasil/Argentina/Venezuela/Alemanha da República de Weimar adotasse a taxa de cambio fixa através de um currency board como li uma vez aqui no Mises?
  • Steve   09/06/2018 15:24
    Aí resolveria o problema da inflação na hora. Todos os países que vivenciavam uma hiperinflação e instalaram um Currency Board aniquilaram a inflação em um mês.
  • Demolidor  09/06/2018 20:32
    Argentina já teve câmbio fixo. Nada disso adianta se o estado é perdulário, incorre em déficits permanentemente e imprime dinheiro para compensar.

    Tudo começa com ajuste fiscal.
  • Andre Cavalcante  09/06/2018 22:14
    O Rentenmark no fim era isso. Uma moeda que mantinha a paridade com o ouro. E olha que isso sem ouro físico nem nada.
  • Felipe Lange  10/06/2018 04:56
    Como isso influenciou na ascensão do Hitler ao poder?
  • Jailma Viana  12/06/2018 14:44
    De varias formas. Talvez a mais importante delas foi o medo de que o comunismo bolchevista instalado na Rússia em 1917 se alastrasse para a Alemanha.Era uma realidade provável frente a desorganização sócio-econômica da Alemanha. Setores da sociedade alemã viram em Hitler um antídoto contra o comunismo e o apoiaram.
  • Bruno Feliciano  10/06/2018 05:13
    Uruguay e Equador, o que dizer sobre esses países que crescem tanto?

    Até onde eu sei, tão crescendo pra caramba mesmo tendo um ambiente não muito hostil pra negócios.

    Queria um artigo do mises sobre ele, parecem ser que nem o Peru, ninguém liga e parece ter coisas interessantes


    Abraços
  • Andre  10/06/2018 17:31
    O próximo artigo do Mises deveria ser sobre o Paraguay, o país do continente com maior responsabilidade fiscal e maior crescimento econômico nos últimos 10 anos, a bóia de salvação de milhares de empreendedores e desempregados brasileiros e argentinos.
  • Economista  10/06/2018 17:44
    Equador tem a economia completamente dolarizada, o que não só impede aventurismos do governo, como ainda impõe uma enorme amarra fiscal. Acima de tudo, mantém a inflação completamente sob controle.

    Tiveste o Equador moeda própria, já teria virado uma Venezuela.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2439

    Quando este Instituto insiste na importância de se separa a moeda do governo, há um bom motivo para isso.
  • Bruno Feliciano  10/06/2018 22:39
    E o Uruguay, porque cresce?
  • Demolidor  10/06/2018 06:58
    Por onde anda aquele pessoal que critica Bitcoin por ser volátil? E o pessoal que se sente seguro em NTN-B ou imóveis no Brasil? E aqueles que valorizam a segurança de um bom emprego público, que acabaram de ter uma redução drástica de seu salário em dólar em poucos dias (sendo que vários estão até recebendo seus proventos parcelados)?
  • Pobre Paulista  11/06/2018 12:15
    Não entendi o que a NTN-B tem a ver com o assunto hehe
  • Rodrigo Wettstein  10/06/2018 13:41
    Gostaria de provocar os demais em alguns pontos.

    1) Em relação ao cálculo em um dos comentários do Leandro a respeito da direção do câmbio, sem objetivo de se ter o valor do câmbio, se austríacos calculam taxa de expansão monetária com a taxa de crescimento da atividade econômica, eles estariam esquecendo que dinheiro mantidos em bancos a longo prazo (seja em reservas internacionais ou em investimentos em bancos nacionais) não causam impacto a curto e médio prazo na economia e, portanto, não impacta na inflação ou no câmbio? Neste caso, não seria melhor calcular a taxa de crescimento do M0, que é a economia ativa?

    Obs1: Lembro da lição da crise de 2008 que o Leandro nos deu na questão expansão monetária dos EUA restrito apenas aos bancos, sem desaguar completamente na economia e pensei nisso.

    2) O IPCA é definido, queiram ou não, politicamente. E, se houvessem menos críticas por parte dos economistas, que já é mínima, seria composto pelo preço da luz do Sol, do vento e da chuva. Acredito que, exatamente por isso, não podemos alcançar o valor condizente do câmbio. Porque o balizador da inflação é irreal. Porque tenho certeza de que existe inflação não contabilizada, não oficial. E estoura de tempos em tempos quando alguma parte da cadeia econômica trava. Senão, como explicar surtos cambiais tão voláteis? O mercado só especula no que está amadurecendo ou apodrecendo. Pode ser ignorância minha, da qual tenho grande cota, mas não seria mais proveitoso calcular pela taxa de crescimento do M0 dos dois países respectivos às suas moedas ao invés de usar o IPCA? Será que, assim calculado, o governo brasileiro pararia de ser atropelado por crises? Pois tenho certeza que, de tanto mentir, eles agora creem piamente que o IPCA é a verdade econômica definitiva que os leva às reeleições.

    Obs2: Lembro agora, para colorir o debate, da Inglaterra na época de Margaret Tatcher, grande mulher, mas pecou no câmbio, segundo dizem, sendo obrigada a ouvir que a Rainha estava nua. disso, concluo que o câmbio desvalorizado é a saia levantada (não querendo ser machista, vejam bem) de todos os Governos que tentam iludir a economia do país com dados irreais em algum momento. Não desmerecendo todo o trabalho anterior da inesquecível Mulher de Ferro.

    Com a sabedoria menor que a de um sabugo de milho, deixo aquelas duas provocações de forma torta, esperando flechas ou flores, mas igualmente por mim bem recebidas.

    E parabenizo o Leandro pelo artigo. Esperava por mais daqueles fantásticos gráficos comparativos de outros artigos, mas vindo do Leandro, tudo vale a pena se a alma não é de esquerda.
  • Economista  10/06/2018 17:40
    Acho que você postou seu comentário no artigo errado, hein? Mas em todo caso, as respostas são fáceis:

    1) Utilizando-se o M1 não tem esse problema, pois o M1 é dinheiro que está realmente na economia (papel-moeda em poder do público mais dinheiro em conta-corrente).

    Já o M0 que você sugere é a base monetária, e essa sim é viciada e cheia de problemas, pois contabiliza as reservas bancárias (dinheiro que não entra na economia).

    2) Por pior que seja o IPCA, ele é o indicador utilizado pelo mercado financeiro (que é quem determina o câmbio). Ademais, o que realmente interessa é que o mesmo indicador com a mesma metodologia seja utilizado o tempo todo. Se o IPCA, mesmo com todos os seus defeitos, é o indicador utilizado permanentemente, sem sofrer alterações metodológicas, então ele serve. O mais importante em um indicador é a tendência que ele apresenta, e não necessariamente a exatidão dos números por ele calculados.

    E, de novo, ao sugerir o M0, você incorre exatamente no problema relatado no item acima. De todos os indicadores, o M0 certamente é um dos piores. (No caso americano, após 2008, ele é disparado o pior).
  • Rodrigo Wettstein  11/06/2018 09:37
    Com certeza postei no lugar errado! Vou postar no artigo correto e voce poderis postar tambem a resposta.
  • Chileno  11/06/2018 04:51
    A estatal do Chile é um sucesso, a gasolina é barata e tão boa quanto a dos EUA(qualidade), e uma estatal é responsavel por 80% do combustivel la

    en.wikipedia.org/wiki/Empresa_Nacional_del_Petr%C3%B3leo

    rankings.americaeconomia.com/las-500-mayores-empresas-de-chile-2014/sectores-chile/petroleogas/



    Engraçado, as coisas estatais boas la que poderiamos copiar vocês não falam...
    Porque só imitar os modelos privados que deram certo?
    Temos que imitar os modelos privados e estatais que deram certo oras...
  • ed  11/06/2018 14:53
    "A estatal do Chile é um sucesso, a gasolina é barata e tão boa quanto a dos EUA(qualidade)"

    Barata? A gasolina no Chile custa $5,02 por galão enquanto nos EUA o preço é $2.99. Mais um exemplo de como uma estatal SEMPRE é inferior a concorrência em um livre mercado.

    Obrigado por me forçar a fazer essa pesquisa e constatar mais um indício que estatal = lixo.

    Fonte: www.bloomberg.com/graphics/gas-prices/#20181:United-States:USD:g
  • Bruno  11/06/2018 15:24
    Lá a gasolina é mais cara que aqui.

    "A gasolina no Brasil custa,[...] US$ 1,18. [...] comparado [...] ao Chile (US$ 1,30)."

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/05/25/preco-gasolina-brasil-alto-mundo.htm
  •   11/06/2018 16:31
    o seu comentário é uma desinformação rasa e suja.

    Desde 1970 não há monopolio estatal da venda de gasolina no Chile, o mercado é aberto, a estatal aí no caso precisa ser eficiente para conseguir concorrer e sobreviver frente aos demais players

    O monopolio existe justamente na produção petrolífera chilena, que aliás é um fracasso, é irrisória, ranking nº78
    pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_produ%C3%A7%C3%A3o_de_petr%C3%B3leo


    Por fim, resta lembrar que a gasolina no Chile tem preço razoavelmente salgado frente aos seus vizinhos, portanto não é bom exemplo de coisa nenhuma, mesmo os autos custando muito barato. São outras questões as importantes.
  • Chileno  11/06/2018 17:56
    Ou é Monopolio ou é livre concorrência, os dois não da.


    A gasolina é quase o mesmo preço daqui e eles tem concorrência no Refino, o monopolio é só da extração.
    Logo o custo do combustível la se deve ao refino que é de mercado aberto, o monopolio da extração não defini o preço final.
    Aqui no Brasil o Refino é 98% da petrobras e é mais barato que la, então o erro seria qual? O Chile tem mercado aberto no Refino e é mais caro que aqui que é monopolio.


    Uma hora um rapaz me diz que não tem monopolio desde 1970, ai se da conta que a gasolina la é cara e joga a culpa exclusivamente no monopolio da extração, como se o preço fosse definido ja na extração...

    Vocês tão admitindo ai que o modelo de mercado aberto no refino fracassou, de forma indireta...
  • Marcos  11/06/2018 18:37
    Não, não há concorrência no refino no Chile. O leitor zé se enganou. E, ao se enganar, jogou informações erradas e infelizmente atrapalhou a discussão.

    Já você estava certo -- o que, ironicamente, complica toda a sua posição.

    De acordo com o seu próprio link da Wikipédia, não há concorrência no refino de petróleo no Chile. Está escrito lá, com grifo meu:

    Its subsidiary, ENAP Refinerías, operates three refineries: Aconcagua, Bío Bío, and Gregorio. The three have a total capacity of 220,000 barrels per day (35,000 m3/d), which represents all of Chile's refining capacity.

    en.wikipedia.org/wiki/Empresa_Nacional_del_Petr%C3%B3leo

    Ou seja, a estatal tem três refinarias, e estas representam toda a capacidade de refino do Chile. Ou seja, monopólio estatal.

    E, como mostram os links dos leitores Bruno e Ed, a gasolina no Chile (com estatal monopolista na produção e no refino) é mais cara até mesmo que no Brasil.

    Você agora vai ter de rebolar pra sair da encalacrada em que você próprio se meteu. Está defendendo um monopólio estatal estrangeiro que consegue ser ainda mais caro que nosso monopólio estatal nacional.

    Boa sorte aí.
  • Cafa  11/06/2018 16:51
    Carai. Esse aí apanhou mais que muié de malandro. Já deve estar à procura de um Jece Valadão.
  • Martha  11/06/2018 16:54
    Ótimo artigo, como sempre. O padrão das informações divulgadas neste site é tão alto que absolutamente não existe competição com outros sites brasileiros.

    Falando sobre moeda, tenho uma pergunta ao Leandro. Quais seriam as consequências para o Franco suíço e para os sistemas bancários se o referendo suíço for aprovado pela população?
  • Leandro  11/06/2018 22:17
    Estou acompanhando com grande interesse. Não acho que irá passar. Mas, caso passe, haverá um grande e imediato efeito recessivo (na Suíça) gerado pela súbita paralisação das concessões de empréstimos.

    A conferir.
  • Tarabay  12/06/2018 19:05
    Mas Leandro, se o referendo na Suíça passar, isso não levaria a deflação e a valorização do franco?
  • Sandra  11/06/2018 22:18
    Eu estou esperando a queda da moeda Americana. Veja o nivel de divida que este pais tem. A inflação esta bem mais alta do que o governo nos diz. Eu fiquei mais pobre devido ao Obama, que fez com os EUA o mesmo que o Lula fez no Brasil. Eu so espero que o Obama tambem seja preso nao so por corrupção mas tambem por traição.
  • Demolidor  12/06/2018 05:04
    Eu também estou acompanhando a trajetória da dívida americana com grande apreensão. E já vemos estados tecnicamente quebrados.
  • Comuna esperto  12/06/2018 20:13
    Então, estou torcendo para a inflação aumentar... A putaria vai ser geral :)
    Vou correndo comprar ouro para no futuro próximo pegar as filhas da classe média.
    CIRO GOMES NA VEIA! LULA TAMBÉM SERVE.
  • Emerson Luis  13/06/2018 19:33

    O aspecto econômico da vida
    sustenta os aspectos não econômicos.

    * * *
  • De Oliveira  14/06/2018 09:02
    Como funcionou isso da queda da hiperinflação ?
    Foi graças ao lastro ao pão de maneira geral ??


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