clube   |   doar   |   idiomas
Cinco motivos de os juros serem altos no Brasil
Todos passam por uma única instituição

O senhor Benjamin Steinbruch — dono da CSN, vice-presidente da FIESP e o homem que já literalmente quis fechar o Brasil para proteger sua reserva de mercado — escreveu uma coluna para a Folha de S. Paulo em que direciona suas lamúrias contra os juros praticados pelo mercado brasileiro.

Acertadamente, ele diz que, apesar da queda da taxa SELIC, hoje no patamar de 6,5%, os juros reais continuam muito altos no país, principalmente na área de varejo — embora as principais modalidades já estejam se encaminhando para as menores taxas da história (veja os gráficos do Banco Central aqui e aqui).

No entanto, Steinbruch, pelo menos aparentemente, mostra não ter ideia do porquê de os juros serem altos no país. Prova disso é que aplaude iniciativas como a do BNDES (sempre ele!), que está oferecendo taxa fixa de juros para empréstimos de capital de giro, "uma iniciativa limitada, mas na direção certa", segundo ele. Mostra-se otimista também com a promessa dos bancos de promover uma "autorregulamentação para tentar cortar os juros do cheque especial".

A verdade é que Steinbruch gasta um artigo inteiro, no maior jornal do país, para reclamar de algo cuja causa ele parece ignorar, acreditando infantilmente que mais intervenções diretas do governo ou promessas vagas dos banqueiros teriam o condão de resolver o problema. Em nenhum momento ele aponta o dedo para as reais causas.

Vamos a elas, então.

1. O governo fica com boa parte da poupança disponível

A primeira — e talvez mais importante — causa está no aumento desmesurado dos gastos públicos.

Como as despesas sempre crescem acima das receitas, quanto mais o governo aumenta seus gastos, maiores os seus déficits orçamentários. E como o governo financia estes déficits? Exato, emitindo títulos do Tesouro.

E aí ocorre o inevitável: ao tomar empréstimos — ou seja, emitir títulos —, o governo se apropria de dinheiro que poderia ser emprestado para empresas investirem ou para as famílias consumirem.

Não há mágica ou truques capazes de alterar essa realidade: quando o governo se endivida, isso significa que ele está tomando mais crédito junto ao setor privado. E dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. Isso significa que o governo está dificultando e encarecendo o acesso das famílias e das empresas ao crédito.

Como tudo mais na economia, os recursos disponíveis para investimentos (poupança) são escassos. No Brasil, onde a taxa de poupança em relação ao PIB está abaixo da média mundial, eles são ainda mais escassos.

O problema se torna acentuado quando o governo (um tomador considerado de baixo risco pelo mercado, pois controla a emissão da moeda) absorve uma enorme parcela dos escassos recursos disponíveis, deixando para o resto do mercado tomador apenas a parte residual.

E qual é o volume que o governo absorve? Considerável.

Só no ano de 2016, por exemplo, o déficit nominal do governo federal foi de R$ 450 bilhões. Só que, além de ter pegado emprestado R$ 450 bilhões para cobrir este déficit, o governo também teve de pegar emprestado mais R$ 654 bilhões apenas para refinanciar sua dívida — isto é, para honrar aquela dívida que estava vencendo, mas para a qual não havia dinheiro em caixa para quitar.

(O déficit nominal eleva a dívida: o governo se endivida para pagar encargos da dívida. Já o refinanciamento deixa a dívida inalterada: o governo se endivida para pagar uma dívida de mesmo valor).

Em suma, em apenas um ano, o governo federal absorveu R$ 1,104 trilhão em recursos do mercado de crédito: R$ 450 bilhões (déficit nominal) foram para pagar despesas correntes, investimentos e encargos da dívida, e R$ 654 bilhões foram exclusivamente para refinanciar — ou, como dizem no popular, rolar — a dívida.

O que significa o governo absorver R$ 1,104 trilhão do mercado de crédito? Simples: dado que o PIB nominal de 2016 foi de R$ 6,266 trilhões, temos que o governo federal absorveu nada menos que 18% do PIB.

Por incrível que pareça, esse número já foi pior. Esta tabela elaborada pelo economista Gustavo Franco mostra que, em 2011, por exemplo, esse valor chegou a 19,3% do PIB, muito maior que a de quase todos os países desenvolvidos.

DEFICIT PUBLICO.jpg

Ora, o preço do dinheiro, como o de qualquer outro produto, é regido pela lei da oferta e da demanda. Se esta é muito maior que aquela, o preço (no caso, os juros) será mais alto.

A prova de que há escassez de oferta de crédito pode ser observada no fato de que, embora a SELIC esteja em 6,50% ao ano, há financeiras pagando 11,75% ao ano para qualquer indivíduo que lhes emprestar dinheiro, como você.

2. A existência de créditos subsidiados

Outra razão de os juros serem muito altos para boa parte das empresas do setor privado está na existência dos famigerados juros subsidiados, praticados pelos bancos públicos (BNDES, Caixa e BB).

Nesta modalidade, o Tesouro repassa dinheiro de impostos para os bancos estatais, os quais então ficam possibilitados de emprestar a juros abaixo da SELIC para grandes empresas privadas.

Além de consumirem recursos públicos, aumentando o déficit fiscal (1), os recursos subsidiados geram aquilo que, em economia, chamamos de "seleção adversa": exatamente por cobrar juros tão baixos, os bancos estatais irão emprestar somente para as empresas que têm o melhor perfil de risco e a maior capacidade de honrar suas dívidas.  Consequentemente, os melhores tomadores serão todos capturados pelos bancos estatais, deixando as outras empresas — principalmente as pequenas e as médias, que têm risco maior — para o restante do sistema bancário. 

E dado que o sistema bancário ficará agora apenas "com as sobras", os juros cobrados para estes — que têm risco maior e histórico de crédito mais duvidoso — inevitavelmente serão maiores.

E qual é o volume deste crédito estatal subsidiado? Simplesmente metade de todo o crédito do país. No gráfico abaixo, a linha vermelha mostra a evolução do crédito livre, e a linha azul mostra a evolução do crédito direcionado, que é exatamente o crédito subsidiado.

credito.png

Ou seja, ao fornecer crédito farto e subsidiado para as grandes, os bancos estatais capturam as empresas com o melhor perfil de risco, deixando para os bancos privados todas as outras empresas de maior risco.  

Resumindo: os recursos subsidiados são demandados com voracidade por todas as empresas — e a concorrência geralmente é vencida por aquelas que dispõem de melhores cadastros e, principalmente, vínculos com políticos e burocratas. Assim, grandes empresas e conglomerados têm muito mais chance de obter empréstimos camaradas, por exemplo, junto ao BNDES do que as demais.

Com os grandes tomadores fora do mercado regular, porque abastecidos pela camaradagem estatal, a taxa média de risco será mais alta — e o risco, como é sabido, está entre os principais fatores de encarecimento da taxa de juros.

3. Depósitos compulsórios elevados

Segundo o próprio Banco Central

"Os recolhimentos compulsórios constituem-se em um instrumento à disposição do Banco Central para influenciar a quantidade de moeda na economia. Eles representam uma parcela dos depósitos captados pelos bancos que devem ser mantidos compulsoriamente "esterilizados" no Banco Central. A alíquota dos recolhimentos compulsórios é um dos determinantes do multiplicador monetário, ou seja, do quociente da oferta de moeda em relação à base monetária." 

Historicamente, a alíquota do compulsório no Brasil costuma ser muito mais alta que nos países desenvolvidos. Atualmente, as taxas atuais são de 25% para depósitos a vista (até recentemente eram de 40%; em 2014 chegou a 45%), 20% para depósitos em poupança e 34% para os depósitos a prazo.

Países como Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, Austrália, Suécia e Hong Kong não possuem compulsórios. Veja aqui a lista dos compulsórios nos principais países do mundo. O do Brasil é disparado o maior — devido ao nosso histórico de alta inflação, o compulsório tinha realmente de ser alto.

Novamente, a menor disponibilidade de recursos oferecidos aos tomadores fará subir o custo do dinheiro.

4. Crescente concentração do mercado bancário

Temos hoje apenas cinco bancos de varejo operando por aqui, sendo três deles privados (Bradesco, Itaú e Santander) e dois estatais (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), sendo que os dois estatais lideram em termos de ativos.

Cerca de 80% das operações de créditos estão concentradas em BB, CEF, Itaú e Bradesco.

O fato de haver apenas cinco bancos dominantes se dá pelo complexo emaranhado regulatório determinado pelo Banco Central para a operação de bancos comerciais no Brasil. Não é qualquer um que pode abrir um banco no Brasil, e não é qualquer banco estrangeiro que pode vir se estabelecer no Brasil.

Essa super regulamentação, combinada com taxas de compulsório elevadas, se por um lado garante um sistema menos arriscado para correntistas e investidores, por outro reduz sobremaneira a oferta de serviços e de dinheiro, prejudicando justamente aqueles que mais precisam de crédito.

O surgimento das fintechs — as quais a atual diretoria do BC meritoriamente decidiu não regular — pode começar a mudar (só um pouco) esta realidade.

5. Insegurança jurídica e dificuldade de recuperação de créditos

Finalmente, porém não menos importantes, estão a absurda insegurança jurídica e a enorme dificuldade de recuperação de dívidas no país.  

Um judiciário lento e cada vez mais disposto a beneficiar a parte menos poderosa ("hipossuficiente", no jargão jurídico) em processos judiciais torna qualquer execução de dívida um processo longo e cercado de incertezas.  

A consequência de o judiciário ser historicamente leniente com o devedor, novamente, reflete-se nas taxas praticadas pelos bancos.

A solução mais prática e viável — mas politicamente impopular — é permitir a alienação fiduciária (ou reintegração de posse) em todas as modalidades de empréstimos. Atualmente, ela existe para o financiamento de carros e para imóveis. E, não por coincidência, trata-se um mercado em que juros são dos mais baixos. 

(Nos EUA existe a profissão do Repo Man, que é o sujeito contratado para reaver os bens não pagos. Esse vídeo mostra um Repo Man em ação, recuperando um carro cujo empréstimo não foi pago).

Conclusão

As causas dos altos juros praticados no Brasil evidentemente não se esgotam aqui, mas as cinco apontadas acima são um bom resumo das mais importantes.

Portanto, se o senhor Steinbruch está realmente interessado em ver baixarem as taxas de juros por aqui, deve começar pedindo menos intervenção do estado — não mais.  

E, principalmente, deve se juntar aos liberais e libertários no esforço de tentar reduzir os gastos públicos, a fim de que o governo não tenha de financiar seus crescentes déficits tomando empréstimos e tirando recursos que, de outro modo, seriam direcionados ao mercado. Fica a dica.


35 votos

autor

João Luiz Mauad e Leandro Roque

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O GloboZero Hora e Gazeta do Povo.

Leandro Roque é economista, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


  • FABIO JULIO DA LUZ  24/04/2018 16:00
    Eu não entendi o número três, A escola austríaca não é a favor do aumento do compulsório e do fim do multiplicador monetário?
    Não entendo mais nada
  • Leandro  24/04/2018 16:18
    "Eu não entendi o número três"

    Vamos entender, então.

    "A escola austríaca não é a favor do aumento do compulsório e do fim do multiplicador monetário?"

    A Escola Austríaca? Ela não é a favor de nada. Ela é uma ciência sem juízo de valor. Ela não fala como as coisas devem ser. Ela apenas explica como as coisas funcionam.

    Sendo uma ciência sem juízo de valor, a EA não é nem a favor nem contra compulsórios ou multiplicador monetário. Ela apenas explica como eles funcionam e suas consequências.

    Quem faz juízo de valor é a filosofia libertária, e essa não tem nada a ver com a EA -- embora tenha a EA como norte.

    É a filosofia libertária quem é contra ou a favor de compulsórios.

    Ludwig von Mises defendia o free banking, isto é, a total desregulamentação estatal do setor bancário. Consequentemente, ele não defendia nenhum compulsório imposto pelo governo. Ele defendia o free banking porque ele não confiava no estado regulando o setor bancário, pois sabia que isso sempre desandaria em inflacionismo, protecionismo ao setor (risco moral) e crises econômicas e bancárias (e a história, como sempre, lhe provou certo).

    Já Murray Rothbard defendia a abolição das reservas fracionárias (o que implica um compulsório de 100% para os depósitos à vista) com bases em argumentos éticos (ou seja, recorrendo à filosofia libertária). Só que, sendo ele um anarcocapitalista, havia um pequeno paradoxo entre em defender compulsório de 100% e a abolição do estado. Para resolver isso, ele sugeria a criação de uma "liga anti-bancos", liderada por correntistas que auditariam seus bancos.

    É válido, mas um tanto implausível.

    Não há uma "posição austríaca" pró ou contra compulsórios. Há apenas uma "posição libertária". E esta é unânime apenas em rejeitar o estado, mas não há unanimidade quanto a compulsórios. Há libertários que dizem que o estado não tem de regular bancos (o que, por definição, implica a ausência de compulsório). E há libertários que defendem compulsório de 100% recorrendo à posição rothbardiana.

    Veja esta palestra de Fernando Ulrich, defendendo reservas fracionárias.



    "Não entendo mais nada"

    Espero que agora tenha melhorado.
  • Ninguem Apenas  24/04/2018 17:07
    Leandro,

    tudo o mais constante, um compulsório mais alto torna o sistema monetário mais sólido, não?

    Eu até então imaginava que estes países mais ricos não fixem o compulsório por um motivo de não ter necessidade, como eles são muito mais responsáveis em questão de emissão de moeda que o Brasil, usam o redesconto ao invés dos títulos e tem um setor bancário menos centralizado, torna desnecessário um alto compulsório (ou até fixar um), já que os bancos serão obrigados a serem sólidos de qualquer forma, pois não haverá resgate em caso de quebra e etc.

    Mas isso, segundo meu ver, torna o coeficiente de caixa dos bancos elevado mesmo sem fixação do compulsório.

    Para mim, nesse cenário os bancos iriam manter altas as reservas sem emprestar aos montes para não correrem risco.


    Raciocinei errado?
  • Trader  24/04/2018 17:30
    Eu não tenho posição formada sobre reservas fracionárias e compulsórios (do ponto de vista ético), mas é um fato empírico e teórico que compulsórios fazem com que os juros sejam mais altos do que seriam sem eles. Por definição.

    Se o banco tem $ 100 para emprestar para 100 pessoas, mas tem obrigatoriamente de deixar $ 40 parados no BC (os quais, aliás, rendem a SELIC), é óbvio que os $ 60 restantes serão emprestados a essas 100 pessoas a juros maiores. Questão básica de oferta e demanda.

    O fato de o Brasil ter o maior compulsório do mundo (uma necessidade para a implantação do real) e a maior taxa de juros do mundo não é algo totalmente descorrelacionado.

    Dito isso, como sou poupador e totalmente avesso ao consumismo, o fato de termos juros altos (causados ou não pelo compulsório) é ótimo para mim. Meus rendimentos estão indo muito bem.
  • Guilherme  24/04/2018 18:05
    O que é realmente único no Brasil é o fato de haver compulsório sobre depósitos a prazo e caderneta de poupança. Isso é exclusividade mundial.

    Nosso compulsório sobre depósitos à vista é grande, mas o fato de haver também em depósitos a prazo e em caderneta de poupança (e pior: há uma excrescência chamada de "exigibilidades adicionais" que incide adicionalmente sobre todos os depósitos) é uma pororoca só nossa.
  • Demolidor  24/04/2018 23:37
    Dito isso, como sou poupador e totalmente avesso ao consumismo, o fato de termos juros altos (causados ou não pelo compulsório) é ótimo para mim. Meus rendimentos estão indo muito bem.

    Podem ir bem em real. Mas o histórico da moeda é péssimo. Por isso, também, o juro precisa ser alto, senão investidor estrangeiro também não vem.

    De minha parte, enxergo o real como moeda exótica que só serve para especulações de curto prazo. Desculpe a franqueza.
  • João   25/04/2018 21:39
    O compulsório apenas diz que o banco deve manter parcela da carta de crédito emprestada como garantia de solvência da instituição.

    Reserva fracionária é um multiplicador de dinheiro!

    Gerador de inflação pois disponibiliza dinheiro sem lastro!

    É uma forma legalizada de impressão de dinheiro privada.

    Logo se o banco empresta possui 40 bi em caixa, ele simplesmente deixa os 40 bi no Banco Central empresta 100bi no mercado. Ou seja ele disponibiliza 60 bilhões de lugar nenhum, dinheiro sem lastro!!!

    O banco empresta um dinheiro que não possui, simples assim. Até um agiota é mais ético, pois ele empresta o seu dinheiro, a sua reserva. Ele não possui autonomia para gerar dinheiro do nada.

    Resumindo, 60% do dinheiro disponível na economia não tem lastro.

    Podem falar o que quiserem, que isto aumenta a oferta de crédito etc. Etc. Porém a verdade é uma só, ao retirar o lastro em ouro os bancos centrais tornaram uma imensa impressora de dinheiro e de inflação.

    Não se esqueça, inflação é o maior mecanismo de desapropriação de dinheiro da parcela da sociedade que ganha menos.
  • Leandro  24/04/2018 17:42
    "tudo o mais constante, um compulsório mais alto torna o sistema monetário mais sólido, não?"

    Correto.

    "Eu até então imaginava que estes países mais ricos não fixem o compulsório por um motivo de não ter necessidade, como eles são muito mais responsáveis em questão de emissão de moeda que o Brasil, usam o redesconto ao invés dos títulos e tem um setor bancário menos centralizado, torna desnecessário um alto compulsório (ou até fixar um), já que os bancos serão obrigados a serem sólidos de qualquer forma, pois não haverá resgate em caso de quebra e etc."

    Correto, exceto no caso americano. Lá, é o governo -- por meio da FDIC -- quem garante que irá socorrer o sistema bancário em caso de insolvência (aqui no Brasil é o FGC, que é uma instituição privada; na União Europeia, a partir de 2013 foi instituído o bail-in: se um banco quebrar, os depósitos dos correntistas viram patrimônio líquido do banco, o que faz com os correntistas virem acionistas/credores).

    O risco moral que isso cria nos EUA e afasta no Brasil e na Europa é considerável.

    "Mas isso, segundo meu ver, torna o coeficiente de caixa dos bancos elevado mesmo sem fixação do compulsório."

    Sim e não. Se os juros estiverem muito baixos, nem precisa manter grandes reservas. Basta recorrer ao interbancário ou mesmo ao redesconto para preencher as reservas. Ou então, no extremo, vender títulos para o Banco Central, que está ali exatamente para comprar estes títulos e garantir liquidez.

    "Para mim, nesse cenário os bancos iriam manter altas as reservas sem emprestar aos montes para não correrem risco."

    O raciocínio está correto, mas vale enfatizar que, em última instância, não são os bancos que definem o volume dos empréstimos, mas sim as pessoas e empresas. São elas que decidem se irão se endividar ou não, e em que volume.

    Os juros podem estar a 2% e o compulsório pode ser zero, mas se as pessoas e empresas não estiverem dispostas a se endividar (seja porque o país está em recessão, seja porque estão temerosas quanto ao futuro, seja porque já estão extremamente endividadas), não haverá expansão do crédito.

    Seja no Brasil ou em qualquer país do mundo, se o cenário for o acima descrito, ou ainda se os bancos simplesmente não estiverem confiantes em emprestar para as pessoas (temendo calotes), não haverá grande expansão do crédito.
  • Pedro Lopes  24/04/2018 18:42
    Não enxergo imoralidade em um sistema de reservas fracionárias. Suponhamos que uma determinada instituição emita sua própria moeda; o ato propriamente dito não pode ser considerado fraudulento, pois seria como dizer que o aumento da produção de uma mercadoria qualquer configura falsificação. Fraude seria se eu te vendesse um bloco de concreto amarelo afirmando ser ouro.

    Da mesma forma, imagine um país anarcocapitalista em um futuro onde todo o dinheiro está em forma de dígitos eletrônicos disponibilizados na forma de empréstimos por entidades privadas. Esses bancos e financeiras em geral teriam todo o direito de produzir seu dinheiro eletrônico.

    O estado se mostra criminoso nessa esfera - e em todas - por proibir a livre interação(mais uma vez) ao arrogar a si a função de ser o único emissor, nos fazendo reféns de toda a perda do poder de compra e dos ciclos econômicos.

    Através desse arranjo, as pessoas iriam naturalmente utilizar algumas poucas moedas(minha concepção) que teriam seu poder de compra constante. Nesse ambiente não há protetor de última instância e a concorrência é aberta.

    O Bitcoin não é inerentemente fraudulento por ter aumento de sua oferta, com limite de 21 milhões de unidades; o ouro não era inerentemente fraudulento por existir aumento das escavações; dígitos eletrônicos não são inerentemente fraudulentos por se tornarem mais ou menos abundantes.

    Agora, se por contrato o banco garantisse o direito do correntista de redimir sua nota em alguma commodity, e a instituição se mostrasse incapaz de respeitar a cláusula, o cliente teria todo direito de processar a empresa. Segue assim o raciocínio para outros exemplos quaisquer.
  • Skeptical  07/05/2018 21:11
    Mises não defendia um padrão ouro com 100% de reservas?
  • Caio  07/05/2018 22:20
    Não. Ele defendia free banking, com zero poder regulatório do estado sobre a atividade bancária.
  • Skeptic  10/05/2018 05:29
    Hum, sei não...
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=686
  • Davi  31/10/2018 19:38
    Leandro, ao assistir o vídeo do Fernando Ulrich, fiquei com dúvida num termo em economês. O que seria descasamento de prazos? Vou colocar exatamente no ponto, onde ele diz que o tal descasamento de prazos gera ciclos econômicos.

    youtu.be/Z01BAbIF9PI?t=903
  • Leandro  31/10/2018 20:03
    Quando o prazo de maturação do passivo é menor que o do ativo.

    Exemplo: o banco capta dinheiro via depósitos em conta-corrente, caderneta de poupança ou CDBs de alta liquidez (todos com baixo prazo de vencimento) e empresta esse dinheiro a longo prazo.

    Se houver demanda por saques, haverá um descasamento de prazos.
  • Davi  01/11/2018 01:56
    Mas essas aplicações bancárias (CDB, LCI, LCA, etc) na verdade não são ATIVOS financeiros?
  • Contador  01/11/2018 02:18
    São ativos para quem aplica nelas. Para o banco que as emitiu são um passivo.
  • Mídia Insana  24/04/2018 17:19
    Em um paradigma em que o estado não forçasse a população a usar a sua moeda, quem é inteligente instintivamente decidiria gastar a moeda ruim (diga, o franco francês antes do Euro) e poupar a moeda saudável (o marco alemão antes do Euro). A possibilidade de abandonar uma moeda ruim completamente faria com que o estado evitasse políticas econômicas heterodoxas, entre elas a redução do compulsório - que foi parte da Nova Matriz Econômica.

    Sendo assim, acredito que haveria uma tendência para que o compulsório fosse mais alto e a alavancagem fosse mais baixa. PORÉM,

    Não acredito que o compulsório e o sistema de reservas fracionárias seriam extintos completamente, dando inicio a um hipotético arranjo 1:1 de alavancagem e reservas. Isso porque o sistema de reservas fracionárias é uma forma de overbooking / overselling. É o que acontece nos aviões: uma parcela significativa dos passageiros compra passagem e não aparece, logo uma companhia de aviação vende passagens sobre assentos que não existem. Assim tornando seus aviões 10%, 20% maiores sem quaisquer custos, tornando seus preços potencialmente mais competitivos e evitando assentos vazios (um desperdício de recursos escassos). Uma firma de aviação que não pratica overbooking será menos competitiva. Se overbooking ocorre naturalmente em outros mercados, não há motivo para acreditar que não existiria em algum grau em um setor bancário livre.

    O overbooking também funciona da mesma forma para bancos, mas o chamamos de Sistema de Reservas Fracionárias. Um banco que empresta somente suas reservas teria juros menos competitivos do que um que se dispõe a emprestar mais do que elas. Algum grau de reservas fracionárias, assim como algum grau de overbooking, é economicamente sensato porque evita capital parado e assentos vazios. Mas sem um Banco Central para emprestar dinheiro barato em caso de corrida aos bancos, porém, o sistema bancário pensaria duas vezes antes de ser insensato com suas reservas. Pior: se os bancos em geral fossem imprudentes, os juros do interbancário seriam altíssimos, naturalmente recompensando os sensatos e normalizando a situação.

    Mas reservas fracionárias são éticas? Não sei.

    Rothbard diz que 'Não'. Se ele estiver certo, acredito que encontramos uma rara situação em que há desencontro entre o que é ético e o que gera mais utilidade. Ou talvez eu não faça a menor ideia do que estou falando.
  • Wozniak  24/04/2018 16:10
    Não ta fácil ser libertário no Brasil...

    Olha aí o livre mercado

    www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/04/23/interna_cidadesdf,675616/pm-encontra-materiais-para-producao-de-dindim-no-banheiro-da-rodoviari.shtml



    É por isso que eu digo...o problema do Brasil antes de tudo é MORAL.
    Não adianta colocar ou tirar governo,não adianta falar de economia, brigar por liberdade enquanto o povo tiver esse espírito de porco.
  • Breno  24/04/2018 16:30
    Ué, esses caras estavam fazendo exatamente aquilo que o Banco Central e o sistema bancário faz diariamente: criar dinheiro.

    Se é crime o que eles fizeram, então também tem de ser crime o que fazem BC e bancos.

    Essa notícia simplesmente mostra um exemplo prático de o estado utilizando a força para impor o seu monopólio. Apenas ele e seus compadres podem fazer isso. Ninguém mais pode.
  • FL  24/04/2018 16:38
    Caro Breno, pelo que eu entendi, o tal "dindim" é um doce, não é dinheiro (apesar do nível atual do jornalismo, seria estranho o jornal colocar esse termo na manchete)
  • Eduardo  24/04/2018 16:47
    É por isso que temos de abrir mais concursos públicos e contratar ainda mais burocratas para que estes agora fiscalizem a produção de dindin nos banheiros de rodoviárias. Óbvio!
  • Neto  24/04/2018 16:48
    As causas disso são bem conhecidas:

    1) dado que operar de maneira "correta" no Brasil é extremamente caro (você tem de lidar com um emaranhado de papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, além de todas as propinas exigidas por fiscais — os quais, se não receberem o arrego, não liberam a documentação), e

    2) dado que é proibido o sujeito operar em espaço aberto sem pagar todas as extorsões acima (pois ele pode ir para a cadeia),

    3) só resta ao sujeito ir fabricar as coisas no banheiro.

    É óbvio que não estou defendendo isso. Estou, isso sim, dizendo que apenas sair falando que o brasileiro é "espírito de porco" está longe de ser a explicação.
  • Unabomber  24/04/2018 17:25
    Qual o problema de se fazer dindin? Compra quem quer.
  • Demolidor  24/04/2018 23:35
    É por isso que eu digo...o problema do Brasil antes de tudo é MORAL.
    Não adianta colocar ou tirar governo,não adianta falar de economia, brigar por liberdade enquanto o povo tiver esse espírito de porco.


    Estão vendo, senhores, de onde vêm as justificativas para as normas esdrúxulas e taxação escorchantes que sofremos? Os sujeitos pegam alguns casos isolados, de gente que faz falcatrua, generalizam para o povo e usam como justificativa para nos impingir cada vez mais exigências. E é uma posição cômoda, pois se não der certo, o povo é que era ruim mesmo, não é?

    E o pior é que o caso escolhido foi justamente um onde a polícia agiu como deveria. Não só porque estavam contra a lei, mas porque estavam usando propriedade que não era deles, sem consentimento do proprietário (ainda que este seja o próprio estado) para produzir seus bens.

    Mas não tem problema, Wozniak. Eu consigo te demonstrar, também por fatos isolados, como ingleses, franceses, alemães e suecos podem ser bem safados:

    www.msn.com/en-gb/news/uknews/britains-most-notorious-criminals/ss-BBaIm3Y

    fashionista.com/2012/05/new-french-anti-counterfeit-campaign-reminds-tourists-that-knockoffs-could-get-you-three-years-in-jail

    www.drugwarfacts.org/region/germany

    www.bbc.com/news/world-asia-pacific-13356721

    www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/sweden/7733861/Fake-pilot-who-flew-for-13-years-without-licence-fined-1700.html

    www.nytimes.com/2007/03/15/world/europe/15iht-sweden.4917045.html


    Agora, aqui sim está uma boa generalização do brasileiro, e que diz muito sobre o tipo de estado e governo que temos em terras tupiniquins:

    www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-que-acontece-quando-um-brasileiro-decide-ir-morar-nos-eua-bo0rdh9fuawlhsj35l0jkuaq0

    O que não dá certo mesmo é tocar um país que tenha, entre a classe dirigente, gente que pensa que o país só tem safados e crianças que não sabem se cuidar.
  • Paul Kersey  25/04/2018 13:30
    O Demolidor demoliu. É exatamente isso. "Os sujeitos pegam alguns casos isolados, de gente que faz falcatrua, generalizam para o povo e usam como justificativa para nos impingir cada vez mais exigências."

    É igualzinho ocorre com controle de armas. Um sujeito com claros distúrbios mentais utiliza uma arma para fazer uma chacina. A solução? Tomar a arma de todas as pessoas que nunca usaram suas armas para matar ninguém e que não tiveram nada a ver com o ocorrido.

    Essa é a tática mais bem sucedida da esquerda: pegar um caso totalmente pontual e isolado, generalizá-lo e então dizer que ele prova que precisamos de mais legislações, burocracias e regulamentações (sendo que foram exatamente as legislações, burocracias e regulamentações que empurraram essas pessoas para essa atividade subterrânea).

    Inteligência e bom senso estão se tornando commodities cada vez mais raras.
  • Demolidor  26/04/2018 01:39
    Obrigado pelo elogio, Paul Kersey.

    O exemplo das armas é perfeito. Num país com 60 mil assassinatos por ano, muito disso derivado do próprio controle de armas legais, vem gente querendo proibir por causa de possíveis brigas de trânsito ou entre vizinhos.

    E antes que alguém venha dizer que a maioria dos crimes é cometido em brigas e por pessoas próximas, cabe lembrar que só 6% dos assassinatos no Brasil são esclarecidos. Com um índice desses, desconfio até se os dados dos crimes efetivamente apurados são realmente corretos:

    mundoestranho.abril.com.br/curiosidades/qual-a-porcentagem-de-crimes-solucionados-pela-policia-no-brasil/
  • FL  24/04/2018 16:18
    Mais um artigo com uma clareza absurda, para qualquer leigo no assunto (como eu) conseguir entender.
  • Leandro  24/04/2018 16:37
    Obrigado pelas palavras, caro FL. Esse sempre é o nosso esforço aqui no IMB. Grande abraço!
  • Yuri  24/04/2018 16:19
    Notei que a Taxa Preferencial Brasileira - que apura a taxa média das operações pactuadas entre instituições financeiras e seus clientes preferenciais (e que NÃO é crédito direcionado) - está em 11,25% ao ano. Isso é menos do que as financeiras estão pagando para captar dinheiro (11,75%).

    ibb.co/ibOTSH

    Bastante interessante.
  • Amante da Lógica  24/04/2018 16:24
    De minha lavra, acrescento estes dois fatores que, embora menores, creio também contribuírem:

    1) Sempre tivemos um histórico de inflação de preços alta.

    Em 2015, por exemplo, a inflação de preços foi de quase 11%. Isso significa que qualquer empréstimo hoje tem de cobrar pelo menos 11% ao ano, e isso só para manter o poder de compra. Em todos os anos anteriores (e em 2016), ficou acima de 6%. Desde 1999, ela raramente fica abaixo de 5,50%.

    2) Desvalorizações cambiais súbitas

    Além da inflação de preços, sempre tivemos históricos de súbitas desvalorizações cambiais, causadas por instabilidades políticas. Desvalorizações (além de gerarem carestia) representam, por definição, uma perda do poder de compra da moeda. Consequentemente, seu risco tem de estar embutido nos juros.

    Ou seja, além dos 11% de inflação de preços, há também as chances de o dólar ir para R$ 4,20.

    Isso tem de estar também embutido nas taxas de juros.
  • Leandro  24/04/2018 16:33
    Bons pontos, Amante da Lógica. Histórico de inflação e chances de desvalorização súbita realmente têm de ser levadas em conta por qualquer emprestador que se preze.
  • Vladimir  24/04/2018 16:36
    O vídeo do Repo Man foi engraçado haha. Mas sem chances daquilo acontecer aqui. O que haveria de justiceiro social reclamando e agitando contra simplesmente destruiria a reputação de qualquer banco. Como consequência, juros mais altos.
  • Pobre Paulista  24/04/2018 17:47
    Respondendo à um questionamento acima:

    "tudo o mais constante, um compulsório mais alto torna o sistema monetário mais sólido, não? "

    Não necessariamente. O torna apenas mais solvente. Mas mesmo um banco com 100% de reservas pode falir; aliás é mais provável que venha à falência, pois um banco nessas condições terá dificuldades de rentabilizar seu capital sob custódia e terá menos lucros que o banco que utilizar reservas fracionárias.

    Mas independente do compulsório ser de 0% ou 100%, a única obrigação ética dos bancos é deixar claro e transparente qual é o compulsório que ele utiliza (usando o termo mais correto, qual é a Razão de Alavancagem do Banco). Cabe apenas e exclusivamente aos clientes do banco decidir qual é o compulsório que acham mais adequado. E nada melhor que um modelo de free banking proposto por Mises para resolver essa questão.
  • Ninguem Apenas  24/04/2018 21:10
    _Mas mesmo um banco com 100% de reservas pode falir;_

    Bom, todo investimento humano está sujeito a queda, no mundo real não existe nada 100% garantido, nem mesmo estatais, porque governos também podem cair.

    _aliás é mais provável que venha à falência, pois um banco nessas condições terá dificuldades de rentabilizar seu capital sob custódia e terá menos lucros que o banco que utilizar reservas fracionárias. _

    Neste caso, no meu ver depende bastante, primeiro depende se estamos tratando de um sistema de livre-mercado ou um com existência de bancos centrais e cambio flutuante, vai depender também se o governo é instável ou não.

    Em um cenário de livre-mercado (que acredito que seja o qual se referiu), não vejo porque o banco nessa situação terá mais dificuldades em rentabilizar seu capital, a expansão do crédito nesse cenário ocorrerá sob a modalidade de depósito a prazo e a taxa de juros vigente será aquela que reflete a quantidade de crédito disponível para empréstimos (poupança real), se o banco falhar em se manter no mercado, será porque avaliou errado as condições vigentes e expectativas sob condições futuras, e isso para mim é igual independente de existir reservas fracionárias.

    _E nada melhor que um modelo de free banking proposto por Mises para resolver essa questão._

    Eu ainda não tenho uma posição clara a respeito desse assunto, mas pra mim, um sistema de reservas bancárias fracionárias será de fato mais eficiente em aumentar a riqueza real caso ele consiga permitir um crescimento econômico maior com o crédito disponível adicional comparativamente maior que a inflação de preços comparativa que este cenário tenderá a gerar.

    Em outras palavras, a quantia adicional de moeda vai estimular mais o crescimento econômico que o cenário de compulsório em 100% e ao mesmo tempo vai tender a mais inflação de preços. Enquanto o crescimento for maior que a inflação em termos comparativos será melhor, caso a inflação comparativamente for maior que o crescimento obtido, será pior.

    Até mesmo avaliar os juros nesse cenário é complicado, porque por mais que o cenário fracionado tenha mais crédito disponível, ele terá um risco real de solvência maior também.

    Que o Free Banking fracionado consegue obter o melhor cenário no curto prazo é inegável, se conseguirá no longo prazo, não faço a mínima ideia.

    Fiquei curioso sobre a opinião do Leandro agora kk


    Mas obrigado pela resposta!
  • Pobre Paulista  24/04/2018 23:32
    " se o banco falhar em se manter no mercado, será porque avaliou errado as condições vigentes e expectativas sob condições futuras, e isso para mim é igual independente de existir reservas fracionárias. "

    Não exatamente. O banco que pratica reservas fracionárias tem uma capacidade de lucrar muito maior que o que não pratica, sob as mesmas condições.

    Pense que cada um tem $100 depositados. O banco que não pratica RF, precisa usar o próprio dinheiro para gerar empréstimos, enquanto o que pratica RF pode também usar o próprio dinheiro e mais o dinheiro dos correntistas que está depositado.

    Penso que num cenário de free banking, haveriam mais bancos especializados em investimentos (praticando RF) e outros mais focados em meios de pagamento (mantendo 100 de depósitos, pré-requisito para liquidar todas as operações). Mas não tem como saber.
  • William  24/04/2018 17:58
    Querem um número realmente assustador? Aqui vai:

    1) O governo federal, como mostrado, absorve R$ 1,1 trilhão no mercado de crédito;

    2) Já as três esferas de governo (federal, estaduais e municipais) confiscam R$ 2,170 trilhões em impostos.

    3) Isso dá R$ 3,270 trilhões absorvidos pela máquina pública.

    O equivalente a nada menos que 52% do PIB!

    Ou seja, o estado literalmente suga mais da metade da economia.

    Entenderam agora os motivos do nosso atraso? Não há a mínima chance de um país ainda em desenvolvimento enriquecer e prosperar sob esse atual arranjo.
  • Luiz Moran  24/04/2018 18:37
    Os 05 verdadeiros motivos são:

    1) Modelo econômico brasileiro = fascismo
    2) 70 mil homicídios por ano = 11% do total de homicídios ocorridos anualmente no mundo
    3) 17 mil sindicatos = superior a soma de todos os sindicatos existentes nos demais países do mundo
    4) Constituição Federal Brasileira = a mais socialista/comunista da galáxia, uma verdadeiro labirinto jurídico
    5) Setor bancário = oligopólio público-privado.
  • Salim  24/04/2018 18:48
    Os juros no Brasil estão ótimos, nem se atrevam a sugerir medidas para baixá-los, impedir os outros de ganhar dinheiro é socialismo.
  • Pobre Paulista  24/04/2018 19:55
    Ei psiu

    Compre títulos pré-fixados e depois lute pela queda dos juros.

    Vc vai pagar de "politicamente correto" e ainda vai ganhar um dinheirão ;-)
  • Unabomber  24/04/2018 20:15
    Eu acho melhor pós-fixado. Nunca sabemos o potencial da inflação brasileira.
  • Salim  24/04/2018 20:24
    Títulos pagam ninharias, faço empréstimos livres com garantias, que me livre Yahweh de os juros bancários brasileiro baixarem e meus clientes gentios poderem acessar dinheiro fácil e mais barato, as leis econômicas deste país são o maná caindo do céu.
  • anônimo  24/04/2018 23:28
    Leandro, o senhor está equivocado quando diz:

    "Murray Rothbard defendia a abolição das reservas fracionárias (o que implica um compulsório de 100% para os depósitos à vista) com bases em argumentos éticos (ou seja, recorrendo à filosofia libertária). Só que, sendo ele um anarcocapitalista, havia um pequeno paradoxo entre em defender compulsório de 100% e a abolição do estado. Para resolver isso, ele sugeria a criação de uma 'liga anti-bancos', liderada por correntistas que auditariam seus bancos."

    De acordo com o artigo "O sistema bancário de reservas fracionárias", Murray Rothbard opõem-se as reservas fracionárias quando há fraude envolvida, veja:

    "os bancos comerciais são, na verdade, 'bancos de depósito' que se baseiam em uma fraude colossal: a ideia, na qual a maioria dos depositantes acredita, de que seu dinheiro está de fato no banco, pronto para ser resgatado a qualquer momento."

    Sendo assim, podemos concluir que Murray Rothbard é contra o crime (fraude), e não contra reservas fracionárias per se.

    "paradoxo"

    Murray Rothbard economicamente defende um compulsório de 100% para haver mais estabilidade de preços, e eticamente defende a propriedade privada (abolição do Estado).

    "liga-anti-bancos"

    Correntistas são agentes estatais? Não.

    É...parece que esse seu "paradoxo" que você inventou...não colou.
  • Vladimir  25/04/2018 00:48
    Caro anônimo, pelo visto, você não só é amplamente ignorante em relação às obras de Rothbard, como ainda tem sérios problemas com a lógica.

    No mundo real, não há isso de "reservas fracionárias com fraude" e "reservas fracionárias sem fraude".

    Ou há reservas fracionárias ou não há.

    Rothbard se opunha às reservas fracionárias por dois motivos: além de as ver como causadoras de ciclos econômicos (como deixou claro em seu livro The Panic of 1907), as considerava imorais.

    Logo, a oposição dele não era apenas em termos éticos (embora estes fossem mais fortes), mas sim também em termos econômicos.

    Inclusive, em seu livro The Case Against The Fed, ele chega ao ponto de dizer que até mesmo um sistema bancário de reservas fracionárias operando sob total consentimento dos correntistas também era imoral e deveria ser proibido.

    E por dois motivos: fraude não deixa de ser fraude só porque os envolvidos consentem com o ato, e porque os não envolvidos (o resto da população) é prejudicada pela inflação decorrente. Se um banco prática reservas fracionárias, isso dilui o poder de compra de todas as outras pessoas.

    Em suma, você está bem desinformado sobre as ideias de Rothbard (com as quais eu concordo totalmente)

    Leia The Mistery of Banking, America's Great Depression, e, acima de tudo, The Case Against the Fed, três libelos contra as reservas fracionários

    wiki.mises.org/wiki/Fractional_reserve_banking
  • Edson  25/04/2018 01:10
    Sim, era um paradoxo total. Sobre essa posição do Rothbard, o Gary North tem um artigo inteiro sobre ela.

    Rothbard vs. Mises on Fractional Reserve Banking


    Trechos:

    Rothbard never wrote a chapter on how 100% reserve banking could exist in theory in a stateless world. [...]

    Rothbard never provided even a paragraph to explain how 100% reserve banking can exist in a society that does not have a state. In the one sentence in which he affirmed the ability of general law and the tort system to uphold high reserves, though not necessarily 100% reserves, he appealed to the authority of Mises, who in turn appealed to the legitimacy of state coercion to enforce contracts.[...]

    Anyone who argues that Rothbard's system of 100% reserve banking could be achieved without the state has an intellectual obligation to show who is going to enforce the common law judges' decisions regarding specific contracts. He has to show that this enforcement system will lead to 100% reserve banking. Mises believed that free banking cannot be assumed to lead to such a system, although he did believe that free banking would approach 100% reserves.
  • Pobre Paulista  25/04/2018 11:59
    "fraude não deixa de ser fraude só porque os envolvidos consentem com o ato, e porque os não envolvidos (o resto da população) é prejudicada pela inflação decorrente. Se um banco prática reservas fracionárias, isso dilui o poder de compra de todas as outras pessoas."

    Rothbard era contra a garimpagem de ouro também? Isso também dilui o poder de compra de quem não garimpa.
  • Murray  25/04/2018 12:44
    Não porque garimpar ouro é uma atividade genuinamente econômica e produtiva. Você tem de utilizar fatores de produção, cujo preço irá variar de acordo com a demanda por ouro. Você tem de contratar mão de obra e pagar por ela.

    Se o outro estiver abundante, os custos de se extraí-lo serão maiores do que o benefício por ele trazido, o que irá interromper a extração. Inversamente, se o ouro estiver escasso, os custos de se extraí-lo serão menores que o benefício por ele trazido, aumentando sua extração. Assim, a oferta de ouro sempre estará equilibrada.

    Já imprimir papel-moeda ou criar dígitos eletrônicos do nada é uma atividade de custo zero, totalmente deslocada da demanda por estes. Sendo assim, a tendência sempre será da destruição do poder de compra desta (como, aliás, ocorre diariamente no mundo).

    Economia básica.
  • Pobre Paulista  25/04/2018 12:57
    Pffff... Então ok:

    "Expandir o crédito é uma atividade genuinamente econômica e produtiva. Você tem de utilizar fatores de produção, cujo preço irá variar de acordo com a demanda por crédito. Você tem de contratar mão de obra e pagar por ela.

    Se crédito abundante, os custos de expandi-lo serão maiores do que o benefício por ele trazido, o que irá interromper a expansão. Inversamente, se o crédito estiver escasso, os custos de se expandi-lo serão menores que o benefício por ele trazido, aumentando sua expansão. Assim, a oferta de crédito sempre estará equilibrada.

    Economia básica.
    "

    Agora... o que diabos tem a ver reserva fracionária com impressão de papel-moeda? A impressão de papel moeda e os déficits públicos sem dúvida destroem o poder de compra da moeda. Mas a alavancagem bancária gera ao mesmo tempo um ativo e um passivo, que deve ser pago, então toda expansão creditícia vem com uma obrigação ao receptor desse crédito.

    O problema em si não é a reserva fracionária, e sim a manipulação das taxas de juros, que gera direcionamento de recursos para investimentos não produtivos e pune os poupadores genuínos, distorcendo por completo o mercado de crédito.

  • Murray  25/04/2018 13:25
    Você não pode estar sério. Criar dígitos eletrônicos (que é o que significa expandir o crédito no sistema bancário de reservas fracionárias) não tem nada de "atividade genuinamente econômica e produtiva".

    Criar dígitos eletrônicos numa conta bancária não requer "utilizar fatores de produção, cujo preço irá variar de acordo com a demanda por crédito". Tampouco requer "contratar mão de obra e pagar por ela" (algo facilmente comprovável ao vermos que o número de bancários só faz cair).

    A única coisa necessária para se expandir o crédito é apertar um botão no computador, algo um tantinho diferente de contratar maquinário pesado e mão de obra para escavar ouro do chão.
  • Felipe Lange  25/04/2018 13:34
    Leandro, tenho um artigo sobre carros e sua relação com o estado, para qual e-mail posso mandar? O que precisa para o artigo ser aprovado e publicado no Instituto?

    Agora, aproveitando, como você explicaria o dólar estar ainda bem caro apesar do IPCA brasileiro estar em baixas históricas?
  • Leandro  25/04/2018 14:20
    Na verdade, não está caro, como demonstrado neste artigo. Pela metodologia ali apresentada, o câmbio de hoje tem de estar em torno de R$ 3,45.

    E sempre lembrando que o dólar chegou a bater em R$ 4,24 em janeiro de 2016.

    Quanto ao seu texto, mande para leandro@mises.org.br . Dali ele irá para um comitê editorial que irá aprová-lo ou vetá-lo. Além de estar bem escrito, o texto não pode defender coerção nem agressão a inocentes.

    Abraços.
  • Felipe Lange  25/04/2018 21:40
    É verdade, eu me esqueci desse artigo, apesar de ter me deixado um pouco confuso.

    Ok, irei revisar o texto e mando. Vou te cobrar depois viu!

    Outro abraço pra você também!

  • Richard Gladstone de Jouvenel  25/04/2018 20:24
    Mais um brilhante artigo do Leandro,numa parceria extremamente bem vinda com o João Luiz.

    Excepcional...meus parabéns !!!

    Outro dia conversando com um amigo que está a caminho de ser um craque como você,estávamos elencando os motivos dos juros serem tão altos no Brasil...chegamos a quatro dos descritos no artigo, e aprendemos no artigo o que não sabíamos.

    Aqui no IMB eu não canso de aprender!
  • Paulo Henrique  26/04/2018 15:51
    Acho que não entendi bem o conceito de ciclos econômicos. Sempre entendi ele como uma consequência de você aumentar de forma acelerada a quantidade de dinheiro na economia, e graças a não-neutralidade da moeda , alguns setores são ''beneficiados'' primeiro.

    Se em um sistema de livre mercado reservas fracionárias podem ser usadas , então você tem uma expansão de crédito/monetária no sistema, limitada pela ausência de um banco central, mas ainda é uma expansão . Gerando um potencial para ciclos econômicos .

    Sabemos que o dinheiro, mesmo quando é o Ouro, sempre se expande a uma taxa um tanto previsível, sobre reservas fracionárias eu não vejo como esse comportamento não provocaria ciclos econômicos;

  • Francisco  26/04/2018 16:21
    Mas é isso aí mesmo. Você explicou direitinho.

    Aqui o conceito aplicado na prática no Brasil:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2852
  • Paulo Henrique  26/04/2018 20:01
    Ok. Só que ao meu ver é necessário regulamentação para evitar que essas reservas sejam abusadas. Por exemplo, antes do surgimento de um banco central nos EUA, você já tinha crises provocadas por esse sistema
  • Emerson Luis  09/05/2018 10:57

    Como o brasileiro pode ser poupador se 50% do que o empregador gasta com o salário dele vai para o governo e todo produto que ele compra é 50% mais caro por causa dos impostos?

    Não é impossível, mas é extremamente dificultado.

    * * *
  • Político  09/05/2018 13:49
    Prezado Emerson, o arranjo político democraticamente escolhido e lavrado pela CF1988 diz que o Estado proverá diversos serviços públicos à população, consequência disso, os impostos são altos. Com intensa participação política até vejo alguma demanda por baixar os impostos por parte do eleitorado, porém garanto que não vi ainda nenhuma demanda pela diminuição de serviços públicos. A lógica econômica não está em vigor no Brasil.
    Os impostos no Brasil seguirão altos, é uma escolha da maioria da população:

    www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/5538054/brasil-sempre-tera-uma-carga-tributaria-alta-porque-sociedade-escolheu
  • Leandro  09/05/2018 14:13
    "Com intensa participação política até vejo alguma demanda por baixar os impostos por parte do eleitorado, porém garanto que não vi ainda nenhuma demanda pela diminuição de serviços públicos."

    Correto.

    O governo federal brasileiro gasta muito porque seus eleitores assim desejaram.

    Foi o povo, por meio do seu voto, quem pediu um estado cuidando de escolas, universidades, saúde, esportes, cultura, filmes nacionais, petróleo, estradas, portos, aeroportos, Correios, eletricidade, aposentadorias, pensões, e subsídios para pequenos agricultores e para megaempresários.

    Acima de tudo, foi o povo quem pediu um estado ofertando amplos programas assistencialistas e uma crescente oferta de empregos públicos pagando altos salários.

    Tal arranjo demandado pelo povo nada mais é do que a social-democracia em sua essência: um estado de bem-estar social no qual o governo provê a todos por meio de altos gastos sociais e ainda fornece vários serviços "gratuitos".

    "A lógica econômica não está em vigor no Brasil."

    Muito pelo contrário. Está em total vigor (e nem poderia ser diferente). Por isso mesmo estamos onde estamos.

    Repare: a social-democracia é um arranjo que só consegue ter longa duração em países ricos, cuja população é extremamente produtiva e possui alta renda per capita, de modo que ela consegue suportar a alta carga tributária necessária para bancar o estado de bem-estar social.

    Em países pobres, de população pouco produtiva e de baixa renda per capita, tal arranjo se torna inexequível. Motivo: para gastar muito, o governo inicialmente terá de tributar. Mas como a população é pouco produtiva e de baixa renda per capita, o tamanho desta tributação terá um limite natural. Sendo a tributação insuficiente, o governo terá de se endividar, pegando emprestados centenas de bilhões para poder efetuar todos esses gastos. E ele só conseguirá pegar emprestados todos esses bilhões se pagar caro por isso.

    E as consequências econômicas serão exatamente essas que estamos vivenciando.

    Portanto, se um país ainda pobre quiser viver como uma social-democracia escandinava, o preço será alto.

    Com o tempo, a conta tornar-se-á insuportável.

    Se uma população que ainda é pobre e pouco produtiva quer ter um governo federal que cuide de absolutamente tudo — de universidades a filmes nacionais, de saúde a cultura, de educação a petróleo, de estradas, portos e aeroportos a Correios, de eletricidade a aposentadorias e pensões, de subsídios para pequenos agricultores a megaempresários — e que ainda forneça concursos públicos a rodo para cargos que pagam salários nababescos na burocracia estatal, então os gastos deste governo serão altos e não poderão ser integralmente cobertos por impostos.

    Consequentemente, terá de haver um endividamento maciço e contínuo do governo. E, para conseguir pegar emprestado todo esse dinheiro e para conseguir rolar sua dívida, ele terá de oferecer juros altos e atraentes. Esses juros altos — necessários para bancar os gastos de uma social-democracia em um país pobre — afetarão todo o crescimento econômico.

    Prolongar este arranjo é uma escolha ignara.

    Mas, como você bem disse, foi o povo que pediu. Que ele então arque com as escolhas.

    Confira todos os detalhes aqui:

    A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas
  • Emerson Luis  20/05/2018 22:35

    No caso do Brasil, população e legisladores confundiram causa e efeito: pensaram que os países europeus são ricos porque instituíram o Estado de Bem-Estar Social, quando na verdade eles puderam instituir o Welfare State porque são ricos.

    E não por muito tempo: a Suécia, por exemplo, está em vias de se tornar um país pobre.

    * * *
  • Paulo de Tarso  06/06/2018 23:11
    Ótimo artigo!

    Leandro, não entendi o item 1. Concordo que há um aumento excessivo dos gastos públicos no Brasil mas não entendi como isso afeta a taxa de juros.

    Primeira dúvida. O governo federal é emissor de moeda. Por que uma entidade que emite sua própria moeda precisa financiar suas despesas? Não faz sentido num sistema de moeda fiat.
    O governo federal ao efetuar despesas cria dinheiro. E destrói dinheiro ao recolher impostos. Se o governo, num dado período, gasta mais do que arrecada dizemos que há um défice. Ou seja, o governo cria mais dinheiro do que destrói. O que é um défice para o governo é um superávit de mesmo valor para o setor privado, mais precisamente empresas e domicílios. A soma dos défices corresponde à "dívida" pública interna, que nada mais é do que poupança do setor privado.

    Há uma exigência operacional de emissão de títulos do Tesouro em volume idêntico ao tamanho do défice, mas estes recursos da venda de títulos não financiam os gastos. A rigor, não há haveria uma necessidade de emitir estes títulos para financiar gastos. Os títulos do Tesouro têm outras funções.

    Outra dúvida. Se os bancos criam depósitos ao concederem empréstimos, não entendo a afirmação de que o governo se apropria de dinheiro que poderia ser emprestado para empresas ou domicílios. Quando o governo emite títulos, o comprador está simplesmente trocando dinheiro que não rende juros por um título do Tesouro, que rende juros. Na prática, é como se ele transferisse dinheiro da conta corrente para uma conta de poupança. Este dinheiro é poupança do setor privado e também de algumas entidades do setor público, como fundos de pensão, e investidores estrangeiros.

    Se os bancos criam dinheiro ao concederem crédito, não estou vendo como a venda de títulos públicos afeta o crédito de forma significativa. A não ser a parcela de credito das financeiras. Mas mesmo neste caso das financeiras, o patamar de taxa de juros é distinto. O comprador de títulos públicos está buscando um ativo de baixo risco e, portanto, aceita uma taxa menor.

    Também não entendi a afirmação de que o governo pega emprestado mais dinheiro para refinanciar sua dívida. Na prática, no vencimento dos títulos do Tesouro ocorre uma troca. Não há recursos adicionais envolvidos.

    Obrigado.


  • Substituto  07/06/2018 03:08
    "O governo federal é emissor de moeda. Por que uma entidade que emite sua própria moeda precisa financiar suas despesas?"

    Você está de zoeira, né?

    Existe um país que emite moeda para financiar todos os seus gastos? A Venezuela. Já deu uma olhadinha na inflação lá?

    O Brasil, até a criação do real, também imprimia dinheiro para financiar seus gastos. A inflação de preços chegou a módicos 80% ao mês.

    "O governo federal ao efetuar despesas cria dinheiro. E destrói dinheiro ao recolher impostos."

    Não, cidadão, não tem nada disso. O governo tributa e gasta. O dinheiro que ele recolheu via impostos é imediatamente gasto para pagar funcionários públicos e demais despesas do governo. Não existe isso de "imposto destrói dinheiro".

    E quando o valor recolhido via impostos não é suficiente para cobrir todos os gastos, o governo emite títulos e se endivida. Esse processo de endividamento do governo pode criar moeda. Mas também pode não criar. Vai depender de quem vai comprar esses títulos. Veja todos os detalhes neste artigo.

    "Se o governo, num dado período, gasta mais do que arrecada dizemos que há um défice. Ou seja, o governo cria mais dinheiro do que destrói."

    Não, cidadão, o governo federal não destrói dinheiro. Ele não tem esse poder. A única entidade que consegue destruir dinheiro é o Banco Central, e ainda assim apenas as reservas bancárias. Nada a ver com impostos.

    "Há uma exigência operacional de emissão de títulos do Tesouro em volume idêntico ao tamanho do défice, mas estes recursos da venda de títulos não financiam os gastos. A rigor, não há haveria uma necessidade de emitir estes títulos para financiar gastos. Os títulos do Tesouro têm outras funções."

    É mesmo? Quer dizer então que o Tesouro emite títulos com outras funções que não financiar seus gastos? Interessante. E quais seriam essas outras funções? Por favor, mande um link do site do Tesouro em que ele afirma isso. Emitimos títulos para várias funções, exceto para financiar nossos gastos. Estes são financiados via mágica.

    "Se os bancos criam depósitos ao concederem empréstimos, não entendo a afirmação de que o governo se apropria de dinheiro que poderia ser emprestado para empresas ou domicílios."

    O Itaú cria dinheiro e empresta para João. João gasta esse dinheiro e ele cai na conta de José. Mas José é correntista do Itaú. Ato contínuo, o Itaú cobra do Bradesco o envio desse dinheiro. O Bradesco tem então de repassar dinheiro que está em suas reservas bancárias para o Itaú.

    Com menos dinheiro em suas reservas, o Bradesco está agora fora das regras de compulsório estipuladas pelo Banco Central. Ato contínuo, o Bradesco tem de voltar suas reservas ao valor de antes. E ele faz isso vendendo ativos ou pegando emprestado no interbancário.

    No final, o dinheiro que o Bradesco criou e emprestou terá de ser buscado em outro lugar.

    Saldo final: a oferta monetária aumentou, mas o Bradesco teve de buscar dinheiro de alguém para cobrir o buraco em suas reservas bancárias. Esse dinheiro poderia ter sido emprestado para alguém, e não mais o será.

    Agora, na estorinha acima, troque "João" por "Governo".

    "Quando o governo emite títulos, o comprador está simplesmente trocando dinheiro que não rende juros por um título do Tesouro, que rende juros. Na prática, é como se ele transferisse dinheiro da conta corrente para uma conta de poupança. Este dinheiro é poupança do setor privado e também de algumas entidades do setor público, como fundos de pensão, e investidores estrangeiros."

    E aí, agora, você próprio acabou de dar um exemplo que responde à sua dúvida anterior: dinheiro que poderia ser emprestado para investimentos produtos foi direcionado ao governo para financiar seus gastos correntes.

    "Também não entendi a afirmação de que o governo pega emprestado mais dinheiro para refinanciar sua dívida. Na prática, no vencimento dos títulos do Tesouro ocorre uma troca. Não há recursos adicionais envolvidos."

    Errado.

    Se você tem um título do Tesouro que irá vencer em 01/01/2019, o Tesouro não irá simplesmente trocar seus títulos. Ele irá lhe pagar em dinheiro. Você verá o dinheiro caindo na sua conta em sua corretora. No entanto, caso o governo não tenha esse dinheiro, ele terá de emitir outro título para arrecadar esse dinheiro e repassá-lo a você.

    Essa operação se chama refinanciamento: o governo tem de buscar financiamento para conseguir bancar sua dívida que está vencendo.

    Observe que o saldo final da dívida está inalterado: o governo pagou $1.000 para você (dívida caiu), mas teve de se endividar (dívida subiu) para conseguir esses $1.000. Isso é refinanciamento. A dívida não se altera.

    Por outro lado, caso o governo tivesse esses $1.000 em caixa e não precisasse se endividar, aí não seria refinanciamento e sim amortização.

    Importante entender as diferenças.

    "Obrigado."

    De nada.
  • Gustavo  21/09/2018 20:58
    Ótimo texto!

    Quais seriam os resultados da aplicação da política proposta pela campanha do PT de limitar na canetada os juros cobrados pelos bancos no Brasil?
  • Ulysses  21/09/2018 22:03
    Estas. Exatamente estas:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466
  • Gustavo  24/09/2018 14:16
    Sim, eu havia lido esse artigo. Entretanto o que eu entendi da proposta do Hadad é limitar os juros que os bancos vão poder cobrar, não com injeção de dinheiro na economia, mas limitando a taxa a um valor x, obrigando a diminuir os lucros desses bancos nos juros livres que são cobradas taxas muito altas (cartões de crédito, empréstimos ao correntista, etc). Seria basicamente um controle de preços ao invés de estimular a concorrência.

    Nesse caso, quais seriam os possíveis reflexos? Esses bancos parariam de oferecer crédito? Se essas taxas de juros cobradas estão acima do mercado devido ao cartel promovido por esses bancos, essa redução na canetada não acabaria servindo ao propósito?
  • Magno  24/09/2018 14:47
    Se você quiser prever qual será a consequência de uma medida econômica, simplesmente coloque-se no lugar da pessoa afetada/premiada.

    Se você está no ramo de emprestar dinheiro, e o governo vem e estabelece um limite para o preço do seu dinheiro,

    1) sua oferta de empréstimos vai aumentar ou diminuir?

    2) Sua vontade de emprestar dinheiro para as pessoas em geral vai aumentar ou diminuir?

    3) As pessoas para quem você vai emprestar esse dinheiro (agora a preços tabelados), elas serão as de melhor histórico de crédito ou de pior histórico de crédito?

    4) Você vai emprestar para os mais ricos (que têm menos chances de calotear) ou para os mais pobres (que têm mais chances de calotear)?

    5) Controle de preços aumenta ou diminui a oferta de algo?
  • Gustavo  25/09/2018 13:58
    Sim, mas mesmo se os juros cobrados pelos bancos hoje forem mais altos que os juros de mercado, estimulados pela pouca concorrência e o cartel dos grandes bancos? Da a impressão que até um certo ponto ainda seria viável a esses bancos manterem os empréstimos e apenas achataria os "lucros exagerados" que se dão devido à essa falta de concorrência.

    Eu entendo que essa não é a alternativa ideal, estou fazendo papel de advogado do diabo aqui para tentar entender melhor os motivos porque essas medidas não dariam certo.

  • Magno  25/09/2018 14:23
    Se estou entendendo bem, você está dizendo que um controle de preços acabaria por levar os preços aos seus "patamares corretos", dado que os atuais estariam errados?

    Seria a primeira vez na história que isso aconteceria.

    Mas, se você acredita nessa hipótese, pague para ver. Compre calls de Banco do Brasil.
  • Gustavo  25/09/2018 21:42
    Na verdade eu não tenho intenção de investir, ou de entender de forma empírica como funcionaria. A minha intenção aqui é apenas entender a teoria de porque esse controle de preços proposto não daria certo...
  • Marcelo  06/10/2018 11:43
    Gustavo,

    Para entender basta vc ver o crédito como um produto qualquer, que é regido pela lei oferta-demanda, onde um controle de preço vai interferir nos resultados de quem vai ofertá-lo ao mercado.

    Lembre-se também que pagar "juros exagerados" é uma decisão livre do tomador de empréstimos. O banco não obriga ninguém a se endividar.

    O fator que regularia esta demanda por crédito é a poupança.

    O IMB tem vários artigos que podem te ajudar a entender claramente estes conceitos.

    Abraço.

  • Marcelo  06/10/2018 11:51
    Ontem mesmo conversando com um amigo que se diz "liberal" fiquei surpreso com a sua afirmação de que os juros deveriam ser regulados pelo governo.

    Expliquei para ele que boa parte dos altos juros (livres) no Brasil se deve ao alto endividamento do governo, mesmo assim não adiantou.

    Cheguei a conclusão de como é difícil nos livramos das amarras do paternalismo dominante nos últimos 16 anos de governo de esquerda. E como algumas pessoas buscam um liberalismo soft: Não, espera aí, neste caso X o governo deve regular, bla, bla, bla.
  • Smith  24/09/2018 03:46
    De fato o nosso compulsório segue um dos maiores do planeta. Mas reduzi-lo a 0 na canetada não geraria inflação?


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.