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Produtos importados baratos são tão prejudiciais à economia quanto a gratuita luz do sol
Quando o tema é protecionismo, nada mudou nos últimos séculos

Em meados dos anos 1800, o governo francês impôs tarifas de importação a uma enorme variedade de produtos, que iam desde agulhas até locomotivas. A intenção era proteger as indústrias francesas dos concorrentes estrangeiros mais eficientes, os quais eram capazes de produzir e vender aos franceses produtos mais baratos do que os similares produzidos nacionalmente.

À época, o economista francês Frédéric Bastiat publicou uma satírica proposta ao governo francês (a qual se tornou tão famosa, que hoje é conteúdo obrigatório em vários livros-texto de economia e comércio internacional) intitulada Petição dos fabricantes de velas.

Seu texto sarcástico tinha por objetivo ajudar os parlamentares franceses a entender que o protecionismo e o mercantilismo não só não podem transformar um país em uma potência econômica, como ainda encarecem a produção, aumentam todos os preços e criam várias ineficiências.

A seguir, uma versão encurtada e editada do clássico ensaio econômico de Bastiat:

Petição dos fabricantes de velas, candeias, lâmpadas, candelabros, lanternas, corta-pavios, apagadores de velas, e dos produtores de sebo, óleo, resina, álcool, e em geral de tudo relativo à iluminação.

Aos membros da Câmara dos Deputados.

Cavalheiros:

Sua principal responsabilidade é para com os interesses do produtor. Os senhores desejam protegê-lo da competição estrangeira e reservar o mercado doméstico para os produtores nacionais.

Estamos sofrendo a intolerável concorrência de um rival estrangeiro, o qual possui uma vantagem competitiva tão incrivelmente superior no que diz respeito à produção de luz, que ele consegue inundar nosso mercado doméstico com esse produto a um preço impressionantemente baixo.

No momento em que ele fornece seu produto, nossos consumidores nos abandonam e correm para esse nosso rival, e assim uma importante indústria nacional com inúmeras ramificações é deixada completamente estagnada.

Este rival, que vem a ser ninguém menos que o sol, faz-nos uma concorrência tão impiedosa, que suspeitamos ser incitado pela pérfida Inglaterra (boa diplomacia nos tempos que correm!), visto que o mesmo tem por aquela esnobe ilha uma condescendência que se dispensa de ter para conosco.

Pedimos-vos encarecidamente, pois, a gentileza de criardes uma lei que ordene o fechamento de todas as janelas, clarabóias, frestas, gelosias, portadas, cortinas, persianas, postigos e olhos-de-boi; numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das meritórias indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país — um país que, por gratidão, não deve nos abandonar agora em prol de tão desigual concorrência estrangeira.

Se os senhores impedirem ao máximo todo o acesso à luz natural, criando assim uma demanda por luz artificial, qual indústria francesa não se sentirá estimulada? Qual indústria francesa não será beneficiada por tal protecionismo?

Se mais sebo for consumido, terá de haver mais gado bovino e ovino; e, consequentemente, ver-se-á multiplicarem-se as pastagens, a carne, a lã, o couro e, sobretudo, o estrume, que é o alicerce de toda a riqueza agrícola.

Se mais óleos forem consumidos, estaremos estimulando a cultura da papoula, da oliveira e do nabo. Estas plantas ricas e erosivas oportunamente nos permitirão aproveitarmo-nos da crescente fertilidade que o rebanho adicional trará às nossas terras.

Nossas terras áridas serão cobertas com árvores repletas de resina. Numerosos enxames de abelhas recolherão, nas nossas montanhas, tesouros perfumados que emanam das flores - as quais hoje desperdiçam suas fragrâncias no ar desértico.  Não haverá, pois, um único ramo da agricultura que não se beneficiará enormemente de tal política.

As mesmas observações se aplicam à industrial naval. Milhares de barcos seguirão para a pesca da baleia e, em pouco tempo, possuiremos uma marinha digna de manter a honra da França e de atender às aspirações patrióticas de seus peticionários, os abaixo-assinados fabricantes de velas e outros.

Apenas tenham a bondade de refletir, cavalheiros, e os senhores se convencerão de que talvez não haja nenhum francês, desde o rico dono de carvoaria ao mais humilde vendedor de fósforos, cuja vida não será melhorada por essa nossa petição.

Dado que os senhores cavalheiros já rejeitam o carvão, o ferro, o trigo e os têxteis estrangeiros pelo fato de seus preços serem baixos, que inconsistência seria permitir a luz do sol, cujo preço é zero, durante todo o dia!

Lições econômicas

1. Se você não se opõe a receber a luz do sol gratuitamente, então você também não pode se opor a ter ao seu dispor produtos estrangeiros baratos e de qualidade, sejam eles produzidos na China, na Alemanha, no Vietnã ou no México. Não faz nenhum sentido econômico dizer que o fato de a população do país poder importar produtos mais baratos do que os similares nacionais é algo deletério.

2. Se você não se opõe ao fato de o sol "despejar", todos os dias, luz gratuita na nossa economia, então você não deveria reclamar dos produtores estrangeiros que estariam "despejando" mercadorias baratas na nossa economia, a preços supostamente abaixo do custo de produção.

3. Vamos supor que o sol só seja capaz de nos fornecer luz gratuitamente porque os "habitantes do sol" subsidiam a produção de luz naquela estrela. Se você não se opõe que a luz do sol seja disponibilizada de graça devido ao fato de alguém subsidiar essa produção, então você não deveria ser contra o fato de mercadorias estrangeiras serem oferecidas de forma barata para você por causa de subsídios fornecidos pelos governos daqueles estrangeiros. Se eles querem pagar mais impostos apenas para poder vender a você produtos mais baratos, simplesmente aceite tão generosa oferta.

4. Se você não seria tolo ao ponto de acreditar que o sol está roubando nossos empregos, prosperidade e riqueza ao nos fornecer luz gratuita, igualmente não deveria ser tão tolo ao ponto de pensar que a China está roubando nossos empregos, prosperidade e riqueza ao nos fornecer produtos baratos.

5. Se você não se opõe ao fato de o sol nos fornecer uma enorme quantidade de luz gratuita sem que, em troca, "seus habitantes" comprem de nós qualquer produto fabricado aqui no país, então você também não deveria se opor ao fato de os cidadãos do nosso país comprarem (importarem) mais produtos do exterior do que vendem (exportam).

O medo da abundância

A força ideológica mais poderosa na defesa do protecionismo é o temor de que, com o livre comércio — isto é, com as pessoas podendo comprar coisas baratas do exterior —, haverá poucos empregos para os trabalhadores na economia doméstica.

Mas, ora, o que seria esse temor senão o medo de que o livre comércio irá gerar uma abundância tão plena, que ninguém mais terá de trabalhar para produzir? O que seria esse temor senão a noção de que, com o livre comércio, todos os desejos da humanidade seriam tão completamente satisfeitos, que chegaremos ao ponto em que não mais seremos úteis em fornecer bens e serviços uns aos outros?

O temor do cidadão comum em relação ao livre comércio se baseia em um entendimento completamente equivocado em relação à realidade do mundo. É um temor de que nós humanos (ou pelo menos os humanos de um determinado país) estamos no limiar de abolir a escassez e, consequentemente, de transformar o mundo (ou ao menos o nosso país) em um ambiente de superabundância.

Por isso, o protecionismo é uma política baseada no calamitoso e errôneo temor de que um dos maiores problemas enfrentados pelos seres humanos não é a escassez, mas sim a superabundância. O protecionismo é a política implantada para criar escassez e para impedir a abundância. Tal política é destruidora do padrão de vida humano. Não há meias palavras.

Conclusão

Quando o governo impõe uma sobretaxa aos produtos importados, o consumidor é o maior perdedor. O encarecimento artificial dos produtos importados significa que os produtores nacionais estarão agora livres e despreocupados para elevar seus preços e reduzir a qualidade de seus produtos. Como não há mais concorrência estrangeira a quem os consumidores nacionais recorrerem, estes agora são obrigados a pagar mais caro por bens nacionais de qualidade mais baixa.

Com o protecionismo, o intuito do governo é proteger as empresas nacionais e blindá-las contra os desejos dos consumidores — principalmente dos mais pobres, que ficam sem poder aquisitivo para comprar produtos bons e baratos feitos no exterior.

Pior: quando a população é obrigada a comprar produtos nacionais artificialmente mais caros, sobra menos dinheiro para investir ou gastar em outros setores da economia, como lazer, alimentação, educação, vestuário, o que acaba reduzindo o emprego e a renda nestas áreas.

Consequentemente, a capacidade de consumo e de investimento da população torna-se artificialmente reduzida. Isso é um desastre para todos, só que se manifesta mais intensamente sobre os mais pobres, que, além de não poderem comprar bens mais baratos do estrangeiro, tornam-se obrigados a bancar os grandes industriais.

Por isso, Frédéric Bastiat ensinava "Sempre trate todas as questões econômicas do ponto de vista do consumidor, pois os interesses dos consumidores são os interesses da raça humana".

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Leia também:

Como o capitalismo e a globalização reduziram os preços e trouxeram progresso para todos

A abertura comercial é imprescindível para o crescimento econômico - e isso não é folclore

Defender o protecionismo é defender a escassez - defender o livre comércio é defender a abundância

28 votos

autor

Mark Perry
é pesquisador do American Enterprise Institute e professor de economia e finanças na Universidade de Michigan.

  • JOSE F F OLIVEIRA  06/11/2017 14:25
    Como diz o ditado: Proteção desprotege !
  • Bernardo  06/11/2017 14:26
    Sugestão aos que desejarem reproduzir a brilhante carta de Bastiat: favor antes deixarem claro que se trata de material satírico. Caso contrário, é bastante provável que algum político bananense a leia e se torne convencido por tão embasados argumentos que decida criar uma lei impondo o total bloqueio do sol.
  • Rigby Wilde  06/11/2017 14:43
    Bolsonaro deveria ler isso
  • Luiz Rocha  07/11/2017 18:24
    Caro Rigby,

    Bolsonaro já deu diversas declarações favoráveis a um comércio internacional mais livre.
  • Nordestino Arretado  07/11/2017 21:38
    Nunca vi, eu só o vi falar sobre EUA e Israel, e só. Não sei por quê os conservadores o bajulam tanto, o cara não sabe falar uma frase sem entrar em contradição. O cara fala que é a favor do livre mercado, mas acha que empresas estatais devem ser vendidas aos brasileiros; reclama que chineses e haitianos estão tomando empregos de brasileiros, e que o nióbio é vendido a preço de banana. É um Trump tupiniquim.
  • L Fernando  07/11/2017 23:47
    Vamos de Ciro, Alvaro Dias, Lula, etc então
    A vantagem do Bolsonaro é que seria muito menos intrometido na economia reguladora
    Seria dois passinhos para frente e no máximo 1 para trás
  • Igor  08/11/2017 15:21
    O nióbio que o diga...
  • Nordestino Arretado  08/11/2017 17:02
    Vote como quiser, o meu voto é nulo mais uma vez.
  • Samuel  19/02/2018 20:29
    Mais uma vez, meu caro, sua decisão, não resolverá o crítico problema em nosso país...
  • Eduardo Queiroz  16/06/2018 13:24
    Nordestino Arretado, o caciques da política adoram quando há muitos votos nulos. É a certeza de pouca renovação no Congresso. Ficam os mesmos.
  • William  06/11/2017 15:02
    Outro clássico de Bastiat é o ensaio da "estrada de ferro negativa".

    Quando propuseram uma nova ferrovia ligando a França à Espanha, a cidade francesa de Bordeaux fez lobby pedindo que houvesse uma interrupção na ferrovia naquela cidade, para que todos os passageiros tivessem de desembarcar e embarcar em outro trem. Ao obrigaram os passageiros a parar na cidade para trocar de trem, eles gastariam dinheiro ali e isso "traria lucros para todos os negócios da cidade".

    Utilizando o reductio ad absurdum, Bastiat fez uma proposta: se uma interrupção na linha fornece benefícios econômicos e gera empregos para uma cidade, servindo ao "interesse geral do povo", então o ideal seria fazer interrupções em absolutamente todas as cidades francesas por onde passam estradas de ferro, até chegar ao absurdo de haver uma ferrovia formada inteiramente por trilhos interrompidos, o que equivaleria a uma "estrada de ferro negativa".

    A lógica é absolutamente a mesma para "subsídios a empresas estratégicas" pelo BNDES e protecionismo para, por exemplo, montadoras.
  • Capital Imoral  06/11/2017 15:04
    Leandrinho do rock e as narrativas econômicas.

    A ciência econômica, assim como outras ciências, se propõe a compreender a realidade e torná-la visível para os leigos. Durante a história do socialismo, houve grandes economistas como: Nikolai Kondratiev, Mikhail Tugan-Baranovsky, Wassily Leontief, entre tantos outros que defenderam a verdade econômica. Todos tinham em comum o fato de defender o socialismo pois socialismo e verdade são inseparáveis. O que quero dizer com tudo isso? Quero dizer que a principal mentira atualmente são as chamadas narrativas econômicas, cujo o único objetivo é defender o injustificável, ou seja, o capitalismo de livre mercado.

    Narrativas econômicas.
    Um exemplo bem claro de narrativa econômica foi a curva de Laffer. O conceito acabou popularizando em 1978, com o artigo do jornalista americano Jude Wanniski. Seu texto retratava um jantar entre Laffer e dois figurões do alto escalão do governo americano. Em um guardanapo de pano, Laffer teria desenhado seu diagrama que representava uma ideia simples: com uma tributação de 0% sobre a renda o governo não arrecadaria. Com uma tributação de 100%, também não. Afinal, as pessoas não trabalhariam caso toda sua renda fosse tomada pelo governo. Wanniski sugeriu que os EUA se encontravam no lado direito da curva e que o corte de impostos traria novo fôlego à economia americana. O curioso é que tal afirmação não tinha base estatística alguma, pelo contrário, economistas proclamavam que se tratava de uma falácia.

    Era apenas um homem desenhando em um guardanapo e um jornalista criando uma narrativa deste desenho.

    O que aconteceu posteriormente foi um avanço gradual da agenda neoliberal através das falsas narrativas econômicas. O que antes era restrito somente às universidades e ao governo, tornou-se algo em que qualquer instituto meia boca - vide instituto Mises - pudesse meter o bedelho. Com que direito? Por acaso este instituto é melhor que a USP? acho que não.

    Leandrinho do rock e os gráficos do Banco Central
    Como o Brasileiro é um povo inculto, logo ele fica abobalhado diante de um gráfico e um textão na internet. Todos artigos do Leandrinho trabalham com essa técnica; O primeiro passo é criar uma falsa narrativa de que as causas de nosso problemas foi o controle governamental e não, justamente, o boicote do capitalismo, que não quis colaborar. Sim! O livre mercado sempre tentou derrubar a República porque eles não gostam do Socialismo. Portanto, ele pega um gráfico - sem pedir permissão - e cria qualquer narrativa que irá pôr como culpado "as intervenções estatais na economia." Claro que a conclusão tem que ser algo digno de jornal sensacionalista:"Vamos perecer! Vamos perecer!", afirma o gordinho. Sim, estamos perecendo, só não está perecendo a pança desse gordinho neoliberal. O que ele faz é pegar gráficos e criar narrativas assim como Jude Wanniski.

    Conclusão
    Até quando o Brasil será vítima do "Fake economic"? Não podemos aceitar que qualquer pessoa venha na internet e crie essas falsas narrativas que podem desestabilizar a república. Leandrinho deveria ser preso porque ele está tentando desestabilizar a república do Brasil. A coisa ficou tão suja, tão imunda, que até mesmo o moleque do Raphael Ride a Bike está dando pitacos sobre a economia do Brasil. Quem é esse cocô para vim falar de economia no Brasil? Vá fazer uma faculdade, muleke. Decore todos keynesianos e socialistas antes de dar pitacos na internet. Deveriam criar um projeto de lei que regula quem pode ou não falar de economia na interneta. Irei propor este projeto de lei para meus amigos no congresso.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Bubble Observer  06/11/2017 18:49
    "Já refutou Mises" !!?

    Modéstia pouca é bobagem, kkkkk
  • Titã  06/11/2017 23:55
    Opa! Se esse Leandrinho aí é do rock, então já me amarrei no som dos caras do "Fake economic". E se for pauleira, a galera toda vai vidrar no som.

    Manda esses russos fazerem balé, ou escreverem romances, porque pelo que eu saiba, rock não é muito a praia deles.
  • carlos miranda  07/11/2017 19:50
    Só pode estar zuando kkk troll
  • Gabriel Vinícius  09/11/2017 15:58
    Sempre perco meu tempo pra ler os comentários do Capital Imoral. Figuraça sempre marcando presença aqui no site...

    "Capital Imoral é escritor, filósofo e já refutou Mises". Já li isso umas seiscentas vezes e sempre que leio, rio como se fosse a primeira vez...
    Pelo menos tamanha palhaçada traz algum humor em todas suas contradições para os tempos sombrios em que vivemos. Como no artigo mises.org.br/Article.aspx?id=2798 , em seu subtítulo, "Quando não estão matando, comunistas são uma comédia de erros".
  • Dúvida  06/11/2017 15:10
    Se eu quiser comprar produtos baratos chineses em vez do lixo produzido pela FIESP, por que devo ser proibido disso? Qual a justificativa lógica e moral para tamanho autoritarismo?
  • Nordestino Arretado  06/11/2017 21:59
    Segundo os neocons você está patrocinando o autoritarismo chinês ao comprar produtos chineses.
  • Ricardo  06/11/2017 15:14
    Dúvida: E o que acontece caso as empresas brasileiras percam toda a demanda para as empresas do exterior, consequentemente indo a falência, que por acaso também leva ao desemprego dos empregados daquela indústria?
    A população vai gastar menos com produtos estrangeiros, porém, como lidar com a perca da renda?
    Essa é uma das coisas que ainda me deixa com pé atrás em relação ao livre mercado.
  • Amorim  06/11/2017 15:40
    "E o que acontece caso as empresas brasileiras percam toda a demanda para as empresas do exterior"

    1) Para começar, isso é factualmente impossível. Não tem como empresas estrangeiras exportarem para cá serviços, por exemplo. Igualmente, não há como exportar para cá produtos de baixo valor agregado. Só o preço do frete inviabilizaria tudo.

    2) Entretanto, se realmente não há uma mísera indústria nacional capaz de fornecer produtos bons e baratos, então isso é uma inquestionável evidência de que tal setor é uma porcaria e merece ir à falência. Quem não sabe produzir absolutamente nada que preste tem mais é que fechar as portas, parar de queimar capital e liberar recursos escassos a serem aproveitados em outros setores.

    3) Não só a teoria com também a empiria comprovam: quanto mais livre comércio, mais empregos e mais renda. E a lógica é direta.

    Quando as importações "baratas" expulsam do mercado aqueles produtos nacionais mais caros ou de menor qualidade, os consumidores nacionais ficam com mais dinheiro. Tendo acesso a produtos mais baratos, o total despendido com gastos em consumo diminui. Sobra mais dinheiro ao fim do mês.

    Com mais dinheiro sobrando, as pessoas podem ou investir ou gastar mais em outros produtos e serviços. Se você gasta menos comprando bens importados mais baratos, sobra mais dinheiro para você gastar em outros setores da economia. E sobra mais dinheiro para você investir (mesmo que seja aplicando em um CDB de banco, pois esse dinheiro será emprestado para terceiros investirem) e, com isso, gerar empregos em outros setores.

    Com mais investimento e com mais demanda em outros setores, emprego e produção crescem. Consequentemente, a população se torna agora mais rica e com maior oferta de bens e serviços. Trabalhadores demitidos daquelas indústrias ineficientes que perderam mercado para os produtos importados têm agora novas oportunidades em outros setores.

    Veja este quadro que mostra os países que têm a maior abertura comercial de acordo com a pontuação (de 0 a 100) — estabelecida pelo Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation — e a taxa de desemprego de cada um deles para o ano de 2015.

    Uma análise mais extensa indica que os países mais abertos ao comércio internacional não apenas não têm problemas de emprego, como também são, em média, 5 vezes mais ricos do que aqueles que decidem impor travas e barreiras à liberdade de seus cidadãos de importarem bens do exterior.

    "A população vai gastar menos com produtos estrangeiros, porém, como lidar com a perca[sic] da renda?"

    Que "perda da renda"? Ocorre exatamente o contrário: aumento da renda.

    O protecionismo, este sim, reduz artificialmente capacidade de consumo e de investimento da população. Com menos capacidade de investimento e de consumo, haverá menos lucros e menos empregos por toda a economia.

    Consequentemente, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos à custa de empregos de alta produtividade em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas.

    Logo, toda a economia se torna mais ineficiente, a produção diminui, os preços médios aumentam, e os salários reais caem.

    Adicionalmente, tarifas protecionistas também afetam as empresas domésticas que precisam importar bens de capital e maquinários modernos para incrementar sua produtividade e, com isso, fabricar produtos melhores e mais baratos. Tarifas as obrigam a pagar mais caro por seus insumos ou então a comprar insumos nacionais mais caros e de pior qualidade.

    Isso reduz sua produtividade e aumenta seus custos. Sendo menos produtivos e operando com custos maiores, essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente.

    Consequentemente — e essa é uma das consequências não previstas do protecionismo —, as exportações também tendem a declinar. E estimular exportações era exatamente uma das intenções do protecionismo.
  • Joao  06/11/2017 18:11
    Amorin,
    parabéns pela resposta clara e didática à pergunta do Ricardo.

    Através de diversos textos deste site já havia compreendido que protecionismo causa atraso e que liberdade econômica possibilita crescimento.

    O que faltava eu entender era como a economia havida com o produto importado mais barato supriria o desemprego decorrente do fechamento das indústrias ineficientes.

    De forma simples e lógica você explicou este processo em um parágrafo:

    "Com mais dinheiro sobrando, as pessoas podem ou investir ou gastar mais em outros produtos e serviços. Se você gasta menos comprando bens importados mais baratos, sobra mais dinheiro para você gastar em outros setores da economia. E sobra mais dinheiro para você investir (mesmo que seja aplicando em um CDB de banco, pois esse dinheiro será emprestado para terceiros investirem) e, com isso, gerar empregos em outros setores. "
  • Hélio  09/11/2017 14:06
    Olá tudo bem?

    Gostaria de pegar o gancho da sua resposta e dizer que há grande qualidade e concordo muito com ela.

    Porém há um fator implícito pouco discutido aqui que é a questão da realidade brasileira que é justamente esse potencial de realocação e qualificação de mão de obra. Nos textos e comentários presume-se que a realocação de profissionais entre os setores (considerando o contexto de que a empresa X faliu porque não conseguiu competir com uma empresa Y que tem produto/serviço de melhor qualidade/menor preço) é uma coisa simples e fácil do mesmo jeito que acontece num país desenvolvido, onde há melhor qualificação de mão de obra e abundância de empregos.

    Permita-me dizer que essa visão é um pouco obscura pra mim. Veja um exemplo, nós temos frentistas nos postos de combustíveis. Obviamente isso encarece o custo do combustível vendido e acredito que hoje poderíamos perfeitamente abolir esse serviço e criar uma cultura de self-service igual acontece nos EUA, sem grandes dificuldades. O problema aqui que vejo é que esses profissionais terão grande dificuldade de se realocar entre os setores porque tem baixa qualificação, e pouca oferta de emprego, do contrário de um país desenvolvido. Ora, se não houver realocação dessa mão de obra com baixa qualificação, então a tese do aumento de renda está equivocada, ou no mínimo, distante da realidade. O mesmo vale para cobradores de ônibus, acredito eu. O que teria a dizer a respeito disso?

    Outra reflexão que gostaria de provocar:

    Se o interesse da globalização fosse realmente um aumento de renda global, que em tese, é um dos objetivos do livre mercado (menor custo/maior renda), então porque não comecemos primeiro pela livre circulação de tecnologia, livre poder de financiamento e livre qualificação de mão de obra? O poder de financiamento, qualificação de mão de obra e tecnologia são globais ou são nacionais?

    Agradeço pela qualidade da discussão, dos comentários e da página por permitir este espaço de troca de idéias.
  • Amorim  09/11/2017 14:25
    "Veja um exemplo, nós temos frentistas nos postos de combustíveis. Obviamente isso encarece o custo do combustível vendido e acredito que hoje poderíamos perfeitamente abolir esse serviço e criar uma cultura de self-service igual acontece nos EUA, sem grandes dificuldades. O problema aqui que vejo é que esses profissionais terão grande dificuldade de se realocar entre os setores porque tem baixa qualificação, e pouca oferta de emprego, do contrário de um país desenvolvido. Ora, se não houver realocação dessa mão de obra com baixa qualificação, então a tese do aumento de renda está equivocada, ou no mínimo, distante da realidade. O mesmo vale para cobradores de ônibus, acredito eu. O que teria a dizer a respeito disso?"

    Mesmíssimo argumento já tantas vezes repetidos para todo e qualquer setor que estava se tornando obsoleto.

    "Se permitirmos o automóvel (mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da indústria de charretes (mão-de-obra pouco qualificada)?"

    "Se permitirmos o computador(mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da indústria de máquinas de escrever(mão-de-obra pouco qualificada)?"

    "Se permitirmos o trator (mão-de-obra especializada), o que vamos fazer com a mão-de-obra da agricultura (mão-de-obra pouco qualificada)?"

    E por aí vai. (Na prática, você seria contra a abolição da figura do ascensorista.)

    Entenda, meu caro, que essa é a dinâmica da economia. Setores obsoletos são substituídos por setores mais modernos. É absolutamente inevitável que a mão-de-obra dos setores obsoletos seja menos qualificada que a dos setores mais modernos. Com efeito, é exatamente por isso que esses setores e essa mão-de-obra obsoletos são substituídos.

    Dizer que toda a economia deve ser engessada e impedida de progredir simplesmente porque alguns frentistas perderão seus empregos é um recurso meramente emocional, sem qualquer base na lógica. Na prática, você está dizendo que frentistas são jumentos que nada mais sabem fazer na vida a não ser enfiar uma mangueira no buraco de um carro. Isso é até preconceituoso de sua parte. Frentistas facilmente podem virar mecânicos ou até mesmo consultores da indústria automotiva. Poucas pessoas entendem tanto de óleos lubrificantes (na prática) quanto eles.

    Logo, o argumento de que eles perderiam renda é simplesmente falso, tanto em termos teóricos quanto empíricos. A história do mundo é a história da evolução dos empregos. Há vários empregos que existem hoje e que nem sequer eram imaginados há 10 anos. E vários empregos que existiam há 10 anos não mais existem hoje. E a maioria dos empregos que existirão no futuro ainda não existem hoje.

    No livro Now You See It, a educadora Cathy Davidson diz que 65% das crianças que estão entrando hoje na escola irão trabalhar em empregos no futuro que ainda nem foram inventados. Querer frear esse progresso em nome da proteção de alguns empregos é uma atitude que, caso tivesse sido seguida lá atrás, ainda hoje estaríamos vivendo no campo e com uma enxada na mão.
  • Hélio  09/11/2017 16:29
    Obrigado pela qualidade da resposta, me convenci de que seu argumento se sustenta melhor.

    No caso, você entende que uma eventual proteção temporária à pessoa (não ao emprego) com dificuldade de realocação, é válida?

    Questionei sobre a globalização pois gostaria de entender o seguinte raciocínio:

    Imaginemos um cenário onde temos um país economicamente muito superior ao nosso e que pratica políticas nacionalistas/protecionistas contra nós. Como seríamos beneficiados à longo prazo se praticássemos uma política de livre mercado em relação à este país, abrindo mão por exemplo, de riquezas estratégicas como o petróleo?
  • Garcia  09/11/2017 16:43
    "Imaginemos um cenário onde temos um país economicamente muito superior ao nosso e que pratica políticas nacionalistas/protecionistas contra nós."

    Isso, por si só, já é uma contradição prática. É impossível de ocorrer. Se um país pratica o livre comércio e o outro é nacionalista/protecionista, então é impossível que este segundo seja "economicamente muito superior" ao primeiro.

    Tanto é que você não encontra um único exemplo prático disso.

    "Como seríamos beneficiados à longo prazo se praticássemos uma política de livre mercado em relação à este país, abrindo mão por exemplo, de riquezas estratégicas como o petróleo?"

    A pergunta não faz sentido, pois mistura livre comércio (liberdade de importação) com concessão de poços de petróleo. Como assim praticar livre comércio "abrindo mão de riquezas estratégicas como o petróleo"?

    O que eu posso lhe dizer é que o livre comércio unilateral é totalmente benéfico. Se nós temos liberdade para importar barato máquinas da Alemanha, mas a Alemanha tributa nossa exportação de carne, então a minha situação como consumidor melhorou.

    Não só posso agora comprar máquinas excelentes e baratas da Alemanha, como ainda sobra mais carne para mim. Sem poder exportar, a oferta de carne terá de ser desovada no mercado interno, e os preços despencarão. Como consumidor, meu ganho foi duplo e meu padrão de vida se elevou substantivamente.

    Como eu já disse lá em cima, a economia de mercado não é um arranjo para facilitar a vida dos produtores, mas sim dos consumidores. Quem manda são os consumidores e não os produtores. Os produtores simplesmente se adaptam e se viram para satisfazer os consumidores. Se não conseguirem, que caiam fora e vendam seus ativos para empreendedores mais competentes.

    Quem se preocupa com os produtores irá, necessariamente, defender arranjos como os da JBS e da Odebrecht. Eis ali uma política inteiramente voltada para satisfazer produtores, e não consumidores.
  • Hélio  09/11/2017 17:39
    Pelo o que você comenta, então eu não deveria me preocupar com a balança comercial? Se não exportar, é só me voltar pro mercado interno que está resolvido?

    Sobre o exemplo de protecionismo, poderia citar os casos das vendas do super tucano da Embraer que sacudiu os congressistas dos EUA?
  • José  09/11/2017 18:14
  • Felipe  09/11/2017 14:26
    Uma esquerda minimamente racional pensaria em formas de ajudar pessoas que perderam seus empregos, e não em "proteger empregos".

    "Proteger pessoas" é uma coisa (e há até bons argumentos para isso), já "proteger empregos" é algo completamente irracional e anti-prosperidade.

    Deixem os empregos ruins sumirem. Se quiserem ajudar, criem ONGs para ajudar estes desempregados.
  • Donald  09/11/2017 14:27
    Não aceitar o definhamento de determinadas indústrias ou determinados setores da economia é não aceitar que as pessoas mudam suas preferências de consumo.

    Não aceitar essa realidade econômica é querer que alterações nas preferências dos consumidores sejam violentamente reprimidas pelo governo, o qual deve então obrigar as pessoas a, contra a sua vontade, manter suas preferências de consumo eternamente inalteradas apenas para garantir a rentabilidade de determinados setores já obsoletos da economia.

    Com efeito, quais seriam as consequências dessa mentalidade? Dado que as preferências dos consumidores devem ser mantidas inalteradas para que determinadas indústrias e setores da economia durem para sempre, como estaria o mundo hoje caso tal ideia fosse realmente levada a sério?

    Dado que os protecionistas consideram "injusto" os consumidores alterarem suas preferências de consumo, eis algumas perguntas a serem respondidas por eles, começando pela mais básica:

    1) Você quer que o governo gerencie cada alteração na maneira como os consumidores gastam seu dinheiro, ou você acredita que os consumidores devem ser livres para gastar seu dinheiro de qualquer maneira pacífica que eles venham a escolher, sem ter de solicitar a aprovação do governo ou pagar uma penalidade caso gastem seu dinheiro de uma maneira que desagrade aos burocratas e a determinados setores da economia?

    Agora, passemos às mais específicas:

    2) Caso um empreendedor desenvolva um motor mais eficiente e que consome menos combustível, poderia ele livremente colocar este motor à venda no mercado? Poderiam as pessoas livremente adquiri-lo? Isso irá causar desemprego em vários outros setores da indústria automotiva, principalmente naqueles ligados à fabricação de motores tradicionais.

    3) Deveria ser permitido que um novo restaurante fosse aberto na esquina da sua rua? Esse novo restaurante certamente vai afetar as receitas dos restaurantes já estabelecidos, podendo até mesmo gerar desemprego.

    4) Deveriam as pessoas ser livres para escolher suas próprias profissões? Caso o façam, pode haver uma enxurrada de novos entrantes em determinadas profissões, como engenharia mecânica ou enfermagem. E essa maior oferta de mão-de-obra derrubaria os salários dessas profissões.

    5) Deveriam os consumidores ser livres para mudar sua dieta? Tal mudança irá gerar queda de receitas em várias empresas tradicionais do setor alimentício, podendo gerar demissões.

    6) Deveriam os consumidores de um estado ser livres para comprar produtos fabricados em outro estado? Tamanha liberdade poderá gerar desemprego no primeiro estado.

    7) Você é a favor de as mulheres terem liberdade para trabalhar? Isso não apenas eliminou alguns empregos para homens e adolescentes, como também pressionou os salários para baixo em decorrência da maior oferta de mão-de-obra.

    8) O livre trânsito de pessoas dentro das fronteiras de um país deve ser permitido? Quando pessoas migram em massa de uma região para outra, ou mesmo do campo para a cidade, isso gera grandes distorções econômicas em ambas as regiões.

    9) Deveriam os consumidores ser livres para comprar carros usados? Deveriam eles ser livres para permanecer com um mesmo carro pelo tempo que quiserem? Ao fazerem isso, eles estão reduzindo a demanda por carros novos domesticamente produzidos. Isso pode gerar queda nas receitas e desemprego na indústria automotiva.

    10) Deveriam os consumidores ser livres para comprar roupas de varejistas especializados em vender vestuário de segunda mão? Tamanha liberdade significará menor demanda tanto para a indústria de vestuários novos quanto para todo o setor varejista que vende apenas roupas novas.

    11) Deveriam as pessoas ser livres para comprar máquinas de lavar roupa, ferros elétricos, aspiradores de pó e lava-louças? Esses produtos acabaram com os empregos de várias empregadas domésticas.

    12) Deveriam as pessoas ser livres para comprar e-books? Isso afeta o mercado de impressoras e de editoras, além de reduzir o número de balconistas de livrarias.

    13) Deveriam as pessoas ser livres para consultar aplicativos (gratuitos!) de meteorologia em seus smartphones? Esses aplicativos estão reduzindo enormemente a demanda por meteorologistas humanos no rádio e na televisão.

    Por fim, por que deveríamos permitir qualquer uma dessas liberdades de consumo e tolerar tamanha concorrência econômica sem antes mensurar empiricamente os ganhos e perdas gerados por essa liberdade e por essa concorrência?

    Deveríamos permitir tamanha liberdade e concorrência apenas caso seja comprovado empiricamente que seus efeitos "distributivos" serão do nosso agrado?
  • de Soto  09/11/2017 20:05
    Sobre a globalização e a tecnologia:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1957
  • Daniel  06/11/2017 15:43
    No mundo real, há exemplos explícitos de países que, sem nenhum protecionismo, se tornaram grandes potências industriais: Hong Kong e
    Cingapura, por exemplo, se industrializaram -- e fortemente -- com tarifa de importação zero.

    Aliás, a própria Suíça -- fortemente industrializada -- tem tarifas de importação baixíssimas para produtos industriais. Lá, eles tributam coisas agrícolas, mas não industriais.

    O mesmo é válido para Alemanha.
  • Economista  06/11/2017 15:49
    Se a "indústria nacional" não consegue competir com produtos importados de qualidade, então essa porcaria tem mais é que sumir mesmo. Aqui no Brasil, "indústria nacional" é sinônimo de lobby, subsídios, e protecionismo. Ótimo arranjo para quem está dentro (grandes empresários e sindicatos), e péssimo arranjo para quem está fora (todos nós).

    Não houvesse essa tal "indústria nacional", teríamos muito mais liberdades para importar coisas, pois não haveria tarifas para proteger essa porcaria.
  • Humberto  06/11/2017 15:52
    O brasileiro quer a quadratura do círculo: indústrias grandes e protegidas pelo governo, e produtos baratos e de qualidade.

    "Ainn, quem vai proteger os empregos que serão perdidos na FIESP?"

    Caguei para os empregos da FIESP. Essa gente que vá arrumar outro meio de vida. Que direito elas têm de destruir meu padrão de vida me proibindo de comprar produtos bons e baratos do exterior apenas para garantir os altos salários de seus sindicatos?

    Até onde sei, nenhuma economia se desenvolveu querendo "proteger empregos". Se essa ideia estúpida tivesse prosperado lá atrás, não haveria nem carros (que acabou com empregos na indústria de carroças), nem computadores (que acabou com empregos na indústria de máquinas de escrever), nem luz elétrica (que acabou com empregos na indústria de velas), nem internet (que certamente foi a maior destruidora de empregos da história), nem smartphones (que a acabou com a indústria de telefones fixos e de celulares obsoletos) nem praticamente nada de moderno que existe hoje.

    Tampouco alguma economia prosperou dando reserva de mercado e obrigando sua população a comprar coisas caras e ruins -- o que acaba com a renda disponível e, consequentemente, impede o progresso de outros setores da economia.
  • Dave  06/11/2017 19:16
    Achei bem pertinente a pergunta do Ricardo, também tenho esta duvida, e na boa, Amorim, você só falou o que a maioria de nós sabe sobre liberdade econômica, não descordo do que falou, porém ao meu ver, você não respondeu a pergunta do Ricardo.
  • Matthews   06/11/2017 19:42
    Não? Pois eu achei bem completa e abrangente. Irretocável, aliás. Entretanto, qual parte das respostas do Amorim, do Daniel, do Economista e do Humberto você não entendeu ou achou incompletas? Apresente as falhas lógicas e teóricas das respostas deles e refute-as seus contra-argumentos. Mostre do que você "descordou" [sic].
  • anonimus  07/11/2017 10:20
    O Dave tá falando sério?
  • Cristian Rahmeier  08/11/2017 01:53
    Em um país de primeiro mundo, o predominante na economia é o setor de serviços, não que a indústria na nacional tenha diminuído, mas com um país mais livre outros setores começam a florescer e o emprego aumenta. Exemplo, 100.000 pessoas que não tinham condições de comprar um carro no Brasil resolvera comprar carros importados (sem impostos), alguém vai ter de trazer estes carros até você,quantos empregos serão gerados para entregar estes carros, o setor de serviços terá mais 100.000 veículos na rua que terão de trocar os pneus, lavar, mecânico, peças, alguns vão bater e terão de ir a oficina, vão comprar produtos para personalizar, vão gastar mais sabão, combustível, viajar com o dinheiro que economizou com a compra do carro mais barato, movimentando o setor turístico, ou dar de entrada numa casa nova, que vai movimentar o setor de construção e, por conseguinte, os materiais de construção. Enfim, é impossível que tudo tenha de ser importado e o que for importado vai gerar ainda mais empregos, não menos empregos. Quando um país é mais livre as exportações aumentam, não diminuem. Se é mais fácil importar, os produtos nacionais ficam mais baratos para serem produzidos e terão mais condições de concorrer com produtos de outros países. Deficit comercial não significa que o país está exportando menos, pode ser que esteja importando mais, o que é muito diferente. O país que importa mais cresce mais.
  • Mr. Webster  06/11/2017 20:27
    "Perca da renda" é tenso!

    De doer os olhos. Deve ser por isso que o cidadão ainda tem restrição ao livre comércio.
  • Renegado  06/11/2017 15:29
    Havia encomendado um produto químico, importado da China, para uma aplicação industrial totalizando 2 kgs do material em questão. Fornecedor enviou a um custo 0 (zero), pois trata-se de desenvolvimento. Quando chegou no brasil (minúsculo mesmo), o mesmo não foi liberado sem antes pagar a quantia de R$ 288,27 referente a taxa de importação; R$ 157,44 de ICMS, R$ 51,26 de desembaraço alfandegário e R$ 4,62 de reembolso da infraero totalizando assim R$ 501,59. Essas taxas foram baseadas em um valor arbitrário de R$ 480,45 / kg. Porém na realidade, tal material não chega a custar R$ 15,00/Kg.
    Nestas horas eu percebo que o brasil não tem como dar certo com o tamanho do estado atual.
  • Empreendedor Frustrado  06/11/2017 15:55
    Estava procurando uma certa câmera reflex na internet, e deu assim:

    Ebay: U$ 300,00.
    BR: R$ 5.000

    Também já pensei em abrir um negócio focado na fabricação de clones de Arduino e shields em geral, alguns que eu projetei e não existem, embora haja uma demanda enorme, mas graças ao nosso glorioso, mais que soviético e draconiano imposto de importação de 60%+ICMS local, o capital inicial requerido para o meu negócio seria altíssimo, e olha que nem considerei as etapas burocráticas e registros que não tenho a mínima ideia do que precisaria ser feito para a coisa ser "legal".

    Como o negócio estaria iniciando, eu venderia os produtos com preços bem menores. De fato, se fosse possível importar tudo de Shenzhen sem impostos, mesmo com o câmbio no patamar atual, o custo individual seria irrisório, mas enfim.

    Sem essas amarras, eu poderia complementar a minha renda trabalhando para mim mesmo. O governo se intrometeu e quer ser o meu sócio de qualquer maneira.

    E cobra caro, muito caro por isso.

    Estatistas não fabricam, e se forem importar, pagam as taxas de boa fé "em nome da proteção da indústria nacional", e da destruição da iniciativa de quem queria começar a fazer dinheiro e vender produtos a preços mais realistas.

    Foda-se o Estado, porque desde que comecei a pesquisar sobre liberalismo, estou convicto como rocha de que contrabando é autodefesa.
  • Renegado  06/11/2017 18:23
    Esse seu relato é de apenas um potencial empreendedor que notou a inviabilidade de um negócio devido ao sócio compulsório governo (sócio só na hora do lucro, onde o ônus da empreitada é somente seu). Quantos empregos você poderia ter gerado, melhorando assim a sua qualidade de vida, bem como, a de outras pessoas?

    Mais importante, quantas empresas deixam de investir no brasil, justamente por constatar a intromissão/extorsão do estado que você constatou?

    Somando-se as outras incertezas que sempre se tem comentado por aqui (regulamentações, burocracia, leis trabalhistas, incerteza do regime e etc) é que podemos concluir que o cara que abre uma empresa neste país tem que ter estômago muito forte.

    A situação deste país é desanimadora...
  • Nordestino arretado  07/11/2017 19:04
    Concordo com o empreendedor frustrado, há algum tempo atrás eu estava planejando montar um varejo de equipamentos de áudio de alta performance importados, mas o negócio ficou impraticável: Além dos produtos serem caros por natureza (claro são produtos de nicho e não é qualquer um que usa produtos assim), teve a desvalorização do real que implicou em custos maiores de compra, a famigerada taxa de importação e os outros impostos. Não dá para competir com tantos custos assim, mesmo com esforços de marketing, vendas diretas e especializadas, padrão elevado de atendimento e prestação de outros serviços relativos ao produto, o custo acaba permanecendo demasiadamente alto e lucros muito baixos tornam a atividade decepcionante. Empreender neste país é assinar o atestado de loucura, e pior ainda se for trabalhar com importados.
  • Anti-Estado  06/11/2017 15:55
    Cara, seu relato parece ter sido imaginado por H. P. Lovecraft: um pesadelo!
  • Marcelo   06/11/2017 16:05
    Isso não é nada. Como já disse antes em outro artigo, o meu ramo, oftalmologia e optometria, é protegido para ninguém, pois não tem fabricantes nacional. Mas as tarifas de importação são violentas.

    Precisei comprar um oftalmoscopio wellch&allyn. Nos EUA, 300 dólares; aqui 3.200 reais.

    E não existe um mísero fabricante nacional. A proteção se dá para os fornecedores de peças de reposição da indústria de ótica.

    Um autorefrator que custa 2.500 dólares nos EUA chega a 35 mil reais no Brasil. Comprei o meu seminovo por 15 mil reais com um ano de uso de um amigo que fechou o consultório.

    Parece que o objetivo é lascar quem tem problemas de visão porque não vejo razão minimamente racional pra fazerem isso.
  • Anti-Estado  06/11/2017 16:49
    Meu pai é médico ultrassonografista. Há alguns anos ele e a clínica em que trabalha compraram um aparelho importado novo. Só para resumir: o desembaraço demorou absurdos 2 anos, eles pagaram outros absurdos 300% de impostos e entregaram o aparelho quebrado e já obsoleto. Mas tudo isso é para nos proteger dos capitalistas satânicos!

    Um colega de trabalho ganhou, repito, GANHOU, repito novamente, AO CUSTO DE R$ 0,00 (zero reais), 3 CD's de instalação do Linux. A receita, em sua inacreditável criatividade maligna, taxou o coitado em 60% com base no preço do Windows. Qual a lógica disso?
  • Renegado  06/11/2017 18:28
    Esse negócio de "taxa de importação para proteção da industria nacional" é no mínimo uma piada. O negócio é taxar tudo, mesmo que não se produza o respectivo material no Brasil, aí se alguém questionar, a resposta demagógica está pronta: Essa taxa é para a proteção de empregos e indústria nacional. Politicamente convincente e agrada o eleitorado...
  • Anônimo  06/11/2017 15:45
    No fundo, tudo é uma questão de lógica pura: na prática, quem diz que protecionismo gera potência industrial está, na prática, dizendo que reserva de mercado e abolição da concorrência é exatamente o que faz algo prosperar, se modernizar e se tornar pujante.

    Na prática, está dizendo que economia fechada e reserva de mercado é o que cria pujança e prosperidade. Atentado à lógica.

    Para a piorar a situação dos protecionistas, vale lembrar que o Brasil já é um país completamente fechado e protecionista desde que foi descoberto em 1500. Por favor, citem um único período do país em que tivemos tarifa de importação zero. Aliás, facilito: citem um único período que tivemos baixas tarifas de importação.

    Temos a economia mais fechada entre os países sérios, e nada de a indústria progredir e ficar pujante.

    Logo, quem deve explicações são os protecionistas. A teoria que eles defendem -- "economia protecionista gera indústria pujante" -- é aplicada no Brasil desde 1500. E nada de ela finalmente se comprovar. Até quando você esperar? 517 anos não bastam?

    Pela lógica protecionista, era para o Brasil (muito mais fechado e protecionista que EUA e Europa) ter uma indústria pujante e competitiva. Por que isso não ocorreu? Pois é.

    Algum dia espero que essa gente finalmente entende que protecionismo nada mais é que uma desculpa, disfarçada de teoria econômica, para proteger os lucros e as reservas de mercado do grande baronato industrial nacional. Quem defende protecionismo está a soldo da FIESP.
  • 4lex5andro  12/12/2017 16:38
    Bom post. No primeiro parágrafo vêm a lembrança a Alemanha Oriental, se seu protecionismo fosse bom, em Frankfurt se andaria de Trabant.

    Só o link dos "20 maiores países 'sérios'", poderia ser renomeado pra "países do g20, ou maiores economias do mundo".
  • Miscelânia  06/11/2017 15:47
    "O protecionismo é a maior política de apartheid econômico já inventada: apenas os ricos podem ter bens, que são caros. Os pobres ficam sem nada."
  • Bastiat do sertão  06/11/2017 15:50
    Eu acho que tudo tinha que ser de graça, igual ao Sol.

    Esse negócio de ter que pagar é muito ruim. Ninguém precisa pagar pro Sol iluminar sua testa.

    Se vc for perguntar para os consumidores, eles não querem pagar, eles querem ter de graça.

    Pra quê livre mercado ? Vamos ficar só com o livre... sem mercado. O mundo é tipo Cocanha...onde tudo é igual ao Sol.

    Pra quê protecionismo ? Pra quê marca ? Pra quê propriedade ? Ninguém é de ninguém.

  • José  06/11/2017 16:10
    Se a China produz um PRODUTO X subsidiado através de seu "BNDS", como um produtor brasileiro irá conseguir produzir e competir em um mercado desequilibrado pelo subsidio adotado pelo outro pais?
    A principio o consumidor irá se beneficiar do preço mais baixo do produto subsidiado mas a longo
    prazo isso pode destruir a industria nacional e deixar o consumidor refém de um monopólio.
    E um parque industria ou uma cadeia de produção não se constrói da noite para dia.
  • Garcia  06/11/2017 16:15
    "Se a China produz um PRODUTO X subsidiado através de seu "BNDS"."

    Aí os chineses estão sendo otários. Estão utilizando seus impostos para subsidiar estrangeiros. E nós, os compradores, devemos agradecer essa gentileza e comprar o máximo possível.

    Nenhum presente barato deve ser recusado. Você recusaria? Eu não.

    Aliás, qual o problema do dumping?

    Em primeiro lugar, mesmo no caso extremo de algum país estar sendo tolo o suficiente para nos ofertar produtos a preços realmente abaixo de custo, o certo seria que corrêssemos para aproveitar tal oportunidade, antes que os bobos de lá caíssem em si.

    Se, por exemplo, a China, por pura extravagância, resolver inundar o mercado brasileiro com calçados bons e gratuitos, deveríamos, como consumidores, agradecer a barganha e aproveitá-la enquanto possível. Enquanto não chegar o dia -- inevitável -- em que as empresas chinesas irão falir e consequentemente cancelar essa política maluca, os 'compradores' e consumidores brasileiros só terão a ganhar com essa oferta generosa.

    Dumping equivale a receber presentes praticamente gratuitos de estrangeiros. Por que isso seria ruim?

    O dumping só prejudica aquele que o pratica; ele sempre beneficia aquele a quem se destina.

    "Como um produtor brasileiro irá conseguir produzir e competir em um mercado desequilibrado pelo subsidio adotado pelo outro pais."

    Isso não é problema do consumidor brasileiro. Você, como consumidor, nunca se preocupou com os custos incorridos pelas empresas que lhe servem (seja ela um restaurante a quilo ou uma loja de roupas). Tudo o que você quer como consumidor são preços baixos e produtos de qualidade.

    A economia de mercado não é um arranjo para facilitar a vida dos produtores, mas sim dos consumidores. Quem manda são os consumidores e não os produtores. Os produtores simplesmente se adaptam e se viram para satisfazer os consumidores. Se não conseguirem, que caiam fora e vendam seus ativos para empreendedores mais competentes.

    Quem se preocupa com os produtores irá, necessariamente, defender arranjos como os da JBS e da Odebrecht. Eis ali uma política inteiramente voltada para satisfazer produtores, e não consumidores.

    "A principio o consumidor irá se beneficiar do preço mais baixo do produto subsidiado [pelos chineses otários]"

    Exato, e fim de papo. Se há otários literalmente pagando para vender produtos baratos para mim, então eu certamente irei aceitá-los.

    "mas a longo prazo isso pode destruir a industria nacional"

    Pra começar, chinês vendendo pano barato para nós dificilmente irá "destruir a indústria nacional". E, ainda que destruísse, isso apenas seria a mais explícita demonstração de incompetência de nosso empresariado.

    Em segundo lugar, de onde você tirou esse ideia de que é necessário haver uma "indústria nacional"? Quem disse isso? Indústria é algo que só deve surgir espontaneamente se houver demanda do consumidor para tal. Se não houver tal demanda, então não deve haver "indústria nacional".

    Ter uma indústria nacional produzindo bens caros e ruins -- e os quais os consumidores não comprariam caso tivessem a liberdade de importar produtos melhores -- é o mais perfeito exemplo de imobilização e destruição de recursos escassos.

    Em terceiro lugar, tanto a teoria quanto a empiria comprovam que a indústria é forte e pujante exatamente em países com tarifa de importação zero, como Hong Kong e Suíça.
    Óbvio: com tarifa de importação zero não há nenhuma reserva de mercado, o que significa que aquelas indústrias irão produzir exatamente o que consumidor quer, e não aquilo que políticos e burocratas adeptos de "política industrial" acham que ela deve produzir.

    Por último, há vários países ricos e desenvolvidos que não têm nenhuma indústria pujante. A Nova Zelândia, por exemplo, nem sequer tem montadoras de automóveis. E, exatamente por isso, os carros lá são baratos. E a consequência é que há mais carros na Nova Zelândia do que no Brasil (em termos per capita), que tem umas 15 montadoras. Quem está em melhor situação?

    "e deixar o consumidor refém de um monopólio."

    Essa você falou sem pensar.

    Essa tese de "fazer dumping para quebrar indústrias para logo em seguida elevar preços e dominar o mercado" é completamente irreal.

    Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

    Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

    Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

    Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

    Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

    E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

    E olha que estou utilizando o exemplo de uma empresa concorrendo em um mercado pequeno, hein? Imagine para uma empresa concorrendo em escala global (como é o caso do seu exemplo)?

    "E um parque industria ou uma cadeia de produção não se constrói da noite para dia."

    Com tudo o que foi respondido acima, espero que agora você já esteja equipado para perceber que a sua frase acima é inerentemente dirigista e intervencionista. Na prática, você está dizendo que é você -- e não os consumidores -- que sabe como deve ser o parque industrial do país e o que ele deve produzir.
  • Beto  06/11/2017 16:15
    Protecionismo é apenas uma forma de corrupção.

    O governo cria uma demanda forçada por produtos que em circunstâncias naturais (livre comércio) não teriam consumidores e em troca os capitalistas pagam propina e fazem doações de campanha para manter o esquema funcionando.

    Detalhe que quem defende esse tipo conluio são os mesmos que nunca perdem uma oportunidade para culpar o "livre mercado" por todos os nossos males.
  • Paulo Henrique  06/11/2017 18:34
    Perdão o OFF, mas, existe algum grafico correlacionando a desigualdade Brasileira)não que eu ache a desigualdade algo essencialmente ruim) e a expansão monetária?

    Quero mostrar dados de como a hiperinflação BR foi uma das principais culpadas pelo nosso nível de desigualdade
  • Che  06/11/2017 19:42
    Pergunte a qualquer mecânico em oficina, o que pensam das peças de reposição chinesas. Questione se ele trocaria um rolamento nacional, por exemplo, por um similar chinês. Produtos chineses são apenas baratos. Eles ganharam mercado devido ao preço altamente competitivo. Produtos de qualidade são caros em qualquer lugar do mundo. Os custos de produção são elevados nos países com indústrias de alta qualidade [Japão, Alemanha, Inglaterra, França, EUA], e porque não dizer Brasil? Um efeito perverso da inundação de produtos chineses de baixa qualidade é a queda da qualidade da indústria nacional, única forma de fazer frente a concorrência desleal da China. Tenho verificado, com tristeza, esse efeito sobre os outrora excepcionais produtos nacionais.
  • Andrade  06/11/2017 21:16
    Ué, a importação de produtos automotivos de alta qualidade europeus, americanos e japoneses são uma alternativa. Por que os mecânicos não recorrem a eles?

    Ah, sim, lembrei: por causa das tarifas de importação do governo, que chegam a 35%, tudo em nome da "proteção à indústria nacional".

    Com tarifa de 35%, quem que vai comprar produtos de qualidade?

    É divertidíssima a dissonância cognitiva da esquerda: defendem tarifas de importação nos cornos da lua pra defender a FIESP, e depois acham estranhíssimo que o merecedor fica tomado apenas pelos produtos baratos chineses, com total escassez de produtos de qualidade europeus, japoneses e americanos.

    E ainda dizem que a culpa de tudo isso é do "livre mercado".

    Só não sei se é ingenuidade ou ignorância.
  • anonimus  07/11/2017 10:27
    É ignorância.
  • Skeptic  06/11/2017 20:30
    Qual o país menos protecionista do mundo atualmente? Hong Kong? Por os austríacos nunca fizeram um ranking proprio de liberdade econômica?
  • Gilson  07/11/2017 00:28
    1. Sim.

    2. Provavelmente porque não há verbas e nem equipe para isso. Seria necessário ter uma equipe muito bem financiada para se dedicar exclusivamente a escarafunchar os dados de todos os países do mundo para então calcular a série histórica de todos eles.

    Isso não é um calculozinho básico que você faz num guardanapo. É necessária toda uma equipe muito bem paga e dedicada exclusivamente para montar toda a série histórica de cada país do mundo.
  • Skeptic  08/11/2017 22:40
    Ah, o Mises Institute e os journals da EA devem ter condições, não sei se há interesses. Pelo menos na parte monetária, os índices de liberdade econômica são lamentáveis. Mas como a EA não é empírica, talvez não seja possível fazer tal ranking, com vários países num mesmo período.
  • Julian  06/11/2017 22:37
    Leandro

    Uma questão que fico matutando é em relação a busca pela moeda forte, uma vez que os preços dos produtos importados seriam reduzidos, os preços dos produtos exportados aumentariam trazendo consigo uma redução na exportação?

    Obs: Sei que aqui mesmo já divulgaram que com a moeda desvalorizando as empresas tiveram prejuízos e com a valorização da moeda, os lucros aumentaram, mas isso não significa que a exportação aumentou, apenas significa que por uma questão contábil a empresa obteve lucro, pode ser que a empresa manteve a mesma quantidade de exportação, só que agora com uma moeda valorizada o que no ponto de vista contábil se teve lucro.

  • Leandro  07/11/2017 00:22
    "Sei que aqui mesmo já divulgaram que com a moeda desvalorizando as empresas tiveram prejuízos e com a valorização da moeda, os lucros aumentaram"

    Correto.

    "mas isso não significa que a exportação aumentou"

    Aumentou. Pode conferir no gráfico abaixo a evolução das exportações em quilogramas. Produtos mais bem acabados e mais intensivos em capital têm suas exportações aumentadas quando a moeda se valoriza (2003 a meados de 2008; de 2010 a 2011; e a partir de 2016), e reduzidas quando a moeda se desvaloriza (de 2012 a 2015).

    s1.postimg.org/1wp5h7ti7j/figura1.png

    O motivo é óbvio: produtos que dependem de insumos e bens de capital mais complexos para ser fabricados são afetadas diretamente pela força da moeda (câmbio). Com moeda forte, a qualidade do produto produzido é maior. Indústrias não só podem importar maquinário de maior qualidade a preços menores, como também conseguem peças de reposição mais baratas. A produtividade aumenta, o que permite redução do preço (aumentando as exportações).

    "apenas significa que por uma questão contábil a empresa obteve lucro, pode ser que a empresa manteve a mesma quantidade de exportação, só que agora com uma moeda valorizada o que no ponto de vista contábil se teve lucro."

    Isso não faz sentido. O comércio internacional é feito em dólares. Se a quantidade exportada se manteve, então a receita em dólares também se manteve. E se a receita em dólares é a mesma, mas o real se valorizou em relação ao dólar, então a empresa, ao converter dólares desvalorizados em reais valorizados, obterá menos reais (os dólares desvalorizados compram menos reais valorizados). Logo, não faz sentido dizer que o lucro contábil aumentou.

    Porém, felizmente, isso nem vem ao caso, pois, como mostrado no gráfico acima, a quantidade exportada aumenta.
  • anonimus  07/11/2017 10:34
    [OFF] Leandro, tenho uma sugestão para um artigo, algo relacionado as políticas libertárias dos governantes passados que ajudaram a melhorar o país, Lula, FHC, Temer, muitas pessoas acham que um governante pode melhorar o país, mas não entendem que as ações que ele toma devem seguir uma linha para essa melhora. Eu como um novo seguidor de muitas ideias da EA, gostaria muito de ler sobre, abraços. Inclusive, se já houverem artigos desse tipo, alguém poderia linká-los? Obrigado.
  • Enxugando Gelo  07/11/2017 00:06
    Estamos enxugando gelo. O combate finaceiro contra a esquerda é o único que funciona.

    Enquanto houver dinheiro nas mãos da esquerda, dos sindicatos, dos jornalistas pagos, etc, nós sempre seremos expropriados e prejudicados com o protecionismo.

    Essa defesa da indústria nacional é uma falácia.

    A maioria dos políticos defendem empresas nacionais por interesses, populismo e ignorância.

    As empresas sérias clamam por liberdade, menos impostos, menos burocracia, etc.

    Esse protecionismo é uma tentativa de um último suspiro, em um ambiente que já foi sufocado pelo governo.

    Nem as grandes empresas americanas aguentaram tantos impostos.

    O nacionalismo indústrial quer produzir bugigangas, enquanto falta recursos para obras e construção civil.
  • Ninguem Apenas  07/11/2017 00:43
    Leandro, como que a Suíça consegue manter uma moeda forte?

    eu pergunto isso porque dá pra entender o porque do real ser essa palhaçada, o dólar, o euro e etc serem moedas não mt fortes (ainda que o real seja a pior delas).

    Singapura eu também entendo ter uma moeda forte, pois mantem o cambio atrelado a uma cesta de moedas.

    Mas porque a Suíça que tem um Banco Central tão voraz pra desvalorizar a moeda não sofre da doença dos outros países? o que os impede?(chegaram até a recorrer ao cambio atrelado ao euro)
  • Leandro  07/11/2017 01:08
    Vários fatores:

    1) A economia sempre foi estável e previsível;

    2) As instituições sempre foram sólidas e confiáveis;

    3) O governo federal opera sob um teto de gastos;

    4) O investimento estrangeiro é liberado e protegido;

    5) Há livre comércio;

    6) Há pleno respeito à propriedade privada;

    7) O sistema político simplesmente não permite a eleição de aventureiros;

    8) E, acima de tudo, a própria moeda sempre teve um histórico de ser um porto seguro (não só nunca houve hiperinflação na Suíça, como nem sequer há histórico de pelo menos uma década de inflação de preços acima de 10% ao ano).

    Com um cenário e um passado como esse, é realmente difícil ter moeda fraca.

    Artigos sugeridos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2010
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2474
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2606
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2741
  • Gabriel  07/11/2017 01:38
    Off topic, mas viram a última do governo do Rio? Por causa daquela espanhola que foi morta por policiais na favela, eles resolveram que a melhor solução é fiscalizar as agências de turismo. Ou seja, uma mulher que estava de férias foi morta PELO ESTADO e a culpa é da agência, aparentemente. É de cair o cú da bunda.
  • Igor  07/11/2017 12:30
    Os brasileiros gostam assim, estado infalível, a despeito de todas as provas contrárias.
  • Felipe Lange S. B. S.  07/11/2017 02:09
    E assim, o Brasil permanece isolado do mundo...

    PS: Alguém sabe se tem como colocar uma foto no "meu perfil"?
  • anônimo  07/11/2017 04:22
    E o que acontece caso as empresas brasileiras percam toda a demanda para as empresas do exterior?
    Levando-se em conta que as multinacionais capitalistas, que além de evidenciarem a ineficiência do sistema "cotista" atual, estariam também produzindo aqui - a boa localização de um site de produção é parte da eficiência, teríamos ao menos chance de buscarmos novas colocações, num mercado lucrativo, prospero, e em expansão.
    Estamos sentindo na pele os efeitos da regulação, as portas abertas estão em escassez.
    Portanto conectar produção ineficiente ao emprego perpétuo é o mesmo que, "FATAL ERROR", (X=X-1), NO SENSE...

    A população vai gastar menos com produtos estrangeiros, porém, como lidar com a perca da renda?
    De onde viria a perda de renda? Teríamos indústria, comércio, serviços, tudo demandando.... Fica difícil até de imaginar como as pessoas estariam perdendo dinheiro. É como dizer que nenhuma multinacional, mesmo tendo lucro na venda de lá, não viria produzir aqui ??? Será que somos tão feios assim??? O argumento passa a plena sensação de desconexão.
    Quanto ao A população vai gastar menos com produtos estrangeiros, não faz sentido acho que você/ele se equivocou.
  • Julio Cesar Paiva  07/11/2017 09:38
    Acredito que o protecionismo do governo brasileiro, esteja diretamente relacionado com a captação de impostos. Pois facilmente (acredito eu) industrias iriam reinventar seus meios de produção, de uma forma que diminuísse o custo total do produto. Porém o inevitável iria bater a porta, que é o governo e toda aquela sopa de letras que são os impostos.
    E apenas para concluir, IMPOSTO É ROUBO.
  • Beautiful  07/11/2017 15:39
    O argumento da esquerda faz sentido?
    Alguns deles dizem que os impostos fossem devidamente aplicados em saúde, educação nao haveria tanto descontentamento. É possível que isso der certo? Existe algum pais assim? Alemanha?
  • Mauro  07/11/2017 16:20

    O argumento da esquerda não é e nem nunca foi esse. O argumento da esquerda é que o governo (comandado por ela) deve tributar cada vez mais os ricos e tomar cada vez mais dinheiro dos capitalistas. Consequentemente, como num passe de mágica, esse aumento da espoliação fará com que saúde e educação melhorem.

    E, se você acha que estou criando uma caricatura, pesquise você mesmo: tente encontrar um único esquerdista genuíno que defenda que o estado se ocupe apenas de educação, saúde e segurança. Tente encontrar um único esquerdista que defenda redução de impostos e um estado concentrado exclusivamente em saúde e educação. Não encontrará nenhum.

    Todos eles só falam em aumentar impostos. Todos eles querem simplesmente mais impostos (desde que não sejam eles a pagar) e mais esbulho sobre os ricos. A partitura é sempre a mesma. Eles recorrem à saúde e à educação apenas para fingir preocupação social e para dar uma aparência de querem fazer "coisas nobres" com o esbulho.

    No fundo, eles querem apenas encher o próprio rabo de dinheiro, pois estão entre os destinatários dos impostos: são membros de sindicatos do funcionalismo público ou são artistas que vivem de subsídios ou são simplesmente derrotados que querem viver de assistencialismo.

    Se eles realmente defendessem isso que você falou, então eles seriam ferozes defensores de um estado do tamanho do suíço, por exemplo.
  • Felipe Lange S. B. S.  08/11/2017 00:20
    Devidamente aplicados? Pergunte para eles o que é "devidamente aplicado". Quanto? 10% do PIB? 20%? 50%? Isso iria causar um desastre econômico, evidentemente. A Suécia e o Reino Unido torram praticamente 10% do PIB em saúde, quase o triplo do Brasil (se fosse um centavo já era muito). Cadê a eficiência dos sistemas britânico e suecos? O SUS não é bom e de acesso universal para todos? Por que então os burocratas inventam coisas como UPA e Pronto Socorro?

    Tente jogar um jogo como um Dawn of Discovery/Anno 1404. O sistema estatal (você controla toda a economia, desde peixes até artigos de luxo, retrata algo próximo do fim do período medieval, para mais ou para menos) começa a colapsar e você começa a não dar conta da crescente demanda da população. Com 100 pessoas é fácil, agora com 100 mil, 200 mil... é interessante notar que os jogos eletrônicos ensinam mais economia que universidades e faculdades.

    Concordo com o comentário do Mauro.
  • anônimo  07/11/2017 17:40
    O que acham da venda de estatais para companhias estatais pertencentes ao governo da China? Seria entregar recursos estratégicos nas mãos de um governo estrangeiro, colaborando com a agenda global comunista?
  • Conservador genuíno  07/11/2017 18:02
    "O que acham da venda de estatais para companhias estatais pertencentes ao governo da China?"

    Em qualquer país normal, seria uma completa idiotice, independentemente de qual seja a nacionalidade da estatal estrangeira.

    No Brasil, no entanto, haveria uma saudável despetização das estatais, e os apaniguados dos políticos brasileiros seriam substituídos por funcionários públicos chineses que, ao menos lá na China, levam chibatadas quando não cumprem suas metas.

    Ou seja, o arranjo é uma merda, mas quando se considera a bosta maior que era o arranjo nas mãos do PT, há até o risco de haver alguma melhora.

    "Seria entregar recursos estratégicos nas mãos de um governo estrangeiro"

    Isso é muito menos nefasto do que entregar para as mãos de apadrinhados petistas e seus sindicatos.

    "colaborando com a agenda global comunista?"

    Esse papinho ainda existe? O curioso é que sempre que peço para alguém me explicar o que seria essa tal "agenda global comunista", o sujeito sempre resfolega. Pior ainda é quando dizem que os líderes dessa tal "agenda global comunista" são Banco Mundial, FMI e ONU.

    Entenda o básico: essa gente é progressista, e não comunista. Eles defendem progressismo e subversões culturais, e não a expropriação completa da propriedade privada e abolição dos meios privados de produção.

    Conservador que fala de "agenda global comunista" só serve para desmoralizar o próprio movimento, reduzindo a importante e necessária luta contra os progressistas a uma caricatura grotesca saída diretamente da década de 1950. Em suma, são os mais perfeitos aliados da esquerda progressista, que os ridiculariza sem dó nem piedade e, assim, se fortalecem.
  • Alexandre Nascentes Schmitt  07/11/2017 20:57
    "Pedimos-vos encarecidamente, pois, a gentileza de criardes uma lei que ordene o fechamento de todas as janelas, clarabóias, frestas, gelosias, portadas, cortinas, persianas, postigos e olhos-de-boi; numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das meritórias indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país — um país que, por gratidão, não deve nos abandonar agora em prol de tão desigual concorrência estrangeira."

    Pois é...Bastiat pediu e Portugal atendeu:

    https://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/18/internacional/1479466797_084080.html
  • Vinícius Garcia  08/11/2017 13:19
    Isso é absolutamente inacreditável.
  • Todo Mundo  08/11/2017 20:26
    Artigo bem vesgo. Falou vendo só um lado da questão. A maravilhosa China vendendo produtos xingling para que os pobres do BR possam consumir. Oh, que sonho maravilhoso!
    Agora, e as barreiras comerciais que a China coloca nos produtos BR? Ela não deveria pensar também nos pobres de lá? Os chineses pobres não merecem um frango brasileiro, cheio de anabolizantes e mais barato????
    E a Europa e EUA, cheios de barreiras comerciais e sanitárias para bloquear os produtos agrícolas dos países mais pobres? Não deveriam pensar nos seus consumidores que poderiam comprar frutas, legumes e carnes por um preço menor e com mais qualidade???

    Espero que o autor do artigo seja apenas um ignorante em economia internacional.
  • Em Pânico  09/11/2017 01:54
    "A maravilhosa China vendendo produtos xingling para que os pobres do BR possam consumir. Oh, que sonho maravilhoso!"

    Sim, seria maravilhoso poder comprar produtos baratos da China. Mas o governo não deixa. Os lucros da FIESP são sagrados e os pobres são obrigados a comprar produtos caros e ruins dela.

    "Agora, e as barreiras comerciais que a China coloca nos produtos BR? Ela não deveria pensar também nos pobres de lá? Os chineses pobres não merecem um frango brasileiro, cheio de anabolizantes e mais barato????"

    Isso é problema dos chinesas em relação ao governo deles. Nada posso fazer quanto a isso. Agora, se o governo chinês não deixa os chineses consumirem frangos brasileiros, então isso é ótima notícia para os consumidores brasileiros. Sobra mais frango pra nós. Mais frango, menores preços. Ótimo arranjo para o consumidor.

    "E a Europa e EUA, cheios de barreiras comerciais e sanitárias para bloquear os produtos agrícolas dos países mais pobres?"

    Idem para o que foi dito acima. Isso é problema dos europeus junto a seus governos. E sobra mais produtos para nós consumidores brasileiros.

    "Não deveriam pensar nos seus consumidores que poderiam comprar frutas, legumes e carnes por um preço menor e com mais qualidade???"

    Pela terceira vez, isso não é problema meu, mas sim deles. Só sei que, no final, isso é bom para mim, como consumidor.

    "Espero que o autor do artigo seja apenas um ignorante em economia internacional."

    Nem se compara a você, que é ignorante até mesmo em questões de lógica básica.
  • Anonimo  10/11/2017 12:28
    Haja vista o setor automobilístico brasileiro, que serve como um belo exemplo.
  • Occam  22/11/2017 18:24
    Acho engraçado como essas pessoas que defendem o protecionismo com o argumento de que os produtos seriam fabricados em um país com mão de obra barata não percebem que isso imediatamente implicaria na defesa da abolição das tarifas de importação em relação a todos os países que tem uma mão de obra MAIS CARA em relação à nossa. Estou aguardando ansioso por carros alemães!

    O raciocínio é mais ou menos assim: não podemos competir com países ricos por que eles são ricos mas também não podemos competir com países mais pobres por que a mão de obra é mais barata. Uma beleza, não?
  • Emerson Luis  28/12/2017 11:47

    O curioso é que há pessoas que leem essas história pela primeira vez e ficam em dúvida se foi uma sátira ou se foi sério. Lei de Poe em ação!

    * * *


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