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A catástrofe humanitária do socialismo venezuelano: 90% da população vive hoje na pobreza
Inflação de 16.000%, crianças abandonadas pelos pais, pessoas perdendo 11kg e uma crise migratória

Nota do editor: os dados do artigo abaixo, publicado originalmente em fevereiro de 2018, foram atualizados para maio de 2018

_________________________________

A Venezuela já teve a quarta população país mais rico do mundo. E então adotou o socialismo.

Consequentemente, hoje 87% da população está na pobreza, sendo que 61% estão na pobreza extrema.

Sob uma onda de miséria e com uma crescente escassez de alimentos, pais venezuelanos estão entregando suas crianças para que elas ao menos tenham algo para comer.

Considere esta reportagem do jornal The Washington Post:

Crise leva pais venezuelanos a deixar filhos em orfanatos

"Você quer ver os pequenos?" pergunta a assistente social Magdelis Salazar, convidando-me a acompanhá-la a um playground cheio de crianças.

Estávamos no Fundana, o maior orfanato privado da Venezuela, logo após o almoço. O pátio era praticamente uma pista de obstáculos: repleot de crianças abandonadas. Um garotinho de 3 anos estava sentado num triciclo. Ele é apelidado de "El Gordo". Mas quando foi deixado no orfanato, alguns meses atrás, era apenas pele e ossos.

El Gordo passou rápido por uma garotinha de 3 anos usando uma blusa florida cor-de-rosa. "Ela quase não fala", disse uma das funcionárias, fazendo cafuné nos cabelos cacheados da menina. Ou não fala mais. Em setembro, sua mãe a deixou numa estação de metrô com uma sacola de roupas e um bilhete suplicando para que alguém a alimentasse.

A miséria e a fome crescem [clique aqui, mas esteja alertado de que as imagens são fortes] sem parar na Venezuela, onde a crise econômica deixou as prateleiras das lojas sem alimentos, remédios, fraldas e fórmula infantil. Alguns pais estão se vendo sem outra saída senão fazer o impensável.

Estão entregando seus filhos.

"As pessoas não conseguem encontrar comida", disse Salazar. "Não têm como alimentar seus filhos. Estão entregando seus filhos não porque não os amem, mas porque os amam." [...]

Não há estatísticas oficiais sobre o número de crianças abandonadas ou enviadas a orfanatos por seus pais por motivos econômicos. Mas entrevistas com responsáveis pela Fundana e nove outras organizações públicas e privadas que atendem crianças em situações de crise sugerem que o número chegue às centenas ou mais em todo o país.

No ano passado, a Fundana recebeu 144 pedidos de acolhimento de crianças, sendo a grande maioria ligada às dificuldades econômicas enfrentados pelos pais. Em 2016, haviam sido 24 casos.

"Não sei o que mais fazer", admitiu Angélica Pérez, 33 anos e mãe de três filhos, quase chorando.

Ela apareceu na sede da Fundana em uma tarde recente com seu filho de 3 anos e duas filhas, de 5 e 14 anos. Pérez era costureira, mas perdeu o emprego alguns meses atrás. Em dezembro, quando seu filho menor adoeceu com um problema dermatológico grave e o hospital público não tinha remédios, ela gastou suas últimas economias para comprar pomada numa farmácia.

Seu plano era deixar as crianças no centro, onde sabia que elas seriam alimentadas, e viajar para a vizinha Colômbia para procurar trabalho, com a esperança de poder recuperar seus filhos mais tarde. As crianças geralmente podem passar seis meses a um ano na Fundana, antes de serem entregue a famílias acolhedoras ou para adoção.

"Você não sabe o que é ver seus filhos passarem fome", disse Pérez. "Você não faz ideia. Eu me sinto responsável, sinto que fracassei e não cuidei deles. Mas já tentei de tudo. Não há trabalho. E eles não param de emagrecer.

Diga-me! O que eu devo fazer?"

A dieta Maduro e a chacina de crianças

A atual economia da Venezuela se assemelha bastante à da antiga União Soviética imediatamente antes de entrar em total colapso. Só que, infelizmente, é pior: ao passo que o regime soviético já vinha dando sinais de abertura e implantando, ainda que a contragosto, algumas reformas econômicas, o venezuelano está indo para o caminho oposto, se fechando ainda mais, estatizando muito mais e endurecendo completamente a repressão.

Hoje, a Venezuela se transformou em um sádico laboratório que mostra em tempo real todas as inevitáveis consequências geradas pela aplicação de políticas socialistas.

A dupla Hugo Chávez/Nicolás Maduro havia prometido implantar todas aquelas promessas de sempre do socialismo: justiça, igualdade, liberdade, e o fim da exploração. No entanto, analisando-se o que está ocorrendo na Venezuela, o que se vê é a exata abolição de tudo aquilo que pode ser chamado de 'civilização'.

De acordo com a recente Pesquisa sobre Condições de Vida (Encovi), realizada anualmente pelas principais universidades da Venezuela e divulgada há dois dias (21/02/2018), os venezuelanos perderam em média 11 quilos em 2017. Em 2016, essa média havia sido de 9 quilos.

Ou seja, a população venezuelana está se tornando aceleradamente esquálida. Seis em cada dez admitem irem dormir com fome por falta de comida.

E quase nove em cada dez venezuelanos (87%) estão abaixo da linha da pobreza. Para se ter uma ideia da rapidez da deterioração, essa cifra era de "apenas" 48% em 2014. A pobreza praticamente dobrou em apenas três anos.

Com a fome se alastrando, a violência chega a níveis impensáveis. Segundo a Reuters, as estradas da Venezuela se transformaram em um território sem lei semelhante ao cenário pós-apocalíptico do filme Mad Max: todo e qualquer caminhão transportando algum tipo de alimento é bloqueado nas estradas por troncos de árvores e "miguelitos" (metais pontiagudos usados para furar os pneus), sendo em seguida atacado a pedradas e coquetéis Molotov, com toda a sua carga sendo saqueada. Os caminhoneiros passaram a apelidar as estradas de "guilhotinas".

Outro recurso rotineiramente usado por venezuelanos para aplacar a fome é matar vacas a pedradas. Este vídeo publicado pelo jornal britânico The Daily Mail mostra pessoas apedrejando uma vaca aos gritos de "estamos com fome" e "estamos sofrendo".

Não bastasse a fome, não há cuidados médicos. Como água e eletricidade se tornaram escassas, os hospitais não mais conseguem esterilizar os equipamentos e nem mesmo lavar as manchas de sangue das camas cirúrgicas. A mortalidade infantil disparou, pois as crianças nascidas sob tais condições insalubres e sem acesso a alimentos têm poucas chances de sobrevivência. Segundo dados divulgados pelo próprio governo, houve um aumento de 30% nos óbitos de crianças e um salto de pelo menos 65% nos falecimentos de gestantes em partos.

As cenas de crianças esqueléticas e bebês se desmanchando em ossos, em conjunto com famílias inteiras revirando latas de lixo nas ruas das cidades, completam o cenário de horror.

Tudo isso gerou uma crise migratória. Estima-se que mais de 500 mil venezuelanos tenham deixado o país apenas nestes dois primeiros meses de 2018. Essa é uma estimativa conservadora. Oficialmente, dois milhões de venezuelanos já deixaram o país. No entanto, uma entidade venezuelana garante que 4 milhões de venezuelanos já o fizeram.

O governo da Colômbia garante que já há mais de um milhão de venezuelanos vivendo no país. Cidades fronteiriças da Colômbia e do Brasil se transformaram em "favelas" povoadas por venezuelanos famintos e suas barracas. Venezuelanos que já foram ricos hoje vivem como mendigos na Colômbia (mas mesmo assim não pensam em voltar ao país natal).

O dinheiro que não existe

Como tudo ocorreu?

Na raiz de tudo está a destruição da moeda. Com a queda das receitas do petróleo, o governo venezuelano recorreu àquela solução simples, fácil e totalmente equivocada para aumentar seus gastos e manter seus programas assistencialistas: saiu literalmente imprimindo dinheiro.

Os gráficos abaixo mostram a evolução da quantidade de cédulas de papel e de depósitos em conta-corrente na economia venezuelana (agregado M1) de acordo com as estatísticas do próprio Banco Central venezuelano. Dado que o aumento da oferta monetária é exponencial, é necessário subdividir em dois gráficos.

venezuela-money-supply-m1 (1).png

Gráfico 1: evolução da quantidade de cédulas de papel e de depósitos em conta-corrente na Venezuela, de janeiro de 2007 a dezembro de 2015


venezuela-money-supply-m1.png

Gráfico 2: evolução da quantidade de cédulas de papel e de depósitos em conta-corrente na Venezuela, de janeiro de 2016 a maio de 2018

No primeiro gráfico, a oferta monetária em dezembro de 2015 é de quatro trilhões de bolívares. Já em maio de 2018, esse montante já está em quatrocentos trilhões de bolívares.

Isso significa que, em dois anos e meio, a quantidade de dinheiro na economia foi multiplicada por 100.

Como consequência, o valor do bolívar está desabando feito uma pedra. O gráfico a seguir mostra a evolução da taxa de câmbio do bolívar em relação ao dólar americano no mercado paralelo. (Última data disponível: 18 de maio de 2018)

exchange.png

Gráfico 3: taxa de câmbio bolívar/dólar no mercado paralelo

Para economias altamente estatizadas, a desvalorização de uma moeda no mercado paralelo — que é o único verdadeiro livre mercado operando nessas economias — é o mensurador que melhor estima o real valor dessa moeda. O princípio da paridade do poder de compra (PPP), o qual vincula alterações na taxa de câmbio a alterações nos preços, permite estimativas mais confiáveis para a inflação de preços.

Assim, o gráfico a seguir mostra a evolução da verdadeira inflação de preços que está ocorrendo na Venezuela (estimativa de 16 de maio de 2018):

impliedinflation.png

Gráfico 4: a verdadeira inflação de preços na Venezuela

Ou seja, a atual inflação de preços na Venezuela ultrapassou o estonteante valor de 16.000% ao ano.

Em conjunto com esta hiperinflação da moeda, o governo decretou controle de preços e recorreu à estatização de fábricas e de lojas. Como consequência, a escassez e o desabastecimento se tornaram generalizados. Vai de papel higiênico a comida, passando por remédios, eletricidade e até mesmo água.

Sem uma moeda funcional e operando sob rígidos controles estatais, toda a economia se desarranjou. Sendo a moeda a metade de toda e qualquer transação econômica, se ela deixa de funcionar, a economia retorna a um estado de escambo. Ninguém aceita abrir mão de bens — principalmente alimentos e outros produtos essenciais — em troca de uma moeda sem poder de compra nenhum. 

Uma moeda fraca destrói o aspecto econômico mais básico da economia de mercado, que é o sistema de preços. Consequentemente, sem uma formação de preços minimamente racional, todo o cálculo econômico permitido pelo sistema de preços — o cálculo de lucros e prejuízos, que é o que irá estimular investimentos — se torna praticamente impossível.

Esta reportagem do jornal The Miami Herald relata como as pessoas do setor de serviços estão dispostas a receber alimentos em troca de serviços. Antes de aceitarem um serviço, é normal perguntarem ao cliente o que há na despensa deles. Farinha, macarrão, arroz, óleo vegetal, açúcar, maionese, refrigerantes e itens de cuidado pessoal também são "moedas fortes".

Empregadas domésticas, motoristas de táxi e de ônibus, carpinteiros, sapateiros, enfermeiras, empregados de lava-jatos, comerciantes e até mesmo profissionais estão cada vez mais dispostos a participar do arranjo "trabalho por comida" para não morrer de fome.

A mão-de-obra mais qualificada que ainda ficou na Venezuela é hoje remunerada com ovos (uma caixa de 36 ovos vale US$ 2 no mercado paralelo).

Conclusão

A situação da Venezuela é apenas mais um exemplo prático — em meio a uma longa lista — que comprova que, tão logo a economia de um país é colocada sob total controle do estado, por meio do socialismo, há um inevitável retrocesso civilizacional.

O que começou como uma crise econômica se transformou em um pesadelo humanitário sem qualquer perspectiva de fim.

Não deixa de ser fascinante constatar que, mesmo com a história nos fornecendo inúmeros exemplos, os governos parecem nunca aprender. Eles continuam acreditando que podem, de alguma maneira, sobrepujar as leis econômicas por decreto. Ainda mais apavorante é imaginar (e temer) quantos outros desastres econômicos terão de ocorrer até que se torne claro que o socialismo — de todos os tipos, tamanhos e graus de intensidade — é impraticávelintolerável e indesculpável.

 

34 votos

autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Vinicius Costa  23/02/2018 16:26

    Os artigos sobre a Venezuela sempre figuram entre os meus favoritos. O país ilustra em tempo real toda a teoria virando prática.

    Podem me chamar de sádico mas acho ótimo que isso esteja acontecendo. Apenas teorias não bastam para convencer as pessoas. Elas só se convencem pela prática. Elas tem que ver a coisa realmente acontecendo. E tá acontecendo aqui do lado.

    E isso é ótimo: o fenômeno venezuelano é exatamente o que pode desanimar os mais ingênuos de votar no PT e no PSOL. Por mais incrível que pareça, a venezuela pode ter nos salvado de virar socialistas.
  • Vinicius Costa  23/02/2018 16:36
    Aliás, jamais se esqueçam da maior pérola da história da internet brasileira, quiçá mundial:

    Venezuela: o socialismo que deu certo
  • Tarantino  24/02/2018 18:22
    Concordo com o título: Na Venezuela, o socialismo realmente deu certo, se é que me entende...
  • Vinicius Costa  23/02/2018 16:39
    Ainda assim, os defensores deste modelo aqui no Brasil querem voltar ao poder em janeiro de 2019, ainda que com outro discurso. Um dos seus maiores aliados, o senhor Guilherme Boulos, é o mais fervoroso dos bolivarianos, e já é o candidato oficial do PSOL.
  • Geraldo  23/02/2018 17:32
    E isso é ótimo: o fenômeno venezuelano é exatamente o que pode desanimar os mais ingênuos de votar no PT e no PSOL. Por mais incrível que pareça, a Venezuela pode ter nos salvado de virar socialistas.

    Espero que estejas certo. Conheço alguns que continuam votando no PT (ou seja, se Lula chegar a ser candidato, vão votar nele), mesmo depois de toda a lambança que eles fizeram (e pela qual estamos, e vamos continuar, pagando por vários anos, é bom lembrar).
  • Tulio  23/02/2018 17:46
    Acho otimista. No máximo, alguns poucos, pouquíssimos, podem deixar de votar no Piçol. Mas o eleitorado do PT segue inalterado. Jumento não vive sem alfafa.
  • Daryl  20/05/2018 16:47
    Nunca subestime a estupidez humana !
  • Pedro  23/02/2018 19:35
    Sem nenhuma compaixão pelos venezuelanos. Trabalhei lá por muitos anos e imploraram abertamente pela implementação desse sistema, enquanto liberais e conservadores falharam miseravelmente em desarmar os pontos chaves que permitiriam tal desgraça. E aí está o resultado, tal qual o chile de 1973.

    Venezuela só está escancarada nos meios de comunicação porque não tem um líder carismático e bem relacionado com líderes de centro esquerda pelo mundo, só por isso há chances de se livrar da ditadura nos próximos anos.

    No mais, concordo, tal país é muito útil aos outros da região para que evitem esquerdarem demais. Por isso, obrigado Venezuela.
  • Ze da Moita  27/02/2018 15:37
    lembro quando fiz psicologia, nas aulas de psicologia comportamental, o exemplo do vício em cigarro: no curto prazo há forte estímulo causado pelo tabaco, mas, a longo prazo se tem um pulmão comprometido; o problema é que o estímulo de curto prazo tem um poder reforçador maior do comportamento do que um estímulo que tenha maior latência(tempo de reação) que seria o caso dos efeitos danosos aos pulmões.
  • John Maynard Keynes  23/02/2018 20:23
    Verdade, nem precisa mais recorrer a fatos que ocorreram a 100 anos atrás (URSS, China de Mao, Camboja de Pol Pot, etc). O apocalipse socialista se desenrolando aos olhos de todo mundo.
  • Leigo  26/02/2018 12:18
    Venezuela é exemplo para a América Latina? Bolívia será a nova Venezuela. Ademais, quero deixar o nome do autor do artigo que a Venezuela deu certo aqui: Por Eduardo Montesanti Goldoni * .
  • Ze da Moita  27/02/2018 17:38
    é longo prazo e sempre acham que o socialismo deles é diferente desses exemplos que vc citou, a curto prazo ganhar benesses estatais é gratificante

    é difícil largar o socialismo
  • Mais Mises...  26/02/2018 15:23
    Acredite, cara, tenho amigos que trabalharam na Venezuela e eles (que não se conhecem) me disseram a mesmíssima coisa: o venezuelano padrão não é muito chegado em trabalho e gosta muito de ganhar as coisas. Aprovam políticas socialistas de distribuição de 'riqueza'. O que eles não gostam é do Maduro. Na cabeça dos que eles conversavam, se fosse o Chavez estaria tudo muito melhor!

    Depois desses depoimentos coincidentes, parei de ter pena do povo de lá. Estão colhendo o que plantaram há décadas, quando estatizaram a indústria do petróleo, ainda nos anos 70!
  • H. Led  28/02/2018 22:23
    Excelente artigo. O problema é que aqui no Brasil a população estúpida, que é a grande maioria, se deixa vender pelos bolsas-esmola. E nos países socialistas sempre existe uma propaganda maciça que "lava" as mentes pra colocar toda a culpa nos capitalistas (Estados Unidos) quando o socialismo não dá certo. Dessa maneira ninguém consegue enxergar a verdade, nem mesmo quando começa a sentir na carne.
  • Pepe Ubilla  21/05/2018 11:40
    O problema, meu caro Vinicius Costa, é que poucas pessoas que votam no PT, leem estes artigos.
  • López  23/02/2018 16:28
    Eis o meu treat. Traduzi a reportagem citada do Miami Herald.

    Venezuelanos famintos recorrem ao "trabalho em troca de comida"

    MARACAIBO, VENEZUELA -- Leonard Altamar, um encanador de 41 anos, carrega sua caixa de ferramentas -- e um pacote com um quilograma de macarrão -- ao entrar em um restaurante em Maracaibo.

    Este pai de dois filhos não vai utilizar a comida empacotada para consertar o vazamento em um dos banheiros encharcados do estabelecimento, mas ele não deixaria o pacote de macarrão em sua bicicleta por nada neste mundo. Trata-se de um tesouro que ele acabou de ganhar.

    "Acabei de consertar uma lava-louças e fui pago com esse spaghetti. Recebi também um pouco de carne e 200 mil bolívares (aproximadamente US$ 1,20). Comecei a aceitar esse tipo de pagamento em setembro. Assim, pelo menos minha família pode comer", disse Altamar. [...]

    A fome é algo rotineiro na casa de Altamar. Em outubro, ele perdeu 8 quilos em apenas algumas semanas. Seus filhos já se acostumaram a ir dormir passando fome, admitiu ele.

    Altamar faz parte de uma crescente massa de trabalhadores venezuelanos disposta a receber alimentos em troca de serviços. Seu pai e seus dois irmãos, que são eletricistas e carpinteiros, também trabalham em troca de comida.

    "Tenho de me ajustar à situação. Pergunto aos meus clientes 'O que você tem na sua despensa?' quando estamos discutindo o preço dos serviços. Nos dias atuais, essa é a única solução", diz ele.

    Farinha, arroz, óleo vegetal, açúcar, maionese, refrigerantes e itens de cuidado pessoal são fortes moedas de troca para ele.

    Empregadas domésticas, motoristas de táxi e de ônibus, carpinteiros, sapateiros, enfermeiras, empregados de lava-jatos, comerciantes e até mesmo profissionais estão dispostos a participar deste arranjo "trabalho por comida" para não morrer de fome.

    Na última sexta-feira, Leonard recebeu de um cliente, em troca de seus serviços, aproximadamente dois quilos de farinho de milho, dois quilos de arroz e um litro de óleo vegetal.

    O telefone toca e a entrevista é interrompida. Um cliente lhe pede para consertar sua lavadora que está vazando. O encanador marca o serviço para o dia seguinte. Seu preço?

    "Você tem alguma manteiga? Isso vai servir", diz ele ao cliente.

    [...]

    Fernando Aristiguieta, 34 anos e dono de uma empresa de contabilidade, tem dois tipos de clientes: os que pagam com dinheiro e os que pagam com comida.

    Ele começou a aceitar pagamento em comida -- quilos de carne, frango, manteiga, desodorantes ou outros produtos difíceis de conseguir -- quando a crise passou a demolir o orçamento de sua família em 2017.

    "Ao menos assim eu não tenho de passar longas horas na fila de um supermercado e tendo de pagar preços excessivos", diz ele.

    Até mesmo seu cabeleireiro aceita comida em troca de cortes de cabelo. Recentemente, diz ele, o estilista saiu no braço com um cliente que queria pagar por dois cortes de cabelo com apenas um quilo de farinha. O cabeleireiro queria dois quilos.

    Os clientes acertam suas contas com Aristiguieta permitindo que ele pegue produtos de suas lojas.

    "Nunca pensei que teria de fazer isso em minha carreira profissional. É uma necessidade e não um desejo. Temos de nos adaptar à crise", diz ele.
  • Sensato  23/02/2018 16:30
    Já falei antes aqui mesmo e vou repetir: daqui a 15 anos, se muito, os esquerdistas vão inverter a narrativa e dizer que tudo isso foi causado pelo capitalismo.
  • Victor  23/02/2018 16:44
    Já inverteram, no Peru, país que vou com frequência, há milhares de venezuelanos vivendo na capital Lima, o ódio por Maduro é total mas vociferam contra ele como o presidente que traiu a revolução e roubou o povo ao invés de implantar o socialismo que Chávez prometera.

    A palavra socialismo não é utilizada pelos venezuelanos para explicar a situação da Venezuela, e sem o diagnóstico correto não há solução para este país no horizonte próximo, vamos ter uma Coréia do Norte bem aqui em nosso continente.
  • Fabrício  23/02/2018 18:09
    Vá a qualquer universidade pública hoje e você ouvirá a mesma catilinária da esquerda: o que está ocorrendo na Venezuela é uma sabotagem da economia por parte dos empresários capitalistas que não gostam de justiça social e não querem que os pobres melhorem de vida.

    Se isso irá prosperar ou não vai depender de quão miolo-mole são as pessoas.
  • Jonas F. Klabin  24/02/2018 11:06
    Mas isso já está sendo feito:



    O que todos os socialistas do mundo apoiaram e julgaram serem o melhor sistema a ser copiado pelos países por 15 anos nunca foi socialismo de fato.

    Mas é assim mesmo. A queda da URSS foi da mesma forma, só demoraram mais pra se recuperarem do baque.
  • Rogério Nunes  24/02/2018 15:54
    Esse é o cerne do problema, sempre utilizarão o argumento do setor privado. Apenas convenientemente se esquecem que a participação do estado não se dá simplesmente tomando e estatizando a economia, mas através de excesso de impostos, regulação e burocracia.
  • Kira  25/02/2018 03:42
    Baixa-se uma lei que obriga a todos os estabelecimentos a congelar e tabelar preços sob ameaça de prisão ou morte pelo estado, ora isto é basicamente estatizar a economia, se a decisão fiscal não compete mais as empresas e a regra é determinada pelo estado, logo os meios de produção foram estatizados, pois a administração é determinada pelo governo. As empresas privadas tem liberdade de definir suas regras fiscais? não, logo as empresas não pertencem mais aos empresários, ainda que estejam no nome deles, se eles não mais podem administrá-las, então na prática é o mesmo que não pertencer.


    Esquerdista tem problema de percepção de dimensionalidade e simetria de contexto da realidade.
  • Light  25/02/2018 19:09
    Kira, o que esse imbecil do vídeo fez foi cometer o infame "erro" de achar que é a carga tributária quem determina se um país é socialista ou não. Essa ideia estúpida é muito comum entre os esquerdistas americanos que ainda "não aprenderam" a distinguir entre socialismo e social-democracia.
    Essa ideia é tão absurda que se for levada mesmo a sério, China, Rússia, Índia, Síria, Venezuela, Zimbábue e a Coreia do Norte são mais liberais que os Estados Unidos.

    Na realidade essa argumentação esquerdista sobre a carga tributária é apenas uma estratégia usando a falácia do franco-atirador texano.
    Como o socialismo é um sistema fracassado (e que até hoje eles ainda defendem), pegam a social-democracia de alguns países ricos e colocam junto ao socialismo para a defesa do socialismo ser mais efetiva aos olhos do público.

    Outro erro comum é achar que olhar a carga tribuária, é o mesmo que olhar quais países cobram mais impostos.
    Querer que a Índia (que já cobra +40% de impostos das empresas) e Haiti (que cobra +60% de impostos das empresas em seu território) pague todos os impostos exigidos é estar com a cabeça em uma outra dimensão.
    Não é simplesmente aumentando impostos como bem quiser que a carga tributária irá aumentar, AINDA MAIS em países pobres.

    Os estados de países socialistas, por definição, possuem uma participação baixa ou média no PIB de um país. Se o governo controla todas as empresas, todos os preços dos produtos, todas as transações comerciais, todos os salários recebidos, como diabos a carga tributária pode ser alta?

    O estado soviético controlava absolutamente tudo dentro do território da URSS, no entanto a participação no PIB não chegava nem próximo dos 50%, inclusive foi por muito tempo menor que dos Estados Unidos.
    www.quora.com/What-was-the-percentage-of-government-spending-in-the-Soviet-Unions-GDP

    Um idiota que se diz socialista, possui um canal sobre marxismo e não saber disso é prova que possui probleminhas mentais e não merece nunca ser levado a sério.
  • Alexandre Dias  24/02/2018 18:41
    Com certeza!

    Pesquise aí sobre o governo Salvador Allende, que em 3 anos levou o Chile a um estágio parecido com o que atualmente encontra-se a Venezuela.

    Atribui-se a crise chilena na época à medidas de embargo por parte dos EUA...

    #AEsquerdaFede
  • Pensador Consciente  23/02/2018 16:41
    Os idiotas úteis e os canalhas de plantão acreditam nesta experiência macabra. Os idiotas por desinformação e os canalhas por puro parasitismo rentista. Enfim, Deus salve o Brasil desta desgraça apocalíptica.
  • Dianari  23/02/2018 16:43
    Pegue aqueles venezuelanos todos que estão emporcalhando as ruas de Roraima e pergunte em quem eles votaram. Certeza absoluta de que foi em Chávez e Maduro. Até acredito que estejam genuinamente arrependidos, mas também tenho certeza de que se ganharem um título de eleitor brasileiro vão votar no PT.
  • Mauro  23/02/2018 17:37
    Só em Boa Vista tem 40 mil venezuelanos. E 350 serão enviados pra São Paulo. Estarão vindo pra trabalhar e produzir ou pra parasitar?

    g1.globo.com/politica/noticia/processo-de-transferencia-de-venezuelanos-concentrados-em-roraima-iniciara-por-sao-paulo-e-amazonas-diz-padilha.ghtml
  • Andrade  23/02/2018 20:03
    Os holofotes se voltaram para o Rio de Janeiro, mas os venezuelanos não param de chegar ao Brasil por Roraima.

    A Polícia Federal informou que, em média, 600 venezuelanos têm cruzado a fronteira todos os dias.

    No ano passado, foram feitos 14.231 registros na PF de Boa Vista, ante os 2.310 registros realizados no ano anterior.

    Eis algumas imagens da fila de venezuelanos querendo entrar legalmente no Brasil. As fotos são da sede da Polícia Federal em Boa Vista:

    www.oantagonista.com/brasil/fuga-de-maduro/
  • anônimo  23/02/2018 16:48
    Seus reaças, vão pra pqp! O socialismo funciona sim, o problema são esses frouxos que não aguentam passar fome...
  • Aloisio  23/02/2018 16:58
    Observação: 90% da população VIVEM e não vive na pobreza.
    Ótimo texto.
  • Leandro  23/02/2018 17:24
    Na verdade, a frase está correta. No que diz respeito à concordância com número percentual, o verbo concorda com o complemento. E o complemento é "população", singular.

    Logo, a frase "90% da população vive" está correta.

    Agora, se em vez de "população" fosse "pessoas", aí sim entraria o plural, e aí ficaria "90% das pessoas vivem".

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Pasquale  23/02/2018 17:31
    Exato.

    Quando o número percentual estiver com o complemento do percentual, o verbo concorda com este último.

    Confira dois exemplos:

    "Este ano, 32% da verba será para a educação"

    "Atualmente, 87% dos entrevistados julgam pertinente a mudança na lei".

    noticias.r7.com/blogs/portugues-de-brasileiro/concordancia-com-numero-percentual-20140506/
  • Ludwig  23/05/2018 19:09
    Você é socialista? Parece. Não sabe do que está falando, está errado, mas mesmo assim pretende corrigir os demais. Escória socialista.
  • Almerissa Barduzzi  23/02/2018 17:50
    Eu estive na Venezuela em 2004 e hoje lendo esse. Artigo me veio lágrimas nos olhos de saber que existe tanto sofrimento.
  • Libertário Iniciante  23/02/2018 18:00
    Confesso que ainda tenho medo de algo parecido se desenrolar por aqui.
  • Paulo Henrique  23/02/2018 19:34
    Existe chances de a esquerda nível psol conseguir se aproveitar do caos econômico que uma possível não aprovação da reforma da previdência pode gerar;

    Lembrando que o Brasil votou no pt nem 20 anos depois de sair de hiperinflação com collor no poder.

  • Ze da Moita  27/02/2018 15:41
    e detalhe: Collor apesar do confisco, até o governo temer era o que mais fez para desestatizar o país, tanto que ele perdeu apoio no congresso mais por causa das boquinhas que ele fechou do que pela tungada nas contas
  • Capitalismo de Bem Estar  23/02/2018 18:10
    É o que eu digo: Votem na extrema direita mais radical, para ter um político de direita.

    Os políticos sempre vão para a esquerda.

    O povo votou no PT achando que era centro-esquerda, mas o PT é extrema esquerda.

    O próprio Hugo Chavez dizia que não concordava com Cuba, que defendia a propriedade privada, etc. Tudo conversa fiada.

    A recomendação é votar nos anarco-capitalistas para ter um político de direita.

    Essa fuga para a esquerda é populista. Por isso sempre é usada.
  • Pobre Paulista  23/02/2018 19:26
    "Votar nos Anarco-Capitalistas"

  • Capitalismo de Bem Estar  23/02/2018 20:12
    Isso !

    Se tem comunista na democracia, qual é o problema em ter um candidato ancap ?

    Qual é o problema de defender o fechamento das instituições na campanha ?
  • Pobre Paulista  24/02/2018 02:06
    Qual é o problema em ser ilógico?
  • Tarabay  26/02/2018 14:33
    Votar em ancap faz tanto sentido quanto um judeu nazista ou skinhead negro.

  • Richard Gladstone de Jouvenel  23/02/2018 19:41
    Quando abri o link das imagens fortes deu um travo na garganta...

    Dá vontade de pegar um petista ou psolista pelo pescoço e esfregar na cara dele a foto do garotinho no caixão, principalmente aquela punguista de aposentados chamada Gleisi Hoffman e o mimadinho do Guilherme Boulos...

    Mas não sou otimista, este país tem muito pasto pra jumento se criar...veja o número de pessoas que ainda querem votar no larápio barbudo, e nem estou falando de acreditar em pesquisa...15 minutos na rua conversando você acha mais de um.

    É como eu comentei outro dia: se este país eleger um esquerdista depois de tudo isso, eu jogo a toalha e pego o caminho do aeroporto. E o pior é que eu acho que seria bom reservar a passagem...
  • Carlos  23/02/2018 19:49
    Também vi as imagens. Por si sós, elas já deveriam bastar pra acabar com qualquer simpatizante do socialismo aqui. Pesadas pra caralho.

    www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/12/1944435-enquanto-venezuela-entra-em-colapso-as-criancas-estao-morrendo-de-fome.shtml
  • Sociólogo da Unicamp  23/02/2018 19:43
    "Venezuelanos que já foram ricos hoje vivem como mendigos na Colômbia (mas mesmo assim não pensam em voltar ao país natal)."

    Ótimo. É assim que se reduz as desigualdades sociais. No Brasil faremos o mesmo a partir de 2019. Aguardem.
  • Mauro  23/02/2018 21:46
    Para nunca se esquecer:

  • Kissol  23/02/2018 22:13
    É o 'Socialismo do Séc. XXI', despido das vestimentas que os intelectuais bem-pensantes adoram adornar este tipo de regimes.
  • Mídia Insana  23/02/2018 23:01
    A demanda agregada foi estimulada!
  • Pinochet  24/02/2018 00:08
    FHC já disse recentemente, em entrevista a Jovem Pan, que Venezuela não é de esquerda. Daqui a alguns anos, dirão que é de direita. E assim ficará conhecida na história. Então, liberais, parem de faniquito. Vocês sempre vão perder porque são cheios de "não me toque".

  • General Paulos Kogos Interventor  24/02/2018 00:14
    A solução para a America Latina depende da nomeação do General Paulo Kogos como interventor.
  • BS  24/02/2018 12:49
    "O socialismo é a filosofia da falha, o credo da ignorância e o evangelho da inveja, sua virtude inerente é a divisão igualitária da miséria." Winston Churchill.
  • Polonês  26/02/2018 10:11
    [OFF] O engraçado é que as atitudes do autor dessa frase é que permitiram a expansão do socialismo no mundo...

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1215
  • Richard Gladstone de Jouvenel  26/02/2018 15:04
    Sou um estudante aplicado dos conflitos do século XX. Este livro ainda não faz parte da minha biblioteca a respeito porque empilhei uma série de outras leituras a frente, mas a hora dele vai chegar.

    Porém o artigo me deu bastante o que pensar. Sempre tive o maior respeito por sir Winston, embora eu seja mesmo admirador, assim como era o grande Joaquim Nabuco, de William Gladstone (1809-1898), o brilhante estadista britânico do século XIX. Assim como alguns ingleses que conheço, sempre achei Churchill tão sensacional quanto um brigão oportunista, um aventureiro que transformou essa sede em política de Estado.

    Porém, com a bibliografia que tenho a respeito e já lida, acho que o autor dá alguns duplos mortais carpados para defender a suposta parcimônia de Hitler. Sou bastante cético a respeito de tudo, e não dispenso pesquisa e análise cuidadosa, mas acho que Buchanan vê o cidadão com boa vontade demais.
  • rosane goularte  20/04/2018 18:55
    ... justamente para confirmar tal afirmação!!!
  • SIMÓN BOLIVAR  24/02/2018 14:01
    Olá amigos !

    Gostaria de lembrar-lhes algumas frases de minha autoria:

    " Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição "

    " Maldito seja o soldado que volta suas armas contra o seu próprio povo "

    " É mais difícil manter o equilíbrio da liberdade do que suportar o peso de uma tirania "

    " Mais do que pela força, nos dominam pelo embuste "

    " Quando a tirania se faz lei, a rebelião é um direito "

    " Minha pátria tem sido o meu único amor, e minha única ambição a sua liberdade "


  • Padawan  24/02/2018 14:19
    OFF:

    Gostaria de ler os comentários de vcs a respeito dessa conversa mole de que o verdadeiro déficit da previdência vem dos bancos, das empresas privadas, que devem 'zilhões', etc... Abraços.
  • Muito Malandro pra pouco Otário  25/02/2018 14:30
    Esse modelo de previdência é impagável.

    Essa reforma moraliza um pouco, mas não resolve o problema.

    O problema é que mais de 50 milhões de pessoas não pagam INSS, outras pessoas aposentam cedo, outros aposentam ganhando muito, etc.

    Se não mudar para um modelo de salário mínimo na previdência, em 15 anos iremos virar a Venezuela. O ideal seria cortar tudo, mas não tem como dar calote em quem já pagou a aposentadoria.

    Sem dinheiro para pagar polícia, professores e médicos, o país vai virar um caos pior do que a Venezuela. Empresas vão fechar por falta de segurança ou por excesso de impostos. Crianças vão ficar analfabetas por falta de professores. Os hospitais terão filas de cadáveres por falta de médicos. Sem contar que o dinheiro vai derreter pela inflação, ou ninguém vai conseguir empréstimo pelo juro alto causado pelo governo.

    Dados de 2017:
    Déficit dos Militares R$ 37,684 bilhões
    Déficit dos Servidores Públicos da União R$ 86,348 bilhões
    Déficit do setor Urbano de R$ 71,709 bilhões
    Déficit do setor Rural R$ 110,740 bilhões

    Enfim, a ignorância está vencendo. Juízes, políticos, funças, militares e grande parte da população não imaginam a desgraça que está vindo. Depois não adianta chorar.
  • Richard Gladstone de Jouvenel  27/02/2018 12:50
    Existe gente mais capacitada que eu pra falar sobre isso, mas vou tentar te elucidar no básico.

    Primeiro,a balela do "déficit" das empresas, que é dívida, não déficit. Lembrando também que não é só a iniciativa privada que deve. Estatais como os Correios e a Caixa também estão na encrenca.

    Quem prega sobre isso tem problema com matemática. O montante de dívida é alto, na casa dos 430 bilhões de reais, mas com base nos números que o Muito Malandro pra Pouco Otário nos trouxe sobre 2017, se todas essas dívidas fossem pagas hoje, o valor cobriria apenas o ano corrente e 40% do déficit do ano seguinte. E depois ?

    Nessa situação hipotética,sem a reforma, o problema surge de novo em dois anos, porque o problema está no modelo, e não em quem deve. A amada Constituição de 1988 deu direito a quem nunca contribuiu com 1 real, como trabalhadores rurais, sem ninguém pensar de onde viria o dinheiro pra tapar o buraco. Como nosso regime de previdência é solidário, quem está na ativa contribui para pagar os benefícios dos inativos. Neste caso, enquanto as taxas de natalidade no Brasil eram altas, isso não era problema a se pensar. Mas com a média atual de menos de dois filhos por mulher, o sistema é insustentável no longo prazo, e é essa conta que as pessoas não conseguem, ou não querem fazer.

    Não ajuda também manter a política de aumentos reais do salário mínimo, pois ela achata os benefícios médios e força os números para cima. Por mais dolorido que seja, é necessário pensar na desvinculação deste da correção dos benefícios, ou até congelar, como já foi aventado, o salário mínimo, pra tentar não estourar o caixa.

    E sem esquecer, claro, de um nó górdio da equação: a cadeia de privilégios de castas dos funcionários públicos. O déficit das aposentadorias dessa gente é um problema sério, com seus penduricalhos que acabam nos custando bilhões.

    Eu costumo usar esses argumentos pra explicar porque a reforma da Previdência é necessária, e costumo não ter réplica do interlocutor...pode ser que te ajude.

  • Engenheiro Falido  25/02/2018 17:46
    Boa tarde!

    Leandro, sane minhas dúvidas:

    Como funciona uma moeda lastreada em um cesto de moedas?

    Se a moeda se desvaloriza, como retirar dinheiro de circulação para valorizá-la?

    Grato
  • Peppino di Capri & Murilo Benício   26/02/2018 01:54
    Boa noite, sou novo aqui e tenho duas dúvidas, se puderem me ajudar muito obrigado.

    Em um ambiente de extrema liberdade(mais capitalista) o que impediria quem defende idéias comunistas de estabelecer seus próprios meios de produção? Creio então que todos seriam livres, quem se sente explorado que monte sua empresa com seus camaradas e que dividam igualitariamente os frutos,por qual motivo reclamam tanto do capitalismo? (desculpe se parece óbvio)

    Por fim, no escritório de contabilidade onde trabalho, falei que seria maravilhoso se todas as empresas pudessem migrar do simples nacional ou do lucro real etc para a MEI, desse modo seriam menos espoliadas na forma de impostos, porém o contador rebateu afirmando que isso seria ruim, pois MEI não emite nota de saída, o que reduziria o repasse da união para o município. Ele está certo no caso da MEI?

    Obrigado pela compreensão. Boa semana a todos.
  • Pobre Paulista  26/02/2018 13:04
    Nada impede. Num meio onde há plena liberdade, qualquer um pode comprar um bom pedaço de terra e aplicar o comunismo na prática ali dentro.

    Enquanto quem estiver dentro não quiser impor seus princípios para quem está fora, e que a adesão seja 100% voluntária, não há nada de errado: Há respeito à propriedade privada e liberdade de transações econômicas.

    Agora, se esse modelo irá prosperar ou não, isso já é outra história.

    Da mesma maneira que alguém pode impor o comunismo, também pode-se justificar a monarquia nesse cenário. Basta eu comprar um pedaço enorme de terra e cobrar um "aluguel" de quem quiser morar e construir lá. Esse "aluguel" pode ser chamado de "tributo", se quiser, e é 100% legítimo. E eu, como legítimo proprietário do lugar, posso construir um castelo nele, colocar um trono, enfeitar minha cabeça com jóias e me intitular "Rei" do local. Tudo dentro de um ambiente de liberdade. Basta eu não obrigar ninguém a ir morar lá, nem impedir que quem more lá vá embora.


    Note que em ambos os cenários, o legítimo proprietário tem o pleno direito de ditar as regras do local.

    A propósito, é por isso que muitos dizem que o anarco-capitalismo se resume à uma mera volta ao sistema feudal.
  • saoPaulo  05/03/2018 14:34
    Não consigo olhar para a imagem do bebê no caixão sem pensar no meu filho pequeno. É de dar um nó na garganta, lacrimejar os olhos...
    Concordo que aqueles que -- mesmo sendo avisados -- escolheram este sistema devam mais é que arcas com as consequências. Mas o que fazer com as crianças? Seria moral dexá-las pagar pelos erros de seus pais, estilo campos de concentração norte coreanos? Mas como ajudá-las sem perpetuar este sistema nefasto? Como ajudar os venezuelanos sem arriscar que estes contaminem o Brasil com ainda mais estatismo?
    Escolha difícil...
  • Emerson Luis  15/03/2018 11:55

    "Não deixa de ser fascinante constatar que, mesmo com a história nos fornecendo inúmeros exemplos, os governos parecem nunca aprender. Eles continuam acreditando que..."

    NÃO! Fascinante é constatar como liberais e conservadores bem instruídos ainda acreditam que esses psicopatas realmente acreditam no que pregam.

    PS: Lembrando que nem todo esquerdista é esquerdopata, entendam que todo esquerdopata é sociopata.

    * * *
  • Emerson Luis  15/03/2018 13:31

    Só faltou falar do extremamente revoltante zoológico venezuelano com animais subnutridos.

    O socialismo é como aquelas histórias de pacto com o Diabo (p/ex. Fausto e Mefistofeles), em que uma pessoa vende sua vida/dignidade em troca de algo que deseja obsessivamente.

    A diferença é que Mefistofeles pelo menos cumpria a sua parte do pacto, enquanto o socialismo compra a vida/dignidade das pessoas, mas para a maioria não entrega o que prometeu...

    * * *
  • Dilma 2.0  04/06/2018 16:34
    www1.folha.uol.com.br/colunas/leandro-narloch/2018/05/para-ciro-gomes-oposicao-venezuelana-e-fascista-e-neonazista.shtml

    Esse é o candidato que a esquerda brasileira defende com unhas e dentes. Um coroné nordestino que a família está no poder do Ceará desde 18xx e que diz que a culpa da situação na Venezuela é da "oposição neonazista".


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