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O objetivo de uma economia não é nem “criar empregos” e nem “proteger empregos”
Criar empregos é fácil; criar riqueza é bem mais difícil

Há aquela famosa estória apócrifa de um engenheiro que, em visita à China, deparou-se com uma enorme equipe de operários construindo uma barragem com pás e enxadas.

Quando o engenheiro disse ao supervisor da obra que todo o trabalho poderia ser completado em poucos dias — em vez de em vários meses — caso os trabalhadores utilizassem escavadeiras motorizadas, o supervisor disse que não podia fazer isso, pois tal equipamento iria destruir vários empregos.

"Ah", respondeu o engenheiro, "pensei que você estava interessado em construir uma barragem. Se o seu objetivo é apenas criar empregos, então por que você não coloca seus homens para trabalhar com colheres em vez de enxadas?".

O "empreguismo" parece ser a principal política dos governos

As políticas governamentais e até mesmo a popularidade de um governo costumam ser avaliadas em termos de quantos empregos foram criados. 

Quantas vezes escutamos políticos dizerem que irão fazer de tudo para "criar empregos"? Ou, mais ainda, com que constância eles dizem que farão de tudo para "proteger os empregos do povo"?

Ato contínuo, várias medidas intervencionistas passam a ser defendidas com a justificativa de que irão "criar empregos". Restringir importações é visto como uma maneira de proteger e criar empregos domésticos. Subsídios e créditos tributários são frequentemente justificados como uma maneira de aumentar empregos no setor favorecido. Empréstimos baratos feitos por bancos estatais são defendidos por estimularem "o consumo e a criação de empregos". Até mesmo o inchaço do funcionalismo público é visto como uma maneira válida de criar empregos.

Presidentes apontam com orgulho o número de empregos criados na economia durante seus mandatos. Supostamente, quanto mais empregos criados, mais bem-sucedida foi a administração. Ao que parece, nunca houve um programa de gastos governamentais cujos defensores não tenham ressaltado que ele "criou empregos".

Em princípio, não há nada de errado com a criação de empregos. Trabalhar em um emprego é uma maneira importante por meio da qual as pessoas criam riqueza. Assim, a ênfase na criação de empregos é compreensível.

O problema é que as pessoas se esquecem de que ter um emprego não é um fim, mas apenas um meio. O que realmente queremos é criar mais riqueza, e empregos são apenas um meio para este fim.

Quando este fato elementar é esquecido, torna-se mais fácil ludibriar as pessoas com argumentos que elevam a criação de empregos a um fim em si mesmo. E o que é pior: esses argumentos frequentemente são utilizados para defender políticas que destroem a riqueza.

Criar empregos não é o problema

Qual é objetivo de qualquer atividade produtiva? Produzir a maior quantidade de valor possível utilizando os recursos escassos (inclusive o esforço humano) disponíveis.

Não importa o quanto tentemos revogar a escassez, ela nunca será abolida. Vivemos em um mundo de escassez. Nada é infinito. Dado que nenhum bem ou serviço é encontrado pronto do nada — todos eles precisam ser criados e trabalhados —, a escassez para sempre irá nos impedir de conseguir as coisas que desejamos. Por isso, sempre haverá trabalho a ser feito. Sempre haverá uma demanda a ser saciada.

Logo, criar empregos não é o problema. Esse é o ponto da estória do engenheiro na China. O problema é criar empregos nos quais as pessoas produzam o máximo de valor.

Se o objetivo de uma economia fosse apenas empregar a maior quantidade possível de pessoas, então a receita seria muito simples: bastaria o governo decretar a destruição de todas as máquinas do país e fechar completamente as fronteiras para as importações.

Por exemplo, se o governo banir os tratores e todos os modernos equipamentos agrícolas amanhã, ele criaria milhões de novos empregos no campo. Se o governo banir as máquinas e outros avançados processos automatizados de produção industrial, ele criaria milhões de novos empregos na indústria. Se o governo proibir todas as importações, ele criaria milhões de empregos na indústria, no campo e no setor de transportes. Se o governo banir ferramentas mecânicas e equipamentos modernos para a construção civil, outros milhares de empregos seriam criados.

Podemos ir além e abolir o uso de caminhões, trens, aviões e automóveis. Toda a carga teria de ser transportada no lombo de cada indivíduo. O número de empregos criados iria superar com ampla margem o número de empregos perdidos na indústria de transportes. 

Não há dúvidas de que tamanha regressão compulsória na tecnologia geraria um grande número de postos de trabalho. Não é nenhum exagero dizer que, neste cenário, a taxa de desemprego seria zero. Consequentemente, desocupação é algo que não mais ocorreria com a população deste país. Todo e qualquer indivíduo estaria completamente atarefado tendo de produzir e transportar absolutamente todos os bens de consumo necessários para continuar vivendo. O "fantasma do desemprego" nunca mais assombraria esta população.

Sensacional, não?

Mas fica a pergunta: essa criação de empregos por acaso deixou a população mais rica? Aumentou seu bem-estar? Melhorou seu padrão de vida?

Criar valor é o segredo

É por isso que se concentrar apenas no número de empregos criados e ignorar o valor que está sendo criado por esses empregos é uma prática deletéria para a economia. Pode perfeitamente ser o caso de estes empregos estarem destruindo riqueza (como é o caso de vários cargos no serviço público).

Eis a verdade politicamente incorreta: todo o progresso econômico resulta do aumento da produtividade. Isso significa que o progresso econômico ocorre quando nos tornamos capazes de ofertar os mesmos — ou melhores — bens e serviços com menos trabalhadores.

Ao usar menos trabalhadores para produzir a mesma quantidade de bens e serviços, estes trabalhadores dispensados são liberados para aumentar a produção em outros setores econômicos, tendo agora novos empregos mais produtivos.

A incapacidade de compreender este fato como sendo a fonte de crescente prosperidade explica a enorme simpatia de políticos e pessoas comuns por políticas públicas destrutivas.

Na prática, ao recorrerem à justificativa da "criação de empregos", políticos frequentemente implantam legislações que aumentam o esforço e o custo necessários para se produzir a mesma quantidade de bens e serviços.

Por exemplo, um dos argumentos para se restringir as importações é que isso irá criar (ou proteger) empregos domésticos. Pode até ser verdade — embora os estudos indiquem que não —, mas a realidade incontornável é que uma restrição nas importações irá encarecer a obtenção de produtos de maior valor (afinal, este é exatamente seu objetivo). O único motivo de um país importar produtos é que esta é a maneira mais barata de adquiri-los. São necessários menos trabalhadores para obter os produtos importados do que para produzi-los diretamente. Desta maneira, o livre comércio funciona como um avanço tecnológico, libertando os trabalhadores de empregos improdutivos e permitindo que eles aumentem a produção de bens e serviços naquelas áreas cuja demanda dos consumidores ainda não está saciada.

Por isso, restrições às importações criam empregos da mesma maneira que dinamitar ferrovias, explodir fábricas e exigir que trabalhadores usem enxadas em vez de escavadeiras motorizadas também criam empregos: com grande destruição de valor, riqueza e bem-estar.

De novo: o segredo do progresso não está na criação de empregos, mas sim na criação de valor. O segredo é criar riqueza, isto é, produzir bens e serviços de valor para os consumidores.

A destruição natural de empregos é algo positivo

Um dos grandes erros das políticas públicas que visam à criação de empregos é que elas não reconhecem que a competitividade e o progresso requerem uma maciça destruição de empregos

A perda de empregos, quando ocorre naturalmente, deveria ser tratada como uma medida de grande sucesso, e não de fracasso de uma economia. Quando a indústria, a agricultura e os serviços aumentam acentuadamente sua produtividade e passam a ser capazes de produzir cada vez mais com menos trabalhadores, tamanha eficiência deve ser comemorada, e não lamentada.

Nenhuma economia rica se desenvolveu "protegendo empregos", pois a destruição de empregos representa o próprio sinal do progresso.

Se a ideia de "proteger empregos" houvesse prosperado lá atrás, não haveria nem carros (que acabaram com empregos na indústria de carroças), nem tratores (que acabaram com empregos manuais na agricultura), nem computadores (que não só acabaram com empregos na indústria de máquinas de escrever, como provavelmente destruíram mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade), nem luz elétrica (que acabou com empregos na indústria de velas), nem smartphones (que a acabou com a indústria de telefones fixos e de celulares obsoletos) nem praticamente nada de moderno que existe hoje. 

Por isso, automações e mecanizações maciças que tendem a tornar obsoletos determinados postos de trabalho não devem ser condenadas, mas sim abraçadas. Elas representam aumento da eficiência e redução dos custos de produção.

Ter um canteiro de obras repleto de peões que fazem o mesmo serviço que apenas um homem com uma máquina seria capaz de fazer não é um exemplo de economia pujante ou rica, mas sim de desperdício de recursos. A taxa de desemprego seria baixa, mas essa economia não estará criando riqueza de forma eficiente.

Conclusão

Economias ricas são aquelas cujos empregos produzem, utilizando o menor esforço possível, os bens e serviços que os consumidores desejam. Logo, de certa maneira, o objetivo nacional adequado seria ter o menor número possível de empregos — isto é, utilizar a menor quantidade de trabalho e esforço possíveis para produzir a maior quantidade de produtos.

É um erro tratar empregos como um benefício quando, não verdade, empregos são um custo de produção. Por isso, uma economia rica não é aquela que cria empregos como uma finalidade em si mesmos, mas sim aquela que cria empregos que geram valor. Criar empregos como um fim em si mesmo não agrega valor à economia. O objetivo não deve ser meramente criar empregos, mas sim criar empregos produtivos.

E os únicos indivíduos capazes de criar empregos produtivos são os empreendedores atuando em um arranjo de livre mercado, guiados pelo sistema de preços, buscando lucros e evitando prejuízos, e sempre tentando antecipar as demandas dos consumidores.

Quando empresas são bem-sucedidas em criar valor — isto é, satisfazem as demandas dos consumidores, que voluntariamente decidem adquirir os bens e serviços produzidos por essas empresas —, elas auferem lucros. Com lucros, elas podem investir mais para produzir mais. Haver cada vez mais empresas auferindo mais lucros e fazendo mais investimentos para expandir sua produção gera uma maior quantidade de bens e serviços a preços mais acessíveis. O benefício para o consumidor é direto. E, como efeito colateral, haverá um aumento genuíno da demanda por mão-de-obra. Quanto mais as empresas auferem lucros, investem, crescem e se expandem, mais mão-de-obra elas demandam e maiores salários elas podem pagar.

Essa é a dinâmica de uma criação de empregos natural e saudável.

Sendo assim, para estimular essa criação de empregos, a única coisa que o governo deve fazer é não atrapalhar: não tributar, não regular, não burocratizar, e não encarecer artificialmente a contratação da mão-de-obra. Acima de tudo, não implantar políticas públicas que visem à "criação de empregos".

26 votos

autor

Mark Perry
é pesquisador do American Enterprise Institute e professor de economia e finanças na Universidade de Michigan.

  • Luiz Moran  22/11/2017 16:09
    Empreendedorismo no Brasil é sinônimo de suicídio financeiro e mental.
  • Vitor  22/11/2017 16:12
    É a diferença entre bom senso e senso comum. O bom senso é a sabedoria lógica e esta é muito mal compreendida pelas massas, pois o senso comum diz que "todo mundo sabe que nós temos de criar empregos!".

    Produção de riqueza e criação de valor? Esquece. Se surgir um presidente prometendo tomar todas aquelas as medidas extremas ridicularizadas pelo artigo (destruição de máquinas e fechamento das fronteiras) para "criar empregos" ele será eleito em primeiro turno.
  • Juvenal  22/11/2017 16:14
    É bem interessante ler os artigos, mas esses são tão distantes da realidade, que mais parece obra de ficção.

    Nunca, em tempo algum(até que me prove o contrário), existiu uma sociedade em que não houvesse tributação, regulação (poder de mandar), burocracia, etc. Mas vocês insistem nesse ponto. Não vamos polarizar, nem é 8 nem é 80. Há um "range" dentro desses limites e é nele que vivemos.

    Criar empregos nos quais as pessoas produzam o máximo de valor.

    Frase linda, quando a colocamos em perspectiva no mundo real, as coisas complicam. Existem milhares de pessoas que simplesmente não conseguem gerar esse tal de "máximo de valor".

    E agora? O que vocês propõe?

    Exemplo: Instalar um sistema tecnológico em caixas de supermercado.
    Resultado: Demissão dos caixas/operadores. OK. Desemprego. E agora? Essa transição não é fácil para essas pessoas. Sempre existiram/existirão pessoas que não conseguem produzir/gerar valor. E o que fazer com os mesmos?
  • Professor  22/11/2017 16:41
    "Nunca, em tempo algum(até que me prove o contrário), existiu uma sociedade em que não houvesse tributação, regulação (poder de mandar), burocracia, etc."

    E o que isso tem a ver com o artigo?!

    "Existem milhares de pessoas que simplesmente não conseguem gerar esse tal de "máximo de valor". E agora? O que vocês propõe?"

    O que propomos?! Ora, não há nada a propor.

    Se você é um inútil incapaz de produzir valor para alguém -- será mesmo que você não consegue nem mesmo recolher o lixo ou trocar uma lâmpada? Duvido --, então não há nada que possa ser feito por você.

    A única solução restante será você se encostar em alguém que esteja disposto a lhe bancar sem cobrar nenhum serviço em troca.

    No livre mercado, dinheiro é simplesmente um certificado de desempenho. É a prova de que você criou valor para terceiros. Se você é um indivíduo que sabe criar valor para terceiros, você terá dinheiro e, logo, a liberdade de ter e consumir o que quiser.

    Já se você é um sujeito imprestável, incapaz de criar valor para ninguém, então de fato você não poderá nem ter e nem consumir o que quiser. E nada mais justo e moral do que isso: se você não presta pra nada nem pra ninguém, então você realmente não tem serventia nenhuma. Consequentemente, não há por que ter acesso irrestrito a bens e serviços que outras pessoas labutaram tanto para produzir.

    Querer ter acesso a bens e serviços sem ter desempenhado nada a ninguém significa simplesmente querer escravizar terceiros. Não houvesse dinheiro, a escravidão estaria generalizada.

    Em todo caso, já que você é indiscutivelmente uma alma caridosa e bem intencionada, nada impedirá que você aconchegue tais pessoas em sua casa e as alimente e provenha sem exigir nada em troca. Afinal, exigir que alguém crie valor para você em troca de algo seu é desumano.

    "Exemplo: Instalar um sistema tecnológico em caixas de supermercado. Resultado: Demissão dos caixas/operadores. OK. Desemprego. E agora? Essa transição não é fácil para essas pessoas. Sempre existiram/existirão pessoas que não conseguem produzir/gerar valor. E o que fazer com os mesmos?"

    Minha nossa, esse é o seu "argumento"? E eu pensando que ao menos viria algo minimamente desafiador... mas não. É apenas a mesma pergunta de sempre. E fora que tal pergunta foi explicitamente abordada no artigo. (Leia o trecho "Nenhuma economia rica se desenvolveu 'protegendo empregos'").

    Aliás, esse mesmíssimo argumento já tantas vezes repetidos para todo e qualquer setor que estava se tornando obsoleto.

    "Se permitirmos o automóvel (mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da indústria de charretes (mão-de-obra pouco qualificada)?"

    "Se permitirmos o computador (mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da indústria de máquinas de escrever (mão-de-obra pouco qualificada)?"

    "Se permitirmos o trator (mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da agricultura (mão-de-obra pouco qualificada)?"

    E por aí vai.

    Na prática, você seria contra a abolição da figura do ascensorista, né? "Se deixarmos as próprias pessoas apertarem os botões nos elevadores, como vamos fazer com o desemprego dos ascensoristas?! Será uma catástrofe social!"

    Dizer que toda a economia deve ser engessada e impedida de progredir simplesmente porque algumas pessoas perderão seus empregos é um recurso meramente emocional, sem qualquer base na lógica. Na prática, você está dizendo que atendentes são jumentos que nada mais sabem fazer na vida a não ser passar um código de barra num visor. Isso é até preconceituoso de sua parte.

    O mesmo, aliás, é dito sobre frentistas que perderão seus empregos caso os próprios clientes abasteçam seus carros (como já é na Europa e nos EUA). Na prática, se está dizendo que frentistas são jumentos que nada mais sabem fazer na vida a não ser enfiar uma mangueira no buraco de um carro. Isso é até preconceituoso de sua parte. Frentistas facilmente podem virar mecânicos ou até mesmo consultores da indústria automotiva. Poucas pessoas entendem tanto de óleos lubrificantes (na prática) quanto eles.

    Logo, o argumento de que tais pessoas perderiam renda é simplesmente falso, tanto em termos teóricos quanto empíricos. A história do mundo é a história da evolução dos empregos. Há vários empregos que existem hoje e que nem sequer eram imaginados há 10 anos. E vários empregos que existiam há 10 anos não mais existem hoje. E a maioria dos empregos que existirão no futuro ainda não existem hoje.

    No livro Now You See It, a educadora Cathy Davidson diz que 65% das crianças que estão entrando hoje na escola irão trabalhar em empregos no futuro que ainda nem foram inventados. Querer frear esse progresso em nome da proteção de alguns empregos é uma atitude que, caso tivesse sido seguida lá atrás, ainda hoje estaríamos vivendo no campo e com uma enxada na mão.

    Em todo caso, eis uma artigo para você, que fala exatamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2638

  • Gabriel  22/11/2017 17:20
    Eu ia responder o cara, aí vi a resposta do Professor e simplesmente não há nada a acrescentar.
  • Juvêncio  22/11/2017 16:42
    "mas esses são tão distantes da realidade, que mais parece obra de ficção."

    Há alguns comentários tão desconexos do que foi realmente dito no artigo, que mais parecem obra de analfabetos funcionais e deficientes intelectuais.
  • Felipe  22/11/2017 16:44
    Uma esquerda minimamente racional pensaria em formas de ajudar pessoas que perderam seus empregos, e não em "proteger empregos".

    "Proteger pessoas" é uma coisa (e há até bons argumentos para isso), já "proteger empregos" é algo completamente irracional e anti-prosperidade.

    Deixem os empregos ruins sumirem. Se quiserem ajudar, criem ONGs para ajudar estes desempregados.
  • Zézão Cianureto  22/11/2017 18:01
    Juvenal, você está certo.
    Eu não gosto de fazer perguntas aqui no Mises porque os caras já vem logo tachando a gente de socialista e blablabla.
    Mesmo a pergunta não tendo a ver com o artigo acima citado o que custa responder.
    "Nunca, em tempo algum(até que me prove o contrário), existiu uma sociedade em que não houvesse tributação, regulação (poder de mandar), burocracia, etc." .Tudo bem que o juvenal não fez uma pergunta mas sim uma afirmação, mas o que custa argumentar em cima da afirmação do cara.
    Ai vem o Gabriel e fala:
    Eu ia responder o cara, aí vi a resposta do Professor e simplesmente não há nada a acrescentar.
    Pelo contrario temos tudo a acrescentar. Vocês realmente acham que a sociedade irá aceitar o liberalismo com esse discurso. Ponham caixas automáticos no mercado e o caixa demitido que vá fazer uma Fatec pra se adaptar as exigências do mercado, com esse discurso estão parecendo a Dilma falando.
  • Professor  22/11/2017 18:15
    "Vocês realmente acham que a sociedade irá aceitar o liberalismo com esse discurso."

    Outro que não entendeu absolutamente nada.

    Queridão, isso aqui não é um site de agitação política. Tampouco é um site voltado para "falar aquilo que soa bonito para as massas".

    Isso aqui é um site sobre economia. E a economia é uma ciência que não faz juízo de valor. O objetivo principal deste instituto é apenas explicar como a economia funciona (e por que ela não aceita desaforos e intervenções sem cobrar um preço caro por isso) e quais as consequências de determinadas políticas econômicas. Só.

    O objetivo não é fazer agitação política e nem tentar fazer as pessoas "aceitarem um discurso". Isso é tarefa para militantes políticos, e não para cientistas econômicos.

    Ao contrário dos inúmeros sites de internet que há por aqui, este não é um site voltado a pregações, mas sim para elucidações.

    Se "o povo" (esta entidade amorfa) não quer saber de elucidações e prefere o atraso ao progresso, então não há nada que possa ser feito. A função deste instituto será apenas explicar as consequências práticas da opção preferencial por este atraso.

    "com esse discurso estão parecendo a Dilma falando."

    Você falou isso olhando para um espelho, né?
  • Gustavo Medeiros  22/11/2017 18:21
    É porque as pessoas estão tão acostumadas com sites que vivem de fazer exortações e propagandas políticas, e sempre recorrendo a um linguajar melindrado e politicamente correto, que quando elas se deparam com um site que não se ajoelha e não está preocupado em medir palavras apenas para ficar mais sedutor ou para agradar determinados segmentos, elas até estranham. Não visualizam ser possível tamanha ousadia.

    Quem nasce covarde simplesmente não tolera ver coragem nos outros.
  • Zézão Cianureto  22/11/2017 19:01
    Aceitarem um discurso.
    Caro Professor substitua a palavra discurso por explicação ou explanação realmente soa melhor que discurso que parece coisa de politico e ou militante.
    Entretanto se "o povo" (esta entidade amorfa) não for esclarecido sobre ideias econômicas, para que servem essas idéias então?
  • Professor  22/11/2017 19:55
    Ué, e quem disse que "o povo não deve ser esclarecido quanto às idéias"? De onde você tirou isso?

    As idéias estão aqui expostas e são de livre acesso. Quem quiser difundi-las para o povão que o faça. Igualmente, se o povão quiser ele próprio vir aqui absorver tais idéias, tanto melhor.

    O que você realmente deve estar estranhando é a total falta de coerção e compulsoriedade. Ao contrário de sites de esquerda e de vários sites de direita, este aqui jamais partiu do princípio de que sua leitura deve ser obrigatória. A função aqui, ao meu ver, é apenas educar aqueles que querem ser educados, e não converter pessoas à militância política.

    Se você quer entender como a economia realmente funciona, leia este site. Já se você quer ler artigos dizendo que a economia deveria funcionar exatamente daquela maneira idílica e onírica, que você acha bonita e transcendental, então não leia este site. Ele ano é para você.

    O objetivo aqui é apenas explicar como funciona a economia real, e não como você gostaria que ela funcionasse.
  • Clóvis  22/11/2017 19:57
    Idéias -- especialmente as mais complexas -- sempre foram feitas para as elites intelectuais (não confundir com elites financeiras), cabendo então as estas elites intelectuais difundi-las para as massas.

    Se você acha que povão senta-se perante um computador para ler coisas intelectualmente profundas, você ainda não entendeu o país em que vive. Idéias devem ser passadas adiante por pessoas com alta capacidade de persuasão e poder de síntese. E tais pessoas devem absorver esses conhecimentos por conta própria.

    Em lugar nenhum do mundo as idéias chegaram as massas diretamente, sem intermédio das elites. Em lugar nenhum do mundo as massas fizeram alguma coisa movida por idéias que não tivesse sido apresentadas a elas pela elite intelectual.

    Logo, isso que você está insinuando ser possível, caro Zézão Cianureto, é algo completamente inaudito.
  • Gabriel  22/11/2017 18:39
    Nossa Zézão, mas quanto chororô.

    "Tudo bem que o juvenal não fez uma pergunta mas sim uma afirmação, mas o que custa argumentar em cima da afirmação do cara"

    E o que diabos o Professor fez??? Ah não, mas você quer que ele seja todo "não-me-toques" pra responder. E nem tem nada de particularmente ácido no comentário dele, ainda por cima. Vai ser chorão assim no inferno.
  • Coerente  23/11/2017 14:18
    Concordo em partes com ambos os lados dessa discussão, sei que aqui é lugar elucidativo sobre economia e nada tem a ver com militância política, mas também acho que algumas respostas poderiam ser mais educadas, muitos não percebem a grosseria de alguns comentários a troco de nada, as discussões aqui são muito interessantes, economia não é um assunto fácil, muitas pessoas que comentam aqui e tiram dúvidas não são esquerdistas (como taxam só por causa de uma pergunta muitas vezes advinda de um desconhecimento normal sobre o assunto e não sobre posicionamento político propriamente dito). Qual o problema em responder educadamente uma pessoa com pouco conhecimento em economia que vem aqui em busca de entender um pouco mais? Pq essa irracionalidade de achar que só porque o rapaz fez um questionamento contraditório ou confuso (coisa normal de quem não entende muito sobre determinado assunto) que ele é esquerdista? Isso acaba dificultando o aprendizado de quem vem aqui porque não entende muito de economia e quer passar a entender melhor.
  • RaulRB  23/11/2017 16:29
    Isso realmente é um ponto muito importante, tem gente que está começando agora.

    Não entende muito do assunto, até mesmo o meu pai que foi a pessoa mais capitalista que conheci achava que algumas intervenções eram boas, até eu provar o contrario. Isso demora e tem que ser explicado com palavras simples.

    Muitas vezes as pessoas podem ter a impressão de que esse tipo de pensamento econômico não se importa com a vida da população, o que exatamente o contrario. Basicamente o que o texto quis dizer é que a economia tem o simples objetivo de servir as demandas e solucionar os problemas que esse povo tem, dentro de um sistema livre de oferta e demanda. Nesse sistema o consumidor é rei, o empreendedor é a rainha, as empresas são peões.

  • Luis  22/11/2017 22:06
    Juvenal, voce não conhece a história de Cospaia. Uma sociedade ( deve ter sido uma vila) na Italia, antes da unificação. Lá aconteceu o anarco-capitalismo. Deu certo por 400 anos, aproximadamente. Foi absorvida pela cidade vizinha.
  • Gustavo  23/11/2017 17:25
    já que gosta de sondar a natureza e a história pra buscar o que nunca aconteceu: não existe nem jamais existiu nenhum par de contrários aonde o meio termo coadunasse ambos.. a mistura de bom cheiro com fedor nunca será melhor que bom cheiro puro.. a mistura do bem e do mal nunca dará melhor que o bem puro.. a mistura de branco com preto nunca será mais escura que o preto puro nem mais branco que o branco puro
  • Gustavo  23/11/2017 17:28
    alias.. nunca vi ninguém desempregado por não gerar esse "máximo de valor", que vc entende como o trabalhador se matando de trabalhar ao invés de sentado, de boas, com menos risco, operando uma máquina..

    todo desempregado que vi até hoje é pq nao conseguia gerar o "mínimo de valor", determinado justamente pelo salário mínimo, o maior gerador de desempregado do mundo
  • Gustavo  23/11/2017 17:32
    fico imaginando como vc vive: anda de charrete, usa velas, assiste filme de video cassete, escreve tudo em uma máquina de escrever e manda um empregado digitar na internet
  • Fernando   22/11/2017 16:19
    À medida que a automação, as máquinas e o livre comércio substituem os homens nas tarefas pesadas, exaustivas e monótonas, estes adquirem mais tempo e mais energia para se dedicar a tarefas mais criativas e prazerosas, nas quais realmente são bons.

    Uma automação agressiva liberta o ser humano do fardo de ter de fazer trabalhos pesados e o libera para se aventurar em novos empreendimentos. Isso vem ocorrendo desde que as máquinas liberaram o homem do trabalho pesado no campo e o permitiram ir buscar outras vocações fora do campo. Foi ali que começou nosso processo de enriquecimento e de melhora no padrão de vida.

    Esse processo segue até hoje.

    O mesmo vale para o livre comércio.

    Com a massificação da tecnologia, descobriremos novas aptidões, novas fontes de renda e novos trabalhos prazerosos que, no futuro, nos deixarão atônitos ao percebermos o tanto de energia que desperdiçávamos hoje com trabalhos maçantes, pesados e repetitivos. Longe de destruir empregos, a tecnologia é e continuará sendo a grande criadora de novos empregos.

    Quem, há meio século, poderia prever que hoje teríamos as seguintes profissões: YouTubers, Consultores de Moda, Fashion Designers, Apresentadores de Programas de Entretenimento Televisivo, Jogadores Profissionais de Videogame, Consultor de Marketing, Experimentador de Hotéis de Luxo, Testador de Camas, Testador de Alimentos e Bebidas, Investidores Profissionais, Professores de Investimento, Guias Turísticos, Testadores de Tobogãs, "Instagramers" Profissionais, e um número muito maior de Atores e Atrizes do que antigamente?

    Isso só foi permitido porque a humanidade foi liberada, pelo evolução tecnológica, do fardo do trabalho pesado.

    Essa evolução observada na divisão do trabalho, permitida pela tecnologia que nos liberta e nos permite descobrir novas vocações, é fantástica. A automação e a evolução tecnológica, longe de destruir empregos, serão as grandes criadoras de oportunidades de trabalho.

    Saiba aproveitá-las.
  • Gustavo  22/11/2017 16:22
    A nossa gloriosa Constituição Federal do Almoço Grátis e da Meia Entrada da República Socialista de Pindorama cita em seu 1º artigo o valor SOCIAL do trabalho, depois, no artigo 7º ,são vários incisos que tratam sobre os direitos/privilégios ao trabalhador (só para ter ideia do absurdo: inc. V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho), impondo, assim, intervenção estatal para que seja garantido o conto de fadas contado pela Lei Maior.

    Aproveitando, conhecem textos no Mises (ou de autores liberais) acerca da CF88 e suas mentiras?
  • Paulo  22/11/2017 23:29
    A CF e a CLT não têm culpa de serem interpretadas por operadores do Direito que se baseiam em doutrinas e jurisprudências desvairadas (as famosas "Orientações Jurisprudenciais" do TST).

    Elas também não são culpadas pelas definições dadas a certas coisas por intermédio de resoluções e pareceres emitidos por diversos órgãos reguladores.

    Muitos se posicionam sob a égide de que a CLT e o art. 7º, CF, são muito subjetivos. Entretanto, subjetividade não significa agir como um sentimentalista utópico e ignorar a Economia.

    Inobstante outras ciências, o Direito e a Economia devem ser equânimes. Mas para isso faz-se mister que os operadores do Direito (advogados, juízes e promotores) "coloquem os pés no chão" e parem de utilizar sandices para atuar, principalmente na esfera trabalhista.
  • Gustavo  23/11/2017 12:37
    "A CF e a CLT não têm culpa de serem interpretadas por operadores do Direito que se baseiam em doutrinas e jurisprudências desvairadas (as famosas "Orientações Jurisprudenciais" do TST)."

    Ok, alguns pontos que ficaram em aberto ou são subjetivos são interpretados de maneiras insanas por juízes; todavia, a CLT foi baseada Carta del Lavoro e impõe objetivamente a intervenção estatal na relação contratual empregador-empregado. Além disso, a CF praticamente impôs um regime socialista ao brasil, além dos artigos que citei sobre trabalho, a propriedade é quase tratada como algo público (Função Social da Propriedade); expressamente, ainda existe a função social do contrato (o que jogou o "Pacta Sunt Servanda" no lixo). Aí sim, no que você falou, a doutrina e a jurisprudência criaram a Função Social da Empresa. Enfim, influências enormes do socialismo em todas as fontes do Direito.

    "Elas também não são culpadas pelas definições dadas a certas coisas por intermédio de resoluções e pareceres emitidos por diversos órgãos reguladores."

    Vou responder com um artigo:

    Art. 21. Compete à União:
    [...]
    XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95:)


    " Muitos se posicionam sob a égide de que a CLT e o art. 7º, CF, são muito subjetivos. Entretanto, subjetividade não significa agir como um sentimentalista utópico e ignorar a Economia.

    Inobstante outras ciências, o Direito e a Economia devem ser equânimes. Mas para isso faz-se mister que os operadores do Direito (advogados, juízes e promotores) "coloquem os pés no chão" e parem de utilizar sandices para atuar, principalmente na esfera trabalhista. "


    Concordo, muito poderia ser interpretado de outra maneira, porém, a letra da (s) lei (s) já obriga o Estado a intervir em todas as relações entre os indivíduos, bem como na relação do indivíduo com seu patrimônio. A Justicinha Trabalhista é absolutamente ideológica, quase nenhum Procurador, Juiz ou Auditor raciocina liberalmente, estão lá justamente para isso; para ajudar, ainda, os advogados desta seara, em sua maioria, pensam do mesmo modo.

    Isso é ensinado nas faculdades, as pessoas chegam sem conhecimento político-econômico na faculdade e são doutrinadas por seus professores, passando a acreditar nessa insanidade da CF88 e CLT, achando se tratar de justiça; ou melhor, acreditando na tal Justiça Social.
  • Élcio  22/11/2017 17:48
  • Vander  22/11/2017 17:50
    O objetivo da produção é o consumo, sendo o emprego da mão de obra um fator de produção um tanto especial pelo fato de não se poder empregá-lo desvinculado de seu proprietário, o homem. De acordo com este raciocínio, qualquer negócio tem como meta a criação de bens com vista a satisfazer o desejo dos consumidores. Assim, a geração de emprego é mera consequência.

    O proprietário da mão de obra, denominado de trabalhador, comporta-se no mercado tal como um empresário, já que tenta vender sua propriedade, o trabalho, pelo maior preço possível. Todo mundo é um empreendedor.

    O problema está no governo que ao intervir no mercado deforma-o completamente. Com o governo, capital e trabalho, que são complementares, se tornam antagônicos, e o trabalhador parece carregar uma maldição que só a mão forte do Estado pode aliviar. Se algo tem que mudar é a ideia que torna possível este estado de coisa.
  • Ricardo  22/11/2017 17:53
    Tenho uma dúvida:
    Não seria melhor ter pessoas com empregos ainda que subprodutivos do que pessoas completamente desempregadas?Veja bem; suponhamos que , derrepente, todas as barreiras protecionistas que mantêm empresas, indústrias e ,logo, empregos artificialmente sejam desfeitas. As empresas nacionais não teriam como competir com a industria internacional, muito mais moderna e produtiva. A grande maioria das indústria e empresas brasileiras iriam a falência e uma grande massa de pessoas seriam demitidas. Concordo que, para aqueles que trabalham em setores de alta produtividade e mantêm seus empregos, o custo de vida vai melhorar bastante, mas e para a grande massa de desempregados????O custo de vida melhoraria para uns mas uma grande maioria não conseguia mais consumir e teria grande chances de criar uma tensão social indesejável(assaltos, sequestros e outros, ou seja, criminalidade) não? Poderia demorar bastante tempo para conseguir realocar essa grande massa de desempregados em setores genuinamente produtivos novamente, logo, talvez, por um bom tempo, anos ou talvez gerações, viveriamos uma situação de vida bem pior do que a anterior não? Por favor, me ajudem a elucidar esse cenário.
  • Gustavo  22/11/2017 17:58
    "Não seria melhor ter pessoas com empregos ainda que subprodutivos do que pessoas completamente desempregadas?"

    Era assim na URSS, e é assim em Cuba e na Coréia do Norte. Não acho que essas economias sejam exemplo de pujança, de bem-estar e de riqueza.

    "suponhamos que , derrepente, todas as barreiras protecionistas que mantêm empresas, indústrias e ,logo, empregos artificialmente sejam desfeitas. As empresas nacionais não teriam como competir com a industria internacional, muito mais moderna e produtiva. A grande maioria das indústria e empresas brasileiras iriam a falência e uma grande massa de pessoas seriam demitidas."

    É possível. Só que você só deu um lado da história.

    Por exemplo, as indústrias brasileiras sofrem com uma alta carga tributária, com as regulamentações do governo, com a burocracia e com os sindicatos poderosos. Logo, elas de fato sofreriam bastante caso as tarifas de importação fossem abolidas.

    Mas isso não é problema do cidadão brasileiro. Isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos. Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido nenhum dizer que deve haver tarifas de importação e desvalorização da moeda para se compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina

    O certo seria abolir a burocracia, as regulamentações e os impostos, e não defender a destruição do poder de compra da moeda (via desvalorização cambial) e a adoção de tarifas protecionistas.
  • Juliano  22/11/2017 18:04
    Além disso que foi colocado, pense em um cenário interno, local. Pegue, por exemplo, Campo Largo, vizinha a Curitiba. A cidade é muito menor que Curitiba, tem muito menos capital, não dá pra comparar com Curitiba em termos de infra-estrutura e capital.

    O que seria melhor para Campo Largo, fechar suas estradas com Curitiba e tentar fabricar tudo lá dentro? Seria melhor para os habitantes de lá se proibissem a importação de bens fabricados nas demais cidades do país para dentro de Campo Largo, com o objetivo de proteger a indústria local? Se fizessem isso, com certeza aumentaria muito a quantidade de trabalho, todos iriam trabalhar como loucos, mas isso iria melhorar ou piorar o bem-estar de seus habitantes?

    Já no cenário atual, não existe nenhuma barreira pra que produtos fabricados em outras cidades sejam consumidos em Campo Largo. A cidade realmente não possui indústrias pra fabricar boa parte do que consome, mas, em compensação, pode se especializar naquilo que leva vantagem.

    Por exemplo, se Curitiba é uma cidade mais povoada e, por consequência, com o custo dos terrenos mais elevados, Campo Largo pode oferecer vantagens pra quem precisar de terra pra plantar, por exemplo. Da mesma forma, conforme os custos de fabricar algo em Curitiba vai ficando mais elevado, a proximidade com o grande centro passa a ser um ativo. Uma indústria pode aproveitar o "desconto" no preço dos terrenos e se mudar pra lá.

    Veja que essa proximidade seria o inferno para os defensores do protecionismo. Por eles, Campo Largo não conseguiria produzir nada, seria inundada por produtos "estrangeiros" e lá todos morreriam de fome. Deveriam proibir o ingresso de produtos, pois a "balança comercial" de Campo Largo está claramente deficitária. Que o melhor seria criar uma moeda própria em Campo Largo que fosse bem desvalorizada, pra dar "competitividade" à indústria local. É impossível manter essa paridade de 1:1 com o Real!

    Se tivessem sucesso com esse discurso, fechariam as fronteiras. Com certeza apareceriam algumas empresas pra suprir algumas necessidades, mas o estágio final seria de miséria. No futuro, quando alguém propusesse a abertura comercial de Campo Largo, com certeza essas empresas fechariam e algumas pessoas perderiam o emprego, mas se ajustariam naquilo que os tornasse mais produtivo. Com o tempo, o padrão de vida de todos tenderia a ser muito melhor, com mais oferta de produtos e empregos mais produtivos (e mais rentáveis).
  • Miscelânea  22/11/2017 18:20
    Vamos supor um cenário hipotético onde as barreiras tarifárias caem do dia para a noite E os Brasileiros prefiram comprar tudo lá de fora:

    1. No momento t=0, nada muda, as fabricas e capital instalado aqui permanecem os mesmos, bem como os estoques de produtos e capital de giro das empresas.

    2. Os Brasileiros começam a comprar coisas de fora. Saem cédulas de Real (Ou dólar, mas que um dia foram trocados por Reais), entram produtos de fora. O estoque de produtos externo do Brasil diminui e o interno aumenta, ao passo em que há menos cédulas circulando aqui.

    3. As fábricas aqui continuam produzindo, só que sem vender nada, os estoques apenas aumentam.

    Aqui os economistas socialistas vão começar a chorar desemprego e tal. Agora olhe a REAL situação: Temos MAIS produtos aqui e MENOS dinheiro em circulação. Isso fortalece a moeda, ou seja, uma cédula de real compra mais coisas do que antes da barreira tarifária.

    Isto posto, é fácil concluir que essa ação é extremamente benéfica para a população, especialmente para os poupadores, que mesmo que percam sua renda, ainda que momentaneamente, ganham em poder de compra da sua poupança. O dinheiro compra mais coisas, ou seja, os preços caem.

    Ato contínuo, com o desemprego em alta, é necessário deixar os salários baixarem, o que por hipótese não é um problema dado o aumento do poder da moeda. Por isso que uma derrubada nas barreiras alfandegárias deve vir acompanhada de uma reforma nas leis trabalhistas, senão o processo acaba no desemprego mesmo.

    Agora, com os salários ajustados para baixo e abundância de capital barato, os empresários poderão fazer NOVOS investimentos, só que num cenário onde os custos de produção (capital+mão de obra) são MUITO inferiores ao cenário anterior da derrubada das barreiras alfandegárias. E assim a economia se ajusta.

    Ou seja, em que pese num primeiro momento realmente haver um notável aumento no desemprego, as consequências futuras são extremamente benéficas para todos.
  • Fefoca  14/06/2018 14:39
    Bom argumento, mas acredito eu que para isso acontecer deveremos ter uma mudança, mudança essa que precisará de sacrifício e irá gerar um cenário ruim para a maioria das pessoas(desemprego). Até essas pessoas completarem essa transição, será preciso um bom tempo. Muitas pessoas irão reclamar das consequências iniciais ( perda de compra devido ao desemprego e do investimento inicial para poderem se qualificar na nova área) e do aumento da criminalidade. Esta é uma ideia interessante, mas duvido que se algum governante fosse fazer isso... rapidinho iria cair do poder junto com seus ideais. Um pais do tamanho do Brasil seria difícil acontecer, temos um problema estrutural muito grande. Esses ideais deveriam ter sido implantados no passado, onde tínhamos uma sociedade bem menos complexa do que a de agora.
  • Pobre Paulista  22/11/2017 18:24
    Não. As pessoas "subprodutivas" produzem menos do que ganham e portanto destroem capital e recursos escassos. É melhor para a humanidade que elas parem de produzir.

    No seu cenário pós-apocalíptico, se todos ficarem desempregados, não haverá renda, logo não haverá moeda em circulação, então os preços dos produtos irão cair, consequentemente os salários irão cair, e somente depois que os salários estiverem adequados ao nível de produtividade dessas pessoas é que a grande massa estará empregada novamente (Exceto se existir um salário mínimo, claro).

    Note que, nesse processo, o nível geral de preços caiu, o que melhora a vida do pobre.
  • Arthur Gomes  22/11/2017 18:36
    Neste sentido em conformidade com este artigo, podemos afirmar que os estádios construídos para a copa do mundo foi um trabalho sem valor para o consumidor?

    Como podemos identificar um trabalho com valor para o consumidor e outro sem valor para
    o consumidor?
  • Leandro  22/11/2017 18:42
    Ha várias maneiras: observando se ele se sustenta sem subsídios e demais protecionismos, observando se as pessoas estariam dispostas a pagar mais por ele em caso de revogação dos subsídios, observando se há uma demanda voluntária por ele ou se ele precisa de uma demanda artificial (usufruir contratos com o governo; ter o governo como principal consumidor) para se sustentar; observando se a ameaça de alguma concorrência já seria o suficiente para desbancá-lo.

    Falei sobre isso com mais profundidade neste artigo:

    [link]www.mises.org.br/Article.aspx?id=1465[link]


    P.S.: no caso dos estádios, por exemplo, não é preciso ser Peter Drucker para saber que a Arena Amazônia não tem como se sustentar abrigando Nacional x Rio Negro e São Raimundo x Tarumã. Por isso os governos municipal, estadual e federal pressionam a CBF para fazer vários amistosos da Seleção lá.
  • Gabriel Henrique  22/11/2017 21:33
    Leandro, peguei o livro Internacionalismo Pop do Paul Krugman na biblioteca da minha escola, e por se tratar de um keynesiano estou com receio de ler apesar de ser uma defesa ao livre mercado, a leitura é recomendável?
  • Leandro  22/11/2017 22:25
    Nunca li. Mas não entendi por que você estaria com receio. Apenas leia e, mentalmente, tente refutar as informações com as quais você não concorda.

    Em todo caso, o livro é de 1996, quando o presidente era o Clinton, que era favorável ao livre comércio. Como o Krugman sempre foi uma pena amestrada dos democratas, ele defende aquilo que o Partido defende. À época, os democratas defendiam um comércio mais livre (Clinton sempre foi inteligente), logo, Krugman também.

    Assim, provavelmente, esse livro será pró-livre comércio.
  • Vinicius Costa  22/11/2017 20:16
    "Como podemos identificar um trabalho com valor para o consumidor e outro sem valor para
    o consumidor?"


    Suponha que uma economia tenha várias pessoas empregadas na indústria automotiva, desde as linhas de montagem até as cadeias de distribuição e de peças de reposição. Isso é bom para a economia como um todo?

    Depende.

    Se a indústria automotiva deste país está sujeita à concorrência de carros estrangeiros, os quais podem ser livremente comprados pelos cidadãos deste país sem tarifas de importação, então essa indústria automotiva é eficiente, e os empregos que ela consegue manter certamente são de alta produtividade e geram um produto de alta qualidade.

    Afinal, se mesmo com a concorrência de carros estrangeiros a população nacional ainda assim segue comprando os carros fabricados nacionalmente, então é porque o produto é bom, a indústria é eficiente e os produtos fabricados por seus trabalhadores satisfaz os consumidores locais.

    Por outro lado, se essa indústria automotiva emprega muita gente simplesmente porque ela é protegida por altas tarifas de importação (ou por uma taxa de câmbio desvalorizada), então há uma grande chance de os empregos mantidos por essa indústria serem artificiais e ineficientes, pois ela agora está operando em um ambiente semelhante a uma "reserva de mercado".

    No mínimo, esses empregos não existiriam na quantidade que existem atualmente caso a aquisição de automóveis importados fosse mais fácil.

    No primeiro exemplo, os trabalhadores da indústria automotiva de fato estão criando um produto valoroso para a sociedade, e isso é nitidamente demonstrado pela preferência voluntária dos consumidores. Dado que eles têm a opção de comprar carros importados baratos, mas ainda assim optam por comprar maciçamente os carros nacionais, então isso é um sinal de que o produto é satisfatório aos preços a que estão sendo vendidos, o que significa que os trabalhadores dessa indústria estão sendo eficientes em criar um produto de valor para a sociedade.

    Já no segundo exemplo, os trabalhadores da indústria automotiva estão operando dentro de um mercado protegido pelo estado. Isso é uma receita certa para a ineficiência. Devido às altas tarifas de importação, que praticamente proíbem a compra de carros importados, os carros nacionais poderão ser de pior qualidade e vendidos a preços mais altos -- e ainda assim serão comprados, pois a população não tem muita escolha.
    Consequentemente, ao ter de desembolsar valores mais altos para adquirir esses carros, a população terá um renda disponível menor para adquirir outros bens de consumo.

    Os trabalhadores dessa indústria automotiva terão salários acima dos de mercado, ao passo que o restante da população ficará com um poder aquisitivo menor do que teria caso pudesse comprar carros mais baratos do exterior.

    Esse exemplo abordou apenas um setor da economia. Se você expandir esse raciocínio para todos os outros setores -- eletroeletrônicos, utensílios domésticos, produtos tecnológicos, vestuário, siderurgia etc. --, começará a ter uma noção de como o seu poder de compra pode ser afetado apenas para garantir que estes setores tenham um nível de emprego maior do que normalmente teriam.
  • Pobre Paulista  23/11/2017 10:42
    "Como podemos identificar um trabalho com valor para o consumidor e outro sem valor para
    o consumidor?
    "

    Pelo lucro que ele dá depois de pronto.

    Se dá lucro, tem valor, se dá prejuízo, não tem valor. Tão simples quanto isso.

    "Ah mas não dá pra saber se vai dar lucro ou não antes de ficar pronto."

    Bem vindo ao mundo real. Esse é o papel do empreendedor: Correr esse tipo de risco para tentar gerar valor para a sociedade.
  • João Couto  22/11/2017 20:44
    Excelente artigo!
  • Primo  23/11/2017 14:32
    Ora, mas objetivar a economia como sendo criar riqueza de valor material também não deixa de ser uma simplificação ideológica.

    Fica claro no texto que riqueza para o autor é sinônimo de dinheiro, de capital e abundância material. A economia não é simplesmente um artificio para a pessoas produzirem bens e serviços para pessoas com dinheiro. A economia é uma organização social para direcionar os bens escassos de forma ética e moral, com isso o poder de barganha fica equalizado e a sociedade se torna prospera fazendo uma divisão de trabalho justa.

  • Tutor  23/11/2017 15:06
    E o pior é que eu li seu comentário inteiro na crença de que ao menos haveria alguma (tentativa de) mísera refutação ao que foi dito. Nada. Apenas afetações de indignação ofendida e efusões de vitimismo.

    "Fica claro no texto que riqueza para o autor é sinônimo de dinheiro, de capital e abundância material"

    O curioso é que os termos "dinheiro", "capital", "abundância" e "material" não aparecem absolutamente nenhuma vez no texto. Mas diga-me: você ter uma oferta abundante de serviços de saúde bons e baratos (definição de riqueza) é algo condenável? Se sim, manifeste-se.

    "A economia é uma organização social para direcionar os bens escassos de forma ética e moral, com isso o poder de barganha fica equalizado e a sociedade se torna prospera fazendo uma divisão de trabalho justa."

    Como eu não sou muito versado em coisas esotéricas, não faço ideia de qual seja esse devaneio a que você se refere. Assim, diga-me, por gentileza, um exemplo prático deste arranjo e mostre que ele funciona bem, de maneira duradoura, e sem racionamentos.
  • Primo  25/11/2017 12:31
    Desculpe-me pela síntese apressada e pela refutação a esse texto.
    Quando digo que reduzir a economia ao direcionamento de geração de riqueza, do valor subjetivo capitalista, é uma simplificação ideológica não é por questões emotivas ou vitimistas mas é pelo uso da razão.
    Ação, tempo e conhecimento são os parâmetros balizadores do direcionamento dos recursos escassos. Você como Tutor deve saber que esses parâmetros estão distribuídos de forma desigual na sociedade. Dessa forma os recursos escassos são direcionados para a parcela da população que tem melhor domínio sobre esses três parâmetros: ação, tempo e conhecimento. Portanto, dizer que há escassez material em toda sociedade é uma falácia, há uma parcela mínima da população que vive em abundancia de riqueza material, a escassez existente em toda a sociedade é emocional e não material.
    Para manter essa abundancia de riqueza material, a classe mais afortunada se apropria da mais valia gerada pelo sistema capitalista e perpetua o domínio sobre ação tempo e conhecimento.
    Ora, a classe mais afortunada, como tem abundancia de recursos escassos, tem o controle do tempo e pode determinar, por meio do seu conhecimento, as ações que terão lucro. Como a valor das ações são subjetivas, e a classe mais afortunada tem o domínio das aç?es, as ações efetivadas pela classe mais afortunada serão superestimadas enquanto que a ações efetivadas pela classe menos afortunada serão subestimadas. A diferença do valor subjetivo das ações das classes mais afortunadas e da classe menos afortunada é a mais valia.
    O objetivo da economia é equalizar o poder de barganha, igualando o domínio da ação, do tempo e do conhecimento.
  • flavio farace  23/11/2017 16:04
    ótimo artigo, como tudo que leio e aprendo aqui.
    fico pensando se não há outra maneira de escrever o primeiro paragrafo da conclusão....
  • Dangers  25/11/2017 13:47
    Não consigo compreender como um mercado,não regulado pelo estado, poderia gerar progresso ( e nem privado).

    Sempre houve essa dicotomia de valores.

    Como podem acreditar que uma empresa privada, capitalista... pode ,somente, visar qualidade ? É tão claro quanto a luz do dia que isso não pode acontecer. ( a não ser que seja um dia nublado)

    Veja bem, temos um sistema coordenado pelo governo. A Burocracia e má gestão do dinheiro podem refletir o aspecto ruim do sistema definido por tal. Até ai tudo bem, tá tudo explicado o mau funcionamento do sistema público que faz com que tudo seja ruim... E se isso tudo funcionasse ? Estaríamos felizes , com ótima qualidade de vida ? É bem provável que sim.

    Como seria um livre mercado no âmbito brasileiro ?

    É óbvio que estamos falando não só das questões mercantilista, mas, da falsa moral impregnada no nosso subconsciente.

    O Livre mercado diz a respeito de a regulação e por insisto num questionamento. Será que uma empresa reguladora, que faça análises laboratoriais, não estariam sujeitas a corrupção? A resposta eu vos digo meu camaradas, Não! Acham mesmo que há imunidade quantos os interesses de instituições privadas ? No,no,no,no baby.

    Antes que me acusem. Não sou pró-governista.

    A regulação deve existir. A questão é .. Como poderia ocorrer regulação sem conflito de interesse ?
  • Marcos  25/11/2017 14:41
    Há um espécime ainda mais raro que petista honesto: pessoas que vêm a este site fazer perguntas minimamente originais.

    Sou leitor há 5 anos, e até hoje posso contar nos dedos da mão esquerda do Lula quantas perguntas originais já vi.

    Como sei que você não vai ler, nem me dei ao trabalho de responder por completo. Coloquei apenas os três primeiros artigos que me vieram à memória sobre exatamente este assunto.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2024

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2769

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2651
  • Renato  25/11/2017 14:45
    Essa lógica é sensacional. Empresas privadas, se não forem estritamente reguladas por políticos (esses seres tão honestos, angelicais e preocupados com o povo), irão matar todos os seus consumidores. Afinal, é exatamente assim que empresas capitalistas ganham dinheiro: matando seus consumidores.

    Gênio.

    Aliás, só mesmo um povo que não entende absolutamente nada de capitalismo pode realmente pensar que há lucro ao se exterminar todo o seu público consumidor.

    É exatamente a este tipo de raciocínio esdrúxulo que a mentalidade anticapitalista leva. Por isso nosso atraso.
  • Demolidor  25/11/2017 20:10
    Não consigo compreender como um mercado,não regulado pelo estado, poderia gerar progresso ( e nem privado).

    Entendo sua limitação. Deve ser difícil mesmo para alguém que conhece tão pouco do mundo compreender um assunto tão complexo. Não tem problema. Vou te dar uma dica, baby: leia sobre e visite uma cidade como Dubai, uma cidade que cresceu sem imposto de renda, sem imposto sobre vendas, sem salário mínimo, sem regulamentações, sem nem declarações para o governo sobre a renda obtida. Aproveite para comprar um ouro barato por lá.

    E antes que me retruque com petróleo, tome nota de que Dubai é um importador líquido do óleo. Já era. Ciclo superado já nos anos 90.

    Por que ficar elucubrando sobre questões que já foram resolvidas em outros lugares, meu Deus?
  • Emerson Luis  30/12/2017 16:36

    Muitos confundem trabalho com emprego, riqueza com dinheiro, etc.

    * * *


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