clube   |   doar   |   idiomas
Dez argumentos econômicos - e um ético - em prol do livre comércio
E o argumento ético supera todos os econômicos

O argumento econômico em prol do livre comércio é direto. Aqui, ele será destilado em dez — na verdade, como você perceberá, onze — pontos elementares.

1. Linhas imaginárias chamadas 'fronteiras' não alteram a natureza das transações comerciais

Não há nada em relação às fronteiras políticas que justifique tratar transações comerciais através destas fronteiras como se fossem distintas das transações comerciais que ocorrem dentro destas fronteiras.

Países não comercializam; somente indivíduos o fazem. Sendo assim, a natureza da transação comercial não é alterada de acordo com as fronteiras políticas envolvidas. Você fazer uma transação comercial voluntária com um indivíduo localizado na cidade ao lado ou no estado ao lado possui exatamente a mesma natureza de você fazer uma transação comercial voluntária com um indivíduo localizado Coreia, na China ou em Taiwan. Qual exatamente é a diferença econômica entre você comprar algo de uma pessoa que está do outro lado da rua ou do outro lado do planeta?

Comércio é comércio. Não interessam as fronteiras geográficas e políticas envolvidas. Dizer que o comércio internacional é distinto do comércio interestadual, do intermunicipal, do interbairros, do interfamílias e, acima de tudo, do interindividual é total incoerência.

2. Toda a nossa atividade econômica, em última instância, almeja expandir o nosso consumo

Todos nós trabalhamos porque queremos trocar os frutos do nosso trabalho (dinheiro) por aqueles bens e serviços que ainda não temos ou dos quais necessitamos continuamente. Trabalhamos e produzimos para podermos demandar bens e serviços.

Nossa produção representa nossa demanda. O objetivo de toda a nossa produção é o consumo. A produção não é um fim em si mesmo; o fim é o consumo.

Por isso, toda a atividade econômica é, em última instância, justificada pelo tanto que ela nos permite expandir o nosso consumo, e não pelo tanto que ela nos permite expandir a nossa produção. O consumo é o fim; a produção é o meio.

Obviamente, a produção é um meio essencial. Não podemos expandir o consumo sem expandir a produção. No entanto, a produção não é o propósito supremo da atividade econômica.

Caso não acredite, pergunte a si próprio quanto você pagaria por um bolo confeiteiro cuidadosamente feito de pó de serragem, papelão e cimento, manufaturado por um padeiro que demorou vários dias na produção desta iguaria. Se a sua resposta é "nada", então você entendeu o ponto.

3. A especialização se expande. E quanto maior a especialização, maior a produção e a qualidade de vida

Imagine viver em uma sociedade na qual nosso trabalho diário serve unicamente ao propósito de sobrevivermos, e não para desenvolver nossos talentos.

Essa é a realidade nos países que restringem o livre comércio: as pessoas, ao serem proibidas de utilizar os frutos do seu trabalho para adquirir aqueles bens e serviços que são mais bem produzidos por estrangeiros, acabam sendo obrigadas a desempenhar várias atividades nas quais não têm nenhuma habilidade. 

Estando isoladas da divisão mundial do trabalho, tais pessoas trabalham apenas para sobreviver, e não para desenvolver seus talentos. Elas não podem trabalhar naquilo em que realmente são boas, pois a restrição ao livre comércio obriga os cidadãos a fazerem de tudo, inclusive aquilo de que não entendem. Uma pessoa boa em informática acaba tendo de trabalhar como operário em uma siderurgia, pois seu governo restringe a importação de aço, que poderia ser adquirido mais barato de estrangeiros.

Por outro lado, quanto mais livre o comércio, maior a probabilidade de que cada indivíduo se especialize na produção daqueles bens e serviços que ele é capaz de produzir com mais eficiência, e em seguida utilize sua renda (alta, por causa da sua especialização) para importar aqueles bens e serviços que são produzidos de maneira mais eficiente por outros indivíduos em outras localidades.

Um indivíduo está em melhor situação econômica quando pode se especializar naquilo que faz melhor e, em decorrência disso, pode importar, ao menor preço possível, os bens de que necessita.

Uma economia cujo sistema de saúde é formado apenas por médicos comunitários irá salvar menos vidas e aliviar menos dores do que uma economia cujo corpo médico é formado por especialistas como neurocirurgiões, pedicuros, cardiologistas, oftalmologistas e, meu favorito (porque há alguns anos um desses especialistas salvou a vida de meu filho mais novo), gastroenterologistas pediátricos.

Em países de economia aberta, as pessoas, exatamente por poderem adquirir bens e serviços fornecidos por estrangeiros que são melhores no suprimento destes, podem se concentrar naquilo em que realmente são boas. Em países de economia fechada, as pessoas passam suas vidas lutando para apenas sobreviver, sendo obrigadas a desempenhar várias atividades que não são do seu domínio. Engenheiros acabam virando operários de fábricas.

4. A especialização requer liberdade de comércio

Um gastroenterologista pediátrico vivendo em uma grande metrópole usufrui um alto padrão de vida porque várias pessoas estão dispostas a lhe pagar para que ele se especialize nesta altamente especializada linha de trabalho, e estão dispostas a aceitar o dinheiro dele em troca do que produzem. Esse médico é rico somente porque ele transaciona voluntariamente com terceiros.

Se agricultores, carpinteiros, alfaiates, pilotos de avião e professores não estivessem dispostos a transacionar com ele, ele não teria tempo para praticar a gastroenterologia pediátrica. Em vez disso, ele teria de cultivar sua própria comida, construir sua própria casa, e fazer sua própria roupa. Ele e todo o resto de nós estaríamos muito mais pobres.

Por isso, em países que usufruem o livre comércio e seus cidadãos podem transacionar livremente com o resto do mundo, as pessoas possuem uma miríade de opções de trabalho: podem ser médicos altamente especializados, financistas, instrutores de ioga, artistas, cineastas, chefs, contadores e empreendedores do ramo de tecnologia. Tão rica e com tamanha liberdade de comércio é a economia, que todos têm opções, pois podem terceirizar a manufatura de vários bens para outros indivíduos de outros países.

Já em países fechados, nos quais todos têm de fazer de tudo apenas para sobreviver, não há como se especializar. Consequentemente, renda e padrão de vida são menores.

5. A especialização aumenta com o tamanho do mercado

Quanto maior o número de consumidores e produtores, maior o escopo para que cada produtor possa se concentrar em uma especialização mais restrita.

Este fato explica por que cidades grandes possuem restaurantes voltados a um nicho específico de mercado (como veganos ou libaneses) e médicos altamente capacitados (como gastroenterologistas pediátricos), ao passo que cidades pequenas não possuem restaurantes e profissões tão altamente especializados.

Os pontos quatro e cinco, em conjunto, geram aprimoramentos que se auto-reforçam: mais comércio promove mais especialização, e mais especialização, por sua vez, promove mais comércio. A economia cresce e o padrão de vida da população aumenta.

6. O livre comércio gera retornos crescentes

Uma importante consequência de se expandir a área do comércio — aumentar o tamanho do mercado — é aquilo que os economistas chamam de "retornos crescentes".

Duplicar o número de pessoas que comercializam livremente com a população de um país faz com que a renda desta economia mais do que dobre. O livre comércio, ao promover uma maior especialização, gera aumentos na renda de todos os que participam deste arranjo.

Compare os serviços de saúde entre uma economia que tenha entre seus profissionais de saúde apenas 100 médicos de comunidade e outra economia que tenha, digamos, 20 médicos comunitários e 180 especialistas, como gastroenterologistas pediátricos. Este segundo arranjo só é possível em economias que praticam o livre comércio.

7. Não há limites ao grau de especialização

Não há limite à intensidade em que a mão-de-obra pode se especializar. Consequentemente, a produção total pode se expandir a uma taxa crescente — isto é, apresentando retornos crescentes.

Em outras palavras, o grau com que a mão-de-obra pode se especializar e fazer com que a produção total se expanda não é limitado — e nem definido — pelo tamanho da economia ou da extensão territorial do país. Tampouco o tamanho do país define um limite ao crescimento da especialização e da produção.

Ou seja, mesmo para países geograficamente grandes e altamente populosos, como EUA ou Brasil, não há nada na teoria econômica ou na história que diga que expandir o comércio exterior faz com que consumo e produção cresçam menos do que cresceriam caso a expansão ocorresse no comércio interno.

Você, morando em seu estado, ganha tanto expandindo seu comércio com cidadãos do estado vizinho quanto com cidadãos de um país do outro lado do mundo. O comércio, de qualquer natureza, sempre e em todo lugar, envolve indivíduos de carne e osso negociando e transacionando entre si, de uma forma que cada um dos indivíduos envolvidos julga ser de seu melhor interesse.

Não há nenhum motivo para não se ter uma economia global sem fronteiras econômicas. Comércio é comércio. Não interessam as fronteiras geográficas e políticas envolvidas. Não há restrições ao comércio entre bairros, entre cidades e entre estados. Não há nenhuma preocupação com a balança comercial entre o seu estado e o estado vizinho. Qual então é o sentido econômico de haver restrições comerciais entre países? Qual exatamente é a diferença econômica entre você comprar algo de uma pessoa que está do outro lado da rua ou do outro lado do planeta?

8. A concorrência traz disciplina aos produtores e é positiva para os consumidores

A concorrência econômica é positiva e funciona através das fronteiras políticas tão eficientemente quanto dentro de fronteiras políticas. A concorrência disciplina empresas, estimula a criatividade empreendedorial, e ajuda a descobrir e impulsionar — em um processo parecido ao da seleção natural — o que funciona melhor economicamente.

Mais importante, a concorrência gerada pelo livre comércio direciona trabalhadores e outros recursos escassos para aquelas atividades e linhas de produção em que eles são mais eficientes e possuem vantagem comparativa.

Assim, atividades ineficientes — que estão apenas imobilizando recursos escassos e que só se mantêm porque são protegidas e subsidiadas pelo governo — são expulsas do mercado pelo livre comércio, e estes recursos escassos se tornam liberados para ser utilizados em outras áreas cuja demanda do consumidor é maior.

Simplesmente não há nenhum motivo para neutralizar — por meio de protecionismos e restrições ao comércio — a concorrência externa tendo como justificativa o fato de que esta concorrência não fala nosso idioma.

9. Os seres humanos são o principal recurso

Como sempre ensinou o professor Julian Simon, especialista em recursos naturais, os seres humanos em uma economia de mercado são o recurso mais supremo e decisivo que existe.

O recurso mais supremo não é a terra ou o petróleo ou minas de minério de ferro ou de ouro; não são as fábricas, ou os computadores ou os tratores; não são os estoques de trigo, ou de aço laminado ou de dinheiro na mão. O recurso mais supremo é a criatividade humana e a engenhosidade.

Com efeito, é exatamente porque a criatividade humana sabe como utilizá-los, que o petróleo, o minério de ferro, o trigo e demais materiais são recursos. Sem a criatividade humana essas coisas seriam meras matérias em estado bruto, meras massas de moléculas, não mais valiosas e úteis aos seres humanos do que são aos antílopes e ratos.

E, ainda assim, a criatividade humana é um dos poucos recursos que consistentemente se tornou mais escasso nos últimos 250 anos. Sabemos que a criatividade humana se tornou mais escassa porque seu preço de mercado aumentou enormemente ao longo dos últimos séculos nas economias de mercado ao redor do mundo. Por exemplo, o salário real médio de um americano hoje é, segundo estimativas conservadoras, aproximadamente 60% maior do que era em 1790. (Veja mais detalhes aqui). Este aumento no preço da mão-de-obra sinaliza que ela se tornou mais escassa em relação à demanda por ela.

Em contraste, a maioria dos outros recursos e insumos produtivos — inclusive energia, metais e serviços de transporte — se tornou, e continua sua tornando, menos escassa. Tal conclusão é possível quando analisamos (como é o certo) a tendência de seus preços reais. E estão se tornando menos escassos exatamente porque há mais seres humanos criativos contribuindo para a economia de mercado.

O livre comércio maximiza a capacidade das pessoas de um país de duas maneiras, que funciona como um via de mão dupla: de um lado, elas contribuem com sua própria criatividade e esforço para a economia global; de outro, elas fazem uso da criatividade e esforço dos bilhões de outros seres humanos (recursos supremos) que residem em outros países.

Nós fazemos uso desta criatividade diretamente quando terceirizamos tarefas produtivas (como linhas de montagem e manufatura de produtos) para empresas e trabalhadores estrangeiros. Por que seria algo positivo reduzir artificialmente nosso acesso a esta oferta de recursos supremos, que são os trabalhadores de outros países?

É por isso que, por definição, quem é contra o livre comércio é quem tem medo da abundância e da prosperidade.

10. O protecionismo existe apenas para proteger os grandes interesses

Restrições ao comércio são feitas por políticos a soldo de grandes grupos de interesse. O encarecimento artificial dos produtos importados significa que os produtores nacionais estarão agora livres e despreocupados para elevar seus preços e reduzir a qualidade de seus produtos. Como não há mais concorrência estrangeira a quem os consumidores nacionais recorrerem, estes agora são obrigados a pagar mais caro por bens nacionais de qualidade mais baixa.

O governo recorre ao protecionismo para proteger as empresas nacionais e blindá-las contra os desejos dos consumidores (principalmente dos mais pobres, que ficam sem poder aquisitivo para comprar produtos bons e baratos feitos no exterior). Em troca deste favor, os políticos ganham vultosas contribuições de campanha. 

Os empresários corporativistas que enchem os bolsos com o dinheiro extraído dos consumidores por meio dessa violência imposta pelo governo querem que o público extorquido acredite que a tarifa é, na verdade, um benefício para os trabalhadores. Sim, há algum benefício marginal para os trabalhadores que trabalham especificamente nas indústrias protegidas, mas ao custo do bem-estar e da renda de todo o resto da população.

Restrição às importações e reservas de mercado fazem com que a capacidade de consumo e de investimento da população seja artificialmente reduzida. Consequentemente, lucros e empregos diminuem por toda a economia. Assim, proteger empregos em um setor por meio de tarifas de importação gera queda da renda e desemprego em vários outros setores da economia.

Se o objetivo é falar de quem realmente ganha com as tarifas, o enfoque não tem de estar nos trabalhadores, mas sim nos empregadores de um ínfimo punhado de trabalhadores que são beneficiados pelas tarifas.

Com o protecionismo, você consegue ver os empregos protegidos e os salários artificialmente elevados naquelas indústrias protegidas. Mas você não vê os empregos perdidos e a queda de salários naqueles outros setores da economia que tiveram sua demanda reduzida porque os consumidores tiveram de gastar mais dinheiro para adquirir os produtos daquelas indústrias protegidas.

Por isso, o desemprego é mais baixo exatamente nos países que praticam o livre comércio.

Por fim, o argumento ético

Encerro com aquele argumento que considero o mais crucial de todos, e que deriva diretamente do décimo item acima. Não é um argumento econômico, mas sim ético. Mesmo após tudo o que foi dito, minha defesa do livre comércio está baseada na ética, independentemente de questões econômicos.

A minha crença mais profunda e inabalável é que, se você trabalha, produz e ganha seu salário honestamente, então você tem o direito de usar esta sua renda da maneira que mais lhe aprouver. Você pode usá-la para comprar tecidos nacionais vendidos pelo comerciante do outro lado da rua ou comprar tecidos importados da Ásia. Você pode usá-la para comprar carros fabricados na cidade ao lado ou comprar carros importados da Europa, da Ásia ou dos EUA.

O dinheiro é seu. Foi adquirido honestamente e com trabalho duro. Ele não pertence nem ao governo e nem a nenhum produtor nacional. Nenhum político e nenhum grande empresário protegido por político têm o direito de proibir você de comprar um bem de quem você quiser.

E, ainda assim, todos os argumentos protecionistas se baseiam na premissa de que fabricantes nacionais — seja de automóveis, de tecidos, de sapatos ou de eletroeletrônicos — têm uma espécie de direito moral ao seu dinheiro.

Se você quer comprar carros ou eletroeletrônicos ou sapatos ou tecidos importados, mas é proibido — ou, o mais comum, penalizado com uma alta tarifa de importação —, o estado está simplesmente dizendo que os fabricantes nacionais têm o direito moral de reivindicar uma parte da sua renda.

Se você não gastar seu dinheiro da maneira como o governo e os fabricantes nacionais consideram ser a mais apropriada, você será penalizado. Assim, o bem-estar econômico de um grupo organizado de pessoas é colocado acima do seu e do resto da população. Cria-se uma casta protegida com o direito de usufruir uma reserva de mercado bancada pela casta espoliada.

Esta presunção de que há duas castas de indivíduos, a qual simplesmente está na base de todas as políticas protecionistas, é moralmente repreensível e eticamente indefensável.

__________________________________________

Leia também:

Como o capitalismo e a globalização reduziram os preços e trouxeram progresso para todos

Países não comercializam com outros países; apenas indivíduos o fazem

Defender o protecionismo é defender a escassez; defender o livre comércio é defender a abundância

Produtos importados baratos são tão prejudiciais à economia quanto a gratuita luz do sol

O livre comércio nos enriquece e o protecionismo nos empobrece - como reconhece Paul Krugman



autor

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.


  • JOSE F F OLIVEIRA  21/11/2017 14:25
    O Livre Mercado e/ou Liberdade Econômica é a grande RESILIÊNCIA para o bem saudável da Humanidade ? [https://youtu.be/NgXupG1EBLY?list=LLcEeWIpoRjAdc7p10X1TYqw]
  • Espoliado  21/11/2017 14:55
    O protecionismo equivale a literalmente dinamitar e explodir todos os portos do país. Afinal, reduzir o acesso da população, por meio de tarifas, a bens fabricados no estrangeiro é exatamente o mesmo que reduzir o acesso físico destes bens aos portos do país.

    Se o objetivo é restringir o comércio, podemos começar pela destruição dos portos. Garanto que a FIESP iria adorar.
  • anônimo  21/11/2017 14:59
    O argumento ético é relativo, porque todo padrão moral secular, ou seja, que não se baseia em religião é relativo. Se você é cristão pode acreditar em um padrão moral objetivo.
    Quando ele inicia o argumento já confessa que é uma crença pessoal e uma crença pessoal não tem valor a menos que os outros compartilhem da mesma crença.
    Eu compartilho desta mesma crença, e, como cristão, acredito em um padrão moral objetivo onde "amar ao próximo como a si mesmo" é o princípio das leis dadas por Deus. Não roubar, um dos 10 mandamentos, é derivado diretamente disto. O homem tem direito sobre a sua propriedade e isto inclui o produto do seu trabalho. Então este argumento tem valor para mim. Para um ateu pode ter valor, porque ele cresceu numa sociedade forjada sobre valores judaico/cristãos.
    A maioria das pessoas no Brasil e em outros países acha legítimo que o governo cobre impostos para prover serviços para os mais necessitados. Independente disto ser correto para mim, esta pessoa considera correto, porque a moral é relativa quando está desatrelada da religião. Principalmente quando a moral é desatrelada ao judaísmo ou cristianismo ele é relativa, porque estas religiões reconhecem Deus como a fonte de toda moral. E esta moral é objetiva e imutável.
  • Eita poha  21/11/2017 16:48
    Não se trata de valores "judaico/cristãos". Se trata de direito natural. Você atenta contra minha inteligência ao insinuar que todos os que não são cristãos só possuem padrões éticos bem definidos por causa dos seus valores "judaico/cristãos". Pela sua falsa retórica, uma sociedade que nunca tivesse contato com o cristianismo seria uma sociedade de selvagens? Não fosse seu deus, as pessoas seriam um bando de animais? Você deve ser daqueles que definem anarquia como um mundo cheio de putaria e quebradeira.
  • Eric  21/11/2017 17:49
    E eu pensando que a Bíblia nem condenava a escravidão e inclusive diz que você pode bater no escravo desde que não o mate, mas não, você deve ter sido um iluminado de "d"eus que apareceu para me mostrar o caminho certo, e quem diria que logo a religião que você segue é justamente a certa não é mesmo, existem milhares, muitas que podem ser consideradas até vovós perto desse cristianismo seu aí, mas é realmente essa a certa.
    Pra finalizar, a ética pode ser derivada objetivamente através da razão, mas não espero que você entenda isso de razão, afinal você acredita em cobras falantes, dilúvio, variabilidade genética a partir de somente Adão e Eva (não vale ser a favor do evolucionismo só aqui né) e virgens grávidas do espírito santo.
  • Cristian  22/11/2017 13:17
    "Quando ele inicia o argumento já confessa que é uma crença pessoal e uma crença pessoal não tem valor a menos que os outros compartilhem da mesma crença."

    Lindo isso! Só que aí então você faz uma crítica baseada em sua crença pessoal?
  • Gabriel Vinícius  21/11/2017 15:03
    Boa tarde a todos.

    Já peço perdão por tal questionamento em um artigo que nada tem a ver com isso, mas ontem estava vendo uma discussão em minha faculdade a respeito da previdência social e um aluno disse: "A previdência social não devia existir. Cada um deveria construir seu próprio patrimônio ao longo da vida e se quiser se aposentar, que ao longo dos anos pague uma previdência privada."
    Eu de pronto concordei com a afirmação, pois eu, em meus 18 anos, já tenho algum dinheiro investido em operações de longo prazo justamente pensando nisso. Porém, veio outro a dizer: "Verdade. Igual aquele pessoal que vive no lixão e mal consegue ganhar o suficiente pra comer, ou aquele pessoal que tem que sustentar uma família de cinco pessoas com um salário mínimo. Como constrói patrimônio desse jeito?"
    O outro ficou calado, assim como eu nem quis me manifestar porque também me senti de mãos atadas, pois não saberia responder um questionamento desses, até porque o que conheço do assunto é muito superficial. Pensei em várias possibilidades, pensei no motivo de aquelas pessoas viverem em um lixão, em como as coisas seriam mais baratas se não existisse tributação, se não existisse imposto de renda, se não existisse tanta burocracia ou encargos trabalhistas, mas realmente preferi me omitir... Até porque tentar explicar que o Estado é um problema é extremamente complicado, enquanto a maior parte dos que estão à sua volta acreditam que ele seja a solução e não tenham muito interesse em ouvir uma opinião diferente...

    Mas deixo esse questionamento a vocês, reafirmando que ainda sou leigo no assunto... Como essas pessoas que não tem as mínimas condições de se manter podem construir um patrimônio em um lugar como Pindorama?
  • Andre Cabral   21/11/2017 15:23
    Essa lógica é sensacional. Dado que um irresponsável ganhando salário mínimo resolveu ter cinco filhos (até onde sei, filhos não surgem do nada; são conscientemente fabricados), então, ora, é óbvio que toda a sociedade tem de ser ferrada por causa disso.

    Meu caro, a questão não é como um cara que ganha salário mínimo vai sustentar cinco filhos. A questão é que [u]quem ganha salário mínimo não deve formar família[u]. Isso é questão de responsabilidade individual.

    Querer que centenas de milhões de indivíduos sejam ferrados porque um punhado deles adotou um comportamento irresponsável é o ápice da insanidade coletivista.

    Mas tem mais.

    No passado, as igrejas ajudavam essas pessoas com o dinheiro que recebiam das doações. A Igreja mantinha centros de educação de excelente nível, fornecendo vários serviços gratuitos -- serviços estes que eram financiados por doações, inclusive de ateus caridosos.

    No entanto, desde que o estado entrou em cena para mostrar todo o seu amor aos pobres, a Igreja perdeu doações, pois as pessoas pensaram: "Eu já pago muitos impostos e o estado já faz o serviço; não preciso mais contribuir para serviços caritativos".

    As igrejas ajudavam bastante e voltariam a ajudar ainda mais caso recebessem doações de pessoas preocupadas com os desvalidos (como esse seu interlocutor). O problema, infelizmente, é que a esmagadora maioria das pessoas quer apenas vociferar indignação e delegar tal tarefa exclusivamente ao estado (que deve tomar o dinheiro dos outros, e nunca delas próprias). Por exemplo, vá ver quantas dessas pessoas fazem doações a instituições de caridade ou mesmo para as igrejas. E ainda fazem pose superior de preocupação para com os destituídos.

    A melhor maneira de se resolver problemas locais é por meio do voluntarismo, da responsabilidade própria, da família, dos amigos e da igreja, e não por meio de um governo monolítico que miraculosamente fará com que o indivíduo passasse a cuidar de si próprio e se tornasse uma pessoa melhor. O governo não pode fazer com que o indivíduo se aprume e passe a seguir bons hábitos.

    "Quer ajudar essas pessoas? Comece fazendo isso você próprio." É o isso o que você deveria ter respondido.

  • Rogério  21/11/2017 15:47
    Excelente argumentação.
  • Gabriel Vinícius  21/11/2017 16:49
    Como disse o Rogério, excelente argumentação...
    Mas o que você pensa, no caso, de pessoas como aquelas que vivem como catadores em lixões?
    São pessoas que não tem renda fixa e em grande parte não tem nenhuma perspectiva de futuro favorável.
    Tento não focar em como essas pessoas chegaram onde chegaram (se um dia conheceram algo fora dali), mas como elas podem sair dali.
  • Lucas  21/11/2017 17:31
    Pois agora você já tem a resposta, muito bem dada pelo André.
  • Mara  21/11/2017 22:47
    Pessoas que catam lixão, vivem nas ruas ou qualquer coisa desse tipo não contribuem para a previdência social e portanto não tem direito à aposentadoria, esse "argumento" apelativo não faz sentido.
  • Catador  22/11/2017 14:53
    "...mas como elas podem sair dali"

    Acho que o primeiro passo é identificar os obstáculos que elas enfrentam para saírem "dali": salário mínimo, proibição do trabalho infantil e carga tributária alta, todas são políticas do governo que não ajudam em nada os mais pobres.
  • Eric  22/11/2017 20:13
    Eis o que realmente empurrou as pessoas para a pobreza:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383
  • Mídia Insana  21/11/2017 16:53
    A coisa mais difícil do mundo é ajudar alguém, Rodrigo.

    Você nunca sabe se a sua ajude está estimulando uma virtude ou subsidiando um vício. Por isso o Welfare State existe há tantas décadas nos EUA e na Europa sem jamais ter acabado com a pobreza.

    A verdade é que os recursos que a humanidade dispõe para ajudar terceiros são escassos assim como todos os outros recursos. Sendo assim, é um enorme desperdício e injustiça investir tais recursos a indivíduos que não têm compromisso em mudar, assim excluindo aqueles que somente tiveram má sorte. Daí a importância da gestão voluntária da caridade ao invés da coercitiva. Uma instituição voluntária de caridade (digamos um órgão religioso) possui um interesse forte em fazer com que o indivíduo receptor do benefício pare de recebê-lo. Afinal, os fundos da caridade advém de pessoas que podem cessar suas doações caso estejam sendo enganadas.

    As pessoas reagem incentivos. Infelizmente, ao poupá-las das consequências de uma determinada atitude danosa, você tira delas um motivo para não incorrer em tal atitude danosa. Sob um prisma da seguridade social, pense na saúde: o estímulo para viver um modo de vida saudável é maior ou menor quando não há um estado provendo saúde gratuita ou subsidiando a apólice do plano da saúde para que não reflita os perigos trazidos por seu modo de vida? O estímulo para manter uma vida austera e balanceada sem riscos ou excentricidades incompatíveis com sua renda ou situação familiar é maior ou menor quando o estado não é por lei compromissado a garantir a renda da sua aposentadoria? O estímulo para escolher o parceiro (a) correto e guiar seus filhos para que façam o mesmo é maior ou menor quando o estado não se predispõe a cobrir as despesas do seu filho abandonado por um parente mal-escolhido?

    Pense no sofrimento de um fumante quem contraiu câncer de pulmão e terá uma morte prematura; em um obeso que mal consegue caminhar ao chegar à velhice ou pense no pobre coitado quem tem de depender das contas do estado para sobreviver na terceira idade. As três situações tragédias poderiam ter sido evitadas caso eles não pudessem contar com a "ajuda" estatal. Está certo que nem todos os indivíduos tomam escolhas prudentes. Mas são justamente aqueles mais imprudentes quem mais precisam que suas escolhas tenham consequências. Pense no homem dos 5 filhos que mora no lixão: você REALMENTE acha que o incentivo dele para ter um 6º filho e aprofundar ainda mais sua miséria será maior ou menor se não houver um Bolsa Família para subsidiar a criança?

    Abraço.
  • Eduardo Mendes  22/11/2017 14:22
    Só penso que a caridade deve ser algo espontâneo. Não impositivo. Se existem milhões de pessoas que não conseguem "fazer" a sua própria previdência (qualquer que for o motivo), que os mais abastados contribuam de forma espontânea. Aí entra o sentido de "humanidade", "bondade". Mas, tendemos a ser cruéis : quantas pessoas aqui tiveram coragem de "ajudar" as crianças que pedem esmolas no semáforo ? Não digo dar esmolas. Mas, efetivamente procurar ajudar. É mais fácil ignorar. Ah : o argumento de que "cada indivíduo tem quer ser responsável pelo que faz" ou "quem ganha salário mínimo não deve ter família"... argumentos excludentes. Problemas graves. Nem Deus resolve. Quanto mais políticos ou o "livre mercado". Eu não tenho como participar efetivamente da solução. Alguém tem ? Na prática ? Em tempo : na teoria é tudo muito lindo.
  • Wesley  21/11/2017 15:06
    A questão do livre comércio não é uma questão puramente econômica e sim política. Os consumidores não tem poder politico para bater de frente com os barões da indústria nacional e nem os sindicatos pelegos. Eles não vão permitir que os consumidores tenham a liberdade para escolher os produtos estrangeiros, pois pagam propinas a políticos para que os consumidores sejam obrigados a comprar as porcarias brasileiras.

    A última alternativa seria o boicote. Mas o brasileiro aceita pagar ridiculamente caro pelos produtos daqui e jamais realizariam um boicote aos barões da industria.
  • Kant  21/11/2017 15:09
    Antes de "liberar geral", contudo, acredito ser importante desburocratizar geral. Senão nunca teremos como provar se somos ou não capazes de produzir produtos bons, baratos e competitivos.
  • Miscellaneous  21/11/2017 15:12
    Não. Isso nunca vai acontecer.

    A forma mais garantida de garantir uma desburocratização é justamente liberalizando o comércio exterior: com importados baratos e de qualidade chegando, não haverá outra alternativa aos políticos senão liberalizar imediatamente o mercado interno para que este consiga sobreviver e concorrer.

    A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

    Ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.

    O estado ferra várias empresas? Sem dúvida, mas isso não é justificativa para acabar com as liberdades do indivíduo (e suas decisões de consumo).

    Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina
  • Protecionista Aristotélico  21/11/2017 18:30
    Eis o silogismo do "protecionista consciente":

    (1) A indústria nacional não é ineficiente.

    (2) Ela é apenas oprimida pelo governo, que a sobrecarrega de impostos. Consequentemente, ela não pode concorrer livremente com os estrangeiros.

    (3) Portanto, precisamos de um governo ainda maior, ainda mais intrusivo e com ainda maiores poderes tributários para retirar esse fardo do governo sobre as indústrias.

    Entenderam?
  • Alexandre  21/11/2017 15:09
    Quem teme o livre comércio?
    Os ineficientes
    Os que se beneficiam de monopólios
    Os que usam o estado para manter "mercados cativos"
    Os que querem trabalhar com margens altíssimas por não ter concorrência
    Os corruptos
    Os que não investem em tecnologia e gestão
    Os que não sabem se posicionar no mercado
    Os políticos.
  • Carlos  21/11/2017 15:11
    Basta olharmos para os melhores países do mundo. Economias abertas, legislações MUITO simples e práticas, burocracias de menos...

    Confesso que por muito tempo cai no golpe.

    O texto é excelente, como tantos outros do Mises.
  • anônimo  21/11/2017 15:24
    Quem já visitou países mais livres pôde perceber que a quantidade de produtos é muito maior. É uma farra capitalista com excelentes benefícios à população.

    Em Cingapura tem tantas marcas de sorvete no supermercado, que o sorvete mais caro do mundo custa 17 pratas. Restaurantes tem de todo tipo, começando em 5 pratas por quase um quilo de yakissoba com 20 ingredientes.

    Enquanto um pobre de Cingapura come quase 1 quilo de yakissoba por $5, o equivalente no Brasil seria duas coxinhas secas.

    O choque de concorrência sempre ajudou os mais pobres. Protecionismo é coisa de criminoso.
  • Antônio  21/11/2017 15:35
    Tarifas são impostos. Como pode alguém acreditar que mais impostos deixarão as pessoas mais ricas?

    Em todas as análises de casos que já li, os consumidores perderam mais dinheiro do que as empresas (protegidas) ganharam. O caso clássico mais recente foi o das tarifas que Obama impôs ao pneus chineses em 2009. A tarifa custou US$ 926 mil por emprego salvo e gerou 3 demissões no varejo para cada emprego mantido nas fabricantes de pneus nacionais.

    money.cnn.com/2017/01/03/news/economy/obama-china-tire-tariff/index.html

    www.aei.org/publication/2009-tire-tariffs-cost-us-consumers-926k-per-job-saved-and-led-to-the-loss-of-3-retail-jobs-per-factory-job-saved/

    O protecionismo é simplesmente um esquema de redistribuição de renda da maioria desorganizada para a minoria poderosa.
  • Mídia Insana  21/11/2017 17:04
    Se o protecionismo é bom, por que se limitar ao estado nação? Por que não proibir o comércio entre cidades também? Se partimos do princípio que tarifas e regulações de natureza geopolítica podem ser benéficas, por que não exaurir o princípio até o seu limite absoluto e impedir que o próprio indivíduo não possa comprar ou vender? Ele sempre estará empregado pois quem produzirá sua comida, tecerá suas roupas e construirá sua própria casa?
  • Emerson  21/11/2017 18:31
    O mais sensacional do argumento protecionista é a sua inevitável implicação lógica: se todos os países resolvessem restringir (ou mesmo banir) as importações e subsidiar as exportações, haveria um colapso total no comércio global. Se ninguém pode importar, então ninguém pode exportar (impossível vender se não há comprador).

    A esmagadora maioria da população morreria esfaimada, todos os processos de produção seriam profundamente afetados (pois não se pode mais importar insumos) e, no final, o mundo estaria de volta às cavernas.

    Que isso seja visto como pensamento sério e comprometido é um perfeito exemplo da deterioração da nossa inteligência.
  • Eduardo  21/11/2017 18:34
    Se enviar produtos importados baratos destrói a indústria de um país, então conclui-se que fazer o extremo -- mandar importados DE GRAÇA pra um país -- o destrói ainda mais rapidamente.

    Mas o que tem de destrutivo em ganhar presentes? Se nos mandarem televisões, carros e geladeiras de graça, perderemos, sim, os empregos nessas áreas. No entanto, os trabalhadores dessas áreas poderão ir pra outras atividades produtivas e genuinamente demandadas pelos consumidores.

    Ao invés de termos essas pessoas produzindo televisões, carros e geladeiras, já teremos tudo isso e mão-de-obra sobrando pra produzirmos outras coisas. Em resumo, o país ficaria mais rico, às custas dos contribuintes de outros países que estão subsidiando importados gratuitos pra nós.

    Se restringir e taxar a importação de produtos baratos é bom pra indústria nacional, bloquear as bordas do país contra todas as importações criaria uma economia fortíssima no país bloqueado.

    E não pára por aí: se bloquear um país é bom pra economia interna, então bloquear os estados também. Imagine quantos empregos de paulistas os gaúchos estão tirando quando criam gado. Proibir a importação de gado e garantir empregos pra indústria interna de gado São Paulo seria uma boa idéia.

    E isso continua pra cidades, pra ruas, até que se decida produzir tudo em sua casa e não trocar com ninguém.

    Basta você parar de fazer compras no supermercado e estará bem ocupado o dia inteiro plantando, colhendo, costurando suas roupas, etc.

    Todos terão pleno emprego, mas a produtividade será extremamente baixa dado o custo de oportunidade de produzir tudo por si mesmo, e será uma pobreza generalizada.

    Um tomate que você compra com alguns segundos do seu trabalho demoraria meses pra nascer na sua terra.

    Não existe um ponto de equilíbrio ou um "protecionismo racional". Todo protecionismo beneficia produtores do setor protegido às custas de todo o resto.

    Pode até ser que sem protecionismo nossas montadoras falissem; mas se elas não conseguem competir, é isso o que tem que acontecer.

    Se custa 50.000 pra fazer um carro no Brasil que custa apenas 25.000 pra fazer o mesmo carro lá fora, ao comprar o carro de 25.000 a nossa economia tem um carro e 25.000 sobrando pra serem usados em outros setores. Ao comprar um carro de 50.000, a economia tem apenas um carro e deixa de ter 25.000 pra gastar ou investir em outros setores.

    Imagine num caso extremo gastar uma fortuna com tecnologia e energia pra produzir bananas no Alasca. Se essas bananas forem produzidas num país tropical, podemos ter as mesmas bananas que teríamos do Alasca, mas sem usar todo aquele recurso: homens, máquinas e energia que poderiam ser mais bem alocados em outro lugar ao invés da produção de bananas.

    A questão não são empregos, nem indústria nacional: a questão é produção. Empregos que não criam valor são inúteis, e há indústrias que não necessitam existir. O Brasil não "precisa" de uma indústria de carros assim como o Alasca não "precisa" de uma indústria de bananas, a menos que encontrem uma forma eficiente de produzir seus produtos. Não há por que preservar tais empregos.
  • Luiz Moran  22/11/2017 11:59
    As 10 infelizes leis brasileiras – resultado da doutrinação marxista:
    1) O Estado é imperativo para o desenvolvimento econômico e a manutenção da ordem e da justiça
    2) Todo empresário é ganancioso e escraviza seus funcionários
    3) Impostos são justos pois são usados para ajudar os mais pobres
    4) O capitalismo gera desigualdades
    5) O Lucro é imoral
    6) As minorias são perseguidas
    7) Os sindicatos são defensores dos direitos dos trabalhadores
    8) A polícia é violenta
    9) As instituições estão cada vez mais fortalecidas
    10) A "democracia" tem que ser "defendida" a qualquer custo (inclusive através de terrorismo).
  • SempreEU  22/11/2017 15:11
    Boa listagem, sem dúvidas esses tópicos fazem parte da mentalidade de Pindorama.

    Vou me ater ao 3. Sim, o "capitalismo" ou "economia de mercado", gera sim desigualdades, mas de forma alguma isso pode ser algo ruim.

    A desigualdade é inerente ao ser humano. Seja, desde que características físicas, passando por elementos históricos, hereditários, habilidade, renda.

    A igualdade é um IDEAL para mentes doentias, autoritárias. A empiria mostra, onde esse ideal foi perseguido o resultado foi devastador.
  • Igor  22/11/2017 13:27
    OFF - A/C Leandro

    Você acha que o PLS 314/2017 que vai acabar com a transferência dos resultados cambias do Banco Central para o Tesouro vai ter um impacto significativo na inflação e no volume das compromissadas?

    Obrigado antecipadamente.
  • Leandro  22/11/2017 22:35
    Foi uma excelente medida. O mecanismo representava financiamento direto do BC ao Tesouro, ou seja, expansão monetária pura e simples.

    Para piorar, era tão mais intenso quanto maior fosse a desvalorização cambial, o que acentuava ainda mais a pressão sobre os preços (além do fato de que mais gastos do governo geram mais distorções econômicas).

    Um grande avanço.
  • Nordestino Arretado  22/11/2017 15:19
    Off topic

    Os autores do Mises poderiam escrever um artigo sobre a recente integração dos exércitos de 23 países europeus? O sonho totalitarista do estado europeu único está cada vez mais próximo, até os exércitos querem unificar. Logo, logo não teremos mais França, Alemanha, Itália, somente Europa com sede em Bruxelas.
  • Alexandre Nascentes Schmitt  23/11/2017 03:09
    Atualmente os produtos agrícolas são bem mais taxados que os industriais, Suíça é um exemplo disso. Essas tarifas são benéficas para a produção/produtividade? Se não houvesse, claramente teria um aumento na renda da população, mas os produtores locais seriam maleficiados? Eu não tenho certeza, mas com a abolição do Corn Laws em 1846 no RU, muita gente saiu da pobreza e a produtividade dos agricultores aumentou, já que reduziu os custos para produzir grãos. Atualmente seria a mesma coisa? Sou bem cético a dados, mas os dados dizem que as tarifas sobre produtos agrícolas são gigantescos para beneficiar a indústria. Entretanto por outro lado os exportadores são maleficiados - o Brasil é um exemplo disso em relação a UE. Mas por outro lado, os produtores locais são beneficiados?
  • Ruy Marinho  24/11/2017 13:02
    Ótimo texto, porém precisa de correção ortográfica.
  • Emerson Luis  30/12/2017 10:36

    Resumindo:

    01 Não faz sentido permitir o livre comércio entre bairros, entre cidades, entre estados, entre regiões, mas não permiti-lo entre países;

    02 A produtividade só pode enriquecer as pessoas se tiverem acesso aos consumidores;

    03 Quanto maior o público-alvo, maiores serão a especialização e a produtividade de quem produz e a qualidade de vida de todos;

    04 A especialização requer liberdade econômica;

    05 A especialização aumenta com o tamanho do mercado e vice-versa.
    (todos os fatores desta lista reforçam-se mutuamente);

    06 O livre comércio gera retornos crescentes;

    07 Não há limites [arbitrários] ao grau de especialização e expansão;

    08 A concorrência exige autodisciplina aos produtores e é positiva para os consumidores (preços decrescentes + qualidade crescente + inovações constantes);

    09 Os seres humanos são o principal recurso. O livre comércio maximiza a capacidade das pessoas de um país de duas maneiras, que funciona como um via de mão dupla;

    10 O protecionismo existe apenas para proteger os interesses políticos e econômicos dos super-ricos e poderosos. Os salários e a qualidade de vida são mais altos e o desemprego e a pobreza são menores nos países onde há mais liberdade econômica;

    11 Se você trabalha e obtém seu dinheiro honestamente, então você tem o direito de usar esta sua renda da maneira que mais lhe aprouver. O governo não pode determinar que uma parte de sua renda tem que ir para produtores nacionais.

    * * *


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.