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Carteis, postos e preços da gasolina - de quem realmente é a culpa pela forte alta?
Eis o fato: há muito governo na nossa gasolina


Nota: Artigo originalmente publicado no dia 21 de fevereiro de 2018


Uma preocupação do governo federal recentemente anunciada gerou reações sarcásticas em profusão nos cidadãos que receberam a notícia:



manchete.png

Os comentários irônicos seguiram todos na mesma linha: "Não me diga!"; "Só indícios?"; "Descobriu a América!" — tudo no sentido de fazer galhofa com a epifania dos órgãos públicos diante de algo que não seria novidade para ninguém.

De fato, é notório que o preço dos derivados do petróleo em nosso país varia muito pouco dentro da mesma unidade geográfica. Mais: os reajustes costumam ser aplicados de forma síncrona.

Tudo isso, inevitavelmente, induz o brasileiro médio a apressadamente concluir que tais fenômenos — ínfima diferença de preços e reajustes simultâneos — só ocorrem porque os proprietários dos postos burlam o sistema de concorrência e fazem um cartel entre eles, tabelando os valores a serem cobrados. Tal arranjo ímprobo entre eles ocorre, obviamente, em prejuízo aos consumidores.

O que nos leva à seguinte elucubração: ora, se esses comerciantes conseguem garantir maiores faturamentos por meio deste expediente (combinando preços), é de se imaginar que assim procedam também, por exemplo, os donos de padarias, mercados, armazéns e restaurantes — enfim, todos aqueles que comercializam produtos similares dentro do ramo alimentício. Correto?

Discordar desta hipótese equivaleria a afirmar que, por uma inexplicável coincidência, os empresários daquela atividade econômica em especial costumam ser menos honestos que todos os demais. Será que o odor de benzeno nos estabelecimentos onde abastecemos o carro perturba a moral dos indivíduos?

O que impediria quaisquer empreendedores de um mesmo setor da economia de adotar o mesmo suposto estratagema dos donos de postos de combustíveis — quem sabe até mesmo formando um grupo no Whatsapp e combinando que, a partir de amanhã, elevarão o preço de um determinado rol de produtos ou serviços em 10%?

Não é este o cenário que observamos, por certo.

As reais causas

Há duas explicações para esse comportamento dos preços praticados pelos postos de combustível.

A primeira — e mais importante — explicação para este fenômeno não está na ponta final do processo produtivo — a comercialização, a interação final com o cliente —, mas sim nas demais etapas do caminho que o petróleo percorre até chegar no seu tanque.

A cadeia produtiva dos combustíveis consiste basicamente de quatro estágios: exploração, refino, distribuição e, aí, sim, comercialização.

O problema que irá gerar, lá na frente, aquele aparente "comportamento desonesto" dos preços, encontra-se especialmente no segundo: a Petrobrás é dona de 13 das 17 refinarias do Brasil, respondendo por 98% do petróleo refinado (isto é, transformado em gasolina, diesel, etc.) no país. 

O próprio presidente da Petrobras já veio a público confessar: "Não é bom para o País a Petrobras ter 100% de monopólio no refino".

E por que não há refinarias nacionais ou estrangeiras no país para concorrer com a Petrobras? Simples. Porque para abrir uma refinaria no país você tem de:

1) submeter-se a uma cornucópia de regulamentações impostas pela ANP, que regula tudo que diz respeito ao setor; 

2) A ANP é uma burocracia enorme que possui, além de sua diretoria, uma secretaria executiva, 15 superintendências, 5 coordenadorias, 3 núcleos (Segurança Operacional, Fiscalização da Produção de Petróleo e Gás Natural, e Núcleo de Informática) e 3 centros (Relações com o Consumidor, Centro de Documentação e Informação, e Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas). 

Montar uma refinaria significa ter de submeter a calhamaços regulatórios impostos por cada um desses departamentos, o que, por si só, já torna todo o processo financeiramente inviável. 

3) Além da ANP, você tem de se submeter a calhamaços de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança. O arranjo sempre foi montado exatamente para coibir a concorrência à Petrobras. Pode até ser que mude no futuro, mas não há qualquer indicação disso. 

4) Além de tudo isso, estamos no Brasil, o que significa que você terá de "molhar a mão" de vários políticos e burocratas caso realmente queira conseguir alguma licença. 

5) Finalmente, ainda que um empreendedor estivesse disposto a encarar tudo isso e realmente conseguisse abrir refinarias no país para concorrer com a Petrobras, o governo poderia simplesmente praticar política de controle de preços e reduzir artificialmente os preços cobrados pela Petrobras, o que garantiria a reserva de mercado da estatal e inviabilizaria todo o seu empreendimento, trazendo enormes prejuízos.

Essas são as consequências de se ter todo um setor controlado diretamente pelo estado: total insegurança jurídica.

Sendo assim, é simplesmente inviável surgirem novas refinarias.

Ou seja, como diria Carlos Drummond de Andrade, há uma pedra (o estado) no meio do caminho. Este monopólio estatal elimina a competição exatamente na fase de processamento, onde uma melhor produtividade (corte de custos e adoção de métodos mais eficazes) seria capaz de reduzir consideravelmente o preço final na bomba.

(Quanto à exploração, vale lembrar que o mercado nacional de petróleo ficou completamente fechado de 1953 a 1997, período em que a Petrobras deteve, por lei, o total monopólio do setor. A consequência inevitável é que, com a abertura do mercado após mais de 40 anos de monopólio, a Petrobras já havia se apossado das melhores reservas do país, não havendo espaço para a concorrência privada. Hoje, é quase que impossível alguém concorrer com a estatal. Embora o monopólio de jure não exista mais, o monopólio de fato continua praticamente intacto.)

Para se ter uma ideia mais clara do efeito nefasto deste obstáculo no meio da jornada, observe os aumentos registrados de julho de 2017 até o início de 2018 no preço da gasolina em cada um dos elos da cadeia econômica: nas refinarias, 30,03%[1]; nas distribuidoras, 19,24%; e nos postos, 16,78% (Fonte).

Ou seja, quanto mais a gasolina se afasta do governo e se aproxima do mercado, mais a concorrência vai fazendo seu "milagre": os postos repassaram, no período considerado, aproximadamente metade do aumento aplicado pela Petrobrás, o que reduziu de 22% para 14% a margem bruta média, percentual ainda pendente da quitação de custos como aluguel, água, luz e mão de obra.

E, considerando que, neste período, o governo mais que dobrou as alíquotas do PIS/COFINS sobre a gasolina, o repasse ocorrido nas bombas foi até baixo.

Os postos, obviamente, tiveram de segurar os repasses para espantar a clientela o mínimo possível (coisa que não tira o sono de gestores governamentais nem por um segundo). No entanto, os consumidores, naturalmente, direcionam sua indignação para aqueles com quem negociam diretamente.

Percebam que aí reside o porquê do reajuste simultâneo: as refinarias estatais, por dominarem quase 100% do refino, controlam uma espécie de "gatilho" do sistema de preços, que é repassado a partir de seu disparo — o que não ocorreria se diversos fornecedores diferentes atuassem concomitantemente, como é a regra na maioria dos setores da economia. Mas como vem tudo da mesma fonte, é de se esperar que o efeito se alastre de maneira uniforme.

E a interferência estatal na composição final do preço dos combustíveis não acaba por aí: além da forte participação da Petrobrás na exploração e, principalmente, no refino do petróleo, há pesadas regulamentações estatais tanto na distribuição quanto na comercialização, onerando os investimentos necessários para empreender na área e, consequentemente, formando oligopólios nestas atividades (leia-se: nicho concentrado nas mãos de poucos).

O que nos leva à segunda causa para o comportamento dos preços: sim, o setor de postos de combustível funciona, na prática, como uma reserva de mercado.

As pesadas regulamentações da ANP, além de tornarem proibitivo o surgimento de qualquer empresa que queira prospectar petróleo aqui no Brasil e nos vender, também garantem esse oligopólio do setor de postos de combustível. Como explicado neste artigo:

Não há nenhuma liberdade de entrada para qualquer concorrência neste ramo [postos de combustível].

Tente você abrir um posto de gasolina. Além de todas as imposições da ANP e de todos os papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, há ainda toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos (ou a pessoas que possuem contatos junto ao governo).

Livre concorrência nesta área nunca existiu. Você só consegue se tornar dono de um posto de gasolina se o seu atual dono lhe passar o ponto. Apenas veja na sua própria cidade. Qual foi a última vez que você viu um posto de gasolina ser aberto em uma nova localidade? Praticamente nenhum posto quebra e nenhum posto novo surge.

E piora. Desde o ano 2000, há uma lei federal que proíbe a instalação de sistemas de autoatendimento nos postos de gasolina, como já ocorre em praticamente todos os países de primeiro mundo. Tanto na Europa quanto nos EUA não existem frentistas. No Brasil, o governo tornou essa profissão obrigatória (assim como trocador de ônibus), o que só encarece os custos de se ter um posto de combustível.

E, antes de lamentar pelo emprego dos frentistas, lembre-se da lição de Frédéric Bastiat: mais dinheiro sobrando no bolso de quem compra gasolina (quase todo mundo) significa mais consumo em outros segmentos, nos quais estas oportunidades de trabalho serão recuperadas (e este remanejo ocorrerá de forma tão menos traumática quanto mais flexível for a legislação trabalhista).

Conclusão

A Petrobras detém o monopólio do refino de petróleo, o que a permite estipular preços sem concorrência interna. Adicionalmente, os postos de combustível atuam em um setor fortemente regulado pelo governo: de um lado, as regulamentações restringem o surgimento da concorrência, o que é bom para os postos já estabelecidos; de outro, elas geram vários custos operacionais extremamente altos, o que é ruim para os postos.

Ambos os fatores empurram os preços para cima e, no final, quem é o real prejudicado é o consumidor.

Por isso, apontemos o dedo para os verdadeiros culpados pelo "cartel" do combustível: os governantes contrários à total abertura ao livre mercado desta atividade econômica, o que inclui a desregulamentação do setor de postos e a desestatização da Petrobrás (mas aí acabariam o aparelhamento e o loteamento de cargos para apadrinhados políticos).

Por fim, é o paroxismo da ironia o governo, o real protetor dos carteis, dizer que irá "combater os cartéis".

Retomando a manchete lá do início, é possível fazer uma releitura do enunciado levando em consideração o exposto aqui, propondo uma versão mais condizente com os fatos:

"Governo diz haver fortes indícios de manipulação de preços no setor, problema causado e mantido por ele mesmo"….



[1] A política do governo Dilma de congelar o preço dos combustíveis — obrigando a Petrobras a vender para as distribuidoras gasolina e diesel abaixo do preço pelo qual foram importados — destruiu o capital da estatal, causando um prejuízo de aproximadamente R$ 60 bilhões. (Valor este que é muito maior do que o desviado pela corrupção na estatal).

Para compensar este estrago e recompor o caixa da estatal, a atual diretoria da Petrobras teve de elevar os preços dos combustíveis, fazendo com que eles batessem recordes quase que diários. Esta é a causa dos seguidos aumentos observados nas refinarias.

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Há muito governo na nossa gasolina


51 votos

autor

Ricardo Bordin
é formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR. Atua como auditor-fiscal do trabalho e, no exercício da profissão, constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde não são os empreendedores, mas sim a burocracia estatal.

  • Felipe Lange  21/02/2018 16:36
    O povo brasileiro precisa parar de cair em conversas moles de que o petróleo é dele e da casa do caralho. Precisa parar de se iludir com esses discursos nacionalistas de que o estado precisa "cuidar dos setores estratégicos" que orgulhariam Josef Stalin. Precisa parar de achar que uma agência que funciona pior que os Correios como a ANP irá garantir qualidade da mijolina com 27% de lixonol. E precisa parar de acreditar de que o estado é quem combate monopólios, oligopólios e cartéis. E que o estado precisa proteger empresários vagabundos e incompetentes dos consumidores.

    Enquanto esses discursos continuarem, os trouxas aqui vão consumir uma mijolina cara e adulterada enquanto o americano usa uma gasolina que preste e barata.
  • Cesar Oleskovicz  21/02/2018 17:28
    Correto! O único petróleo que é seu, é aquele que você comprou e está no tanque do seu carro!
    Dizer que o petróleo da petrobras é nosso é o mesmo que dizer que os produtos de um supermercado são nossos, mas que você tem que pagar ao passar pelo caixa.
  • balbino  22/06/2018 18:16
    Não é nosso não, é dos gringo seu entreguista
  • PROFESSOR ARISTÓBULO  21/02/2018 16:42
    g1.globo.com/economia/noticia/entenda-a-composicao-do-preco-da-gasolina-e-o-que-diz-a-petrobras.ghtml

    O que encarece a gasolina são os impostos.

    E ainda tem que pagar pra batizar a nossa gasolina(a porcentagem lá de etanol anidro)...


    É ridículo.

  • Frentista  21/02/2018 16:47
    Impostos aumentam os preços da refinaria até as bombas. No entanto, os seguidos aumentos na refinaria são obra e graça exclusiva da Petrobras, que opera com concorrência quase zero. E como as distribuidoras têm de comprar das refinarias, não há mágica.
  • Hamilton  21/02/2018 16:44
    "a Petrobrás é dona de 13 das 17 refinarias do Brasil, respondendo por 98% do petróleo refinado no país."

    Carai, 98%?! De fato, o petróleo é mesmo nosso! E que vantagem!
  • Bernardo  21/02/2018 17:06
    A Petrobras aumenta os preços na refinaria em 30%. O governo federal aumenta o PIS/Cofins sobre a gasolina em mais de 100%. Vários governos estaduais, como o de MG, aproveitam e também elevam o ICMS sobre gasolina em quase 7%.

    No final, os postos, que elevaram os preços "apenas" 16% são apontados como os únicos culpados de tudo. Pior: serão investigados e punidos pela entidade que realmente causou o estrago. Piada pronta.


    P.S.: longe de mim querer defender postos, que são protegidos por uma reserva de mercado, mas está claro que eles são os menos culpados de tudo.
  • Vladimir  21/02/2018 17:12
    O próprio Pedro Parente confessou:

    "Não é bom para o País a Petrobras ter 100% de monopólio no refino, diz Parente"

    istoe.com.br/nao-e-bom-para-o-pais-a-petrobras-ter-100-de-monopolio-no-refino-diz-parente/
  • Abacate Minarquista  21/02/2018 18:41
    E como 100% de monopólio no refino não é bom, a Petrobras acaba tendo um monopólio de 98! Brilhantismo estatal ataca novamente.
  • Paulo Henrique  23/02/2018 19:46
    Lembrando que o petróleo bruto que vai do Brasil para alguns países da america latina(não lembro exatamente qual), é vendido mais barato lá do que internamente(Brasil), exatamente pq não é refinado aqui, além das taxas possivelmente serem menores

    A nossa gasolina poderia ser mais barata apenas atacando a questão do refino, mesmo que a Petrossauro continuasse com o monopólio prático da extração;

    Outra coisa interessante, o Brasil ainda teria extração de petróleo se fosse permitido importar barato do mundo?

  • Jefferson  24/01/2019 10:55
    Hoje a gasolina é vendida nas refinarias da Petrobras por R$ 1,50 o litro.
  • Leonardo  21/02/2018 17:13
    Se não me engano, no exterior, estava em discussão a liberação de venda de combustível a partir de caminhões, muito semelhante aos caminhões de gás que vendem para os os condomínios. Tenho certeza que essa medida diminuiria a chance de cartel de em postos de combustível.
  • João  21/02/2018 17:16
    Confesso que nunca entendi o "espanto" com a coincidência dos preços cobrados. O preço cobrado é simplesmente o ponto de equilíbrio dos postos: se vender mais barato, quebra, se vender mais caro, quebra também. É assim para todos. Como os custos operacionais entre os postos são praticamente os mesmos (ao contrário de restaurantes, por exemplo), e o produto vendido também, não há margem para grandes diferenças. O que irá variar é simplesmente o IPTU de cada localidade do posto.
  • Renan  22/02/2018 10:05
    É verdade! Eu trabalhei em posto de combustíveis em 2016 e me lembro que, cada vez que os preços dos combustíveis subia, o dono do posto rodava a cidade de carro (cidade pequena) e anotava os preços de todos os postos. Com isso ele chegava ao seu preço (sempre sendo o mais baixo da cidade) e geralmente obtinha um ganho médio de 0,25 centavos por litro de etanol e de 0,50 centavos por litro de gasolina.

    Não havia como ganhar mais do que isso por litro vendido, se não os preços ficariam altos e não venderia. Mas isso não quer dizer que o posto tinha um faturamento mensal abaixo de 700 mil...
  • Rodrigo Amado  21/02/2018 18:04
    A maioria do povo é burra e por isso é contra a privatização da Petrobras e a liberação da exploração por qualquer empresa.
    Logo eles têm o que merecem.

    A minoria que é libertária não tem como mudar a mente da maioria burra.
    Não adiantar argumentar que as pessoas não são burras, e que apenas foram enganadas por anos
    de lavagem cerebral fornecidos pela escola, pela mídia e por toda a sociedade.
    Pessoas inteligentes não acreditam em mentiras mesmo que essas mentiras sejam repetidas ad nauseum.

    Ser um libertário e esperar um comportamento racional das pessoas é como ser uma pessoa
    normal e esperar que um chimpanzé se comporte de forma civilizada e aprenda a ler e escrever.
  • Pobre Paulista  21/02/2018 18:21
    Bobinho. A maioria das pessoas que se beneficiam com a Petrobrás sendo estatal são infinitamente mais inteligentes que você, que eu e que todos nós juntos.
  • Rodrigo Amado  21/02/2018 20:54
    "Bobinho. A maioria das pessoas que se beneficiam com a Petrobrás sendo estatal são infinitamente mais inteligentes que você, que eu e que todos nós juntos.".

    Se você concorda com o que eu disse porque me chamou de bobinho como se discordasse?
    É difícil mesmo achar alguém inteligente nesse mundo.
  • Sempre Mais do MESMO  22/02/2018 13:29
    Rodrigo, essa foi G E N I A L ! ! !

    Reproduzo:

    "Ser um libertário e esperar um comportamento racional das pessoas é como ser uma pessoa
    normal e esperar que um chimpanzé se comporte de forma civilizada e aprenda a ler e escrever."

    O "bobinho" foi mera ironia ou um jeito, mesmo, de concordar com você de uma forma metafórica.
  • Ailton  23/05/2018 18:41
    O problema é que a gente paga pela burrice deles.

    E concordo plenamente, eu passei a vida sendo doutrinado e emburrecido pelo sistema educacional e pela mídia, mas hoje com 26, e já a uns 4 como libertário, não aceito que as pessoas passem a vida inteira aceitando essa bobagem e continuem burras pra sempre.

    É preguiça e mal caratismo de achar que a sociedade lhe deve alguma coisa, bolsa caralho a quatro, aposentadoria ...
  • Bruno Carvalho  09/06/2018 02:56
    Rodrigo Amado, seu último parágrafo foi uma das melhores definições do sentimento libertário que já vi.
    Parabéns, ta certíssimo.
  • Jefferson  24/01/2019 10:53
    Faltou informar que a Petrobras vende os combustíveis baseados no preço internacional, e muitas vezes um pouco abaixo do mercado internacional. Atualmente os preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobras, são inferiores aos preços das refinarias americanas. Ou seja, temos muitos problemas que influenciam no preço final do combustível, mas a Petrobras é o menor deles. Lembrando que do valor que pagamos nos postos de gasolina, certa de 26% são de fato da Petrobras.
    Nós últimos meses a gasolina teve uma queda de cerca de 40% nas refinarias, porém não vimos essa queda nas bombas de combustível.
  • Trader  24/01/2019 12:15
    Sim, e vários governos estaduais aproveitaram a alta ocorrida em 2018 para aumentar a base sobre a qual incide o ICMS. Ao passo que em São Paulo (estado que menos cobra ICMS) você encontra gasolina abaixo de R$ 3,70, em cidades do RJ (estado que esfola o ICMS) ela é vendida acima de R$ 4,80.

    Aí, meu filho, com os governos estaduais desesperados por dinheiro e aumentando a base de arrecadação, não tem nenhuma chance de o preço da gasolina despencar.

    www.valor.com.br/politica/6008969/estados-cobram-mais-icms-para-tentar-equilibrar-contas

    www.otempo.com.br/capa/economia/estado-eleva-base-de-c%C3%A1lculo-de-icms-e-encarece-a-gasolina-1.1568716

    ndonline.com.br/florianopolis/noticias/apos-mudanca-na-base-de-calculo-do-icms-preco-da-gasolina-tera-aumento-a-partir-de-sabado


    Impressionante como o brasileiro sempre dá um passe livre para o estado...
  • Luiz Moran  21/02/2018 18:53
    Até em condomínios residenciais existem cartéis no Brasil.

    O Brasil comunofascista, antes de ser uma Nação, é um cartel.
  • anônimo  21/02/2018 19:12
    Vale lembrar que nos EUA você pode comprar tudo na bomba, gasolina pura, gasolina com até 10% de etanol, E20, E50, E85, etc...

    Confiram:

    sdcorn.s3.amazonaws.com/legacy-content/sdcornblog/uploads/2013/05/photo.jpg

    Tem também postos que vendem "racing fuel" com 100 octanas (sem etanol, com chumbo, apesar de ser baixo teor). E essa idiotice de "aditivada" não existe lá, todas gasolinas mais caras tem performance melhor e não só detergente:

    drivetofive.files.wordpress.com/2014/09/100_octane.jpg

    E muitos donos da carros antigos usam Avgas (100LL), por ser mais parecida com as gasolinas de antigamente, pela fórmula ser fixa e não mudar e por ter maior shelf life.

    Comparar nossos postos de gasolina com os dos EUA é como comparar um supermercado soviético com um americano: preços absurdos, de um fornecedor só, com pouca variedade.
  • Daniel  21/02/2018 19:17
    Sobre isso, um detalhe: no Brasil, se um dono de posto resolver vender gasolina pura, sem álcool, ele será preso por falsificação de combustíveis.
  • Nunes  21/02/2018 19:25
    Só sei que desde que o governo Dilma (oglobo.globo.com/estilo/carros/gasolina-com-27-de-alcool-pode-prejudicar-alguns-motores-15256181 ) elevou de 25% para 27% (aumento de 8%) a quantidade de álcool na gasolina, houve uma sensível alteração no consumo do meu carro (que não é flex). Um trecho rodoviário que eu fazia a 13,6 km/l caiu para 12,3 km/l. Mantenho o mesmíssimo estilo de direção e continuo abastecendo no mesmo posto.

    Um amigo relatou o mesmo. Viaja semanalmente em uma estrada sinuosa e o consumo subiu de 11,7 para 10,6 km por litro.
  • Felipe Lange  21/02/2018 21:16
    Tudo pra proteger os usineiros incompetentes que não querem perder a boquinha.
  • Bruno Diniz  21/02/2018 20:43
    Solução: liberar totalmente a concorrência estrangeira com a Petrobras, abolir as regulamentações para a abertura de postos, zerar o imposto de importação de petróleo, e reduzir drasticamente os impostos indiretos sobre a gasolina.

    Qual governo fará isso? Nenhum, pois isso afetaria as receitas de Petrobras e, logo, as mamatas dos políticos e apadrinhados empoleirados na estatal.

    O petróleo é nosso!
  • cmr  21/02/2018 19:48
    Façam como eu, não tenham carro.

    Obs: eu posso ter, tenho condições financeiras para isso, mas simplesmente não tenho.
  • Tio Patinhas  22/02/2018 19:37
    E como vc faz com compras em supermercado? E se tiver 1 emergência? Vc mora em que cidade?
  • 4lex5andro  24/05/2018 19:08
    Depende de muitas variáveis, o supermercado nem é uma delas, dá pra ir no atacarejo 1x por mês.

    O principal é a rotina do dia-a-dia, se não tiver obrigações escolares diariamente, e o trabalho for perto da residência, e se não for, tiver acesso a bons trens e metrô.

    Então de fato, faz sentido.
  • Wellington  21/02/2018 20:55
    Tal como os setores de companhias aéreas e bancário, o setor de distribuidoras de petro-derivados tem cada vez ficado mais concentrado em meia dúzia de empresas, redundando em menos rivalidade nos setores.

    E "coincidentemente" esse fenômeno se intensificou com o advento das agências reguladoras, após 2001/2002.

    Faz uns vinte anos existiam, por exemplo, Atlantic, Texaco, Agip, Esso, Forza e ALE. Todas essas distribuidoras foram compradas por outras distribuidoras e mudaram de bandeira.

    Por exemplo, a BR comprou a Agip e a Forza.

    A Texaco foi comprada pela Ultrapar, que controla a Ipiranga.

    A Ultrapar comprou também a ALE

    E a Esso foi para a Shell

    No setor bancário, Unibanco, Abn-amro e BBV também foram embora ou extintos/incorporados pelos concorrentes.

    Quando você fecha o mercado via agências reguladoras e praticamente proíbe tanto a concorrência de estrangeiros quanto o surgimento de pequenos concorrentes nacionais, fusões e aquisições se tornam algo extremamente lucrativo. O problema é fazer as vacas entenderem que quem causa isso são justamente as regulações.
  • Leandro Eloy Sousa  21/02/2018 20:55
    Como se explica o crescimento vertiginoso da importação nos últimos anos, desde que a Petrobras começou a aplicar preços de mercado?

    Culpar o "monopólio" pelo Refino é ingenuidade.

    Por que então nenhuma outra empresa se aventura em montar sua própria Refinaria no país e se aproveita das "altas margens" da Petrobras?
  • Wellington  21/02/2018 21:16
    "Como se explica o crescimento vertiginoso da importação nos últimos anos, desde que a Petrobras começou a aplicar preços de mercado?"

    O Brasil consome 3,09 milhões de barris de petróleo por dia, o que equivale a 1,13 bilhão de barris por ano.

    amazonasatual.com.br/consumo-de-petroleo-no-brasil-deve-atingir-309-milhoes-de-barris-por-dia/

    As importações foram de 207 milhões de barris em 2017.

    Ou seja, importamos apenas 18% do consumo. Uma mixaria.

    Se isso é "vertiginoso", então só posso sugerir que você aprimore seu vernáculo.

    "Culpar o "monopólio" pelo Refino é ingenuidade"

    Ingenuidade é ignorar dados, fatos e números. Como importar petróleo em massa se, segundo o próprio presidente da Petrobras, a estatal detém 100% do refino?

    istoe.com.br/nao-e-bom-para-o-pais-a-petrobras-ter-100-de-monopolio-no-refino-diz-parente/

    "Por que então nenhuma outra empresa se aventura em montar sua própria Refinaria no país e se aproveita das "altas margens" da Petrobras?"

    Porque para abrir uma refinaria no país você tem de:

    1) se submeter a uma cornucópia de regulamentações impostas pela ANP, que regula tudo que diz respeito ao setor;

    2) A ANP é uma burocracia enorme que possui, além de sua diretoria, uma secretaria executiva, 15 superintendências, 5 coordenadorias, 3 núcleos (Segurança Operacional, Fiscalização da Produção de Petróleo e Gás Natural, e Núcleo de Informática) e 3 centros (Relações com o Consumidor, Centro de Documentação e Informação, e Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas).

    Montar uma refinaria significa ter de submeter a calhamaços regulatórios impostos por cada um desses departamentos, o que, por si só, já torna todo o processo financeiramente inviável.

    3) Além da ANP, você tem de se submeter a calhamaços de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança para abrir uma refinaria. O esquema é todo montado justamente para coibir a concorrência à Petrobras. Sempre foi assim (pode até ser que mude no futuro, mas não há qualquer indicação disso).

    4) Além de tudo isso, estamos no Brasil, o que significa que você terá de "molhar a mão" de vários políticos e burocratas caso realmente queira conseguir alguma licença.

    Sua ingenuidade em relação ao mundo real, e especialmente à política, é realmente comovente.
  • Felipe Lange  21/02/2018 21:19
    Você tem certeza do que está falando?
  • Carioca Burro  11/03/2018 15:00
    Você tem de saber o que quer. Preço internacional ou preço regulado. Quando a Petrobras regula o preço tu reclama, quando faz paridade com o internacional tá ruim também.
  • anônimo  11/03/2018 15:21
    Hein?! Quem aqui está defendendo preço regulado e criticando paridade com preço internacional? Este nunca foi o tópico.

    A maneira como a Petrobras precifica a gasolina em suas refinarias nem sequer é o tema. O tema é o mercado de produção, refino e postos ser quase que totalmente fechado no Brasil, e como isso afeta os preços.

    O que está em discussão é a pesada regulação estatal sobre o mercado de combustíveis.

    Se é pra ter uma estatal que vai seguir preços do mercado internacional (o que é correto), então, por definição, o governo tem de liberar a concorrência, pois a estatal está seguindo política de mercado. Sendo assim, por que pirocas o governo tributa a importação de gasolina? E por que ele restringe o acesso ao mercado de produção de petróleo? Por que ele regula o setor de postos tão pesadamente?

    Ou seja, o governo quer uma estatal funcionando "seguindo leis de mercado", mas não quer que ela sofra nenhuma concorrência de empresas privadas. Assim é gostoso. Para os políticos, é claro.


    P.S.: o petróleo pode ter subido 30% no mercado internacional, mas, como mostra o gráfico do preço da gasolina nos EUA, os postos americanos aumentaram apenas 8%. Por quê? Porque lá o setor é livre, não é distorcido por estatais, e a importação é liberada.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-gasoline-prices.png?s=unitedstgaspri&v=201802071748v&d1=20170101&d2=20171228
  • Mr Richards  26/02/2018 02:00
    "Por que então nenhuma outra empresa se aventura em montar sua própria Refinaria no país e se aproveita das "altas margens" da Petrobras?"

    Acredito que isso responde sua pergunta:

    www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2709200530.htm
  • Capitalismo de Bem Estar  22/02/2018 01:54
    O problema do Brasil é que tem muito malandro pra pouco otário.

    Esse montanha de beneces estatais são distribuidas e recebidas por malandros.

    Esses auxílios e reembolsos de funcionários públicos é coisa de malandro.

    Tem tanto malandro que o cofre esfaziou. A malandragem roubou e enganou tanto que o psís quebrou. Até fabricação de dinheiro os malandros fizeram.

    Nesse país Tem malandro demais pra otário de menos.

    O

  • Julian  22/02/2018 11:12
    Excelente artigo. Faço apenas uma observação, que vale para todos os artigos deste Instituto quando abordam o assunto do petróleo. Nos jargões do ramo, "exploração" se refere às atividades da busca pelo petróleo (estudo geológico, sísmica, etc.), enquanto "produção" se refere ao fato de extraí-lo. Então, quando o artigo menciona "exploração", ele está querendo dizer "produção".
  • Douglas  22/02/2018 11:35
    Neste caso até que a Petrobras não é o verdadeiro vilão.

    www.petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/composicao-de-precos-de-venda-ao-consumidor/gasolina/
  • Michael  22/02/2018 12:29
    Isso é outro assunto. Uma coisa é examinar a composição dos preços; outra coisa, bastante diferente, é entender por que os preços aumentam tanto, e continuamente.

    Que os preços nas bombas são altos majoritariamente por causa dos impostos isso é algo que qualquer brasileiro sabe. Mas isso não explica por que eles sobem todos os dias.

    Impostos fazem o preço final ser mais alto, fato, mas eles não fazem os preços subirem diariamente.

    Quem é que impõe os preços fazendo reajustes diários? Exato, a Petrobras. E sem concorrência. E ela reajusta diariamente os preços porque, sendo uma estatal, foi pilhada por políticos, e agora precisa recompor seu caixa. Só nos últimos seis meses, a Petrobras aumentou os preços em 30%.
  • Julian  22/02/2018 18:44
    E nesse mesmo período, a cotação do petróleo Brent subiu quase 40%.
    Fechamento do Brent em 30/06/2017: USD 47,92
    Fechamento do Brent em 29/12/2017: USD 66,87

    Então, a Petrobras hoje precifica mais corretamente seus produtos.
    Ou você gostaria que ela segurasse o preço agora também, com o petróleo em disparada?
  • Viajante  22/02/2018 19:15
    Ué, em 30 de junho de 2017, um litro de gasolina nos EUA custava US$ 0,62. Em 29 de dezembro de 2017, US$ 0,67.

    Ou seja, aumento de apenas 8%.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-gasoline-prices.png?s=unitedstgaspri&v=201802071748v&d1=20170101&d2=20171228

    Como você explica essa?

    Aqui no Brasil, nesse mesmo período, a Petrobras aumentou 30%.

    E olha que, ao contrário de nós, os americanos não são auto-suficientes (os governos Lula e Dilma juraram que somos), não têm estatais de gasolina, têm importação totalmente liberada e não tributada, e a entrada no setor de postos é bastante livre. Qualquer loja de conveniência pode vender gasolina livremente.

    Ao passo que, nos EUA, o setor petrolífero é dominado por empresas privadas "malvadas e gananciosas", no Brasil o setor petrolífero é controlado por uma estatal que ama os pobres.

    Aliás, dado que o petróleo é nosso, por que a Petrobras tem de seguir cotação internacional para o petróleo que ela produz e vende aqui dentro?

    Entenda o básico: se é pra ter uma estatal que vai seguir preços internacionais, então, por definição, o governo tem de liberar a concorrência, pois a estatal está seguindo política de mercado. Sendo assim, por que pirocas o governo tributa a importação de gasolina? E por que ele restringe o acesso ao mercado de produção de petróleo? Por que ele regula o setor de postos tão pesadamente?

    Ou seja, o governo quer uma estatal funcionando "seguindo leis de mercado", mas não quer que ela sofra nenhuma concorrência de empresas privadas. Assim é gostoso. Para os políticos, é claro.

    E nêgo defende isso. A paixão do brasileiro pelo estado está muito além do masoquismo. O cara é assaltado na cara dura por políticos e ainda tenta justificar isso.
  • Alfredo Gontijo  22/02/2018 19:36
    A maneira como a Petrobras precifica a gasolina em suas refinarias nem sequer é o tema. O tema é o mercado de produção, refino e postos ser quase que totalmente fechado no Brasil, e como isso afeta os preços.

    O petróleo pode ter subido 30% no mercado internacional, mas, como mostra o gráfico do preço da gasolina nos EUA, os postos americanos aumentaram apenas 8%. Por quê? Porque lá o setor é livre, não é distorcido por estatais, e a importação é liberada.
  • Douglas  22/02/2018 13:47
    Concorrencia?
    Petróleo não é commodities.

    www.investir-petroleo.pt/artigo/cotacao-barril-petroleo.html

    A única que conseguia congelar o preço da gasolina era é Dilma.
  • Confuso  22/02/2018 22:54
    Ué, não entendi. Então a Petrobrás não é um monopólio para distribuir combustíveis para os postos? Petrobrás atualmente é mista...as 13 refinarias são 100% estatais? No link da Globo que vc colocaram diz:

    "Parte do recuo do refino está atrelado ao aumento das importações de combustíveis pelos concorrentes da Petrobras. Esse avanço ocorreu porque a estatal manteve, por boa parte do ano passado, os preços de gasolina e diesel mais elevados no Brasil em relação ao mercado internacional. Como consequência, essas empresas optaram por trazer o combustível do exterior do que comprar da Petrobras."
  • Wellington  23/02/2018 00:52
    "Ué, não entendi."

    Vem cá. Me dá a mãozinha aqui que eu vou tentar lhe conduzir.

    "Então a Petrobrás não é um monopólio para distribuir combustíveis para os postos?"

    Para distribuir? Ninguém afirmou isso. A Petrobras, segundo seu próprio presidente, detém 100% do refino. (Na verdade, detém "apenas" 98%).

    istoe.com.br/nao-e-bom-para-o-pais-a-petrobras-ter-100-de-monopolio-no-refino-diz-parente/

    Refino não é o mesmo que distribuição. Se você acha que é -- e, pelo visto, esse é o caso -- sugiro voltar às leituras.

    "Petrobrás atualmente é mista"

    A Petrobras pertence ao governo federal. Ele detém 64% das ações ordinárias, que são as que dão direito a voto. Uma empresa, qualquer empresa, é gerida por quem detém a maioria das ações ordinárias, pois são estas que dão direito a voto. A União, detendo a mais da metade das ações ordinárias, é a única entidade que comanda a Petrobras.

    Não consigo desenhar melhor que isso.

    www.brasil.gov.br/governo/2010/09/uniao-agora-tem-64-do-capital-votante-da-petrobras

    "as 13 refinarias são 100% estatais?"

    Sim. As refinarias que pertencem à Petrobras, por definição, são estatais.

    "No link da Globo que vc colocaram diz:"

    Vamos ao link do Globo.

    "Parte do recuo do refino está atrelado ao aumento das importações de combustíveis pelos concorrentes da Petrobras."

    Não entendeu? Deixa eu desenhar.

    Algumas distribuidoras, em vez de comprar da Petrobras, preferiram importar gasolina, mesmo tendo de se submeter às tarifas de importação e ao custo do frete. Tudo isso era preferível a comprar da Petrobras.

    O Brasil consome 3,09 milhões de barris de petróleo por dia, o que equivale a 1,13 bilhão de barris por ano.

    amazonasatual.com.br/consumo-de-petroleo-no-brasil-deve-atingir-309-milhoes-de-barris-por-dia/

    As importações foram de 207 milhões de barris em 2017.

    Ou seja, importamos apenas 18% do consumo. Uma mixaria.

    "Esse avanço ocorreu porque a estatal manteve, por boa parte do ano passado, os preços de gasolina e diesel mais elevados no Brasil em relação ao mercado internacional. Como consequência, essas empresas optaram por trazer o combustível do exterior do que comprar da Petrobras."

    Entendeu agora por que importaram? Diga que sim, por favor.

    Espero que tenha ajudado a desconfundi-lo.
  • Confuso  23/02/2018 01:23
    Rapaaaz...uma simples dúvida é motivo de ser esculachado hahaha relaxa ai amigo
  • Anônimo  09/03/2018 09:11
    Qual a diferença entre capital social (50% do governo) e ação ordinária (64%) para a Petrobrás?
  • Tulio  09/03/2018 13:28
    Capital social são as ações totais da empresa, que se subdividem em preferenciais e ordinárias.

    Exemplo: há 100 ações, das quais 60 são ordinárias e 40 preferenciais.

    Destas 100 ações, você tem 50 (ou seja, 50% do capital social).

    Destas 50, 38 são ordinárias. Como há 60 ordinários e você tem 38 delas, então você tem 64% das ações ordinárias (38 de 60 equivale a 64%).

    Logo, como você detém a maioria das ações ordinárias (que são as que têm poder de voto), você manda na empresa.
  • Viajante  23/02/2018 00:58
    Acrescentando ao que o Wellington disse: quem detém 100% do refino, na prática, detém todo o poder sobre a distribuição. Logo, toda a distribuição, na prática, está sob controle da Petrobras.

    A distribuidora que não quiser comprar das refinarias da Petrobras vai ter que importar, pagando tarifa de importação (imposta pelo governo), frete, seguro, desembaraço e o caralho a quatro.
  • Adonis Sinicio Junior  23/02/2018 18:30
    Outro fator importante para os preços altos da gasolina é a forma com que se cuida da distribuição do álcool combustível, que é um produto alternativo. Não é permitido que os produtores comercializem o álcool diretamente com os distribuidores já que o produto deve passar pela Petrobras. A justificativa é que a Petrobras cuida da verificação da qualidade do álcool. Daí pergunto:
    Porquê a cerveja, o leite e a água mineral não passam pela Petrobras? Quem garante a qualidade destes produtos? Porquê se permite que nós brasileiros bebamos Coca-Cola sem o selo de garantia da Petrobras? A resposta todos sabemos. Somos os responsáveis por tudo isto. Elegemos os crápulas que criam as leis do nosso país. Somos vítimas da nossa própria estupidez e indolência.
  • Nordestino Arretado  24/02/2018 16:07
    Sem falar na absurda concentração de álcool na gasolina, que é superior à 25%, graças aos milicos e seu pró-alcool, que na realidade só serve para subsidiar o setor sucroalcoleiro, vantagem para o consumidor é praticamente zero. Isso quando nos postos não misturam com outras porcarias para render mais, pagando uma "comissãozinha" para os fiscais do governo. Ou seja, estamos pagando horrores por um produto inferior.
  • Carioca Burro  11/03/2018 14:22
    Se o mercado é aberto desde 97 porque não temos novas refinarias no país?
    O que impede as majors do petróleo de investirem aqui? Falam como se exploração de petróleo fosse como padaria, exige muito capital. Não entram porque não interessa.
    Por último, a venda da Petrobras mudaria o quê? O monopólio foi quebrado desde 97 e as estrangeiras não tem barreiras para entrada.

    Um último dado, o aumento do combustível diminuiu a carga das refinarias da Petrobras e aumentou em média 70% da importação de combustíveis pelos concorrentes. Como pode ser bom para a Petrobras processar menos petróleo bruto e vender menos combustível permitindo aos seus concorrentes ter mais mercado?
    www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2018/03/02/internas_economia,663464/importacao-de-gasolina-cresceu-82-e-a-de-diesel-67-em-2017-diz-anp.shtml.
  • Wellington  11/03/2018 14:53
    Você de fato faz jus ao seu nome.

    "Se o mercado é aberto desde 97 porque não temos novas refinarias no país? O que impede as majors do petróleo de investirem aqui? Falam como se exploração de petróleo fosse como padaria, exige muito capital. Não entram porque não interessa. "

    Porque para abrir uma refinaria no país você tem de:

    1) se submeter a uma cornucópia de regulamentações impostas pela ANP, que regula tudo que diz respeito ao setor;

    2) A ANP é uma burocracia enorme que possui, além de sua diretoria, uma secretaria executiva, 15 superintendências, 5 coordenadorias, 3 núcleos (Segurança Operacional, Fiscalização da Produção de Petróleo e Gás Natural, e Núcleo de Informática) e 3 centros (Relações com o Consumidor, Centro de Documentação e Informação, e Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas).

    Montar uma refinaria significa ter de submeter a calhamaços regulatórios impostos por cada um desses departamentos, o que, por si só, já torna todo o processo financeiramente inviável.

    3) Além da ANP, você tem de se submeter a calhamaços de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança para abrir uma refinaria. O esquema é todo montado justamente para coibir a concorrência à Petrobras. Sempre foi assim (pode até ser que mude no futuro, mas não há qualquer indicação disso).

    4) Além de tudo isso, estamos no Brasil, o que significa que você terá de "molhar a mão" de vários políticos e burocratas caso realmente queira conseguir alguma licença.

    Sua ingenuidade em relação ao mundo real, e especialmente à política, é realmente comovente.

    "Por último, a venda da Petrobras mudaria o quê?"

    Vender é o de menos. O que é realmente imperativo é desestatizar completamente o setor. É fazer isso aqui (leia a seção "Solução"):

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=1837

    "O monopólio foi quebrado desde 97 e as estrangeiras não tem barreiras para entrada."

    Já respondido lá em cima para as refinarias. Quanto à extração de petróleo, já explicado no artigo: após usufruir um monopólio por mais de 40 anos, a Petrobras já se apossou das melhores reservas do país, não havendo espaço para a concorrência privada. Hoje, é quase que impossível alguém concorrer com a estatal. Embora o monopólio de jure não exista mais, o monopólio de fato continua praticamente intacto. Ademais, não há liberdade para, por exemplo, uma Exxon Mobil ou uma BP chegarem aqui e saírem extraindo petróleo. Elas só farão isso se o governo deixar. E aí volte à minha primeira resposta.

    "Um último dado, o aumento do combustível diminuiu a carga das refinarias da Petrobras e aumentou em média 70% da importação de combustíveis pelos concorrentes. Como pode ser bom para a Petrobras processar menos petróleo bruto e vender menos combustível permitindo aos seus concorrentes ter mais mercado?"

    E quem aqui está preocupado com o que é "bom" para uma estatal? Em uma economia de mercado, estamos preocupados apenas com o que é bom para o consumidor, e não para o produtor (seja ele estatal ou privado). É típico dos mercantilistas se preocupar com o que é "bom" para o produtor. Livre mercadistas se preocupam com o que é bom para o consumidor.

    Ademais, de nada adianta importar petróleo se a Petrobras detém 98% das refinarias. O próprio presidente da Petrobras reconhece que isso é uma tragédia.

    istoe.com.br/nao-e-bom-para-o-pais-a-petrobras-ter-100-de-monopolio-no-refino-diz-parente/
  • Emerson Luis  14/03/2018 19:43

    Estratégia Sarney: O Estado/governo engessa e arrebenta a economia fazendo a população acreditar que a culpa da estagflação é dos varejistas e dos empresários e empreendedores em geral.

    * * *
  • Cap Nascimento  15/03/2018 00:27
    Telecomunicações, Correios, Televisão, Combustíveis, Eletricidade...

    Todos setores estritamente controlados, que mesmo se forem totalmente privatizados (caso das Tele) não irá resolver o problema. O problema está no estado fascista proto-socialista do Brasil.
  • Claudio  17/03/2018 15:48
    Mesmo achando que haverá novas leis proibindo o uso de carros elétricos no brasil para proteger o monopólio da petrobrás, acredito que essa mamata do estado e da petrobrás só vai terminar quando os veículos elétricos forem realidade.

    O petroliu é noçu.
  • Boça  22/05/2018 18:44
    O que irá trucidar toda e qualquer "tentativa" de haver estatais energéticas no Brasil, como temos hoje, serão as placas solares.

    Qualquer um poderá produzir sua própria energia, comprar e vender de terceiros sem nenhuma intromissão do governo brasileiro.

    Carros elétricos já estão muito eficientes, mas são inviáveis porque a energia elétrica é mais cara do que a gasolina (pelo menos nos EUA, aqui no Brasil essa discussão nem existe ainda).

    Como os governos burocratizam o mercado de energia elétrica na maioria dos países (e isso não é diferente no próprio EUA), a solução será a descentralização de produção energética graças à otimização da tecnologia das placas solares.

    Mas lógico que isso sofrerá uma enorme resistência. Desde a proibição da importação de placas solares de ponta, até a taxação absurda de carros elétricos. Mas no final não terá como o Estado resistir ao futuro inevitável. (Quem mais velho não lembra que era proibido por lei de ter DVDs e Sons nos carros?).
  • Davi  22/05/2018 18:02
    Essa redução de preços que o governo fez para combustíveis, foi redução de impostos ou nos preços de mercado? Se foi nos preços de mercado, isso não gerará as mesmas consequências para o caixa da Petrobrás, novamente? E se foi em impostos, isso não gerará uma queda na arrecadação e com isso aumento no déficit orçamentário?
  • anônimo  22/05/2018 18:12
    Não foi redução de impostos. Foi decisão política mesmo.

    Mas ainda é um tantinho cedo para falar que será um repeteco da política dilmesca: afinal, o preço cobrado hoje às distribuidoras é o terceiro maior da história. Só perde para o de ontem e o de anteontem.

    www.petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/composicao-de-precos-de-venda-as-distribuidoras/gasolina-e-diesel/

    Ademais, dólar e petróleo estão em queda hoje, de modo que essa redução não está de todo desarrazoada. A conferir no futuro.

    Há duas soluções: reduzir impostos indiretos e liberar estrangeiros para ter refinarias aqui no Brasil (acabando com toda a burocracia e regulações sobre essa atividade). Hoje, a Petrobras é dona de 98% do refino no Brasil.

    Sem isso, nada feito.

    Nos EUA, cujo setor é bem mais livre que aqui (e não há estatais), o litro da gasolina está custando US$ 0,75, o equivalente a R$ 2,70.

    tradingeconomics.com/united-states/gasoline-prices
  • Davi  22/05/2018 20:12
    Foi controle de preços? Acabo de ver que na verdade, o CIDE será zerado.
  • anônimo  22/05/2018 20:41
    Sim. Esses preços que passei são isentos de impostos. São os preços que a Petrobras cobra das distribuidoras nas refinarias.

    Está escrito lá:

    "Preços médios de diesel e gasolina às distribuidoras sem tributos"

    www.petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/composicao-de-precos-de-venda-as-distribuidoras/gasolina-e-diesel/

    A redução da CIDE poderá afetar o preço na bomba, mas não afeta o preço que a Petrobras cobra ao vender para as refinarias.
  • Beatriz  29/05/2018 20:40
    "A redução da CIDE poderá afetar o preço na bomba, mas não afeta o preço que a Petrobras cobra ao vender para as refinarias."

    Tem que afetar, pois a Petrobras não tem isenção de tributos até onde eu saiba. Ela certamente embute CIDE, PIS e COFINS no preço de venda para as distribuidoras, igual qualquer empresa faria.

    Na tarifa de energia elétrica calculada pela ANEEL também não há impostos, mas as concessionárias incluem PIS/PASEP, COFINS e ICMS por meio de gross up, obtendo o preço final, que naturalmente é superior ao preço antes dos impostos.
  • Felipe Lange  23/05/2018 16:06
    Do que se trata exatamente essa medida política?
  • Beatriz  29/05/2018 20:29
    Parece que os primeiros 15 dias vão correr por conta da Petrobras mesmo. Pelo menos é o que diz aquele blog da empresa.

    Hoje o ministro da fazenda disse no senado que dos R$ 0,46 por litro de queda no preço do óleo diesel, R$ 0,16 são provenientes da eliminação de PIS, COFINS e CIDE, e os outros R$ 0,30 são uma subvenção econômica que precisará ser assumida pelo Tesouro (reembolso à Petrobras). Então parece que do 16º dia ao 60º será dessa outra forma. Na matéria que saiu no Valor, diz ainda que haverá um desconto que vai durar até o fim do ano.

    Então pelo que entendi, o custo de 9,5 bilhões se refere à redução de 0,46 centavos por 60 dias (PIS, COFINS, CIDE e reembolso à Petrobras do 16º ao 60º dia) + o desconto até o fim de 2018.

    A matéria diz também que vai ocorrer uma queda de R$ 4 bilhões na arrecadação tributária, que imagino ser justamente PIS, COFINS e CIDE, e que o custeio dos 9,5 bilhões virá parte da reoneração da folha de pagamentos, parte da arrecadação performando melhor que o estimado em 2018 (abr/18 foi o melhor número para o mês desde 2014).
  • Matheus Henrique  23/05/2018 00:45
    No caso do Paraguai, onde a gasolina é vendida a 2.60 ~ 2.80, pela a própria Petrobrás, esse valor se deve por lá ter maiores concorrências e menas cargas tributárias?
  • Cícero  23/05/2018 01:14
    Exato, pois lá tem a concorrência da gasolina da Argentina e do gás da Bolívia. E se duvidar ainda tem também gasolina do Equador. Além de a carga tributária ser bem menor.

    Aliás, eu já falei isso várias vezes: a grande benção de um país é exatamente nãoter uma indústria forte em um determinado setor. Sem indústria poderosa, não tem protecionismo. Sem protecionismo, a população fica livre pra comprar produto bom e barato do estrangeiro. Chile e Nova Zelândia não têm indústria automotiva. Sendo assim, o governo não tem de impor tarifa de importação sobre carros pra proteger essa indústria. Consequentemente, o povo compra carro bom e barato do estrangeiro. Tem mais carro na Nova Zelândia do que no Brasil (em termos per capita).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2617

    Como não há indústria petrolífera no Paraguai, o governo libera geral a importação. E os paraguaios agradecem.
  • Felipe Lange  23/05/2018 16:00
    E mais uma greve dos caminhoneiros... acho que isso vai dar em nada. Governo detesta ver o gado revoltado, vai acabar dando algum jeito. Me lembrou o começo de 2015.

    O "povo" não quer o estado "cuidando" do petróleo? A Petrobrás "não é nossa"?

    Já pensei em sair distribuindo artigos (impressos) do Mises sobre o motivo dos preços dos combustíveis serem tão altos...

    Enquanto isso, nada dos impostos e regulações abaixarem...
  • Gabriel  23/05/2018 16:25
    Eu vi no jornal que eles tavam cogitando eliminar UM dos impostos sobre o diesel. Vai saber se vai fazer diferença, ou se é que vai rolar mesmo.
  • Felipe Lange  23/05/2018 20:44
    O pior foi hoje na aula de Ecologia, o professor colocando a culpa disso em coisas totalmente fora de contexto e ainda falar que os supermercados irão aumentar os preços "injustificavelmente" pois eles têm estoques comprados de meses e anos atrás... sinceramente eu acho que merecem refutação em vídeo.
  • Felipe Lange S. B. S.  23/05/2018 23:34
    Governo no desespero... vão reduzir o preço do diesel nas refinarias (como?) por 15 dias. Pior é que os caminhoneiros estão pedindo subsídios (mais ainda) para o combustível. O mesmo velho corporativismo de sempre.
  • Leigo  28/05/2018 14:16
    Seria interessante distribuir QR Codes por ai com os artigos do Mises, todos hoje em dia tem um celular e sai mais barato colar quadradinhos por ai que imprimir artigos inteiros e distribuir.
  • João Pedro  23/05/2018 20:28
    Vocês poderiam fazer um artigo falando especificamente sobre o Ciro Gomes. Ele representa uma ameaça séria nessas eleições, já que ele tem apoio tanto da direita-nacionalista quanto da esquerda. Poderiam comentar especificamente sobre essa sabatina dele, já que ela condessa os pontos que ele sempre alardeia por ai:

    www.youtube.com/watch?v=eN46ZQWODs4
  • Leandro  23/05/2018 20:48
    As propostas de Ciro Gomes são idênticas a todas as que foram implantadas durante o governo Dilma. Absolutamente as mesmas, sem tirar nem por.

    Ele defende empréstimos subsidiados a grandes empresas e reservas de mercado para o grande baronato industrial. Seu programa de "compras governamentais" nada mais é do que a transformação do empresariado em funcionários públicos: o baronato industrial produz, o governo compra (com o nosso dinheiro).

    O consumir fica totalmente de fora da equação (sendo coercivamente obrigado a dar o dinheiro, é claro). A economia passaria a ser inteiramente conduzida por um conluio entre grandes empresários e governo.

    Aliás, de certa forma, o programa de Ciro é ainda pior que o de Dilma. Dilma dava nosso dinheiro, via BNDES, para seus amigos empresários, e estes ao menos tinham de produzir alguma coisa em troca para vender no mercado. Já Ciro quer dar nosso dinheiro para grandes empresários em troca de coisas que eles irão produzir exclusivamente para o governo.

    Ou seja, com Dilma a gente ainda conseguia umas migalhas em troca (vinha uma picanhazinha da Friboi pra gente). Com Ciro, nada.

    A FIESP adoraria ter Ciro Gomes como presidente. Não é à toa que ele quer Benjamim Steinbruch de vice, o homem que simplesmente quer fechar o país.

    Por fim, não deixa de ser curioso: o mesmo cara que vitupera tanto a "plutocracia paulista" quer implantar programas que irão favorecê-la como nunca.
  • Felipe Lange S. B. S.  23/05/2018 23:35
    Leandro, por que não faz um artigo analisando cada candidato, como fez em 2010?
  • João Pedro  24/05/2018 01:07
    Mas Leando, se as propostas dele são as mesmas que as da Dilma, por que ele critica essas em entrevistas que ele dá? Existe algum artigo aqui no site "refutando" as principais propostas dele?
  • Tasso  24/05/2018 01:28
    Oi? Ele sempre foi o mais descarado é explícito defensor do governo Dilma. Nunca dirigiu uma palavra contra.

    Agora, como de bobo ele não tem nada, assim que ele viu que o barco estava afundando e que a merda estava consumada, o covardão rapidamente mudou de lado e saiu dizendo que "sempre avisou que aquilo ia dar errado". É covarde, vai de acordo com a maré.

    Quanto às propostas dele, é exatamente aquilo que o Leandro destrinchou. Embora possa soar diferente, na prática seria uma Dilma 3.0, só que pior.
  • Leila  24/05/2018 02:43
    No auge da crise, ainda quando a Dilma estava na presidência, o Ciro Gomes defendeu a Nova Matriz Econômica com unhas e dentes. Na conferência em questão ainda fez questão de xingar empresários que estavam reclamando da crise.
    Agora que o PT está politicamente morto, ele dá uma de "opositor" como o Jean Wyllys fez no mesmo período. Teatrinho que nem os petistas caíram.
  • Rafael Andrade  23/05/2018 21:14
    Sou liberal e a favor de privatizações, porém, no caso específico da petrobras não entendo como privatizar seria benéfico uma vez que como dito no próprio artigo, a petrobras é dona de 13 das 17 refinarias do país, é responsável por 98% do petróleo refinado e por conta do monopólio de mais de 40 anos é dona das maiores e melhores reservas.
    Teoricamente, caso a petrobas fosse comprada, o comprador herdaria todas essas vantagens, transformando o que é hoje uma empresa pública, em uma empresa privada detentora de um monopólio fantástico e pensando como um captalosta, duvido que os novos donos desse monopólio fossem querer dividir ele com alguem ou lucrar um centavo a menos!
    Sou a favor da privatização da petrobras mas gostaria de saber como fazer isso sem criar uma empresa privada superpoderosa e detentora do controle do petróleo no país.
  • Luiz  24/05/2018 04:16
    O unico problema nesse argumento é que a margem das refinarias no Brasil é menor do que a margem dos demais países, especialmente os EUA.
    Basta rolar um pouco mais a fonte fornecida no próprio artigo (Comparativo dos preços ao consumidor em vários países) tem um gráfico descrimando o preço por país:

    www.petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/composicao-de-precos-de-venda-ao-consumidor/gasolina/

    Trago aqui os dados apenas do Brasil e EUA:

    Brasil: realização refinaria $0,40 e gasolina $1,22 -> margem: 0,4/1,2 = 32,79%

    EUA: realização refinaria $0,42 e gasolina $0,76 -> maegem: 55,26%

    Como se pode ver pelos gráficos, o problema do alto custo não tá na margem das refinarias, pelo contrario..

    A principal causa são os impostos seguido pela alta margem das distribuidoras (inclui os postos de gasolina). No Brasil as distribuidoras tem margem de 12% e nos EUA por volta de 4% olhando o mesmo grafico.
  • Mauro Carvalho  24/05/2018 04:19
    Espertinho. O Brasil, como mostra o próprio gráfico, é o único país que acrescenta álcool anidro na mistura. Isso eleva artificialmente o preço final, consequentemente fazendo com que a margem da refinaria (Petrobras) pareça menor do que é.

    Seja mais intelectualmente honesto e faça o seguinte: retire a fatia de álcool anidro da comparação e aí sim vai ficar em pé de igualdade com todos os outros países. Não vale pegar o Brasil, que é o único país que tem álcool anidro na mistura (o que eleva artificialmente o preço final), e compará-lo a todos os outros que não têm álcool anidro na mistura (logo, não têm esse item que eleva artificialmente o preço final).

    Se você fizer isso (retirar o álcool anidro da comparação, que pelo gráfico é de 0,15 US$/L), eis os novos números para o Brasil:

    Realização refinaria: $0,40. Gasolina: $1,07 -> margem: 0,40/1,07 = 37,5%

    Isso é maior que a de todas as refinarias européias, maior que a do Japão, e maior até mesmo que a da Argentina.

    No entanto, não me entenda mal: a Petrobras está correta em buscar a maior margem possível. Eu também faria o mesmo. O que não dá é ela fazer isso enquanto goza de um mercado protegido pelo estado, sem ter nenhuma concorrência.

    "A principal causa são os impostos seguido pela alta margem das distribuidoras (inclui os postos de gasolina). No Brasil as distribuidoras tem margem de 12% e nos EUA por volta de 4% olhando o mesmo grafico."

    Exatamente o principal ponto do artigo. Quais são as distribuidoras? BR (que é a própria Petrobras), Ipiranga e Shell (que é também Cosan e Raízen). A Ale tem menos de 3%. Tente entrar neste mercado para ver se você consegue.

    Já nos EUA, cuja entrada no mercado é livre, qualquer birosca tem uma bomba de gasolina. Qualquer uma daquelas mini-lojinhas de família vende vários tipos de gasolina. Aqui no Brasil, isso é proibido.

    Por isso lá a margem dos distribuidores é tão pequena.

    Para finalizar, vou ser mais claro: se é pra ter uma estatal que vai seguir preços internacionais, então, por definição, o governo tem de liberar a concorrência, pois a estatal está seguindo política de mercado. Sendo assim, por que pirocas o governo tributa a importação de gasolina? E por que ele restringe o acesso ao mercado de produção de petróleo? Por que ele regula o setor de postos tão pesadamente?

    Ou seja, o governo quer uma estatal funcionando "seguindo leis de mercado", mas não quer que ela sofra nenhuma concorrência de empresas privadas. Assim é gostoso.
  • Luiz  24/05/2018 19:40
    "Espertinho. O Brasil, como mostra o próprio gráfico, é o único país que acrescenta álcool anidro na mistura. Isso eleva artificialmente o preço final, consequentemente fazendo com que a margem da refinaria (Petrobras) pareça menor do que é."

    Sendo assim, os altos tributos da Europa elevam artificialmente o preço da gasolina, fazendo que as margens das refinarias pareçam ser menor do que realmente são..

    Então vamos lá, retirando a distorção dos impostos, analisando apenas os preços na refinaria e os preços nas distribuidoras:

    Como "margem refinaria" = Preço refinaria / (Preço Refinaria + Preço distribuidora)

    Perceba no gráfico que o Brasil tem o menor preço na refinaria empatado com a China. Então, a única maneira da "margem refinaria" de algum outro país ser menor que a do Brasil é Preço distribuidora desse país ser maior que o preço distruibdora do Brasil.

    Únicos países que tem preço distribuidora mais altos que o Brasil: Uruguai, Argentina, Japão, Itália(?)
    Ou seja, de 10 países, a "margem refinaria" brasileira é maior apenas do que 4, ficando abaixo de 6 países..

    Já a "margem distribuidora" é o inverso da "margem refinaria". Então pelo raciocínio inverso, se o Brasil tem "margem refinaria" menor que 6 países, ele possui "margem distribuidora" maior do que 6 países. Bom o problema, não parece ser exatamente a margem das refinarias e sim a margem das distribuidoras..


    "Exatamente o principal ponto do artigo. Quais são as distribuidoras? BR (que é a própria Petrobras), Ipiranga e Shell (que é também Cosan e Raízen). A Ale tem menos de 3%. Tente entrar neste mercado para ver se você consegue."

    Sim, é o meu ponto. O problema está mais na distribuição do que no refino. E concordamos também que os tributos são o principal problema, não só em termos quantitativos, mas toda falta de transparência e burocracia para o cálculo dos mesmos, quem trabalha na área de tributos sabe disso

    Abraços
  • Felipe Lange  24/05/2018 04:22
    Falando da greve dos caminhoneiros, quais são os principais motivos do transporte ferroviário e hidroviário serem tão inexpressivos em relação ao rodoviário?
  • Vladimir  24/05/2018 14:16
    Políticas intervencionistas de JK. Ele usou o peso do estado para destruir as ferrovias e incentivar a indústria automotiva. Nenhuma política intervencionista passa impune.
  • AGB  24/05/2018 18:15
    O Juscelino fez um monte de asneiras econômicas (a pior foi Brasilia) mas não foi o principal responsável pela inviabilização dos sistemas ferroviários e hidroviários. O colapso iniciou antes da 2ª guerra, quando se garantiu aos sindicatos o controle das atividades nessas áreas de transporte. A primazia pertence a Getúlio Vargas mas a doença já manifestara nos anos dos anos 20. Que tal exigir 10 funcionários para colocar uma carga dentro de um vagão de trem? Ou pagar extra para carregar papel higiênico num navio? O conflito mundial só piorou tudo porque causou um tremendo desgaste do equipamento terrestre e marítimo. Para compensá-lo seria necessário grande investimento que o Brasil não tinha. E o aporte estrangeiro foi obstaculizado de todas as maneiras.
  • Felipe Lange  25/05/2018 21:21
    Você tem referências sobre para eu checar?
  • Rafael (outro)  24/05/2018 11:48
    Tudo perfeito. Só a palavra "cornucópia" não tem bem este sentido que foi usado. É riqueza, abundância, num sentido positivo. Abundância de coisa ruim não encaixa bem.
  • Pasquale  24/05/2018 13:14
    Cornucópia é abundância, fartura de qualquer coisa. Não está necessariamente ligado apenas a coisas positivas.

    Veja este exemplo dado:

    "As dificuldades da vida no campo levam para as cidades uma cornucópia de pessoas despreparadas para as atividades produtivas que lá existem, fazendo com que aumente a população de miseráveis em seu território."

    www.dicionarioinformal.com.br/cornuc%C3%B3pia/

    E veja também estes outros exemplos em inglês. O dicionário Merriam Webster dá o exemplo de "cornucópia de escândalos de corrupção".

    "His cabinet officials have heeded this example, together amassing a cornucopia of corruption scandals more varied and abundant than than any previous administration has ever assembled."

    www.merriam-webster.com/dictionary/cornucopia

    The list of inductees includes civil rights pioneers, global issues leaders, community volunteer workers, elected officials, artists, the medical profession and a large cornucopia of contributions by the state's women.

    dictionary.cambridge.org/pt/dicionario/ingles/cornucopia
  • thiago  24/05/2018 12:41
    Como a Petrobrás anuncia lucros enormes sendo operada sob a lógica estatal?
  • thiago  24/05/2018 12:53
    Só se for aumentando os preços dos seus produtos para os consumidores, que não têm outra opção?..
  • Roberto  24/05/2018 13:16
    Roberto Campos já dizia: lucro é o resultado gerado sob condições competitivas. No caso de monopólios estatais, só é válido falar de resultados.
  • Ed01  24/05/2018 15:00
    Mas pq houve um aumento de 30% nos preços para as refinarias?
  • Vladimir  24/05/2018 20:41
    Nos EUA, cujo mercado é livre e concorrencial, a importação é liberada, e não há uma estatal que monopoliza a produção e o refino (além de deter quase 40% da distribuição), a gasolina custas nas bombas US$ 0,75 por litro, o que equivale hoje a R$ 2,73 por litro.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-gasoline-prices@2x.png?s=unitedstgaspri&v=201805041606v&d1=20180224&d2=20180524

    Apenas a carga tributária não explica essa diferença abissal entre eles e nós (que somos "autossuficientes"). Todo o monopólio da Petrobras (produção e refino) e todas as regulações estatais sobre a distribuição (quase 40% é da Petrobras) e sobre os postos (que são carteis protegidos pelo estado) explicam muito mais.

    Carteis, postos e preços da gasolina - de quem realmente é a culpa pela forte alta?
  • Desconhecido  24/05/2018 21:43
    Na verdade os EUA é que são autossuficiente em petróleo e não o Brasil. O Brasil ainda precisa importar parte do óleo que vai para as refinarias, resumidamente porque o óleo produzido aqui não é o ideal para a gasolina, então mistura o nacional com o importado.
  • Vladimir  25/05/2018 00:26
    EUA? Não são autossuficientes. Importam 10 milhões de barris por dia.

    www.eia.gov/tools/faqs/faq.php?id=727&t=6
  • Vladimir  25/05/2018 01:02
    E lembrando que o Brasil, também por dia, consome 3,09 milhões de barris de petróleo.

    Ou seja, os EUA, num só dia, importam mais que o triplo de tudo aquilo que o Brasil consome. Estão longe de ser autossuficientes. E têm gasolina muito mais barata que a nossa.
  • VICTOR HUGO  25/05/2018 02:43
    Como é a conta de precificação do preço de gasolina sobre o desabastecimento?
    Oque o empresário pensa? Tenho tantos litros que vão durar x semana, então traz a valor presente uma previsão de fluxo de caixa baseada em giro de estoque e embute no preço?
    Pergunto isso pois é importante mostrar matematicamente o porque/ como os preços sobem,(validando a empiria/teoria), decifrando a precificação, a fim de emplacar na cabeça das pessoas pararem com esse pensamento que o empresario malvadão acorda com a pá virada e para "causar" jogar 500% em cima. Eu tenho pouco conhecimento em formação de preços e isso com certeza tem um fundamento por traz e peço ajuda aos nobres amigos do IMB a ajudarem a desmitificar essa precificação.


    Grande abraço




  • Eduardo  25/05/2018 17:53
    Essa premissa "A Petrobras detém o monopólio do refino de petróleo, o que a permite estipular preços sem concorrência interna" tá errada. Tanto os preços da gasolina quanto diesel ex-refinaria (na "saída" da refinaria) se comportam como preços de commodities. O que há é um mercado mundial extremamente líquido que marca preços diariamente, de forma que esse é o custo de oportunidade desses produtos nesse elo da cadeia. Dessa forma, a Petrobras, como única refinadora no país, não tem poder de mercado para manter os preços ex-refinaria artificialmente altos por muito tempo pois, a medida que essa arbitragem se mantivesse disponível para o mercado (preços internos mais altos que preços internacionais), importadores iriam trazer cargas de gasolina e diesel para o Brasil e tomariam uma parte do mercado (isso foi exatamente o que aconteceu nos meses recentes). De forma análoga, mesmo que existissem outros refinadores no Brasil, ainda assim os preços do diesel e da gasolina internamente não iriam despencar, pois a custo de oportunidade desses refinadores seria exportar essas cargas para outros mercado que pagam exatamente os preços internacionais desses combustíveis (entre afundar valor no Brasil e exportar para o mercado internacional a preços maiores, eles exportariam). Na prática, o único poder de mercado que a Petrobras tem é de reduzir preços abaixo da paridade de importação, o que não seria uma decisão econômica ótima, visto que o custo de oportunidade da Petrobras também é o preço internacional.
  • Mauro  25/05/2018 18:36
    Eduardo, você só falou bobagem. Permita-me apontá-las

    "Essa premissa "A Petrobras detém o monopólio do refino de petróleo, o que a permite estipular preços sem concorrência interna" tá errada."

    É mesmo? Se uma empresa detém 98% do refino no país, então qual é a concorrência dela? Ainda que você fosse um potencial concorrente e conseguisse importar petróleo de graça, como você iria refiná-lo?

    Ademais, que a Petrobras cobrou preços acima dos valores de mercado não é nem sequer questão de opinião, não. É fato. Eis o que diz essa reportagem:

    "O cenário monopolista começou a mudar de figura depois que a Petrobras passou a cobrar preços significativamente acima dos internacionais, abrindo uma janela para produtos importados."

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/monopolio-da-estatal-indica-por-que-reacao-nao-e-igual-a-alta-do-paozinho.shtml

    A Petrobras passou a cobrar preços significativamente acima dos internacionais (para recuperar o caixa).

    Isso, de certa forma, realmente abriu uma janela para se importar petróleo. Mas, duh!, de que adianta importar petróleo se 98% do refino está sob monopólio da Petrobras?

    Num cenário assim, cobrar preços significativamente acima dos internacionais -- como fez a Petrobras -- irá apenas gerar preços maiores para todos os consumidores. Não tem como entrar concorrência se o mercado é fechado por leis e regulações.

    Por fim, o próprio presidente da Petrobras admitiu que sua nova política de preços era explicitamente voltada para refazer o caixa da empresa. Disse ele (grifo meu):

    "Quando o presidente Temer me convidou, nós conversamos longamente sobre como eu penso que deveria ser gerida a Petrobras e como ele pensa. Houve uma convergência muito grande sobre a necessidade de a empresa ter liberdade de lidar com uma variável que é fundamental para reduzir a dívida e fazer a virada"

    blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/pedro-parente-faz-o-que-prometeu-nao-fazer/

    Óbvio: dado que o objetivo era refazer o caixa, a solução realmente era cobrar mais caro. Foi exatamente isso que permitiu que ela rapidamente recompusesse seu caixa. E sobre o nosso lombo.

    Ou seja, você foi refutado não só pelos fatos como também pela própria admissão da gerência da empresa.

    Isso, e apenas isso, já basta para refutar tudo o que você disse. Mas ainda quero abordar outras coisas.

    Continuemos.

    "Dessa forma, a Petrobras, como única refinadora no país, não tem poder de mercado para manter os preços ex-refinaria artificialmente altos por muito tempo"

    What the fuck?! Quer dizer então que o fato de alguém deter um monopólio protegido pelo estado é exatamente o que a impede de praticar preços altos?! Que lógica é essa?

    "pois, a medida que essa arbitragem se mantivesse disponível para o mercado (preços internos mais altos que preços internacionais), importadores iriam trazer cargas de gasolina e diesel para o Brasil e tomariam uma parte do mercado (isso foi exatamente o que aconteceu nos meses recentes)."

    Ah, sim, num piscar de olhos, né? Você pelo visto ignora uma coisinha básica chamada "imprevisibilidade gerada pelo governo". Importar gasolina e diesel não é uma atividade básica, não. Você tem de ter toda uma logística, a começar pelas distribuidoras (um oligopólio protegido pelo estado, com a BR dominando quase 40% do mercado).

    Entretanto, suponha que você, um empreendedor corajoso, se disponha a realmente fazer tudo isso: importar, concorrer com a Petrobras e distribuir. Aí, tão logo você começa a ir bem, a Petrobras volta a baixar os preços. E você sabe que ela pode fazer isso a qualquer momento, pois segue ordens do governo. E aí, como você fica? Seu empreendimento, com uma só canetada, se tornou inviável. Você investiu pesado confiando numa determinada regra do jogo, mas aí o próprio governo mudou as regras do jogo (e, no Brasil, isso é cotidiano). Como fica?

    Isso não é coisa básica, não. Isso é um fator que qualquer empreendedor minimamente sensato tem de levar em conta.

    Tem que ser muito louco (ou ingênuo) pra querer concorrer com uma estatal que tem todo o poder de cobrar os preços que quiser (para cima e para baixo).

    "De forma análoga, mesmo que existissem outros refinadores no Brasil, ainda assim os preços do diesel e da gasolina internamente não iriam despencar"

    Isso é um absurdo completo. Você está dizendo que não faz a mais mínima diferença haver um monopólio ou várias empresas concorrendo entre si.

    Ademais, ninguém está falando em "despencar". Mas sim em reduzir, ou mesmo não aumentar diariamente.

    "pois a custo de oportunidade desses refinadores seria exportar essas cargas para outros mercado"

    Pela sua lógica, qualquer atividade voltada para a exportação (como suinocultura, avicultura, pecuária, agricultura, café, laranja, soja, trigo etc.) também tem de sofrer este problema. Sendo assim, pela sua lógica, tanto faz para um país ter uma única empresa monopolista criando carne ou várias empresas concorrenciais. Para você, o preço final será o mesmo.

    Total contrassenso.

    Ademais, vou falar o óbvio: petróleo, assim como qualquer outro produto (inclusive comida), é vendido para quem pagar mais. Consequentemente, o petróleo brasileiro só será "exportado" para quem pagar mais (muito mais, pois tem o preço do frete) que nós brasileiros. E, atualmente, quem paga mais que nós brasileiros pela gasolina? À exceção da Noruega (outro país, aliás, cujo setor petrolífero é controlado por uma estatal), desconheço.

    "Na prática, o único poder de mercado que a Petrobras tem é de reduzir preços abaixo da paridade de importação"

    Como mostram os links acima, o próprio presidente da Petrobras admitiu que a empresa estava cobrando acima dos preços do mercado externo. Aliás, óbvio: dado que o objetivo era refazer o caixa, a solução realmente era cobrar mais caro. Juro que não entendo qual o espanto em relação a isso. Eu mesmo, se tivesse esse poder de estipular preços sem concorrência, também faria isso.

    No caso da Petrobras, o que não dá é ela fazer isso enquanto goza de um mercado protegido pelo estado, sem ter nenhuma concorrência (que foi exatamente o que permitiu que ela rapidamente recompusesse seu caixa, sobre o nosso lombo).

    Se é pra ter uma estatal que vai vender para o mercado interno seguindo preços estipulados pelo mercado externo, então, por definição, o governo tem de liberar a concorrência interna e externa, pois a estatal está seguindo política de mercado externo. (Variar preços internos diariamente de acordo com a cotação internacional é algo que só faz sentido se houver concorrência interna e externa.)

    Sendo assim, por que pirocas o governo tributa a importação de gasolina? E por que ele fecha o acesso ao mercado de produção e refino de petróleo? Por que ele regula o setor de distribuição e de postos tão pesadamente?

    Ou seja, o governo quer uma estatal funcionando "seguindo os preços do mercado externo", mas não quer que ela sofra nenhuma concorrência (nem interna e nem externa) de empresas privadas. Só em Banânia.

  • Vladimir  25/05/2018 19:17
    Haha descobriram agora que o até então impoluto presidente da Petrobras é sócio do presidente no Brasil do JP Morgan, banco que recebeu da Petrobras pagamento de 2 bilhões de reais.

    Detalhe: esse pagamento foi antecipado – os empréstimos venceriam só em 2022.

    Agora tá explicado por que Parente tava arrancando nosso couro cobrando preços acima dos do mercado internacional.

    www.oantagonista.com/brasil/exclusivo-em-crusoe-parente-e-socio-de-presidente-de-banco-que-recebeu-2-bi-da-petrobras/
  • George Lucas Casagrande  26/05/2018 01:47
    Mais didático que isso, impossível! O brasileiro é tonto mesmo...
  • Beatriz  29/05/2018 20:06
    Li o artigo e os comentários (apenas os inteligentes e educados).

    Fiquei me questionando se a Petrobrás é ineficiente no refino. Para a importação do combustível (produto acabado) valer a pena, o custo tem que ser menor ou pelo menos igual ao valor cobrado na saída das refinarias da estatal. E todo mundo sabe quanto custa importar e desembaraçar mercadorias nesse país. Será que o custo da empresa na etapa de refino está alinhado com a média do setor? Será que além da falta de concorrência, a ineficiência no refino também pode ser apontada como causa do preço alto dos combustíveis no Brasil?
  • Eduardo R., Rio  03/06/2018 19:15
    Sobre fósseis: preços, caminhões e matriz energética, por Julião Silveira Coelho e outros advogados.
  • Eduardo R., Rio  30/05/2018 04:58
    Eduardo Giannetti: (...) a Petrobras cometeu um erro grave na metodologia de fixação dos preços dos derivados de petróleo.

    Fomos de um extremo ao outro, o que é muito comum no Brasil. Fomos do extremo de uma mão muito pesada no governo Dilma —que represou a correção dos derivados de petróleo para segurar a inflação no curto prazo e acabou gerando um enorme desequilíbrio— para outro extremo de fundamentalismo de mercado, equivocado nesse caso.

    Folha de S.Paulo: Por que esse mecanismo é equivocado?

    Eduardo Giannetti: Porque você não pode mudar o preço dos derivados de petróleo nas refinarias todos os dias, usando uma metodologia que é calcada em dois preços de alta frequência e de muita volatilidade, que são o preço do petróleo no mercado internacional e a taxa e câmbio em um regime flutuante.

    Transmitir para o consumidor a volatilidade do mercado de petróleo mundial e da variação da taxa de câmbio no Brasil todos os dias é uma maluquice. Primeiro porque cria uma enorme imprevisibilidade e depois porque tem situações de volatilidade transitórias que levam a traumas na população.

    Se até o Banco Central, no câmbio flutuante, utiliza instrumentos para atenuar a volatilidade do câmbio, como no derivado de petróleo, que é tão sensível para tanta gente na população, você vai transmitir essa volatilidade diariamente para o consumidor final?

    É lógico que tem que ter realismo tarifário. Agora, você acoplar a isso, numa base diária, a volatilidade do mercado internacional de petróleo e do câmbio é um erro grave.
  • anônimo  30/05/2018 12:41
    Giannetti está correto em muita coisa. E eu mesmo já falei isso. Esse negócio de variar o preço diariamente é algo totalmente insano e anti-mercado. O trigo também é uma commodity cujo preço internacional varia diariamente, mas você não vê nenhuma padaria reajustando o preço do pão diariamente. Tampouco o fazem as pizzarias. O mesmo ocorre com a carne. E com a laranja. E com o café.

    Empresa oscilar preço diariamente pra cima e pra baixo é o exato oposto do funcionamento de uma economia de mercado. E o fato de essa empresa deter o monopólio do mercado (monopólio esse protegido pelo estado) só faz piorar a coisa.

    E piora: embora a Petrobras, como empresa, esteja correta em buscar a maior margem possível (eu também faria o mesmo), o que não dá é ela fazer isso enquanto goza de um mercado protegido pelo estado, sem ter nenhuma concorrência.

    Se é pra ter uma estatal que vai vender para o mercado interno seguindo oscilações diárias do mercado externo, então, por definição, o governo tem de liberar a concorrência interna e externa, pois a estatal está seguindo o mercado externo. (Variar preços internos diariamente de acordo com a cotação internacional é algo que só faz sentido se houver concorrência interna e externa.)

    Sendo assim, por que pirocas o governo tributa a importação de gasolina? E por que ele fecha o acesso ao mercado de produção e refino de petróleo? Por que ele regula o setor de distribuição e de postos tão pesadamente?

    Por tudo isso, ele erra fragorosamente ao dizer que isso é um "fundamentalismo de mercado". O próprio presidente da Petrobras já veio a público afirmar explicitamente que essa política de preços foi adotada pela Petrobras com o único intuito de refazer o caixa da empresa, dizimado pela corrupção e pelo congelamento de preços do governo Dilma. Disse ele (grifo meu):

    "Quando o presidente Temer me convidou, nós conversamos longamente sobre como eu penso que deveria ser gerida a Petrobras e como ele pensa. Houve uma convergência muito grande sobre a necessidade de a empresa ter liberdade de lidar com uma variável que é fundamental para reduzir a dívida e fazer a virada"

    blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/pedro-parente-faz-o-que-prometeu-nao-fazer/

    Ou seja, a política da Petrobras era subir os preços muito acima dos de mercado.

    Aliás, carai, os próprios engenheiros da Petrobras confessaram a um site esquerdista que a política da empresa era a de cobrar preços significativamente acima dos internacionais (para recuperar o caixa).

    Sendo a revista de esquerda, obviamente eles falaram que isso era para ajudar os importadores de petróleo a ganhar mercado. Mas, duh!, de que adianta importar petróleo se 98% do refino está sob monopólio da Petrobras?

    Num cenário assim, cobrar preços significativamente acima dos internacionais, como fez a Petrobras, irá apenas gerar preços maiores para todos os consumidores. Não tem como entrar concorrência se o mercado é fechado por leis e regulações.

    Variar os preços diariamente, e sempre acima até mesmo do mercado internacional, está longe de ser "fundamentalismo de mercado". É exploração, mesmo,

    Mas piora.

    Descobriram agora que o até então impoluto presidente da Petrobras é sócio do presidente no Brasil do JP Morgan, banco que recebeu da Petrobras pagamento de 2 bilhões de reais.

    Detalhe: esse pagamento foi antecipado – os empréstimos venceriam só em 2022.

    Fica fácil entender por que Pedro Parente tava arrancando nosso couro cobrando preços acima dos do mercado internacional.

    www.oantagonista.com/brasil/exclusivo-em-crusoe-parente-e-socio-de-presidente-de-banco-que-recebeu-2-bi-da-petrobras/
  • João Pedro  31/05/2018 23:38
    Olhem o novo xilique do "historiador" Marco Antonio Villa, fazendo discurso que deixaria até Getulio Vargas com sorriso nos dentes:

    www.youtube.com/watch?v=_c1kWdclXXQ


    Ou seja, a culpa do Brasil estar nessa situação é dos "privatistas".
  • Reinaldo  02/06/2018 14:51
    A Petrobras ainda mantém o monopólio de refino de petróleo no país. Enquanto for assim, a empresa como corporação — pouco importando se há no comando um liberal ou um esquerdista — alimentará a tentação de governar o Brasil porque a ela caberá definir, sozinha, SEM A AJUDA DO MERCADO, o preço dos combustíveis.

    Submeter o dito-cujo a variações da cotação do barril do petróleo e a oscilações do câmbio não faz de uma monopolista um exemplo de respeito às regras do mercado. Isso apenas nos diz que ela, Petrobras, está cuidando do seu caixa, ainda que os políticos estejam sendo obrigados a recorrer às Forças Armadas.

    O Brasil vem da maior recessão de sua história. A renda média que o brasileiro tinha em 2013 deve se recuperar — e a conta era de quando havia otimismo pela frente — só em 2023. O desemprego ainda é brutal. E a Petrobras, a monopolista do refino, era parte dessa equação do desastre.

    Pode-se pôr na estatal um presidente — E, INFELIZMENTE, ELA NÃO É UMA EMPRESA PRIVADA QUE CONCORRA COM OUTRAS EMPRESAS PRIVADAS — que pense na monopolista segundo, também, o país que a abriga e a situação objetiva de seus acionistas majoritários: o povo. E se pode fazer de conta que a tal empresa monopolista está abrigada na Lua, em Marte ou na Noruega.

    Está correta a chamada "política de desinvestimento" implementada por Pedro Parente. Mas a sua política de preços era, para ficar no paradigma, um barril de pólvora. Aliás, ele próprio ouviu um figurão do primeiro escalão do governo, que está longe de ser esquerdista ou heterodoxo, dizer ao presidente Michel Temer que a sociedade brasileira não estava aceitando a política de preços da Petrobras.

    Convenham: é fácil demais tirar do bolso do consumidor, dia a dia, o custo da variação do barril — que oscila segundo os humores de Donald Trump, dos aiatolás do Irã, dos mulás das Arábia Saudita do delinquente Nicolás Maduro — e da cotação do dólar, sujeita aos humores da política. Enquanto os brasucas, com renda deprimida, topam pagar a conta, a coisa vai bem. Difícil é quando eles dizem: "Não topo".

    E o momento chegou.


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