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A “economia comportamental” fez contribuições interessantes, mas é contraditória
Ela imita exatamente aquilo que mais critica

Richard Thaler, da Universidade de Chicago, ganhou o prêmio Nobel de economia[1] deste ano.

Thaler é o grande expoente da chamada "economia comportamental", que nada mais é do que a aplicação da psicologia a problemas que envolvem escolhas, transações, valorações e precificação.

A maioria dos economistas adeptos da Escola Austríaca de Pensamento Econômico, seguindo os princípios de Ludwig von Mises, faz uma profunda distinção entre a praxeologia — que é a análise lógica da ação humana — e a psicologia, que analisa as motivações comportamentais que precedem e sucedem a ação (veja a distinção aqui). Por exemplo, os austríacos dizem que a ação humana é proposital, o que significa que ela visa a um objetivo, mas não afirmam que ela sempre será racional, pois nem sempre será bem-sucedida em alcançar o objetivo pré-determinado.

Já a economia neoclássica optou pelo caminho inverso, com uma tendência cada vez maior de mesclar psicologia e praxeologia, na esperança de assim criar uma explicação mais rica e mais robusta para o comportamento humano. Afinal, se as pessoas ("agentes econômicos") são modeladas como "maximizadoras de utilidade", e se a utilidade é entendida como um estado psicológico de bem-estar, então por que não introduzir a psicologia na análise econômica?

Thaler, ao vencer o prêmio, observou: "Para ser um bom economista, você tem de ter em mente que as pessoas são humanas" — isto é, os seres humanos reais não são aquelas máquinas super-calculadoras que aparecem nos modelos econômicos neoclássicos. Isso é uma verdade indiscutível. Porém, inserir a psicologia no arcabouço da teoria neoclássica para tentar a aprimorá-la não necessariamente é um aperfeiçoamento.

Sim, entender psicologia é importante para empreendedores e historiadores. Mas a teoria econômica, como entendida por Mises, é um exercício puramente lógico, independente das motivações psicológicas específicas dos indivíduos. Por exemplo, a teoria de Carl Menger sobre valoração e escolha, subsequentemente desenvolvida nos trabalhos de Böhm-Bawerk, Fetter, Wicksteed, Mises e Rothbard, bem como de outros economistas austríacos, é um conceito lógico, e não comportamental. (Veja aqui outros exemplos).

Mas tudo piora.

Revigorando a disciplina, mas de maneira incoerente

A economia neoclássica sempre fez pressuposições estritas e estreitas sobre o que significa ser "racional". Em particular, o agente neoclássico sempre é consistente; ele possui uma ordem de preferência clara em relação a todas as coisas possíveis de serem feitas; ele sempre maximiza seu bem-estar; ele jamais exibe um viés para o consumo presente. E por aí vai.

Mas, em sua defesa, ele não é (como alguns críticos afirmam) um mero egoísta maximizador do lucro. Ele é tão egoísta ou altruísta quanto o resto de nós. Por mais estreita que seja a definição, "racionalidade" não significa egoísmo. Significa, isso sim, que ele é totalmente diferente de qualquer pessoa real que conhecemos. A piada é que ele jamais se preocupa com a desutilidade marginal de se preocupar com a utilidade marginal.

No entanto, o real problema com a economia neoclássica não é aquele que Thaler e os economistas comportamentais pensam ser. O indivíduo neoclássico nunca foi pensado para ser uma imagem de uma pessoa real. Ele é apenas uma marionete — uma construção teórica criada para gerar previsões sobre o mercado ou sobre o comportamento agregado das pessoas. Assim como as pressuposições irrealistas das ciências naturais ("imagine que o carro é uma esfera", "suponha que não haja atrito"), o indivíduo neoclássico funciona como um artifício analítico.

Já o mercado não é uma mera reflexão das capacidades decisórias do indivíduo; ele é um filtro no qual a concorrência e outras restrições institucionais alteram os resultados. Frequentemente o mercado produz resultados que são diferentes das intenções e capacidades dos agentes individuais. Eu diria que, na maioria das vezes, para melhor. Mas sempre diferente.

Sendo assim, a crítica às limitações teóricas do paradigma racional neoclássico, capitaneada por Thaler, foi algo bastante refrescante e útil. No entanto, e este é o paradoxo, a economia comportamental permanece apegada a este conceito estreito de racionalidade, a qual é vista como um padrão normativo e prescritivo de avaliação.

Na economia comportamental, os resultados de mercado são criticados tendo por base este conceito estreito de racionalidade. E é com base neste conceito estreito de racionalidade que os economistas comportamentais recomendam políticas públicas para "corrigir" distorções de mercado.

Exatamente pelo fato de a economia comportamental ver as pessoas como não sendo estreitamente racionais, o comportamento delas deve ser corrigido via políticas públicas. Richard Thaler, por exemplo, argumenta que, dado que as pessoas se comportam "irracionalmente" (isto é, de maneiras que não maximizam sua utilidade, como entendido pela teoria neoclássica), os governos devem intervir — não por meio de proibições ou de imposições de determinados comportamentos, mas sim "cutucando" gentilmente as pessoas, empurrando-as delicadamente para o rumo certo.

Por exemplo, afirma-se que as pessoas são obesas porque elas não levam em "total consideração" os efeitos negativos de seus hábitos alimentares não-saudáveis. E o que seria "total consideração"? Elas deveriam saber todas as futuras consequência nefastas de seus hábitos alimentares e trazer estas consequências futuras para o momento presente. Em termos técnicos, elas deveriam descontar esses efeitos negativos à taxa racional de desconto — a taxa de longo prazo, a taxa que uma pessoa usaria caso fosse super-racional e prudente. No entanto, a maioria das pessoas não é capaz de fazer isso. Segundo a economia comportamental, a maneira como o agente olha para as coisas hoje, no momento de decidir o que comer, é errada. É impetuosa. É "voltada para o presente". Desconsidera "as consequências negativas futuras". Logo, o indivíduo precisa de ajuda. E, na prática, é o governo quem deve intervir para ajudar.

Outros exemplos de intervenções defendidas pelos economistas comportamentais são leis determinando que os supermercados coloquem os alimentos mais saudáveis imediatamente na entrada do recinto, ou ainda que os patrões automaticamente inscrevessem seus empregados em planos previdenciários ou contas-poupança, a menos que eles especificamente optem por sair, e por aí vai.

Thaler chega até mesmo a rotular isso de "paternalismo libertário", fazendo uma distinção em relação às variedades mais pesadas de intervenção estatal.

Com efeito, há uma infinidade de comportamentos "irracionais" que podem exigir correção via intervenção estatal. As pessoas poupam pouco; comem muito; se endividam em excesso; usam o cartão de crédito sem saber; não fazem planos previdenciários; são muito otimistas quanto à própria capacidade de superar imprevisibilidades (e são muito pessimistas quanto à probabilidade delas ocorrerem); fumam muito; não usam energia sustentável; desconhecem os juros embutidos nos financiamentos etc.  

Alguns economistas comportamentais defendem abertamente que o comportamento "irracional" dos indivíduos deve ser não apenas "gentilmente direcionado" (foi Thaler quem criou o termo "cutucada"), mas também tributado e regulado na direção daquele que seria o comportamento do indivíduo neoclássico perfeitamente racional.

Fora as implicações políticas deste raciocínio, há uma inacreditável ironia: a economia comportamental faz troça da economia neoclássica — porque os neoclássicos pressupõem indivíduos sempre racionais —, mas, no final, segue estas mesmas pressuposições como sendo o ideal a ser perseguido pelos seres humanos.

Dado que o indivíduo não se comporta racionalmente — como sugere os modelos neoclássicos —, então a solução da economia comportamental é adotar políticas públicas que façam o indivíduo se comportar de maneira um pouco mais semelhante ao indivíduo racional da economia neoclássica — a mesma economia escarnecida pelos economistas comportamentais.

No final, é como se houvesse um indivíduo neoclássico no fundo de todos nós, lutando para se libertar, mas sendo continuamente bombardeado por choques comportamentais. A economia comportamental seria nada menos que fazer com que você se torne o verdadeiro você. E tudo isso apesar de sua resistência.

Outro paradoxo

Um óbvio problema com todo este raciocínio é que os agentes que irão criar e implantar os "cutucões" comportamentais são também eles próprios "irracionais" — afinal, eles são seres humanos como todos os demais agentes humanos. Sendo assim, por que deveríamos esperar que os cutucões melhorassem os resultados sociais?

Outros economistas comportamentais, como Vernon Smith, são abertamente céticos quanto à ideia de que a razão seja a principal faculdade a guiar as ações humanas. Para ele, a principal força-motriz são as emoções. Consequentemente, ao colocar em dúvida a capacidade das pessoas de usar seus cérebros, os economistas comportamentais acabaram criando os fundamentos e justificativas para a introdução de controles governamentais para "proteger os indivíduos de seu comportamento irracional".

E, de novo, o paradoxo se mantém: afinal, se os seres humanos possuem um comportamento irracional e devem ser guiados para se tornarem mais racionais, então quem serão os ultra-racionais agentes incumbidos de guiar racionalmente todos os outros?

Conclusão

No final, a economia comportamental, embora tenha trazido contribuições interessantes, frequentemente empacota idéias simples e já bem conhecidas por economistas práticos, empreendedores e historiadores, e as trata como sendo descobertas novas e excitantes. Um fascinante ensaio do economista Steven Poole, de 2014, mostra que a maioria das descobertas dos economistas comportamentais não se aplica ao mundo real porque, dentre outras coisas, as pessoas se comportam de maneiras específicas dentro de um laboratório, maneira estas que são bem "racionais".

Os economistas seguidores da Escola Austríaca deveriam ficar felizes com o fato de que o prêmio Nobel de Thaler abra as portas para debates sobre idéias básicas, como valoração, escolhas, transações e como nós deveríamos tentar entender o comportamento humano. Isso faz com que seja ainda mais importante relembrar as pessoas de que a praxeologia oferece uma crítica paralela, porém distinta, à microeconomia neoclássica.

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Leia também:

Praxeologia - A constatação nada trivial de Mises

Psicologia versus Praxeologia

Economia praxeológica e Economia matemática

Prêmio Nobel para a praxeologia

Explicando o verdadeiro significado do apriorismo


[1] O grande empreendedor sueco Alfred Nobel nunca patrocinou nenhum prêmio para a ciência econômica, e o comitê criado em sua homenagem (com o patrimônio que ele deixou) nunca concedeu nenhum prêmio desse tipo até hoje.  No entanto, existe um "Prêmio para as Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel". Mas ele é patrocinado pelo Banco Central da Suécia.  Desde 1969, este prêmio também vem sendo concedido anualmente no início de outubro.

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Diversos Autores

  • Economista  10/10/2017 16:40
    O problema fundamental é que a economia comportamental não só é paternalista, como o próprio Thaler admitiu, como parte do viés ultra-esquerdista de que "como as pessoas nem sempre sabem o que é melhor para elas próprias, precisamos de políticos e reguladores para guiá-las".

    E eu já vi vários libertários namorando esta teoria, simplesmente porque seus grandes expoentes não defendem uma intervenção tributária do governo, mas sim meramente "direcional".

    No fundo, a economia comportamental é apenas mais uma teoria que faz apologia do planejamento centralizado, mas sem controle de preços. E tem libertário caindo nisso.
  • André Bolini  10/10/2017 16:57
    Há um trabalho do gigante Mario Rizzo que simplesmente não deixa a economia comportamental de pé:

    "Austrian Economics Meets Behavioral Economics: The Problem of Rationality"

    Já li também o livro do Daniel Kahneman ("Thinking, Fast and Slow") e, embora seja leitura interessante, ao texto é repleto de exortações nada subliminares pela intervenção do estado, enfatizando a necessidade de tutela dos seres humanos, que são intrínseca e inevitavelmente "irracionais", como advoga a economia comportamental.

    De certa forma, e com o perdão do clichê, são lobos em pele de cordeiro.
  • Dotô  10/10/2017 16:51
    É interessante a economia comportamental, um avanço em relação à teoria dos seres plenamente racionais e dos agregados, daqui a pouco eles descobrem a praxeologia. Uma pena que tenham esquecido as contribuições do James Buchanan, também 'prêmio Nobel'. Se lembrassem, além de refletirem sobre as contradições atuais, não teriam tanta fé em intervenções.
  • Rodrigo  10/10/2017 17:02
    Há um artigo inteiro sobre o Buchanan, o qual não é exatamente um behavioural, mas ok.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1264
  • Político  10/10/2017 17:02
    "afinal, se os seres humanos possuem um comportamento irracional e devem ser guiados para se tornarem mais racionais, então quem serão os ultra-racionais agentes incumbidos de guiar racionalmente todos os outros?"

    Serão os membros da Administração Pública, pergunte a qualquer popular médio se este não deseja que o Estado preste serviços de maneira proba e eficiente, se possui tal expectativa de um terceiro logo o julga mais racional que si próprio.
  • Taxider  10/10/2017 17:06
    "As pessoas nem sempre sabem o que é melhor para elas, daí devemos colocar alguns iluminados para dizerem o que elas devem fazer".

    Esse paternalismo tosco já foi devidamente refutado por Rothbard em "Power and Market".

    Aliás, a "behavioral economics" também já foi está refutada no livro "Austrian Economics Reexamined", de Mario Rizzo e Gerald P. O'Donnell.

    Como se não bastasse a imbecilidade da "tese", essa gente, só para variar, faz questão de promover a confusão semântica: o Thaler, junto com o jurista esquerdista Cass Sunstein, ao chamar a intervenção estatal de "paternalismo libertário" está aí apenas para colocar uma roupagem mais liberal nessa prática.

    Mas o mais "curioso" de tudo é que essa gente só aplica a "behavioral economics" para os agentes privados... Nenhum agente público aparentemente tem irracionalidades...
  • Joaquim  10/10/2017 17:09
    Outra crítica interessante à economia comportamental:

    Is Behavioural Economics subject to irrational exuberance? - How Behavioral Econ Undermines the Enlightenment

    A economia comportamental ataca os alicerces da liberdade com o argumento de que as pessoas não são capazes de cuidar de si próprias.
  • Daniel Ben-Ami  10/10/2017 17:29
    O mais irônico é ver como os "comportamentalistas", seres tão racionais, adoram fazer afirmações irracionais.

    Por exemplo, em uma entrevista à BBC, o Daniel Kahneman (outro Nobel) disse que os hábitos dos taxistas são um exemplo de comportamento irracional. A lógica dele é que é difícil encontrar taxis em dias de chuva e, ao mesmo tempo, os taxis estão sempre vazios em dias de sol. Logo, disse ele, os taxistas deveriam ofertar seus serviços muito mais em dias chuvosos e ficar mais em casa nos dias de sol.

    Dias de sol, segundo Kahneman, deveriam ser dias de folga para os taxistas; e dias de chuva deveriam ser de trabalho intenso, pois são mais lucrativos. E o fato de os taxistas fazerem o exato oposto disso mostra como eles são "irracionais". Em vez de pensarem em maximizar sua renda, trabalhando mais em dia de chuva, eles simplesmente vão para a casa quando já alcançaram sua meta daquele dia.

    Só que qualquer um que já tenha conversado com taxistas ou que até mesmo pare para pensar um pouco nesta questão irá perceber que as coisas não são tão simples assim. Alguns taxistas dizem que, contrário ao que diz Kahneman, pode haver bem menos passageiros em dias de chuva. Por exemplo, um eventual passageiro que estava pensado em sair para comer pode decidir comer em casa em vez de tomar chuva. Já outros taxistas afirmam que, quando está chovendo, os passageiros tendem a fazer viagens mais curtas e menos lucrativas para o taxista, em vez de viagens mais longas.

    Há também o fato de que vários taxistas têm contas a pagar semanalmente. Assim, para garantir sua renda, eles têm de dirigir sob qualquer que seja o tempo. Eles não podem se dar ao luxo de optar por ficar em casa em dias de sol. Tampouco podem se dar ao luxo de ficar esperando os mais lucrativos dias de chuva para só então ir trabalhar. A meteorologia em si é totalmente imprevisível.

    Nestes casos, simplesmente não há uma solução perfeita, a qual será adequada para todas as circunstâncias. É provável que a ação correta irá variar de acordo com as condições específicas de cada local, bem como com as necessidades específicas de cada indivíduo.

    O ponto é que é simplesmente errado pressupor que taxistas que trabalham mais em dias de sol estão se comportando irracionalmente. Eles podem ter motivos perfeitamente racionais para estar dirigindo naquelas condições e não em outras. Com efeito, é muito provável que eles saibam muito mais sobre como gerenciar suas próprias vidas do que Daniel Kahneman.
  • Francisco Paiva Filho  10/10/2017 17:45
    Excelente relato. A "economia comportamental" é facilmente explicada por aquela mais básica natureza humana: o orgulho.

    Esses "especialistas" realmente acreditam que eles são os mais superiores e os mais qualificados, por causa de seus diplomas, para administrar a vida dos outros. Como nesse exemplo dos taxistas, é sempre mais fácil criticar retrospectivamente as ações dos outros e então alegar ter uma solução mais "racional", a qual "funcionaria melhor" para todos.

    O Camaro do meu vizinho é um ótimo exemplo. Eu poderia imaginar várias maneiras "melhores" de como ele poderia ter gasto seus dinheiro de maneira mais "racional", pela minha perspectiva. No entanto, se eu chegasse para ele e dissesse que há várias maneiras melhores como ele poderia ter gasto aquele dinheiro, ele certamente me mandaria para aquele lugar.

    No entanto, se eu fosse um "especialista" com "doutorado" e com várias teses publicados, aí então essa minha impertinência ganharia ares de inquestionável sabedoria e inegável preocupação para com os outros. Minha opinião magicamente teria muito mais sabedoria e peso que a da própria pessoa em cuja vida quero mandar.

    É assim que funciona.
  • Gustavo S  11/10/2017 03:16
    Vocês dois teceram excelentes comentários sobre a economia comportamental.
    No final das contas, essa pseudociência é mais uma demonstração de arrogância, como demonstrado por Hayek em "A Arrogância Fatal"
  • Juliano  10/10/2017 17:34
    Bom artigo. Sabe qual a diferença entre o empreendedor e o economista comportamental? O empreendedor tenta prever as escolhas dos outros, já o economista comportamental tenta manipular essas escolhas.

    Já dá para saber qual dos dois possui mais respeito pelo ser humano.

    O economista comportamental certamente gostaria de viver num mundo formado por idiotas mentalmente lesados. Aliás, é exatamente isso que ele jura que os outros são.
  • Nordestino Arretado  15/10/2017 00:27
    "Já dá para saber qual dos dois possui mais respeito pelo ser humano"

    Para você um marqueteiro deve ser um demônio então, ou acha que o marketing só serve para descobrir qual a preferência dos consumidores? Acha que nenhum deles vai tentar te convencer a comprar um carro com motor híbrido para não ser um "tiozão do século passado", ou tomar "redux max" para não ficar "encalhado em casa no verão"?
  • Capital Imoral  10/10/2017 17:46
    A assustadora indiferença que os neoliberais têm para com próximo.

    O princípio único do inferno é este: "Eu sou meu." - George Macdonald.

    Em uma postagem no facebook sobre o caso envolvendo o homem nu e obras de arte, podemos encontrar o seguinte comentário: "Não ligo nem um pouco se você coloca uma vela na bunda, por mim pode colocar até um rojão, só não envolvam crianças nisso." Esse tipo de comentário revela o momento assustador no qual vivemos. Ninguém mais tem compaixão pelo futuro do próximo. Todos estão largados. Vamos entender um pouco mais sobre esta questão.

    Em um passado não tão distante assim, à sociedade tinha uma legítima preocupação para com o próximo. Todo mundo queria saber como estava indo sua vida; se você estava trabalhando ou estudando; se estava casado ou namorando, entre outras coisas. Sempre que alguém caia ou seguia por um caminho ruim, encontrava-se maneiras de aconselhar a pessoa. Por isso as instituições religiosas sempre tiveram um importante papel na sociedade, pois, o primeiro lugar onde as pessoas buscavam conselhos, era diante de um padre ou de um pastor. A verdade é que todo mundo tinha um certo medo de ir para o inferno e deixar que seu semelhante também fosse. Acredito que esse medo fazia as pessoas ter mais cautela nas escolhas e o mesmo tempo faziam elas ter uma preocupação para com o próximo. Isso levava a sociedade a seguir o caminho do bem e da virtude, apesar dos pesares.

    Só que um belo dia, o paganismo foi implementado, juntamente com a onda de liberdade social e econômica.

    Neste momento começou a nascer um individualismo exacerbado; a nova onda do momento era dizer: "da minha vida cuido eu, meu amigo." E todo mundo que tinha a ousadia de querer aconselhar, logo era visto como intrometido, que não cuida da própria vida. Assim, aos poucos, à sociedade foi mudando de mentalidade. Começou a nascer duas vertentes de pensamento: Uma afirmava que ninguém deve se intrometer na sua vida; e a outra, ao mesmo tempo, afirmava que você deveria largar as amarras da sociedade e ser livre dos preconceitos. O caos estava plantado.

    Voltemo-nos ao comentário do Facebook: precisamos ter compaixão pelo próximo. Sempre andar com o coração na mão. Quando você ver alguém rolando no chão, como um animal. Tenha compaixão. Pois é um ser humano igual a você. Não caia nesta armadilha neoliberal que afirma que todos devemos respeitar a "individualidade" da pessoa. Existem caminhos que inevitavelmente irá nos levar para o inferno dentro da nossa própria mente; você tem a obrigação moral de aconselhar essas pessoas. Viver na superfície o castigará por ter negligenciado, a seu tempo, o futuro que sempre herda do passado.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Coxinha opressor  11/10/2017 11:06
    Vc é o cara... hahahhaahhaah

    Respeitar a individualidade pra quê, se podemos usar as crianças em nome da arte.
  • Abner Ribeiro  14/10/2017 22:35
    Se eu quiser convencer você de que tudo que vc escreveu está errado, eu não posso simplesmente enfiar isso na sua cabeça, também não posso tirar sua liberdade de poder escrever, tirar sua liberdade de errar.( Não estou dizendo que o que você escreveu está errado pelo contrário), mais a partir do momento que você invade a vida de outra pessoa simplesmente para não deixar ela errar, por que você simplesmente acha que é errado, isso não faz nenhum sentido. Quem é você para saber o que é certo ou errado?( Você: quero dizer o estado, esses economistas comportamentais).
  • Luiz  10/10/2017 18:02
    Isso pra mim é educação financeira gourmetizada, não é novidade alguma.
    pesquisei sobre os últimos ganhadores do Nobel, pensei que fosse achar só
    intervencionistas ou keynesianistas, mas para surpresa achei um tal de Jean Tirole, segue abaixo
    um trecho de suas fundamentações, sobre a regulação de empresas.



    "Muitas indústrias são dominadas por um pequeno número de grandes empresas ou apenas por um simples monopólio. Deixados sem regulação, esses mercados frequentemente produzem resultados sociais indesejáveis - preços mais altos do que o dos outros motivados por custos, ou empresas improdutivas que sobrevivem por bloquear a entrada de novas empresas mais produtivas", afirma a Real Academia Sueca de Ciências sobre o contexto em que os estudos de Tirole foram realizados.
  • Cláudio  10/10/2017 18:06
  • Luiz  11/10/2017 16:09
    Pois é, vi isso dps.
  • Luiz Eduardo Toledo  10/10/2017 18:09
    Prezados, boa tarde.

    Seria esta uma nova página do livro Econômico Mainstream para burlar a E.A.? Como uma repaginada muito simplista dos assuntos mais relevantes tratados pela E.A.?
    Essa tentativa de tonar a economia mais "humana" sem citar Mises, é postura costumas, usada para se apropriar (em doses homeopáticas) das ideias alheias. Da mesma forma que a esquerda o fez e sempre fará, quando acusa um liberal ou conservador de algo que ele mesmo não o seja, e que advêm da essência Comunista.
    Não vejo com bons olhos, e muito menos com frescor este prêmio recebido pelo Thaler. Como foi mencionado o "paternalismo libertário" é o intervencionismo a serviço do "bem comum". A serviço dos "pobres" irracionais, que tomados por anos de uma economia enraizada no crédito e no consumo criou, um sem-números de seres sem qualquer preparo emocional para enfrentar o livre-mercado,ou a concorrência. Pessoas que se julgam empreendedoras, mas preferem correr o risco certo de uma franquia ao se debruçar em algo novo, seja por imediatismo e/ou falta de conhecimento analítico do mercado.
    Não existe um meio termo para uma humanização da economia; ou se está lastreado pelas premissas Austríacas ou estaremos diante do lançamento de um novo engodo. Que será tomado como verdade e será chamado de Liberal. Estamos diante de desserviço!

    Obrigado pela atenção.

    Abraços,

    Luiz Toledo
  • Pobre Paulista  10/10/2017 21:50
    Essa teoria econômica funciona perfeitamente para indivíduos esféricos no vácuo.
  • Alerson Molotievschi  10/10/2017 22:51
    Triste.

    Só precisamos do primeiro parágrafo do primeiro capítulo de Man, Economy, and State with Power and Market.. para concluir que é possível ganhar um título sem razão, sem qualquer Razão.
  • Franco  11/10/2017 02:33
    Eu senti uma pitadinha de recalque nesse artigo hein( risos ).

    A escola austríaca não inova em nada desde a morte de Mises. Você repetem conhecimento velho e isso é um ponto negativo.

    Deu pra perceber também o motivo real da birra com a "economia comportamental"...
    o Estado... vocês tomaram birra porque a economia comportamental mostrou uma função importante do Estado na economia.

    Vocês deviam parar de seguir religiosamente o líder de vocês(Mises) e inovar o conhecimento.

    E respondendo a questão do artigo:

    "E, de novo, o paradoxo se mantém: afinal, se os seres humanos possuem um comportamento irracional e devem ser guiados para se tornarem mais racionais, então quem serão os ultra-racionais agentes incumbidos de guiar racionalmente todos os outros?"

    Máquinas...sim, computadores
    Um algorítimo é menos corrupto que um ser humano.


    A nossa democracia pode ser redesenhada.
    Nós usamos modelos do tempo de Montesquieu, essa é a verdade.

    O capitalismo depende de leis, segurança jurídica, e quem trata disso é o Estado. Vocês dependem do Estado. Esse é o paradoxo que os liberalóides não enxergam.
  • Abner Ribeiro  14/10/2017 23:46
    "Um algoritmo", só existe se alguém o criar.
    Não entendo muito sobre isso, mas para um algoritmo funcionar precisa de informações e essas informações tem que ser o passo a passo detalhado de como as pessoas agem. Como você conseguiria essas informações de todas a pessoas que fazem parte de uma economia( há cada segundo)???

    Justiça. Infelizmente isso ainda está na mão do estado, por esse motivo o capitalismo defende o livre mercado para não haver esse monopólio que existe hoje, para existir uma concorrência.
  • Guilherme Ruffini  16/10/2017 03:20
    Pesquisa por jurimetria. Como algoritmos tomam melhores decisões que os nossos juízes quando estão com fome.

  • anônimo  11/10/2017 11:44
    Acredito que como o Estado é uma "entidade" que transcende os indivíduos e goza da reputação de vontade pública, é perfeitamente viável certas iniciativas pontuais no que tange a padrões de comportamento. Afinal, historicamente, as nações surgiram com o objetivo de criar regras para convivência, vejo a economia comportamental como um aprimoramento dessa condição.
  • Guilherme Ruffini  11/10/2017 13:35
    Leste asiático usa muito o conceito de Nudge em políticas públicas voltadas à convivência.

    Mas tem um caso de uma cidade americana na tentativa de reduzir o consumo de energia que é sensacional.

    Eles não obrigaram, nem sobretaxaram a conta de luz, apenas disseram se os vizinhos estavam economizando mais que você. E só isso foi suficiente pra combater o apagão.
  • Guilherme Ruffini  11/10/2017 13:32
    Algo que o autor esqueceu de mencionar, é que autores como o Kahneman não propõe "pessoas iluminadas para guiar as políticas públicas", pelo contrário, ele não confia em humanos tomando decisões, a sugestão dele é automatização.

    E cuidado ao afirmar que a EC demoniza os neoclássicos, não é bem assim. Ela veio para atuar em micro, não veio substituir os agregados.

    Por fim EC é muito mais que Thaler e Nudges. É sim uma busca nas origens da economia, que deriva da psicologia, e veio cobrir um espaço deixado na teoria neoclássica para entender o comportamento do indivíduo. O resto parece um pouco forçação de barra do autor.
  • André Bolini  11/10/2017 13:53
    Kahneman? Já li o livro dele "Thinking, Fast and Slow". Leitura até interessante, mas repleta de exortações nada subliminares pela intervenção do estado, enfatizando a necessidade de tutela dos seres humanos, que são intrínseca e inevitavelmente "irracionais" -- como advoga a economia comportamental.

    Aliás, copio baixo o excelente comentário do feito pelo leitor Daniel Bem-Ami:

    Em uma entrevista à BBC, o Daniel Kahneman (outro Nobel) disse que os hábitos dos taxistas são um exemplo de comportamento irracional. A lógica dele é que é difícil encontrar taxis em dias de chuva e, ao mesmo tempo, os taxis estão sempre vazios em dias de sol. Logo, disse ele, os taxistas deveriam ofertar seus serviços muito mais em dias chuvosos e ficar mais em casa nos dias de sol.

    Dias de sol, segundo Kahneman, deveriam ser dias de folga para os taxistas; e dias de chuva deveriam ser de trabalho intenso, pois são mais lucrativos. E o fato de os taxistas fazerem o exato oposto disso mostra como eles são "irracionais". Em vez de pensarem em maximizar sua renda, trabalhando mais em dia de chuva, eles simplesmente vão para a casa quando já alcançaram sua meta daquele dia.

    Só que qualquer um que já tenha conversado com taxistas ou que até mesmo pare para pensar um pouco nesta questão irá perceber que as coisas não são tão simples assim. Alguns taxistas dizem que, contrário ao que diz Kahneman, pode haver bem menos passageiros em dias de chuva. Por exemplo, um eventual passageiro que estava pensado em sair para comer pode decidir comer em casa em vez de tomar chuva. Já outros taxistas afirmam que, quando está chovendo, os passageiros tendem a fazer viagens mais curtas e menos lucrativas para o taxista, em vez de viagens mais longas.

    Há também o fato de que vários taxistas têm contas a pagar semanalmente. Assim, para garantir sua renda, eles têm de dirigir sob qualquer que seja o tempo. Eles não podem se dar ao luxo de optar por ficar em casa em dias de sol. Tampouco podem se dar ao luxo de ficar esperando os mais lucrativos dias de chuva para só então ir trabalhar. A meteorologia em si é totalmente imprevisível.

    Nestes casos, simplesmente não há uma solução perfeita, a qual será adequada para todas as circunstâncias. É provável que a ação correta irá variar de acordo com as condições específicas de cada local, bem como com as necessidades específicas de cada indivíduo.

    O ponto é que é simplesmente errado pressupor que taxistas que trabalham mais em dias de sol estão se comportando irracionalmente. Eles podem ter motivos perfeitamente racionais para estar dirigindo naquelas condições e não em outras. Com efeito, é muito provável que eles saibam muito mais sobre como gerenciar suas próprias vidas do que Daniel Kahneman.
  • Guilherme Ruffini  16/10/2017 03:18
    Kahneman estava certo sobre o taxista ser irracional, o Uber se aproveitou exatamente do tempo ocioso aguardando passageiro.

    Isso não quer dizer que o Kahneman entenda de economia pra propor alternativas, ele identificou o problema.

    Achar que esses caras vão virar Piketty é forçar a barra.
  • Marcos  16/10/2017 11:38
    A descrição do Kahneman nada prova sobre irracionalidade de taxistas, como bem explicado pelo exemplo acima.

    Outra coisa: o Uber lucrou em cima de uma reserva de mercado protegida pelo estado, cujos preços cobrados eram artificialmente altos. Ele entrou neste mercado cobrando menos e, com isso, abocanhou uma enorme fatia deste mercado.

    Absolutamente nada a ver com o suposto "comportamento irracional" dos taxistas, mas sim com "cobrar preços menores que os estipulados pelo estado".

    Estude mais economia.
  • Luiz Moran  11/10/2017 14:16
    Toda ideologia é uma tentativa fracassada de planificação.
  • Júlio César  13/10/2017 22:10
    Muito bom o artigo.

    Mas fora desse debate teórico sobre indivíduos racionais e, lógico, dispensando totalmente essas "cutucadas" excessivas e intromissivas que os economistas comportamentais propõem, podemos observar (ou vislumbrar) alguns pontos em que um incentivo do governo, se não é benéfico, pelo menos leva ao menor dos males.

    Exemplo esse ocorre quando um governo que quer estimular o reinvestimento das empresas, permite que elas deduzam uma parte de seus impostos e destinem especificamente para tal fim. Ou quando para estimular o investimento em formação de capital em um país, o governo vai lá e reduz ou zera impostos sobre bens de caminhões, tratores, máquinas, equipamentos, etc.

    Em outro caso, supondo-se que, do ponto de vista do orçamento, seja mais viável investir-se em medidas que previnam doenças futuras do que ter que lidar com uma população que sofre de doenças crônicas, não seria de todo o mal o governo dar um empurrãozinho para que as pessoas tivessem hábitos mais saudáveis. Ressalto que é do ponto de vista de para onde vão os gastos do governo, porque essa aí de regular a disposição dos alimentos no supermercado para mim também é demais.

    Enfim, em termos práticos, essa 'economia comportamental' pode ser bem aproveitável.


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