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Desigualdade e multiculturalismo

No meu trabalho como produtor de conteúdo no YouTube, defendendo libertarianismo, liberdade de mercado, direitos naturais e outras ideias radicais, já fui exposto a muitos argumentos ruins e tentativas realmente sofríveis de refutação. Não que possa se esperar muito da seção de comentários do YouTube, é claro.

Mas um artigo este ano me chamou a atenção, tanto que considerei criar o prêmio de "pior artigo do ano" apenas para poder enviar o prêmio para o autor. Pelo correio. A cobrar. O artigo é o "Uma verdade politicamente incorreta sobre a desigualdade". O mais trágico é que este completo descarrilamento argumentativo foi publicado aqui, no Instituto Mises Brasil.

Autor central para a escola austríaca de economia e para o libertarianismo, Murray Rothbard era conhecido por um padrão curioso. Quando um político republicano ou democrata publicava alguma asneira estatista qualquer ou propunha mais uma lei para empobrecer todo mundo sob a desculpa de enriquecer todo mundo, Murray ocasionalmente publicava críticas. Mas quando algum libertário cometia algum erro, mesmo que consideravelmente pequeno, a marreta crítica de Murray descia com força e pouca piedade. O motivo, segundo ele, era simples: é esperado que um estatista qualquer fale todo tipo de baboseiras, mas um libertário? Não podemos deixar que um de nós possa cometer um erro sem ser corrigido, afinal nossos críticos muito frequentemente não são honestos em suas argumentações, e mesmo quando são, raramente se dão ao trabalho de compreender totalmente a situação antes de expô-la para todo o mundo.

Não que o autor daquele desastroso artigo seja libertário. Honestamente não sei, mas o fato é que o veículo de publicação foi este site, o que pode dar a impressão de que aquele artigo é defendido pelos defensores deste site e do libertarianismo. Justo por isso ele precisa ser meticulosamente respondido. Felizmente o artigo já foi removido, mas a memória permanece e pode ainda estar escondido por aí, para ser replicado em algum outro momento.

Para começo de conversa, o problema começa na escolha da premissa do artigo. A ideia exposta é que o multiculturalismo é incompatível com uma sociedade igualitária. Mesmo que o argumento estivesse certo - e o autor faz um péssimo trabalho de argumentar a favor disso - a questão toda seria total e completamente irrelevante.

Desigualdade sequer é um problema. Pobreza é um problema, e é isto que precisa ser discutido. Multiculturalismo também não é um problema. Conflito entre indivíduos é um problema e culturas muito diferentes vivendo em vizinhança podem gerar conflitos, e é este problema que deve ser discutido, mas é perfeitamente possível que pessoas de várias origens diferentes convivam em paz e em riqueza. Se o multiculturalismo atrapalha a igualdade então é um assunto completamente desimportante. O assunto a ser realmente debatido é: por que, embora muita riqueza tenha sido criada nos últimos dois séculos, ainda existe pobreza no mundo? Alternativamente, poderia ser debatido por que buscar a igualdade como métrica não só envolve uma política antiética de confisco de propriedade e redistribuição, mas também não é condutiva a produção de riqueza e combate a pobreza. Também poderia ter sido discutido se políticas multiculturalistas podem aumentar ou reduzir a pobreza. O autor do artigo que critico aqui certamente perdeu uma ótima oportunidade e seu precioso tempo ao escolher uma pergunta totalmente inútil de se responder.

Mas antes de tudo, vamos abordar o claro desleixo argumentativo do autor. Não posso realmente acusa-lo de ser incompetente, pois não conheço a real extensão de suas habilidades, mas podemos analisar o que foi demonstrado no artigo. Avanço: não tem quase nada de bom.

O autor demonstra implicitamente que não entende Praxiologia, a metodologia fundamental da Escola Austríaca. A prova disso está em tentar provar com estatísticas uma tendência econômica que deveria ser demonstrada a priori. Existem inúmeras razões para que estatísticas de desigualdade sejam mais altas ou mais baixas, e a crítica feita por Ludwig von Mises ao tratamento estatístico dessas tendências é que é impossível quantificar a ação humana e, portanto, calcular suas consequências na sociedade. Dado que existe um praticamente infinito número de variáveis que pode afetar a desigualdade de um país, e que não só não sabemos medi-los, mas teríamos enorme dificuldade em sequer fazer uma lista deles, como podemos isolar a variedade cultural numa sociedade e calcular sua influência na economia? E mais, nenhum multiculturalismo é igual, então como poderíamos usar nos mesmos dados uma sociedade com 33% de muçulmanos e 66% de hindus e outra sociedade com 80% de japoneses, 10% de coreanos e 9% de uruguaios? Obviamente tais culturas, e as religiões que vem com elas, são completamente diferentes e possuem valores completamente diferentes. Uma análise estatística disso é impossível. 

E se o autor realmente pretendesse fazer uma análise praxiológica da desigualdade no mundo, no Brasil ou nas cidades que cita como exemplo de igualdade no Brasil, teria que demonstrar como a ação humana na economia leva a equalização de salários e patrimônio, isto é, como a ação de vários indivíduos diferentes com várias vontades diferentes acabaria por convergir em resultados semelhantes. Mais, teria que demonstrar que ações de humanos de diferentes culturas necessariamente divergem em resultados, gerando desigualdade. Um trabalho desses sem dúvida ocuparia no mínimo dezenas de páginas, e não um pequeno artigo como esse. Mas nada disso sequer é tentado.

E mesmo que o tratamento estatístico disso fosse possível, o autor faz um trabalho claramente fraco, e qualquer um que já passou moderadamente perto de um artigo econométrico consegue perceber isso. Onde estão testes estatísticos para isolar as influencias dos fatores? Algum tratamento sobre a margem de erro, ou sobre a precisão da correlação? Nada. Sem nenhuma análise dos poucos dados apresentados ele conclui: a semelhança entre os moradores explica os índices nórdicos de igualdade.Será mesmo?

Como fonte, o autor traz um especialista do IPEA, que diz que "As cidades do Sul são menos desiguais em parte porque a população costuma ser mais educada, a desigualdade educacional costuma ser menor. São populações mais homogêneas". O erro do autor do artigo é 1) saltar inexplicavelmente de um "em parte" para um "explica" e 2) em esquecer que o especialista estava se referindo ao fato de que, por possuírem um nível de educação mais similar, as pessoas acabam por ter rendas similares. O que isso diz sobre sua semelhança de culturas, origem, religião e outros fatores? Rigorosamente nada.

Se pessoas de culturas muito diferentes possuíssem um nível educacional similar, tendo uma contribuição marginal ao processo de produção mais similar, e estivessem inseridas na mesma economia com os mesmos níveis de produtividade do capital investido, seria de se esperar que suas rendas fossem mais similares? Tendo a suspeitar que sim, mas o autor não investiga a hipótese. Outro fator possível para a igualdade de renda nessas cidades é que são simplesmente muito pequenas.  Um dos exemplos dados é a cidade de São José do Hortêncio, que possui 4543 habitantes. Com uma baixa população e de perfil agrícola de pequena produção, a economia da cidade é pouco diversificada e não existem muitas oportunidades de receber salários enormes, talvez exceto os salários dos políticos locais. Embora a primeira vista pareçam ser melhores, não pretendo discutir se estas hipóteses explicam ou não a igualdade local, mas apenas que foram completamente ignoradas.

O autor inclusive se contradiz. Ele argumenta que simultaneamente a cidade de São José do Hortêncio, que possui níveis de igualdade iguais aos da Dinamarca, não teve políticas de combate à desigualdade e que está submetida às mesmas políticas públicas que valem para o resto do país. Talvez ele tenha se esquecido que o governo brasileiro possui várias políticas de combate à desigualdade, como o Bolsa Família. Como um brasileiro poderia esquecer da existência desse programa está além da minha compreensão.

E checar isso teria sido muito fácil: o site do Bolsa Família lista os recebedores do benefício por município, e em São José do Hortêncio são 54, segundo dados de 2015 [1]. Parece pouco, mas é 1,2% da população da cidade. Embora esta proporção esteja abaixo da média nacional, já que 6,6% da população brasileira recebe o Bolsa-Família [2], é o suficiente para demolir a afirmação do autor de que "Não houve ali, nem em nenhuma das outras 14 cidades, nenhuma política pública voltada especificamente para reduzir a desigualdade". Fica aqui a lição para quem pretende escrever artigos afirmando absolutos: confira antes se você está realmente certo.

Também vale lembrar que o governo possui vários programas de geração de desigualdade, como os altos salários pagos a funcionários públicos, o BNDES, bancos de fomento agrícola, protecionismo e as universidades públicas, mas isso é assunto para outra hora.

O autor então argumenta que origens étnicas e a origem luterana contribuíram para tal igualdade, gerando uma cultura mais homogênea. Enquanto é verdade que comunidades protestantes promovem a alfabetização e educação de seus membros e outros fatores religiosos podem levar a maior produção econômica, como a crença de que a "mente vazia é a oficina do diabo", isto não diz nada sobre características culturais que podem ser contrárias a produção de riqueza. E mais, esquece completamente o fato de que outras culturas podem possuir costumes também condutivos ao trabalho, estudo e produção de riqueza, inclusive em mais força em relação a cultura protestante. Embora muitos entendam que isso é apenas um argumento muito mal feito, muitos podem enxergar isso como simples xenofobia. É verdade que uma pessoa é apenas culpada pelo que diz e não pelo que é entendido, mas é boa prática, especialmente quando escrevendo para um grande público, fazer um esforço para ser bem compreendido.

Pelo menos o autor traz uma breve discussão sobre a inutilidade do índice Gini de desigualdade como medida desejável de se buscar. O triste é que ele faz isso apesar de direcionar seu argumento para uma análise da desigualdade. Dinamarca, Afeganistão, Noruega, Iraque, Finlândia e Cazaquistão possuem um índice Gini de entre 0,26 e 0,29. São populações muito mais homogêneas e possuem resultados econômicos vastamente diferentes, e usar a desigualdade como objetivo para avaliar tais nações é inútil. Mas o que é útil então? Por que algumas nações são mais ricas e outras mais pobres? Nada disso é discutido.

Pode parecer um desvio de assunto, mas não é. Se a real causa da riqueza não é apontada, fica aberta a porta para que alguém chegue a conclusão de que como os EUA ou o Reino Unido são muito mais diversos do que o Iraque e o Afeganistão, então o multiculturalismo pode trazer riqueza e deve ser uma política de estado. O mais correto, é claro, seria observar que dado que existem países desiguais pobres, como o Brasil, e ricos, como os EUA, ou países igualitários pobres, como o Iraque, e ricos, como a Noruega, então a desigualdade de renda pode muito bem não ser relevante para o enriquecimento da população, e outros fatores devem ser responsáveis pelo processo de erradicação da pobreza.

E qual a real causa da riqueza? É o capitalismo. É o sistema que defende a propriedade privada, permite o comércio e investimentos e que vem erradicando a pobreza de maneira sistemática. Onde temos liberdade de mercado a riqueza logo segue. Onde o estado é pesado, a estagnação ou retrocesso domina.

O autor conclui dizendo que se a população do Brasil fosse formada inteiramente por uma população como a do Rio Grande do Sul ou do Maranhão, a desigualdade no país seria baixa, mas não há real motivo para acreditar nisso, nem o autor apresenta provas ou argumentos convincentes. O autor está extrapolando uma observação de cidades pequenas para uma nação de 205 milhões de pessoas e uma economia muito mais complexa. Além disso, existem países muito homogêneos em população que são muito desiguais: Lesotho, Zambia, Haiti, Paraguai, Chile, China, e por aí vamos. Em bom português, a conclusão do autor não faz sentido e a própria fonte de índices de desigualdade que ele utilizou teria mostrado isso facilmente.

****

Mas vamos além. Vamos escrever ao menos um dos artigos que deveriam ter sido feito sobre o assunto: Multiculturalismo e direitos de propriedade

Devo confessar que concordo com o desejo apresentado pelo artigo a que respondo, que o autor caracteriza como uma ideia "de esquerda", embora eu a fraseie de maneira diferente. Também desejo viver numa sociedade diversa, onde cada pessoa é livre para exercer sua religião, suas crenças, manter seus costumes e se relacionar com quem quiser. Ninguém deveria ser obrigado a ser igual, nem eu deveria ser proibido de me relacionar como quiser com outra pessoa que consente, só porque somos diferentes.

A diferença é que nós libertários não olhamos para fronteiras como limitadores de sociedades. Qualquer um que mora numa região de fronteira sabe como a linha arbitrária desenhada no mapa não impede que povos de dois países passem por trocas culturais e operem com uma sociedade. Se algo de fato divide uma sociedade este algo é as ideias que os indivíduos defendem, como no caso da disputa entre a Palestina e Israel. Se a fronteira fosse abolida, ou se mais fronteiras fossem desenhadas, nada mudaria no sentimento dessas pessoas. A outra possibilidade de divisão vem da mera força, isto é, uma organização armada que fisicamente impede que duas sociedades entrem em contato ou aprofundem seus laços, ameaçando de morte quem desobedecer.

Para um libertário, o conceito de sociedade é algo mais como "pessoas que estão interagindo pacificamente". Obviamente pessoas terão suas diferenças em infinitos assuntos, mas ainda assim estarão interagindo uns com os outros de uma forma ou outra. E o que aumentou a interação entre culturas? O capitalismo. Hoje temos inúmeras formas possíveis de conhecer outras culturas, viajar para outros países, entrar em negócios com todos os tipos de pessoas e de adotar para nós aquilo deles que admiramos.

O que um libertário defende é esta liberdade de interação pacífica entre todos os indivíduos e, por conseguinte, entre todos os povos e culturas.

E tudo isso no fim das contas é uma discussão sobre direitos de propriedade. A única posição eticamente e racionalmente defensável [3] é que todos os indivíduos devem ser livres para viverem como quiserem e estabelecer relações como quiserem, contanto que não agridam outros. Se estes indivíduos possuírem culturas diferentes, que seja. Se eu quiser contratar um sírio ou um moçambicano para trabalhar na minha padaria na Polônia, oras, a padaria é minha e eu contrato quem quiser aceitar o emprego.

Se esta liberdade de contrato for garantida, o que necessariamente implica uma garantia de direitos de propriedade, temos uma sociedade libertária, e esta sociedade pode, mas não necessariamente deve, ser multicultural, pacífica e rica. Isto simplesmente porque uma sociedade com claros e defendidos direitos de propriedade será uma sociedade próspera, e isto atrai pessoas de todas as culturas, desde que não agridam os outros indivíduos.

E o que aconteceria com esses agressores? Seriam dados como criminosos e punidos da mesma forma, não importa de que cultura sejam. É bom lembrar: estamos falando de uma sociedade com proteção de propriedade privada. Que propriedade é essa? A teoria de propriedade segundo Locke, defendida por Rothbard, no seu Ética da Liberdade, e Hoppe, em vários de seus trabalhos, mas fica a recomendação do Economics and Ethics of Private Property: a) se algo não tem um dono e você misturar seu trabalho com este algo, este algo agora é sua propriedade. b) se você é proprietário de algo, pode trocar este algo com outra pessoa, ou livremente dar esta coisa para quem bem entender, inclusive no caso de herança e c) caso alguém agrida sua pessoa ou propriedade, você tem o direito de se defender e defender sua propriedade na medida que necessário para parar a agressão.

Numa sociedade libertária qualquer um que praticasse sua cultura pacificamente poderia continuar fazendo isso sem problemas. É óbvio que uma sociedade assim seria um imã fortíssimo para minorias, especialmente as perseguidas, pois saberão que serão deixadas em paz. Uma pessoa que deseja o bem de todas as culturas, religiões, raças, sexualidades e o que mais for cabível deve defender os direitos de propriedade absolutos destes indivíduos.

É importante lembrar que isso não significa nenhuma obrigação de inclusão ou obrigação de contrato. Se eu sou um francês e quero contratar um queniano, este é meu direito e é direito dele aceitar este contrato, goste o governo ou não disso, mas se eu não quiser contrata-lo ou ele não quiser trabalhar para mim, também é meu direito e dele, quer a sociedade ou o governo não gostem disso. Nenhum muçulmano ou judeu deve ser obrigado por lei a trabalhar num açougue que vende carne de porco, assim como nenhum açougueiro deve ser obrigado a parar de vender carne de porco só porque um muçulmano ou judeu quer trabalhar lá. O mesmo vale para a livre-expressão: todos devem manter o direito de se expressar como quiserem, mesmo que o grupo alvo de uma crítica se sinta ofendido.

Obviamente todos terão considerações morais sobre quem frequentemente critica outros grupos, especialmente de maneira preconceituosa e difamatória, e todos os indivíduos também possuem o irrevogável direito de não se relacionar com pessoas preconceituosas, racistas, xenofóbicas ou o que o valha. Tolerância é um valor moral, e como todo valor moral é uma escolha, que deve ser explicada e entendida. Não se pode impor valores morais de tolerância via lei, acima como não se pode impor castidade, prudência ou qualquer outro valor via força. Se um indivíduo não entende a importância de um comportamento, não vê valor nele ou acredita em valores contrários, a caneta do legislador tem pouco ou nenhum poder para mudar uma ideia. Pior, morais legisladas podem acabar por apenas criar um ressentimento contra aquele valor moral, já que está sendo imposto à força. Aqueles que buscam uma sociedade tolerante não devem buscar a lei, e sim o convencimento via argumentos.

Isto posto, por que o multiculturalismo tem apresentado resultados desastrosos? Justamente porque ele é um multiculturalismo forçado, em sociedades onde o direito a propriedade privada não é resguardado como um absoluto.Até agora estávamos tratando de uma sociedade pacífica que atrai pessoas de todos os tipos pelas oportunidades que oferece. O que vemos acontecendo na realidade são governos atraindo imigrantes usando o dinheiro dos pagadores de impostos, e depois se perguntando por que estes pagadores não gostam do multiculturalismo.

Em 2015 na Alemanha 5,91 bilhões de dólares foram distribuídos em benefícios diversos para as 975 mil pessoas que foram buscar asilo no país até então, o que resulta em pouco mais de 6mil dólares por pessoa, por ano, ou 1661 reais por mês. [4] Para referência, o salário médio brasileiro em 2015 foi de 1853 reais [5], ou seja, 90% do salário médio brasileiro com 100% menos trabalho. Fala-se agora, inclusive, de pagar tais pessoas para irem embora do país.[6] Exilados na Suécia recebem repasses para alimentação e moradia. [7] Podemos seguir muito longe nesta lista de benefícios, mas suspeito que o leitor já entendeu o ponto.

E sobre criminalidade, em muitos países que receberam enormes números de imigrantes desde 2014, como Suécia, Alemanha, França, Bélgica e outros, forças policiais são incentivadas a não registrar os crimes, não reportar estatísticas de crimes, não ir atrás de suspeitos, não prender suspeitos e até incentivar vítimas, em alguns casos mulheres vítimas de estupro, a não prestar queixa contra os criminosos. [8][9][10][11][12][13]

Um outro problema é grave, mas muito pouco abordado: a exclusão econômica. Estes imigrantes poderiam encontrar empregos ou abrir seus próprios negócios, mas isto é simplesmente inviável dadas as leis de salário mínimo e as regulações estatais que atravancam o mercado. Dado que muitos não falam a língua local e de maneira geral possuem baixos níveis de escolaridade quando comparados aos europeus, é essencialmente impossível contrata-los até pelo salário mínimo corrente na Alemanha, Bélgica ou França. Não é surpreendente, afinal a origem histórica da lei de salário mínimo não é "garantir os direitos dos trabalhadores" e sim eugenia descarada. A ideia original era que se fosse proibido que "pobres e indesejáveis" trabalhassem via um salário mínimo que eles nunca iriam conseguir, estas pessoas simplesmente morreriam. [14][15][16] Durante os anos 20 e 30 era comum na América do Norte que leis de salário mínimo fossem passadas especificamente para excluir japoneses, negros, mulheres e outros grupos.[17]

Ademais, como esperar que um refugiado entenda a burocracia local para começar um pequeno negócio se ele sequer entende a língua local? Caso tal burocracia não existisse, se tornaria apenas uma questão de abrir seu negócio conforme possível e começar por aí, ou mesmo aceitar um emprego por um salário inferior ao salário mínimo atual, mas em nome de ajudar os pobres e oprimidos o governo cria barreiras que, embora pequenas para os moradores locais, são insuperáveis para os refugiados, criando uma condição de perpétua dependência estatal e marginalização. Como uma sociedade pode se integrar se uma seção inteira dela não tem como trocar com a outra, se não tem como encontrar a outra no mesmo ambiente de trabalho, e esta outra é obrigada pelo estado a sustentar indefinidamente os refugiados?

Falando formalmente, isto significa que tais refugiados e imigrantes não dispõem completamente de seus direitos de propriedade. Não podem abrir um negócio, não podem contratar ou ser contratados pelo preço que bem entenderem. Igualmente os moradores de tais países não dispõem completamente de seus direitos de propriedade. Não podem contratar como quiserem, nem podem se recusar a sustentar outras pessoas ou a ceder suas propriedades quando ordenados pelo governo.

Um dos resultados disso é que muitos moradores destes países, os mesmos que estão pagando a conta de todos estes almoços grátis e vitimados por crimes que a polícia não pode ou não vai resolver, se sentem invadidos, ameaçados, atacados. Este sentimento está correto, pois toda ação estatal envolve usar o dinheiro de outra pessoa, e quem tem sua propriedade confiscada terá ressentimento ou do estado que lhe roubou, ou, caso não entenda este processo, terá ressentimento da pessoa que recebeu este dinheiro. Esta agressão estatal obviamente gera uma vontade de revidar, e em parte por isso vemos um crescimento de ideias anti-imigração e crescimento de partidos radicais. Também por isso vemos grupos se armando como podem e indo as ruas para "combater o crime", afinal se o governo se recusar a proteger a propriedade privada, em muitos casos as pessoas farão isso por conta própria [18]. 

Notem que esta conclusão não depende de quem está recebendo o dinheiro, afinal, vemos um processo muito semelhante aqui no Brasil, inclusive com fenômenos de justiça popular. 

Até aqui estávamos tratando de refugiados e do experimento multiculturalista europeu, mas se toda a população fosse homogênea, ainda existiria um ressentimento entre os que pagam e os que recebem, embora talvez um pouco mitigado por alguma proximidade cultural. Quando o estado toma de um para dar para outro, seu vizinho vira seu inimigo, pois ele pode votar para que você seja obrigado a pagar algo para ele. Seu vizinho também enxerga a situação da mesma maneira, e assim começa uma divisão política na sociedade até que o dinheiro dos pagadores acaba, e o conflito tende a se aprofundar ainda mais, pois o histórico nos mostra que recebedores raramente encaram tais cortes com paz e naturalidade, e sim com revolta.

A conclusão aqui é simples: quando direitos de propriedade são erodidos, quando um pode pegar o que é do outro, a sociedade descamba em conflito, não importa a cultura do pagador e do recebedor. O experimento multiculturalista na Europa também envolveu sérios ataques a propriedade privada, principalmente pesada taxação, e ao invés de aproximar os diferentes membros da sociedade, isto apenas os distanciou.

A lição disso? Se o seu objetivo é aproximar as culturas e povos, isto deve ser feito de maneira voluntária, pacífica, via a criação de um sistema legal que incentiva a aproximação daqueles que enxergam vantagem nessa aproximação e pune criminosos corretamente, independente de quem são, e a sociedade libertária é o melhor exemplo disso. Quase todos reconhecem que um casamento à força é algo repudiável. Devemos reconhecer que este mesmo princípio se aplica ao "casamento" de culturas.

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[1] https://www.bolsa-familia.com/pessoas/rio-grande-do-sul/sao-jose-do-hortencio/1/1/1

[2] http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2017/03/beneficiarios-recebem-r-2-4-bilhoes-do-bolsa-familia

[3] Ethics and Economics of Private Property, Hoppe, capítulo 13

[4] https://www.wsj.com/articles/germanys-welfare-bill-rises-169-as-refugee-numbers-grow-1473077920

[5] https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2016/11/25/salario-medio-do-brasileiro-cai-5-em-2015-e-passa-a-r-1853-diz-ibge.htm

[6] http://www.dw.com/en/program-paying-asylum-applicants-to-leave-germany-voluntarily-begins/a-37374656

[7] https://www.migrationsverket.se/English/Private-individuals/Protection-and-asylum-in-Sweden/While-you-are-waiting-for-a-decision/Financial-support.html

[8] https://www.express.co.uk/news/world/728166/Germany-police-pressure-refugee-migrant-crisis-sexual-assault-Rheinberg-asylum-crime

[9] https://www.reuters.com/article/us-europe-migrants-germany/german-authorities-accused-of-playing-down-refugee-shelter-sex-crime-reports-idUSKCN0S02N220151006

[10] https://www.nytimes.com/2016/01/12/world/europe/swedish-police-coverup-sexual-assault.html

[11] http://www.dailymail.co.uk/news/article-3378985/Police-Germany-covering-extent-migrant-crime-claim-Bild-country-revealed-taken-1-1-MILLION-people-2015.html

[12] https://www.spectator.co.uk/2016/01/its-not-only-germany-that-covers-up-mass-sex-attacks-by-migrant-men-swedens-record-is-shameful/

[13] https://www.rt.com/news/328628-german-police-officer-refugees/

[14] https://mises.org/blog/racist-history-minimum-wage-laws

[15] https://www.forbes.com/sites/carriesheffield/2014/04/29/on-the-historically-racist-motivations-behind-minimum-wage/#642edbca11bb

[16] https://fee.org/articles/the-eugenics-plot-of-the-minimum-wage/

[17] https://nypost.com/2013/09/17/why-racists-love-the-minimum-wage-laws/

[18] http://www.independent.co.uk/news/world/europe/four-men-germany-trial-beat-man-death-hunt-refugees-waldbroel-vigilante-gangs-bonn-court-migrants-a7715511.html

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autor

Raphaël Lima, Yago Martins, Helio Beltrão e Rodrigo Marinho

  • Arregoes  20/12/2017 20:35
    Já posso postar umas frases "polêmicas" do Rothbard pra derrubar esse post também?
  • 4lex5andro  21/12/2017 12:00
    Então mesmo não concordando com o outro texto (retirado do site), mas também não concordando com sua "censura", é compreensível o receio do IMB.

    Dado que o Brasil é um país já consolidado de viés progressista e sob a égide de uma carta constituinte anti-propriedade privada, então é bom ter precaução nos textos publicados (publicados como artigos sob o brasão do IMB).

    Porém segue uma humilde SUGESTÃO: o mesmo, e polêmico, texto retirado (mas que já fora publicado antes, então), poderia estar inserido em outro artigo (talvez esse mesmo) em itálico como contra ponto a ser refutado.

    Ficando no IMB somente a refutação, perde-se um panorama geral da situação.

    E nos comments opiniões prós e contras, ficaria bem interessante. Fim.

    ______

    Bem, mas como o site do IMB é privado, então deve prevalecer a conduta do staff do mesmo neste sítio, cabendo-lhe discricionar se é válido seguir ou ignorar essa pequena sugestão, sem complicações.
  • Alberto Silveira  21/12/2017 17:27
    Apesar do primeiro artigo apresentar uma visão míope, sobre "uma verdade politicamente incorreta sobre a desigualdade", não podemos negar a prepotência dos quatro articulistas do segundo artigo, sobre "desigualdade e multiculturalismo", que sem usar o básico de econometria trataram como verdade absoluta as suas considerações. Eram como que ortodoxos ou heterodoxos, fossem donos da verdade. Que o leitor de Mises não tivesse capacidade de discernir sobre o que certo e o que errado, o que útil e inútil.
    Costumo parafrasear Voltaire, "posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las". Esperaríamos o mínimo de quem resolveu fazer contraponto, como verdade absoluta.
  • anônimo  27/12/2017 01:29
    PSOL ou pt?
  • Marcelo  27/12/2017 02:31
    Pelo tipo de comentário ... acho que voCê não seria capaz. Além disso.... nenhum intelectual precisa estar cem por cento certo.. se voCê lê um livro ou artigo e concorda sempre cem por cento... eu tenho sérios motivos para duvidar da sua inteligência.
  • Matheus Almeida  20/12/2017 21:06
    Ótimo artigo! É sempre bom deixar claro, principalmente para os desonestos, o que condiz ou não com o liberalismo/libertarianismo.
  • Felipe Lange  20/12/2017 21:12
    Queria ter lido esse artigo que deve ter gerado polêmica... que pena.

    Devo deduzir que vai encher de neocon enchendo o saco do Raphaël e acusá-lo de esquerdista, sendo que eles, os neocons, que são esquerdistas.

    Bom esse conflito entre duas aberrações estatais baseadas em violência, Israel e Palestina, já foi abordado aqui (e os neocons ficaram todos com raivinha).
  • Neoliberais hipocritas  20/12/2017 21:26
    Este artigo soa como desculpa esfarrapada tanto quanto as desculpas do presidente deste instituto ao utilizar dinheiro público para visitar Porto Alegre. Posso provar, tá? Será que vocês têm coragem de publicar esse comentário?
  • Marcelo  27/12/2017 02:33
    QUAL É O PROBLEMA DE SE RETRATAR??? O Instituto Mises faz um trabalho árduo durante anos pra tirar várias pessoas da ignorância econômica e política... no primeiro erro do site você faz esse escarcéu??? Toma tenência rapaz...
  • Lucas Pedro  20/12/2017 21:36
    Muito bom! Amei a "correção" e como demonstraram com racionalidade o que aconteceu e o certo a ser dito.

    Aliás, não condeno o que o outro disse por ser isso ou aquilo, eu condeno porque considero besteira. Foi uma falácia sem argumentos. Contudo, é o que ele queria falar. Só não acho que usar esse site era o melhor lugar para compartilhar uma opinião não defendida por vocês mesmos.

    De qualquer forma,
    Algumas pessoas no Facebook estão falando sobre "fascismo" e "censura", e eu sinto vergonha dessas pessoas ficarem em um "bandwagon" sem nem entenderem a situação. É uma pena que esses idiotas irão ficar inventando besteira e teorias mirabolantes pra culpar vocês por uma coisa que nem culpa de vocês foi.
  • Pobre Paulista  20/12/2017 22:09
    Pláu
  • Pobre Paulista  20/12/2017 22:10
    Aos curiosos:

    webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:9lEPZVbi6iYJ:mises.org.br/Article.aspx%3Fid%3D2820+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-b-ab
  • Vic  21/12/2017 13:42
    Muito obrigado
  • Carlos Lima  21/12/2017 19:08
    Obrigado.
  • Mauricio  21/12/2017 19:17
    Li agora. Não vi absolutamente nada de mais. Aliás, concordo com tudo o que foi dito pelo autor (muito embora, é verdade, ele poderia ter usado um fraseado diferente em determinados trechos). Gostaria MUITO de saber porque um artigo que só fala verdades foi deletado.


    P.S.: tendo lido agora o artigo original, devo dizer que o artigo acima (que é bom) passou loooonge do alvo em sua crítica e em sua "refutação". Parece que os autores deste artigo nem sequer pegaram o ponto principal do outro artigo. Gastaram mais da metade do artigo falando dos benefícios do multiculturalismo espontâneo, sendo que isso nem sequer foi o tema do artigo a ser refutado. E na parte em que realmente se propuseram a atacar o artigo deletado, se concentraram em minúcias secundárias que nem sequer faziam parte do cerne da argumentação do artigo apagado.
  • Kaio  21/12/2017 19:50
    Na primeira vez li o texto com rapidez (estava dentro do ônibus) e confesso q senti uma certa inquietação. Não tinha descido bem.

    Quando vi q apagaram, pensei que tinha sido a atitude correta.

    No entanto, reli agora com mais calma (o texto apagado) e com a mente mais aberta. Devo dizer q mudei de ideia. Realmente, não tem nada de mais no artigo. Como você e outros já disseram, o autor apenas disse algo convencional (não dá pra ter ampla heterogeneidade e baixa desigualdade). Na primeira vez q li (com rapidez) tinha ficado com a impressão que o autor tava condenando miscigenações e misturas. Agora q li com mais calma, vi q não era nada disso. Acho q erraram ao apagar.
  • Felipe Lange S. B. S.  21/12/2017 23:14
    Também acho. Não vi nada de errado no artigo.
  • Pobre Paulista  20/12/2017 22:23
    Nem tinha lido o original, pois nem o título me interessou. Mas agora reli e pelo que vi o autor precisa de mais um pouco de teoria, acredito que no fundo o que ele estava buscando era legitimar o direito de não viver sob imposição de multiculturalismo. E para isso esse artigo aqui ajudaria: Se você não gosta do governo sob o qual vive, deve ter o direito de se separar e criar um outro .
  • Federico Fernández  21/12/2017 19:39
    "acredito que no fundo o que ele estava buscando era legitimar o direito de não viver sob imposição de multiculturalismo"

    Nada a ver. Ele simplesmente disse que querer heterogeneidade brasileira com igualdade sueca (como querem os progressistas) é um sonho impossível. Gostaria de saber onde está o erro desta constatação. O enorme artigo acima não mostrou.
  • Pobre Paulista  22/12/2017 15:26
    Não disse que esse era o assunto do artigo, e sim o que imaginei que o autor estava tentando colocar.
  • Leonardo Puehler  20/12/2017 23:28
    Espero que o Raphael faça um vídeo sobre isso. É uma vergonha para um Instituto que defende a liberdade ter um post minimamente racista.
  • Felipe Lange  23/12/2017 15:58
    Não vi nada de racista no artigo. Em qual trecho havia essa demonstração?
  • Gustavo Nunes  20/12/2017 23:38
    Um adendo ao trecho:

    "Se esta liberdade de contrato for garantida, o que necessariamente implica uma garantia de direitos de propriedade, temos uma sociedade libertária, e esta sociedade pode, mas não necessariamente deve, ser multicultural, [MAS TAMBÉM]
    pacífica e rica. Isto simplesmente porque uma sociedade com claros e defendidos direitos de propriedade será uma sociedade próspera, e isto atrai pessoas de todas as culturas, desde que não agridam os outros indivíduos."

    Pois, se uma sociedade desenvolve-se com base nos direitos individuais de propriedade e, portanto, também de liberdade, esta, sim, necessariamente será rica e pacífica ( uma vez que todos respeitam se respeitam sob determinação das leis de mercado ).
  • Matheus Evangelista  20/12/2017 23:39
    Boa correção do texto anterior,explicitando os princípios libertários de migração,direitos de propriedade,e pnl.Parabéns equipe IMB
  • WDA  21/12/2017 10:06
    Ah, tá, agora está claro. Achei que este fosse o artigo "Uma verdade politicamente incorreta sobre a desigualdade".

    Eu fui um dos que argumentou CONTRA o artigo aqui nesta seção de comentários. Afinal, o raciocínio ali desenvolvido estava ERRADO.

    Mas não acho que vocês deveriam apagar o artigo. Vocês já fizeram isso antes, com um artigo realmente grosseiro e agressivo, mas que continha idéias fundamentalmente verdadeiras e havia sido escrito por um norte-americano que depois esteve envolvido em um problema político. Ele era de uma organização esquerdista norte-americana (mas infelizmente isso só foi mencionado na seção de comentários. No artigo contrário à conduta do autor daquele texto, publicado aqui por outro norte-americano, esse tipo de ligação não aparecia e a mídia brasileira, em ampla divulgação do fato em que aquele esteve envolvido, ligava-o de maneira abusiva a Donald Trump.)

    Felizmente, o artigo original aparecia no blog do IMB. O que é absolutamente necessário para se saber qual o conteúdo do texto, por que ele teria sido excluído e para que se possa formar uma opinião a respeito.

    O caso do artigo "Uma verdade politicamente incorreta sobre a desigualdade" de certa forma foi o contrário. Isso porque o artigo não era de forma alguma agressivo, mas a idéia defendida era errada.

    Segundo o autor, só dá para ter uma sociedade mais ou menos igualitária (como a dos países Nórdicos, segundo ele) se esta sociedade for homogênea. E seria impossível uma tal sociedade se ela fosse mais plural.

    Nas palavras dele: "Querer, como pretendem os progressistas, que haja uma sociedade miscigenada e multicultural, e que, ao mesmo tempo, ela apresente uma igualdade nórdica, é querer a quadratura do círculo. "

    O problema é que não há nada que impeça a priori que uma sociedade seja "igualitária" (ao menos no sentido de ter níveis nórdicos de "igualdade"), pelo fato de ela ser mais homogênea.

    Também não é verdade que qualquer sociedade mais plural será mais "desigual" que uma sociedade mais homogênea. Se fosse assim, a Arábia Saudita teria de ser menos desigual que a Inglaterra, por exemplo.

    Mas como expus ao argumentar contra a tese do texto na ocasião, é verdade que em princípio, se esperem de uma sociedade mais heterogênea resultados mais variados e heterogêneos, porém isso não tem valor de necessidade lógica quando se está falando de heterogeneidade étnica, racial e cultural e resultados econômicos.

    Ademais, como afirmei naquele momento, a amostra que o autor utilizou era insuficiente (como não poderia deixar de ser) e incapaz de provar seu ponto.

    Dito isso, vale afirmar que a seção de comentários do IMB normalmente tem um nível bastante alto. E daquela vez não foi muito diferente. Mas parece que há uma mania de certos leitores de defender todo texto aqui publicado com unhas e dentes, em vez de prestar a devida atenção ao conteúdo do texto.

    Posso atestar que uma grande maioria dos textos do IMB são praticamente irretocáveis em sua lógica e, por isso mesmo, irrefutáveis. Mas às vezes aparecem textos menos felizes, o que aliás haveria de acontecer, já que nem tudo pode-se tratar com lógica perfeita, pois há questões em aberto. E por vezes, naturalmente, as pessoas simplesmente erram.

    Dito isso, acredito que o texto "Uma verdade politicamente incorreta sobre a desigualdade" foi infeliz porque sua tese padecia de erros lógicos fundamentais. E lamento também que alguns comentaristas tenham extrapolado o texto e misturado as coisas, já que artigo tinha um ar que sugeria vagamente uma linha de idéias que não é das mais sadias, ademais dos seus erros lógicos que possuía.

    Aprecio que vocês tenham notado esse tipo de coisa e se manifestado contra ele. Mas sou de opinião que artigos não deveriam ser deletados, pois assumir um erro implica reconhecê-lo. Mais importante é que seja publicada a resposta mostrando qual o verdadeiro posicionamento da equipe do site.

    De qualquer forma, deve ser garantida aos leitores alguma maneira de ler o texto respondido, pois uma resposta não faz sentido sem o conteúdo que visa a responder. E só assim se pode formar um opinião séria sobre o fato.

    Por fim, também acho que os comentários ao texto deveriam ser preservados, pois não são desprovidos de valor.
  • Maria Cristina Munerato  21/12/2017 10:26
    Gostei de ler um artigo bem fundamentado e com as referências bibliográficas informadas para que possamos aprofundar a leitura.
    Os autores estão de parabéns.
  • WDA  21/12/2017 11:27
    Gostaria de postar aqui também, para fins de registro, o meu comentário ao artigo original "Uma verdade politicamente incorreta sobre a desigualdade", aqui rebatido pelo artigo pelo novo artigo "Desigualdade e multiculturalismo".

    Escrevi o meu comentário na ocasião em reposta ao comentarista Demolidor que, embora não tenha entrado em tantos detalhes quanto eu, também se pôs contra a idéia defendida pelo texto, recebendo respostas um tanto inflamadas, bem como equivocadas. Por isso escrevi meu comentário em apoio a ele e aproveitei para expor meus argumentos contra a tese central daquele artigo. (Infelizmente já não tenho registro dos demais comentários). Segue o que escrevi:

    "Na verdade, seus comentários foram todos muito sensatos e corretos, Demolidor. De fato, estão entre os mais sensatos desta seção de comentários, já que algumas pessoas, extrapolando texto, estão misturando tudo.

    Aliás o próprio texto é um tanto infeliz, pois dá a impressão de que essa correlação por ele apontada é uma relação de necessidade lógica, o que os dados por ele apresentados não permitem concluir - além do que não se pode dizer que a amostra utilizada é suficiente para dar conta do fenômeno que ele pretende explicar.

    É claro que se todas as pessoas fossem idênticas, elas seriam todas iguais - por definição. Mas isso simplesmente não existe. As pessoas sempre são diferentes.

    Mesmo gêmeos idênticos só são idênticos no nome. Para começar, eles não nasceram exatamente ao mesmo tempo, não ocupam o mesmo lugar no espaço, não fazem exatamente as mesmas coisas, e o mais importante: não são a mesma pessoa. E de fato, o princípio de identidade nos diz que uma coisa é ela mesma, e não outra. (A questão é filosófica, mas é relevante).

    De fato, espera-se que pessoas mais semelhantes entre si, reunidas em sociedade, impliquem uma sociedade mais semelhante. Contudo, no que consiste essa semelhança de que estamos falando? A que aspectos da vida das pessoas, ou mesmo a que aspectos do ser dessas próprias pessoas estamos nos referindo?

    Se são pessoas etnicamente semelhantes, isto, apenas, não pode revelar muito sobre as semelhanças econômicas - ao menos em princípio. Mas vários comentaristas aqui já caíram nesse erro. E para provar o meu ponto, basta conhecer um pouco de história. Quantas vezes na história povos inteiros foram submetidos à tirania de pessoas que provieram deste mesmo povo, tendo portanto a mesma etnia?

    Quem vai negar que o nível de poder e riqueza de um Senhor feudal que tinha direito a porcentagem da produção de cada servo era muito maior - e portanto desigual - do que o nível de poder e riqueza deste servo? Quem vai negar a diferença de riqueza e poder entre um monarca absoluto e seus súditos? Ou mesmo entre um industrial e seus concidadãos de mesma etnia à época do surgimento do fenômeno da industrialização?

    Os próprios países nórdicos tiveram uma longa história de altos e baixos, e nem tudo ao longo dessa história foi "igualdade", mesmo mantendo-se etnicamente homogêneos esses povos.

    De fato, o texto não foca nesta identidade étnica apenas, mas de certa forma sugere e enfatiza sua importância.

    Reconheço que uma população mais homogênea -genericamente falando -, ou seja, de pessoas mais parecidas entre si tenderá a gerar resultados totais também mais homogêneos. Mas daí a dizer que: "Querer, como pretendem os progressistas, que haja uma sociedade miscigenada e multicultural, e que, ao mesmo tempo, ela apresente uma igualdade nórdica, é querer a quadratura do círculo. ", dando a isso ares de necessidade lógica e pretendendo que uma tal sociedade não possa, mesmo casualmente, ser mais igualitária que uma sociedade mais miscigenada é um exagero.

    Basta dizer que há na África sociedades mais homogêneas (não só etnicamente, mas também sob outros aspectos) do que digamos a Inglaterra, mas onde a desigualdade é maior. O fato de duas pessoas serem da mesma etnia e serem fisicamente parecidas não revela muito sobre o sucesso que terão na vida. Uma pode ser extremamente empreendedora, a outra extremamente preguiçosa.

    O aspecto cultural é bem mais importante do que o étnico ou o racial, mas mesmo assim, você pode partilhar da mesma etnia, da mesma "raça", da mesma cultura que outra pessoa e até frequentar a mesma escola que ela e,ainda assim, o resultado ser bem diferente.

    Portanto, a tese do texto não é implausível, mas dificilmente se pode dizer que tem o alcance que o autor lhe empresta.

    Em todo caso, as pessoas são todas diferentes, de forma que não há muito bons motivos para justificar a tara que algumas pessoas têm por "igualdade"... "


    P.S.: espero que vocês postem o texto original pelo menos no blog, para que as pessoas possam ler o contraponto e formar sua opinião. Se puderem postar também os comentários originais, seria o ideal.

    Abraços.
  • 4lex5andro  21/12/2017 11:51
    Postando nesse fórum para parabenizar por esse grande texto (nos dois sentidos), que poderia servir de "tutorial" a qualquer pretenso escritor que tente postar artigo no IMB.

    Tratando dos princípios libertários de direito a propriedade, jusnaturalismo e liberdade de associação, como incentivadores de um caminho de prosperidade.

    Pois o problema a ser combatido é a pobreza, advinda esta, do ataque á produção de riqueza; e não a desigualdade em si.
  • WDA  21/12/2017 11:56
    Postar um comentário meu aqui é sempre um sacrifício. Desde o começo do site. Dizia que o comentário foi recebido, mas não era postado. Tanto é que no passado eu até parei de comentar!

    Nem no cachê do Pobre Paulista consta mais meu comentário ao texto original! Demorou uma eternidade pra postarem o meu comentário, que consta mais acima, sobre este texto atual. E novamente estão demorando para postar meu último comentário.

    Favor postarem meu último comentário e este aqui também.
  • Rafael  06/01/2018 15:43
    Presidente do Instituto Liberal *do Nordeste*, Rodrigo Saraiva Marinho
    Não havia motivo para ele se ofender, o artigo anterior não tinha maldade nenhuma, amigo.
    O artigo anterior não fala mal do nordeste e nem de nenhuma região do país ou etnia.
    Censura sem fundamento.
  • Ze da Moita  21/12/2017 12:13
    acabei de ler o artigo deletado, o que estranhei foi que o artigo foca muito em desigualdade e até onde sei a última preocupação do liberalismo é a desigualdade, o mais importante é o acesso a riqueza, é melhor um país desigual que o pobre tenha condições de enriquecer e de obter bens do que um país igualitário como a Etiópia ou Cuba
  • Jojo  21/12/2017 12:59
    >ruas brasileiras padrão
    >prédios públicos com pintura faltando
    >calçamentos com as famosas pedras portuguesas cheios de buracos
    >asfalto ruim e cheio de buracos ou rachaduras
    >falta de segurança
    >lixo no meio das ruas

    Entro em um shopping:
    >ruas limpas, com sinalização perfeita e sem buracos
    >fiação subterrânea
    >wi-fi
    >tudo moderno e até pode jogar papel em privada
    >jardins e grama bem cuidada
    >calçamento padronizado e de primeiro mundo
    >segurança de usar celular

    E ainda vem esquerdista preocupado com coisas como "o petróleo é nosso" ou "Amazônia é nossa".

    Tinham era que vender todo esse país para os judeus. Ninguém tem retorno de porra nenhuma, sempre tive que pagar plano de saúde e educação pra não me ferrar e mal posso sair nas ruas sem medo de ser assaltado e morto.

    E ainda tem retardado que é contra o desmonte do Estado, que é contra bairros privados, ruas privadas, estradas privadas, etc.

    O que você vê no Shopping é uma prévia do que seria uma cidade privada e auto-suficiente, regida por princípios anarco-capitalistas.

    Eu acho engraçado é a mentalidade de concurseiro. O cara pode até passar no concurso, virar um parasita estatal e ganhar 50 mil por mês coçando em algum tribunal, mas a hora que parar seu carro num semáforo, pode tomar tiro. E a paisagem serão sempre estas favelas, estes prédios caindo aos pedaços, tudo velho e carcomido. Aí eu te pergunto: vale a pena? Você tem o dinheiro mas não pode gastá-lo, sem se tornar um alvo potencial da violência que mata 70 mil por ano, e que em dez anos, estará matando 1 milhão.

    Por isso que o anarco-capitalismo é uma doutrina coletivista, e não individualista, como os estatistas costumam dizer. Ao se proteger o indivíduo da agressão estatal, ele dá ao indivíduo a escolha de cuidar do seu meio, e isso é muito importante.
  • Rafael de Arruda   21/12/2017 16:15
    Seu artigo foi ótimo.
  • Nivaldo Siqueira  21/12/2017 17:33
    Depois de ler e compartilhar o artigo "Uma verdade politicamente incorreta sobre a desigualdade", que aqui chamo de primeiro artigo; e este artigo, que chamarei de segundo artigo, chego a três conclusões:
    1 - Achei coerente a argumentação do autor do primeiro artigo,DIANTE DO QUE ELE PROPÔS A DISCORRER;
    2 - O que li no segundo artigo, me pareceu mais com a intenção de refutar argumentos que não foram inclusos no primeiro artigo, do que o próprio artigo;
    3 - Que sou muito burro para acompanhar as publicações desta página, e muito mais para comentar.
  • Jonas Hotzengard  21/12/2017 18:26
    O artigo que foi deletado era espetacular.

    Em momento algum o artigo deixou a entender que desigualdade é um problema ou que multiculturalismo é um problema. Quem entendeu isso, me perdoe a sinceridade, mas é um analfabeto funcional.

    O artigo sequer era sobre libertarianismo. Somente foi demonstrado a incoerência do discurso "progressista" em tentar defender a igualdade ao mesmo tempo que quer sociedades formadas por grupos não homogêneos.

    O que vocês querem? Que uma sociedade formada por índios que vivem na natureza junto com grandes capitalistas que acreditam no empreendedorismo tenham índice de baixa desigualdade? É isso?

    O artigo só demonstrou o óbvio, de um raciocínio que pode ser deduzido aprioristicamente, somente pelo uso da razão: Sociedades formadas por grupos pouco iguais são desiguais. A não igualdade, a não homogeneidade leva a desigualdade.

    Em suma, o artigo era uma crítica ao progressismo, e não sobre libertarianismo, assim como há outros artigos no site que são críticas ao progressismo, e não ao libertarianismo. E vocês não os deletaram, né? E o artigo não dizia que desigualdade ou multiculturalismo eram problemas. Somente expôs a incoerência do discurso esquerdista.

    Portanto, o artigo deveria ser colocado novamente no site e esse outro aí é que deveria ser deletado, pois as "críticas" contidas aqui demonstram que sequer souberam interpretar corretamente um texto e entender seu intuito. Que vergonha!

    Tudo isso que está ocorrendo está me fazendo perder o respeito que já tive pelo Instituto Mises Brasil. Me parece mais que vocês se sentiram pressionados pela impopularidade de ideias lógicas e racionais e trocaram a lógica para serem aceitos pela manada pouco racional.

    Para recuperar meu respeito e admiração, talvez vocês devessem dar menos voz a youtuberzinhos que incentivam desavisados a entrar em bolhas como bitcoin (que está estourando nesse exato momento, é demorado e possui uma taxa de transação absurda), e voltar dar ouvidos a grandes como Walter Block, Stefan Molyneux, Thomas Sowell e Peter Schiff.
  • Eurípedes  21/12/2017 19:04
    Prezado Jonas, na mosca. Eu também disse isso.

    Esse artigo aqui, em si, até que é muito bom (especialmente a segunda parte). Só que tem um problema: ele não tem NADA a ver com o artigo que pretende refutar. Nada. E, curiosamente, ninguém percebeu isso.

    O artigo apagado não era sobre multiculturalismo ou raças (quem achou que era tem que voltar o Mobral) e nem sobre igualdade ou desigualdade. O texto simplesmente dizia algo completamente trivial para o leigo inteligente e não doutrinado: ao contrário do que jura a esquerda, é impossível querer igualdade em sociedades heterogêneas. Só isso. Isso era tudo o que dizia o texto. E tal constatação do texto é tão óbvia que até entra na categoria senso comum (ou alguém acha que é possível Brasil e EUA terem o Gini da Suécia?!).

    O texto não era nem pró nem contra desigualdade. Nem pró nem contra igualdade. Nem pró nem contra multiculturalismo. Era simplesmente uma constatação: em sociedades misturadas e multiculturais há um maior nível de desigualdade do que em sociedade homogêneas. Pronto. O artigo era só isso. Gostaria que alguém me provasse que falar isso é escandaloso.
  • Rafael  06/01/2018 15:35
    Perfeito!
  • Demolidor  24/12/2017 05:53
    O artigo só demonstrou o óbvio, de um raciocínio que pode ser deduzido aprioristicamente, somente pelo uso da razão: Sociedades formadas por grupos pouco iguais são desiguais. A não igualdade, a não homogeneidade leva a desigualdade.

    Me desculpe pela crítica pesada, mas deduzir aprioristicamente soa como tecer argumentos lógicos em torno de uma tese e buscar dados que a reforcem, enquanto desconsidera aqueles que desmentem a mesma. Parece conclusão de esquerdista. E pior, num tema delicado envolvendo raças.

    Nós libertários devemos ter o cuidado, sempre, de basear nossa visão em dados concretos, verificando a realidade, por mais desafiador que seja encontrar situações de experimento controlado. É preciso ter rigor científico, tanto quanto possível.

    Por isso mesmo, e para refutar seu ponto, trago a situação do Canadá, país que inclusive já tive a oportunidade de visitar e onde tenho pessoas muito próximas vivendo. Seu índice Gini é dos mais baixos do mundo e, embora imperfeito, a igualdade pode ser observada in loco: as casas canadenses tendem a variar pouco de tamanho, mesmo de uma região para outra do país (isso com média superior a 180m2, a terceira maior do mundo); não é tão comum ver supercarros como nas ruas americanas.

    O que é curioso notar é que as poucas casas que se destacam em tamanho são aquelas dos trabalhadores da construção civil, gente de baixa escolaridade e, não raro, imigrantes ou descendentes destes (aliás, importante notar que o país é uma verdadeira salada cultural, tendo recebido imigrantes de todo tipo de ascendência europeia, asiática, indiana, filipina, etc, além de contar com uma população importante de índios, chamados de "First Nations"). Arrisco uma conclusão de que isso ocorre em razão de ser mais barato e fácil ter uma casa grande e bem feita, a um custo mais baixo, para quem é profissional da área. Assim como a manutenção de um carro é mais barata para um mecânico.

    Pois bem, vamos a dados das 25 melhores profissões do país, organizados pelo site Canadian Business a partir de dados públicos do próprio governo canadense:

    www.canadianbusiness.com/lists-and-rankings/best-jobs/top-25-jobs-in-canada/

    Note que as medianas de salários são bastante parecidas, não obstante as profissões da lista serem extremamente díspares quanto ao grau de escolaridade exigido. Um mecânico de elevador tem uma mediana quase igual à de um engenheiro aerospacial, por exemplo. Assim, por mais que certas etnias sejam mais propensas a se empregar em um tipo de trabalho que outras, tem-se uma sociedade bastante igual.

    Note, também, que a igualdade canadense nada tem a ver com salário mínimo ou quaisquer outras políticas de igualdade. Na verdade, as medianas se situam muito acima do salário mínimo.

    Antes da minha conclusão, vou deixar aqui minha opinião, que acredito que seja compartilhada por muitos libertários: igualdade ou desigualdade não são importantes e não devem ser consideradas. Na verdade, o que realmente importa, é a redução da pobreza.

    Mas veja que interessante: o Canadá está em sétimo no ranking de liberdade econômica do Heritage. Existe, sim, uma taxação pesada sobre salários no país, mas esta se aplica a níveis de renda, não discriminando profissões. Mas não passa muito disso. O país é muito livre para se fazer negócios e protege bem a propriedade privada, apesar deste confisco sobre a renda. O que é, ou deveria ser, um ponto a mais para esquerdistas preocupados com "injustiças sociais", considerar o liberalismo econômico ideal para reduzir pobrezas e desigualdades. Afinal, foi um sistema capitalista, com ampla liberdade econômica, que gerou um nível de pobreza desprezível e uma igualdade quase escandinava numa das sociedades mais heterogêneas do planeta.

    Em tempo. Concordo com a política editorial do site, mas gostaria que tivesse sido mantido o artigo original, em itálico.
  • Rafael  06/01/2018 15:33
    Perfeito amigo! Exatamente.
    A questão aqui é politicagem né... Politicamente correto...
    Os "donos libertários" do site poderiam perder algum investidor ou benefício se mantivessem aquele artigo associado a sua imagem imaculada.
    A argumentação contra o artigo é totalmente desproporcional e incoerente. Desonestidade intelectual.
    O primeiro artigo não tinha malícia nenhuma.
  • vinicius madeiro  21/12/2017 20:13
    Foi um erro gravíssimo deixarem ser publicado um artigo desse, tanto para quem é oposição (esquerda) quanto para quem é a favor dessa supremacia, que não tem nada à ver! Isso só abre brecha para que se tenham visões parciais e maldosas! Que isso não se repita mais, pois acho que estamos lutando por uma causa nobre!!!!
  • Alberto Silveira  21/12/2017 20:26
    O censor deve ter respeito pelo comentário dos seus leitores.
  • Alberto Silveira  21/12/2017 20:40
    Concordo com Eurípedes. O primeiro artigo apenas deu ênfase ao pensamento de Max Weber, expresso em seu livro A ética protestante e o espírito do capitalismo. Enquanto o segundo artigo que refutar o primeiro, porém, sem utilizar das ferramentas estatísticas (regressão linear, covariância, etc) para justificar os números sobre desigualdades e multiculturalismo.
  • Roberto Celli  21/12/2017 20:43
    "Para começo de conversa, o problema começa na escolha da premissa do artigo. A ideia exposta é que o multiculturalismo é incompatível com uma sociedade igualitária."

    Mas é claro que é incompatível. A premissa do artigo está corretíssima. Pessoas de culturas diferentes agem de maneira diferente. E ações diferentes geram resultados diferentes, e não iguais, e isso gera desigualdade. É preciso mesmo explicar isso? Deus do céu! Daqui a pouco você vai querer que imigrantes Amish, que rejeitam o uso de equipamentos eletrônicos por conta da religião e vivem isolados, budistas que acreditam na simplicidade e tribos africanas tenham o mesmo resultado imigrantes japoneses de tokyo quando reunidos numa mesma sociedade.

    "Mesmo que o argumento estivesse certo - e o autor faz um péssimo trabalho de argumentar a favor disso - a questão toda seria total e completamente irrelevante.
    Desigualdade sequer é um problema. Pobreza é um problema, e é isto que precisa ser discutido. Multiculturalismo também não é um problema."

    E daí? Agora só se discute aquilo que é problema? Hahahahah. É cada uma!!!

    Aliás, mesmo se só se discutisse problemas, ideias erradas frequentemente geram problemas, e, além disso, o esquerdismo em si é um problema em nosso país, e o artigo deletado enfrentava esses problemas. Então nem assim esse seu raciocínio tosco faz sentido.

    Parei minha leitura aqui. Quando um texto dá sinais de extrema fragilidade logo no inicio perco totalmente a vontade de ler, pois a chance de encontrar algo bom depois é quase nula. Tchau.
  • Um libertário  21/12/2017 21:53
    "O autor conclui dizendo que se a população do Brasil fosse formada inteiramente por uma população como a do Rio Grande do Sul ou do Maranhão, a desigualdade no país seria baixa, mas não há real motivo para acreditar nisso, nem o autor apresenta provas ou argumentos convincentes. O autor está extrapolando uma observação de cidades pequenas para uma nação de 205 milhões de pessoas e uma economia muito mais complexa. Além disso, existem países muito homogêneos em população que são muito desiguais: Lesotho, Zambia, Haiti, Paraguai, Chile, China, e por aí vamos. Em bom português, a conclusão do autor não faz sentido e a própria fonte de índices de desigualdade que ele utilizou teria mostrado isso facilmente. "

    1 - Rio Grande do Sul ou Maranhão não são cidades.
    2 - Como não há motivo para se acreditar? O argumento do autor é irrefutável e aprioristicamente demonstrado. Ora, a população do Rio Grande do Sul ou do Maranhão são populações em que há baixa desigualdade, e populações com baixa desigualdade são populações com baixa desigualdade.
    Se a população do Brasil for formada inteiramente por uma população de baixa desigualdade, teremos alta desigualdade por acaso?
    3-Por favor, demonstre, aprioristicamente, que Lesotho, Zambia, Haiti, Paraguai, Chile e China são países de alta homogeneidade. Tirou isso da onde? Só porque na china tem um monte de asiático, você acha que asiático é tudo igual? Hahahahah.



  • Mauro  21/12/2017 22:09
    Pois é. O Haiti é uma sociedade de castas.

    "Os mulatos haitianos se tornaram uma elite social dentro da nação e foram racialmente privilegiados. Vários líderes ao longo da história do Haiti eram mulatos. Compondo 5% da população do país, os mulatos têm mantido a sua preeminência evidente na hierarquia política, econômica, social e cultural do país. Alexandre Pétion, cuja mãe era haitiana e o pai era um francês rico, foi o primeiro presidente da República do Haiti."

    pt.wikipedia.org/wiki/Haiti#Sistema_de_castas

    Ou seja, é óbvio que o Haiti tem de ter desigualdade alta. Trata-se de uma sociedade artificialmente estratificada pelo estado.

    Os autores, ao dizerem que o Haiti é homogêneo e que ainda assim tem desigualdade alta (sem considerar o sistema de castas), deram um tiro n'água.
  • Libertario que nao recua pra esquerda pra bater  22/12/2017 00:28
    Cara, entenda, este texto aqui foi apenas para se redimir com os amigos de esquerda que se acham liberais em seus delírios progressistas.
  • John Maynard Keynes  21/12/2017 23:19
    Somente em um planeta habitado por robôs, a sociedade seria igualitária. A praxeologia não implica que todos os seres humanos são robozinhos obedecendo a leis determinísticas.
  • Mídia Insana  21/12/2017 23:49
    Por que deixar o Raphaël atacar de graça um artigo sendo que nem há um link para o material criticado?

    Compreendo que o site não queira um artigo no ar que não cumpra com a missão do portal, mas ao menos o colocasse em um link de Pastebin para que um leitor desavisado soubesse o que está sendo discutido? Links para artigos em outros portais e com análises diversas das dos autores sempre ocorrem no IMB. Aqui não é uma bolha.

    Ou ao menos faça justiça ao coitado do autor e retire a parte desnecessária do Raphaël sobre o artigo do 'Guilherme' ser o pior do ano. Nem o teríamos lido se não fosse o link do Pobre Paulista.
  • DANIEL AGRA ISERHARD  22/12/2017 13:10
    Li o artigo apagado e o entendi apenas como uma crítica ao amor dos progressistas pelos países nórdicos ao mesmo tempo que defendem o multiculturalismo.

    Não vi como uma crítica ao multiculturalismo não mas, sabia que haveria essa confusão como efetivamente aconteceu.

    Pode ter sido mal embasado, mas não achei SUPREMACISTA.

    Também posso estar errado na minha interpretação mas, como dizem os autores aqui, a dupla interpretação é possível.
  • Andre Cavalcante  25/12/2017 14:07
    Tsc, tsc.

    IMB pisou a bola. Triste :(. Duas vezes.

    Uma, quando removeu o artigo. Depois por ter postado esse aqui sem a referência para o primeiro.
    Uma melhor política seria manter os dois e mostrar os dois pontos de vista. Já aconteceu anteriormente de se mostrar dois pontos de vista distintos sobre um mesmo assunto (se bem que neste caso os autores falam usam premissas e considerando os problemas distintamente - até seria mais um motivo de se manter os dois).

    Se fosse pra retirar um artigo do ar porque vai "contra" os princípios libertários, o artigo do Hélio sobre como gerir um BC teria que ser o primeiro da lista. Porque permanece? Porque o Hélio é o presidente do Instituto? Nada a ver. Permanece porque o artigo é bom. Assim como o outro deveria permanecer.

    Abraços


  • Rafael  06/01/2018 15:50
    Rodrigo Saraiva Marinho
  • L Fernando  25/12/2017 15:48
    Nota ZERO para este texto e NOTA ZERO PARA MISES

    A muito tempo atrás quando o politicamente correto não havia surgido e a VEJA era uma revista mais "normal" já tinha lido que a felicidade era muito maior em paises mais iguais, com cultura única , sem diversidade

    Na realidade nos últimos 20 anos houve uma mudança tremenda na nossa sociedade com disseminação de ideias sem pé nem cabeça.
    Eu nunca vejo pessoas de uma cultura mais rica e mais avançada migrarem para culturas mais atrasadas e fechadas
    Agora ao contrário existe muito, e pior ainda é que este multiculturismo leva a cultura mais avançada sempre a regredir
  • Rafael  06/01/2018 15:49
    Não havia motivos para se ofender, o artigo anterior não tinha maldade nenhuma, amigo
    Presidente do Instituto Liberal *do Nordeste*, Rodrigo Saraiva Marinho.
    O artigo anterior nunca falou mal de etnias ou moradores de determinadas regiões do Brasil.
    Não tinha preconceito nenhum.
    Em nenhum momento afirmou que isso é melhor que aquilo.
  • Igor Matheus  27/12/2017 15:27
    O objetivo do artigo, - que aqui o Raphaël, assim como a grande maioria das críticas e até mesmo algumas defesas, parece ignorar totalmente - foi confrontar a forma como os recentes resultados da Pnad 2016 foram divulgados pela mídia, argumentado que a desigualdade não deve ser vista exatamente como problema, uma vez que pode ser apenas reflexo de povos com diferentes níveis de produtividade e acumulação de capital habitando um mesmo país. A África do Sul e Botswana, que no passado receberam colonos ingleses e holandeses, cujos descendentes possuem um padrão de vida relativamente elevado, em contraste com alguns povos nativos que ainda preservam seus estilos de vida tradicionais, sem possuir qualquer riqueza ou renda formal, estão entre os países mais desiguais do mundo, por exemplo.
    Considerando que imigrantes por regra ou substituem a mão de obra local que já se moveu para empregos de maior produtividade ou fornecem mão de obra qualificada escassa no país de destino, e em ambos os casos tem produtividades muito dispares da população nativa, indo para as camadas de renda mais baixas ou mais elevadas do país em questão, é auto-evidente a forma como a desigualdade pode ser afetada.
    E repare bem que a conclusão de que maior heterogeneidade pode resultar em indicadores de desigualdade mais elevados não fornece qualquer resposta sobre se imigração e multiculturalismo são bons ou ruins, afinal é possível deduzi-la admitindo que a renda e o padrão de vida das populações nativas fica inalterada após a imigração (sem abordar a existência de demais impactos distributivos, como é cuidadosamente explicado nesse artigo: fee.org/articles/how-does-immigration-impact-inequality/ ). Para entender isso, basta saber o que conceitualmente é a desigualdade e como ela é medida. Essa explicação é inclusive a chave para explicar à esquerda que desigualdade por vezes é uma consequência da diversidade, e, por esse e outros motivos, não deve ser vista como problema.
    Embora o autor tenha cometido diversos erros pontuais, saltos lógicos, deixado brechas para questionamentos, e principalmente falhado em transmitir a ideia principal no artigo (talvez por amadorismo), a sua constatação foi correta e pode muito bem ser demonstrada a priori, assim como por si só não implica de forma alguma na defesa de pureza racial, identitarismo, etc.
    Salta aos olhos, inclusive, que tenham mencionado Rothbard ao justificar a remoção do artigo, apesar dele, como devem saber, ter ido muito além ao elogiar o The Bell Curve.
  • Emerson Luis  01/01/2018 11:22

    Também penso que o artigo não deveria ter sido removido, poderia talvez ser colocado na área do blog como outro que foi removido também.

    O autor do artigo anterior poderia ter se expressado melhor. Para explicar bem o que você quer dizer é importante explicar bem o que você NÃO quer dizer. Há muitos analfabetos funcionais, para não falar dos que se fazem de desentendidos.

    O texto anterior NÃO estava se opondo à diversidade étnica e cultural, nem defendendo a homogeneidade étnica, cultural e econômica, nem defendendo que determinada etnia é intrinsecamente superior à outra e por isso não deveria se misturar com ela.

    O texto apontava que é absurdo querer "igualdade social" e "diversidade" ao mesmo tempo; são conceitos incompatíveis, mutuamente excludentes. E está correto nisso.

    A esquerda intervém na economia e na cultura para promover homogeneidade e heterogeneidade utópicos ao mesmo tempo. Mesmo que esses dois objetivos fossem possíveis do jeito que a esquerda quer, os esforços para um objetivo anulam os esforços para o outro; daí a esquerda culpa o capitalismo e exige ainda mais intervenções.

    Claro que dois grupos etnicamente iguais, mas com sistemas diferentes, vão apresentar resultados diferentes. A Coreia do Norte e a Coreia do Sul, além da Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental, são grandes exemplos disso.

    Todos os seres humanos, de todas as etnias, possuem o mesmo modelo básico de cérebro, personalizado e diferenciado desde a concepção. Então o problema não está na etnia em si, mas em fatores como liberdade econômica, acesso à educação e recursos, etc.

    Pessoas de uma cultura que valoriza o trabalho, a frugalidade, o empreendedorismo, a racionalidade, o respeito à vida e à propriedade vão apresentar em geral resultados socioeconômicos melhores do que pessoas de culturas que incentivam a ociosidade, o consumismo, a dependência, o sentimentalismo, a violência e a apropriação.

    Isso vale tanto para pessoas que vivem em países diferentes quanto para pessoas que vivem no mesmo país; tanto para pessoas da mesma etnia quanto para pessoas de etnias diferentes. E (o mais importante) NADA impede indivíduos da cultura pródiga a aprenderem o modo de pensar e agir da cultura de responsabilidade.

    Quer dizer, NADA... exceto o esquerdismo.

    PS: Não confundam "multiculturalismo" com "diversidade", "pluralismo", "cosmopolitismo", "tolerância" e outros conceitos bons.

    O "multiculturalismo" é uma política de reengenharia social da esquerda, baseada em uma filosofia pós-moderna relativista e socialista, que visa neutralizar e extinguir a cultura ocidental (de matriz judaico-cristã e greco-romana, pautada pelo equilíbrio entre liberalismo clássico e conservadorismo anglo-saxão).


    omarxismocultural

    * * *
  • Rafael  06/01/2018 15:39
    O primeiro artigo tocou numa ferida pessoal particular dos "refutadores" desse segundo artigo.
    Agora que eu entendi.
  • Rafael  06/01/2018 15:26
    A verdadeira natureza dos "libertários" que responderam (censuraram) o artigo anterior finalmente ficou evidente.
    Quatro "donos da verdade" deletam um artigo com falsas premissas apenas para defender o politicamente correto com segundas e terceiras intenções.
    No fim, o grande mal é a politicagem e opinião pública... Money talks!
    Algum investidor deve ter ficado magoadinho....
    Decepcionante...
    "REDELIBERDADE"
    Faz-me rir....
    Vão me censurar também?
  • Tiago  07/01/2018 16:04
    Explique-se melhor.
    Dê nome aos fatos
  • Cesar  12/01/2018 18:59
    Li o artigo original e ali não havia nada demais.O autor em momento algum defendeu que as sociedades devem ser monoculturais, apenas analisava dados empíricos, entre outras fontes, demonstrando a incoerência de boa parte da esquerda ao defender o multiculturalismo e, ao mesmo tempo, citar como grandes exemplos os países escandinavos (que são notoriamente países menos miscigenados). Enfim,no primeiro sinal de polêmica o Instituto Mises CURVA-SE ao politicamente correto.Que decepção...


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