clube   |   doar   |   idiomas
Os déficits e a dívida do governo são uma questão moral - eles afetam diretamente a próxima geração
Filhos e netos arcarão com a farra da geração atual

Quando o governo gasta mais do que arrecada com impostos, ele incorre em um déficit orçamentário. Ato contínuo, ele tem de tomar dinheiro emprestado (se endividar) para cobrir este rombo. Ele pega esse dinheiro emprestado emitindo títulos da dívida, sobre os quais pagará juros.

E as consequências que isso gera não são apenas econômicas. Déficits e endividamento governamentais são também uma questão moral.

Quando grupos de interesse (funcionalismo público exigindo aumentos, grandes empresas querendo subsídios, e vários grupos sociais exigindo maiores repasses) se aliam a políticos e deixam o governo mais afundado em dívidas, eles estão simplesmente legando uma enorme conta aos cidadãos e pagadores de impostos das próximas gerações, os quais não têm como se manifestar hoje.

Consequências econômicas

No Brasil, nos últimos 12 meses, o déficit orçamentário total do governo federal foi de R$ 567 bilhões (o que equivale a nada menos que 8,75% do PIB do Brasil). Isso significa que o governo federal gastou R$ 567 bilhões a mais do que arrecadou. Consequentemente, isso significa que ele teve de se endividar em mais R$ 567 bilhões para poder manter seus gastos totais.

E quem emprestou esses R$ 567 bilhões para o governo federal? Bancos, empresas, pessoas físicas e fundos de investimento. Isso, por definição, significa que R$ 567 bilhões que poderiam ter sido utilizados em investimentos produtivos, expansão de negócios e contratação de mão-de-obra acabaram sendo direcionados para financiar a máquina estatal.

Se o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. Assim, os déficits do governo, ao desviarem a poupança da população para os gastos improdutivos do governo, levam a um crowding-out do investimento produtivo, gerando dificuldades cada vez maiores para melhorar ou até mesmo para manter o padrão de vida do público, no longo prazo.

E, para o governo conseguir todo este volume de crédito, não há segredo: ele tem de pagar juros altos. Qualquer instituição que tenha de se endividar o equivalente a 8,75% do PIB em 12 meses terá de pagar juros altos. Consequentemente, os juros daquele crédito que sobra para os investimentos produtivos serão ainda mais altos, sufocando as micro, pequenas e médias empresas.

Assim, os gastos e déficits do governo, ao desestimularem os investimentos do setor privado, fazem com que a situação econômica das gerações futuras seja pior do que poderia ser. As fábricas e as instalações tenderão a ser mais decrépitas, a oferta de bens e serviços será menor, e os salários serão mais baixos do que poderiam ser sem os déficits.

Consequências morais

Além das questões econômicas, déficits e endividamento do governo também geram grandes implicações morais.

O dinheiro que o governo pega emprestado hoje terá de ser pago no futuro, com juros. Para pagar juros e principal, o governo usará dinheiro de impostos. E esses impostos serão coletados das gerações futuras, talvez por pessoas que ainda nem sequer nasceram.

Ou seja, como resultado do atual descontrole orçamentário do governo, um enorme fardo será legado às gerações futuras, que terão de pagar impostos mais altos. Consequentemente, por ficarem com uma menor renda disponível em decorrência dos impostos mais altos, terão menos dinheiro para gastar em serviços essenciais.

Na prática, portanto, os déficits e o endividamento do governo hoje vinculam a geração de amanhã a arcar com os juros e o principal dessa dívida. Isso é imoral e anti-ético. Ao se endividar e jogar a fatura para a geração futura, o governo está comprometendo aquela geração; está reduzindo a liberdade de escolha daquelas pessoas ao fazer com que elas tenham de gastar uma grande fatia de sua renda com o serviço da dívida.

Isso gera restrições diretas na maneira como elas poderão gastar seu dinheiro. Gera também consequências diretas no nível da carga tributária futura, que dificilmente poderá ser reduzida. Com efeito, a tendência é que tenha de ser aumentada.

Fazendo a farra hoje e deixando a sujeira para amanhã

Economistas heterodoxos alegam que a dívida governamental, por si só, não representa nenhum fardo para as gerações futuras como um todo. Afinal, nossos descendentes irão "dever para eles próprios".

Sendo assim, quaisquer impostos que forem aumentados ou criados para pagar o serviço desta dívida (juros e amortizações) irão simplesmente fluir para os bolsos daqueles cidadãos que estiverem de posse dos títulos da dívida. Assim, argumentam eles, haverá apenas transferência de renda de uns para outros, e não haverá empobrecimento geral. A "dívida nacional" não seria apenas um passivo, mas também um ativo. 

Mas esse raciocínio é completamente falacioso.

Imagine que o governo atual — isto é, no ano de 2017 — anuncie que irá gastar $ 100 bilhões dando uma festa de arromba. 

Se o governo impusesse tributos sobre as pessoas em 2017 para pagar por esta festa, elas certamente iriam se revoltar. E nenhum governo quer isso. Muito mais confortável é apenas emitir títulos da dívida, que serão voluntariamente comprados por algumas pessoas no presente, e jogar o fardo do pagamento dos juros e do principal para as gerações futuras.

Assim, suponha que o governo emita títulos que irão vencer daqui a cem anos. 

Supondo que os investidores confiem no governo e que a taxa de juros nominal de longo prazo seja acordada em 4,7%. Isso significa que o governo arrecada $ 100 bilhões hoje e terá de pagar $ 10 trilhões daqui a cem anos.

O valor de $10 trilhões nada mais é do que $100 bilhões com juros de 4,7% ao ano durante cem anos. 

A dívida será quitada — juros e principal — de uma só vez em 2117. Quem irá bancá-la? Os pagadores de impostos que estiverem vivos em 2117.

Neste cenário, um leigo estaria correto em dizer que a atual geração fez a sua farra e jogou toda a conta para os infelizes cidadãos de 2117. Os pagadores de impostos em 2117 terão de entregar $10 trilhões para alguns de seus concidadãos que eventualmente estiverem em posse dos títulos desta dívida. 

Uma análise rápida e descuidada diria que houve apenas uma simples transferência de riqueza de um indivíduo (pagador de impostos) para outro indivíduo (o portador dos títulos do Tesouro). Consequentemente, não teria havido nem empobrecimento e nem enriquecimento desta sociedade. Houve apenas transferência de riqueza.

Só que esta observação está errada. E é fácil demonstrar isso.

Considere um indivíduo que está de posse de um dos títulos da dívida — cujo valor de face é de $1.000 — em 2117. Talvez esta pessoa tenha comprado este título de outra pessoa no ano anterior (em 2116) por $955. Ao receber os $1.000, ela estará auferindo juros de 4,7%. Os $1.000 que ele receber em 2117 não irão constituir um ganho líquido para esta pessoa, pois a maior fatia destes $1.000 — isto é, os $955 — será apenas a devolução do principal que ele pagou no ano anterior. 

Este indivíduo, portanto, teve um benefício líquido de $ 45. Já o pagador de impostos ficará com $ 1.000 a menos.

Repetindo: o portador do título ganha apenas $ 45. Já o pagador de impostos pagou $ 1.000.

Se nos concentrarmos em um outro portador de título — por exemplo, alguém que tenha comprado o título no ano de 2087 —, seu ganho seria maior do que $ 45. Mas, ainda assim, a única maneira de uma perda de $1.000 para um pagador de impostos ser identicamente contrabalançada por um ganho de $1.000 para um portador de título seria se este portador houvesse adquirido o título gratuitamente. Isto poderia acontecer com crianças que herdam títulos de seus pais. Mas é só. 

Qualquer outra pessoa que utilize dinheiro próprio para adquirir um título cujo valor de face é $ 1.000 não irá obter ganhos idênticos às perdas dos pagadores de impostos. Seu ganho será muito menor. Logo, o grupo "pessoas vivas em 2117" estará coletivamente mais pobre em decorrência deste esquema

Portanto, além de os pagadores de impostos em 2117 serem claramente prejudicados (afinal, terão de pagar $10 trilhões em impostos), esta sua perda não se traduz em um ganho idêntico para os portadores dos títulos. 

Esta geração como um todo estará mais pobre em decorrência da festança que as pessoas de 2017 deram. O que ocorre é que alguns (os portadores dos títulos do Tesouro) estarão menos pobres que outros (os pagadores de impostos).

Conclusão

Um endividamento gera benefícios presentes, mas ônus futuros. O governo, ao se endividar hoje e legar a fatura para as gerações futuras, está simplesmente beneficiando a si próprio e a seus grupos favoritos (funcionários públicos, grandes empresários ligados ao regime, e grupos beneficiados por repasses) à custa do bem-estar de toda uma geração futura (você próprio quando estiver mais velho, seus filhos e seus netos).

A geração de hoje quer o estado cuidando de escolas, universidades, saúde, esportes, cultura, filmes nacionais, petróleo, estradas, portos, aeroportos, Correios, eletricidade, aposentadorias, pensões, e fornecendo subsídios para pequenos agricultores e megaempresários. Quer também um estado ofertando amplos programas assistencialistas e uma crescente oferta de empregos públicos pagando altos salários.

Como tudo isso não cabe no orçamento do governo, este tem de incorrer em déficits, o que eleva a dívida pública. E essa terá de ser arcada pelas gerações futuras: nossos filhos e netos.

Qual a moralidade deste arranjo?

_____________________________________

Leia também:

A pavorosa situação fiscal do governo brasileiro - em dois gráficos



autor

Diversos Autores

  • Fernando Gesta Leal   16/11/2017 14:22
    Preciso o artigo, aponta erros que vem sendo praticados ao longo de nossa História. Parabéns à equipe de autores.
  • Carlos Lima  16/11/2017 20:22
    Dá pra saber os nomes dos autores deste artigo?
  • Capital Imoral  16/11/2017 14:27
    "Quer também um estado ofertando amplos programas assistencialistas e uma crescente oferta de empregos públicos pagando altos salários." Tudo isso é inveja de alguém que não passou no concurso público. O Estado está aí para isso, para gastar com o povo. Quem guarda dinheiro é burguês metido. Por falar em gente metida, eu escrevi um artigo sobre isso.

    Luislinda: Pobre, preta e da periferia.

    O livre mercado está novamente oprimindo as minorias no Brasil. Voltamos à escravidão; os pobres e negros que recebem mais de 30 mil estão sendo novamente perseguidos pela elite branca, de olhos azuis e batedora de panelas. O Brasil cansa. Até quando a escravidão irá durar no Brasil?

    O brasil é um país extremamente desigual, e isso é culpa exclusiva do Capitalismo de livre mercado; este sistema, em especial, gosta do oprimir negros e minorias através do preconceito na sociedade. Embora muitos afirmam que no Brasil vigora uma democracia, o certo, é que em média os negros não desfrutam do mesmo status que os Brancos. Um estudo realizado em 2003 pelo instituto Ethos, constatou que apenas 1,8 dos cargos de diretoria no país é ocupado por negros. De acordo com a pesquisa, a presença de negros só aumenta na medida em que desce o nível hierárquico.[1] Os Branquelos acostumados com privilégios de cor e gênero estão com raivinha quando aparece uma mulher guerreira que ocupa sim! um cargo de liderança.

    Luislinda é nossa mãe
    Vamos falar sobre Luislinda. Mulher guerreira! Brasileira que é um orgulho para as mulheres negras desse Brasil, porque afinal; a violência contra mulher negra e pobre só diminuiu no Brasil enquanto o PT esteve no poder. Sim, chegamos à 60 mil homicídios mas isso é culpa do neoliberalismo. Luislinda foi a mulher que com sua força de representar o povo soube muito bem assumir a pasta dos direitos humanos; ela era o bonequinho de olinda da diversidade cultural; nossa mãe que soube representar muito bem a comunidade dos Quilombos. - Pois sim, ainda existe escravidão de negros em Brasília.

    Vocês não cansam de oprimir os negros e pobres do Brasil? Agora a mulher negra não pode mais querer se vestir bem; usar perfume, maquiagem, sem que os reguladores de raça e gênero à persigam. Sim, estão perseguindo Luislinda, não porque ela recebe mais de 30 mil reais - e não há nenhum problema nisso - , Mas estão perseguindo-a porque ela ousou querer ser bonita, inteligente, perfumada, maquiada; em resumo: ser melhor que a mulher branca burguesa. Os donos do engenho piram diante da independência negra.

    Tudo isso é inveja de um Brasil que foi culturalmente diversificado. Luislinda não deveria receber 60 mil reais; ela deveria receber 500 mil reais pagos por todo Branco metido à besta que pensa que sua cultura é superior à de outros povos. Deveriam criar um imposto para pessoa branca do tipo Europeu. Aí sim, haveria dinheiro o bastante para sustentarmos várias Luislinda como elas merecem. Chicote no lombo dos Brancos. Vocês nos devem até a alma.

    {1} O negro no mercado de trabalho: www.mundonegro.com.br/noticias/?noticiaId=256

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Rafael  16/11/2017 14:31
    Haha, o Capital Imoral deveria ter uma coluna mensal fixa no site, a título de humor escrachado. A coluna deveria ser intitulada: "Como realmente pensa a esquerda, sem tergiversações".
  • JOSE F F OLIVEIRA  16/11/2017 14:44
    O contraditório é bem vindo. Terão duas boas utilidades. A 1ª nó
    s se deliciamos e a 2ª Obrigado.
  • Julio C  16/11/2017 16:24
    Não, meu caro Capital Imoral. Luislinda tem o direito de ser bonita, inteligente, de andar perfumada e maquiada e de receber o seu salário de acordo com o seu cargo. E com isto comprar os seus apartamentos como e onde ela quiser. O que ela não tem é o direito é de pedir o recebimento de diárias por finais de semana não trabalhados e cobrança de verba de R$ 10 mil da União por uma viagem que fez de graça ao exterior. E é isto que está o questionamento. Luislinda está no mesmo nível daquele Juiz (que foi amplamente divulgado nas redes sociais) reclamando que eles, os juízes, tem o direito de receber ajuda disto, ajuda daquilo para poder comprarem os seus ternos Armani em Miami. Detalhe: ele é branco. O fato de Luislinda ser negra não é desculpa para ter privilégios.
  • Luis Karlos  16/11/2017 17:56
    Eu gostei muito do seu artigo sobre a Luislinda essa mulher negra que é escravizada por receber misereis 30 mil reais, sendo que ela poderia receber mais 31 mil reais há mais, essas coisas dar uma boa comedia.
  • Victor Magno  17/11/2017 17:07
    Não sei se esta falando serio, mas tenho que colocar alguns dados aqui:

    De acordo com uma pesquisa do SEBRAE de 2015, 50% dos empresários são negros, o resto é branco e de outras etnias. isto é, são a MAIORIA. Mas esse tipo de pessoas são chamados pejorativamente de "brancos de olhos azuis escravocratas" e são punidos pelo governo com altos impostos. O interessante é que o mesmo dado mostra que no brasil as pessoas abrem negocio mais por NECESSIDADE do que por ter uma ideia inovadora. E ainda dizem que o maior inimigo dos pequenos negócios é a burocracia.
  • João  28/01/2018 17:47
    Como você é burro! A história não te diz nada???
  • Constação  16/11/2017 14:28
    Com vocês, na imagem, a cara de um estatista ao ler esta matéria.
  • Constatação  16/11/2017 14:32
    Capital Imoral, o bonequinho de Olinda que poderia estar ganhando mais de 30 mil por mês no livre mercado, se explorasse sua vocação de comediante.
  • Breno Alves  16/11/2017 14:33
    Excelente artigo. Já discuti bastante esse assunto até mesmo com pessoas esclarecidas, e elas nunca parecem entender o ponto. Elas juram que a dívida do governo é um problema pontual e que não afeta ninguém. Mais até, elas acham que é algo "socialmente bom", pois permite o governo gastar mais do que arrecada com impostos. Para elas é uma opção indolor: o estado pode gastar mais sem ter de tributar ninguém.
  • Igor  16/11/2017 14:37
    Em termos práticos o BC está financiado criativamente o tesouro?

    www.valor.com.br/brasil/5195033/lucro-da-conta-unica-paga-previdencia
  • jenilson gallo  16/11/2017 15:03
    essa análise implica que a maneira como o governo gasta esse dinheiro não traga quaisquer benefícios a sociedade e seja unicamente esbanjado com bens de consumo,mas o governo investe em infraestruturas,hospitais,estradas(que baixam os custos de transporte,e por si das mercadorias) sem contar esses gastos de uma forma ou de outra acabam reinvestidos na economia e nao desperdiçados,mesmo que 100% desses gastos do governo fossem desviados por políticos corruptos,boa parte ainda seria reinvestida pelos mesmos em empresas,obras,melhorias em cidades etc,gerando emprego e retransferindo essa renda novamente a classe trabalhadora,mesmo esses que desviam dinheiro tem de gastá-lo ainda e assim o mesmo retorna a sociedade e ás pessoas nela
  • Eu jênio  16/11/2017 15:23
    Informe-se melhor. Os gastos do governo com infraestrutura não chegam a 0,35% do PIB.

    Já os gastos totais chegam a 40% do PIB.

    "mesmo que 100% desses gastos do governo fossem desviados por políticos corruptos,boa parte ainda seria reinvestida pelos mesmos em empresas,obras,melhorias em cidades etc,gerando emprego e retransferindo essa renda novamente a classe trabalhadora"

    Lógica sensacional. Sendo assim, se a carga tributária for do 100% do PIB e todo o dinheiro for desviado pela corrupção, os ganhos dos trabalhadores e das empresas seriam máximos!

    É cada jumento que desaba por aqui... E essa "jente" vota.
  • Kira  17/11/2017 01:19
    Os quatro tipos de socialista/comunista:
    1) Aqueles que acreditam que o dinheiro pode ser abolido, e que o escambo é uma alternativa viável em uma civilização;
    2) Aqueles que acreditam que o dinheiro é necessário e é impossível uma civilização realizar trocas sem o mesmo, mas ignoram qualquer tipo de lógica básica monetária como os custos do próprio dinheiro e a escassez dos recursos economicamente alocados (tudo cai do céu, não existe escassez de recursos);
    3) Aqueles que acreditam que o dinheiro é necessário, mas também acham que é possível planificar e tornar todos os preços iguais, (criando uma soma zero na matemática da economia, fazendo tudo virar nada mais nada menos que escambo) mas eles acreditam que é possível;
    4) Aqueles que embora não acreditem mais nas três alternativas anteriores, acreditam que os gastos do estado podem ser livres e infinitos, e que aumento de impostos não prejudica a economia, e que um mercado fechado e sem concorrência poderia empregar a todos e protejer a todos.

    O século 21 está no grupo 4 da ideologia socialista.
  • Carlos  16/11/2017 15:27
    Na verdade, isso aí que o jenilson falou nada mais é do que a teoria do "multiplicador keynesiano" levada à sua lógica extrema. E isso mostra por que essa teoria é de uma imbecilidade sem tamanho. Afinal, se quanto mais o governo gasta mais a renda aumenta, então, ora, uma carga tributária de 100% do PIB em conjunto com déficits também de 100% do PIB transformariam o Sudão na Suíça.

    Por que o "efeito multiplicador" é uma brutal falácia keynesiana
  • jenilson gallo  17/11/2017 00:30
    meu amigo nenhum dinhero só por ser desviado deixa de existir no mundo,desde que o mesmo deja empregado em algo produtivo a corrupção pode sim ajudar um país e muito,vai estudar um pouco mais a teoria keynesiana
  • Fabio Faria  27/07/2018 11:04
    Aff Maria!!

  • Constatação  16/11/2017 15:38
    "Se 100% fossem desviados, ainda assim sobraria para investir"

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    ganhei minha tarde
  • Pobre Paulista  16/11/2017 15:40
    Beleza, parceiro.

    Então me dê 100% do seu dinheiro que eu irei gastá-lo para você, ok?

    De um jeito ou de outro ele irá "voltar" para você, fique tranquilo.
  • MBDELF  27/07/2018 21:11
    Jegueison Gallo. A última coisa que políticos corruptos fazem é investir, eis que revela a origem do dinheiro ilícito. Mas enviar dinheiro ao exterior, enterrar em piscinas ou comprar bens em nomes de laranjas, isso sim.
  • Luiz Moran  16/11/2017 15:07
    Não há solução num país onde exista:
    - a CF mais socialista do universo
    - tudo centralizado em Brasília
    - políticos mensaleiros
    - burocracia e corporativismo
    - burocracia e patrimonialismo
    - burocracia e corrupção
    - judiciário ideológico
    - urnas eletrobolivarianas inauditáveis
    - apuração secreta para eleição presidencial
    - 98 tipos de impostos e taxas
    - juros de 400% a.a.
    - MTST, MST, PT, PMDB, PSDB, PCO, PC do B, etc...
    - carga tributária + juros da dívida = 60% do PIB
  • Luis  16/11/2017 17:07
    Voce esqueceu de mencionar que os eleitos escolhem os juizes que vao julga-los, os procuradores que vao acusa-los e o chefe de policia, que coordenar as investigacoes. Sem esquecer os Juzes dos tribuinais de contas, geralmente politicos.
  • Rafael Isaacs  16/11/2017 16:17
    "Isso, por definição, significa que R$ 567 bilhões que poderiam ter sido utilizados em investimentos produtivos, expansão de negócios e contratação de mão-de-obra acabaram sendo direcionados para financiar a máquina estatal."
    Até parece.
  • Ivan  16/11/2017 16:39
    Não só parece como é.

    Sem ter como aplicar em títulos do governo (porque o déficit nominal é zero), investidores em busca de algum retorno terão de aplicar em outro lugar.

    Assim, ou eles investirão diretamente na economia real (criando empresa, expandindo fábricas, abrindo negócios) ou aplicarão em ações, debêntures, CDBs, LCIs, LCAs ou LCs, fundos de renda fixa, fundos multimercado ou em fundos de ações.

    Consequência desta segunda opção? Simples. Para remunerar estes investidores, tanto os bancos quanto os fundos de investimentos terão de direcionar este dinheiro para atividades que gerem retorno. E dado que o governo e seus títulos saíram da equação, então só resta a economia real.

    Logo, de um jeito ou de outro, este dinheiro estará sendo direcionado para financiar investimentos. Dinheiro não fica guardado dentro de gaveta. Dinheiro persegue retorno. Na ausência de títulos públicos garantindo retorno fácil, alto e praticamente sem risco, a única alternativa seria a economia real.

    A menos que você saiba de alguma outra mágica.
  • Pobre Paulista  16/11/2017 18:21
    Ainda que o dinheiro fique na gaveta: Isso causa um enxugamento monetário e força os preços para baixo. A consequência também é positiva, no final das contas.
  • Político  16/11/2017 16:37
    AAndministração Pública emite dívida por 2 motivos, quer e pode, os motivos por trás disso são referendados a cada 4 anos nas eleições gerais onde a população demonstra sua vontade de possuir serviços públicos hoje em detrimento do amanhã.
    Experimente se candidatar e discursar da seguinte maneira: "Prometo não investir absolutamente em nada hoje para que seus filhos tenham saúde financeira amanhã." e veja quantos votos vai ter na urna.
  • Político  16/11/2017 16:52
    Até parece mesmo, a menor dívida pública e déficit público da região em relação ao PIB é o Paraguai, apesar de estar em boa situação econômica não se vê nenhum milagre de investimentos por lá que não ocorra em um país com hábitos moderados de endividamento.
    Sem o gasto do governo local os investidores colocarm seu dinheiro em bancos locais que comprar títulos dos países perdulários ao lado, Brasil.
  • Soárez  16/11/2017 17:59
    Aí você recorreu à opção preferencial pelo humor. (Ou pela vergonha alheia). Paraguai? O Paraguai nunca teve estabilidade política e nem institucional. Nunca houve segurança jurídica e respeito a contratos. E sua dívida pública só é baixa porque o governo historicamente sempre recorreu à inflação monetária para pagar suas contas.

    Querer que haja investimentos explosivos em um cenário como este é ser muito ignorante em economia básica.

    Apenas muito recentemente é que as coisas começaram a se estabilizar por lá. E, veja só, os investimentos estão crescendo fortemente. Duplicou em sete anos.
  • JOSE F F OLIVEIRA  16/11/2017 17:28
    Quando pendurar um ESTADO BABÁ e CIDADÃOS QUE VOTAM PELA A BARRIGA não sairemos do fosso.
  • JOSE F F OLIVEIRA  16/11/2017 18:01
    ROBERTO CAMPOS

  • Político  16/11/2017 19:06
    Soárez você acabou confirmando exatamente o que ocorrerá se o Governo Brasileiro se tornar um exemplo de sobriedade fiscal, não há histórico de estabilidade política e institucional que alicerce investimentos de infra-estrutura e de longo prazo, investidores vão comprar títulos de outros países perdulários da região, como Argentina.
    A propósito há outro país na região com baixo individamento e pagam juros ínfimos, o Peru, seus investidores fazem empréstimos à perdulária Colômbia e o devasso Equador.
    Os juros no Brasil são altos primeiramente devido à natureza bestial de seu povo que têm absurda propensão ao consumo, ínfima empatia pelo futuro econômico confortável e eterno desejo de viver do esforço alheio, o governo só executa suas intenções políticas neste terreno fértil para política econômica desastrosa, já que a economia na melhor das hipóteses nos colocariam em eterna estagnação na renda média.
    A propósito, Paraguai quebrou em 2002 devido a dívida pública alta, resolveram sem imprimir dinheiro e tem o histórico de menor inflação da região, sendo que sua moeda é a mais antiga sem nenhuma alteração 74 anos.
  • Soárez  16/11/2017 19:49
    "você acabou confirmando exatamente o que ocorrerá se o Governo Brasileiro se tornar um exemplo de sobriedade fiscal, não há histórico de estabilidade política e institucional que alicerce investimentos de infra-estrutura e de longo prazo, investidores vão comprar títulos de outros países perdulários da região, como Argentina."

    Como é que é o negócio aí? Peraí, deixa eu ver se entendi bem.

    Você está dizendo que o Brasil não possui "histórico de estabilidade política e institucional que alicerce investimentos de infra-estrutura e de longo prazo", e, logo em seguida, diz que se o governo passar a apresentar um orçamento equilibrado tudo irá piorar ainda mais, pois os investidores fugirão para a Argentina?

    Que bosta de teoria é essa que diz que, se o governo se tornar mais previsível e parar de sugar dinheiro do setor privado, a situação ficará ainda pior?!

    Por essa sua brilhante lógica, a solução para um país que possui pouco estabilidade política e institucional seria ter um governo que destrói completamente o orçamento, pois, assim, tamanha destruição orçamentária garantirá que os investidores os financiem? Ué, mas se a instabilidade é alta e as instituições são fracas, quem será o idiota a emprestar dinheiro para esse governo?

    Entenda apenas esse básico: déficits orçamentários sempre geram o temor de que o governo irá elevar impostos no futuro. Contas desarranjadas não duram por muito tempo. Se o orçamento do governo está deficitário, o empreendedor sabe que o ajuste futuro muito provavelmente será via aumento de impostos. E aumento de impostos sempre gera custos adicionais às empresas, mudando totalmente o cenário no qual elas basearam seus planos de investimentos.

    Empresas planejam a longo prazo. Investimentos produtivos são investimentos de longo prazo. Um aumento-surpresa de impostos gera custos adicionais no longo prazo e altera totalmente o cenário no qual as empresas inicialmente basearam seus planos de investimentos. Elementos como previsibilidade, facilidade de empreender e custo tributário são cruciais. Mudanças abruptas alteram todo o planejamento das empresas e inibem seus investimentos. Como investir quando não se sabe nem como serão os impostos no futuro?

    E aí vem você e diz que, se um país tem instabilidade política e institucional, ele estará em melhor situação com um governo que destrói o orçamento do que um governo mais fiscalmente responsável?

    Gentileza apontar um mísero país em isso tenha ocorrido.

    "A propósito há outro país na região com baixo individamento [sic] e pagam juros ínfimos, o Peru, seus investidores fazem empréstimos à perdulária Colômbia e o devasso Equador."

    É mesmo? Então coloca aí as fontes. Gentileza mostrar que o Peru piorou a sua situação devido a ter um governo mais fiscalmente responsável (o que só ocorreu a partir de meados década de 2000).

    Aliás, eis a evolução dos investimentos no Peru: dispararam exatamente a partir de meados da década de 2000:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/peru-gross-fixed-capital-formation.png?s=perugrofixcapfor&v=201708261016v&d1=19170101&d2=20171231

    Exatamente quando seu governo se tornou fiscalmente responsável, zerando os déficits e tendo superávits:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/peru-government-budget.png?s=wcsdper&v=201707031911v&d1=19170101&d2=20171231&type=column

    Desculpe, mas, já que você evocou o Peru, saiba que lá, na prática, ocorreu exatamente o oposto da sua teoria asinina.

    Nem me dei ao desprazer de ler o resto. Até aqui a cretinice já havia sido muito acima de minha capacidade de absorção.
  • Político  16/11/2017 22:48
    Soárez, seguem os dados

    Taxa de investimento de acordo com o Pib 2016:

    https://data.worldbank.org/indicator/NE.GDI.TOTL.ZS

    -Os responsáveis Chile e Peru não possuem melhores taxas de investimento que os perdulários Colômbia, Bolívia e Equador, menção honrosa para este último que até calote deu em 2008;

    -O responsável e exemplar Paraguai não apresenta taxas de investimentos melhores que os desastrosos vizinhos Argentina e Brasil.


    Em momento algum mencionei que qualquer país piorou sua situação por melhora fiscal, e sim que os investidores destes países procurarão investimentos mais rentáveis em países mais perdulários que pagam melhores taxas. Afinal o objetivo de investir é ganhar dinheiro ou não?

    Cortar o déficit público brasileiro vai sim tirar o país da lama, mas não o levará nem sequer ao mais básico desenvolvimento de US$20.000 per capita por ano.

    Dianari, sou político sim, Vereador por 2 mandatos consecutivos e atual Deputado Estadual, compactuo com as ideias liberais mas não me deixo levar pela fantasia que esta trará benefício à todos, boa parte da população sequer sabe escovar dentes, vai dizer que é por excesso de Estado?

    As pessoas votam na expectativa de receberem favores do Estado, é sim plenamente possível devido à deturpação e doutrinação, mas nunca vi em todos estes anos de mandato um único indivíduo procurar a Administração Pública em busca de facilitar regras para seu ramo de atuação, em minha cidade derrubei diversas regulações tolas para concessão de alvarás e o rendimento foi de ZERO votos, mas criar uma taxa para aceleração de concessão de alvarás e com esta verba distribuir cestas básicas sim rendeu CENTENAS de votos.

    A propósito, asno é você Soárez, que me carrega e se empacar vai tomar esporada estatal.
  • Leandro  16/11/2017 23:33
    "Os responsáveis Chile e Peru não possuem melhores taxas de investimento que os perdulários Colômbia, Bolívia e Equador"

    Perdulários?! Desculpe, mas você está mal informado.

    A dívida da Bolívia é de ínfimos 31% do PIB.

    Desde 2008, a moeda da Bolívia é atrelada ao dólar, o que simplesmente impede que o governo faça aventurismos. Como consequência, a inflação de preços caiu de 18% para 3,25%, sendo sistematicamente mais baixa que a nossa.

    Evo Morales, que de bobo não tem nada, apenas fala contra imperialismo. Na hora que realmente interessa, ele atrela sua moeda ao dólar,

    Igualmente importante ressaltar é que Morales, ao contrário dos outros bolivarianos, sempre se mostrou muito à vontade em deixar as pequenas e médias empresas bolivianas em paz. Mais ainda: ele nunca teve problemas em permitir que uma grande fatia da economia operasse na informalidade (ou seja, operasse sem nenhuma regulamentação).

    Na prática, quando Morales ignora a economia informal, ele está essencialmente criando "brechas" nas regulamentações estatais. E, como Ludwig Von Mises sempre dizia, "as brechas nas regulamentações são o que permitem a economia respirar".

    No Equador, a dinâmica é a mesma. Não há moeda nacional. A moeda circulante é o dólar, o que não só impede que o governo faça qualquer lambança, como também o restringe totalmente em termos fiscais. A dívida do Equador é de 39% do PIB.

    Artigo sobre ambos os países:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2439

    Informe-se melhor.

    "O responsável e exemplar Paraguai não apresenta taxas de investimentos melhores que os desastrosos vizinhos Argentina e Brasil."

    Não sei bem de onde você tirou o "responsável e exemplar", mas sei que você acabou de se auto-refutar.

    Tomando-se por base a sua (confusa) participação acima, o fato de haver investimentos no Paraguai seria algo inexplicável perante sua teoria. Afinal, se os governos de Brasil e Argentina são perdulários e pagam juros altos, por que sequer há investimentos físicos no Paraguai? Pela sua lógica, era para os paraguaios -- cujo governo é fiscalmente responsável e paga juros baixos -- correrem para cá e para a Argentina aplicar o seu dinheiro, e não fazer nenhum investimento no Paraguai.

    Como você explica haver investimentos no Paraguai?

    "Em momento algum mencionei que qualquer país piorou sua situação por melhora fiscal"

    Falou, sim. Em sua primeira participação, disse que um país ter um governo fiscalmente responsável pioraria a sua situação, pois faria com que os investidores nacionais corressem para os países vizinhos. (Uma teoria, aliás, totalmente jumenta).

    "e sim que os investidores destes países procurarão investimentos mais rentáveis em países mais perdulários que pagam melhores taxas."

    Não falei?

    Mas, ora, se é assim, então por que há investimentos no Peru, no Chile, na Colômbia, na Bolívia, no Equador e no Paraguai? Pela sua lógica, era para todos os residentes destes países estarem enterrando seu dinheiro na Argentina, no Brasil e na Venezuela, que têm governos perdulários e pagam juros altos.

    "Cortar o déficit público brasileiro vai sim tirar o país da lama, mas não o levará nem sequer ao mais básico desenvolvimento de US$20.000 per capita por ano."

    E ninguém falou isso. Já você disse que se o governo brasileiro equilibrar o orçamento, aí sim é que a coisa vai piorar, pois todos os investidores sairão correndo daqui. Lógica eqüina.

    "sou político sim, Vereador por 2 mandatos consecutivos e atual Deputado Estadual"

    Ah, bom, agora está tudo explicado. Dificilmente um cérebro humano escapa por muito tempo à debilitação resultante desse destino triplamente cruel.
  • Emerson  17/11/2017 12:54
    É pura ignorância, mesmo. Até no estadão mostra-se o impacto do equilíbrio orçamentário dos estados na hora de decidir onde se investe ou não: "Contas públicas viram 'isca' para atrair investidor" (economia.estadao.com.br/noticias/geral,contas-publicas-viram-isca-para-atrair-investidor,70002044424)
    As razões de se investir em estados (Espirito Santo e Ceará) que pelo menos seguem a lei de responsabilidade fiscal são claras e dadas no artigo por algumas pessoas:
    "O empresário premia a responsabilidade fiscal. Se vier para cá, os funcionários vão poder usar a rede pública de educação com tranquilidade e os fornecedores vão receber em dia do Estado" (secretário de Planejamento do Espírito Santo) e " "Um Estado quebrado pode rever descontos a qualquer hora, tornando o investimento inviável."(Appy, do Centro de Cidadania Fiscal).
    Todos sabemos que contas em azul não são garantia alguma contra aumento ou criação de impostos estaduais ou municipais, mas pelo menos dão alguma certeza que tais coisas não terão que acontecer do mesmo modo ou intensidade que nos outros estados quebrados.
  • Dianari  16/11/2017 19:52
    Olha que esse "Político" é político mesmo, hein? Se duvidar, era da base de apoio da Dilma.
  • Léo Ferreira Isidoro  16/11/2017 19:48
    É incrível como um texto tão simples, pode expressar toda a podridão que é exercida dentro de um governo. A imoralidade não assumida, corrompe os ideais de muitos brasileiros, tanto que hoje mesmo tive um debate onde li com meus próprios olhos, um brasileiro alegar que se o governo rouba, mas devolve com algum aumento o que roubou, não se pode reclamar pelo roubo inicial! Vejam... Alega na cara lavada que os Fins justificam os meios!

    Este pensamento esta incrustado na mente da sociedade brasileira, pervertendo gerações com discursos de enfase nas nas minorias, falacias belas que aos ouvidos dos incautos, acabam por persuadi-lo a defender uma causa tão ilusoriamente nobre.

    Mas ainda não perdemos a esperança, pessoas interessadas no bem, pessoas de moralidade, de atitude ética, trabalham incansavelmente para que não se perpetue hegemonicamente uma ilusão, mas trazendo a tona a verdade por trás das ações ignóbeis e assim mantendo a luz da coerência acesa.
  • Estudante ANCAP  16/11/2017 20:17
    Tenho uma dúvida em relação a externalidade no ANCAP:

    Suponhamos, por exemplo, que eu venda minha casa para um fazendeiro de vespa amador. Só ele não é um fazendeiro de vespas muito bom, então suas vespas geralmente se soltam e picam pessoas em todo o bairro a cada dois dias.

    Este comércio entre o agricultor de vespas e eu beneficiou os dois, mas prejudicou as pessoas que não foram consultadas; ou seja, meus vizinhos, que agora estão trancados para dentro de garrafas de latas de repelente de insetos de resistência industrial. Embora o comércio fosse voluntário tanto para o agricultor de vespas quanto para mim, não era voluntário para meus vizinhos.

    Outro exemplo de externalidades seria uma fábrica de widgets que produz substâncias químicas cancerígenas no ar. Quando troco com a fábrica de widgets, estou me beneficiando - eu recebo widgets - e eles estão se beneficiando - ganham dinheiro. Mas as pessoas que respiram os produtos químicos cancerígenos não foram consultadas no comércio.

    Você pode, por exemplo, recusar-se a se mudar para qualquer bairro, a menos que todos na cidade tenham assinado um contrato concordando em não levantar vespas em sua propriedade.

    Mas fazer com que cada pessoa em uma cidade de milhares de pessoas para assinar um contrato toda vez que você pensa em algo que você quer ser banido pode ser um pouco difícil. Mais provável, você gostaria que todos na cidade concordassem unanimemente com um contrato dizendo que certas coisas, que poderiam ser decididas por algum procedimento que exigisse menos de unanimidade, poderiam ser banidas do bairro - como o conceito existente de associações de bairro.

    Mas convencer cada pessoa em uma cidade de milhares para se juntar à associação do bairro seria quase impossível, e tudo o que seria necessário seria uma única parada que começa a levantar vespas e todo seu trabalho é inútil. Melhor, talvez, começar uma nova cidade em sua própria terra com um acordo pré-existente que, antes de permitir que você se mova, você deve pertencer à associação e seguir suas regras. Você poderia até mesmo cobrar taxas dos membros deste acordo para ajudar a pagar as pessoas que você precisaria para impô-lo.

    Mas, neste caso, você não está chegando com uma maneira libertária inteligente em torno do governo, você está apenas reinventando o conceito de governo. Não há diferença entre uma cidade onde morar, você tem que concordar em seguir determinados termos decididos pelos membros da associação após algum procedimento, pagamento e sofrer as consequências se você infringir as regras - e uma cidade comum com um governo cívico regular.

    Tanto quanto eu sei, não há uma maneira livre de lacunas para proteger uma comunidade contra externalidades além do governo e coisas que são funcionalmente idênticas a ela.

    E sobre esse outro exemplo tirado de um artigo criticando o ANCAP:
    '' crença libertária normal é que é desnecessário que o governo regule as práticas comerciais éticas. Afinal, se as pessoas se opõem a algo que uma empresa está fazendo, eles boicotarão esse negócio, incentivando o negócio a mudar seus caminhos ou levando-os a uma falência bem merecida. E se as pessoas não se opõem, então não há problema e o governo não deve intervir.

    Uma análise minuciosa dos problemas de coordenação derruba esse argumento. Digamos que o Wanda's Widgets possui um milhão de clientes. Cada cliente paga US $ 100 por ano, para uma receita total de US $ 100 milhões. Cada cliente prefere Wanda para o concorrente Wayland, que cobra US $ 150 por widgets de igual qualidade. Agora, digamos que o Wanda's Widgets faz um ato indizivelmente horrível, o que o torna US $ 10 milhões por ano, mas ofende cada um de seus milhões de clientes.

    There is no incentive for a single customer to boycott Wanda's Widgets. After all, that customer's boycott will cost the customer $50 (she will have to switch to Wayland) and make an insignificant difference to Wanda (who is still earning $99,999,900 of her original hundred million). The customer takes significant inconvenience, and Wanda neither cares nor stops doing her unspeakably horrible act (after all, it's giving her $10 million per year, and only losing her $100).

    A única razão pela qual os interesses dos clientes boicotar seria se ela acreditasse que mais de cem mil outros clientes se juntariam a ela. Nesse caso, o boicote custaria a Wanda mais do que os US $ 10 milhões que ganharia de seu ato incrivelmente horrível, e agora está em seu próprio interesse parar de cometer o ato. No entanto, a menos que cada boicote acredite que 99,999 outros se juntarão a ela, ela se incomoda com nenhum benefício.

    Além disso, se um cliente ofendido pelas ações da Wanda acredita que 100.000 outros boicotarão Wanda, então é do interesse do cliente "desfazer" o boicote e comprar produtos da Wanda. Afinal, o cliente perderá dinheiro se ela comprar os widgets mais caros de Wayland, e isso é desnecessário - os outros 100.000 boicotes mudarão a mente de Wanda com ou sem a participação dela.

    Isso sugere uma "falha no mercado" dos boicotes, o que parece confirmado pela experiência. Sabemos que, apesar de muitas empresas fazerem coisas muito controversas, houve muitos boicotes bem sucedidos. Na verdade, poucos boicotes, bem sucedidos ou não, já fizeram as novidades, e o número de boicotes bem-sucedidos parece muito menor do que a indignação expressa nas ações das empresas.

    A existência de regulamentação governamental resolve este problema bem. Se> 51% das pessoas não concordam com o ato indizivelmente horrível de Wanda, eles não precisam perder tempo e dinheiro adivinhar quantos deles se juntarão a um boicote, e eles não precisam se preocupar com a incapacidade de recrutar desertores suficientes para atingir a massa crítica. Eles simplesmente votaram para aprovar uma lei que proíbe a ação.''

    Obrigado e forte Abraço
  • Estudante ANCAP  17/11/2017 01:19
    Eu li tais artigos, obrigado por indica-los.

    Queria saber o contra-argumento direto em relação a esses casos concretos.
  • Pobre Paulista  17/11/2017 11:28
    Então estude, estudante.

    Mas vai a dica: Não existem contratos implícitos com a natureza.
  • Estudante ANCAP  17/11/2017 19:33
    Não tem solução pra externelidades negativas ou positivas, não consigo me convencer.

    No caso das vespas e da empresa de Widgets, queria saber o contra-argumento.

    No caso do pescador do lago, eu entendo que o lago seria propriedade privada e pronto. O tribunal resolveria os danos.

    O boicote eu até acredito que tem força e tal, mas em um mundo muito competitivo como o ANCAP, um cliente seria muito mais significante do que atualmente.

    Então é só essas duas questões mesmo que não estou conseguindo me convencer, o caso da vespa e da empresa de widgets....

    Abraços
  • Frederico  17/11/2017 19:39
    É porque você ainda não absorveu completamente os ensinos de Hayek.

    Se já soubéssemos antecipadamente todos os resultados que surgiriam em um ambiente de liberdade, não precisaríamos da liberdade: apenas implementaríamos diretamente todos esses resultados.

    Todo o propósito da liberdade é exatamente o de descobrir, no futuro, tudo aquilo que ainda não sabemos no presente. Sendo assim, o argumento em prol da liberdade é, em última instância, baseado na humildade e no respeito pela sabedoria e pela experiência humana futura.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2225


    Recomendo também este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2493
  • Estudante ANCAP  18/11/2017 00:50
    Obrigado!
  • Pobre Paulista  18/11/2017 03:21
    Que diferença faz se as vespas vieram naturalmente ou se vieram por conta do cara que cria?

    É problema de quem se incomoda com elas e pronto. Não tem nada para se resolver aqui.
  • Julio rodrigues  16/11/2017 20:17
    Alguém avisa esse capital imoral que neoliberalismo é uma invenção da esquerda atrasada que precisa de um inimigo fins de justificar a lógica indemonstravel do sistema falido por eles defendido. Enquanto perdemos tempo discutindo essa insanidade intelectual chamada socialismo, outros países estão nos deixando comendo poeira.
  • Bourdieu  16/11/2017 21:57
    São vocês os neoliberais que querem privatizar as praias? Absurdo! Vocês não têm limites, extremistas.
  • Anti-Estado  17/11/2017 11:02
    Sim, queremos. Justamente para salvar as praias de farofeiros como você.
  • Pedro Vytor  16/11/2017 22:32
    Boa noite a todos,

    Tamanha a minha surpresa ao perceber que o tema deste texto é o mesmo que me motivou a escrever 20 páginas, formatar como um livro e colocá-lo na Amazon.
    De fato, essa farra não pode continuar e segue a minha forma de fazer isso.

    https://www.amazon.com.br/dp/B076RB46FP/ref=sr_1_7?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1508982242&sr=1-7&keywords=6+passos

    Excelente post IMB! Se eu fiz esse livro, foi graças aos ensinamentos de vocês.
    Saudações
  • Kaique  17/11/2017 00:53
    Por que bilionários investem em grupos socialistas?

    www.ilisp.org/noticias/midia-ninja-confirma-que-e-financiada-pelo-bilionario-george-soros-para-ser-midia-livre/
  • Pobre Paulista  17/11/2017 11:30
    Eles são livres para executar o plano do Soros da maneira que acharem melhor.
  • Clecio Danilo  17/11/2017 13:45
    Simplesmente porque eles já chegaram lá, n querem ver inovação pois concorre com os seus atuais projetos, por isso defendem cada vez mais regulações.
  • jenilson gallo  17/11/2017 00:59
    não faz diferença nenhuma se o seu dinheiro é gastado por você ou por um politico que o desviou,o dinheiro não desapareceu,melhor assim desviado pelo menos ta sendo gasto pelo indivíduo e não por um estado ineficiente,um exemplo,aqui na minha cidade um prefeito desviou muito e construiu um prédio magnifico o qual agora é alugado para comércios e lojas da região,ou seja isso é um investimento muito melhor que qualquer investimento que poderia ser feito pelo governo,querem por culpa de tudo na corrupção,como se o dinheiro obtido com ela fosse apagado do mapa.
  • um dois  17/11/2017 15:49
    Você não está pensando nos possíveis investimentos que poderiam ter sido feitos pelas pessoas com o dinheiro que foi tomado na forma de impostos, dinheiro que foi roubado pelo político corrupto depois.
    Nem está pensando no dinheiro que ficará parado em algum paraíso fiscal, esperando para ser gasto na Europa ou outro país de 1º mundo.
  • Kira  17/11/2017 16:25
    A lógica do cara é: seja roubado, mas acredite na bondade do governo e do político, seja roubado, mas seja feliz! É esse tipo de pensamento que gente racional tem que lidar todos os dias Brasil afora. Se foi roubado, mas devolveu umas migalhinhas de quebra com um monte de impostos e taxas, blz, igual ao PT, "faz mas rouba" pena que é apenas um "faz de conta."
  • Clecio Danilo  17/11/2017 13:32
    Um importante motor da recuperação continua sendo as condições de financiamento muito favoráveis que as empresas e as famílias encontram, que por sua vez são fortemente dependentes das nossas medidas de política monetária", disse Draghi.
    Que merda velho, as vezes fico pensando se é de proposito isso aí. É pura ganância por poder e querer controlar a vida das pesssoas.
  • Juliana  17/11/2017 19:10
    É muito bom o artigo, com um bom ponto.

    Porém, eu acho que advertências ao gasto e ao endividamento do governo funcionam melhor se pensarmos egoísticamente e analisar os efeitos do déficit orçamentário unicamente aqui entre nós mesmos, sem nos preocuparmos com outras gerações. Sejam elas as futuras ou as passadas, ressalto.

    Além de que, dessa forma,  nós podemos ver completamente, e não somente vislumbrar, as consequências negativas do gasto e déficit do governo. É bem mais prático. É só olhar o nível do déficit de hoje e suas projeções, e perceber o mal-estar que ele gera. Então, cairia uma análise dos últimos trinta anos, a partir da Constituição cidadã que "nós" lutamos tanto para aprovar, quando "nós" escolhemos a garantia dos direitos sociais em detrimento das liberdades individuais, etc., e de como a escolha desse caminho contribuiu para coisas como a recente recessão (no que ela foi a pior da história do país), o alto nível de desemprego, a baixa produtividade e a baixa criação de riqueza. E comparar esses dados com de outros países que por serem menos intervencionistas, por exemplo, seus períodos de encolhimento da economia sao muito mais leves, rápidos ou ocorrem entre espaços de tempo muito mais longos.

    Divaguei um pouco, mas é porque sou uma pessoa imoral, então não me comove muito o fardo das gerações futuras. Me incomoda mais a festa que estamos dando hoje que, nem de longe, é boa.
  • Rodrigo  17/11/2017 19:21
    Mas isso já foi feito. Inclusive esse comparativo.

    Está aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532
  • Juliana  18/11/2017 18:35
    Isso mesmo, Rodrigo. Agradeço pela lembrança precisa.

    Por outro lado, que véu era este que estava aqui na minha frente, que não me deixou lembrar desse artigo. Há de ser o melhor apelo que exista à inteligência do brasileiro, surgido na década, e eu não tinha visto por esta perspectiva. Não tem muito segredo, ou razão para se inventar a roda.

  • Rafael Nascimento  19/11/2017 15:59
    Uau, esses artigos do Mises são incrivelmente didáticos. Um leigo consegue entender e adentrar em assuntos econômicos espinhosos sem trauma.

    Parabéns
  • Pobre Paulista  20/11/2017 13:16
    O trabalho de formiguinha compensa, acredite. O trabalho do IMB é fenomenal.
  • LEO2CBH1  20/11/2017 21:17
    Fala Leandro, beleza! É o seguinte, a texto concluiu:

    "Esta geração como um todo estará mais pobre em decorrência da festança que as pessoas de 2017 deram. O que ocorre é que alguns (os portadores dos títulos do Tesouro) estarão menos pobres que outros (os pagadores de impostos)."

    Ou seja, o 'equivalente intertemporal' não existe, é um mito: as pessoas não pouparão o suficiente para compensar, totalmente, o que está registrado na face do bônus emitido! Então quer dizer que o 'Teorema De Barro-Ricardo Acerca Da Dívida Pública' não funciona!? Há toda uma construção otimizadora, usando o 'Modelo Do Consumo Intertemporal - Com o Governo na Jogada! (...) E ela não funciona!? Confesso que estou com a 'pulga atrás da orelha' (...)

  • Soárez  20/11/2017 21:38
    Exato, ela não funciona. É mero onanismo intelectual. Essa ideia de que toda a população irá poupar mais hoje antecipando os eventuais aumentos de impostos que o governo fará daqui a algumas décadas é completamente furada.

    Por outro lado, o que você pode dizer, aí sim com grande realismo, é que déficits orçamentários hoje afetam os investimentos de longo prazo, pois geram o temor de que o governo irá elevar impostos já no ano que vem. Contas desarranjadas não duram por muito tempo. Se o orçamento do governo está deficitário, o empreendedor sabe que o ajuste futuro muito provavelmente será via aumento de impostos. E aumento de impostos sempre gera custos adicionais às empresas, mudando totalmente o cenário no qual elas basearam seus planos de investimentos.

    Empresas planejam a longo prazo. Investimentos produtivos são investimentos de longo prazo. Um aumento-surpresa de impostos gera custos adicionais no longo prazo e altera totalmente o cenário no qual as empresas inicialmente basearam seus planos de investimentos. Elementos como previsibilidade, facilidade de empreender e custo tributário são cruciais. Mudanças abruptas alteram todo o planejamento das empresas e inibem seus investimentos. Como investir quando não se sabe nem como serão os impostos no futuro?
  • Anti-Estado  27/01/2018 16:23
    Ainda que fosse possível criar uma poupança dessas, o governo roubará tudo o que o povo poupou, criando incertezas maiores, roubo como sempre, aniquilando possibilidades de boas aposentadorias, investimentos, conforto maior para os filhos e netos, tudo porque alguns idiotas defendem que se deve dar alegremente dinheiro aos políticos. Esse povo não entende que o estado não pode gastar infinitamente? que quanto mais ele retira impostos, menos ele tem pra retirar uma vez que o mercado tem menos dinheiro, os investimentos ficam menores, cortes, e desemprego aumenta? Qual a dificuldade em entender que o estado jamais será capaz de "cumprir com o seu papel" que isso é conversa furada de político e estadista iludido que precisa de uma fuga de realidade? Não dá pra retirar de uns e ofertar a todos.
  • Baito-desu  21/11/2017 12:01
    Tem pessoas que reclamam que o prefeito da minha cidade não faz nada além de cortar grama, e eu digo que as vez o melhor é não fazer nada e esperar. Elas não gostam muito kkk.
  • Richard stellman  21/11/2017 12:40
    Amcap é utopia, apenas esqueça isso, é a mesma coisa que ficar discutindo sobre Arcanjo e Querubim.
  • Emerson Luis  29/12/2017 23:32

    Esses gastos do Estado desafiam as leis da Física, são como o moto perpétuo!

    Como conseguem continuar pagando dívidas antigas com dívidas novas em montantes cada vez maiores e ainda sobrar dinheiro para alguma atividade estatal e para a corrupção?

    * * *
  • Anti-Estado  27/01/2018 16:18
    A quantidade de comentários lixos que aparecem nos posts do mises no facebook é aterrador! Tem um idiota lá dizendo que tudo isto é nada mais do que o "estado cumprir com o seu papel" e que não há nenhum problema nisso!
  • Andre  05/02/2018 15:54
    Um governo soberano que detém o monopólio sobre sua própria moeda fiat e opera em regime de câmbio flutuante tem capacidade virtualmente ilimitada de gastos e não necessita previamente recolher impostos ou tomar dinheiro emprestado para gastar. Quando o governo gasta ele cria dinheiro e quando ele recolhe impostos ele cancela dinheiro.

    A capacidade de criar dinheiro se aplica apenas ao governo federal, que detém o monopólio sobre a emissão de Reais. Estados e municípios assim como empresas e domicílios são usuários do dinheiro e, portanto, só podem gastar mais do que arrecadam se contraírem dívida. Os bancos são uma entidade especial pois criam dinheiro quando concedem crédito.

    O governo efetua gastos simplesmente adicionando valores a contas bancárias. São apenas dígitos eletrônicos. Não há necessidade de obter estes valores de ninguém antes de adicioná-los. Ao efetuar gastos o governo simplesmente aumenta os saldos bancários dos destinatários, criando dinheiro do nada. De forma análoga, impostos correspondem a dinheiro que é retirado de circulação. O dinheiro é "cancelado" quando o imposto é recolhido.

    Quando o volume de impostos recolhidos é maior que os gastos, ocorre um superávit no governo. E quando o gastos excedem os impostos ocorre um déficit no governo.

    Déficits do governo são normais. Déficits do governo correspondem a aumento do saldo financeiro líquido do setor privado na mesma proporção. Ou seja, há mais dinheiro disponível no setor privado para poupança e para investimentos. O tamanho do déficit vai depender do crescimento econômico, da situação das contas externas e da disponibilidade de recursos físicos e capacidade de produção de bens e serviços da economia. Aumentar o déficit numa economia no limite da sua capacidade pode gerar inflação.

    Você já parou para pensar no que ocorre com o setor privado quando o governo tem um superávit? Se o governo tem um superávit, alguém tem que ter um déficit do mesmo valor. Esse alguém é o setor privado (que inclui o setor externo). E isto é uma identidade contábil. Ou seja, é sempre verdade. Se o governo gastar 100 e recolher 110 quanto sobra de saldo financeiro líquido do setor privado? -10. Ou seja, se o governo tem um superávit o setor privado tem que se endividar. O Brasil, por manter historicamente um superávit de conta corrente, pode sustentar algum superávit do governo, dependendo do crescimento. Em países importadores é necessário manter um déficit sob pena de gerar uma recessão. Os EUA em toda sua história manteve apenas uns poucos períodos curtos de superávit.

    O governo não toma crédito junto ao setor privado pois não tem necessidade de fazê-lo. Como o governo cria dinheiro quanto efetua gastos, não necessita tomar emprestado o dinheiro que ele próprio emite. Faz sentido tomar dinheiro emprestado de si mesmo? O emprego da palavra "dívida" ao fazer referência a títulos do tesouro gera apenas confusão.

    Os títulos do governo existem como instrumento de política monetária e fiscal. Servem de instrumento para estabelecer a taxa de juros vigente. Também servem de instrumento para poupança daqueles que buscam uma opção de baixo risco.

    O que chamamos de "dívida pública" interna são títulos públicos de posse do setor privado e do próprio setor público. É uma parte importante da poupança nacional. Pense por um instante. Se a "dívida pública" aumentar de 1 trilhão de reais para 2 trilhões de reais de onde surgiu esse dinheiro que permitiu aos detentores dos títulos comprá-los? Estes títulos só podem ser adquiridos com dinheiro já criado por gastos efetuados anteriormente pelo governo. Ou seja, a afirmação de que o governo precisa tomar emprestado da sociedade dinheiro para financiar seus gastos não tem sentido.

    Outro mito é o de que sobrará menos crédito para o setor privado. Dinheiro para financiar empreendimentos é obtido junto aos bancos comerciais, que criam dinheiro do nada ao conceder crédito. Ou advém de poupança. Ou da própria capacidade de gerar lucros de uma empresa. A decisão de qual fonte de recursos usar para investimentos vai depender do retorno esperado do investimento, da taxa de juros vigente, de aspectos tributários dentre outros fatores.

    Afirmar que o governo tem de pagar juros altos por conta do seu "endividamento" é outro mito. Taxa de juros tem relação com política monetária, especialmente com combate à inflação. O Banco Central coloca a taxa básica de juros onde ele quiser, através de operações de mercado. E os juros altos que você paga, que incluem o spread, dependem de vários fatores, entre eles a competitividade entre os bancos, os níveis de inadimplência, as garantias dadas ao banco e seu próprio histórico de credito. Na realidade quando o governo efetua gastos ele pressiona a taxa de juros para baixo. É necessária uma atuação coordenada entre Tesouro e Banco Central para manter a taxa de juros na meta.

    E a dívida dos nossos netos? É dívida ou poupança? Quando alguém adquire um título do governo ocorre uma troca de depósitos a vista para uma conta de poupança. No vencimento esta troca é desfeita e o governo credita o rendimento da mesma forma como faz qualquer pagamento. A temida "dívida pública" é predominantemente poupança do setor privado. O que afeta a riqueza dos nossos netos é a futura capacidade da economia de produzir os recursos físicos, produtos e serviços que atendam as suas necessidades. Boa parte desta riqueza depende de investimentos feitos no presente.

    Isso significa que o governo deve gastar sem limites? Significa que o governo é eficiente? Claro que não. É indiscutível que o estado brasileiro precisa de um choque profundo de gestão em todas suas dimensões: redução do tamanho, eliminação da corrupção e dos privilégios, melhoria da qualidade dos serviços e criação de um ambiente que favoreça a atividade empreendedora incluindo redução da burocracia, redução dos impostos, a estabilidade da moeda e a proteção à propriedade privada.

    O governo, pela própria capacidade de criar dinheiro do nada ao efetuar seus gastos, tem enorme poder. Cabe a sociedade criar as instituições e os mecanismos necessários para assegurar que o governo efetue seus gastos com responsabilidade. E o Brasil tem um enorme dever de casa. Isso inclui a discussão do próprio tamanho do governo. Mas esta discussão é política.
  • Imoral  08/02/2019 11:04
    Muito bom texto.
    No final das contas, este arranjo desenhado é imoral e apenas os libertários insistem em dizer que "o rei está nu".


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.