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“Justiça social” é apenas um cheque em branco para o poder estatal
E, caso implantada, suas consequências seriam desastrosas

Se você perguntar a dez progressistas o que significa justiça social, você terá dez respostas diferentes. E é assim porque "justiça social" significa qualquer coisa que seus proponentes queiram que signifique. 

O "social" é um adjetivo mustelídeo, que confere ao termo "justiça" ampla diversificação de significados.

Quase que sem exceção, sindicatos, universidades, movimentos organizados, instituições de caridade e igrejas clamam que pelo menos uma parte da sua missão é o aprofundamento da 'justiça social'. A própria ONU criou o Dia Mundial da Justiça Social.

Sucintamente, "justiça social" é um código que designa coisas boas em prol das quais ninguém precisa argumentar — e ninguém ousaria ser contra.

Isso incomodou imensamente o grande economista Friedrich Hayek. Eis o que ele escreveu ainda em 1976, dois anos após ganhar o Prêmio Nobel de Economia:

'Justiça social' é uma das expressões mais enganosas (e talvez por isso mesmo mais frequentemente usada) do discurso político contemporâneo. Com efeito, trata-se de uma miragem, uma fórmula ilusória que, por conter atrativos quiméricos, é constantemente utilizada pelos políticos para conseguir que uma determinada pretensão seja considerada plenamente justificada sem ter de dar razões morais para sua adoção.

Passei a acreditar que o maior serviço que ainda posso prestar aos meus semelhantes é o de fazer com que oradores, políticos, escritores, jornalistas e todos os pensadores responsáveis venham a sentir, para sempre, total vergonha de empregar a expressão 'justiça social'.

Por que Hayek se sentiu tão incomodado por uma expressão que possui uma conotação tão positiva e tão incontestável? Porque ele conseguiu enxergar, como frequentemente o fazia, perfeitamente o cerne da questão. E o que ele viu o assustou.

Hayek entendeu que por trás do oportunismo político e da preguiça intelectual do termo "justiça social" há uma perniciosa alegação filosófica: a de que a liberdade deve ser sacrificada em prol da redistribuição de renda.

Em última instância, "justiça social" se resume ao estado acumular poderes cada vez maiores com o intuito de "fazer coisas boas". E o que seriam essas "coisas boas"? Tudo aquilo que os defensores da justiça social decidirem esta semana. 

Mas, em última instância, sempre está a causa da redistribuição de renda. 

Por isso, em termos gerais, pode-se dizer que, para os progressistas, justiça social seria um sinônimo de "igualdade econômica". Progressistas tendem a se ver como guerreiros em prol das igualdades raciais, de gênero e econômica. A igualdade econômica é exatamente aquilo que passou a ser rotulado "justiça social".

Começam as contradições

Mas seria realmente a igualdade econômica sinônimo de justiça social?

Para começar, o ato de impor a igualdade é uma medida, por definição, totalmente contraditória. Afinal, se todos são iguais, então quem terá o poder de impingir a igualdade? E esses que usufruírem o poder de impor e manter essa igualdade, como poderão ainda ser considerados iguais a todo o resto? A imposição de uma igualdade requer uma desigualdade ainda maior.

Com efeito, quão realmente importante é a igualdade econômica? Por exemplo, quem está em melhor situação: uma criança de família rica nascida com severas deficiências mentais ou físicas, ou uma criança saudável filha de pais pobres? Como essa "injustiça cósmica" pode ser resolvida por meio da igualdade econômica?

É possível criar uma infinidade de perguntas que mostram as inevitáveis contradições lógicas geradas ao se definir justiça social como sinônimo de igualdade econômica.

Mas piora.

A busca por justiça social, por definição, equivale a beneficiar um determinado segmento da população e a desconsiderar os interesses de todos os outros indivíduos que não se encaixam neste grupo, mas que ainda assim serão obrigados a arcar com preço das decisões tomadas. Tal procedimento necessariamente envolve tratar as pessoas de maneira desigual.

Por isso, os custos de se alcançar essa almejada justiça social são cruciais. Afinal, o que é uma injustiça senão uma arbitrária imposição de um custo — seja ele econômico, psicológico ou outro — sobre uma pessoa inocente? E, se corrigir essa injustiça significa impor outro custo arbitrário sobre outra pessoa inocente, também não seria isso uma injustiça?

Por último, a questão mais básica de todas: para que tal igualdade econômica seja alcançada, um grupo com desigualdade de poder (o estado) terá o privilégio de confiscar dos bem-sucedidos e redistribuir aos que "ficaram para trás", até que todos fiquem iguais. O sucesso, por definição, terá de ser punido. Consequentemente, a imposição da igualdade econômica significa a abolição da liberdade.

Logo, sendo a liberdade a antítese da igualdade, não seria um tanto ilógico acreditar que seria possível manter uma economia funcionando sem liberdade? O padrão de vida de todos — ricos e pobres — iria despencar. E aí a tão almejada igualdade econômica dar-se-ia perante a igualdade da pobreza.

São perguntas às quais ninguém nunca respondeu com honestidade.

Entra a ONU - e piora tudo

De acordo com a doutrina da Justiça Social, quem tem dinheiro tem muito dinheiro, e quem tem pouco dinheiro não tem dinheiro e precisa de mais dinheiro. E não, isso não é uma caricatura. É exatamente assim que um relatório da ONU sobre Justiça Social define o termo:

Justiça social pode ser amplamente entendida como a justa e misericordiosa distribuição dos frutos do crescimento econômico. A justiça social não é possível sem fortes e coesas políticas redistributivas concebidas e implantadas por agências públicas.

Vale a pena repetir essa parte: "fortes e coesas políticas redistributivas concebidas e implantadas por agências públicas".

Assim, justiça social é quando o governo toma o seu dinheiro, ganhado honestamente por meio do seu trabalho e com o suor do seu próprio rosto, e o entrega para terceiros escolhidos pelo próprio governo. Já se você simplesmente quiser manter para si esse dinheiro, isso é uma intolerável demonstração de ganância.

Isso levou o grande Thomas Sowell a fazer sua afirmação antológica: "Nunca entendi por que é 'ganância' querer manter para si o dinheiro que você ganhou com o suor do próprio rosto, mas não é ganância querer tomar o dinheiro dos outros".

E piora.

O relatório prossegue e diz que: "aqueles que hoje acreditam em uma verdade absoluta identificada com a virtude e a justiça não são companhias desejáveis para os defensores da justiça social."

Tradução: se você acredita que verdade e justiça são conceitos independentes da agenda progressista, então você é um inimigo declarado da justiça social.

O mais curioso é que os maiores proponentes da redistribuição de renda são os primeiros a não se submeter a ela, como bem comprovou o caso dos "Panama Papers", em que se descobriu que proeminentes políticos defensores da redistribuição de renda enviaram seu dinheiro para paraísos fiscais, protegendo-o da própria redistribuição que defendem.

Isso deu ainda mais significado àquele antigo provérbio, que diz que "Muitos dos interessados na distribuição do bolo querem sobretudo o controle da faca".

A condenação da liberdade

Na prática, defensores da justiça social querem que todo e qualquer infortúnio, aflição ou desejo econômico seja resolvido por mais um programa governamental criado especificamente para remediar esse infortúnio, essa aflição ou esse desejo econômico.

A "justiça social" — como ratificada pela ONU — atribui ao governo e seus burocratas a responsabilidade suprema pelo bem-estar de cada indivíduo, tornando os funcionários públicos juízes supremos dos direitos individuais. Ela coloca os políticos no centro da ordem econômica. 

Legisladores aprovam leis econômicas, governantes adotam as regulações, os juízes as adjudicam, e os cobradores de impostos e a polícia as impingem. O dinheiro assim coletado pode ser alocado tanto para a redistribuição de renda, quanto para a saúde quanto para universidades quanto para uma grande indústria que está em dificuldade e precisa de subsídios para "manter os empregos". Tudo é uma forma de justiça social.

Em cada um desses casos, a "justiça social" leva a uma expansão dos poderes do governo, dos políticos e dos funcionários públicos, tornando todos esses os principais beneficiários do sistema.

O ponto subjacente à justiça social, portanto, se resume a uma impetuosa e radical condenação da sociedade livre. À medida que as regulamentações e os poderes do estado se expandem, e o confisco da renda aumenta, a liberdade do indivíduo encolhe.

Conclusão

Justiça social é, na melhor das hipóteses, simplesmente um conceito moral, e não um conceito jurídico. Pessoas que voluntariamente doam para instituições de caridade, ou que fazem elas próprias os atos caritativos, são capazes de fazer os necessários julgamentos morais sobre quem realmente merece sua ajuda e misericórdia. Já o governo — que nada mais é do que uma máquina burocrática que toma dinheiro de uns para repassar a outros — simplesmente não tem como fazer o mesmo.

Consequentemente, se realmente queremos ajudar aos outros, deveríamos nós mesmos fazer o serviço. E se o governo quiser ajudar, ele deveria fornecer mais abatimentos fiscais ou mesmo isenções para pessoas que fazem caridade. Mesmo com as (poucas) deduções de hoje, ainda é muito caro fazer doações caritativas.

Mas os justiceiros sociais não defendem isso, pois são contra toda e qualquer redução de impostos para aqueles que eles chamam de "os ricos".

No final, a invocação da justiça social sempre parte do princípio de que "as pessoas certas" — alguns poucos ungidos — podem simplesmente impor a justiça, a prosperidade e qualquer outra "coisa boa" que você puder imaginar. E a única instituição capaz de impor a justiça social é o estado.

Os auto-declarados defensores da justiça social acreditam que o estado pode, e deve, remediar tudo aquilo que eles julgam estar errado com o mundo. Qualquer um que discorde se torna automaticamente um inimigo de tudo aquilo que é bom, belo e moral. 

Consequentemente, o estado — ou seja, os políticos — deve coagir esses desalmados a agir de acordo com o que é "socialmente justo". E isso, como Hayek já havia profetizado, não mais é uma sociedade livre.

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Leia também:

Quer reduzir a pobreza de maneira definitiva? De início, eis as 12 políticas que têm de ser abolidas


36 votos

autor

Johan Norberg
é um historiador e jornalista sueco mundialmente conhecido por seu livro "In Defense of Global Capitalism" -- que já foi publicado em mais de vinte países -- e pelo documentário "Globalisation is Good".


  • Tann  15/03/2018 15:49
    Não só justiça social. Existem diversos termos que foram sendo deturpadas ao longo do caminho:

    Socialismo: é ajudar os mais pobres

    Capitalismo: é explorar os mais pobres

    Liberal: neoliberal

    Neoliberal: aquele que vende por preço barato o Capital do país

    Político de esquerda: politico preocupado com as minorias

    Negro: minoria

    Indio: minoria

    Mulher: minoria

    Sem-terra: minoria

    Homem branco, loiro, de olhos azuis e rico: maioria

    Classe média: aquele que recebe acima de 300 reais por mês

    Ditador de esquerda: revolucionário

    Partido conservador: direita radical

    Governo de esquerda que acabou de ser eleito: governo socialista

    Governo de esquerda depois de destruir a economia e matar a própria população: extrema direita
  • Vegetal  15/03/2018 17:14
    "Neoliberal: aquele que vende por preço barato o Capital do país"

    Essa é uma das poucas definições de esquerda que está certa, mas ainda assim é incompleta e colocada fora de contexto.

    Quando um esquerdista fala que "venderam barato" algum patrimônio estatal está comprovando que não entende nada de mercado.

    Para um governo começar a vender as vacas sagradas do país, o país precisa estar aos frangalhos. Foi assim no começo da década de 90 e está sendo agora. Nenhum político irá vender empresas que fornecem uma boquinha formidável para burocratas e seus amiguinhos quando o país está razoavelmente bem.
    E agora surge a questão: quem irá investir (nesse caso comprar empresas sucateadas cheia de passivos) num país falido? Reduzir o preço é algo inevitável e esperado.

    E lembrando que neoliberalismo é uma palavrinha que não possui nada a ver com liberalismo. Neoliberais são social-democratas que estão tentando modernizar um país subdesenvolvido de forma errônea ao burocratizar a economia com privatizações sem desestatizações e com criação de diversas agências reguladoras.
  • Alyson Vasconcelos  15/03/2018 17:53
    clap clap clap
  • lucas boaventura da silva medeiros  18/03/2018 14:15
    mito
  • Henrique  20/03/2018 17:01
    Rapaz, pense num comentário pertinente. Sempre digo que a Esquerda e os esquedopatas distorcem tudo... chamam livre mercado de capitalismo, chama a falta de livre mercado (com bancos públicos ajudando/mantendo mega corporações) de capitalismo, chamam a falta de liberalismo de neoliberalismo, chamam todos os pardos brasileiros de brancos ou negros de acordo com a conveniência... agora querem distorcer o conceito de homem e mulher... daqui a pouco ninguém saberá mais o significado das palavras. Uma coisa é certa a esquerda faz isso, com o objetivo que as pessoas não tenham um pensamento lógico consistente, porque o socialismo não sobrevive a nenhuma construção lógica, o que importa é o pensamento revolucionário e o controle da massa. Então uma coisa é fato e simples. Sem a mentira ou sem a inveja, era impossível o socialismo existir, e a falta da mentira ou da inveja iria beneficiar muito o capitalismo (livre mercado), digo isso para meus colegas socialistas e nenhum entende.
  • anônimo  15/03/2018 15:51
    O simples fato de o termo "justiça social" não estar contido na definição de "justiça" na sua acepção original (se estivesse, bastaria evocar justiça) já o condena, pois, por simples inferência lógica, implica que é preciso abdicar da justiça (original) para alcançá-la, o que por si só já é paradoxal e anti-ético.
  • Gunnar  15/03/2018 15:54
    Justiça social, além de ser uma impossibilidade lógica, é na melhor das hipóteses uma metonímia. NÃO EXISTE justiça como definição valorativa de abstrações. Justiça ou injustiça só podem ser usadas pra definir relações concretas, entre indivíduos concretos e conscientes.

    Relações que envolvam abstrações coletivas como "sociedade", "minoria", "trabalhadores", ou entidades não-conscientes, como forças da natureza, jamais poderão ser classificadas como justas nem injustas.
  • Rui   15/03/2018 16:15
    Justiça social é você ter que pagar impostos para sustentar parasitas públicos e privados.
  • Pobre Paulista  15/03/2018 17:52
    Note que o mesmo raciocínio taxonômico se aplica à palavra "Anarco-Capitalismo" ;-)

    Por isso que digo que sou Anarquista, e não AnCap...
  • Antunes  15/03/2018 15:55
    Criticar é fácil, mas como fazer justiça social sem esses efeitos colaterais?
  • Marcos  15/03/2018 15:58
    A pergunta está invertida. A pergunta correta é:

    Por que atribuir ao próprio agente causador e perpetuador da pobreza a tarefa de acabar com a pobreza?

    "Sem o estado, quem cuidará dos pobres?"
  • Jorge  15/03/2018 17:48
    "Como fazer Justiça social sem esses efeitos colaterais?"
    Para responder a sua pergunta, preciso que, em primeiro lugar, defina o que entende por "justiça social".
    Aliás, o texto trata exatamente disso.
  • Bernardo Marques  15/03/2018 16:14
    "Promessas sublimes sobre "justiça social" e "igualdade" não passam de estratagemas feitos para aumentar o poder destes próprios políticos, uma vez que tais belas palavras não possuem nenhuma definição concreta.

    Elas nada mais são do que um cheque em branco para criar uma gigantesca disparidade de poder — a qual, em comparação, ofusca completamente as disparidades de renda. E é muito mais perigosa." -- Thomas Sowell


    "No infindável debate sobre "justiça social", a definição de "justo" tem sido debatida por séculos. No entanto, permita-me oferecer a minha definição de justiça social: eu mantenho tudo aquilo que eu ganho com o meu trabalho e você mantém tudo aquilo que você ganha com o seu trabalho.

    Discorda? Então diga-me: qual porcentagem daquilo que eu ganho "pertence" a você? Por quê?" -- Walter Williams


    "A única justiça social que eu conheço: eu fico com o fruto do meu trabalho e você com o seu." -- Eu
  • Thomas Sowell  15/03/2018 16:54
    I have never understood why it is "greed" to want to keep the money you have earned but not greed to want to take somebody else's money
  • Pensador Consciente  15/03/2018 17:23
    Ao longo da história o Brasil sempre teve uma população pobre e humilhada pelas oligarquias agrárias,mas a arrecadação de impostos era baixa,as tarifas de importação eram baixas e mesmo assim o nível de vida era baixo,gostaria de sugerir ao IMB lançar um livro recontando nossa história do ponto de vista austríaco,pois os esquerdopatas gostam de mandar nós lermos e revermos a história e realmente o pacto oligarquia-estado é terrível,o coronelismo com seu clientelismo foi uma prática horrível e sentimos seus efeitos até hoje,mas a pergunta é a seguinte,a arrecadação de impostos era baixíssima no período imperial e na República Velha e mesmo assim éramos atrasados e por quê? Seria o analfabetismo e os ex-escravos que eram indolentes?Afinal o que explica nosso atraso sendo o estado mínimo(7% do PIB era arrecadado no início do século 20) neste período?

    Desde já agradeço a resposta educada e argumentada,pois de patada dispenso,estamos aqui para aprender uns com os outros e quem quiser ironizar vá para outra páginas.
  • Amante da Lógica  15/03/2018 18:08
    Meu caro: no século XIX, todos os países do mundo tinham baixa arrecadação tributária e, consequentemente, baixos gastos (confira a tabela da The Economist neste artigo). Simplesmente não havia como o governo tributar todo mundo. Não havia tecnologia para isso.

    Logo, não era só o Brasil que tinha um governo com baixa arrecadação. Todos os governos do mundo eram igualmente pouco tributadores.

    Por que o Brasil não enriqueceu? Simples. O que gera riqueza é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra de qualidade terá de ser importada), respeito à propriedade privada, segurança institucional, desregulamentação econômica, facilidade de empreender, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    O Brasil tinha alguma dessas características à época? Aliás, tem alguma hoje? Pois é...
    Apenas ter baixos impostos até ajuda, mas está longe de, por si só, resolver tudo.

    Querer que haja investimentos produtivos e que a sociedade seja rica em um cenário como este é revogar completamente a economia básica.

    São essas características que, além de tudo, ainda trazem investimentos estrangeiros, que é o que acelera o crescimento dos países pobres. O Brasil não tinha nada disso. Aliás, ainda não tem até hoje.
  • Lel  15/03/2018 20:50
    Olhar para a carga tributária do país não significa que você está olhando para quantos impostos são cobrados no país.

    O Haiti possui 15% de carga tributária, mas é cobrado por volta de 60% das empresas dentro do território haitiano.
    www.doingbusiness.org/data/exploreeconomies/haiti#paying-taxes
    Querer que a população indiana consiga pagar todos os impostos exigidos pelo governo (que já é por volta dos 40%) é estar com a cabeça na realidade de um outro país completamente diferente.

    Já ouviu falar do Quinto? A tributação excessiva sempre foi uma característica do Brasil. O único período que isso não ocorreu foi entre a Independência e metade da República.
    Mas claro que isso não é capturado apenas vendo uma tabela de carga tributária, precisa conhecer os fatos históricos e contextualizar os números.
  • Pedro Paulo  15/03/2018 18:07
    Concordo que empoderar o estado para redistribuir riqueza, ou fazer justiça social, é objetivo que só pode ser alcançado com redução de liberdade e usurpação. Por outro lado, duas pessoas com capacidade intelectual semelhante podem ter chances iguais de crescer, mas na prática não é o que observamos. Aqueles que herdam patrimônio largam na frente. Sou favorável a maior taxação das heranças para equalizar o jogo. O dinheiro arrecadado deve ser todo direcionado ao financiamento de novos empreendedores.
  • Rangel  15/03/2018 18:12
    "Sou favorável a maior taxação das heranças para equalizar o jogo. O dinheiro arrecadado deve ser todo direcionado ao financiamento de novos empreendedores."

    É sempre assim que os totalitários agem: camuflando com supostas boas intenções seus atos de "tirania iluminada".

    Mas diga-me: e se meu filho quiser ser um empreendedor? Você tomaria dele a minha herança?

    Taxação de herança é uma ótima medida pra encher o rabo de políticos de dinheiro. Fosse eu um político ou um burocrata -- ou seja, alguém que mama nas tetas dos outros -- estaria fazendo lobby pesado para um imposto sobre a herança.

    Enquanto os otários trabalham a vida inteira para acumular algum patrimônio e legá-los para seus filhos, ficarei apenas esperando para que, no final, tudo venha para o meu bolso.

    Aliás, por que será que todas as pessoas que defendem mais impostos são justamente aquelas que nunca têm de pagá-los? Vide os nomes dos políticos na lista da Mossack Fonseca nos Panama Papers. Cheio de nêgo ali que defende estado de bem-estar social ao mesmo tempo em que mantêm seguramente seu dinheiro fora do alcance do estado.

    Aqueles que mais defendem aumentos de impostos são os que nunca arcam com eles. Defender aumento de impostos quando se está isento de pagá-los é bem gostoso.

    Por fim, você parece não conhecer a atual legislação sobre tributação de herança no país. Se um pai de família morre e deixa como herança uma simples casa para seus filhos, estes terão de pagar impostos antes de recebê-la.

    Sim, é isso mesmo. Antes mesmo de eles sequer receber essa casinha, eles terão de dar dinheiro para Cunha, Calheiros, Temer, Dilma, Lula, Collor, Aécio, Alckmin, Bolsonaro e essa putada toda.

    E se o cara não tiver dinheiro para isso, ele terá de se desfazer de vários outros ativos. No extremo, poderá ter de passar seu ponto comercial, desempregando outras pessoas.

    É incrível a quantidade de ignorantes econômicos que pululam neste país. O sujeito realmente acha que, quanto mais dinheiro o governo confiscar dos outros (principalmente para esse nosso governo maravilhoso), melhor será para o país.

    E o mais engraçado, para não dizer trágico, é que o sujeito piamente acredita que o dinheiro será transferido exatamente como ele imagina, sem ser desviado para o bolso de nenhum político ou burocrata.

    E ainda há quem estranhe nossa situação.
  • Eliseu  15/03/2018 18:16
    "Aqueles que herdam patrimônio largam na frente."

    E daí?! Qual o problema de eu trabalhar duro, poupar, acumular, e então deixar tudo para meu filho e, com isso, facilitar a vida dele? Que crime estou cometendo? Quem estou prejudicando? Isso vai tirar alguma coisa do seu filho?

    Dói você saber que alguém nasceu mais rico que você? Sente desgosto por isso? Isso é inveja, isso é rancor, isso é ódio. Isso, acima de tudo, é demência.

    Quando foi que a inveja se tornou uma política pública oficial?
  • Kira  15/03/2018 19:07
    Nasce aqui o comentário de um protótipo de Fernando Collor. Nunca vi nada mais imbecil do que essa ideia de taxar herança. Qual o problema de gerações trabalharem para dar uma vida melhor aos seus filhos? se seus pais e antepassados tivesse o pouco que eles acumularam roubado por governos você estaria postando merda nesse site? Eu não tenho nem paciência para quem destilha ideias idiotas como essa. herança é simplesmente uma forma de acabar com a pobreza mundial a nível transgerancional, a geração posterior tem sempre a chance de ter uma vida menos pior e mais facilidade para acumular, assim progressivamente. Eu não consigo respirar o ar do mesmo ambiente que lunáticos que vem com essa ideia de taxar herança.
  • keila lopez  17/03/2018 01:13
    meu deus, quanto ódio! vcs se dizem libertários mas ficam com os olhos injetados de sangue quando alguém não pensa igual vcs. Mais amor nesses corações, por favor.
  • Juliano  19/03/2018 20:26
    Quanto ódio? Quem é que está propondo confisco e expropriação?
  • Rodrigo  20/03/2018 12:30
    Claro....

    O cara defende o roubo, alimenta a cultura da inveja e pede que o estado, use de violência, para saciar seu desejo por "justiça social". E claro, o ódio é nosso.

  • Desconhecido  16/03/2018 13:04
    Meu deus, e quem disse que a vida tem que ser um jogo? Há pessoas que irão ter mais facilidades sim, vão ter mais estudos, um lar melhor, e deixa eu te contar uma coisa, isso não mudar em nada na sua vida.

    Se amanhã você quiser dar um curso de inglês para o seu filho,sendo que o filho do vizinho não conta com isso, isso será uma injustiça social?
  • Thomas  15/03/2018 18:20
    Não existe justiça social para grupos e classes. Isso é um punhado de privilégios.

    A única justiça é aquela que é igual para todos. Se não for igual, é apenas um amontoado de privilégios.

    A igualdade perante as leis é a única forma de acabar com os privilégios. E começa com os magistrados.
  • Rodrigo  16/03/2018 12:27
    Já cheguei à conclusão de que a redistribuição só irá aumentar.

    Como o avanço tecnológico gera cada vez mais produtividade, cada vez mais se torna fácil para a produção per capita ser grande. Com isso, pessoas incompetentes conseguem viver e ainda por cima ter tempo livre para pensar em como usar o estado para roubar de quem produz.

    É como uma pessoa que enriquece e os seus parentes passam a lhe pedir ajuda e por pressão social essa pessoa ajuda. Mesmo sem ter nenhum obrigação.

    No fim é apenas um fenômeno social do comportamento humano em larga escala.
  • anônimo  16/03/2018 13:10
    O problema do Brasil é que tem muito malandro pra pouco otário.

  • reinaldo  16/03/2018 19:03
    "O mais curioso é que os maiores proponentes da redistribuição de renda são os primeiros a não se submeter a ela"

    Exatamente, é o que eu digo de Elon Musk e Mark Zuckerberg quando eles vêm com aquela conversinha furada de renda básica universal: Eles querem distribuir o dinheiro dos outros, enquanto os próprios bilhões estão seguros em suas contas bancárias.
  • Alessandro  16/03/2018 22:05
    Mas não era exatamente a pessoas como eles que o trecho estava falando.

    Só destaquei isto porque você exagerou ao dizer que os bilhões deles estão seguros em suas contas bancárias.
  • reinaldo  16/03/2018 23:15
    Concordo completamente com o artigo que você indicou, e talvez eu não me expressei corretamente.
    Mas é um pouco de hipocrisia fazer propaganda da renda básica universal, e não aplica-la na prática, não?
  • Alessandro  17/03/2018 17:46
    Eu até tinha entendido sim. Só ainda não tinha visto, e não quis acreditar, que é bem séria essa defesa (especificamente deles) da renda básica. Essa imagem na minha cabeça soa engraçada.

    Vou ficar aqui acreditando que é só inocência ou ignorância da parte deles.
  • keila lopez  17/03/2018 00:58
    Quem é contra a justica social é porque nunca foi dormir com fome por falta de um pedaço de pão para comer. É facil criticar a justiça social quando se está de barriga cheia.
  • Desconhecido  20/03/2018 17:37
    "É facil criticar a justiça social quando se está de barriga cheia."

    E é ainda mais fácil criticar a pessoa do que o argumento.
  • L Fernando  25/08/2018 21:43
    Diga isso para os Venezuelanos , troll burrinha
  • anônimo  17/03/2018 02:10
    Termos como justiça social, cidadania, políticas públicas, inclusão social, redistribuição e outros já me fazem por a mão no bolso para ver se minha carteira ainda está lá.

    Todos, inevitavelmente, são desculpas para diminuir nossas liberdades. Simplesmente me recuso a usá-los. Mesmo porque não há sistema mais justo, menos explorador, mais inclusivo e onde a riqueza mais flui para todos que o capitalismo.
  • Laion Speranza  20/03/2018 15:22
    Mais um ótimo artigo.
  • Emerson Luis  15/04/2018 18:35

    Não existe "justiça social", apenas "justiça".

    Ajudar os necessitados não é "justiça social", é "caridade", deve ser feita voluntariamente e com o próprio dinheiro.

    Se políticos e burocratas realmente quisessem ajudar os mais pobres, diminuiriam os impostos, as regulamentações, o protecionismo, etc.

    Mas eles não querem saber de criação de riquezas, apenas de redistribuição de riquezas. Por quê? O governo tira $100 de Pedro para dar $10 a João, ficando com a maior parte.

    Já pararam para pensar que a expressão "redistribuição de renda" é em si mesma pervertida e monstruosa?

    * * *
  • Edésio Reichert  29/08/2018 13:44
    Como designar a preocupação com os miseráveis, os pobres, os desempregados? Justiça social. E a melhor definição para o que ela significa, está no livro do Filósofo Armindo Moreira: O EQUIBASISMO CRIA RIQUEZA E ELIMINA MISÉRIA".
    "JUSTIÇA SOCIAL: com esta expressão queremos significar o suficiente para todos – e não bens iguais para todos. O nosso conceito de justiça social não implica a igualdade na posse de
    bens; implica, sim, o eliminar a fome, o desabrigo e a ignorância. Não nos aflige a desigualdade na riqueza; o que nos aflige é o sofrimento que advém da falta de recursos materiais e de
    instrução. A justiça social não exige que ou todos tenham palácio ou ninguém tenha palácio. Pode haver gente com palácio e gente em casa simples; o que não pode é haver gente sem casa ou em
    choupana miserável. A justiça social não impõe que ou todos comem lagosta ou ninguém come lagosta; o que importa é que ninguém passe fome. Justiça social não cura de pleitear acesso a
    curso superior para todos; o que ela pede é que se acabe com o analfabetismo e se dê a cada um instrução suficiente para poder ganhar o pão com dignidade e ser eficiente na sociedade em que
    se está inserido. Portanto, justiça social é bens suficientes para todos – e não igualdade de bens para todos"
  • Edésio Reichert  29/08/2018 13:40
    Se utilizarmos apenas o termo "justiça" imediatamente pensamos em processo, juiz, promotor, advogado, etc. Para designar a preocupação com os miseráveis, com os desempregados, com os mais pobres, melhor utilizar o termo "justiça social".
    Contudo, dizer que "justiça social" significa "igualdade de bens econômicos" faz parte das velhas e ultrapassadas interpretações para a expressão.
    Conforme o Filósofo Armindo Moreira no seu livro "O EQUIBASISMO CRIA RIQUEZA E ELIMINA MISÉRIA", justiça social significa: "JUSTIÇA SOCIAL: com esta expressão queremos significar o suficiente para todos – e não bens iguais para todos. O nosso conceito de justiça social não implica a igualdade na posse de
    bens; implica, sim, o eliminar a fome, o desabrigo e a ignorância. Não nos aflige a desigualdade na riqueza; o que nos aflige é o sofrimento que advém da falta de recursos materiais e de
    instrução. A justiça social não exige que ou todos tenham palácio ou ninguém tenha palácio. Pode haver gente com palácio e gente em casa simples; o que não pode é haver gente sem casa ou em
    choupana miserável. A justiça social não impõe que ou todos comem lagosta ou ninguém come lagosta; o que importa é que ninguém passe fome. Justiça social não cura de pleitear acesso a
    curso superior para todos; o que ela pede é que se acabe com o analfabetismo e se dê a cada um instrução suficiente para poder ganhar o pão com dignidade e ser eficiente na sociedade em que
    se está inserido. Portanto, justiça social é bens suficientes para todos – e não igualdade de bens para todos"
  • Sergio Pedro  02/12/2018 13:18
    Justiça social na minha visão significa igualdade de oportunidades, a.k.a. Educação. As demais assimetrias deveriam ser diminuídas por uma sociedade humana e solidária, não pelo governo.


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