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A falácia do “preço justo” está de volta - e com direito a prisões de comerciantes
Por que tal expressão atenta contra a lógica (exceto em uma situação causada pelo próprio estado)

Depois de a greve dos caminhoneiros causar uma grande escassez de produtos nos supermercados, o que levou a uma alta em seus preços, a mídia, as autoridades e os "especialistas" voltaram a usar uma expressão que andava meio sumida: o tal "preço justo".

Já há até uma tal 'Operação Preço Justo' ocorrendo em alguns estados do país, em que policiais civis fazem batidas em estabelecimentos para fiscalizar os preços e prender aqueles comerciantes que estejam vendendo mercadorias a um preço considerado "alto" pelos burocratas.

É o totalitarismo estatal em seu esplendor. Uma volta à era dos fiscais do Sarney e das tabelas da Sunab — algo que, em nome do nosso bem-estar, tem de acabar imediatamente.

Como a expressão 'preço justo' mistura um conceito econômico com outro moral, devemos analisá-los separadamente.

O que é o preço

Os preços são mecanismos por meio dos quais compradores se comunicam com vendedores e vice-versa.

Por esse motivo, antes de entendermos a função dos preços, é importante fazer uma distinção entre "preços" e "propostas", dois termos distintos que, em nosso uso diário, tendemos a tratar como sinônimos.

Um preço é apenas uma razão (no sentido matemático do termo, isto é, o resultado de uma divisão) resultante da interação de duas mercadorias; é o quociente resultante da interação entre a oferta de uma mercadoria e a demanda por ela.

Preços surgem quando duas mercadorias são trocadas por dois indivíduos em uma transação concreta.

Entretanto, os "preços" que vemos no supermercado para cada bem disponível não são preços, mas sim propostas — e se tornarão preços somente se o bem for comprado.

Se o "preço" de um saco de batatas está colocado a $500, mas ninguém compra, então é errado dizer que o preço dele são $500. O supermercado tentou vender a $500, mas tal valor foi recusado.

Empreendedores, sendo humanos, podem cometer erros. Um empreendedor pode oferecer um bem por um "preço" (proposta) alto demais e então descobrir que ele não conseguiu vender unidades suficientes para fazer o investimento valer, sendo então forçado a diminuir o preço para aumentar as vendas.

Isso não significa que o preço inicial estava errado e que o novo preço está certo: significa apenas que o empreendedor está reagindo à nova informação adquirida após sua primeira tentativa. Se mais informações chegarem, o preço será novamente ajustado, para cima ou para baixo.

Essa, aliás, é a essência do processo empreendedorial: reagir às mudanças que ocorrem no mercado, tentando sempre se adaptar às novas preferências demonstradas ou antecipadas pelos consumidores.

A função dos preços em uma sociedade

Tendo em mente este básico, podemos dizer que, grosso modo, em economia, o preço é um conceito que pode ser traduzido como o 'termômetro da escassez': é o mecanismo que transmite aos agentes do mercado, tanto do lado da oferta quanto da demanda, informações sobre o nível de escassez de determinada mercadoria ou serviço.

Em um mercado sem intervenções, tabelamentos, estabelecimentos de pisos ou tetos, a variação do preço de um produto informa as condições de oferta e demanda do mesmo.

Mais ainda: preços possuem um papel fundamental em uma economia de mercado.

O sistema de preços, quando deixado a funcionar livremente, é um engenhoso método de comunicação e coordenação. Os preços livremente formados nos informam não apenas sobre a abundância ou escassez de cada bem ou serviço específico, como também coordenam como cada bem e serviço será usado em um dado processo de produção. 

Para os consumidores, um aumento nos preços de um produto sugere que este se tornou mais escasso. Consequentemente, os consumidores irão reduzir o consumo deste produto em decorrência deste aumento do preço e procurar por substitutos mais baratos.

Para os produtores, os preços maiores deste produto informam que pode haver maiores oportunidades de lucro para entrar neste mercado específico. Estes novos concorrentes irão ou produzir mais deste produto, aumentando sua oferta, ou produzir bens alternativos para concorrer com o produto em questão.

Este é o processo de descoberta que define a essência do mercado. E é este processo, quando deixado a ocorrer livremente, que garante que os preços estejam sempre em níveis que tendam a equilibrar oferta e demanda.

Por isso, assim como quebrar o termômetro não resolverá a febre, impedir que um determinado preço flutue livremente só provocará excedentes ou escassez.

Milton Friedman resumiu a questão de forma magistral: 

Os economistas podem não saber muito. Mas de uma coisa sabemos muito bem: como produzir excedentes e escassez. Quer um excedente? Faça o governo legislar um preço mínimo, que se situe acima do preço que de outra forma prevaleceria no livre mercado. Foi o que fizemos em diversas ocasiões e acabou resultando em excedentes de trigo, de açúcar, de manteiga, e de vários outros bens, trazendo prejuízos para seus produtores. Quer uma escassez? Faça o governo legislar um preço máximo, que se situe abaixo do preço que de outra forma prevaleceria.

Tudo depende de que lado você está

Todos nós temos estranhos e contraditórios desejos acerca de como os preços devem funcionar. Ficamos ultrajados quando os preços dos alimentos e da gasolina sobem. Nunca queremos que eles aumentem e nunca achamos que eles devem aumentar. 

No entanto, a coisa muda em relação a, por exemplo, imóveis e ações. Quando os preços caem, as pessoas se desesperam. "Como é possível que minha própria casa caia de preço?!". "Os preços das ações em meu portfólio desabaram na crise! Estou mais pobre! Isso é injusto!" 

Ou seja, como indivíduos, desejamos que alguns preços sempre subam e que outros sempre caiam. No final, tudo vai depender da posição em que estamos: se na do consumidor ou na do produtor. 

Enquanto proprietários, somos de fato "produtores" de nossos imóveis e ações, o que quer dizer que estamos mantendo nossos imóveis e ações com a esperança de que, algum dia, iremos colocá-los à venda. Queremos que seus preços sempre subam. 

Já em relação às coisas que queremos comprar, como gasolina, alimentos, roupas, viagens, alugueis, eletroeletrônicos etc. queremos que seus preços sejam os mais baixos possíveis. Queremos que seus preços caiam continuamente. Queremos poupar recursos.

Portanto, o que está em jogo aqui é o interesse próprio. 

Pense na mesma situação do ponto de vista de alguém que esteja comprando um imóvel. Esta pessoa, obviamente, quer o preço mais baixo possível, de modo que, para ela, um eventual estouro de uma bolha imobiliária seria uma dádiva. Porém, tão logo ela se torne uma proprietária de imóvel, a situação se altera. Agora ela quer que os preços subam constantemente.

O mesmo vale para o proprietário de um supermercado. Se os preços cobrados não afetassem sensivelmente seu volume de vendas, ele iria querer os preços mais altos possíveis. Já esse mesmo indivíduo, enquanto consumidor, quer comer nos melhores restaurantes ao menor preço possível.

E funciona assim em todos os mercados. Compradores sempre querem pagar $0 por algo. Vendedores sempre querem vender esse algo por $1 trilhão (ou qualquer outro valor que ele considere astronômico). Sendo assim, como é que a pessoa que quer pagar $0 e a pessoa que quer receber $1 trilhão chegam a um acordo? Ambos chegam a um meio termo, um valor no qual o produto vale mais para o comprador do que o dinheiro que ele está disposto a abrir mão, e no qual o dinheiro que o comprador dará pelo produto vale mais para o vendedor do que o produto. Os termos resultantes são chamados de preço.

E esse preço será influenciado pela concorrência (interna e externa) entre os vendedores e também entre os compradores. Quanto mais vendedores ofertando o mesmo produto, menores os preços. Quanto mais compradores demandando o mesmo produto, maiores os preços.

Com isso, é possível ver por que é totalmente absurdo tentar moldar a política nacional em torno dos interesses de apenas um dos lados de uma transação. Tentar, por exemplo, manter os preços dos imóveis e das ações altos e crescentes representaria uma trapaça contra os compradores. E tentar manter os preços baixos seria uma vigarice contra os atuais proprietários. Manter os preços dos alimentos altos ajuda os agricultores, mas prejudica os consumidores. Já uma redução forçada nos preços dos alimentos pode empolgar os consumidores, mas os produtores podem acabar sendo tão prejudicados a ponto de irem à falência, o que resultaria em uma acentuada redução na oferta de comida. E isso não seria bom para ninguém.

O que é um "preço justo"?

Por tudo isso, a alegação de que haveria um "preço justo" nos leva a inferir que existiria um preço injusto, o que é uma contradição em termos, já que, por definição, toda troca livre é sempre voluntária e, consequentemente, vantajosa para todas as partes.

Se você entra em um supermercado e compra 1Kg de batatas, mesmo em tempo de escassez como agora, é porque valoriza mais o produto do que o dinheiro que pagou por ele. O raciocínio inverso vale para o dono do supermercado. Ninguém obrigou você a comprar nem o vendedor a vender.

Como o conceito de justiça é um conceito moral e não econômico, não é difícil inferir que uma transação justa é aquela livremente acertada entre compradores e vendedores, locadores e locatários, mutuantes e mutuários em qualquer transação.

Transação justa é aquela que, acima de tudo, respeita a propriedade privada e a liberdade dos contratantes. Justo, portanto, é o preço que você aceita pagar em troca de uma mercadoria ou serviço — até porque quem determina o preço, no fim das contas, é sempre quem paga.

Quando realmente ocorre uma injustiça

Agora, de fato há maneiras de um preço se tornar uma questão de injustiça: isso ocorre quando os preços resultam de um ato de força ou são influenciados por ele, como ocorre quando há protecionismo, monopólios estatais, reservas de mercado e demais medidas impostas pelo governo que geram restrições artificiais da oferta. 

Por trás de cada um destes atos, encontramos coerção: um grupo de pessoas ditando ordens ou restringindo transações voluntárias de uma maneira que é incompatível com a liberdade de escolha. 

Comprovadamente, isto não é justo.

Assim, quando reclamamos que algum preço é injusto, temos antes de analisar quais restrições estão ocorrendo no mercado, ou examinar o papel que os impostos, as tarifas protecionistas, as regulações e as reservas de mercado garantidas pelo governo estão desempenhando em jogar os preços para um nível muito acima do que estariam caso houvesse um ambiente de plena liberdade de mercado.

Conclusão

Se analisada um pouco mais a fundo, essa falácia de que o "preço justo" deve ser estabelecido arbitrariamente por alguns burocratas iluminados, e não de comum acordo entre as partes contratantes, é, na verdade, uma inversão completa de valores. E, na maior parte das vezes em que é utilizada, trata-se de uma forma indireta de justificar a interferência dos governos nos mercados — para benefício de alguns e prejuízo de outros.

Ao contrário do que sugerem os intervencionistas, o que determina, em última análise, a justiça de uma transação não é o custo efetivo do vendedor ou a capacidade de pagamento do comprador, mas principalmente as expectativas das partes em relação à transação.

E, no que diz respeito àqueles que acreditam que todos os preços deveriam sempre se mover de tal maneira a beneficiar seus próprios e específicos interesses econômicos em detrimento de todos os outros indivíduos, apenas uma observação: não confundam seus desejos com justiça. Os preços vigentes em uma economia de mercado são um reflexo de acordos cooperativos envolvendo pessoas dotadas de liberdade de escolha. Ninguém tem o direito de interferir nisso. Não seria algo justo.

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Em um cenário de escassez abrupta, o "preço abusivo" é única solução realmente humanista

35 votos

autor

João Luiz Mauad e Leandro Roque

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O GloboZero Hora e Gazeta do Povo.

Leandro Roque é economista, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


  • ed  04/06/2018 15:37
    Controle de preços é literalmente a venezuelização do Brasil. Os burocratas determinam que o preço de um produto deve ser X e punem quem ousa vender a um preço maior.

    É inacreditável como há MUITA gente que apoia essa atitude. Basta dar um passeio no Facebook.
  • Sempre Mais do MESMO  05/06/2018 20:01
    Um animal, dito irracional, não tende a fazer grandes elocubrações sobre a forma de obter o que deseja.

    O pensamento animal, sim, pensamento, e que se existe algo e ele o deseja, então a melhor forma de conseguir é a força, ou seja, aquilo que possui de mais potente. É certo que outros tantos animais pensam que a única forma de conseguirem o que desejam é pedir para conseguir.

    Oanimal humano em seu primitivismo subevoluido é exatamente o PAR PERFEITO entre os tipos de animais: OS que vivem pelo "DIREITO da FORÇA"e os que vivem da "FORÇA do PEDIDO". Sim, pedem com força, com vontade, como único meio de conseguir a benevlência dos que possuem a força, também como único meio: É o casamento perfeito!

    O que parece estranho é que o ANIMAL HUMANO subevoluido jamais pensa, ou jamais pensa que existe outros meios de se conseguir o que se deseja além do uso da força e do pedido.

    ...mas devemos entender que estas duas formas são os meios dos que não sabem pensar, são as formas mais fáceis de se TENTAR conseguir. As outras formas podem sermais efetivas, mas não são para animais.
  • Amante da Lógica  04/06/2018 16:06
    Eu nunca entendi o seguinte: segundo essas pessoas que acreditam em "preço justo", comerciantes podem elevar abruptamente seus preços sem nenhum motivo, apenas para explorar as pessoas. Sendo assim, então por que eles já não tinham feito isso antes? Por que ficaram tanto tempo à espera de uma situação de escassez para elevar seus preços?

    É impressionante como esses ignorantes em economia não gastam nem 5 segundos de lógica básica para testar suas hipóteses. Se o aumento dos preços nada tem a ver com a situação de escassez que estamos vivenciando (pois, na cabeça deles, tal aumento é apenas exploração), então por que os comerciantes já não tinham elevado os preços bem antes? Já que é tão simples assim, por que esperaram tanto tempo? Será que odeiam dinheiro?
  • Vicente  04/06/2018 16:25
    Oferta e demanda só funcionam em condições plenas de acesso a produtos, mas em uma situação de escassez ocasionada por greve em setor estratégico ou tragédia os especuladores sobem os preços de produtos que foram adquiridos em período de pleno acesso. Os postos de combustíveis fechados por vender gasolina a R$6 o litro foi pouco, aqui no MP já estamos com centenas de denuncias de espertalhões que venderam ilegalmente galões de combustíveis nas redes sociais a preços aviltantes, seus próprios clientes os entregaram, serão autuados por crime contra a economia popular, armazenamento inadequado de líquidos inflamáveis e comércio ilegal de gasolina.
    Quero ver quantos liberalecos vão pagar a fiança destes criminosos.
  • Professor  04/06/2018 17:00
    Mais um ignorante econômico que acha que preço é uma variável completamente independente de oferta e demanda.

    Em um cenário de desabastecimento causado por uma greve de caminhoneiros, não só a oferta desaba como a demanda dispara, pois várias pessoas correm para os postos para encher o tanque apenas para se precaver quanto ao futuro.

    Nesse cenário de oferta em queda e demanda explodindo, se os preços não subirem a única coisa que ocorrerá é desabastecimento completo.

    Que, aliás, é exatamente o que está ocorrendo na minha cidade (de 60 mil habitantes). Os postos não aumentaram os preços e, como conseqüência, estamos completando 10 dias sem gasolina.

    Nos poucos dias em que um caminhão-tanque chega, os desocupados rapidamente correm para os postos e enchem seus tanques. Já aqueles que trabalham o dia todo, como eu, nada conseguem. Meu vizinho, que é juiz aposentado e tem dois filhos adolescentes, está com suas duas SUVs cheinhas, pois o mesmo tem tempo e pode mandar seus filhos adolescentes ficarem revezando na fila.

    Já eu, que trabalho o dia todo, e outros pobres que têm que bater ponto, simplesmente não conseguem gasolina.

    E tem otário como você defendendo esse arranjo regressivo, que favorece os desocupados e prejudica os trabalhadores.

    Ah, sim: se especular é tão fácil como você descreveu, por que não o está fazendo? Odeia dinheiro?

    Mais ainda: já deu sua gasolina para os pobres que não conseguem comprar, pois não há oferta? Um "liberalaco" que libera um dono de posto da cadeia -- e com isso ajuda a normalizar a oferta de combustíveis -- vale mais que mil de você, que apenas defende escassez total, jurando que ao agir assim está fazendo "pelo social".
  • Breno  04/06/2018 17:08
    E o pior é que esse bobalhão do Vicente nem sequer leu a notícia. Estão prendendo donos de mercearias!

    E o otário aplaudindo...
  • retrogrado  07/06/2018 01:14
    na próxima, faltando gasolina vou por bosta no tq do meu carro
  • Vicente  04/06/2018 17:25
    Se está com seu acesso a combustível impedido devido a disponibilidade inadequada deve contatar os órgãos públicos adequados, que irão regular a quantidade por usuário ou disponibilizar o combustível em horários mais variados para todos os usuários. O MP junto com Procon e prefeituras estão fazendo o melhor para atender as necessidades de todos os usuários por demanda deles próprios.

    Acha que estávamos nas ruas olhando quais os safados que aumentaram seus preços? foi a própria população que solicitou a intervenção dos órgãos de proteção ao consumidor para evitar os abusos, na última semana participei de mais de 40 autuações e nos casos onde houve prisão do gerente do posto efetuada o argumento invariavelmente foi "queria faturar um a mais". É proibido, crime contra a economia popular, lei não se discute, lei se obedece.
  • Dilmãe  04/06/2018 18:05
    Boa, Vicente. Infelizmente não teve tabelamento de preços como na época do Sarney. Aquele período sim que foi bom.
  • Tannhauser  04/06/2018 19:38
    Se a greve durasse mais uma semana, as leis criariam um novo nicho de mercado para o tráfico.
  • Pedro_N  04/06/2018 21:06
    "lei não se discute, lei se obedece"

    Sempre que vejo isso, fico imaginando um guarda de um campo de concentração nazista usando exatamente esse argumento.
  • Kira  05/06/2018 01:02
    Eu só imagino um idiota sem personalidade nenhuma, acreditando que um esperto que caga uma regra num papel pode fazer o que quiser da vida dele, e controlar a vida dele como quiser, porque "lei não se discute." Acho tão curiosa a psicologia desse tipo de pessoa; se é que pessoa é o termo adequado; que chego a duvidar se esses comentários são verossímeis, se não é só gente que vem aqui pra 'causar'.
  • Ninguem Apenas  05/06/2018 01:35
    Pedro_N, penso exatamente a mesma coisa, resumiu tudo em uma única frase.
  • Carlos   05/06/2018 03:45
    Aviso: wall of text. Mas precisava me divertir um pouco.


    Oferta e demanda só funcionam em condições plenas de acesso a produtos

    Em condições "plenas" de acesso a produtos não há oferta nem demanda, porque não há escassez. Se, de outro modo, você está argumentando que oferta e demanda só funcionam quando a estrutura logística não falha, está cometendo outro erro essencial: o que manda na oferta de bens e produtos é a demanda individual dos consumidores. A valoração dos consumidores vai mudar quando a oferta é abrupta e forçosamente restringida? Claro que vai. Mas daí a concluir que o fluxo contínuo de bens e serviços é condição de validez para que a lei da oferta e da demanda funcione é um salto ilógico impressionante. Mais difícil que o triplo carpado da Daiane dos Santos.

    ... mas em uma situação de escassez ocasionada por greve em setor estratégico ou tragédia os especuladores sobem os preços de produtos que foram adquiridos em período de pleno acesso.

    Vários erros nessa afirmação.

    Primeiro: essa situação de "pleno acesso", como já demonstrado alhures, é uma patavina sem sentido.

    Segundo: especular é uma atividade que a nossa espécie faz desde que adquiriu um átimo de razão. Você especulou quando fez o concurso para o Ministério dos Parasitas. Apostou que iria conseguir uma fatia do roubo. E, aparentemente, conseguiu. Mas absolutamente nada poderia lhe garantir, com absoluta certeza, que você passaria. Outro exemplo: todo mundo que fez short em MBS lá nos idos de 2007/8 especulou que aquela bolha imobiliária iria arrebentar. Quem fez isso se deu bem. Quem não fez perdeu uma bela oportunidade.

    Outra coisa, muito diversa, são os ajustes naturais do mercado. Se você tivesse dedicado parte do seu tempo a entender como a nossa espécie funciona e não como os perdigotos normativos emanados da pocilga planaltina deseja que sejam, você teria percebido, no ato, a estupidez do que acabara de afirmar. O reajuste de preços foi brutal porque houve uma escassez absurda de bens. A malha logística parou. Nada chegou a lugar algum. Simples assim. Os preços, como consequência, dispararam para refletir essa escassez. Esse é o fenômeno que você - mas não entende.

    Terceiro: Agora vamos para o que você não vê - e lhe falta competência para entender. Se você sabe alguma coisinha sobre contabilidade de custos - o que sei que não sabe porque você dedicou a vida a ler perdigotos nauseabundos da pocilga planaltina - deveria saber que há custos que o empresário não pode deixar de incorrer. Assim, a mercearia que vocês estão aterrorizando tem aluguel para pagar, salários dos empregados, salários de inúteis como você (tributos), honorários de contador (geralmente mais uma penca de inúteis que se beneficiam da reserva de mercado obrigatória), manutenção de máquinas e equipamentos, etc. Depois de tudo isso, se sobrar alguma coisa, o empresário e sua família tem o que comer no final do mês. Se não, azar o dele certo? Afinal o empresário paga quando a sua especulação dá errado. Quer dizer, o empresário normal, que não é apadrinhado por algum dos incontáveis feudos estatais - como o BNDES por exemplo. Além disso, empresário geralmente tem algum empréstimo pendente, que ocasiona juros a pagar.

    Agora, como você quer que ele pague tudo isso, se os produtos que pagam por toda essa estrutura que ele montou, não chegam? Pior ainda, ele não tem nem como estimar quando chegarão. O empregado que não consegue chegar ao trabalho porque faltou diesel para o ônibus vai receber a mesma coisa no final do mês, afinal de contas foi um caso fortuito. Na realidade, contudo, o empresário vai pagar, mas não vai ter aquela mão-de-obra. E aí? O Ministério dos Patetas vai batalhar por uma redução para o "preço justo" dos aluguéis, dos salários, dos honorários, dos juros que os empresários têm que pagar? Para quem não tem a menor segurança de que vai poder gerar receita para arcar com a sua estrutura empresarial, qualquer um desses preços é absolutamente "Injusto". A manutenção do arcabouço legal que deveria assegurar ao empresário a sua propriedade e, consequência disso, a possibilidade de especular com um grau menor de risco de consumo do seu capital, inclusive, é obrigação do Estado segundo o excremento, ainda fedorento, de 1988. Mas isso o MP, é claro, não vê.

    Que tal o MP acionar o Executivo Federal por falhar com sua missão constitucional? Ou a Petrobrás por ser um monopólio?

    Aliás, douto jurista, que tal o MP vir à público e se posicionar favoravelmente a uma class action de lucros cessantes de todos esses empresários contra os autônomos e transportadoras que ocasionaram esse prejuízo porque resolveram quebrar os contratos de frete? E mesmo na seara criminal: quem vai ser preso por agredir e matar os fura-greves? Ah, me desculpe! Esqueci que vocês são absolutamente incompetentes para investigar assassinatos. Enfim, duvido que alguma viv'alma do MP pense que isso não só é possível, mas o correto a fazer. Esperar virtude de burocrata é o mesmo que esperar a redução do Estado: uma estarrecedora burrice.

    Quanto ao resto do seu texto, foi apenas mais da mesma insensatez. Após, sua invectiva foi ainda mais contundente ao afirmar, com todas as letras, a escravidão do resto do povo, em prol da casta do MP - e de qualquer outra sinecura estatal. Sugiro, humildemente, um adendo. Ao invés de se identificar como membro da guilda de ladrões - quiçá assassinos - que é o Estado, seja mais sincero na sua imoralidade. Diga que faça parte da casta dos SE - Senhores de Escravos.

    Seja vil, mas seja honesto!
  • Pepino di Capri & Porres De Vodega  06/06/2018 14:41
    Muitas vezes os comentários desse site são tão geniais que alguns superam o artigo, parabéns aos Carlos, simplesmente brilhante.

    Olocopixo Mas eihm, Vicente??
  • Mais Mises...  06/06/2018 20:01
    O Mero Palpiteiro não volta aqui mais... ao menos nesse texto, não. Foi dormir com os fundilhos aquecidos pelo atrito. rsrs
  • Mais Mises...  06/06/2018 17:27
    MP seria Mero Palpiteiro?
  • Pobre Paulista  04/06/2018 16:47
    O Leandro escreveu um tempo atrás um artigo (não consegui achar) mostrando como que os aumentos de impostos impactam cadeia produtiva, e o argumento central era esse mesmo que você expôs. Se fosse tão simples assim subir os preços, porquê diachos os comerciantes tem que esperar pacientemente por uma crise para fazê-lo?
  • Kira  05/06/2018 01:06
    Lucro é o que sobra depois de toda a contabilização para onde vão os gastos de manutenção de todo o processo produtivo. em casos de escassez extrema e artificial, com prejuízos; nada mais que normal aumentar preços para reduzir o consumo em excesso e manter alguma margem de lucro o suficiente para possibilidade de garantir alguma parcela de gastos ou prejuízos futuros imprevisíveis.
  • Kira  05/06/2018 01:15
    O idiota útil reclama dos "preços injustos" mas adora defender protecionismo, e nunca para pra pensar o quanto o estado através de inflação constante com bolhas de crédito e manipulação de juros, reservas fracionárias, e altos impostos, rouba porcentagens enormes do poder real e dinâmico de compra e valor monetário que o dinheiro das pessoas poderiam ter, no mercado livre, sem moeda de curso forçado inclusive; além é claro, dos subsídios constantemente tirados de impostos e dados a corporativistas, e "amigos do rei." Aí basta você falar de livre mercado, inclusive entre câmbio e moedas, que eles entram em chilique. Um idiota desse não percebe que grande parte do preço da gasolina no Brasil, e forçado artificialmente pra cima pelo próprio governo, e agora com tabelamento de preços, o custo vai ser empurrado pros próximos governos e pra mais uma leva de pagadores de impostos via tributação direta e impostos escondidos em inflação.
  • Fernando Marcio Aguirrez  05/06/2018 23:10
    Minha nossa! Olha essa resposta do Carlos!
    Que chinelada foi essa, hahaha. É por isso que adoro a sessão de comentários do IMB.
    Eu duvido esse paras... ops funcionário público dar as caras aqui novamente depois dessa esculachada.
  • Vicente  04/06/2018 16:08
    Nós vamos sim ter preços justos estabelecidos pelos órgãos democraticamente constituídos quer queiram quer não queiram, não se pode deixar os bens essenciais na mão de especuladores, quem não concorde que pegue o avião para Miami.
  • Matheus  04/06/2018 17:24
    Como eu queria poder ir para Miami...
  • Vicente  04/06/2018 17:50
    Pois se não tem dinheiro para ir para Miami vai ficar aqui, trabalhar, pagar os impostos e obedecer as leis da República Federativa do Brasil.
  • Oirart Nocolep  04/06/2018 19:16
    Coincidentemente, os mais capacitados para revoar para Miami (anualmente) são os portadores da espada estatal. Isso se não conseguirem driblar a escassez com suas carteiradas de MP...
    É mais divertido dividir o "bolo social" quando se tem a faca, cerrto? (ler com a entonação do Gérson)
  • Richard Gladstone de Jouvenel  05/06/2018 12:58
    Fato.

    Eu vou pra Miami a cada três meses. No prédio onde fico, sei que oito apartamentos são de deputados federais, sendo cinco supostamente "socialistas",dois são de juízes de tribunais superiores e em julho ainda fica cheio de funças de Brasília que alugam pra levar os bacuris pra ver a Disney e comprar muamba...

    E viva os otários do preço justo, que acreditam que os iluminados de Brasília trabalham em prol do povo.
  • AGB  05/06/2018 01:54
    O auxílio moradia recebido pelos membros do judiciário,ministério público e quejandos custa 1,6 bilhões por ano. É justo que os pobres paguem essa conta?
  • Insurgente  05/06/2018 13:29
    Cara,

    Apesar de soar totalmente destoante você está vomitando verdades. Essa coisa que é o estado brasileiro faz justamente aquilo que veborragiou em seus comentários e o faz com a ajuda de pessoas que pouco trabalham e produz nesse país.

    Acho que vc é um troll nos chateando com essas coisas. Na moral, volte à sua sala e trabalhe ao menos até as 15h. Você custa muito caro, pra tá parado falando merda!
  • Ciro  04/06/2018 22:00
    Neoliberal e pobre? Que perdido, abrace logo o desenvolvimentismo, passe num concurso público e abrace o mundo.
  • Ramon Arthur  04/06/2018 17:42
    não se pode deixar bens essenciais nas mãos do governo. tanto que a u.r.s.s prosperou economicamente com seus "preços justos".

    "Se colocarem o governo federal para administrar o deserto do Saara, em cinco anos faltará areia" -Friedman
  • Libertariozinho  04/06/2018 18:19
    Além de não argumentar nada, fica fazendo chilique e apelando para a Lei. O debate aqui não é como as coisas são, e sim como deveriam ser, ninguém aqui tá interessado no que o PROCON acha que pode ou não fazer.
    Se você acha que vai revogar as leis econômicas com um livrinho chamado CDC, tem um probleminha grave.
  • Demolidor  04/06/2018 19:56
    Já tentaram prender comerciantes num certo país vizinho. Não terminou bem:

    oglobo.globo.com/mundo/governo-venezuelano-mandou-prender-pelo-menos-20-empresarios-em-2015-15260566

    Miami é melhor nesse quesito. Apesar da Flórida ter leis contra price gouging (em vigor somente após o Furacão Andrew, em 1992, apesar do histórico de furacões do estado), os comerciantes são apenas multados. Isso quando são. Mesmo assim, poucos sobem os preços e falta de tudo quando há furacão por lá:

    www.sun-sentinel.com/news/florida/fl-reg-hurricane-irma-price-gouging-20171213-story.html
  • anônimo  05/06/2018 12:45
    Como eu acho cômico que ainda existam pessoas em pleno século 21 que realmente acreditem que canetadas de um velho formado em Direito na década de 70 sentado numa sala com ar condicionado irá virar realidade.
    Um burocrata não possui a mínima noção de como os preços nem do restaurante que ele almoça diariamente são formados, mas ele acha que possui o direito de determinar por quanto um posto no meio do Piauí deve vender combustível.

    Infelizmente a escassez está controlada e não há tabelamento de preços, a fiscalização está sendo subjetiva apenas para os parasitas posarem como benfeitores. Os brasileiros mereceriam sofrer o mesmo que sofreram com o Sarney. Quem sabe quando tudo faltar nas prateleiras, a circulação de carros ser do mesmo nível da década de 50 e crianças morrerem de inanição, alguma lição econômica seja aprendida.
  • Figueiredo  06/06/2018 20:14
    Se eu cobro "demais", sou acusado de preço abusivo e posso ir pra cadeia.
    Se eu cobro "de menos", sou acusado de dumping e posso ir pra cadeia.
    Se eu cobro um valor parecido com o da concorrência, sou acusado de formação de cartel e posso ir pra cadeia.

    Nem com base na legislação dá pra definir o que é o tal "preço justo" - o que é óbvio, abre a porta pra todo tipo de discricionariedade (coisa que legalistas deviam detestar e temer).
  • Sowell  04/06/2018 16:12
    Culpar a ganância por uma subida de preços durante uma escassez é como culpar a gravidade por acidentes aéreos.

    É fato que aviões não cairiam se não fosse pela gravidade. Porém, quando milhares aviões voam milhões de quilômetros diariamente sem cair, atribuir à gravidade a explicação por um desastre aéreo específico não o levará a lugar nenhum. Tampouco terá algum efeito esclarecedor falar que um problema específico foi gerado pela "ganância", a qual é uma constante tão inevitável quanto a gravidade.
  • Ricardo  04/06/2018 16:18
    Mais um ótimo artigo!

    Que o preço justo de um produto ou serviço é aquele definido pelas partes em negociação é muito claro e evidente. O difícil é valorizar as coisas nesse mercantilismo/corporativismo em que vivemos.

    O desespero com "preços injustos" (como o dos imóveis financiados por crédito farto e barato, o que só aumenta a demanda) e a confusão mental de vários brasileiros é de certa forma compreensível. O mercantilismo/corporativismo deixou nossa sociedade muito complexa. As pessoas não mais conseguem separar o joio do trigo.

    As intervenções e regulamentações estatais acabam por proteger empresas ineficientes ao inibirem o surgimento de novas. O ciclo virtuoso do capitalismo de livre mercado fica limitado, principalmente nos segmentos mais estratégicos da economia onde a livre concorrência se faz mais necessária.

    Diante de tantas empresas ineficientes e consumidores insatisfeitos, a culpa recai sobre o próprio capitalismo. E aí o estado, oportunista como sempre, abre os braços e diz:

    "Calma meu Povo, estou aqui para livrá-lo das garras do capitalismo".

    Pessoas carentes são alvos fáceis. Uma sociedade de benfeitores mútuos só será possível à partir de um estado muito menor, onde a destruição criativa possa ocorrer em pleno funcionamento.

    Mesmo com todo retrocesso do estado, o jogo avança e novos ingredientes são colocados no tabuleiro, como as novas formas de tecnologias da comunicação. A mídia social está tirando do estado e da impressa mainstream o monopólio da comunicação unilateral que imperou até pouco tempo atrás.

    Qualquer ser humano que tenha acesso à internet não pode reclamar de falta de informação antes de fechar um negócio. Portais de classificação de empresas, produtos e serviços, como o Reclame Aqui serão cada vez mais comuns. Haverá empresas especializadas em ajudar os consumidores a tomarem a melhor decisão ao passo que os mercados fiquem cada vez mais competitivos.

    E isso, por si só, já deixará os descontentes de hoje um pouco mais felizes.
  • brunoalex4  04/06/2018 16:36
    Brasil rumo à venezuelização...
  • Terra Arrasada  04/06/2018 16:41
    INFELIZMENTE não vai ter tabelamento de preços. O brasileiro médio mereceria sofrer com as prateleiras vazias novamente para que dessa vez, quem sabe, alguma lição econômica fosse aprendida.

    Em breve os preços de tudo irão aumentar. Será que irão lembrar dos "heróis caminhoneiros"?
  • Fernando  04/06/2018 18:02
    Eu fui o único no meu círculo social que não defendeu a greve. De cedo eu falei: quebrar linha de suprimentos vai aumentar preços porque a demanda, os custos e a incerteza vão aumentar.

    Nos grupos de classificados do Facebook eu só via gente defendendo caminhoneiro que bloqueava vias, mutirão para fazer comida e lavar roupa dos caminhoneiros, fiquei sabendo de ameaças a donos de postos da cidade. Era uma corrente só de "patriotismo", até carros com bandeiras nos capôs.

    Quando enfim chegaram os combustíveis e gás (mais caros) aí foi uma indignação atrás de outra, colocaram culpa nos donos dos postos pela ganância, no espírito "não cooperativo e individualista" do brasileiro, no Temer, no Pedro Parente, colaram fotos comparando preço da gasolina na época da Dilma e do Temer.

    Francamente, não tem jeito esse país, o povo é muito ignorante, e se você criticar será taxado de apoiador do Temer, de fascista, egoísta, etc.
  • Felipe Lange  04/06/2018 21:08
    "Eu fui o único no meu círculo social que não defendeu a greve. De cedo eu falei: quebrar linha de suprimentos vai aumentar preços porque a demanda, os custos e a incerteza vão aumentar."

    Eu também, apesar de no começo eu ter olhado com uma certa simpatia algumas pautas. Logo os grevistas me ajudaram a odiá-los ainda mais. O pior é que fui minoria talvez até em círculos austro-libertários, por ter essa opinião.

    "Nos grupos de classificados do Facebook eu só via gente defendendo caminhoneiro que bloqueava vias, mutirão para fazer comida e lavar roupa dos caminhoneiros, fiquei sabendo de ameaças a donos de postos da cidade. Era uma corrente só de "patriotismo", até carros com bandeiras nos capôs."

    Uma das coisas mais ridículas. O caminhoneiro faz greve e provoca desabastecimento e um monte de prejuízo (econômico, social, psicológico e financeiro), e ainda quer doação de mantimentos? Trouxa de quem foi dar para eles alguma coisa. Sobre essas ameaças e os bloqueios, coisa bem típica de gente atrasada e que não tem noção do que é direito de propriedade. Também, o monopólio estatal da justiça e da lei só protege bandidos... só a polícia estatal entrar em greve ou um caminhão tombar, que já vem gente de tudo quanto é classe social aproveitar e saquear. No século XIX o navio Prince of Wales naufragou e já veio gente aproveitar e assaltar o navio. Não mudou nada pelo jeito.

    "Quando enfim chegaram os combustíveis e gás (mais caros) aí foi uma indignação atrás de outra, colocaram culpa nos donos dos postos pela ganância, no espírito "não cooperativo e individualista" do brasileiro, no Temer, no Pedro Parente, colaram fotos comparando preço da gasolina na época da Dilma e do Temer."

    É uma mentalidade anticapitalista que está impregnada aqui no Brasil, que é impressionante. No IFSULDEMINAS de Muzambinho teve gente com pensamento bem parecido, de que "falta empatia", entre outras coisas. Que culpa o dono do posto tem? E olhe que mesmo no oligopólio o sujeito não sente prazer em repassar todos os custos para o consumidor. Quando postei sobre o preço da gasolina estar beirando os R$9, de um posto perto aqui de Muzambinho, é só você olhar comentários falando sobre Procon e afins. Eles acham que os donos de postos sentem orgasmos quando chegam na época de escassez, para enfim aumentarem os preços estrondosamente.

    "Francamente, não tem jeito esse país, o povo é muito ignorante, e se você criticar será taxado de apoiador do Temer, de fascista, egoísta, etc."

    Quando essa porqueira dessa previdência falir, aí vão sentir o gosto que é o estado que tanto defendem. Herança maldita trazida de Portugal.
  • Fernando  05/06/2018 14:34
    Bem pontuado, Felipe. Obrigado pelos links
  • Rodrigo  04/06/2018 16:43
    Vergonha de ser mineiro.
  • Daniel  04/06/2018 17:02
    Estado governado pelo PT não poderia dar coisa diferente disso...
  • Mais Mises...  06/06/2018 20:06
    Pensei a mesma coisa. Mas, estado que deu vitória à giuma, a burra, e depois ao pilantrel e que vai continuar reelegendo essa turma canhota, não tem como esperar algo de bom. Infelizmente, pois sou de lá.
  • jax  10/06/2018 00:46
    o mineiro tem uma capacidade grande de fazer merda, elegeu dilma e pimentel de uma vez so.
  • Heberth  04/06/2018 16:46
    Excelente artigo !

    O maestral Lwduig Von Mises já enfatizava essa premissa nas "6 Lições". Quem determina (ou deveria determinar) o mercado são os consumidores, isto é, o quanto uma empresa deve produzir, o que produzir, qual empresa deve permanecer no mercado, o lucro dos proprietários, o salário dos funcionários etc.

    Em suma, essa lógica parece, aqui no Brasil, mais do que improvável !
  • Felipe  04/06/2018 16:54
    Ótimo artigo!

    Como é frustrante tentar explicar isso para a população em geral...

    Apenas uma observação: o verbo tornar saiu no tempo errado na frase "e se tornaram preços somente se o bem for comprado", é bom corrigir!
  • Mídia Insana  04/06/2018 17:13
    O Brasil é uma desgraça e está apenas piorando.
  • Ailton  04/06/2018 17:46
    No ancapistão, existiriam várias escolas competindo para ensinar lógica e economia aos alunos para que o número de adultos burros e ignorantes que existe hoje fosse o menor possível.
  • Arthur Paulo Pimentel Pinto Neto  04/06/2018 19:57
    Infelizmente acho que isso é necessário principalmente em cidades do interior onde pra dar uma ideia o gás de cozinha chega a 120 antes da greve dos caminhoneiros e agora ta uns 105.... Sendo que na capital o preço é 65.... O que acontece? Eles comprar a preço de varejo e trazem nas costas pra estar cobrando isso?
  • Professor  04/06/2018 20:14
    "Infelizmente acho que isso é necessário principalmente em cidades do interior"

    Moro no interior. Os postos não subiram os preços da gasolina (pois, em cidade pequena, todo mundo conhece os proprietários dos postos). Resultado: estamos há dez dias sem nada. Ninguém vai fornecer material escasso para um posto que não paga mais por essa escassez. Consequentemente, não tem nada para o posto revender para a população.

    Uma maravilha.

    A tese que você defende é um fracasso na prática.

    "onde pra dar uma ideia o gás de cozinha chega a 120 antes da greve dos caminhoneiros e agora ta uns 105"

    Ué, que ótimo. Não apenas o gás chegou como já caiu de preço, e continuará caindo caso a oferta continue aumentando.

    Você acabou de descrever o funcionamento dos preços livres: se o preço sobe, torna-se extremamente lucrativo fazer este serviço. Consequentemente, a oferta de gás aumenta. Os preços. Mas eles ainda continuam altos. Consequentemente, a oferta segue aumentando, e os preços seguem caindo. Até que daqui a uma semana eles voltam ao preço de antes.

    Bloqueie esse mecanismo e ameace prender quem está fornecendo gás para você em meio a essa escassez, e você ficará imediatamente sem nada -- apenas um completo ingênuo pode acreditar que as pessoas irão pagar apenas pela honra de servir e trabalhar para você.

    Aqui, para entender o básico:

    Em um cenário de escassez abrupta, o "preço abusivo" é única solução realmente humanista
  • Felipe Lange  04/06/2018 20:47
    Quando tem Leandro no meio, é artigo excepcional na certa.
  • tomista  04/06/2018 21:27
    Preço justo não é falácia.

    São Tomás falava sobre preço justo.
  • Marcelo  05/06/2018 00:18
    Sim, é. E os escolásticos se aprofundaram no assunto:

    O cardeal jesuíta Juan de Lugo, perguntando-se qual seria o preço de equilíbrio, já no ano 1643 chegou à conclusão de que o equilíbrio dependia de um número tão grande de circunstâncias específicas que apenas Deus seria capaz de sabê-lo ("Pretium iustum mathematicum licet soli Deo notum").

    Outro jesuíta, Juan de Salas, referindo-se às possibilidades de saber informações específicas do mercado, chegou à mesma conclusão hayekiana de que todo o mercado era tão complexo que "quas exacte comprehendere et ponderare Dei est non hominum" (somente Deus, e não o homem, pode entendê-lo exatamente).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=83
  • Luiz Moran  04/06/2018 21:30
    Chegamos num ponto sem volta, o fascismo já se instalou no Brasil de uma maneira como nem mesmo Mussolini sonhara.: 03 poderes, mídia, artistas-rouanet, atletas analfabetos, jornalistas amebas, professores marxistas e um bando de idiotas pagando impostos para sustentar uma elite asquerosa que está no poder desde 1985.
  • Kira  05/06/2018 01:22
    Fascismo puro, e a esquerda defende com unhas e dentes. Podem vir aqui dizer que não, mas defendem, a questão é que, quando não é o partidinho da cor que eles gostam, eles defendem, mas ficam caladinhos, fingem que não sabem do que está acontecendo, pois se eles se oporem, no momento que o partido da corzinha que eles defendem fizer igual, aí será muito fácil apontar de forma explícita a hipocrisia e contradição deles. Olha que mesmo com o cinismo cotidiano já é possível mostrar inúmeras bizarrices da hipocrisia típica, mas com isso seria simplesmente incompreensivelmente descarado.
  • Sarney negativo  04/06/2018 22:24
    Teve uma estupidez meses antes do Procon, vigorando até agora, de proibir a cobrança diferenciada por sabores distintos de pizza quando se pede metade de um sabor e metade de outro. O que vi de gente aplaudindo... quando vejo alguém defendendo controle de preço, um analfabeto econômico pagando de justiceiro social, torno-me um cão raivoso espumando puro ódio. Preciso me controlar, diferentemente dos preços.
  • Leigo  05/06/2018 12:58
    kkkkkkkkkkkkkkkkk, eu também caro colega.
  • Rafael  04/06/2018 22:50
    Por favor corrigir o artigo: o certo é TORNARÃO (futuro) e não TORNARAM ( passado)
    Grato.
    Bom artigo como sempre
  • Tarantino  05/06/2018 01:35
    "Ninguém obrigou você a comprar nem o vendedor a vender."

    Muitas vezes a fome ou a sede obrigam a comprar.
  • Rodrigo  05/06/2018 03:28
    Esse é um espantalho.

    Sempre existiram alimentos baratos. A menos que o estado controle os preços. Aí sim a escassez será generalizada. Vide venezuela, Somália, Cuba, coreia do norte, Ucrânia, urss, China, Camboja e tantos outros.

    Num livre mercado vc nunca será obrigado a comprar nada. Pois se a batata esta Cara, existe o arroz e mil outross substitutos. Basta se adequar a escassez.

    Já a água eu concordo. Monopólio estatal priva muita gente de água.
  • Tarantino  07/06/2018 02:50
    Nem sempre. O que dizer daquelas pessoas que são contratadas para, por exemplo, trabalhar numa fazenda distante de tudo, cujo único acesso aos produtos alimentícios é a "vendinha" do próprio fazendeiro, que cobra preços exorbitantes dos peões, e estes por sua vez acabam contraindo uma dívida impagável, levando-os a uma verdadeira vida de escravidão? Mas tudo bem, embarca nessa quem quer...ou quem não tem outra opção.
    O estado é canalha, disso não tenho dúvida. Mas a canalhice, infelizmente, não é monopólio estatal.
  • Quentin  07/06/2018 03:17
    Cobrar preço exorbitante de peão?! Queria entender essa mágica. Como é que ele vai cobrar caro de gente que não pode pagar?

    Aliás, repare: aquilo que é um preço "exorbitante" para um peão certamente seria considerado uma pechincha para um cara da cidade grande.

    Com efeito, se esse cara da cidade grande souber do preço que está sendo praticado ali nessa vendinha, ela irá levar sua Saveiro pra lá e entupir a caçamba de produtos, provando que o preço cobrado está, na realidade, barato.

    Questão de lógica: se o preço é tal que até um peão de roça, sujo e desdentado, pode pagar, então está de graça para um cara da cidade grande -- o que comprova que o preço, na realidade, está longe de ser exorbitante.

    Você caiu em contradição.
  • Tarantino  10/06/2018 21:26

    Negativo. A questão não é o preço, ou se o peão pode ou não pagar. Para quem não tem nada, tudo é caro. Ao monopolizar o comércio de produtos básicos, devido à localização de sua fazenda, o fazendeiro canalha está deixando os peões sem opção, e os afundando em uma dívida impagável, o resultado de tudo isso é que os peões irão trabalhar somente para se alimentarem. Se isso não for escravidão... Possíveis concorrentes, atraídos pelas oportunidades de vendas, serão sumariamente rechaçados pelo fazendeiro que não quer perder sua renda. Embora isto tenha acontecido majoritariamente durante o ciclo da borracha na Amazônia, ainda ocorre hoje me menor escala em algumas localidades afastadas.

    Já ouviu falar em sistema de aviamento?

    "Sistema de aviamento – O ciclo produtivo da piaçava inicia-se com a contratação verbal do piaçaveiro pelo patrão. Os piaçaveiros (ou "piaçabeiros") são trabalhadores, indígenas ou não, que, sob a promessa de futuro pagamento, são arregimentados e levados à "colocação", piaçaval ou local de instalação de barracas, para ali trabalharem na extração, corte e beneficiamento da piaçava.

    Os "patrões" são os comerciantes que adquirem dos piaçaveiros a piaçava extraída, cortada e beneficiada. Eles geralmente são conhecidos como os donos das colocações nas quais os extrativistas realizam, mediante "autorização", a extração da piaçava.

    No sistema de aviamento, os patrões costumam fornecer aos piaçaveiros meios de trabalho – como barcos, combustível, ferramentas de trabalho –, alimentos e outros itens por preços abusivos, como uma espécie de "adiantamento" que os permite iniciar o trabalho.

    Diante do difícil acesso do local de trabalho a armazéns ou comércios da cidade, o trabalhador se vê obrigado a adquirir essas mercadorias, vendidas sob preços abusivos que chegam a gerar um lucro de 300% para o patrão, em alguns casos. As dívidas surgidas desses adiantamentos costumam consumir quase toda – quando não toda ou ser mesmo superior a ela – a remuneração devida pelos patrões aos piaçaveiros em razão da venda da piaçava. Estabelece-se, assim, um ciclo de repressão da força de trabalho através da dívida e outros mecanismos de dominação.

    Muito comumente, o piaçaveiro inicia o trabalho e, quando chega o momento de entregar a fibra, atualmente remunerada em média com R$ 0,70 o quilo, e de receber seu pagamento, descobre que não extraiu o suficiente de piaçava. Dessa forma, ele se vê constrangido a voltar ao trabalho no piaçaval, sujeito a novas dívidas, para cobrir o débito anterior para com o patrão. Com isso, as dívidas do trabalhador vão aumentando, de modo que ele fica cada vez mais dependente do patrão e impossibilitado de pôr fim a essa relação, que se traduz em verdadeira servidão por dívida ou condição análoga à de escravo."

    (fonte: reporterbrasil.org.br)
  • Mauro Naves  15/09/2018 22:57
    Como eu gostaria de entender esse argumento de uma prática que quase nem existe mais.

    O Estado não existe justamente para proibir esse tipo de prática? No entanto esse tipo de prática existiu. Por que então aumentar o poder de uma entidade incompetente que não consegue sequer cumprir algo tão simples?

    Então por que você está usando esse argumento contra o livre mercado? E por que esse tipo de prática seria uma justificativa para o tabelamento de preços (que gera desabastecimento se for seguido, e que um um criminoso não irá seguir)?
  • Constatação  05/06/2018 11:00
    Off-topic:

    E a mais nova? "Marco regulatório dos transportes".

    Quanto mais se reza, mais assombração aparece.
  • anônimo  05/06/2018 12:59
    É a velha máxima de Mises. Quanto mais o intervencionismo fracassa, mais o intervencionismo é aplicado para resolver o problema do intervencionismo.

    O estado brasileiro sempre foi especialista nisso.
  • thiago  05/06/2018 12:47
    Acho que poderia avançar um pouco mais na explicação sobre o controle de preços de produtos cuja exploração é monopólio do Estado ou altamente regulamentado pelo Estado, normalmente bens essenciais como água e energia elétrica; e provavelmente os derivados do petróleo; talvez também os pedágios em rodovias... ainda que se possa construir rodovias alternativas ou sistemas de captação e distribuição de água alternativos, são empreendimentos enormes e, mais cedo ou mais tarde, limitados (não dá para construir mais de 2 ou 3 vias ligando dois pontos).
  • Pedro Mendes  05/06/2018 14:04
    Em BH tem uma delegacia móvel na Praça da Liberdade só para fiscalizar os preços "abusivos", e ao que parece pelas reportagens, a mídia está batendo palmas, sempre destacando para o crime de "Atentado a ordem econômica".
  • Mineiro  05/06/2018 15:49
    "Infelizmente" a escassez está controlada e não há tabelamento de preços, a fiscalização está sendo subjetiva apenas para os parasitas posarem como benfeitores.

    Os brasileiros mereceriam sofrer o mesmo que sofreram com o Sarney. Quem sabe quando tudo faltar nas prateleiras, a circulação de carros ser do mesmo nível da década de 50 e crianças morrerem de inanição, alguma lição econômica seja aprendida.
  • André Marques  05/06/2018 22:04
    Leandro, saindo do assunto do artigo gostaria de fazer dois questionamentos:

    1- Afinal, Cingapura tem ou não tem um Currency Board? Este artigo (mises.org.br/Article.aspx?id=2059) afirma que eles operam com um currency board. Porém, neste podcast (mises.org.br/FileUp.aspx?id=364), você afirmou que eles apenas mexem no câmbio, com o objetivo de apreciar a moeda continuamente em relação às outras moedas, mas não mencionou o Currency Board. E como esse controle de câmbio é feito?

    2-Em outro comentário você me recomendou este livro (mises.org/library/money-sound-and-unsound-1). No Capítulo 20 há um crítica ao Currency Board, mais especificamente ao adotado em Hong Kong, que usa o dólar US como moeda âncora.
    Acho que tudo acontece porque é o banco central que atua como o currency board (em vez de uma entidade privada fora da jurisdição do país), mas ele mostra no início da seção que (no período 1998-2005) o fluxo de ativos que lastreavam a base monetária a excediam. Porém, usando o M3, esse agregado monetário excedia o lastro, o que deixava o sistema vulnerável a crises.
    O banco central também usou parte de seus ativos para prover liquidez ao mercado na crise do final dos anos 1990, saindo completamente das regras de um currency board.
    No final o autor menciona que o currency board pode perder a credibilidade rapidamente se a confiança do público em relação ao comprometimento do banco central de manter as regras do jogo desaparecer.
    Posto isso, o que você acha dessa crítica? Os problemas expostos podem ser resumidos a apenas o fato de ser o banco central atuando como currency board, podendo, a qualquer momento, sair da linha? Se os EUA hipoteticamente vivenciassem uma crise de dívida soberana estilo Grécia e o dólar US perdesse valor como nunca antes, o que aconteceria a um currency board que o adotasse como moeda âncora?

    Há também este paper (mises.org/library/case-against-currency-boards-0) criticando o currency board, mas ainda não tive tempo de ler. Você conhece?

    Att,
    André Marques
  • Leandro  06/06/2018 00:25
    "Afinal, Cingapura tem ou não tem um Currency Board?"

    Não. Sua autoridade monetária tem uma única missão: manter uma taxa de câmbio estável. Mas esta pode sim variar, ao contrário do que ocorreria num Currency Board.

    "Este artigo (mises.org.br/Article.aspx?id=2059) afirma que eles operam com um currency board."

    Não afirma, não. Leia de novo, com mais atenção. Vou até repostar aqui o trecho:

    "Hoje, a autoridade monetária de Cingapura, embora não mais funcione como um Currency Board ortodoxo, tem como única função controlar o valor do dólar de Cingapura em relação a uma cesta de moedas das principais economias do mundo. A autoridade monetária de Cingapura não controla juros; ela atua para garantir que o dólar de Cingapura mantenha um valor relativamente estável perante as principais moedas do mundo."

    "Porém, neste podcast (mises.org.br/FileUp.aspx?id=364), você afirmou que eles apenas mexem no câmbio, com o objetivo de apreciar a moeda continuamente em relação às outras moedas, mas não mencionou o Currency Board. E como esse controle de câmbio é feito?"

    Aumentando e reduzindo a base monetária por meio da compra e venda de ativos, respectivamente.

    "mas ele mostra no início da seção que (no período 1998-2005) o fluxo de ativos que lastreavam a base monetária a excediam."

    Que é o que importa.

    "Porém, usando o M3, esse agregado monetário excedia o lastro, o que deixava o sistema vulnerável a crises."

    Isso é imaterial. A teoria do Currency Board nunca estipulou que os agregados monetários devem ser integralmente lastreados, mas apenas a base monetária. Com efeito, é impossível fazer com que M3 e M4, em um sistema de reservas fracionárias, seja 100% lastreado .

    "O banco central também usou parte de seus ativos para prover liquidez ao mercado na crise do final dos anos 1990, saindo completamente das regras de um currency board."

    Agora, sim, correto. Se o BC faz operações de interbancário para prover liquidez, então ele simplesmente deixou de ser um Currency Board.

    "No final o autor menciona que o currency board pode perder a credibilidade rapidamente se a confiança do público em relação ao comprometimento do banco central de manter as regras do jogo desaparecer."

    Se é um Banco Central fingindo ser um Currency Board, então ele nunca foi um Currency Board.

    "Posto isso, o que você acha dessa crítica?"

    Altos e baixos, como tentei demonstrar acima.

    "Os problemas expostos podem ser resumidos a apenas o fato de ser o banco central atuando como currency board, podendo, a qualquer momento, sair da linha?"

    Esse é sem dúvida o principal ponto.

    "Se os EUA hipoteticamente vivenciassem uma crise de dívida soberana estilo Grécia e o dólar US perdesse valor como nunca antes, o que aconteceria a um currency board que o adotasse como moeda âncora?"

    Teria de mudar de moeda-âncora, caso conseguisse.

    "Há também este paper (mises.org/library/case-against-currency-boards-0) criticando o currency board, mas ainda não tive tempo de ler. Você conhece?"

    Sim. É informativo, mas incorre na falácia do Nirvana: compara uma situação do mundo real com outra utópica e perfeita, e aí faz críticas à situação do mundo real. Diz que um padrão-ouro puro sob um arranjo em que não há reservas fracionários é um arranjo preferível a um Currency Board.

    Grande abraço.
  • Emerson Luis  06/06/2018 14:53

    Querer que os preços sejam sempre favoráveis para nós equivale a querer que todos os semáforos estejam sempre abertos para nosso carro, ou que só chova quando estivermos bem abrigados e sem precisar sair do local.

    * * *
  • Lyra  08/06/2018 15:53
    Quanta bobagem escrita por gente que se acha dono do conhecimento, apesar de 90% nunca levantarem suas bundas das cadeiras e irem lutar pelo que acham coerente na economia. É muita teoria para pouca prática, a grande maioria não passam de caninos diligentes que saem correndo ao menor sinal de fogo. A internet tem criado essas figuras, os rebeldes com causa, mas sem atitude. (comentário sobre os comentários. O artigo está perfeito)
  • Capital Imoral  08/06/2018 17:22
    Reflexões sobre a crise de abastecimento

    Este artigo é um conjunto de pequenas reflexões que o grande filósofo, Capital Imoral, teve durante a crise de abastecimento que ocorreu no Brasil.

    A crise de abastecimento que ocorreu no Brasil mostrou uma faceta que até então a maioria dos Brasileiros não estavam acostumados. Pela primeira vez, havia gente invadindo supermercados e comprando tudo que via pela frente, havia desespero para sobreviver e proteger os seus. A luta pela sobrevivência nunca foi fácil.

    E todo esse desespero me remete a um filme, de 2010, chamado: "A estrada". Neste filme, o mundo foi destruído há mais de 10 anos, mas ninguém sabia exatamente o que aconteceu. Não há energia, vegetação ou comida. Milhões de pessoas morreram devido aos incêndios, inundações, queimadas. Neste contexto, um pai e seu filho lutavam para sobreviver em um mundo em que grupos se organizavam para canibalizar outros sobreviventes mais fracos. Não havia a mínima misericórdia pelo próximo. Em um contexto apocalíptico, havia grupos que se organizavam para matar e canibalizar outros mais fracos que estavam desorganizados.

    O que há demais neste filme? Este filme demonstra até que ponto o ser humano pode chegar na luta pela sobrevivência. O Brasil experimentou, por alguma semanas, um pouco desse desespero gerado por políticas neoliberais. Talvez você ache isso um exagero, mas pense um pouco, como tudo ocorreu durante a crise? Veja que havia grupos que ganhavam muito com esta crise, e grupos que perdiam; a pressão dos caminhoneiros fez com que de fato eles ganhassem certos privilégios à custa de toda população (Porque eles também são Capitalistas). Na luta pela sobrevivência, havia gente rica comprando sem necessidade simplesmente para ter um estoque reserva de alimentos, enquanto outros, os mais pobres, que realmente precisavam, estavam perecendo na miséria porque o preço estava alto. No fundo, quem estava em melhor condição logo tomou medidas para se proteger, e quem não tinha tantos recursos, acabou sofrendo mais. Bem-vindo ao capitalismo. O preço de tudo aumentou, desde à comida até o remédio, muita gente não conseguia trabalhar, outros, estavam totalmente dependentes dos combustíveis. Veja que a realidade apenas se intensificou, o rico não mudou a condição de rico privilegiado, mas o pobre sofreu mais.

    Você percebe como ocorreu um "Canibalismo social" no qual ricos organizados estavam roubando, através do poder de comprar, bens que deveriam ser dos mais pobres? Ora, a finalidade do estado e justamente evitar que esta injustiça natural do livre mercado possa ocorrer, pois o rico sempre estará em melhor posição que o pobre.

    Os que desejam o mal pelo mal
    Outra coisa que observei neste tempo de dificuldade, foi um certo desejo de que as coisas se tornassem pior. E isso, de certa forma, mostrou uma faceta que observei apenas nas pessoas que estavam em pior situação: A vontade, interior, de que tudo fosse ainda pior.

    Quando visitei a casa de um amigo, por alguns segundos, pude ouvir de um parente dele que estava em frente à televisão: Ele desejava, em voz baixa, uma guerra civil. Eu estive pensando sobre este pequeno desejo interior. Será que ser burro é condição necessária para desejar o mal pelo mal? Eu acredito que não. Para uma pessoa desejar a maldade pura e simplesmente é preciso chegar a um ponto em que não se ganhar nada havendo paz. Neste ponto, a guerra é mais lucrativa que a paz. A guerra é revolucionária, a guerra é a oportunidade de que as coisas possam mudar, e a oportunidade, quem sabe, de sair da posição lastimável que a paz nos segura.

    E novamente o culpado de tudo isso é o capitalismo, pois quem é a grande ideologia que cria tamanhas desigualdades entre seres humanos? Ora, existe um abismo entre este cara fodido que perdeu todas esperanças à ponto de torcer pelo mal, e o grande capitalista, mauricinho, que leva à vida como uma novela. O segundo pode se dar ao luxo de torcer pelo bem, o primeiro não.

    Os que pensam que o preço deveria ser livre
    Ainda dentro de minhas observações, cabe analisar os neoliberais que não tiveram misericórdia pelos pobres durante a crise de abastecimento. São pessoa que adoram dizer: "Não gostou do preço? não compre!", São os mesmos que utilizam a premissa, falsa, de que o consumidor é livre para escolher, como se um pobre tivesse a mesma independência financeira que um empreendedor rico. Com base nesta premissa, eles afirmam: "O preço deve ser livre! Deve correr de acordo com a escolha do empreendedor". Mas será mesmo que existe essa liberdade? Ou será que uma pessoa pobre está presa à bens de consumo básicos como alimentação (que não é uma escolha), moradia, higiene etc. Ora, aí está a grande falsidade ideológica do movimento neoliberal. Defender a liberdade de preço é uma maneira refinada de defender o domínio dos ricos (que detêm os meios de produção) sobre os mais pobres. Por isso sempre afirmei que o neoliberalismo é uma política desumana.

    Conclusão
    A qualquer momento o monstro que habita dentro de nós, através de políticas neoliberais, pode florescer, basta mudar às condições sociais e veremos nossa verdadeira face. Essa crise revelou uma faceta potencial assustadoramente egoísta e desumana, ligada ao neoliberalismo, que infelizmente faz parte da natureza humana. Esta crise também serviu, para os desesperados, como condição para uma libertação da própria vida através do caos.


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